O POÇO – UMA ANÁLISE LITERÁRIA DO FILME

141_00

Uma prisão dividida em diversos andares. Dois presos por andar, seja ele um voluntário em busca de uma certificação ou que busque se isolar; seja ele um condenado por algum crime. A cela é um cômodo: camas, pia e privada. Sem portas. A única saída ou entrada é uma abertura no centro. Um poço por onde sempre descerá um banquete em uma plataforma. Um único banquete para os quase infinitos andares. Aqueles que estão nos andares superiores comem com fartura. Os restos são descidos. A medida que o banquete desce pelo poço, menos comida vai sobrando em meio a migalhas, restos. Quanto mais abaixo no poço, mais fome se terá. A situação é mudada de tempos em tempo quando um gás desacorda os presos e, novamente, ao despertarem estão em um andar diferente podendo ter mais sorte ou azar, mais fartura ou fome. Mas isso, é óbvio.

141_01

1. O bicho homem: de oprimido a opressor

Quando olhamos a dinâmica do filme, inicialmente vem-nos a mente a luta de classes ao modo marxista ao evidenciar que aqueles que estão em uma esfera superior, pouco se importam como os que estão abaixo deles (o termo comunista chega a ser citado). Há a manutenção perpétua do status-quo: nem mesmo aqueles que em um dado momento alcançam os primeiros andares se importam com seu passado de fome. Neste ponto o longa-metragem espanhol é repleto de referências filosóficas que pensam a dinâmica da sociedade. Tem riqueza e fartura quem se banqueteia nos andares superiores e aos de baixo resta-lhes as migalhas ou nada. Nem aqueles emergentes, que ficam subitamente na elite do poço, se importam com sua pobreza anterior. Isso reflete diretamente a nossa sociedade ao mostrar que temos a tendência de esquecermos de que também fomos oprimidos e nos tornamos opressores narcisistas, parafraseando Paulo Freire. Claro que a animalização humana é uma constante no filme ao reduzir o homem e sua racionalidade ao instinto da fome (Manuel Bandeira, implicitamente), numa esfera naturalista que relega e destrói a todos em prol da sobrevivência do mais forte. Darwin aprovaria esse enredo e aplaudiria de pé, se estas circunstâncias acontecessem no mundo real.

141_02

2. O inferno são os outros: a punição

Isso mesmo, o enredo do filme não se passa em nossa realidade. É uma metáfora bem construída e potencializada de nossa sociedade, mas o filme é uma ficção da ficção. Nesse sentido o terror do longa-metragem se estabelece com uma esfera angustiante de ameaça constante a “vida” dos personagens. Bem, se é que é vida, pois eles estão no inferno. Afinal, pela cultura ocidental, é no submundo, no Hades, no Sheol, no Tártaro que ficam presos aqueles que por seus crimes (é óbvio) ou vícios (como o de fumar) são punidos. Mas no Poço não há necessidade de “grelhas” para arder a alma do maus. “O inferno são os outros”, como diz o filósofo Jean-Paul Sartre, pois “projetamos nos outros a nossa realização e aguardamos deles que amenize o vazio que nos habita”. Desta forma, O Poço é uma roupagem nova para a punição no inferno, no qual as chamas eternas são substituídas pela fome que queima e pela centelha de uma esperança na mudança do outro, ou do sistema que nunca ocorre ou ocorrerá.

141_03

3. O inferno de Dante: no fundo O Poço

A primeira parte da consagrada obra de Dante Alighieri está nas entrelinhas do funcionamento do Poço. Este poema com mais 14 mil versos conta a história de Dante que decide encontrar sua amada Beatriz após sua morte. Para isso ele passará pelo Inferno, onde é guiado pelo poeta latino Virgílio, o Purgatório e o Paraíso. A parte mais conhecida é justamente o Inferno porque ficou notória a crítica social à Itália do século XIII em que o poeta colocou no poema todos os seus desafetos e a elite daquele tempo. Mas é justamente as nove regiões do Inferno de Dante que inspiram diversas passagens do filme, inferno esse também em andares cada vez mais profundos, os círculos. O filme está na ordem inversa da obra do poeta italiano: do nono ao primeiro ciclo (dos andares superiores do Poço ao último).

  • 141_04O nono círculo: Os traidores – No poema italiano é o Lago Cócite, pavimento de gelo. Aqueles que traem seus companheiros ficam aprisionados aqui. E a traição aqui é baseada na fome, quando a amizade é esquecida em favor da fome, ou mesmo quando se quer reter algum alimento do banquete às escondidas. O ambiente começa a congelar (ou esquentar) de forma drástica. Qualquer andar ou pessoa é traidora: fica claro e até ÓBVIO para quem vê os primeiros momentos do filme.
  • 141_05O oitavo círculo: Pecados e calor – Neste ciclo há muitos pecados listado a arder nos vapores infernais. Novamente vemos os mais diversos pecadores no andares do poço. Por mais que a gula seja o que mais chama a atenção, há luxúria, ira, inveja… Mas sempre puníveis com o calor se alguém burlar as regras da fome.
  • 141_06O sétimo círculo: A violência – Neste ciclo está todo aquele que agiu contra o próximo. Assim todos podem praticar a morte no Poço e agir contra o próprio companheiro de cela. Em Dante é o Vale da sombra da morte; no Poço é a morte do outro que vale. Não há confiança e todos serão tomados pela violência em algum momento.
  • 141_07Sexto círculo: Os hereges A fé não está resguardada, nem em quem acha que a solidariedade é o caminho, nem em quem quer usar a corda como atalho para sair do Poço. Aqui a noção de Deus é distante e pouco a pouco todos se distanciam dele, sem deixar de blasfemar ou deturpar os valores cristãos: homens bons matam, mulheres boas interpretam a Bíblia de forma hedionda e a própria existência de Deus é questionada.
  • 141_08Quinto círculo: Ira – Em Dante é um lago de sangue onde ficam mergulhados os irados. Pense no Poço, nos assassinatos e no sangue que a todos permeiam. Lembre-se da mulher que mata e vive em constante sujeira sanguinolenta. Ela sempre mergulhada em sua busca sangrenta.
  • 141_09Quarto círculo: AvarentosAcomete a todos no Poço. Não há partilha quanto mais alto é o andar em que os condenados se encontram. Querem o melhor para si e esquecem dos outros. Engordam vergados pelo peso da saciedade e se apegam aos seus itens pessoais.
  • 141_10Terceiro círculo: Os gulosos – Neste círculo do inferno de Dante aqueles que comem demais ficam na lama e são por fim devorados pelo cão de três cabeças Cérbero. É a própria dinâmica do Poço em que aqueles que comem demais imediatamente servirão de alimento, para a fome canina do outro. Não esqueça que há um cão nessa história: Ramsés II, faraó conhecido por Ozymandias (Rei dos Reis). O cão vira vítima da fome, o verdadeiro Cérbero, rei dos reis do Poço.
  • 141_11Segundo círculo: O julgamentoAcontece de forma crua e seca na entrevista antes de entrar no poço com a escolha da comida favorita e do objeto que levará para prisão. Minos, ser infernal, julga em Dante; a administração e os formulários no Poço. O inferno já estava ali desde sempre.
  • 141_12Primeiro círculo: Limbo – Primeira região de Dante é onde está os que morreram pagãos, que não conheceram Jesus e que vagam na eterna escuridão devido a não iluminação de suas mentes. O último andar é o primeira círculo da Divina Comédia. Uma menininha oriental, não batizada, pagã perto do divino (o andar é 333, três vezes, número da Divina Trindade), mas longe da salvação. Andar que também é o da besta visto que 333×2 dão 666 pessoas condenada (como salientou Dan Pereira Leite). E por fim um Gorik fadado ao limbo, a escuridão de quem não conheceu a salvação ou a luz.

141_13

4. Dom Quixote e a antropofagia

Se pensarmos que O Poço é uma representação do Inferno e que a principal punição deste lugar hediondo sãos as ações dos outros, fica fácil entender as motivações do protagonista Goreng. Ele escolhe estar no Poço em busca de redenção pessoal em relação ao seu vício em fumar. Acredita que expiará essa falha, que será um herói do auto domínio. Acredita nessa ilusão. Se observamos a caracterização do ator, ele nos lembra da imagem que temos de Dom Quixote, herói do livro de Miguel de Cervantes, o fidalgo que acreditou ser um cavaleiro andante e que lutava por uma donzela que não existia. Goreng é um homem abastado que quer ser herói de si mesmo (vencedor do vício) e do Poço (ao tentar salvar a mãe e sua filha). Mas seu Sancho Pança, óbvio que é o Trimagasi, tenta fazê-lo entender a filosofia do lugar onde ele está, trazê-lo para realidade infernal. Tanto Quixote como Goreng acreditam na ilusão e tem seus Sanchos até o final ao seu lado. Se você tem dúvida, lembre-se da cena em que, literalmente, Goreng come o seu livro, afinal “você é aquilo que você come”. Assim ao final da jornada de Dom Quixote, ele descobre a verdade; Goreng, por sua vez, descobre a ilusão e fica eternamente preso no limbo com Trimagasi.

Por fim há ainda de prestar atenção que Goreng é atormentado por quem ele se alimentou. Não é canibalismo, porque isso seria o simples prazer alimentício de comer carne humana. Não é o caso de nosso “herói”. Podemos dizer que o faz por necessidade. E ao se alimentar do outro, os humanos passam a habitar sua essência. Alimente-se do guerreiro mais forte: antropofagia, um ato religioso. Então Trimagsi e Imoguiri, a dona do cachorrinho, passam a habitar os pensamentos de Goreng e incentivando-o tanto no banquete que desce na plataforma como no banquete humano.

141_14

5. Sempre uma última ceia: a blasfêmia

Quando vemos a antiga recepcionista, Imoguiri, nos delírios de Goreng incentivando-o a comer carne humana, ecoa a citação bíblica da Última Ceia de Jesus com os apóstolos antes de ser crucificado (Mateus 26:17-30, Marcos 14:12-26, Lucas 22:7-39 e João 13:1 até João 17:26). Para ser o inferno precisa deturpar os valores de Deus de alguma forma e nada do que levar ao pé da letra “comer do meu corpo e beber do meu sangue”. Nesse ponto o Poço parece ironizar as primeiras perseguições feitas aos cristãos primitivos, acusado de fazerem sacrifícios humanos pelos Romanos. Muitos cristão foram morto por causa dessa interpretação. Os pagãos entendiam esses trechos como literalmente um sacrifício e não como rito simbólico de memória. Se para um cristão comer e beber da essência de Jesus os deixam saciados de qualquer fome carnal ou espiritual, para Goreng cada banquete sanguinolento só o leva a uma fome maior e desesperadora.

Outro dado: a trajetória de Jesus fala de uma mesa em que todos possam se alimentar, o banquete dos justos. É o comensalismo, uma filosofia que prega que todos devem ser aceitos à mesa e que todos são iguais. Ninguém deve alimentar-se das migalhas da mesa dos ricos (Mateus 15: 21:39). Até o cachorrinho Ramsés II, come mais do que quem está nos andares inferiores. Também o Poço subverte a ótica cristã e nem as migalhas deixa aos famintos e o banquete não é para todos.

Por fim a menina ao final. Aquela que lhe está destinada uma Panacota perfeita, sem nenhum cabelo. Ela mesma pura, limpa. Naquele inferno até a esperança é uma ilusão. No Poço, na Caixa de Pandora, de todos os males a criança é a esperança. Como pode uma menina conservada em um estado tão puro em um lugar hediondo sem se alimentar. Impossível. A última refeição é dela, da esperança ilusória de Goreng, o Dom Quixote do Poço. Ele fica para sempre no Limbo enquanto a esperança e a salvação sobem em alta-velocidade como oferenda de verdade. A esperança sobe veloz e furiosa sem chance de salvação. A mensagem final: bom apetite, pois chegamos ao fim do Poço.

Barra Divisória

assinatura_marco

ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS (CRÍTICA)

140_00

Seis anos se passaram desde a Ordem 66 e o fim da Ordem Jedi (Star Wars Episódio III: A Vingança do Sith, 2005). O Império Galáctico precisa de uma arma definitiva capaz de minar qualquer ameaça ao seu domínio. Assim o responsável pelo projeto militar, o diretor Krenic, tenciona trazer de volta seu engenheiro-chefe, Galen Erso que se isolou arrependido de participar de um plano tão diabólico. Esta é a história por trás da construção da Estrela da Morte. Para ser mais exato, é a história de um grupo de soldados rebeldes que precisa reacender a esperança na Galáxia e, sem temer as consequências, deter a construção da “matadora de planetas”.

Para isso a Aliança Rebelde recrutará Jyn Erso, a filha sobrevivente de Galen. Ela, que fora criada pelo extremista Saw Guerrera depois que seu pai foi coagido a cooperar com o Império e sua mãe ser assassinada, é a única que pode unir as pontas soltas da trama. É preciso que Jyn entre em contato com Guerrera, pois ele tem informações cruciais sobre seu pai e o projeto da arma suprema do Império. Informações que podem mudar o destino da Galáxia. Na jornada, a amizade, a fé na Força e a esperança de um futuro melhor terão que ser reconstruídos no coração da Aliança Rebelde para um dia por fim na tirania do Imperador Palpatine, Darth Sidius. Sua confiança será depositada em um grupo de heróis totalmente inesperados tendo Jyn e o capitão Cassian Andor como líderes da missão Rogue One.

140_01

Título original: Rogue One.
Direção: Gareth Edwards.
Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy, John Knoll e Gary Whitta.
Duração: 2h 13min
Lançamento: 15 de dezembro de 2016.

140_02

Elenco: Felicity Jones (Jyn Erso), Diego Luna (Cassian Andor), Alan Tudyk (K-2SO), Donnie Yen (Chirrut Îmwe), Wen Jiang (Baze Malbus), Ben Mendelsohn (Orson Krennic), Guy Henry (Governor Tarkin), Forest Whitaker (Saw Gerrera), Riz Ahmed (Bodhi Rook) e Mads Mikkelsen (Galen Erso).

140_03

1. A HISTÓRIA DA ESTRELA DA MORTE
Podemos de dizer que o maior feito bélico do Império Galáctico é a arma suprema, a Estrela da Morte. Esta nave gigantesca em forma de lua e armada com um poderoso canhão laser canalizados por cristais Kyber (o mesmo utilizado para construção dos sabres de luz) é capaz de dizimar planetas inteiros. E isso chocou a todos que virão o Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), quando a princesa Leia Organa vê seu planeta natal Alderan ser desintegrado.

No entanto o Imperador já punha em prática a construção dessa nave devastadora há muito mais tempo do que imaginamos. Antes das Guerras Clônicas, ainda como Chanceler Supremo, notamos que os planos para a Estrela da Morte estavam nas mãos dos Separatistas que se retiraram diante da investida jedi na Batalha de Geonosis (Episódio II: O Ataque dos Clones, 2002). Isso nos dá indícios que os fabricantes droides estavam de alguma forma ligados ao projeto inicial como parte dos planos do Conde Dookan e Palpatine.

140_04

Isso se confirma no Episódio III: A Vingança dos Sith (2005). Primeiramente vemos que em seu gabinete o Chanceler Supremo Palpatine, dono de poderes emergenciais, analisa os planos da Estrela da Morte antes de uma conversa com Anakin Skywalker, futuro Darth Vader. Ao final da trama, quando o Imperador finalmente extinguiu a Ordem Jedi, tomou o controle total do que antes era a República Galáctica e converteu Anakin Skywalker em Darth Vader, o mestre e seu aprendiz admiram a construção do esqueleto da “Matadora de Planetas”.

Nessa cena ainda vemos que estão acompanhados pelo Grande Moff Tarkin, o impiedoso comandante da Estrela da Morte, e que desde as Guerras Clônicas conseguiu subir ao poder e estar cada vez mais perto tanto de Anakin como de Palpatine, como nos mostra a série animada Clone Wars (Episódios 3×15-3×17; 5×17-5×20).

140_05

Treze anos antes da Batalha de Yavin, na qual a Estrela da Morte seria destruída por Luke Skywalker (Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), o diretor Orson Krennic precisa reconduzir o engenheiro-chefe, Galen Erso, ao trabalho na arma suprema. Erso se exilara com sua esposa e filha Jyn em um planeta afastado, Wobani (um anagrama para Obi Wan), para viver uma vida simples como fazendeiro. Mas o projeto não pode prosseguir sem Galen. Então Krennic, acompanhado dos impiedosos Troopers da Morte, precisa coagir seu antigo subordinado a voltar para construção da Estrela da Morte. O resultado é desastroso: o engenheiro é forçado a retornar, sua esposa Lyra Erso é assassinada diante de seus olhos e sua filha precisa se esconder e esperar pela ajuda de Saw Guerrera, amigo da família e a esperança de sobrevivência da menina. Desta forma a Estrela da Morte caminha para sua conclusão de forma irremediável para a Galáxia.

140_06

2. QUEM É SAW GUERRERA? (Spoilers não comprometedores)
Simplesmente: ele é rebelde até para Aliança Rebelde! Sim, um extremista capaz de fazer atos inomináveis tais quais o Império. Já havia causado diversos problemas a Aliança (que não são mencionados no longa-metragem) e que acabou tendo uma mente perturbada e tendo parte de seu corpo sobrevivendo por meio de implantes robóticos e sistemas de vida. No entanto plenamente atuante e com sua base escondida no planeta Jedha, outrora lar de um dos maiores templos Jedi.

Antes de tomar conta da pequena Jyn Erso e se tornar uma espécie de pai adotivo, ele esteve a frente, ainda muito jovem, de um frente rebelde contra o domínio separatista de seu planeta Alderon. Planejava conquistar a capital Isis e destituir o poder vigente com ajuda de sua irmã e do Conselho Jedi. No entanto, a Ordem não quer se envolver diretamente no conflito civil apenasse limitando a treinar a Aliança Rebelde a agir de forma militar e coordenada.

Depois que se infiltram na cidade, os jedis acabam deixando Ahsoka Tano como conselheira estratégica, informal da nova líder Rebelde Steela Guerrera, irmã de Saw. Mesmo reconduzindo ao governo seu líder legítimo, Saw Guerrera perde muito com a vitória sobre os Separatistas. Apesar de Alderon ter recuperado a paz e voltado ao seio da República, Saw Guerrera perde sua irmã. Esse sacrifício endurece ainda mais o coração do rebelde e talvez seja o motivo de sua ações extremistas como a Aliança Rebelde o caracteriza em Rogue One. Esses fatos, contados na série animada Clone Wars (5×02-5×05), também nos remete a própria origem da Aliança Rebelde e coloca Saw como um de seus fundadores.

Assim Saw Guerrera é encarregado pela força das circunstâncias a criar e educar Jyn Erso, que cresce entre os ataques e planos terrorista de Guerrera. É forjada na iniciativa Rebelde, mas passa a desacreditar nela desde que Saw a abandona temendo que a usassem para feri-lo. Desde então ela passa a viver sem se importar com nada, neutra e cometendo crimes. Presa, acaba sendo solta pela Aliança Rebelde, pois é a única que pode entrar em contato com Saw Guerrera e sobreviver. E o líder extremista é o único que possui uma mensagem secreta de seu pai, Galen, que foi enviado por meio do piloto, Bodhi Rook.

140_07

3. UMA MISSÃO SUICIDA (Alerta de Spoiler / pule para a conclusão)
Coagida a ajudar a Aliança em troca de sua liberdade, Jyn Erso se junta a Cassian Andor, um oficial capaz de qualquer coisa pela cauda Rebelde, e um androide do Império reprogramado K-2SO. Não há afeição ou confiança, mas eles precisam ir a Jedha encontrar Saw Guerrera e assim ter acesso ao piloto Bodhi Rook e a mensagem que ele porta de Galen Erso.

No caminho esbarram em dois antigos guardiões do templo de jedi, Chirrut Îmwe e Baze Malbus, que parecem sentir a Força permear as ações da jovem Erso. Assim após uma batalha são conduzidos a Saw Guerrera que finalmente revela o conteúdo da mensagem: Galen trabalhou por anos a fio na Estrela da Morte, mas deixou um falha capaz de por em colapso toda nave suprema. É preciso encontrar o engenheiro-chefe e se apossar desse segredo. Mas o fim do encontro com Saw é trágico: Tarkin ordena que Krennic teste o poder da arma em Jedha. Assim o primeiro ataque da Estrela da Morte dizima a cidade e com ela Guerrera que aceita de bom grado a sua morte e o fim de tantas lutas.

De posse da informação, mas sem a mensagem holográfica Jyn Erso tenta convencer a cúpula da Aliança Rebelde a ir ao encontro de seu pai em Eadu, locar de refinaria imperial de cristais kyber. Assim Cassian Andor, com a missão secreta de matar Galen depois de obter a informações, junto com K-2SO, Chirrut e Baze são guiados pelo piloto Bodhi. Mas novamente Jyn perderá alguém amado: seu pai morre em seus braços, mas deixa claro onde estão os planos de sabotagem da Estrela da Morte.

Novamente sem provas e somente sua palavra, Jyn Erso não consegue convencer a Aliança Rebelde de que em Scariff estariam os planos de seu pai. Não consegue fazer com que a cúpula apoie uma investida em massa a sede dos arquivos imperiais. Bail Organa, pai adotivo de Leia, bem como Raddus, o mon calamari, parecem acreditar na jovem, mas não aponto de arriscar uma ofensiva.

Assim Cassian, os guardiões do templo, Bodhi e K-2SO juntam-se a Jyn Erso para uma missão suicida: infiltrar-se com a nave roubada em Scariff e roubar os planos que podem destruir a Estrela da Morte. Mas o que pode um grupo de Rebeldes e um pequeno destacamento de soldados contra uma das bases mais bem protegidas do Império Galáctico? Este plano suicida acaba por ser aqueles que Leia esconde em R2D2 no início de uma Nova Esperança, aqueles que indicarão onde Luke Skywalker deverá atingir para por fim a Estrela da Morte na batalha de Yavin.

Mas sabem Cassian Andor e seu grupo que tanto Krennic como Tarkin, já comandante da super arma, encaminham-se para Scariff e contarão com a ajuda de ninguém menos que Darth Vader que se encontrava em Mustafar, seu covil e lugar onde fora derrotado por Obin Wan Kenobi no Episódio III: A vingança dos Sith (2005). Mas talvez, como a própria Jyn afirma:

As rebeliões começam com esperança.

140_08

4. A CRENÇA NA FORÇA
Jyn Erso não acredita em mais nada. Sua mãe antes de morrer lhe afirma para confiar na Força. Neste filme o conceito de Força é amplamente abordado, mesmo que nenhum jedi apareça em cena, somente Darth Vader e seu uso sombrio do Lado Negro. Nesse sentido é uma época decadente para quem acredita nela.

O lugar de um dos mais poderosos templos da Ordem, a planeta Jedha, não passa de uma grande mina de cristais Kyber. Tudo referente a era gloriosa dos jedis está em ruínas e até uma imensa estátua de Cavaleiro e os restos do templo da ordem servem esconderijo para o bando de Saw Guerrera.

Mas o sentimento místico da Força ainda permeia as ações dos guerreiros do bem. Apesar de Jyn Erso só ter como lembrança um cristal kyber como pingente de um colar e as palavras de sua mãe, a Força encontra um jeito de envolvê-la. É assim que ela trava contato com dois antigos guardiões do Templo: Chirrut Îmwe e Baze Malbus. O primeiro é cego e exímio com a luta com os bastões, um crente fervoroso nos desígnios da Força; o segundo, tornou-se um descrente mesmo nutrindo um amizade com Chrirrut, confia mais no seu rifle de blaster do que em algo invisível.

Rogue One restabelece a ideia da força como algo místico e religioso, mostra como os povos comuns passaram a crer como algo que os leva para o bem. Esse sentimento é o que marca os Rebeldes em sua luta contra o Império, cujos maior expoente são os esforços de Luke e Leia Organa. Assim a história de Jyn mostra que a crença na Força não era exclusividade de Jedi e Sith nem simples contagem de mindiclorianas (explicação de George Lucas que acho forçada e digna de pouca ênfase), porém algo análogo a esperança para cada ser vivo da Galáxia. Ou seja, a Força como filosofia jedi morrer com seus cavaleiros, mas permanece viva nos homens comuns como a fé em um futuro melhor.

Por isso não tem como não se emocionar com o mantra repetido por Chirrut Îmwe a cada momento do filme até seu derradeiro suspiro e os último momentos de Baze Malbus, recuperando a fé perdida:

Eu estou com a Força e a Força está comigo.

5. EASTER EGGS

  • 140_09O laser da Estrela da Morte: é a última parte adicionada à arma suprema original para torná-la completa em Rogue One. No entanto segunda Estrela da Morte (Episódio VI: O Retorno do Jedi, 1983), tem seu laser já conectado (e totalmente operacional), mesmo quando a superestrutura da estação ainda estava incompleta.
  • 140_10Rebels, série animada: em uma cena em Yavin IV, um locutor pode ser ouvido chamando um “General Syndulla”. Refere-se a Hera Syndulla a piloto twi’leks da Ghost no desenho animado. A própria nave está presente tanta na base rebelde em Yavin 4 como na batalha final em Scariff. No entanto não existe nenhuma perspectiva do arco Rebels se tornar um filme live-action.
  • 140_11Arquivos 1: Rastreando no hiperespaço – Há menção a uma tecnologia imperial secreta usada pela Primeira Ordem em Star Wars: Os Últimos Jedi (2017). Um tópico chamado “Rastreamento do Hiperespaço” diz respeito a tecnologia que permite à Primeira Ordem perseguir a frota da Resistência, mesmo quando eles viajam pelo hiperespaço.
  • 140_12Arquivos 2O Sabre Negro – Quando Jyn está procurando os planos da Estrela da Morte no cofre, ela lê “Darksaber” ou “Sabre de Luz Negro”. A arma O Darksaber é uma espada de energia criada pelos primeiros Jedi Mandalorianos. Foi visto na série animada Clone Wars nas mãos de Pre Vizsla (4×14, 5×14-5×15) e, mais recentemente, na série O Mandaloriano (1×08). Ainda há referências a arma em Rebels no qual Sabine Wren a maneja e a presença dele no game Star Wars: The Force Unleashed (2008).
  • 140_13O nome Rogue One é o codinome que Bodhi Rook inventa para usar a nave imperial roubada que os rebeldes para missão em Scariff. Rogue Two é o codinome do piloto rebelde que encontra Luke e Han em Hoth no Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980).
  • 140_14A Cidadela e o Planeta Scarif, onde os dados imperiais são armazenados, é uma reminiscência do planeta Rakata Prime, que apareceu pela primeira vez no videogame Star Wars: Knights of Old Republic (2003).
  • 140_15As consequêcias para o Episódio IV (1977) – A Batalha de Scarif ajuda a explicar por que a Aliança Rebelde só conseguiu reunir cerca de trinta caças estelares para atacar a Estrela da Morte (Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977). Também explica por que eles deixaram Luke, um piloto sem experiência em X-Wings, se juntar ao ataque. A batalha final com para auxiliar Jyn e seu grupo esgota severamente o corpo de caças Rebeldes e seu líder, o general Merrick, é morto em ação. Luke é recrutado para substituir o Red 5, que também foi morto em Scarif. A batalha também acrescenta peso à advertência de Luke a Han de que os rebeldes “… poderiam usar um bom piloto como você, você está dando as costas a eles”.
  • 140_16O Imperador aumenta seu poder – Ainda em relação Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), o governador Tarkin anuncia que o Imperador dissolveu o conselho permanentemente e que todos os territórios são diretamente controlados pelos governadores regionais. Embora o motivo dessa decisão nunca tenha sido explicitamente declarado, é provável que o Imperador tenha feito isso em resposta direta à batalha de Scarif, que ocorre no final deste filme. Como este foi o primeiro ataque aberto da Aliança Rebelde ao Império, ele provavelmente a usou como uma desculpa para implementar alguma forma de lei marcial em toda a Galáxia e se livrar do último órgão governamental da República que estava entre ele e o poder absoluto.

6. CURIOSIDADES HISTÓRICAS

  • 140_17Bomba Nuclear – O pai de Jyn, Galen Erso, é inspirado em J. Robert Oppenheimer, o pai da bomba atômica. Pois os dois homens compartilham o mesmo fator de culpa de se tornar um agente da morte por construir uma arma de destruição em massa.
  • 140_18Guerras reais – Para conferir a aparência pretendida das batalhas na superfície, o diretor Gareth Edwards e a equipe de design simplesmente resgataram fotos da Segunda Guerra Mundial e do Vietnã, substituíram os capacetes do exército por capas de rebeldes e adicionaram X-Wings nas fotos. Eles também desenharam storyboards inspirados em fotos das zonas de conflito do Oriente Médio. Foi a inspiração definitiva para o estúdio prosseguir com os detalhes do conflito.
  • 140_19Batalhas no PacíficoOs soldados da Aliança Rebelde na batalha por Scarif são vistos usando capacetes M1, um tipo usado pelas forças armadas dos EUA de 1941 a 1984. Isso mostra que a cena é inspirada em batalhas travadas em ilhas tropicais como Tarawa e Pelelui no Pacífico. No entanto a locação real fora as Ilhas Maldivas no Oceano Índico.
  • 140_20Che Guevara? O personagem de Saw Gerrera parece ser uma homenagem ao combatente da liberdade argentino, Ernesto ‘Che’ Guevara. Ambos os homens foram considerados extremistas em suas batalhas contra as ditaduras, resultando em visões contraditórias de seus legados.

CONCLUSÃO
Este é um filme de guerra. É um filme sobre uma causa maior. É meu preferido quando se refere aos longas criados a partir do momento que a franquia passou as mãos da Disney. Um dos primeiros pontos é a consciência de como o Império Galáctico pode ser mortal em suas ações. Os Stormtroopers, que nos parecem tão patéticos na trilogia original e que são tão facilmente enganados e mortos por Luke e seus amigos, aparecem letais nesse longa-metragem. Realmente uma força a ser temida. Mas também os Rebeldes são extremamente heroicos e com táticas militares invejáveis.

Mesmo não tendo em cena nenhum jedi, a Força está lá e as informações serão passadas a Obi Wan em seu exílio. Este filme é justamente o fundamento para entendermos com mais propriedades as lacunas de Um Nova Esperança (1977), pois se passa alguns dias antes deste filme. Assim detalhes como Leia é presa, como os planos passam a R2D2 e a história de morte e sacrifício por trás dessas sutis ações. Como também explica fatos maiores como Tarkin no comando da Estrela da Morte, o primeiro planeta a ser destruído ser Alderam, lar de Bail e Leia Organa, entre outros fatores.

Considero um filme obrigatório para as novas gerações que querem adentrar na trilogia clássica sem ficar boiando nas referências. Não que um fã de velha data precise dele para amar a vitória de Luke sobre a Estrela da Morte, mas Rogue One nos apresenta uma ótica poética e bonita que serve de fundo para os episódios IV a VI da franquia. E acredite ao ver esse filme, caro leitor, não perderá seu tempo, pois, afinal: você estará com a Força e a Força estará consigo.

Barra Divisória

assinatura_marco

CONTATO (CRÍTICA)

139_00

SINOPSE
Desde a infância Ellie sempre foi muito curiosa sobre o espaço e,  apoiada e incentivada com o carinho sem fim de um pai atencioso, começou a dar seus primeiros passos no radioamadorismo. Cada pequena descoberta era um evento e motivo de comemoração para aquela inteligente menina. E foi numa noite clara que prenunciava uma chuva de meteoros, que Ted, sem conseguir se despedir, deixou a filha seguir sua jornada solitária. A vida não pegou leve com Ellie, que decidiu se concentrar e fazer o seu melhor, estudando o suficiente para fazer do seu futuro o que quisesse. Optou por seguir contrariando tudo o que era esperado pela sociedade, e guiada pelo coração, se empenhou com o que mais amava, a radioastronomia. Ellie se tornou uma mulher perspicaz, focada e muito decidida, e nada e nem ninguém conseguia interferir em suas convicções. Tanto esforço trouxe retorno, quando nas suas intermináveis leituras do céu conseguiu um resultado positivo. Codificada em sinais de rádio, uma mensagem vinda da estrela Vega, na constelação de Lira, chega trazendo algo que mudaria não só as fundações de Ellie, mas também quebraria vários arquétipos para a humanidade.

139_01

COMENTÁRIOS
Esse é um dos filmes que mais atinge o meu íntimo, pois além de trazer um assunto que gosto muito, que é a astronomia e a possibilidade de existência de vida pelo vasto cosmo, a mensagem relativista de Einstein é abordada de forma leve e poética para que qualquer audiência possa compreender. E se tem algo que sempre me agrada muito, é a democratização de linguagem para facilitar o acesso ao conhecimento. O saber é algo efêmero e desimportante quando você não consegue retransmiti-lo, e nesse sentido tenho Carl Sagan como gênio e herói. Contato (Contact, de 1997), é um drama de ficção científica baseado no romance homônimo do próprio Sagan, lançado em 1985, no qual é retratado de forma ficcional uma cientista da SETI que após anos cobrindo o infinito firmamento, encontra uma misteriosa onda sonora proveniente de Vega, a quinta estrela mais brilhante do nosso céu noturno e que se encontra na constelação de Lira.

139_02

Vamos falar um pouco sobre o que é real aqui e de onde surgiu toda esta ideia. SETI é a sigla em inglês para Search for Extraterrestrial Intelligence, que em tradução é Busca por Inteligência Extraterrestre. Esse programa é real e foi iniciado em 1980 por Carl Sagan, Bruce Murray e Louis Friedman, quando fundaram a U.S. Planetary Society. O objetivo era o proposto no próprio filme, fazer um pente fino no nosso céu esperando encontrar sinais de rádio que pudessem estar ligado com mensagens ou atividades extraterrestres. E foi no dia 15 de agosto de 1977 que SETI ganhou fama, quando Jerry Ehman, um dos participantes do projeto testemunhou um forte sinal captado por um radiotelescópio. Ehman circulou a indicação espectral em um papel e exclamou a descoberta com um “Wow!” Rapidamente aquela impressão circulou pela grande mídia, fazendo o discreto programa receber grande notoriedade.

139_03

Ninguém é completamente uma coisa ou outra quando se trata de racional e emocional, simplesmente nosso cérebro não funciona como talvez tentemos nos convencer. Cada pequena convicção e crença que temos estão interligadas e conversam a todo momento. Em Contato temos Ellie, uma jovem que não conheceu a mãe e que tinha apenas no pai o referencial e alicerce de vida. Devido sua inteligência emocional ser bastante sólida, a jovem não se desespera com a partida do pai, e se apega no entendimento racional de que a natureza funciona desta maneira. Simplesmente as pessoas morrem. Isso era o que ela dizia para si e tentava se convencer, mas a realidade é que em seu subconsciente a não aceitação persistia. Seu ímpeto em renegar a existência de um Deus ou força maior, nada mais era que um grito de socorro silencioso em sua alma por compreender aquilo que estava fora do seu alcance de compreensão e intervenção. E é quando ela conhece Palmer, graduado em teologia e homem que procura boa parte de suas respostas na fé.

139_04

As essências de ambos eram completamente opostas, assim como a árvore de conhecimento que traziam de suas formações como indivíduos. Palmer era alguém aberto e pronto para ouvir e conhecer, romantizava ideias não se importando com certezas absolutas, enquanto Ellie era apaixonada e petulante, questionava com ceticismo e sem ser honesta em querer ouvir discursos dos quais já se sentia convicta de compreender onde chegariam. Palmer enxergava isso nela e mesmo assim a admirava, sabendo que alguém inteligente como Ellie não se força a qualquer coisa, você apenas acompanha e aprecia como escala os degraus evolutivos do autoconhecimento, e se alimenta de satisfação por ter tido a oportunidade de estar presente naqueles momentos. O milagre da vida para Palmer era viver, não tinha exatamente a ver com Deus, e quanto a Ellie, ela ainda precisava compreender sua verdadeira motivação de existir. Não confunda, seu trabalho era a pergunta, e seu milagre seria a resposta.

139_05

COMENTÁRIOS COM SPOILERS
O grande trunfo de Contato não está em trazer a pauta do quão grande é o universo e, o quanto somos insignificantes visto a grandeza de sua vastidão.  Claro, também é sobre isso. Sobre o como podemos ser presunçosos em pressupor que um planeta jovem como a Terra abrigaria o homo sapiens com seus 350 mil anos de existência e, essa criatura fosse capaz e a portadora de toda a filosofia e reflexão sobre a existência do tudo, frente a possíveis bilhões de civilizações com outros bilhões de anos em escala existencial na nossa frente. Sim, sinta-se pequeno! É isso que você é! É isso que eu sou! Não olhe para baixo achando estar no topo da pirâmide do conhecimento, mas olhe para cima com humildade e saiba que toda a verdade sobre o tudo que você possa um dia almejar conhecer, possivelmente está muito além e distante de nós.

139_06

Pode parecer cruel e realmente é para alguns, mas certamente não para você que está lendo humildemente este texto de um desconhecido que nada conhece sobre a sua vida para fazer tais afirmações. Mas eu ouso te sugerir ter orgulho de quem você é, mas o faça através dos vislumbres dos olhos de outros, cobiçando sempre o objetivo de aprimorar o seu futuro. Ademais, nossa inteligência tem uma variedade de aplicações, e não são apenas para escaladas sociais, mas também para encantar, ensinar, em principal, dividir. Se você acha que detêm o ouro e está escondendo para se tornar inalcançável, infelizmente você não compreendeu a mensagem. Para mim Contato é isso, o mergulho numa experiência de uma personagem que inconscientemente quer buscar a verdade, que enxergou isso através dos olhos de um homem crédulo demais para sua realidade, por quem se apaixonou ao notar a mesma integridade que eu pai carregava e que alimentava sua alma. As palavras similares, o tom acolhedor, a forma de pensar, todas essas coisas serviam como um gatilho para Ellie, que mesmo relutante em se entregar, não perdeu o mesmo espírito aventureiro que a fez entrar numa máquina de função e intenção desconhecida.

139_07

Quando Ellie, com pernas trêmulas adentra aquele grande maquinário alienígena, ela não tinha nada além da esperança de que tudo estaria bem. Aquele era o seu verdadeiro rito que a transportaria para uma realidade sem retorno, seu verdadeiro salto da fé. Uma coisa são cientistas confiarem em seus semelhantes e na intenção coletiva de buscarem algum feito ousado, outra é ouvir uma voz desconhecida sugerindo um movimento para uma possível morte. Ou quem sabe algo até pior. Aquela era a verdadeira Ellie, destemida e buscando a verdade para uma pergunta que ainda se formularia num paradoxo de consciência e inconsciência que só almejava o conforto de sua mente em eterno confronto de fé e razão. Precisando ser forte e solitária neste instante, Ellie se agarra na sua natureza impetuosa e se aprofunda num túnel quântico que a transporta possivelmente até Lira.

139_08

A excursão não saiu barata, fazendo incluir a oferta do famoso dilema do destino ou acaso, quando Ellie ao se desprender do seu acento de segurança para recuperar a bússola dada por Palmer, sobrevive ao impacto do abrupto repouso de sua cápsula. Quando finalmente ela toca algo que poderia chamar de solo e, como em seus sonhos com California, era assim que aquele lugar se parecia. Não tarda muito e uma silhueta espectral vai tomando forma ao se aproximar dela. Ellie simplesmente foi presenteada com aquilo que estava registrado em seu íntimo, a figura de seu pai. Aquele não era ele, ela sabia disso, mas em seu coração estava tão confortada com a pureza da ilusão de quem sabe que apenas uma entidade bem intencionada poderia acessar, entender e proporcionar, que se expôs por completo e sem medo a todo aquele momento. Tudo aquilo era para Ellie, e por qual razão ela foi a escolhida e não outro? Talvez por apenas ela procurar com a fé de verdadeiramente encontrar e, quando encontrou, continuou acreditando. Ellie encontrou seu destino e sua verdade, que pode ser baseada até mesmo numa ilusão, mas que para ela ainda assim é a verdade. Ellie entendeu a mensagem de forma alta e clara, câmbio.

139_09

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Jodie Foster, Jena Malone, Matthew McConaughey, David Morse, Tom Skerritt, James Woods, John Hurt, William Fichtner, Angela Bassett, Jake Busey, Rob Lowe, Geoffrey Blake, Max Martini e Steven Ford compõem o elenco. Dirigido por Robert Zemeckis, Contato é um drama de ficção científica baseado no romance homônimo de Carl Sagan com Ann Druyan, publicado em 1985. Adaptado por James V. Hart e Michael Goldenberg, e produzido por Steve Starkey e Robert Zemeckis, o longa da Warner Bros. foi produzido nos estúdios da South Side Amusement Company. Seu orçamento de consideráveis 90 milhões de dólares foram revestidos num faturamento de mais de 170 milhões.

CONCLUSÃO
Não sei se você conhece Carl Sagan e qual era sua proposta quando se tratava de abordar a ciência como um todo. Vou só listar um pouco sobre quem era este brilhante homem, que partiu cedo mas deixou um vasto legado e boas lições. Sagan era cientista, físico, biólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor e divulgador científico, que nas horas vagas se empenhava ao máximo para levar da forma mais simples tudo o que conhecia, e para qualquer um que quisesse aprender. Era o tipo de cara que não te ignoraria na rua, pois sabia que você, um mero desconhecido, poderia ser um oceano de novas descobertas para ele. Considero Contato sua magnum opus, e hoje, mesmo com mais de vinte anos de idade, é um filme atual e que tem muito a ensinar sobre a vida, e não apenas ciência, para qualquer um que esteja disposto a aprender.

Para criaturas pequenas como nós, a vastidão só é suportável por meio do amor.
– Carl Sagan

Barra Divisória

assinatura_dan

POR LUGARES INCRÍVEIS – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

138_00

SINOPSE
Violet Markey (Elle Fanning) e Theodore Finch (Justice Smith) são dois adolescentes que, apesar de estudarem na mesma escola, se aproximam e passam a se conhecer mais profundamente num momento muito dramático de suas vidas. Desde então, compartilham seus dias e, devido a um trabalho escolar, passam a embarcar em pequenas aventuras diárias, visitando lugares e consequentemente, dividindo seus sentimentos mais íntimos. Nesta nova relação, ambos buscam e encontram conforto um no outro, uma certa cumplicidade e a descoberta de que qualquer lugar pode ser especial, desde que na companhia certa.

138_01

COMENTÁRIOS
Foi-se o tempo em que corações partidos eram as únicas preocupações dos adolescentes no cinema e na TV, não é mesmo? Fulano gosta de beltrano, que gosta de ciclano e por aí a história corria, até com algumas lágrimas, mas sempre por amor. Já hoje… ah, é preciso ter um coração de ferro para o que temos que encarar. Uma coisa é certa, é sucesso garantido. Os dramas estão em alta entre os adolescentes e nunca se viu tantas séries e filmes voltados para este público, inclusive tratando de assuntos tão delicados e dramáticos como suicídio, traumas pesados com pais, bullying, distúrbios psicológicos, sexualidade e por aí vai.

Por Lugares Incríveis é mais um desses filmes que veio prometendo tirar muitas lágrimas de seu público, num drama muito sensível, que aborda problemas reais e de difícil digestão para qualquer mortal. Então meu caro, é impossível que você não sinta alguma empatia pelo drama da jovem Violet. Assim como nós, Finch também se sensibilizou pela menina e, é graças a esta empatia imediata que embarcamos nessa viagem tão delicada traçada por estes dois personagens em momentos tão distintos, mas igualmente difíceis de suas vidas.

138_02

Violet a menina bonita e popular, que frequenta festas e tem uma movimentada vida social, passa por um momento introspectivo da sua vida, onde se isolar não é só uma opção, mas uma necessidade. Já Finch, se trata do adolescente naturalmente isolado, principalmente pelo seu temperamento explosivo e traumas pesados que traz do seu passado.

Parece meio óbvio para você que eles precisam urgentemente se encontrar e se apoiar neste momento, certo? Certo, mas além da nossa torcida e de uma mãozinha do destino, um trabalho escolar acaba sendo o que firma esta amizade, de forma que eles precisam passar mais tempo juntos do que passariam em qualquer outra circunstância. Nisso aí, já temos os ingredientes perfeitos para que uma relação seja construída. Então, se você gosta de dramas reais, diálogos sensíveis e boas interpretações, embarque sem medo nessa emocionante história.

138_03

COMENTÁRIOS COM SPOILER
Quer entender melhor o que se passa? Violet passa por um momento muito doloroso de luto pela perda de sua irmã e melhor amiga, já Finch também tem seus próprios problemas causados por graves traumas com seu pai, que gerou em si uma dificuldade grave de auto controle, o levando a momentos verdadeiramente sombrios e/ou excessivamente explosivos, onde precisa se isolar para que não machuque ainda mais as pessoas que o cerca. Não é pouco, concorda?

Caio Fernando Abreu que tem uma frase que diz: “Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui.” E é exatamente o que Finch faz, quando se depara com Violet num momento de tanta dor e exposição, tentando tirar sua própria vida, ele se aproxima dela, estende a sua mão e guarda sua própria dor no bolso para ajudá-la.

138_04

Mas, acontece que Finch teve uma ajudinha de um trabalho escolar, onde duplas deveriam explorar na cidade lugares pouco conhecidos, mas com algum significado para seus visitantes. Nesta pequena aventura, os dois acabam descobrindo que o que torna um lugar ou um momento especial, mágico, cheio de significados, está longe de ser um trabalho de engenharia elaborado ou ser o mais famoso ponto turístico da cidade, mas a companhia, o significado que aquele lugar passa a representar para os dois.

Como você pode imaginar, tem sim romance rolando solto em meio a todo este drama, mas ele fica facilmente em segundo plano. Eu, particularmente, achei totalmente dispensável inclusive, já que o casal não revelou ter uma boa química. Acho inclusive que uma profunda amizade entre os dois tornaria a história ainda mais tocante e sensível, já que pelo desfecho dramático do personagem Finch (ele acaba se suicidando), deu a impressão que ele poderia estar enganado sobre o que sentia com relação a Violet. Ou seus traumas eram ainda maiores que o seu sentimento.

138_05

Os problemas de Finch foram abordados de forma muito superficial no filme, mas já li que são mais aprofundados no livro. Você percebe pelas reações do personagem o quanto ele é machucado pelos seus traumas, mas o telespectador não consegue perceber esta dimensão, dando a impressão que o significado que Finch deu à vida de Violet, e as lições que ele ensinou a ela, não fizeram o mesmo efeito pra si e não tiveram tanto significado para ele. Ou seja, fiquei com aquele desejo romântico de ver que as lições que ele ensinou à Violet e o amor dos dois, pudesse ser a cura para ambos.

Embora Violet tenha superado mais este trauma, e aparentemente, aprendido todas as lições ensinadas por Finch, isso traz ao final do filme um desfecho lindo, com frases maravilhosas e um sentimento bom, quase um consolo, que você recebe mais pela doçura de Violet do que pelo desfecho apresentado. Sim, meu lado romântico ficou esperando um final feliz que não rolou, mas o final é lindo e vale a conferida.

138_06

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Elle Fanning, Justice Smith e Keegan-Michael Key são alguns nomes que compõem o incrível elenco de Por Lugares Incríveis. Embora Elle Fanning passe a maior parte do filme bem triste e séria como Violet, o que é incomum em seus trabalhos (Malévola, por exemplo) e isso já é uma surpresa, podemos ainda sentir aquela doçura que lhe é natural e que nos ajuda a visualizar a Violet antes do luto. E, Justice Smith, dispensa comentários, já vem se revelando um excelente ator em outros filmes e ganhado alguns bons destaques (como por exemplo em Pokémon: Detetive Pikachu).

Este longa-metragem é original Netflix, lançado em 28 de fevereiro de 2019 e que foi baseado no best-seller internacional de Jennifer Niven, de mesmo nome. All the Bright Places é o titulo original da obra, que durante 108 minutos te leva nessa viagem ao mais profundo de seus personagens. Dirigido por Brett Haley, este drama romântico hoje (01/03/2020), é o TOP 1 da Netflix Brasil.

CONCLUSÃO
Mas e aí? A que conclusão chegamos então? Não, os assuntos abordados, embora fortes, não foram bem aprofundados. Mas sim, é um filme com frases bonitas, boa interpretação e excelente fotografia, então vale a pena sim conferir, com certeza.

O que precisa ser dito aqui, é que Por Lugares Incríveis traz de fato alguns gatilhos, pois trata de assuntos delicados como luto, distúrbios mentais, traumas familiares e suicídio, então caso você tenha alguma dificuldade com estes temas, prepare mesmo o coração. Então, pelos temas abordados, concordo com a classificação de 16 anos.

Quer um conselho?
Copo de água numa mão, lencinho na outra e boas lágrimas.

O que aprendi?

“Aprendi que existem coisas boas no mundo, se você procurar por elas. Aprendi que nem todo mundo é uma decepção, incluindo eu mesmo, e que um salto a 383 metros de altura pode parecer mais alto que uma torre de sino se você estiver ao lado da pessoa certa.”


por Jennifer Niven –
Por Lugares Incríveis

Barra Divisória

assinatura_milena

 

BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇA (CRÍTICA)

132_00

SINOPSE
132_01Joel é um cara pacato, calmo até demais. Está sempre mergulhado nos próprios pensamentos tendo bastante dificuldade de expressar seus sentimentos, e recorre sempre em anotar e desenhar todas as suas experiências diárias. Aquele pequeno caderno era seu único confidente, até que certo dia ele conhece Clementine, uma mulher impulsiva e inquieta, muito diferente da forma que ele agia. Mas isso não foi um impeditivo, a paixão foi avassaladora e um se entregou ao outro sem ponderar qualquer estranheza bastante rápido. Certo dia Clementine em um dos seus impulsos decide contratar um serviço curioso, no qual todas as suas memórias sobre um alguém poderiam ser apagadas. E assim Joel é excluído por completo das lembranças da moça, fazendo com que o introspectivo rapaz se desesperasse. Ele não compreendia a razão dela ter feito aquilo, mas decidiu que já que as coisas eram assim, então também a esqueceria. Durante o processo de limpeza, Joel passa por experiências transcendentais, acabando por se convencer a desistir de perder aquelas coisas que o fizeram tão bem em pelo menos parte da sua vida, no entanto, de que forma ele poderia desistir daquilo que escolheu começar?

132_02

COMENTÁRIOS
Apesar de contar com um elenco de grandes nomes, Brilho Eterno é um filme que se destaca por si só, não dependendo apenas de seu elenco. Ele conta inclusive com a participação de estrelas como Kirsten Dunst, que apesar de uma participação pequena, traz grande relevância para a história. Mas, a sua força está no roteiro de Charlie Kaufman, ganhador do Oscar como Melhor Roteiro Original, que traz de forma muito sensível essas memórias, muitas vezes dolorosas, de uma relação exausta, desgastada pelas diferenças e pela rotina, fazendo com que Joel e Clem sequer consigam dialogar sem se atacarem, mas cenas estas que enriquecem de forma significativa a obra.

132_03

A fotografia de Ellen Kuras acentua os tons frios que entram em choque os cabelos e as roupas coloridas de Clementine, caracterizando ainda mais a sua personalidade excêntrica, além de que, as cores de seu cabelo ajudam o telespectador a viajar de maneira mais precisa, entre fatos ocorridos no passado, presente e futuro. Destaca-se também a inspirada trilha sonora de Jon Brion que só acentuam a melancolia da história, principalmente, na cena inicial onde vemos Joel passando por um momento de angústia em seu carro, marcado por uma trilha sonora que nos envolve em seu drama.

O diretor francês Michel Condry mostra muita segurança, principalmente quando trabalha com materiais tão complexos e, umas das curiosidades do filme, é que Michel estava passando por um término de relação durante as gravações de Brilho Eterno, fazendo com que ele mesmo admitisse publicamente que o que parece muitas vezes clichê nas histórias de amor, tomam maior profundidade e significado quando são vivenciadas por nós.

“(…) Como é imensa a felicidade da virgem sem culpa.
Esquecendo o mundo, e pelo mundo sendo esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!
Cada prece é aceita, e cada desejo realizado”

O título do filme é a estrofe do poema “Eloisa to Abelard”, de Alexander Pope, que inclusive é mencionado no filme, pela personagem de Kirsten Dunst. A obra de Pope, curiosamente, trata-se também de um trágico final de relacionamento e diz que um amante tem de fazer diversas coisas, como amar, odiar, arrepender-se, e muitas vezes até dissimular, mas nunca esquecer-se. É disso que se trata Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, uma história de amor, que mesmo com seus mais dolorosos momentos, ainda é melhor do que jamais tê-la vivido.

132_04

COMENTÁRIOS / COM SPOILERS! Para fugir do spoiler pule para O ELENCO E FICHA TÉNICA, depois conclua sua leitura.

“Até agora, a tecnologia foi bem-sucedida em fazer-nos esquecer de tudo… exceto as coisas das quais não queremos lembrar”

, foram as palavras ditas pelo diretor Michel Gondry.

O que esta frase lhe traz à tona quando você pensa em situações (ou pessoas) das quais gostaria de apagar da sua mente? Porque, quando me faço esta pergunta, noto que as coisas das quais mais gostaria de me esquecer, são justamente as, que de alguma forma, mais me afetam. E se me afetam de forma tão profunda, tão significativa, a ponto de me fazer focar nelas tanta energia, será que seria possível, de fato, esquecê-las? Seria possível algum tipo de tecnologia ou terapia capaz de nos fazer superar e esquecer situações e pessoas que estão tão enraizadas em nós?

132_05

Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, obra do diretor Michel Gondry, é um filme de 2004, mas continua sendo um filme atual e marcante. Sensível, profundo, ele nos leva a trilhar um caminho por onde passamos pelo romantismo doce e tímido de um começo de relação, aos momentos mais sombrios de seu término. Numa viagem interna e exclusivamente sua, Brilho Eterno não lhe promete nenhuma resposta, apenas mais perguntas sobre o quanto são marcantes algumas pessoas que cruzam nossos caminhos e a forma curiosa e misteriosa com que entram e saem de nossas vidas.

132_06

Jim Carrey, ao contrário de quase todos os seus papéis anteriores, traz um Joel introspectivo, tímido e quase sempre inseguro, que busca desesperadamente entender sua parceira Clementine, interpretada por Kate Wislet, que é uma mulher cheia de conflitos internos e dona de uma personalidade explosiva e muito impulsiva. O filme já valeria a pena pela interpretação impecável dos dois, mas ele nos leva numa viagem ainda mais profunda.

132_07

Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) são um casal como tantos outros, que passam por momentos bons e ruins de toda relação, mas que ao se depararem com diferenças tão significativas de personalidade, são tentados a achar que a única solução para eles é o término da relação. Auxiliados por uma empresa especializada em apagar memórias, os dois resolvem que esta é a única medida razoável para que possam seguir suas vidas, sem as lembranças um do outro. O que Joel e Clem não contavam, são que nossas memórias são carregadas de sentimentos e, mesmo as mais distantes, criam ramificações em nosso presente, a partir do momento que são compartilhadas com quem amamos.

132_08

Exemplo: A lembrança de um sorvete tomado numa tarde de verão da sua infância, não estará mais isolada em seu passado, se numa num momento de profunda intimidade e cumplicidade, você descreveu detalhadamente àquela tarde para quem você ama hoje. Nas próximas vezes que você lembrar daquela tarde de verão, ela virá carregada de lembranças doces do seu interlocutor de hoje.

132_09

Sim, cada detalhe da sua vida, cada memória, carrega e carregará para sempre marcas das pessoas pelas quais passaram por ela. A sua comida preferida, a marca de shampoo que usa, as conversas na mesa de jantar, a roupa que você veste, as musicas que você ouve, tudo vem carregado de memórias e influências de pessoas que passaram pela sua vida. Sendo assim, Brilho Eterno, te leva numa aventura muito intensa, na mente de um casal que tenta desesperadamente esquecer-se um do outro, e suas descobertas sobre o quanto marcamos a vida e a mente daqueles que amamos.

132_10

Não são apenas as memórias enraizadas um do outro que nos chamam tanta atenção nesta história, mas nos pegamos pensando até, em até que ponto o amor que sentimos por alguém, está apenas em nossa mente, já que em momentos diversos notamos nos personagens um vazio, uma angústia, um sentimento de falta, mesmo após o procedimento realizado. E não só isso, mas um sentimento de voltar-se a se atrair e se apaixonar pela mesma pessoa mais de uma vez, mesmo que sua mente não traga mais as lembranças desta pessoa. Claro, que esta é uma visão muito mais romântica do que psicológica, mas completamente aceitável para os cinéfilos mais românticos.

132_11

São várias as perguntas que nos fazemos ao final dessa doce e angustiante viagem com Joel e Clem. Inclusive, uma que julgo de grande importância ao se colocar no lugar destes personagens, que seria: O quanto teríamos de aprendizado e amadurecimento, se a cada decepção na vida, pudéssemos simplesmente apagar a experiência vivida e seguir em frente? O que teríamos de bagagem para usarmos em futuras relações para que não sejam cometidos os mesmos erros?

132_12

Uma coisa é certa, Joel e Clem aprenderam algo que, pelo menos na teoria, todos nós sabemos muito bem, que é entender que qualquer forma de relação humana traz desafios, dificuldades, rotina, as vezes até a necessidade de um tempo maior para adaptação, mas que ainda assim, mesmo com todos essas dificuldades e mesmo diante de uma personalidade completamente diferente da sua, é possível usarmos do amor e da razão em medidas iguais, decidindo de forma racional e lúcida enfrentar juntos as diferenças, mas sempre em nome deste amor que transcende à própria mente humana.

132_13

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Mark Ruffalo, Tom Wilkinson, Elijah Wood, Jane Adams, David Cross, Deirdre O’Connell e Thomas Jay Ryan compõem o elenco. Dirigido por Michel Gondry, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, é uma filme de comédia dramática de romance, suspense e ficção cientítica estadunidense lançado em 2004. Adaptado por Charlie Kaufman, o longa se baseia numa história do próprio Kaufman em conjunto com Michel Gondry e Pierre Bismuth. Produzido por Steve Golin e Anthony Bregman, utilizou os estúdios da Anonymous Content e da This is That Production. Com cinematografia de Ellen Kuras, foi editado por Valdís Óskarsdóttir, e sua trilha sonora é composta pelo multi-instrumentista Jon Brion. Distribuído pela Focus Features LLC, a produção teve um orçamento de US$ 20.000.000, e faturou US$ 72.300.000.

132_14

PREMIAÇÕES
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças foi um dos filmes que mais repercutiu em 2004, sendo grande sucesso de crítica e público. Recebeu em 2005 o Oscar para Melhor Roteiro Original, e Kate Winslet foi indicada como Melhor Atriz. No BAFTA de 2005 recebeu dois prêmios, Melhor Montagem e Melhor Roteiro Original, bem como foi indicado nas categorias Melhor Ator para Jim Carrey, Melhor Atriz para Kate Winslet, Melhor Direção, e Melhor Filme. Na Dinamarca foi indicado ao Prêmio Bodil na categoria Melhor Filme, na França com Prêmio César de Melhor Filme Estrangeiro, e no European Film Awards de 2004 foi também indicado como Melhor Filme Estrangeiro. Indicado em quatro prêmios do Globo de Ouro nas categorias Melhor Filme Musical ou Comédia, Melhor Ator em Filme Musical ou Comédia para Jim Carrey, Melhor Atriz em Filme Musical ou Comédia para Kate Winslet, e Melhor Roteiro. No Screen Actor Guild Kate Winslet foi indicada como Melhor Atriz, enquanto venceu na categoria Melhor Roteiro na Writers Guild of America. Na premiação do Satellite Awards foi indicado em três categorias, Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Atriz de Comédia ou Musical para Kate Winslet, e Melhor Efeitos Visuais. Por fim foi indicado no Grande Prêmio BR do Cinema Brasileiro como Melhor Filme Estrangeiro.

CONCLUSÃO
O Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças não acaba na obra, pois mesmo após o seu término, ele continua presente em nossa mente. E apesar de sua classificação ser para 14 anos, não é um filme de público alvo tão abrangente. É um romance para quem gosta desta viagem interna na mente humana e suas relações, sendo então mais indicado a um público disposto a não somente consumir, mas interpretar a obra por completo.

Barra Divisória

assinatura_milena

1917 (CRÍTICA)

130_00

SINOPSE
Em abril de 1917, durante os movimentos sangrentos da Primeira Guerra Mundial, os alemães se afastaram por um momento de um setor da Frente Ocidental no norte da França. Os dois soldados britânicos, Blake e Schofield, são selecionados para uma missão de alta prioridade entregue pelo General Erinmore. Atravessar o mais rápido possível o território inimigo com fim de entregar a mensagem de cancelar um ataque, uma vez que a inteligência havia descoberto que o recuo opositor se tratava de uma calculada manobra à nova área de linha defesa alemã em Hindenburg, onde uma forte barreira de artilharia fora montada. Blake estava mais estimulado que Schofield, já que seu irmão estava no 2º Batalhão do Regimento de Devonshire, aquele que seria o alvo da armadilha alemã. Os dois então marcham cruzando o hostil território inimigo obedecendo a ordem, numa tentativa heróica e impossível para salvar aquelas 1600 vidas que dependiam apenas de uma mensagem.

130_01

CATARSE OFF-TOPIC
Durante nossas vidas passamos por muitas fases, algumas muito boas, outras ruins, e por vezes nos vemos reflexivos encarando vazios sem saber aproveitar tão bem nosso tempo. Todo mundo tem um pouco disso vez ou outra, e pelos mais variados motivos. Acontece com você e acontece comigo, e este é o meu primeiro texto integralmente escrito depois de passar pela minha própria via crucis. Geralmente você não vê confissões tão pessoais num site, mas o NerdComet nasceu assim, com uma primeira postagem falando sobre saudade de alguém infinitamente importante para mim, sobre alguém que partiu cedo demais. Ainda não alcançamos lugar nenhum tão alto, porém esse espacinho já me proporcionou muitas coisas boas e conquistas. O que era uma sugestão de atividade trocada entre dois grandes amigos virou minha principal e única válvula de escape por um bom tempo. Não sei se somos bons no que fazemos, e falando exclusivamente por mim, nunca fui um bom estudante. Muito diferente do Marco Lima, que é um eterno discente, estando sempre se lapidando para buscar a maestria, e levar seu conhecimento aos outros. Tenho orgulho de você cara!

130_02

Tolo é aquele que não percebe o valor da amizade, o vínculo social mais importante ao ser humano. Autossuficiência é arrogância, mera presunção. Um misto de burrice por insistir na solidão estando preso numa esfera com bilhões de vidas semelhantes. Ninguém precisa disso e ninguém merece isso. Se permita ser puxado de volta do abismo se uma mão te oferecer ajuda, não existe fossa abissal funda o suficiente da qual não possa escapar. Talvez eu pareça seguro para muita gente, mas no meu íntimo sei quanto frágil sou, não foram poucas as vezes que precisei disso e fui resgatado. Todos enfrentamos demônios, não ache que você é diferente, não seja tão arrogante, vai sempre surgir um anjo para te salvar. Alguns destes heróis possuem asas ou capas, podendo até voar, mas como é o seu anjo da guarda é só você quem pode dizer. 1917 fala sobre heroísmo, sobre quem resiste ao impossível, atravessa as mais penosas provações, flagelando a própria alma, mas chega ao seu destino. Foi se mantendo de pé, imponente, com cabelos manchados de vermelho sangue, que como uma fênix, tal mítica e majestosa criatura que se destrói e renasce, superou os mais espinhosos caminhos da devastadora crueldade da vida, onde me alcançou e entregou uma mensagem de salvação.

130_03

COMENTÁRIOS
Finalmente vamos assistir um filme, nosso primeiro do ano, nosso primeiro da nova vida! E devido a minha fase reflexiva, eu estava completamente disperso sobre do que se tratava 1917. Eu não sabia absolutamente nada! Parece ridículo? Mas eu não sabia ao menos o gênero do qual era! Mergulhamos juntos para descobrir então. Eu ainda estava aéreo no começo do filme, com a expectativa de um filme arrastado, pois é assim que ele soa no comecinho. Sim sou bastante ansioso, mas enfim. Uma caminhada por longas e complexas trincheiras enlameadas no fronte da Primeira Grande Guerra Mundial e uma pulga já coçou atrás da orelha. Que cenário enorme era aquele?! Dois jovens homens de feições abatidas por participarem da tragédia que é a desgraça de uma guerra, discutindo enquanto trombam e tropeçam em tudo naquele ambiente úmido, escorregadio e insalubre. Um número sem fim de outros jovens tão acabados e nervosos quanto, uns feridos por fora e outros quase mortos por dentro. Uns apontavam rifles para o lado inimigo sob aquele firmamento nublado, de ar pesado da morte, sem ter muita esperança daquela merda em algum momento acabar. Outros se entregavam à angústia, apáticos olhando pequenas fotos da família, tragando de uma só vez um cigarro. Cada um sobrevivia seu próprio inferno.

130_04

Schofield e Blake tinham uma missão ordenada por um superior, nitidamente uma passaporte apenas de ida para o vale da morte. Atravessar o território inimigo com o fim de entregar a mensagem para cancelarem um ataque. Uma verdadeira corrida contra o relógio, atravessando oceanos de lama, circundando muitos corpos, se esquivando do chumbo quente. Que viagem incrível meu amigo! Algo que começa ameno, vai avançando vertiginosamente alcançando um grau de tensão incalculável. Não sou estudante de cinema, mas com o tanto que já assisti sei identificar algumas coisas. E uma delas são os planos sequências. Eu ainda me pergunto se fui enganado por alguma ilusão de um grande mestre da direção chamado Sam Mendes, mas admito que ele me convenceu de que toda a extensão dos 119 minutos de 1917 possuíam únicos, e 4 enormes planos sequências. Sabendo você ou não, explico brevemente o que é isso. Um filme possui várias tomadas na grande maioria das vezes, aquele momento em que o diretor grita para todo o set de filmagem que está gravando! Ele pode berrar “ação!”, enfim. Deste momento em diante é foco total para o que está sendo registrado, afinal, todo o trabalho árduo da equipe é apenas para produzir aquele momento. Então entenda que tudo o que acontece nessa tomada (esse plano sequência), precisou ser minuciosamente decorado, sejam tanto as falas quanto os movimentos pelo set. E se você assistiu 1917, você vai entender a proporção da complexidade do que é andar por quase meia hora num cenário tão grande. O fundo é verde? Eu não sei, não quis me dar o direito de pesquisar nada antes de fazer esta resenha. Só o que eu sei é que aquilo tudo me pareceu absurdamente fantástico! Nunca me senti tão imerso num filme assim, seu realismo é simplesmente estupendo.

130_05

A direção é fantástica, e não acredito que outro cara mereça a premiação máxima do mainstream. Deem logo um Oscar para esse cara! No entanto mais uns outros merecem ser parabenizados, como a porra do diretor de fotografia! Roger Deakins. Um gênio que já trabalhou em obras como Um Sonho de Liberdade (1994), um dos meus filmes favoritos de todos os tempos (e creio que de muitos), Fargo (1997), Skyfall (2012), e que levou uma estatueta do carecão em 2018 por Blade Runner 2049. Para 2019 ele está indicado mais uma vez, décima quinta com 1917, e se Academia não for injusta, o maluco vai levar! E Thomas Newman, você sabe quem é? Não? Compositor e maestro californiano, mais de 60 anos, caucasiano, vários centímetros de altura, e que foi indicado ‘fucking’ Oscar onze vezes por suas trilhas sonoras! Dois Globos de Ouro, dois BAFTAs e duas premiações do Grammy. Um Sonho de Liberdade (1994), Perfume de Mulher (1992), Beleza Americana (1999), Skyfall (2012), são apenas uma parte do seu portfólio, e advinha, mais uma vez ele está indicado com 1917 ao Oscar. A disputa vai ser pesada, nessa categoria a concorrência é boa, mas desejo sorte, pois seu trabalho ficou sensacional! Assim como toda a edição de som, simplesmente um exemplo a ser seguido pelo cinema de alto padrão.

130_06

Não posso esquecer dos atores. O que seria de 1917 sem esses caras? E não, não estou falando de Colin Firth ou do Doutor Estranho, mas da dupla de jovens George MacKay e Dean-Charles Chapman, que carregam todo o peso dramático do longa como dois veteranos responsáveis, tanto como soldados, e como artistas cênicos! Brutal! Simplesmente brutal! Para mim, o Dan, não existiria possibilidade alguma de  George MacKay estar fora dos indicados ao Oscar de Melhor Ator em 2020. O rapaz bagunçou com o coreto! Mostrou vigor físico, equilíbrio (no sentido literal as vezes), e uma eficiência bizarra de decorar diálogos e caminhos em terrenos complicadíssimos. No meio de um caos que imagino que tenha sido esses gigantescos plano sequências o cara conseguiu recitar com perfeição até mesmo um belo e um pouco comprido poema. Quem diria que o pequeno e não tão expressivo Curly de Peter Pan (2003), em seu primeiro trabalho para as telonas, viraria esse monstro como ator? Só tenho de parabenizar, fantástico!

130_07

ELENCO E FICHA TÉCNICA
George MacKay, Dean-Charles Chapman, Mark Strong, Andrew Scott, Richard Madden, Claire Duburcq, Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Daniel Mays, Adrian Scarborough, Jamie Parker, Michael Jibson, Richard McCabe, Chris Walley e Nabhaan Rizwan compõem o elenco. Coescrito por Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns, 1917 é um filme guerra épico de 2019 em parceria entre Estados Unidos e Reino Unido. A direção é de Sam Mendes, experiente diretor com uma bela lista de trabalhos. Direção de fotografia de Roger Deakins, direção de arte de Dennis Gassner, figurino de David Crossman e Jacqueline Durran, trilha sonora de Thomas Newman, e edições de Lee Smith. A produção traz os investidores Sam Mendes, Pippa Harris, Jayne-Ann Tenggren, Callum McDougall e Brian Oliver, e as execuções foram nos estúdios da DreamWorks Pictures, Reliance Entertainment, New Republic Pictures, Mogambo, Neal Street Productions e da Amblin Partners. Com um orçamento próximo dos US$ 100.000.000, o longa de guerra gerou uma receita de mais de US$ 200.000.000.

CONCLUSÃO
Eu precisava disso. Precisava de um bom filme para clarear minha mente e sair do estado de confusão mental que me encontrava, e olha o presente que recebo. Um puta filme de guerra com proporções épicas! Direção brilhante, fotografia sem igual, uma trilha sonora inspiradora, e a atuação de um rapaz que na minha opinião tomaria o prêmio de todos os indicados ao Oscar, e considero uma injustiça o cara ao menos ter sido cogitado. Mas isso não importa, para mim ele é o grande vencedor da noite. Enfim eu lavei minha alma com o primeiro de muitos filmes que assistiremos e comentaremos juntos a partir de agora. 1917 é um filme a priori adulto, traz violência, cenas de consumo de drogas lícitas e linguagem madura, sua classificação etária é de 14 anos. Recomendo assistir no cinema enquanto der tempo, ou esperar para conferir em casa, de preferência com uma boa projeção de imagem e som, pois esse filme merece. Espero que tenha gostado e que deixe seu comentário, nos veremos com mais frequência a partir de agora.

Barra Divisória

assinatura_dan

BAAHUBALI 2: A CONCLUSÃO (CRÍTICA)

128_00

ATENÇÃO! De forma alguma leia esta crítica sem ter visto Baahubali: O Início primeiro, isto está repleto de spoilers! Afinal, os dois filmes são sequências diretas e não podem ser dissociados.

SINOPSE
Mesmo sendo criado por uma humilde tribo e por pais amorosos, Shivudu sempre buscou compreender sua verdadeira origem, e para isso ele superou grandes desafios, alcançando o até então desconhecido reino de Mahishmathi no topo da montanha. O que era apenas uma curiosidade que tomava como inspiração uma ilusão, fez revelar uma enorme decepção. A desigualdade e a injustiça imperava sobre um povo que clamava por salvação, então o filho de Baahubali, junto aos resistentes contra a tirania, ascendeu como Shiva buscando por restauração. O que Shivudu tocou se iluminou, e o que não bastava apenas sua vontade, ele tomou com fúria para recobrar o equilíbrio. Sem saber se destinado a nada, cumpriu como o Ganges seu caminho, devastando tudo para que se reconstituísse. Encontrou e libertou Davasena, sua mãe biológica, que mesmo sendo física e psicologicamente torturada, se manteve firme como uma verdadeira progenitora de um Deus, e que sabia que a Salvação um dia viria. Shivudu encontrara alguns dos personagens que poderiam fazer entender sua real história, e era chegada a hora de compreender definitivamente qual a sua herança e responsabilidade com Mahishmathi. O que seu pai havia vivido, pelo que lutou, conquistou, e quais os reais motivos que levaram a sua morte prematura. Shivudu queria saber tudo para compreender a melhor forma de mudar o futuro de seu povo como um verdadeiro herdeiro e merecedor do trono, como a Rainha Sivagami um dia profetizara.

128_01

COMENTÁRIOS
Depois de Baahubali: O Início (2015), Tollywood sentiu novamente o gostinho de estar entre os holofotes do mundo com a sequência da sua super produção épica de fantasia. Aqui pelo Brasil não tivemos a oportunidade de assistir esse blockbuster indiano nos cinemas, mas nos Estados Unidos Baahubali 2: A Conclusão ficou em terceiro lugar nas bilheterias por uma semana. Talvez você tenha estranhado o termo “Tollywood”, então explico. O cinema indiano é dividido em dois grandes polos de estúdios cinematográficos (e muitos outros menores), a já tradicional e conhecida Bollywood, de Mumbai, que tem como o idioma o hindi, e Tollywood ao sul do país, que tem como língua o telugu. E não apenas com a dobradinha Baahubali, mas Tollywood já superou a gigante rival algumas outras vezes com outras produções.

128_02

Enquanto em Baahubali: O Início assistimos o retorno de Shivudu à suas origens, mesmo que sem saber, nesta sequência somos inseridos nos acontecimentos da geração anterior, mostrando detalhadamente os passos de seu pai. E é aqui que a coisas começam a ficar bem loucas de se entender. A primeira coisa que você precisa tomar ciência é que os atores são os mesmos entre filhos e pais, e isso vale tanto para Shivudu, o filho visto no primeiro filme, com ralação ao pai, Amarendra Baahubali, interpretado por Prabhas, quanto para seus antagonistas, Bhallaladeva e seu pai, interpretado por Rana Daggubati. Compreendido isso e nos acostumando com a ideia, não apenas fica mais fácil, mas é a única forma de montar o entendimento de tudo. Mas de qualquer forma encurto um pouco e conto, este, diferente do primeiro filme, é algo muito mais simples de se acompanhar. Enquanto em Baahubali: O Início se fazia necessário montar um enorme cenário, em Baahubali 2: A Conclusão a coisa é bem mais direta, e o que temos nele é um drama romântico (ainda de proporções épicas) com ar de tragédia, porém com bastante comédia e ação de altíssimo nível.

128_03

ENREDO COMENTADO / MUITOS SPOILERS
PULE PARA A CONCLUSÃO OU FICHA TÉCNICA!

Como dito antes, esta segunda parte não tem muito segredo. A proposta aqui é contar como Davasena e Amarendra se conheceram, se apaixonaram, e tiveram suas vidas dificultadas pela inveja e ciúme de Bhallaladeva, que manipulava o amor de sua mãe, a Rainha Sivagami, para sabotar o irmão. E o que temos é uma sucessão de eventos em que Bhalla, frustrado por não ser tão íntegro quanto Amarendra, recorre aos sentimentos mais obscursos de seu interior para frustrar a felicidade do irmão. Simbolicamente é como a história de Caim e Abel original do Gênesis, mas com um desfecho levemente mais complexo e dramático.

128_04

Buscando conhecer mais de perto as dificuldades do mundo real onde seu povo vivia, Amarendra sai em peregrinação com Kattappa, seu tutor e amigo. Amarendra Baahubali não era uma criatura comum, seu senso moral era de um verdadeiro Deus. Ao mesmo tempo que aplicava simplicidade na busca pelo respeito por todos ao seu entorno, sabia exatamente o que era certo e o que era errado. Caminhando aos arredores de Kuntala, uns dos reinos vassalos ao império de Mahishmathi, Amarendra vislumbra Davasena. Uma criatura angelical que tomou dele toda a atenção, fazendo-o se apaixonar perdidamente. Não queria se postar como O Grande Baahubali, se fez de tolo e fraco, sua meta era surpreende-la por ser apenas quem era, não o que tinha ou de onde vinha. Não importava para Davasena que aquele fosse apenas um homem bobo e sem títulos, ela enxergou nele apenas o que ele era, uma infinidade de integridade que príncipe algum se mostrara antes.

128_05

Sabendo do interesse do irmão por Davasena, Bhallaladeva manipula a situação exigindo que Sivagami a lhe desse como esposa, uma vez que a Rainha não sabia do romance de Baahubali com a moça. Davasena nega o pedido. Como uma mulher imponente e independente, não deixaria que outro decidisse por sua vida, e tal ato não passava de insolência para Sivagami, que ordenou um imediato ataque contra Kuntala. Porém a cidade estava guardada pelo maior guerreiro de toda Mahishmathi, Baahubali, que com ferocidade e inteligência guardou o reino de sua amada. Ele não sabia os motivos do ataque, e seu único interesse era retornar para Mahishmathi, apresentar Davasena, e tomá-la como sua rainha no trono. Numa belíssima cena lúdica e musical, com direito até a barco voador, o casal retorna ao reino de Baahubali, onde no palácio real todos os aguardavam. Para surpresa de Baahubali as coisas eram mais confusas do que ele esperava, os traiçoeiros planos de Bhallaladeva intencionavam gerar a instabilidade emocional de Sivagami, que não se via como boa mãe em repartir privilégios. Baahubali era o Rei, e Bhallaladeva, que se vitimiza de forma velada para arrancar a empatia da Rainha Mãe, a colou na posição de ser obrigada a tomar Davasena do melhor filho, ou tirar seu título de Rei. Davasena não se submeteu mais uma vez ao luxo da ordem de Sivagami, era mulher de Baahubali, e não estava interessada em Bhallaladeva. Essa mais nova insolência incurtiu na ordem real por sua prisão imediata, que fora impedida de imediato por Baahubali. Amarendra Baahubali não deixaria que ninguém tocasse em sua mulher.

128_04

“Se encostarem a mão em Davasena, sofrerão a ira da espada de Baahubali.”

A discussão causou instabilidade na realeza, e seria agora após Sivagami ser derrotada moralmente pelo juízo imaculado de Baahubali, que Bijjaladeva articularia manipulando para que seu filho Bhallaladeva tomasse o trono. Sivagami estava dividida e ferida, o que facilitou para que decidisse em retirar o trono de Baahubali e assim coroar Bhallaladeva, uma vez que as opções não existiam para o campeão de Davasena.

128_07

Baahubali era o encarregado de organizar a coroação do irmão, então como Ministro de Guerra movimentou todo o aparato para saudar o novo Rei de Mahishmathi, Bhallaladeva, filho de Bijjaladeva e Sivagami Devi. Sivagami sabia que pecara com seu melhor filho, e não conseguia enfrentá-lo olhando nos olhos. Baahbubali não se importava nem mesmo de sacrificar a própria existência por seu povo ou por Sivagami, porém quando se une a Davasena, outro ser tão Divino que o completa e o eleva, não se tratava mais apenas de si. Amarendra era o Rei, O Verdadeiro Rei, e não importava se Sivagami dera a ele uma escolha injusta. O trono ou Davasena? Poder não importava para Amarendra Baahubali, isso era apenas um título, escolhera sem titubear a mulher que amava. Mas isso não mudava nada, para seu povo Baahubali era o verdadeiro rei. A verdadeira personificação de Shiva na Terra. E a voz do povo não se escondia, todos saudavam por ele, todo esse amor criava ainda mais inveja no interior de Bhallaladeva.

128_08

Mas algo não poderia ser tolerado, Davasena aprisionada pelas ordens da sua família? Inaceitável! A ira do Deus Rudra, o protetor das terras e dos mares se apossou de Amarendra. Davasena acorrentada e subjugada por um ato tirânico da Rainha Sivagami que estava cega pelos jogos psicológicos de Bhallaladeva, fazia emanar a imponência de Amarendra. Aquela mulher levava dentro de si um filho de Amarendra, e isso fez acordar um Baahubali tão eficaz na destruição, como quanto sempre se mostrou para atos pacíficos. Ouvindo as acusações de Setupaty, um subalterno da realeza, num julgamento real em desfavor de Davasena, Amarendra assolava o locutor. Não importava os alarmes de Bhallaladeva, que ocupava o trono, Baahubali sabia o que era certo ou errado, e ele desafiaria até mesmo Deus para defender sua mulher e filho. Amarendra ainda não compreendia os detalhes de sua prisão, e não queria ouvir daquele qual sua mulher ferira ainda sem conhecer a razão. Sabia quem amava, sabia que sua integridade provinha da pureza, então deixa que Davasena explique. Tentar ser assediada custou os dedos de Setupaty no julgo de Davasena, mas para Baahubali ainda era pouco. E ignorando todos os ritos, pune decapitando aquele que ousara, não apenas por tentar ferir a honra de sua mulher que mesmo sozinha soube se defender, mas de todas as outras de Mahishmathi. Corta por si mesmo as correntes que aprisionavam sua esposa e conclui por si só aquele julgamento. O ato fora reprovado por Sivagami, que mais uma vez de forma injusta decreta o banimento dos dois de Mahishmathi por não respeitar as tradições e ordem do Rei.

128_09

Mais uma vez Baahubali mostra sua grandeza, e com humildade aceita a ordem da Rainha Mãe Sivagami. Isso não mudava nada para Amarendra, agora ele estaria ainda mais próximo como um cidadão comum daqueles que amava, e um rei destronado ainda é um rei quando recebe a glória de seu povo. Se livrando de todas as amarras da nobreza, Davasena e Amarendra se unem de bom coração e são recebidos com amor por toda a plebe de Mahishmathi, e trabalhando junto ao povo também dividiam seus conhecimentos com todos que queriam aprender. Pôde então ver ainda mais de perto os detalhes do sofrimento que se mantinha oculto enquanto vivia recluso em palácios, se inspirando assim em ajudar para melhorar a qualidade de vida daquelas humildes pessoas.

128_10

A  inveja de Bhallaladeva chegava no extremo final, onde conspirava pela morte de Baahubali, Davasena, e do filho que levava dentro de si, fazendo-o contrariar até mesmo o pouco de juízo do próprio pai. Kumara Varma, guerreiro e amigo de Baahubali que antes guardava por Davasena em Kuntala, ouvira todo o plano. Se aproximou de Bijjaladeva com compaixão pelo pai que fora maltratado, mas tudo não passava de uma grande encenação ainda não revelada. Bijjaladeva incitou Kumara Varma para que atentasse contra a vida de Bhallaladeva, porém entregou-o a adaga de Baahubali para que cometesse o assassinato do próprio filho pela paz de Mahishmathi. Imaturo Kumara Varma aceitou acreditando estar fazendo um mal para fazer o bem, mas fora traído e morto por Bijjaladeva com fim de incriminar Baahubali a pena máxima de conspirar pela morte do rei. Uma terceira grande decisão para a Rainha Mãe, principalmente por saber que a morte de Baahubali traria o caos para toda Mahishmathi. Então a covardia suprema e arrojo da culpa é lançado com todo peso em Kattappa, o obediente escravo real que cuidara e treinara Baahubali por toda a vida. O amigo leal mais próximo de Amarendra Baahubali. Sivagami tão cega com tudo mostra duas opções a Kattappa, ou ele mata Amarendra, ou ela mesma o faz. Chorando e relutando ele aceitar cometer o crime supremo, não queria ver seu melhor amigo sendo morto pela própria mãe.

128_11

Duvidando da lealdade de Kattappa em cumprir a sórdida missão, Bhallaladeva e Bijjaladeva colocaram-no como isca para atrair Baahubali, que após salvá-lo de uma fogueira, é alvejado por uma violenta chuva de flechas. A grandeza de Amarendra Baahubali era tamanha que se colocou como escudo para Kattappa, que ainda estava ferido e de mãos atadas. Baahubali se ergue, como um guerreiro imortal. Quebra todas aquelas flechas das costas como se não fossem nada, e encara um inimigo desconhecido no horizonte da madrugada. Eles eram muitos, mesmo que forte estava ferido, e precisava remover Kattappa daquele lugar. Tomou o amigo nos braços e o levou para um lugar seguro. Kattappa dizia que ele precisava fugir, não explicava a razão, mas Baahubali entendia a aflição daquele homem. Sabia de seu sacrifício, assim como Jesus quando traído por Judas. Fazia parte do Grande Plano, e Amarendra Baahubali sabia que renasceria. Sua morte não era o fim, mas um novo início. Do pai, um novo homem renasceria. Ele só precisava de uma coisa, manter Kattappa vivo, aquele que ascenderia o seu sangue numa nova era que viria.

128_12

“Mesmo que eu quisesse abandoná-lo, você prometeu segurar o meu filho nos seus braços.”

Amarendra Baahubali era uma verdadeira divindade. Shiva na Terra. Agora, o Deus da Destruição. Limpou todos os oponentes para deixar caminho livre para Kattappa. Lançou-no uma espada, que fora servira para cortar sua própria carne. Amarendra caiu, mas caiu entendendo a razão. E pedindo para que Kattappa cuidasse de seu filho e sua mãe. Seu melhor amigo o tomou essa vida, mas deveria cuidar da próxima. Era uma promessa.

128_14

Como um espectro aterrorizante, Kattappa surge na entrada do salão real onde apenas a Rainha Mãe estava imóvel encarando o vazio. Abatido pela traição ao melhor dos melhores em favor da lealdade a um reino sujo por injustiças, o guerreiro arrasta sua espada com o sangue divino. Mancha as mãos de Sivagami com último sopro de vida de Amarendra, para que sinta o peso de sua decisão mergulhada em tantas vaidades de uma mulher poderosa. Ainda assim tentando repreende-lo, Sivagami é silenciada duramente por Kattappa, que profere claramente que a Rainha cometera um erro. Se deixou cegar pela raiva por Baahubali, e foi manipulada todo o tempo por Bhallaladeva. E seu ego fora devastado ao saber sobre o último pedido de Baahubali:

“Cuide da minha mãe.”

128_15

Antes mesmo de pensar em Davasena ou mesmo Shivudu que estava por nascer, era sua mãe a maior preocupação. Pois Ele sabia, da dor que viria e, consumiria as profundezas da alma de Sivagami. Saltando num precipício de angústia a Rainha de antes, soberana em postura, desaba ao rememorar o quanto aquele filho, que ao menos era biologicamente seu, era especial. Mas é interrompida de suas reflexões por Davasena, que já com seu bebê nos braços, entra no salão real. Kattappa não esconde o peso da vergonha que sentia, e revela à Davasena o maior pecado de sua existência. Incitada por Bijjaladeva a matar seu neto para o povo não almejar um inquisidor, Sivagami caminha e se abaixa humildemente aos pés de Davasena. Revelando o erro de não ter enxergado as virtudes do homem pelo qual ela lutou e tanto amou, e que agora caía em desgraça. Sivagami sabia não ser possível pedir ou ser perdoada pelos pecados que cometera.

128_16

Bhallaladeva pede a mãe que acalme o povo comunicando oficializando a morte de Baahubali e, Sivagami com grande vigor se ergue, toma o neto no colo, e vai até a borda do palácio, onde comunica a morte de Amarendra. Buscando revogar para consertar todos os seus atos egoístas e mal pensados, ergue o bebê, e comunica que o novo Rei seria “Mahendra Baahubali!” O povo grite em vozes de glória por vida longa a Mahendra Baahubali. Num ato de impedir a insurreição de Baahubali, Bhallaladeva ordena a captura de Sivagami, que é defendida por Kattappa para fugir com Mahendra em seus braços, mas ela ainda precisava salvar Davasena que havia instantes antes dado a luz. Sem mais forças Davasena diz que a dor de perder o marido vai passar, mas que seu filho deveria viver para um dia voltar e libertar Mahishmathi. Sivagami então consegue escapar por uma passagem secreta e alcança o exterior do reino, quando orientado apenas pelo ódio, Bhallaladeva usa de um arco para ferir mortalmente com uma flecha a prória mãe, ainda com Mahendra no colo. Os dois caem num córrego da cercania. Bhallaladeva não tinha limites, e o ódio que tinha por Davasena o fez reduzir Kuntala às cinzas, e aprisionar perpetuamente a mulher de Baahubali. Seu desejo era possuir tudo o que Baahubali conquistava com sua natureza perfeita, mas o coração de Davasena não seria jamais ocupado por um ser tão vil.

128_17

Todos acreditavam que Mahendra havia morrido, mas Sivagami rogou a Deus para que a punisse em sacrifício pela vida de seu neto. E Shiva atendeu. Foram longos 25 anos de espera pelo retorno de Baahubali, e Davasena nunca duvidara do seu retorno. Sua fé era inabalável, Mahendra era Amarendra, a reencarnação do Deus que amara como homem, e em nova vida tem como filho. E agora era o momento do juízo final, Shiva retornava para libertar seu povo dessa maldição! Baahubali reúne seus seguidores para que lutem unidos a ele para enfrentar a tirania de Bhallaladeva, e avança em direção a Mahishmathi com seu pequeno exército de homens simples. Durante o calor da batalha Bhallaladeva avança pela multidão, captura Davasena e foge em sua biga com o encalço de Mahendra. Após entrar nos enormes portões a ponte é levantada, mas Baahubali salta e é atingido no meio do peito por uma flecha desferida por Bhallaladeva. Uma chuva de milhares de outras flechas é disparada, mas Kattappa e seus aliados protegem com escudos a integridade de Mahendra. A crueldade não tem fim, Bhallaladeva não se importa em tirar a vida nem mesmo de seus próprios soldados. Mahendra Baahubali estava irado por Bhallaladeva tomar sua mãe, já estava agindo de forma cega, mas Kattappa o acalma para que pense. Para que pense como um Baahubali.

128_18

Saltando de forma improvável, Baahubali, Kattappa, e mais quatro guerreiros são lançados para dentro das muralhas de Mahishmathi. Com o plano tendo funcionado, outros guerreiros também se atiram para acessar e lutar no interior da cidade. Mahendra sozinho arrebenta as enormes correntes que erguiam a ponte de acesso, fazendo que todos os seus que ainda não haviam entrado pudessem passar. Com toda fúria Mahendra Baahubali investe contra aqueles que açoitavam sua mãe, e pede para que sua mulher, Avanthika, ajude Davasena a acender a pira funeraria que alimentou por anos, galho a galho.

128_19

Bhallaladeva avança contra Baahubali em sua potente biga, e em duelo Mahendra distrói o veículo do tirânico irmão. A batalha vai para o solo, e a briga é feroz. Mahendra é mais forte, ágil e inteligente, mas o ódio de Bhallaladeva faz dele um oponente perigoso. Enquanto isso Davasena caminha com a chama em sua cabeça num ritual sagrado chamado “Prova de Fogo”, onde quem o conclui nunca mais experimentará a derrota. Bijjaladeva ordena que inflamem uma ponte por onde ela terá de passar, e atiram óleo e as chamas lambem com violência. Mas Davasena tem fé que nada irá impedi-la, e mais uma vez Shiva dá o seu sopro. Na voraz luta de Mahendra e Bhallaladeva, Baahubali destrói a gigantesca estátua em ouro do irmão, fazendo com que sua cabeça role, derrube a ponte em chamas, e se transforme num caminho para sua mãe pisar e chegar no outro lado.

128_20

A luta entre os dois irmãos se intensifica se tornando ainda mais sangrenta, o rancor de Bhallaladeva é tamanho que ele tenta arrancar o coração de Mahendra com as próprias mãos. Baahubali consegue se desvencilhar e é atirado longe, mas se levanta com um olhar sinistro encontrando as correntes que aprisionaram e machucaram sua mãe pode tantos anos. Com a angústia acumulada e o peso de honrar sua mãe, se torna monstruoso em combate, subjugando Bhallaladeva à miséria moral. Lança-o sobre a pira de galhos construída por Davasena, e dá um grande salto com sua espada, cravando-a em sua perna para que sua sua mãe ceife sua demoníaca alma nas chamas. E assim finalmente todo o sofrimento pela maldição da mítica Mahishmathi é chegado ao fim.

128_21

“Esta é minha primeira ordem com a Rainha Mãe como testemunha. No nosso reino aqueles que acreditam em trabalho e justiça andarão com a cabeça erguida. Se alguém pensa em fazer mal a essas pessoas, quem quer que seja, sua cabeça queimará no fogo do inferno. Esta é minha palavra. E a minha palavra é lei.”

128_05

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Prabhas, Rana Daggubati, Anushka Shetty, Tamannaah, Ramya Krishna, Sathyaraj, Nassar, Meka Ramakrishna, Subbaraju, Rakesh Varre, Charandeep Surneni, Adivi Sesh, Rohini, Nora Fatehi, Tanikella Bharani e Teja Kakumanu compõem o elenco. Criação de K. V. Vijayendra Prasad, Baahubali 2: A Conclusão, teve seu roteiro compartilhado com o também diretor e ator do longa S. S. Rajamouli. A superprodução indiana de 2017 é produzida por Shobu Yarlagadda e Prasad Devineni, utilizando os estúdios da Arka Media Works, assim como na primeira parte. O compositor M.M. Keeravaani também retorna, dando continuidade ao seu belíssimo trabalho . Seu orçamento foi de 38 milhões de dólares (₹2.5 bilhões), e teve um faturamento de 275 milhões (₹18 bilhões). O épico indiano de S. S. Rajamouli, é a segunda parte de uma duologia. Existem boatos de um terceiro longa, mas até o momento, fim de 2019, nada fora concretizado. O importante frisar é que o épico se fecha nestes dois filmes, onde conta primeiro a jornada de Shivudu, e no segundo a história de seu pai, Amarendra Baahubali.

CONCLUSÃO
Afirmo com total segurança que não existe absolutamente nada parecido com Baahubali, e não é para menos, é preciso muita ousadia e competência tanto para escrever a complexidade do seu roteiro, pensar o conceito e, colocar tudo em prática de forma tão grandiosa e funcional. Baahubali 2: A Conclusão abusa da teatralidade e estilo, amarrando com chave de ouro um dos épicos mais bonitos visualmente do cinema, mas que infelizmente será ignorado por muita gente pelo simples fato de ser um filme estrangeiro. Esse é aquele tipo de coisa que traz um sentimento de querer compartilhar com todos. Rasgo seda sim, e neste caso sem a mínima vergonha. Baahubali 2: A Conclusão tem classificação etária de 16 anos, e está disponível, junto de Baahubali: O Início, no serviço por assinatura Netflix.

assinatura_dan

DON (CRÍTICA)

126_00

SINOPSE
Comandando a Operação de Singhania, o vice-comissário De Silva orquestra as investigações em Kuala Lumpur, na Malásia, contra o crime organizado liderado por Don, um criminoso lendário dentro da alta cúpula internacional do tráfico de drogas. Mr. Singhania é um dos dois gerentes antes subordinados a um chefão falecido, conhecido como Boris, e o outro é Verdhan, cujo paradeiro é desconhecido. Após Ramesh, um dos capangas mais próximos de Don tentar se dissociar do grupo por querer levar uma vida menos arriscada, é assassinado por Don. Porém a noiva de Ramesh, Kamini, decide cooperar com a polícia para tentar capturá-lo, e assim trazer paz à memória de seu amado. Roma, irmã de Ramesh, inconformada se infiltra discretamente na gangue de Don, para tentar pegá-lo desprevenido em algum momento. Durante uma das várias tentativas da polícia em capturar Don, uma audaciosa perseguição entre o bandido e De Silva ocorre, terminando num grave acidente onde Don finalmente é alcançado. A captura não é anunciada e, apenas De Silva e um número limitado de agentes sabem, ato esse que permitiu ao comissário traçar um plano surreal de por um sósia de Don, Vijay, para encarnar os super criminoso. Vijay é um cara pacato, humilde, e que queria apenas viver uma vida tranquila ao lado do pequeno garoto que cuidava. Mas em troca da oferta de uma boa escola para a criança, Vijay aceita o perigosíssimo trabalho de se infiltrar no mundo do crime.

126_01

COMENTÁRIOS
Me sinto num papel de diplomacia em convencer brasileiros assim como eu, a se darem mais oportunidades de conhecer o cinema estrangeiro. E olha que eu nem pego pesado ofertando pérolas consideras ‘cults’ do circuito exótico internacional. Don (também conhecido como Don: The Chase Begin Again) é um filme indiano de ação lançado em 2006 que traz atuações de super celebridades indianas, como o galã Shah Rukh Khan e a belíssima Priyanka Chopra, que exala muito carisma com sua sensualidade natural. Simpatia essa que salta aos olhos pelos trejeitos desse povo tão espontâneo na arte cênica, com suas músicas, danças e desinibição. O mais interessante em Don é que por se tratar de um filme de ação, imagine-se que trechos musicais com danças coreografadas fariam toda a dinâmica do conceito rolar ladeira a baixo, mas aí que a gente quebra a cara. Com o mesmo feeling da abertura de um longa de James Bond esses momentos se fazem, porém não apenas numa chamada ao filme, mas no decorrer de seu todo. E não só isso, as músicas em Don também fazem sentido no somar com o roteiro, enriquecendo mais ainda a metodologia de narração e montagem de cenário. É uma dinâmica muito, mas muito diferente das quais estamos acostumados no ocidente. A riqueza cultural e o que esse pátio de cinema tem para ensinar ao ocidente é uma coisa fora de série, e que merece bem mais atenção do que tem recebido.  Don (2006) não é o original, nas sim um remake de um aclamado filme também indiano e de mesmo nome de 1978, no qual o astro Amitabh Bachchan era o protagonista.

126_02

Um dos pontos mais fortes de Don é sua trilha sonora. Eu mesmo não sou exatamente fã do gênero de músicas que se aplicam neste filme, mas a sonorização eletrônica com sintetizadores mixando grooves de guitarras pesadas e pontuais, belas marcações de contrabaixo, e até mesmo violinos, criam uma atmosfera sensacional dos clássicos conceitos de espionagem característicos do mundo de Ian Fleming. O sentimento eufórico é esse mesmo, Goldfinger (1964), Skyfall (2012), GoldenEye (1995). É cara, é nesse nível mesmo que espero você ser capaz de imaginar, só que como expliquei, isso se perpetua por todo o decorrer do longa. A busca por incorporar elementos narrativos em trilhas é sempre algo muito delicado. A probabilidade de se transformar num puro musical ou mesmo beirar a galhofa é sempre grande. Um risco enorme. Mas se trata de cinema indiano, meu amigo. Bollywood, Tolywood, não importa, quando se trata de gerenciamento artístico, até mesmo a Disney suga daqueles cantos, quem já consome esse tipo de material sabe do que estou falando. Segue uma amostra:

COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Com um roteiro sensacional vemos algumas referências, intencional ou não, a filmes como A Outra Face (1997) ou clássicos da série Missão: Impossível. Tramas complexas de perigo onde a verdadeira identidade por ser revelada é um motivo de tensão, sempre é algo divertido. Aqui temos um frio e debochado vilão, que boa parte do filme assume o protagonismo central, e não compreendemos claramente se estamos assistindo um filme normal onde o vilão será derrotado, ou se homenageamos justamente o lado errado apenas por ele ser, mesmo que ainda errado, muito carismático. Tarda um pouco, embora o filme tenha realmente todos os arcos bem longos, mas Don finalmente é capturado pela polícia. Dado-se isso o que vemos é um absoluto show de interpretação. Don e seu sósia são o mesmo ator, óbvio, mas a personalidade do dois personagens são coisas completamente diferentes, totalmente opostas. Daí temos Vijay a pedido da polícia sendo treinado para incorporar o então vilão morto, e assim ajudar nas investigações no mundo perigosíssimo da máfia. E é nessa transição que o cara mostra sua habilidade. O crescente de transformação é algo sensacional, o cara humilde e inseguro que se molda num divertido, caótico e presunçoso vilão, quase um Coringa. E o final cara! Que desfecho é aquele? Sensacional! Não vou nem comentar nada (mesmo aqui sendo área de spoilers), porque para quem assistiu não é preciso explicação, e esse é o supra sumo plot twist de Don!

126_03

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Shah Rukh Khan, Priyanka Chopra, Arjun Rampal, Boman Irani, Isha Koppikar, Om Puri, Kareena Kapoor, Pavan Malhotra, Rajesh Khattar, Tanay Chheda, Satyajit Sharma, Chunky Pandey, Sushma Reddy e Diwakar Pundir compõem o elenco. Baseado em Don (1978) que fora criado por Salim-Javed, Don (2006) é um remake do consagrado longa que se tornaria definitivamente uma franquia. Produzido por Ritesh Sidhwani e Farhan Akhtar, esta é uma superprodução dirigida pelo próprio Akhtar. Don é produzido nos estúdios da Excel Entertainment, e tem distribuição da Eros International. Venceu o Neuchâtel International Fantastic Film Festival na categoria de melhor filme asiático, e foi indicado a diversos outros prêmios, como o 1st Asian Film Awards, 52nd Filmfare Awards e 8th IIFA Awards. Seu orçamento foi de ₹38 crores, e teve uma arrecadação de ₹106 crores.

CONCLUSÃO
Num ritmo excelente de roteiro Don se desenvolve em seus extensos 168 minutos, ter uma montagem longa é uma característica da maioria dos filmes indianos, e nesse não é diferente. Mas vamos lá, Don é para que tipo de público? Primeiro precisamos entender que a cultura aqui é outra, muito diferente da nossa no Brasil. Então não cabe ficar julgando conceitos por identificar estranheza, apenas sente no barco e curta como o mar navega. Tem vezes que é bom esse desprendimento crítico e simplesmente entrar no jogo, acredite, quando você der conta já é um adepto da grande Bollywood. Ação, comédia, romance, boa música, boas atuações, e por fim um pouco mais de ação. Assim eu defino Don, filme que tem uma continuação conhecida simplesmente como Don 2, ou Don 2: The Chase Continues de 2011, e no fim de dezembro de 2019 foi lançado Don 3: The Chase Ends. Com classificação etária de 16 anos, Don está disponível no catálogo Netflix, bem como sua continuação.

Barra Divisória

assinatura_dan

BACURAU (CRÍTICA 1)

125_00

No ano de 2019, houve diverso lançamentos muito bons no cinema. Um dos melhores, para mim, foi Bacurau com direção de Kleber Mendonça Filho (Aquarius, 2016) e Juliano Dornelles. O enredo se passa no interior do sertão nordestino, mais precisamente em Pernambuco, em um vilarejo que dá o nome à obra. Logo no início contemplamos como essa comunidade lida com a morte de uma moradora muito querida por todos, dona Carmelita, aos 94 anos.

O interessante que essa narrativa se passa em um futuro próximo, contudo a ambientação, à primeira vista, parece retratar um tempo muito antigo. Nesse aspecto me lembrou outro filme maravilhoso que é Narradores de Javé (2004) e, ao adentrarmos na atmosfera de Bacurau, percebemos seus telefones, tablets e telões de LED que dão o tom moderno à um local rústico.

Outro aspecto pitoresco diz respeito ao funcionamento da dinâmica entre os moradores. Se por um lado é Tereza (Barbara Colen) quem traz remédios da cidade grande, é a médica Domingas (Sonia Braga) que os distribui para todos e atende a qualquer pessoa que venha ao seu consultório.

125_01

COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Durante uma aula, o professor Plínio e seus alunos, percebem que Bacurau simplesmente “sumiu” do mapa e partir daí que as coisas se complicam. A população descobre que está sendo caçada, contudo não sabe por quem. Os algozes são, na verdade, um grupo de estrangeiros sádicos que resolvem exterminar aquela população e, para isso, contam com a ajuda de dois brasileiros do Sul/Sudeste para obter tal êxito.

Para mim, uma das cenas mais geniais diz respeito à reunião desse grupo em que um dos brasileiros “brancos” se vê como muito mais parecidos com os estrangeiros do que com seu povo. E um dos assassinos rebate que apesar da cor clara, seus traços denunciam sua origem, que “ no máximo são mexicanos brancos”. Isso demonstra bem como vivemos o racismo em nosso país: muitos renegam sua ancestralidade para fingir ser alguém que realmente não é.

125_02

Na segunda parte do filme é que se passa o conflito em si. O sinal de comunicação é bloqueado e então toda a dinâmica de Bacurau é abalada. Há assim algumas mortes entre os cidadãos, mas inflamados por Lunga (Silverio Pereira) resolvem se armar e se defender do inimigo invisível que os espreita.

O filme é uma celebração, uma ode à população brasileira, sobretudo nordestina que luta contra as adversidades tanto estrangeiras quando dos seus compatriotas. É notável que no filme e no restante do país, o clima é de completo caos social, e que aquele pequeno oásis no sertão é uma forma de resistência às injustiças.

A trilha também conta com duas musicas especialmente tocantes: Não Identificado de Gal Costa e Réquiem para Matraga de Geraldo Vandré, ricas por seu valor simbólico em cada momento do filme. O final é violento e ao mesmo tempo sensível. No entanto, ao chegar ao desfecho, todo aquele assistir, que “ ♪ não entendeu, não perde por esperar… ♪ ”, literalmente.

125_03

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sônia Braga, Udo Kier, Bárbara Colen, Silvero Pereira, Thomás Aquino, Karine Teles, Antonio Saboia, Lia de Itamaracá e Wilson Rabelo compõem o elenco. Coprodução entre França e Brasil, Bacurau, filme de 2019 é escrito tanto escrito como dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e tem produção de Emilie Lesclaux, Saïd Ben Saïd e Michel Merkt. Conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2019, tornando-se o segundo longa brasileiro da história a ser laureado no certame geral, após O Pagador de Promessas (1962) de Anselmo Duarte. Além de premiado em diversos festivais de cinema, Bacurau foi selecionado para mostras principais de festivais não competitivos prestigiados mundialmente, como o Festival de Nova York (NYFF).

assinatura_julianna

DON’T F**K WITH CATS: UMA CAÇADA ONLINE – DOCUMENTÁRIO NETFLIX (CRÍTICA)

124_00

SINOPSE
Quando um homem misterioso publica um vídeo em que aparece torturando e matando dois gatinhos, usuários indignados da internet ao redor do mundo entram em ação para encontrar esse sádico. Isso começa um jogo de “gato e rato” (há!) aonde, satisfeito com a atenção recebida, nosso matador passa a postar vídeos cada vez mais perturbadores. Dos produtores de “O Impostor” e “Silk Road”, Don’t F**k With Cats: Uma Caçada Online estreou em 18 de dezembro, na plataforma de streaming Netflix e relembra o caso de Luka Rocco Magnotta, utilizando dos acontecimentos para questionar sobre os limites do conteúdo que algumas pessoas compartilham na web, e o papel de quem dá audiência a isso.

124_01

A SÉRIE (SPOILERS)
Dividida em 3 capítulos de aproximadamente 60 minutos de duração cada, a mini série é um documentário em sua forma mais tradicional, mas que não foca as entrevistas nas autoridades da lei responsáveis pela investigação do caso (pelo menos não em um primeiro momento), mas sim nas pessoas que tiveram um papel ativo desde o começo do caso: usuários de internet. Pessoas simples, como eu e você, que possuem seus empregos e vivem suas vidas, mas que eventualmente dedicam algum tempo a “passear” pelas redes sociais. Pessoas como Deanna Thompson, analista de dados de um cassino em Las Vegas; e John Green, nome fictício de um homem que não quis se identificar (apesar de aparecer abertamente no vídeo). Eles recapitulam passo a passo a investigação feita até encontrarem Luka, o responsável pelas atrocidades com os gatinhos – e que viria a se tornar um criminoso procurado pela Interpol após assassinar o estudante chinês Jun Lin.

Em 2010, vídeos foram publicados por um perfil anônimo e causaram a indignação de diversas pessoas nas redes sociais. Neles, um homem não identificado aparece assassinando filhotes de gato de diferentes maneiras, sem esboçar nenhuma reação. Espantados com a frieza do protagonista, alguns usuários do Facebook criam um grupo na rede para localizar esse indivíduo capaz de cometer e filmar crimes tão perversos.

124_02

O primeiro vídeo é investigado à exaustão, e é interessante acompanhar a reconstrução da busca e os resultados conquistados por pessoas obstinadas, apenas com base em detalhes observados nos vídeos. Cada frame é uma pista para descobrir em qual país reside o culpado. De um maço de cigarros a um aspirador de pó identificado por um fórum na internet, Deanna e os outros se aproveitam de todas as ferramentas disponíveis na internet para se aproximar cada vez mais do assassino. A cada novo vídeo de assassinato animal, novas pistas são captadas, e fica claro que a intenção desse “monstro” é que continuem lhe dando atenção, forjando pistas falsas e chegando a provocar o grupo. Quando finalmente os pontos vão se ligando e os “detetives virtuais” finalmente o identificam, é que o diretor e roteirista Mark Lewis apresenta quem, de fato, é a pessoa por trás dos vídeos macabros: Luka Rocco Magnota.

Aqui entendemos que o criminoso possui uma mente perturbada ao conhecermos o conteúdo das imagens divulgadas. Toda a montagem dos vídeos é feita minuciosamente por Magnotta, que já os planejava prevendo a repercussão que causariam. O texto de Lewis reproduzido na boca de Deanna e Green alerta o público diversas vezes sobre a busca por atenção, sempre espelhado em cenas da cultura pop ou em casos antigos de serial killers. Narcisista extremo, ele queria ser o centro das atenções, chegando a editar digitalmente seu rosto em várias fotos, e criar inúmeros perfis falsos para comentar nas fotos, validando essa persona inventada. A escalada de atenção de Luka culmina com ele cometendo e filmando um homicídio.

O que antes era apenas uma caçada virtual com milhares de internautas procurando um doente que maltratava animais, se torna então um caso internacional de investigação atrás de um homicida, que vivia como um andarilho viajando entre países e mudando de identidade para escapar das autoridades. Sendo assim, ele se tornou alguém muito instigante para mídia, conseguindo cada vez mais e mais atenção, saindo da internet para os noticiários internacionais. A caçada culmina com Magnotta sendo preso em um cyber café na Rússia, enquanto pesquisava sobre seu próprio status no site da Interpol.

124_03

CONSIDERAÇÕES
A série apresenta lacunas que poderiam ser melhor preenchidas, falta um estudo mais aprofundado sobre o aspecto psicológico do assassino; um claro narcisista psicótico, mitômano e quem mais sabe que outros distúrbios Luka Rocco Magnotta poderia ter. O texto de Lewis reproduzido na boca de Deanna e Green alerta ao público diversas vezes sobre a busca por atenção, sempre espelhado em cenas da cultura pop ou em casos antigos de serial killers. Ele queria ser o centro das atenções e um profissional analisando suas atitudes, esclarecendo alguns aspectos de distúrbios psicológicos tornaria a proposta do documentário talvez mais completa e enriquecedora.

Apesar de contar com os entrevistados mais importantes na história do caso, trazer pessoas comuns como o espectador, inserindo-o na história, o documentário obviamente exagera na dramatização dos envolvidos. Parece que até os policiais da investigação revivem cada detalhe, como se estivessem representando a si mesmos. Infelizmente, para mim, essa representação acaba retirando muito da importância do questionamento principal que o diretor levanta para o espectador. Sabendo que Luka buscava por atenção desesperadamente com seus vídeos assustadores, teriam eles (todos que se mobilizaram nessa caçada; e aqui incluo a nós, espectadores) se tornado cúmplices da morte de Jun Lin? Afinal, saber que estava sendo procurado alimentava o jovem a continuar com suas atitudes doentias, buscando mais e mais atenção e reconhecimento.

Diante da polêmica, a Netflix lançou um vídeo com quase dez minutos, no qual explica o motivo de ter produzido Don’t F**k With Cats. A explicação foi feita pelo próprio diretor Mark Lewis. “É uma história de rato e gato, mas acima de tudo, tem algo muito importante a dizer, sobre a internet, sobre a cultura da internet”, relatou o cineasta. Veja o vídeo abaixo.

“Don’t F**k With Cats: Uma Caçada Online” é um documentário que começa com uma premissa diferenciada, e consegue não ser óbvio, reservando boas doses de surpresa no decorrer de sua história. Mas perde ao não saber explorar o gosto amargo que fica na boca ao confrontar o fato de que nós podemos ser tão culpados quanto o próprio assassino nesse caso.

assinatura_rodrigo_pereira

HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS (CRÍTICA)

121_00

Situado 9 anos depois da ascensão do Império Galáctico (A Vingança dos Sith, 2005) e 10 anos antes da Batalha de Yavin, na qual a Estrela da Morte é destruída (Uma Nova Esperança, 1977), Han Solo: Um história Star Wars (2018) encara a tarefa de traçar as origens do famoso contrabandista e piloto da Millennium Falcon que foi eternizado pelo ator Harrison Ford na trilogia original.

Han, um órfão que cresceu pelas ruas de Corellia, vê-se obrigado a trabalhar para as gangues locais em companhia de seu amor de infância, Qi’ra. De posse do valioso coaxium, combustível espacial que quando refinado torna possível o salto no hiperespaço, o rapaz pretende subornar, enganar a tudo e a todos para fugir do planeta (sob domínio do Império e das máfias) para começar uma vida nova com Qi’ra. No entanto o destino os separa levando a caminhos diferentes: ele ingressa no Império, ela é presa pela máfia de Corellia.

Han Solo almeja voltar e resgatar sua amada, mas a sua jornada exigirá muita coragem e astúcia até reencontrar Qi’ra. Formará amizades eternas, como a de Chewbacca, e a rivalidade com Lando Calrissian, além de encontrar e pilotar pela primeira vez a Millennium Falcon. Han descobrirá que não pode ficar alheio à injustiça na Galáxia e a medida que foge das responsabilidades, mais perto estará de se opor ao Império Galáctico.

121_01

Título original: Solo: A Star Wars Story
Direção: Ron Howard
Roteiro: Jonathan Kasdan e Lawrence Kasdan
Duração: 2h 15min
Lançamento: 24 de maio de 2018

121_02

Elenco: Alden Ehrenreich (Han Solo), Woody Harrelson (Tobias Beckett), Emilia Clarke (Qi’Ra), Donald Glover (Lando Calrissian), Thandie Newton (Val), Phoebe Waller-Ponte (L3-37), Joonas Suotamo (Chewbacca) e Paul Bettany (Dryden Vos).

121_03

SOLO UMA ORIGEM
Qualquer fã fervoroso da franquia ficou apreensivo com um filme sobre Han Solo, o personagem mais célebre de Star Wars que não é nem jedi nem sith. Aliás é o primeiro filme em que os jedis não são sequer mencionados.

A fenomenal atuação de Harrison Ford na trilogia inicial é um daqueles bastiões da sétima arte quase impossíveis de ultrapassar ou manchar. O próprio Ford sabia disso e, mesmo adorando o novo filme, escolheu não participar da premiere com o resto do elenco a fim de deixar o jovem Han Solo, Alden Ehrenreich, brilhar. Então, ao se aventurar por este longa-metragem, encare como duas atuações diferentes, mas que o jovem Solo introduz a genialidade daquele que será essencial para a vitória Rebelde ao lado de Luke e Leia.

Como um filme de origem, o longa propõe elucidar uma série de fatos em torno da dupla Han Solo e Chewbacca que são aludidos a todo momento nos episódios IV a VI da franquia. Se o contrabandista tem muito de seu passado demonstrado nesse filme, mostrando uma infância e adolescência entre meninos de rua de Corellia, fato que o tornou um trapaceiro nato; o wookie (nome da raça do Chewie) já havia aparecido na saga. Durante A Vingança dos sith (2005) estava na frente de batalha contra a invasão clônica de Kashyyyk. Depois que Chewbacca ajuda o Grande Mestre Yoda a fugir, depois da ordem 66, pouca se sabe do grandalhão peludo.

121_04

Após fugir de Corellia, deixando sua amada nas garras de Lady Proxima, mafiosa local, Han Solo (que ganha esse nome de um oficial do Império pelo fato de ser “sozinho” e sem família) entra para academia militar para ser “o melhor piloto que já existiu”. Todavia é expulso por insubordinação e torna-se soldado da infantaria do Império em Mimbam. É no fronte, entre os Stormtroopers que Han conhecerá o bando de Tobias Beckett e na prisão militar, condenado a morrer pela “fera”, que lutará contra Chewbacca. Estão lançados aí os ingredientes básicos para a dupla Han e Chewie: ambos viram contrabandistas de Beckett para se salvar dos Imperiais, e Solo trava amizade com o wookie por ser o único a entender o idioma do grandalhão, pois aprendera enquanto vivia nas ruas de Corellia.

A última peça do quebra-cabeça é justamente a mitologia envolvendo a Millennium Falcon, prêmio de um jogo de cartas. Ao fracassarem em um roubo de coaxium, combustível espacial valiosíssimo, Beckett se vê me apuros pois deve a Dryden Vos, chefão da organização denominada Aurora Escarlate. Ao travar contato com o vilão, reencontra Qi’Ra, agora braço direito do mafioso. Para roubar o produto bruto, precisa ir as minas de Kessel e levar rapidamente a um refinaria no planeta Savareen. Para isso Qi’Ra sugere usar Lando Calrissian, contrabandista veterano e dono da Millennium Falcon, nave que ele já tinha conseguido por meio de trapaça durante uma partida de Sabacc, um jogo de cartas. Entre Han e Lando, rivalidade à primeira vista; com a Falcon, amor.

Por fim, não menos importante, conhecemos a famosa narrativa de Han Solo e Chewie para fuga de Kessel em 12 parsecs (uma rota de distância fixa dentro de uma nebulosa que leva normalmente 20 parsecs), algo que só foi possível por uma turbinada de coaxium com direto a fugir de uma fera espacial (Mandíbula) e um buraco negro. Uma das cenas mais eletrizantes do longa-metragem.

121_05

REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS
A produção de Han Solo: Uma história Star Wars, ao longo da trama, presta homenagem a algumas cenas clássicas do cinema aqui revisitadas pela ficção científica. Claro que uma das mais icônicas é justamente o olhar de despedida de Han e Qi’ra que muito se deve ao filme Casablanca (1942). Isso me chamou a atenção de imediato, mas outras referências estão ali. Leia algumas!

  1. 121_06Perseguição de “carros”Não é uma grade novidade em filmes estadunidenses, mas aqui é feita por speeders (planadores), algo visto também no Episódio II – O ataque dos clones (2002). Contudo a rápida perseguição a Han por Moloch, capanga de Lay Proxima, teve como inspirações as enormes docas industriais de Long Beach (Califórnia) e a icônica corrida de carros em Grease (1978), grande clássico de John Travolta.
  2. 121_07Guerra de trincheiraAs cenas em que Han experimenta o combate Imperial em Mimvan foram inspiradas pela guerra de trincheiras na Primeira Guerra Mundial e muito comum em filmes que retratam esse período como, por exemplo, a releitura do longa-metragem da Mulher Maravilha (2017) ou o clássico Pelo Rei e Pela Pátria (1964).
  3. 121_08Serviço Secreto em Ação (1967) – Ao desmontar um rifle, transformar na blaster clássica e jogar para Han Solo, Tobias Beckett faz referência ao filme de Frank Sinatra. Nele, o ator clássico desmonta um rifle baseado em uma Mauser C96 (designer que influenciou a confecção do blaster de Han). Aliás, ainda em relação ao armamento,  a pistola de Qi’ra é inspirada ligeiramente em uma obscura pistola da Segunda Guerra Mundial, a Mannlicher M1905.
  4. 121_09Butch Cassidy (1969)O filme de George Roy Hill serviu de inspiração para o assalto ao trem de Vandor. No clássico filme, Butch Cassidy e The Sundance Kid são os líderes de um bando de criminosos que depois de um assalto a um trem que dá errado, eles se veem em fuga com uma legião de perseguidores em seu encalço.
  5. 121_11Faroeste nas estrelasVandor representa a viagem em direção à nova fronteira, tipicamente vista no gênero faroeste. As Montanhas Rochosas, Chile, Patagônia e Dolomitas na Itália serviram de inspiração para a paisagem gelada do planeta. Mas não para por aí. A sequência do roubo do trem foi concebida, inicialmente, como um clássico filmes western, com o bando de Beckett (que tem um visual de cowboy) entrando no trem por meio de uma manada de kod’yak’s. No entanto a cena foi suprimida por causa do tempo de execução. Claro, e não podemos deixar der ver a cena da partida de baralho com trapaça em um saloon. Ao contrário de Maverick (1994) com Mel Gibson,  em Han Solo o pôquer é substituído por uma partida de Sabacc, mas contexto é semelhante.
  6. 121_12Cinemataca São muitos os ganchos para outros sucessos de Hollywood que são referidos nesse longa-metragem. Filmes como Profissão: Ladrão (1981), Fogo Contra Fogo (1995), O Homem que Burlou a Máfia (1973), O Salário do Medo (1953), O Comboio do Medo (1977), Fuga do Passado (1947), Os Implacáveis (1972), Meu Ódio Será Sua Herança (1969), O Paraíso Infernal (1939), Sete Homens e um Destino (1960), O Poderoso Chefão II (1974) e O Tesouro da Sierra Madre (1948) tiveram influência da história e do estilo no roteiro final de Lawrence e Jonathan Kasdan.

CURIOSIDADES

  • 121_13Antes da Nova EsperançaA cena de abertura em Corellia e a de Rogue One: Uma História Star Wars (2016), na qual Krennic leva Galen Erso, engenheiro chefe da Estrela da Morte, acontecem 13 anos antes dos eventos de Star Wars, Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_14A idade de ChewbaccaEste é o primeiro filme Star Wars em que Chewbacca revela sua idade: 190 anos. Isso significa que ele tem 200 anos em Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_15Caçadores de recompensaHá muitas referências aos Caçadores de Recompensa clássicos. Em uma conversa com sua esposa Val, Tobias Beckett discute sobre a possibilidade da ajuda de profissionais como a irmãs Zan (a mais conhecida tentou matar Padmé Amigdala no Episódio II – O Ataque dos Clones, 2002) ou Bossk, mercenário tradoshiano (recorrente na série animada Clone Wars, 2008) bem como um dos bandidos que treze anos depois seria contratado para rastrear a Millennium Falcon e seu piloto em O Império Contra-Ataca (1980). Lando menciona, ainda, que Tobias Beckett matou Aurra Sing, empurrando-a para a morte. Cabe lembrar que Aurra Sing foi uma caçadora de recompensas que apareceu pela primeira vez assistindo à corrida de pods no Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999) e que se tornou a mestra de Jango Fett como apareceu na série animada Star Wars: The Clone Wars (2008).
  • 121_16Indiana JonesNa nave de Dryden Vos, há mostruários de exibição e, entre todos os tesouros, alguns que podem ser reconhecidos por outra franquia de filmes: “Indiana Jones”. Há as Pedras Sankara de Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984), o ídolo da fertilidade de  Os Caçadores da Arca Perdida (1981) e também o próprio Santo Graal. Existem, também, relíquias da franquia Star Wars como uma armadura mandaloriana, holocron sith, entre outras.
  • 121_17Jabba, o HuttPor duas vezes, é mencionado o fato de Han se juntar a um grande chefe do crime em Tatooine para “um trabalho”. Provavelmente esta é uma referência a Jabba, o Hutt, que perseguirá o herói em O Império Contra-Ataca (1980) e será morto em O Retorno do Jedi (1983).
  • 121_18No capacete de Enfys Nest, líder dos Cloud Riders, está escrito um poema em Aubesh (idioma introduzido em O Retorno do Jedi, ). Sua tradução: “Até chegarmos à última borda, a última abertura, a última estrela, e não pode subir mais”.
  • 121_19BenthicOs Rebeldes que aparecem no final do filme incluem um guerreiro alienígena com uma máscara preta no rosto e dois tubos saindo de seu rosto. Este é Benthic, o segundo em comando de Saw Gerrera em Rogue One: Uma História Star Wars (2016). O personagem também apareceu em alguns quadrinhos após os eventos de Rogue One como tendo ocupado o lugar de líder Rebelde em Jedha e termina conhecendo os principais heróis trilogia clássica.

CONCLUSÃO: “Tudo que você ouviu sobre mim é verdade”
Apesar dos problemas de produção e troca de diretores, apesar da tensão e audácia de revirar e revelar a vida de um dos personagens mais amados do mundo Star Wars, Han Solo: Uma história Star Wars acaba sendo uma agradável surpresa.

O fato do filme não estar alicerçado, diretamente, na tensão mítica entre os Lado da Luz e o Lado Negro da Força, faz com que a história transcreva de forma leve, cheia de ação e com boa tiradas de humor. Não podemos comparar o humor irônico de Harrison Ford com o do jovem fã Alden Ehrenreich. O jovem Han Solo consegue preservar a nossa memória do herói da trilogia clássica, sem deixar de ter uma boa pitada de inovação.

Considero, desde que a Disney assumiu a franquia, um dos melhores filmes da nova fase perdendo apenas para Rogue One: Uma história Star Wars (2016). Claro que não podemos abstrair fato de que o filme em si é uma grande colcha de retalhos cinematográficos com muitas referências a história do cinema. No entanto isso não tira o mérito de modificar o nosso olhar e contextualizar as gerações atuais para um dos heróis mais queridos de Star Wars.

Para quem gosta da franquia, esse spin-off (produção derivada) não deixa a desejar no sentido que se conecta em muitos sentidos a toda mitologia “Guerra nas Estrelas” desde mostrar origens em torno de Han Solo e Chewie, como conectar a trilogia prequela (Episódios I, II e III) à trilogia clássica (IV, V e VI). Agora se você não é um fã, assistirá a esse longa como um bom filme de ação futurística e quem sabe até seja conquistado. Tudo vai depender SOLAmente de você, se vai querer conhecer ou não o maior piloto da galáxia e que fez o percurso de Kessel em apenas 12 parsecs.

Barra Divisória

assinatura_marco

ID – O PSICÓLOGO DE ROBÔS (NEWS)

SINOPSE

No futuro, uma série de robôs é criada com um sistema operacional que simula o consciente e inconsciência tal qual Freud explicou, com algoritmo que simulam o ID, Ego e SuperEgo. Robôs com esse sistema operacional eram mais inteligentes e capazes de criar infinitas soluções para qualquer problema, mas tal como nos humanos, começaram as psicopatologias: Robôs com depressão, ansiedade, crise de pânico, bipolaridade etc. Para resolver esse problema uma nova profissão é criada: o psicanalista de robôs.

 

117_01

Capa do livro, ilustração de Vitor Wiedergrün.

DO QUE SE TRATA?

De forma resumida este é um filme de ficção científica sobre inteligências artificiais que desenvolveram emoções. Histórias sobre robôs não faltam na nossa biblioteca de contos humanos. Nomes como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick, inspiraram gerações a pensar sobre o futuro e, no como a humanidade poderia ser substituída, ou mesmo superada por novos seres, mais desenvolvidos e criados por nós. Sem contar os filmes que tratam desse tema cada vez mais contemporâneo. ID – O Psicólogo de Robôs é um projeto de longa metragem que também bebe dessa fonte, e almeja ampliar ainda mais o catálogo desse gênero, trazendo novos elementos e modos de contar essa epopeia distópica sobre relações entre humanos e robôs. Se baseando no livro O Psicanalista de Robôs de Gabriel Billy, os envolvidos no projeto enxergam grande, e almejam dar vida a uma referência do cinema brasileiro de ficção científica. Então vamos conhecer um pouco sobre seus personagens centrais.

 

CURTA METRAGEM

Para mostrar um pouco da história do longa, foi feito um curta no começo de 2019. Uma história paralela ao longa que mostra como esse tema tem um potencial enorme.

SINOPSE DO CURTA: Em mais um dia normal de trabalho, Adão encerra seus atendimentos psicológicos com uma paciente que guarda um segredo que precisa contar para alguém. Adão usará todas as suas habilidades para descobrir o que Alexa esconde, mas pode ser que seus segredos sejam muito maiores do que ele imagina.

 

PERSONAGENS

  • Adão (Junior Osvald): É principal psicólogo de robôs da PSY, um homem inteligente mas que sente muita culpa, e procura de alguma forma a redenção.
  • Zoe/Lilith (Sthefany Lorentz): Um robô criado para satisfação sexual, mas que não quer se relacionar, consegue sentir amor e, tem dupla personalidade.
  • Samuel: O chefe da PSY, um homem frio que enxerga os robôs como tecnologia robótica desenvolvida com o mero fim de atender as necessidades dos homens.
  • Lúcia (Karolline Santana da Silva): Líder dos naturalistas. Uma mulher decidida e que busca uma salvação final para a humanidade.
  • Miguel: Líder dos techis, um homem que acredita na utopia de um dia robôs e humanos serem capazes de conviver em harmonia.
  • Elisa (Isadora Bittencourt): Recepcionista da PSY, é uma mulher misteriosa e que parece saber muito mais do que demonstra.
  • Max: Este é o elhor amigo de Adão, é um homem cheio de preconceitos quanto aos robôs, em uma única palavra, “robofóbico”.
  • Evelyn (Joanice Castro): Esposa falecida de Adão, uma mulher que sofria de uma depressão tão profunda, que nem mesmo seu marido psicólogo conseguiu ajudar.
  • Harriet: Um robô que trabalha com Lilith para que um dia seus semelhantes sejam finalmente libertos.
  • Gabriela: Atriz trans que apoia a causa dos techis.

 

117_03

Parte da equipe reunida

A EQUIPE

DIREÇÃO
Diretor, Roteirista e Produtor: Rikardo Santana-Silva
1º Assistente de Direção: Mateus Ross
2º Assistente de Direção: Annelyse Bosa
Assistente de Produção: Eraldo Mota e Rayssa de Souza
Supervisor de Roteiro: Jacob Galon
Coordenadora de Roteiro: Tallyta Moraes
Preparador de Elenco: Junior Pereira
Consultora: Isadora Souza
Fotografia de Still: Mikaella Carbonera
Making of: Tata
Storyboard: Letícia Gomes
Estagiários: Rafael Elias e Matheus Fronza

ARTE
Designer de Produção & Figurinista: Luciana Lourenço
Assistente de Arte: Jessica Nayara
Assistente de Figurino: Letícia Ross
Decoradora de Set: Viv Brüschz
Assistente de Decoração de Set: Laura Maria Toledo
Contraregra: Larissa Martins
Maquiagem & Cabelo: Joanice Castro
Assistente de Maquiagem: Rafael Bonacin

FOTOGRAFIA
Diretor de Fotografia: Guilherme Labiak
1º Assistente de Fotografia: Max Martins
2ª Assistente de Fotografia: Bianca Leal
Gaffer: Roberto Willan
Best Boy: Oraci Pereira
Second Unit: Fernanda Suguimati
Assistente de Second Unit: Juliana Vilela
Operador de Drone: Pablo Vaz

PRODUÇÃO
Diretor de Produção: Edgar Krüger
Gerente de Locação: Willians Camargo
Assistente de Catering: Matheus Cassiano
Técnico de Som: Carlos Lemos
Microfonista: Ana Lemos
Logger: Gabriel Eckstein

EDIÇÃO
Editora & VFX: Thamires Trindade
Assistente de Edição: Gabriel Eckstein
Colorista & Editor de Trailer: Nyck Maftum
Edição de Som & ADR: Lucas Pereira
Música Original: Gabriel Billy
Foley: Ana Lemos e Carlos Lemos
Title Designer: Helen Sippel
Tradução & Legendagem: Beatriz Sganzerla

COMUNICAÇÃO
Diretor de Comunicação: Phillipe Halley
Assessora de Imprensa: Joceline Alemar
Divulgação Digital: Brenner Natal
Redes Sociais: Luciana Lourenço
Website: Karolline Santana da Silva
Design Gráfico: Dany Ribeiro

 

117_04

DESAFIOS DE PRODUÇÃO

A Produtora Banana Filmes Curitiba começou atuar no ano de 2017, sendo um grupo de alunos da Hollywood Film Academy. Atualmente, está formalizada como uma produtora cinematográfica e possui um corpo de nove colaboradores: Edgar Krüger, Gui Labiak, Jacob Galon, Jessica Nayara, Karolline Santana da Silva, Luciana Almeida, Mateus Ross, Rikardo Santana-Silva e Viv Brüschz. A produtora tem como foco a produção de cinema, e para isso está recorrendo a novas maneiras de financiar seus filmes. A Banana Filmes já fez dois longas metragens, cada um tendo um custo total de R$2500,00. Esse valor foi bancado pela própria equipe e elenco, pois todos tinham o sonho de fazer um longa, custasse o que fosse. O primeiro longa foi Eterno Retorno, gravado em um plano sequência, e o segundo, Trieu, gravado em inteiramente em inglês, ou seja, sempre se colocando um desafio nas produções. No total já foram feitos pela equipe 10 curtas metragens, 5 videoclipes, 1 piloto de série e 2 longas. O desafio com ID – O Psicólogo de Robôs é um pouco maior, e para isso a produtora irá precisar de ajuda de novos colaboradores.

 

117_05

COMO FAZER PARTE E AJUDAR?

O filme irá passar por três etapas, a pré-produção, produção e a pós-produção. E como qualquer coisa bem feita, é necessário não apenas esforço, mas investimento financeiro. Então o que você acha do seu negócio estampar como um dos apoiadores deste trabalho de arte? Não entenda este gesto como uma simples ajuda, mas como um investimento real para o seu trabalho. A propaganda é a alma do negócio, correto? Então se você tem uma marca e gostaria de ter seu nome associado à uma boa ideia, está aí uma ótima forma de se promover enquanto ajuda um excelente projeto a sair do papel!

O programa escolhido para o financiamento coletivo é o Catarse, então clique aqui para conhecer ainda mais sobre o próprio projeto, e como você pode ajudar.

O NerdComet não recebe nada com esta divulgação, apenas temos como lema apoiar todas aquelas boas ideias e vê-las concretizadas. Este também é um excelente tipo de pagamento. Então se você não pode colaborar financeiramente, não tem problema, apenas divulgue esta ideia nas suas redes sociais e entre sua network. Vamos ajudar este filme acontecer!

Barra Divisória

assinatura_dan

20TH CENTURY BOYS – TRILOGIA (CRÍTICA)

114_00

SINOPSE
114_01Kenji é um cara adulto perto dos quarenta, solteiro, morando com a mãe e, quem cuida da pequena Kanna, sobrinha deixada por sua irmã qual desconhece o paradeiro, e nem ao menos sabe quem é o pai. Passando por uma situação de aperto após transformar sua pequena loja numa conveniência franqueada, é visitado por dois investigadores da polícia procurando informações sobre uma família vizinha desaparecida por completo e de forma misteriosa. Aquele era um período bem estranho, com a epidemia de um vírus ainda não compreendido ceifando vidas pelo mundo, enquanto no Japão uma seita fanatizava todas as classes de pessoas. E o mais curioso é que esse grupo utilizava um símbolo que não era estranho para Kenji, lhe resgatando desorganizadas memórias de quando garoto. Uma notícia triste chegava, Donkey, um bom amigo de infância havia morrido por suicídio ao se atirar de um prédio. Todos aqueles amigos de décadas então se reuniram em seu funeral para prestar homenagens e se despedir, momento onde muito se reviram após muito tempo. Colocando o papo em dia comentam sobre a suspeita de Donkey ter se juntado ao culto do autointitulado ‘Amigo’, aquele com o símbolo de um olho com uma mão apontando como seta para cima, e que Kenji já havia visto antes discretamente desenhado numa parede da casa daqueles vizinhos que sumiram. Os amigos se entreolham questionando quem havia criado aquilo, cogitando que provavelmente algum deles deveria ser o ‘Amigo’, já que ninguém mais conhecia aquele desenho. Buscando nas lembranças eles iam trazendo informações adormecidas, e recordaram de terem enterrado uma cápsula do tempo. Saindo do funeral o grupo segue para onde acreditam ter escondido seus segredos da infância, e para surpresa dos mesmos, encontram o que buscavam. Era uma lata de metal que continha além de objetos sem relevância, também desenhos sem muito sentido, e uma bandeira com o tal símbolo das brincadeiras que faziam. O Livro de Profecias, também lembraram disso, embora não estivesse naquela lata. Era nele que o grupo. Naqueles escritos de criança, imaginavam um futuro onde um poderoso vilão surgia com os planos de destruir o mundo, e que apenas a união deles seria capaz de impedir. O problema era que a realidade de então, era muito parecida com aquelas histórias de menino.

114_02

MEUS ERROS DE MEMÓRIA
Vocês já passaram pela situação de assistir algo que ficou marcado na sua memória por um motivo não muito claro? As vezes acontece por conta de uma cena muito impactante, um personagem interessante ou até mesmo por sua estranheza. Comigo neste caso foi uma mistura de todas essas coisas. Não recordo com exatidão o período, mas visto que este é um filme de 2008, e estou me referindo ao primeiro da trilogia por enquanto, vi bem mais a frente do que eu imaginava. No meu subconsciente eu tinha visto junto com os meus amigos de infância, lá por 1997 ou 1998, mas definitivamente não é o caso, o longa é dez anos mais novo. Ou seja, eu criei uma falsa memória. E o curioso é que imagino a razão, e está diretamente relacionada ao conteúdo do filme. Visto que nele existe um grupo de adultos por volta dos quarenta anos que tenta quecobrar a infância, enquanto somos apresentado a um monte de flashbacks. O que me leva a entender, que eu mesmo, por saudosismo do convívio com os meus amigos, fiz uma mistura absurda de informações antes de engavetar no cérebro. Não é algo relevante para ser dito, mas particularmente achei essa revisão de realidade bastante interessante.

114_03

O QUE É 20TH CENTURY BOYS?
Esta provavelmente vai ser a tarefa mais difícil das minhas aventuras de escrever, fazer ser claro do que se trata 20th Century Boys, ao mesmo tempo que mantenho o foco em te convencer do quanto ele é interessante, e sem liberar os spoilers essenciais para tal convencimento. O que talvez já tenha dado para entender, é que suas “cerejas” do bolo, sim, aqui existem muitas cerejas, sejam seus complexos e atmosféricos segredos. Mas primeiro vamos entender suas origens e um pouco sobre seu criador. 20th Cenruty Boys originalmente é uma mangá de mistério e ficção científica criado por Naoki Urasawa em 1999, que rendeu 22 volumes, e foi finalizado em 2006. Logo na sequência, ainda no mesmo ano, lançou mais 2 volumes do intitulado 21th Century Boys. O autor até então pouco conhecido publicou simultaneamente enquanto trabalhava neste que falamos agora, Monster, uma obra popular entre os amantes de mangá, série de mistério finalizada em 2001.

114_04

O mangá 20th Century Boys alcançou grande sucesso, lhe rendendo o Prêmio Kodansha Manga em 2001, o Prêmio de Excelência do 6º Japan Media Arts Festival em 2002, o Shogakukan Manga Award também em 2002, o Prêmio Internacional de Festival de Quadrangas de Angoulême para uma série em 2004, o Grande Prêmio da Associação de Cartoonistas do Japão em 2008, o Prêmio de Melhor Comic da Seiun em 2008, o Prêmio de Melhor edição dos EUA de Material Internacional pela Eisner em 2011, e para finalizar, recebeu novamente um repeteco deste último prêmio da Eisner em 2013. Então agora vamos ao que interessa mesmo, falarmos sobre sua versão em live-action, que não chega a ser tão rica como o mangá, afinal, essa é a coisa mais normal em se tratando de adaptações, mas que mesmo assim é um trabalho fabuloso e merecedor de atenção, tanto de quem só curte cinema, quanto dos otakus tarados pelos trabalhos brilhantes de Urasawa.

114_05

CONCEITOS CINEMATOGRÁFICOS
A adaptação do mangá 20th Century Boys para o cinema foi divida em três partes, e são elas: 20th Century Boys: Beginning of the End (2008), 20th Century Boys 2: The Last Hope (2009) e 20th Century Boys 3: Redemption (2009). Seu título, que em tradução livre seria Garotos do Século 20, é emprestado de uma música da banda inglesa de folk e rock clássico, T. Rex, que fez bastante sucesso nos anos 60 e 70. A estrutura conceitual das três partes é a mesma, com uma película granulada sem muito exagero, em certos momentos traz uma câmera trêmula, e mostra sofisticação com cenas induzindo visão em primeira pessoa, com direito a olho de peixe e tudo mais. A direção ao mesmo tempo que mostra versatilidade na sua forma de filmagem, não faz questão de fazer isso parecer uma exibição gratuita de técnicas, tudo é muito natural e fluído, informando que a linguagem visual tem uma única intenção, valorizar a atmosfera pesada do roteiro. E o resultado no meu ponto de vista ficou fantástico. Temos um filme que se você abrir aleatoriamente em qualquer ponto terá a sensação de ser uma obra barata, praticamente amadora, mas definitivamente passa muito longe disso.

114_06

ROTEIRO CABULOSO!
Como dito antes, o filme é separado em três partes, mas deve ser enxergado como uma única peça, assim como na trilogia O Senhor dos Anéis. Indo e vindo no tempo, o roteiro se foca em Kenji, que não escolhe, mas é notado pelos amigos desde a infância como um líder. Desajeitado, pouco esforçado, e até com uma certa lentidão de raciocínio, é reconhecido pelos outros por sua lealdade e força de vontade natural. Quando falamos da primeira parte, Beginning of the End, o foco da narrativa se agarra nele, explorando pequenas recuperações de memórias de períodos diferentes do passado, para ir montando um intrincado quebra-cabeças que se desmonta e remonta constantemente. O grande mistério aqui é desvendar quem é aquele que chamam de Amigo, já que todo o pacote inventado pelo grupo quando crianças, está sendo posto em prática literalmente por aquele homem misterioso. Desde a aplicação do símbolo inventando pelos jovens, quanto as perigosas promessas de um fim do mundo. Para todos o Amigo é visto como um profeta, uma verdadeira personificação divina, mas para Kenji e seus amigos, aquele só poderia ser um dos garotos que presenciaram suas invenções inocentes do passado, e decidiu brincar com o restante do grupo enquanto ascendia para o ato final do Livro de Profecias. A narrativa da adaptação preserva os principais e mais importantes aspectos que são vistos no mangá, e isso tendo o controle de qualidade do próprio Naoki Urasawa. Particularmente considero o roteiro uma obra prima, por conseguir controlar e manter a clareza mesmo com tantos personagens e elementos complexos se destruindo e reconstruindo, sem nunca perder sua atmosfera de tensão.

114_07

SENTIMENTO DE ANGÚSTIA
Eu pelo menos mergulhei de cabeça na trama, e identifiquei bastante similaridade desta ficção com a nossa realidade de fim de 2019 no Brasil, onde temos mais do que nunca, um comportamento fanatizado de pessoas carentes que se agarram num personagem de idoneidade ao menos discutível. Quando o roteiro precisa te chocar mostrando o nível de alienação daqueles que seguem o Amigo, ele não brinca em serviço, trazendo de forma explícita a brutalidade com que aplicam violência contra aqueles que se opõem, ou mesmo falham no entendimento do líder hierárquico presente no momento. O sentimento é de angústia por saber que aquela atitude fanatizada e cega, não se restringe apenas a ficção, e se não cuidarmos de dissuadir, pelo menos moralmente, esses núcleos de gente mentalmente perturbadas, deixaremos só de assistir de longe, para ter aqui no nosso quintal, uma intolerância religiosa institucionalizada, e talvez até mesmo aparelhada pelo Estado. Procuro evitar ser literal com política nos nossos conteúdos, mas existem momentos onde sermos omissos, é estarmos assumindo cumplicidade com o errado. E quem acompanha o NerdComet sabe, aqui não abrimos mão de expressarmos nossos opiniões e reflexões, quem dirá num instante tão sombrio quanto o que vivemos. Conspirações e manipulações em massa nunca são coisas inofesivas, como sempre dizem meus velhos e valiosos  amigos do canal Meteoro Brasil no Youtube.

114_08

TRILHA SONORA
20th Century Boys: Beginning of the End abre ao som do inglês T. Rex, e na mesma vibe também traz Like a Rolling Stone de Bob Dylan. O humor das crianças do filme faz criar Bob Lennon, uma música composta na história por Kenji, homenageando personagens da cultura pop que dispensam apresentações. O japonês Ryomei Shirai, compositor de dezenas de trabalhos para jogos eletrônicos, animes e filmes, é quem assina o ‘score’ da trilogia 20th Century Boys, além de fazer o arranjo de Ai Rock Yû, um empolgante hard rock performado num concerto ao vivo no filme. Só fico devendo a explicação de informar se a banda era real ou apenas um arranjo montado para o longa. A letra é do próprio Naoki Urasawa, que também escreveu Brothers, e obviamente a já comentada Bob Lennon. Também temos a swingada Koi no Kisetsu de Taku Izumi, e Penelope, de Joan Manuel Serrat e Augusto Algueró, executada pela Grande Orquestra de Paul Mariat, com violinos, metais, e pianos belíssimos.

114_09

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Toshiaki Karasawa, Etsushi Toyokawa, Takako Tokiwa, Teruyuki Kagawa, Hidehiko Ishizuka, Takashi Ukaji, Hiroyuki Miyasako, Katsuhisa Namase, Fumiyo Kohinata, Kuranosuke Sasaki, Shirô Sano, Mirai Moriyama, Kanji Tsuda, Takashi Fujii, Hanako Yamada, Arata Iura, Nana Katase, Chizuru Ikewaki, Airi Taira, Raita Ryû, Ibuki Shimizu, Kaoru Fujiwara, Riku Uehara, Tadashi Nakamura, Dave Spector, Rina Hatakeyama e Tomiko Ishii compõem o elenco.

114_10

20th Century Boys: Beginning of the End
Lançamento:
30/08/2008
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteiristas: Yasushi Fukuda, Takashi Nagasaki, Naoki Urasawa e Yûsuke Watanabe
Produtores: Morio Amagi, Xaypani Baccam, Ryûji Ichiyama e Nobuyuki Iinuma
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 38.231.562

114_11

20th Century Boys 2: The Last Hope
Lançamento:
31/01/2009
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteiristas: Yasushi Fukuda, Takashi Nagasaki  e Yûsuke Watanabe
Produtores: Morio Amagi, Ryûji Ichiyama e Nobuyuki Iinuma
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 29.502.213

114_12

20th Century Boys 3: Redemption
Lançamento:
29/08/2009
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteirista: Yasushi Fukuda
Produtores: Morio Amagi, Ryûji Ichiyama, Nobuyuki Iinuma e Futoshi Ohira
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 48.397.818

CONCLUSÃO
Uma coisa eu posso te garantir, eu duvido muito que você já tenha sido exposto a uma trama tão intrigante e complexa como essa. 20th Century Boys com certeza não é conteúdo para qualquer tipo de pessoa, ele é estereotipado na pegada japonesa, e consideravelmente complicado de se compreender. Não por ser um conteúdo cabeça, mas por exigir bastante interesse e foco de quem se predispõe assistir, já que a número de informações necessárias para se entender o todo é elevado, e jogado embaralhado no colo da gente. Eu tenho um apego muito grande a este filme, e o considero dentro dos meus vinte favoritos, sem sombras de dúvidas. A trilogia 20th Century Boys é recomendada para maiores de 15 anos, e caso consiga acesso a essa obra prima pouco conhecida aqui no Brasil, espero que tire um ótimo proveito. E por favor, volte aqui para me dizer o que achou. Quero saber se sou louco sozinho, ou alguém mais se empolgou tanto.

Barra Divisória

assinatura_dan

O ÚLTIMO GUERREIRO DAS ESTRELAS (CRÍTICA)

113_00

SINOPSE
Alex Rogan é um adolescente que investe todo o seu tempo livre quebrando os próprios recordes em Starfighter, seu jogo de fliperama favorito. Certo dia o garoto é contactado por Centauri, um misterioso homem que revela ser o verdadeiro criador daquela máquina, qual tinha como finalidade treinar e recrutar hábeis pilotos para verdadeiras batalhas espaciais. Alex então é levado para um planeta alienígena muito distante da Terra, onde é colocado no front de uma violenta guerra. Lá o rapaz é colocado sob forte pressão, e descobre que suas habilidades não são tão especiais quando vidas reais estão em perigo.

113_01

COMENTÁRIOS
Trinta e cinco anos se passaram e, O Último Guerreiro das Estrelas (The Last Starfighter), que fora sucesso de bilheteria ao redor do mundo, ainda vive no imaginário de sua base de fãs. No Brasil era explorado ao máximo nas contínuas reprises de Sessão da Tarde, numa época onde junto com A História Sem Fim (1984), Krull (1983) e TRON (1982), alimentava o lado lúdico dos jovens bem mais inocentes que os de hoje. O Último Guerreiro das Estrelas é algo tão relevante, que agora mesmo, fim de 2019, existe uma sequência direta sendo escrita e produzida por Gary Whitta, co-roteirista de Rogue One: Uma História Star Wars (2016). Mas o que há de tão bom assim neste clássico de mais de três décadas de vida? E ainda hoje, seria algo para se ver na boa sem se incomodar com sua idade?

113_02

Quando foi lançado em 1984, era o que tinha de melhor em se tratando de efeitos especiais. Seus incríveis feitos só foram conseguidos graças aos recursos tecnológicos do Gray X-MP, o mais poderoso computador disponível na época com seus 16 MB de memória. O que um dia superou até mesmo o icônico TRON, hoje se tornou bastante datado, e vai precisar de muito desprendimento da modernidade para ser aceito pelos mais jovens. Mas sinceramente eu considero que isso não importa tanto, já que o seu maior mérito é sua ideia até hoje exclusiva. Jonathan R. Buetel acertou em cheio quando teve o estalo de mesclar o conto arturiano , com o do maior pontuador num fliperama construído com o único fim de selecionar o maior guerreiro da galáxia. As similaridades de roteiro com a de obras como E.T.: O Extraterrestre (1982), ou os filmes da franquia Star Wars, precisavam ser evitadas, isso fez com que os textos originais sofressem uma série de modificações. O resultado é uma aventura de ficção científica com muita identidade, e mostrando um humor bem espirituoso.

113_03

Seu maior ponto fraco são suas interpretações nada boas, e vamos ser sinceros aqui, atores bons em produções juvenis eram raridade naqueles tempos. Aqui temos Lance Guest, sempre canastrão em seus trabalhos, mas conseguindo ainda um pouco de crédito devido o fator nostálgico daqueles que eram crianças ou jovens adolescentes na época, e trazem alguma simpatia pelo cara. Eu em particular busco compreender qualquer obra considerando seu cenário original, e para a década de oitenta e começo de noventa, O Último Guerreiro das Estrelas é um filme totalmente aceitável. E acredite, para mim, ainda muito compensador de assistir, mesmo considerando todas as suas limitações e problemas.

113_04

LENDAS URBANAS
Muitas histórias e lendas urbanas se escondem atrás de O Último Guerreiro das Estrelas, desde um protótipo de jogo baseado no filme sendo feito para o Atari 5200 e que nunca deu as caras, até que o filme era baseado em Polybius, um outro famigerado jogo que causaria convulsões, amnésia e pesadelos naqueles que jogassem. Polybius seria um jogo fazia parte de um projeto secreto do governo americano para coletar “dados extrassensoriais” dos jogadores, e teria sido desenvolvido nos subúrbios de Portland, Oregon, em 1981. No fim das contas ninguém nunca conseguiu provar nada dessas histórias, mas que a criatividade do povo é algo sem limites, isso é.

113_05

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Lance Guest, Dan O’Herlihy, Catherine Mary Stewart, Norman Snow, Robert Preston, Kay E. Kuter, Barbara Bosson, Chris Hebert, Dan Mason, Vernon Washington, John O’Leary, George McDaniel, Adrienne Barbeau, Heather Locklear, Scott Dunlop e Peggy Pope compõem o elenco. Escrito por Jonathan R. Betuel, O Último Guerreiro das Estrelas é uma produção estadunidense de 1984 dirigida por Nick Castle. A aventura de ficção científica tem como produtores Gary Adelson e Edward O. Denault, que usam o estúdios da Universal Pictures. Seu orçamento é estimado em 15 milhões de dólares, e sua receita final de aproximadamente 28 milhões.

CONCLUSÃO
Quem já passou dos trinta com certeza conhece essa pérola da aventura e ficção científica que fazia todo moleque sonhar em passar pela mesma surreal situação. Para quem não conhece ainda, fica a dica para compreender o que era sinônimo de diversão para seus pais e tios. Procurem entender que as tentativas de efeitos especiais que com certeza te arrancará risos, um dia foram as coisas mais maravilhosas para alguém. O mundo evolui, e embora a arte faça o mesmo, cada uma delas tem sua posição contextual nas diferentes épocas.

Barra Divisória

assinatura_dan

BOHEMIAN RHAPSODY (CRÍTICA)

 

109_00

SINOPSE
Brian May, Roger Taylor e Tim Staffell formavam o Smile, uma boa banda londrina mas sem muita identidade. Só que as coisas tomaram rumos inimagináveis quando o atirado Freddie Mercury ofereceu sua única e potente voz para o grupo. Tim Staffell sai, e junto de Freddie, John Deacon entra para assumir o baixo. Nascia assim o Queen, uma das maiores e mais importantes bandas de todos os tempos! Junto da fama também veio muito luxo e portas abertas, e as coisas começam a sair do controle quando o estilo de vida extravagante de Freddie passa a afetar a rotina do grupo.

109_01

COMENTÁRIOS
Sendo centralizado pela ótica de Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody traz uma certa polêmica. Assim como eu, acredito que muitas pessoas se perguntaram se aqueles triviais eventos comportamentais foram honestamente bem retratados no drama. Te seria justo que uma briga entre você e um amigo fosse contada apenas pela versão dele? É, Freddie Mercury não estava aqui para palpitar no roteiro. Mas deixemos a treta de lado e vamos ficar com a licença poética da coisa, afinal, a história não foi tão cruel assim com o músico. Vamos ao que importa, dissecar um pouquinho este fabuloso filme.

109_02

Bohemian Rhapsody é simplesmente fantástico! Esteticamente bonito e bem roteirizado, possui duas coisas importantíssimas e que empatam no meu entendimento, uma é a qualidade absurda da edição de som, e outra a atuação brilhante de Rami Malek. O verdadeiro Freddie era levemente mais parrudo, mas é impossível não aceitar a verdade do personagem retratado. Malek literalmente incorporou Freddie, demonstrando todos os seu trejeitos e expressões. É possível sentir a dedicação do ator com o trabalho que topou fazer, e tanto esforço lhe garantiu merecidamente uma estatueta do Óscar. Em pensar que o papel quase ficou para Sacha Baron Cohen, o caricato Borat. Tudo em Bohemian Rhapsody é ousado, o filme não se trata de um musicas e muito menos um documentário, mas consegue um sucesso incrível do roteiro por incorporar muito bem as duas coisas. A trilha sonora, seu principal elemento, é brutal e seleciona os melhores hits da banda. Somebody to Love, Keep Yourself Alive, Now I’m Here, Killer Queen, Don’t Stop Me Now, e obviamente We Will Rock You e Bohemian Rhapsody são só algumas das músicas do filme.

109_03

UM POUCO DA HISTÓRIA DE FREDDIE
Demonstrando desde muito cedo ter tino para arte, Freddie com apenas oito anos já se interessava pela música de Lata Mangeshkar, uma cantora e compositora indiana que naquele momento era sua maior inspiração. Aos doze montou uma banda, The Hectics, e mesmo com um invejável talento, era alvo do bullying das crianças da sua idade por causa de sua personalidade afeminada. Freddie então se recolheu na própria realidade, se tornando uma pessoa bastante introspectiva e tímida com os desconhecidos. Aos dezessete Freddie se mudou para Londres com sua família, fugindo dos perigos da Revolução Civil de Zanzibar em 1964. Se graduou como designer gráfico numa escola politécnica, e no início da vida adulta foi trabalhar como vendedor em uma loja de roupas, fato esse alterado no roteiro de Bohemian Rhapsody. De qualquer forma foi lá que conheceu Mary Austin, aquela que se tornara sua namorada e fiel amiga por toda vida.

109_04

Freddie integrou algumas bandas, o Wreckage que não durou muito, e depois o grupo Sour Milk Sea. Mas foi em abril de 1970 que Freddie se junto ao Smile, banda do guitarrista Brian May e do baterista Roger Taylor, época em que Freddie, apelidado assim por seus na infância, adotou a alcunha de Mercury, baseado na letra de uma de suas primeiras canções. Farrokh Bulsara, era esse o nome de batismo do proeminente astro do rock, e claro, Smile era bacana mas não soava tão bem ao ponto de combinar com a imponência de um Freddie Mercury, então porque não trocarmos para algo mais glamouroso? Queen pareceu ótimo! Uma coisa precisa ser contada, nada da infância de Freddie é retratada em Bohemian Rhapsody. Na realidade o filme inicia no momento onde o Smile estava em decadência, e Freddie chegou para se unir ao grupo. Então porque eu contar tudo isso? Bem, o longa não é um documentário, mas pedaço da jornada de um personagem complexo que merece ter sua personalidade minimamente explicada. E tanto seu trajeto com o Queen quanto seu passado anterior à banda, tem iguais importâncias para quem queira tirar o máximo proveito do filme.

071_05

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Rami Malek, Ben Hardy, Gwilym Lee, Joseph Mazzello, Allen Leech, Lucy Boynton, Mike Myers, Aaron McCusker, Aidan Gillen, Tom Hollander, Dermot Murphy, Meneka Das, Ace Bhatti, Dickie Beau, Neil Fox-Roberts, Philip Andrew e Matthew Houston compõem o elenco. Bohemian Rhapsody foi dirigido por Bryan Singer e Dexter Fletcher, esse último que não é creditado no filme. O roteiro ficou a cargo de Anthony McCarten, e foi produzido por Graham King e Jim Beach. Esse é praticamente um filme musical, portanto é importante dizer que as músicas e edições sonoras ficaram na conta de John Ottman. O longa foi distribuído pela 20th Century Fox, e teve um orçamento de 52 milhões de dólares, com uma receita final de mais de 900 milhões.

CONCLUSÃO
Bohemian Rhapsody conta o trajeto da vida de Freddie Mercury ao ingressar naquela que se tornaria uma das maiores e influentes bandas de rock do mundo. Sempre eclética, o Queen fez nascer com a voz de Freddie, músicas que agradavam todas as idades e classes sociais. Não é segredo para ninguém, Freddie Mercury morreu devido a complicações causadas pelo vírus da AIDS, mas sua força de vontade aliada à sua influência, o tornou no maior símbolo do mundo de elucidação da doença. Mas Bohemian Rhapsody não é apenas isso, ele tem seus dramas e conflitos, mas em essência é um filme muito divertido e empolgante que deve ser visto numa reunião de família. We Will Rock You!

Barra Divisória

assinatura_dan

OS MELHORES FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA

105_00

ALIEN: O OITAVO PASSAGEIRO (1979)

105_01

SINOPSE: A nave espacial rebocadora Nostromo está retornando de Thedus para a Terra trazendo consigo com uma carga de 20 milhões de toneladas de minério, bem como seus 7 membros da tripulação. A viagem então é interrompida por um sinal misterioso, que faz o computador por protocolo acorde toda a equipe. Agora com a Nostromo desconectada do pesado carregamento, aterrissa no planeta de onde a mensagem surgiu, e enquanto em solo, um membro do grupo é atacado por uma estranha criatura. Pensava-se que aquele fosse somente um caso isolado, sendo retomado destino à Terra. No entanto aquilo era apenas o começo de uma jornada aterrorizante, pois a Nostromo carregava um oitavo passageiro.

COMENTÁRIOS: Alien: O Oitavo Passageiro (Alien) é um filme britano-estadunidense dirigido por Ridley Scott, e escrito por Dan O’Bannon, se baseando em uma história criada por ele e Ronald Shusett, na qual se inspiraram em trabalhos anteriores de ficção científica e terror. Aclamado pela crítica arrematou milhões de fãs pelo mundo todo, e logo se tornou a franquia mais importante de Ridley Scott. Alien definitivamente não é apenas um filme de ficção científica, mas também uma verdadeira obra sombria de horror, trazendo cenas assustadoras que até hoje faz o público se contorcer no sofá. Seu orçamento foi de 11 milhões de dólares, e rendeu uma receita de 105 milhões.

 

BLADE RUNNER: O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (1982)

105_02

SINOPSE: No que seria o futuro do ano 2019, a Corporação Tyrell desenvolve seres biogenéticos para serem usados como trabalhadores em colônias fora do planeta, conhecidos como replicantes. Os modelos Nexus-6 possuem uma vida útil de 4 anos, e é descoberto que quatro destes retornaram à Terra ilegalmente, provavelmente para buscar prolongar suas vidas. Sendo propriedades da Tyrell, o ex-policial Rick Deckard é contratado como mercenário para caçar o grupo fugitivo pela cidade de Los Angeles.

COMENTÁRIOS: Blade Runner: O Caçador de Androides (Blade Runner) é uma produção honcongo-estadunidense dirigida por Ridley Scott, o mesmo de Alien, e tem seu roteiro escrito por Hampton Fancher e David Peoples, que se inspiraram no romance de Philip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep?. Blade Runner se trata de uma ficção científica neo-noir excessivamente atmosférica que se desenvolve sem pressa, te inserindo num ambiente muito característico conhecido popularmente como cyberpunk. A Los Angeles é escura, com o chão sempre úmido refletindo as infinitas luzes neon, com um ambiente pesado e violento. Não bastando sua estética visual fantástica, ainda traz composições originais de Vangelis com uma das trilhas sonoras mais fabulosa de todos os tempos, combinando uma melodia sombria, clássico e sintetizadores futuristas. Definitivamente Blade Runner estabeleceu o conceito até então nunca visto no cinema. Custando 28 milhões de dólares, teve um faturamento final de 33,8 milhões.

 

DE VOLTA PARA O FUTURO (1985)

105_03

SINOPSE: Marty McFly é um adolescente de uma pequena cidade californianda, que após uma experiência errada do excêntrico Dr. Emmett “Doc” Brown, é transportado em um DeLorian modificado para o ano de 1955. Agora no passado, Marty conhece as versões bem mais jovens dos seus pais, mas sua presença acaba interferindo gravemente na sua própria linha temporal. Deixando assim, ele simplesmente não nasceria, então decide dar uma forcinha para que seus pais se apaixonem. E claro, tudo isso antes de voltar para o seu tempo e ainda salvar o Doc Brown da enrascada em que se meteu.

COMENTÁRIOS: De Volta para o Futuro (Back to the Future) é uma superprodução norte-americana de Steven Spielberg, Neil Canton e Bob Gale, dirigida por Robert Zemeckis. Roteirizado pelo próprio Zemeckis em parceria com Bob Gale, essa aventura fantástica de viagem no tempo, se tornou um dos filmes mais importantes do século 20! E eu me nego a detalhar De Volta para o Futuro, mesmo sabendo que há um público jovem que não faz ideia do que isso se trata. Me re-cu-so! Filho, você tem prova do ENEM hoje? Então, esquece isso e vai assistir essa parada! Brincadeira, faz a prova primeiro. MAS DEPOIS VAI ASSISTIR ESSA PARADA! Confie em mim! Tendo um orçamento de 19 milhões de dólares, essa obra-prima faturou nada menos que 381 milhões!

 

O SEGREDO DO ABISMO (1989)

105_04

SINOPSE: O USS Montana, um avançado submarino nuclear, afundou misteriosamente com 156 tripulantes na Fossa Cayman, na região do Caribe, e após o ocorrido não houve mais contato. Devido a um furacão estar se aproximando, uma experiente equipe de plataforma de exploração de petróleo da proximidade é convocada e, liderada pela Marinha para executar a Operação Salvo, que visa resgatar a tripulação do Montana. O trabalho se inicia com a perigosa descida, e Bud Brigman, mergulhador chefe,  pressente que sua equipe está correndo perigo, porém o que descobriria mais abaixo estava muito além da sua compreensão.

COMENTÁRIOS: O Segredo do Abismo (The Abyss) é um filme estadunidense escrito e dirigido por James Cameron. Com uma produção megalomaníaca, Cameron investiu apenas de baixo d’água, oito semanas de gravação, e fez deste um palco para efeitos especiais revolucionários. Lembra do androide T-1000 de O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final? Então, as entidades alienígenas aqui foram a vanguarda de tais recursos fabulosos. O Segredo do Abismo é um aventura de ficção científica cheia de suspense e sensações claustrofóbicas, além de trazer um dos finais mais surpreendentes dentre os filmes do gênero. A façanha custou caro para época, tendo um custo de 45 milhões de dólares, e uma receita de 90 milhões.

 

O EXTERMINADOR DO FUTURO 2: O JULGAMENTO FINAL (1991)

105_05

SINOPSE: O ciborgue assassino T-1000 é enviado pela SkyNet de volta no tempo, com um único propósito, eliminar John Connor, aquele que no futuro será a chave para a vitória da humanidade. O jovem então é perseguido pela letal máquina, que possui a habilidade de mimetizar fisionomias para se misturar a população. Num esforço para se proteger, o próprio John envia do futuro o T-800, um ciborgue Modelo 101 da SkyNet, que embora inferior ao T-1000, é ainda assim poderoso e reprogramado para lutar pela resistência.

COMENTÁRIOS: O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day) é uma produção estadunidense escrita, produzida e dirigida por James Cameron. Considerado um visionário por muitos, Cameron fez deste o primeiro filme a superar a marca dos 100 milhões de dólares de orçamento, e esse investimento absurdo, ainda mais para a época, lhe rendeu um faturamento de mais de 520 milhões. Sucesso de bilheteria e detentor de milhões de fãs fanáticos pela franquia, este segundo episódio lhe rendeu sete indicações ao Óscar, tendo recebido o prêmio nas categorias de melhores Efeitos Visuais, Efeitos Sonoros, Edição de Som, Som e Maquiagem. Além do BAFTA, MTV Movie Awars, e outras premiações menos conhecidas.

 

ETERNAMENTE JOVENS (1992)

105_06

SINOPSE: O ano era 1939 e, Daniel McCormick, um piloto de testes, perde a cabeça quando descobre que a mulher que amava, e estava prestes a pedir em casamento, entra num coma irreversível depois de ser atropelada. Desiludido com a vida e não tendo mais nada a perder, aceita se voluntariar num experimento militar no qual ficaria um ano em animação suspensa. Acaba acontencendo um incêndio e o cientista encarregado morre, fazendo com que o projeto seja cancelado. Sem ser notado, Daniel acaba esquecido no antigo laboratório estando ainda em suspensão. Passaram-se 50 anos desde então, e durante as brincadeiras de dois garotos num galpão supostamente abandonado, Daniel é encontrado congelado em sua cápsula. Por acidente as crianças o tiram do estado de hibernação, e acordando muito confuso, não fazia ideia do quanto tempo havia passado. Nat, um dos meninos, decide levá-lo para casa, e embora tente escondê-lo de sua mãe, Claire acaba descobrindo. Os dois então somam esforços para tentar ajudar aquele intrigante homem a se adaptar a um mundo totalmente novo.

COMENTÁRIOS: Eternamente Jovem (Forever Young) é filme norte-americano roteirizado por J.J. Abrams e dirigido por Steve Miner. Decidi encaixar esse drama romântico na lista, por ele trazer um elemento que em 1992 era sinônimo de ficção científica, mas que hoje em dia se mostra bastante promissor, a criogenia. Mesmo não sendo um filme muito lembrado, considero este um excelente filme e que precisa ser conhecido pelas novas gerações. A premiere hollywoodiana de Eternamente Jovem arrecadou 70 mil dólares como caridade para duas instituições de Mel Gibson, o Centro de Recuperação de Usuários de Alcool e Drogas, e o Centro de Atendimento a Desabrigados de Santa Mônica.

 

STARGATE (1994)

105_07

SINOPSE: Devido as suas teorias fora do convencional, Dr. Daniel Jackson é pouco respeitado por seus pares na academia, no entanto isso não impede de ser convidado a participar das traduções de antigos hieroglifos para a Força Aérea dos Estados Unidos. Jackson é levado para uma instalação militar no Colorado, onde conhece o Coronel Jack O’Neill, que lhe informa que tudo tratado ali seria confidencial. Hieroglifos são apresentados ao professor para que ele faça suas considerações, e logo ele informa que aquelas informações diziam sobre um portal para as estrelas. Os militares então revelam um monumento fantástico, algo que eles acreditavam ser o citado portal, mas não sabiam como seguir além dali. Agora com a colaboração do Dr. Daniel Jackson, o grupo de pesquisadores consegue ativar o Stargate, e assim poder desbravar o seu outro lado.

COMENTÁRIOS: Simplesmente Stargate (Stargate) e, também conhecido no Brasil como Stargate: A Chave para o Futuro da Humanidade, é uma produção franco-estadunidense dirigida por Roland Emmerich, e roteirizado pelo mesmo na parceria com Dean Devlin. Stargate de 1994 é o ponto de partida para uma franquia que floresceu bastante, sucedendo outros filmes e diversos seriados. Mesclando mitologia egípcia, viagens interplanetárias, raças alienígenas, e uma variedade de teorias científicas, é prato cheio para o público sedento por conteúdo nerd! Com um orçamento de 55 milhões de dólares, Stargate teve uma receita de 196.6 milhões. Uma cifra expressiva!

 

OS 12 MACACOS (1995)

105_08

SINOPSE: No ano de 2035, James Cole é um preso que em troca de benefícios na sua pena, aceita a missão de voltar no tempo para coletar informações, e assim tentar decifrar o enigma do vírus que foi responsável pela morte de boa parte da população do planeta. Sua viagem acaba tendo problemas, fazendo-o parar num sanatório onde é tomado como louco. Agora ele só tem uma saída, tentar convencer a psiquiatra Kathryn Railly de sua sanidade, e assim poder conseguir uma solução de cura para a epidemia.

COMENTÁRIOS: Os 12 Macacos (Twelve Monkeys) é uma produção norte-americana, escrita por David e Janet Peoples, e dirigido por Terry Gilliam. Trazendo uma trama complexa de viagem no tempo, Os 12 Macacos teve uma ótima aceitação em seu lançamento, e muito disso se vale ao espetacular desempenho da dupla Brad Pitt e Bruce Willis. Para Pitt rendeu uma indicação ao Óscar como Melhor Ator Coadjuvante, e conquistou o prêmio na mesma categoria do Golden Globe Award. O filme recebeu vários prêmios e nomeações do Saturn Awards, bem como de outras agremiações. Um verdadeiro divisor de águas na ficção científica do cinema, simplesmente espetacular! Com um orçamento de 29.5 milhões de dólares, teve uma receita final de 168.8 milhões.

 

O QUINTO ELEMENTO (1997)

105_09

SINOPSE: Em pleno século XXIII, Korben Dallas é apenas um motorista de táxi que se envolve numa aventura, na qual precisa impedir um ser demoníaco capaz de atravessar dimensões. Se nada for feito a Terra será dizimada, e para impedir isto ele precisa encontrar quatro artefatos antigos que representam os elementos, com a finalidade de combiná-los com Leeloo, o principal e quinto elemento.

COMENTÁRIOS: O Quinto Elemento (Le Cinquième élément / The Fifth Element) é um filme franco-estadunidense dirigido por Luc Besson e escrito pelo mesmo em cooperação com Robert Mark Kamen. Bastante divertido e focado na ação, O Quinto Elemento não é uma história de ficção científica pra ser levar a sério, mas sim aquele filme para juntar os amigos e dar bastante risada. Esse foi um grande sucesso de bilheteria, tendo um orçamento de 90 milhões de dólares, e captação de quase 264 milhões.

 

GATTACA: EXPERIÊNCIA GENÉTICA (1997)

105_10.png

SINOPSE: Vincent Freeman sempre teve o sonho de viajar ao espaço, mas por ser considerado inapto geneticamente não pode se candidatar. Então ele decide desafiar seu destino ao assumir a identidade de Jerome Morrow, no entanto a investigação de assassinato põe seu disfarce em risco.

COMENTÁRIOS: Gattaca: Experiência Genética (Gattaca) é uma produção dos Estados Unidos escrita e dirigida por Andrew Niccol. Com uma atmosfera carregada de uma intencional melancolia, Gattaca atravessa os gêneros de drama,  suspense e ficção científica. Indicado e vencedor de uma série de prêmios, principalmente envolvendo sua estética visual, a produção hoje é considerada um clássico cult. Tendo um orçamento de 36 milhões de dólares, não consegui localizar seu faturamento além do mercado dos EUA e Canadá, onde rendeu pouco mais de 12 milhões.

 

O ENIGMA DO HORIZONTE (1997)

105_11

SINOPSE: Em 2047 uma missão de resgate é enviada para localizar a Event Horizon, uma nave perdida de forma misteriosa sete anos atrás enquanto explorava os limites do sistema solar. Ao encontrá-la, os astronautas envolvidos na tarefa vão gradativamente tomando consciência do terrível enigma que envolveu aquele incidente, e descobrem que algo muito sinistro pode ter tomado controle da nave.

COMENTÁRIOS: O Enigma do Horizonte (Event Horizon) é uma produção dividida entre Reino Unido e Estados Unidos, sendo escrita por Philip Eisner e dirigida por Paul WS Anderson. Misturando suspense, terror e ficção científica, esse é um filme barra pesada, mostrando explicitamente muito gore e sanguinolência. Eu não sou lá muito fã de grafismos sádicos como esse, porém a viagem insólita e seu clima extremamente denso, faz deste filme uma verdadeira obra de arte no gênero terror espacial. O Enigma do Horizonte teve um orçamento de 60 milhões de dólares, e uma receita de 23.7 milhões em território americano. Seu faturamento mundial eu não consegui encontrar em nenhuma fonte confiável.

 

MATRIX (1999)

105_12

SINOPSE: Thomas A. Anderson é um jovem programador que se sente deslocado em meio a rotina que o cerca, a sensação é contínua de um não pertencimento naquele lugar. Eventos cada vez mais misteriosos vão acontecendo próximo dele, e tudo fica ainda mais confuso quando é localizado por Morpheus e Trinity, aqueles que lhe revelam que toda a realidade conhecida até então, não passava de uma projeção criada por uma avançada inteligência artificial para distrair e escravizar seus corpos enquanto drenam energia para sustentar todo o sistema.

COMENTÁRIOS: Matrix (The Matrix) é uma superprodução australo-estadunidense, escrita e dirigida pelas irmãs Lilly e Lana Wachowski. Foi, e ainda é, extremamente aclamado como um dos filmes mais importantes da história do cinema, pois além de possuir um roteiro fantástico, também trouxe elementos cinematográficos nunca vistos até então. O longa recebeu os Óscares de Melhor Montagem, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais, além de dezenas de premiações e menções em convenções como BAFTA e Saturn Awards. Matrix teve orçamento de 63 milhões de dólares, e uma receita final de incríveis 463 milhões.

 

A.I.: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (2001)

105_13

SINOPSE: Em 2141, após parte do planeta ser inundado pela elevação do nível dos mares e androides passarem a conviver entre os humanos, a Cybertronics desenvolve um novo robô. Com fisionomia infantil e batizado de David, sua proposta comercial era a de amar os seus pais pela eternidade. Henry e Monica Swinton, na eminência de perder seu filho, decidem ser os primeiros a adotar um deste. Depois de iniciado e programado da maneira correta, David passa a entender Monica como sua verdadeira mãe, porém seu filho biológico tem uma melhora imprevista, e as coisas tomam um rumo completamente inesperado.

COMENTÁRIOS: A.I.: Inteligência Artificial (I.A.: Artificial Intelligence) é um filme de Steven Spielberg concebido a partir de um projeto de Stanley Kubrick, se baseando no conto de Supertoys Last All Summer Long, de Brian Aldiss. A.I., como a maioria se refere, é um drama de ficção científica que acompanha a jornada de David, uma máquina que busca entender como se encaixar e, ao mesmo tempo lidar com a rejeição daquele principal personagem qual foi criado e programado para amar, um ser humano cheio de emoções complexas. Uma obra de arte extremamente atmosférica na qual preciso estar no clima exato para tirar o melhor proveito. Recomendo um dia frio e chuvoso, cortinas fechadas, e nenhuma pressa para assistir, fazendo isso, é certeza absoluta de estar apto para fazer essa viagem fantástica na mente imaginativa dos gênios Spielberg e Kubrick. A.I.: Inteligência Artificial foi indicado aos Óscares de Melhores Efeitos Visuais e Trilha Sonora, e também outros prêmios BAFTA e Golden Globe Awards. Seu orçamento foi de 100 milhões de dólares, tendo uma receita final de 236 milhões.

 

DONNIE DARKO (2001)

105_14

SINOPSE: Donnie é um aluno brilhante, porém bastante estranho. Desprezando a maioria dos colegas da escola, ele, e apenas ele, enxerga um coelho de aparência macabra que o incentiva a praticar brincadeiras humilhantes e destrutivas com as pessoas ao seu redor. Até que certo dia, em uma de suas alucinações, é pedido que ele saia de casa, e enquanto do lado de fora, lhe é revelado que o mundo irá acabar dentro de um mês. Donnie não leva aquilo a sério e volta para dentro, quando instantes depois um avião cai no telhado, quase o matando. A partir de então ele começa a se perguntar o quão real as suas previsões poderiam ser.

COMENTÁRIOS: Donnie Darko (Donnie Darko) é um filme norte-americano escrito e dirigido pelo então estreante Richard Kelly. Está com a cuca fresca ao mesmo tempo que bastante afiada? Não? Então é melhor ficar só em Efeito Borboleta (2004) mesmo, porque Donnie Darko é o que há de mais bizarro quando se trata de história mirabolante com viagens e paradoxos temporais. Seu clima é obscuro reflexivo, e quando incrementado com um coelho medonho saindo das sombras, as coisas ficam mais loucas ainda. Esse é aquele tipo de filme que tem uma infinidade de interpretações possíveis, na qual todas elas provavelmente estarão certas. Entendeu nada? Então confira que você vai entender menos ainda! Donnie Darko foi indicado e recebeu uma série de prêmios, além de ser bastante lembrado por sua ótima trilha sonora. O filme teve um orçamento de 4,5 milhões de dólares, e faturou 7,5 milhões, não fazendo deste um blockbuster, mas sim um filme para poucos nerds capacitados. Se sentiu desafiado?

 

MINORITY REPORT: A NOVA LEI (2002)

105_15

SINOPSE: Em 2054 as taxas de homicídio chegaram no zero graças a polícia PreCrime de Washington. O sistema se baseava em deter o cidadão antes que ele cometesse o crime, e para isso três seres humanos com a capacidade de prever o futuro, os Precogs, ficavam anexados em um robusto sistema de computadores com realidade aumentada para serem utilizados por operadores que faziam as previsões. O programa de segurança polêmico estava em vias de ser adotado pelo Governo Federal. John Anderton é um dos agentes operadores da PreCrime, um homem sofrido que tem filho desaparecido e está separado da esposa. Sua vida se torna ainda mais caótica quando é identificado como o assassino de um homem chamado Leo Crow dentro de 36 horas.

COMENTÁRIOS: Minority Report: A Nova Lei (Minority Report) é um filme estadunidense dirigido por Steven Spielberg, e é roteirizado por Scott Frank e Jon Cohen, se baseando no conto The Minority Report de Philip K. Dick. A produção combina elementos de gênero noir-tecnologia, whodunit, suspense, ficção científica e muita ação frenética. Antes que me pergunte, whodunit é um termo utilizado para categorizar um gênero onde não se sabe quem matou determinado personagem, mas há um pesado processo investigativo para se descobrir quem é. Inteligente e repleto de conspirações, Minority Report: A Nova Lei é um filme bastante envolvente e divertido. Seu orçamento foi de 102 milhões de dólares, e teve um faturamento de mais de 358 milhões.

 

FILHOS DA ESPERANÇA (2006)

105_16

SINOPSE: No ano de 2027 a humanidade se vê a beira da extinção, pois de forma ainda não compreendida nenhuma mulher mais conseguia engravidar. Era notícia no mundo inteiro a morte aos 18 anos daquele que seria o ser humano mais jovem do planeta, e a sociedade que já vivia em inquietação, violência e caos, se agitou ainda mais. Em meio a esse ambiente de trevas, Theodore Faron, um ex-ativista desiludido por sua causa, se tornou um burocrata numa Londres repleta de grupos ultra-nacionalistas, e em busca de sua ex-esposa Julian, ele é apresentado a uma jovem que surpreendentemente estava grávida!

COMENTÁRIOS: Filhos da Esperança (Children of Men) é uma produção britânico-americana baseada no romance The Children of Men, de P. D. James. É dirigido por Alfonso Cuarón, que também divide o roteiro adaptado com Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus e Hawk Ostby. Surpreendente e injustiçado! Este é um daqueles filmes que é impossível compreender porque é tão pouco lembrado e valorizado. Embora indicado aos prêmios do Óscar 2007 nas categorias Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição, e tendo recebido os prêmios máximos como Melhor Filme de Ficção Científica, tanto pelo BAFTA quanto o Saturn Awards, ainda assim ele fora esquecido pelo público. Eu não vejo praticamente ninguém defendendo esta belíssima obra de arte. Parece que só tem eu. Então assista também e se una a mim para defendermos um cinema bom de verdade que valorize os grandes feitos! Filhos da Esperança teve um orçamento de 76 milhões de dólares, e teve prejuízo com seus 70 milhões de faturamento. Vai entender.

 

SUNSHINE: ALERTA SOLAR (2007)

105_17

SINOPSE: Em um futuro não muito distante, o Sol está perdendo sua força, e prestes a entrar em colapso muito antes do que era previsto. Num esforço para impedir que isso aconteça e assim salvar a humanidade, a tripulação a bordo da Icarus II transporta uma gigantesca bomba nuclear. O plano é chegar próximo o suficiente do Sol para lança-la, na esperança das teorias estarem corretas e com a detonação a estrela ser revitalizada. Porém, pouco após ultrapassar o ponto do último contato com a Terra, a tripulação recebe um misterioso chamado de socorro da Icarus I, a nave até então desaparecida da expedição de 7 anos antes, e que havia falhado no mesmo objetivo.

COMENTÁRIOS: Sunshine: Alerta Solar (Sunshine) é uma produção dividida entre Reino Unido e Estados Unidos, escrita por Alex Garland e dirigida por Danny Boyle. Pouco valorizado pela crítica, e menos ainda pela audiência dos cinemas, este é um filme de ficção científica espacial de suspense que preenche todos os pré-requisitos para ser no mínimo um ótimo filme. Mesmo sendo uma obra excelente, não teve a felicidade de conseguir atrair a atenção do público, e com seu orçamento de 40 milhões de dólares, faturou apenas 32 milhões. Considero este um filme muito injustiçado.

 

LUNAR (2009)

105_18

SINOPSE: Durante quase três anos Sam Bell cumpriu seu contrato com a Lunar Industries, uma mineradora que opera no lado oculto da Lua extraindo Hélio 3, material que se tornou a principal fonte de energia da Terra. Sam não está tão sozinho, na sua companhia há Gerty, um robô-computador. Chegando próximo ao período do contrato terminar, o isolamento dos últimos anos começa a pesar. As únicas noticias que tem de casa e do resto do mundo chegam através de gravações de sua esposa e filha, pois as transmissões ao vivo foram interrompidas por causa de um defeito intermitente no satélite de comunicação. Cada vez mais ansioso pelo regresso ao lar, ele começa a se sentir fragmentado, entrando num estado agudo de paranoia.

COMENTÁRIOS: Lunar (Moon) é um filme britânico dirigido por Duncan Jones, que dividiu seu roteiro com Nathan Parker. Este é um drama espacial de suspense psicológico com uma abordagem muito peculiar, e na minha opinião traz uma das melhores atuações da carreira de Sam Rockwell. Como uma produção tão simples e linear consegue um feito tão bom quanto este? Repito, mérito total do seu principal ator. Não cabe muito explicar o efeito que Lunar causa, é o tipo de obra que só é completamente compreendida se assistirmos. Com um orçamento modesto de 5 milhões de dólares, a produção conseguiu uma receita final de 9.8 milhões

 

PANDORUM (2009)

105_19

SINOPSE: Payton e Bower são dois astronautas que acordam de um sono profundo dentro de uma nave aparentemente abandonada. Nenhum dos dois possui qualquer memória de quem são ou mesmo da missão que participam. Enquanto Payton fica no controle de um rádio comunicador, Bower explora o lugar para tentar encontrar alguma resposta. Porém as coisas começam a ficar muito estranhas quando percebem que talvez não estejam sozinhos, e que o destino de toda humanidade está em suas mãos.

COMENTÁRIOS: Pandoum (Pandorum) é uma produção norte-americana roteirizada por Travis Milloy e Bronwen Hughes, e tem a direção de Christian Alvart. Pandorum teve um lançamento muito, mas realmente muito tímido. Vamos começar pela sua bilheteria negativa: custo de 33 milhões de dólares, e faturamento de 20.6 milhões. A razão é pelo filme ser ruim? Nunca! Deveras longe disso! Este é um filme fenomenal, uma verdadeira obra do terror espacial e que faz jus às suas óbvias inspirações. Porque o filme rendeu tão mal então? Por causa de uma produtora e distribuidora de filmes chamada Overture Films, que chegou a falir em 2010 devido aos seus péssimos planos de divulgação e distribuição. Uma verdadeira lástima.

 

REPO MEN: O RESGATE DE ÓRGÃOS (2010)

105_20

SINOPSE: No ano de 2025 a medicina quebrou paradigmas, e todo tipo de órgão agora pode ser fabricado e comercializado. A The Union lidera esse mercado, oferecendo não apenas substituições para pessoas debilitadas, mas também melhorias para qualquer um que tenha condições e esteja disposto a pagar o altíssimo preço. O grande problema são as pessoas desejarem mas não conseguirem honrar as dívidas adquirida, e quando isso ocorre são acionados os repo-men, agentes privados dispostos a tudo para recobrar os bens da The Union.

COMENTÁRIOS: Repo Men: O Resgate de Órgãos (Repo Men) é produzido pelo Canadá e Estados Unidos, sendo roteirizado por Eric Garcia e Garrett Lerner. A direção é do cineasta britânico Miguel Sapochnik, mais conhecido por seu trabalho na série Game of Thrones. A crítica detesta este filme, e o motivo eu ainda estou processando. Na realidade estou tentando entender desde 2010, ano em que ele foi lançado. Em Repo Men: O Resgate de Órgãos temos um futuro distópico completamente louco, no qual a decência fora deixada de lado, e substituída pela obsessão pelo dinheiro. Além da sanguinolência sem limites, nos faz refletir o quanto a humanidade é capaz de se por refém de situações quais sabe que poderão ser bem cruéis. Alguns fazem isso por necessidade, até aí é compreensível, mas a grande maioria é apenas por vaidade. Me diz você o que achou, quero saber se estou louco sozinho e por ter colocado este filme na lista. Tendo um orçamento de 32 milhões de dólates, fechou no negativo com pouco mais de 18 milhões.

 

A ORIGEM (2010)

105_21

SINOPSE: Don Cobb é um dos melhores no que faz, invadir os sonhos das pessoas durante o sono e roubar os segredos mais valiosos. Tudo muda para ele quando quando é procurado por Saito, um ambicioso empresário decidido a usar suas habilidades para tomar o enorme império econômico de um rival. Para realizar este ousado plano, Cobb conta com a ajuda de Arthur, um comparsa de confiança, Ariadne, uma inexperiente arquiteta de sonhos, e Eames, que consegue se camuflar habilmente em sonhos.

COMENTÁRIOS: A Origem (Inception) é um filme britano-estadunidense escrito e dirigido por Christopher Nolan. Misturando de forma caótica e ao mesmo tempo organizada, A Origem faz uma excelente salada com ingredientes de ação, drama, suspense e fantasia. Sim, o conceito criado não tem embasamento científico algum, nem mesmo se pensando em futuro, logo é necessária uma boa dose de licença poética para considerar esta uma obra de ficção científica. Mas ele está nesta lista correto? Então acho que está fundamentada minha opinião pessoal. Dilemas conceituais à parte, o importante aqui é te convencer de assistir caso já não tenha o feito. Considerada mais uma grande obra do genial Nolan, A Origem traz um elenco brilhante, efeitos especiais soberbos, uma trilha sonora inspiradíssima e um roteiro espetacular como o de poucos filmes. Esta é uma “ficção científica” que brinca muito com o surrealismo, fazendo o espectador mergulhar em cenas fantásticas e complexas. E Nolan, obviamente sabendo desta quantidade de informação à ser interpretada, pontualmente te presenteia com slow motions pontuais de cair o queixo. Com um orçamento de 160 milhões de dólares, a produção teve uma receita final de incríveis 825 milhões!

 

O PREÇO DO AMANHÃ (2011)

105_22

SINOPSE: Num futuro não tão distante, o envelhecimento é interrompido aos 25 anos e as pessoas passam a negociar o tempo como moeda. Enquanto os ricos negociam décadas, podendo até se tornar imortais, as classes mais baixas são exploradas, precisam esmolar, pegar emprésimos impagáveis e, alguns recorrem até aos roubos para conserguir terminar mais um dia vivos. É neste cenário que Will Salas é acusado injustamente de assassinato, e terá de correr contra o relógio para provar sua inocência.

COMENTÁRIOS: O Preço do Amanhã (In Time) é uma produção norte-americana escrita e dirigida por Andrew Niccol. Quem imaginaria o carinha do NSYNC se revelando como um ator bem acima da média. Não serei hipócrita, eu não. E queimei a língua quando decidi dar a chance ao filme do até então: “só um canto teen”. O Preço do Amanhã é uma ficção científica distópica que conceitua o tempo como o bem mais valiosos para uma pessoa,  e com roteiro chamando cenas de ações frenéticas, faz seu simbolismo ficar ainda mais evidente. Junto de O Quinto Elemento (1997) e O Vingador do Futuro (1990), este é um dos filmes mais empolgantes de ficção científica dentro do estilo na minha opinião. Custando 40 milhões de dólares para ser feito, sua receita foi de 174 milhões.

 

STAR TREK: ALÉM DA ESCURIDÃO (2013)

105_23

SINOPSE: Quando a tripulação da Enterprise retorna para casa, é descoberta que uma força descomunal de dentro da própria organização foi responsável pela destruição de uma frota inteira da Federação. Com questões pessoais por resolver, Capitão Kirk lidera a caçada ao homem que leva uma arma de destruição em massa, localizado numa zona instável de guerra. Enquanto nossos heróis se veem num épico e mortal jogo de estratégia, o amor será desafiado, amizades serão desfeitas e sacrifícios aceitos pela única família de Kirk, sua tripulação.

COMENTÁRIOS: Star Trek: Além da Escuridão (Star Trek: Into Darkness) é um filme escrito por Roberto Orci, Alex Kurtzman e Damon Lindelof, que tem produção e direção de J. J. Abrams. Eu confesso que nunca me senti atraído por Star Trek original, e serei apedrejado por 48,26% dos leitores por causa disso. Mas essa roupagem moderna me atraiu muito, e informo pra quem talvez não saiba, muito deste novo conceito partiu de um game de ação e ficção científica chamado Mass Effect, que por contra partida foi inspirado também em Star Trek. Confuso? Considero Star Trek: Além da Escuridão o melhor dentre os três filmes recém lançados, e tenho certeza que irá agradar tanto fãs saudosistas quanto navegantes de primeira viagem. Com um orçamento de 190 milhões de dólares, a produção teve uma receita final de 467 milhões.

 

OBLIVION (2013)

105_24

SINOPSE: No futuro de uma Terra irreconhecível após a destruição causada pelo ataque de uma raça alienígena, Jack Harper é o responsável por manter em funcionamento os equipamentos de segurança do planeta. O que sobrou da humanidade hoje vive em uma colônia lunar, lugar para onde Jack irá após terminar seu período de trabalho. Mas em certo dia tudo muda quando Jack encontra a espaçonave de uma mulher, o que coloca em dúvida toda a realidade que ele conhece.

COMENTÁRIOS: Oblivion (Oblivion) é uma produção dirigida por Joseph Kosinski, que também colabora no roteiro junto com William Monahan, Karl Gajdusek e Michael Arndt. Oblivion é um filme esteticamente muito bonito de se ver e, que mostra esmero pela fotografia, efeitos especiais soberbos, uma trilha sonora matadora, e um figurino que vai chamar muito a atenção dos mais detalhistas. Com certeza um dos melhores filmes de seu ano de lançamento. Um título obrigatório para verdadeiros fãs de ficção científica! Tendo um orçamento de 120 milhões de dólares, Oblivion conseguiu uma receita de 286 milhões.

 

INTERESTELAR (2014)

105_25

SINOPSE: Os recursos naturais da Terra estão perto do fim, e para salvar a espécie humana, uma equipe de astronautas recebe a missão de verificar planetas candidatos para receber toda a população do mundo. Mesmo correndo um enorme risco de nunca mais voltar a ver seus filhos, Cooper, um ex-piloto da NASA, aceita liderar uma missão ao lado de Brand, Jenkins e Doyle, para buscar um novo lar para a humanidade.

COMENTÁRIOS: Interestelar (Interestellar) é um filme anglo-americano dirigido por Christopher Nolan, que também faz o roteiro em colaboração com seu irmão, Jonathan Nolan. O Cara não tinha muito a provar depois de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e A Origem (2010), mas eis que o bendito me surge com mais essa! São dois filmes de ficção científica que me fazem brilhar os olhos, Contato (1997) e este aqui. Visualmente fantástico, Interestelar é uma homenagem muito respeitosa a academia científica. Claro, ele não é cientificamente perfeito, além de que incomodou algumas pessoas com suas explicações exageradas em certos momentos. É fã de Carl Sagan e Stephen Hawking? Parece que os irmãos Nolan também! Com um orçamento de 165 milhões de dólares, a produção somou uma reveira de 675 milhões! Um ótimo número para um filme de nicho.

 

O PREDESTINADO (2014)

105_26

SINOPSE: Após anos de missões viajando no tempo aplicando a lei e caçando criminosos, um agente temporal enfrenta sua última missão, dar fim as ações do perigoso terrorista responsável pela morte de milhares de pessoas, um foragido conhecido, e que já vinha enganando as autoridades por muito tempo.

COMENTÁRIOS: O Predestinado (Predestination) é uma produção australiana baseada no conto All You Zombies de Robert A. Heinlein, e que foi adaptada e dirigida pelos The Spierig Brothers. Bem diferente do que a sinopse propõe, O Predestinado não se trata de um filme de ação, aqui você vai receber na veia uma dose de ficção científica da pesada. Com uma trama complexa e cheia de reviravoltas, é diversão para aqueles que curtem quebrar a cabela por uma boa história. Bastante premiado na Austrália, seu país de origem, o longa teve um orçamentode 5.3 milhões de dólares, e uma receita negativa de 4.1 milhões. Caso de mais um excelente filme traído pela bilheteria, uma pena.

 

PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA (2017)

105_27

SINOPSE: Quando um impiedoso coronel ordena um covarde ataque contra a tribo de César, o grupo é forçado mais uma vez a entrar num brutal combate contra os humanos. Após os macacos sofrerem perdas inimagináveis, César se enche de ódio como nunca antes, e decide marchar com seu exército. Lutando contra seus instintos mais sombrios e primitivos, César se coloca frente à frente contra aquele homem cruel, iniciando uma guerra épica que determinaria o destino de suas espécies e o futuro do planeta.

COMENTÁRIOS: Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes) é uma superprodução norte-americana dirigida por Matt Reeves, que também participa do roteiro em conjunto com Mark Bomback. Eu só conhecia O Planeta dos Macacos por nome, e rolava até um pouco de preconceito quando via as produções antigas da década de 60 e 70. Mas quando meu falecido tio me recomendou, dizendo para considerear o conteúdo e não a estética, o meu mudo mudou. Planeta dos Macacos é uma saga de ficção científica fantástica e muito rica em detalhes, onde todos os filmes tem importância. Não se engane, para entender de verdade a série, é preciso também ver os filmes antigos. Os novos não se tratam de remakes, mas sim continuações canônicas. Recomendo demais! Com um orçamento significativo de 150 milhões de dólares, Planeta dos Macacos: A Guerra produziu uma receita de 490 milhões.

Barra Divisória

assinatura_dan

O DOUTRINADOR (CRÍTICA)

107_00

SINOPSE
Miguel é um agente federal de altíssimo nível da D.A.E. (Divisão Armada Especial), perito em artes marciais, no uso avançado de armas de fogo, e no manuseio de explosivos. Após passar por trauma brutal, incorrigível e imperdoável, a única coisa que ele quer agora, é consumar sua vingança. Os verdadeiros criminosos não vagam a pé pelas ruas, eles estão em carros blindados, fortificados edifícios e sofisticados palacetes. São justamente aqueles que deveriam prezar pela segurança, educação e saúde da população. Homens quais depositamos nossa soada contribuição e confiança para quando precisarmos, sermos minimamente bem atendidos. O que na vez em que Miguel mais precisou, não aconteceu. Inicialmente ele tem um nome, Sandro Corrêa, apenas o primeiro de muitos alvos entre a infinidade de políticos corruptos da sua lista, que provariam da sua fúria!

107_01

COMENTÁRIOS
Se baseando na série de quadrinhos brasileira criada por Luciano Cunha, O Doutrinador, filme de 2018, traz uma visão pessimista porém acertadamente realista do sistema social e político do Brasil. Eu admito não saber ao menos da existência do HQ até ter assistido esta adaptação, então não me cabe ser leviano em querer entrar nos méritos comparativos das duas obras. Ficarei apenas com minhas impressões isoladas do longa metragem, afinal, este também originou uma série para TV, que também é o caso de eu não ter consumido ainda. Então vamos lá! Direto e surpreendente! Fiquei fascinado com a fluidez que o roteiro anda para contar, da forma mais didática possível, esse complexo e imoral mecanismo de corrupção em que vivemos. Claro, uma pirâmide de poder verdadeira seria ainda mais larga na base, mas parar figurar a sordidez, fez mais do que o necessário. O realismo do personagem principal é fascinante, e segue a mesma receita de heróis consagrados como Justiceiro ou Demolidor da Marvel, considerando especificamente as versões mais humanizadas da Netflix.

107_02

Suas lutas são convincentes e bem coreografadas, as locações ilustram bem uma paisagem urbana, quase sempre noturna, do Rio de Janeiro, e o linguajar debochado, bem característico da vilânia ascendente da malandragem destes cantos, está lá. A produção faz um bom proveito com as condições que tem, mostrando tomadas aéreas com uso de drones, e valorizando os efeitos práticos. Em se tratando de efeitos especiais só algo me incomodou, e preciso enfatizar, desagradou muito! Uma certa explosão, que não preciso nem falar para quem já assistiu o filme (principalmente porque seria um puta spoiler!), mas que foi feita com uso de computação gráfica numa imperícia brutal! Acredite, Sharknado apresenta efeitos melhores! Mas enfim, esse é um fato bem isolado, e que é possível com boa vontade deixar passar.

107_03

Recapitulando, a parte sonora eu não achei das melhores. Não é algo que chega a incomodar, mas a sensação que eu tive era de estar assistindo algo dublado por cima de um original. O que não faz sentido, uma vez que é um filme brasileiro gravado integralmente no português daqui. Então o que fez o áudio ficar tão estranho assim? Para mim é um mistério! Por outro lado, tanto as composições originais, quanto a seleção da trilha sonora, foi de muito bom gosto e perfeitamente compatível com a intenção do filme. Se tratando das atuações, eu não vi nada além da tradicional interpretação padrão Rede Globo de novelas, o que não é de todo algo ruim. Saldo final: fiquei bastante satisfeito com o filme. Excedeu minhas expectativas! Recomendado pra quem curte filmes de ação um pouco mais realistas.

107_04

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Kiko Pissolato, Tainá Medina, Samuel de Assis, Nicolas Trevijano, Eucir de Souza, Marília Gabriela, Eduardo Moscovis, Carlos Betão, Eduardo Chagas, Natália Lage, Tuca Andrada, Natallia Rodrigues, Helena Ranaldi, Lucy Ramos e Helena Luz compõem o elenco. O Doutrinador é um filme brasileiro de 2018 dirigido por Gustavo Bonafé e codirigido por Fabio Mendonça, que se baseia na série de HQ homônima criada por Luciano Cunha. A adaptação é realizada por Gabriel Wainer, que também assina os roteiros com a colaboração de Luciano Cunha, L.G. Bayão, Rodrigo Lages e Guilherme Siman. Com produção de Sandi Adamiu, Marcio Fraccaroli e Bruno Wainer, também é coproduzido por Universo Guará, Paris Entretenimento, Downtown Filmes e o canal Space.

CONCLUSÃO
Adaptado do quadrinho homônimo, O Doutrinador é um filme de ação que retrata a saga de um agente de polícia que perde aquilo que ele mais amava, e consumido pelo ódio, decide iniciar sozinho uma guerra contra um sistema de administração pública contaminado pela corrupção. A princípio isso soa muito parecido com milhares de filmes, e até mesmo com o plot inicial do personagem Justiceiro da Marvel, mas isso é só o plano de fundo, O Doutrinador é uma criação com personalidade suficiente para andar com as próprias pernas. Classificado como recomendado para maiores de 16 anos, não se engane, este é um filme realmente direcionado para o público adulto. Quando for curtir, tire as crianças da sala, porque a brutalidade e sanguinolência ocupa bastante espaço aqui. Bom filme para você!

Barra Divisória

assinatura_dan

 

BHAVESH JOSHI SUPERHERO (CRÍTICA)

106_00

SINOPSE
Três jovens amigos, Bhavesh, Siku e Rajat, não se conformam com os problemas gravíssimos da cidade onde vivem. Estão sempre participando de levantes contra a administração pública, e protestam contra a corrupção institucionalizada. Mas eles não param por aí, seja vindo do governo ou mesmo do cidadão comum, não importa, se são atitudes erradas, então elas precisam ser repreendidas. E para engajar ainda mais apoio da população, dois deles, Bhavesh e Siku, os mais empenhados pela causa, decidem criar um canal no Youtube, no qual divulgariam o flagrante das irregularidades encontradas. Perseguem todo tipo de infração que prejudique a comunidade, e compartilham de forma didática para que qualquer um possa entender. Porém as coisas vão tomando proporções cada vez mais extremas,  fazendo com que um enorme desastre sirva de inspiração para o surgimento de um implacável justiceiro.

106_01

COMENTÁRIOS
Desperdício, é com essa palavra que inicio o comentário de Bhavesh Joshi Superhero, produção indiana de 2018. Não completamente decepcionado, mas ainda assim um pouco frustrado, prossigo. Sabe aquela satisfação crescente de ver um filme progredir a passos largos, com uma aura ambiciosa, e que se arquiteta para um desfecho épico? Então, é exatamente a sensação que tive. Um filme de enorme potencial, mas que acaba sendo sabotado por um roteiro problemático. Está certo que a referência ao heroísmo vem desde o título, no entanto no seu desenrolar, ao menos da primeira metade, envereda muito por um lado ativista contra o sistema. E não é que ele não busque isso, mas a expectativa com esta combinação, é de estarmos prestes a ver o nascimento de um V de Vingança (2005) indiano. Só que sse personagem que projetamos nunca acontece, e diferente de um idealista politizado com um rico background, o que nasce é uma rasa variação de Batman. Pensando bem, acho que nem isso, o homem-morcego tem grana e infinitos recursos, Siku está bem mais para um Demolidor. E o clichê todo está lá, um cara revoltado em busca de justiça, um esconderijo, um veículo descolado, e seu treinamento por um professor de artes marciais da periferia. Só há um problema, esse personagem não se constrói de forma convincente no decorrer do longa. A causa que ele abraça não era realmente dele, e essa transferência de valor é o maior pecado do roteiro. Este ainda assim é um bom filme, mas que teve seu ritmo muito prejudicado de forma incompreensível. A sensação que fica é dos seus três roteirista não terem se entendido. Sei lá, talvez cada um tenha ficado com 1/3 do trabalho, gerando esse saldo final aí, a projeção de uma intenção que resulta em algo completamente inesperado. E de forma negativa, é claro.

106_02

Visualmente tudo é espetacular, a produção foi muito feliz em seu design e conceito. Fotografia de bom gosto com um certo tom de granulação, trilha sonora excelente, e uma estética geral bastante interessante. Suas atuações são apenas boas, não há ninguém que cause desequilíbrio ou se destaque mais. Uma das coisas mais chamativas é sua qualidade nas cenas de ação, sempre com vigor e realismo nas lutas, perseguições muito bem orquestradas, e tudo feito com a máxima valorização dos efeitos práticos, algo que na minha opinião é sempre digno de aplausos. Infelizmente o filme falha terrivelmente em sua montagem de script, tendo picos de adrenalina muito bons, mas com quedas abruptas e bastante acentuadas. Faltaram umas boas revisadas em seu roteiro, e era só isso que precisava ser feito para termos um filme de ação indiano digno de exportação.

106_03

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Harshvardhan Kapoor, Priyanshu Painyuli, Ashish Verma, Shreiyah Sabharwal, Pratap Phad, Pabitra Rabha, Chinmay Mandlekar, Nishikant Kamat, Hrishikesh Joshi, Arjun Kapoor, Shibani Dandekar e Anusha Dandekar compõem o elenco. Dirigido por Vikramaditya Motwane, Bhavesh Joshi Superhero é uma produção indiana de 2018 escrita pelo próprio Motwane em parceria com Anurag Kashyap e Abhay Koranne. A produção é da Eros International e Reliance Entertainment, com os produtores independentes Vikas Bahl, Madhu Mantena e Anurag Kashyap. O selo final de produção é da Phantom Films, e sua distribuição é da Reliance Entertainment com a Eros International.

CONCLUSÃO
Ensaiando ser um filme de super herói mais profundo do que a média, Bhavesh Joshi Superhero é um filme agradável mas que careceu de um roteiro melhor organizado. Ficamos na expectativa de um personagem revolucionário que percorreria a pirâmide da corrupção de forma astuta e não convencional, mas que no fim das contas é apenas mais um justiceiro como muitos outros. Repito, isso não faz deste um produto ruim, mas tinha potencial de ser algo verdadeiramente grandioso. É uma pena, foi uma ideia muito boa que acabou sendo desperdiçada. Com classificação etária de 14 anos, Bhavesh Joshi Superhero está disponível atualmente no catálogo da Netflix.

Barra Divisória

assinatura_dan

SUNSHINE: ALERTA SOLAR (CRÍTICA)

102_00

SINOPSE
O ano é 2057 e a humanidade está prestes a deixar de existir. O Sol passou a se consumir mais rápido do que era então previsto, e sua perda de potência significaria o fim da vida na Terra. Mas num último esforço para evitar tal catástrofe, a Icarus II e sua tripulação de oito voluntários, transporta uma poderosa e gigantesca bomba nuclear. O objetivo: se aproximar o suficiente do Sol e lançá-la em sua direção, para assim, conforme o teorizado, revitalizar a vida útil da estrela. No entanto a longa viagem é interrompida por um chamado de socorro da Icarus I, a nave que sete anos antes se destinava ao mesmo objetivo, e que misteriosamente havia fracassado. A tripulação se divide entre aqueles que não querem se desviar da missão, e aqueles que sentem necessidade de atender o pedido.

102_01

COMENTÁRIOS
Definitivamente eu fico bem triste com a reação negativa que há pela crítica com relação a este filme. Sim, eu sei que gosto é algo bastante pessoal, no entanto para este caso em particular eu não vejo sentido algum em apedrejarem tanto a produção. Sunshine: Alerta Solar, ou apenas Sunshine, é um filme de ficção científica espacial de suspense, que embora tenha uma premissa até simples, traz um elenco de qualidade e um roteiro que se desenvolve de forma bastante interessante. É neste filme que eu pela primeira vez fui exposto ao trabalho de Cillian Murphy, um cara que desde então vejo cada vez mais se superar. E já em Sunshine era nítida sua capacidade como ator, uma vez que o cara realmente se dedicou em estudar termos e linguajares comuns à um físico com a experiência de seu personagem. A dedicação foi tamanha, que o cara decidiu tirar uns dias na CERN para aprender os maneirismos de verdadeiros cientistas.  Esforço este que foi elogiado Brian Cox, um renomado professor de física da Universidade de Manchester, e também apresentador da BBC. Cox classificou a atuação de Murphy como “brilhante” e “uma grande interpretação de um físico”.

102_02

Partindo um pouco para a produção, Sunshine é simplesmente deslumbrante! Suas tomadas externas espaciais são de tirar o fôlego, mostrando câmeras vagarosas e posicionadas em ângulos que definem o que é uma cinematografia de verdade. Conceitualmente toda sua construção é bem acabada e realista, mostrando uma nave completamente coerente e convincente. Junta-se isso à uma película mórfica bastante inspirada, e temos cenas maravilhosas, como a de uma ampla sala com controle de potência dos raios solares, onde se é possível avistar de forma frontal e próxima a beleza imponente do Sol. Considerando a trama, acho muito interessante a abordagem final. Não vou detalhar porque não quero fazer desta uma análise com spoilers, mas a inspiração, qual muita gente usa para justificar a razão de não ter gostado do filme, é exatamente o que faz dele diferente de todos os outros suspenses espaciais do gênero. Se não fosse esse diferencial, o quanto este seria diferente de Esfera (1998) ou O Enigma do Horizonte (1997) por exemplo? Acho que as pessoas deveriam parar de ser chatas e apreciarem as obras por aquilo que elas são, e não pelo que elas gostariam que fossem.

102_03

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Cillian Murphy, Chris Evans, Rose Byrne, Michelle Yeoh, Cliff Curtis, Troy Garity, Hiroyuki Sanada, Benedict Wong, Chipo Chung e Mark Strong compõem o elenco. Dirigido por Danny Boyle e escrito por Alex Garland, Sunshine: Alerta Solar é um thriller psicológico de ficção científica lançado em 2007. Produzido por Andrew Macdonald, foi coproduzido entre os estúdios Moving Picture Company, DNA Films, UK Film Council e Ingenious Film Partners, e teve sua distribuição para os cinemas ficou pela Fox Searchlight Pictures. Recebeu o prêmio de Melhor Realização Técnica da British Independent Film Awards 2008, e foi indicado em diversas outras categorias. Mesmo sendo um excelente filme, não teve a felicidade de conseguir atrair a atenção do público, e com seu orçamento de 40 milhões de dólares, faturou apenas 32 milhões.

CONCLUSÃO
Pouco valorizado pela crítica, e menos ainda pela audiência dos cinemas, Sunshine: Alerta Solar é um filme de ficção científica espacial de suspense que preenche todos os pré-requisitos para ser, no mínimo, um bom filme. Definitivamente eu não compreendo o que se passa na cabeça de uma criatura que dispara tomates contra um filme que tem excelente produção, uma ótima direção, quadro de atores fantásticos, e que além de entregar toda a rotina de itens para a convenção do gênero, ainda traz de extra, elementos novos e criativos. Eu não tenho muito a fazer além de pedir para que assista e tire sua própria conclusão. Sunshine: Alerta Solar é classificado como recomendado para maiores de 14 anos.

Barra Divisória

assinatura_dan

O DATE PERFEITO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

101_00

SINOPSE
A maior ambição na vida de Brooks é ter sucesso no seu ingresso em Yale, uma das melhores universidade dos Estados Unidos. E após a brincadeira de um amigo, o jovem bem educado e despojado, decide criar um aplicativo de namoro de aluguel para faturar uma grana, assim podendo financiar seus estudos. O serviço é personalizado, isso quer dizer que Brooks assume a personalidade que a cliente quiser. Então se alguém precisar causar ciúmes no ex-namorado, ele estará lá. A necessidade é de um entusiasta que lhe acompanhe numa elitizada mostra de arte? É só escrever no pedido, e pronto! Inteligente, espirituoso e bonitão, logo progride em seu empreendimento, porém viver essa vida sem uma identidade própria, lhe faz perceber quais são realmente importantes as coisas na vida.

101_01

COMENTÁRIOS
Eu adoro distopias de ficção científica, suspenses com tramas complexas, dramas de guerra, thrillers com bastante ação, épicos sanguinolentos, e veja você, também curto filmes de comédia romântica que as vezes inicia de forma diferente, mas sempre acaba da mesmíssima forma clichê. Daqueles que logo de cara você já sabe com quem fulano irá terminar junto. Deixe-me explicar, afinal, já que estou me expondo revelando algo que a maioria dos machos alfas levariam para o túmulo, deem-me ao menos a oportunidade de justificar. Eu odeio do fundo do meu âmago (não sei nem onde fica isso) dramas românticos melosos, romances formais almofadinhas (esses estão em extinção, oh glória), e aquelas comédias infantiloides de paixonite adolescente. Tem coisas que realmente não dá! No entanto, não compreendo a razão,  mas acho divertido as histórias de situações onde alguém com algum complexo existencial precisa se superar. Vide uma comédia na qual um maluco é obcecado para entrar em uma universidade, não tem grana pra isso, usa seu poder de seduzência para tal, acaba se enrolando com quem menos imaginaria, e nós, do lado de fora da tela, tínhamos absoluta certeza de quem seria. E vamos ser sinceros, nenhum destes filmes tenciona ocultar isso, é uma convenção que faz parte, até sendo obrigatória para o gênero. Ótimo, consegui explicar a base. Só que isso por si só não basta, ele ainda assim precisa ser um filme inteligente. Como assistindo qualquer outro gênero, eu não quero ser tratado como idiota pelo roteiro. Prezo muito pela qualidade dos diálogos e na coerência dos mesmos. Comédia no meu gosto se trata de um besteirol assumido como Monty Python, ou um humor inteligente com piadas honestas. E O Date Perfeito (The Perfect Date), filme que eu não dava absolutamente nada, e só decidi conferir porque descobri ser um dos mais vistos na Netflix, é exatamente isso!

101_02

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Noah Centineo, Laura Marano, Odiseas Georgiadis, Camila Mendes, Matt Walsh, Joe Chrest, Carrie Lazar, Alex Biglane, Blaine Kern III, Zak Steiner, Ty Parker e Wayne Péré compõem o elenco. Dirigido por Chris Nelson, a comédia romântica adolescente de 2019, é baseada na obra The Stand-In de Steve Bloom, que teve adaptação feita pelo próprio Bloom em parceria com Randall Green. A produção norte-americana é de Matt Kaplan e John Tomko, sob os selos dos estúdios Ace Entertainment e AwesomenessFilms. O Date Perfeito é um produto original Netflix, e já está disponível em seu catálogo.

CONCLUSÃO
Se estruturando bastante nas comédias românticas da década de oitenta, O Date Perfeito é uma comédia inteligente e divertida. Não espere um romance adolescente bobo como seu título insinua ser, aqui teremos piadas ácidas, e tiradas bastante inesperadas. A fórmula é aquela clássica, tem mais de trinta e lembra de Namorada de Aluguel (1987) que repetiu centenas de vezes na Sessão da Tarde? Ou seja, na prática é sim um filme romântico, mas daqueles que a gente assiste escondido dos amigos para não admitir que gostou. E olha que quem está falando é um homem hétero que tem John Rambo como inspiração! Quem me conhece sabe o quanto não aceito brincadeiras quanto minha sexualidade, afinal, tenho algumas cuecas vermelhas e rosas sim, e daí?! Enfim, deixe o preconceito bobo de lado, convide seus amigos de infância do colégio, e assistam juntos essa bela história de amor de um rapaz por uma rapariga. E claro, deixe lenços disponíveis para que limpem o suor de suas vistas. Com classificação etária de 12 anos, O Date Perfeito está disponível no serviço por assinatura Netflix.

Barra Divisória

assinatura_dan