A VOZ DO SILÊNCIO – KOE NO KATACHI (CRÍTICA)

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SINOPSE
A Voz do Silêncio – Koe no Katachi (声の形) conta a história de Shōko Nishimiya, uma estudante da 6ª série do primário, que sofre de surdez. Ela é transferida para uma nova escola, mas acaba sendo intimidada por seus colegas de turma. Dentre eles, Shouya Ishida, um dos valentões que tiram sarro da menina, se torna um dos principais responsáveis por forçar a garota a mudar de escola.

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Ishida na fase do primário

 

ASPECTOS DO FILME
A animação possui traços e movimentos suaves, contando com uma imagética clara, nítida e bem detalhada. Durante a o filme, a “câmera” foca em elementos, aparentemente, irrelevantes em uma análise mais rasa. Uma boa sacada da Kyoto Animation, foi não botar legendas quando a Nishimiya sinaliza, apenas quando ela (tenta) falar. Provavelmente para mostrar como o deficiente auditivo se sente deslocado. Logo, você se vê obrigado a realmente prestar atenção às imagens. O que não se torna um problema, quando os diálogos e as cenas “vazias” são perfeitamente intercalados, sem causar aquela confusão de “olho para legenda ou pro filme?”

SOBRE O FILME
A história inicialmente, gira em torno do bullying sofrido por Nishimiya no primário (6ª série), porém não é apenas uma história de vilão e mocinho. Vemos as situações a partir do ponto de vista do agressor. Shoto se torna um “problema” para os alunos, pois, antes ela era a novidade. Visto que nenhuma das crianças conhecia aquela realidade, ela começa a incomodar. Esse incômodo é manifestado principalmente em Ueno, uma amiga de Ishida. Ela até questiona a professora sobre a nova aula com a lógica : “Se a Nishimiya é uma só, não é mais fácil ela se adaptar à maioria, do que o inverso”? Como Shoto já tinha um caderno para comunicação, isso se tornava muito mais fácil para os outros.

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(Tradução: “Eu sou surda.”)

As primeiras partes do filme já trazem fortes questionamentos. Seria a prioridade sempre da maioria das pessoas? Como criar gerações inclusivas? O que realmente é a inclusão? É importante salientar que, Ishida não era o único agressor. Mas também Ueno, (que participava ativamente), sem contar os passivos. Como Kawai, que mesmo não fazendo comentários maldosos, achava graça das “brincadeiras”. O pior comentário que Shoya poderia ouvir sobre as práticas era: ” que maldade”, ” coitada” sempre acompanhados de risos. Portanto para Ishida, que era um menino popular na sala, estava fazendo o papel de bobo da corte, o que era positivo pra ele.

118_03(Nishimiya chegando em casa após ser agredida)

É interessante lembrar que o filme se passa no Japão, onde o bullying costuma ser bem radical. Com agressões, pichações na carteira ou no quadro como: ” se mate ” (nos níveis mais exagerados). E muitas desses atos eram praticados com Nishimiya. Portanto, a maioria dos ocidentais quando veem o filme, podem achar algo bem cruel para crianças de 10 anos.

118_04(Ishida jogado no lago da escola)

O GRANDE PLOT  – Não é um spoiler. Acontece logo no início. É quando a situação se inverte, Ishida é tratado como semente ruim e se torna alvo do bullying. Isso ocorre quando o professor diz à turma que a mãe de Nishimiya a tirou do colégio, pela filha estar sofrendo bullying. A turma logo aponta para Ishida, que se torna o único responsável por tudo que ocorreu. Mesmo que ele acuse outras pessoas, ninguém o leva à sério.

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(Visão de Ishida no colegial)

Silenciado, ele mesmo se exclui de tudo e todos. Isso é mostrado após uma passagem de tempo no filme, quando os personagens já estão no colegial, onde Ishida enxerga um ” X” tampando o rosto das pessoas, como um símbolo de perigo. Com um sentimento de arrependimento, Shoya procura Nishimiya para pedir perdão e tentar se reaproximar. Inicialmente, ele só faz isso por se sentir culpado. Mas durante essa odisseia muitas coisas mudam para o personagem, incluindo sua percepção e sentimentos sobre Shoto e também as pessoas a seu redor.

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(Ishida conhece Nagatsuka)

Quando me refiro à percepção, também quero incluir confiança. Quando Ishida percebe que alguém não é uma ameaça, o “X” no rosto da pessoa cai, como um adesivo sem cola. Isso acontece inicialmente com Nagatsuka, que se torna o primeiro amigo de Ishida nesta nova fase. É importante ressaltar, que não é uma simples história linear, há uma teia formada entre os personagens que envolvem vários fatores além do passado. O que cria uma simpatia pelos personagens, tornando-os “humanos” aos olhos do espectador e contribui para que o longa-metragem seja tão emocionante. Mas, não posso passar muito desse ponto, pois já se tornaria spoiler, o que não é o objetivo desta postagem.

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(Ishida e Nishimiya no metrô)

INTERPRETAÇÃO E CONCLUSÃO
A grande mensagem do filme é a dor que o silêncio esconde. Os conflitos da história são causados pelo silêncio. Seja ele em forma de negligência, como aconteceu com as agressões que Shoto sofreu, seja omitindo sentimentos, como Ishida o fez. Em uma das cenas iniciais, é mostrado um rio, formando ondas circulares que vai se expandindo como se algo entrasse em contato com a água.

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Por mais fútil que possa parecer, essa única imagem já diz muito sobre a narrativa, em que pequenas atitudes, causam grandes problemas. Como por exemplo, a tentativa de suicídio de Ishida (Não é um spoiler, também faz parte do início do filme) que é basicamente, quando ele transborda de culpa e sentimentos ruins que acumulou durante tanto tempo, entre outras situações que ocorrem no filme.

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INTERAÇÃO
Mas claro, está é a minha visão sobre Koe no Katachi. Pode ser que você discorde do meu ponto de vista e apontamentos, ou tenha algo para acrescentar. Portanto, se sinta à vontade para compartilhar suas observações ou opiniões, na área de comentários abaixo.

INFORMAÇÕES SOBRE O FILME
Gêneros: Animação (Anime), Drama e Romance
Lançamento: 17/09/2016 (Japão)
Duração: 2h e 9min
Classificação: 16 anos
Disponível em: Netflix
Produzido por: Kyoto Animation
Dirigido por: Naoko Yamada
Escrito por: Reiko Yoshida
Design: Futoshi Nishiya
Música: Kensuke Ushio

PERSONAGENS E SEUS DUBLADORES
Shoya Ishida: Miyu Irino e Robbie Daymond
Shoto Nishimiya: Saori Hayami e Lexi Marman
Yuzuru Nishimiya: Kristen Sullivan
Tomohiro Nagatsuka: Graham Halstead
Naoka Ueno: Gia Grace
Miki Kawai: Amber Lee Conors
Miyoko Sahada: Melissa Hope
Toshi Mashibasa: Max Mittlelman

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SWORD ART ONLINE – ANIME (CRÍTICA)

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SINOPSE
111_01Em 2022 uma tecnologia que permitia entrar em mundos de realidade virtual realistas e detalhados se tornava febre entre os jovens e adultos japoneses. A novidade se chamava NerveGear, e consistia em um capacete que estimulava os cinco sentidos dos usuários, permitindo que eles conseguissem total imersão e controle de seus avatares. Akihiko Kayaba era o nome por trás da genial invenção, e quem também oferecia o Sword Art Online, um jogo de realidade virtual do tipo VRMMORPG, sigla para Virtual Reality Massively Multiplayer Online Role-Playing Game. Seu lançamento se daria no fatídico dia 6 de novembro de 2022, quando 10 mil jogadores entraram pela primeira vez em seus servidores, e para surpresa de todos, descobriram-se incapazes de deslogar. Kayaba então aparece informando para todos, que se desejassem a sessão, teriam de vencer todos os 100 andares de Aincrad, um castelo vertical de aço no cenário de Sword Art Online. E aqueles que fossem mortos na partida, ou que tentassem remover forçosamente o NervoGear, também seriam mortos na vida real. São nessas condições que sobressai Kirigaya “Kirito” Kazuto, um dos mil jogadores da versão beta e, profundo conhecedor dos ambientes e mecânicas de Sword Art Online. Kirito está convicto de poder vencer aquele desafio, aproveitando ter descoberto a identidade de Kayaba, para depois de sair, ir até ele e conseguir libertar todos os ainda presos no jogo. Em sua jornada ele enfrentará todo tipo de obstáculo, mas também fará amigos leais que lhe darão todo o suporte nesta fantástica aventura de vida ou morte.

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COMENTÁRIOS
Sword Art Online (ソードアート・オンライン) é o primeiro arco de uma franquia que já gerou dezenas de produtos relacionados, mas trataremos aqui especificamente o primeiro anime lançado no fim de 2012. De qualquer forma é importante saber que, como praticamente todos os animes existentes, este também é derivado de um mangá. A mente por trás deste incrível trabalho é Reki Kawahara, escritor japonês de light novels, e também autor de Accel World, uma outra obra de temática parecida. Para Sword Art Online, que vamos abreviar como SAO, Kawahara se inspirou principalmente no MMORPG coreano Ragnarök Online de 2002. E como eu sei disso? Eu abneguei por quase uma década de vida social em prol desta m… Enfim, eu joguei bastante e afirmo com toda convicção do mundo que todos os elementos de Ragnarök Online estão inseridos em SAO. O que não faz nem de perto isso ser um problema, já que o conceito traz quase infinitas possibilidades para se gerar conteúdo. E não é a toa que a franquia hoje tem cinco arcos de animes (com mais um já agendado para 2020), um longa metragem, uma infinidade de light novels, uns dez jogos para videogames, e óbvio, um número sem fim de mangás.

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Partindo da premissa do herói que toma para si a responsabilidade por todos, SAO segue bem uma grande lista de clichês clássicos do gênero seinen. Mas bem diferente da maioria das obras do estilo, ele valoriza muito o seu lado dramático e filosófico. Hoje a sociedade se vê cada vez mais dependente da tecnologia e sofre em se desconectar dessas vias inimagináveis de fios que ligam o mundo. Tudo é muito rápido, nossa forma de fazer vínculos e nos inserirmos em sociedades, acontecem num estalo. Então não é tão difícil entender, mesmo para você que talvez não faça ideia do que raios é um MMORPG. Mas entenda algo, assim como é natural e compreensível a socialização numa fila ou mesa de bar, o mesmo pode ser feito através do telefone. E então porque desconsiderar o mesmo em um jogo no qual você compartilha uma lista sem fim de tarefas, enquanto se diverte e interage verbalmente com novas pessoas? Acredito que explicando assim se torna inevitável entender a facilidade que é formar vínculo em alta velocidade com uma pessoa do outro lado do globo. E SAO se trata muito mais dessa relação entre pessoas, do que avançar pelos andares de uma torre para alcançar a vitória. No entando não se engane, não é porque atrás de uma aventura repleta de drama, que a coisa toda é arrastada e cansativa. Suas cenas de ação são muito empolgantes, existem alívios cômicos continuamente, o fan service está lá, e conforme vamos nos aproximando do fim do arco, uma clima épico vai aflorando para nos fazer entristecer por saber que a temporada irá acabar. Mas fique tranquilo, como dito antes, o que não falta é conteúdo para curtir na sequência.

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Título Original: Sword Art Online (ソードアート・オンライン)
Gêneros: Seinen, fantasia, ficção científica, drama e romance.
Total de Episódios: 25
Período no Ar: 08/07/2012 até 23/12/2012 (Japão)
Criador: Reki Kawahara
Direção: Itou Tomohiko
Designer de Personagens: Adachi Shingo
Direção de Animação: Adachi Shingo e Kawakami Tetsuya
Trilha Sonora: Kajiura Yuki
Estúdio: A-1 Pictures

CONCLUSÃO (COM DICA DE AMIGO)
Se você já é um fã de animes e procura assistir de tudo, então não perca tempo e vai logo lá conferir Sword Art Online se ainda não o fez. Mas se você já não é um otaku de carteirinha, então está aí uma excelente oportunidade de se inserir nesse universo cheio de boas histórias par contar. Relaxa, você estará seguro podendo sair quando bem entender, e isso sem precisar maratonar tudo de uma só vez para sair vivo. Porém deixo uma recomendação de saúde (mental) pública, fique distante dos MMORPG’s de verdade! Você não faz ideia do que é mergulhar em um jogo por dezenas de horas diárias as vezes, achar que está tudo bem, e quando se dá conta, ter pedido anos e anos em algo que não rendeu tantos frutos quanto o seu tempo fora dele poderia proporcionar. Jogos eletrônicos não são um vício, longe disso, mas quando se trata de MMORPG a coisa não é tão simples assim. É só você entender que num jogo deste gênero, existem conquistas umas atrás das outras, e no momento que você está dormindo, tem alguém correndo atrás daquelas conquistas para se manter no topo entre os mais bem sucedidos no game. Isso te instiga a jogar continuamente, afinal, eu pressuponho que a maioria das pessoas que se interessem por jogo tenham mais competitividade no coraçãozinho que a média da população geral. Enfim, não estou dizendo que você não deva jogar nada. Quem sou eu para querer pagar sermão pra alguém, mas só deixo o alerta. Nosso familiares e amigos de longa data são insubstituíveis, e se fez um novo no joguinho, trate logo, tomando todos os cuidados com segurança, de trazê-lo para o seu círculo real de amizades. Estes foram os conselhos do He-Man. Até a próxima minha gente!

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NEON GENESIS EVANGELION (CRÍTICA)

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ANIME DE ROBÔ GIGANTE? SÉRIO!?
Minha paixão pelos programas de televisão japonesa nasceu na década de 1990. Contava as horas para que a extinta Rede Manchete exibisse Jaspion e o Esquadrão Relâmpago Changeman. Este último me apresentou seres mitológicos, afinal os heróis os representavam: Dragon (Vermelho), Griffon (Preto), Pegasus (Azul), Mermaid (Branco) e Fênix (Rosa). Nunca me dei conta até esse texto, amigo leitor, que talvez esse seriado possa ter sido uma de minhas primeiras influências para gostar tanto de mitologia.

Tokusatsu

Cabe lembrar, ainda, que Changeman é o pai de muitos seriados de esquadrões de heróis (super sentai), o qual o mais famoso, ao menos para os jovens brasileiros, é Power Rangers. Mas tanto Jaspion, como Changeman, Flashman (que o sucedeu) e o Power Rangers da TV Colosso possuíam batalhas épicas em que a equipe pilotava um robô gigante (mecha) e combatia um monstro descomunal (muitas vezes ampliado por algum artefato ou arma) dizimando as cidades, campos, florestas. Eram lutas com coreografias por vezes toscas, personagens de colan e efeitos especiais saídos de uma festa junina, mas a gente se divertia a valer.

Neon Genesis Evangelion

É nesse ponto que se deu minha curiosidade por Neon Genesis Evangelion. Anos 2000, já era universitário, vivendo no alojamento estudantil da UFRJ, usando a rede cheia de gambiarras, para nas folgas de pesquisas e trabalhos acadêmicos, fazer download de conteúdo que não passava na TV aberta. É anime de robô gigante e com um traço maravilhoso! Consegui três episódios. Vi o primeiro umas duas vezes, mas nunca prossegui: não tinha o anime completo. O tempo passou, esqueci. Até que a Netflix disponibilizou a animação completa em seus 26 episódios e dois filmes (OVA’s) com finais alternativos. Confesso que vi este anime no momento certo da minha vida.

Neon Genesis Evangelion

SINOPSE: ADÃO E EVA’s
O anime Neon Genesis Evangelion (Evangelho do Novo Gênesis, em uma tradução livre) criado e produzido pelos estúdios GAINAX e Tatsunoko e dirigido por Hideaki Anno, foi transmitido pela TV Tokyo de 4 de outubro de 1995 a 27 de março de 1996. Quando tive meu primeiro contato, ele já era um sucesso a aproximadamente nove anos. Esperei muito para assistir, ao contrário da garotada atual que vê seu anime simultaneamente com a exibição no Japão.

Lilith Evangelion

O enredo se passa em uma versão futurística da cidade de Tóquio, quinze anos após o evento chamado de Segundo Impacto. O Primeiro Impacto se trataria da colisão de um objeto esférico gigantesco (a Lua Negra) há quatro bilhões de anos e que em cujo núcleo haveria a Semente de Lilith, a fonte e origem de toda a humanidade. Já o Segundo Impacto teria acontecido do ano 2000, na Antártida, após uma grande explosão que gerou o derretimento de toda região, aumento do nível do mar e tsunamis que teriam varrido cidades costeiras. Tal explosão teria sido causada devido ao contato com o primeiro anjo, Adão.

Neon Genesis Evangelion

Chegamos a 2015. Uma organização, a NERV (nerv, nervo em alemão), projeta grandes robôs, os Evangelions ou EVA’s, para enfrentar o retorno desses monstros gigantescos denominados Anjos. Eles possuem um grande campo de força (AT, do original, “Absolute Terror Field”, abreviação de “Campo de Terror Absoluto”) nem sempre fácil de penetrar e que os protege dos principais ataques físicos de armas de fogo e bombas de hidrogênio. Para pilotar os mechas, a resposta humana a essa ameaça, são escolhidas crianças de 14 anos cujo padrão combine perfeitamente com a genética dos robôs. O que de início parece um simples motivo para termos lutas épicas na telinha, o ponto alto do anime se desloca para a complexidade da mente, sentimentos e história dos pilotos: crianças que se deparam com a tarefa de proteger a terra de seu apocalipse, mas que precisam, também, lidar com a solidão extrema. Então não espere episódios seguidos de violência e selvageria: eles são intercalados com aqueles que mergulham no drama das relações humanas.

Dilema do Ouriço

O DILEMA DO PORCO-ESPINHO
A história começa quando Shinji Ikari, um garoto de 14 anos, é convocado para ir a Tóquio-3 a pedido de seu pai, Gendo Ikari, comandante maior da organização NERV, que o abandonou, ainda criança, junto ao seu sensei. Órfão de mãe, viveu isolado e sem carinho de familiar nenhum. Uma vida melancólica e imutável até seu mundo ser sacudido pela possibilidade de contato com o exterior e de pilotar, sem nenhuma explicação, uma máquina gigantesca.

Shinji e Misato

Sim, você terá muita raiva de Shinji: seu medo, seus sentimentos reprimidos, seus questionamentos, seu choro insistente, afinal o que esperar de um garoto de 14 anos tão solitário cujo única razão para existir é pilotar um Evangelion? Ele é acolhido pela Major Misato, mulher atraente, sexy e destemida que se torna a tutora do garoto, visto que mesmo estando na mesma cidade, Shinji e o pai não moram juntos.

Rei e Asuka

As duas outras crianças-piloto também possuem seus traumas e a sensação de isolamento. Rei Ayanami é misteriosa, fria e em raros momentos exibe qualquer tipo de emoção a não ser pelo pai de Shinji. Vive sozinha em um apartamento sujo e sem cor na região devastada pelas batalhas entre EVAs e Anjos. Seus pais são desconhecidos: a menina vive sozinha. Já Asuka Langley Soryu, a terceira criança, cresceu na Alemanha e, também, órfã. É passional, agressiva, não se relaciona com o mundo, e a todos odeia.

Arthur Schopenhauer

Tanto as três crianças-piloto, como a major Misato Katsuragi e sua amiga Dra. Ritsuko Akagi, revelam esta dificuldade extrema de se relacionar com os outros. No quarto episódio (O Dilema do Ouriço) a própria tutora de Shinji, ao defini-lo, usa a parábola do porco-espinho, uma alusão ao filósofo existencialista Arthur Schopenhauer. Assim o filósofo narra:

Um número de porcos-espinhos ​​se amontoaram buscando calor em um dia frio de inverno; mas, quando começaram a se machucar com seus espinhos, foram obrigados a se afastarem. No entanto, o frio fazia com que voltassem a se reunir, porém, se afastavam novamente. Depois de várias tentativas, perceberam que poderiam manter certa distância uns dos outros sem se dispersarem.

Arthur SchopenhauerDo mesmo modo, as necessidades sociais, a solidão e a monotonia impulsionam os “homens porcos-espinho” a se reunirem, apenas para se repelirem devido às inúmeras características espinhosas e desagradáveis de suas naturezas. A distância moderada que os homens finalmente descobrem é a condição necessária para que a convivência seja tolerada; é o código de cortesia e boas maneiras. Aqueles que transgridem esse código são duramente advertidos, como se diz na Inglaterra: keep your distance! Com esse arranjo, a necessidade mútua de calor é apenas parcialmente satisfeita, mas pelo menos não se machucam.

Um homem que possui algum calor em si mesmo prefere permanecer afastado, assim ele não precisa ferir outras pessoas e também não é ferido. (SCHOPENHAUER, Arthur. Arte de escrever. Porto Alegre, L&PM: 2009)

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Essa termina sendo a dinâmica que envolve os personagens: a dificuldade de se relacionar com o outro. O risco da decepção. É justamente a misteriosa quinta-criança, Kaworu Nagisa, que ao construir uma relação íntima com Shinji, acaba por analisar o amigo de forma profunda e resumir não só a personalidade do filho de Gendo, mas de muitos outros personagens:

“Eu sei que mantendo os outros a uma certa distância você evita uma traição da sua confiança. Por ora, você pode não se machucar dessa maneira, mas você não pode esquecer que tem que suportar a solidão. Os humanos não conseguem apagar essa dor porque todos são fundamentalmente sozinhos[…] Dor é algo que os humanos tem que suportar em seus corações […]”.

Sigmund Freud Evangelion

DEPRESSÃO, FREUD E SEXUALIDADE
Sem sombra de dúvidas, o anime é intensamente psicológico, visto que o próprio Hideaki Anno, diretor de Evangelion, passou por um período de isolamento e depressão. Quando no remetemos a Sigmund Freud (1856-1939), percebemos que a teoria da divisão da psique humana está no centro dos três protagonistas: Asuka, Rei e Shinji. Segundo o pensador alemão, nossa psique é dividida entre três partes: o id, o super-ego e o ego.

Asuka Neon Genesis Evangelion

Asuka sintetiza em suas características o que o id é para cada ser humano: inato, é a dinâmica do prazer, quer reconhecimento imediato e não se preocupa com as exigências externas. Age por impulso, apaixonada e apega-se a vaidade e o prazer da batalha.

Rei Neon Genesis Evangelion

Rei, por sua vez, assim como o super-ego, mantém o sentido da moralidade, segue as normas sociais cegamente (vide sua devoção por Gendo Ikari e ao cumprimento de toda e qualquer missão), não ultrapassa ou viola os tabus sendo o total oposto do id (e por extensão da Asuka).

Shinji Neon Genesis Evangelion

Shinji, por fim, é o ego. Está entre essas duas tensões opostas: Asuka e Rey. Ele tem que encontrar o equilíbrio entre os impulsos primitivos, a moral e a realidade. Ele vive a tensão em se enquadrar no que o mundo espera dele e sua capacidade de ceder aos seus instintos sexuais, raivosos.

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Como dentro de cada um de nós o id, o ego e super-ego precisam coexistir e colaborar para que homem e/ou mulher possam enfrentar os desafios diários; também Asuka, Shinji e Rei precisam unir forças para enfrentar os Anjos. A relação entre as três crianças-piloto, bem como os demais personagem em maior ou menor medida, lutam contra os movimentos instintivos do Eros (impulso de amor), Libido (o impulso sexual), Thanatos (impulso de morte) e o Destrudo (impulso de destruição). Assim o anime aborda questões polêmicas como relações sexuais, orientação de gênero, o feminismo, a violência gratuita, a falta de respeito em relação a vida, entre outros muitos aspectos.

Evangelion Spolier

MAS NÃO CONSIGO ENTENDER O CONTEXTO! (Spoilers!)
Neon Genesis Evangelion tem sua mitologia própria, mas com uma intensa correlação com nossa realidade. Para entender quem são os Anjos e os Evangelions, é necessário conhecer a versão do anime para origem do universo e da vida na Terra.

Adão e Lilith

No princípio “a primeira raça ancestral”, viajantes do universo, criou “duas sementes”: Adão (a semente da vida, a Lua Branca); e Lilith (a semente do conhecimento, a Lua Negra). Para semear a vida nos diversos planetas, em alguns semearam Adão que deram origem aos seres gigantescos (Anjos), e em outros Lilith, que engendrou a vida humana. Nunca as duas sementes coexistiram no mesmo planeta.

Lança de Longinus

A Terra teria recebido Adão, mas antes dos Anjos se desenvolverem, a semente de Lilith chegou ao nosso planeta. Como ambos não podiam existir simultaneamente, Adão acabou sendo selado pela Lança de Longinus, Lilith fora destruída e isso gerou o que se chamou de Primeiro Impacto.

Evangelion Segundo Impacto

O Segundo Impacto se deu justamente quando, no ano 2000, uma expedição encabeçada pelo pai da Major Katsuragi, ao visitar o Polo Sul, deparou-se com Adão. Assim que um humano (que em sua essência é descendente de Lilith) entrou contato com o Primeiro Anjo (Adão) gerou uma gigantesca explosão em que quase toda vida na Terra foi extinta. A única sobrevivente da expedição é justamente Misato, tutora de Shinji e oficial da NERV.

Evangelion Terceiro Impacto

Então Gendo Ikari, a frente da NERV,  inicia o Projeto Evangelion que a partir das amostras retiradas de Adão desenvolve os EVAs à espera da chegada dos 17 Anjos que precederão o Terceiro Impacto e talvez o fim de tudo que conhecemos. Mas a motivação do pai de Shinji e da SEELE, organização que está acima da NERV, são aparentemente as mesmas… só aparentemente.

Evangelion Religion

MITO E BÍBLIA (tem mais spoilers!)
As referências as religiosas são inúmeras, todavia antes de tornar algo maçante, ficam nas entrelinhas da história e servem como curiosidade ou elucidam algumas conexões da série. Deixo algumas como curiosidade:

  • Velho TestamentoO nome do anime está intimamente ligado a Bíblia. Genesis, pode se referir ao primeiro livro do Velho Testamento (ou do Pentateuco para os judeus) e tem significado do grego Γένεσις (génesis, origem, nascimento, criação). Já Evangelion, Evangelho em português, diz respeito a doutrina de Jesus Cristo como princípio de salvação da humanidade. Em grego, ευαγγέλιον (euangelion) é a “boa notícia, ou mensagem”.
  • Adão e EvaOs Evangelions, ou simplesmente EVAs, são construídos a partir de Adão em uma clara referência ao mito de Adão e Eva. No texto bíblico, Eva teria sido criada a partir da costela (ou lado) de Adão (Gn 2,21-22). Os EVAs da série seriam a boa notícia ou os bons mensageiros nascidos a partir do caos provocado pelo contato com a Anjo Primordial e literalmente, de células de seu corpo.
  • Neon Genesis Evangelion TheoryO mito de Lilith, está embutido na série tanto na origem da vida na Terra, como na possibilidade do Terceiro Impacto. Na crença tradicional judaica, ela teria sido a primeira mulher de Adão, mas, segundo Ben Sira, ela se recusava a obedecer Adão cegamente e inclusive nas relações sexuais quando se negava a “ficar sempre por baixo”. Identificada com a noite e com a coruja, tal personagem não está presente na Bíblia a não ser por uma breve menção (Is 34,14), mas que, segundo amuletos medievais, era comum ser representada em esculturas dos três anjos (Sanvi, Sansavi e Samangelaf) que a perseguiram para fora do Éden. No anime, a ligação de Lilith com a noite é o fato dela ser a Lua Negra. Se o mito judaico diz que ela foi mães de demônios, após ser expulsa do paraíso, a série nos mostra anjos capazes de destruição e morte. Os humanos da realidade de Evangelion, seriam demônios? Essa é só mais uma das forma do animes subverter o mito comum.
  • Três Reis MagosO três Reis Magos, popular no Natal cristão quando aparecem, na Bíblia (Mt 2,1-12), para recepcionar Jesus Cristo, estão presentes no anime na forma das três bases que formam o programa de computador Magi (mago) da NERV e que gerencia todas as operações dos EVAs. São elas Melchior, Baltasar e Gaspar (que contém a essência da mãe da Dra. Ritsuko Akagi).
  • AdãoO próprio Adão é representado crucificado, com pregos nas mãos e tudo mais, e trespassado pela Lança de Longinus (Lança do Destino), referência ao legionário romano que feriu Jesus com haste abreviando sua morte (Jo 19,31-36).
  • NERV LeafNo símbolo da NERV, há a metade de uma folha de parreira ou videira. Tal escolha reflete uma analogia que o próprio Jesus, no Evangelho de João, faz dele mesmo: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor.” (Jo 15, 1-8). E. desta forma, a organização é aquela que se arvora a ser a única detentora da verdade que pode salvar ou dizimar a humanidade.
  • Kabbalah EvangelionA Cabala, sistema filosófico-religioso judaico de origem medieval (séc. XII-XIII), está presente tanto no conceito do universo como emanação divina, como também na simbologia dos Anjos. A cada abertura vemos brilhar em azul representação da Kabbalah como a série assim interpreta. Afinal tanto Anjos como humanos emanaram de seres primordiais, no universo de Evangelion.
  • 043_30Por fim, há ainda o conceito de retorno a unicidade. O filósofo grego Parmênides acreditava que “O Universo constitui uma única entidade realmente imutável. Tudo é Um”. No fim do anime, o que se percebe é a tentativa da unidade, o retorno a divindade no que se assemelha ao bramanismo. Nesta religião hindu, haveria o retorno da alma a Braman, o Pai Universal, assim quebrando o ciclo de reencarnações não evolucionárias do ego. A série, principalmente no filme End of Evangelion, mostra que talvez Shinji, o ego, tenha que optar por aceitar sua individualidade, a felicidade ou desespero das relações humanas, ou perder-se para sempre na unicidade divina.

CONCLUSÃO: A BOA MENSAGEM
Se você vasculhar, não irá faltar análises detidas desse anime cult por aí na Internet, indicaria a do Canal Meteoro, por exemplo, se tiver maratonado os 26 episódios e visto os filmes. Tentei abordar aquilo que gerou dificuldade de entendimento e prazer ao ver essa série depois de tantos anos. Saber que, na esteira de tanto conservadorismo atual, um anime de meados da década de 1990 já abordava temas tão atuais e impactantes, que faziam a juventude e a galera mais madura pensar as relações humanas, enfrentar seus traumas. Quem diria?

Neon Genesis Evangelion

Se você quer somente um anime com cenas arrasadoras de combate, piadinhas pastelão ou caretinhas engraçadas, Neon Genesis Evangelion irá te decepcionar. Aqui a imersão nas contradições da alma é o teor predominante. Mais do que conflitos épicos, o espectador mais atento se encantará com personagens cativantes que compartilham sua solidão a cada cena. Vai ver que a depressão pode se esconder atrás de um sorriso, excesso de confiança ou jeito sexy de ser. Assim, ao final da boa mensagem (evangelion), descobrimos que muitas vezes, assim como os Anjos e humanos, temos vencer nossas barreiras, sermos tocados pelas pessoas que nos amam. Afinal, como diz Guimarães Rosa:

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

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O RAPAZ E O MONSTRO (CRÍTICA)

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Ren é uma criança que perde a mãe num momento onde seu pai tinha recém abandonado a família. Então parentes que pouco se importavam surgem para assumir sua guarda legal. Num surto de raiva por ver sua vida despedaçada, ele foge de casa e começa a vagar desnorteado pelas ruas de Shibuya, quando é encontrado e provocado por um personagem misterioso. Ren então o segue e acaba entrando num mundo paralelo onde todos que lá vivem são humanoides com características de animais. Ele encontra Kumatetsu, um monstro fracassado e mal-humorado que nunca consegue manter um aluno sobre seus ensinamentos. Juntos desenvolvem uma inusitada amizade onde todos saem ganhando.

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De um lado temos um jovem inocente e de coração puro que precisa apenas de alguém se importando um pouco com ele, e de outro um brutamontes grosseiro que não se importa com nada além de querer respeito da sociedade em que vive e ser o sucessor como senhor do seu reino. Por ironia do destino os dois acabam se encontrando, fazendo nascer um elo de mestre e pupilo onde os dois tem muito o que aprender. Ren é uma criança responsável para sua idade mas complexado por se sentir frágil demais, e Kumatetsu é o seu exato oposto, irresponsável mas excessivamente seguro de si. As limitações de um são exatamente a força do outro, e num exercício conjunto os dois aprenderão que os obstáculos só existem para ser transpassados.

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O anime é um longa metragem de 2015 do diretor Mamoru Hosoda produzido pelo Studio Chizu, e traz o ar fantástico de clássicos do Studio Ghibli como A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado. Hosoda tem em seu currículo alguns trabalhos conhecidos, como Summer Wars, Okami Kodomo no Ame to Yuki, e a série Digimon. Por O Rapaz e o Monstro foi premiado em 2016 como Melhor Animação do Ano nos Prêmios da Academia Japonesa, e teve críticas favoráveis da mídia especializada.

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Trazendo um trabalho de arte maravilhoso, com traços simples e bonitos nas animações ao mesmo tempo que detalhados nos backgrounds realistas, o anime encanta com sua beleza. Fiquei espantado com a complexidade de cenas onde se acumulavam muito movimento de uma só vez, como acontece na retratação urbana de Shibuya e na colorida Jutengai. As coreografias de lutas também são de qualidade espantosa, mostrando uma fluência e leveza que só podem ter sido adquiridas por captura. Eu não cheguei a confirmar essa informação, mas as movimentações são perfeitas demais, e caso tenha sido um trabalho inteiramente manual, merece mais aplausos ainda. A trilha sonora é fenomenal, se adequando precisamente ao sentimento de cada momento do anime. Mamoru Hosoda fez um trabalho incrível e que deve ser levado ainda mais ao conhecimento das pessoas.

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O Rapaz e o Monstro explora o amadurecimento numa aventura mágica, que pode e deve ser apreciado por pessoas de qualquer idade. Devido ao plot principal ser simples, fiquei com receio de entrar em mais detalhes e estragar a experiência de vocês. O filme está disponível atualmente na Netflix, então não perca a oportunidade de experimentar essa aventura de fantasia que ensina sobre confiança e amadurecimento.

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TENGEN TOPPA GURREN LAGANN (CRÍTICA)

Yoko
Um dia você está entediado em casa sem nada para fazer e então decide escolher um anime pra uma curta maratona. Não algo que dure centenas de episódios, mas algo que vá conseguir terminar no máximo em uma semana. Abre seu catálogo, olha pra lá e pra cá, enquanto coça a cabeça sem saber qual. Aí você percebe aquele inteligível título, Tengen Toppa Gurren Lagann. O que diabos seria isso? Eu pelo menos quando dou de cara com um anime diferente costumo já começar a assistir sem me preocupar em verificar nada, já dou o play e caio pra dentro. Com esse não foi diferente, convencido de que aquele seria o eleito, fechei as cortinas, me estirei na cama. Quando me dei conta já devia estar no sétimo ou oitavo episódio. Ponte que partiu!!! O que era aquilo maluco?! Que bagulho fantástico! Uma semana? Uma ova que eu levaria uma semana pra terminar, meu sono foi passear e eu estava pilhado sedento por mais! Eu terminei a noite, atravessei a madrugada, e alcancei o amanhecer assistindo sem parar aquela obra prima!

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A QUE VEM TENGEN TOPPA GURREN LAGANN
Visceral! Esse seria o mais adequado termo se me pedissem para definir o anime com uma única palavra. Afirmo sem rodeios que esse é o meu segundo anime preferido entre centenas que já assisti, e só não está em primeiro lugar por conta de Naruto existir. Então pode ter certeza, aqui vai ter sim muita rasgação de seda.

Gurren Lagann

SimonPLOT COM SPOILERS NÃO COMPROMETEDORES!
Simon é um garoto que vive no subterrâneo de um futuro fictício onde os seres humanos foram forçados gerações atrás a abandonar a superfície. Sua preocupação é apenas obedecer as regras do chefe e cavar junto com outros aspirantes de toupeira para expandir os limites da vila. (Só não me pergunte pra onde eles deslocam a terra escavada visto que não podem acessar o exterior.) O maior problema eram os constantes terremotos, e Simon tinha Kamina, seu melhor amigo. Um campeão da autoestima que sempre estava lá com palavras poderosas de apoio e conforto. Mesmo que as vezes algumas pudessem parecer meio loucas e sem lógica. Num belo dia Simon, na sua rotina de escavar, encontra uma pequeno objeto em forma de broca. Encontrar esses pequenos tesouros enterrados é o que mais o incentivava, então pendurou como um pingente no pescoço e continuou a cavar. Mais a frente bateu em algo sólido, era uma grande cabeça vermelha de metal, e empolgado correu para Kamina na intenção de chamá-lo para ver aquele incrível achado. De repente o teto veio abaixo! Trazendo junto uma enorme criatura metálica ao mesmo tempo que revelava a superfície que tanto Kamina insistia tentar convencer a comunidade de sua existência. Uma jovem de cabelos vermelhos e trajando pouca roupa também cai atirando com seu pesado rifle contra aquela ameaçadora máquina gigante. Certamente os dois estavam lutando na superfície quando romperam a fina camada do teto. Com sua segurança inabalável Kamina toma frente para enfrentar aquela abominável fera, paralelamente enquanto troca uma ideia com Yoko sobre as interessantes armas vindas da superfície. Os dois são interrompidos quando após um golpe da criatura vão parar num buraco, onde Simon surge e os pede para segui-lo. Eles chegam naquela cabeça vermelha encontrada um pouco antes, e Simon descobre que era uma máquina e poderia ser controlada. Sugere que Kamina entre e pilote.

Acha que o grande Kamina poderia roubar algo de seu irmão?!

Simon se intimida e diz que não é capaz.

Imbecil! Deixe o bom senso e torne possível o impossível! Não é essa a filosofia da Gurren?! Se alguém é capaz, esse alguém é você! Simon, não acredite em você! Acredite em mim! Acredite no Kamina que acredita em você!

Graças a inspiração de Kamina, Simon se contagia e percebe seu pingente brilhar igual a fissura do mesmo tamanho no painel da máquina. Encaixa como uma chave e gira. Aquela curiosa cabeça acorda saltando de volta para o mesmo plano onde o enorme monstro destruía a vila. Os dois entram entram numa violenta luta, e após Simon descobrir que uma broca era projetada da cabeça do seu pequeno mecha, se empolga enquanto Kamina grita ordens de apoio. Canalizando um alto nível de energia vindo de um lugar misterioso, Simon ainda extrai poderosas brocas também das mãos.

Força Simon! A sua broca é a broca que vai furar os céus!

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Com grande força de vontade atravessam o inimigo, rompem o teto, e chegam até os céus! Lá fora conquistariam o inimaginável! Feitos que nem mesmo Kamina poderia sonhar!

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FICHA TÉCNICA E PREMIAÇÕES
O shounen de mecha criado pela Gainax foi exibido na TV Tokyo de 1 de abril à 30 de setembro de 2007. Dirigido por Hiroyuki Imaishi e escrito pelo experiente Kazuki Nakashima, conta com com 27 episódios oficiais e alguns extras que mais fazem confundir do que somar. O anime foi criado procurando ser feito de um jeito que pudesse agradar tanto o público feminino quanto o masculino, bem como crianças e adultos. Carrega alta teor de comédia, ação, e piadinhas sexuais comuns do ecchi. Recebeu em 2007 uma versão em mangá ilustrado por Kotaro Mori, na revista shounen Dengeki Comic Gao! Tengen Toppa Gurren Lagann recebeu o Prêmio de Excelência na Japan Media Arts Festival, o de Melhor Produção para Televisão no Tokyo Anime Awards, além de Hiroyuki Imaishi receber o Personal Best como melhor diretor na 12ª Edição da Animation Kobe Festival, e de Atsushi Nishigori ter recebido o Best Character Design Award.

Tengen Toppa Gurren Lagann

RASGAÇÕES DE SEDA!
Animações altamente inspiradas mostram uma habilidade incrível de saltar de traços elegantes para os grosseiros com a finalidade de dar o tom exato à cada momento. Seu visual moderno e muito colorido se inspira muito na cultura underground urbana, e junto com a curiosa combinação de rap, hip-hop e rock, origina algo magnífico e único. Mas o principal destaque do anime, sem nenhuma dúvida fica por conta do seu enredo que é abordado. Trazendo um discurso sobre perseverança sem limites, amizade inabalável, coragem e sacrifício, e claro, sobre alcançar o infinito fazendo possível o impossível, Tengen Toppa Gurren Lagann te faz gritar de empolgação e se emocionar ao chorar nas situações mais imprevisíveis. O roteiro é algo grandioso! Extraordinário e capaz de te elevar à um sublime sentimento de alcançar o nirvana!

Gurren Lagann

Kamina é um personagem fictício capaz de abdicar da própria existência apenas por acreditar em você. É um fenômeno que rompe as fronteiras do anime conseguindo te inspirar com frases absurdas mas que fazem todo o sentido. Influencia e estimula cada sopro de vida com qual interage mostrando que o medo e fraqueza são apenas combustível para vencer em tudo! Abre as portas do infinito para que todos que estejam ao seu lado possam ingressar juntos!

Kamina

FIXANDO A REAL!
Se existe algum anime que deva ser visto por qualquer pessoas é esse, e se você se diz fã do gênero, é obrigatório! Tudo no anime funciona e faz bonito, tendo como um único mal perdoável, seus poucos episódios. Dica de amigo, fecha essa página, esquece a internet e vai assistir essa bagaça! Depois volta aqui e me diz se não estou sendo exagerado em todas as minhas afirmações. Esse anime eu bato no peito e compro briga com qualquer um pra defender!

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BLEACH: INVESTIGANDO O ANIME (CRÍTICA)

anime bleach

Se você vive no planeta Terra então conhece Cavaleiros dos Zodíacos, Dragon Ball, Naruto, talvez até Yu Yu Hakusho e One Piece, mas Bleach, você conhece? Não estou dizendo que seja algo undeground ao ponto de ser preciso uma pá para desenterrá-lo de algum lugar, mas é o tipo de anime que muita gente ouviu falar mas que nunca assistiu realmente. Bleach reina entre um dos animes mais visto de todos os tempos, tendo o Japão como sua principal fanbase. A série estreou no dia 5 de outubro de 2004 no canal TV Tokyo, e permaneceu no ar até o dia 27 de março de 2012. Ficava sempre no topo da audiência, até que os malditos fillers começaram a aparecer em peso, falarei sobre essa desgraça mais detalhadamente adiante. No Brasil chegou oficialmente em 2008 através do canal Animax de TV por assinatura, qual só transmitiu até a terceira temporada, e dali em diante o anime ficou que nem peteca em tudo quanto é canto, sem ser exibido até o fim em lugar nenhum. Hoje o anime pode ser oficialmente encontrado na Netflix e na PlayTV, onde também não está disponível até o fim. Mas o brasileiro é criativo e sempre arruma um jeitinho de conseguir assistir o restante, se é que me entende.

mangá

O MANGÁ QUE DEU ORIGEM AO ANIME
Dirigida por Noriyuki Abe e produzida pela TV Tokyo, Dentsu, e Studio Pierrot, o anime Bleach é fruto do mangá escrito e ilustrado por Tite Kubo. Seu sucesso lhe rendeu 87 milhões de cópias vendidas, incluindo o prêmio Shogakukan na categoria Shounen. A maneira inovadora que Kubo trazia ação nos seus traços era de causar inveja aos outros mangakás, e serviu de inspiração para muitos outros autores. O mangá foi publicado de 20 de agosto de 2001 à 18 de agosto de 2016, contando com um total de 74 volumes com 686 capítulos.

mangá do bleach

Um fato curioso é que Tite Kubo sofreu um pouco para ver seu trabalho publicado pela primeira vez. Enviou amostras para a Weekly Shonen Jump várias vezes sendo sempre recusado, o motivo não era a qualidade, até gostaram do trabalho, porém o mangá entrava em conflito com Yu Yu Hakusho, que já era vinha sendo publicado pela editora. Seu trabalho caiu nas mãos de Akira Toriyama, autor de Dragon Ball, qual elogiou muito o trabalho feito em Bleach e o incentivou a continuar criando e se esforçando, que uma hora seu trabalho seria publicado. O que o apoio dos colegas de trabalho não faz não é mesmo? O mundo precisa de menos competição e um pouco mais disso.

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FILLERS, A PRAGA DE BLEACH
Consegue imaginar o quão complicado discorrer sobre um anime tão grandioso como Bleach? Afinal, são 366 episódios no total, e infelizmente com um gigantesco número de fillers também. Esse nome infeliz, na minha tradução livre, significa encheção de linguiça. Geralmente os animes seguem o enredo se baseando nas histórias publicadas no mangás, e inevitavelmente ocorrem atrasos vez ou outra. Quando isso acontece o estúdio de TV precisa manter a agenda de programação, e pra suprir isso o que eles fazem? Criam histórias não-canônicas. Acontece que Bleach provavelmente é o anime que mais sofre dessa doença, possuindo um total de 166 malditos fillers, o que faz com que a série tenha 45% de lixo atômico mais ou menos. Ao invés de deixarem um hiato na série eles preferiram profaná-la desta maneira, e isso enfurecia a horda de fãs gerando uma queda absurda de audiência. Dizem que Tite Kubo se estressava horrores por conta da má qualidade dessas encheções de linguiça, porém era refém do contrato com a produtora.

bleach

021_04SINOPSE DO QUE DIABOS É BLEACH
COM LEVES SPOILERS NÃO COMPROMETEDORES!

O anime gira em torno do jovem estudante de 15 anos Ichigo Kurosaki, e ele possui um dom, consegue ver, falar e tocar em espíritos de pessoas desencarnadas. Num noite como qualquer outra uma coisa anormal acontece, uma menina baixinha vestindo um longo kimono negro e portando uma katana entra pela janela de seu quarto como se aquilo fosse super normal. Ichigo não se assusta, mas interroga o porque diabos dela ter entrado na casa dele pela janela, ainda mais com seu quarto ficando no segundo andar. Na cabeça dele aquele era só mais um dos muitos espíritos que vinham azucrinando ainda mais que o normal. Sendo ignorado após perguntar várias vezes, ele dá um belo chute jogando a garota para o outro lado do quarto, e só então ela percebe que pode ser vista por ele. Curiosa ela se pergunta como ele consegue fazer isso, e após deduzir sozinha os dois se apresentam, ela era Rukia Kuchiki, uma shinigami. Ichigo fica ainda mais confuso sobre o que raios seria isso, e ela explica, era uma ceifadora de almas. Vulgo Zé Maria com upgrades. Um Shinigami é responsável por encaminhar as almas dos mortos para a Soul Society, algo similar ao conceito de Paraíso para os cristãos, bem como eliminar hollows, espírito de pessoas amarguradas que se tornaram demônios sugadores de almas. Papo vai e papo vem, quando de repente uma grande força é detectada por Ichigo, e mais uma vez ela se surpreende, afinal, ele conseguiu perceber essa anomalia ainda antes dela. E ele era só um humano. A treta aperta conforme um enorme hollow se aproxima da casa, então Rukia lança um feitiço imobilizando Ichigo para que não interferisse. Não tarda muito e o andar de baixo é atacado, quando sua irmã mais nova sobe se rastejando pelas escadas e pedindo socorro pela outra irmã que havia sido levada. Ichigo com um grande esforço consegue se libertar quebrando o poderoso encantamento, e isso também espanta Rukia. Então sem pensar duas vezes ele corre para o andar de baixo se deparando com um enorme buraco na parede da sala. Seguindo os rugidos daquela abominação ele corre para rua, quando topa com uma criatura gigantesca tendo sua irmã nos braços. Rapidamente Rukia surge e avançando sobre o hollow, ferindo-o, mas também se machucando profundamente para conseguir libertar a menina. Ela pede para que Ichigo se aproxime e explica que ele é o único que pode impedir que todos morressem ali, e que para isso ele precisaria se transformar momentaneamente num shinigami. Sem relutar aceita a incumbência, então é transformado num shinigami. Vestindo o mesmo tipo de shihakusho, o kimono dos shinigamis, porém portando uma enorme Zenpakutou, como são chamadas as armas individuais e exclusivas de cada ceifador. O enorme hollow parte em ataque na direção dos dois, e Ichigo agindo instintivamente se move com extrema velocidade e destruindo o monstro facilmente. Rukia observa aquilo tudo sem acreditar. Como podia um simples humano deter tanto poder ao ponto de criar uma Zenpakutou tão grande? E o seu próprio poder? Ele tinha sugado tudo quando ela o passou pra ele, ao ponto que ela não conseguia ter forças para desfazer a transferência. Então é assim que a parceria entre os dois começa e Ichigo vai se entranhando cada vez mais onde não deve. Essa é apenas a premissa desse enorme anime, que atravessa várias aventuras de uma forma fantástica e única.

shinigami

BLEACH NÃO É UM SHOUNEN COMO OS OUTROS
O que faz um anime ser bom? Existe uma série de fatores, óbvio. Talvez a pergunta não tenha sido formulada de maneira adequada, então eu pergunto diferente, o que faz uma história ser boa? Bem, acho que concordamos que ela precise de um plano de fundo, um problema, e pelo menos um personagem em construção buscando uma solução. O problema de Bleach é que ele não tem tudo isso em sua completude, esse é o seu maior pecado, e eu explico os porquês.

021_08AFOGADO EM PECADOS
Bleach não explora de maneira coerente seus personagens, Ichigo ao menos tem um grande objetivo por alcançar. Diferente de Naruto, que desde o início está decidido em se tornar Hokage, de Luffy em One Piece, que sonha ser O Rei dos Piratas, ou mesmo Simon que tem como objetivo honrar a memória de Kamina até o fim, como acontece em Tengen Toppa Gurren Lagann. Já Ichigo não, ele não tem ambição de nada, simplesmente problemas inesperados surgem e ele parte para solucionar. Não é nada dele, não é uma busca própria, não é um personagem em conflito que precisa evoluir. Sua personalidade original se mantém do começo ao fim da série, ele é simplesmente um garoto com vivacidade e que gosta de lutar. Algo mais próximo de Goku ou Yusuke, que se comportam em função de seus animes de forma bem similar. Aí você pensa que isso é ótimo, afinal, Dragon Ball e Yu Yu Hakusho são dois puta animes! E mais uma vez a gente se engana. Entendemos que Ichigo não tem um objetivo e é um personagem que não evolui, ou seja, não sofre construção de personalidade, certo? Goku e Yusuke também, passam muito pouco por isso, mas e os que lhe cercam? O que existe ao redor desses três personagens comparados? Em Dragon Ball e Yu Yu Hakusho existem vários personagens, e diferente de Bleach, uma quantidade significante deles tem suas personalidades e passados explorados, adicionando um plano de fundo que permite que esses animes se construam não apenas em lutas e nos graus de poder alcançados, mas sim abrindo sempre possibilidade de novas narrativas. Em Bleach pouquíssimos personagens são construídos, e quando ocorre, não são os heróis principais do anime. Apenas alguns vilões são desenvolvidos e sofrem algumas mutações de personalidade, geralmente é a redenção e superação da arrogância. Mas nada muito mais profundo que isso. Tudo isso é uma pena, visto que Bleach possui um plano de fundo de potencial riquíssimo que não é explorado, e que serviria perfeitamente como alavanca para solucionar todos os outros problemas se assim o autor quisesse.

IchigoREDENÇÃO INERENTE
Então como Bleach consegue tanto engajamento de sua audiência? Bem, a resposta pra isso é simples. Ele é um dos melhores no que se propõe ser! Só não chega a ser o melhor porque temos o suprassumo dos animes shounens, Naruto. Estou falando sobre porradaria! Ichigo nunca escondeu que suas principais características eram a de ser nervoso e explosivo, e isso é colocado desde o primeiro episódio do anime. Ele não leva desaforo pra casa, e cada problema que surge, por pior e mais absurdo que seja, o que ele faz é meter a cara sem se preocupar com a consequências. É isso que faz de Bleach, mesmo com suas deficiências ser uma experiência incrível. Você sempre fica na gana de ver como ele vai se virar pra superar aquele enorme problema em que se meteu. O anime não tem um objetivo maior e não precisa, existem pessoas que curtem exatamente as subidas gradativas de poder e não se importam se todo o restante é simples. As vezes precisamos apreciar uma obra pelo que ela realmente é, e não o que gostaríamos que fosse. Se você é o tipo de pessoa que não sabe aceitar e não aprende que a vida não é feita sob medida pra gente, vai perder uma série de experiências maravilhosas. Quem sabe Tite Kubo não idealizou que toda a coisa funcionasse realmente assim? Talvez o plot de Bleach fosse apenas um pretexto para ele exibir o que faz de melhor, cenas épicas de lutas de um cara que não tem medo algum do seu fim. Bleach divide opiniões entre os apreciadores de animes, sendo que quem não gosta sempre vai ter sua razão para cobrar suas falhas, mas nunca poderá dizer que ele não é um excelente shounen de pancadaria.

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CONCLUSÃO FELIZ OU TRISTE?
Temos em Bleach um anime que exige muita compreensão de quem assiste, e se essa é uma pessoa que não consegue se desligar das comparações com outros animes com propostas parecidas, definitivamente ela vai se entediar no decorrer do percurso. Principalmente no caso dela sobreviver até o momento que der de cara com os famigerados fillers. Mas caso seja uma pessoa que queira diversão descompromissada, com empolgantes ascensões de poder, piadas pontuais, um fan service equilibrado, e muita, mas muita pancadaria com altas cargas emocionais, nesse caso sim Bleach é um pratão cheio.

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GRANBLUE FANTASY: A ANIMAÇÃO (CRÍTICA)

Granblue Fantasy The Animation

Granblue Fantasy: A Animação traz um mundo onde ilhas voadoras dividem a geografia num conceito tradicional já conhecido por amantes dos jogos de RPGs japoneses como Final Fantasy ou a série Tales Of. Barcos voadores, ilhas flutuantes com suas quedas d’água e edificações com arquiteturas fantásticas proliferam pelo anime. Nada é original ao mesmo tempo que nada incomoda, simplesmente ele traz um conceito clichê, mas que se valendo de sua qualidade acaba convencendo. O anime é derivado de um jogo de RPG Granblue Fantasy lançado em 2014 no Japão pela Cygames para Android, iOS e navegadores web. No mesmo ano lançaram uma light novel que trazia códigos de conteúdo extra para o jogo. Poucos anos depois a adaptação para anime estreou nos canais japoneses Tokyo MX, AT-X e BS11, e chegou para o restante do mundo através do serviço por de stream por assinatura Crunchyroll. Tanto o jogo quanto o anime levam as assinaturas de Nobuo Uematsu e Tsutomu Narita na trilha sonora.

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PLOT (Com leves spoilers do primeiro episódio!)
Após anos sofrendo com experiências nos laboratórios do Império, a jovem Lyria é ajudada a escapar pela desertora Katallina. A fuga não é tão exitosa assim, e após uma grande explosão, Lyria é atirada da grande nave onde estava e cai em meio uma densa floresta. Ali próximo estava Gran, um jovem aprendiz de espadachim que durante seus afazeres domésticos em sua vila, ouviu o estrondo e percebeu que algo azul brilhante caía do céu. Curioso e preocupado, correu na direção para descobrir o que era acompanhado de seu amigo, um pequeno lagarto voador. Lyria, Katallina e Gran se encontram, e logo são cercados pelos inimigos que evocam uma enorme criatura. Gran é atingido mortalmente, e num ato de desespero Lyria faz uso de seu poder trazendo-o de volta à vida. Agora ambos possuem um laço mágico, onde a vida de um depende da outra, então Gran se junta às duas numa incrível jornada.

Granblue Fantasy

Contando com 12 episódios e mais 2 OVA’s, Another Sky e Jack O’Lantern, o anime faz o papel de criar um subproduto para fãs do jogo, mas também é capaz de agradar quem quer apenas um bom divertimento. Traz uma aventura despretensiosa tendo cenas de ação com boa qualidade e um mundo com potencial para ser melhor explorado em futuras temporadas. Os personagens seguem estereótipo clássicos sem demonstrar vergonha disso, e a minha única reclamação é de apresentarem de uma só vez vários deles sem um desenvolvimento maior quando chega nos últimos episódios. Seu melhor atrativo fica para o visual e trilha sonora, com traços simples e elegantes, o anime mantém a boa qualidade do começo ao fim. E eu já ia me esquecendo de lembrar, o último episódio é a tradicional festa do biquíni, puro fan service para a meninada, em nada soma para o enredo da série.

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ONE PUNCH-MAN: SÓ UM SOQUINHO

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O conhecimento de que japoneses são seres sinistros e perigosos, imagino que seja senso comum à qualquer cidadão bem informado. Alienígenas super inteligentes e organizados que invadiram o planeta em algum momento da história. Aquela ilhazinha não me engana, só sendo muito ingênuo em não perceber ser ela inteira uma enorme nave, e que escolheu bem mal onde pousar. Talvez tenha caído por acidente, afinal, não faz muito sentido vir parar nesse planeta de babuínos selvagens e não se mandar logo. Agora estão lá, encalhados e tendo de sobreviver à todo tipo de catástrofe natural providas por essa rocha redonda, bisonha e hostil. E em meio isso tudo, esses aliens ainda conseguem fazer algo como ninguém, criaram e perpetuaram os mangás e animes. Pokémons, e o Godzilla também. Conseguem a eficiência de produzir 11 episódios de animes, e 32 mangás pra cada cidadão chinês. Por dia. O que dá mais ou menos… não sei, vê tu aí.

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Em meio essa eficiência de produção equivalente à Globo com suas novelas de vinganças, surgiu o mangá virtual One Punch-Man. Não li o mangá, e vou te revelar, não leio mangás. Sendo sincero eu nunca me interessei, sabia do plano desses alienígenas e da dominação mundial, então não me seduzi, só assistia animes. E é sobre o anime que falarei. As pessoas que me conhecem sabem como sou, minha modéstia física não corresponde ao meu poder interior. Saitama é parecido com isso, um pouco mais modesto, mas parecido de qualquer forma. Ele é um cara diferenciado. Contarei num breve resumo sobre sua historia.

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Tédio era uma constante para o Careca de Capa, como comumente é chamado. Sofria angustiado por não encontrar um oponente forte o suficiente para fazer frente ao seu poder, e destruía fileiras de incontáveis inimigos sem um mínimo desgaste. Queria desafios, alguém que o levasse ao limite, estava sempre esperançoso de que a próxima seria a luta que extrairia dele ao menos uma gota de suor, mas não, desmaterializava monstros épicos mais fácil do que você pisando numa formiga. Certo dia um formidável inimigo surgiu. Ele tinha poderes místicos incomensuráveis, e evocou a gravidade de um real buraco negro contra Saitama. Que nem o mínimo dano sofreu. Ele chorou, infelizmente não por dor, como tanto queria.

Saitama

Um ser tão poderoso assim necessitava ser explicado. De onde vinha toda essa capacidade? Começaram a surgir uma série de teorias, dentro e fora das telas. Alguns diziam ser um poder mágico, que de alguma forma o Careca havia conquistado. Como ou de quem? Quem teoriza não sabe explicar. Outros diziam que seu poder vinha de seres super poderosos de galáxias distantes, como supõe a Teoria Cósmica. Talvez então Saitama teria recebido seu incrível dom de um poderoso deus, ou mesmo do próprio Deus com D maiúsculo? Aliás, também existem os que creem que o rapaz na verdade seja a reencarnação de um deus, uma verdadeira entidade ambulante. Teorias à parte, Saitama tem sua própria explicação, e ela em essência é baseada em muita perseverança e treino.

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Saitama era um rapaz ambicioso Queria ser forte. Então ele treinou. Pegou puxado. Se esforçou pra caramba. Todos os dias fazia com rigor um treinamento especial. Eram 100 flexões, 100 agachamento e 100 abdominais, e a puxada bateria não parava por aí, ele ainda corria rigorosos 10 quilômetros sem descanso. Além disso também era primordial fazer 3 refeições ao dia e não fazer uso de ar condicionado, seja no verão ou inverno, isso para treinar a resistência do corpo.

One Punch-Man

Eu acho todas essas teorias uma grande baboseira, e aceito a explicação de Saitama. Porém com uma observação que passou despercebido por ele. Existem no careca atributos ainda mais inabaláveis que sua dedicação e disciplina, e a principal delas é a humildade. Vemos por aí muito super-heróis, a maioria em roupas extravagantes e cheios de pose, mas Saitama não. Ele se veste com trajes básicos e só usa capa para ter alguma mínima estabilidade em voo. Sempre respeita seus oponentes, e sempre, sempre ele mesmo vai ao supermercado fazer suas compras. Saitama não tem empregados, se ele quer algo busca com os próprios esforços. Boa-praça e amigo de todos, e entendo que esse é o seu diferencial dentre todos. Não é um falso humilde, ele verdadeiramente é humilde. Tudo o que ele crê se torna verdade, exatamente por ele não vacilar em crer. Sua segurança cria próprias realidades, onde seu treinamento se tornara o suficiente para ele alcançar o que realmente desejava ser, forte. Saitama é o detentor perfeito do indivíduo que só quer ser poderoso para ser útil, não para levar créditos ou aparecer para alguém. Sempre longe dos holofotes, não se importa absolutamente com nada, além claro, da paz de poder ir no supermercado.

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O herói ganhou grande fama mundial, e mais uma vez os japoneses obtiveram êxito em seu controle da mente. Com o sucesso do personagens fãs de outras franquias não demoraram em querer trazer seus queridinhos para competir com Saitama. Trazem Naruto, Goku, Superman, Thanos… é de dar dó dessas pessoas. Gostam tanto de seus personagens e o trazem para a morte. Deviam ter trazido logo a própria morte, talvez assim Saitama transformasse toda a humanidade em seres imortais, seja na conversa ou exterminado o próprio Zé Maria.

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