CASO MARCO AURÉLIO (MISTÉRIO)

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RESUMO DO CASO
No dia 8 de junho de 1985, durante uma excursão no Pico dos Marins, Município do Piquete em São Paulo, o jovem escoteiro de 15 anos Marco Aurélio Bezerra Simon desapareceu sem deixar rastros de seu paradeiro e, mesmo com um gigantesco esforço de um exército de voluntários, civis e militares, absolutamente nada fora encontrado. O estranho episódio é um dos mais complexos e misteriosos da literatura brasileira, tendo entrado até mesmo em listas internacionais de maiores casos de desaparecimento do mundo. Oficialmente suas investigações foram encerradas no dia 8 de abril de 1990 e, embora o incidente houvesse recebido bastante atenção da mídia na época, acabou sendo consumido pelo tempo, praticamente recebendo o status de lenda. Foi quando o jornalista investigativo Rodrigo Nunes, em 10 de março de 2005, decidiu desarquivar o caso para resgatar o incidente e buscar novas informações. Como fruto de sua pesquisa, dois livros foram publicados, e em 2015 foram compilados em um único volume revisado. Seu teor traz inconsistências nos relatos dos outros escoteiros, do líder deles, no andamento das investigações policiais, além de conter teorias e entrevistas com testemunhas da época.

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COMO ACONTECEU?
Marco Aurélio junto de seu grupo de escotismo, participaria de uma expedição para conquistar o Pico dos Marins, e assim cumprir a tarefa que os graduaria no Ramo Senior, destinado a jovens de 15 à 17 anos. A viagem estava marcada para o dia 6 de junho de 1985, onde o grupo faria a escalada para montar acampamento 2400 metros acima do nível do mar. A trilha não era das mais complicadas e, exigia mais disposição para marcha em ladeira, do que técnicas especiais. Neste dia, Marco Antônio, irmão gêmeo de Marco Aurélio, tinha ficado doente e portanto não pôde participar daquela aventura, considerada tão importante para eles. O grupo então se fechou com Marco Aurélio sendo designado como monitor, os escoteiros Ramatis Rohm, Ricardo Salvione, Osvaldo Lobeiro e, o instrutor e líder do grupo, Juan Bernabeu Céspedes. Eles integravam o Grupamento de Escoteiros Olivetanos, de identificação número 240. Chegado o momento seguiram para a cidade de Piquete, se direcionando para a propriedade de Afonso Xavier, um senhor com 50 anos de experiência no local, e que serviria de guia para o grupo. No local montaram acampamento e fizeram algumas atividades relacionadas ao escotismo. Na hora de iniciar a marcha pela trilha, o instrutor Juan Bernabeu dispensou o auxílio do Senhor Afonso, alegando a facilidade para percorrer aquele caminho, e decidido assim, o Grupamento 240 tomou partida.

114_02Aquela trilha era bem popular, havia sido traçada na década de 30, e frequentemente era utilizada por turistas e aventureiros, com ou sem treinamento. Na manhã do dia 8 de junho os quatro escoteiros iniciaram sua caminhada rumo ao cume do Pico dos Marins, quando no meio do caminho, numa descida do Morro do Careca, Osvaldo Lobeiro sentiu uma luxação no joelho. Continuar a aventura não era mais uma opção, então o líder decidiu retornar ao acampamento. Marco Aurélio então se prontificou em descer na frente, abrindo caminho para os outros que carregavam o rapaz ferido apoiado nos ombros. Orientado pelo instrutor, Marco Aurélio levou um giz para marcar todo o trajeto com o número do grupamento. Às 14:30h aproximadamente, o rapaz se afastou de seus amigos e tornou a descida. Fazendo corretamente sua função como batedor, o grupo passou por três pedras onde estava lá o número 240. Após a terceira pedra, havia uma bifurcação onde Marco seguiu pela esquerda, o caminho mais curto, porém orientados pelo instrutor, o grupo pegou a via da direita, uma vez que Juan entendia que aquele terreno embora mais longo, seria menos acidentado quando transportando alguém. Os outros garotos protestaram, mas Juan estava convicto da decisão, e reforçou que no fim da descida todos se encontrariam. Ramatis Rohm, Ricardo Salvione e Osvaldo Lobeiro, guiados pelo líder Juan Bernabeu, levaram cerca de quinze horas para concluir o retorno, chegando às 5:30h da manhã, dia seguinte, no acampamento. Quando se deram por conta perceberam que Marco Aurélio não estava presente, e que todos os seus pertences estavam da mesma forma, como no dia anterior, intactos. Juan então decide retornar à trilha para procurar o garoto, voltando cinco horas depois sem sucesso em encontrá-lo. Foi quando convicto da gravidade da situação, decidiu ativar as autoridades.

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BUSCA POR LOCALIZAR MARCO AURÉLIO
O pai do menino era Ivo Simon, um jornalista respeitado da época, e rapidamente mobilizou meios através da imprensa. Foram designados 180 soldados do Quinto Bil, o Batalhão de Infantaria Leve de Lorena, 18 homens da COE, o Centro de Operações Especiais, 6 alpinistas de agulhas negras, helicópteros da Escola de Especialistas de Aeronáutica de Guaratinguetá, um avião mandado pelo Governador Franco Montoro, um helicóptero do jornal Estado de São Paulo, sem contar os inúmeros voluntários civis que conheciam muito bem a região. Piquete virou palco para uma enorme campanha de resgate, no qual cada centímetro do lugar fora remexido, mas nenhum vestígio do rapaz foi encontrado. Aquela busca foi tão minuciosa, que uma faca perdida na mata por um soldado, fora localizada no dia seguinte por outra equipe. Marco Aurélio havia desaparecido de maneira misteriosa, e isso intrigou por muito tempo a região. Nem mesmo as mais de 300 pessoas envolvidas foram suficiente para encontrar uma mínima prova de crime, ou um pequeno traço do desaparecimento. Cartazes foram expostos em mais de vinte cidades, os rios da região foram percorridos na busca pelo mínimo vestígio, e surpreendentemente nada fora encontrado, nem sequer um fio de cabelo.

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AS INVESTIGAÇÕES
Antes de consumirmos os pormenores da investigação, é preciso ter em mente uma informação bastante estranha. Rodrigo Nunes, o jornalista investigativo que reabriu o caso em 2005, disse que ao entrevistar Vicente de Paula Santos, o datilógrafo responsável pelos depoimentos, descobriu a informação de que o profissional fora impedido por um major, de registrar em tempo real as declarações dos investigados. Todo o conteúdo constante das documentações foram registrados depois por intermédio do delegado Izidro de Ferraz, que ditou cada palavra. Isso faz com que inquérito não possa ser considerado integralmente confiável. Tendo isso em mente, a versão oficial do inquérito policial foi produzida com os depoimentos do líder Juan Bernabeu Céspedes, e dos escoteiros Ricardo Salvione, Osvaldo Lobeiro e Ramatis Rohm. Juan afirmou ter autorizado Marco Aurélio a seguir na frente abrindo passagem para o grupo que descia logo atrás, e que cerca de 15 minutos após a separação, não tinha mais visual de sua posição.

Durante a descida o grupo localizou apenas três marcações com giz feitas por Marco Aurélio, e que levavam até a fatídica bifurcação. O rapaz teria escolhido seguir pelo caminho da esquerda, mesmo sendo mais tortuoso para quem levava o peso de alguém ferido, como reforçou o líder Juan. Sendo assim decidiu por contrariar a sugestão do garoto, tomando a decisão de pegar o caminho da direita. Para acalmar o restante do grupamento que ficou preocupado com a Marco Aurélio ter seguido o outro trajeto, Juan afirmou que todos se encontrariam mais a frente, ao concluir o retorno. No entanto, isso não ocorreu. Juan também havia dito que havia cortado uma árvore e, Olindo Roberto Bonifácio, guia e voluntário que participou da reconstituição do caso, disse que tal árvore nunca foi encontrada.

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INFORMAÇÕES E SUGESTÕES CURIOSAS

  1. Após reunião da diretoria do Grupo Escoteiro Olivetano, foi combinado que a marcha seria conduzida por Sr. Afonso, guia com experiência de 30 anos naquela região, porém o mesmo fora dispensado por Juan, com a alegação de que o senhor não teria tempo. Porém Sr. Afonso e sua esposa desmentiram, dizendo que estava sim disponível, que até havia preparado lanche para fazer o percurso, e que na realidade Juan tinha o dispensado.
  2. Um outro grupo havia cruzado com o Grupo Olivetano em seu acampamento e, prontamente se ofereceram para fazerem o trajeto juntos, no entanto Juan dispensou o convite.
  3. Quando Osvaldo Lobeiro se machucou, próximo às 14:00h, Juan autorizou Marco Aurélio ir na frente, porém acompanhou com ele sozinho cerca de 100 metros a frente para orientar sobre algo e apontar a direção para onde o menino deveria ir. Regra básica do escotismo é nunca se separar, então por qual razão um escoteiro de grande experiência quebraria tal protocolo?
  4. Durante a descida, próximo das 2:00h, Juan e os outros haviam passado por uma propriedade conhecida como Fazenda do Seu Filinho e, como era de se esperar, Juan deveria perguntar se Marco Aurélio havia passado por ali, mas ele não o fez.
  5. Ao chegar na base do acampamento o grupo não encontrou Marco Aurélio, e como seria natural, deveriam perguntar ao Sr. Afonso sobre o garoto. No entanto nem os outros escoteiros, ou mesmo Juan, percorreram os 50 metros até a casa do senhor para perguntar sobre o amigo.
  6. Um depoimento controverso foi obtido do escoteiro Osvaldo Lobeiro, que foi separado dos outros garotos e presenciou Juan Bernabeu Céspedes sendo torturado, sem o acompanhamento do escrivão. Após o ocorrido, a polícia tentou avançar com a hipótese que Juan abusou de Marco Aurélio e o teria matado.
  7. A operação pente fino foi feita em fila indiana pelo Quinto Batalhão de Infantaria Leve de Lorena, e este era um erro apontado pelo experiente guia, Ronaldo Nunes, que foi ignorado pelo Tenente Fischer que comandava a operação.
  8. Segundo o próprio Juan, ele retornou à montanha sozinho para procurar o menino, e passaram-se cerca de 5 horas depois, sem sucesso.
  9. Devido as fortes suspeitas, Juan concordou em passar por um polígrafo, mas o processo foi cancelado pelo delegado Francisco Baltazar Martin, que afirmou o rapaz ter sofrido fortes pressões psicológicas, e que aquilo interferiria no resultado do exame. Segundo murmúrios na Polícia, a decisão foi tomada devido a ingerência da União dos Escoteiros do Brasil, que não queria por em risco a imagem pública da instituição.
  10. No terceiro dia de buscas por Marco Aurélio, houve um incêndio de grandes proporções no Pico dos Marins, e os delegados George Henry e Bayerlein se questionaram se aquele ocorrido não havia sido proposital e com o fim de atrapalhar o primeiro dia em que participavam das investigações.
  11. Em entrevista a Rádio Mantiqueira, o delegado questionou o tempo alegado para percorrer aquelas trilhas: “O grupo de escoteiros dirigido por Juan havia o perdido o caminho na ida e na volta, pois na ida gastou seis horas (das oito da manhã às quatorze horas) numa caminhada que, pela trilha comum, batida e assinalada, não se leva hora e meia.
  12. Devido à má conduta, Juan Bernabeu Céspedes já havia sido expulso anteriormente de outro grupo de escoteiros. E isso é reforçado pelas três alegações nos itens seguintes.
  13. Segundo a experiência de Dr. Anivaldo Registro, delegado do G.A.S. (Grupo Anti-Sequestro de SP), os erros cometidos por Juan foram propositais.
  14. Pedro Teixeira da Silva, industrial, afirmou: “este não cumpria o regulamento do escotismo, era autoritário, ameaçava os garotos e não admitia ser repreendido.”
  15. Dr. Pedro Orlando Petrere Júnior, dentista, afirmou: “… modo estranho de comportamento … frio, com conduta que às vezes fugia ao normal de uma pessoa sã.”
  16. O laudo de reconstituição só foi liberado após o pai de Marco Aurélio ter recorrido à Corregedoria da Polícia Civil. Seu conteúdo era tendencioso, e apontava apenas indícios de que o garoto havia fugido. O inquérito policial contendo 391 folhas foi arquivado no dia 26 de abril de 1990, por determinação do Juiz de Direito Walter Luiz Esteves de Azevedo, acolhendo manifestação do Doutor Promotor Mauro de Oliveira Navarro.

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TEORIAS COM EXTRATERRESTRES
Devido o ar de forte mistério sobre o caso não solucionado, muitas teorias foram levantadas e, a mais curiosa delas nasce de parte do depoimento que os adolescentes deram sobre o momento em que iriam dormir após o segundo dia de buscas. Da região próxima onde Marco Aurélio havia desaparecido, os jovens ouviram um grito e na sequência o som de um apito, vindo do matagal. Sabendo que o amigo possuía um apito, os garotos correram até o local, onde observaram apenas estranhas luzes azuis que piscavam três vezes. Apenas os rapazes alegaram tal história, já Afonso Xavier discordava, e afirmava que as luzes se tratavam de casas distantes na região. Em 2011 a teoria dos extraterrestres, foi questionada por Ivo Bosaja Simon: “Tínhamos uma amizade muito grande com o Juan, seus pais, irmã, cunhado e sobrinhos. Chegamos a passar Natal juntos. Após o fato, ele prestou os depoimentos à Polícia e desapareceu. (…) Os depoimentos no inquérito nos levam a muitas suposições. Os erros do líder foram propositais? Falou-se em discos voadores e, por sugestão de um delegado de São Paulo, fomos a Brasília falar com o general Moacyr Uchoa, expert no assunto. Falou-se da seita Borboleta Azul e, no depoimento à Policia, seu responsável deu um endereço em Goiás, para onde teriam viajado na época alguns jovens. Pedi a jornalistas amigos para investigarem e o endereço era uma casa abandonada. (…) Se Marco Aurélio quisesse fugir, como suspeita o perito, poderia fazê-lo em São Paulo, com roupas, dinheiro e documentos. Na barraca na serra, ficou tudo isso.

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SERIA ESSE O CRIME PERFEITO?
Esse ano (2020) fará 35 anos do desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Bezerra Simon, e quem pôde acompanhar a repercussão na época, ou os detalhados documentários e programas de TV que se sucederam a reabertura dos arquivos feita pelo jornalista investigativo Rodrigo Nunes em 2005, sabe o quanto esse caso é instigante. São muitas as teorias, e além das esperadas, como sequestro e assassinato, também existe a linha das ideais que correm pelo sobrenatural. Até o controverso Chico Xavier entrou na história certa vez que a família o procurou para uma comunicação mediúnica, no entanto o próprio Chico havia afirmado ser incapaz de se comunicar com pessoas que ainda não desencarnaram. O caso definitivamente é muito confuso, e até hoje a família tem esperança de na resposta que tanto precisa, sobre o que aconteceu, ou onde está Marco Aurélio.

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STAR WARS: EPISÓDIO III – A VINGANÇA DOS SITH (CRÍTICA)

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Guerra! A República está desmoronando sob o ataque do impiedoso Lorde Sith, Conde Dookan. Há heróis de ambos os lados. O Mal está por toda parte.
Em uma manobra surpreendente, o perverso líder droide, General Grievous, invadiu a capital da República e sequestrou o Chanceler Palpatine, líder do Senado Galáctico.
Enquanto o Exército Separatista de Droides tenta escapar da capital sitiada com seu valioso refém, dois Cavaleiros Jedi lideram uma missão desesperada para resgatar o Chanceler preso…

Três anos de passaram desde a Batalha de Geonosis (Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones, 2002), onde teve início a grande guerra que envolveu diversos sistemas planetários.  A galáxia oscila entre as duas facções que lutam pela hegemonia. De um lado a fragilizada democracia, liderada pela figura dúbia do Chanceler Palpatine, cujas forças se concentram no auxílio do Conselho Jedi e nas tropas de soldados-clones; do outro, a Aliança Separatista, cujo líder, o ex mestre jedi Conde Dookan, deseja não pertencer mais a República e tem no exército droide sua grande força de batalha.

Mas enquanto a República está em crise, a Ordem Jedi questiona as intenções da guerra. Desconfiam do Chanceler que não tenciona deixar o cargo após conflito e ainda quer aumentar a militarização da República. A guerra caminha bem para o lado da republicano, mas os sentimentos conflituosos de Anakin Skywalker o fazem se tornar um agente duplo entre o Conselho Jedi e o plano de poder de Palpatine. Os jedis desconfiam do Chanceler Supremo. Parece que a passos firmes o antigo garoto de Tatooine, o escolhido para trazer equilíbrio à Força (Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, 1999), começa a sucumbir diante da ameaça sith, do medo e da cobiça.

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Título original: Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Duração: 2h 20min
Lançamento: 19 de maio de 2005

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Elenco: Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé), Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Christopher Lee (Conde Dookan / Darth Tyranus), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Frank Oz (Yoda) e Ian McDiarmid (Chanceler Supremo Palpatine).

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DE ANAKIN A DARTH VADER
Já analisamos nos dois outros filmes da trilogia prequela (pré-sequência), a Ameaça Fantasma (1999) e Ataque dos Clones (2002), como a pequenos passos o garotinho escravo de Tatooine trilhava um caminho dúbio. Apesar da fé cega de Qui-Gon Jinn de acreditar que Anakin seria o Escolhido, aquele que traria equilíbrio para a Força, o menino fora descoberto muito velho para um treinamento jedi convencional. Fora descoberto velho porque cresceu na Orla Exterior, fora da jurisdição da República e do Conselho Jedi. Alia-se a isso sua ligação fortíssima a mãe e por ter se tornado discípulo de Obin Wan Kenobi, ainda jovem cavaleiro e, portanto, não tão experiente.

Anakin parece crescer em poder, mas não em sabedoria. Aquela arrogância meiga de quando era criança de se achar o melhor piloto de pods, faz com que atravesse a adolescência achando-se o melhor jedi existente (o que, de certa forma, era verdade). Mas mesmo com os conselhos equilibrados de Obi Wan, Anakin se deixa seduzir pelos sentimentos passionais humanos: o amor por Padmé Amidala, fixação desde criança, os sonhos premonitórios de morte de sua mãe e o crescente desgosto por não se achar valorizado o bastante pela Ordem Jedi. E ao final do do Episódio II, Skywalker se casa às escondidas (algo proibido a um jedi), tenta salvar sua mãe (que perece em seus braços), assassina uma aldeia inteira por pura vingança e se torna cada vez mais íntimo de Palpatine, um homem ambicioso e alterego de Darth Sidious.

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Quando o Episódio III tem início, sabemos logo de cara o quanto a influência de Palpatine já estava sedimentada: Anakin executa Conde Dookan na frente do Chanceler que calmamente assiste. Obin Wan desacordado, não vê seu antigo aprendiz se vingar do homem que lhe decepara a mão. A partir desse momento, o Chanceler Supremo, que claramente havia arquitetado o próprio sequestro, tendo se livrado de seu antigo aprendiz Darth Tiranus (Dookan), começa o processo de conversão definitiva de Anakin Skywalker.

A estratégia do Chanceler se dá por duas vias: o medo e a desconfiança. Anakin passa a ter sonhos premonitórios nos quais Padmé morre no parto. Sonhos que o atormentam semelhantes àqueles que prenunciavam a morte de sua mãe pelos povos da areia. Nesse ponto, Darth Sidious acaba demonstrando que o Lado Negro possui as ferramentas para evitar que alguém morra. Um processo antinatural para a filosofia jedi, porque quem morre se torna um com a Força. Assim o Chanceler Supremo conta a história de Darth Plagueis, que fora assassinado dormindo por seu aprendiz (pressupomos ser Darth Sidous), mas que antes de morrer passara ao aluno o segredo para imortalidade.

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Enquanto medo de morrer é enfatizado e possui a solução antinatural, a desconfiança de Anakin cresce em relação ao Conselho, alimentada pela falsidade das palavras do lorde sombrio. Prevendo cada passo dos jedis, ele incita Anakin a pleitear um lugar no conselho, mesmo sendo muito jovem para isso. Isso é negado prontamente por Yoda e Mace, tornando-o meramente um ouvinte do conselho. Em seguida ainda solicitam que Anakin espione o Chanceler, para ele uma traição à República. Enquanto os jedis desconfiam (tarde demais) das intenções de Palpatine, esse continua a sustentar que na verdade o Conselho quer tirar seu cargo para assumirem o poder da Galáxia.

É essa trilha do medo e da desconfiança que serão armas sedutoras do Lado Negro. Alie-se a isso a crescente ânsia de Anakin em se tornar cada mais poderoso e temos os ingredientes que formarão Darth Vader.

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PODER ILIMITADO
Durante o este último episódio da trilogia prequela, finalmente vemos a ascensão definitiva de Darth Sidious e a formação do Império Galáctico, o governo tirânico contra o qual lutarão os Rebeldes de Uma nova esperança (1977).

A estratégia do chanceler Palpatine para manter o poder é conhecida pelos cientistas políticos e é chamada de Guerra Perpétua. Ele chega ao poder através de conflitos com a Federação do Comércio, obtém maiores privilégios através da Guerra dos Clones e solidifica sua posição através da guerra contra os Jedi.

Cabe relembrar a trajetória o plano foi minuciosamente trabalhado através dos anos:

  • 073_07(Episódio I) Como Senador de Naboo, incita a Federação de Comércio a um bloqueio comercial, o que faz com que a própria Senadora Amidala proponha um voto de desconfiança ao antigo Chanceler Supremo. Palpatine termina por ocupar o lugar deste na chefia do Senado Galáctico e descobre o potencial do garotinho Anakin;
  • 073_08Com poderes imediatos, encomenda em nome do conselho um exército de clones para República, ao passo que auxilia os Separatistas, na sua rebelião contra a democracia. Enquanto se torna conselheiro de Anakin, ainda padawan, o Chanceler começa a militarizar ambos os lados da guerra contando com o apoio de seu aprendiz, Conde Dookan;
  • 073_09(Episódio II) Usa então um senador patético, Jar Jar Binks que ocupa o lugar de Padmé, afastada do Senado devido a um atentado, para propor que ele obtenha poderes emergenciais e a criação de um exército da República (os clones). De acordo com Ahmed Best, houve uma cena deletada em que, antes de ele se coroar Imperador, Palpatine agradeceu Jar Jar Binks por ter concedido os poderes emergenciais que lhe permitiram dominar a Galáxia;
  • 073_10(Episódio III) Com a suposta traição do Conselho Jedi, propõe que a República se torne um Império Galáctico, e executa Ordem 66: uma programação embutida nos clones que visava à execução de todo e qualquer jedi;
  • 073_11Por fim converte Anakin em Darth Vader, seu aprendiz e um poderoso manipulador da Força. Um jedi caído, cego pelo ódio e pelo desespero por achar ter assassinado seu grande amor em um momento de fúria.

E talvez a citação mais icônica e irônica é justamente quando Padmé Amidala, na plenária que deu origem a formação do Império Galáctico, constata o fim da República. Ela que sempre defendera a desmilitarização, a solução diplomática para o conflito, com os olhos marejados diante a aprovação unânime do Senado, enfim, diz:

Então é assim que a liberdade morre: com um estrondoso aplauso.

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UMA NOVA ESPERANÇA
A ascensão dos sith é o declínio da influência jedi na Galáxia. Mesmo que Mace Windu desconfiasse desde sempre do Chanceler e sua relação com Anakin; mesmo que Yoda percebesse a perturbação na Força e tivesse seus medos em relação a Skywalker; mesmo que Obi Wan visse a arrogância de Anakin e a relevasse por achar que era coisa da juventude e que a meditação e a experiência o curariam; os jedi estavam cegos pelo orgulho e pelo conflito no qual estavam inseridos.

E o jovem Vader, ainda sem sua armadura característica, empreende a chacina até de crianças aprendizes do templo e de toda alta cúpula Separatista. Perde duramente para Obin Wan em uma batalha de sabres de luz de tirar o fôlego. Aqui duas cenas se sobrepõe: Kenobi versus Anakin, Yoda versus Imperador. Anakin e Yoda perdem pelo mesmo motivo: seus adversários estão em nível superior, desvantagem. O fim dos duelos é o fim trágico da liberdade na Galáxia.

Este filme se passa 19 anos antes de Uma Nova Esperança (1977). Então o Episódio III lanças as sementes para o próximo filme e, até certo ponto, elucida para os fãs algumas pontas soltas que marcam a história da trilogia clássica das décadas de 1970 e 1980. Alguns pontos são esclarecidos e merecem destaque:

  • 073_13Darth Vader usa aquela armadura altamente tecnológica e como vilão é muito mais robótico que humano. Isso são reflexos da ultima batalha contra Kenobi no Planeta Mustafa (palavra que vem do árabe, “o escolhido”). Seu andar cambaleante, devido ao peso extra colocado no traje, faz com que ele seja semelhante a um Frankenstein;
  • 073_14Após a morte de Padmé, mas por tristeza do que por causas médicas, vemos como Leia e Luke são separados em seu nascimento. A primeira destinada a família Organa, grande aliada de Naboo desde muito tempo; o último para a terra árida de Tatooine para ser criado por seu meio irmão e vigiado, ao longe, por Obin Wan Kenobi;
  • 073_15O termo “Rebelde” é usado primeiramente neste filme para se referir aos jedis que se opõem a tirania do Império e mais tarde se estenderá para toda a oposição galáctica;
  • 073_16Percebemos que o exílio de Obi Wan tem relação com a vida após a morte, pois ele treinará com o espírito de Qui Gon. Isso explica a voz interior do mestre Kenobi que fala com Luke e sua posterior aparição para o jovem na trilogia clássica. O mesmo para Yoda que se retira para Dagobah, após a derrota para o Imperador, para entender os desígnios da Força;
  • 073_17Cabe lembrar que alguns personagens da franquia tem sua presença explicada neste loga como o motivo para C3PO e R2D2 não se lembrarem dos acontecimentos das Guerras Clônicas. Respectivamente, o droide de protocolo termina com Luke e o astrodoide com a família Organa. Também Chewbacca, como veterano de guerra, que lutou ao lado de Yoda em seu planeta natal Kashyyyk, estreia nesse longa e nos mostra seu passado guerreiro;
  • 073_18Por fim, e não menos importante, os planos da Estrela da Morte, que estavam de posse dos Separatistas em Geonosis (final do Episódios II), revelam-se a todo vapor, primeiro na cena que Palpatine estuda em seu gabinete, em uma rápida projeção, depois, no final do filme, como arma está sendo construída.

CURIOSIDADES

  1. 073_19Ewan McGregor e Hayden Christensen treinaram por dois meses em esgrima e condicionamento físico, em preparação para sua batalha épica. Como resultado de sua prática, a velocidade com que Kenobi e Vader se envolvem no duelo é a velocidade em que foi filmada e não foi acelerada digitalmente.
  2. 073_20Em 2007, o Dr. Eric Bui, psiquiatra francês, coescreveu um estudo que diagnosticou Anakin Skywalker como tendo Transtorno da Personalidade Borderline. Quando os autores relataram suas descobertas na reunião anual da Associação Americana de Psiquiatria, declararam que Skywalker se enquadra nos critérios de diagnóstico: dificuldade em controlar a raiva, rupturas relacionadas ao estresse com a realidade, impulsividade, obsessão pelo abandono e um “padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizado pela alternância entre extremos de ideação e desvalorização “.
  3. 073_21No duelo com o Conde Dookan, o Palpatine aprisionado, originalmente, teve mais diálogos. Uma de suas falas revelava algo obscuro do Episódio II: Ataque dos Clones (2002): Dookan teria pagado aos Tusken Raiders (Povo da Areia) para sequestrar, torturar e matar Shmi Skywalker (mãe de Anakin).
  4. 073_22A história deste filme está em ordem inversa de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (1977). O primeiro ato deste filme começa com uma batalha espacial, prossegue com uma missão de resgate, continua com Anakin percebendo seu destino na vida e termina com o Império assumindo. O episódio IV começa com o Império assumindo o controle, prossegue com Luke percebendo seu destino na vida, continua com uma missão de resgate e termina com uma batalha espacial.
  5. 073_23A sequência em que Palpatine anuncia o Império, enquanto Darth Vader mata os líderes separatistas, foi modelada após a famosa “Sequência de Batismo” em O Poderoso Chefão (1972).

CONCLUSÃO
Para apreciar plenamente esse filme, só acompanhando toda a trajetória. No entanto você consegue saber o básico dos motivos que formaram Darth Vader e ascensão do Imperador somente por esse longa-metragem. Assistindo aos dois primeiros episódios você verá esse processo com bastantes detalhes para apreciar a jornada do apogeu do Lado Sombrio, mas consegue digerir esse filme sem precisar de todo esse esforço.

Novamente não chama atenção o trabalho de Hayden Christensen (Anakin), que atua muito mal, nem de Natalie Portman (Padmé), totalmente apagada e submissa, uma desconstrução da mulher forte dos filmes anteriores.

Considero, dessa trilogia prequela, o melhor filme. Podemos destacar, claro, a ótima atuação de Ewan McGregor (Obin Wan) compensando os deslizes dos dois filmes anteriores e literalmente arrasando tanto na batalha contra o General Grievous, como no seu conflito com Anakin.

Claro que Yoda novamente se mostra um dos personagens CG (computação gráfica) mais bem trabalhado e parece envelhecer muito mais nesse filme devido aos rumos negativos dos acontecimentos da guerra. Sua batalha contra o Imperador vale cada minuto de seu tempo.

Enfim, as cenas de batalha do filme estão impecáveis: desde ao rufar de tambores na primeira sequência, como na chacina empreendida pela ordem 66 e a batalha de Kashyyyk. Vale muito a pena para as novas gerações entenderem o fim da época Jedi e o que isso prenuncia, além de lançar o clima para os eventos da trilogia original. Mas a história Star Wars está apenas começando. Não se engane, a Força ainda nos revelará muito e ainda falta bastante para o equilíbrio. Por mais que as coisas estejam ruins, sempre haverá Uma nova Esperança para a Galáxia. Que a Força esteja com vocês!

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