HALO 3 – ODST (CRÍTICA)

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SINOPSE
No ano de 2552, a cidade de Nova Mombasa, no Quênia, se encontra sob o domínio da raça alienígena COVENANT, que busca algo misterioso nas entranhas da cidade. O jogador será o Novato da ODST (Tropa de Choque de Desembarque Orbital), divisão de elite da UNSC (Comando Espacial das Nações Unidas) que terá de recompor os passos de seus amigos e reencontrar seu pelotão e, por fim, escapar da cidade dominada pela guerra.

Alternando entre os eventos presentes, nos quais o Novato procura pistas de seus amigos, e os flashbacks, que contam a história de cada companheiro após o pouso e dispersão do pelotão, o jogador terá que controlar diversos soldados com recursos mínimos alternando entre a furtividade e a ferocidade para se reagrupar e ainda descobrir um segredo que pode mudar os rumos da guerra.

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O JOGADOR E A HISTÓRIA (Análise)
Uma pequena busca pela rede e você terá de detonados a análises muito mais completas das que eu aqui proponho. As minhas impressões se centram em aspectos simples: o fato de não jogar em console já há bastante tempo (finalizei esse game no Xbox 360 de um amigo) e, por ser professor de literatura, abordar os aspectos do enredo com mais ênfase. Não terá super dicas ou spoilers, mas impressões que lhes podem ser úteis ou não.

Quanto a jogabilidade de alguém que voltou aos consoles recentemente, jogos de tiro em primeira pessoa (FPS) sempre foram os que mais me chamaram a atenção. Sou herdeiro de uma geração de Goldeneye 007 do Nintendo 64 (já resenhados aqui) e lá nos primórdios de meu vício no gênero também curti lutar contra raças extraterrestres em outros games do mesmo console como toda sequência de Turok e Perfect Dark (2000). Este último com alguma semelhança com Halo no que diz respeito ao conceito e design das armas, o  radar de combate e o espaço. Então no geral, tirando minha debilidade em coordenar movimentos no joystick, considerei uma ótima experiência.

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No Modo Campanha, fonte de minha análise, a história possui certas peculiaridades e clichês que são comuns a qualquer enredo de guerra. No entanto aqui são abordados de forma empolgante e é preciso muita capacidade de adaptação por parte do jogador mais inexperiente (como eu). Seguimos de perto múltiplas narrativas. Cinco companheiros preencherão as lacunas por trás da missão em Nova Mombasa: o Novato, Edward Buck, Veronica Dare (líder da missão), Taylor “Dutch” Miles, Kojo “Romeo” Agu e Michael “Mickey” Crespo. O ritmo se torna diferente quando o jogador assume o controle de cada um dos amigos. Por exemplo as missões do Novato exigem mais furtividade e menos tiros, as dos amigos são mais ferozes e podem contar com a ajuda de veículos especiais como tanques e caminhonetes ou até mesmo planadores do inimigo. Eu me senti mais à vontade pilotando do que sendo pilotado (como no tanque) e acho que deve ser o mais fácil para um cara com pouca habilidade como eu.

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Enquanto o Novato precisa de esgueirar pela cidade escapando dos alienígenas (ao meu ver pouco diversificados e quase sempre os mesmos), mas também encontrar pistas de seus amigos. Cada detalhe encontrado ao final de cada missão é um gatilho para um flashback e a partir desse momento encarnamos a perspectiva de um dos outros colegas de pelotão. O Novato (que não possui fala alguma e representa você) executa uma investigação e os flashbacks reconstroem a história. Assim alternamos entre a tensão silenciosa e a ação frenética do fronte de batalha.

O enredo enfoca a sobrevivência (tá na cara né?), contudo ainda há espaço para fortalecimento dos vínculos de amizade e amor (tem um romance no meio) bem dosados além de um resgate improvável. São poucas as reviravoltas na trama e por mais que o enredo não seja linear (com as constantes voltas ao passado), a história em si é, visto que se trata de uma chegada, uma complicação e uma saída do combate em Nova Mombasa.

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CURIOSIDADES

  1. Linha do tempo: O jogo nasceu para integrar a lacuna de tempo entre Halo 3 e Halo: Reach, mas acabou situando-se temporalmente entre Halo e Halo 3. Assim, o diretor de história, Joseph Staten, escreveu uma espécie de narrativa de detetive utilizando elementos de design filme noir em cujas músicas, Martin O’Donnell, impôs um ritmo mais leve que lembra o jazz.
  2. Top de vendas: Mesmo tendo alcançado boas críticas em relação ao enredo e trilha sonora, Halo 3 – ODST foi questionado por suas missões de campanha curtas e poucos extras. Porém conseguiu ser top de vendas do Xbox 360 no ano de 2009, somando mais de 2 milhões de cópias mundiais vendidas nas primeiras 24 horas.
  3. Recursos limitados e inovações: O jogador não possuirá os radares de movimento e escudos tão comuns a série (exceto em ocasiões especiais), mas somente um sistema mais tradicional de barra de vitalidade e kits médicos, além de não poder manusear duas armas ao mesmo tempo. Isso combina com o clima de sobrevivência que o jogo imprime. Todavia o esquadrão possui duas novas armas, a M7S Submachine Gun e a M6C/SOCOM, além do limite de carregamento de granadas aumentado para três de cada tipo.

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FICHA TÉCNICA
Desenvolvido pela Bungie e publicado pela Microsoft Game Studios, Halo 3: ODST é um game de ação de tiro em primeira pessoa lançado em 22 de setembro de 2009. Seu roteiro é escrito por Joseph Staten, responsável pela direção das cinemáticas de todos os jogos da franquia até aquele momento. As composições são de Martin O’Donnell e Michael Salvatori, dois experientes compositores de trilhas sonoras. Trazendo tanto o modo campanha quanto o multiplayer online, Halo 3: ODST foi lançado com exclusividade para o Xbox 360, e há previsão de que venha a ser lançado um dia para PC.

CONCLUSÃO
Para os jogadores veteranos, Halo 3 ODST (2009) pode apresentar algumas limitações para quem está habituado à franquia, mas para um iniciante ou velha-guarda enferrujado como eu, pode ser uma experiência prazerosa por possuir uma jogabilidade simples e bem dosada. Confesso que é fácil de gostar da ação frenética e a troca constante de armas para se adequar as mais diversas situações de combate.

Essa é a chave de Halo 3 ODST: adaptação. Tanto as armas humanas ou adquiridas dos cadáveres dos COVENANTs como o controle dos diversos veículos (tanque Scorpion ou Wartogs), exigirão muito julgamento e habilidade por parte do jogador. Cada item possui suas características e conhecê-las fazem a diferença na imersão e êxito da campanha.

Outro ponto relevante são os diálogos não só nas cenas CG (computação gráfica) e filmes entre as missões, como também nas fases em que o jogador contará com a ajuda de seus companheiros de pelotão. No meio do combate eles dão dicas importantes, alertam ou mesmo tem uma piada ou ironia a ser feita. Eles não morrem, então não se preocupe em protegê-los, eles dão conta do recado.

No mais aproveitem para metralhar muitos Brutes, salvar seus amigos e descobrir um valioso segredo. Este jogo curto de dificuldade moderada fará com que as horas passadas diante da tela sejam pura diversão e tensão. Lembre-se: “Há um trunfo prioritário na cidade”. E resgatar é preciso, Novato!

Barra Divisória

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Publicado por

Marco Lima

Especialista em Estudos Clássicos pela Universidade de Brasília (UnB) e Especialista em História Antiga e Medieval (UERJ). Bacharel e professor licenciado em Letras: Português-Grego pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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