A VOZ DO SILÊNCIO – KOE NO KATACHI (CRÍTICA)

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SINOPSE
A Voz do Silêncio – Koe no Katachi (声の形) conta a história de Shōko Nishimiya, uma estudante da 6ª série do primário, que sofre de surdez. Ela é transferida para uma nova escola, mas acaba sendo intimidada por seus colegas de turma. Dentre eles, Shouya Ishida, um dos valentões que tiram sarro da menina, se torna um dos principais responsáveis por forçar a garota a mudar de escola.

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Ishida na fase do primário

 

ASPECTOS DO FILME
A animação possui traços e movimentos suaves, contando com uma imagética clara, nítida e bem detalhada. Durante a o filme, a “câmera” foca em elementos, aparentemente, irrelevantes em uma análise mais rasa. Uma boa sacada da Kyoto Animation, foi não botar legendas quando a Nishimiya sinaliza, apenas quando ela (tenta) falar. Provavelmente para mostrar como o deficiente auditivo se sente deslocado. Logo, você se vê obrigado a realmente prestar atenção às imagens. O que não se torna um problema, quando os diálogos e as cenas “vazias” são perfeitamente intercalados, sem causar aquela confusão de “olho para legenda ou pro filme?”

SOBRE O FILME
A história inicialmente, gira em torno do bullying sofrido por Nishimiya no primário (6ª série), porém não é apenas uma história de vilão e mocinho. Vemos as situações a partir do ponto de vista do agressor. Shoto se torna um “problema” para os alunos, pois, antes ela era a novidade. Visto que nenhuma das crianças conhecia aquela realidade, ela começa a incomodar. Esse incômodo é manifestado principalmente em Ueno, uma amiga de Ishida. Ela até questiona a professora sobre a nova aula com a lógica : “Se a Nishimiya é uma só, não é mais fácil ela se adaptar à maioria, do que o inverso”? Como Shoto já tinha um caderno para comunicação, isso se tornava muito mais fácil para os outros.

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(Tradução: “Eu sou surda.”)

As primeiras partes do filme já trazem fortes questionamentos. Seria a prioridade sempre da maioria das pessoas? Como criar gerações inclusivas? O que realmente é a inclusão? É importante salientar que, Ishida não era o único agressor. Mas também Ueno, (que participava ativamente), sem contar os passivos. Como Kawai, que mesmo não fazendo comentários maldosos, achava graça das “brincadeiras”. O pior comentário que Shoya poderia ouvir sobre as práticas era: ” que maldade”, ” coitada” sempre acompanhados de risos. Portanto para Ishida, que era um menino popular na sala, estava fazendo o papel de bobo da corte, o que era positivo pra ele.

118_03(Nishimiya chegando em casa após ser agredida)

É interessante lembrar que o filme se passa no Japão, onde o bullying costuma ser bem radical. Com agressões, pichações na carteira ou no quadro como: ” se mate ” (nos níveis mais exagerados). E muitas desses atos eram praticados com Nishimiya. Portanto, a maioria dos ocidentais quando veem o filme, podem achar algo bem cruel para crianças de 10 anos.

118_04(Ishida jogado no lago da escola)

O GRANDE PLOT  – Não é um spoiler. Acontece logo no início. É quando a situação se inverte, Ishida é tratado como semente ruim e se torna alvo do bullying. Isso ocorre quando o professor diz à turma que a mãe de Nishimiya a tirou do colégio, pela filha estar sofrendo bullying. A turma logo aponta para Ishida, que se torna o único responsável por tudo que ocorreu. Mesmo que ele acuse outras pessoas, ninguém o leva à sério.

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(Visão de Ishida no colegial)

Silenciado, ele mesmo se exclui de tudo e todos. Isso é mostrado após uma passagem de tempo no filme, quando os personagens já estão no colegial, onde Ishida enxerga um ” X” tampando o rosto das pessoas, como um símbolo de perigo. Com um sentimento de arrependimento, Shoya procura Nishimiya para pedir perdão e tentar se reaproximar. Inicialmente, ele só faz isso por se sentir culpado. Mas durante essa odisseia muitas coisas mudam para o personagem, incluindo sua percepção e sentimentos sobre Shoto e também as pessoas a seu redor.

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(Ishida conhece Nagatsuka)

Quando me refiro à percepção, também quero incluir confiança. Quando Ishida percebe que alguém não é uma ameaça, o “X” no rosto da pessoa cai, como um adesivo sem cola. Isso acontece inicialmente com Nagatsuka, que se torna o primeiro amigo de Ishida nesta nova fase. É importante ressaltar, que não é uma simples história linear, há uma teia formada entre os personagens que envolvem vários fatores além do passado. O que cria uma simpatia pelos personagens, tornando-os “humanos” aos olhos do espectador e contribui para que o longa-metragem seja tão emocionante. Mas, não posso passar muito desse ponto, pois já se tornaria spoiler, o que não é o objetivo desta postagem.

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(Ishida e Nishimiya no metrô)

INTERPRETAÇÃO E CONCLUSÃO
A grande mensagem do filme é a dor que o silêncio esconde. Os conflitos da história são causados pelo silêncio. Seja ele em forma de negligência, como aconteceu com as agressões que Shoto sofreu, seja omitindo sentimentos, como Ishida o fez. Em uma das cenas iniciais, é mostrado um rio, formando ondas circulares que vai se expandindo como se algo entrasse em contato com a água.

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Por mais fútil que possa parecer, essa única imagem já diz muito sobre a narrativa, em que pequenas atitudes, causam grandes problemas. Como por exemplo, a tentativa de suicídio de Ishida (Não é um spoiler, também faz parte do início do filme) que é basicamente, quando ele transborda de culpa e sentimentos ruins que acumulou durante tanto tempo, entre outras situações que ocorrem no filme.

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INTERAÇÃO
Mas claro, está é a minha visão sobre Koe no Katachi. Pode ser que você discorde do meu ponto de vista e apontamentos, ou tenha algo para acrescentar. Portanto, se sinta à vontade para compartilhar suas observações ou opiniões, na área de comentários abaixo.

INFORMAÇÕES SOBRE O FILME
Gêneros: Animação (Anime), Drama e Romance
Lançamento: 17/09/2016 (Japão)
Duração: 2h e 9min
Classificação: 16 anos
Disponível em: Netflix
Produzido por: Kyoto Animation
Dirigido por: Naoko Yamada
Escrito por: Reiko Yoshida
Design: Futoshi Nishiya
Música: Kensuke Ushio

PERSONAGENS E SEUS DUBLADORES
Shoya Ishida: Miyu Irino e Robbie Daymond
Shoto Nishimiya: Saori Hayami e Lexi Marman
Yuzuru Nishimiya: Kristen Sullivan
Tomohiro Nagatsuka: Graham Halstead
Naoka Ueno: Gia Grace
Miki Kawai: Amber Lee Conors
Miyoko Sahada: Melissa Hope
Toshi Mashibasa: Max Mittlelman

Barra Divisória

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Publicado por

Misthy

Amante de história, e estudante, da língua japonesa, também sou ilustradora digital (ainda em processo de evolução) . Desde sempre muito ligada à cultura e arte, sou uma traça de livros e não vivo sem música. Mãe de 5 de pets, tenho um amor incondicional por animais e pela natureza. Sempre ligada no 220, estou constantemente praticando novas atividades, como a mais recente delas, que é a fotografia ( também em evolução). E agora, colunista da NerdComet :)

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