OS MELHORES FILMES DE TERROR

099_00

 

O BEBÊ DE ROSEMARY (1969)

099_01

SINOPSE: Rosemary Woodhouse, uma mulher ingênua, e seu marido, Guy, um ator atrás de um novo emprego, se mudam para Bramford, num edifício antigo porém luxuoso de Nova York. A vizinhança estranha, e as histórias sinistras que correm pelo prédio, fazem com que a gravidez de Rosemary fique ainda mais conturbada. Ficando cada vez mais preocupada com sua sanidade, a moça entra em desespero quando descobre que sua gravidez tem ligação com uma seita diabólica.

COMENTÁRIOS: O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby) é um filme estadunidense escrito e dirigido por Roman Polanski, um dos mais cultuados diretores de Hollywood. Seu roteiro é baseado no romance homônimo de Ira Levin, que emprestou para sua história para dar vida à um dos maiores clássicos de terror de todos os tempos. Em 1976 o longa recebeu uma continuação chamada de Veja o Que Aconteceu ao Bebê, que definitivamente não chega aos pés da obra de Polanski.

 

O EXORCISTA (1974)

099_02

SINOPSE: A atriz Chris MacNeil começa a perceber que sua filha de apenas 12 anos, Regan MacNeil, vem evoluindo um comportamento cada vez mais macabro. Então assustada, a mulher pede ajuda ao jovem padre Damien Karras, que também é psiquiatra, para entender o que estava acontecendo com a menina. Após verificar, o sacerdote chega a conclusão de que ela estava possuída pelo demônio, e precisava ser exorcizada para ter sua vida salva.

COMENTÁRIOS: O Exorcista (The Exorcist) é uma produção norte-americana dirigida por William Friedkin, e escrito por William Peter Blatty, se baseando no livro homônimo de sua autoria. O filme possui uma série de mistérios envolvendo sua produção, e existem até alegações de que traz mensagens sublimares satânicas. Tanta polêmica ao redor da obra, fez com que os seus 12 milhões de dólares em orçamento, se tornassem mais de 441 milhões de faturamento, tornado esse um dos filmes de terror mais lucrativos da história.

 

POSSESSÃO (1981)

099_03

SINOPSE: Se passando no período da Guerra Fria, Mark trabalha como espião, e agora está retornando à Alemanha para encontrar sua esposa, Anna, que previamente havia pedido o divórcio. Ela não explica a razão, mas insiste não estar sendo infiel ao marido. Mark não aceita o distanciamento sem uma satisfação justa, e também por se importar com o filho, luta para manter o casamento. Conforme as discussões vão se intensificando, Anna vai desenvolvendo um comportamento cada vez mais doentio e estranho.

COMENTÁRIOS: Possessão (Possession) é coproduzido por França e Alemanha, e foi dirigido por Andrzej Żuławski. Usando o plano de fundo do drama de um casal, o terror psicológico é o que há de mais surreal nesta lista. Possessão é um filme para poucas pessoas, pois é lento e cheio de diálogos. Porém são essas cenas arrastadas e suas conversas que beiram o absurdo, que vão alimentando uma atmosfera cada vez mais macabra, culminando num desfecho completamente inesperado. Vejo nesta obra um misto de incômodo e fascínio, e definitivamente creio ser capaz de assustar qualquer marmanjo.

 

POLTERGEIST: O FENÔMENO (1982)

099_04

SINOPSE: A Família Bowen decide se mudar para uma nova casa em Cuesta Verde, num pacato novo empreendimento residencial em Orange County, na Califórnia. Porém estranhos eventos começam a ocorrer, e Maddy, a filha caçula, é sequestrada e aprisionada em uma outra dimensão por espíritos sinistros. Desesperados, o casal Steven e Diane, buscam socorro com especialistas para trazer a menina de volta.

COMENTÁRIOS: Poltergeist: O Fenômeno (Poltergeist) é um filme dos Estados Unidos produzido por Steven Spielberg, e dirigido por Tobe Hooper. Seu maior trunfo na época foi trazer o que havia de mais moderno em efeitos especiais, criando cenas assustadoras e impactantes. Sua trilha sonora também se tornou famosa, sendo um dos trabalhos mais famosos do compositor Jerry Goldsmith. Sucesso do cinema, Poltergeist teve um orçamento de 10.7 milhões de dólares, e uma receita final de 121.7 milhões.

 

RINGU (1998)

099_05

SINOPSE: Uma repórter decide investigar a misteriosa morte de sua sobrinha, e acaba descobrindo uma estranha fita VHS. Seu conteúdo trazia uma lenda, quem assistisse morreria em sete dias, mas curiosa, decide enfrentar o destino. Assim que a fita termina, o telefone toca, e o que se ouve é um som perturbador. Acreditando na história, ela agora tem sete dias para descobrir como quebrar a maldição, e assim conseguir salvar a sua e a vida de seu filho, que também assistiu. Para isso, ela pede ajuda do seu ex-marido, um professor cético, porém dotado de uma percepção extrassensorial, e juntos investigam o misterioso vídeo amaldiçoado.

COMENTÁRIOS: Ringu é um pouco menos conhecido que sua versão norte-americana, O Chamado (The Ring), de 2002. No entanto o terror japonês dirigido por Hideo Nakata, consegue na minha opinião, ser ainda mais interessante. É certo que a versão ocidental trouxe mais detalhes e explicações que a oriental, no entanto são as coisas menos explicadas que me atraem mais. Terror no meu entender é brincar com a dúvida para alimentar a tensão, e quanto mais você revela, menos obscuro e assustador aquilo vai ficando. Ringu fez um enorme sucesso no Japão, e seu estilo virou referência para uma série de produções de terror que se sucederam.

 

O ÚLTIMO PORTAL (2000)

099_06

SINOPSE: Don Corso é um especialista em rastrear obras literárias raras e exóticas para colecionadores entusiastas, e Boris Balkan recentemente havia adquirido um volume misterioso do século XVII, conhecido como O Último Portal, um lendário livro que teria sido escrito pelo próprio Satanás. Tendo o exemplar em mãos, Corso se vê perseguido por estranhos e violentos acontecimento, e tudo indicava que outras pessoas estavam atrás daquele precioso item.

COMENTÁRIOS: O Último Portal (The Ninth Gate) é um filme hispano-franco-estadunidense dirigido por Roman Polanski, e adaptado do romance The Club Dumas de Arturo Pérez-Reverte, por John Brownjohn, Enrique Urbizu e o próprio Polanski. Com um ar misterioso e uma trilha sonora imersiva, este terror psicológico investigativo teve pouquíssimo sucesso. Não bastava ter Johnny Depp, ainda era preciso fazer o filme ser conhecido. E quem fez? Ninguém! Aquele que se tornara um dos clássicos cults da virada do milênio, teve um orçamento de 38 milhões de dólares, e lucrou pouco mais de 20.  Você conhece O Último Portal? Deveria, pois esse é um puta filme sinistro!

 

OS OUTROS (2001)

099_07

SINOPSE: Grace Stewart é uma mãe católica devota que mora com os dois filhos pequenos em uma antiga mansão no campo da isolada ilha de Jersey, no rescaldo da Segunda Guerra. As crianças, Anne e Nicholas, tem fotossensibilidade, uma doença que traz forte incômodo a exposição à luz solar, e isso traz pras suas vidas, um complexo guia de regras imposto pela mãe. Com a chegada de três novos funcionários da casa, uma babá, um jardineiro e uma menina muda que ajudava em várias tarefas, coincidentemente uma série de estranhos eventos sobrenaturais começar a ocorrer.

COMENTÁRIOS: Os Outros (The Others) é um filme hispano-franco-norte-americano-italiano escrito e dirigido por Alejandro Amenábar, que prova que para algo ser assustador não é preciso muito mais que uma câmera na mão e boas ideias. O longa é vestido de uma atmosfera nebulosa digna de uma verdadeira história clássica de mansão mal-assombrada. Uma produção inteligente, que vai te fazer sentir frio na espinha com seu final surpreendente.

 

A VILA (2004)

099_08

SINOPSE: Em busca de um estilo de vida melhor, um grupo de pessoas funda uma vila numa região remota da Pensilvânia, onde conseguem manter seus filhos afastados da violência do mundo moderno. No entanto o lugar é cercado por densas florestas onde estranhas criaturas vivem em certa harmonia com os humanos, seguindo a regra, claro,  de os membros da comunidade se manterem afastados da mata. Mas as coisas se complicam quando um jovem ignora os avisos dos anciões, e sai da vila na procura de um medicamento para salvar uma jovem que estava doente.

COMENTÁRIOS: A Vila (The Village) é uma produção norte-americana escrita e dirigida por M. Night Shyamalan que teve um grande sucesso de bilheteria. Tendo um  orçamento de 60 milhões de dólares, e um faturamento de 257.7 milhões. A Vila é um dos filmes polêmicos de Shyamanan que dividem bastante as opiniões, e em principal, pela sua conclusão. O diretor sofre de um síndrome similar e Stephen King, na qual faz o mais difícil, que é prender atenção do público com o desenvolvimento de um excelente mistério, mas tendo o hábito de falhar miseravelmente nos finais. Eu estou do lado que considera a totalidade da obra e costumo aceitar a proposta do criado, portanto o que muitos enxergaram como um defeito, eu considerei bastante interessante. Não vá apenas pela crítica, verifique você mesmo tudo o que puder. Não é a minha e nem a de ninguém a verdade absoluta, tire você suas próprias conclusões.

 

LABIRINTO DO FAUNO (2006)

099_09

SINOPSE: A Guerra Civil Espanhola de 1944 já havia oficialmente terminado, mas um grupo de insurgentes ainda lutava nas regiões montanhosas ao norte de Navarra. Ofelia era uma menina de 10 anos que se mudou com a sua mãe, Carmen, para os arredores, e as duas estavam no aguardo da chegada do homem do lar, um oficial fascista que guerreava para exterminar os ainda resistentes. A menina Ofelia, solitária, logo faz amizade com Mercedes, a jovem cozinheira da família, que secretamente era um contato dos rebeldes. Em meio à essa realidade tensa a jovem descobre no jardim de casa, um misterioso labirinto que faz com que um mundo repleto de fantasia se abra, trazendo junto consequência inimagináveis para a realidade à sua volta.

COMENTÁRIOS: O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno) é uma produção feita em parceria com México, Espanha e Estados Unidos, e que foi escrita, produzida e dirigida por Guillermo del Toro. Este é um filme que reúne tantos elementos que fica até complicado classificá-lo, porém eu considero-o com um terror, por reunir os elementos fantasiosos macabros, violência explícita, e uma atmosfera pesadíssima de um período que por si só já é assustador. O Labirinto do Fauno é sucesso de crítica, bilheteria, e vencedor de uma série de prêmios, incluindo três estatuetas do Óscar 2007.

 

REC (2007)

099_10

SINOPSE: Uma repórter televisiva e seu cinegrafista acompanhavam um grupo do Corpo de Bombeiros em Barcelona enquanto eles atendiam um chamado na madrugada. A princípio seria apenas mais um incidente corriqueiro, no qual supostamente uma senhora estava presa em seu apartamento e gritava ensandecidamente por estar presa dentro do imóvel. Os vizinhos então assustados e preocupados fizeram o chamado. Porém quando chegaram lá nada era realmente o que parecia, a mulher estava tendo um surto por alguma infecção raivosa, e todos os que estavam dentro do prédio foram mantidos sob quarentena. A equipe de reportagem então decide registrar tudo o que podiam do local, ao mesmo tempo que tentavam salvar as próprias vidas.

COMENTÁRIOS: Rec, geralmente escrito como [REC], é um filme espanhol dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza, e que foi roteirizado pelos mesmos com a ajuda de Luiso Berdejo. A produção teve uma excelente aceitação da crítica, além de gerar uma ótima receita para seus colaboradores. Rec é um filme de terror extremamente acelerado e capaz de nos fazer sofrer com a tensão. Usando uma estética de documentário com câmera na mão, a sensação que temos é de realmente estarmos presos junto com o capeta naquele lugar! Recomendo ir ao banheiro primeiro antes de assistir para não correr o risco de fazer nenhum dos números na calça.

 

A ÓRFÃ (2009)

099_11

SINOPSE: Depois de o casal Kate e John Coleman perder o terceiro filho no parto, decidem dar a volta por cima e adotar uma criança para dar novos rumos ao casamento. Optam por Esther, uma menina russa de nove anos que faria companhia aos seus dois outros filhos, Max, que é surda, e Daniel, um menino indiferente a quase todo mundo. As coisas começam a ficar estranhas quando uma série de alarmantes eventos começar a acontecer dentro de casa, e Kate desconfia que talvez Esther seja a razão por trás disso.

COMENTÁRIOS: A Órfã (Orphan) é um filme dos Estados Unidos escrito por David Johnson e Alex Mace, e que foi dirigido por Jaume Collet-Serra. A obra gerou um pouco de polêmica, sendo necessário até que algumas falas fossem trocadas. Tudo isso aconteceu porque as entidades envolvidas com os sistemas de adoção enxergaram de forma negativa essa história de uma criança adotada ser uma vilã, e falas como “Deve ser difícil amar uma criança adotada, tanto quanto o seu próprio”, precisaram ser trocadas por palavras menos pesadas. A Órfã é um suspense de terror de altíssima qualidade. Vale à pena conferir!

 

ATIVIDADE PARANORMAL 3 (2011)

099_12

SINOPSE: Os membros de uma família acham que estão sendo atormentados por um espírito maligno na casa onde moram, sendo assim decidem instalar câmeras para filmar e tentar compreender a razão dos barulhos e  fenômenos aterrorizantes que assolam a residência. E aquilo que era quase uma curiosidade ingênua, se transforma num verdadeiro inferno!

COMENTÁRIOS: Atividade Paranormal 3 (Paranormal Activity 3) é um filme dos Estados Unidos dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman, e que foi escrito pro Christopher B. Landon. Essa é uma franquia que lançava sequências quase anualmente, e que por enquanto estacionou no quinto episódio lançado em 2014. De todos os filmes, esta terceira “aventura”, é a mais interessante ao meu ver da série, a que mais intriga, causa desconforto e medo.

 

A ENTIDADE (2012)

099_13

SINOPSE: Um escritor de romances se muda para uma nova casa com sua família, e acaba encontrando uma caixa com registros filmados de crimes horripilantes que pareciam terem sidos cometidos por um assassino em série. Investigando aquelas coisas, ele e sua família acabam se tornando alvos de uma entidade sobrenatural maligna.

COMENTÁRIOS: A Entidade (Sinister) é uma produção britânico-norte-americana dirigida por Scott Derrickson, e escrita por ele mesmo em parceria com C. Robert Cargill. Este é um filme que usa em sua receita uma série de elementos clichês, mas que diferente do comum, faz tudo de forma muito competente. Perturbador, A Entidade de destoa de uma infinidade de péssimos filmes de “monstros” sobrenaturais que pulam das sombras. Prepare a pipoca, mas também se prepare para o cagaço!

 

A MORTE DO DEMÔNIO (2013)

099_14

SINOPSE: David se junta aos amigos de infância para isolar a irmã Mia, que é viciada em drogas, para tentar vencer a doença. Juntos os amigos vão para uma cabana rústica da família em meio ao nada da floresta, e assim que chegam lá descobrem que o local havia sido invadido. Transformaram o porão em uma espécie de altar satânico, haviam animais mumificados por todo canto, e encontraram um tal de Livro dos Mortos. A estadia que prometia ser tranquila, acaba se tornando em algo pior que o inferno!

COMENTÁRIOS: A Morte do Demônio (Evil Dead) é um remake do clássico de 1981 que traz o mesmo nome. Dirigido por Fede Alvarez, seu texto é levemente adaptado do original por Diablo Cody, Sam Raimi, Rodo Sayagues e o também pelo próprio diretor. A franquia A Morte do Demônio já trouxe vários elementos, e de certa forma sempre deu certo. Porém ainda não havia um filme mais sério e pesado. Quem conhece sabe que o foco sempre foi o humor e a zoeira, só que nesta versão de 2013 a coisa fica bem mais sinistra, e no meu entendimento pessoal, mais assustador. Afinal, à mim o gore faz mais rir do que assustar. Quando vejo filmes de terror quero ter medo de andar pela casa com a luz apagada, e não de escorregar numa poça de sangue.

 

O BABADOOK (2014)

099_15

SINOPSE: Amelia é uma mulher viúva que além até de ser atormentada pela dor da morte violenta do marido, ainda precisa lidar o pavor de monstros de seu pequeno e único filho, Samuel, por quem tem dificuldades de sentir um amor verdadeiro. Após encontrar um misterioso livro, o garoto está convicto de que um monstro deseja matá-lo, e para desespero de sua mãe, começa a agir ainda mais irracionalmente. Porém as coisas vão tomando formas mais nítidas, e Amelia vai percebendo que talvez o filho tenha razão.

COMENTÁRIOS: O Babadook (The Babadook) é uma coprodução do Canadá e Austrália, escrito e dirigido por Jennifer Kent em sua estreia como diretora. O longa se baseia no curta-metragem Monster (2005), também escrito e dirigido por Kent. O filme de terror psicológico chegou ao Brasil apenas através da Netflix, e na minha opinião foi o melhor filme do gênero em 2014. Não é uma obra que recorre a maneiras baratas de dar susto, a atmosfera que Jennifer Kent conseguiu criar, explora a tensão do drama entre mãe e filho, criando uma simbiose com um ser metamórfico maligno inspiradíssimo. Não vá na onda de ninguém, assista você e tira suas conclusões! Depois me diz o que achou.

 

INVOCAÇÃO DO MAL 2 (2016)

099_16

SINOPSE: Os mais famosos demonologistas do mundo, Lorraine e Ed Warren, viajam para  Enfield, no norte de Londres em 1977, para ajudar a família Hodgson, onde uma mãe solteira tem suas filhas atormentada por espíritos malignos. Eventos sobrenaturais inimagináveis não se intimidam em acontecer, e o casal de investigadores começa a crer que uma das filhas está possuída por um demônio.

COMENTÁRIOS: Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2) é um filme estadunidense dirigido por James Wan, e roteirizado por Carey Hayes, Chad Hayes, David Leslie Johnson, e pelo próprio Wan. Eu cheguei a assistir o primeiro Invocação do Mal, e foi um filme bem mediano no meu entender, mas quando assisti sua sequência, o meu queixo caiu. Não se trata apenas de uma boa obra do gênero, mas também um excelente filme independente de gênero. Ótima produção, direção, roteiro, elenco, enfim, um puta filmaço! E aquela freira então… deixo pra você conferir e bater um papo com ela!

 

IT: A COISA (2017)

099_17

SINOPSE: Um grupo de garotos se une para investigar os misteriosos desaparecimentos de vários jovens em sua cidade, incluindo o irmão caçula de um deles. E eles acabam realmente encontrando o culpado, Pennywise, um palhaço metamórfico que se alimenta dos medos de suas vítimas e cuja violência vem se repetindo por séculos.

COMENTÁRIOS: It: A Coisa (It) é um filme norte-americano dirigido por Andy Muschietti, que se baseia na novela homônima de Stephen King. A adaptação do original ficou a cargo de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman. Há quem diga que It: A Coisa não é um filme de terror, bullshit…! É óbvio que é, afinal, o que faz um filme ser terror? Ele te aterroriza? Então é terror! “Ah, filmes de guerra também aterrorizam”. Hmmm… nesse o palhaço aterroriza e é o capeta. Caso encerrado. Espetacular esta primeira parte desta obra-prima de Stephen King. Mas imagino que você já assistiu o filme do Palhacinho Camarada. Ainda não?! Ah para!

Barra Divisória

assinatura_dan

CONTATO VISCERAL – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

098_00

SINOPSE
Will cobria um dos turnos num bar de cidade pequena onde as mesmas figuras carimbadas de sempre se reuniam, porém certa noite um público diferente do cotidiano apareceu. Eram quatro adolescentes que o barman decidiu fazer vista grossa, afinal, pareciam decentes e só queriam tomar umas cervejas. E em meio aos flertes velados de Will à Alicia, que estava acompanhada do novo namorado, uma briga violenta se iniciou entre quem jogava sinuca. Eric, um brutamontes encrenqueiro já conhecido, contra um tal de Marvin, um gigante marombado. A quebradeira foi feia, e um dos garotos que estava lá começou a gravar com o celular, quando Eric foi ferido gravemente no rosto por uma garrafa quebrada. As pessoas conseguiram separar os dois antes que algo pior acontecesse, e com a chamada da polícia, todos fugiram com medo de se meter em mais encrenca. Will olhando o estrago em seu bar nota que o telefone de um dos garotos caiu durante a confusão, e disposto a entregar, coloca no bolso. Chegado em casa, procura uma maneira de desbloquear a tela do aparelho, e tem a ideia de tentar ver o desenho que a marcas de dedo teriam feito. Will responde a mensagem de alguém para aquele celular, se identifica como sendo o barman e que no dia seguinte deveriam ir no bar buscar o objeto perdido. Mas a conversa não para por aí, mensagens e fotos cada vez mais estranhas começam a chegar, desencadeando uma série de situações bizarras.

098_01

COMENTÁRIOS
Não sei como iniciar uma crítica sobre esse filme omitindo tê-lo detestado! Primeiramente ele se vende como um terror, e assim como em Midsommar (2019), outro filme do gênero do mesmo diretor, usa como base o relacionamento conturbado de um casal. Mas diferente do qual eu citei, Contato Visceral (Wounds), não tem nada de assustador ou mesmo aquela estranheza que causa desconforto. O filme com ar de drama em boa parte do seu tempo, acompanha os passos de um homem que vai se revelando cada vez mais problemático, mostrando sua infidelidade, seus vícios, e porque não colocar assim, sua chatura. Will tenta ser engraçado mas não é, e nem essa tentativa de ser, tem alguma graça. Sua esposa não é muito diferente, sempre desconfiada e certamente insatisfeita com o marido, Carrie é colocada em segundo plano na trama. Serve exclusivamente como âncora para embasar o entendimento de Will ser um completo mau-caráter, e é cansativa a artificialidade da comunicação entre os dois. Logo no início do filme, numa situação onde o casal discute sobre a procedência daquele celular, ele simplesmente trava como se admitisse culpa por algo que não fez. E essa incoerência é o que mais incomoda na trama. Quanto ao terror, ele tenta ser algo mais metafórico. E não me levem à mal, essa conversa típica de que se você não entendeu o simbolismo da obra é porque não entrou no clima, ou não teve intelecto para tanto definitivamente não funciona para mim. Basicamente eu vi um filme lento, enfadonho, que o vilão não passava de baratas que se multiplicavam, e o herói deveria ser um dedetizador! Quanto ao seu final, nossa, prefiro nem fazer comentários. Enfim, ainda vale a regra de ouro, você não precisa concordar comigo e nem deve, assista você mesmo e tire suas conclusões.

098_02

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Armie Hammer, Dakota Johnson, Zazie Beetz, Karl Glusman, Brad William Henke, Jim Klock, Luke Hawx, Kerry Cahill, Terrence Rosemore e Ben Sanders compõem o elenco. Escrito e dirigido por Babak Anvari, Contato Visceral é um filme de terror lançado em 2019 produzido por Christopher Kopp e Lucan Toh. A obra se baseia no livro The Visible Filth de Nathan Ballingrud. A estrutura de produção é da Annapurna Pictures e da AZA Films, e sua distribuição ficou a cargo do Hulu para os Estados Unidos, e da Netflix para o restante do mundo.

CONCLUSÃO
A percepção que eu tenho, é que chega num determinado ponto em que certos diretores ficam tão confortáveis e seguros das próprias capacidades, que perdem a régua do que pode funcionar. Contato Visceral tem um início enfadonho, com linhas de diálogo tediosas, e que quando culmina no seu elemento central, que deveria ser o terror, já se perdeu totalmente. Fica parecendo que estou pegando no pé, mas não consegui encontrar um elemento ao menos qual pudesse dizer: não, isso aí é legal! Enfim, esse é mais uma péssima produção que a Netflix teve a infelicidade de colocar seu selo de distribuidora. Mas o lance é aquele de sempre, a melhor forma de sabermos se algo é ruim, é conferirmos nós mesmos. Contato Visceral tem classificação etária de 16 anos, e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

Barra Divisória

assinatura_dan

 

OS MELHORES FILMES DE SUSPENSE

095_00

 

PSICOSE (1960)

095_01

SINOPSE: Marion Crane é secretária em uma imobiliária, que após seduzida pela ambição, decide roubar 40 mil dólares do trabalho para fugir com o amante. Certa de que o crime seria notado apenas após o fim de semana, entra em seu carro tomando rumo pela estrada, quando é surpreendida por uma forte chuva. Marion encontra o Motel Bates, um local decadente e que se tornou deserto após um desvio na estrada. Lá ela é atendida por Norman Bates, um simpático rapaz, mas que não parece ficar muito confortável em lidar com as pessoas.

COMENTÁRIO: Psicose (Psycho) é uma das principais obras de arte do gênio do suspense e horror, Alfred Hitchcock. Uma história simples que se transforma numa tempestade de tensão e imprevisibilidade. Praticamente com 60 anos de idade, ainda é bastante atual, tanto na sua linguagem, quanto na sua capacidade de surpreender do começo ao fim. Hitchcock é até hoje uma das maiores fontes de inspiração para profissionais do cinema.

 

LOUCA OBSESSÃO (1990)

095_02

SINOPSE: Paul Sheldon é um famoso escritor que se envolve num acidente de carro, e acaba sendo socorrido por Annie, uma enfermeira que diz ser sua fã número um. Ela o leva para sua própria casa, um local isolado para cuidar de sua saúde. Certo dia ela encontra os originais do próximo livro de Paul, e descobre que sua personagem favorita será morta. Essa revelação faz com que a mulher revele uma personalidade doentia.

COMENTÁRIO: Louca Obsessão (Misery) é um filme dirigido por Rob Reiner, e se baseia no livro homônimo de Stephen King. O longa é considerado um dos maiores clássicos do suspense, e rendeu para Kathy Bates o Óscar de melhor atriz, o Golden Globe Award também como melhor atriz, o Chicago Film Critics Association Award, advinha, como melhor atriz e também o Dallas-Fort Worth Film Critics Association Award, só para fechar, como melhor atriz. E aí, está convencido de assistir se ainda não o fez?

 

O SILÊNCIO DOS INOCENTES (1991)

095_03

SINOPSE: Clarice Starling é uma das mais promissoras estudantes da academia do FBI e, é selecionada sem receber detalhes, para entrevistar um brutal assassino, o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra que cumpre prisão perpétua por terríveis crimes de assassinatos e canibalismo. Jack Crawford, seu superior no FBI, acredita que Lecter possa de alguma forma se sentir atraído por Starling, e assim colabore para ajudar a entender a mente de um outro assassino em série que está solto.

COMENTÁRIO: O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) é um filme dirigido por Jonathan Demme, e é baseado no livro homônimo de Thomas Harris. O suspense de estrondoso sucesso teve um orçamento de 19 milhões de dólares, e faturou 272 milhões! O filme é um dos poucos na história conseguir vencer nas principais categorias do Óscar, recebendo os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado. Pouca coisa, não é mesmo?

 

CABO DO MEDO (1991)

095_04

SINOPSE: Sam Bowden advogou por Max Cady, um psicopata estuprador que recebeu a pena de 14 anos de prisão. Após ser libertado, Max fica sabendo que Sam agiu de forma a potencializar sua condenação, e então passa a perseguir de forma doentia sua família.

COMENTÁRIO: Cabo do Medo (Cape Fear) é um remake dirigido por Martin Scorsese, e se baseia no romance The Executioners, de John D. MacDonald. A versão original de 1962 tinha o mesmo título, e a título de curiosidade, tem seus dois principais atores participando da versão desta versão de 1991. A atuação de Robert De Niro dá vida à uma mente grotesca, suja e subversiva. O filme foi indicado ao Óscar na categoria de melhor ator e melhor atriz coadjuvante para Juliette Lewis. O melhor ator acho que você já sabe.

 

SE7EN: OS SETE CRIMES CAPITAIS (1995)

095_05

SINOPSE: Preste a se aposentar, o experiente detetive William Somerset pega um último caso na parceria do empolgado e recém transferido David Mills. Juntos eles descobrem se tratar de um assassino em série que procura vítimas que representem de alguma forma os sete crimes capitais.

COMENTÁRIO: Se7en: Os Sete Crimes Capitais (Seven) é uma aula de cinema de um diretor que até então só tinha feito um único filme, Alien 3 (1992). David Fincher era o nome do cara, que conseguiu fama da noite pro dia, e um enorme respeito da crítica especializada. Seven teve um custo de 30 milhões de dólares, e conseguiu tirar das telonas o faturamento de mais de 327 milhões. O suspense de tirar o fôlego ficou famoso também pelo seu final, afinal, o que diabos havia naquela caixa?

 

OS SUSPEITOS (1995)

095_06

SINOPSE: Roger Kint é interrogado pelo agente Dave Kujan a contar a história sobre o que aconteceu em um massacre no porto de Los Angeles, no qual ele foi um dos poucos sobreviventes de um enorme incêndio de uma embarcação. Usando de artifícios de flashbacks e narração, a a história vai se tornando cada vez mais complexa enquanto ele tenta explicar o motivo dele e seu comparsa estarem no barco.

COMENTÁRIO: Os Suspeitos (The Usual Suspects) é uma produção teuto-norte-americana do diretor Bryan Singer e roteirizado por Christopher McQuarrie. O filme é um suspense de fritar os neurônios e desmaterializar as unhas. Seu orçamento foi modesto, “apenas” 6 milhões de dólares, e faturou quase quatro vezes mais do que isso. Certo, não foi um enorme sucesso nos cinemas, mas se tornou um clássico para os amantes do gênero. O longa recebeu dois prêmios do Óscar de 1996, sendo o de Melhor Ator Coadjuvante para Kevin Spacey, e de Melhor Roteiro Original. E aí, achou que ele vale ser conferido?

 

O ADVOGADO DO DIABO (1998)

095_07

SINOPSE: Kevin Lomax é um extraordinário advogado de uma cidade pequena da Flórida que nunca perdeu um único caso, e é contratado pessoalmente por John Milton, o dono da maior firma de advocacia de Nova York. Inicialmente as coisas vão indo bem, mas Mary Ann, a esposa de Kevin, começa a evidenciar sinistras aparições demoníacas. Kevin muito atarefado com um cliente, se torna cada vez mais negligente com sua mulher, porém seu misterioso chefe parece ter sempre a solução para todos os problemas, e isso passa a atormentar o advogado.

COMENTÁRIO: O Advogado do Diabo (The Devil’s Advocate) é uma produção teuto-norte-americana dirigida por Taylor Hackford, e mistura drama, com suspense e terror. A obra roteirizada por Jonathan Lemkin e Tony Gilroy se baseia no romance homônimo de Andrew Neiderman. Fora da curva costumeira do gênero, O Advogado do Diabo brinca com nossa imaginação e alimenta a angústia do que seria estar sendo refém da própria ambição. Este é um filme completo, com bom roteiro, boa direção, excelente trilha sonora, e um elenco de arrebentar!

 

IDENTIDADE (2003)

095_08

SINOPSE: Uma tempestade violenta atinge as estradas de Nevada, e por segurança dez pessoas procuram refúgio num hotel isolado para esperar que ela cessasse. Junto do grupo está Malcom Rivers, um condenado à morte sendo escoltado, e que foi sentenciado justamente pelo assassinato de várias pessoas em um hotel. Os viajantes ficam presos no lugar devido à chuva, e percebem que estão sendo mortos um à um.

COMENTÁRIO: Identidade (Identity) é uma produção estadunidense dirigida por James Mangold, e é baseada no romance policial de Agatha Christie, Ten Little Niggers. O suspense estrelado por John Cusack e Ray Liotta não é famoso ou coisa do tipo, e sempre me perguntei a razão. O filme é um complexo emaranhado de mistérios que faz ser impossível perdemos a atenção por um minuto. Divertido e subversivo, é um prato cheio para noites chuvosas em que você não pode sair de casa. Apenas tenha cautela com a companhia.

 

SEM SAÍDA (2008)

095_09

SINOPSE: Steve fez tudo certo e planejou um final de semana a dois com Jenny. O plano era curtir a beira de um lago, local onde ele pretendia pedir a mão da namorada em casamento. Assim que chegaram, logo foram incomodados por um grupo de adolescentes arruaceiros que não ficaram satisfeitos com os visitantes. À partir de então, pesadelo que se sucederia jamais poderia ser imaginado pelo casal.

COMENTÁRIO: Sem Saída (Eden Lake) é uma produção britânica escrita e dirigida por James Watkins. Seu enredo simples já é repetido por décadas, o que deveria ser um complicador para fazer deste um filme interessante, é o que você imagina. Mas se engana se acha que essa convenção é incapaz de trazer algo e que vá te surpreender. Misturando suspense com terror, Sem Saída brinca com as nossas sensações, criando um ambiente pesado e desconfortável. Elogiadíssimo pela crítica, é um uma viagem vertiginosa que você não pode deixar passar.

 

SOB O DOMÍNIO DO MEDO (2011)

095_10

SINOPSE: Depois da morte do pai, Amy decide voltar a morar na sua cidade natal, na costa do Golfo do Mississipi. A ideia seria reformar e anunciar a antiga casa de Amy, enquanto David, seu marido, relaxasse e trabalhasse em seu novo roteiro. No entanto a chegada do sofisticado casal naquela cidadezinha, provoca aqueles tradicionais moradores. E as coisas começam a ficar ainda mais desconcertantes para David, quando Charlie, um ex-namorado de Amy, tenta se aproximar de sua esposa.

COMENTÁRIO: Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs) é a refilmagem do polêmico filme homônimo de 1971, que na época fora criticado pela sua violência explícita, incluindo a cena de um estupro. A obra é baseada na novela The Siege of Trencher’s Farm de Gordon Williams. Esta versão de 2011 é dirigida por Rod Lurie, que escolhe abandonar o excesso de brutalidade da versão anterior, se atentando muito mais na crescente paranoia e tensão. Subestimado, Sob o Domínio do Medo (2011), é um filmaço que dá vontade de atravessar a tela da televisão, e dar uns tabefes nos vilões.

 

GAROTA EXEMPLAR (2014)

095_11

SINOPSE: No dia do seu quinto aniversário de casamento, Amy desaparece sem deixar qualquer vestígio, e aquela que parecia ser uma união feliz, começa a desmoronar. Nick, seu marido, passa a ser o principal suspeito, e com a ajuda de sua irmã, tenta provar a sua inocência. Paralelamente às acusações, ele investiga por conta própria o que realmente poderia ter acontecido com sua esposa.

COMENTÁRIO: Garota Exemplar (Gone Girl) é dirigido por David Fincher e escrito por Gillian Flynn, se baseado em seu próprio romance. Em eu lançamento o filme foi muito bem recebido pela crítica, sendo elogiado pelo roteiro, direção, atuações, trilha sonora e todo o seu conceito de cinematografia. Sucesso dos cinemas, Garota Exemplar custou 61 milhões de dólares, e faturou mais de de 368 milhões. Este é um filme ambicioso do começo ao fim, e que vai te fazer ficar agoniado até o último minuto. Se prepare, pois seu final é surpreendente!

 

CORRA! (2017)

095_12

SINOPSE: Chris é um jovem negro que está bastante receoso de conhecer a família de sua namorada, Rose, que é caucasiana. Chegando a casa dos pais da moça, ele fica um pouco incomodado com um carinho tão excessivo, que acaba por transparecer uma total artificialidade, e essa impressão não é apenas a de um adulto que sofreu toda a vida com o preconceito. Havia algo de muito errado com aquela família.

COMENTÁRIO: Corra! (Get Out) é escrito e dirigido pelo estreante cineasta Jordan Peele, que se projetou para o mundo como um visionário dos tempos modernos quando o assunto é subversão no gênero suspense. A obra traz uma injustiça que deveria ter sido a muito tempo abolida, mas que devido a ignorância da sociedade, insiste em ficar, o racismo. Peele é genial, e consegue exigir respeito por sua pauta sem precisar abrir mão do humor negro (perdoe o trocadilho) nas interações entre seus personagens centrais, que na maioria das vezes também são negros. Não há muito o que se falar de Corra!, é filme que você precisa correr para assistir e depois voltar correndo aqui para dizer o que achou!

Barra Divisória

assinatura_dan

 

 

OS MELHORES FILMES SOBRE ALIENÍGENAS

093_00

CONTATOS IMEDIATOS DE TERCEIRO GRAU (1977)

093_03

SINOPSE: No meio de uma tempestade de areia no deserto californiano, vários aviões considerados desaparecidos desde a Segunda Guerra, reaparecem intactos sem nenhuma explicação. Sendo a única testemunha, um mexicano que dizia que o Sol saiu de noite, e cantou para ele. Os estranho eventos e aparição de luzes cantes no céu continuou a suceder. Roy Neary, um pai de família comum e técnido de uma companhia elétrica, acaba tendo um encontro com um disco voador numa rodovia completamente deserta. Enquanto em outro ponto, Jillian Guiller, tem seu filho Barry de apenas três anos abduzido pelos seres do espaço. Então Roy Jillian começam focam na beira da loucura tentando entender a real intenção daquelas criaturas.

COMENTÁRIOS: Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind) é um filme do genial Steven Spielberg, e é sem dúvidas um dos filmes hollywoodianos mais importantes do gênero. A obra de ficção científica tem uma trama inspiradíssima, na qual ficamos até o fim sem ter certeza da verdadeira intenção daqueles seres alienígenas.

 

INTRUDERS (1992)

093_11

SINOPSE: Uma competente psiquiatra de um hospital de Los Angeles pesquisa os problemas de duas de suas pacientes, e acaba sendo inserida num complexo universo relacionado ao fenômeno OVNI.

COMENTÁRIOS: Intruders se baseia no best-seller de Budd Hopkins, e resgata centenas de casos de histórias verídicas, vividas por pessoas que passaram por experiências extraterrestres. Um filme surpreendente para todos os apaixonados pelo gênero, colocando o espectador em contato com vasta documentação e evidências físicas comprovadas.

 

FOGO NO CÉU (1993)

093_02

SINOPSE: Em 1975 um grupo de amigos trabalham como lenhadores no Arizona, e no retorno para casa avistam uma estranha luz vindo da mata. Intrigados eles se aproximam para ver melhor do que aquilo se tratava. Quando Travis Walton decide sair do carro, contrariando os avisos do amigo. Como se estivesse hipnotizado ele se aproxima daquela enorme luz que os pairava, e é suspenso no ar fazendo com que todos se assustassem. Fugindo em pânico daquela situação, os amigos deixam Travis para trás, mas retornam e não o encontram mais. Ainda mais assustados eles fogem do local, e procuram as autoridades, que duvidam de toda a história.

COMENTÁRIOS: Fogo no Céu (Fire in the Sky) é baseado no caso real de abdução de Travis Walton, e teve grande repercussão nos Estados Unidos em 1975. O caso de Walton recebeu bastante atenção da mídia, sendo um dos mais conhecidos casos de alegação de abdução alienígena. O filme é verdadeiramente bom como um drama de suspense, quanto documentação para os interessados em ufologia.

 

A INVASÃO (1996)

093_05

SINOPSE: Zane Zaminsky é um radioastrônomo entusiasta na busca por sinais vindos do espaço, e descobre uma emissão interestelar estranha vinda de um ponto 14 anos luz no espaço. Zane então entrega o registro da descoberta para seu chefe no Laboratório de Propulsão da NASA, e logo após é demitido com o pretexto de cortes no orçamento. Agora num novo emprego como operador de antena, descobre um forte sinal vindo do México, e intrigado decide investigar por conta prória. Lá ele encontra Ilana Green, uma climatologista que também fez estranhas descobertas, e acabam se envolendo numa perigosa conspiração.

COMENTÁRIOS: A Invação (The Arrival) é um filme que em seu lançamento teve um ótimo desempenho, mas hoje pouco é lembrado. Isso inclui até mesmo as que são fãs de ficção científica. Sua trama envolvente traz tensão do começo ao fim, e é sem dúvida ums dos melhores trabalhos de Charlie Sheen fora da comédia. Empolgante e divertido, traz um final surpreendente!

 

CONTATO (1997)

093_06

SINOPSE: Desde criança Ellie Arroway sempre foi apaixonada pela busca de vidas fora da Terra. Dedicada a sua pesquisa, beira a obsessão quando ao captar uma mensagem extraterrestre detalhando a montagem de uma desconhecida máquina, faz questão de ser a voluntária para o inseguro teste.

COMENTÁRIOS: Contato (Contact) é um filme baseado no romance homônimo de Carl Sagan, e conta com detalhes como costuma ser a rotina de uma pessoa que busca por sinais de rádio vindos do espaço. Dirigido por Robert Zemeckis, é junto com Contatos Imediatos do Terceiro Grau, um das melhores e mais importantes obras do gênero.

 

ESTRANHAS CRIATURAS (1998)

093_10

SINOPSE: A festividade da noite de Ação de Graças é interrompida por um aparente bleacute, e os irmãos McPherson saem na noite com uma câmera na mão para investigar o que pode ter sido o motivo. Para o azar deles acabam encontrando uma resposta nada convencional.

COMENTÁRIOS: Estranhas Criaturas (Alien Abduction: Incident in Lake County) é um filme independente que oficialmente nunca chegou no Brasil. Esta produção se enquadra como um ‘found footage’, o mesmo conceito proposto por A Bruxa de Blair (1999), onde supostamente é encontrado uma gravação amadora de um evento misterioso. Aparentemente descartável para muita gente devido a sua estética, Estranhas Criaturas é na verdade excelente para convencer os amigos de que é tudo real e se divertir.

 

SINAIS (2002)

093_01

SINOPSE: Graham Hess é um viúvo que mora com seus filhos, Morgan e Bo, e com seu irmão Merrill, no condado de Bucks, na Pensilvânia. Antes ele costumava ser o pastor da região, mas após a morte de sua esposa, se tornou uma pessoa ressentida e não gosta mais de ser chamado assim. Colleen morreu atropelada por Ray Reddy, um vizinho que dirigia alcoolizado. A família começa a ficar bastante assustada com misteriosos desenhos geométricos que começam a surgir em sua plantação sem o menor vestígio de terem sido feitos.

COMENTÁRIOS: Sinais (Signs) é um filme de ficção com a temática extraterrestre e um dos melhores de M. Night Shyamalan, também diretor de O Sexto Sentido (1999). Embora seja uma ficção, sua pegada dramática é tem uma atmosfera cheia de tensão e realismo.

O SEGREDO DO CÉU (2007)

093_09

SINOPSE: Cinco amigos saem em numa longa viagem à bordo de micro-ônibus, quando no cair da noite avistam no céu uma curiosa formação de luzes que se movem velozmente. Após o evento um pequeno acidente com o veículo obriga que eles parem na beira da estrada, e inicia-se um assustador encontro com criaturas alienígenas.

COMENTÁRIOS: O Segredo do Céu (Night Skies) usa como palco o maior avistamento em massa da história da ufologia, quando em 1997 uma série de luzes pôde ser vista por milhares de pessoas no Arizona. O caso ficou conhecido mundialmente como Luzes de Phoenix, e embora o caso seja um fato real, os eventos do longa são total ficção, no qual se mistura suspense e terror, conseguindo um excelente resultado, tanto para quem se interessa pelo assunto ou apenas quer se divertir.

 

CONTATOS DE 4º GRAU (2009)

093_12

SINOPSE: Várias pessoas começam a desaparecer numa pequena cidade do Alasca, e isso atrai atenção de um estudioso que acaba misteriosamente assassinado após ter se envolvido em investigar. Depois da morte do marido, Abigail Tyler, psicóloga, decidi dar continuidade aos estudos do marido, observando filmagens de sessões  que evidenciavam casos de possíveis abduções alienígenas. Sua própria vida começa a ficar conturbada, quando toda noite acorda repentinamente no mesmo horário, e a única coisa que sempre recorda é de estranha coruja na janela.

COMENTÁRIOS: Contatos de 4º Grau (The 4th Kind) é um filme de ficção científica que enganou muita gente ao se passar como baseado em fatos reais. Intrigante e realmente muito assustador, ele cria a falsa verdade para atrair maior público e dar ainda mais tensão para sua história contada. Mas engana-se quem acha que o fato de terem usado deste artifício faz deste um filme ruim. Muito pelo contrário, Contatos de 4º Grau é uma obra excelente e que deve ser vista!

 

AREA Q (2012)

093_08

SINOPSE: Thomas Matthews é um jornalista norte americano que após o desaparecimento de seu filho decide aceitar uma pauta bastante incomum de pesquisa, e viaja para o Brasil, mais precisamente a cidade de Quixadá, no sertão cearense. Seu objeto de estudo são os misteriosos fenômenos ufológicos que vem ocorrendo na cidade, então ele parte numa sequência de entrevistas aos moradores para montar um cenário de entendimento.

COMENTÁRIOS: Área Q (Area Q) se inspira e usa como plano de fundo o famoso Caso Barroso, que teria ocorrido em 1976, onde um homem relatou ter sido contactado, e após isso começou a sofrer severas debilitações na saúde até a sua morte. Sua produção é de baixíssimo orçamento, mas obrigatório para quem se interessa pelo assunto ufologia.

 

OS ESCOLHIDOS (2013)

093_07

SINOPSE: A família Barrett é normal e rotineira como qualquer outra, mas passa a ser conturbada quando sinistros fenômenos sobrenaturais começam a acontecer. Lacy, a mãe, decide partir numa busca incansável por explicações para esses assustadores eventos que envolve todos os familiares. O que ela irá descobrir não vai ser nada bom.

COMENTÁRIOS: Os Escolhidos (Dark Skies) é filme de ficção científica com ares de terror e suspense bastante atrativo. Seu clima enigmático colabora muito para que criemos a expectativa ansiosas por um entendimento e resolução da trama.

 

A CHEGADA (2016)

093_04

SINOPSE: Sistematicamente várias naves extraterrestres chegam na Terra e estacionam em diversas cidades do mundo, e com auxílio das Forças Armadas, a Dra. Louise Banks tenta se comunicar para tentar descobrir suas reais intenções.

COMENTÁRIOS: A Chegada (Arrival) é um filme de ficção científica bastante original, que traz o assunto linguística como pauta. Seu clima não é de ação ou aventura, mas sim de um tenso quebra-cabeças para entender uma língua completamente diferente das conhecidas pela humanidade. Decifrar a mensagem é crucial para saber se o planeta está ou não correndo algum risco.

Barra Divisória

assinatura_dan

BAAHUBALI: O INÍCIO (CRÍTICA)

092_00

SINOPSE
Ao pé de uma gigantesca queda d’água, uma mulher bastante machucada e com uma flecha fincada nas costas, foge com um bebê de dois cruéis soldados. Acaba encurralada nas margens de um rio, sendo obrigada a lutar, e mesmo segurando uma criança, usa apenas uma das mãos para derrota-los facilmente, revelando ser uma hábil guerreira. Tentando seguir em frente, ela cai na água devido a exaustão, conseguindo apenas segurar num galho para não ser carregada pela violenta corredeira. Roga à Shiva por redenção de seus pecados. Pedindo que tomasse sua vida em troca da salvação daquele menino. Coloca-o acima de sua cabeça com o braço erguido, proferindo que ele deve viver para ascender ao trono de Mahishmathi e libertar seu povo. Mahendra Baahubali deve viver! Em sacrifício a mulher submerge, enquanto seus braços permanecem esticados até que o dia amanheça e o bebê seja salvo por membros de uma comunidade próxima.

092_01

Adotado por uma mãe amorosa, ela sempre temeu pelos perigos de sua origem, porém o jovem menino era muito questionador. Mesmo que ela dissesse que ao topo da enorme cachoeira haviam demônios e monstros, ele teimava em querer subir para ver com os próprios olhos, e quando ninguém estava por perto, tentava incansavelmente a escalada. A criança se tornou um belo jovem, e o jovem se tornou um confiante e imponente homem. Sua mãe pedia por Shiva à Shiva, sim, aquele pequeno e frágil bebê recebera o nome de um Deus, Shiva, O Destruidor e Regenerador. Aquele que traz o bem e dá a Vida. Clamando para que o filho deixasse de tentar escalar aquelas enormes paredes, era guiada por Sage, o sábio da vila, a despejar inúmeros baldes de água sob uma pedra que simbolizava Shiva, um Lingam. Então Shiva, o filho, vendo sua mãe se esforçar tanto por suas crenças, quebra todos os paradigmas ao decidir remover aquele pesado monumento do lugar. Todos observavam o que seria um ato de blasfêmia, e relutam crer quando com uma força sobrenatural ele arranca do chão e levanta aquele símbolo sob os ombros. Shiva carrega o lingam enquanto todos os seguem com semblante de estarem assistindo o inacreditável. Inabalável e como se aquele peso não fosse nada, caminha pela cachoeira andando nas pontas dos pés, até repousar o emblema diretamente abaixo da queda d’água, onde Shiva poderia receber banho incessantemente. Toda a comunidade, e até sua mãe, ficaram orgulhosos em confiar que agora as bênçãos à todos seriam inesgotáveis.

092_02

Uma máscara então cai da cachoeira, do lugar proibido onde Shiva não deveria ir. Agora, mais tentado do que nunca, é guiado e incentivado pela ilusão de uma belíssima mulher. Ele escala, inspirado por deuses. Cai novamente e volta a se levantar, várias vezes. Mas persistente e incansável, ele chega ao topo. Shiva vislumbra a mesma mulher de seu sonho acordado, só que agora ela foge de uma horda de sanguinários soldados por meio uma floresta escura e sombria. Acompanhando para tentar entender a situação, quase interfere, quando de repente ela se junta a outros guerreiros e derrota aquele pequeno exército. Continuando a se mover nas sombras ele mantém investigação, até que o grupo se reúne numa caverna, onde planejavam um novo ataque para libertar uma tal de Devasena. Então todos colocam máscaras como aquela que ele encontrou. Shiva estava em meio à uma revolução. E mal sabia ele que seu destino era de suma importância para a vida daquelas pessoas. Baahubali!

092_03

COMENTÁRIOS
Não sou grande fã de filmes como Ben-Hur (1959), Tróia (2004), ou mesmo os com mais fantasia como a franquia O Senhor dos Anéis. Assisto e gosto sim, mas não sou do tipo que vira fã e precisa ver mais do que uma vez. No entanto acabei seduzido por essa obra do gênero sem nem perceber. Baahubali: O Início é um épico indiano que mistura elementos do hinduísmo com mitologias de outras culturas, e cria uma aventura sem precedentes para o cinema. A fascinante história criada por K. V. Vijayendra Prasad, conta a aventura de Shiva, uma criança que sobrevive graças ao sacrifício de uma mulher, e que sente dentro de si uma predestinação incontrolável. Contar detalhes sobre a trama é estragar as surpresas, e essa é um conto que tem muitas delas.

092_04

Baahubali: O Início não é um filme perfeito, ele passa longe disso. A produção indiana acerta em muitas coisas, a começar pelo seu roteiro, mas falha um pouco nos aspectos técnicos visuais. Eu não sei precisar a razão, talvez seja devido ao orçamento não ser tão alto quanto a de produções ocidentais, o estúdio não ser competente, ou mesmo por prazos apertados, mas as cenas em computação gráfica em vários momentos são terríveis! Dão a aparência de videogame! Chegando a incomodar em tomadas com animais renderizados. Mas quando acertam a mão, o resultado é fabuloso! A cena com a cachoeira no começo do filme são de cair o queixo! Sim, aquilo tudo é feito em fundo verde! Essa inconstância no uso de CG que pecou um pouco, fazendo o filme não ser digno de uma nota 10. Porém são tantas as outras coisas maravilhosas no longa, que essas deficiências são completamente esquecidas.

092_05

Os filmes indianos costumam ter peculiaridades bem interessantes, sendo uma delas as tradicionais dancinhas com a galera reunida. E em Baahubali: O Início isso não é diferente. O épico é recheado de momentos musicais cheios de charme e estilo, criando ainda mais a atmosfera carnavalesca que não se envergonha em momento algum de se esforçar para mostrar. Eu realmente não entendo o preconceito de algumas pessoas em criticarem tradições e formas de artes estrangeiras, afinal, não precisamos compreender os motivos delas serem como são, mas apenas ver o esforço dedicado em criar essas emoções e sensações, já é razão de sobra para respeitarmos a paixão com que expressam sua cultura. Recebo esses momentos musicais dos filmes como se visse uma produção da Disney, não ofende, não estraga, e é um elemento extra para ser apreciado.

092_06

EXPLICAÇÕES COM SPOILERS
Após Shiva retornar para Mahishmathi para libertar sua mãe, que havia sido presa por vinte e cinco anos após a traição de Bijjaiadeva contra a Rainha Sivagami, ele ainda precisava entender sua origem, então Kattappa, o fiel protetor da realeza, lhe conta como chegaram naquele determinado momento. Bhallaladeva era filho legítimo de Sivagami com Bijjaiadeva, este último, irmão do Rei Maharaja Vikramadeva, fundador de Mahishmathi. Bijjaiadeva não foi coroado devido a sua natureza injusta, mas ele culpou apenas a deficiência de sua atrofia em um dos braços como o verdadeiro motivo, o que lhe causou um grande rancor. Maharaja Vikramadeva morreu quando sua esposa, a Rainha Devasena, estava grávida de seis meses. Davasena passou os próximos três meses chorando, e Sivagami, a cunhada do rei, tomou as rédeas do reino. Ela então destinou que as duas crianças deveriam ser criadas como irmãos, se preparando como princípes para que um dia pudessem provar quem teria a honra e sabedoria de liderar Mahishmathi. Os irmãos cresceram e se tornaram poderosos guerreiros, e numa provação final, deveriam liderar a defesa do reino contra um gigantesco ataque. Aquele que eliminasse o líder dos inimigos, provaria o seu valor, e seria condecorado com rei através da palavra final de Sivagami. Durante as negociações com o exército hostil, a rainha teve sua honra manchada pelo discurso sujo do chefe inimigo, Kalakeya e, exigiu na cólera do momento, que o queria morto, mas sofrendo lentamente. Beirando o fim da batalha, Baahubali capturou e subjugou o líder dos algozes, arrastando-o ferozmente respeitando o pedido de sua mãe. No entanto Bhallaladeva, num ato de desespero por provação, mata Kalakeya, e Baahubali sendo leal ao irmão, demonstra que aquilo não é um problema para ele.

092_07

Terminada aquela guerra, Sivagami proclama: Bhallaladeva como Comandante das Forças Armadas de Mahishmathi, e Baahubali como o novo Rei. Os méritos para ser um rei, não é quantas pessoas se é capaz de matar, mas sim quantas é capaz de salvar, palavras de Sivagami em resposta aos protestos de inconformação de Bijjaiadeva quanto a sua decisão. Se você for capaz de matar muitas pessoas, você será considerado um grande guerreiro, mas se você salvar uma única pessoa, você será considerado um Deus. Essa é a palavra de Sivagami, e a palavra da Rainha é Lei. E Shiva, quem era ele? Shiva era Filho de Shivudu Baahubali, Aquele Fiel que fora traído por seu amigo e mentor, Kattappa.

092_08

EXPLICAÇÃO DA FILOSOFIA (COM SPOILERS)
Deixo claro que esta é uma obra tão bonita e rica que merece ter aberta suas várias interpretações, e esta é humildemente a minha. Utilizando de pelo menos duas mitologias, que identifiquei, K. V. Vijayendra Prasad criou um épico que traz o conceito comum à várias culturas e seus personagens de cultos, onde Shiva faz parte de uma Trindade chamada Trimûrti. Segundo a doutrina hindu Ela seria formada por Brahma, o Deus da Criação, Vishnu, o Deus da Preservação, e Shiva, o Deus da Regeneração e Destruição, o que se comparado à Santíssima Trindade do catolicismo, Brahma seria o Pai, Vishnu o Filho, e Shiva, o Espírito Santo.

092_09

“Shiva é Filho do Salvador, Amarendra Baahubali. O Bálsamo de Devasena que profetizara inabalavelmente pelo Seu retorno. O fruto do Sacrifício Final da Rainha Mãe Sivagami.” Como previsto por Sivagami, Shiva ascendeu e retornou por Mahishmathi, regenerando para um novo ciclo que mais tarde se contaminará e precisará ser destruído novamente. Em momentos diferentes do filme ele traz um bindi diferente na testa, a pequena pintura vermelha feita com vermilion (sulfato de mercúrio vermelho brilhante finamente pulverizado). Por vezes é o símbolo de uma lua crescente, que representa a evolução, as mudanças de paradigmas, o abandono da letargia para buscar mais um renovado conceito de um ciclo infinito. Por outras vezes o desenho é de uma naja, a mais poderosa das serpentes. Significa que Shiva dominou a morte e tornou-se imortal.

092_10

Um personagem importantíssimo é Kattappa, escudeiro da família real, aquele que fizera a promessa a Maharaja Vikramadeva de cuidar de sua sucessão. Este é um dos personagens mais complexos e essenciais para o entendimento da filosofia por trás do ciclo de Regeneração e Destruição. Assim como Judas Iscariotes do cristianismo, fora escolhido para ser aquele que carregaria o fardo de levar a culpa pela morte do Filho do Homem, Vishnu, simbolizado por Maharaja Vikramadeva, pai de Shiva. Seu bindi na testa representa o de um escravo, corroborando com a ideia daquele portador do peso da Providência. Fechando com este, o conceito do catolicismo, a última e segunda linha inspiracional utilizada pelo genial K. V. Vijayendra Prasad.

092_11

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Prabhas, Rana Daggubati, Anushka Shetty, Tamannaah, Ramya Krishna, Sathyaraj, Nassar, S. S. Rajamouli, Rohini, Meka Ramakrishna, Tanikella Bharani, Adivi Sesh, Prabhakar, Sudeep, Nora Fatehi e Scarlett Mellish Wilson compõem o elenco. Criação de K. V. Vijayendra Prasad, Baahubali: O Início, teve seu roteiro compartilhado com o também diretor e ator do longa S. S. Rajamouli. A superprodução indiana de 2015 é produzida por Shobu Yarlagadda e Prasad Devineni, utilizando os estúdios da Arka Media Works. M.M. Keeravaani é um consagrado compositor indiano, e é o responsável pela belíssima trilha sonora. Seu orçamento foi de 28 milhões de dólares (₹1.8 bilhões), e teve um faturamento de 101 milhões (₹6.5 bilhões). O épico indiano de S. S. Rajamouli, é a primeira parte de uma duologia.

CONCLUSÃO
Baahubali: O Início é uma viagem à um mundo de fantasia onde precisamos nos desatar dos nossos conceitos e aceitar as metáforas como elas são. Se nos ocuparmos julgando seus elementos conceituais nos baseando em nossa cultura ocidental, não iremos apreciar absolutamente nada nesta aventura. Não é um filme feito para te fazer pensar, é uma filme para te fazer sentir e se inspirar. É uma obra que transborda princípios morais sem te fazer entrar numa paranoia política infrutífera. Sua beleza está na estética visual e simbólica de contar a aventura de um homem na sua busca por justiça e libertação. Particularmente julgo este ser um filme obrigatório para qualquer cinéfilo que queira ser levado à sério. Baahubali: O Início funciona sozinho, mas na verdade é a primeira parte de uma duologia. Sua classificação etária é de 16 anos, mas pode tranquilamente ser assistido por uma criança por volta dos 12 na companhia de um responsável. Tenha um excelente filme!

Barra Divisória

assinatura_dan

FRATURA – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

088_00

SINOPSE
Ray procura dirigir com extremo cuidado quando está com sua família no carro, e isso irrita Joanne, pois sempre faz com que atrasem nas reuniões familiares. O casamento entre os dois não vai bem, ela acha que os dois estão cada vez mais afastados e que não há diálogo na relação. Ray se sente pressionado, mas admite que talvez esteja realmente numa fase ruim, mas que irá se esforçar mais. Enquanto isso Peri, uma pequena menina no banco traseiro, estava com fone distraída ouvindo música em seu radinho, quando reclama com os pais que o aparelho parou de funcionar. Acreditando ser faltas de pilhas, o pai decide parar num posto de beira de estrada. Joanne vai ao banheiro, e Peri fica com o pai. Num momento de distração, um cachorro aparece, e Peri muito assustada, começa a se afastar lentamente andando de costas, sem perceber que atrás havia um buraco de uma área em construção. Ray ainda tenta acalmar a filha e impedir que o pior aconteça, mas a menina cai com o pai também se jogando para tentar ajudar.

088_01

Joanne volta do banheiro e não encontra os dois, então procura ao redor e os vê caídos no fundo daquele poço. Ray desmaiou após bater a cabeça no concreto, e acorda atordoado, se esforçando para recobrar a visão e consciência. De pé novamente, verifica que a filha parece bem, mas sentindo uma forte dor no braço. Toma-a no colo, e voltam depressa para estrada, lembrando que poucos quilômetros atrás tinham passado por um hospital. Ray dá entrada para o atendimento da filha e, há um pouco de desentendimento por conta da demora, mas finalmente Peri é atendida. É pedido ao pai que aguarde um pouco, porém horas se passam e ele estranha a demora. Retorna à recepção para entender o motivo de tanta demora, e lhe é contado que nenhuma criança com aquele nome havia dado entrado para atendimento. Não acreditando no que acabara de ouvir, passa a desconfiar que aquele hospital tivesse feito algo com a sua família.

088_02

COMENTÁRIOS
Filmão! É sensacional quando aparece uma pérola tão valiosa assim e sabemos que custou tão barato. Fratura (Fractured) é um filme que consegue explorar de forma muito criativa, umas mil maneiras de subverter segundo à segundo nosso julgamento da narrativa. Utilizando de um conta gotas para soltar informações, vamos precisando de unhas e mais unhas alheias para ter o que roer enquanto não descobrimos a real verdade verdadeira. Está rindo? Você não riria se já tivesse assistido. Escrito por Alan B. McElroy, é Brad Anderson, responsável por O Operário (2004), que dirige e consegue criar essa atmosfera intrincada de mistério. Em Fratura não tem calmaria, nosso cérebro fica numa constante caótica se esforçando para não ser enganado. É Sam Worthington, o Perseu de Fúria de Titãs (2010), que se supera e entrega, na minha opinião, a melhor atuação de sua carreira. Sua atuação esbanja personalidade e convencimento, transformando-se no principal ingrediente desta magnífica receita.  Se gosta de ter sua sagacidade desafiada por complexos mistérios, cai dentro, Fratura é o filme perfeito para você! É ver para crer!

088_03

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sam Worthington, Lily Rabe, Stephen Tobolowsky, Adjoa Andoh, Stephanie Sy, Lucy Capri, Lauren Cochrane, Crystal Magian, Derek James Trapp, Dennis Scullard, Natalie Malaika, Will Woytowich, Erik Athavale, Megan Best, Chris Sigurdson e Ernesto Griffith compõem o elenco. Escrito por Alan B. McElroy, Fratura, filme original da Netflix de 2019, é dirigido por Brad Anderson. A produção de Neal Edelstein, Mike Macari e Paul Schiff, se dá pelas produtoras Koji Productions, Crow Island Films, Macari/Edelstein e Paul Schiff Productions.

CONCLUSÃO
De um tempo pra cá a Netflix vem trazendo produções bem melhores que as bombas que estava soltando um tempo atrás, e Fratura não é só um filme honesto para o catálogo, é definitivamente excelente! O drama e suspense é repleto de quebra-cabeças para nos distrair do começo ao fim, não há descanso, ficamos tão compenetrados na trama que nem notamos quando acaba. Esse é um trabalho em trio, do roteirista Alan B. McElroy, do diretor Brad Anderson e de Sam Worthington, que deu uma enorme qualidade para um personagem complicadíssimo. Assistir Fratura me fez ter um sentimento nostálgico da época em que o Supercine da Globo só passava coisa realmente boa. Geralmente não eram superproduções, mas tinham roteiros bacanas e com uma com uma ótima história cheia de mistérios para contar. Com classificação etária de 14 anos, Fratura está disponível no serviço por assinatura Netflix.

Barra Divisória

assinatura_dan

ELI – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

085_00

SINOPSE
Eli é um menino de 11 anos portador de uma doença autoimune que o leva a ter uma vida difícil, precisando sempre se manter em locais hermeticamente descontaminados para continuar a viver. Toda vez que se expõe, sua pele apresenta uma vermelhidão alérgica, machucando-o como uma grave queimadura. Seus pais, Paul e Rose, descobrem uma clínica que oferece um procedimento experimental, e investem todas suas economias para poder dar uma vida melhor ao filho. O local é uma enorme mansão isolada numa distante região rural, um imóvel enorme e inteiramente protegido dos contaminantes do exterior. Lá a criança é submetida a dolorosos procedimentos médicos, enquanto paralelamente a isso, uma série de fenômenos sobrenaturais começam a acontecer, e se tornando cada vez mais bizarro, Eli começa a questionar se realmente pode confiar  naquelas pessoas.

087_01

COMENTÁRIOS
Enquanto em Jimmy Bolha (2001), Jake Gyllenhaal traz uma visão otimista e divertida das complicações de ser uma criança que precisa viver dentro de uma bolha, em Eli (2019), as coisas não são tão simples e positivas assim. Eli é um menino bastante inteligente que compreende sua própria situação, mas mesmo assim sofre demais com suas limitações. Como uma criança normal, ele gostaria de poder sair de casa para aproveitar as coisas simples sem se preocupar, e o fato de não poder fazer isso, lhe gera muita angústia. Não bastando as dificuldades que lhe atormentavam a vida, ainda sofre com a falta de empatia daqueles que o veem com estranheza devido ao curioso traje plástico que precisa vestir quando está fora de casa. O sadismo e deboche dos outros tiram-no do sério, fazendo com que precise ser acalmado pelos pais, de quem é totalmente dependente para tudo.

087_02

Eli tem uma atmosfera pesada e instigante, começando tímido, vai moldando ambientes e plantando cada vez mais confusão na audiência. Elementos aparentemente desconexos são gradualmente inseridos, e causam cada vez mais estranheza. A trama que se inicia como um drama, toma rumos no suspense e no terror, e até o último minuto sustenta mistérios inimagináveis. Seu roteiro é bastante criativo, e junto com Fratura (2019), lançado quase simultaneamente, ambos pela Netflix, conseguem convencer numa trama extremamente bem escrita. Esse é daquele filmes que é muito perigoso fazer comentários acerca de seu decorrer, mas o que ainda dá para ser dito, é que em certos momentos aparenta que estamos assistindo apenas mais um filme de terror bobo e cheio de jogos de iluminação e jump scares, e de certa forma ele parece não ocultar querer parecer ser isso. Não seja ingênuo, aqui temos um diretor perspicaz e experiente em filmes de terror com mistério, esta é uma obra que vai te surpreender bem mais do que imagina. Digo isso assumindo ser um cara chato e exigente com filmes de terror, quando a coisa não tem conteúdo e é só baboseira, já sento o malho sem pena. Deixo um alerta, não recomendo procurar muita coisa sobre este filme na internet, sejam críticas, material promocionais, e nem mesmo imagens em sites de buscas, acredite, o potencial é enorme de você estragar sua experiência com spoilers não intencionais.

087_03

Charlie Shotwell está excelente interpretando Eli, onde atua com muita naturalidade, conseguindo convencer em momentos de medo, dúvida ou raiva. Já Sadie Sink, a menina ruiva de Stranger Things, é mais do mesmo, e não traz grandes feitos. Kelly Reilly e Max Martini, os pais de Eli, fazem uma boa atuação, assim como a chefe médica Lili Taylor. A direção de Ciarán Foy é inteligentíssima, o cara realmente sabe induzir com que pense exatamente o que ele quer. Você vai ter certeza de que está confortável com uma ideia, e como um um guindaste de demolição, o roteiro faz desabar todas suas convicções quando você menos imaginar.

087_04

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Kelly Reilly, Sadie Sink, Lili Taylor, Max Martini, Charlie Shotwell, Deneen Tyler, Katia Gomez, Austin Fox, Kailia Posey, Parker Lovein, Lou Beatty Jr., Jared Bankens, Nathaniel Woolsey e Mitchell De Rubira compõem o elenco. Escrito por David Chirchirillo, Ian Goldberg e Richard Naing, Eli é um filme de drama e terror de 2019 dirigido pelo experiente Ciarán Foy, responsável também por A Entidade (2012) e Citadel (2012). A produção é dividida com Trevor Macy e John Zaozirny, utilizando os estúdios produtores Paramount Players, MTV Films, Intrepid Pictures e Bellevue Productions. Distribuído pela Paramount Pictures, e pela Netflix, o longa teve um orçamento modesto de 11 milhões de dólares. Eli está disponível através do serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Flertando com o drama mas descambando para o terror, Eli lida com seu gênero principal de forma bem peculiar. Não é o tipo de filme que se diz que com segurança ser capaz de agradar qualquer público, seu formato, e principalmente sua conclusão, tem potencial enorme de trazer desconforto à algumas pessoas. Seu roteiro inteligente e seus plot twists, são seus principais atrativos, mas não se pode afirmar que seu desfecho seja surpreendente. Como disse antes, eu sou uma pessoa exigente com filmes desse gênero, e esse acertou em cheio para mim! Mas como gosto é algo muito pessoal, recomendo muito que você assista e tire as próprias conclusões. Lembrando, a surpresa eu garanto que você terá! Recomendado para maiores de 16 anos, Eli é uma produção original Netflix, e já está disponível. Tenha um ótimo filme!

Barra Divisória

assinatura_dan

SOMBRAS DA VIDA (CRÍTICA)

084_00

SINOPSE
Em meio ao luto da perda, o marido agora em forma espectral e invisível aos ainda encarnados, retorna para casa na intenção de consolar sua esposa. Sendo um mero espectador ele nada pode fazer, apenas assiste o tempo correr indefinidamente. Vaga por lembranças e sensações que persiste em manter de quando vivo ao lado da mulher que tanto amou. O amor, a dor, o rancor, a importância, e até mesmo as lembranças, não passam de efemeridade numa eternidade onde o infinito tempo pesa muito mais que a vontade de se manter existindo.

084_01

COMENTÁRIOS
Fascínio! Esse é o sentimento mais resumido que senti ao assistir uma das obras mais brilhantes e, injustamente pouco divulgadas de 2017. Sombras da Vida (A Ghost Story) consegue dar vida à uma atmosfera densa que impossibilita escaparmos de sua gravidade pesadíssima! São reflexões sobre a significância e do que significou uma jornada de vida. Não importa o que a sua ou minha experiência espiritual, e até mesmo religiosa diga, este é um filme que não intenciona conflitar com nada disso. Mas claro, se você for adepto de crenças onde os vivos desencarnam, terá uma interpretação diferenciada daqueles que não creem, e assistirão apenas como um drama de ficção. Seja como for que você assista, a experiência não deixa de ser profunda e gratificante.

084_02

É incrível como uma boa ideia pesa muito mais que qualquer cifra. Afirmo com toda segurança, a simplicidade do conceito deste filme não precisava mais de um único centavo no orçamento! A princípio eu fiquei até relutante sobre que diabos era isso. Um fantasma com lençol na cabeça? Me parecia uma grande cilada. Superei o literal “pré conceito” e fui dominado pela curiosidade. Ainda dentro dos primeiros minutos recebemos um curso intensivo de nunca julgarmos um livro pela capa, e nem mesmo um fantasma pela sua roupa. Avante filme adentro, acompanhamos aquela alma que não pode ser vista, ouvida, e muito menos tocada, presenciar uma cena de interminável autopunição. Não, não detalharei o que é para não estragar a experiência, mas é lindo como um bom roteiro e uma inteligente direção consegue fazer dos silêncios repletos de vazios a peça central para compreensão de uma intenção. Simplesmente brilhante!

084_03

COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Aprofundando nos conflitos do luto, temos as duas perspectivas, a de quem ainda está vivo, e a de quem já se foi. Por um lado a viúva que sofre com as saudades cotidianas daquela pessoa que sempre esteve presente, e de outro um espírito que reluta em aceitar o término de um ciclo para seguir em frente, seja como for o próximo estágio. Por maior que seja a dor de quem fica, as oportunidade de superação ainda são acessíveis, e diferente de quem só pode assistir, continuar na busca pela felicidade não é apenas uma necessidade, mas também uma natureza da vida humana. Podemos assumir a realidade no tempo que for, ao fim, tempo estará disponível em sua forma infinita, porém apenas como um passageiro a experiência não passa de um martírio que precisa ser cessado a fim de dar término ao sofrimento.

084_04

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Casey Affleck, Rooney Mara, Will Oldham, Sonia Acevedo, Rob Zabrecky, Liz Franke, Grover Coulson, Kenneisha Thompson, Barlow Jacobs, McColm Sephas Jr. e Kesha compõem o elenco. Escrito, dirigido e editado por David Lowery, Sombras da Vida foi produzido por Toby Halbrooks, James M. Johnston e Adam Donaghey. O drama estadunidense foi lançado em janeiro de 2017 no Festival Sundance de Cinema, e em junho do mesmo ano nos cinemas norte americanos. Seu orçamento foi de irrisórios 100 mil dólares, e teve um faturamento de quase 2 milhões.

CONCLUSÃO
Eu desconhecia completamente A Ghost Story, título original, e como conheci o que mais tarde seria batizado no Brasil como Sombras da Vida. Bati o olho em seu pôster e me interroguei sobre que diabos poderia ser isso. Então decidi ignorar completamente a aparência, que por sinal é até bacana depois que você assiste e compreende o conceito, e me dei a oportunidade de descobrir. Maravilhoso! Esse é um dos filmes mais marcantes que levo comigo, e um dos melhores de 2017. A premissa pode até lembrar o filme Ghost: Do Outro Lado da Vida de 1990, mas sua narrativa passa longe de uma história de amor de um casal apaixonado. Sombras da Vida é uma poesia mostrando nossa efemeridade em vista o infinito tempo. Recomendo demais! Sua classificação etária é de doze anos. Tenha um bom filme!

Barra Divisória

assinatura_dan

OS DOZE MACACOS (CRÍTICA)

083_00

SINOPSE
No ano de 2035 a população humana abandonou a superfície e passou a viver no subsolo para fugir de uma poderosa epidemia. Agora com os avanços da tecnologia é possível fazer viagens no tempo, e para isso, prisioneiros são treinados para cumprir missões de campo, na troca de redução da pena e outras vantagens. Os presos se submetem a cumprir tarefas para uma cúpula de cientistas e, James Cole é incumbido de uma missão primordial, voltar até 1996 para investigar o grupo terrorista, Os Doze Macacos, e conseguir uma amostra do vírus. Acidentalmente James vai para no ano errado, em 1990, e acaba sendo capturado pela polícia local. Dado como louco por suas alegações, ele é levado para um sanatório, onde conhece Jeffrey Goines, um jovem completamente fora de órbita, que o fará se questionar de sua própria sanidade.

083_01

COMENTÁRIOS
Os Doze Macacos é um dos maiores clássicos cult de ficção científica de antes da virada do milênio, e  foi inspirado no curta-metragem francês La Jetée. Explorando viagens no tempo e paradoxos temporais, você é abduzido para dentro de uma trama confusa e cheia de reviravoltas. O mais fascinante neste roteiro fantástico, é que mesmo dando um enorme nó na cabeça, ele consegue fechar em uma conclusão sólida e ao mesmo tempo interrogativa. Ao fim filme chegamos numa questão (não, darei spoilers aqui), algo completamente aceitável, e que não nos deixa com a sensação de ter sido ludibriado por um script que não soube fechar. Muito pelo contrário, todo o texto fora desenvolvido exatamente para sua conclusão. Parece algo bobo? Acredite, a maioria das histórias são feitas sem a previsão de fechamento.

083_02

Assisti ao filme próximo ao seu lançamento, eu devia ter uns doze anos, igual aos macacos, e tenho de assumir, não gostei porque não entendi nada! Daí conhecendo a mística ao redor da obra, decidi rever novamente. E agora sim, com os neurônios, mais ou menos, instalados e organizados na cachola, consegui curti e compreender o que era tão fantástico para esse filme ser lembrado com tanto saudosismo até hoje. Brad Pitt está fenomenal! Incorpora um louco que manicômio nenhum tem estrutura para alojar! Não à toa recebeu o Golden Globe Awards de melhor ator coadjuvante. Bruce Willis também está muito bem ao lado de Madeleine Stowe, mas o que mais ressalta em Os Doze Macacos realmente é seu fascinante roteiro, escrito pelo casal David e Janet Peoples. A direção impecável é feita por Terry Gilliam, um cineasta visionário que trabalhos em filmes como O Pescador de Ilusões, Brazil: O Filme, Medo e Delírio, Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado, e muitos outros.

083_03

COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Já vacinado por filmes e mais filmes de ficção que abordam temas como viagem no tempo e paradoxos, considero Os Doze Macacos um filme de fácil compreensão em sua conclusão, embora toda sua extensão até antes do fim intimide bastante. Mas se você se confundiu um pouquinho em entender como a história finaliza, eu vou tentar te ajudar. James Cole realmente é um prisioneiro do futuro com a função de voltar até 1996 na intenção de pegar uma amostra do vírus. Porém quando ele vai parar em 1990 devido à um erro da viagem, conhece Jeffrey Goines. Enquanto dopado no manicômio, James sem intenção lança a causa de todos os males à mente perturbada de Jeffrey. É o próprio James que sugere a ideia dos Doze Macacos para Jeffrey. Há um hiato de eventos entre o episódio de 1990 e o ano de 1996, quando Jeffrey agora está em sua casa, junto de seu pai, um renomado cientista. Jeffrey então sai do controle, amordaça o pai e decide trazer o caos liberando o vírus. E aí está o pulo do gato. Ao mesmo tempo que cogitamos ser James o culpado em dar a ideia para Jeffrey, também precisamos lembrar de Dr. Peters, assistente de Dr. Leland Goines, pai de Jeffrey, era tão louco quanto Jeffrey. Recobramos isso quando lembramos que no início do filme ele se mostrava obsessivo com Kathryn Railly numa sessão de autógrafos. Dada essa proximidade de Dr. Peters aos trabalhos de Dr. Leland Goines, entende-se que ele paralelamente criou o vírus devido à influência, também louca, de Jeffrey. No fim uma cientista chefe vinda do ano de 2035 volta pessoalmente à 1996 para em definitivo consertar as coisas dentro do voo que Dr. Peters conseguiu embarcar com o vírus, mas ainda ficamos com o paradoxo, Cole foi ou não responsável por influenciar Joffrey? Ele precisou voltar no tempo para impedir algo que ele mesmo causou por voltar no tempo? Confuso? Esse é o paradoxo. E essa dúvida não pode ser respondida, é a cereja do filme. Então desculpe, mas você vai ter de dormir com esse looping infinito.

083_04

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Bruce Willis, Madeleine Stowe, Joseph Melito, Joey Perillo, Brad Pitt, Christopher Plummer, Michael Chance, Vernon Campbell, David Morse, Christopher Meloni, Simon Jones, Bill Raymond, Bob Adrian e H. Michael Walls compõem o elenco. Os Doze Macacos é um filme de ficção científica norte americano de 1995 escrito pela dupla David e Janet Peoples, e foi dirigido por Terry Gilliam. A produção de Charles Roven teve um orçamento de 29.5 milhões de dólares, e uma receita final de 168.8 milhões. O longa recebeu o ASCAP Award, prêmio de maior bilheteria, foi nomeado a dois Óscares, como melhor ator coadjuvante para Brad Pitt, e melhor desing de roupas para Julie Weiss. Brad Pitt foi premiado pelo Golden Globe Awards como melhor performance de um ator coadjuvante.

CONCLUSÃO
Uma obra de arte do cinema lançada em 1995 que certamente serviu de inspiração para filmes como Efeito Borboleta (2004), O Predestinado (2013), No Limite do Amanhã (2014), ou mesmo o suprassumo da maluquice em se tratando de viagens no tempo, Donnie Darko (2001). Os Doze Macacos é um filme antigo que envelheceu muito bem. Tem uma película granulada que entrega logo sua geração, mas que de forma alguma onera em sua qualidade. Na realidade isso é até um charme que foi intencionalmente repetido até pelo atual Coringa (2019). Lição de casa se ainda não conhece essa pérola do cinema: faça sua pipoca, pegue uma bebida não muito forte, porque aí mesmo que você não vai entender nada, e sente-se confortavelmente para a viagem mais louca depois de Donnie Darko! Este filme é recomendado para adultos! Boa sorte!

Barra Divisória

assinatura_dan

EL CAMINO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

081_00

A série Breaking Bad (2008-2013), ao longo dos anos, acumulou timidamente (no início) uma legião de fãs, dentre os quais me incluo. Sendo assim, comentar qualquer derivado da obra de Vince Gilligan é um empreitada delicada.Mas El Camino (2019) não é a única história envolvendo o universo de Jess Pinkman e Walter White. A série Better Caul Saul (desde 2015 e com última temporada confirmada) também explora ainda mais os detalhes dos personagens secundários da história do professor de química que se torna produtor e traficante de metanfetamina (cristal).

Entretanto, ao final de Breaking Bad, fica o gosto amargo da morte de um anti-herói e a fuga desesperada de Jesse, barbudo, lacerado, com lágrima nos olhos depois de ter sido feito de escravo e morado em um buraco no chão. O que acontecera ao rapaz que se envolveu com produção de cristal, primeiro para saciar seu próprio vício, e que, depois, só queria viver, quem sabe, uma vida simples e em família? Nesse sentido El Camino é um fechamento para um dos personagens mais cativantes da série e que rendeu fama a Aaraon Paul.

Jesse precisa fugir de Albuquerque, pois uma grande caçada policial é empreendida atrás do rapaz após uma batida no laboratório de metanfetamina no qual era escravizado. Com a morte do Sr. White, as autoridades precisam por as mãos no último elo solto dessa organização criminosa. Pinkman tem um plano, mas será preciso muito dinheiro para executá-lo. Para isso terá que revirar seu passado e traumas para seguir seu próprio caminho.

081_01

Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Direção: Vince Gilligan
Roteiro: Vince Gilligan
Duração: 2h 2min
Lançamento: 11 de outubro de 2019.

081_02

Elenco: Aaron Paul (Jesse Pinkman), Jesse Plemons (Todd), Jonathan Banks (Mike), Matt Jones (Badger), Charles Baker (Skinny Pete), Robert Foster (Ed).

081_03

O FIM DE EL CAMINO
Vamos começar nossa análise justamente pelo título original:  El Camino: A Breaking Bad Movie. O termo El Camino refere-se à pick-up (caminhonete) da Chevrolet, automóvel clássico da década de 1970. É nele que ao final da série, tendo abandonado Walter White a própria sorte, Jesse acelera para a liberdade. Aqui o duplo sentido é claro: esta é a história do caminho da liberdade de Pinkman para sair de Albuquerque. E as memórias de Jesse relacionadas ao dono do carro, o sociopata Todd, permearão a narrativa do filme.

081_04

O subtítulo, Breaking Bad Movie (um filme de Breaking Bad), pode ser um limitador. É um filme da série e, talvez por isso, tenha sido omitido na forma reduzida para o público brasileiro. Então você pode se perguntar: eu preciso ver a série antes? Sim e não. Por um lado o filme é o universo expandido, uma continuação do último episódio (2013), e, mesmo alguns atores tendo mudado muito como o Jesse Plemons (Todd) que não é mais um jovem e já um pouco gordinho, parece que o tempo parou. Conhecer a série fará com que sua imersão seja completa e entenda todas as referências.  Em contrapartida, o enredo de El Camino é independente e se sustenta, ao longo da trama, esclarecendo pontos da história para aqueles que não assistiram à série. Claro que a Netflix deu aquela mãozinha e deixou um resumo no capricho para quem não saca nada de Breaking Bad.

081_05

Os eventos do filme tem início na fatídica noite em que Walter liberta Jesse da gangue de Todd. Fragilizado e coberto de cicatrizes, sujo e andrajoso, o jovem busca abrigo de seus colegas de vício e tráfico: Badger e Skinny. Nota-se que o psicológico de Jesse está destruído. O presente se mistura as lembranças do cárcere e das torturas.

É em um desse momentos que relembra de Todd, sociopata a citar constantemente seu tio, e que oscila sua conversa branda, com a frieza de seus atos. Toda hora que ele falava, eu tinha vontade de xingá-lo, confesso. Lembra-se de Mike, antigo parceiro de crime, e idealiza uma fuga para o Alasca. Mas como? Precisava de uma vida totalmente nova e para isso, dinheiro. É nesse momento que entra em cena o cara: Ed.

081_06

Ed, vivido por Robert Forster que viera a falecer no mesmo dia da estreia desse longa-metragem, é o grande trunfo de Jesse. Facilitador da fuga de Walter White e do advogado Saul, o vendedor de aspirador de pó (profissão que o ator realmente exerceu) tem um rígido código de conduta e não aceita de cara o trabalho. Pinkman terá que enfrentar seus medos para conseguir o que precisa para fugir e começar de novo, quem sabe fazer faculdade, como lembra em um flashback de uma de suas conversas com o Sr. White.

081_07

Dois pontos, há de se salientar, antes de finalizar esta análise. A fotografia do filme é intensamente quente, como esperamos de Albuquerque. Por vezes é possível sentir a aridez do clima pela tela. Assim como alguns ângulos de câmeras são incríveis como a de Jesse escondido no apartamento de Todd. Ainda em relação a Pinkman, a cena no qual o protagonista brinca com um besouro revela que Jesse ainda tem um alma gentil. Essa parte ecoa a própria série na qual também brincou com um inseto rastejando lentamente no chão e sorriu para ele antes de pousar. Esta é a dualidade da série e aqui nitidamente explícita: Pinkman que tinha tudo para ser mal e viciado e ganancioso, alcança sua redenção ao passo que Walter, íntegro, destruiu sua própria vida.

081_08

UMA PEQUENA PARTICIPAÇÃO
A aventura da fuga de Jesse é permeada caras conhecidas da série original, entre elas está Mike (único personagem que aparece em todas as tramas do universo Breaking Bad) e Jane, grande amor de Pinkman. Mas como todo fã da série, ansiava por alguma participação de Bryan Cranston, revivendo Walter White. E ela acontece em um tocante flashback quando Jesse ainda cuidava de seu antigo professor com uma afeição de filho.

Na cena, em questão, Jesse e Walt ficam em um hotel e conversam em uma lanchonete. Ela é ambientada no episódio 4 Days Out, no qual ambos ficam presos no deserto e quase morrem. No hotel, Jesse está conversando com Jane ao telefone, pois ela ainda está viva durante o período deste episódio. Jesse também faz uma referência a “eletrólitos”, que faz parte do roteiro do episódio no qual os dois quase morrem devido à desidratação.

CONCLUSÃO
Não é dos filmes mais alucinantes de ação, pois nunca foi essa a pegada da série da qual El Camino derivou. Estamos falando de drama e reviravoltas de roteiro como Vince Gilligan, que já contribuiu com a série de Chris Carter, Arquivo-X, já se mostrou capaz de fazer. O longa-metragem de Jesse Pinkman dá um fim honroso para a história do ex-viciado e traficante de metanfetamina que foi reduzido a uma condição sub-humana, perdeu quem mais amava e foi traído por seu pai postiço, Walter White.

É tocante ver esse garoto fragilizado sendo ajudado por seus amigos próximos, personagens coadjuvantes como Badger e Skinny, mas que se veem imbuídos de um lirismo, de uma amizade leal que venceu as barreiras do dinheiro e da decência. Ver que muitas feridas de Jesse estão ali e permanecerão com ele. Que as maiores cicatrizes não são aquelas da pele, porém aquelas frutos da saudade do que foi e do que teria sido.

Barra Divisória

assinatura_marco

CAMPO DO MEDO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

079_00

SINOPSE
Dois irmãos, Becky e Cal, dirigem numa longa viagem para San Diego. A moça está grávida e começa a sentir um pouco de enjoo, então pede para que Cal pare o carro na borda da pista. Ao lado esquerdo há uma antiga igreja e alguns veículos estacionados, e do direito uma extensa e alta plantação que se perdia no horizonte. Subitamente um grito de socorro vem de dentro da mata, é uma voz de criança. Ele diz estar tentando voltar para estrada, mas não consegue encontrar o caminho. Então uma segunda voz surge, de uma aparente mulher adulta, pedindo para que o garoto não chamasse. Cal então decide ir em busca do menino e entra na vegetação sem hesitar, sendo logo seguido pela sua irmã. Agora dentro daquela mata de mais de dois metros de altura, ele tenta encontrar a criança pedindo para que ele fale alto para que possa seguir o som. Algo estava muito estranho, por mais que ele seguisse a voz, parecia que nunca o encontrava. Começou a duvidar que aquilo não fosse uma brincadeira do garoto, então decidiu se comunicando com a irmão, que iriam pular os dois ao mesmo tempo para basearem suas posições. Fizeram isso, um viu o outro. Ficaram aliviados, não estavam distantes, talvez uns dez metros. Pularam novamente, e para surpresa dos dois algo não estava apenas estranho, estava na verdade muito errado. A distância que antes era curta aumentou umas cinco vezes. Aquilo não fazia sentido!

079_01

COMENTÁRIOS
Stephen King tem o dom de criar histórias fantásticas sempre cheias de muito mistério, e seu trabalho de mais prestígio na atualidade é a segunda parte de It: A Coisa – Capítulo 2. Mas como no próprio filme do palhaço Pennywise, onde ele se sacaneia ao deixar subentendido que também é um autor de péssimos finais, talvez, assim como eu, você possa ter mais uma amostra disso em Campo do Medo (In the Tall Grass, 2019), filme lançado sem nenhum alvoroço no Netflix. O longa é uma produção sem grandes investimentos, basicamente as filmagens se passam num mesmo ambiente do começo ao fim. As atuações não causam grande espanto, tirando Patrick Wilson, ninguém brilha um pouco mais que o mínimo. A direção de Vincenzo Natali consegue efeitos até interessantes, onde mescla alguma computação gráfica nos movimentos em meio a mata com cenas de filmagens reais. A trilha sonora é do compositor canadense Mark Korven, que traz uma boa atmosfera em suas composições que são exploradas apenas em específicos momentos. Campo do Medo para mim foi um filme bem mediano, que após assistido se torna bem esquecível. Uma pena, pois a premissa é interessante e tinha pano para coisas bem bacanas.

079_02

COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Com sua produção não exigindo grandes pirotecnias cinematográficas, Campo do Medo traz um mistério que te prende bastante na primeira metade. A sensação claustrofóbica de estar sendo engolido por uma densa vegetação incomoda, ainda mais quando é descoberto que existem ameaças piores além do labirinto em si. Se escondendo atrás de um simbolismo não muito claro, aquela pode ser uma rocha “mágica” vinda do espaço e que foi adorada por antigos nativos, ou mesmo uma simples pedra que passou por um ritual e se tornou “possuída”. Nesse trecho não há muita discussão, as coisas são como são sem necessário um motivo, uma das características  de Stephen King.

079_03

O que percebemos, ao menos nós nerds, o público que está acostumado com histórias de viagens no tempo, é que das duas uma: ou estão se formando novas linhas temporais onde repetidos personagens possam coexistir, ou a natureza temporal está sendo violada e criando paradoxos proibidos. Geralmente nessas tramas existem regras próprias para a eliminação desse desequilíbrio criado, porém neste filme isso também não é claro, e é nesse ponto que isso me incomodou. Não temos uma linha base para nos segurarmos e formularmos nossas teorias, e assim nos engajarmos mais no quebra-cabeça. Em certo ponto é entendido que a rocha é muito antiga e cultuada por ancestrais nativos, e que a mata em si é apenas uma armadilha para trazer novos sacrifícios para os espíritos que existiam ainda ali. Continuando o raciocínio, a rocha causava uma perturbação temporal ao mesmo tempo que define portais que direcionavam para pontos específicos em outro canto da mata. Ao ser tocada, a pessoa adquire o conhecimento de como funciona todo aquele labirinto, em compensação sua humanidade também é afetada. Ross, o pai do menino, já era uma pessoa excessivamente crédula em dogmas religiosos, portanto uma mente bastante suscetível (e aberta) a receber todo tipo de realidade. Sendo assim, ele abraçou com todas as forças a função de “seguidor” daquela ideia, e agia como aquele quem traria mais sangue para ofertar ao seu novo objeto de culto. Quando Travis decide que não tinha mais nada a perder, o efeito foi diferente. Ele aprendeu todo o mapa de posicionamento naquele labirinto, mas não perdeu totalmente sua humanidade. Então ele toma Tobin pela mão e o leva para fora da mata no instante de tempo que Becky e Cal chegavam ali de carro, e pediu para que o menino fizesse de tudo para impedi-los de entrar. Temos então uma conclusão paradoxal. Travis impediu os irmãos de entrarem na vegetação, desta forma os dois não se perderam para que ele fosse atrás dois meses depois. O meu entender particular não é nada bom, enquanto naquela realidade criada no fim estava tudo bem, as outras não eram anuladas, e as pessoas continuavam mortas ou perdidas. Obrigado Stephen King, você fechou um filme com o pião rodando. Deixa o Nolan ver isso.

079_04

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Wilson, Laysla De Oliveira, Harrison Gilbertson, Avery Whitted, Rachel Wilson, Will Buie Jr. e Tiffany Helm compõem o elenco. O Campo do Medo é baseado no romance dividido em duas partes de Stephen King em parceria com Joe Hill, In the Tall Grass, de 2012. A adaptação em filme teve sua estreia mundial no Fantastic Fest, no Texas, e uma semana depois chegou ao grande público com o selo de distribuição Netflix. Vincenzo Natali roteirizou e dirigiu o longa, que foi produzido por Steve Hoban, Jimmy Miller e M. Riley.

CONCLUSÃO
Campo do Medo me trouxe de volta a antiga sensação das adaptações de Stephen King, de não ter certeza se achei a experiência boa ou ruim. Seu começo atrai nossa atenção, e faz com que passemos a sofrer de agonia com aquelas pessoas. O problema é que isso insiste um pouco, até o ponto que passa a ficar cansativo. Então eventos fora da curva começam a acontecer. Você começa a entender algumas coisas ao mesmo tempo que não entende nada. Achou confuso? Então assiste e tente compreender o que ficou totalmente nublado para mim. Posso te assegurar que você não saíra revoltado após terminar de assistir, ainda mais por esse ser um filme de apenas noventa minutos. Curte suspense, terror e mistério? Então não liga para meus comentários e confere você aí. Mas depois volta aqui e leia meus comentários com spoilers para gente trocar uma ideia. A classificação indicativa de Campo do Medo é de dezesseis anos, e ele está disponível no serviço Netflix.

Barra Divisória

assinatura_dan

7 MOTIVOS PARA ASSISTIR CORINGA!

Sob a ótica de alguém que não fazia a menor ideia do que esperar do filme…

Comecei a me inteirar sobre o mundo da Marvel e da DC Comics em 2012, quando iniciei um namoro com um nerd assumido, aficionado por Histórias em Quadrinhos (HQ’s). Desde então, sempre fui a todas as estreias como acompanhante, sem ter grande conhecimento acerca das histórias e dos personagens que iriam se apresentar em sagas gigantescas (pelo menos para o meu gosto).

Confesso que em vários filmes eu cheguei até a dormir: “Vingadores: Guerra Infinita” é um exemplo. Mas ao longo desses sete anos, eu nunca – NUN-CA! – achei um filme da DC tão espetacular, intrigante e emocionante, como foi o Coringa (2019), estrelado pelo talentosíssimo ator Joaquin Phoenix.

Talvez eu não seja a pessoa ideal para escrever sobre esse filme se você espera ler uma resenha crítica embasada nas HQ’s. Porém, se assim como eu, você só conhece o Coringa por meio dos filmes do Batman, e está na dúvida se vale a pena ir ao cinema para conferir com os próprios olhos se esse filme é mesmo tudo isso que estão dizendo, então lhe apresentarei alguns motivos para que você dê uma chance para o Coringa te conquistar!

1. CORINGA (2019) É UM FILME EXTREMAMENTE REFLEXIVO

078_01

Talvez possa soar meio “estranho” para alguns, mas esse filme despertou em mim um sentimento de empatia. Arthur Fleck é um homem que aparenta ter pelo menos uns 40 anos. Ele vive com a mãe, Penny Fleck, em um apartamento sombrio e bagunçado, tal qual a personalidade deles. Ela está debilitada, dependendo do auxílio do filho para tarefas básicas, como comer e tomar banho. Ele, por sua vez, é extremamente atencioso e delicado no trato com sua mãe. Um é a companhia do outro, e ambos encontram na TV uma espécie de refúgio e de inspiração.

Arthur, que ganha a vida como palhaço, sonha em ser um comediante de stand-up comedy. Seu grande ídolo é Murray Franklin, apresentador de TV aos moldes do Jô Soares, interpretado por Robert De Niro.

A fixação em se tornar comediante vem desde a infância, pois ele cresceu ouvindo sua mãe dizer que ele veio ao mundo para fazer os outros sorrirem. E, por ironia do destino, Arthur tem uma doença neurológica que o faz rir descontroladamente em situações que o deixam nervoso ou ansioso.

078_09

Achei extremamente tocante a cena em que ele está viajando sozinho dentro de um ônibus e uma criança começa a encará-lo. Com uma inocência pueril, ele começa a brincar com o menino, entretendo-o e garantindo uma risada muito gostosa. Aquele, talvez, tenha sido o único sorriso verdadeiramente espontâneo e sincero que Arthur recebeu em sua vida. A única risada com sentido de alegria, e não de “zombação”.

Mas em meio àquela pequena alegria e satisfação, eis que o pobre homem solitário e renegado pela sociedade recebe um balde de água fria da mãe do menino, como se ele estivesse perturbando a criança ao invés de diverti-la. E então a risada descontrolada toma conta da situação… Mesmo apresentando um cartão que explica sobre sua doença, as pessoas não querem entender/aceitar que ele não se encaixa nos moldes de normalidade impostos pela sociedade.

Esse é apenas um dos exemplos apresentados ao longo do filme que me fizeram refletir sobremaneira como nós, como sociedade, lidamos com pessoas que apresentam alguma necessidade especial.

Será que eu e você compreendemos a singularidade de cada indivíduo, aceitando verdadeiramente suas limitações? Será que estamos preparados para lidar com as diferenças para além do discurso ativista e progressista que muitos apresentam, sobretudo nas redes sociais? O Governo realmente se importa com a saúde pública, favorecendo tratamento digno àqueles que necessitam de assistência contínua?

Não encontraremos no filme as respostas para essas perguntas, mas, definitivamente, somos capazes de buscar enxergar a trama apresentada sob um olhar mais humanizado. E aí Coringa acabará nos dando uma lição de vida sobre saúde mental, demonstrando que, na realidade, a nossa sociedade se encontra tão louca e doente como aqueles que são diagnosticados com problemas neurológicos.

2. A NECESSIDADE DE ACEITAÇÃO E DE BUSCA PELA NORMALIDADE É ENFATIZADA DURANTE TODA A TRAMA

078_02

É possível perceber a cada cena a tentativa de Arthur em ser se encaixar no padrão de normalidade socialmente aceito. Ele, que já passou uma temporada no sanatório, segue se encontrando esporadicamente com uma assistente social, que o faz perguntas frequentes sobre seu estado. Parece que tais encontros não surtem os efeitos esperados, pois ele não consegue “parar de se sentir mal o tempo todo”, mas é graças a eles que os seus sete remédios diários são garantidos.

No trabalho, ele procura fazer o que é sua obrigação, mas todos o tratam como um palhaço louco, estranho, que não tem crédito em suas afirmações. E é assim, colecionando situações insustentáveis a sua condição mental, que Arthur vai se perturbando e se transformando cada vez mais em um ser frio, magro, insensível a dor alheia e sem a menor graça.

São pequenas situações, somadas dia a dia, que fazem com que esse homem depressivo, que tenta com seus próprios braços alcançar a felicidade, acabe encontrando outras formas de expressar suas insatisfações e frustrações.

Não seria isso o que acontece com tantas pessoas que, diariamente, expressam gritos de socorro velados, disfarçados em frases ou ações que passam despercebidos ou, pior, são banalizados?

Acredito que se você assistir a esse filme pensando não no conhecido e até mesmo caricato vilão de Gotham City, mas sim na transformação do homem comum, doente, excluído e incompreendido, que se torna a principal ameaça a ser combatida pelo Homem-Morcego, então você perceberá que corremos o risco de ter muitos Arthurs em nosso meio, que só precisam que seja acionado um gatilho mental para se transformar no sociopata Coringa…

3. O DIÁRIO DE ARTHUR É TRADUZIDO EM PORTUGUÊS

078_03

Uma coisa que eu achei sensacional nesse filme foi a tradução do diário do Arthur em Português. Assisti ao filme dublado e esperava que nas cenas em que aparecem as páginas do seu diário (que também serve de anotação de ideias para seu futuro show de stand-up), as frases fossem aparecer em Inglês, traduzidas em forma de legenda, para o nosso idioma. Porém, o que vemos são as páginas escritas em Português.

O que isso tem de tão interessante? Ao meu ver, pareceu bem mais realista. E para um bom observador, aquelas páginas já indicavam traços de toda a confusão mental do personagem, cheia de rasuras, palavras escritas com erros gráficos, rabiscos e afins. Se mais alguém teve o interesse em tentar ler o que estava escrito, certamente identificou uma das frases mais impactantes do filme: “a pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse”.

4. O FILME NÃO É REPLETO DE EFEITOS ESPECIAIS

078_04

Para alguém que há sete anos está assistindo filmes de heróis e de vilões cheio de ação e de efeitos especiais, com muito barulho de tiro, p* e bomba, o filme Coringa foi um deleite! Nada de efeitos, nada de barulho, muito pelo contrário: que trilha sonora maravilhosa!

A interpretação de Joaquin Phoenix é brilhante, magnífica, conseguindo demonstrar durante suas crises de riso o quanto aquele gesto estava, na realidade, inundado de drama, de dor e de lágrimas. Uma observação mais atenta é capaz de captar nitidamente que apesar do sorriso na cara, o olhar demonstrava total tristeza, um pedido de socorro sempre eminente, mas nunca atendido.

Fico me perguntando como Phoenix conseguiu, com tanta maestria, associar sentimentos tão distintos ao mesmo tempo… Suas danças são um show à parte! Na mesma hora eu lembrei do Ney Matogrosso. Todas as danças são embaladas com músicas super pertinentes e agradáveis de se ouvir, contrastando com as cenas que de agradáveis não têm nada.

5. O CORPO FALA

078_05

A expressão corporal do ator, especialmente durante as danças e as crises de riso, demonstra o quanto o corpo fala, o quanto o corpo grita, mas que para interpretá-lo, é necessário se despir de preconceitos em busca de toda a subjetividade que carregamos nesse conjunto de ossos e músculos que, para alguns, é uma máquina orgânica, mas que essencialmente, é a tradução do que somos no mundo.

Se tomássemos posse de que não temos um corpo, mas que somos um corpo, seria bem mais fácil detectar que as expressões dizem muito sobre quem somos e quem podemos nos tornar se não temos a dignidade que todo ser humano merece.

6. SOBRE A VIOLÊNCIA

078_06

Eu quase não assisti ao Coringa nos cinemas por ter ouvido muita gente falar que o filme era extremamente violento. A classificação etária é de dezesseis anos e eu concordei plenamente que tenha sido determinada assim. Achei um absurdo encontrar crianças com cerca de dez anos na minha sessão. Fico me perguntando o que há na cabeça de pais que não respeitam a classificação indicativa de filmes, pois, definitivamente, este é um filme para adultos.

E ainda diria mais: este é um filme para adultos que querem assistir uma trama envolvente, e não caricata. Que esperam descobrir a origem e a transformação de um homem que se torna um vilão emerso da sombria e desigual Gotham City, e não apenas a história do Palhaço do Crime quem tem cabelo verde e um sorriso escancarado. Mas enfim, comentários à parte, voltemos ao ponto principal: a violência presente nessa preciosidade de filme.

Primeiramente, as cenas de violência em Coringa são fichinhas frente às de Logan (2017) ou Deadpool (2016). Existem cenas pesadas? Sim. Mas são infinitamente mais leves que as dos filmes supracitados. Diria até que só existe uma cena que realmente é bem sanguinolenta. As demais já são comuns em séries bem populares na Netflix.

Para quem já assistiu Narcos, Orange Is the New Black ou Vis a Vis, as cenas de Coringa não irão surpreender ao ponto de serem “intragáveis”. Penso que em Vis a Vis, por exemplo, o requinte de crueldade do psiquiatra (ou seria psicopata?) Sandoval é muito mais impactante.

Mas no meio disso tudo, o que mais me admirou é que justamente na cena mais violenta, em que quase foi possível respingar sangue na plateia, foi o momento em que todos riram. Que loucura!

078_09

Depois da morte de sua mãe, Arthur volta para casa e inicia seu processo de maquiagem como palhaço, assumindo, definitivamente, sua versão assassina. Ele é convidado a ir ao seu tão querido programa de TV, tendo a oportunidade de conhecer seu grande ídolo Murray Franklin, e, por isso, resolve se caracterizar dessa forma.

Cabe dizer que participar desse programa era um grande sonho, mas não sob as circunstâncias apresentadas: Arthur só é convidado porque um trecho da sua apresentação de stand-up foi passado no programa, de forma banalizada, sem sua autorização. Devido ao aumento da audiência, resolvem chamá-lo para participar ao vivo, e com isso ele vê a chance de mostrar ao mundo sua verdadeira personalidade. É aí que ele percebe que, no fundo, sua vida, que sempre foi uma tragédia, na realidade estava sendo vista pelo mundo como uma grande piada.

Porém, antes de sair de casa para tal compromisso, ele recebe a visita de dois ex-colegas de trabalho, devido ao falecimento de sua mãe. Um deles é quem lhe deu a arma utilizada em seu primeiro crime, o outro, um anão que sempre lhe tratou muito bem. Para se vingar daquele que, ainda que indiretamente, favoreceu sua entrada no mundo do crime, Arthur pega uma tesoura e mata o homem com golpes letais em várias partes do corpo.

O anão presencia tudo, e quando ele abre a boca para questionar o porquê daquilo tudo, é quando a plateia começa a rir, pois a cena foi friamente calculada para ter esse tom sarcástico, cômico, ainda que numa situação extremamente trágica. Foi então que fiquei me perguntando como nós pudemos rir depois daquele crime horrível, como foi possível que a morte tenha sido tão banalizada.

Daí pra frente, vemos a transformação de uma pessoa com problemas mentais que, estando sem seus remédios e sofrendo uma enxurrada de agressões, decepções e revelações imprevisíveis, vai se tornando um homem frio, agressivo e calculista. Que sofre uma metamorfose profunda, compreendendo, enfim, sua personalidade, e nos revelando que, como diz o ditado, de médico e louco, todo mundo tem um pouco.

7.  SOBRE A LUTA DE CLASSES

078_07

É interessante perceber como surge uma mobilização política crescente em Gotham City ao mesmo tempo em que a vida de Arthur parece decair cada vez mais. Seus crimes acabam sendo a motivação para uma revolução dos menos favorecidos, que já não aguentam mais viver em uma cidade em que os ricos têm espaço e os pobres não.

Chega a ser meio “assustador” pensar que em nossa sociedade isso não é muito diferente. Quantos são aqueles que se identificam com os que matam, que fazem justiça com as próprias mãos?

É triste constatar que, infelizmente, Arthur só foi visto pela sociedade quando ele se transformou num psicopata. De certa forma, ele só foi querido e admirado por muitos depois que seus atos extremos foram reconhecidos como algo motivador para uma resposta agressiva do povo, que viu nesse contexto a oportunidade perfeita para incendiar a cidade em busca de melhores condições de vida.

CONCLUSÃO

078_08

Espero que com a análise desses sete pontos você tenha sentido curiosidade em tirar as suas próprias conclusões acerca desse personagem que conseguiu me cativar. A atuação do Joaquin Phoenix foi impecável, tal qual a direção de Todd Phillips. Eles certamente receberão algumas estatuetas por esse filme que, na minha opinião, pode ser considerado como o filme do ano. Sem dúvida, o melhor filme da DC. Vale a pena conferir!

assinatura_aparecida

CORINGA (CRÍTICA)

076_00

Coringa gira em torno de uma origem para o icônico arqui-inimigo do Batman, herói clássico da DC Comics. Desde sua primeira aparição lá pelos anos 1940, o vilão foi intensamente revisitado e muitos atores o viveram: Cesar Romero (na série clássica dos ano 1960), Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker que o dublou em Batman: The Animated Series, Jack Nicholson (Batman, 1989), o vencedor do Oscar póstumo Heath Legder (O Cavaleiro das Trevas, 2008) e o fiasco de Jared Leto (Esquadrão Suicida, 2016).

Todavia esta é uma história original e independente, nunca vista antes na tela grande. A exploração de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) por Todd Phillips, é a de um homem desconsiderado pela sociedade. Não é apenas um estudo de caráter corajoso, mas também um conto de advertência mais amplo para os perigos do isolamento, da solidão e da invisibilidade social. Ao acompanhar a trajetória de Arthur Fleck, um homem esquecido pela sociedade, investigamos até que ponto o palhaço de Gotham City é fruto da incapacidade de todos nós de acolhermos o outro.

076_01

Título original: Joker
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Todd Phillips, Scott Silver
Duração: 2h 1min
Lançamento: 03 de outubro de 2019, no Brasil

076_02

Elenco: Joaquin Phoenix (Arthur Fleck/Coringa), Robert De Niro (Murray Franklin), Zazie Beetz (Sophie Dumond), Frances Conroy (Penny Fleck), Brett Cullen (Thomas Wayne)

076_03

A VIDA É UM TEATRO DO ABSURDO
Não é um filme de herói. Não espere um filme caricato e colorido como se saltasse dos quadrinhos. Não. É um filme sobre loucura, sobre ser invisível no mundo e uma investigação da insanidade por parte do próprio louco. Na moda atual de criar filmes sobre vilões (como Esquadrão Suicida, 2016; e Venom, 2018) ou sobre anti-heróis (Deadpool, 2016; e Logan, 2017 ), Coringa nos brinda com uma releitura adulta de um dos vilões mais conhecidos das Histórias em Quadrinhos (HQs). É uma história de origem que nos lembra muito a versão de Alan Moore, mas somente na abordagem psicológica; como também a de Christopher Nolan (O Cavaleiro das Trevas, 2008) eternizado por Heath Legde, também amigo de Joaquin Phoenix, o vilão deste longa. Mas as semelhanças param por aí. O Coringa de Joaquin oscila entre o riso, o choro e o grito contido daqueles que, em sociedade, nunca são ouvidos.

076_04

Conhecemos, então, a história de Arthur Fleck, em reabilitação após uma temporada no sanatório, diagnosticado com problemas cerebrais e com uma ideia fixa plantada por sua mãe: que ele nascera para fazer o mundo rir. Joaquin Phoenix, ao falar sobre Arthur, define o personagem como “um cara que busca uma identidade que por engano se torna um símbolo. Seu objetivo é genuinamente fazer as pessoas rirem e trazer alegria ao mundo”.

“Quando eu era menino e dizia às pessoas que seria comediante, todo mundo ria de mim. Bem, ninguém está rindo agora”

Desta forma, Arthur Fleck ganha a vida sendo palhaço, ora como garoto propaganda nas calçadas, ora como animador em hospital no maior estilo Path Adams de Robin Wiliams. Alterna com suas idas à assistência social e seus cuidados para com a mãe. Nas horas vagas, escreve um diário e rascunha, toma notas para compor seu próprio stand-up, seja assistindo a outros comediantes, seja vendo o programa de Murray Franklin, seu grande ídolo.

076_05

Com uma fotografia que lembra muito Taxi Driver (1976), o que vemos desfilar pela tela não é uma Gotham City atual ou futurística. O intensamente magro, esquelético Coringa tenta sobreviver à cidade opressiva da década de 1980. Gotham é violenta nas pequenas coisas: na paisagem deteriorada, na elite (aqui representada pela família Wayne) que vive melhor que a população comum, no trato humano diário e tantas outras instâncias da sociedade. E a cidade ao mesmo tempo que não enxerga, não perdoa àqueles que não se enquadram nos padrões. A atriz Zazie Beetz, que já vivera a heroína Dominó (Deadpool 2, 2018), afirma sobre o Coringa:

“É uma espécie de empatia em relação ao isolamento”, disse Beetz, “e uma empatia em relação ao que é nosso dever como sociedade, de abordar as pessoas que escapam de alguma maneira pelas brechas. Há muita cultura disso no momento. Por isso, empatia ou apenas uma observação sobre personalidades que lutam?”

076_06

Quanto a Arthur Fleck, não é o simples vilão que enlouqueceu caindo em recipiente de produtos químicos. Lá nas HQs, a Origem do Coringa, faz com que sua peles esbranquiçada seja fruto da deterioração cerebral causada pelos produtos da Indústria Ace. O Coringa se pinta e se veste de palhaço. Ele protagoniza sua composição que evidencia sua insanidade.

A maquiagem do Coringa é muito parecida com a de John Wayne Gacy, um verdadeiro serial killer que costumava entreter crianças enquanto estava vestido como Pogo, o Palhaço. Um estilo de maquiagem que foi evitado pelos palhaços que trabalhavam na época, pois proibiam estritamente pontas “afiadas” na composição, como aparece nos olhos, pois isso assustava às crianças.

076_07

O palhaço tão pouco é mero reflexo do heroísmo do Batman, mas sim do poder da família Wayne. Sua loucura é herdada, sua loucura é fruto de agressão, sua loucura é fisiológica, sua loucura é a não aceitação. Assim o vilão sintetiza tantas causas para a falta da sanidade que, em uma sociedade insana, acaba sendo o gatilho para a barbárie.

Mas se você olhar com atenção, ainda encontrará aquelas referências aos quadrinhos como a fixação do vilão pelos holofotes, prenunciada desde 1940 (Bob Kane) com sua aparição no rádio ou em 2005, na sua obsessão pela TV (Ed Brubaker). Lançará alguma luz sobre a origem do Batman, no entanto, já avisamos, é um filme cujo protagonista é o Coringa, o bobo da corte que de uma hora para outra pode desestabilizar o sistema.

CONCLUSÃO: Eis a questão…
Se você se pergunta se é um longa-metragem que merece ser assistido, digo que não. Merece ser degustado. A trilha sonora, pontual e complementar ao enredo, com a presença de “Smile” (composta por Chaplin para Tempos Modernos, 1936); e “Send the clowns” de Frank Sinatra, encaixam-se perfeitamente no enredo. Ainda, pelo aspecto sonoro, a risada frenética quebra esse momentos de lirismo e a seriedade de certas cenas, contudo não de um jeito cômico. É uma risada, mescla de choro, que não diverte, mas que causa nervoso. O riso de nervoso de Joaquim Phoenix é a vírgula, é o eco do silêncio e é o ponto final. O diretor descreveu para Phoenix como “algo quase doloroso, parte dele que está tentando emergir” e o resultado ficou surpreendente.

Por isso não espere aqui que a história desse filme se alinhe com os novos planos da DC para o Batman interpretado por Robert Pattinson. “Não vejo o Coringa se conectando a nada no futuro”, disse o diretor Todd Phillips. E completa: “Este é apenas um filme.” E nisso concordamos. Coringa é um filme único e não merece continuação porque é uma obra totalmente acabada em si mesmo, mas com questões imperecíveis.

Barra Divisória

assinatura_marco

STAR WARS: EPISÓDIO III – A VINGANÇA DOS SITH (CRÍTICA)

073_00

Guerra! A República está desmoronando sob o ataque do impiedoso Lorde Sith, Conde Dookan. Há heróis de ambos os lados. O Mal está por toda parte.
Em uma manobra surpreendente, o perverso líder droide, General Grievous, invadiu a capital da República e sequestrou o Chanceler Palpatine, líder do Senado Galáctico.
Enquanto o Exército Separatista de Droides tenta escapar da capital sitiada com seu valioso refém, dois Cavaleiros Jedi lideram uma missão desesperada para resgatar o Chanceler preso…

Três anos de passaram desde a Batalha de Geonosis (Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones, 2002), onde teve início a grande guerra que envolveu diversos sistemas planetários.  A galáxia oscila entre as duas facções que lutam pela hegemonia. De um lado a fragilizada democracia, liderada pela figura dúbia do Chanceler Palpatine, cujas forças se concentram no auxílio do Conselho Jedi e nas tropas de soldados-clones; do outro, a Aliança Separatista, cujo líder, o ex mestre jedi Conde Dookan, deseja não pertencer mais a República e tem no exército droide sua grande força de batalha.

Mas enquanto a República está em crise, a Ordem Jedi questiona as intenções da guerra. Desconfiam do Chanceler que não tenciona deixar o cargo após conflito e ainda quer aumentar a militarização da República. A guerra caminha bem para o lado da republicano, mas os sentimentos conflituosos de Anakin Skywalker o fazem se tornar um agente duplo entre o Conselho Jedi e o plano de poder de Palpatine. Os jedis desconfiam do Chanceler Supremo. Parece que a passos firmes o antigo garoto de Tatooine, o escolhido para trazer equilíbrio à Força (Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, 1999), começa a sucumbir diante da ameaça sith, do medo e da cobiça.

073_01

Título original: Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Duração: 2h 20min
Lançamento: 19 de maio de 2005

073_02

Elenco: Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé), Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Christopher Lee (Conde Dookan / Darth Tyranus), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Frank Oz (Yoda) e Ian McDiarmid (Chanceler Supremo Palpatine).

073_03

DE ANAKIN A DARTH VADER
Já analisamos nos dois outros filmes da trilogia prequela (pré-sequência), a Ameaça Fantasma (1999) e Ataque dos Clones (2002), como a pequenos passos o garotinho escravo de Tatooine trilhava um caminho dúbio. Apesar da fé cega de Qui-Gon Jinn de acreditar que Anakin seria o Escolhido, aquele que traria equilíbrio para a Força, o menino fora descoberto muito velho para um treinamento jedi convencional. Fora descoberto velho porque cresceu na Orla Exterior, fora da jurisdição da República e do Conselho Jedi. Alia-se a isso sua ligação fortíssima a mãe e por ter se tornado discípulo de Obin Wan Kenobi, ainda jovem cavaleiro e, portanto, não tão experiente.

Anakin parece crescer em poder, mas não em sabedoria. Aquela arrogância meiga de quando era criança de se achar o melhor piloto de pods, faz com que atravesse a adolescência achando-se o melhor jedi existente (o que, de certa forma, era verdade). Mas mesmo com os conselhos equilibrados de Obi Wan, Anakin se deixa seduzir pelos sentimentos passionais humanos: o amor por Padmé Amidala, fixação desde criança, os sonhos premonitórios de morte de sua mãe e o crescente desgosto por não se achar valorizado o bastante pela Ordem Jedi. E ao final do do Episódio II, Skywalker se casa às escondidas (algo proibido a um jedi), tenta salvar sua mãe (que perece em seus braços), assassina uma aldeia inteira por pura vingança e se torna cada vez mais íntimo de Palpatine, um homem ambicioso e alterego de Darth Sidious.

073_04

Quando o Episódio III tem início, sabemos logo de cara o quanto a influência de Palpatine já estava sedimentada: Anakin executa Conde Dookan na frente do Chanceler que calmamente assiste. Obin Wan desacordado, não vê seu antigo aprendiz se vingar do homem que lhe decepara a mão. A partir desse momento, o Chanceler Supremo, que claramente havia arquitetado o próprio sequestro, tendo se livrado de seu antigo aprendiz Darth Tiranus (Dookan), começa o processo de conversão definitiva de Anakin Skywalker.

A estratégia do Chanceler se dá por duas vias: o medo e a desconfiança. Anakin passa a ter sonhos premonitórios nos quais Padmé morre no parto. Sonhos que o atormentam semelhantes àqueles que prenunciavam a morte de sua mãe pelos povos da areia. Nesse ponto, Darth Sidious acaba demonstrando que o Lado Negro possui as ferramentas para evitar que alguém morra. Um processo antinatural para a filosofia jedi, porque quem morre se torna um com a Força. Assim o Chanceler Supremo conta a história de Darth Plagueis, que fora assassinado dormindo por seu aprendiz (pressupomos ser Darth Sidous), mas que antes de morrer passara ao aluno o segredo para imortalidade.

073_05

Enquanto medo de morrer é enfatizado e possui a solução antinatural, a desconfiança de Anakin cresce em relação ao Conselho, alimentada pela falsidade das palavras do lorde sombrio. Prevendo cada passo dos jedis, ele incita Anakin a pleitear um lugar no conselho, mesmo sendo muito jovem para isso. Isso é negado prontamente por Yoda e Mace, tornando-o meramente um ouvinte do conselho. Em seguida ainda solicitam que Anakin espione o Chanceler, para ele uma traição à República. Enquanto os jedis desconfiam (tarde demais) das intenções de Palpatine, esse continua a sustentar que na verdade o Conselho quer tirar seu cargo para assumirem o poder da Galáxia.

É essa trilha do medo e da desconfiança que serão armas sedutoras do Lado Negro. Alie-se a isso a crescente ânsia de Anakin em se tornar cada mais poderoso e temos os ingredientes que formarão Darth Vader.

073_06

PODER ILIMITADO
Durante o este último episódio da trilogia prequela, finalmente vemos a ascensão definitiva de Darth Sidious e a formação do Império Galáctico, o governo tirânico contra o qual lutarão os Rebeldes de Uma nova esperança (1977).

A estratégia do chanceler Palpatine para manter o poder é conhecida pelos cientistas políticos e é chamada de Guerra Perpétua. Ele chega ao poder através de conflitos com a Federação do Comércio, obtém maiores privilégios através da Guerra dos Clones e solidifica sua posição através da guerra contra os Jedi.

Cabe relembrar a trajetória o plano foi minuciosamente trabalhado através dos anos:

  • 073_07(Episódio I) Como Senador de Naboo, incita a Federação de Comércio a um bloqueio comercial, o que faz com que a própria Senadora Amidala proponha um voto de desconfiança ao antigo Chanceler Supremo. Palpatine termina por ocupar o lugar deste na chefia do Senado Galáctico e descobre o potencial do garotinho Anakin;
  • 073_08Com poderes imediatos, encomenda em nome do conselho um exército de clones para República, ao passo que auxilia os Separatistas, na sua rebelião contra a democracia. Enquanto se torna conselheiro de Anakin, ainda padawan, o Chanceler começa a militarizar ambos os lados da guerra contando com o apoio de seu aprendiz, Conde Dookan;
  • 073_09(Episódio II) Usa então um senador patético, Jar Jar Binks que ocupa o lugar de Padmé, afastada do Senado devido a um atentado, para propor que ele obtenha poderes emergenciais e a criação de um exército da República (os clones). De acordo com Ahmed Best, houve uma cena deletada em que, antes de ele se coroar Imperador, Palpatine agradeceu Jar Jar Binks por ter concedido os poderes emergenciais que lhe permitiram dominar a Galáxia;
  • 073_10(Episódio III) Com a suposta traição do Conselho Jedi, propõe que a República se torne um Império Galáctico, e executa Ordem 66: uma programação embutida nos clones que visava à execução de todo e qualquer jedi;
  • 073_11Por fim converte Anakin em Darth Vader, seu aprendiz e um poderoso manipulador da Força. Um jedi caído, cego pelo ódio e pelo desespero por achar ter assassinado seu grande amor em um momento de fúria.

E talvez a citação mais icônica e irônica é justamente quando Padmé Amidala, na plenária que deu origem a formação do Império Galáctico, constata o fim da República. Ela que sempre defendera a desmilitarização, a solução diplomática para o conflito, com os olhos marejados diante a aprovação unânime do Senado, enfim, diz:

Então é assim que a liberdade morre: com um estrondoso aplauso.

073_12

UMA NOVA ESPERANÇA
A ascensão dos sith é o declínio da influência jedi na Galáxia. Mesmo que Mace Windu desconfiasse desde sempre do Chanceler e sua relação com Anakin; mesmo que Yoda percebesse a perturbação na Força e tivesse seus medos em relação a Skywalker; mesmo que Obi Wan visse a arrogância de Anakin e a relevasse por achar que era coisa da juventude e que a meditação e a experiência o curariam; os jedi estavam cegos pelo orgulho e pelo conflito no qual estavam inseridos.

E o jovem Vader, ainda sem sua armadura característica, empreende a chacina até de crianças aprendizes do templo e de toda alta cúpula Separatista. Perde duramente para Obin Wan em uma batalha de sabres de luz de tirar o fôlego. Aqui duas cenas se sobrepõe: Kenobi versus Anakin, Yoda versus Imperador. Anakin e Yoda perdem pelo mesmo motivo: seus adversários estão em nível superior, desvantagem. O fim dos duelos é o fim trágico da liberdade na Galáxia.

Este filme se passa 19 anos antes de Uma Nova Esperança (1977). Então o Episódio III lanças as sementes para o próximo filme e, até certo ponto, elucida para os fãs algumas pontas soltas que marcam a história da trilogia clássica das décadas de 1970 e 1980. Alguns pontos são esclarecidos e merecem destaque:

  • 073_13Darth Vader usa aquela armadura altamente tecnológica e como vilão é muito mais robótico que humano. Isso são reflexos da ultima batalha contra Kenobi no Planeta Mustafa (palavra que vem do árabe, “o escolhido”). Seu andar cambaleante, devido ao peso extra colocado no traje, faz com que ele seja semelhante a um Frankenstein;
  • 073_14Após a morte de Padmé, mas por tristeza do que por causas médicas, vemos como Leia e Luke são separados em seu nascimento. A primeira destinada a família Organa, grande aliada de Naboo desde muito tempo; o último para a terra árida de Tatooine para ser criado por seu meio irmão e vigiado, ao longe, por Obin Wan Kenobi;
  • 073_15O termo “Rebelde” é usado primeiramente neste filme para se referir aos jedis que se opõem a tirania do Império e mais tarde se estenderá para toda a oposição galáctica;
  • 073_16Percebemos que o exílio de Obi Wan tem relação com a vida após a morte, pois ele treinará com o espírito de Qui Gon. Isso explica a voz interior do mestre Kenobi que fala com Luke e sua posterior aparição para o jovem na trilogia clássica. O mesmo para Yoda que se retira para Dagobah, após a derrota para o Imperador, para entender os desígnios da Força;
  • 073_17Cabe lembrar que alguns personagens da franquia tem sua presença explicada neste loga como o motivo para C3PO e R2D2 não se lembrarem dos acontecimentos das Guerras Clônicas. Respectivamente, o droide de protocolo termina com Luke e o astrodoide com a família Organa. Também Chewbacca, como veterano de guerra, que lutou ao lado de Yoda em seu planeta natal Kashyyyk, estreia nesse longa e nos mostra seu passado guerreiro;
  • 073_18Por fim, e não menos importante, os planos da Estrela da Morte, que estavam de posse dos Separatistas em Geonosis (final do Episódios II), revelam-se a todo vapor, primeiro na cena que Palpatine estuda em seu gabinete, em uma rápida projeção, depois, no final do filme, como arma está sendo construída.

CURIOSIDADES

  1. 073_19Ewan McGregor e Hayden Christensen treinaram por dois meses em esgrima e condicionamento físico, em preparação para sua batalha épica. Como resultado de sua prática, a velocidade com que Kenobi e Vader se envolvem no duelo é a velocidade em que foi filmada e não foi acelerada digitalmente.
  2. 073_20Em 2007, o Dr. Eric Bui, psiquiatra francês, coescreveu um estudo que diagnosticou Anakin Skywalker como tendo Transtorno da Personalidade Borderline. Quando os autores relataram suas descobertas na reunião anual da Associação Americana de Psiquiatria, declararam que Skywalker se enquadra nos critérios de diagnóstico: dificuldade em controlar a raiva, rupturas relacionadas ao estresse com a realidade, impulsividade, obsessão pelo abandono e um “padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizado pela alternância entre extremos de ideação e desvalorização “.
  3. 073_21No duelo com o Conde Dookan, o Palpatine aprisionado, originalmente, teve mais diálogos. Uma de suas falas revelava algo obscuro do Episódio II: Ataque dos Clones (2002): Dookan teria pagado aos Tusken Raiders (Povo da Areia) para sequestrar, torturar e matar Shmi Skywalker (mãe de Anakin).
  4. 073_22A história deste filme está em ordem inversa de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (1977). O primeiro ato deste filme começa com uma batalha espacial, prossegue com uma missão de resgate, continua com Anakin percebendo seu destino na vida e termina com o Império assumindo. O episódio IV começa com o Império assumindo o controle, prossegue com Luke percebendo seu destino na vida, continua com uma missão de resgate e termina com uma batalha espacial.
  5. 073_23A sequência em que Palpatine anuncia o Império, enquanto Darth Vader mata os líderes separatistas, foi modelada após a famosa “Sequência de Batismo” em O Poderoso Chefão (1972).

CONCLUSÃO
Para apreciar plenamente esse filme, só acompanhando toda a trajetória. No entanto você consegue saber o básico dos motivos que formaram Darth Vader e ascensão do Imperador somente por esse longa-metragem. Assistindo aos dois primeiros episódios você verá esse processo com bastantes detalhes para apreciar a jornada do apogeu do Lado Sombrio, mas consegue digerir esse filme sem precisar de todo esse esforço.

Novamente não chama atenção o trabalho de Hayden Christensen (Anakin), que atua muito mal, nem de Natalie Portman (Padmé), totalmente apagada e submissa, uma desconstrução da mulher forte dos filmes anteriores.

Considero, dessa trilogia prequela, o melhor filme. Podemos destacar, claro, a ótima atuação de Ewan McGregor (Obin Wan) compensando os deslizes dos dois filmes anteriores e literalmente arrasando tanto na batalha contra o General Grievous, como no seu conflito com Anakin.

Claro que Yoda novamente se mostra um dos personagens CG (computação gráfica) mais bem trabalhado e parece envelhecer muito mais nesse filme devido aos rumos negativos dos acontecimentos da guerra. Sua batalha contra o Imperador vale cada minuto de seu tempo.

Enfim, as cenas de batalha do filme estão impecáveis: desde ao rufar de tambores na primeira sequência, como na chacina empreendida pela ordem 66 e a batalha de Kashyyyk. Vale muito a pena para as novas gerações entenderem o fim da época Jedi e o que isso prenuncia, além de lançar o clima para os eventos da trilogia original. Mas a história Star Wars está apenas começando. Não se engane, a Força ainda nos revelará muito e ainda falta bastante para o equilíbrio. Por mais que as coisas estejam ruins, sempre haverá Uma nova Esperança para a Galáxia. Que a Força esteja com vocês!

Barra Divisória

assinatura_marco

SOMBRA LUNAR – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

072_00

SINOPSE
Thomas Lockhart é um policial comum da Filadélfia, mas está determinado em ser um detetive. Pró ativo, está sempre quebrando protocolos hierárquicos e tomando frente nas investigações além de suas atribuições. Numa certa noite recebe o chamado de uma ocorrência, e ele com seu parceiro, Maddox, chegam mais rápido que o detetive responsável. Locke, como Thomas é apelidado, é um ótimo observador, e logo compreende como aquela morte ocorreu. Um acidente de ônibus onde aparentemente a motorista teve um derrame, e veio perder o controle não era exatamente o que parecia ser, e logo toda a polícia local parte na busca de um misterioso serial killer responsável por essa e outras várias mortes.

072_01

COMENTÁRIOS
Sombra Lunar (In the Shadow of the Moon, 2019) inicia propondo um filme policial de mistério, mas assim como os materiais promocionais se adiantam em revelar, se trata também de uma ficção científica. Característica essa que no meu entendimento deveria ser ocultada nos materiais de divulgação, enfim. O plot é direto e reto, te inserindo em intrincadas investigações e frenéticas perseguições. O roteiro começa bem mas não consegue manter um ritmo interessante após o primeiro arco, tornando o desenvolvimento repetitivo e arrastado. Recupera um pouco o fôlego próximo à sua conclusão, mas após tanta lentidão e falta de desenvolvimento de certos personagens apresentados, já se torna um pouco desgastado.

072_02

Na busca de uma resolução para alcançar aquele serial killer, Locke transporta a narrativa para um tom de suspense e drama, no qual por conta de sua obsessão em solucionar o caso, vai se transformando numa pessoa cada vez mais paranoica. Temos então essa interessante construção de personagem, qual considero o ponto alto do filme. Boyd Holbrook está bastante inspirado em dar vida ao policial traumatizado que se perde no tempo de suas internas caçadas por realidade.

A produção é competente e entrega um filme agradável visualmente, com boas locações, bonitas cenas aéreas e um trabalho de contra regra impecável. A trilha sonora também faz bonito, criando uma atmosfera densa e caótica que se mistura ao conceito visual tornando tudo bastante homogêneo e real. No fim das contas eu fiquei dividido e sem saber dar um decreto final, o roteiro verdadeiramente me incomodou, mas a experiência conceitual, principalmente se tratando das transições estéticas, me surpreenderam bastante.

072_03

FINAL EXPLICADO (SPOILERS)
Após as várias repetições de perseguições, ficamos na expectativa de uma explicação satisfatória do motivo de sua neta voltar no tempo para eliminar certos personagens. Rya consegue voltar no tempo em ciclos de nove anos, quando a Lua está mais próxima da Terra, na conhecida como ‘Lua de Sangue’, instante onde há uma alteração magnética que permite uma máquina do tempo levá-la ao passado. Seu objetivo é impedir o movimento de supremacistas brancos conhecido como True America Movement, que em 2024 bombardeou a Filadélfia iniciando uma guerra civil americana.

072_04

Rya utiliza uma injeção, que serve para inserir cápsulas no pescoço dos membros do movimento supremacista, e que serão ativadas no futuro pelo Dr. Naveen Rao, também responsável pela construção da máquina do tempo. As viagens são limitadas aos períodos de Lua de Sangue, e devido a Locke ter matado acidentalmente Rya em 1988 no incidente do metrô, os dois ficaram limitados aos ciclos lunares posteriores. Locke então compreende que matou a própria neta e ainda complicou sua causa, porém ela ainda tinha aquele ciclo para concluir sua missão e salvar o futuro.

Reflexões surgem e é compreendido que a morte da sua esposa em troca da vida de sua filha, possibilitou que mais a frente Rya pudesse existir. Seu luto que durava anos se torna mais leve, e num recomeço ele consegue o perdão dos amigos, família e, conclui sua história com a neta no colo.

072_05

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Boyd Holbrook, Cleopatra Coleman, Bokeem Woodbine, Rudi Dharmalingam, Rachel Keller e Michael C. Hall compõem o elenco. A produção norte americana foi escrita por Gregory Weidman e Geoff Tock, e dirigida por Jim Mickle. Produzido por Brian Kavanaugh-Jones, Ben Pugh, Rian Cahill, Linda Moran e Jim Mickle, o longa de 2019 é distribuído pelo serviço Netflix.

CONCLUSÃO
Sombra Lunar é um filme com aspectos interessantes, embora vendido como um policial com elementos de ficção científica, consegue explorar muito bem o drama. Uma produção coesa com excelente estética visual e sonora, que traz um elenco muito bem afinado. A obra tem sim suas falhas, mas nada que comprometa a experiência final. Particularmente considerei o ritmo um pouco lento, até repetitivo do meio até próximo ao final, no entanto é bem possível que isso não seja notado e nem incomode muita gente. O longa exclusivo da Netflix já está disponível, e certamente vai agradar fãs de sci-fi e mistério. Bom filme!

Barra Divisória

assinatura_dan

OS JOVENS BAUMANN (CRÍTICA)

071_00

COMENTÁRIOS
O cinema brasileiro nos últimos tempos tem se debruçado principalmente nas comédias, dramas e, até mesmo, um pouco de ação. Foi devido a essa realidade entediante que, ao assistir o trailer de Os Jovens Baumann, resolvi apreciar esse suspense com ares de documentários no estilo Bruxa de Blair (1999). Para minha sorte não pude ficar indiferente.

Em 1992, oito primos da maior família de uma cidadezinha de Minas Gerais chamada Santa Rita do Oeste somem misteriosamente na fazenda na qual passavam as férias. É por meio das fitas VHS encontradas muito tempo depois que é dado o teor da narrativa.

071_01

As filmagens são de cenas cotidianas de jovens de férias. A técnica é amadora e as cores, já desbotadas, são um retrato da década de 1990. Os primos brincam, nadam, exploram e apreciam a natureza de maneira trivial e ao mesmo tempo tensa. A impressão é que a qualquer momento poderemos ter alguma pista sobre o mistério que ronda a história.

A narradora (Isabela Mariotto) alterna entre imagens do local atualmente e as do período do sumiço. É esta nostalgia que permeia o filme e com esse sentimento que ela percebe como o caso foi sendo esquecido durante todos estes anos.

071_02

A imagem dos primos são como fantasmas: pouco se sabe sobre cada um, os nomes são ditos a ermo. É como se não fosse importante para o espectador saber a identidade de cada um já que foram esquecidos em um passado distante. Assim, já no fim de 1992, ninguém mais tinha interesse em saber o que aconteceu com a última geração da Família Baumann. Isso tudo já não mais importava.

071_03

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Julio Barga, Cainã Vidor, Marília Fabbro de Moraes, Eduardo Azevedo, Anna Santos, Daniel Mazzarolo, Julia Burnier, Isabela Mariotto, Julia Moretti compõem o elenco. O filme é roteirizado por Bruna Carvalho Almeida, Larissa Kurata e dirigido por Bruna Carvalho Almeida. A produção ficou por conta de Julia Alves, Michael Wahrmann, Ana Júlia Travia e Eduardo Azevedo, e as composições musicais por Luis Felipe Labaki. A produção é distribuída internacionalmente pela Sancho&Punta, e Vitrine Filmes no Brasil.

CONCLUSÃO
Ao meu ver, vale assistir “Os Jovens Baumann”, pois além de ser um tipo de filme pouco explorado no terreno nacional, é uma obra para repensar a questão de como muitos mistérios, no final de tudo, nunca possuirão uma explicação. O longa lançado em 2019 está disponível no YouTube, e na Google Play Filmes.

Barra Divisória

assinatura_julianna

 

STAR WARS: A GUERRA DOS CLONES (CRÍTICA)

065_00

SINOPSE E FICHA TÉCNICA

Uma galáxia dividida. Em um veloz contra-ataque após a batalha de Geonesis, o exército droide de Conde Dookan conquistou o controle das principais rotas do hiperespaço separando a República da maior parte do Exército Clone.
Com poucos clones, os generais jedis não conseguem uma posição segura na Orla Exterior, enquanto mais planetas se juntam ao Separatistas de Conde Dookan. Com os jedis ocupados com a guerra, não sobra ninguém para manter a paz. A desordem e o crime tomam conta e os inocentes tornam-se reféns de uma galáxia sem lei.
O filho do chefe do crime Jabba, o Hutt, foi sequestrado por um bando rival de piratas. Desesperado em salvar seu filho, Jabba pede ajuda.

Após a batalha de Geonosis, eventos contados em Star Wars: Episódio II – O ataque dos clones (2002), os conflitos contra os Separatistas se intensificam. Na frente de batalha no planeta Christophsi, o cavaleiro jedi Obi Wan Kenobi e o agora também cavaleiro, Anakin Skywalker, lideram as forças clônicas. Acuados no planeta Christophsi e em menor número, as forças da República são auxiliadas por uma nova padawan, Ahsoka Tano, que é designada como aprendiz de Skywalker.

Mas logo a trama muda de foco e passar a girar em torno do sequestro do filho de Jabba, o Hutt, mafioso intergalático que reside em Tatooine. Ele controla as rotas da Orla Exterior, essenciais tanto para a República quanto para os Separatistas que necessitam delas para movimentar suas tropas. Na sua busca por ajuda, o Hutt requisitará o auxílio jedi, ao mesmo tempo que Conde Dookan se oferece para o serviço de resgate. Começa assim um corrida contra o tempo entre mestres e aprendizes. Enquanto Anakin precisa se acostumar com a padawan Asooka; Assaj Ventress, aprendiz do Conde Dookan, precisa mostrar seu valor e cumprir os obscuros planos do mentor.

065_01

Título original: Star Wars: The Clone Wars
Direção: Dave Filoni
Roteiro: Henry Gilroy, Steven Melching
Duração: 1h 38min
Lançamento:
15 de agosto de 2008

065_02

Elenco (vozes): Matt Lanter (Anakin Skywalker), Ashley Eckstein (Ahsoka Tano), James Arnold Taylor (Obi-Wan Kenobi), Dee Bradley Baker (Capitão Rex / Cody), Tom Kane (Yoda), Nika Futterman (Asajj Ventress) Catherine Taber (Padmé Amidala) e Christopher Lee (Conde Dookan).

065_03

ISSO É UM FILME MESMO?
Sendo um filme spin-off (derivado) da franquia Star Wars, surge a dúvida sobre a organização da trama que por vezes parece fragmentada para o observador mais atento. Na verdade este longa é composto por quatro episódios originalmente produzidos para a primeira temporada da série animada Star Wars: The Clone Wars (2008). Desta forma o longa foi concebido para ser o episódio piloto que daria início a série animada, porém tomou o rumo das telonas.

Por isso parece que o enredo tem pelo menos dois momentos: a crise no planeta Christophsi e o rapto de filho de Jabba, o Hutt. Não que isso atrapalhe a trama geral, mas explica a ligação com dois outros episódios do desenho animado que precedem os eventos do filme e terminam lançando luz sobre alguns aspectos da batalha em Christophsi. De forma resumida e na ordem cronológica, tratam-se dos seguintes episódios:

065_04

2×16 – Brincando de gato e rato (Cat and Mouse)
Nesta aventura prólogo, mostra a chegada de Anakin e Obin Wan a frente de batalha no planeta Christophsi, importante por seus recursos destinados a República. O senador Organa (aquele que criará a princesa Leia) está em apuro e precisa de apoio e suprimentos. Porém, Skywalker e Kenobi devem enfrentar um veterano e astuto almirante de guerra: Trench. Impedidos de chegar ao planeta, a batalha espacial seria decidida pela coragem e estratégia de Anakin e seus subordinados  à bordo de uma nave com camuflagem especial.

065_05

1×16 – O inimigo escondido (Hidden Enemy)
Já neste episódio, ainda mais próximo do eventos do filme, observamos Anakin e Obiwan às voltas com um espião dentro da tropa de clones que está informando as posições das forças da República aos separatistas. A trama apresenta um dos personagens clones mais importantes de toda série animada: Rex, um cara durão e disciplinado. Também nos mostra que Asajj Ventress está por trás da sabotagem entre os clones. Além de elucidar como as forças da Repúblicas ficaram sem ajuda e quase sem munição, situação que aparece no início do filme, chama à atenção para um problema moral: será que a República não é tão má quanto os Separatistas, visto que cria seres humanos em laboratório para morrer em batalha?

065_06

SURGE AHSOKA TANO, A PADAWAN!
O ponto chave desse longa fica realmente por conta de Ahsoka Tano, uma padawan destemida e indomável. Partindo da perspectiva de que Anakin sai da condição de padawan (como aparece em Star Wars – Episódio II) e se torna cavaleiro jedi, nada mais natural do que passar seus conhecimentos à nova geração. E os dois são imprudentes e fazem o que bem entendem. Esta simetria (Anakin e Ahsoka) é que marcará afinidade entre os dois jedis  ao longo deste filme e e depois na série animada.

Por outro lado, é aqui que também temos a estreia da aprendiz sith, Assajj Ventress. Neste longa, ela está extremamente insinuante e, arquitetando fake news junto com Conde Dookan, seu mestre Darth Tyranus, tenciona incriminar os jedis pelo rapto do filho de Jabba, o Hutt.

065_07

Tudo culmina para o planeta Tatooine, sede da organização de Jabba. Na corrida contra o tempo, é preciso devolver a criança ao pai. Estar no deserto desperta lembranças recentes de Anakin: ele estivera aqui, tentara salvar sua mãe, mas acabou por dizimar toda uma aldeia de povos da areia (eventos presentes no Episódio II). A certa altura Anakin observa com tristeza:

O deserto é impiedoso, tira tudo de você.

Isso se mostra ainda mais latente na primeira batalha de sabres de luz contra o Conde Dookan. Anakin perdeu a mão no combate de Geonosis (Episódio II – O ataques dos clones) sendo substituída por uma prótese robótica, caso semelhante se dará com seu filho no Episódio VI: O retorno do Jedi (1983). Assim durante a luta, Conde Dookan sente a dor da perda em Skywalker. Nada mais natural estando em Tatooine, local de morte de sua mãe e a chacina do povo da areia. Isso ecoa a fala de Ashoka Tano, parafraseando Yoda:

Erros antigos projetam grandes sombras.

ALGUMAS CURIOSIDADES

  1. 065_08Este foi o primeiro filme de Star Wars a não ter um texto introdutório durante a sequência do título. Em vez disso, a premissa da história é estabelecida pela narração de um locutor descrevendo cenas de fundo. Deixamos a transliteração dessa fala no início dessa crítica.
  2. 065_09O clone Capitão Rex tem uma cicatriz no queixo, inspirada na de Harrison Ford. O símbolo “Jaig Eyes” em seu capacete foi originalmente concebido por Joe Johnston como decoração para o capacete de Boba Fett.
  3. 065_10De acordo com Dave Filoni, Ashoka Tano foi inspirado em San, o personagem-título da princesa Mononoke (1997).

CONCLUSÃO: Skyfora é melhor que Skywalker!
O mais interessante do Star Wars: The Clone Wars é conseguir o que o Episódio II não conseguiu: cativar pela força que cada personagem possui. Longe da atuação pífia de Hayden Christensen, no segundo filme da trilogia prequela (pré-sequência), o Anakin Skywalker da animação é mais carismático e expressivo, assim como Obin Wan. Além de introduzir personagens novos (Ahsoka Tano e Asajj Ventress), o longa-metragem é o pontapé inicial para quem quiser acompanhar a série animada. Sem sombra de dúvidas, este filme e o desenho animado (aqui exibido pela Cartoon Network) são as produções derivadas mais bem trabalhadas da franquia, expandindo e explicando lacunas de toda a saga dos três primeiro episódios.

Além disso, compensa por abranger, ainda que de forma branda, questões de gênero (como um Hutt homoafetivo e mulheres empoderadas com sabre de luz ou um blaster), um romance (bem contido) e batalhas épicas ao som de uma trilha sonora bem rock. Nunca foi tão fácil seguir o Lado Bom da Força. Bom filme!

Barra Divisória

assinatura_marco

“YESTERDAY” E OS BEATLES NO CINEMA (CRÍTICA)

064_00

Desde a primeira aparição do Beatles na TV americana, em 9 de fevereiro de 1964, na época programa de Ed Sullivan, no qual entre as canções mostrava-se dados biográficos do então jovens prodígios, a banda inglesa expandiu e conquistou tanto o mercado estadunidense, como também o mundo. Naquela playlist já constavam sucessos inesquecíveis como All My Loving, Till There Was You, She Loves You, I Saw Her Standing There e a icônica I Want to Hold Your Hand.

Imaginar a história da música, quiçá do mundo, sem a presença da banda Liverpool seria algo impensável, mas não para o diretor Danny Boyle, vencedor do Oscar 2008 (Quem quer ser um milionário?). 

Está é a premissa do enredo do filme Yesterday (2019): depois de um apagão em escala mundial, a existência dos Beatles é deletada da história humana, exceto para algumas pessoas, entre elas: Jack Malik. Mesmo com todos os esforços de sua amiga e produtora Ellie Appleton, sua carreira ia de mal a pior. Não é visto com seriedade pelos amigos e nem pela família. Somente Ellie, que nunca esquecera da performance de Jack fazendo cover de Wonderwall do Oasis em um concurso da escola quando era criança, parece acreditar no talento do rapaz. Até que a vida de Jack muda após um acidente de bicicleta.

064_01

Título original: Yesterday
Direção:
Danny Boyle
Roteiro:
Jack Barth, Richard Curtis
Duração:
1h 56min
Lançamento:
29 de agosto de 2019

064_02

Elenco: Himesh Patel (Jack Malik), Lily James (Ellie Appleton), Sophia Di Martino (Carol), Joel Fry (Rocky) e Ed Sheeran (Ed Sheeran).

064_03

BEATLES E MICHAEL JACKSON?
Qualquer fã da banda sabe que ter as músicas da banda de Liverpool no cinema ou em qualquer obra artística era, até certo tempo atrás, uma raridade. Parte desse problema se deve justamente ao fato de nada mais, nada menos, do que Michael Jackson era o dono dos direitos autorais das músicas dos Beatles.

Na década de 1980 muitos empresários com o ideal de fundar um grande conglomerado de entretenimento acabaram por criar uma organização: a Michael Jackson, Inc. Esta empresa acabou por adquirir a ATV, empresa que hospedava o catálogo musical dos Beatles. Entre as obras, a empresa detinha os direitos autorais da maioria dos maiores sucessos da banda, incluindo “Yesterday”, “Come Together”, “Hey Jude”, e muitas outras.

064_04

Depois do próprio Paul McCartney e Yoko Ono abdicarem de comprar o catálogo simplesmente porque o rei do pop ansiava por ele, alguns meses mais tarde Michael Jackson comprou a ATV por um preço de 47,5 milhões dólares. Hoje, a Sony/ATV, que detém os selos de cantores como Taylor Swift e Eminem, vale cerca de US$ 2 bilhões. Para Joe Jackson, embora pudesse comprar facilmente o catálogo, o comportamento de McCartney era justificável:

“O comportamento de Paul foi muito, muito mais estruturado financeiramente. A única razão para Michael comprar o catálogo era porque estava à venda! Paul McCartney e Yoko poderiam ter comprado, mas não quiseram.”

064_05

Já para Martin Bandier, o diretor-executivo Sony/ATV Music Publishing, havia também uma explicação para a falta de vontade de McCartney: “Eu nunca pensei que Paul McCartney iria comprá-lo, porque é muito difícil para um criador comprar o que é seu. Seria como Picasso passar um dia fazendo uma pintura, para comprá-la, vinte anos, depois por US $ 5 milhões. Não seria uma coisa que Paul faria.”

O fato é que por muito tempo, era quase impossível usar o acervo dos Beatles seja em outras obras artísticas, seja em peças publicitárias. Isso só passou a mudar a partir de 2008 quando houve a abertura para uso em publicidade. Mesmo não precisando do aval do integrantes ainda vivos da banda, Bandier acreditava que havia uma “obrigação moral” de analisar o uso dos catálogos com McCartney, Starr, Yoko Ono (viúva de Lennon) e a família de George Harrison (que morreu em 2001).

064_06

BEATLES NO CINEMA
Um marco para o uso de canções da Beatles no cinema é sem dúvida o longa-metragem de Jessie Nelson, I am Sam (2001), que por aqui recebeu o título açucarado de Uma lição de amor. Neste filme que premiou com os Oscar de melhor ator Sean Penn, conta a história de Sam, uma homem com atraso intelectual (uma mente de uma criança de 7 anos), que com ajuda de outros deficientes cuida de sua filhinha Lucy Diamonds (Lucy in the sky with the diamonds). Há cenas que remetem à Abbey Road, citações feitas pelo protagonistas de frases de Lennon e McCartney e, claro, as diversas músicas dos Beatles interpretadas por covers. São ao todo 19 versões que contam com as vozes de Ben Harper, Wallflowers, Stereophonics e Sheryl Crown. Uma saída inteligente, pois na época  era algo extremamente raro ter documentários, filmes ou clipes desde que Michael Jackson adquirira os direitos autorais da banda na década de 1980.

Usar a obra dos Beatles como fio condutor de uma trama inteira foi a proposta de Across the Universe (2007) de Julie Taymor. O casal protagonista Jude e Lucy, nomes retirados das canções da banda inglesa, vivem toda sua história de amor, ambientada pela músicas dos Beetles, no período de contracultura, da psicodelia e protestos contra a Guerra do Vietnã da década de 1960. Época tão bem retratada no documentário 1967: O verão do amor (2017).

064_07

UM TRILHA FANTÁSTICA, UMA HISTÓRIA PREVISÍVEL
Longe de ser uma obra-prima, Yesterday tem uma história simples e comum para uma comédia romântica. O longa parte de um acontecimento fantástico, um apagão em escala mundial que parece ter sido provocado por uma erupção solar (como se pesca de uma manchete de jornal). Isso causa uma reviravolta na vida do aspirante a cantor, Jack Malik. Um looser (perdedor) em todos os sentidos da palavra. Sempre auxiliado pela carismática e linda Ellie, professora de matemática e produtora amadora que vive uma friendzone e reprime seus sentimentos por Jack.

A ideia de um cantor que terá que escolher entre o amor e o sucesso musical está na raiz de filmes como Rock Star (2001), com Mark Wahlberg interpretando um vocalista de rock anos 80; ou Nasce uma Estrela (2018), com a Lady Gaga. Ou seja, é um tema batido. O que chama a atenção, claro é vasto uso do Beatles como pano de fundo da trama.

064_09

A partir blackout mundial, Jack se vê como a memória da existência dos Beatles. Por mais que mais duas pessoas, no enredo, lembrem-se da existência da banda inglesa, somente Jack tem o talento para cantar e tocar as músicas. Nesta realidade, John Lennon não morreu em um atentado: vive uma vida pacata a beira do mar, alheio à música. Nesta realidade Oasis (banda influenciada pelos Beatles) não existe, assim como a Coca-Cola (só a Pepsi, em um merchã escandaloso) e Harry Potter.

Então, auxiliado por Ellie (no início) e pelo cantor Ed Sheeran (que interpreta ele mesmo), Jack se torna uma celebridade na Internet, abre turnês, vai a shows de entrevista, faz tudo que sua empresária chique Carol lhe ordena.

064_08

No final, ele escolhe uma vida simples ao lado de sua admiradora de infância. O mundo não volta ao normal (juro que esperei isso). As músicas da banda são doadas gratuitamente e Jack abdica de lucrar com uma arte que nunca foi sua. Volta a ser professor e constitui família em um final simples que agradará ao noveleiro mais aficionado.

QUATRO CURIOSIDADES (entre tantos easter eggs)

  1. 064_10No filme, Jack foi atingido quando estava de bicicleta, quebrou os dentes da frente e feriu os lábios. Isso realmente aconteceu com Paul McCartney em 1966 que caiu do ciclomotor e lascou um dente da frente em Liverpool. 
  2. 064_11Legalmente, os cineastas precisavam apenas da permissão da Sony ATV para usar as músicas dos Beatles, sendo a Sony detentora dos direitos de publicação. Em princípio, eles também buscaram as bênçãos de Paul McCartney, Ringo Starr, Yoko Ono e Olivia Harrison para o filme. Assim os Beatles não tiveram contribuição criativa, exceto pela aprovação de seu repertório para uso no filme.
  3. 064_12A história original do filme foi escrita por Jack Barth. Nela tudo era muito mais sombrio, com o protagonista lutando como músico na nova linha do tempo e a premissa do universo alternativo explorada com mais profundidade. Quando Richard Curtis reescreveu, ele fez o tom muito mais alegre, colocou menos ênfase na premissa de uma nova linha do tempo sem os Beatles e mais foco no romance entre Jack e Ellie.
  4. 064_13Alguns dos personagens têm seus nomes inspirados nas músicas dos Beatles: Rocky, o roady temporário, é nomeado por causa de “Rocky Raccoon”; Ellie,  é nomeada em homenagem a  “Eleanor Rigby” (a única música que Jack tem dificuldade de lembrar); e a colega de quarto de Ellie, Lucy, claramente, “Lucy in the sky with the diamonds”.

CONCLUSÃO: TODAY, ASSISTA!
Yesterday não é a última bolacha (ou biscoito) do pacote no que se refere a uma comédia romântica ou mesmo de tributo musical. A história é leve, sem vilões, pois nem Jack Malik é um mal caráter. Ele é um sonhador e se deixará levar pelos rumos dos acontecimentos. Uma salva de palmas para Ellie (Lily James) que é aquela mocinha fofa e apaixonada e de sorriso cativante, a melhor em cena.

Se o leitor nerd deseja um filme leve e é fã dos Beatles, cantará do início ao fim as músicas do grupo, mesmo com a desafinada de Help durante o show de lançamento de Jack (embora o ator, Hamish Patel tenha feito aula de canto e violão). Para além das piadas bem colocadas e em momentos precisos, vai até esquecer que Ed Sheeran não é lá um ator, mas vale pelo desconcerto do rapaz em frente as telas na sua “amizade” com o protagonista. Veja o longa de Boyle como distração de um dia estressante. Afinal não deixe para Yesterday o que pode fazer Today. Essa foi muito ruim! Fui galera!

Barra Divisória

assinatura_marco

IT: A COISA – CAPÍTULO 2 (CRÍTICA)

061_00

SINOPSE
Haviam se passado vinte e sete anos desde os eventos onde Pennywise trazia caos e morte às crianças de Berry. Quando Mike, o único a continuar morando na cidade, nota os mesmos padrões voltarem a se repetir. Se apegando na confiança da promessa feita entre os membros do Clube dos Otários, o agora homem formado, contacta amigo por amigo explicando que era o momento de voltarem à Berry. A profecia de que Pennywise retornaria foi cumprida e, assim que compreendem a gravidade da coisa, Bill, Stanley, Baverly, Richie, Ben e Eddie, percebem que precisarão lidar com traumas da infância que nunca foram resolvidos.

061_01

COMENTÁRIOS
Diferentemente da primeira parte, It: A Coisa – Capítulo 2, tem bem mais conteúdo para contar, relembrar e explicar. Essa tamanha quantidade de informações complexas que compõem o universo criado por Stephen King, não apenas envolve fatos a serem alinhados num roteiro, mas sim esmiuçar gatilhos de sete perfis psicológicos, relacioná-los, e ter ao fim, tudo posto à mesa, para enfim criar uma conclusão. Como revés, temos um roteiro que causa confusão e, até cansaço no público que se acostumou com o script mais direto da primeira parte. Os 170 minutos do longa são percebidos justamente pelo ritmo lento dos arcos que apresentam flashbacks da infância, e também de alguns momentos do passado que não haviam entrado no episódio anterior.

Assim como no filme de 2017, a obra ainda consegue espaço de encaixar discussões contemporâneas. Se antes a violência do bullying era o principal material de abordagem, agora é a homofobia, uma amostra das doenças de uma sociedade ultrapassada e sem empatia. A coisa é tão grave, que a exposição do assunto trouxe cochichos e comentários ignorantes no cinema onde assisti, quando na cena de abertura (portanto não considero spoiler), um casal de jovens homens se beijam enquanto se divertem num parque. As piadinhas preconceituosas da audiência ignorante foram silenciadas, quando esse mesmo casal é brutalmente espancado por um grupo de personagens covardes, com quais duvido muito eles não terem se identificado. Certamente isso causou um misto de vergonha e desconforto. Quem disse que um filme de terror onde um palhaço assassino que desmembra criancinhas não tem algo a ensinar? Fenomenal, um tapa na cara com inteligência e estilo!

061_02

REFLEXÕES COM MUITOS SPOILERS
Essa conclusão é particular, mas o que entendo, é que o palhaço Pennywise, ainda quando um humano, era um artista frustrado e sem reconhecimento. Esse sentimento de não ser valorizado, somado à uma grave psicopatia, serviu de molde para a entidade cósmica que hibernava na Terra desde tempos remotos. Nos estudos de Mike não é revelado uma literalidade de atos nefastos como os ocorridos em Derry, talvez algo sim tenha acontecido com o uso da consciência de algum nativo Shipkwa, uma vez que elaboraram a armadilha do Ritual de Chüd com o fim de aprisionar ou eliminar a entidade. Necessariamente ‘A Coisa’ trabalha como um vírus, que potencializa medos criando ilusões concretas capaz de ferir fisicamente suas vítimas. Seria o toque? O ar? Talvez isso não importe e nem mesmo Stephen King tenha a explicação, no entanto todas as crianças em algum grau foram expostas à entidade. E ainda levanto uma teoria, admito, sem muita base, mas seriam o restante dos moradores da cidade, bem como os pais das sete crianças, também afetados pelo vírus? Ao meu ver isso explicaria a falta de urgência dos habitantes e os problemáticos e negligentes pais.

Sendo assim concluímos que todos os envolvidos não passam de vítimas de seus próprios medos, e isso de certa maneira inclui Pennywise, que após o contato com a entidade alienígena, desenvolveram cada um a sua própria forma de paranoia. Porém o simples fato de Bill, Baverly, Ben, Eddie, Stanley e Richie terem abandonado a cidade de Berry, fez com que eles criassem um bloqueio de uma série de episódios da infância, e o retorno vinte e sete anos depois causava bastante confusão.

  • 061_03BILL por um infortúnio da vida escolheu não ir brincar na chuva com o irmão por ‘um único dia’, fazendo com que essa escolha tivesse pesado em sua consciência na forma de culpa após sua morte. Apenas quando ele entende e aceita que aquela autoflagelação não fazia sentindo e, que seu pequeno irmão jamais o culparia, ele se liberta da dor se tornando uma pessoa mais capaz. Isso refletia na sua vida fora de Berry, uma vez que era um escritor incapaz de fazer boas conclusões para suas histórias. Vale lembrar que essa situação do homem escritor, é uma brincadeira com o próprio Stephen King, que é considerado por muitos um autor de desfechos ruins. O que na minha opinião é uma completa injustiça, visto sua vasta coleção de trabalhos.
  • 061_04BEVERLY talvez seja a personagem que carregava as cicatrizes mais pesadas. O trauma por ter sido molestada sexualmente por um pai doentio, que além dos crimes incestuosos e de pedofilia, ainda alimentava a culpa na própria filha pela morte de sua esposa. Mesmo com esse fardo do tamanho do mundo, ainda se mantinha durona. Porém conforme avançava na vida adulta, foi se cansando e se tornando uma mulher mais fragilizada. Sempre com péssimas escolhas para o relacionamento e levando uma vida sem muitas expectativas. O momento onde se liberta das amarras de dor, é quando percebe a verdade sobre uma crença que guardou desde a infância. Não era Bill a razão de seus sentimentos, mas sim Ben, aquele rapaz encantador que sempre admirou seus “cabelos de fogo, como brasas no inverno”. Beverly tem um diferencial entre os demais, ela possui o dom de prever através de sonhos e pesadelos, certos acontecimentos com aqueles que tem proximidade. Essa capacidade não é explicada e não tenho grandes teorias sobre a razão, só sei que o único fato claro é dela ser a única mulher do grupo.
  • 061_05MIKE foi o único do grupo que nunca saiu da cidade. O jovem se sentia culpado pela morte de seus pais num incêndio quando era pequeno, e isso sempre lhe atormentou. Seu sonho era conhecer novos horizontes, talvez a Flórida, mas ele se viu agarrado por algum motivo à Berry. Após terem enfrentado Pennywise quando crianças, Mike passou a pesquisar de forma compulsiva tudo sobre aquela criatura. Em seus estudos chegou a um grupo de nativos que guardava a história da chegada de uma entidade cósmica naquela região. Os Shipkwa tentaram impedir a ameaça extraterrestre através de um ritual, no entanto não obtiveram sucesso. A ferramenta para tal, era um artefato como uma caixa, na qual cada guerreiro disposto a enfrentar o ser precisava depositar como oferenda, um objeto que fazia parte de sua própria existência. Beverly tinha o bilhete de Ben (que acreditava ser de Bill), Ben tinha o autógrafo de Beverly, seu amor platônico, Eddie tinha sua bombinha de asma, Mike uma pedra suja de sangue da briga contra uns valentões, Bill conseguiu o barquinho S.S. George, feito para o irmão no dia de seu desaparecimento, Richie uma ficha de fliperama, que marcou um momento de dor pela traição de quem achava poder confiar, e Stanley uma das toucas engraçadas para prevenir aranhas na cabeça, quando estivessem sede subterrânea do Clube dos Otários. Mike é a chave principal para dar fim à Pennywise. Herdou de seu pai, Will, várias informações sobre o macabro palhaço, e por conta de não ter saído da cidade, nunca esqueceu de todos os detalhes. Para ele superar o trauma, estava diretamente relacionado em acabar com aquela entidade e honrar a vontade de seu pai.
  • 061_06BEN desde a criança se mostrou uma criança muito inteligente e introspectiva. Junto com Mike, foi um dos últimos garotos a se juntar ao Clube dos Otários após ter sido ferido por Henry Bowers com um “H” riscado com um canivete em sua barriga. Ben, embora bem maduro para sua idade, ainda tinha complexos por conta da sua aparência. Estar acima do peso sempre foi motivo de vergonha e insegurança, tanto que nunca soube se declarar a Beverly, a menina que amava. Certa vez escreveu um poema em um cartão postal, mas devido a um mal entendido, chegou as mãos de Beverly com o entendimento de que seria Bill o autor. Levou consigo a fraqueza até a vida adulta, e embora se esforçando ao ponto de se tornar um belo e imponente homem, musculoso e nada gordinho, ainda assim era a mesma  criança insegura por dentro. Superou seu trauma no momento em que Beverly descobriu que era por ele sua verdadeira paixão.
  • 061_07EDDIE teve sua vida destruída pela própria mãe. Uma mulher obesa, manipuladora e controladora, que a o invés de levantar do sofá e buscar viver a vida, ainda fez de tudo para levar o filho para o mesmo buraco. Colocando-o como uma criança excessivamente frágil, Eddie tinha medo de tudo, nojo de tudo, e com isso se tornou uma pessoa hipocondríaca incapaz de ter uma vida normal. Quando chegou na vida adulta, inconscientemente buscou uma mulher nos mesmos moldes da mãe, tanto fisicamente  como em temperamento. Superar seus problemas seria complicado, visto que teria que desconstruir uma série de pequenas crenças absurdas que sua mãe enfiou em sua cabeça. Mas simbolicamente Eddie tinha aquela famigerada bombinha de asma, e o simples fato de se libertar daquilo, era mais que o suficiente para também se livrar de suas amarras.
  • 061_08RICHIE sempre foi um comediante. Estava sempre fazendo piadas com e entre os amigos, e nunca levava nada a sério. O menino guardava um segredo, e era por trás do humor ininterrupto, que ocultava seu sofrimento pessoal. Richie era homossexual e nunca teve apoio para compreender direito o que seria isso. Era uma realidade íntima que não se permitia de forma alguma revelar, porém sempre teve a atração pelo amigo Eddie. Por dentro era uma pessoa amargurada e triste, muito diferente da fachada que se esforçava para manter. Nos instantes finais no conflito contra Pennywise, Eddie é atacado e morre. Então Richie desaba enquanto revela seu segredo e o amor pelo amigo. Sua superação era perceber que aquelas pessoas valiosas para ele não se importavam se ele era ou não gay, mas fazia diferença sim eles verem sua felicidade.
  • 061_09STANLEY como dito pelos membros do Clube dos Otários, era o melhor deles todos. O jovem era judeu num ambiente bem conturbado quando se tratava em respeitar escolhas religiosas. Era alvo da intolerância de Henry Bowers, e até mesmo piadinhas do amigo Richie. Metódico e maduro, sempre se manteve cético quanto às macabras ilusões criadas por Pennywise. E é nesse conflito de realidade e crenças, que Stanley alcança a vida adulta e constitui sua família. Vinte e sete anos depois do pacto de sangue, recebe a ligação de Mike e, na sua guerra interna não consegue lidar com saber que precisaria voltar a Derry e lidar novamente com seus caóticos conflitos. Stanley então se tranca no banheiro de casa, entra na banheira e comete suicídio cortando os próprios pulsos. Ao final do filme todos os membros do Clube dos Otários recebe uma carta, na qual Stanley revela ter se sacrificado para que as previsões de Beverly não se cumprissem e assim conseguissem mudar o destino ao enfrentar Pennywise.

061_10

O CONFRONTO FINAL
O planos de Mike para derrotar Pennywise acaba não dando certo, mas revela a real forma da ‘Coisa’. A entidade extraterrestre na realidade era um conjunto de três esferas fortemente iluminadas. Algumas pontas ainda estavam soltas, nem todos haviam superados seus medos e encontrado a chave correta para derrotar o inimigo. Mas é quando Mike percebe o ponto fraco de Pennywise. Assim como Richie, o palhaço também se escondia atrás de uma máscara, e por trás da fachada só sobrava medo. Como dito antes, Pennywise não passava apenas de mais uma vítima daquela aberração vinda do espaço, portanto, assim como todos, tinha fraquezas por dentro. Então o jogo a ser feito era o mesmo qual ele vinha fazendo com suas vítimas, a imposição do medo! Então Mike, Bill, Beverly, Ben e Richie, se unem com comentários depreciativos à Pennywise. Que aos poucos vai enfraquecendo e literalmente diminuindo. Chegando ao ponto dele ser tão pequeno e vulnerável, que Mike enfia a mão em seu peito retirando assim seu coração. Então o Clube dos Otários põe um fim ao ciclo de terror em Berry quando com as próprias mãos destroem aquele resquício da ‘Coisa’.

061_11

AMADURECIMENTO E DIAS MELHORES
Após os sacrifícios de Stanley e Eddie, aquelas cicatrizes das feridas pelo pacto de sangue, desaparece das mãos dos sobreviventes. Fazendo entender que definitivamente tudo aquilo tinha acabado. Ben e Beverly finalmente encontram o paradeiro para suas vidas, e decidem rumar juntos à partir dali. Eddie agora é confiante de si e nada mais tem para esconder. Bill volta ao trabalho, conseguindo agora melhorar os finais de suas histórias, quando recebe uma ligação de Mike, agora em viagem e distante de Berry.

A soma dos dois episódios de It: A Coisa, não é um simples filme de terror psicológico, mas uma lição de esperança para todas as pessoas que acham que seus problemas são grandes demais. Aquele grupo em particular, os moleques do Clube dos Otários, só precisavam amadurecer. E a prova definitiva disso é a ligação de Mike para Bill, meses após terem derrotado Pennywise, quando um amigo diz amar o outro. As piadinhas imaturas ficaram no passado, agora aquelas pessoas se tornaram adultas e dispostas a cultivar apenas o que de melhor podem oferecer e ter dos outros.

061_12

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Jaeden Lieberher, James McAvoy, Jeremy Ray Taylor, Jay Ryan, Sophia Lillis, Jessica Chastain, Finn Wolfhard, Bill Hader, Wyatt Oleff, Andy Bean, Chosen Jacobs, Isaiah Mustafa, Jack Dylan Grazer, James Ransone, Nicholas Hamilton, Teach Grant, Bill Skarsgård, Jess Weixler, Will Beinbrink, Xavier Dolan, Taylor Frey, Jackson Robert Scott, Javier Botet e Joan Gregson, compões o elenco de atores principais. A direção fica por conta de Andy Muschietti, enquanto a produção é dividida entre Barbara Muschietti, Dan Lin, Roy Lee, Seth Grahame-Smith e David Katzenberg. Com um orçamento de 80 milhões de dólares, o filme com apenas dois dias de exibição nos cinemas já ultrapassou de forma considerável o seu custo. Tendo o valor da receita final atualizarei as informações!

CONCLUSÃO
It: A Coisa – Capítulo 2 é a conclusão do filme de 2017, portanto se você ainda não assistiu ao outro, esqueça esse e vá assistir a primeira parte. Avisado o óbvio, esse é um fechamento magistral para o romance de Stephen King que merecia muito uma produção à altura de seu romance de 1986. Uma produção fantástica que não faz sentido separar os dois episódios, então quando falo deste segundo episódio, na verdade faço referências às duas obras como uma só. A direção brilhante de Andy Muschietti conseguiu dar vida a um roteiro intrincado, tirando o melhor de um número enorme de atores.  It: A Coisa passeia pela comédia, drama, romance, suspense e terror, e em tudo que se compromete, faz com excelência! Pode ter certeza, essa se tornará uma das obras lendárias do cinema.

Barra Divisória

assinatura_dan

IT: A COISA (CRÍTICA)

 

060_06

SINOPSE
Meses após o desaparecimento do irmão, Bill guarda um sentimento de culpa muito forte. Acredita que se ele estivesse presente fazendo companhia ao pequeno George naquele dia chuvoso, nada disso teria acontecido. Não importava a falta de esperança dos outros, incluindo da própria família, o irmão mais velho não aceitava, e continuava a buscar meios de encontrar seu amado irmão. Bill tinha uma teoria de onde seu irmão poderia ter ido parar quando foi levado pela chuva na queda naquele bueiro, então recorre aos seus melhores amigos, os membros do Clube dos Otários, para partir na busca. Aquele era o ano de 1987 na cidade de Derry e, não apenas George havia desaparecido, mas misteriosamente várias outras crianças também. E nessa aventura de terror psicológico, o grupo de crianças experimenta uma série de macabros fenômenos envolvendo um misterioso palhaço conhecido como Pennywise.

060_01

COMENTÁRIOS
It: A Coisa (2017) é uma obra adaptada do romance de Stephen King, que conta com mais outras duas versões, a minissérie americana para TV de 1990, que mais tarde fora compactada em um filme, e uma segunda minissérie indiana de 1998. A primeira chegou no Brasil como It: Uma Obra-Prima do Medo, e fatiava o grande volume do livro em duas partes de três horas cada, trazendo a infância daquele grupo e a transição 27 anos depois para a vida adulta. Apesar de suas inúmeras falhas a minissérie funcionou, e embora não seja muito repercutida hoje em dia, tornou-se um clássico cult de suspense e terror. A série indiana segue a mesma fórmula, sete crianças que enfrentam um monstro que se transforma no palhaço Pennywise. Porém essa é uma produção bem bizarra e, não exatamente por conta do seu baixo orçamento, mas pelas curiosas escolhas da adaptação. Diferente da versão original do romance, Pennywise não se apresenta pela primeira vez dentro de um bueiro, mas sim dentro de uma piscina. Quer conferir essa tosqueira? Clica aqui e assista o primeiro episódio disponível no Youtube. Aliás, a série inteira está lá.

060_02

Com tantas adaptações controversas, Stephen King ainda merecia uma adaptação à altura de seu excelente trabalho original, e o longa de 2017 entregou o presente. It: A Coisa mostra o primoroso esforço do diretor Andy Muschietti em dar coerência a um roteiro tão inflado e complexo. Respeitando a obra do livro,  traz uma qualidade muito diferente do que estamos acostumados a ver no suspense e terror. A trama segue a mesma formula e, é quebrada mais uma vez em duas partes, sendo esta primeira, o filme de 2017, contando a infância do Clube dos Otários e a maneira que eles lidam com Pennywise.

060_04

A produção tem forte influência narrativa e conceitual no filme Conta Comigo (Stand by Me, de 1986), também baseado em um conto do genial Stephen King. Evocando um grupo de crianças com diferentes distúrbios psicológicos devido a criação por péssimos pais. Enquanto uns mostram problemas comportamentais não tão graves, outros tem a vida imersa em pesadas sessões de abusos. O longa também traz o clima de aventura, que se inspira em outro importante clássico dos anos oitenta, Os Goonies (The Goonies, de 1985). O resultado é parecido com o que temos atualmente na série Stranger Things, porém com uma linguagem, tanto literal quanto conceitual, bem mais pesada e suja que o seriado da Netflix.

060_03

Com a cena de abertura pesadíssima do bueiro, conseguimos medir o tamanho da ameaça que aquelas crianças terão de lidar, e ficamos intensamente apreensivos a cada episódio nos quais cada uma delas é inserida detalhadamente na trama. Seus pais são completamente desequilibrados, e isso faz com que aqueles garotos tenham ciência de estarem por conta própria. São crianças que sofrem com o bullying dentro e fora da escola, com os maus-tratos familiares, e com pais cegos por dogmas religiosos. It: A Coisa é uma excelente obra do terror psicológico, que respeita o telespectador trazendo qualidade em tudo que se compromete a oferecer. Sabe ser comédia, drama, romance e, obviamente, suspense e terror psicológico, tudo no momento correto e na medida certa.

060_05

ELENCO E FICHA TÉCNICA
As principais atuações são de Jaeden Lieberher, Bill Skarsgård, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Wyatt Oleff, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Nicholas Hamilton e Jackson Robert Scott. A direção fica por conta do argentino Andy Muschietti, que já havia mostrado um pouco do seu talento em Mama (2014). A produção é dividida entre Roy Lee, Dan Lin, Seth Grahame-Smith, David Katzenberg e Barbara Muschietti. O roteiro é trabalho conjunto de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman. A produção teve um orçamento modesto de 35 milhões de dólares, com uma receita final de incríveis 700 milhões!

CONCLUSÃO
It: A Coisa é um filme impecável ao meu ver, e evoca o subtítulo da série de 1990, fazendo com que essa seja sim ‘Uma Obra-Prima do Medo’. Obviamente tem suas falhas, mas elas são minúsculas e não possuem nada que mereça um destaque depreciativo. A produção é agradável por toda sua extensão, trazendo atuações mirins incríveis, e um vilão verdadeiramente ameaçador! Então esteja preparado para uma aventura densa, assustadora e cheias de mistérios na cidade de Berry. E lembrando, esta é apenas a primeira parte da incrível obra de Stephen King! Bom filme!

Barra Divisória

assinatura_dan