TUDO É EVENTUAL – STEPHEN KING (CRÍTICA)

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SINOPSE
São catorze histórias de suspense, surpresas e terror, certeiras na arte de prender o leitor na poltrona e não soltá-lo mais, até a última frase. “Andando na bala” conta a história de Alan Parker, que pede carona na estrada, tentando visitar a mãe moribunda, mas entra no carro errado e acaba indo mais longe do que imaginou. Em “Almoço no Café Gotham”, a briga de um casal no restaurante tem uma reviravolta sangrenta. Em “1.408”, um autor famoso por escrever sobre cemitérios e casas assombradas visita um quarto rodeado de mistérios no Hotel Dolphin, esse já gerou até filme. Seja escrevendo sobre encontros com os mortos, ou sobre medos mais cotidianos, Stephen King cria em Tudo é eventual uma coletânea de suas melhores obras. Intensos, sinistros e envolventes, esses contos são uma prova da imaginação fértil do autor de terror mais famoso da atualidade.

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COMENTÁRIOS
Tudo é Eventual
de Stephen King traz um compilado de contos do autor em sua maioria terror e suspense. Os contos são ambientados em épocas e contextos completamente diferentes tendo como norte o terror. O livro possui uma coleção muito competente de narrativas. Dentre todos os contos, um em especial me chamou atenção: “A Teoria de L.T. sobre Animais de Estimação”, pois essa narrativa foge as suas habituais histórias. O que esse conto faz a mais para merecer tal lugar de destaque? Desvendaremos ao longo dos próximos parágrafos.

A história de Lulubbelle e LT tem foco na rotina familiar do casal, explorando principalmente sua convivência com seus animais de estimação de forma nada convencional. Stephen King aborda o assunto de maneira tragicômica. Não será incomum ter crises de risos durante a leitura, da mesma forma que pode ser pego por um sentimento de tristeza. Usando as palavras do próprio autor que antes da história começar, afirma:

Quero fazer você rir ou chorar ao ler uma história, quem sabe as duas coisas ao mesmo tempo. Em outras palavras quero seu coração. Se a sua intenção é aprender algo, vá para o colégio.

Ao julgar pela minha experiência ao ler, posso afirmar sem medo de errar que suas pretensões foram alcançadas. A história de LT me pegou de surpresa e me divertiu bastante com seu humor mais leve, algo que se distância bastante do habitual senso mórbido do autor. Normalmente o escritor americano é muito mais sombrio. Contudo não se iluda, ainda é um conto do mestre do terror. Logo o final ainda lhe reserva surpresas que podem ser desagradáveis para parte do público. A Teoria de L.T. sobre Animais de Estimação é um conto leve, curto, descontraído, muito bem-humorado, divertido, que possui um final surpreendente, uma leitura rápida e gostosa que tem todos os ingredientes perfeitos para ser guardado na memória.

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Ainda aqui? O que espera pra se acomodar próximo a uma árvore numa bela tarde de verão com uma água de coco gelada, ou se deitar numa noite fria e chuvosa acompanhado de sua bebida quente de preferência? Em suma: não importa quando ou onde leia essa humilde resenha apenas aproveite seu tempo na companhia de um bom livro. Quanto ao livro para este momento, aqui fica nossa recomendação. Boa leitura.

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HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS (CRÍTICA)

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Situado 9 anos depois da ascensão do Império Galáctico (A Vingança dos Sith, 2005) e 10 anos antes da Batalha de Yavin, na qual a Estrela da Morte é destruída (Uma Nova Esperança, 1977), Han Solo: Um história Star Wars (2018) encara a tarefa de traçar as origens do famoso contrabandista e piloto da Millennium Falcon que foi eternizado pelo ator Harrison Ford na trilogia original.

Han, um órfão que cresceu pelas ruas de Corellia, vê-se obrigado a trabalhar para as gangues locais em companhia de seu amor de infância, Qi’ra. De posse do valioso coaxium, combustível espacial que quando refinado torna possível o salto no hiperespaço, o rapaz pretende subornar, enganar a tudo e a todos para fugir do planeta (sob domínio do Império e das máfias) para começar uma vida nova com Qi’ra. No entanto o destino os separa levando a caminhos diferentes: ele ingressa no Império, ela é presa pela máfia de Corellia.

Han Solo almeja voltar e resgatar sua amada, mas a sua jornada exigirá muita coragem e astúcia até reencontrar Qi’ra. Formará amizades eternas, como a de Chewbacca, e a rivalidade com Lando Calrissian, além de encontrar e pilotar pela primeira vez a Millennium Falcon. Han descobrirá que não pode ficar alheio à injustiça na Galáxia e a medida que foge das responsabilidades, mais perto estará de se opor ao Império Galáctico.

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Título original: Solo: A Star Wars Story
Direção: Ron Howard
Roteiro: Jonathan Kasdan e Lawrence Kasdan
Duração: 2h 15min
Lançamento: 24 de maio de 2018

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Elenco: Alden Ehrenreich (Han Solo), Woody Harrelson (Tobias Beckett), Emilia Clarke (Qi’Ra), Donald Glover (Lando Calrissian), Thandie Newton (Val), Phoebe Waller-Ponte (L3-37), Joonas Suotamo (Chewbacca) e Paul Bettany (Dryden Vos).

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SOLO UMA ORIGEM
Qualquer fã fervoroso da franquia ficou apreensivo com um filme sobre Han Solo, o personagem mais célebre de Star Wars que não é nem jedi nem sith. Aliás é o primeiro filme em que os jedis não são sequer mencionados.

A fenomenal atuação de Harrison Ford na trilogia inicial é um daqueles bastiões da sétima arte quase impossíveis de ultrapassar ou manchar. O próprio Ford sabia disso e, mesmo adorando o novo filme, escolheu não participar da premiere com o resto do elenco a fim de deixar o jovem Han Solo, Alden Ehrenreich, brilhar. Então, ao se aventurar por este longa-metragem, encare como duas atuações diferentes, mas que o jovem Solo introduz a genialidade daquele que será essencial para a vitória Rebelde ao lado de Luke e Leia.

Como um filme de origem, o longa propõe elucidar uma série de fatos em torno da dupla Han Solo e Chewbacca que são aludidos a todo momento nos episódios IV a VI da franquia. Se o contrabandista tem muito de seu passado demonstrado nesse filme, mostrando uma infância e adolescência entre meninos de rua de Corellia, fato que o tornou um trapaceiro nato; o wookie (nome da raça do Chewie) já havia aparecido na saga. Durante A Vingança dos sith (2005) estava na frente de batalha contra a invasão clônica de Kashyyyk. Depois que Chewbacca ajuda o Grande Mestre Yoda a fugir, depois da ordem 66, pouca se sabe do grandalhão peludo.

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Após fugir de Corellia, deixando sua amada nas garras de Lady Proxima, mafiosa local, Han Solo (que ganha esse nome de um oficial do Império pelo fato de ser “sozinho” e sem família) entra para academia militar para ser “o melhor piloto que já existiu”. Todavia é expulso por insubordinação e torna-se soldado da infantaria do Império em Mimbam. É no fronte, entre os Stormtroopers que Han conhecerá o bando de Tobias Beckett e na prisão militar, condenado a morrer pela “fera”, que lutará contra Chewbacca. Estão lançados aí os ingredientes básicos para a dupla Han e Chewie: ambos viram contrabandistas de Beckett para se salvar dos Imperiais, e Solo trava amizade com o wookie por ser o único a entender o idioma do grandalhão, pois aprendera enquanto vivia nas ruas de Corellia.

A última peça do quebra-cabeça é justamente a mitologia envolvendo a Millennium Falcon, prêmio de um jogo de cartas. Ao fracassarem em um roubo de coaxium, combustível espacial valiosíssimo, Beckett se vê me apuros pois deve a Dryden Vos, chefão da organização denominada Aurora Escarlate. Ao travar contato com o vilão, reencontra Qi’Ra, agora braço direito do mafioso. Para roubar o produto bruto, precisa ir as minas de Kessel e levar rapidamente a um refinaria no planeta Savareen. Para isso Qi’Ra sugere usar Lando Calrissian, contrabandista veterano e dono da Millennium Falcon, nave que ele já tinha conseguido por meio de trapaça durante uma partida de Sabacc, um jogo de cartas. Entre Han e Lando, rivalidade à primeira vista; com a Falcon, amor.

Por fim, não menos importante, conhecemos a famosa narrativa de Han Solo e Chewie para fuga de Kessel em 12 parsecs (uma rota de distância fixa dentro de uma nebulosa que leva normalmente 20 parsecs), algo que só foi possível por uma turbinada de coaxium com direto a fugir de uma fera espacial (Mandíbula) e um buraco negro. Uma das cenas mais eletrizantes do longa-metragem.

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REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS
A produção de Han Solo: Uma história Star Wars, ao longo da trama, presta homenagem a algumas cenas clássicas do cinema aqui revisitadas pela ficção científica. Claro que uma das mais icônicas é justamente o olhar de despedida de Han e Qi’ra que muito se deve ao filme Casablanca (1942). Isso me chamou a atenção de imediato, mas outras referências estão ali. Leia algumas!

  1. 121_06Perseguição de “carros”Não é uma grade novidade em filmes estadunidenses, mas aqui é feita por speeders (planadores), algo visto também no Episódio II – O ataque dos clones (2002). Contudo a rápida perseguição a Han por Moloch, capanga de Lay Proxima, teve como inspirações as enormes docas industriais de Long Beach (Califórnia) e a icônica corrida de carros em Grease (1978), grande clássico de John Travolta.
  2. 121_07Guerra de trincheiraAs cenas em que Han experimenta o combate Imperial em Mimvan foram inspiradas pela guerra de trincheiras na Primeira Guerra Mundial e muito comum em filmes que retratam esse período como, por exemplo, a releitura do longa-metragem da Mulher Maravilha (2017) ou o clássico Pelo Rei e Pela Pátria (1964).
  3. 121_08Serviço Secreto em Ação (1967) – Ao desmontar um rifle, transformar na blaster clássica e jogar para Han Solo, Tobias Beckett faz referência ao filme de Frank Sinatra. Nele, o ator clássico desmonta um rifle baseado em uma Mauser C96 (designer que influenciou a confecção do blaster de Han). Aliás, ainda em relação ao armamento,  a pistola de Qi’ra é inspirada ligeiramente em uma obscura pistola da Segunda Guerra Mundial, a Mannlicher M1905.
  4. 121_09Butch Cassidy (1969)O filme de George Roy Hill serviu de inspiração para o assalto ao trem de Vandor. No clássico filme, Butch Cassidy e The Sundance Kid são os líderes de um bando de criminosos que depois de um assalto a um trem que dá errado, eles se veem em fuga com uma legião de perseguidores em seu encalço.
  5. 121_11Faroeste nas estrelasVandor representa a viagem em direção à nova fronteira, tipicamente vista no gênero faroeste. As Montanhas Rochosas, Chile, Patagônia e Dolomitas na Itália serviram de inspiração para a paisagem gelada do planeta. Mas não para por aí. A sequência do roubo do trem foi concebida, inicialmente, como um clássico filmes western, com o bando de Beckett (que tem um visual de cowboy) entrando no trem por meio de uma manada de kod’yak’s. No entanto a cena foi suprimida por causa do tempo de execução. Claro, e não podemos deixar der ver a cena da partida de baralho com trapaça em um saloon. Ao contrário de Maverick (1994) com Mel Gibson,  em Han Solo o pôquer é substituído por uma partida de Sabacc, mas contexto é semelhante.
  6. 121_12Cinemataca São muitos os ganchos para outros sucessos de Hollywood que são referidos nesse longa-metragem. Filmes como Profissão: Ladrão (1981), Fogo Contra Fogo (1995), O Homem que Burlou a Máfia (1973), O Salário do Medo (1953), O Comboio do Medo (1977), Fuga do Passado (1947), Os Implacáveis (1972), Meu Ódio Será Sua Herança (1969), O Paraíso Infernal (1939), Sete Homens e um Destino (1960), O Poderoso Chefão II (1974) e O Tesouro da Sierra Madre (1948) tiveram influência da história e do estilo no roteiro final de Lawrence e Jonathan Kasdan.

CURIOSIDADES

  • 121_13Antes da Nova EsperançaA cena de abertura em Corellia e a de Rogue One: Uma História Star Wars (2016), na qual Krennic leva Galen Erso, engenheiro chefe da Estrela da Morte, acontecem 13 anos antes dos eventos de Star Wars, Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_14A idade de ChewbaccaEste é o primeiro filme Star Wars em que Chewbacca revela sua idade: 190 anos. Isso significa que ele tem 200 anos em Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_15Caçadores de recompensaHá muitas referências aos Caçadores de Recompensa clássicos. Em uma conversa com sua esposa Val, Tobias Beckett discute sobre a possibilidade da ajuda de profissionais como a irmãs Zan (a mais conhecida tentou matar Padmé Amigdala no Episódio II – O Ataque dos Clones, 2002) ou Bossk, mercenário tradoshiano (recorrente na série animada Clone Wars, 2008) bem como um dos bandidos que treze anos depois seria contratado para rastrear a Millennium Falcon e seu piloto em O Império Contra-Ataca (1980). Lando menciona, ainda, que Tobias Beckett matou Aurra Sing, empurrando-a para a morte. Cabe lembrar que Aurra Sing foi uma caçadora de recompensas que apareceu pela primeira vez assistindo à corrida de pods no Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999) e que se tornou a mestra de Jango Fett como apareceu na série animada Star Wars: The Clone Wars (2008).
  • 121_16Indiana JonesNa nave de Dryden Vos, há mostruários de exibição e, entre todos os tesouros, alguns que podem ser reconhecidos por outra franquia de filmes: “Indiana Jones”. Há as Pedras Sankara de Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984), o ídolo da fertilidade de  Os Caçadores da Arca Perdida (1981) e também o próprio Santo Graal. Existem, também, relíquias da franquia Star Wars como uma armadura mandaloriana, holocron sith, entre outras.
  • 121_17Jabba, o HuttPor duas vezes, é mencionado o fato de Han se juntar a um grande chefe do crime em Tatooine para “um trabalho”. Provavelmente esta é uma referência a Jabba, o Hutt, que perseguirá o herói em O Império Contra-Ataca (1980) e será morto em O Retorno do Jedi (1983).
  • 121_18No capacete de Enfys Nest, líder dos Cloud Riders, está escrito um poema em Aubesh (idioma introduzido em O Retorno do Jedi, ). Sua tradução: “Até chegarmos à última borda, a última abertura, a última estrela, e não pode subir mais”.
  • 121_19BenthicOs Rebeldes que aparecem no final do filme incluem um guerreiro alienígena com uma máscara preta no rosto e dois tubos saindo de seu rosto. Este é Benthic, o segundo em comando de Saw Gerrera em Rogue One: Uma História Star Wars (2016). O personagem também apareceu em alguns quadrinhos após os eventos de Rogue One como tendo ocupado o lugar de líder Rebelde em Jedha e termina conhecendo os principais heróis trilogia clássica.

CONCLUSÃO: “Tudo que você ouviu sobre mim é verdade”
Apesar dos problemas de produção e troca de diretores, apesar da tensão e audácia de revirar e revelar a vida de um dos personagens mais amados do mundo Star Wars, Han Solo: Uma história Star Wars acaba sendo uma agradável surpresa.

O fato do filme não estar alicerçado, diretamente, na tensão mítica entre os Lado da Luz e o Lado Negro da Força, faz com que a história transcreva de forma leve, cheia de ação e com boa tiradas de humor. Não podemos comparar o humor irônico de Harrison Ford com o do jovem fã Alden Ehrenreich. O jovem Han Solo consegue preservar a nossa memória do herói da trilogia clássica, sem deixar de ter uma boa pitada de inovação.

Considero, desde que a Disney assumiu a franquia, um dos melhores filmes da nova fase perdendo apenas para Rogue One: Uma história Star Wars (2016). Claro que não podemos abstrair fato de que o filme em si é uma grande colcha de retalhos cinematográficos com muitas referências a história do cinema. No entanto isso não tira o mérito de modificar o nosso olhar e contextualizar as gerações atuais para um dos heróis mais queridos de Star Wars.

Para quem gosta da franquia, esse spin-off (produção derivada) não deixa a desejar no sentido que se conecta em muitos sentidos a toda mitologia “Guerra nas Estrelas” desde mostrar origens em torno de Han Solo e Chewie, como conectar a trilogia prequela (Episódios I, II e III) à trilogia clássica (IV, V e VI). Agora se você não é um fã, assistirá a esse longa como um bom filme de ação futurística e quem sabe até seja conquistado. Tudo vai depender SOLAmente de você, se vai querer conhecer ou não o maior piloto da galáxia e que fez o percurso de Kessel em apenas 12 parsecs.

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NERDCOMET AWARDS 2019

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Como imaginado por muita gente mesmo antes do lançamento, Coringa (Joker) superou as expectativas até mesmo dos mais otimistas. O escolhido para encarnar o perturbado inimigo mortal de Batman, não foi ninguém menos que Joaquim Phoenix, conhecido por sua excentricidade em ser extremo quando topa pegar um papel. Mas desta vez não foram exatamente seus atos como vilão que predominaram na trama, Coringa conta como o mítico personagem se fez, numa combinação de problemas mentais patológicos, com a exposição a atos insanos de crueldade vindos de uma sociedade tão doente quanto ele. Até o momento Coringa já levou o Leão de Ouro, prêmio máximo do  76º Festival Internacional de Cinema de Veneza, mas é certeza que a maior agremiação de cinema do mundo também irá distribuir estatuetas do carequinha para o filme. Tendo um orçamento de até modestos US$ 70.000.000, a produção chegou nos US$ 1.062.994.002, fazendo a Warner chorar de felicidade!

Em segundo lugar na nossa pesquisa ficou Vingadores: Ultimato (Avengers: Engame), e Toy Story 4 na terceira posição. Uma coisa é fácil de afirmar, 2019 teve foi filme bom!

 

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Segundo ano de Perdidos no Espaço (Lost in Space) custou a chegar, mas finalmente deu as caras e chegou atropelando tudo! Até mesmo The Witcher no entendimento da gente! Existiram muitas outras boas séries que mereciam ter um espaço aqui, mas devido a não se enquadrarem exatamente na temática ‘nerd’, preferimos usar isso como argumento para enxugar as dezenas de opções. Mas falando do vencedor da categoria, Perdidos no Espaço voltou, e voltou fazendo bonito. Com um início morno, a série vai ganhando gás e desbanca num climax ainda mais empolgante do que sua primeira parte, deixando mais uma vez em aberto a continuidade. O que quer dizer que provavelmente será um outro enorme ano de espera por mais conteúdo.

Em segundo lugar na nossa pesquisa ficou The Witcher, enquanto a série coreana Retaliação (Vagabond) ficou com o bronze. As duas primeiras imagino que quase todos já conhecem, mas dou a dica, se deem a oportunidade de assistir Retaliação, ela está disponível no Netflix.

 

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The Promised Neverland (Yakusoku no Neverland) é um show da arte de se fazer uma boa história, além é claro, de reunir elementos técnicos muito a frente de sua concorrência esse ano. Geralmente são os animes de ação ou de apelo muito dramático os que mais se destacam, então é curioso se ver surpreendido por uma obra de suspense e terror. Seu clima é de atmosfera pesada e tensão total, sendo valorizados por uma ambientação detalhada das coisas, pelas inovações na forma de enquadrar, no dinamismo dos movimentos, e no seu ritmo constante de qualidade ao longo de 12 episódios.

Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba) levou a prata, e a mais nova versão do clássico adaptado diversas vezes, Dororo, ficou com o bronze.

 

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O Relógio do Juízo Final (DC), minissérie ainda em andamento que introduz os personagens de Watchmen no mundo DC. E porque esse é um ano para o Watchmen (30 anos da série original, eu acho). Fora que isso, ainda consegue respeitar o conceito visual original, e a linguagem já desenvolvida por Alan Moore.

Em segundo temos Noite de Trevas – Metal (DC), onde Batman investiga o multiverso e se depara com sete versões malignas dele mesmo lideradas pelo deus das trevas conhecido como Barbatos, que planeja desencadear trevas em toda a Terra. Material bem obscuro e que já inspirou a minissérie o Batman Que Ri. Já o terceiro lugar ficou com O Retorno de Wolverine (Marvel)! O cara voltou dos mortos, ressuscitado por uma vilã com nome de deusa grega, Perséfone. Ele pode energizar suas garras e enquanto estava supostamente morto fez uma verdadeira carnificina a serviço de uma organização chamada Soteria.

 

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Nós do NerdComet procuramos manter um certo distanciamento de assuntos políticos ou de opiniões delicadas, mas muito diferente do que dizem por aí, não existe discurso 100% livre de ideologia. Quando alguém vir com essa retórica, pode ter certeza, ele não quer eliminar ideologias, ele quer impor a dele. E é nesse cenário que retrata nossa realidade no Brasil, e porque não, em algumas outras partes do mundo, que se faz necessário mergulharmos nesse assunto nebuloso. Partindo do princípio de quem almeja brigar contra o revisionismo histórico, a desonestidade intelectual, ou mesmo tirar da inércia aqueles que se colocam ingenuamente como massa de manobra, surge o livro Tudo o que você precisou desaprender para virar um idiota, da dupla do canal do YouTube Meteoro Brasil. Obviamente se você for minimamente antenado, saberá a qual outro livro este que vos digo faz paródia em seu título. O Brasil não é para amadores, e se você sobreviveu a esse 2019, parabéns!

Como compromisso civilizatório, pois você pode não ter notado ainda, mas nossa situação realmente é grave, escolhemos como segundo lugar Escravidão, de Laurentino Gomes, e em terceiro Sobre o Autoritarismo Brasileiro, de Lilia M. Schwarcz.

 

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O sangrento Período Sengoku do Japão serve de cenário para Sekiro: Shadows Die Twice, jogo que traz a essência soulslike de uma forma mais madura que suas inspirações, ao mesmo tempo que mostra mecânicas originais e identidade própria. Desenvolvido pela FromSoftware e distribuído pela Activision, o game chegou em março para o PlayStation 4, Xbox One e PC, e de lá para cá veio arrecadando uma legião de fãs. Sua beleza estética aliada a sua dificuldade empolgante, fez deste uma evolução natural de jogos como o renomado Dark Souls. Sekiro: Shadows Die Twice já recebeu o título de Jogo do Ano no The Game Awards 2019 que ocorreu em Los Angeles, e aqui no NerdComet a escolha não é diferente.

Control é outro jogo maravilhoso que não poderia ficar de fora, e leva o segundo lugar na nossa premiação, enquanto Resident Evil 2 Remake fica com o bronze.

 

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Se tem uma coisa foi comentada sem parar, e ainda estão comentando desde que O Mandaloriano saiu, é o equivocado Bebê Yoda. Qual motivo de ser equivocado? Ele não é o Yoda, ora essa! O próprio CEO da Disney, Bob Iger, diz que pequeno Gremlim tem um nome, ao mesmo tempo que não o revela. Na série, por enquanto, ele é retratado apenas como “A Criança”. Na prática isso não faz a mínima diferença, o que a Waldisney mais quer neste momento ela já está tendo, atenção máxima para seu novo personagem qual vai encher os cofres com vendas de todo tipo de brinquedos. Enquanto isso vamos espalhando memes e mais memes do parente genético do Yoda, e nos estressando. Sim, eu estou me estressando com esse boneco orelhudo. Não aguento mais!

Em segundo lugar temos o frustrante Stadia da Google, que prometeu mudar a forma de se jogar, e no fim das contas mostrou-se uma plataforma bem instável. Vai melhorar? Não sei, mas com o hype que a Google fez, deveriam ter caprichado mais nos testes antes de trazer para o grande público. Por enquanto está sendo tão bom quanto o Google Glass foi. Já em terceiro lugar temos a tão esperada conclusão da franquia Star Wars, que se iniciou a mais de 40 anos atrás. Por mais que Star Wars: Episódio IX – A Ascensão Skywalker não tenha enchido tanto nossos olhos como gostaríamos, ainda assim é um importante marco para o mundo nerd, e um provável novo início de ciclo.

 

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Aparecida Mota, Bianca Ben, Carlos Magno “Coxa”, Cláudio Almeida, Dan Pereira, Daniel Castro, Daniel Santos, Débora Sales, Felipe Pires, Flávio W. S. Lins, Graciela M. Lopes, Gustavo Henry Gabriel, Isaias Sales, João Paulo Oliveira, Julianna Sant’Ana, Júlio Cesar, Kylo Ren, Leandro Araújo, Leandro “Alucard”, Marco Lima, Maria Luíza, Maurício “Vash The Stampede”, Milena Sousa, Moisés Marques, Neto Novais, Rafael Cavalcanti, Regina Rodrigues, Rosangela Rodrigues, Simba, Pablo, Victor Silva, Wanderson, e você, que participou acompanhando nossas postagens durante todo esse primeiro ano de existência.

OS SETE MELHORES LIVROS POLICIAIS DE AGATHA CHRISTIE

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QUEM É A DAMA DO CRIME?

Bem, eu não sabia que Agatha Christie, escritora britânica (1890-1976), era assim conhecida: Rainha ou Dama do Crime (“Queen/Lady of Crime”, no original em inglês). Meu primeiro contato com essa mestra do romance policial foi justamente com o livro “O Caso dos Dez Negrinhos” ou “E não sobrou nenhum”, como hoje é mais conhecido.

Lembro que este livro, de capa amarela e com uma estátua de um negrinho, me fascinou. Estava em um biblioteca de escola de Ensino Fundamental em João Pessoa (PB). Estava no meu oitavo ano do ensino fundamental e ninguém frequentava aquele lugar cheio de bagunça e de paredes branquíssimas. A bibliotecária me recebeu toda educada e admirada de ter gente fuçando as pilhas de livros. Mas Agatha Christie estava lá.

Levei o romance para casa e devorei cada página. Final surpreendente. “O caso dos dez negrinhos”, e prefiro chamá-lo assim, foi meu primeiro surto de leitura. Li 29 livros da autora adquiridos por meio de sebos, livreiros, fazendo trocas e negócios.

Mas por que Agatha Christie é uma leitura tão esplêndida? Porque as pistas dos crimes estão ao longo da narrativa. A autora faz questão de “esfregar” na nossa cara a resolução, os indícios que deixamos passar. Eu me sentia desafiado a descobrir junto com os detetives da autora, com Hercule Poirot principalmente, o criminoso e suas motivações. Por isso me decepcionei tanto ao ler Arthur Conan Doyle e seu Sherlock Holmes que aparecia com uma solução pronta, de surpresa e dada para o leitor. Agatha Christie constrói junto com quem lê, já Doyle é fast food: tudo esta solucionado de antemão. Chegou um tempo, ao longo de tantos livros lidos da Dama do Crime, em que eu descobria junto com ela o assassino e sentia-me muito inteligente e observador.

Nas linhas abaixo selecionei as histórias da autora que mais me marcaram. Estão colocados em ordem cronológica e não afetiva. Alguns deles foram adaptados para outras mídias e fizeram tanto sucesso quanto o romance escrito. Mas confesso-lhes que nada nos tira o sabor de se sentir um ás da observação e solucionar crimes. Leia Agatha Christie e tenha essa sensação.

 

The Murder of Roger Ackroyd, 1926

SINOPSE
Na pequena vila inglesa de King’s Abbott, o passatempo são justamente as fofocas. E não poderia deixar de ser diferente, as pessoas da elite local são o principal alvo dos comentários maldosos. No centro das discussões está um abastado senhor, Roger Ackroyd, que acaba sendo alvo de um grupo de fofoqueiras que tem em Caroline Sheppard sua representante mais ferina. Os boatos ficam ainda mais exagerados quando a recente viúva, Miss Ferrars, é acusada de ter um relacionamento com Ackroyd. Isso acarreta o suicídio da mulher.

A fim de se abrir a cerca dos acontecimentos recentes, Ackroyd convida o médico James Sheppard, irmão de Caroline e amigo, para jantar e revela fatos desconcertantes. Miss Ferrars matara o próprio marido e era chantageada. Ackroyd recebeu uma carta que revelava quem era o chantagista, mas não tivera tempo de descobrir. A morte também chegou a sua porta.

O caso ficaria insolúvel se por pura coincidência o detetive Hercule Poirot não estivesse passando uma temporada de férias a cuidar de seu jardim de abóboras na pequena vila. Ele se junta ao Doutor Sheppard para tentar descobrir a trama por trás da morte de Roger Ackroyd.

COMENTÁRIOS
Quando fora lançado, este livro vendeu cerca de 5 mil exemplares, o sétimo livro mais vendido da autora. A narração é do Doutor Sheppard que termina sendo auxiliar de Poirot nas investigações. Funciona como o Watson de Sherlock Holmes, mas a comparação para por aí. Aqui as falas dos personagens são extremamente reveladoras assim como aquilo que não é dito.

 

Murder on the Orient Express, 1934

SINOPSE
Considerado o maior caso do detetive Hercule Poirot, o cenário é o luxuoso trem Expresso do Oriente que em sua época áurea ligava Paris a Constantinopla (atual Istambul). Pouco depois da meia-noite o trem fica preso e parado na neve devido ao mal tempo. Surpreendentemente cheio para aquela época do ano, na manhã seguinte um passageiro é encontrado morto com doze facadas. Isolados  no trem “encalhado” no gelo, Hercule Poirot terá que usar de toda a sua perspicácia para descobrir o assassino.

COMENTÁRIOS
O livro é baseado no verdadeiro caso de um sequestro ocorrido nos Estados Unidos, em 1932 e vendeu três milhões de cópias em seu ano de lançamento. A narrativa revolucionou o gênero devido ao seu final dramático e dilema moral. É uma das obras de Agatha Christie mais adaptadas para televisão e cinema. Há duas versões cinematográficas que merecem destaque. A primeira, de 1974, é a mais famosa, tem Albert Finney como Hercule Poirot e a direção de Sidney Lumet; já a última é de 2017 com Kenneth Branagh dirigindo o filme e também interpretando o famoso detetive da trama.

 

The A.B.C. Murders, 1936

SINOPSE
Neste romance, Hercule Poirot e o Capitão Hastings, companheiro de muitas aventuras, se deparam com um assassino em série que desafiará as capacidades dedutivas e observadoras do detetive belga e do oficial inglês.

Após retornar da América do Sul, o Capitão Hastings se encontra com seu velho amigo, Hercule Poirot, em seu novo apartamento em Londres. Nessa ocasião o belga lhe apresenta uma carta misteriosa que recebeu, assinada com “A.B.C.”. Nela está detalhada um crime que deve ser cometido muito em breve, que Poirot suspeita ser um assassinato.

Duas outras cartas de mesmo teor chegam logo a seu apartamento, cada uma antes de um assassinato sendo realizado por A.B.C. Elas estão em ordem alfabética: Alice Ascher, morta em sua tabacaria em Andover; Elizabeth “Betty” Barnard, uma garçonete sedutora morta na praia de Bexhill; e Sir Carmichael Clarke, um homem rico morto em sua casa em Churston. Em cada assassinato, um guia ferroviário da ABC é encontrado ao lado da vítima.

COMENTÁRIOS
Esta é uma obra para entender as referências. Claro que você não precisa ser um especialista em Agatha Christie, mas isso traz um gosto a mais para imersão nesse romance policial. Por exemplo, Poirot cita sua tentativa infrutífera de se aposentar plantando abóboras, como aparece em o Assassinato de Roger Ackroyd, ou adianta o enredo de Cai o pano (1975), seu último caso. Então:

“Não seria de admirar que terminasse investigando sua própria morte”, comentou Japp, rindo gostosamente. “Eis uma boa ideia, sim, senhores. Devia ser ser tema de um livro.” “Hastings é quem poderá fazer isso”, observou Poirot, piscando o olho para mim. “Seria realmente divertido”, disse Japp, rindo de novo.

Outro ponto chave desse livro é a mistura muito bem-vinda que combina uma narrativa em primeira pessoa e em terceira pessoa, algo já abordado por Charles Dickens. Uma narrativa em terceira pessoa que é reconstituída pelo Capitão Hastings, narrador-personagem da história.

Recentemente fora filmada uma minissérie justamente embasada neste romance. Poirot, interpretado pelo genial John Malkovich, conta com a direção de Sarah Phelps, nesta obra de 2018 empreendida pela BBC One. Além disso inspirou um jogo, point-and-click para consoles e computadores de mesa desenvolvido pela Artefacts Studios: Agatha Christie – The ABC Murders (2016).

 

Death on the Nile, 1937

SINOPSE
A trama gira em torno do casal Linnet Ridgeway e Simon Doyle. Ela é bonita, amada e rica; ele, ex-namorada de da melhor amiga, Jacqueline de Bellefort. Ao irem passa sua lua de mel no Egito, são seguidos pela enfurecida Jacqueline que se mostra presente em todos os momentos. Mas quando um dos lados do triângulo amoroso é assassinado, cabe a Poirot, que está de férias, descobrir quem cometeu o crime. O que poderia parecer óbvio pode resultar em uma tarefa hercúlea para o detive belga, afinal há muitos indivíduos incomuns entre os viajantes: senhoras idosas, escritora de romances eróticos, médico, um jovem de ideais comunistas, entre outros.

COMENTÁRIOS
Esta obra parte de um cenário semelhante ao Assassinato no Expresso do Oriente: o crime se dá em um meio de transporte, um cruzeiro. O livro foi adaptado para o teatro em 1949, (não pela própria autora), mas não tinha Hercule Poirot como protagonista. É outro grande sucesso de adaptações e, para o cinema, a mais famosa é a de 1978 com direção de John Guillermin tendo Peter Ustinov atuando como Poirot. No entanto, dado o sucesso da versão de Kenneth Branagh com o Assassinato no Expresso do Oriente (2018), o diretor e ator pretende fazer uma “continuação” (se é que podemos chamar assim) da trama com A Morte no Nilo tendo um elenco de peso, inclusive com Gal Gadot, a Mulher Maravilha, em um dos papéis principais.

Cabe ressaltar, ainda, que há um jogo Agatha Christie: Death on the Nile, para computador que é inspirado da obra e no qual o jogador precisa procurar pistas no cenário com base em dicas (jogo do ano de 2007 na categoria “Seek and Find” adventure). Com 12 níveis e diversos mini-games.

 

Ten Little Niggers, 1939

SINOPSE
Oito pessoas, aparentemente sem conexão entre si, são convidadas à intrigante “Ilha do Soldado”, na costa de Devon, pelo desconhecido U. N. (Ulick Norman) Owen e sua esposa. Mesmo sob diferentes pretextos, e não conhecendo os anfitriões, a atração de serem convidados para um lugar tão badalado pela mídia é mais forte que a desconfiança. Recebido por um casal de criados, os convidados precisam esperar pela chegada dos donos do lugar, uma ilha inóspita, cujo acesso só é possível por meio de um barco.

Isolados por uma terrível tempestade, na noite da chegada, um gramofone é ouvido. A voz tece acusações severas aos convidados, responsáveis direta ou indiretamente pela morte de alguém. Seus destinos passam a seguir, precisamente ou em parte, o que diz um poema sinistro emoldurado nos quartos da mansão, uma cantiga infantil que narra a sequência de mortes que acontecerão ao longo dos capítulos.

COMENTÁRIOS
É o livro, um dos mais famosos da autora (e minha primeira paixão). É a narrativa de mistério mais vendida no mundo com 100 milhões de cópias e um dos livros mais vendidos de todos os tempos, o sexto título de acordo com a Publications International.

Seu título original, Ten Little Niggers (Dez negrinhos, em tradução livre), é baseado em uma cantiga tradicional inglesa. Acusado em solo estadunidense de ser um título racista, acabou em alguns lugares recebendo o nome And Then There Were None (E Não Sobrou Nenhum)o que termina sendo um terrível spoiler. Dessa forma versões atuais no mercado editorial brasileiro imitaram essa postura e trocaram o nome da obra.

Como mais de treze adaptações televisivas ou cinematográficas, desde produções inglesas, americanas e até indianas (Bollywood), tem na versão de 1945, And Then There Were None, dirigido por René Clair a mais famosa. Inspirou ainda a minissérie britânica de 2015 da BBC One, além de ter sido referência para jogo japonês (Umineko no Naku Koro ni), episódios de Family Guy (primeiro e segundo episódio da 9ª temporada), entre outros.

 

The Labours of Hercules, 1947

SINOPSE
Depois de uma conversa com um amigo, Poirot constata que os pais deveriam ter mais cuidado na escolha do nome de seus filhos. Seu nome Hercule, por exemplo, faz referência ao herói grego de enorme estatura, força descomunal e filho de Zeus. Isso em nada reflete o baixinho bigodudo, gorducho de cabeça oval e calva que é o próprio Poirot. Então o detetive se sente tentado a buscar cumprir 12 desafios ao altura do herói grego que lhe deu nome, seus próprios Doze trabalhos. Assim passa a escolher a dedo os casos para cumprir esta árdua tarefa ao logo de doze contos com os mais diversos crimes, alguns mais complexos, outros mais simples. Todos com uma solução genial.

COMENTÁRIOS
Esta é uma obra sem muita complexidade da autora. É uma boa coletânea de contos leves e por sua própria natureza, de resolução rápida. Vale a pena, para quem curte mitologia grega (como esse cara que vos escreve), ver como a autora dá uma roupagem ou interpretação moderna para os monstros clássicos, aqui transformados em situações ou criminosos monstruosos. Ao final a Dama do Crime atualiza o herói moderno mostrando valores que sintetizam a atualidade: Poirot tem seus próprios dons divinos muito mais ligados ao intelecto do que à força bruta.

 

Curtain, 1975

SINOPSE
Este é último caso de Hercule Poirot. E como anunciado em Os Crimes ABC, o próprio detetive está no centro do mistério. Já bastante velho, o detetive belga volta ao local de seu primeiro caso, O Misterioso Caso de Styles (1920), à procura de um assassino. Para ajudá-lo, contará com seu fiel amigo, o Capitão Arthur Hastings, já viúvo. Hercule Poirot conseguiu reunir cinco crimes que, aparentemente, tiveram a participação do mesmo assassino que se encontra na mansão de Styles. O título faz referência ao final de um peça de teatro: cai o pano, fecham-se as cortina e eis o fim de tudo.

COMENTÁRIOS
Esta obra foi publicada pouca antes da morte de Agatha Christie, no entanto ela já se encontrava escrita desde a década de 1940 e mantida trancada em um cofre em um banco. A autora temia que não sobrevivesse à II Guerra Mundial, como também visava a resguardar de alguém se apropriar de seu personagem após sua morte e fazer uso de forma indevida. Claro, ainda havia a praticidade de garantir uma fonte de renda para seu esposo e sua filha. Por isso a obra só foi autorizada para publicação quando a autora não podia mais escrever.

O fato fora tão marcante que em 6 de agosto de 1975, o jornal New York Times publicou um obituário de Poirot na primeira página (com fotografia) para assinalar a sua morte (desculpa, não deu para poupar-lhe desse spoiler). Mas ler esse romance, de final igualmente surpreendente, é apreciar o “canto do cisne”: uma obra magistral antes de fechar os olhos!

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A VOZ DO SILÊNCIO – KOE NO KATACHI (CRÍTICA)

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SINOPSE
A Voz do Silêncio – Koe no Katachi (声の形) conta a história de Shōko Nishimiya, uma estudante da 6ª série do primário, que sofre de surdez. Ela é transferida para uma nova escola, mas acaba sendo intimidada por seus colegas de turma. Dentre eles, Shouya Ishida, um dos valentões que tiram sarro da menina, se torna um dos principais responsáveis por forçar a garota a mudar de escola.

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Ishida na fase do primário

 

ASPECTOS DO FILME
A animação possui traços e movimentos suaves, contando com uma imagética clara, nítida e bem detalhada. Durante a o filme, a “câmera” foca em elementos, aparentemente, irrelevantes em uma análise mais rasa. Uma boa sacada da Kyoto Animation, foi não botar legendas quando a Nishimiya sinaliza, apenas quando ela (tenta) falar. Provavelmente para mostrar como o deficiente auditivo se sente deslocado. Logo, você se vê obrigado a realmente prestar atenção às imagens. O que não se torna um problema, quando os diálogos e as cenas “vazias” são perfeitamente intercalados, sem causar aquela confusão de “olho para legenda ou pro filme?”

SOBRE O FILME
A história inicialmente, gira em torno do bullying sofrido por Nishimiya no primário (6ª série), porém não é apenas uma história de vilão e mocinho. Vemos as situações a partir do ponto de vista do agressor. Shoto se torna um “problema” para os alunos, pois, antes ela era a novidade. Visto que nenhuma das crianças conhecia aquela realidade, ela começa a incomodar. Esse incômodo é manifestado principalmente em Ueno, uma amiga de Ishida. Ela até questiona a professora sobre a nova aula com a lógica : “Se a Nishimiya é uma só, não é mais fácil ela se adaptar à maioria, do que o inverso”? Como Shoto já tinha um caderno para comunicação, isso se tornava muito mais fácil para os outros.

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(Tradução: “Eu sou surda.”)

As primeiras partes do filme já trazem fortes questionamentos. Seria a prioridade sempre da maioria das pessoas? Como criar gerações inclusivas? O que realmente é a inclusão? É importante salientar que, Ishida não era o único agressor. Mas também Ueno, (que participava ativamente), sem contar os passivos. Como Kawai, que mesmo não fazendo comentários maldosos, achava graça das “brincadeiras”. O pior comentário que Shoya poderia ouvir sobre as práticas era: ” que maldade”, ” coitada” sempre acompanhados de risos. Portanto para Ishida, que era um menino popular na sala, estava fazendo o papel de bobo da corte, o que era positivo pra ele.

118_03(Nishimiya chegando em casa após ser agredida)

É interessante lembrar que o filme se passa no Japão, onde o bullying costuma ser bem radical. Com agressões, pichações na carteira ou no quadro como: ” se mate ” (nos níveis mais exagerados). E muitas desses atos eram praticados com Nishimiya. Portanto, a maioria dos ocidentais quando veem o filme, podem achar algo bem cruel para crianças de 10 anos.

118_04(Ishida jogado no lago da escola)

O GRANDE PLOT  – Não é um spoiler. Acontece logo no início. É quando a situação se inverte, Ishida é tratado como semente ruim e se torna alvo do bullying. Isso ocorre quando o professor diz à turma que a mãe de Nishimiya a tirou do colégio, pela filha estar sofrendo bullying. A turma logo aponta para Ishida, que se torna o único responsável por tudo que ocorreu. Mesmo que ele acuse outras pessoas, ninguém o leva à sério.

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(Visão de Ishida no colegial)

Silenciado, ele mesmo se exclui de tudo e todos. Isso é mostrado após uma passagem de tempo no filme, quando os personagens já estão no colegial, onde Ishida enxerga um ” X” tampando o rosto das pessoas, como um símbolo de perigo. Com um sentimento de arrependimento, Shoya procura Nishimiya para pedir perdão e tentar se reaproximar. Inicialmente, ele só faz isso por se sentir culpado. Mas durante essa odisseia muitas coisas mudam para o personagem, incluindo sua percepção e sentimentos sobre Shoto e também as pessoas a seu redor.

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(Ishida conhece Nagatsuka)

Quando me refiro à percepção, também quero incluir confiança. Quando Ishida percebe que alguém não é uma ameaça, o “X” no rosto da pessoa cai, como um adesivo sem cola. Isso acontece inicialmente com Nagatsuka, que se torna o primeiro amigo de Ishida nesta nova fase. É importante ressaltar, que não é uma simples história linear, há uma teia formada entre os personagens que envolvem vários fatores além do passado. O que cria uma simpatia pelos personagens, tornando-os “humanos” aos olhos do espectador e contribui para que o longa-metragem seja tão emocionante. Mas, não posso passar muito desse ponto, pois já se tornaria spoiler, o que não é o objetivo desta postagem.

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(Ishida e Nishimiya no metrô)

INTERPRETAÇÃO E CONCLUSÃO
A grande mensagem do filme é a dor que o silêncio esconde. Os conflitos da história são causados pelo silêncio. Seja ele em forma de negligência, como aconteceu com as agressões que Shoto sofreu, seja omitindo sentimentos, como Ishida o fez. Em uma das cenas iniciais, é mostrado um rio, formando ondas circulares que vai se expandindo como se algo entrasse em contato com a água.

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Por mais fútil que possa parecer, essa única imagem já diz muito sobre a narrativa, em que pequenas atitudes, causam grandes problemas. Como por exemplo, a tentativa de suicídio de Ishida (Não é um spoiler, também faz parte do início do filme) que é basicamente, quando ele transborda de culpa e sentimentos ruins que acumulou durante tanto tempo, entre outras situações que ocorrem no filme.

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INTERAÇÃO
Mas claro, está é a minha visão sobre Koe no Katachi. Pode ser que você discorde do meu ponto de vista e apontamentos, ou tenha algo para acrescentar. Portanto, se sinta à vontade para compartilhar suas observações ou opiniões, na área de comentários abaixo.

INFORMAÇÕES SOBRE O FILME
Gêneros: Animação (Anime), Drama e Romance
Lançamento: 17/09/2016 (Japão)
Duração: 2h e 9min
Classificação: 16 anos
Disponível em: Netflix
Produzido por: Kyoto Animation
Dirigido por: Naoko Yamada
Escrito por: Reiko Yoshida
Design: Futoshi Nishiya
Música: Kensuke Ushio

PERSONAGENS E SEUS DUBLADORES
Shoya Ishida: Miyu Irino e Robbie Daymond
Shoto Nishimiya: Saori Hayami e Lexi Marman
Yuzuru Nishimiya: Kristen Sullivan
Tomohiro Nagatsuka: Graham Halstead
Naoka Ueno: Gia Grace
Miki Kawai: Amber Lee Conors
Miyoko Sahada: Melissa Hope
Toshi Mashibasa: Max Mittlelman

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THE WITCHER – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Não importa em que mundo você esteja, ele sempre será bastante perverso com o diferente ou com o que não compreende. E num lugar assim, como qualquer outro, que Geralt de Rívia vive, um caçador de monstros que vaga solitariamente buscando conhecer a si mesmo para encontrar seu lugar num mundo onde as pessoas podem ser muito mais cruéis que as mais terríveis bestas que enfrenta. Seu destino o leva a conhecer Yennefer de Vengerberg, uma poderosa feiticeira e, Cirilla Fiona Elen Riannon, uma jovem princesa sobrevivente de uma chacina, e detentora de um perigoso segredo. Juntos esse incomum trio precisa aprender a conviver e caminhar por este inóspito continente habitado por todo tipo de perigosas criaturas.

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COMENTÁRIOS
Aguardadíssimo por uma legião de fãs, mais da série de jogos eletrônicos do que dos livros originais de Andrzej Sapkowski, The Witcher chegou arrebentando tudo na Netflix nesse finzinho de 2019. Muito diferente do que alguns jornalistas do ramo vinham alimentando como ideia, a série em nada tem métrica para se comparar a Game of Thrones. Os conceitos são diferentes, a linguagem é outra, e o público alvo não exatamente é compatível. Enquanto a obra de George R. R. Martin aborda de forma pesada os conflitos pelo poder, quase como num House of Cards, The Witcher está mais preocupado (ao menos nesta primeira temporada) em trazer uma aventura fantástica num ambiente onde a politização tem outra natureza. Racismo e atritos entre diferenças sociais são os elementos mais comuns, e nesse canário vamos compreendendo o alinhamento moral de Geralt, herói desta história.

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Um dos principais méritos de The Witcher são suas imponentes tomadas de lutas coreografadas, geralmente em grandes planos sequências, sincronia impecável, velocidade, e muito vigor, mostrando o altíssimo nível de dedicação de Henry Cavill aos treinos para o papel. Todo os conceitos, que até então eram graficamente exclusivo dos jogos The Witcher, foram acolhidos e muito bem explorados pela equipe de design artístico. Trazendo belíssimas e convincentes paisagens digitalizadas e, uma elaboração bastante realista de grandes salões de castelos, calabouços, e vielas detalhadas de reinados de todos os tamanhos e tipos. A produção é muito bonita e confortável, com uma saturação sóbria que contribui bem para a atmosfera de mistério por trás de um universo que se revela aos pouquinhos. Aqui não existem grandes linhas de diálogos para te inserir artificialmente na ‘main story’, você terá de ter paciência e atenção para entender onde o roteiro quer te levar. O universo de The Witcher é vasto e muito rico em detalhes, não devendo em nada aos contos de Tolkien, ou mesmo a George R. R. Martin. Sua linguagem não é das mais simples, e ao mesmo tempo que acelera com vigor em momentos de ação, também traz alguns grandes e inconsistentes intervalos de tempo entre eles. O que no meu ver não é motivo algum para qualquer coisa ser taxada como bom ou ruim, neste caso considero o roteiro sendo o que é, já que ele não almeja ser obrigado a manter um dinamismo artificial.

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Vou ser franco aqui, eu conheço consideravelmente os games da franquia, mas não sou um exato fã. Não me identifico muito com a mecânica de RPG mais voltada para ação hack ‘n slash, fui doutrinado a viver em cativeiro com jRPG’s baseados em turno que as vezes duram centenas de horas, mas reconheço a grandeza que é The Witcher, e o quanto sua fanbase estava ansiosa pela série. E de forma mais do que merecida eu preciso parabenizar a comunidade de adeptos pela qualidade do presente de natal que receberam, e The Witcher é simplesmente fantástico! Não encontrei pontos para dizer o que poderia ser melhor, e imagino que essa será uma produção que ficará marcada como uma excelente adaptação de jogo para a TV. E sim, eu sei que existe o livro, mas é indiscutível que o que fez The Witcher ser o que é hoje, foi o estrondoso sucesso da CD Projekt RED em 2007.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra, Jodhi May, Björn Hlynur Haraldsson, Adam Levy, MyAnna Buring, Mimi Ndiweni, Therica Wilson-Read e Emma Appleton. Adaptado por Lauren Schmidt Hissrich, que se baseia na saga literária Wiedźmin (2011~2019) de contos e romances de fantasia do polonês Andrzej Sapkowski, a série The Witcher original da Netflix estreou no dia 20 de dezembro de 2019. A superprodução coproduzida nos Estados Unidos, Hungria e Polônia, é dirigida na parceria de Tomasz Bagiński e Alik Sakharov, e tem como produtores executivos Sean Daniel, Jason Brown, Tomasz Bagiński (também diretor), Jarosław Sawko, e a própria roteirista Lauren Schmidt Hissrich. A primeira temporada possui um total de 8 episódios, com cerca de 60 minutos de duração cada.

CONCLUSÃO
Seja você um fã dos jogos, consumidor dos contos originais de Andrzej Sapkowski, ou mesmo os dois, não importa, eu tenho certeza que ficará bastante satisfeito com essa adaptação muito respeitosa de The Witcher. Diferente de Game of Thrones, a pegada aqui é outra, temos um cenário de conflitos e problemas sociais, onde um herói e duas outras personagens ascendem em suas histórias pessoais até o instante onde o destino os unirá. Não, isso não é spoiler, está na própria sinopse oficial, que é até tímida na retratação do plot. Essa aventura dramática de fantasia medieval tem potencial de agradar qualquer tipo de público. Embora seu enredo inicial exija uma atenção dedicada para não se perder, sua fluidez permite uma fácil assimilação. Curte aventura de fantasia medieval e estava procurando o que assistir? The Witcher é obrigatório para você! Classificado como recomendado para maiores de 16 anos, a série está disponível oficialmente no serviço por assinatura Netflix.

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ID – O PSICÓLOGO DE ROBÔS (NEWS)

SINOPSE

No futuro, uma série de robôs é criada com um sistema operacional que simula o consciente e inconsciência tal qual Freud explicou, com algoritmo que simulam o ID, Ego e SuperEgo. Robôs com esse sistema operacional eram mais inteligentes e capazes de criar infinitas soluções para qualquer problema, mas tal como nos humanos, começaram as psicopatologias: Robôs com depressão, ansiedade, crise de pânico, bipolaridade etc. Para resolver esse problema uma nova profissão é criada: o psicanalista de robôs.

 

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Capa do livro, ilustração de Vitor Wiedergrün.

DO QUE SE TRATA?

De forma resumida este é um filme de ficção científica sobre inteligências artificiais que desenvolveram emoções. Histórias sobre robôs não faltam na nossa biblioteca de contos humanos. Nomes como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick, inspiraram gerações a pensar sobre o futuro e, no como a humanidade poderia ser substituída, ou mesmo superada por novos seres, mais desenvolvidos e criados por nós. Sem contar os filmes que tratam desse tema cada vez mais contemporâneo. ID – O Psicólogo de Robôs é um projeto de longa metragem que também bebe dessa fonte, e almeja ampliar ainda mais o catálogo desse gênero, trazendo novos elementos e modos de contar essa epopeia distópica sobre relações entre humanos e robôs. Se baseando no livro O Psicanalista de Robôs de Gabriel Billy, os envolvidos no projeto enxergam grande, e almejam dar vida a uma referência do cinema brasileiro de ficção científica. Então vamos conhecer um pouco sobre seus personagens centrais.

 

CURTA METRAGEM

Para mostrar um pouco da história do longa, foi feito um curta no começo de 2019. Uma história paralela ao longa que mostra como esse tema tem um potencial enorme.

SINOPSE DO CURTA: Em mais um dia normal de trabalho, Adão encerra seus atendimentos psicológicos com uma paciente que guarda um segredo que precisa contar para alguém. Adão usará todas as suas habilidades para descobrir o que Alexa esconde, mas pode ser que seus segredos sejam muito maiores do que ele imagina.

 

PERSONAGENS

  • Adão (Junior Osvald): É principal psicólogo de robôs da PSY, um homem inteligente mas que sente muita culpa, e procura de alguma forma a redenção.
  • Zoe/Lilith (Sthefany Lorentz): Um robô criado para satisfação sexual, mas que não quer se relacionar, consegue sentir amor e, tem dupla personalidade.
  • Samuel: O chefe da PSY, um homem frio que enxerga os robôs como tecnologia robótica desenvolvida com o mero fim de atender as necessidades dos homens.
  • Lúcia (Karolline Santana da Silva): Líder dos naturalistas. Uma mulher decidida e que busca uma salvação final para a humanidade.
  • Miguel: Líder dos techis, um homem que acredita na utopia de um dia robôs e humanos serem capazes de conviver em harmonia.
  • Elisa (Isadora Bittencourt): Recepcionista da PSY, é uma mulher misteriosa e que parece saber muito mais do que demonstra.
  • Max: Este é o elhor amigo de Adão, é um homem cheio de preconceitos quanto aos robôs, em uma única palavra, “robofóbico”.
  • Evelyn (Joanice Castro): Esposa falecida de Adão, uma mulher que sofria de uma depressão tão profunda, que nem mesmo seu marido psicólogo conseguiu ajudar.
  • Harriet: Um robô que trabalha com Lilith para que um dia seus semelhantes sejam finalmente libertos.
  • Gabriela: Atriz trans que apoia a causa dos techis.

 

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Parte da equipe reunida

A EQUIPE

DIREÇÃO
Diretor, Roteirista e Produtor: Rikardo Santana-Silva
1º Assistente de Direção: Mateus Ross
2º Assistente de Direção: Annelyse Bosa
Assistente de Produção: Eraldo Mota e Rayssa de Souza
Supervisor de Roteiro: Jacob Galon
Coordenadora de Roteiro: Tallyta Moraes
Preparador de Elenco: Junior Pereira
Consultora: Isadora Souza
Fotografia de Still: Mikaella Carbonera
Making of: Tata
Storyboard: Letícia Gomes
Estagiários: Rafael Elias e Matheus Fronza

ARTE
Designer de Produção & Figurinista: Luciana Lourenço
Assistente de Arte: Jessica Nayara
Assistente de Figurino: Letícia Ross
Decoradora de Set: Viv Brüschz
Assistente de Decoração de Set: Laura Maria Toledo
Contraregra: Larissa Martins
Maquiagem & Cabelo: Joanice Castro
Assistente de Maquiagem: Rafael Bonacin

FOTOGRAFIA
Diretor de Fotografia: Guilherme Labiak
1º Assistente de Fotografia: Max Martins
2ª Assistente de Fotografia: Bianca Leal
Gaffer: Roberto Willan
Best Boy: Oraci Pereira
Second Unit: Fernanda Suguimati
Assistente de Second Unit: Juliana Vilela
Operador de Drone: Pablo Vaz

PRODUÇÃO
Diretor de Produção: Edgar Krüger
Gerente de Locação: Willians Camargo
Assistente de Catering: Matheus Cassiano
Técnico de Som: Carlos Lemos
Microfonista: Ana Lemos
Logger: Gabriel Eckstein

EDIÇÃO
Editora & VFX: Thamires Trindade
Assistente de Edição: Gabriel Eckstein
Colorista & Editor de Trailer: Nyck Maftum
Edição de Som & ADR: Lucas Pereira
Música Original: Gabriel Billy
Foley: Ana Lemos e Carlos Lemos
Title Designer: Helen Sippel
Tradução & Legendagem: Beatriz Sganzerla

COMUNICAÇÃO
Diretor de Comunicação: Phillipe Halley
Assessora de Imprensa: Joceline Alemar
Divulgação Digital: Brenner Natal
Redes Sociais: Luciana Lourenço
Website: Karolline Santana da Silva
Design Gráfico: Dany Ribeiro

 

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DESAFIOS DE PRODUÇÃO

A Produtora Banana Filmes Curitiba começou atuar no ano de 2017, sendo um grupo de alunos da Hollywood Film Academy. Atualmente, está formalizada como uma produtora cinematográfica e possui um corpo de nove colaboradores: Edgar Krüger, Gui Labiak, Jacob Galon, Jessica Nayara, Karolline Santana da Silva, Luciana Almeida, Mateus Ross, Rikardo Santana-Silva e Viv Brüschz. A produtora tem como foco a produção de cinema, e para isso está recorrendo a novas maneiras de financiar seus filmes. A Banana Filmes já fez dois longas metragens, cada um tendo um custo total de R$2500,00. Esse valor foi bancado pela própria equipe e elenco, pois todos tinham o sonho de fazer um longa, custasse o que fosse. O primeiro longa foi Eterno Retorno, gravado em um plano sequência, e o segundo, Trieu, gravado em inteiramente em inglês, ou seja, sempre se colocando um desafio nas produções. No total já foram feitos pela equipe 10 curtas metragens, 5 videoclipes, 1 piloto de série e 2 longas. O desafio com ID – O Psicólogo de Robôs é um pouco maior, e para isso a produtora irá precisar de ajuda de novos colaboradores.

 

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COMO FAZER PARTE E AJUDAR?

O filme irá passar por três etapas, a pré-produção, produção e a pós-produção. E como qualquer coisa bem feita, é necessário não apenas esforço, mas investimento financeiro. Então o que você acha do seu negócio estampar como um dos apoiadores deste trabalho de arte? Não entenda este gesto como uma simples ajuda, mas como um investimento real para o seu trabalho. A propaganda é a alma do negócio, correto? Então se você tem uma marca e gostaria de ter seu nome associado à uma boa ideia, está aí uma ótima forma de se promover enquanto ajuda um excelente projeto a sair do papel!

O programa escolhido para o financiamento coletivo é o Catarse, então clique aqui para conhecer ainda mais sobre o próprio projeto, e como você pode ajudar.

O NerdComet não recebe nada com esta divulgação, apenas temos como lema apoiar todas aquelas boas ideias e vê-las concretizadas. Este também é um excelente tipo de pagamento. Então se você não pode colaborar financeiramente, não tem problema, apenas divulgue esta ideia nas suas redes sociais e entre sua network. Vamos ajudar este filme acontecer!

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O ESCOLHIDO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO:
Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.

Lúcia, Enzo e Damião são médicos enviados para Águazul, um vilarejo remoto no Pantanal Matogrossense para vacinar os moradores contra uma nova mutação do virus da zika. Chegando no lugar o trio é hostilizado pela população, que rejeita violentamente a presença não só deles, mas de qualquer profissional de saúde. Todos os moradores seguem uma obscura seita, onde alguém, ou alguma coisa, conhecida como Escolhido, dita todas as regras. Decididos em cumprir suas tarefas de vacinar toda aquela pessoas, os três precisarão enfrentar coisas mistérios inimagináveis.

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COMENTÁRIOS
Atraído por um curioso trailer decidi dar uma chance ao O Escolhido (Para exportação: The Chosen One), série tupiniquim com uma abordagem bem diferente do que estamos acostumados nos produtos nacionais. A produção se trata de uma adaptação da série mexicana Niño Santo (2011), criada por Mauricio Katz e Pedro Peirano. Apresentando um drama com altas doses de suspense paranormal, somos obrigados a nos acostumar com seu tenebroso ponto fraco, as fraquíssimas atuações, e passamos a focar no que realmente é interessante, sua trama. Não que este último faça o roteiro ser uma obra prima, mas seu plot inicial é bastante intrigante para nos prender a atenção. Mas retomo um pouco mais a conversa para as atuações, e recobro que ela não é de toda ruim. São muitos os personagens de O Escolhido, e ironicamente são os principais os que se mostram menos íntimos dos holofotes. Em certos momentos até rola um bom entrosamento entre os três, mas não precisam muitas linhas de diálogo para coisa desabar na artificialidade, parecendo ter sido escrito por quem não tem mesmo o tino pra coisa. E para completar a estranheza, os personagens secundários são bem melhor interpretados, com desenvolvimentos interessantes e bastante convincentes.

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A série conta com apenas seis episódios na primeira temporada, e para mim, mesmo sendo algo curto, foi complicado manter o interesse. O que eu falei sobre ignorar as más atuações e se entregar à trama, acaba não se sustentando por muito tempo. Quando você está envolvido o suficiente, surge um anticlímax pesado, fruto de um interpretação catastrófica, que te faz ter vontade de voar no ator para exigir que ele faça seu trabalho direito. Foram apenas quatro as atuações que me convenceram, e que infelizmente não eram o suficiente para sustentar a qualidade. Mariano Mattos Martins como Mateus, Renan Tenca como ‘O Escolhido’, Lourinelson Vladmir como Santiago, e Francisco Gaspar, como o homem simples Silvino, foram os que deram alguma sobrevida para a série. Mas os três principais atores, pelo menos neste trabalho, definitivamente não foram nada felizes. Considero uma pena o resultado final, e fiquei até curioso em assistir Niño Santo (2011), já que o plot original me pareceu bem bacana.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Paloma Bernardi, Pedro Caetano, Gutto Szuster, Renan Tenca, Mariano Mattos Martins, Alli Willow, Tuna Dwek, Francisco Gaspar, Lourinelson Vladmir, Kiko Vianello, Bruna Anauate, Alexandre Paro, Cintia Rosa, Paulo Azevedo, Laerte Késsimos, Paulo Marcello, Fafá Rennó, Tsupto Xavante, Tião D’Ávila, Maria do Carmo Soares, Fernando Teixeira, Adriano Paixão, Cesar Pezzuoli, Ana Nero, Cesar Pezzuoli, João Carlos Andreazza, Laura Chevi, MC Choice, Brian Castro, Astrea Lucena e Aury Porto compõem o elenco. Adaptado da série mexicana Niño Santo (2011) por Raphael Draccon e Carolina Munhóz para o mercado nacional, a série O Escolhido de 2019 é dirigida por Michel Tikhomiroff, e é produzida pelo estúdio Mixer Films sob a produção executiva dos próprios roteiristas Raphael Draccon e Carolina Munhóz, em parceria com Lanna Marcondes. A produção original distribuída pela Netflix, hoje conta com duas temporadas de seis episódios cada.

CONCLUSÃO
Com um roteiro bastante interessante, O Escolhido é capaz de prender nossa atenção ao menos nos seus dois primeiros episódios, mas creio que dificilmente alguém não vá torcer o nariz e começar a se sentir ainda mais incomodado pelas atuações pouco convincentes. Alguns atores estão muito bem, enfatizando o próprio ‘Escolhido’, que cria um personagem de psicológico complexo que nos gera uma confusão agradável sobre qual é seu real alinhamento moral, no entanto o trio principal parece completamente perdido, fazendo a série descer ladeira a baixo em qualidade. Agora estou curiosos para assistir Niño Santo (2011), já que a O Escolhido ofereceu uma bala doce por fora, mas bem amarga por dentro. A série é recomenda para maiores de 16 anos, e está disponível com suas duas atuais temporadas no serviço por assinatura Netflix.

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20TH CENTURY BOYS – TRILOGIA (CRÍTICA)

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SINOPSE
114_01Kenji é um cara adulto perto dos quarenta, solteiro, morando com a mãe e, quem cuida da pequena Kanna, sobrinha deixada por sua irmã qual desconhece o paradeiro, e nem ao menos sabe quem é o pai. Passando por uma situação de aperto após transformar sua pequena loja numa conveniência franqueada, é visitado por dois investigadores da polícia procurando informações sobre uma família vizinha desaparecida por completo e de forma misteriosa. Aquele era um período bem estranho, com a epidemia de um vírus ainda não compreendido ceifando vidas pelo mundo, enquanto no Japão uma seita fanatizava todas as classes de pessoas. E o mais curioso é que esse grupo utilizava um símbolo que não era estranho para Kenji, lhe resgatando desorganizadas memórias de quando garoto. Uma notícia triste chegava, Donkey, um bom amigo de infância havia morrido por suicídio ao se atirar de um prédio. Todos aqueles amigos de décadas então se reuniram em seu funeral para prestar homenagens e se despedir, momento onde muito se reviram após muito tempo. Colocando o papo em dia comentam sobre a suspeita de Donkey ter se juntado ao culto do autointitulado ‘Amigo’, aquele com o símbolo de um olho com uma mão apontando como seta para cima, e que Kenji já havia visto antes discretamente desenhado numa parede da casa daqueles vizinhos que sumiram. Os amigos se entreolham questionando quem havia criado aquilo, cogitando que provavelmente algum deles deveria ser o ‘Amigo’, já que ninguém mais conhecia aquele desenho. Buscando nas lembranças eles iam trazendo informações adormecidas, e recordaram de terem enterrado uma cápsula do tempo. Saindo do funeral o grupo segue para onde acreditam ter escondido seus segredos da infância, e para surpresa dos mesmos, encontram o que buscavam. Era uma lata de metal que continha além de objetos sem relevância, também desenhos sem muito sentido, e uma bandeira com o tal símbolo das brincadeiras que faziam. O Livro de Profecias, também lembraram disso, embora não estivesse naquela lata. Era nele que o grupo. Naqueles escritos de criança, imaginavam um futuro onde um poderoso vilão surgia com os planos de destruir o mundo, e que apenas a união deles seria capaz de impedir. O problema era que a realidade de então, era muito parecida com aquelas histórias de menino.

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MEUS ERROS DE MEMÓRIA
Vocês já passaram pela situação de assistir algo que ficou marcado na sua memória por um motivo não muito claro? As vezes acontece por conta de uma cena muito impactante, um personagem interessante ou até mesmo por sua estranheza. Comigo neste caso foi uma mistura de todas essas coisas. Não recordo com exatidão o período, mas visto que este é um filme de 2008, e estou me referindo ao primeiro da trilogia por enquanto, vi bem mais a frente do que eu imaginava. No meu subconsciente eu tinha visto junto com os meus amigos de infância, lá por 1997 ou 1998, mas definitivamente não é o caso, o longa é dez anos mais novo. Ou seja, eu criei uma falsa memória. E o curioso é que imagino a razão, e está diretamente relacionada ao conteúdo do filme. Visto que nele existe um grupo de adultos por volta dos quarenta anos que tenta quecobrar a infância, enquanto somos apresentado a um monte de flashbacks. O que me leva a entender, que eu mesmo, por saudosismo do convívio com os meus amigos, fiz uma mistura absurda de informações antes de engavetar no cérebro. Não é algo relevante para ser dito, mas particularmente achei essa revisão de realidade bastante interessante.

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O QUE É 20TH CENTURY BOYS?
Esta provavelmente vai ser a tarefa mais difícil das minhas aventuras de escrever, fazer ser claro do que se trata 20th Century Boys, ao mesmo tempo que mantenho o foco em te convencer do quanto ele é interessante, e sem liberar os spoilers essenciais para tal convencimento. O que talvez já tenha dado para entender, é que suas “cerejas” do bolo, sim, aqui existem muitas cerejas, sejam seus complexos e atmosféricos segredos. Mas primeiro vamos entender suas origens e um pouco sobre seu criador. 20th Cenruty Boys originalmente é uma mangá de mistério e ficção científica criado por Naoki Urasawa em 1999, que rendeu 22 volumes, e foi finalizado em 2006. Logo na sequência, ainda no mesmo ano, lançou mais 2 volumes do intitulado 21th Century Boys. O autor até então pouco conhecido publicou simultaneamente enquanto trabalhava neste que falamos agora, Monster, uma obra popular entre os amantes de mangá, série de mistério finalizada em 2001.

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O mangá 20th Century Boys alcançou grande sucesso, lhe rendendo o Prêmio Kodansha Manga em 2001, o Prêmio de Excelência do 6º Japan Media Arts Festival em 2002, o Shogakukan Manga Award também em 2002, o Prêmio Internacional de Festival de Quadrangas de Angoulême para uma série em 2004, o Grande Prêmio da Associação de Cartoonistas do Japão em 2008, o Prêmio de Melhor Comic da Seiun em 2008, o Prêmio de Melhor edição dos EUA de Material Internacional pela Eisner em 2011, e para finalizar, recebeu novamente um repeteco deste último prêmio da Eisner em 2013. Então agora vamos ao que interessa mesmo, falarmos sobre sua versão em live-action, que não chega a ser tão rica como o mangá, afinal, essa é a coisa mais normal em se tratando de adaptações, mas que mesmo assim é um trabalho fabuloso e merecedor de atenção, tanto de quem só curte cinema, quanto dos otakus tarados pelos trabalhos brilhantes de Urasawa.

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CONCEITOS CINEMATOGRÁFICOS
A adaptação do mangá 20th Century Boys para o cinema foi divida em três partes, e são elas: 20th Century Boys: Beginning of the End (2008), 20th Century Boys 2: The Last Hope (2009) e 20th Century Boys 3: Redemption (2009). Seu título, que em tradução livre seria Garotos do Século 20, é emprestado de uma música da banda inglesa de folk e rock clássico, T. Rex, que fez bastante sucesso nos anos 60 e 70. A estrutura conceitual das três partes é a mesma, com uma película granulada sem muito exagero, em certos momentos traz uma câmera trêmula, e mostra sofisticação com cenas induzindo visão em primeira pessoa, com direito a olho de peixe e tudo mais. A direção ao mesmo tempo que mostra versatilidade na sua forma de filmagem, não faz questão de fazer isso parecer uma exibição gratuita de técnicas, tudo é muito natural e fluído, informando que a linguagem visual tem uma única intenção, valorizar a atmosfera pesada do roteiro. E o resultado no meu ponto de vista ficou fantástico. Temos um filme que se você abrir aleatoriamente em qualquer ponto terá a sensação de ser uma obra barata, praticamente amadora, mas definitivamente passa muito longe disso.

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ROTEIRO CABULOSO!
Como dito antes, o filme é separado em três partes, mas deve ser enxergado como uma única peça, assim como na trilogia O Senhor dos Anéis. Indo e vindo no tempo, o roteiro se foca em Kenji, que não escolhe, mas é notado pelos amigos desde a infância como um líder. Desajeitado, pouco esforçado, e até com uma certa lentidão de raciocínio, é reconhecido pelos outros por sua lealdade e força de vontade natural. Quando falamos da primeira parte, Beginning of the End, o foco da narrativa se agarra nele, explorando pequenas recuperações de memórias de períodos diferentes do passado, para ir montando um intrincado quebra-cabeças que se desmonta e remonta constantemente. O grande mistério aqui é desvendar quem é aquele que chamam de Amigo, já que todo o pacote inventado pelo grupo quando crianças, está sendo posto em prática literalmente por aquele homem misterioso. Desde a aplicação do símbolo inventando pelos jovens, quanto as perigosas promessas de um fim do mundo. Para todos o Amigo é visto como um profeta, uma verdadeira personificação divina, mas para Kenji e seus amigos, aquele só poderia ser um dos garotos que presenciaram suas invenções inocentes do passado, e decidiu brincar com o restante do grupo enquanto ascendia para o ato final do Livro de Profecias. A narrativa da adaptação preserva os principais e mais importantes aspectos que são vistos no mangá, e isso tendo o controle de qualidade do próprio Naoki Urasawa. Particularmente considero o roteiro uma obra prima, por conseguir controlar e manter a clareza mesmo com tantos personagens e elementos complexos se destruindo e reconstruindo, sem nunca perder sua atmosfera de tensão.

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SENTIMENTO DE ANGÚSTIA
Eu pelo menos mergulhei de cabeça na trama, e identifiquei bastante similaridade desta ficção com a nossa realidade de fim de 2019 no Brasil, onde temos mais do que nunca, um comportamento fanatizado de pessoas carentes que se agarram num personagem de idoneidade ao menos discutível. Quando o roteiro precisa te chocar mostrando o nível de alienação daqueles que seguem o Amigo, ele não brinca em serviço, trazendo de forma explícita a brutalidade com que aplicam violência contra aqueles que se opõem, ou mesmo falham no entendimento do líder hierárquico presente no momento. O sentimento é de angústia por saber que aquela atitude fanatizada e cega, não se restringe apenas a ficção, e se não cuidarmos de dissuadir, pelo menos moralmente, esses núcleos de gente mentalmente perturbadas, deixaremos só de assistir de longe, para ter aqui no nosso quintal, uma intolerância religiosa institucionalizada, e talvez até mesmo aparelhada pelo Estado. Procuro evitar ser literal com política nos nossos conteúdos, mas existem momentos onde sermos omissos, é estarmos assumindo cumplicidade com o errado. E quem acompanha o NerdComet sabe, aqui não abrimos mão de expressarmos nossos opiniões e reflexões, quem dirá num instante tão sombrio quanto o que vivemos. Conspirações e manipulações em massa nunca são coisas inofesivas, como sempre dizem meus velhos e valiosos  amigos do canal Meteoro Brasil no Youtube.

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TRILHA SONORA
20th Century Boys: Beginning of the End abre ao som do inglês T. Rex, e na mesma vibe também traz Like a Rolling Stone de Bob Dylan. O humor das crianças do filme faz criar Bob Lennon, uma música composta na história por Kenji, homenageando personagens da cultura pop que dispensam apresentações. O japonês Ryomei Shirai, compositor de dezenas de trabalhos para jogos eletrônicos, animes e filmes, é quem assina o ‘score’ da trilogia 20th Century Boys, além de fazer o arranjo de Ai Rock Yû, um empolgante hard rock performado num concerto ao vivo no filme. Só fico devendo a explicação de informar se a banda era real ou apenas um arranjo montado para o longa. A letra é do próprio Naoki Urasawa, que também escreveu Brothers, e obviamente a já comentada Bob Lennon. Também temos a swingada Koi no Kisetsu de Taku Izumi, e Penelope, de Joan Manuel Serrat e Augusto Algueró, executada pela Grande Orquestra de Paul Mariat, com violinos, metais, e pianos belíssimos.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Toshiaki Karasawa, Etsushi Toyokawa, Takako Tokiwa, Teruyuki Kagawa, Hidehiko Ishizuka, Takashi Ukaji, Hiroyuki Miyasako, Katsuhisa Namase, Fumiyo Kohinata, Kuranosuke Sasaki, Shirô Sano, Mirai Moriyama, Kanji Tsuda, Takashi Fujii, Hanako Yamada, Arata Iura, Nana Katase, Chizuru Ikewaki, Airi Taira, Raita Ryû, Ibuki Shimizu, Kaoru Fujiwara, Riku Uehara, Tadashi Nakamura, Dave Spector, Rina Hatakeyama e Tomiko Ishii compõem o elenco.

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20th Century Boys: Beginning of the End
Lançamento:
30/08/2008
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteiristas: Yasushi Fukuda, Takashi Nagasaki, Naoki Urasawa e Yûsuke Watanabe
Produtores: Morio Amagi, Xaypani Baccam, Ryûji Ichiyama e Nobuyuki Iinuma
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 38.231.562

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20th Century Boys 2: The Last Hope
Lançamento:
31/01/2009
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteiristas: Yasushi Fukuda, Takashi Nagasaki  e Yûsuke Watanabe
Produtores: Morio Amagi, Ryûji Ichiyama e Nobuyuki Iinuma
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 29.502.213

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20th Century Boys 3: Redemption
Lançamento:
29/08/2009
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteirista: Yasushi Fukuda
Produtores: Morio Amagi, Ryûji Ichiyama, Nobuyuki Iinuma e Futoshi Ohira
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 48.397.818

CONCLUSÃO
Uma coisa eu posso te garantir, eu duvido muito que você já tenha sido exposto a uma trama tão intrigante e complexa como essa. 20th Century Boys com certeza não é conteúdo para qualquer tipo de pessoa, ele é estereotipado na pegada japonesa, e consideravelmente complicado de se compreender. Não por ser um conteúdo cabeça, mas por exigir bastante interesse e foco de quem se predispõe assistir, já que a número de informações necessárias para se entender o todo é elevado, e jogado embaralhado no colo da gente. Eu tenho um apego muito grande a este filme, e o considero dentro dos meus vinte favoritos, sem sombras de dúvidas. A trilogia 20th Century Boys é recomendada para maiores de 15 anos, e caso consiga acesso a essa obra prima pouco conhecida aqui no Brasil, espero que tire um ótimo proveito. E por favor, volte aqui para me dizer o que achou. Quero saber se sou louco sozinho, ou alguém mais se empolgou tanto.

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O ÚLTIMO GUERREIRO DAS ESTRELAS (CRÍTICA)

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SINOPSE
Alex Rogan é um adolescente que investe todo o seu tempo livre quebrando os próprios recordes em Starfighter, seu jogo de fliperama favorito. Certo dia o garoto é contactado por Centauri, um misterioso homem que revela ser o verdadeiro criador daquela máquina, qual tinha como finalidade treinar e recrutar hábeis pilotos para verdadeiras batalhas espaciais. Alex então é levado para um planeta alienígena muito distante da Terra, onde é colocado no front de uma violenta guerra. Lá o rapaz é colocado sob forte pressão, e descobre que suas habilidades não são tão especiais quando vidas reais estão em perigo.

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COMENTÁRIOS
Trinta e cinco anos se passaram e, O Último Guerreiro das Estrelas (The Last Starfighter), que fora sucesso de bilheteria ao redor do mundo, ainda vive no imaginário de sua base de fãs. No Brasil era explorado ao máximo nas contínuas reprises de Sessão da Tarde, numa época onde junto com A História Sem Fim (1984), Krull (1983) e TRON (1982), alimentava o lado lúdico dos jovens bem mais inocentes que os de hoje. O Último Guerreiro das Estrelas é algo tão relevante, que agora mesmo, fim de 2019, existe uma sequência direta sendo escrita e produzida por Gary Whitta, co-roteirista de Rogue One: Uma História Star Wars (2016). Mas o que há de tão bom assim neste clássico de mais de três décadas de vida? E ainda hoje, seria algo para se ver na boa sem se incomodar com sua idade?

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Quando foi lançado em 1984, era o que tinha de melhor em se tratando de efeitos especiais. Seus incríveis feitos só foram conseguidos graças aos recursos tecnológicos do Gray X-MP, o mais poderoso computador disponível na época com seus 16 MB de memória. O que um dia superou até mesmo o icônico TRON, hoje se tornou bastante datado, e vai precisar de muito desprendimento da modernidade para ser aceito pelos mais jovens. Mas sinceramente eu considero que isso não importa tanto, já que o seu maior mérito é sua ideia até hoje exclusiva. Jonathan R. Buetel acertou em cheio quando teve o estalo de mesclar o conto arturiano , com o do maior pontuador num fliperama construído com o único fim de selecionar o maior guerreiro da galáxia. As similaridades de roteiro com a de obras como E.T.: O Extraterrestre (1982), ou os filmes da franquia Star Wars, precisavam ser evitadas, isso fez com que os textos originais sofressem uma série de modificações. O resultado é uma aventura de ficção científica com muita identidade, e mostrando um humor bem espirituoso.

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Seu maior ponto fraco são suas interpretações nada boas, e vamos ser sinceros aqui, atores bons em produções juvenis eram raridade naqueles tempos. Aqui temos Lance Guest, sempre canastrão em seus trabalhos, mas conseguindo ainda um pouco de crédito devido o fator nostálgico daqueles que eram crianças ou jovens adolescentes na época, e trazem alguma simpatia pelo cara. Eu em particular busco compreender qualquer obra considerando seu cenário original, e para a década de oitenta e começo de noventa, O Último Guerreiro das Estrelas é um filme totalmente aceitável. E acredite, para mim, ainda muito compensador de assistir, mesmo considerando todas as suas limitações e problemas.

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LENDAS URBANAS
Muitas histórias e lendas urbanas se escondem atrás de O Último Guerreiro das Estrelas, desde um protótipo de jogo baseado no filme sendo feito para o Atari 5200 e que nunca deu as caras, até que o filme era baseado em Polybius, um outro famigerado jogo que causaria convulsões, amnésia e pesadelos naqueles que jogassem. Polybius seria um jogo fazia parte de um projeto secreto do governo americano para coletar “dados extrassensoriais” dos jogadores, e teria sido desenvolvido nos subúrbios de Portland, Oregon, em 1981. No fim das contas ninguém nunca conseguiu provar nada dessas histórias, mas que a criatividade do povo é algo sem limites, isso é.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Lance Guest, Dan O’Herlihy, Catherine Mary Stewart, Norman Snow, Robert Preston, Kay E. Kuter, Barbara Bosson, Chris Hebert, Dan Mason, Vernon Washington, John O’Leary, George McDaniel, Adrienne Barbeau, Heather Locklear, Scott Dunlop e Peggy Pope compõem o elenco. Escrito por Jonathan R. Betuel, O Último Guerreiro das Estrelas é uma produção estadunidense de 1984 dirigida por Nick Castle. A aventura de ficção científica tem como produtores Gary Adelson e Edward O. Denault, que usam o estúdios da Universal Pictures. Seu orçamento é estimado em 15 milhões de dólares, e sua receita final de aproximadamente 28 milhões.

CONCLUSÃO
Quem já passou dos trinta com certeza conhece essa pérola da aventura e ficção científica que fazia todo moleque sonhar em passar pela mesma surreal situação. Para quem não conhece ainda, fica a dica para compreender o que era sinônimo de diversão para seus pais e tios. Procurem entender que as tentativas de efeitos especiais que com certeza te arrancará risos, um dia foram as coisas mais maravilhosas para alguém. O mundo evolui, e embora a arte faça o mesmo, cada uma delas tem sua posição contextual nas diferentes épocas.

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NINGUÉM TÁ OLHANDO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
As pessoas não estão tão abandonadas assim, escondido num plano invisível existe o Sistema Angelus de Proteção aos Humanos, uma grande rede que se espalha pelo mundo inteiro. No 5511º Distrito um novo membro chegava, era Ulisses, um angelus muito questionador, e que diferente de todos os outros, contestava pontualmente cada uma das regras. Após receber a Ordem do Dia enviada pelo Chefe, um angelus deve se dirigir ao seu protegido para acompanhá-lo por todo expediente, enquanto o livra dos perigos sem ser notado. Ao fim do período trabalhado, o angelus deve fazer seu relatório e entregar ao supervisor para que o mesmo seja arquivado. Ulisses entendia o processo mas não conseguia controlar seus impulsos, decidia por si só ajudar os humanos que sentia realmente estar precisando de socorro. Sempre bem intencionado, mas ainda assim quebrando sequências de tradições milenares, Ulisses começava a alterar muito mais a ordem das coisas do que imaginava ser capaz.

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COMENTÁRIOS
Simplesmente por ser uma produção brasileira, muita gente já fica pé atrás. “Ah, vai ser mais uma produçãozinha com cara de novela das nove.” Aí que você se engana, Ninguém Tá Olhando (Para exportação: Nobody’s Looking) possui uma estética, tanto visual quanto de linguagem, muito peculiar. Com um humor ácido e bastante inteligente, arranca gargalhadas até mesmo em situações dramáticas apenas por seus cenários criados absurdos. Ulisses que é interpretado por Victor Lamoglia, é engraçadíssimo nos seus atos atrapalhados e nas expressões quando descobre mais uma vez ter feito besteira. E admito ter me surpreendido muito, quando noto Kéfera Buchmann fazendo um excelente trabalho como atriz. De verdade, eu não consumo o trabalho dela, e o pouco o que eu imaginava era sim baseado apenas em preconceitos dos estereótipos formados pela youtuber teen. Quebrei a cara, e gostei bastante disso.

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Esquetes, stand-up comedy, sitcom, enfim, nada muito focado assim na comédia prende muito minha atenção. Pelo menos não por muito tempo.  Mas assistindo ao trailer de Ninguém Tá Olhando na própria Netflix, senti que aquela ideia tinha um potencial muito bom. Marquei o interesse de assistir quando a série estivesse liberada, e percebendo que eram apenas oito episódios de poucos minutos, decidi conferir. E foi uma experiência sensacional! Excelentes atuações num roteiro muito bem elaborado, e uma produção bem bacana. Com direito a computação gráfica de qualidade e tudo mais! Te dou uma dica, caso ainda esteja de nariz torcido, abandone o preconceito e dê oportunidades a coisas diferentes do que está acostumado a consumir. O único risco é o de você gostar bastante e precisar ocultar de seus amigos trevosinhos que curtiu uma parada brasileira onde estrelam aquela celebridades que todo mundo curte zoar. E o pior, na maioria das vezes pelo mesmo motivo, imaturidade e preconceito besta. Deixei o trailer aí para que dê uma conferida, e gostaria de saber sua opinião nos comentários. Fechado?

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Victor Lamoglia, Kéfera Buchmann, Júlia Rabello, Projota, Danilo de Moura, Augusto Madeira, Leandro Ramos e Telma Souza compõem o elenco. Criada pro Daniel Rezende, Carolina Markowicz, Teodoro Poppovic, Ninguém Tá Olhando é uma série do gênero sitcom lançada exclusivamente para o serviço por assinatura Netflix no fim de 2019. A direção ficou a cargo de Daniel Rezende, diretor também de Turma da Mônica: Laços (2019), conhecido por sua participação em grandes sucessos brasileiros como Cidade de Deus (2002), Tropa de Elite (2007), e até mesmo o estadunidense Robocop (2014) atuando como editor de José Padilha.

CONCLUSÃO
Juntando a galera do Porta dos Fundos, Parafernalha, Julinho da Van, outros bons comediantes, e até mesmo o compositor Projota, Ninguém Tá Vendo foi uma aposta acertadíssima de seus idealizadores! Seu humor é inteligente, original e absolutamente nada pedante. Os diálogos fluem com naturalidade e as situações mais absurdas possíveis arrancariam risadas até mesmo do Chef Érick Jacquin. Pode perguntar pra ele. O sitcom está disponível na Netflix tendo apenas oito episódios de uns vinte minutos cada, e certamente terá uma segunda temporada, já que a história ficou em aberto. Sua classificação etária é de 16 anos, então tire as crianças da sala porque rolam alguns palavrões e pagações de peitinho. Estava sem nada para assistir, então cai dentro desta série que é garantia de sucesso no fim de semana.

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SWORD ART ONLINE – ANIME (CRÍTICA)

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SINOPSE
111_01Em 2022 uma tecnologia que permitia entrar em mundos de realidade virtual realistas e detalhados se tornava febre entre os jovens e adultos japoneses. A novidade se chamava NerveGear, e consistia em um capacete que estimulava os cinco sentidos dos usuários, permitindo que eles conseguissem total imersão e controle de seus avatares. Akihiko Kayaba era o nome por trás da genial invenção, e quem também oferecia o Sword Art Online, um jogo de realidade virtual do tipo VRMMORPG, sigla para Virtual Reality Massively Multiplayer Online Role-Playing Game. Seu lançamento se daria no fatídico dia 6 de novembro de 2022, quando 10 mil jogadores entraram pela primeira vez em seus servidores, e para surpresa de todos, descobriram-se incapazes de deslogar. Kayaba então aparece informando para todos, que se desejassem a sessão, teriam de vencer todos os 100 andares de Aincrad, um castelo vertical de aço no cenário de Sword Art Online. E aqueles que fossem mortos na partida, ou que tentassem remover forçosamente o NervoGear, também seriam mortos na vida real. São nessas condições que sobressai Kirigaya “Kirito” Kazuto, um dos mil jogadores da versão beta e, profundo conhecedor dos ambientes e mecânicas de Sword Art Online. Kirito está convicto de poder vencer aquele desafio, aproveitando ter descoberto a identidade de Kayaba, para depois de sair, ir até ele e conseguir libertar todos os ainda presos no jogo. Em sua jornada ele enfrentará todo tipo de obstáculo, mas também fará amigos leais que lhe darão todo o suporte nesta fantástica aventura de vida ou morte.

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COMENTÁRIOS
Sword Art Online (ソードアート・オンライン) é o primeiro arco de uma franquia que já gerou dezenas de produtos relacionados, mas trataremos aqui especificamente o primeiro anime lançado no fim de 2012. De qualquer forma é importante saber que, como praticamente todos os animes existentes, este também é derivado de um mangá. A mente por trás deste incrível trabalho é Reki Kawahara, escritor japonês de light novels, e também autor de Accel World, uma outra obra de temática parecida. Para Sword Art Online, que vamos abreviar como SAO, Kawahara se inspirou principalmente no MMORPG coreano Ragnarök Online de 2002. E como eu sei disso? Eu abneguei por quase uma década de vida social em prol desta m… Enfim, eu joguei bastante e afirmo com toda convicção do mundo que todos os elementos de Ragnarök Online estão inseridos em SAO. O que não faz nem de perto isso ser um problema, já que o conceito traz quase infinitas possibilidades para se gerar conteúdo. E não é a toa que a franquia hoje tem cinco arcos de animes (com mais um já agendado para 2020), um longa metragem, uma infinidade de light novels, uns dez jogos para videogames, e óbvio, um número sem fim de mangás.

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Partindo da premissa do herói que toma para si a responsabilidade por todos, SAO segue bem uma grande lista de clichês clássicos do gênero seinen. Mas bem diferente da maioria das obras do estilo, ele valoriza muito o seu lado dramático e filosófico. Hoje a sociedade se vê cada vez mais dependente da tecnologia e sofre em se desconectar dessas vias inimagináveis de fios que ligam o mundo. Tudo é muito rápido, nossa forma de fazer vínculos e nos inserirmos em sociedades, acontecem num estalo. Então não é tão difícil entender, mesmo para você que talvez não faça ideia do que raios é um MMORPG. Mas entenda algo, assim como é natural e compreensível a socialização numa fila ou mesa de bar, o mesmo pode ser feito através do telefone. E então porque desconsiderar o mesmo em um jogo no qual você compartilha uma lista sem fim de tarefas, enquanto se diverte e interage verbalmente com novas pessoas? Acredito que explicando assim se torna inevitável entender a facilidade que é formar vínculo em alta velocidade com uma pessoa do outro lado do globo. E SAO se trata muito mais dessa relação entre pessoas, do que avançar pelos andares de uma torre para alcançar a vitória. No entando não se engane, não é porque atrás de uma aventura repleta de drama, que a coisa toda é arrastada e cansativa. Suas cenas de ação são muito empolgantes, existem alívios cômicos continuamente, o fan service está lá, e conforme vamos nos aproximando do fim do arco, uma clima épico vai aflorando para nos fazer entristecer por saber que a temporada irá acabar. Mas fique tranquilo, como dito antes, o que não falta é conteúdo para curtir na sequência.

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Título Original: Sword Art Online (ソードアート・オンライン)
Gêneros: Seinen, fantasia, ficção científica, drama e romance.
Total de Episódios: 25
Período no Ar: 08/07/2012 até 23/12/2012 (Japão)
Criador: Reki Kawahara
Direção: Itou Tomohiko
Designer de Personagens: Adachi Shingo
Direção de Animação: Adachi Shingo e Kawakami Tetsuya
Trilha Sonora: Kajiura Yuki
Estúdio: A-1 Pictures

CONCLUSÃO (COM DICA DE AMIGO)
Se você já é um fã de animes e procura assistir de tudo, então não perca tempo e vai logo lá conferir Sword Art Online se ainda não o fez. Mas se você já não é um otaku de carteirinha, então está aí uma excelente oportunidade de se inserir nesse universo cheio de boas histórias par contar. Relaxa, você estará seguro podendo sair quando bem entender, e isso sem precisar maratonar tudo de uma só vez para sair vivo. Porém deixo uma recomendação de saúde (mental) pública, fique distante dos MMORPG’s de verdade! Você não faz ideia do que é mergulhar em um jogo por dezenas de horas diárias as vezes, achar que está tudo bem, e quando se dá conta, ter pedido anos e anos em algo que não rendeu tantos frutos quanto o seu tempo fora dele poderia proporcionar. Jogos eletrônicos não são um vício, longe disso, mas quando se trata de MMORPG a coisa não é tão simples assim. É só você entender que num jogo deste gênero, existem conquistas umas atrás das outras, e no momento que você está dormindo, tem alguém correndo atrás daquelas conquistas para se manter no topo entre os mais bem sucedidos no game. Isso te instiga a jogar continuamente, afinal, eu pressuponho que a maioria das pessoas que se interessem por jogo tenham mais competitividade no coraçãozinho que a média da população geral. Enfim, não estou dizendo que você não deva jogar nada. Quem sou eu para querer pagar sermão pra alguém, mas só deixo o alerta. Nosso familiares e amigos de longa data são insubstituíveis, e se fez um novo no joguinho, trate logo, tomando todos os cuidados com segurança, de trazê-lo para o seu círculo real de amizades. Estes foram os conselhos do He-Man. Até a próxima minha gente!

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STAR TREK: DISCOVERY – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE / PRIMEIRA TEMPORADA
Um século de paz se passava entre a Federação e o Império Klingon, quando durante a investigação em um satélite danificado na borda do espaço amigo, a tripulação da USS Shenzhou encontra um objeto oculto de seus sensores. A primeira oficial Michael Burnham se candidata a investigar mais de perto, descobrindo aquela ser uma antiga nave. Surpreendida e atacada por um klingon, acidentalmente acaba o matando enquanto tentava escapar, o que levou uma facção de klingons ao lamento pela morte do soldado. “Torchbearer” era seu apelido, e antes que o rejeitado Voq se voluntariasse a assumir o seu posto, liderados por T’Kuvma, os klingons se revelavam em uma nave invisível. T’Kuvma então fomenta a ira dos seus pela suposta tentativa da Federação em querer usurpar a individualidade dos klingons e de sua cultura, planejando assim cumprir uma antiga profecia de reunir as 24 grandes casas klingons assim como Kahless fizera no passado. Voq então ativa um farol que convoca os klingons, e Burnham desesperada tentando impedir uma guerra, contraria as ordens da Capitão Georgiou, tenta impedir.

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COMENTÁRIOS
Enquanto alguns evocam Star Wars como uma aventura de ficção científica, os amantes de Star Trek se contorcem de ódio com tal sugestão errônea. Temos de convir, se formos prestar um pouquinho só de atenção, iremos perceber que Star Wars é uma fantasia medieval ambientada no espaço, com história de cavaleiros com espadas, ‘montarias’ e tudo mais, exatamente como os clássicos europeus. Isso nunca fora um assunto obscuro, e sempre fora encarado exatamente assim pelo próprio autor. Por outro lado Star Trek procura ser o mais científico possível, fazendo uso de conceitos críveis, e que nada mais seriam do que uma projeção de evolução. Seus enredos são ficções? Óbvio, mas procurando manter sempre a coerência de se manter como científico em suas concepções de futuro. Então após fazer uma rasa distinção do que seria a franquia para os passageiros de primeira viagem, tentaremos nos focar especificamente em Star Trek: Discovery, a produção originalmente lançada para o serviço CBS All Access em 2017.

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É importante perguntar inicialmente, quais destes três é você? Um: Literalmente um passageiro de primeira viagem e que não faz ideia do que é Star Trek? Dois: Já consumidor de Star Trek, mas aberto a novas reformulações em prol da boa aceitação do público geração a frente da sua? Três: Um fã purista e exigente que não aceitar que toda a essência e filosofia original seja maculada? Bem, pergunto isso porque é a base para saber com que olhos irá encarar esta sétima série da franquia. A primeira temporada de  Star Trek: Discovery se passa no ano 2256 do nosso calendário terrestre, dez anos antes da expedição que origina a série sob o comando de James Tiberius “Jim” Kirk, o Capitão Kirk, líder da USS Enterprise. As iniciais incoerências e inconsistências começam a ser notadas quando colocamos as duas séries lado a lado. Star Trek: Discovery apresenta um nível conceitual de tecnologia absurdamente superior ao que se viria anos depois na série original, o que faz com que os fãs mais puristas e detalhistas se contorçam de agonia. Falha simples que poderia ser contornada com o posicionamento do episódio em outro momento mais a frente na linha cronológica.  A filosofia também fora arranhada, já que diretrizes da Frota Estelar prezam pela não interferência em sociedades ou formas de vida alienígenas, e em Star Trek: Discovery isso não é plenamente respeitado. Então se você é um fã muito radical, eu até acredito que talvez você complete a série, mas com certeza terá de arrumar um peruca ao término.

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Quando consideramos o público cru neste universo, lógico, o que curta ficção científica, não há dúvida alguma de que ficará muito satisfeito. O ponto de partida é recheado de sequências de ação, batalhas espaciais e, a montagem de um cenário atraente até mesmo para quem não é público alvo de Star Trek. Mas não demora muito, e após os três primeiros episódios, Discovery toma rumo à natureza do que realmente é a franquia. A curiosidade de desbravar novos mundos, os conflitos morais entre os personagens, e um capitão destemido estimulando sua tripulação para resolver os problemas mais complexos, tudo que Gene Roddenberry, criador de Star Trek, idealizou para sua obra. Como considerado antes, creio que um ‘trekker’ muito purista vá se incomodar com quase tudo, visto que esta é uma total reformulação da série, quase um reboot. Agora, se você for um fã flexível, que consome o que a maré trouxer, relaxa porque todas as pequenas falhas são aceitáveis e não vão manchar a honra da sua série preferida.

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A produção de Star Trek: Discovery é fabulosa, trazendo um elenco de primeira linha, recursos técnicos tão bons quanto de superproduções do cinema e, uma edição sonora fantástica! Como de esperado, era preciso superar velhos paradigmas, fazendo desta que nunca foi uma série lá muito interessada em se fazer visualmente vistosa, parecer mais agradável aos olhos do público mais moderno. E afirmo, o tiro foi acertado! Trouxe uma roupagem cheia de luxo numa película de alto contraste muito bonita. Suas cenas em computação gráfica são de excelente bom gosto, e em momento algum eu me senti incomodado com falhas de efeitos da pós produção. O roteiro é o típico de série, e essa é uma do tipo contínua, no entanto ainda assim consegue se fracionar com uma boa lógica. Uma outra coisa que também me chamou a atenção foram as cenas de ação, já que Star Trek é famosa por ser uma tristeza nesse quesito. E voe ‘voilà’, que beleza! Coreografia muito bem feitas e, que aproveitam muito bem ângulos e recursos do cenário.

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Uma coisa é certa, os temos são outros e as coisas precisam inovar. Hoje já temos a muito bem sucedida trilogia de J. J. Abrams que já está indo para um quarto filme, e faz bem para a saúde da franquia que a série não se sinta intimidada pelo seu novo carro-chefe. Star Trek: Discovery traz uma boa revigorada ao universo criado por Roddenberry, e junto de Perdidos no Espaço (2018), outra série de ficção científica das antigas que recebera uma nova vestimenta. Se você  ainda nunca assistiu nada de Star Trek, considere-se um privilegiado, pois terá com esse um ótimo ponto de partida. E fique tranquilo se acha que ficará perdido dentro desta franquia gigantesca, tudo em Discovery é explicado, e aos poucos você vai se inserindo. E quem sabe tome gosto para conhecer as produções que antecederam esta. Então aperte o cinto, entraremos em dobra espacial!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Shazad Latif, Anthony Rapp, Mary Wiseman, Jason Isaacs, Wilson Cruz, Anson Mount, Michelle Yeoh, Mary Chieffo, James Frain, Jayne Brook, Kenneth Mitchell, Rainn Wilson, Tig Notaro, Ethan Peck, Rachael Ancheril e David Ajala compõem o elenco. Produzida pela CBS Television Studios associada com a Secret Hideout, Roddenberry Entertainment e Living Dead Guy Productions, Star Trek: Discovery tem Gretchen J. Berg e Aaron Harberts como diretores gerais, e Akiva Goldsman como provedor de produção. A série de ficção científica com milhões de fãs pelo mundo veio com um altíssimo nível, sendo premiada em 2018 como a Melhor Série de Televisão pelo Saturn Awards, e que também agraciou Sonequa Martin-Green como Melhor Atriz. Jason Isaacs também foi lembrado pelo Empire Awards, no qual recebeu como Melhor Ator de TV. Star Trek: Discovery até o fim de 2019 possui duas temporadas, 15 episódios na primeira, e 14 na segunda, sendo distribuído no Brasil com o selo Netflix.

CONCLUSÃO
Star Trek: Discovery chega trazendo novos ares para uma franquia repleta de fãs ao redor do mundo. E faz isso modificando alguns poucos conceitos, que a meu ver não deveriam servir para desqualificá-lo dentro do seu universo. Claro, isso é opinião minha. Sua produção é cinco estrelas, trazendo excelentes atuações, roteiro redondinho, efeitos especiais com qualidade de cinema, e uma trilha sonora muito inspirada. Se você tinha dúvidas do que assistir, considere esta uma das primeiras opções na sua lista. Classificada como recomendada para maiores de 14 anos, Star Trek: Discovery está disponível no serviço por assinatura Netflix. Vida longa e próspera!

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BOHEMIAN RHAPSODY (CRÍTICA)

 

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SINOPSE
Brian May, Roger Taylor e Tim Staffell formavam o Smile, uma boa banda londrina mas sem muita identidade. Só que as coisas tomaram rumos inimagináveis quando o atirado Freddie Mercury ofereceu sua única e potente voz para o grupo. Tim Staffell sai, e junto de Freddie, John Deacon entra para assumir o baixo. Nascia assim o Queen, uma das maiores e mais importantes bandas de todos os tempos! Junto da fama também veio muito luxo e portas abertas, e as coisas começam a sair do controle quando o estilo de vida extravagante de Freddie passa a afetar a rotina do grupo.

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COMENTÁRIOS
Sendo centralizado pela ótica de Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody traz uma certa polêmica. Assim como eu, acredito que muitas pessoas se perguntaram se aqueles triviais eventos comportamentais foram honestamente bem retratados no drama. Te seria justo que uma briga entre você e um amigo fosse contada apenas pela versão dele? É, Freddie Mercury não estava aqui para palpitar no roteiro. Mas deixemos a treta de lado e vamos ficar com a licença poética da coisa, afinal, a história não foi tão cruel assim com o músico. Vamos ao que importa, dissecar um pouquinho este fabuloso filme.

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Bohemian Rhapsody é simplesmente fantástico! Esteticamente bonito e bem roteirizado, possui duas coisas importantíssimas e que empatam no meu entendimento, uma é a qualidade absurda da edição de som, e outra a atuação brilhante de Rami Malek. O verdadeiro Freddie era levemente mais parrudo, mas é impossível não aceitar a verdade do personagem retratado. Malek literalmente incorporou Freddie, demonstrando todos os seu trejeitos e expressões. É possível sentir a dedicação do ator com o trabalho que topou fazer, e tanto esforço lhe garantiu merecidamente uma estatueta do Óscar. Em pensar que o papel quase ficou para Sacha Baron Cohen, o caricato Borat. Tudo em Bohemian Rhapsody é ousado, o filme não se trata de um musicas e muito menos um documentário, mas consegue um sucesso incrível do roteiro por incorporar muito bem as duas coisas. A trilha sonora, seu principal elemento, é brutal e seleciona os melhores hits da banda. Somebody to Love, Keep Yourself Alive, Now I’m Here, Killer Queen, Don’t Stop Me Now, e obviamente We Will Rock You e Bohemian Rhapsody são só algumas das músicas do filme.

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UM POUCO DA HISTÓRIA DE FREDDIE
Demonstrando desde muito cedo ter tino para arte, Freddie com apenas oito anos já se interessava pela música de Lata Mangeshkar, uma cantora e compositora indiana que naquele momento era sua maior inspiração. Aos doze montou uma banda, The Hectics, e mesmo com um invejável talento, era alvo do bullying das crianças da sua idade por causa de sua personalidade afeminada. Freddie então se recolheu na própria realidade, se tornando uma pessoa bastante introspectiva e tímida com os desconhecidos. Aos dezessete Freddie se mudou para Londres com sua família, fugindo dos perigos da Revolução Civil de Zanzibar em 1964. Se graduou como designer gráfico numa escola politécnica, e no início da vida adulta foi trabalhar como vendedor em uma loja de roupas, fato esse alterado no roteiro de Bohemian Rhapsody. De qualquer forma foi lá que conheceu Mary Austin, aquela que se tornara sua namorada e fiel amiga por toda vida.

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Freddie integrou algumas bandas, o Wreckage que não durou muito, e depois o grupo Sour Milk Sea. Mas foi em abril de 1970 que Freddie se junto ao Smile, banda do guitarrista Brian May e do baterista Roger Taylor, época em que Freddie, apelidado assim por seus na infância, adotou a alcunha de Mercury, baseado na letra de uma de suas primeiras canções. Farrokh Bulsara, era esse o nome de batismo do proeminente astro do rock, e claro, Smile era bacana mas não soava tão bem ao ponto de combinar com a imponência de um Freddie Mercury, então porque não trocarmos para algo mais glamouroso? Queen pareceu ótimo! Uma coisa precisa ser contada, nada da infância de Freddie é retratada em Bohemian Rhapsody. Na realidade o filme inicia no momento onde o Smile estava em decadência, e Freddie chegou para se unir ao grupo. Então porque eu contar tudo isso? Bem, o longa não é um documentário, mas pedaço da jornada de um personagem complexo que merece ter sua personalidade minimamente explicada. E tanto seu trajeto com o Queen quanto seu passado anterior à banda, tem iguais importâncias para quem queira tirar o máximo proveito do filme.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Rami Malek, Ben Hardy, Gwilym Lee, Joseph Mazzello, Allen Leech, Lucy Boynton, Mike Myers, Aaron McCusker, Aidan Gillen, Tom Hollander, Dermot Murphy, Meneka Das, Ace Bhatti, Dickie Beau, Neil Fox-Roberts, Philip Andrew e Matthew Houston compõem o elenco. Bohemian Rhapsody foi dirigido por Bryan Singer e Dexter Fletcher, esse último que não é creditado no filme. O roteiro ficou a cargo de Anthony McCarten, e foi produzido por Graham King e Jim Beach. Esse é praticamente um filme musical, portanto é importante dizer que as músicas e edições sonoras ficaram na conta de John Ottman. O longa foi distribuído pela 20th Century Fox, e teve um orçamento de 52 milhões de dólares, com uma receita final de mais de 900 milhões.

CONCLUSÃO
Bohemian Rhapsody conta o trajeto da vida de Freddie Mercury ao ingressar naquela que se tornaria uma das maiores e influentes bandas de rock do mundo. Sempre eclética, o Queen fez nascer com a voz de Freddie, músicas que agradavam todas as idades e classes sociais. Não é segredo para ninguém, Freddie Mercury morreu devido a complicações causadas pelo vírus da AIDS, mas sua força de vontade aliada à sua influência, o tornou no maior símbolo do mundo de elucidação da doença. Mas Bohemian Rhapsody não é apenas isso, ele tem seus dramas e conflitos, mas em essência é um filme muito divertido e empolgante que deve ser visto numa reunião de família. We Will Rock You!

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OS MELHORES FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA

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ALIEN: O OITAVO PASSAGEIRO (1979)

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SINOPSE: A nave espacial rebocadora Nostromo está retornando de Thedus para a Terra trazendo consigo com uma carga de 20 milhões de toneladas de minério, bem como seus 7 membros da tripulação. A viagem então é interrompida por um sinal misterioso, que faz o computador por protocolo acorde toda a equipe. Agora com a Nostromo desconectada do pesado carregamento, aterrissa no planeta de onde a mensagem surgiu, e enquanto em solo, um membro do grupo é atacado por uma estranha criatura. Pensava-se que aquele fosse somente um caso isolado, sendo retomado destino à Terra. No entanto aquilo era apenas o começo de uma jornada aterrorizante, pois a Nostromo carregava um oitavo passageiro.

COMENTÁRIOS: Alien: O Oitavo Passageiro (Alien) é um filme britano-estadunidense dirigido por Ridley Scott, e escrito por Dan O’Bannon, se baseando em uma história criada por ele e Ronald Shusett, na qual se inspiraram em trabalhos anteriores de ficção científica e terror. Aclamado pela crítica arrematou milhões de fãs pelo mundo todo, e logo se tornou a franquia mais importante de Ridley Scott. Alien definitivamente não é apenas um filme de ficção científica, mas também uma verdadeira obra sombria de horror, trazendo cenas assustadoras que até hoje faz o público se contorcer no sofá. Seu orçamento foi de 11 milhões de dólares, e rendeu uma receita de 105 milhões.

 

BLADE RUNNER: O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (1982)

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SINOPSE: No que seria o futuro do ano 2019, a Corporação Tyrell desenvolve seres biogenéticos para serem usados como trabalhadores em colônias fora do planeta, conhecidos como replicantes. Os modelos Nexus-6 possuem uma vida útil de 4 anos, e é descoberto que quatro destes retornaram à Terra ilegalmente, provavelmente para buscar prolongar suas vidas. Sendo propriedades da Tyrell, o ex-policial Rick Deckard é contratado como mercenário para caçar o grupo fugitivo pela cidade de Los Angeles.

COMENTÁRIOS: Blade Runner: O Caçador de Androides (Blade Runner) é uma produção honcongo-estadunidense dirigida por Ridley Scott, o mesmo de Alien, e tem seu roteiro escrito por Hampton Fancher e David Peoples, que se inspiraram no romance de Philip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep?. Blade Runner se trata de uma ficção científica neo-noir excessivamente atmosférica que se desenvolve sem pressa, te inserindo num ambiente muito característico conhecido popularmente como cyberpunk. A Los Angeles é escura, com o chão sempre úmido refletindo as infinitas luzes neon, com um ambiente pesado e violento. Não bastando sua estética visual fantástica, ainda traz composições originais de Vangelis com uma das trilhas sonoras mais fabulosa de todos os tempos, combinando uma melodia sombria, clássico e sintetizadores futuristas. Definitivamente Blade Runner estabeleceu o conceito até então nunca visto no cinema. Custando 28 milhões de dólares, teve um faturamento final de 33,8 milhões.

 

DE VOLTA PARA O FUTURO (1985)

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SINOPSE: Marty McFly é um adolescente de uma pequena cidade californianda, que após uma experiência errada do excêntrico Dr. Emmett “Doc” Brown, é transportado em um DeLorian modificado para o ano de 1955. Agora no passado, Marty conhece as versões bem mais jovens dos seus pais, mas sua presença acaba interferindo gravemente na sua própria linha temporal. Deixando assim, ele simplesmente não nasceria, então decide dar uma forcinha para que seus pais se apaixonem. E claro, tudo isso antes de voltar para o seu tempo e ainda salvar o Doc Brown da enrascada em que se meteu.

COMENTÁRIOS: De Volta para o Futuro (Back to the Future) é uma superprodução norte-americana de Steven Spielberg, Neil Canton e Bob Gale, dirigida por Robert Zemeckis. Roteirizado pelo próprio Zemeckis em parceria com Bob Gale, essa aventura fantástica de viagem no tempo, se tornou um dos filmes mais importantes do século 20! E eu me nego a detalhar De Volta para o Futuro, mesmo sabendo que há um público jovem que não faz ideia do que isso se trata. Me re-cu-so! Filho, você tem prova do ENEM hoje? Então, esquece isso e vai assistir essa parada! Brincadeira, faz a prova primeiro. MAS DEPOIS VAI ASSISTIR ESSA PARADA! Confie em mim! Tendo um orçamento de 19 milhões de dólares, essa obra-prima faturou nada menos que 381 milhões!

 

O SEGREDO DO ABISMO (1989)

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SINOPSE: O USS Montana, um avançado submarino nuclear, afundou misteriosamente com 156 tripulantes na Fossa Cayman, na região do Caribe, e após o ocorrido não houve mais contato. Devido a um furacão estar se aproximando, uma experiente equipe de plataforma de exploração de petróleo da proximidade é convocada e, liderada pela Marinha para executar a Operação Salvo, que visa resgatar a tripulação do Montana. O trabalho se inicia com a perigosa descida, e Bud Brigman, mergulhador chefe,  pressente que sua equipe está correndo perigo, porém o que descobriria mais abaixo estava muito além da sua compreensão.

COMENTÁRIOS: O Segredo do Abismo (The Abyss) é um filme estadunidense escrito e dirigido por James Cameron. Com uma produção megalomaníaca, Cameron investiu apenas de baixo d’água, oito semanas de gravação, e fez deste um palco para efeitos especiais revolucionários. Lembra do androide T-1000 de O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final? Então, as entidades alienígenas aqui foram a vanguarda de tais recursos fabulosos. O Segredo do Abismo é um aventura de ficção científica cheia de suspense e sensações claustrofóbicas, além de trazer um dos finais mais surpreendentes dentre os filmes do gênero. A façanha custou caro para época, tendo um custo de 45 milhões de dólares, e uma receita de 90 milhões.

 

O EXTERMINADOR DO FUTURO 2: O JULGAMENTO FINAL (1991)

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SINOPSE: O ciborgue assassino T-1000 é enviado pela SkyNet de volta no tempo, com um único propósito, eliminar John Connor, aquele que no futuro será a chave para a vitória da humanidade. O jovem então é perseguido pela letal máquina, que possui a habilidade de mimetizar fisionomias para se misturar a população. Num esforço para se proteger, o próprio John envia do futuro o T-800, um ciborgue Modelo 101 da SkyNet, que embora inferior ao T-1000, é ainda assim poderoso e reprogramado para lutar pela resistência.

COMENTÁRIOS: O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day) é uma produção estadunidense escrita, produzida e dirigida por James Cameron. Considerado um visionário por muitos, Cameron fez deste o primeiro filme a superar a marca dos 100 milhões de dólares de orçamento, e esse investimento absurdo, ainda mais para a época, lhe rendeu um faturamento de mais de 520 milhões. Sucesso de bilheteria e detentor de milhões de fãs fanáticos pela franquia, este segundo episódio lhe rendeu sete indicações ao Óscar, tendo recebido o prêmio nas categorias de melhores Efeitos Visuais, Efeitos Sonoros, Edição de Som, Som e Maquiagem. Além do BAFTA, MTV Movie Awars, e outras premiações menos conhecidas.

 

ETERNAMENTE JOVENS (1992)

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SINOPSE: O ano era 1939 e, Daniel McCormick, um piloto de testes, perde a cabeça quando descobre que a mulher que amava, e estava prestes a pedir em casamento, entra num coma irreversível depois de ser atropelada. Desiludido com a vida e não tendo mais nada a perder, aceita se voluntariar num experimento militar no qual ficaria um ano em animação suspensa. Acaba acontencendo um incêndio e o cientista encarregado morre, fazendo com que o projeto seja cancelado. Sem ser notado, Daniel acaba esquecido no antigo laboratório estando ainda em suspensão. Passaram-se 50 anos desde então, e durante as brincadeiras de dois garotos num galpão supostamente abandonado, Daniel é encontrado congelado em sua cápsula. Por acidente as crianças o tiram do estado de hibernação, e acordando muito confuso, não fazia ideia do quanto tempo havia passado. Nat, um dos meninos, decide levá-lo para casa, e embora tente escondê-lo de sua mãe, Claire acaba descobrindo. Os dois então somam esforços para tentar ajudar aquele intrigante homem a se adaptar a um mundo totalmente novo.

COMENTÁRIOS: Eternamente Jovem (Forever Young) é filme norte-americano roteirizado por J.J. Abrams e dirigido por Steve Miner. Decidi encaixar esse drama romântico na lista, por ele trazer um elemento que em 1992 era sinônimo de ficção científica, mas que hoje em dia se mostra bastante promissor, a criogenia. Mesmo não sendo um filme muito lembrado, considero este um excelente filme e que precisa ser conhecido pelas novas gerações. A premiere hollywoodiana de Eternamente Jovem arrecadou 70 mil dólares como caridade para duas instituições de Mel Gibson, o Centro de Recuperação de Usuários de Alcool e Drogas, e o Centro de Atendimento a Desabrigados de Santa Mônica.

 

STARGATE (1994)

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SINOPSE: Devido as suas teorias fora do convencional, Dr. Daniel Jackson é pouco respeitado por seus pares na academia, no entanto isso não impede de ser convidado a participar das traduções de antigos hieroglifos para a Força Aérea dos Estados Unidos. Jackson é levado para uma instalação militar no Colorado, onde conhece o Coronel Jack O’Neill, que lhe informa que tudo tratado ali seria confidencial. Hieroglifos são apresentados ao professor para que ele faça suas considerações, e logo ele informa que aquelas informações diziam sobre um portal para as estrelas. Os militares então revelam um monumento fantástico, algo que eles acreditavam ser o citado portal, mas não sabiam como seguir além dali. Agora com a colaboração do Dr. Daniel Jackson, o grupo de pesquisadores consegue ativar o Stargate, e assim poder desbravar o seu outro lado.

COMENTÁRIOS: Simplesmente Stargate (Stargate) e, também conhecido no Brasil como Stargate: A Chave para o Futuro da Humanidade, é uma produção franco-estadunidense dirigida por Roland Emmerich, e roteirizado pelo mesmo na parceria com Dean Devlin. Stargate de 1994 é o ponto de partida para uma franquia que floresceu bastante, sucedendo outros filmes e diversos seriados. Mesclando mitologia egípcia, viagens interplanetárias, raças alienígenas, e uma variedade de teorias científicas, é prato cheio para o público sedento por conteúdo nerd! Com um orçamento de 55 milhões de dólares, Stargate teve uma receita de 196.6 milhões. Uma cifra expressiva!

 

OS 12 MACACOS (1995)

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SINOPSE: No ano de 2035, James Cole é um preso que em troca de benefícios na sua pena, aceita a missão de voltar no tempo para coletar informações, e assim tentar decifrar o enigma do vírus que foi responsável pela morte de boa parte da população do planeta. Sua viagem acaba tendo problemas, fazendo-o parar num sanatório onde é tomado como louco. Agora ele só tem uma saída, tentar convencer a psiquiatra Kathryn Railly de sua sanidade, e assim poder conseguir uma solução de cura para a epidemia.

COMENTÁRIOS: Os 12 Macacos (Twelve Monkeys) é uma produção norte-americana, escrita por David e Janet Peoples, e dirigido por Terry Gilliam. Trazendo uma trama complexa de viagem no tempo, Os 12 Macacos teve uma ótima aceitação em seu lançamento, e muito disso se vale ao espetacular desempenho da dupla Brad Pitt e Bruce Willis. Para Pitt rendeu uma indicação ao Óscar como Melhor Ator Coadjuvante, e conquistou o prêmio na mesma categoria do Golden Globe Award. O filme recebeu vários prêmios e nomeações do Saturn Awards, bem como de outras agremiações. Um verdadeiro divisor de águas na ficção científica do cinema, simplesmente espetacular! Com um orçamento de 29.5 milhões de dólares, teve uma receita final de 168.8 milhões.

 

O QUINTO ELEMENTO (1997)

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SINOPSE: Em pleno século XXIII, Korben Dallas é apenas um motorista de táxi que se envolve numa aventura, na qual precisa impedir um ser demoníaco capaz de atravessar dimensões. Se nada for feito a Terra será dizimada, e para impedir isto ele precisa encontrar quatro artefatos antigos que representam os elementos, com a finalidade de combiná-los com Leeloo, o principal e quinto elemento.

COMENTÁRIOS: O Quinto Elemento (Le Cinquième élément / The Fifth Element) é um filme franco-estadunidense dirigido por Luc Besson e escrito pelo mesmo em cooperação com Robert Mark Kamen. Bastante divertido e focado na ação, O Quinto Elemento não é uma história de ficção científica pra ser levar a sério, mas sim aquele filme para juntar os amigos e dar bastante risada. Esse foi um grande sucesso de bilheteria, tendo um orçamento de 90 milhões de dólares, e captação de quase 264 milhões.

 

GATTACA: EXPERIÊNCIA GENÉTICA (1997)

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SINOPSE: Vincent Freeman sempre teve o sonho de viajar ao espaço, mas por ser considerado inapto geneticamente não pode se candidatar. Então ele decide desafiar seu destino ao assumir a identidade de Jerome Morrow, no entanto a investigação de assassinato põe seu disfarce em risco.

COMENTÁRIOS: Gattaca: Experiência Genética (Gattaca) é uma produção dos Estados Unidos escrita e dirigida por Andrew Niccol. Com uma atmosfera carregada de uma intencional melancolia, Gattaca atravessa os gêneros de drama,  suspense e ficção científica. Indicado e vencedor de uma série de prêmios, principalmente envolvendo sua estética visual, a produção hoje é considerada um clássico cult. Tendo um orçamento de 36 milhões de dólares, não consegui localizar seu faturamento além do mercado dos EUA e Canadá, onde rendeu pouco mais de 12 milhões.

 

O ENIGMA DO HORIZONTE (1997)

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SINOPSE: Em 2047 uma missão de resgate é enviada para localizar a Event Horizon, uma nave perdida de forma misteriosa sete anos atrás enquanto explorava os limites do sistema solar. Ao encontrá-la, os astronautas envolvidos na tarefa vão gradativamente tomando consciência do terrível enigma que envolveu aquele incidente, e descobrem que algo muito sinistro pode ter tomado controle da nave.

COMENTÁRIOS: O Enigma do Horizonte (Event Horizon) é uma produção dividida entre Reino Unido e Estados Unidos, sendo escrita por Philip Eisner e dirigida por Paul WS Anderson. Misturando suspense, terror e ficção científica, esse é um filme barra pesada, mostrando explicitamente muito gore e sanguinolência. Eu não sou lá muito fã de grafismos sádicos como esse, porém a viagem insólita e seu clima extremamente denso, faz deste filme uma verdadeira obra de arte no gênero terror espacial. O Enigma do Horizonte teve um orçamento de 60 milhões de dólares, e uma receita de 23.7 milhões em território americano. Seu faturamento mundial eu não consegui encontrar em nenhuma fonte confiável.

 

MATRIX (1999)

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SINOPSE: Thomas A. Anderson é um jovem programador que se sente deslocado em meio a rotina que o cerca, a sensação é contínua de um não pertencimento naquele lugar. Eventos cada vez mais misteriosos vão acontecendo próximo dele, e tudo fica ainda mais confuso quando é localizado por Morpheus e Trinity, aqueles que lhe revelam que toda a realidade conhecida até então, não passava de uma projeção criada por uma avançada inteligência artificial para distrair e escravizar seus corpos enquanto drenam energia para sustentar todo o sistema.

COMENTÁRIOS: Matrix (The Matrix) é uma superprodução australo-estadunidense, escrita e dirigida pelas irmãs Lilly e Lana Wachowski. Foi, e ainda é, extremamente aclamado como um dos filmes mais importantes da história do cinema, pois além de possuir um roteiro fantástico, também trouxe elementos cinematográficos nunca vistos até então. O longa recebeu os Óscares de Melhor Montagem, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais, além de dezenas de premiações e menções em convenções como BAFTA e Saturn Awards. Matrix teve orçamento de 63 milhões de dólares, e uma receita final de incríveis 463 milhões.

 

A.I.: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (2001)

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SINOPSE: Em 2141, após parte do planeta ser inundado pela elevação do nível dos mares e androides passarem a conviver entre os humanos, a Cybertronics desenvolve um novo robô. Com fisionomia infantil e batizado de David, sua proposta comercial era a de amar os seus pais pela eternidade. Henry e Monica Swinton, na eminência de perder seu filho, decidem ser os primeiros a adotar um deste. Depois de iniciado e programado da maneira correta, David passa a entender Monica como sua verdadeira mãe, porém seu filho biológico tem uma melhora imprevista, e as coisas tomam um rumo completamente inesperado.

COMENTÁRIOS: A.I.: Inteligência Artificial (I.A.: Artificial Intelligence) é um filme de Steven Spielberg concebido a partir de um projeto de Stanley Kubrick, se baseando no conto de Supertoys Last All Summer Long, de Brian Aldiss. A.I., como a maioria se refere, é um drama de ficção científica que acompanha a jornada de David, uma máquina que busca entender como se encaixar e, ao mesmo tempo lidar com a rejeição daquele principal personagem qual foi criado e programado para amar, um ser humano cheio de emoções complexas. Uma obra de arte extremamente atmosférica na qual preciso estar no clima exato para tirar o melhor proveito. Recomendo um dia frio e chuvoso, cortinas fechadas, e nenhuma pressa para assistir, fazendo isso, é certeza absoluta de estar apto para fazer essa viagem fantástica na mente imaginativa dos gênios Spielberg e Kubrick. A.I.: Inteligência Artificial foi indicado aos Óscares de Melhores Efeitos Visuais e Trilha Sonora, e também outros prêmios BAFTA e Golden Globe Awards. Seu orçamento foi de 100 milhões de dólares, tendo uma receita final de 236 milhões.

 

DONNIE DARKO (2001)

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SINOPSE: Donnie é um aluno brilhante, porém bastante estranho. Desprezando a maioria dos colegas da escola, ele, e apenas ele, enxerga um coelho de aparência macabra que o incentiva a praticar brincadeiras humilhantes e destrutivas com as pessoas ao seu redor. Até que certo dia, em uma de suas alucinações, é pedido que ele saia de casa, e enquanto do lado de fora, lhe é revelado que o mundo irá acabar dentro de um mês. Donnie não leva aquilo a sério e volta para dentro, quando instantes depois um avião cai no telhado, quase o matando. A partir de então ele começa a se perguntar o quão real as suas previsões poderiam ser.

COMENTÁRIOS: Donnie Darko (Donnie Darko) é um filme norte-americano escrito e dirigido pelo então estreante Richard Kelly. Está com a cuca fresca ao mesmo tempo que bastante afiada? Não? Então é melhor ficar só em Efeito Borboleta (2004) mesmo, porque Donnie Darko é o que há de mais bizarro quando se trata de história mirabolante com viagens e paradoxos temporais. Seu clima é obscuro reflexivo, e quando incrementado com um coelho medonho saindo das sombras, as coisas ficam mais loucas ainda. Esse é aquele tipo de filme que tem uma infinidade de interpretações possíveis, na qual todas elas provavelmente estarão certas. Entendeu nada? Então confira que você vai entender menos ainda! Donnie Darko foi indicado e recebeu uma série de prêmios, além de ser bastante lembrado por sua ótima trilha sonora. O filme teve um orçamento de 4,5 milhões de dólares, e faturou 7,5 milhões, não fazendo deste um blockbuster, mas sim um filme para poucos nerds capacitados. Se sentiu desafiado?

 

MINORITY REPORT: A NOVA LEI (2002)

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SINOPSE: Em 2054 as taxas de homicídio chegaram no zero graças a polícia PreCrime de Washington. O sistema se baseava em deter o cidadão antes que ele cometesse o crime, e para isso três seres humanos com a capacidade de prever o futuro, os Precogs, ficavam anexados em um robusto sistema de computadores com realidade aumentada para serem utilizados por operadores que faziam as previsões. O programa de segurança polêmico estava em vias de ser adotado pelo Governo Federal. John Anderton é um dos agentes operadores da PreCrime, um homem sofrido que tem filho desaparecido e está separado da esposa. Sua vida se torna ainda mais caótica quando é identificado como o assassino de um homem chamado Leo Crow dentro de 36 horas.

COMENTÁRIOS: Minority Report: A Nova Lei (Minority Report) é um filme estadunidense dirigido por Steven Spielberg, e é roteirizado por Scott Frank e Jon Cohen, se baseando no conto The Minority Report de Philip K. Dick. A produção combina elementos de gênero noir-tecnologia, whodunit, suspense, ficção científica e muita ação frenética. Antes que me pergunte, whodunit é um termo utilizado para categorizar um gênero onde não se sabe quem matou determinado personagem, mas há um pesado processo investigativo para se descobrir quem é. Inteligente e repleto de conspirações, Minority Report: A Nova Lei é um filme bastante envolvente e divertido. Seu orçamento foi de 102 milhões de dólares, e teve um faturamento de mais de 358 milhões.

 

FILHOS DA ESPERANÇA (2006)

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SINOPSE: No ano de 2027 a humanidade se vê a beira da extinção, pois de forma ainda não compreendida nenhuma mulher mais conseguia engravidar. Era notícia no mundo inteiro a morte aos 18 anos daquele que seria o ser humano mais jovem do planeta, e a sociedade que já vivia em inquietação, violência e caos, se agitou ainda mais. Em meio a esse ambiente de trevas, Theodore Faron, um ex-ativista desiludido por sua causa, se tornou um burocrata numa Londres repleta de grupos ultra-nacionalistas, e em busca de sua ex-esposa Julian, ele é apresentado a uma jovem que surpreendentemente estava grávida!

COMENTÁRIOS: Filhos da Esperança (Children of Men) é uma produção britânico-americana baseada no romance The Children of Men, de P. D. James. É dirigido por Alfonso Cuarón, que também divide o roteiro adaptado com Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus e Hawk Ostby. Surpreendente e injustiçado! Este é um daqueles filmes que é impossível compreender porque é tão pouco lembrado e valorizado. Embora indicado aos prêmios do Óscar 2007 nas categorias Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição, e tendo recebido os prêmios máximos como Melhor Filme de Ficção Científica, tanto pelo BAFTA quanto o Saturn Awards, ainda assim ele fora esquecido pelo público. Eu não vejo praticamente ninguém defendendo esta belíssima obra de arte. Parece que só tem eu. Então assista também e se una a mim para defendermos um cinema bom de verdade que valorize os grandes feitos! Filhos da Esperança teve um orçamento de 76 milhões de dólares, e teve prejuízo com seus 70 milhões de faturamento. Vai entender.

 

SUNSHINE: ALERTA SOLAR (2007)

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SINOPSE: Em um futuro não muito distante, o Sol está perdendo sua força, e prestes a entrar em colapso muito antes do que era previsto. Num esforço para impedir que isso aconteça e assim salvar a humanidade, a tripulação a bordo da Icarus II transporta uma gigantesca bomba nuclear. O plano é chegar próximo o suficiente do Sol para lança-la, na esperança das teorias estarem corretas e com a detonação a estrela ser revitalizada. Porém, pouco após ultrapassar o ponto do último contato com a Terra, a tripulação recebe um misterioso chamado de socorro da Icarus I, a nave até então desaparecida da expedição de 7 anos antes, e que havia falhado no mesmo objetivo.

COMENTÁRIOS: Sunshine: Alerta Solar (Sunshine) é uma produção dividida entre Reino Unido e Estados Unidos, escrita por Alex Garland e dirigida por Danny Boyle. Pouco valorizado pela crítica, e menos ainda pela audiência dos cinemas, este é um filme de ficção científica espacial de suspense que preenche todos os pré-requisitos para ser no mínimo um ótimo filme. Mesmo sendo uma obra excelente, não teve a felicidade de conseguir atrair a atenção do público, e com seu orçamento de 40 milhões de dólares, faturou apenas 32 milhões. Considero este um filme muito injustiçado.

 

LUNAR (2009)

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SINOPSE: Durante quase três anos Sam Bell cumpriu seu contrato com a Lunar Industries, uma mineradora que opera no lado oculto da Lua extraindo Hélio 3, material que se tornou a principal fonte de energia da Terra. Sam não está tão sozinho, na sua companhia há Gerty, um robô-computador. Chegando próximo ao período do contrato terminar, o isolamento dos últimos anos começa a pesar. As únicas noticias que tem de casa e do resto do mundo chegam através de gravações de sua esposa e filha, pois as transmissões ao vivo foram interrompidas por causa de um defeito intermitente no satélite de comunicação. Cada vez mais ansioso pelo regresso ao lar, ele começa a se sentir fragmentado, entrando num estado agudo de paranoia.

COMENTÁRIOS: Lunar (Moon) é um filme britânico dirigido por Duncan Jones, que dividiu seu roteiro com Nathan Parker. Este é um drama espacial de suspense psicológico com uma abordagem muito peculiar, e na minha opinião traz uma das melhores atuações da carreira de Sam Rockwell. Como uma produção tão simples e linear consegue um feito tão bom quanto este? Repito, mérito total do seu principal ator. Não cabe muito explicar o efeito que Lunar causa, é o tipo de obra que só é completamente compreendida se assistirmos. Com um orçamento modesto de 5 milhões de dólares, a produção conseguiu uma receita final de 9.8 milhões

 

PANDORUM (2009)

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SINOPSE: Payton e Bower são dois astronautas que acordam de um sono profundo dentro de uma nave aparentemente abandonada. Nenhum dos dois possui qualquer memória de quem são ou mesmo da missão que participam. Enquanto Payton fica no controle de um rádio comunicador, Bower explora o lugar para tentar encontrar alguma resposta. Porém as coisas começam a ficar muito estranhas quando percebem que talvez não estejam sozinhos, e que o destino de toda humanidade está em suas mãos.

COMENTÁRIOS: Pandoum (Pandorum) é uma produção norte-americana roteirizada por Travis Milloy e Bronwen Hughes, e tem a direção de Christian Alvart. Pandorum teve um lançamento muito, mas realmente muito tímido. Vamos começar pela sua bilheteria negativa: custo de 33 milhões de dólares, e faturamento de 20.6 milhões. A razão é pelo filme ser ruim? Nunca! Deveras longe disso! Este é um filme fenomenal, uma verdadeira obra do terror espacial e que faz jus às suas óbvias inspirações. Porque o filme rendeu tão mal então? Por causa de uma produtora e distribuidora de filmes chamada Overture Films, que chegou a falir em 2010 devido aos seus péssimos planos de divulgação e distribuição. Uma verdadeira lástima.

 

REPO MEN: O RESGATE DE ÓRGÃOS (2010)

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SINOPSE: No ano de 2025 a medicina quebrou paradigmas, e todo tipo de órgão agora pode ser fabricado e comercializado. A The Union lidera esse mercado, oferecendo não apenas substituições para pessoas debilitadas, mas também melhorias para qualquer um que tenha condições e esteja disposto a pagar o altíssimo preço. O grande problema são as pessoas desejarem mas não conseguirem honrar as dívidas adquirida, e quando isso ocorre são acionados os repo-men, agentes privados dispostos a tudo para recobrar os bens da The Union.

COMENTÁRIOS: Repo Men: O Resgate de Órgãos (Repo Men) é produzido pelo Canadá e Estados Unidos, sendo roteirizado por Eric Garcia e Garrett Lerner. A direção é do cineasta britânico Miguel Sapochnik, mais conhecido por seu trabalho na série Game of Thrones. A crítica detesta este filme, e o motivo eu ainda estou processando. Na realidade estou tentando entender desde 2010, ano em que ele foi lançado. Em Repo Men: O Resgate de Órgãos temos um futuro distópico completamente louco, no qual a decência fora deixada de lado, e substituída pela obsessão pelo dinheiro. Além da sanguinolência sem limites, nos faz refletir o quanto a humanidade é capaz de se por refém de situações quais sabe que poderão ser bem cruéis. Alguns fazem isso por necessidade, até aí é compreensível, mas a grande maioria é apenas por vaidade. Me diz você o que achou, quero saber se estou louco sozinho e por ter colocado este filme na lista. Tendo um orçamento de 32 milhões de dólates, fechou no negativo com pouco mais de 18 milhões.

 

A ORIGEM (2010)

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SINOPSE: Don Cobb é um dos melhores no que faz, invadir os sonhos das pessoas durante o sono e roubar os segredos mais valiosos. Tudo muda para ele quando quando é procurado por Saito, um ambicioso empresário decidido a usar suas habilidades para tomar o enorme império econômico de um rival. Para realizar este ousado plano, Cobb conta com a ajuda de Arthur, um comparsa de confiança, Ariadne, uma inexperiente arquiteta de sonhos, e Eames, que consegue se camuflar habilmente em sonhos.

COMENTÁRIOS: A Origem (Inception) é um filme britano-estadunidense escrito e dirigido por Christopher Nolan. Misturando de forma caótica e ao mesmo tempo organizada, A Origem faz uma excelente salada com ingredientes de ação, drama, suspense e fantasia. Sim, o conceito criado não tem embasamento científico algum, nem mesmo se pensando em futuro, logo é necessária uma boa dose de licença poética para considerar esta uma obra de ficção científica. Mas ele está nesta lista correto? Então acho que está fundamentada minha opinião pessoal. Dilemas conceituais à parte, o importante aqui é te convencer de assistir caso já não tenha o feito. Considerada mais uma grande obra do genial Nolan, A Origem traz um elenco brilhante, efeitos especiais soberbos, uma trilha sonora inspiradíssima e um roteiro espetacular como o de poucos filmes. Esta é uma “ficção científica” que brinca muito com o surrealismo, fazendo o espectador mergulhar em cenas fantásticas e complexas. E Nolan, obviamente sabendo desta quantidade de informação à ser interpretada, pontualmente te presenteia com slow motions pontuais de cair o queixo. Com um orçamento de 160 milhões de dólares, a produção teve uma receita final de incríveis 825 milhões!

 

O PREÇO DO AMANHÃ (2011)

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SINOPSE: Num futuro não tão distante, o envelhecimento é interrompido aos 25 anos e as pessoas passam a negociar o tempo como moeda. Enquanto os ricos negociam décadas, podendo até se tornar imortais, as classes mais baixas são exploradas, precisam esmolar, pegar emprésimos impagáveis e, alguns recorrem até aos roubos para conserguir terminar mais um dia vivos. É neste cenário que Will Salas é acusado injustamente de assassinato, e terá de correr contra o relógio para provar sua inocência.

COMENTÁRIOS: O Preço do Amanhã (In Time) é uma produção norte-americana escrita e dirigida por Andrew Niccol. Quem imaginaria o carinha do NSYNC se revelando como um ator bem acima da média. Não serei hipócrita, eu não. E queimei a língua quando decidi dar a chance ao filme do até então: “só um canto teen”. O Preço do Amanhã é uma ficção científica distópica que conceitua o tempo como o bem mais valiosos para uma pessoa,  e com roteiro chamando cenas de ações frenéticas, faz seu simbolismo ficar ainda mais evidente. Junto de O Quinto Elemento (1997) e O Vingador do Futuro (1990), este é um dos filmes mais empolgantes de ficção científica dentro do estilo na minha opinião. Custando 40 milhões de dólares para ser feito, sua receita foi de 174 milhões.

 

STAR TREK: ALÉM DA ESCURIDÃO (2013)

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SINOPSE: Quando a tripulação da Enterprise retorna para casa, é descoberta que uma força descomunal de dentro da própria organização foi responsável pela destruição de uma frota inteira da Federação. Com questões pessoais por resolver, Capitão Kirk lidera a caçada ao homem que leva uma arma de destruição em massa, localizado numa zona instável de guerra. Enquanto nossos heróis se veem num épico e mortal jogo de estratégia, o amor será desafiado, amizades serão desfeitas e sacrifícios aceitos pela única família de Kirk, sua tripulação.

COMENTÁRIOS: Star Trek: Além da Escuridão (Star Trek: Into Darkness) é um filme escrito por Roberto Orci, Alex Kurtzman e Damon Lindelof, que tem produção e direção de J. J. Abrams. Eu confesso que nunca me senti atraído por Star Trek original, e serei apedrejado por 48,26% dos leitores por causa disso. Mas essa roupagem moderna me atraiu muito, e informo pra quem talvez não saiba, muito deste novo conceito partiu de um game de ação e ficção científica chamado Mass Effect, que por contra partida foi inspirado também em Star Trek. Confuso? Considero Star Trek: Além da Escuridão o melhor dentre os três filmes recém lançados, e tenho certeza que irá agradar tanto fãs saudosistas quanto navegantes de primeira viagem. Com um orçamento de 190 milhões de dólares, a produção teve uma receita final de 467 milhões.

 

OBLIVION (2013)

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SINOPSE: No futuro de uma Terra irreconhecível após a destruição causada pelo ataque de uma raça alienígena, Jack Harper é o responsável por manter em funcionamento os equipamentos de segurança do planeta. O que sobrou da humanidade hoje vive em uma colônia lunar, lugar para onde Jack irá após terminar seu período de trabalho. Mas em certo dia tudo muda quando Jack encontra a espaçonave de uma mulher, o que coloca em dúvida toda a realidade que ele conhece.

COMENTÁRIOS: Oblivion (Oblivion) é uma produção dirigida por Joseph Kosinski, que também colabora no roteiro junto com William Monahan, Karl Gajdusek e Michael Arndt. Oblivion é um filme esteticamente muito bonito de se ver e, que mostra esmero pela fotografia, efeitos especiais soberbos, uma trilha sonora matadora, e um figurino que vai chamar muito a atenção dos mais detalhistas. Com certeza um dos melhores filmes de seu ano de lançamento. Um título obrigatório para verdadeiros fãs de ficção científica! Tendo um orçamento de 120 milhões de dólares, Oblivion conseguiu uma receita de 286 milhões.

 

INTERESTELAR (2014)

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SINOPSE: Os recursos naturais da Terra estão perto do fim, e para salvar a espécie humana, uma equipe de astronautas recebe a missão de verificar planetas candidatos para receber toda a população do mundo. Mesmo correndo um enorme risco de nunca mais voltar a ver seus filhos, Cooper, um ex-piloto da NASA, aceita liderar uma missão ao lado de Brand, Jenkins e Doyle, para buscar um novo lar para a humanidade.

COMENTÁRIOS: Interestelar (Interestellar) é um filme anglo-americano dirigido por Christopher Nolan, que também faz o roteiro em colaboração com seu irmão, Jonathan Nolan. O Cara não tinha muito a provar depois de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e A Origem (2010), mas eis que o bendito me surge com mais essa! São dois filmes de ficção científica que me fazem brilhar os olhos, Contato (1997) e este aqui. Visualmente fantástico, Interestelar é uma homenagem muito respeitosa a academia científica. Claro, ele não é cientificamente perfeito, além de que incomodou algumas pessoas com suas explicações exageradas em certos momentos. É fã de Carl Sagan e Stephen Hawking? Parece que os irmãos Nolan também! Com um orçamento de 165 milhões de dólares, a produção somou uma reveira de 675 milhões! Um ótimo número para um filme de nicho.

 

O PREDESTINADO (2014)

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SINOPSE: Após anos de missões viajando no tempo aplicando a lei e caçando criminosos, um agente temporal enfrenta sua última missão, dar fim as ações do perigoso terrorista responsável pela morte de milhares de pessoas, um foragido conhecido, e que já vinha enganando as autoridades por muito tempo.

COMENTÁRIOS: O Predestinado (Predestination) é uma produção australiana baseada no conto All You Zombies de Robert A. Heinlein, e que foi adaptada e dirigida pelos The Spierig Brothers. Bem diferente do que a sinopse propõe, O Predestinado não se trata de um filme de ação, aqui você vai receber na veia uma dose de ficção científica da pesada. Com uma trama complexa e cheia de reviravoltas, é diversão para aqueles que curtem quebrar a cabela por uma boa história. Bastante premiado na Austrália, seu país de origem, o longa teve um orçamentode 5.3 milhões de dólares, e uma receita negativa de 4.1 milhões. Caso de mais um excelente filme traído pela bilheteria, uma pena.

 

PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA (2017)

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SINOPSE: Quando um impiedoso coronel ordena um covarde ataque contra a tribo de César, o grupo é forçado mais uma vez a entrar num brutal combate contra os humanos. Após os macacos sofrerem perdas inimagináveis, César se enche de ódio como nunca antes, e decide marchar com seu exército. Lutando contra seus instintos mais sombrios e primitivos, César se coloca frente à frente contra aquele homem cruel, iniciando uma guerra épica que determinaria o destino de suas espécies e o futuro do planeta.

COMENTÁRIOS: Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes) é uma superprodução norte-americana dirigida por Matt Reeves, que também participa do roteiro em conjunto com Mark Bomback. Eu só conhecia O Planeta dos Macacos por nome, e rolava até um pouco de preconceito quando via as produções antigas da década de 60 e 70. Mas quando meu falecido tio me recomendou, dizendo para considerear o conteúdo e não a estética, o meu mudo mudou. Planeta dos Macacos é uma saga de ficção científica fantástica e muito rica em detalhes, onde todos os filmes tem importância. Não se engane, para entender de verdade a série, é preciso também ver os filmes antigos. Os novos não se tratam de remakes, mas sim continuações canônicas. Recomendo demais! Com um orçamento significativo de 150 milhões de dólares, Planeta dos Macacos: A Guerra produziu uma receita de 490 milhões.

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HINTERKAIFECK: MISTÉRIO DA ALEMANHA (CRIME)

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Localizada no estado da Baviera, sudeste da Alemanha, a Fazenda Hinterkaifeck foi palco de umas cenas mais perturbadoras da história do país. Durante a noite do dia 31 de março de 1922, os fazendeiros Andreas Gruber (63), sua esposa Cäzilia (72), a filha viúva Viktoria Gabriel (35), com seus dois filhos, Cäzilia (7) e Josef (2), e a empregada Maria Baumgartner (44), foram brutalmente mortos por ataques de enxada. O fato por si só já é completamente macabro, porém que a história não para por aí, os mistérios que lhe rodeiam fazem as coisas ficarem mais aterrorizantes. Então acompanhe comigo esta intrigante história real, que com certeza irá lhe causar calafrios na espinha!

Seis meses antes do crime ocorrer a empregada da fazenda pedia demissão alegando que aquela casa era assombrada, no mesmo período em que Gruber comentava com a vizinhança sobre estranhas pegadas na neve ao redor de sua propriedade. Na sua porta foi largado o exemplar de um jornal, uma publicação que circulava em Munique, não ali, e que nem ele, ou qualquer outro dos arredores assinava. Aquelas pegadas de antes, continuavam a se repetir nos dias seguintes, na maioria das vezes vindas da floresta, e indo até a casa de máquinas da fazenda. Somando para a esquisitice, as chaves da família passaram a desaparecer sem explicações. Durante certa noite Gruber ouviu passos no sótão, porém verificando todo o local, não encontrou nada e nem ninguém. Esses fatos foram comentados com os vizinhos, mas curiosamente o senhor não aceitava ajuda, e muito menos comunicava à polícia.

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Na véspera dos assassinatos, Cäzilia Gabriel, a filha de sete anos de Viktoria, contou aos amigos da escola que sua mãe havia fugido de casa após uma briga violenta com a família na noite anterior, sendo apenas encontrada horas depois na floresta. Eles também notaram ao longe, um estranho homem de bigode nas cercanias da floresta olhando na direção da casa. Na tarde do dia 31 de marco, o fatídico dia, a nova empregada Maria Baumgartner chegava à residência da família, sendo acompanhada pela irmã que partiu após uma curta estadia. Tarde da noite, algo atraiu Viktoria Gabriel, a filha Cäzilia, e seus pais, Andreas e Cäzilia até o celeiro da fazenda, onde foram assassinados um de cada vez com golpes de enxada na cabeça. O agressor (ou agressores) entrou na casa e também matou Baumgartner e, presumivelmente por último, Josef, que dormia no berço no quarto da mãe.

Passaram-se quatro dias até os Schlittenbauer acharem estranho a ausência dos vizinhos e, pediram aos seus filhos para procurá-los, mas logo eles retornaram dizendo não ter encontrado ninguém em casa. No mesmo dia, Schlittenbauer não convencido, volta lá junto de Michael Pöll e Jakob Sigl, quando finalmente descobrem os corpos. A investigação que se iniciou foi bem atrapalhada, com direito a alterações na cena do crime e perda de evidências. Crime por interesse financeiro fora descartado, já que uma grande quantidade de dinheiro foi localizada intocado na casa. O mais bizarro de tudo era que o responsável pelas mortes talvez tenha ficado na fazenda após os assassinatos, já que o gado estava sendo alimentado, e todos os finais de semana os moradores da redondeza viam fumaça saindo pela chaminé. E detalhe, isso não apenas durante os quatro dias até os corpos serem localizados, mas mesmo depois enquanto ocorriam as investigações! A chaminé continuava a funcionar, e alguns alimentos que ainda estavam na casa iam desaparecendo aos poucos. Várias pessoas foram consideradas suspeitas, dentre elas vizinhos, transeuntes, amigos da família, e até mesmo o marido de Viktoria Gabriel, Kari Gabriel, que supostamente havia sido morto durante a Primeira Guerra Mundial e não tinha tido seu corpo encontrado.

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O caso é um complexo mistério, tendo servido como material para artigos, livros, documentários e filmes durante os anos. Hinterkaifeck: Der Mordfall (1979) e Spuren Eines Mysteriösen Verbrechens (1997), do alemão Peter Leuschner, são livros que citam relatórios das investigações da polícia. Hinterkaifeck: Symbol des Unheimlichen (1981) é um filme documental que se baseia nos livros de Leuschner. Em 2009, dirigido por Esther Gronenborn, fora lançado o thriller de mistério Hinter Kaifeck. E em 2017 os autores Bill James e sua filha, Rachel McCarthy James, trouxeram uma linha bastante inusitada, mas que chamou a atenção no último capítulo do livro The Man from the Train. Nele eles conjecturam a possibilidade do assassino de Hinterkaifeck ser Paul Mueller, um serial killer que agiu nos Estados Unidos entre 1898 e 1912, executando suas vítimas de maneira muito parecida com o que houve na Alemanha em 1922. Os crimes atribuídos a Mueller, incluem os assassinatos em Villisca, cidade de Iowa, onde famílias inteiras foram espancadas com um machado cego, provavelmente motivados por uma atração sadista e necrófila por garotas pré-adolescentes. O caso da Fazenda Hinterkaifeck ainda é um enorme mistério, e após tanto tempo passado, é improvável que ele algum dia vá ser solucionado. Mas e aí, acha que é capaz de montar este sinistro e complexo quebra-cabeças? Deixe sua opinião nos comentários, e nos sugira outros casos bizarros que você gostaria de ver esmiuçado pela gente.

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O DOUTRINADOR (CRÍTICA)

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SINOPSE
Miguel é um agente federal de altíssimo nível da D.A.E. (Divisão Armada Especial), perito em artes marciais, no uso avançado de armas de fogo, e no manuseio de explosivos. Após passar por trauma brutal, incorrigível e imperdoável, a única coisa que ele quer agora, é consumar sua vingança. Os verdadeiros criminosos não vagam a pé pelas ruas, eles estão em carros blindados, fortificados edifícios e sofisticados palacetes. São justamente aqueles que deveriam prezar pela segurança, educação e saúde da população. Homens quais depositamos nossa soada contribuição e confiança para quando precisarmos, sermos minimamente bem atendidos. O que na vez em que Miguel mais precisou, não aconteceu. Inicialmente ele tem um nome, Sandro Corrêa, apenas o primeiro de muitos alvos entre a infinidade de políticos corruptos da sua lista, que provariam da sua fúria!

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COMENTÁRIOS
Se baseando na série de quadrinhos brasileira criada por Luciano Cunha, O Doutrinador, filme de 2018, traz uma visão pessimista porém acertadamente realista do sistema social e político do Brasil. Eu admito não saber ao menos da existência do HQ até ter assistido esta adaptação, então não me cabe ser leviano em querer entrar nos méritos comparativos das duas obras. Ficarei apenas com minhas impressões isoladas do longa metragem, afinal, este também originou uma série para TV, que também é o caso de eu não ter consumido ainda. Então vamos lá! Direto e surpreendente! Fiquei fascinado com a fluidez que o roteiro anda para contar, da forma mais didática possível, esse complexo e imoral mecanismo de corrupção em que vivemos. Claro, uma pirâmide de poder verdadeira seria ainda mais larga na base, mas parar figurar a sordidez, fez mais do que o necessário. O realismo do personagem principal é fascinante, e segue a mesma receita de heróis consagrados como Justiceiro ou Demolidor da Marvel, considerando especificamente as versões mais humanizadas da Netflix.

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Suas lutas são convincentes e bem coreografadas, as locações ilustram bem uma paisagem urbana, quase sempre noturna, do Rio de Janeiro, e o linguajar debochado, bem característico da vilânia ascendente da malandragem destes cantos, está lá. A produção faz um bom proveito com as condições que tem, mostrando tomadas aéreas com uso de drones, e valorizando os efeitos práticos. Em se tratando de efeitos especiais só algo me incomodou, e preciso enfatizar, desagradou muito! Uma certa explosão, que não preciso nem falar para quem já assistiu o filme (principalmente porque seria um puta spoiler!), mas que foi feita com uso de computação gráfica numa imperícia brutal! Acredite, Sharknado apresenta efeitos melhores! Mas enfim, esse é um fato bem isolado, e que é possível com boa vontade deixar passar.

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Recapitulando, a parte sonora eu não achei das melhores. Não é algo que chega a incomodar, mas a sensação que eu tive era de estar assistindo algo dublado por cima de um original. O que não faz sentido, uma vez que é um filme brasileiro gravado integralmente no português daqui. Então o que fez o áudio ficar tão estranho assim? Para mim é um mistério! Por outro lado, tanto as composições originais, quanto a seleção da trilha sonora, foi de muito bom gosto e perfeitamente compatível com a intenção do filme. Se tratando das atuações, eu não vi nada além da tradicional interpretação padrão Rede Globo de novelas, o que não é de todo algo ruim. Saldo final: fiquei bastante satisfeito com o filme. Excedeu minhas expectativas! Recomendado pra quem curte filmes de ação um pouco mais realistas.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Kiko Pissolato, Tainá Medina, Samuel de Assis, Nicolas Trevijano, Eucir de Souza, Marília Gabriela, Eduardo Moscovis, Carlos Betão, Eduardo Chagas, Natália Lage, Tuca Andrada, Natallia Rodrigues, Helena Ranaldi, Lucy Ramos e Helena Luz compõem o elenco. O Doutrinador é um filme brasileiro de 2018 dirigido por Gustavo Bonafé e codirigido por Fabio Mendonça, que se baseia na série de HQ homônima criada por Luciano Cunha. A adaptação é realizada por Gabriel Wainer, que também assina os roteiros com a colaboração de Luciano Cunha, L.G. Bayão, Rodrigo Lages e Guilherme Siman. Com produção de Sandi Adamiu, Marcio Fraccaroli e Bruno Wainer, também é coproduzido por Universo Guará, Paris Entretenimento, Downtown Filmes e o canal Space.

CONCLUSÃO
Adaptado do quadrinho homônimo, O Doutrinador é um filme de ação que retrata a saga de um agente de polícia que perde aquilo que ele mais amava, e consumido pelo ódio, decide iniciar sozinho uma guerra contra um sistema de administração pública contaminado pela corrupção. A princípio isso soa muito parecido com milhares de filmes, e até mesmo com o plot inicial do personagem Justiceiro da Marvel, mas isso é só o plano de fundo, O Doutrinador é uma criação com personalidade suficiente para andar com as próprias pernas. Classificado como recomendado para maiores de 16 anos, não se engane, este é um filme realmente direcionado para o público adulto. Quando for curtir, tire as crianças da sala, porque a brutalidade e sanguinolência ocupa bastante espaço aqui. Bom filme para você!

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BHAVESH JOSHI SUPERHERO (CRÍTICA)

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SINOPSE
Três jovens amigos, Bhavesh, Siku e Rajat, não se conformam com os problemas gravíssimos da cidade onde vivem. Estão sempre participando de levantes contra a administração pública, e protestam contra a corrupção institucionalizada. Mas eles não param por aí, seja vindo do governo ou mesmo do cidadão comum, não importa, se são atitudes erradas, então elas precisam ser repreendidas. E para engajar ainda mais apoio da população, dois deles, Bhavesh e Siku, os mais empenhados pela causa, decidem criar um canal no Youtube, no qual divulgariam o flagrante das irregularidades encontradas. Perseguem todo tipo de infração que prejudique a comunidade, e compartilham de forma didática para que qualquer um possa entender. Porém as coisas vão tomando proporções cada vez mais extremas,  fazendo com que um enorme desastre sirva de inspiração para o surgimento de um implacável justiceiro.

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COMENTÁRIOS
Desperdício, é com essa palavra que inicio o comentário de Bhavesh Joshi Superhero, produção indiana de 2018. Não completamente decepcionado, mas ainda assim um pouco frustrado, prossigo. Sabe aquela satisfação crescente de ver um filme progredir a passos largos, com uma aura ambiciosa, e que se arquiteta para um desfecho épico? Então, é exatamente a sensação que tive. Um filme de enorme potencial, mas que acaba sendo sabotado por um roteiro problemático. Está certo que a referência ao heroísmo vem desde o título, no entanto no seu desenrolar, ao menos da primeira metade, envereda muito por um lado ativista contra o sistema. E não é que ele não busque isso, mas a expectativa com esta combinação, é de estarmos prestes a ver o nascimento de um V de Vingança (2005) indiano. Só que sse personagem que projetamos nunca acontece, e diferente de um idealista politizado com um rico background, o que nasce é uma rasa variação de Batman. Pensando bem, acho que nem isso, o homem-morcego tem grana e infinitos recursos, Siku está bem mais para um Demolidor. E o clichê todo está lá, um cara revoltado em busca de justiça, um esconderijo, um veículo descolado, e seu treinamento por um professor de artes marciais da periferia. Só há um problema, esse personagem não se constrói de forma convincente no decorrer do longa. A causa que ele abraça não era realmente dele, e essa transferência de valor é o maior pecado do roteiro. Este ainda assim é um bom filme, mas que teve seu ritmo muito prejudicado de forma incompreensível. A sensação que fica é dos seus três roteirista não terem se entendido. Sei lá, talvez cada um tenha ficado com 1/3 do trabalho, gerando esse saldo final aí, a projeção de uma intenção que resulta em algo completamente inesperado. E de forma negativa, é claro.

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Visualmente tudo é espetacular, a produção foi muito feliz em seu design e conceito. Fotografia de bom gosto com um certo tom de granulação, trilha sonora excelente, e uma estética geral bastante interessante. Suas atuações são apenas boas, não há ninguém que cause desequilíbrio ou se destaque mais. Uma das coisas mais chamativas é sua qualidade nas cenas de ação, sempre com vigor e realismo nas lutas, perseguições muito bem orquestradas, e tudo feito com a máxima valorização dos efeitos práticos, algo que na minha opinião é sempre digno de aplausos. Infelizmente o filme falha terrivelmente em sua montagem de script, tendo picos de adrenalina muito bons, mas com quedas abruptas e bastante acentuadas. Faltaram umas boas revisadas em seu roteiro, e era só isso que precisava ser feito para termos um filme de ação indiano digno de exportação.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Harshvardhan Kapoor, Priyanshu Painyuli, Ashish Verma, Shreiyah Sabharwal, Pratap Phad, Pabitra Rabha, Chinmay Mandlekar, Nishikant Kamat, Hrishikesh Joshi, Arjun Kapoor, Shibani Dandekar e Anusha Dandekar compõem o elenco. Dirigido por Vikramaditya Motwane, Bhavesh Joshi Superhero é uma produção indiana de 2018 escrita pelo próprio Motwane em parceria com Anurag Kashyap e Abhay Koranne. A produção é da Eros International e Reliance Entertainment, com os produtores independentes Vikas Bahl, Madhu Mantena e Anurag Kashyap. O selo final de produção é da Phantom Films, e sua distribuição é da Reliance Entertainment com a Eros International.

CONCLUSÃO
Ensaiando ser um filme de super herói mais profundo do que a média, Bhavesh Joshi Superhero é um filme agradável mas que careceu de um roteiro melhor organizado. Ficamos na expectativa de um personagem revolucionário que percorreria a pirâmide da corrupção de forma astuta e não convencional, mas que no fim das contas é apenas mais um justiceiro como muitos outros. Repito, isso não faz deste um produto ruim, mas tinha potencial de ser algo verdadeiramente grandioso. É uma pena, foi uma ideia muito boa que acabou sendo desperdiçada. Com classificação etária de 14 anos, Bhavesh Joshi Superhero está disponível atualmente no catálogo da Netflix.

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HEY GHOST, LET’S FIGHT – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Park Bong-pal tem um dom não muito comum, ele é capaz de ver e tocar fantasmas, e junto desta habilidade mostra a visão de um empreendedor. Park decide trabalhar como exorcista e juntar um bilhão de wons, algo equivalente a quase um milhão de dólares. A empreitada já estava caminhando e os negócios iam bem, até que mais uma cliente entra em contato tarde da noite para pedir os seus serviços. O chamado era para uma escola que havia sido interditada por três dias devido a fenômenos estranhos, então seduzido por um pagamento dez vez maior que o preço normal, sai de casa às pressas para prestar o trabalho. Park literalmente invade a escola, e chegando lá encontra a fantasma de uma estudante. O rapaz literalmente toma uma surra, e abandona frustrado o prédio. Na noite seguinte, ainda irritado, retorna ao colégio buscando a sua revanche, e lá de novo estava ela, com ar irônico esperando seu desafiante. Park não espera, já parte para cima sabendo o quão lucrativo aquele fantasma lhe seria não havia tempo a perder. A briga é ferrenha, com direito a puxões de cabelo e golpes baixos. Em certo momento os dois rolam atracados por uma escada a baixo, e acidentalmente acabam se beijando! Vendo o que acabara de fazer, Park se levanta envergonhado e diz que essa não era sua intenção. A fantasma ainda caída tem flashbacks, ela não era uma aberração do tipo má, e aquele beijo a fez recobrar uma memória nova. Em meio a situação o verdadeiro fantasma surge, aquele perigoso e que causava problema. Park junto da menina fantasma consegue derrotar, e agora era a hora do pagamento! E afinal, quem havia feito o chamado? Desconcertada a fantasma não consegue esconder a culpa, e Park exige seu dinheiro. Convenhamos, na situação dela ser o que era, não iria pagar. Frustrado ele desiste e vai embora. Dia seguinte, e advinha, a fantasma estava como uma sombra por onde ele fosse, e o motivo, ela queria outro beijo para descobrir se aquilo a faria lembrar de mais coisas. Seu nome era Kim Hyun-ji, e a partir daquele momento, ela não sairia mais do pé do rapaz!

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COMENTÁRIOS
Comédia romântica é um dos gêneros mais férteis entre as séries sul-coreanas. São como as novelas brasileiras, inevitáveis e líderes de audiência. E Hey Ghost, Let’s Fight (싸우자 귀신아), K-drama de 2016, traz um plano de fundo de terror para contar uma história de amor recheada de muito bom humor. Divertidíssima e cheia de sacadas inteligente, é uma série com romance o suficiente para atrair mais o público feminino do que o masculino. E eu falei ‘atrair’, porque se eu tivesse optado pela palavra ‘aderir’, pode acreditar, que fosse mulher, homem, papagaio ou tamanduá, seria certo de que iria gostar. Provavelmente quem irá ler esta resenha já é um público conhecedor deste tipo de produção, o que transforma eu explicar isso em chuva no molhado. Mas vai que esse não é o caso, como eu te convenço a dar aquela conferida? Fazer pessoas que não conhecem o nível de qualidade das série sul-coreanas já é algo difícil, agora imagina quando ela também é um romance em essência. A única coisa que eu posso te pedir é para superar o preconceito, e dizer que a melhor prova de algo é experimentarmos. Por incrível que pareça tem muita coisa boa no além do cinema ocidental, e são dois que eu pago pau mesmo! Cinema indiano e sul-coreano, e as séries deste último. E se amanhã pintar alguém me sugerindo para assistir uma produção, sei lá… de São Tomé e Príncipe, pode acreditar que eu vou conferir!

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Comecei a assistir esta série assim que ela apareceu na Netflix, e meu impulso inicial era de sua chamada parecer bastante com a de uma outra também do Studio Dragon, Black (2017). Bem, era só impressão mesmo, na prática a pegada é outra. Enquanto em Black o assunto é mais pesado e sério, em Hey Ghost, Let’s Fight, quase o tempo todo o  clima é de diversão. Mas claro, por trás de fantasmas sempre existem mortes e discussões um pouco mais pesadas, e elas estão lá. No entanto o andamento não se cerca disso, e busca sempre quebrar o gelo com alívios cômicos. E em se tratando de fazer rir, estou seguro em dizer que praticamente funciona sempre! As tiradas de sarro não são desperdiçadas e ocorrem num timing perfeito. Há uma situação onde uma dupla bem enrolada quer encontrar a ficha escolar de Park , o personagem principal, e um deles vira por outro solicitando que faça a busca enquanto elogia sua habilidade com computadores. Antes de terminar o elogio, coisa que levou menos de dois segundos, e talvez 1/3 de um clique no teclado, estava lá na tela o relatório requisitado! Só contando talvez eu não consiga expressar a verdadeira intenção, mas te garanto, reze para não estar comendo nada.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Ok Taec-yeon, Kim So-hyun, Kwon Yul, Kim Sang-ho, Kim Min-sang, Son Eun-seo, Lee Do-yeon, Kang Ki-young, Lee David e Baek Seo-yi compõem o elenco. Hey Ghost, Let’s Fight é uma série sul-coreana de terror, romance e comédia lançada em 2016, e que foi dirigida por Park Joon-hwa e Myung Hyun-woo. Se baseando num webtoon homônimo, tem seu roteiro adaptado por Lee Dae-il. Essa é uma das primeiras obras do Studio Dragon, tendo como produtores executivos Choi Kyung-sook, Park Ji-young e Song Byung-joon, e é produzida por Yoon Hyun-gi e Lee Se-hee utilizando a estrutura da Creative Leaders Group 8 e da The Unicorn. Hey Ghost, Let’s Fight foi distribuído na Coreia do Sul através da tvN, e é internacionalizada pelo serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Hey Ghost, Let’s Fight é uma série sul-coreana bastante divertida, que tem como plano central o romance entre uma fantasma e um cara que tem o dom de enxergar e poder tocar espíritos. Inicialmente essa relação nunca deveria ter começado, afinal, o rapaz trabalhava como exorcista de fantasmas, só que alguns acontecimentos levaram a um precisar do outro. O que eu posso te resumir sobre esta série, é que ela é sim boa, mas óbvio, se você for adepto de um drama romântico com altas doses de comédia. Na prática vale a máxima de sempre, assista pelo menos o primeiro episódio, se não curtir, abandone. Hey Ghost, Let’s Fight não é recomendada para menores de 14 anos, e está disponível pelo serviço de assinatura Netflix. Confere lá, acredito que você vá gostar!

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NÓS SOMOS A ONDA – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Tristan é o novo garoto a ingressar numa escola, e logo de cara atrai a curiosidade de outros alunos, afinal, sua forma de falar e agir era bem diferente das pessoas daquele ambiente. Convenções sociais era algo que ele não dava a mínima, em contrapartida não aceitava ver pessoas sofrendo bullying e não tomar partido. E de que forma você acha que ele fazia isso? Acredite, das formas mais inusitadas possíveis! Tristan não tarda em cativar amigos na classe, e eles não são muitos.. na realidade apenas quatro. Lea, uma patricinha que tem um insight realmente libertador, e mais outros três desajustados com problemas sociais distintos, Zazie, Hagen e Rahim, este último um rapaz árabe. O grupo nada ortodoxo de adolescente mostra um sentimento em comum, a raiva pelos rumos que a sociedade vem tomando. O descaso com o meio ambiente, as políticas sociais injustas, e a até mesmo os movimentos neonazistas da vizinhança pesavam na consciência deles. Mas e aí, até com quanto de força se pode bater no establishment?

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COMENTÁRIOS
Nós Somos a Onda (Alemão: Wir sind die Welle / Inglês: We are the Wave) é uma série de televisão alemã que acompanha o drama de um grupo de adolescentes, jovens de origens e classes sociais diferentes que compartilham um mesmo ideal, o de um futuro melhor. Em essência essa é sua premissa, e para darmos continuidade é necessário termos em mente que essa produção tem seu exato público alvo. Harry Potter por exemplo é para o público infantojuvenil, no entanto qualquer adulto é capaz de assistir sem entrar no mérito da maturidade de seu conteúdo. E esse é um conflito no qual entramos e somos expelidos algumas vezes nesta série alemã supostamente adolescente. Inicialmente eu tive uma sensação quase frustrante de estar assistindo algo completamente destinado ao público teen, porém os personagens se desenvolvem e expõem um background maduro o suficiente para interromper esse entendimento. Só que isso é um processo lento, precisando pelo menos alcançar a metade dos seus seis episódios para ser descoberto. O que me leva a impressão que muita gente vai abandonar o barco antes de chegar ao destino.

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Aí eu sou obrigado a voltar na afirmação de que esta série tem seu público alvo. E qual seria ele então? Obrigatoriamente sua audiência precisa ser paciente, ter apreço por um ativismo visualmente anárquico (que se desenvolve à frente (e isso não é spoiler)) e, obviamente não se incomodar com o combate ao conservadorismo (que aqui evolui para um literal fascismo (e isso também não é spoiler)). Quem se enquadra nisso? Bem, eu acho que qualquer pessoa verdadeiramente desconstruída. E já que joguei a semente, então eu explico. Ser alguém desconstruído é você ser tão seguro de si, num ponto onde não se incomoda mais com as diferenças dos outros, e nem mesmo em se expor à julgamentos. Não é o caso de não se importar com nada ou com os outros, mas se importar com o que realmente faz sentido. De que melhor maneira, você, um homem, provoca um outro homem, tão inseguro de si, que maltrata pessoas por sua cor, por seu gênero ou sua etnia, do que lhe dando um beijo na boca? Lhe dando um soco? Não, uma pessoa desconstruída usa a criatividade e tem a ousadia de fazê-lo sem medo de ser julgado. Afinal, para um homem desconstruído o ato de beijar um outro homem não o torna menos viril, mas para um oponente inseguro, este é o maior nocaute que se pode dar. E é exatamente com esse ato que o personagem principal de Nós Somos a Onda mostra o que a série reserva.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Ludwig Simon, Luise Befort, Michelle Barthel, Daniel Friedl, Mohamed Issa, Milena Tscharntke, Leon Seidel, Bela Lenz, Robert Schupp, Stephan Grossmann, Kristin Hunold, Sarah Mahita, Luis Pintsch, Bianca Hein, Christian Erdmann, Jascha Baum, Nicole Johannhanwahr, Stefan Lampadius, Livia Matthes, Daniel Faust e Leander Paul Gerdes compõem o elenco. Dirigida por Anca Miruna Lăzărescu e Mark Monheim, Nós Somos a Onda de 2019, é uma série dramática que se baseia na novela The Wave de Morton Rhue. A adaptação é compartilhada entre os roteirista Jan Berger, Ipek Zübert, Kai Hafemeister, Thorsten Wettcke e Christine Heinlein. Produzida por Christian Becker e Dennis Gansel, a série fez uso dos estúdios da Rat Pack Filmproduktion e da Sony Pictures Film und Fernseh Produktion. A série chegou ao Brasil sob o selo Netflix.

CONCLUSÃO
Brigar contra o sistema na intenção de fazer do futuro um lugar melhor. E qual melhor época para se fazer isso do que a adolescência? Período onde construímos nossos conceitos morais e temos disposição para seguir os ideais mais ambiciosos. Em Nós Somos a Onda temos um grupo que se encaixa exatamente nisso, e liderados por um rapaz extremamente inteligente e bem intencionado, se veem no clássico dilema de nem sempre saberem ao certo se os fins justificam os meios. Bem, se quer saber que rumos essa história toma, dê aquela conferida. A série é bem curta, contendo apenas seis episódios de uns cinquenta minutos cada. Recomendada para maiores de dezesseis anos, a série tem o selo Netflix e já pode ser encontrada em seu catálogo.

Barra Divisória

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