O CONTO DA AIA – LIVRO (CRÍTICA)

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I- SINOPSE

Depois de uma revolução teocrática no século XXI, que estabeleceu uma sociedade estratificada, conservadora com bases nas raízes puritanas do século XVII, o que conhecemos como Estados Unidos foi destruído. As políticas racistas foram um dos combustíveis emocionais da revolução e agora impera a República de Gilead, um estado totalitário que, embasado em uma interpretação moral e segregadora do Antigo Testamento, restabelece uma sociedade patriarcal na qual a mulher não tem voz ativa nenhuma.

Uma sociedade envelhecida, assolada por doenças e reflexos da contaminação nuclear, fez como que a taxa de natalidade caísse a níveis muito pequenos. Há uma esterilidade generalizada entre mulheres e homens (por mais que eles neguem isso). Assim a elite, com forte teor militar, estabelece que suas esposas (recatadas e do lar) lhe sejam submissas, não tenham acesso à leitura, instrução ou beleza. Incapacitados de conceber filhos, tem como última esperança as Aias: barrigas de aluguel que geram os filhos para a elite de Gilead.

No entanto as Aias, sempre de vermelho e antolhos, não exercem tal função de bom grado e espontaneamente, pelo menos a maioria. São obrigadas, doutrinadas a procriar contra sua vontade e tem seus filhos arrancados de si desde muito cedo. É nesse contexto que seguimos de perto as memórias da Aia Offred, de 33 anos, e sua liberdade vigiada de ser usada como objeto reprodutivo de uma família e uma sociedade que diz agir em nome de Deus e dos bons costumes. Ela precisa conceber de seu Comandante (chefe da casa), senão pode ter um destino bem pior: ser prostituta ou ir para as colônias radioativas e ter uma morte lenta e dolorosa. Tudo isso sem amor, afeição, ou liberdade de expressão, pois tais atos, às vezes, podem significar a tortura e a morte.

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Título original: The Handmaid’s Tale
Autora: Margareth Eleanor Atwood
Tradução: Ana Deiró
Gênero: Romance canadense.
Editora e ano: Rocoo, 2017.
Páginas: 366
Referência bibliográfica: ATWOOD, M.E. O conto da aia. Rio de Janeiro: Rocco, 2017.

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II – PERSONAGENS

  1. OFFRED (JUNE) – Narradora-personagem, ao menos a segunda Aia enviada à residência dos Waterford a fim de dar um filho a família. É pelo olhar dela que conhecemos os costumes da República de Gilead e os rumos que a sociedade teocrática tomou. O nome June remete a deusa romana do casamento Juno e não é à toa!
  2. O COMANDANTE (FRED) – Oficial importante de Gilead e o patriarca da família Waterford. É velho e possui acesso a muitos itens proibidos naquela sociedade, desde revistas femininas a livros, além de livre acesso aos espaço de Gilead.
  3. SERENA JOY (a Esposa) – Senhora decrépita que se reduz a tricotar e cuidar de seu jardim. Antes da revolução, fora uma celebridade televisiva que pregava sobre a santidade do lar e como as mulheres deveriam ficar em casa, mas que agora não passa de um Esposa à espera de um filho. É amarga para com Offred e fará de tudo ao seu alcance para que sua Aia possa engravidar.
  4. TIA LYDIA – A instrutora, tutora, carcereira do Centro Vermelho responsável pela doutrinação das mulheres férteis e pela sua adequada servidão na casa dos Comandantes. É acessada por meio de flashbacks de Offred ao longo da narrativa. É a voz na mente da narradora. Só aparece no livro como personagem durante a cerimônia de Salvamento.
  5. OFFGLEN – Companheira de caminhada e ida às compras de Offred. É integrante de uma rede clandestina de fuga de mulheres da República de Gilead. Pouco se sabe sobre a identidade da moça e suas conexões, mas percebe-se que era ativa na luta pelo restabelecimento da liberdade das mulheres.
  6. MOIRA – Melhor amiga de Offred em seus tempos de faculdade quando a narradora ainda era June. Lésbica e muito determinada, é o ideal de Offred de resistência e luta sendo extremamente arredia em relação ao Centro Vermelho e sua doutrinação. Também é vastamente acessada pelas divagações de Offred e aparecendo somente como personagem ativa em um capítulo.
  7. NICK (o motorista) – chofer da família Waterford, silencioso e contido. Pouco se sabe de seu passado além das suspeitas de ser ou um agente da resistência (Mayday) ou um dos Olhos (agentes repressores de Gilead). Desenvolve certa afeição por Offred.
  8. OUTROS PERSONAGENS – Outros personagens são também acessados pelo fluxo da memória de Offred como Janine, uma Aia extremamente bajuladora e submissa. Mas essa visita às memórias são ainda mais fortes quando envolvem a vida de Offred antes de se tornar uma Aia do regime teocrático de Giliead. Por meio de flasbacks conhecemos a mãe de June, militante política pelos direitos femininos, seu marido Luke (e a incerteza dele ter sobrevivido à tentativa de fuga para o Canadá) e sua filha (retirada da mãe ainda muito cedo e mandada para alguma família de Gilead).

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III-  ESTRUTURA DO LIVRO

A narrativa é feita em primeira pessoa (narrador-personagem) e conta as memórias de Offred como Aia na casa do Waterford. Usa o discurso indireto livre: ou seja a voz da personagem e o fluxo de sua consciência se misturam a narração dando ares psicológicos aos fatos. Somente em dois momentos essa dinâmica não é obedecida ao pé da letra: quando Moira narra sua história, a qual June tenta reproduzir com o máximo de fidelidade; e ao final do livro, no discurso dos pesquisadores sobre Gilead.

Por obedecer o fluxo das memória de June, tornada Offred pelo regime teocrático, acompanhamos os acontecimentos por meio de dois planos: o do acontecimento em si e as reflexões da narradora com base em sua memória afetiva. Tais memórias não são organizadas linearmente, mas se mostram a medida que as situações acontecem. A própria Offred se justifica:

Isso é uma reconstrução. Tudo, cada detalhe é uma reconstrução. É uma reconstrução agora, em minha cabeça, enquanto estou deitada estendida em minha cama de solteiro, ensaiando o que deveria ou não deveria ter dito, o que deveria ou não deveria ter feito, como deveria ter feito meu jogo.

A descrição é de extrema importância e pode, por vezes, cansar o leitor mais cru. No entanto são responsáveis por pintar a sociedade de Gilead em todas as suas feiúras, maldades e obscenidades. Despertará em quem lê muita indignação em certos aspectos a que um regime totalitário religioso por chegar.

O livro possui ao todo 46 capítulos, simplesmente numerados com algarismos romanos. A ausência de título por capítulo é compensada  pela organização do romance em 15 blocos (ou partes), como por exemplo o inicial que se chama “I – Noite” e possui apenas um capítulo; e o “II – Compras” que abarca cinco. Ao final do livro temos as “Notas Históricas”, um capítulo à parte da narração propriamente dita.

Em cada bloco, há um acontecimento central no qual a narradora tece comentários ao mesmo tempo que se lembra de fatos marcantes que antecedem a sociedade de Gilead ou que remonta aos primeiros tempos da mesma. A história prossegue sempre nessa perspectiva: o acontecimento em si, o retrato da sociedade como ela se tornou e a reflexão de Offred sobre si e sobre o mundo. Há ainda diversos momentos metalinguísticos nos quais a narradora reflete sobre o próprio ato de narrar e a “quebra da terceira parede” ao conversar diretamente com o leitor.

Tudo que é silenciado clamará para ser ouvido ainda que silenciosamente. (p.183)

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IV – O ENREDO / SPOILERS

1. APRESENTAÇÃO INICIAL

Nos primórdios da sociedade de Gilead, Estado formado após uma revolução teocrática que instaurou um regime totalitário nos EUA, acompanhamos a adaptação de June, tornada a Aia da família do Comandante Waterford. Além dos resquícios da guerra nuclear, escassez de alimentos, de peixes no oceano, a revolução é principalmente de cunho moral e conservador e em parte motivada pelo caos que os níveis de esterilidade alcançaram: uma população cada vez mais envelhecida e em que novas crianças não nascem mais. As informações são omitidas ou falseadas para a população que se resume a acompanhar aquilo que é noticiado na TV estatal. Mas June nos oferece um quadro de como as coisas chegaram a esse ponto:

As mulheres tomavam medicamentos, comprimidos, os homens pulverizavam árvores, as vacas comiam a relva, todo esse mijo com a força comprimida fluía para os rios. Para não mencionar  a explosão de usinas de energia atômica, ao longo da falha de San Andreas, não por culpa de ninguém, durante terremotos, e a cepa mutante de sífilis que nenhum tipo de mofo  conseguia tocar. (p.137)

Nesse contexto, a proteção à vida do feto se torna sagrada (nos dois sentidos): poucas mulheres engravidam e, se conseguem, muitas vezes não são donas do próprio corpo ou de suas crianças. Até o parto é natural é sem anestésicos, pois enfatizavam a dor como fonte geradora dos filhos. Assim são instituídas as aias: mulheres sem liberdade e que cuja função são meramente reprodutivas.

Somos para fins de procriação: não somos concubinas, garotas gueixas, cortesãs. […] Somo úteros de duas pernas, apenas isso: receptáculos sagrados, cálices ambulantes. (p.165)

Esta sociedade, cujo valor central é a reprodução, tem seu fundamento na ética e moral do texto bíblico, principalmente no Velho Testamento. Gilead é divida conforme a função e as cores de seus entes sociais: os Comandantes (chefes de família) sempre de terno escuro, as Esposas de azul, as Econoesposas (de classe mais baixa), as Martas (empregadas domésticas), o aparelho repressivo do estados são jovens e adolescentes de cara lisa e prontos a puxar sua pistola e por aí vai. E claro as Aias, sempre trajando vermelho e com antolhos para que não olhem o mundo ao seu redor, nem que sua faces sejam vistas.

Doutrinadas totalmente no Centro Vermelho (claro que nem todas) essa mulheres, quando chegavam em seu período fértil, eram obrigadas a ter relações sexuais com o patriarca da família sem o consentimento, prazer ou amor das mesmas. Não poderia haver luxúria, a Esposa presenciava tudo, gélida. Um estupro. Tudo fundamentado em uma passagem bíblica:

Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro. Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e disse: Estou eu no lugar de Deus, que te impediu o fruto de teu ventre? E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela, para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela. (Gênesis 30: 1-3)

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Essa sociedade estratificada, fundamentava ainda sua visão deturpada de acordo com uma releitura machista de Karl Marx, recitada como slogan pelas aias no Centro Vermelho: “Que cada um dê de acordo com sua capacidade; para cada um de acordo com suas necessidades” (p.143). No entanto ainda havia Esposas que podiam procriar e nem todo Comandante precisava de uma aia, mas principalmente os de alta patente. Mas quando havia esterilidade, a culpa era das mulheres:

Isto não existe mais, um homem estéril existe, não oficialmente. Existem mulheres que são fecundas e mulheres que são estéreis, essa é a lei. (p.75)

Quando June, assume o nome Offred, por pertencer a Fred Waterford, ela precisa ser inseminada para dar um filho à família. Para ele e Serena, sua Esposa, ambos envelhecidos, é uma necessidade social, alcançar um status, sedimentar seu poder e influência. Para June é uma questão vital, visto que aias inférteis ou insurgentes poderiam ter uma prostituição forçada (em uma Casa de Jezebel) ou serem condenadas à Colônia (expostas à radioatividade fazendo trabalho de limpeza de resíduos). Assim teria que dar à luz e ter sua criança retirada para sobreviver.

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2. COMPLICAÇÃO

Em uma sociedade voltada para reprodução humana, pela ótica distorcida dos costumes judaico-cristãos, o drama de June, tornada Offred, é justamente corresponder as expectativas dos Waterfords. Não é uma mera questão de fé visto que até as orações são terceirizadas nos quais os fiéis as mandavam imprimir em vez de orarem por si mesmos.

Serena nutre uma aversão a Aia ao passo que seu marido começa a desenvolver uma relação “antinatural” para a sociedade de Gilead. Primeiro permite que June o faça companhia, em particular, em jogos de tabuleiro, como também permite que a mesma leia (impossível para qualquer mulher, pois só escutavam a Bíblia recitada pelo marido e até o comércio usava figura ao invés de palavras), além de conseguir itens contrabandeados como loção para mãos e revistas de moda. Pois todo item que evidenciava a estética e a sexualidade feminina era vedado.

Aliado à postura do Comandante Waterford, as tentativas infrutíferas de gravidez colocam em xeque a capacidade moral e status social junto àquela sociedade e o próprio futuro de June. Fred parece não ser fértil e é preciso encontrar uma solução para o caso. Offred se vê no impasse de ser ser inseminada em segredo por um médico ginecologista (sugestão de Offglen) ou a solução estapafúrdia de Serena Joy: usar Nick (o motorista), em segredo para fazer sexo e dar um filho a família.

A primeira alternativa é descartada por June, mas a segunda lhe cai muito bem, afinal já nutria uma certa afeição à distância e uma tensão sexual com o jovem motorista. Em contrapartida em qualquer uma das opções seu destino seria a morte por enforcamento (o tal “Salvamento”). Sentindo as esperanças de uma vida melhor lhe escaparem das mãos, sem possibilidade de ver sua filha, crendo seu marido Luke morto e sua mãe vista pela última vez na Colônia e provavelmente morta. Resta-lhe, desesperada, ecoar a oração ensinada por Tia Lídia no Centro Vermelho:

Ó Deus, Rei do universo, obrigada por não ter me criado homem. Ó Deus, oblitera-me. Torna-me fecunda. Mortifica minha carne; para que eu possa ser multiplicada. Permita-me ser preenchida… (p. 232)

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3. CLÍMAX

A narrativa parece ter vários momentos reflexivos problematizando mais os rumos controversos da sociedade teocrática do que um momento ímpar de tensão. Eles estão diluídos ao longo da narrativa como por exemplo a execução daqueles que vão contra o sistema ou cometem crimes, principalmente, ligados à sexualidade. São justamente aqueles ligados ao sexo os momentos mais dramáticos do Conto da Aia.

O primeiro é quando se dá justamente a Cerimônia com o Comandante Waterford: um estupro com a presença da Esposa. Isso em volta de orações em um ritual que mescla o sagrado e o profano. Impessoal, sem sentimentos alguns entre os atores. A passividade de June. A frequência ofegante de Fred. Nada sensual, mas automático. Não há  como fazer uma omelete sem quebrar os ovos, era o melhor para o Comandante:

Melhor nunca significa  melhor para todo mundo, diz ele. Sempre significa pior, para alguns. (p.251)

O segundo envolve justamente Nick. Algo mais perto do amor, mais consentido, sem deixar de ser imposto pela urgência de gerar um herdeiro para os Waterford. Algo confuso para narradora-personagem. Isso se demonstra pela múltiplas versões do ato amoroso, difícil de ser lembrado e exposto ao leitor. Toda relação dos dois é mais fantasiada por ela que anseia um lampejo e carinho do que por Nick que deixa transparecer pouco em sua capa de frieza. São tempos perigosos para um mulher sentir amor ou prazer ou ser dona de si.

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4. DESFECHO

O fim é abrupto e lida com as consequências de tantas transgressões às leis de Gilead. O artifício de Serena para dar um filho ao seu Comandante e a situação em que June se coloca não denunciando os Waterfords os coloca em terrível perigo.

Há uma quebra drástica e o fim é imposto sem aviso. O que se estabelece é antes de tudo é uma frágil felicidade que se instala no coração de June que vive um romance idealizado ao passo que realista com Nick. Vê o mundo desmoronar a sua volta, mas encontra no sexo às escuras, na casa do motorista, uma espécie de “porto seguro”.

No fim Nick a resgata ou a condena? Essa tensão permeia o fim da narrativa que só vem a ser melhor explicada nas “Notas Históricas” no qual pesquisadores analisam a sociedade de Gilead distanciados no tempo que entre os muitos documentos se focam nas gravações em aúdio de June, transcritas no livro que o leitor acabou de ler. Isso se torna claro na afirmação de Offred:

Conto, em vez de escrever, porque não tenho nada com que escrever e, de todo modo, escrever é proibido. Mas se for uma história, mesmo em minha cabeça, devo estar contando-a para alguém.

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V – A AUTORA

Nascida em Ottawa, Canadá, Margaret Eleanor Atwood é romancista, poeta e roteirista premiada além de seus trabalhos humanitários e como ambientalista. Enquanto cursava o doutorado em Havard, por ser muito prolíxa, nunca terminou sua dissertação, embora colecione mais de vinte diplomas honorários, inclusive da própria faculdade recebido no ano de 2004. Nesta violenta distopia passada no ano de 2195, no qual a taxa de natalidade caiu drasticamente e as mulheres servem de aia com o propósito de reprodução das elites, percebe-se a clara inspiração em outros romances do mesmo tipo como 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Hurley.

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VI – CONCLUSÃO

Fiz o caminho inverso e acho que muitos leitores agirão como eu: primeiramente se apaixonarão pela série e depois lerão o livro. Mas sou defensor do seguinte ponto de vista: não há como equiparar dois objetos artísticos totalmente diferentes. O livro de Atwood tem sua relevância e sedução na medida que acompanhamos a mente de uma mulher angustiada e oprimida pelo sistema. Tudo bem que a série, também roteirizada pela escritora, tenha seus momentos em que ouvimos os questionamentos e a consciência de Offred, no entanto acompanhar sua narrativa claustrofóbica e reconstruída é uma experiência sem igual.

Não espere dessa obra esclarecimentos sobre os ações futuras da série. Ela abarca um curto período da trajetória de June, no entanto o poder e profundidade da narrativa da heroína, sua tensão entre a passividade e a possibilidade de se rebelar, reflete a dinâmica de cada um de nós. Frente à iniquidade, ao fanatismo religioso dos políticos, à postura machista, qual é a nossa capacidade, sejamos homens ou mulheres, de sair de nossa zona de conforto ou de nosso cárcere para buscar uma vida mais justa?

June, tornada Offred, pode ser um testemunho claro de que a não ação é tão perigosa quanto os atos de injustiça. Em tempos como esse em que o conservadorismo reage a evolução e revolução das questões de gênero, da geração da vida e de seu extermínio, e se fecha em soluções messiânicas, o livro de Atwood é um chamado para o despertar. E então, em qual parte do Conto da Aia o Brasil está? Leia e descubra! Boa leitura.

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BAAHUBALI 2: A CONCLUSÃO (CRÍTICA)

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ATENÇÃO! De forma alguma leia esta crítica sem ter visto Baahubali: O Início primeiro, isto está repleto de spoilers! Afinal, os dois filmes são sequências diretas e não podem ser dissociados.

SINOPSE
Mesmo sendo criado por uma humilde tribo e por pais amorosos, Shivudu sempre buscou compreender sua verdadeira origem, e para isso ele superou grandes desafios, alcançando o até então desconhecido reino de Mahishmathi no topo da montanha. O que era apenas uma curiosidade que tomava como inspiração uma ilusão, fez revelar uma enorme decepção. A desigualdade e a injustiça imperava sobre um povo que clamava por salvação, então o filho de Baahubali, junto aos resistentes contra a tirania, ascendeu como Shiva buscando por restauração. O que Shivudu tocou se iluminou, e o que não bastava apenas sua vontade, ele tomou com fúria para recobrar o equilíbrio. Sem saber se destinado a nada, cumpriu como o Ganges seu caminho, devastando tudo para que se reconstituísse. Encontrou e libertou Davasena, sua mãe biológica, que mesmo sendo física e psicologicamente torturada, se manteve firme como uma verdadeira progenitora de um Deus, e que sabia que a Salvação um dia viria. Shivudu encontrara alguns dos personagens que poderiam fazer entender sua real história, e era chegada a hora de compreender definitivamente qual a sua herança e responsabilidade com Mahishmathi. O que seu pai havia vivido, pelo que lutou, conquistou, e quais os reais motivos que levaram a sua morte prematura. Shivudu queria saber tudo para compreender a melhor forma de mudar o futuro de seu povo como um verdadeiro herdeiro e merecedor do trono, como a Rainha Sivagami um dia profetizara.

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COMENTÁRIOS
Depois de Baahubali: O Início (2015), Tollywood sentiu novamente o gostinho de estar entre os holofotes do mundo com a sequência da sua super produção épica de fantasia. Aqui pelo Brasil não tivemos a oportunidade de assistir esse blockbuster indiano nos cinemas, mas nos Estados Unidos Baahubali 2: A Conclusão ficou em terceiro lugar nas bilheterias por uma semana. Talvez você tenha estranhado o termo “Tollywood”, então explico. O cinema indiano é dividido em dois grandes polos de estúdios cinematográficos (e muitos outros menores), a já tradicional e conhecida Bollywood, de Mumbai, que tem como o idioma o hindi, e Tollywood ao sul do país, que tem como língua o telugu. E não apenas com a dobradinha Baahubali, mas Tollywood já superou a gigante rival algumas outras vezes com outras produções.

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Enquanto em Baahubali: O Início assistimos o retorno de Shivudu à suas origens, mesmo que sem saber, nesta sequência somos inseridos nos acontecimentos da geração anterior, mostrando detalhadamente os passos de seu pai. E é aqui que a coisas começam a ficar bem loucas de se entender. A primeira coisa que você precisa tomar ciência é que os atores são os mesmos entre filhos e pais, e isso vale tanto para Shivudu, o filho visto no primeiro filme, com ralação ao pai, Amarendra Baahubali, interpretado por Prabhas, quanto para seus antagonistas, Bhallaladeva e seu pai, interpretado por Rana Daggubati. Compreendido isso e nos acostumando com a ideia, não apenas fica mais fácil, mas é a única forma de montar o entendimento de tudo. Mas de qualquer forma encurto um pouco e conto, este, diferente do primeiro filme, é algo muito mais simples de se acompanhar. Enquanto em Baahubali: O Início se fazia necessário montar um enorme cenário, em Baahubali 2: A Conclusão a coisa é bem mais direta, e o que temos nele é um drama romântico (ainda de proporções épicas) com ar de tragédia, porém com bastante comédia e ação de altíssimo nível.

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ENREDO COMENTADO / MUITOS SPOILERS
PULE PARA A CONCLUSÃO OU FICHA TÉCNICA!

Como dito antes, esta segunda parte não tem muito segredo. A proposta aqui é contar como Davasena e Amarendra se conheceram, se apaixonaram, e tiveram suas vidas dificultadas pela inveja e ciúme de Bhallaladeva, que manipulava o amor de sua mãe, a Rainha Sivagami, para sabotar o irmão. E o que temos é uma sucessão de eventos em que Bhalla, frustrado por não ser tão íntegro quanto Amarendra, recorre aos sentimentos mais obscursos de seu interior para frustrar a felicidade do irmão. Simbolicamente é como a história de Caim e Abel original do Gênesis, mas com um desfecho levemente mais complexo e dramático.

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Buscando conhecer mais de perto as dificuldades do mundo real onde seu povo vivia, Amarendra sai em peregrinação com Kattappa, seu tutor e amigo. Amarendra Baahubali não era uma criatura comum, seu senso moral era de um verdadeiro Deus. Ao mesmo tempo que aplicava simplicidade na busca pelo respeito por todos ao seu entorno, sabia exatamente o que era certo e o que era errado. Caminhando aos arredores de Kuntala, uns dos reinos vassalos ao império de Mahishmathi, Amarendra vislumbra Davasena. Uma criatura angelical que tomou dele toda a atenção, fazendo-o se apaixonar perdidamente. Não queria se postar como O Grande Baahubali, se fez de tolo e fraco, sua meta era surpreende-la por ser apenas quem era, não o que tinha ou de onde vinha. Não importava para Davasena que aquele fosse apenas um homem bobo e sem títulos, ela enxergou nele apenas o que ele era, uma infinidade de integridade que príncipe algum se mostrara antes.

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Sabendo do interesse do irmão por Davasena, Bhallaladeva manipula a situação exigindo que Sivagami a lhe desse como esposa, uma vez que a Rainha não sabia do romance de Baahubali com a moça. Davasena nega o pedido. Como uma mulher imponente e independente, não deixaria que outro decidisse por sua vida, e tal ato não passava de insolência para Sivagami, que ordenou um imediato ataque contra Kuntala. Porém a cidade estava guardada pelo maior guerreiro de toda Mahishmathi, Baahubali, que com ferocidade e inteligência guardou o reino de sua amada. Ele não sabia os motivos do ataque, e seu único interesse era retornar para Mahishmathi, apresentar Davasena, e tomá-la como sua rainha no trono. Numa belíssima cena lúdica e musical, com direito até a barco voador, o casal retorna ao reino de Baahubali, onde no palácio real todos os aguardavam. Para surpresa de Baahubali as coisas eram mais confusas do que ele esperava, os traiçoeiros planos de Bhallaladeva intencionavam gerar a instabilidade emocional de Sivagami, que não se via como boa mãe em repartir privilégios. Baahubali era o Rei, e Bhallaladeva, que se vitimiza de forma velada para arrancar a empatia da Rainha Mãe, a colou na posição de ser obrigada a tomar Davasena do melhor filho, ou tirar seu título de Rei. Davasena não se submeteu mais uma vez ao luxo da ordem de Sivagami, era mulher de Baahubali, e não estava interessada em Bhallaladeva. Essa mais nova insolência incurtiu na ordem real por sua prisão imediata, que fora impedida de imediato por Baahubali. Amarendra Baahubali não deixaria que ninguém tocasse em sua mulher.

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“Se encostarem a mão em Davasena, sofrerão a ira da espada de Baahubali.”

A discussão causou instabilidade na realeza, e seria agora após Sivagami ser derrotada moralmente pelo juízo imaculado de Baahubali, que Bijjaladeva articularia manipulando para que seu filho Bhallaladeva tomasse o trono. Sivagami estava dividida e ferida, o que facilitou para que decidisse em retirar o trono de Baahubali e assim coroar Bhallaladeva, uma vez que as opções não existiam para o campeão de Davasena.

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Baahubali era o encarregado de organizar a coroação do irmão, então como Ministro de Guerra movimentou todo o aparato para saudar o novo Rei de Mahishmathi, Bhallaladeva, filho de Bijjaladeva e Sivagami Devi. Sivagami sabia que pecara com seu melhor filho, e não conseguia enfrentá-lo olhando nos olhos. Baahbubali não se importava nem mesmo de sacrificar a própria existência por seu povo ou por Sivagami, porém quando se une a Davasena, outro ser tão Divino que o completa e o eleva, não se tratava mais apenas de si. Amarendra era o Rei, O Verdadeiro Rei, e não importava se Sivagami dera a ele uma escolha injusta. O trono ou Davasena? Poder não importava para Amarendra Baahubali, isso era apenas um título, escolhera sem titubear a mulher que amava. Mas isso não mudava nada, para seu povo Baahubali era o verdadeiro rei. A verdadeira personificação de Shiva na Terra. E a voz do povo não se escondia, todos saudavam por ele, todo esse amor criava ainda mais inveja no interior de Bhallaladeva.

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Mas algo não poderia ser tolerado, Davasena aprisionada pelas ordens da sua família? Inaceitável! A ira do Deus Rudra, o protetor das terras e dos mares se apossou de Amarendra. Davasena acorrentada e subjugada por um ato tirânico da Rainha Sivagami que estava cega pelos jogos psicológicos de Bhallaladeva, fazia emanar a imponência de Amarendra. Aquela mulher levava dentro de si um filho de Amarendra, e isso fez acordar um Baahubali tão eficaz na destruição, como quanto sempre se mostrou para atos pacíficos. Ouvindo as acusações de Setupaty, um subalterno da realeza, num julgamento real em desfavor de Davasena, Amarendra assolava o locutor. Não importava os alarmes de Bhallaladeva, que ocupava o trono, Baahubali sabia o que era certo ou errado, e ele desafiaria até mesmo Deus para defender sua mulher e filho. Amarendra ainda não compreendia os detalhes de sua prisão, e não queria ouvir daquele qual sua mulher ferira ainda sem conhecer a razão. Sabia quem amava, sabia que sua integridade provinha da pureza, então deixa que Davasena explique. Tentar ser assediada custou os dedos de Setupaty no julgo de Davasena, mas para Baahubali ainda era pouco. E ignorando todos os ritos, pune decapitando aquele que ousara, não apenas por tentar ferir a honra de sua mulher que mesmo sozinha soube se defender, mas de todas as outras de Mahishmathi. Corta por si mesmo as correntes que aprisionavam sua esposa e conclui por si só aquele julgamento. O ato fora reprovado por Sivagami, que mais uma vez de forma injusta decreta o banimento dos dois de Mahishmathi por não respeitar as tradições e ordem do Rei.

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Mais uma vez Baahubali mostra sua grandeza, e com humildade aceita a ordem da Rainha Mãe Sivagami. Isso não mudava nada para Amarendra, agora ele estaria ainda mais próximo como um cidadão comum daqueles que amava, e um rei destronado ainda é um rei quando recebe a glória de seu povo. Se livrando de todas as amarras da nobreza, Davasena e Amarendra se unem de bom coração e são recebidos com amor por toda a plebe de Mahishmathi, e trabalhando junto ao povo também dividiam seus conhecimentos com todos que queriam aprender. Pôde então ver ainda mais de perto os detalhes do sofrimento que se mantinha oculto enquanto vivia recluso em palácios, se inspirando assim em ajudar para melhorar a qualidade de vida daquelas humildes pessoas.

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A  inveja de Bhallaladeva chegava no extremo final, onde conspirava pela morte de Baahubali, Davasena, e do filho que levava dentro de si, fazendo-o contrariar até mesmo o pouco de juízo do próprio pai. Kumara Varma, guerreiro e amigo de Baahubali que antes guardava por Davasena em Kuntala, ouvira todo o plano. Se aproximou de Bijjaladeva com compaixão pelo pai que fora maltratado, mas tudo não passava de uma grande encenação ainda não revelada. Bijjaladeva incitou Kumara Varma para que atentasse contra a vida de Bhallaladeva, porém entregou-o a adaga de Baahubali para que cometesse o assassinato do próprio filho pela paz de Mahishmathi. Imaturo Kumara Varma aceitou acreditando estar fazendo um mal para fazer o bem, mas fora traído e morto por Bijjaladeva com fim de incriminar Baahubali a pena máxima de conspirar pela morte do rei. Uma terceira grande decisão para a Rainha Mãe, principalmente por saber que a morte de Baahubali traria o caos para toda Mahishmathi. Então a covardia suprema e arrojo da culpa é lançado com todo peso em Kattappa, o obediente escravo real que cuidara e treinara Baahubali por toda a vida. O amigo leal mais próximo de Amarendra Baahubali. Sivagami tão cega com tudo mostra duas opções a Kattappa, ou ele mata Amarendra, ou ela mesma o faz. Chorando e relutando ele aceitar cometer o crime supremo, não queria ver seu melhor amigo sendo morto pela própria mãe.

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Duvidando da lealdade de Kattappa em cumprir a sórdida missão, Bhallaladeva e Bijjaladeva colocaram-no como isca para atrair Baahubali, que após salvá-lo de uma fogueira, é alvejado por uma violenta chuva de flechas. A grandeza de Amarendra Baahubali era tamanha que se colocou como escudo para Kattappa, que ainda estava ferido e de mãos atadas. Baahubali se ergue, como um guerreiro imortal. Quebra todas aquelas flechas das costas como se não fossem nada, e encara um inimigo desconhecido no horizonte da madrugada. Eles eram muitos, mesmo que forte estava ferido, e precisava remover Kattappa daquele lugar. Tomou o amigo nos braços e o levou para um lugar seguro. Kattappa dizia que ele precisava fugir, não explicava a razão, mas Baahubali entendia a aflição daquele homem. Sabia de seu sacrifício, assim como Jesus quando traído por Judas. Fazia parte do Grande Plano, e Amarendra Baahubali sabia que renasceria. Sua morte não era o fim, mas um novo início. Do pai, um novo homem renasceria. Ele só precisava de uma coisa, manter Kattappa vivo, aquele que ascenderia o seu sangue numa nova era que viria.

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“Mesmo que eu quisesse abandoná-lo, você prometeu segurar o meu filho nos seus braços.”

Amarendra Baahubali era uma verdadeira divindade. Shiva na Terra. Agora, o Deus da Destruição. Limpou todos os oponentes para deixar caminho livre para Kattappa. Lançou-no uma espada, que fora servira para cortar sua própria carne. Amarendra caiu, mas caiu entendendo a razão. E pedindo para que Kattappa cuidasse de seu filho e sua mãe. Seu melhor amigo o tomou essa vida, mas deveria cuidar da próxima. Era uma promessa.

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Como um espectro aterrorizante, Kattappa surge na entrada do salão real onde apenas a Rainha Mãe estava imóvel encarando o vazio. Abatido pela traição ao melhor dos melhores em favor da lealdade a um reino sujo por injustiças, o guerreiro arrasta sua espada com o sangue divino. Mancha as mãos de Sivagami com último sopro de vida de Amarendra, para que sinta o peso de sua decisão mergulhada em tantas vaidades de uma mulher poderosa. Ainda assim tentando repreende-lo, Sivagami é silenciada duramente por Kattappa, que profere claramente que a Rainha cometera um erro. Se deixou cegar pela raiva por Baahubali, e foi manipulada todo o tempo por Bhallaladeva. E seu ego fora devastado ao saber sobre o último pedido de Baahubali:

“Cuide da minha mãe.”

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Antes mesmo de pensar em Davasena ou mesmo Shivudu que estava por nascer, era sua mãe a maior preocupação. Pois Ele sabia, da dor que viria e, consumiria as profundezas da alma de Sivagami. Saltando num precipício de angústia a Rainha de antes, soberana em postura, desaba ao rememorar o quanto aquele filho, que ao menos era biologicamente seu, era especial. Mas é interrompida de suas reflexões por Davasena, que já com seu bebê nos braços, entra no salão real. Kattappa não esconde o peso da vergonha que sentia, e revela à Davasena o maior pecado de sua existência. Incitada por Bijjaladeva a matar seu neto para o povo não almejar um inquisidor, Sivagami caminha e se abaixa humildemente aos pés de Davasena. Revelando o erro de não ter enxergado as virtudes do homem pelo qual ela lutou e tanto amou, e que agora caía em desgraça. Sivagami sabia não ser possível pedir ou ser perdoada pelos pecados que cometera.

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Bhallaladeva pede a mãe que acalme o povo comunicando oficializando a morte de Baahubali e, Sivagami com grande vigor se ergue, toma o neto no colo, e vai até a borda do palácio, onde comunica a morte de Amarendra. Buscando revogar para consertar todos os seus atos egoístas e mal pensados, ergue o bebê, e comunica que o novo Rei seria “Mahendra Baahubali!” O povo grite em vozes de glória por vida longa a Mahendra Baahubali. Num ato de impedir a insurreição de Baahubali, Bhallaladeva ordena a captura de Sivagami, que é defendida por Kattappa para fugir com Mahendra em seus braços, mas ela ainda precisava salvar Davasena que havia instantes antes dado a luz. Sem mais forças Davasena diz que a dor de perder o marido vai passar, mas que seu filho deveria viver para um dia voltar e libertar Mahishmathi. Sivagami então consegue escapar por uma passagem secreta e alcança o exterior do reino, quando orientado apenas pelo ódio, Bhallaladeva usa de um arco para ferir mortalmente com uma flecha a prória mãe, ainda com Mahendra no colo. Os dois caem num córrego da cercania. Bhallaladeva não tinha limites, e o ódio que tinha por Davasena o fez reduzir Kuntala às cinzas, e aprisionar perpetuamente a mulher de Baahubali. Seu desejo era possuir tudo o que Baahubali conquistava com sua natureza perfeita, mas o coração de Davasena não seria jamais ocupado por um ser tão vil.

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Todos acreditavam que Mahendra havia morrido, mas Sivagami rogou a Deus para que a punisse em sacrifício pela vida de seu neto. E Shiva atendeu. Foram longos 25 anos de espera pelo retorno de Baahubali, e Davasena nunca duvidara do seu retorno. Sua fé era inabalável, Mahendra era Amarendra, a reencarnação do Deus que amara como homem, e em nova vida tem como filho. E agora era o momento do juízo final, Shiva retornava para libertar seu povo dessa maldição! Baahubali reúne seus seguidores para que lutem unidos a ele para enfrentar a tirania de Bhallaladeva, e avança em direção a Mahishmathi com seu pequeno exército de homens simples. Durante o calor da batalha Bhallaladeva avança pela multidão, captura Davasena e foge em sua biga com o encalço de Mahendra. Após entrar nos enormes portões a ponte é levantada, mas Baahubali salta e é atingido no meio do peito por uma flecha desferida por Bhallaladeva. Uma chuva de milhares de outras flechas é disparada, mas Kattappa e seus aliados protegem com escudos a integridade de Mahendra. A crueldade não tem fim, Bhallaladeva não se importa em tirar a vida nem mesmo de seus próprios soldados. Mahendra Baahubali estava irado por Bhallaladeva tomar sua mãe, já estava agindo de forma cega, mas Kattappa o acalma para que pense. Para que pense como um Baahubali.

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Saltando de forma improvável, Baahubali, Kattappa, e mais quatro guerreiros são lançados para dentro das muralhas de Mahishmathi. Com o plano tendo funcionado, outros guerreiros também se atiram para acessar e lutar no interior da cidade. Mahendra sozinho arrebenta as enormes correntes que erguiam a ponte de acesso, fazendo que todos os seus que ainda não haviam entrado pudessem passar. Com toda fúria Mahendra Baahubali investe contra aqueles que açoitavam sua mãe, e pede para que sua mulher, Avanthika, ajude Davasena a acender a pira funeraria que alimentou por anos, galho a galho.

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Bhallaladeva avança contra Baahubali em sua potente biga, e em duelo Mahendra distrói o veículo do tirânico irmão. A batalha vai para o solo, e a briga é feroz. Mahendra é mais forte, ágil e inteligente, mas o ódio de Bhallaladeva faz dele um oponente perigoso. Enquanto isso Davasena caminha com a chama em sua cabeça num ritual sagrado chamado “Prova de Fogo”, onde quem o conclui nunca mais experimentará a derrota. Bijjaladeva ordena que inflamem uma ponte por onde ela terá de passar, e atiram óleo e as chamas lambem com violência. Mas Davasena tem fé que nada irá impedi-la, e mais uma vez Shiva dá o seu sopro. Na voraz luta de Mahendra e Bhallaladeva, Baahubali destrói a gigantesca estátua em ouro do irmão, fazendo com que sua cabeça role, derrube a ponte em chamas, e se transforme num caminho para sua mãe pisar e chegar no outro lado.

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A luta entre os dois irmãos se intensifica se tornando ainda mais sangrenta, o rancor de Bhallaladeva é tamanho que ele tenta arrancar o coração de Mahendra com as próprias mãos. Baahubali consegue se desvencilhar e é atirado longe, mas se levanta com um olhar sinistro encontrando as correntes que aprisionaram e machucaram sua mãe pode tantos anos. Com a angústia acumulada e o peso de honrar sua mãe, se torna monstruoso em combate, subjugando Bhallaladeva à miséria moral. Lança-o sobre a pira de galhos construída por Davasena, e dá um grande salto com sua espada, cravando-a em sua perna para que sua sua mãe ceife sua demoníaca alma nas chamas. E assim finalmente todo o sofrimento pela maldição da mítica Mahishmathi é chegado ao fim.

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“Esta é minha primeira ordem com a Rainha Mãe como testemunha. No nosso reino aqueles que acreditam em trabalho e justiça andarão com a cabeça erguida. Se alguém pensa em fazer mal a essas pessoas, quem quer que seja, sua cabeça queimará no fogo do inferno. Esta é minha palavra. E a minha palavra é lei.”

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Prabhas, Rana Daggubati, Anushka Shetty, Tamannaah, Ramya Krishna, Sathyaraj, Nassar, Meka Ramakrishna, Subbaraju, Rakesh Varre, Charandeep Surneni, Adivi Sesh, Rohini, Nora Fatehi, Tanikella Bharani e Teja Kakumanu compõem o elenco. Criação de K. V. Vijayendra Prasad, Baahubali 2: A Conclusão, teve seu roteiro compartilhado com o também diretor e ator do longa S. S. Rajamouli. A superprodução indiana de 2017 é produzida por Shobu Yarlagadda e Prasad Devineni, utilizando os estúdios da Arka Media Works, assim como na primeira parte. O compositor M.M. Keeravaani também retorna, dando continuidade ao seu belíssimo trabalho . Seu orçamento foi de 38 milhões de dólares (₹2.5 bilhões), e teve um faturamento de 275 milhões (₹18 bilhões). O épico indiano de S. S. Rajamouli, é a segunda parte de uma duologia. Existem boatos de um terceiro longa, mas até o momento, fim de 2019, nada fora concretizado. O importante frisar é que o épico se fecha nestes dois filmes, onde conta primeiro a jornada de Shivudu, e no segundo a história de seu pai, Amarendra Baahubali.

CONCLUSÃO
Afirmo com total segurança que não existe absolutamente nada parecido com Baahubali, e não é para menos, é preciso muita ousadia e competência tanto para escrever a complexidade do seu roteiro, pensar o conceito e, colocar tudo em prática de forma tão grandiosa e funcional. Baahubali 2: A Conclusão abusa da teatralidade e estilo, amarrando com chave de ouro um dos épicos mais bonitos visualmente do cinema, mas que infelizmente será ignorado por muita gente pelo simples fato de ser um filme estrangeiro. Esse é aquele tipo de coisa que traz um sentimento de querer compartilhar com todos. Rasgo seda sim, e neste caso sem a mínima vergonha. Baahubali 2: A Conclusão tem classificação etária de 16 anos, e está disponível, junto de Baahubali: O Início, no serviço por assinatura Netflix.

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HORIZON ZERO DAWN (CRÍTICA)

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SINOPSE
Lançado em no início de 2017 exclusivamente para o Playstation4, Horizon Zero Dawn é um RPG de Ação de mundo aberto que nos põe na pele de Aloy, uma jovem que foi abandonada ainda bebê e adotada por Rost. Ambos, Aloy e Rost, são exilados de uma tribo matriarcal – os Nora – por motivos que serão explicados durante a sua jornada de auto conhecimento. Ao longo do jogo, você embarca em uma jornada que desvenda a história da personagem, desde os mistérios do seu nascimento, sua evolução como guerreira e caçadora, e seu pertencimento a esse mundo. Em meio a isso, uma série de reviravoltas tornam o roteiro envolvente e o expandem para a compreensão do próprio mundo onde ela habita, incluindo uma trama perigosa de dominação do mesmo.

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COMENTÁRIOS
O jogo se passa no futuro de um planeta Terra que (pasmem), contrariando nossas expectativas mais comuns, não está destruído e apocalíptico, mas encontra-se revertido a um estado natural; com uma sociedade pré-histórica recém restabelecida, mas com a presença de grandes “animais robóticos” que todos parecem apenas aceitar que funcionem, sem ter o conhecimento técnico necessário para seu funcionamento.

Aqui entramos na pele de Aloy, uma jovem adotada e criada por Rost, um velho caçador, ambos renegados pela tribo dos Nora (sua tribo natal? Não sabemos ainda), uma sociedade coletora que ainda não domina o conhecimento da agricultura, e caçam para sobreviver. Os Nora são matriarcais, e sua religião venera a “Grande Mãe”, nos abrindo os olhos para a diferenciação do ponto de vista histórico ao qual estamos acostumados. Determinada a descobrir mais sobre seu passado, Aloy se submete à prova de maioridade dos Nora, quando um atentado acontece durante essa prova, desencadeando-se a sequência de problemas que guia a narrativa do jogo.

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A jogabilidade de HZD (Horizon Zero Dawn) é a de um RPG de ação de mundo aberto, algo entre um Farcry e um Tomb Raider, porém com dinâmicas de batalha bem diferenciadas. A quantidade de recursos que o jogador vai obtendo e desenvolvendo no percorrer do jogo permitem uma gama enorme de opções para cumprir os objetivos que se apresentam: desde rastrear uma pessoa, ou mesmo um animal; a caçar uma enorme besta mecânica. Aqui vale ressaltar que esse é outro fator diferencial do jogo: todos os recursos necessários para suas melhorias de equipamentos, ou confecção de munições e aprimoramento de armas, é feito mediante coleta de recursos; sejam eles de origem natural (animais e plantas) ou high tech (partes mecânicas, baterias, fios e várias outras partes).

O mundo em si é outro trunfo desse título. Desde a geografia do local, as paisagens, os povos, as plantas e animais (sejam eles mecânicos ou não), tudo ali é orgânico e vivo, no melhor sentido da palavra. Desde a beleza com que se apresenta o design de produção, trazendo um primor de obra audiovisual, até a Inteligência Artificial dos seres que habitam esse mundo; se preocupando em corresponder ao comportamento que esperamos daquele tipo de animal, seja robótico ou não: animais que andam em bando, predadores, animais que fogem quando você aparece; ou animais que correm, mas ao se sentirem muito ameaçados e percebendo que estão em maior número, partem para um ataque com fim de se defender. Esse foi um dos poucos jogos que, mesmo com a opção de “fast travel” (transporte rápido entre pontos pré determinados do mapa), eu preferia sempre viajar as distâncias a pé, fosse para coletar materiais para meus equipamentos, descobrir uma ou outra ruína tomada pela vegetação, ganhar novas missões secundárias ou, em muitas das vezes, só ver esse local bonito, vivo e pulsante.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Horizon: Zero Dawn
 foi revelado na E3 de 2015 e, desde então, o marketing da Sony em cima de seu mais novo exclusivo não foi pequeno. O jogo apareceu quase em todo evento seguinte como uma das principais demos na estreia do PS4 Pro. Lançado oficialmente em Fevereiro de 2017, HZD é uma IP (Intellectual Property – Propriedade Intelectual) um termo usado para designar conceito completamente novo exclusivo de uma distribuidora, neste caso, a Sony Entertainment Network. Desenvolvido pela Guerilla Games, responsáveis pelo desenvolvimento da franquia Killzone por mais de 13 anos, o jogo se distancia muito da dinâmica do carro chefe anterior da sua desenvolvedora, utilizando um novo motor gráfico (uma engine), o Decima. E foi essa engine que o desenvolvedor Hideo Kojima utilizou para desenvolver o atual Death Stranding.

Todo localizado para o Brasil (textos, legendas e dublagem), a dublagem do jogo foi realizada -e muito bem realizada, diga-se de passagem- pelo estúdio UniDub, e conta com Tatiane Keplmair (Aloy), Ricardo Bressan (Rost), Adriana Pissardini (Marea), Luiz Antônio Lobue (Karst), Silvia Goiabeira (Olara), Nestor Chiesse (Erend), Mauro Ramos (Sylens), Leonardo Camillo (General Herres), Alexandre Marconato (Helis) e Anna Giulia (Aloy criança).

Vale ressaltar aqui também que o jogo é completamente offline, não possuindo um modo de multiplayer (nem online e nem offline), o que hoje em dia causa até certa estranheza dado a normalidade da necessidade de se estar conectado à internet mesmo para jogos completamente single player. Dito isso, não é um demérito, uma vez que o jogo se propõe a contar uma história e o faz magistralmente, com muito conteúdo, que pode ser expandido naturalmente ao se buscar realizar todas as side quests (missões secundárias) e coletar todos os colecionáveis, que destrincham ainda mais a história do mundo de Aloy; e fica a dica: vale muito a pena ouvir todos as gravações de áudio que se encontram em todos os lugares explorados, pois eles constroem toda a história do evento que criou esse mundo único.

CONCLUSÃO
Horizon possui soluções muito elegantes para questões que não são mais novidades para quem está habituado a jogar games de aventura e ação: Os tutoriais estão embutidos nos momentos em que você obtém determinado item. Você não possui a famosa “parede invisível” que lhe impede de chegar a algum lugar, todos os limites são acidentes geográficos bem claros que você reconhece ao cruzar com eles. Não há uma exigência de nível para acesso a uma área específica, sendo o mapa todo acessível (claro, que em alguns pontos, após a realização de algum objetivo) independente do seu “poder”. A dificuldade acaba vindo da diversidade de inimigos que são encontrados pelo decorrer do caminho.

Há muito o que fazer, e mesmo após gastar várias horas na história principal, ainda restará uma porção de conteúdo para ser explorado. Nada disso funcionaria se as missões secundárias não tivessem histórias bem desenvolvidas ou tarefas desafiadoras — o que, felizmente, não é o caso aqui. A coleta de recursos também é uma tarefa essencial para uma progressão bem-sucedida. Por muitas vezes, fiquei sem um componente necessário para criar flechas de fogo, o que me obrigou a interromper a missão principal apenas para caçar uma máquina específica que ofereceria o item necessário. É um game que exige alguma dedicação, o que é algo fantástico hoje em dia.

Óbvio que nem tudo são flores, e se o jogo possui muitos acertos, ele não se exime de alguns erros, mas que não chegam a comprometer a experiência. O combate com seres humanos é muito instável, e possui poucas opções, com o jogo encorajando mais uma aproximação furtiva do que o conflito mano a mano, com uma inteligência artificial muito inconstante.  As mecânicas de escalada e montaria também são meio inconstantes e poderiam ser melhor trabalhadas. Também me desagrada que os personagens secundários e mesmo algumas mitologias de tribos e povos do jogo não sejam tão aprofundadas, criando alguns personagens extremamente descartáveis.

Dito tudo isso, volto a dizer que HZD é uma experiência válida, e que se esse review não apresentou spoilers e pareceu um tanto vago, é porque esse é um dos casos que a jornada é fundamental para a experiência, e eu deixo pra você a porta aberta para essa aventura. Descobrir o que houve, como o mundo chegou a esse ponto, porque há máquinas, de onde vêm todas essas tecnologias, qual a ligação da Aloy com esse mundo; essas descobertas vêm organicamente e montam uma história com toques Asimoovianos como há muito eu não via

É possível encontrar na data desse review (janeiro de 2020), o jogo em sua versão “completa”, já com a expansão Frozen Wilds em promoção como um dos “Greatest Hits” do Playstation 4, chegando a custar menos de 60 reais (em formato digital para download). O que, dado tudo o que foi dito no decorrer desse review, configura um investimento válido e bem honesto.

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STAR TREK: DISCOVERY – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE / PRIMEIRA TEMPORADA
Um século de paz se passava entre a Federação e o Império Klingon, quando durante a investigação em um satélite danificado na borda do espaço amigo, a tripulação da USS Shenzhou encontra um objeto oculto de seus sensores. A primeira oficial Michael Burnham se candidata a investigar mais de perto, descobrindo aquela ser uma antiga nave. Surpreendida e atacada por um klingon, acidentalmente acaba o matando enquanto tentava escapar, o que levou uma facção de klingons ao lamento pela morte do soldado. “Torchbearer” era seu apelido, e antes que o rejeitado Voq se voluntariasse a assumir o seu posto, liderados por T’Kuvma, os klingons se revelavam em uma nave invisível. T’Kuvma então fomenta a ira dos seus pela suposta tentativa da Federação em querer usurpar a individualidade dos klingons e de sua cultura, planejando assim cumprir uma antiga profecia de reunir as 24 grandes casas klingons assim como Kahless fizera no passado. Voq então ativa um farol que convoca os klingons, e Burnham desesperada tentando impedir uma guerra, contraria as ordens da Capitão Georgiou, tenta impedir.

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COMENTÁRIOS
Enquanto alguns evocam Star Wars como uma aventura de ficção científica, os amantes de Star Trek se contorcem de ódio com tal sugestão errônea. Temos de convir, se formos prestar um pouquinho só de atenção, iremos perceber que Star Wars é uma fantasia medieval ambientada no espaço, com história de cavaleiros com espadas, ‘montarias’ e tudo mais, exatamente como os clássicos europeus. Isso nunca fora um assunto obscuro, e sempre fora encarado exatamente assim pelo próprio autor. Por outro lado Star Trek procura ser o mais científico possível, fazendo uso de conceitos críveis, e que nada mais seriam do que uma projeção de evolução. Seus enredos são ficções? Óbvio, mas procurando manter sempre a coerência de se manter como científico em suas concepções de futuro. Então após fazer uma rasa distinção do que seria a franquia para os passageiros de primeira viagem, tentaremos nos focar especificamente em Star Trek: Discovery, a produção originalmente lançada para o serviço CBS All Access em 2017.

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É importante perguntar inicialmente, quais destes três é você? Um: Literalmente um passageiro de primeira viagem e que não faz ideia do que é Star Trek? Dois: Já consumidor de Star Trek, mas aberto a novas reformulações em prol da boa aceitação do público geração a frente da sua? Três: Um fã purista e exigente que não aceitar que toda a essência e filosofia original seja maculada? Bem, pergunto isso porque é a base para saber com que olhos irá encarar esta sétima série da franquia. A primeira temporada de  Star Trek: Discovery se passa no ano 2256 do nosso calendário terrestre, dez anos antes da expedição que origina a série sob o comando de James Tiberius “Jim” Kirk, o Capitão Kirk, líder da USS Enterprise. As iniciais incoerências e inconsistências começam a ser notadas quando colocamos as duas séries lado a lado. Star Trek: Discovery apresenta um nível conceitual de tecnologia absurdamente superior ao que se viria anos depois na série original, o que faz com que os fãs mais puristas e detalhistas se contorçam de agonia. Falha simples que poderia ser contornada com o posicionamento do episódio em outro momento mais a frente na linha cronológica.  A filosofia também fora arranhada, já que diretrizes da Frota Estelar prezam pela não interferência em sociedades ou formas de vida alienígenas, e em Star Trek: Discovery isso não é plenamente respeitado. Então se você é um fã muito radical, eu até acredito que talvez você complete a série, mas com certeza terá de arrumar um peruca ao término.

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Quando consideramos o público cru neste universo, lógico, o que curta ficção científica, não há dúvida alguma de que ficará muito satisfeito. O ponto de partida é recheado de sequências de ação, batalhas espaciais e, a montagem de um cenário atraente até mesmo para quem não é público alvo de Star Trek. Mas não demora muito, e após os três primeiros episódios, Discovery toma rumo à natureza do que realmente é a franquia. A curiosidade de desbravar novos mundos, os conflitos morais entre os personagens, e um capitão destemido estimulando sua tripulação para resolver os problemas mais complexos, tudo que Gene Roddenberry, criador de Star Trek, idealizou para sua obra. Como considerado antes, creio que um ‘trekker’ muito purista vá se incomodar com quase tudo, visto que esta é uma total reformulação da série, quase um reboot. Agora, se você for um fã flexível, que consome o que a maré trouxer, relaxa porque todas as pequenas falhas são aceitáveis e não vão manchar a honra da sua série preferida.

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A produção de Star Trek: Discovery é fabulosa, trazendo um elenco de primeira linha, recursos técnicos tão bons quanto de superproduções do cinema e, uma edição sonora fantástica! Como de esperado, era preciso superar velhos paradigmas, fazendo desta que nunca foi uma série lá muito interessada em se fazer visualmente vistosa, parecer mais agradável aos olhos do público mais moderno. E afirmo, o tiro foi acertado! Trouxe uma roupagem cheia de luxo numa película de alto contraste muito bonita. Suas cenas em computação gráfica são de excelente bom gosto, e em momento algum eu me senti incomodado com falhas de efeitos da pós produção. O roteiro é o típico de série, e essa é uma do tipo contínua, no entanto ainda assim consegue se fracionar com uma boa lógica. Uma outra coisa que também me chamou a atenção foram as cenas de ação, já que Star Trek é famosa por ser uma tristeza nesse quesito. E voe ‘voilà’, que beleza! Coreografia muito bem feitas e, que aproveitam muito bem ângulos e recursos do cenário.

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Uma coisa é certa, os temos são outros e as coisas precisam inovar. Hoje já temos a muito bem sucedida trilogia de J. J. Abrams que já está indo para um quarto filme, e faz bem para a saúde da franquia que a série não se sinta intimidada pelo seu novo carro-chefe. Star Trek: Discovery traz uma boa revigorada ao universo criado por Roddenberry, e junto de Perdidos no Espaço (2018), outra série de ficção científica das antigas que recebera uma nova vestimenta. Se você  ainda nunca assistiu nada de Star Trek, considere-se um privilegiado, pois terá com esse um ótimo ponto de partida. E fique tranquilo se acha que ficará perdido dentro desta franquia gigantesca, tudo em Discovery é explicado, e aos poucos você vai se inserindo. E quem sabe tome gosto para conhecer as produções que antecederam esta. Então aperte o cinto, entraremos em dobra espacial!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Shazad Latif, Anthony Rapp, Mary Wiseman, Jason Isaacs, Wilson Cruz, Anson Mount, Michelle Yeoh, Mary Chieffo, James Frain, Jayne Brook, Kenneth Mitchell, Rainn Wilson, Tig Notaro, Ethan Peck, Rachael Ancheril e David Ajala compõem o elenco. Produzida pela CBS Television Studios associada com a Secret Hideout, Roddenberry Entertainment e Living Dead Guy Productions, Star Trek: Discovery tem Gretchen J. Berg e Aaron Harberts como diretores gerais, e Akiva Goldsman como provedor de produção. A série de ficção científica com milhões de fãs pelo mundo veio com um altíssimo nível, sendo premiada em 2018 como a Melhor Série de Televisão pelo Saturn Awards, e que também agraciou Sonequa Martin-Green como Melhor Atriz. Jason Isaacs também foi lembrado pelo Empire Awards, no qual recebeu como Melhor Ator de TV. Star Trek: Discovery até o fim de 2019 possui duas temporadas, 15 episódios na primeira, e 14 na segunda, sendo distribuído no Brasil com o selo Netflix.

CONCLUSÃO
Star Trek: Discovery chega trazendo novos ares para uma franquia repleta de fãs ao redor do mundo. E faz isso modificando alguns poucos conceitos, que a meu ver não deveriam servir para desqualificá-lo dentro do seu universo. Claro, isso é opinião minha. Sua produção é cinco estrelas, trazendo excelentes atuações, roteiro redondinho, efeitos especiais com qualidade de cinema, e uma trilha sonora muito inspirada. Se você tinha dúvidas do que assistir, considere esta uma das primeiras opções na sua lista. Classificada como recomendada para maiores de 14 anos, Star Trek: Discovery está disponível no serviço por assinatura Netflix. Vida longa e próspera!

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MINDHUNTER – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Ambientada no anos 1970, Mindhunter (Caçador de Mente, em tradução livre) segue a trajetória, inicialmente, de dois agentes do FBI: Holden Ford e Bill Tench. Encarregados do setor de Ciência Comportamental, eles tentam inovar os métodos para detectar e analisar suspeitos e condenados por crimes violentos. Enquanto a agência de investigação se atém ao modelo obsoleto MMO (Meio, Motivo e Oportunidade), Ford e Tench tentam mudar essa linha de abordagem que parece não mais se aplicar ao mundo abalado após a contracultura e dos crimes violentos como os influenciados por Charles Manson.

Desta forma, Holden e Bill teorizam aplicar uma avaliação psicológica mais profunda que acarretará novas questões. Mesclando ciências humanas, como a sociologia e antropologia, eles empreendem diversas entrevistas com indivíduos violentos encarcerados: de assassinos e estupradores até criminosos em série. Para isso, simplesmente perguntando o porquê, seus atos, seu passado familiar os levará a desvendar e analisar cada suspeito. Assim, Mindhunter concentra-se no desenvolvimento de dois homens, dois agentes, e de um novo campo criminal através de histórias que visitam à mente psicopatas e sociopatas.

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ABERTA A TEMPORADA DE CAÇA (análise da 1ª temporada)
Sou um aficionado por série e filme que envolvam serial killers (assassinos em série), paixão que surgiu justamente depois de assistir a O silêncio dos inocentes (1991), o qual nos apresenta a figura icônica de Hannibal Lecter, e Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995). Quanto ao primeiro, li a romantização do longa-metragem (1988), também do livro Dragão Vermelho (1981) que fora transformado em filme (2002). Depois de ficar obcecado pelo criador de Hannibal, Thomas Harris, assisti de True Detective (2014-2019), a Hannibal (2013-2015)  e Bates Motel (2013-2016), só para citar as narrativas que mais me chamaram a atenção.

Quando nos deparamos com Mindhunter, percebemos não algo acabado do ponto de vista investigativo. Os métodos não existem ainda. Só temos um jovem agente, Holden Ford, especializado em negociação de reféns que possui a ideia insistente de que é necessário conhecer e preservar a vida de criminosos e vítimas. De que é preciso conhecer a psique do crime em uma época em que todos achavam que mente maldosa e sinistra era algo nato e a loucura encarnada. Sua ideias inovadoras se tornam um fardo para seu chefe, Shepard, que o designa para área de setor comportamental de Bill Tench.

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Por mais que Bill tenha criado a unidade (somente ele trabalhava nela), não havia evoluído muito mais do modelo MMO (Meio, Motivo e Oportunidade). Com um casamento em ebulição devido a adoção de um menino silencioso, rodava os EUA dando palestras aos policiais e ensinando o modos operante do FBI na caça de criminosos violentos. A chegada de Holden, motivado pelas constantes dicas de sua namorada estudante de sociologia, Debbie, faz com que eles acabem entrevistando o primeiro de uma série de assassinos. É analisando os traumas, as motivações e os sentimentos desses “maníacos” que eles se empenharão para montar um modelo a fim de se antecipar e evitar que crimes violentos como aqueles aconteçam.

Para fechar a equipe, a Dr. Wendy, especialista em psicologia criminal de grandes empresários, abandona seu relacionamento lésbico pela certeza de por em prática em situações reais seus estudos e, enfim, fazer a diferença.

Mesmo com os entraves do chefe da unidade, Shepard, Holden e seus métodos nada convencionais e improvisos fazem com que a dupla consiga suas primeiras prisões e alcance certa notoriedade, inclusive angariando fundos do Congresso para um estudo aprofundado. Mas é aí que, talvez, o estrelismo de Ford faz com que seja visto com desconfiança pelos amigos e se distancie de sua namorada. Parece que até os gênios têm seu limite.

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ENFIM, CHARLES MANSON (análise da 2ª temporada)
Depois de Holden ter chegado ao seu limite psicológico, depois de passada a sensação inicial de Super-Homem que não se abatia, não tinha sentimentos diante de tantos assassinos múltiplos, ele se vê confrontado pelo pânico e já não é mais o mesmo. Perdeu o feeling para sondar, interpretar e entrar na mente dos criminosos violentos.

Sua unidade também mudou. A ascensão dos métodos da Ciência Comportamental empreendidas por Ford e Tench causam o afastamento de seu principal opositor: Shepard. Em compensação, o novo diretor quer eficiência nos trabalhos e pesquisas porque anseia por colocar em prática a divulgação dos novos procedimentos de estudo da mente violenta. A pressão é constante e se sobrepõe-se muitas frentes de investigação ao mesmo tempo e abre-se espaço para atuação de todos. Até da Dra. Wendy, que sai de sua zona de conforto, vai a campo entrevistar assassinos.

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O trio de protagonistas tem suas tramas individuais expandidas. Holden nos passa a insegurança de que pode entrar em pane a qualquer momento. Sua mente ainda é brilhante, mas à medida que tem seus métodos apoiados pelo novo chefe da unidade, não encontrar total apoio entre seus amigos. Envolve-se com o um caso de muita relevância nacional: o assassino múltiplo de Atlanta que mata garotos negros de comunidades carentes.

Bill Tench vive em torno de preocupações familiares em relação ao seu filho introspectivo demais. O garoto se envolve com um assassinato culposo (sem intenção de matar). Devido a sua inocência ou premeditação? Essa dúvida permeia a vida de Bill que tem isso como estopim para uma crise no casamento: sua mulher exige sua presença. Já o trabalho necessita de seu dom de relações públicas com os figurões do FBI e ainda precisa fiscalizar o Holden. Uma das cenas mais bem feitas da série é a entrevista com Charles Manson, um dos bandidos mais famosos da contracultura. Interrogar o homem que influenciou jovens da classe média sem antecedentes criminais a cometer uma terrível chacina sempre foi um desejo de Ford. Ele é quase um fã e ainda pega um autógrafo. Mas a cena vale por cada minuto de provocação de Manson em relação a Tench e como as palavras encarcerado mexem com Bill. Notamos como isso reflete nos acontecimentos de sua vida pessoal.

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Wendy, assumindo de vez sua nova vida em Quântico, sai do campo da teoria e, na prática, percebe que há muito que aprender no modos operante de Holden de interrogar os assassinos. Oscila entre os questionamentos acadêmicos, seu novo romance com uma bartender e o fato de ter que esconder de todos que é lésbica. Em um trabalho altamente sexista, machista e que a homoafetividade é vista como comportamento desviante, ela andará na corda bamba continuar seu trabalho ao passo que oculta sua vida privada. Sua amizade com Bill cresce e de certa forma se sente acolhida nessa conjuntura hostil.

Desta forma a 2ª temporada parte muito mais para esfera prática, algo somente ensaiado na primeira que contou somente com a resolução de dois casos sem grande esforço para os agentes. Assim, nesta temporada, vemos a ascensão de um estrangulador de crianças negras, mais um pouco do mistério em torno do assassino BTK, casos que despertarão e exigirão muita perspicácia para chegarem a um ponto final. E, para além da solução mágica que a ficção de serial killers enfoca, nosso agentes terão problemas simplórios como a burocracia e política que impedirão um resultado mais satisfatório.

CURIOSIDADES (bem reiais)

  1. 090_06A série é baseada em dois agentes reais, John Douglas e Robert K. Ressler, que faziam perfis criminais na década de 1970 e que escreveram o livro Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit. Assim, as cenas das entrevistas são baseadas nas entrevistas reais com os ditos serial killers, às vezes quase palavra por palavra.
  2. 090_07Um distúrbio que combina com os sintomas que o filho de Bill Tench supostamente exibe é chamado de “mutismo seletivo”. É classificado como um transtorno de ansiedade que afeta até 0,8% de todas as pessoas em algum momento de suas vidas, mais comumente na escola e / ou em ambientes sociais.
  3. 090_08Na Austrália, as duas fabricantes de automóveis históricas e mais competitivas são Holden (marca General Motors) e Ford. O nome do personagem principal é Holden Ford (Jonathan Groff). No episódio 3 da segunda temporada, quando Holden faz check-in no Omni International Hotel, em Atlanta, ele precisa esclarecer à recepcionista que seu sobrenome é Ford, acrescentando: “É uma piada de mau gosto na Austrália. Como aqui”.
  4. 090_09Há um serial killer ativo sendo aludido na série em trechos muito rápidos. Este é Dennis Rader, mais conhecido como O Assassino “BTK”, que matou dez pessoas no Condado de Sedgwick, Kansas, entre 1974 e 1991.
  5. 090_10Em um dos episódios, a Dra. Wendy Carr (Anna Torv) pode ser ouvida perguntando: “O que há na caixa”? Possivelmente uma referência ao filme de David Fincher, Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995), no qual o personagem de Brad Pitt faz a mesma pergunta na cena mais famosa do filme. David Fincher também dirigiu quatro episódios da primeira temporada desta série.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Jonathan Groff, Holt McCallany, Anna Torv, Hannah Gross, Cotter Smith, Stacey Roca, Joe Tuttle, Michael Cerveris, Lauren Glazier, Albert Jones, Sierra McClain e June Carryl  compõem o elenco. Criada por Joe Penhall, a série de 2017, Mindhunter, é baseada no livro Mindhunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit, escrito pelos reais investigadores John Douglas e Mark Olshaker. Seus produtores executivos são Beth Kono, Charlize Theron, Joe Penhall, Ceán Chaffin, Joshua Donen, David Fincher e Courtenay Miles. Seus produtores são Jim Davidson, Mark Winemaker e Liz Hannah, e as gravações ocorreram no Estado da Pennsylvania, nos EUA. Mindhunter é da produtora Denver and Delilah Productions, e é distribuída pelo serviço de assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
O importante é ficar de olho nos detalhes e conversas. Como na ciência forense, cada detalhe, cada cena aparentemente desconexa da trama principal acaba por se entrelaçar em algum momento da história: seja um comentário de um entrevistado ou na visão de um homem fazendo nós rápidos. Aliás, as entrevistas, para quem não gosta de diálogos será um entrave, no entanto se conectam com os dramas pessoais do trio Holden, Tench e Wendy e mostram a evolução dos métodos investigativos da Ciência Comportamental.

Se você curte, como eu, os jogos geniais de palavras, a mente dos assassino que beira a naturalização do crime, a banalização do atos homicidas e a confusão serão momentos de pura empolgação. Como li muito Agatha Christie (36 livros para ser exato), a pegada da série me lembra muito dos métodos de Hercule Poirot ao interrogar seus suspeito a procura de pistas. A diferença, claro, é que não falamos da Inglaterra, mas prisões estadunidenses em que os criminosos possuem sempre uma conexão sexual e o dinheiro lhes é pouco relevante. Estão em busca de uma satisfação sádica para seus impulsos primitivos.

Outro ponto interessante é o estilo retrô. Não só porque a ambientação da série se dá na década de 1970, mas porque a fotografia muitas vezes imita a da época e a qualidade da filmagem, as vezes defeituosa ou nebulosa, típica de películas antigas. Isso está presente em vários momentos da série desde uma festa até um passeata pelas ruas de Atlanta.

Como é uma série inspiradas em fatos, o telespectador tem uma sensação ímpar de estar mergulhado em uma “verdadeira” investigação criminal, até onde a ficção pode alcançar. Mindhunter é uma série inteligente e merece mais temporadas, contudo ainda aguarda o sinal verde da Netflix para continuar. São previstas cinco temporadas e já lhe rendeu 5 indicações variadas e o prêmio de melhor ator de drama para Jonathan Groff, pela Satellite Awards. Aventure-se por mentes criminosas e para quem gosta de roteiros precisos, está é uma atração para você matar (ou maratonar) em série. Trocadilho ruim, mas eu deixo assim. Boa diversão!

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SOMBRAS DA VIDA (CRÍTICA)

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SINOPSE
Em meio ao luto da perda, o marido agora em forma espectral e invisível aos ainda encarnados, retorna para casa na intenção de consolar sua esposa. Sendo um mero espectador ele nada pode fazer, apenas assiste o tempo correr indefinidamente. Vaga por lembranças e sensações que persiste em manter de quando vivo ao lado da mulher que tanto amou. O amor, a dor, o rancor, a importância, e até mesmo as lembranças, não passam de efemeridade numa eternidade onde o infinito tempo pesa muito mais que a vontade de se manter existindo.

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COMENTÁRIOS
Fascínio! Esse é o sentimento mais resumido que senti ao assistir uma das obras mais brilhantes e, injustamente pouco divulgadas de 2017. Sombras da Vida (A Ghost Story) consegue dar vida à uma atmosfera densa que impossibilita escaparmos de sua gravidade pesadíssima! São reflexões sobre a significância e do que significou uma jornada de vida. Não importa o que a sua ou minha experiência espiritual, e até mesmo religiosa diga, este é um filme que não intenciona conflitar com nada disso. Mas claro, se você for adepto de crenças onde os vivos desencarnam, terá uma interpretação diferenciada daqueles que não creem, e assistirão apenas como um drama de ficção. Seja como for que você assista, a experiência não deixa de ser profunda e gratificante.

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É incrível como uma boa ideia pesa muito mais que qualquer cifra. Afirmo com toda segurança, a simplicidade do conceito deste filme não precisava mais de um único centavo no orçamento! A princípio eu fiquei até relutante sobre que diabos era isso. Um fantasma com lençol na cabeça? Me parecia uma grande cilada. Superei o literal “pré conceito” e fui dominado pela curiosidade. Ainda dentro dos primeiros minutos recebemos um curso intensivo de nunca julgarmos um livro pela capa, e nem mesmo um fantasma pela sua roupa. Avante filme adentro, acompanhamos aquela alma que não pode ser vista, ouvida, e muito menos tocada, presenciar uma cena de interminável autopunição. Não, não detalharei o que é para não estragar a experiência, mas é lindo como um bom roteiro e uma inteligente direção consegue fazer dos silêncios repletos de vazios a peça central para compreensão de uma intenção. Simplesmente brilhante!

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Aprofundando nos conflitos do luto, temos as duas perspectivas, a de quem ainda está vivo, e a de quem já se foi. Por um lado a viúva que sofre com as saudades cotidianas daquela pessoa que sempre esteve presente, e de outro um espírito que reluta em aceitar o término de um ciclo para seguir em frente, seja como for o próximo estágio. Por maior que seja a dor de quem fica, as oportunidade de superação ainda são acessíveis, e diferente de quem só pode assistir, continuar na busca pela felicidade não é apenas uma necessidade, mas também uma natureza da vida humana. Podemos assumir a realidade no tempo que for, ao fim, tempo estará disponível em sua forma infinita, porém apenas como um passageiro a experiência não passa de um martírio que precisa ser cessado a fim de dar término ao sofrimento.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Casey Affleck, Rooney Mara, Will Oldham, Sonia Acevedo, Rob Zabrecky, Liz Franke, Grover Coulson, Kenneisha Thompson, Barlow Jacobs, McColm Sephas Jr. e Kesha compõem o elenco. Escrito, dirigido e editado por David Lowery, Sombras da Vida foi produzido por Toby Halbrooks, James M. Johnston e Adam Donaghey. O drama estadunidense foi lançado em janeiro de 2017 no Festival Sundance de Cinema, e em junho do mesmo ano nos cinemas norte americanos. Seu orçamento foi de irrisórios 100 mil dólares, e teve um faturamento de quase 2 milhões.

CONCLUSÃO
Eu desconhecia completamente A Ghost Story, título original, e como conheci o que mais tarde seria batizado no Brasil como Sombras da Vida. Bati o olho em seu pôster e me interroguei sobre que diabos poderia ser isso. Então decidi ignorar completamente a aparência, que por sinal é até bacana depois que você assiste e compreende o conceito, e me dei a oportunidade de descobrir. Maravilhoso! Esse é um dos filmes mais marcantes que levo comigo, e um dos melhores de 2017. A premissa pode até lembrar o filme Ghost: Do Outro Lado da Vida de 1990, mas sua narrativa passa longe de uma história de amor de um casal apaixonado. Sombras da Vida é uma poesia mostrando nossa efemeridade em vista o infinito tempo. Recomendo demais! Sua classificação etária é de doze anos. Tenha um bom filme!

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TÚNEL – A SÉRIE (CRÍTICA)

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SINOPSE
Park Kwang Ho é um detetive de polícia linha dura da cidade de Seul no ano de 1986. Investigando uma série de assassinatos, o dedicado policial acaba localizando um potencial suspeito, que foge correndo por um extenso túnel após ser notado. Em perseguição naquele escuro lugar, Park o perde de vista, quando é surpreendido com um pedrada na cabeça e cai desnorteado. Sem demora recobra as forças e se levanta para continuar no encalço do indivíduo. Chegado ao fim do túnel, o detetive não percebe mais ninguém, e não apenas isso, tudo ao seu redor está completamente diferente! A modesta cidade que conhecia agora contava com enormes e iluminados edifícios, as vias estavam muito diferentes e cheias de carros nada parecidos com os que ele estava acostumado. Sem muitas explicações, definitivamente ele tinha viajado ao futuro de 2017! Ele não sabia como e nem o motivo, mas estava convencido de que precisava encontrar aquele assassino. E ao que tudo indicava, tinha atravessado o tempo junto com ele.

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COMENTÁRIOS
Repleta de mistérios e casos sinistros, Túnel – A Série (터널), é um K-drama policial com elementos de ficção científica bastante inteligente. Mesmo seguindo fórmulas conhecidas de séries de investigação ocidental, consegue personalidade própria se sustentando no carisma de um grande elenco. Choi Jin-hyuk, que faz o papel de Park Kwang Ho, é jovem, porém veterano em novelas sul-coreanas, e mostra uma grande versatilidade atuando de forma espetacular em momentos de drama pesado, quanto nos momentos mais cômicos. Yoon Hyun-min e Lee Yoo-young, o casal de atores ao lado de Choi, também se destacam pela seriedade que enfrentam seus papéis, sem perder a qualidade em nenhum instante. Citei os personagens principais, mas saiba que o elenco inteiro, incluindo os convidados para pontas, todos mostram um grande realismo em suas atuações.

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A produção é de uma série sem muito luxo, se apoiando muito mais na qualidade da sua história do que em grandes recursos cinematográficos. A Seul recriada de 1986 é bacana e consegue convencer, já o figurino oitentista da época eu não saberia dizer, mas não creio que dariam um vacilo bobo. Gostei bastante da direção de Shin Yong-hwi, que traz um visual ao mesmo tempo que sombrio e ‘quase noir’, consegue mesmo assim que ele seja leve e confortável de assistir. Deixo a dica caso já tenha superado o preconceito e deixado de desconfiar da qualidade das produções da Coreia do Sul, a maioria das produções vinda do Studio Dragon são excelentes! The K2 (2016), Black (2017) e Stranger (2017), são outros K-dramas obrigatórios para quem gosta de thrillers como este. E não ache que os sul-coreanos são bons apenas em gêneros mais sérios, as séries de comédias também são muito divertidas e viciantes. Mas este já é assunto para um outro dia.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Choi Jin-hyuk, Yoon Hyun-min, Lee Yoo-young, Jo Hee-bong, Kim Byung-chul, Kang Ki-young, Kim Min-sang, Mun Suk e Lee Yong-nyeo compõem o elenco. Escrito por Lee Eun-mi, Túnel – A Série, é uma produção de Choi Jin-hee e do Studio Dragon de 2017 que dirigido por Shin Yong-hwi. O K-drama sul-coreano tem Choi Kyung-sook e Kim Jin-yi como produtores executivos, e Kim Sung-min e Park Ji-young como produtores. A série possui um total de 16 episódios com tempo médio de 65 minutos cada, distribuído pela Orion Cinema Network (OCN) na Coreia do Sul, e pelo serviço Netflix no restante do mundo.

CONCLUSÃO
Túnel – A Série, é uma produção sul-coreana bastante empolgante e que monta uma trama sensacional capaz de te prender numa maratona ferrenha! Seus formato são de episódios longos, todos passando os 60 minutos, mas cada um deles muito gratificantes. Então suba no bonde para acompanhar o detetive Park Kwang Ho numa caçada frenética através do tempo por um brutal assassino em série! Classificado como para maiores de 16 anos, a série é distribuída pelo serviço por assinatura Netflix. Prepare a pipoca e tenha bastante unhas para roer, porque esta é uma puta série! Recomendadíssima!

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BLACK – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Kang Ha-ram é uma jovem mulher que desde a infância sofre bastante com um infeliz dom. Capaz de ver espíritos por todos os lados, precisa estar sempre de óculos escuros para camuflar os vultos espectrais e não acabar enlouquecendo. Em outro canto da cidade está Han Moo-gang, um detetive extrovertido e dedicado ao trabalho que acaba morrendo durante o cumprimento do seu dever. Seu corpo então é levado ao necrotério, e lá ele é possuído pelo Ceifador Nº 444, uma entidade implacável e sem compaixão que encaminha os vivos para o mundo do morto. Assumindo o corpo de Han Moo-gang, ele procura manter o disfarce como detetive, enquanto parte no encalço de seu pupilo renegado, do qual é responsável, e que também se apossou de um corpo humano morto.

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COMENTÁRIOS
Black (블랙) é uma produção sul-coreana que mistura elementos como drama, romance, policial, mistério, fantasia, comédia e ação, e por todos os gêneros por onde transita, o faz com muita presteza e originalidade narrativa, mesmo englobando tantas categorias. Por incrível que pareça o senso de humor dos sul-coreanos não é muito diferente de nós brasileiros, eles estão sempre rindo, sempre solícitos, algo bem diferente do que faria sentido, uma vez que o recebe forte influência cultural norte americana, um povo bem introspectivo. Isso é algo que sempre acho bacana de observar, seja em qual tipo de mídia for, a expressão natural de humanidade de uma cultura, e os sul-coreanos não se preocupam com isso. Fazem suas graças seja onde for, estando seguros de não dever satisfação por seus comportamentos a ninguém. Do jeito que realmente deve ser!

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Explicado um pouco sobre esse grau de naturalidade com o qual esse povo tão distante se mostra, fica mais fácil dizer que tudo em Black é fluído. As atuações e diálogos são impressionantes. Esse é o tipo de série que verdadeiramente te distrai, sendo capaz de te empurrar para uma maratona sem nem perceber. Divertidíssimo, porém de bastante tato quando há necessidade de mais seriedade, a narrativa traz muito sobre dilemas familiares, lutos, superações e, sempre que o faz, somos afetados pela emoção que esse elenco consegue transbordar. São profissionais que realmente encarnam seus personagens e dão o máximos de si. O roteiro de Black consegue se manter firme pelos seus dezoito episódios, onde cada um deles tem entre 68 e 87 minutos. Achou longo? Acredite, você nem consegue notar que esse tempo todo passou.

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Com uma produção polida, o ‘K-drama’ (produções sul-coreanas lançadas em série para TV), que erroneamente é chamado por muito gente de ‘dorama’ (produções japonesas), não apresenta muitas falhas. Seu roteiro bem amarrado tem uma direção competente, executando cenas de ação bastante empolgantes. As lutas e perseguições são bem coreografadas, mesmo com as rígidas normas de trânsito do país, o que traz uma boa dose de adrenalina. Acho que é óbvio, mas digo tudo isso considerando esta ser uma série, e não um filme, que é bem mais compacto e fácil de editar.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Song Seung-heon, Go Ara, Jae-young Kim, Kim Dong-jun, Lee El, Won-hae Kim, Jo Jae-yoon, Choi Min-chul, Park Doo-sik, Kim Tae Woo, Chul-min Lee, Jae-Ho Heo, Seok-yong Jeong e Choi Won-hong compõem o elenco. Com roteiro de Choi Ran, a série é dirigida por Kim Hong-sun. Obra do sul-coreano Studio Dragon, tem produção executiva de Kim Jong-sik e Song Jae-joon. Estúdio esse também responsável por outras séries já resenhadas aqui, como The K2 (2016), Tunnel (2017) e Stranger (2017). Na Coreia do sul, Black, foi distribuída pela Orion Cinema Network, mais conhecida como OCN, e foi internacionalizada pelo serviço de assinatura Netflix. Lançada em 2017, a série, que de forma correta deve ser tratada como um K-drama, possui dezoito episódios, e até onde se compreende, tem sua história concluída, dificultando a possibilidade de continuação.

CONCLUSÃO
Embora eu ainda não tivesse feito a resenha sobre nenhuma produção sul-coreana até o momento, já assisti muitas coisas do país, e estou seguro em afirmar, esta é uma das melhores e mais divertidas séries daquelas bandas. Tendo uma história muito intrigante, ela te prende em assistir sequencias de episódios de mais de uma hora cada sem nem perceber. Uma produção muito boa que acertou em cheio em seu roteiro e direção, e que fez mais bonito ainda na escolha de seu elenco. Black tem drama, romance, policial, mistério, fantasia, comédia e ação, e não se engane achando que uma série com tantos gêneros misturados não tem condições de ser bom em tudo que propõe. Muito pelo contrário, os caras acertaram e fizeram bonito em tudo! Duvida? Te desafio a assistir pelo menos o primeiro episódio e não se apaixonar por este K-drama. A série é recomendada para maiores de dezesseis anos e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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IT: A COISA (CRÍTICA)

 

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SINOPSE
Meses após o desaparecimento do irmão, Bill guarda um sentimento de culpa muito forte. Acredita que se ele estivesse presente fazendo companhia ao pequeno George naquele dia chuvoso, nada disso teria acontecido. Não importava a falta de esperança dos outros, incluindo da própria família, o irmão mais velho não aceitava, e continuava a buscar meios de encontrar seu amado irmão. Bill tinha uma teoria de onde seu irmão poderia ter ido parar quando foi levado pela chuva na queda naquele bueiro, então recorre aos seus melhores amigos, os membros do Clube dos Otários, para partir na busca. Aquele era o ano de 1987 na cidade de Derry e, não apenas George havia desaparecido, mas misteriosamente várias outras crianças também. E nessa aventura de terror psicológico, o grupo de crianças experimenta uma série de macabros fenômenos envolvendo um misterioso palhaço conhecido como Pennywise.

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COMENTÁRIOS
It: A Coisa (2017) é uma obra adaptada do romance de Stephen King, que conta com mais outras duas versões, a minissérie americana para TV de 1990, que mais tarde fora compactada em um filme, e uma segunda minissérie indiana de 1998. A primeira chegou no Brasil como It: Uma Obra-Prima do Medo, e fatiava o grande volume do livro em duas partes de três horas cada, trazendo a infância daquele grupo e a transição 27 anos depois para a vida adulta. Apesar de suas inúmeras falhas a minissérie funcionou, e embora não seja muito repercutida hoje em dia, tornou-se um clássico cult de suspense e terror. A série indiana segue a mesma fórmula, sete crianças que enfrentam um monstro que se transforma no palhaço Pennywise. Porém essa é uma produção bem bizarra e, não exatamente por conta do seu baixo orçamento, mas pelas curiosas escolhas da adaptação. Diferente da versão original do romance, Pennywise não se apresenta pela primeira vez dentro de um bueiro, mas sim dentro de uma piscina. Quer conferir essa tosqueira? Clica aqui e assista o primeiro episódio disponível no Youtube. Aliás, a série inteira está lá.

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Com tantas adaptações controversas, Stephen King ainda merecia uma adaptação à altura de seu excelente trabalho original, e o longa de 2017 entregou o presente. It: A Coisa mostra o primoroso esforço do diretor Andy Muschietti em dar coerência a um roteiro tão inflado e complexo. Respeitando a obra do livro,  traz uma qualidade muito diferente do que estamos acostumados a ver no suspense e terror. A trama segue a mesma formula e, é quebrada mais uma vez em duas partes, sendo esta primeira, o filme de 2017, contando a infância do Clube dos Otários e a maneira que eles lidam com Pennywise.

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A produção tem forte influência narrativa e conceitual no filme Conta Comigo (Stand by Me, de 1986), também baseado em um conto do genial Stephen King. Evocando um grupo de crianças com diferentes distúrbios psicológicos devido a criação por péssimos pais. Enquanto uns mostram problemas comportamentais não tão graves, outros tem a vida imersa em pesadas sessões de abusos. O longa também traz o clima de aventura, que se inspira em outro importante clássico dos anos oitenta, Os Goonies (The Goonies, de 1985). O resultado é parecido com o que temos atualmente na série Stranger Things, porém com uma linguagem, tanto literal quanto conceitual, bem mais pesada e suja que o seriado da Netflix.

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Com a cena de abertura pesadíssima do bueiro, conseguimos medir o tamanho da ameaça que aquelas crianças terão de lidar, e ficamos intensamente apreensivos a cada episódio nos quais cada uma delas é inserida detalhadamente na trama. Seus pais são completamente desequilibrados, e isso faz com que aqueles garotos tenham ciência de estarem por conta própria. São crianças que sofrem com o bullying dentro e fora da escola, com os maus-tratos familiares, e com pais cegos por dogmas religiosos. It: A Coisa é uma excelente obra do terror psicológico, que respeita o telespectador trazendo qualidade em tudo que se compromete a oferecer. Sabe ser comédia, drama, romance e, obviamente, suspense e terror psicológico, tudo no momento correto e na medida certa.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
As principais atuações são de Jaeden Lieberher, Bill Skarsgård, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Wyatt Oleff, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Nicholas Hamilton e Jackson Robert Scott. A direção fica por conta do argentino Andy Muschietti, que já havia mostrado um pouco do seu talento em Mama (2014). A produção é dividida entre Roy Lee, Dan Lin, Seth Grahame-Smith, David Katzenberg e Barbara Muschietti. O roteiro é trabalho conjunto de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman. A produção teve um orçamento modesto de 35 milhões de dólares, com uma receita final de incríveis 700 milhões!

CONCLUSÃO
It: A Coisa é um filme impecável ao meu ver, e evoca o subtítulo da série de 1990, fazendo com que essa seja sim ‘Uma Obra-Prima do Medo’. Obviamente tem suas falhas, mas elas são minúsculas e não possuem nada que mereça um destaque depreciativo. A produção é agradável por toda sua extensão, trazendo atuações mirins incríveis, e um vilão verdadeiramente ameaçador! Então esteja preparado para uma aventura densa, assustadora e cheias de mistérios na cidade de Berry. E lembrando, esta é apenas a primeira parte da incrível obra de Stephen King! Bom filme!

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1967: O VERÃO DO AMOR – DOCUMENTÁRIO (CRÍTICA)

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“One pill makes you larger, and one pill makes you small
And the ones that mother gives you, don’t do anything at all…”
(White Rabbit – Jeferson Airplane)

Com essa música emblemática inicio a crítica sobre o documentário “1967: o verão do amor” (1967: The Summer of Love, no original), obra de 2017 produzida por 3DD Productions e dirigida por Lyndy Saville, que também foi produtora de outras obras como Rock Legends: David Bowie (2013).

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A obra trata do ano 1967, um período de transformações sociais, políticas e culturais. Nas primeiras cenas são mostradas como eram as casas de show de Londres na época como, por exemplo, a UFO CLUB, onde Joe Boyd, produtor musical norte-americano, descobriu bandas como Pink Floyd, e que era um dos cenários europeus com maior efervescência deste período. Assim como também é mencionada a importância da cidade costeira da Riviera Francesa, Saint-Tropez, na qual não era difícil esbarrar em suas ruas com a diva Brigitte Bardot, fato que trazia um encanto a mais ao local paradisíaco.

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No que diz respeito à moda, toda garota londrina sonhava com as ultimas tendências da Boutique Feminina Biba, uma loja inovadora com preços acessíveis, mas cheia de charme. Sem contar com a modelo Twiggy, que revolucionou o padrão de beleza, com seu ar exótico e etéreo.

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O movimento de maior força nessa época foi o Hippie, com seus protestos contra as guerras, em especial a do Vietnã, citando os discursos do esportista Muhammad Ali. O boxeador, ao recusar o alistamento para servir na guerra, acarretou a perda do cinturão mundial e a cassação de sua licença por três anos.

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Ainda sobre esse período, também vem à tona a questão das “viagens” do subconsciente provocadas por drogas como LSD (Lysergsäurediethylamid, palavra alemã para a dietilamida do ácido lisérgico, uma das mais potentes substâncias alucinógenas conhecidas) e a maconha (cannabis sativa).

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No que diz respeito à indústria musical, também é mostrada a ascensão dos Long Plays (LPs ou discos de vinil) como objetos de arte e desejo, tendo como exemplo o álbum dos Beatles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Além da importância das rádios piratas como Rádio Caroline que funcionava em um navio e que foi uma das principais disseminadoras do rock no Reino Unido.

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Nomes como The Supremes e Marvin Gaye também são citados como grandes figuras do cenário musical da época. E, claro, a lembrança do Festival Internacional de Música Pop de Monterey (Monterey International Pop Music Festival), na Califórnia, no qual estiveram presentes artistas como Janis Joplin, Ottis Redding, assim como Jimi Hendrix. A lenda negra do rock fez sua apresentação magistral em queimou a guitarra e causou verdadeiro furor na multidão alucinada.

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CONCLUSÃO
Para os amantes de música, entretenimento e, até mesmo história, 1967: O Verão do Amor é uma obra bem leve e gostosa de assistir, além da oportunidade de curtir a maravilhosa trilha sonora que permeia o documentário.

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