ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS (CRÍTICA)

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Seis anos se passaram desde a Ordem 66 e o fim da Ordem Jedi (Star Wars Episódio III: A Vingança do Sith, 2005). O Império Galáctico precisa de uma arma definitiva capaz de minar qualquer ameaça ao seu domínio. Assim o responsável pelo projeto militar, o diretor Krenic, tenciona trazer de volta seu engenheiro-chefe, Galen Erso que se isolou arrependido de participar de um plano tão diabólico. Esta é a história por trás da construção da Estrela da Morte. Para ser mais exato, é a história de um grupo de soldados rebeldes que precisa reacender a esperança na Galáxia e, sem temer as consequências, deter a construção da “matadora de planetas”.

Para isso a Aliança Rebelde recrutará Jyn Erso, a filha sobrevivente de Galen. Ela, que fora criada pelo extremista Saw Guerrera depois que seu pai foi coagido a cooperar com o Império e sua mãe ser assassinada, é a única que pode unir as pontas soltas da trama. É preciso que Jyn entre em contato com Guerrera, pois ele tem informações cruciais sobre seu pai e o projeto da arma suprema do Império. Informações que podem mudar o destino da Galáxia. Na jornada, a amizade, a fé na Força e a esperança de um futuro melhor terão que ser reconstruídos no coração da Aliança Rebelde para um dia por fim na tirania do Imperador Palpatine, Darth Sidius. Sua confiança será depositada em um grupo de heróis totalmente inesperados tendo Jyn e o capitão Cassian Andor como líderes da missão Rogue One.

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Título original: Rogue One.
Direção: Gareth Edwards.
Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy, John Knoll e Gary Whitta.
Duração: 2h 13min
Lançamento: 15 de dezembro de 2016.

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Elenco: Felicity Jones (Jyn Erso), Diego Luna (Cassian Andor), Alan Tudyk (K-2SO), Donnie Yen (Chirrut Îmwe), Wen Jiang (Baze Malbus), Ben Mendelsohn (Orson Krennic), Guy Henry (Governor Tarkin), Forest Whitaker (Saw Gerrera), Riz Ahmed (Bodhi Rook) e Mads Mikkelsen (Galen Erso).

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1. A HISTÓRIA DA ESTRELA DA MORTE
Podemos de dizer que o maior feito bélico do Império Galáctico é a arma suprema, a Estrela da Morte. Esta nave gigantesca em forma de lua e armada com um poderoso canhão laser canalizados por cristais Kyber (o mesmo utilizado para construção dos sabres de luz) é capaz de dizimar planetas inteiros. E isso chocou a todos que virão o Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), quando a princesa Leia Organa vê seu planeta natal Alderan ser desintegrado.

No entanto o Imperador já punha em prática a construção dessa nave devastadora há muito mais tempo do que imaginamos. Antes das Guerras Clônicas, ainda como Chanceler Supremo, notamos que os planos para a Estrela da Morte estavam nas mãos dos Separatistas que se retiraram diante da investida jedi na Batalha de Geonosis (Episódio II: O Ataque dos Clones, 2002). Isso nos dá indícios que os fabricantes droides estavam de alguma forma ligados ao projeto inicial como parte dos planos do Conde Dookan e Palpatine.

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Isso se confirma no Episódio III: A Vingança dos Sith (2005). Primeiramente vemos que em seu gabinete o Chanceler Supremo Palpatine, dono de poderes emergenciais, analisa os planos da Estrela da Morte antes de uma conversa com Anakin Skywalker, futuro Darth Vader. Ao final da trama, quando o Imperador finalmente extinguiu a Ordem Jedi, tomou o controle total do que antes era a República Galáctica e converteu Anakin Skywalker em Darth Vader, o mestre e seu aprendiz admiram a construção do esqueleto da “Matadora de Planetas”.

Nessa cena ainda vemos que estão acompanhados pelo Grande Moff Tarkin, o impiedoso comandante da Estrela da Morte, e que desde as Guerras Clônicas conseguiu subir ao poder e estar cada vez mais perto tanto de Anakin como de Palpatine, como nos mostra a série animada Clone Wars (Episódios 3×15-3×17; 5×17-5×20).

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Treze anos antes da Batalha de Yavin, na qual a Estrela da Morte seria destruída por Luke Skywalker (Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), o diretor Orson Krennic precisa reconduzir o engenheiro-chefe, Galen Erso, ao trabalho na arma suprema. Erso se exilara com sua esposa e filha Jyn em um planeta afastado, Wobani (um anagrama para Obi Wan), para viver uma vida simples como fazendeiro. Mas o projeto não pode prosseguir sem Galen. Então Krennic, acompanhado dos impiedosos Troopers da Morte, precisa coagir seu antigo subordinado a voltar para construção da Estrela da Morte. O resultado é desastroso: o engenheiro é forçado a retornar, sua esposa Lyra Erso é assassinada diante de seus olhos e sua filha precisa se esconder e esperar pela ajuda de Saw Guerrera, amigo da família e a esperança de sobrevivência da menina. Desta forma a Estrela da Morte caminha para sua conclusão de forma irremediável para a Galáxia.

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2. QUEM É SAW GUERRERA? (Spoilers não comprometedores)
Simplesmente: ele é rebelde até para Aliança Rebelde! Sim, um extremista capaz de fazer atos inomináveis tais quais o Império. Já havia causado diversos problemas a Aliança (que não são mencionados no longa-metragem) e que acabou tendo uma mente perturbada e tendo parte de seu corpo sobrevivendo por meio de implantes robóticos e sistemas de vida. No entanto plenamente atuante e com sua base escondida no planeta Jedha, outrora lar de um dos maiores templos Jedi.

Antes de tomar conta da pequena Jyn Erso e se tornar uma espécie de pai adotivo, ele esteve a frente, ainda muito jovem, de um frente rebelde contra o domínio separatista de seu planeta Alderon. Planejava conquistar a capital Isis e destituir o poder vigente com ajuda de sua irmã e do Conselho Jedi. No entanto, a Ordem não quer se envolver diretamente no conflito civil apenasse limitando a treinar a Aliança Rebelde a agir de forma militar e coordenada.

Depois que se infiltram na cidade, os jedis acabam deixando Ahsoka Tano como conselheira estratégica, informal da nova líder Rebelde Steela Guerrera, irmã de Saw. Mesmo reconduzindo ao governo seu líder legítimo, Saw Guerrera perde muito com a vitória sobre os Separatistas. Apesar de Alderon ter recuperado a paz e voltado ao seio da República, Saw Guerrera perde sua irmã. Esse sacrifício endurece ainda mais o coração do rebelde e talvez seja o motivo de sua ações extremistas como a Aliança Rebelde o caracteriza em Rogue One. Esses fatos, contados na série animada Clone Wars (5×02-5×05), também nos remete a própria origem da Aliança Rebelde e coloca Saw como um de seus fundadores.

Assim Saw Guerrera é encarregado pela força das circunstâncias a criar e educar Jyn Erso, que cresce entre os ataques e planos terrorista de Guerrera. É forjada na iniciativa Rebelde, mas passa a desacreditar nela desde que Saw a abandona temendo que a usassem para feri-lo. Desde então ela passa a viver sem se importar com nada, neutra e cometendo crimes. Presa, acaba sendo solta pela Aliança Rebelde, pois é a única que pode entrar em contato com Saw Guerrera e sobreviver. E o líder extremista é o único que possui uma mensagem secreta de seu pai, Galen, que foi enviado por meio do piloto, Bodhi Rook.

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3. UMA MISSÃO SUICIDA (Alerta de Spoiler / pule para a conclusão)
Coagida a ajudar a Aliança em troca de sua liberdade, Jyn Erso se junta a Cassian Andor, um oficial capaz de qualquer coisa pela cauda Rebelde, e um androide do Império reprogramado K-2SO. Não há afeição ou confiança, mas eles precisam ir a Jedha encontrar Saw Guerrera e assim ter acesso ao piloto Bodhi Rook e a mensagem que ele porta de Galen Erso.

No caminho esbarram em dois antigos guardiões do templo de jedi, Chirrut Îmwe e Baze Malbus, que parecem sentir a Força permear as ações da jovem Erso. Assim após uma batalha são conduzidos a Saw Guerrera que finalmente revela o conteúdo da mensagem: Galen trabalhou por anos a fio na Estrela da Morte, mas deixou um falha capaz de por em colapso toda nave suprema. É preciso encontrar o engenheiro-chefe e se apossar desse segredo. Mas o fim do encontro com Saw é trágico: Tarkin ordena que Krennic teste o poder da arma em Jedha. Assim o primeiro ataque da Estrela da Morte dizima a cidade e com ela Guerrera que aceita de bom grado a sua morte e o fim de tantas lutas.

De posse da informação, mas sem a mensagem holográfica Jyn Erso tenta convencer a cúpula da Aliança Rebelde a ir ao encontro de seu pai em Eadu, locar de refinaria imperial de cristais kyber. Assim Cassian Andor, com a missão secreta de matar Galen depois de obter a informações, junto com K-2SO, Chirrut e Baze são guiados pelo piloto Bodhi. Mas novamente Jyn perderá alguém amado: seu pai morre em seus braços, mas deixa claro onde estão os planos de sabotagem da Estrela da Morte.

Novamente sem provas e somente sua palavra, Jyn Erso não consegue convencer a Aliança Rebelde de que em Scariff estariam os planos de seu pai. Não consegue fazer com que a cúpula apoie uma investida em massa a sede dos arquivos imperiais. Bail Organa, pai adotivo de Leia, bem como Raddus, o mon calamari, parecem acreditar na jovem, mas não aponto de arriscar uma ofensiva.

Assim Cassian, os guardiões do templo, Bodhi e K-2SO juntam-se a Jyn Erso para uma missão suicida: infiltrar-se com a nave roubada em Scariff e roubar os planos que podem destruir a Estrela da Morte. Mas o que pode um grupo de Rebeldes e um pequeno destacamento de soldados contra uma das bases mais bem protegidas do Império Galáctico? Este plano suicida acaba por ser aqueles que Leia esconde em R2D2 no início de uma Nova Esperança, aqueles que indicarão onde Luke Skywalker deverá atingir para por fim a Estrela da Morte na batalha de Yavin.

Mas sabem Cassian Andor e seu grupo que tanto Krennic como Tarkin, já comandante da super arma, encaminham-se para Scariff e contarão com a ajuda de ninguém menos que Darth Vader que se encontrava em Mustafar, seu covil e lugar onde fora derrotado por Obin Wan Kenobi no Episódio III: A vingança dos Sith (2005). Mas talvez, como a própria Jyn afirma:

As rebeliões começam com esperança.

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4. A CRENÇA NA FORÇA
Jyn Erso não acredita em mais nada. Sua mãe antes de morrer lhe afirma para confiar na Força. Neste filme o conceito de Força é amplamente abordado, mesmo que nenhum jedi apareça em cena, somente Darth Vader e seu uso sombrio do Lado Negro. Nesse sentido é uma época decadente para quem acredita nela.

O lugar de um dos mais poderosos templos da Ordem, a planeta Jedha, não passa de uma grande mina de cristais Kyber. Tudo referente a era gloriosa dos jedis está em ruínas e até uma imensa estátua de Cavaleiro e os restos do templo da ordem servem esconderijo para o bando de Saw Guerrera.

Mas o sentimento místico da Força ainda permeia as ações dos guerreiros do bem. Apesar de Jyn Erso só ter como lembrança um cristal kyber como pingente de um colar e as palavras de sua mãe, a Força encontra um jeito de envolvê-la. É assim que ela trava contato com dois antigos guardiões do Templo: Chirrut Îmwe e Baze Malbus. O primeiro é cego e exímio com a luta com os bastões, um crente fervoroso nos desígnios da Força; o segundo, tornou-se um descrente mesmo nutrindo um amizade com Chrirrut, confia mais no seu rifle de blaster do que em algo invisível.

Rogue One restabelece a ideia da força como algo místico e religioso, mostra como os povos comuns passaram a crer como algo que os leva para o bem. Esse sentimento é o que marca os Rebeldes em sua luta contra o Império, cujos maior expoente são os esforços de Luke e Leia Organa. Assim a história de Jyn mostra que a crença na Força não era exclusividade de Jedi e Sith nem simples contagem de mindiclorianas (explicação de George Lucas que acho forçada e digna de pouca ênfase), porém algo análogo a esperança para cada ser vivo da Galáxia. Ou seja, a Força como filosofia jedi morrer com seus cavaleiros, mas permanece viva nos homens comuns como a fé em um futuro melhor.

Por isso não tem como não se emocionar com o mantra repetido por Chirrut Îmwe a cada momento do filme até seu derradeiro suspiro e os último momentos de Baze Malbus, recuperando a fé perdida:

Eu estou com a Força e a Força está comigo.

5. EASTER EGGS

  • 140_09O laser da Estrela da Morte: é a última parte adicionada à arma suprema original para torná-la completa em Rogue One. No entanto segunda Estrela da Morte (Episódio VI: O Retorno do Jedi, 1983), tem seu laser já conectado (e totalmente operacional), mesmo quando a superestrutura da estação ainda estava incompleta.
  • 140_10Rebels, série animada: em uma cena em Yavin IV, um locutor pode ser ouvido chamando um “General Syndulla”. Refere-se a Hera Syndulla a piloto twi’leks da Ghost no desenho animado. A própria nave está presente tanta na base rebelde em Yavin 4 como na batalha final em Scariff. No entanto não existe nenhuma perspectiva do arco Rebels se tornar um filme live-action.
  • 140_11Arquivos 1: Rastreando no hiperespaço – Há menção a uma tecnologia imperial secreta usada pela Primeira Ordem em Star Wars: Os Últimos Jedi (2017). Um tópico chamado “Rastreamento do Hiperespaço” diz respeito a tecnologia que permite à Primeira Ordem perseguir a frota da Resistência, mesmo quando eles viajam pelo hiperespaço.
  • 140_12Arquivos 2O Sabre Negro – Quando Jyn está procurando os planos da Estrela da Morte no cofre, ela lê “Darksaber” ou “Sabre de Luz Negro”. A arma O Darksaber é uma espada de energia criada pelos primeiros Jedi Mandalorianos. Foi visto na série animada Clone Wars nas mãos de Pre Vizsla (4×14, 5×14-5×15) e, mais recentemente, na série O Mandaloriano (1×08). Ainda há referências a arma em Rebels no qual Sabine Wren a maneja e a presença dele no game Star Wars: The Force Unleashed (2008).
  • 140_13O nome Rogue One é o codinome que Bodhi Rook inventa para usar a nave imperial roubada que os rebeldes para missão em Scariff. Rogue Two é o codinome do piloto rebelde que encontra Luke e Han em Hoth no Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980).
  • 140_14A Cidadela e o Planeta Scarif, onde os dados imperiais são armazenados, é uma reminiscência do planeta Rakata Prime, que apareceu pela primeira vez no videogame Star Wars: Knights of Old Republic (2003).
  • 140_15As consequêcias para o Episódio IV (1977) – A Batalha de Scarif ajuda a explicar por que a Aliança Rebelde só conseguiu reunir cerca de trinta caças estelares para atacar a Estrela da Morte (Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977). Também explica por que eles deixaram Luke, um piloto sem experiência em X-Wings, se juntar ao ataque. A batalha final com para auxiliar Jyn e seu grupo esgota severamente o corpo de caças Rebeldes e seu líder, o general Merrick, é morto em ação. Luke é recrutado para substituir o Red 5, que também foi morto em Scarif. A batalha também acrescenta peso à advertência de Luke a Han de que os rebeldes “… poderiam usar um bom piloto como você, você está dando as costas a eles”.
  • 140_16O Imperador aumenta seu poder – Ainda em relação Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), o governador Tarkin anuncia que o Imperador dissolveu o conselho permanentemente e que todos os territórios são diretamente controlados pelos governadores regionais. Embora o motivo dessa decisão nunca tenha sido explicitamente declarado, é provável que o Imperador tenha feito isso em resposta direta à batalha de Scarif, que ocorre no final deste filme. Como este foi o primeiro ataque aberto da Aliança Rebelde ao Império, ele provavelmente a usou como uma desculpa para implementar alguma forma de lei marcial em toda a Galáxia e se livrar do último órgão governamental da República que estava entre ele e o poder absoluto.

6. CURIOSIDADES HISTÓRICAS

  • 140_17Bomba Nuclear – O pai de Jyn, Galen Erso, é inspirado em J. Robert Oppenheimer, o pai da bomba atômica. Pois os dois homens compartilham o mesmo fator de culpa de se tornar um agente da morte por construir uma arma de destruição em massa.
  • 140_18Guerras reais – Para conferir a aparência pretendida das batalhas na superfície, o diretor Gareth Edwards e a equipe de design simplesmente resgataram fotos da Segunda Guerra Mundial e do Vietnã, substituíram os capacetes do exército por capas de rebeldes e adicionaram X-Wings nas fotos. Eles também desenharam storyboards inspirados em fotos das zonas de conflito do Oriente Médio. Foi a inspiração definitiva para o estúdio prosseguir com os detalhes do conflito.
  • 140_19Batalhas no PacíficoOs soldados da Aliança Rebelde na batalha por Scarif são vistos usando capacetes M1, um tipo usado pelas forças armadas dos EUA de 1941 a 1984. Isso mostra que a cena é inspirada em batalhas travadas em ilhas tropicais como Tarawa e Pelelui no Pacífico. No entanto a locação real fora as Ilhas Maldivas no Oceano Índico.
  • 140_20Che Guevara? O personagem de Saw Gerrera parece ser uma homenagem ao combatente da liberdade argentino, Ernesto ‘Che’ Guevara. Ambos os homens foram considerados extremistas em suas batalhas contra as ditaduras, resultando em visões contraditórias de seus legados.

CONCLUSÃO
Este é um filme de guerra. É um filme sobre uma causa maior. É meu preferido quando se refere aos longas criados a partir do momento que a franquia passou as mãos da Disney. Um dos primeiros pontos é a consciência de como o Império Galáctico pode ser mortal em suas ações. Os Stormtroopers, que nos parecem tão patéticos na trilogia original e que são tão facilmente enganados e mortos por Luke e seus amigos, aparecem letais nesse longa-metragem. Realmente uma força a ser temida. Mas também os Rebeldes são extremamente heroicos e com táticas militares invejáveis.

Mesmo não tendo em cena nenhum jedi, a Força está lá e as informações serão passadas a Obi Wan em seu exílio. Este filme é justamente o fundamento para entendermos com mais propriedades as lacunas de Um Nova Esperança (1977), pois se passa alguns dias antes deste filme. Assim detalhes como Leia é presa, como os planos passam a R2D2 e a história de morte e sacrifício por trás dessas sutis ações. Como também explica fatos maiores como Tarkin no comando da Estrela da Morte, o primeiro planeta a ser destruído ser Alderam, lar de Bail e Leia Organa, entre outros fatores.

Considero um filme obrigatório para as novas gerações que querem adentrar na trilogia clássica sem ficar boiando nas referências. Não que um fã de velha data precise dele para amar a vitória de Luke sobre a Estrela da Morte, mas Rogue One nos apresenta uma ótica poética e bonita que serve de fundo para os episódios IV a VI da franquia. E acredite ao ver esse filme, caro leitor, não perderá seu tempo, pois, afinal: você estará com a Força e a Força estará consigo.

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A VOZ DO SILÊNCIO – KOE NO KATACHI (CRÍTICA)

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SINOPSE
A Voz do Silêncio – Koe no Katachi (声の形) conta a história de Shōko Nishimiya, uma estudante da 6ª série do primário, que sofre de surdez. Ela é transferida para uma nova escola, mas acaba sendo intimidada por seus colegas de turma. Dentre eles, Shouya Ishida, um dos valentões que tiram sarro da menina, se torna um dos principais responsáveis por forçar a garota a mudar de escola.

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Ishida na fase do primário

 

ASPECTOS DO FILME
A animação possui traços e movimentos suaves, contando com uma imagética clara, nítida e bem detalhada. Durante a o filme, a “câmera” foca em elementos, aparentemente, irrelevantes em uma análise mais rasa. Uma boa sacada da Kyoto Animation, foi não botar legendas quando a Nishimiya sinaliza, apenas quando ela (tenta) falar. Provavelmente para mostrar como o deficiente auditivo se sente deslocado. Logo, você se vê obrigado a realmente prestar atenção às imagens. O que não se torna um problema, quando os diálogos e as cenas “vazias” são perfeitamente intercalados, sem causar aquela confusão de “olho para legenda ou pro filme?”

SOBRE O FILME
A história inicialmente, gira em torno do bullying sofrido por Nishimiya no primário (6ª série), porém não é apenas uma história de vilão e mocinho. Vemos as situações a partir do ponto de vista do agressor. Shoto se torna um “problema” para os alunos, pois, antes ela era a novidade. Visto que nenhuma das crianças conhecia aquela realidade, ela começa a incomodar. Esse incômodo é manifestado principalmente em Ueno, uma amiga de Ishida. Ela até questiona a professora sobre a nova aula com a lógica : “Se a Nishimiya é uma só, não é mais fácil ela se adaptar à maioria, do que o inverso”? Como Shoto já tinha um caderno para comunicação, isso se tornava muito mais fácil para os outros.

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(Tradução: “Eu sou surda.”)

As primeiras partes do filme já trazem fortes questionamentos. Seria a prioridade sempre da maioria das pessoas? Como criar gerações inclusivas? O que realmente é a inclusão? É importante salientar que, Ishida não era o único agressor. Mas também Ueno, (que participava ativamente), sem contar os passivos. Como Kawai, que mesmo não fazendo comentários maldosos, achava graça das “brincadeiras”. O pior comentário que Shoya poderia ouvir sobre as práticas era: ” que maldade”, ” coitada” sempre acompanhados de risos. Portanto para Ishida, que era um menino popular na sala, estava fazendo o papel de bobo da corte, o que era positivo pra ele.

118_03(Nishimiya chegando em casa após ser agredida)

É interessante lembrar que o filme se passa no Japão, onde o bullying costuma ser bem radical. Com agressões, pichações na carteira ou no quadro como: ” se mate ” (nos níveis mais exagerados). E muitas desses atos eram praticados com Nishimiya. Portanto, a maioria dos ocidentais quando veem o filme, podem achar algo bem cruel para crianças de 10 anos.

118_04(Ishida jogado no lago da escola)

O GRANDE PLOT  – Não é um spoiler. Acontece logo no início. É quando a situação se inverte, Ishida é tratado como semente ruim e se torna alvo do bullying. Isso ocorre quando o professor diz à turma que a mãe de Nishimiya a tirou do colégio, pela filha estar sofrendo bullying. A turma logo aponta para Ishida, que se torna o único responsável por tudo que ocorreu. Mesmo que ele acuse outras pessoas, ninguém o leva à sério.

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(Visão de Ishida no colegial)

Silenciado, ele mesmo se exclui de tudo e todos. Isso é mostrado após uma passagem de tempo no filme, quando os personagens já estão no colegial, onde Ishida enxerga um ” X” tampando o rosto das pessoas, como um símbolo de perigo. Com um sentimento de arrependimento, Shoya procura Nishimiya para pedir perdão e tentar se reaproximar. Inicialmente, ele só faz isso por se sentir culpado. Mas durante essa odisseia muitas coisas mudam para o personagem, incluindo sua percepção e sentimentos sobre Shoto e também as pessoas a seu redor.

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(Ishida conhece Nagatsuka)

Quando me refiro à percepção, também quero incluir confiança. Quando Ishida percebe que alguém não é uma ameaça, o “X” no rosto da pessoa cai, como um adesivo sem cola. Isso acontece inicialmente com Nagatsuka, que se torna o primeiro amigo de Ishida nesta nova fase. É importante ressaltar, que não é uma simples história linear, há uma teia formada entre os personagens que envolvem vários fatores além do passado. O que cria uma simpatia pelos personagens, tornando-os “humanos” aos olhos do espectador e contribui para que o longa-metragem seja tão emocionante. Mas, não posso passar muito desse ponto, pois já se tornaria spoiler, o que não é o objetivo desta postagem.

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(Ishida e Nishimiya no metrô)

INTERPRETAÇÃO E CONCLUSÃO
A grande mensagem do filme é a dor que o silêncio esconde. Os conflitos da história são causados pelo silêncio. Seja ele em forma de negligência, como aconteceu com as agressões que Shoto sofreu, seja omitindo sentimentos, como Ishida o fez. Em uma das cenas iniciais, é mostrado um rio, formando ondas circulares que vai se expandindo como se algo entrasse em contato com a água.

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Por mais fútil que possa parecer, essa única imagem já diz muito sobre a narrativa, em que pequenas atitudes, causam grandes problemas. Como por exemplo, a tentativa de suicídio de Ishida (Não é um spoiler, também faz parte do início do filme) que é basicamente, quando ele transborda de culpa e sentimentos ruins que acumulou durante tanto tempo, entre outras situações que ocorrem no filme.

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INTERAÇÃO
Mas claro, está é a minha visão sobre Koe no Katachi. Pode ser que você discorde do meu ponto de vista e apontamentos, ou tenha algo para acrescentar. Portanto, se sinta à vontade para compartilhar suas observações ou opiniões, na área de comentários abaixo.

INFORMAÇÕES SOBRE O FILME
Gêneros: Animação (Anime), Drama e Romance
Lançamento: 17/09/2016 (Japão)
Duração: 2h e 9min
Classificação: 16 anos
Disponível em: Netflix
Produzido por: Kyoto Animation
Dirigido por: Naoko Yamada
Escrito por: Reiko Yoshida
Design: Futoshi Nishiya
Música: Kensuke Ushio

PERSONAGENS E SEUS DUBLADORES
Shoya Ishida: Miyu Irino e Robbie Daymond
Shoto Nishimiya: Saori Hayami e Lexi Marman
Yuzuru Nishimiya: Kristen Sullivan
Tomohiro Nagatsuka: Graham Halstead
Naoka Ueno: Gia Grace
Miki Kawai: Amber Lee Conors
Miyoko Sahada: Melissa Hope
Toshi Mashibasa: Max Mittlelman

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HEY GHOST, LET’S FIGHT – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Park Bong-pal tem um dom não muito comum, ele é capaz de ver e tocar fantasmas, e junto desta habilidade mostra a visão de um empreendedor. Park decide trabalhar como exorcista e juntar um bilhão de wons, algo equivalente a quase um milhão de dólares. A empreitada já estava caminhando e os negócios iam bem, até que mais uma cliente entra em contato tarde da noite para pedir os seus serviços. O chamado era para uma escola que havia sido interditada por três dias devido a fenômenos estranhos, então seduzido por um pagamento dez vez maior que o preço normal, sai de casa às pressas para prestar o trabalho. Park literalmente invade a escola, e chegando lá encontra a fantasma de uma estudante. O rapaz literalmente toma uma surra, e abandona frustrado o prédio. Na noite seguinte, ainda irritado, retorna ao colégio buscando a sua revanche, e lá de novo estava ela, com ar irônico esperando seu desafiante. Park não espera, já parte para cima sabendo o quão lucrativo aquele fantasma lhe seria não havia tempo a perder. A briga é ferrenha, com direito a puxões de cabelo e golpes baixos. Em certo momento os dois rolam atracados por uma escada a baixo, e acidentalmente acabam se beijando! Vendo o que acabara de fazer, Park se levanta envergonhado e diz que essa não era sua intenção. A fantasma ainda caída tem flashbacks, ela não era uma aberração do tipo má, e aquele beijo a fez recobrar uma memória nova. Em meio a situação o verdadeiro fantasma surge, aquele perigoso e que causava problema. Park junto da menina fantasma consegue derrotar, e agora era a hora do pagamento! E afinal, quem havia feito o chamado? Desconcertada a fantasma não consegue esconder a culpa, e Park exige seu dinheiro. Convenhamos, na situação dela ser o que era, não iria pagar. Frustrado ele desiste e vai embora. Dia seguinte, e advinha, a fantasma estava como uma sombra por onde ele fosse, e o motivo, ela queria outro beijo para descobrir se aquilo a faria lembrar de mais coisas. Seu nome era Kim Hyun-ji, e a partir daquele momento, ela não sairia mais do pé do rapaz!

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COMENTÁRIOS
Comédia romântica é um dos gêneros mais férteis entre as séries sul-coreanas. São como as novelas brasileiras, inevitáveis e líderes de audiência. E Hey Ghost, Let’s Fight (싸우자 귀신아), K-drama de 2016, traz um plano de fundo de terror para contar uma história de amor recheada de muito bom humor. Divertidíssima e cheia de sacadas inteligente, é uma série com romance o suficiente para atrair mais o público feminino do que o masculino. E eu falei ‘atrair’, porque se eu tivesse optado pela palavra ‘aderir’, pode acreditar, que fosse mulher, homem, papagaio ou tamanduá, seria certo de que iria gostar. Provavelmente quem irá ler esta resenha já é um público conhecedor deste tipo de produção, o que transforma eu explicar isso em chuva no molhado. Mas vai que esse não é o caso, como eu te convenço a dar aquela conferida? Fazer pessoas que não conhecem o nível de qualidade das série sul-coreanas já é algo difícil, agora imagina quando ela também é um romance em essência. A única coisa que eu posso te pedir é para superar o preconceito, e dizer que a melhor prova de algo é experimentarmos. Por incrível que pareça tem muita coisa boa no além do cinema ocidental, e são dois que eu pago pau mesmo! Cinema indiano e sul-coreano, e as séries deste último. E se amanhã pintar alguém me sugerindo para assistir uma produção, sei lá… de São Tomé e Príncipe, pode acreditar que eu vou conferir!

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Comecei a assistir esta série assim que ela apareceu na Netflix, e meu impulso inicial era de sua chamada parecer bastante com a de uma outra também do Studio Dragon, Black (2017). Bem, era só impressão mesmo, na prática a pegada é outra. Enquanto em Black o assunto é mais pesado e sério, em Hey Ghost, Let’s Fight, quase o tempo todo o  clima é de diversão. Mas claro, por trás de fantasmas sempre existem mortes e discussões um pouco mais pesadas, e elas estão lá. No entanto o andamento não se cerca disso, e busca sempre quebrar o gelo com alívios cômicos. E em se tratando de fazer rir, estou seguro em dizer que praticamente funciona sempre! As tiradas de sarro não são desperdiçadas e ocorrem num timing perfeito. Há uma situação onde uma dupla bem enrolada quer encontrar a ficha escolar de Park , o personagem principal, e um deles vira por outro solicitando que faça a busca enquanto elogia sua habilidade com computadores. Antes de terminar o elogio, coisa que levou menos de dois segundos, e talvez 1/3 de um clique no teclado, estava lá na tela o relatório requisitado! Só contando talvez eu não consiga expressar a verdadeira intenção, mas te garanto, reze para não estar comendo nada.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Ok Taec-yeon, Kim So-hyun, Kwon Yul, Kim Sang-ho, Kim Min-sang, Son Eun-seo, Lee Do-yeon, Kang Ki-young, Lee David e Baek Seo-yi compõem o elenco. Hey Ghost, Let’s Fight é uma série sul-coreana de terror, romance e comédia lançada em 2016, e que foi dirigida por Park Joon-hwa e Myung Hyun-woo. Se baseando num webtoon homônimo, tem seu roteiro adaptado por Lee Dae-il. Essa é uma das primeiras obras do Studio Dragon, tendo como produtores executivos Choi Kyung-sook, Park Ji-young e Song Byung-joon, e é produzida por Yoon Hyun-gi e Lee Se-hee utilizando a estrutura da Creative Leaders Group 8 e da The Unicorn. Hey Ghost, Let’s Fight foi distribuído na Coreia do Sul através da tvN, e é internacionalizada pelo serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Hey Ghost, Let’s Fight é uma série sul-coreana bastante divertida, que tem como plano central o romance entre uma fantasma e um cara que tem o dom de enxergar e poder tocar espíritos. Inicialmente essa relação nunca deveria ter começado, afinal, o rapaz trabalhava como exorcista de fantasmas, só que alguns acontecimentos levaram a um precisar do outro. O que eu posso te resumir sobre esta série, é que ela é sim boa, mas óbvio, se você for adepto de um drama romântico com altas doses de comédia. Na prática vale a máxima de sempre, assista pelo menos o primeiro episódio, se não curtir, abandone. Hey Ghost, Let’s Fight não é recomendada para menores de 14 anos, e está disponível pelo serviço de assinatura Netflix. Confere lá, acredito que você vá gostar!

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THE K2 (CRÍTICA)

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SINOPSE
Kim Je-ha é um ex-soldado da agência militar Blackstone que se envolve nos bastidores de uma guerra política, quando acidentalmente conhece Choi Yoo-jin, filha de Jang Se-joon, deputado que briga na corrida eleitoral pela presidência do país. A jovem é um problema para o pai e sua esposa atual, Choi Yoo-jin, visto que é fruto de um secreto relacionamento extraconjugal do passado. Em meio ao perigoso embate pelo poder, Je-ha precisa fazer uso de todo seu treinamento para proteger a vida daqueles que o cerca, enfrentando sozinho uma verdadeira guerra de máfias.

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COMENTÁRIOS
Eu poderia resumir The K2 (더 케이투) como a série de um John Rambo mais sofisticada, e é essa impressão que se tem pelo menos nos dois primeiros episódios. Só que as coisas não param por aí, nada é tão simples assim. Kim Je-ha não é apenas um exército de um homem só, o cara também é letrado, descolado, sedutor e homem de princípios. As vezes também é seboso ao demonstrar zero modéstia contra seus oponentes. Ou seja, o Rambo da nossa primeira impressão está mais para um James Bond. Só que esse 007 não é nada corporativista, só faz o que lhe dá na telha. E se deu na telha que uma guerra política está atrapalhando o bem estar de uma jovem rejeitada pelo pai ganancioso, então é contra gangues do colarinho que ele brigará. E quando digo gangues, são agências de todo tipo se vendendo para magnatas da política.

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Esta é uma das primeiras produções do Studio Dragon, empresa sul-coreana responsável por diversas séries de ótima qualidade, como as já resenhadas Black, Stranger e Tunnel, todas de 2017. The K2 é uma ótima opção quando se quer diversão, pois sua pegada de ação, drama, e romance, é capaz de atrair tanto o público masculino quanto o feminino. Mas nem tudo são flores, é também uma das séries do estúdio que mais possui falhas. Seu roteiro é uma inteira trapaça, o que não faltam são inúmeras conveniências, e quando digo inúmeras é porque tem muita coisa mesmo. Basicamente Kim Je-ha está envolvido com tudo de tudo na trama, quase um ser onipresente. Direi duas situações que só seriam spoilers se você já estivesse inserido no todo e soubesse os nomes e importância dos personagens, então fique tranquilo, terá zero impacto na sua experiência. Primeira situação: Je-ha está no Iraque, em uma campanha militar, e lá ele é acusado de um crime que não cometeu, e o mandante ele encontra tempo depois na Coreia do Sul, como um dos principais envolvidos no seu futuro problema e que não tem nenhuma relação com seu problema anterior; Segunda situação: Je-ha fugindo de alguma coisa esbarra com Choi Yoo-jin na Europa. Um período se passou, e o rapaz trabalha como instalador de banners em locais perigos, onde acidentalmente vira testemunha da infidelidade do pai de Yoo-jin. Beleza, nessa segunda situação poderíamos dizer que as coincidências terminaram com agora ele identificado, e por isso seria encaixado na história. Mas não, outras e outras situações similares se repetem, mostrando que o roteiro trapaceia para formar e manter seus personagens interligados.

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Se por um lado o roteiro é fraco e até um pouco desrespeitoso com a audiência, por outro a série se redime do seu crime ao escalar uma tropa de excelentes atores. Vai lá eu mais uma vez rasgar seda para esses atores sul-coreanos… pode dizer. Não dá cara. Não há como ignorar essa virtude da academia de cinema dos caras. Ou não. Talvez nem seja isso. Talvez seja o estúdio que dê sorte ou escolha bem seus colaboradores entre, também atores medianos e ruins. Enfim, são apenas suposições. A verdade é que o principal ator, o jovem Ji Chang-wook, não apenas atua bem dando vida ao seu personagem dramático, mas também contracena excelentes cenas de ação. A maioria das suas cenas coreografadas são contracenadas pelo próprio, honrando os bons atores de filmes de artes marciais asiáticos. Choi Yoo-jin, a esposa do candidato Jang Se-joon, é uma caixinha de surpresas. A mulher consegue uma expressão riquíssima para seu personagem. Transita de vilã para a mocinha continuamente, nos fazendo ficar de boca aberta sem saber se devemos amar ou odiar aquela pessoa. Já Jang Se-joon é um fanfarrão! Conhece aquele tipo de político demagogo e manipulador? É ele! Por trás da carapaça de um bom homem, fiel, e exemplo de honestidade, existe uma figura mau-caráter, fria e manipuladora. Ah, e esqueci! Mulherengo ao extremo. Como pude esquecer? E mesmo assim não conseguimos ter plena repulsa por ele, afinal, como bom político e fazendo uma excelente atuação, até nós somos manipulados por seu carisma. Dos quatro principais personagens sobra Choi Yoo-jin, que entrega uma atuação convincente e boa, mas que não tem tantos recursos de roteiro para ser melhor explorada e brilhar mais.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Ji Chang-wook, Choi Seung-hoon, Song Yoon-ah, Im Yoon-ah, Lee Yoo-joo, Jo Sung-ha, Kim Kap-soo, Lee Jung-jin, Shin Dong-mi, Lee Ye-eun, Lee Jae-woo, Lee Chul-min, Song Kyung-chul e So Hee-jung compõem o elenco. Escrito por Jang Hyuk-rin, The K2 é uma série de ação, drama e romance de 2016, e um dos primeiro trabalhos do Studio Dragon dirigido e produzido por Kwak Jung-hwan. Gravado através da HB Entertainment na Coreia do Sul, teve cenas extras na Espanha. A série possui 16 episódios, tendo a duração média de 60 minutos. Foi distribuída localmente pela emissora tvN, e entregue para o restante do mundo através do serviço de assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
The K2 é uma série bem bacana que reúne um bom número de gêneros. Seu forte é ação, temática política e romance, mas também carrega junto muito humor. Seu ponto fraco é o seu roteiro, que trapaceia bastante para unir todos os personagens na trama, porém suas virtudes são tão reluzentes que você esquece disso. Chega num ponto da história que tais defeitos são perdoados, e isso se dá por conta das marcantes atuações do elenco escolhido. Como dizem no ditado “um herói só é um grande herói quando tem um grande vilão”, e The K2 tem isso. E o mais interessante é que você fica até o fim tentando descobrir qual é a verdadeira ameaça. A série de 2017 é uma das primeiras produções do Studio Dragon, tem classificação de 14 anos, e está disponível na Netflix. Boa diversão!

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TRAVELERS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO: Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.
Atitudes erradas da humanidade levaram o mundo à um futuro calamitoso de colapso social, então milhares de agentes são treinados e, enviados para o nosso período atual no intuito de fazer mudanças pontuais na linha do tempo para impedir tal predestinação. Então cinco destes viajantes são enviados assumindo cada um o corpo físico de uma pessoa qual já era conhecido o local e horário da morte. Este método servia para amenizar o máximo de interferência na linha temporal, visto que a pessoa não mais existiria. Porém eles ainda precisariam viver o restante de suas vidas seguindo a realidade de seu hospedeiro, enquanto missões eram orientadas pelo Diretor, e deviam ser cumpridas seguindo as regras exatas de cada protocolo.

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COMENTÁRIOS
Esta é uma série de 2016 que estreou e não dei a devida atenção, então estou atualmente correndo atrás do tempo perdido. Recordo ter assistido apenas o primeiro episódio e, sendo sincero, eu não lembrava de nada direito. Provavelmente parei para ver enquanto brigava contra o sono, costumo fazer isso as vezes. Então decidi dar uma conferida novamente, e tenho de dizer, essa série está me surpreendendo muito! A impressão que tinha era baseada num preconceito bobo com o ator Eric McCormack, não me pergunte, mas na minha cabeça esse era um ator de projetos duvidosos. Tenho uma lista com atores que se eu vejo a cara num filme ou série, eu já penso mil vezes antes de dar atenção. Mas não, realmente eu estava bastante errado. As vezes as pessoas são azaradas, ou não tem os contatos certos para pegar bons papéis. No fim das contas estou gostando da atuação de McCormack.

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Séries de ficção são alvo fácil para roteiros e conceitos de péssimo gosto, e são raras as exceções nesse gênero. As linhas de diálogos mal escritas e os nomes de itens fictícios são os elementos que mais costumam me incomodar. Não aguento piadinhas descabidas em momentos tensos, ou engenheiros pedindo ao assistente para passar o “suturador de ionização quântico”. Isso definitivamente me tira do sério! É preciso ser dito, Travelers é uma série não tem nada disso! Fui pensando ser realmente algo como dei o exemplo, mas não, temos aqui uma produção bem roteirizada e com um ritmo gostoso de assistir. Seu plot é apenas a ponta do iceberg, a trama vai desenvolvendo e trazendo uma série de novos elementos para incrementar o universo proposto.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco principal conta com os atores Eric McCormack, MacKenzie Porter, Nesta Cooper, Jared Abrahamson, Reilly Dolman e Patrick Gilmore. A criação de Brad Wright é produzida por Eric McCormack e foi distribuída no Canadá pelo canal Showcase Television do grupo do grupo Alliance Atlantis Communications. Para o resto do mundo Travelers foi ofertado pela Netflix. A série atualmente conta com 3 temporadas e um total de 34 episódios.

CONCLUSÃO
Travelers é uma série inteligente e agradável de assistir que se põe fora da curva se comparado à outras obras do gênero. Aqui não tem carnaval, não tem diálogos esdrúxulos e muito menos termos estúpidos para designar coisas que não existem. Duas coisas me surpreenderam bastante, o ritmo agradável do roteiro e as atuações de atores que até então eu tinha o preconceito de não esperar ao menos uma atuação razoável. O clima de suspense e tensão te instiga a devorar a série de uma só vez. Atualmente ela se encontra disponível na Netflix, então se você gosta do gênero ficção científica, esse aqui é um pratão para você! Para  mim está aprovadíssima!

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CÃES DE GUERRA (CRÍTICA)

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SINOPSE
David é um jovem nos seus vinte e poucos anos que está desiludido por ter largado os estudos. Gostaria de não precisar trabalhar mais como massagista terapêutico onde recebe poucos dólares por hora. Embora desapegado das coisas, ainda tem a mínima consciência de que precisa melhorar de vida, e calha de reencontrar com seu melhor amigo de infância, Efraim, que mostra um caminho sedutor para ganhar dinheiro sem tantas dificuldades. Estando financeiramente mal e tendo descoberto recentemente que seria pai, aceita a sociedade com o amigo. O negócio era simples, garimpar as pequenas e ignoradas licitações de armamentos do governo, vencer os editais, e entregar o combinado. Os negócios vão prosperando, e junto com isso a ambição dos jovens por ainda mais. O filme conta a história real dos dois contrabandistas americanos que forneciam armamento para o Pentágono, e as confusões onde eles se meteram.

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COMENTÁRIOS
Podemos encarar Cães de Guerra de duas maneiras, a primeira como um filme leve e sem qualquer comprometimento com nada além do entretenimento desprendido, e outra com a postura de quem quer ser levado à sério ao tentar embarcar no nicho das obras relacionadas à grandes criminosos. Como diversão é um filme que começa muito bem nas suas doses pontuais de comédia, também visita a ação de forma bastante competente e empolgante, mas se perde quando mergulha na tensão dramática que destoa muito de seu início. Se você for fisgado pela ideia mais séria, de ser uma crítica ao Estado Americano e suas falhas morais, tanto de quem vende ou compra material bélico, então talvez saia um pouco decepcionado. Tudo o que tem pra ser visto é um protótipo do que já foi feito em completude por filmes de gangsters como os de Martin Scorsese. São sequências de clichês e referências por todo o filme, a começar pela narrativa circular onde David é agredido e posto frente à morte por mafiosos albaneses. À partir deste instante a cena congela e temos a narração de todos os ocorridos que culminaram naquele momento. David se prolonga contando sobre suas dificuldades familiares, ambições, e como enxerga os dilemas éticos e morais conforme eles vão surgindo.

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FICHA TÉCNICA E ELENCO
O filme de 2016 é baseado no livro Arms and the Dudes publicado em 2015 pelo canadense Guy Lawson, e tem o roteiro adaptado por Stephen Chin, Jason Smilovic, e pelo diretor Todd Phillips, conhecido pela trilogia de comédia Se Beber Não Case. No elenco temos a dupla dos astros da atualidade Miles Teller e Jonah Hill, bem como Ana de Armas, Bradley Cooper, Kevin Pollak, Shaun Toub e Barry Livingston. Seu orçamento foi de 40 milhões de dólares, e teve um faturamento de pouco mais de 86 milhões.

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TRILHA SONORA DE PRIMEIRA QUALIDADE!
Sua trilha sonora é bem extensa, e traz músicas como So What’Cha Want do Beastie Boys, Sweet Emotion do Aerosmith, Wish You Were Here do Pink Floyd, Behind Blue Eyes do The Who, The Passenger do Iggy Pop, Girl, You’ll be a Woman Soon do Neil Diamond, e muitas outras. Ou seja, rola até adquirir o álbum com as trilhas, realmente só tem musicão!

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CURIOSIDADES SOBRE A DUPLA REAL
Na imagem acima os verdadeiros David Packouz e Efraim Diveroli. Declarando-se culpado, Diveroli foi sentenciado à 4 anos por crime de conspiração contra o governo, e após o fim de sua pena escreveu o livro de memórias Once a Gun Runner… em 2016. Existe uma confusão absurda por trás do filme, e não estou falando sobre as aventuras e desventuras da dupla de criminosos, mas por conta de quem escreveu o que, e de quem copiou quem. Eu até tentei compreender a ordem dos acontecimentos, mas as fontes se mostraram muito confusas e com datas inconsistentes durante as pesquisas. O que deu pra entender é que Efraim Diveroli ainda deu entrada em processo contra todos os envolvidos com o filme, alegando terem utilizado de material de seu livro sem autorização. Não querendo ser juiz ou coisa do tipo, mas esse cara se mostrou um grande picareta em série de situações, pessoalmente não creio que ele seja o personagem com a razão em toda essa história. Packouz foi indiciado por 71 acusações de fraude, uma por cada lotação de avião com carga de munição irregular, mas acabou sendo condenado apenas por crime de conspiração. Recebeu a sentença de 7 meses de prisão domiciliar, e após o cumprimento da pena passou a trabalhar com música. Em 2012 foi preso em um motel na Florida, após combinar um programa de 400 dólares com uma policial disfarçada do Condado de Collier, tendo sido dado como culpado pelo crime de prostituição.

CONCLUSÃO
Contando a história real da jovem dupla de contrabandistas de armas, David Packouz e Efraim Diveroli, é um filme até agradável de se ver, mas ao mesmo tempo inconstante e sem definição. Inicia como comédia, vaga pela ação, mas acaba virando um drama bem de oposto ao que ameaçava inicialmente. A sensação particular que tenho é que deveria se manter no mesmo tom ácido do começo até o fim. Ou ter se colocado de forma mais comportada e séria, valorizando a pegada dramática de uma biografia. Ponto bastante positivo e que resgata valor pro filme são as excelentes atuações de Miles Teller e Jonah Hill, que possuem uma boa química trabalhando juntos. Cães de Guerra não é a oitava maravilha do mundo, mas é sim um filme que merece ser apreciado.

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