O MANDALORIANO – SÉRIE DA DISNEY+ (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após cinco anos desde a queda do Império Galáctico, após a morte de Palpatine e Darth Vader bem como a destruição da segunda Estrela da Morte (Episódio VI – O retorno do jedi, 1983), os Caçadores de Recompensa sobrevivem por meio de escassos trabalhos nos confins da galáxia, longe da autoridade da Nova República. Nesta época, em que os remanescentes do Império Galáctico não passam de senhores da guerra e mercenários, um hábil caçador mandaloriano precisar restaurar sua própria honra, construir sua armadura e fazer fortuna.

Ao aceitar um trabalho fora dos registros habituais da guilda de caçadores de recompensa no planeta Nevarro para um oficial Imperial, Mando vence piratas espaciais que tinham em sua posse um curioso prêmio: um bebê de 50 anos da mesma espécie que o mestre Yoda. A partir daí, o Mandaloriano terá que rever seus conceitos morais, revisitar o passado e traçar novos rumos como pistoleiro galáctico e guerreiro de Mandalore.

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O QUE É UM MANDALORIANO?
O destino da Galáxia parece sempre se misturar a história do Mandalorianos. Quando nos remetemos aos filmes (do Episódio I ao VI), dois nos são extremamente importantes: Jango e Bobba Fett (pai e filho, respectivamente). O primeiro, presente na trilogia prequela (pré-sequência), esta por trás da tentativa de assassinato da Senadora Amidala de Naboo e seu código genético foi usado para criar o exército de de clones da República Galáctica (Episódio II – O Ataques dos Clones, 2002).

Já Bobba Fett, filho de Jango, é marcante por ter sido o líder dos Caçadores de Recompensas que terminaram por aprisionar Han Solo em Império Contra-Ataca (1980) e entregá-lo, ainda petrificado em carbonita, para líder mafioso de Tatooine, Jabba, o Hutt. Foi derrotado por Luke Skywalker e companhia na épica luta no deserto, no grande poço de Carkoon, Mar das Dunas, onde vivia a criatura Sarlacc. Fora o fato de muitas vezes serem mercenários ou caçadores de recompensa, e que são oponentes perigosíssimos para forças do bem (ou do mal), o que se sabe sobre os Mandalorianos?

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Mando, em um dado momento da série revela que o termo “mandaloriano” não se refere a um povo, do ponto de vista racial, mas que é uma filosofia. Não necessariamente se nasce Mandaloriano, mas se torna um. No livro O Código do Caçador de Recompensa (Bertrand Brasil, 2014), revela que os Progenitores Mandalorianos (os Tsaungs, Guerreiros das Sombras) originalmente eram um povo que habitava Coruscant (planeta que foi a capital da República e posteriormente do Império Galáctico). No entanto esse povo original acabou sendo expulso por inimigos para a Orla Exterior. Chegaram a Mandalore há 7 mil anos e 4 mil anos depois foram derrotados, durante a Cruzada da Grande Sombra (Grande Guerra Sith), na qual “foram traídos pelos Jedi e pelos Sith, que agiram como irmãos”, segundo Tor Vizla, líder dos Sentinelas da Morte (p.131).

Foi somente com o Mandalore, o Supremo,  que abriu os clãs para que todos os que os mostrassem valor no campo de batalha. Foram esses novos guerreiros, os Neocruzados, que entraram em batalha contra as forças da República, posteriormente, nas chamadas Guerras Mandalorianas. Os intuito deles não era conquistar a Galáxia, mas fortalecer a unidade e continuar os conflitos iniciados pelos Progenitores. No entanto eles foram duramente derrotados e forçados a se dispersarem pela galáxia.

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Diante da prosperidade dos Mandalorianos sob a liderança de Mandalore, o Unificador, que retornaram a seu planeta, segundo Tor Vizla, a República resolveu aniquilar definitivamente estes guerreiros como se fossem “um tecido canceroso a ser cortado da galáxia” (p.134). Desta forma tanto os Sith quanto os Jedi e a própria República já lutaram, se aliaram ou traíram os Mandalorianos que sempre tentaram resgatar sua honra ancestral, apesar de muitos Caçadores de Recompensa evidenciarem o problema da honra:

A honra é o que os poderosos usam para convencer os tolos a se sacrificarem. (Aurra Sing, mestra de Bobba Fett, p.135)

Assim os Mandalorianos que antigamente eram uma raça de Coruscant, acabaram por se tornar uma tribo aberta a todos os guerreiros valorosos na qual todo aquele que se destaque em bravura poderia ter uma posição de destaque. Tor Vizla, em seu relato no Código dos Caçadores de Recompensa, afirma:

Lembre-se de que alguns dos maiores Mandalores nasceram e cresceram fora do nosso planeta natal. (p.149).

No entanto o relato de honra que Tor Vizla revela é, em verdade, contraditório. Durante as Guerras Clônicas, Mandalore preferiu uma posição neutra no conflito não se aliando nem a República nem aos Separatista. Mas o grupo liderado por Vizla, o Olho da Morte, praticava o terrorismo tanto contra às Força de Dookan (por vingança pessoal) como contra os Jedis (devido ao histórico de luta contra estes últimos). Vemos Tor Vizla recrutar o príncipe órfão, Lux, e empunhar um sabre negro, artefato Jedi em sua origem. Tudo isso é perceptível na série animada Clone Wars (2008), no episódio 14 da 4ª temporada do desenho.

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A ARMADURA
Logo nos primeiros momentos da série, nos deparamos com Mando resgatando sua recompensa e a importância do Beskar, que inicialmente se pensa ser um moeda, mas que se trata de um metal importante e raríssimo para confecção de sua armadura. Foi o Beskar que levou os Progenitores ao sistema Mandalore, pois estava presente em seus planetas e luas. O Beskar é extremamente forte, capaz de desviar de tiros de blaster até de parar lâminas de sabre de luz. Portanto é um item muito difícil de ser conseguido e quando Mando recebe uma placa provinda das forjas do Império, trata logo de confeccionar uma Bes’marbur (espaldar ou ombreira).

O guerreiro mandaloriano, desde os Sentinelas da Morte de Mandalore, o Unificador, tem total de liberdade  para personalizar sua armadura “adaptando-a, assim, às suas responsabilidades e ao seu estilo de luta” (p.141). Porém dois itens são os que mais chamam a atenção: o capacete e o jetpak. No Código do Caçador de Recompensas, Tor Vizla afirma que o buy’ce (barbute ou capacete, cujo designer homenageia a face dos Progenitores) é, “ao mesmo tempo, o símbolo dos Mando’ade e o item mais importante de qualquer conjunto” (p.142), mas não expõe a regra de nunca pode ser retirado na frente de outro ser vivo. Isso não deixa claro se todos os Mandolorianos seguiam essa regra. Se pensarmos no clã dos Fetts, Jango mostrou sua face a Obin Wan Kenobi, no entanto a face de Bobba, adulta, nunca fora revelada na trilogia clássica.

Se o capacete é rico em tecnologia de rastreamento e amplia a visão do mandaloriano a ponto de enxergar 360º, o jetpak é, simultaneamente, a última parte do traje, a arma definitiva e a última parte o treinamento. Essa mochila de voo permite atacar com rapidez e pode ser equipada com mísseis dos mais diversos tipos. É um recurso escasso: só tem autonomia de um minuto de combustível e arsenal de um míssil, pelo menos de acordo com sua versão mais clássica.

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BEBÊ YODA? / LEVE SPOILER!
Apesar do furor das redes sociais chamar a criança encontrada por Mando como “Bebê Yoda”, pouco se sabe sobre ela. Assim como Yoda, o maior Jedi de todos os tempos, a Criança (assim que iremos mencioná-la), parece não só se assemelhar fisicamente ao mestre de Luke Skywalker na aparência, mas também na longevidade e poderes. Essa espécie, desconhecida e rara, tem alta longevidade. Yoda, por exemplo, morreu aos 900 anos de idade em Dagobah, como nos mostra em O Retorno do Jedi (1983). Então a Criança, de 50 anos de idade, não se trata de Yoda ou sua reencarnação visto que a série se passa 5 anos após o Episódio VI e nesse mesmo longa vemos o velho mestre Jedi como fantasma da Força que ajuda Luke.

Quanto aos poderes da Criança, são mostrados aos poucos como telecinese (movimento de objetos com por meio da Força), repulsão de ataque, cura e até um estrangulamento da Força, técnica de Darth Vader. Mas no mais, nada que demonstre mais sobre sua identidade e origem. Nem Mando sabe como explicar tais poderes. Mas uma fato fica claro com relação aos Mandalorianos e os “bruxos” manipuladores da Força: a eterna desconfiança. O Código do Caçador de Recompensa, afirma, por meio de Tor Vizla:

Esses feiticeiros têm interferido nos nossos assuntos há milênios. Os antigos Jedi demoliram o império de Mandalore, o Supremo, e acabaram com nossos clãs na Ani’la Akaan, e seus descendentes supervisionaram a Aniquilação. […] Os Sith não são melhores, iludindo repetidamente os Mando’ade a servi-los como tropas de choque. (p.156)

Para finalizar, não é a primeira vez que vemos alguém da raça de Yoda. A mestre Yaddle, presente no Conselho Jedi durante o Episódio I – A Ameaça Fantasma, possuía 477 anos e estava a frente da Assembleia dos Bibliotecários no Templo Jedi. Era versada na técnica Morichro (um possível método de matar sem usar o lado sombrio da Força). Morreu em Mawan tentando levar a paz a uma guerra civil.

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ANÁLISE DA PRODUÇÃO
O que torna o enredo da primeira temporada de O Mandaloriano tão cativante é que ela não segue uma temática tão inovadora assim.A dinâmica reside em uma série de ingredientes clássicos como o assassino profissional que se relaciona com uma criança em seu trabalho. Se pensamos por esse lado, a série do Caçador de Recompensas segue de perto os passos de O Profissional (1994), filme de Luc Besson, que tem no assassino de aluguel Léon (Jean Reno) como protagonista. Ele se envolve com a filha de seu vizinho, uma garota de 12 anos, que quer vingança pela morte de seu pai, envolvido no tráfico de drogas.

No entanto a Criança (o bebê Yoda), por mais que tenha 50 anos, ainda é muito jovem para nutrir sentimentos de vingança (ao menos é o que parece) como no filme de Besson. Esta relação entre um homem solitário de uma criança abandonada, contudo, está no âmago de muitas histórias do imaginário ocidental, desde comédias Sessão da Tarde como Três Solteirões e um bebê (1987) e o filme de Adam Sandler, O Paizão (1999), por exemplo; passando por filmes de ação caricatos como Mandando bala (2007) ou séries como atual Hanna da Amazon. Isso só para citar alguns exemplos.

Ao revisitar o tema “assassino/adulto anti-herói que adota uma criança”, o produtor Jon Favreau o reveste da mítica por trás dos Caçadores de Recompensa, tão pouco explorados nos filmes, apesar de serem tão fundamentais na história da trilogia prequela (pré-sequência) como para trilogia clássica. Isso se soma ao fato de abarcar um período de tempo pouco abordado: o que acontecera à Galáxia após Luke Skywalker vencer o Imperador Palpatine.

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Outro ponto impactante é justamente a trilha sonora. Sabemos que os filmes tem o toque magistral de John Williams, responsável por clássicos da franquia como, por exemplo, a The Imperial March de O Império Contra-Ataca (1980). Longe de mim, a Força não me perdoaria, de comparar o trabalho desse mestre como de Ludwig Göransson, porém a trilha de O Mandaloriano consegue manter o tom épico da franquia, em um estilo clássico e retrô, principalmente na música tema.

Ainda mantendo os ares clássico da trilogia, ao final de cada episódio os créditos mostram a arte conceitual que inspirou o episódio. Para um fã Star Wars é a oportunidade de ver como a produção acabou tornando realidade uma ilustração e claro fazer comparações entre aquilo que foi idealizado e o que foi concretizado. Cada ilustração nos lembra cartazes de filme antigo ou os desenhos repletos de cor de Frank Frazetta, mestre de ilustração sci-fi.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Pedro Pascal, Gina Carano, Giancarlo Esposito, Carl Weathers, Taika Waititi, Nick Nolte, Emily Swallow, Omid Abtahi, Werner Herzog, Bill Burr, Mark Boone Jr., Ming-Na Wen, Natalia Tena, Ismael Cruz Cordova e Julia Jones compõem o elenco. Jon Favreau atuou como roteirista, criador, showrunner e, foi o produtor executivo junto de Dave Filoni, Kathleen Kennedy e Colin Wilson. O Mandaloriano (The Mandalorian), é uma série norte-amaericana lançada em 2019 baseada na franquia Star Wars, originalmente criada por George Lucas. Ao total são 8 episódios nesta primeira temporada, e o conteúdo está disponível pelo serviço por assinatura, ainda não disponível no Brasil até a conclusão desta resenha, Disney+.

CONCLUSÃO: O Caminho
A todo momento da série, a filosofia mandaloriana repete a seguinte frase “como deve ser”, na tradução para nossa língua. Gosto do original: The Way (O Caminho). O caminho da série (com letra minúscula) parece ser promissor. Há muitas referências ao mundo Star Wars sem atrapalhar a imersão daqueles que poucos sabem sobre a franquia. O público comum suspirará e sorrirá com cada cena da Criança (Bebê Yoda), mas o fã conseguirá rir de uma piada sobre Gungas, droides de Taooine ou o gosto alimentício peculiar dos Jawas, catadores de ferro-velho. Nesse ponto a produção da Disney é super fiel ao que de melhor foi feito na trilogia clássica: de locações a interpretações.

Quanto à atuação, uma especial menção a Pedro Pascal (Narcos), que está muito à vontade no papel de Mando, Nick Nolte como um fazendeiro ugnaught e a surpresa: Gina Carano, lutadora de MMA que convence no papel de uma ex-Soldado de choque rebelde.

Já no enredo, o Caminho de Mando se revela atípico. Não é só sobre honra, sobre alcançar seu lugar de respeito na Galáxia. O “Enjeitado”, órfão, que se tornou Caçador de Recompensas terá que rever seu código moral e a todo momento, sua verdades serão postas à prova. Parece que o mundo não é somente o bem e o mal. Há uma linha tênue entre essas duas fronteiras. Tais certezas serão abaladas com a chegada da Criança que deverá ser abandonada ou reconduzida às suas origens. É nesse processo que Din Djarin (o Mandaloriano), nesse Caminho, que encontrará sua própria transformação. O série vale a recompensa por assistir e aguardamos com ansiedade a próxima temporada. Fiquem fortes, por Mandalore!

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HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS (CRÍTICA)

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Situado 9 anos depois da ascensão do Império Galáctico (A Vingança dos Sith, 2005) e 10 anos antes da Batalha de Yavin, na qual a Estrela da Morte é destruída (Uma Nova Esperança, 1977), Han Solo: Um história Star Wars (2018) encara a tarefa de traçar as origens do famoso contrabandista e piloto da Millennium Falcon que foi eternizado pelo ator Harrison Ford na trilogia original.

Han, um órfão que cresceu pelas ruas de Corellia, vê-se obrigado a trabalhar para as gangues locais em companhia de seu amor de infância, Qi’ra. De posse do valioso coaxium, combustível espacial que quando refinado torna possível o salto no hiperespaço, o rapaz pretende subornar, enganar a tudo e a todos para fugir do planeta (sob domínio do Império e das máfias) para começar uma vida nova com Qi’ra. No entanto o destino os separa levando a caminhos diferentes: ele ingressa no Império, ela é presa pela máfia de Corellia.

Han Solo almeja voltar e resgatar sua amada, mas a sua jornada exigirá muita coragem e astúcia até reencontrar Qi’ra. Formará amizades eternas, como a de Chewbacca, e a rivalidade com Lando Calrissian, além de encontrar e pilotar pela primeira vez a Millennium Falcon. Han descobrirá que não pode ficar alheio à injustiça na Galáxia e a medida que foge das responsabilidades, mais perto estará de se opor ao Império Galáctico.

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Título original: Solo: A Star Wars Story
Direção: Ron Howard
Roteiro: Jonathan Kasdan e Lawrence Kasdan
Duração: 2h 15min
Lançamento: 24 de maio de 2018

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Elenco: Alden Ehrenreich (Han Solo), Woody Harrelson (Tobias Beckett), Emilia Clarke (Qi’Ra), Donald Glover (Lando Calrissian), Thandie Newton (Val), Phoebe Waller-Ponte (L3-37), Joonas Suotamo (Chewbacca) e Paul Bettany (Dryden Vos).

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SOLO UMA ORIGEM
Qualquer fã fervoroso da franquia ficou apreensivo com um filme sobre Han Solo, o personagem mais célebre de Star Wars que não é nem jedi nem sith. Aliás é o primeiro filme em que os jedis não são sequer mencionados.

A fenomenal atuação de Harrison Ford na trilogia inicial é um daqueles bastiões da sétima arte quase impossíveis de ultrapassar ou manchar. O próprio Ford sabia disso e, mesmo adorando o novo filme, escolheu não participar da premiere com o resto do elenco a fim de deixar o jovem Han Solo, Alden Ehrenreich, brilhar. Então, ao se aventurar por este longa-metragem, encare como duas atuações diferentes, mas que o jovem Solo introduz a genialidade daquele que será essencial para a vitória Rebelde ao lado de Luke e Leia.

Como um filme de origem, o longa propõe elucidar uma série de fatos em torno da dupla Han Solo e Chewbacca que são aludidos a todo momento nos episódios IV a VI da franquia. Se o contrabandista tem muito de seu passado demonstrado nesse filme, mostrando uma infância e adolescência entre meninos de rua de Corellia, fato que o tornou um trapaceiro nato; o wookie (nome da raça do Chewie) já havia aparecido na saga. Durante A Vingança dos sith (2005) estava na frente de batalha contra a invasão clônica de Kashyyyk. Depois que Chewbacca ajuda o Grande Mestre Yoda a fugir, depois da ordem 66, pouca se sabe do grandalhão peludo.

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Após fugir de Corellia, deixando sua amada nas garras de Lady Proxima, mafiosa local, Han Solo (que ganha esse nome de um oficial do Império pelo fato de ser “sozinho” e sem família) entra para academia militar para ser “o melhor piloto que já existiu”. Todavia é expulso por insubordinação e torna-se soldado da infantaria do Império em Mimbam. É no fronte, entre os Stormtroopers que Han conhecerá o bando de Tobias Beckett e na prisão militar, condenado a morrer pela “fera”, que lutará contra Chewbacca. Estão lançados aí os ingredientes básicos para a dupla Han e Chewie: ambos viram contrabandistas de Beckett para se salvar dos Imperiais, e Solo trava amizade com o wookie por ser o único a entender o idioma do grandalhão, pois aprendera enquanto vivia nas ruas de Corellia.

A última peça do quebra-cabeça é justamente a mitologia envolvendo a Millennium Falcon, prêmio de um jogo de cartas. Ao fracassarem em um roubo de coaxium, combustível espacial valiosíssimo, Beckett se vê me apuros pois deve a Dryden Vos, chefão da organização denominada Aurora Escarlate. Ao travar contato com o vilão, reencontra Qi’Ra, agora braço direito do mafioso. Para roubar o produto bruto, precisa ir as minas de Kessel e levar rapidamente a um refinaria no planeta Savareen. Para isso Qi’Ra sugere usar Lando Calrissian, contrabandista veterano e dono da Millennium Falcon, nave que ele já tinha conseguido por meio de trapaça durante uma partida de Sabacc, um jogo de cartas. Entre Han e Lando, rivalidade à primeira vista; com a Falcon, amor.

Por fim, não menos importante, conhecemos a famosa narrativa de Han Solo e Chewie para fuga de Kessel em 12 parsecs (uma rota de distância fixa dentro de uma nebulosa que leva normalmente 20 parsecs), algo que só foi possível por uma turbinada de coaxium com direto a fugir de uma fera espacial (Mandíbula) e um buraco negro. Uma das cenas mais eletrizantes do longa-metragem.

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REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS
A produção de Han Solo: Uma história Star Wars, ao longo da trama, presta homenagem a algumas cenas clássicas do cinema aqui revisitadas pela ficção científica. Claro que uma das mais icônicas é justamente o olhar de despedida de Han e Qi’ra que muito se deve ao filme Casablanca (1942). Isso me chamou a atenção de imediato, mas outras referências estão ali. Leia algumas!

  1. 121_06Perseguição de “carros”Não é uma grade novidade em filmes estadunidenses, mas aqui é feita por speeders (planadores), algo visto também no Episódio II – O ataque dos clones (2002). Contudo a rápida perseguição a Han por Moloch, capanga de Lay Proxima, teve como inspirações as enormes docas industriais de Long Beach (Califórnia) e a icônica corrida de carros em Grease (1978), grande clássico de John Travolta.
  2. 121_07Guerra de trincheiraAs cenas em que Han experimenta o combate Imperial em Mimvan foram inspiradas pela guerra de trincheiras na Primeira Guerra Mundial e muito comum em filmes que retratam esse período como, por exemplo, a releitura do longa-metragem da Mulher Maravilha (2017) ou o clássico Pelo Rei e Pela Pátria (1964).
  3. 121_08Serviço Secreto em Ação (1967) – Ao desmontar um rifle, transformar na blaster clássica e jogar para Han Solo, Tobias Beckett faz referência ao filme de Frank Sinatra. Nele, o ator clássico desmonta um rifle baseado em uma Mauser C96 (designer que influenciou a confecção do blaster de Han). Aliás, ainda em relação ao armamento,  a pistola de Qi’ra é inspirada ligeiramente em uma obscura pistola da Segunda Guerra Mundial, a Mannlicher M1905.
  4. 121_09Butch Cassidy (1969)O filme de George Roy Hill serviu de inspiração para o assalto ao trem de Vandor. No clássico filme, Butch Cassidy e The Sundance Kid são os líderes de um bando de criminosos que depois de um assalto a um trem que dá errado, eles se veem em fuga com uma legião de perseguidores em seu encalço.
  5. 121_11Faroeste nas estrelasVandor representa a viagem em direção à nova fronteira, tipicamente vista no gênero faroeste. As Montanhas Rochosas, Chile, Patagônia e Dolomitas na Itália serviram de inspiração para a paisagem gelada do planeta. Mas não para por aí. A sequência do roubo do trem foi concebida, inicialmente, como um clássico filmes western, com o bando de Beckett (que tem um visual de cowboy) entrando no trem por meio de uma manada de kod’yak’s. No entanto a cena foi suprimida por causa do tempo de execução. Claro, e não podemos deixar der ver a cena da partida de baralho com trapaça em um saloon. Ao contrário de Maverick (1994) com Mel Gibson,  em Han Solo o pôquer é substituído por uma partida de Sabacc, mas contexto é semelhante.
  6. 121_12Cinemataca São muitos os ganchos para outros sucessos de Hollywood que são referidos nesse longa-metragem. Filmes como Profissão: Ladrão (1981), Fogo Contra Fogo (1995), O Homem que Burlou a Máfia (1973), O Salário do Medo (1953), O Comboio do Medo (1977), Fuga do Passado (1947), Os Implacáveis (1972), Meu Ódio Será Sua Herança (1969), O Paraíso Infernal (1939), Sete Homens e um Destino (1960), O Poderoso Chefão II (1974) e O Tesouro da Sierra Madre (1948) tiveram influência da história e do estilo no roteiro final de Lawrence e Jonathan Kasdan.

CURIOSIDADES

  • 121_13Antes da Nova EsperançaA cena de abertura em Corellia e a de Rogue One: Uma História Star Wars (2016), na qual Krennic leva Galen Erso, engenheiro chefe da Estrela da Morte, acontecem 13 anos antes dos eventos de Star Wars, Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_14A idade de ChewbaccaEste é o primeiro filme Star Wars em que Chewbacca revela sua idade: 190 anos. Isso significa que ele tem 200 anos em Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_15Caçadores de recompensaHá muitas referências aos Caçadores de Recompensa clássicos. Em uma conversa com sua esposa Val, Tobias Beckett discute sobre a possibilidade da ajuda de profissionais como a irmãs Zan (a mais conhecida tentou matar Padmé Amigdala no Episódio II – O Ataque dos Clones, 2002) ou Bossk, mercenário tradoshiano (recorrente na série animada Clone Wars, 2008) bem como um dos bandidos que treze anos depois seria contratado para rastrear a Millennium Falcon e seu piloto em O Império Contra-Ataca (1980). Lando menciona, ainda, que Tobias Beckett matou Aurra Sing, empurrando-a para a morte. Cabe lembrar que Aurra Sing foi uma caçadora de recompensas que apareceu pela primeira vez assistindo à corrida de pods no Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999) e que se tornou a mestra de Jango Fett como apareceu na série animada Star Wars: The Clone Wars (2008).
  • 121_16Indiana JonesNa nave de Dryden Vos, há mostruários de exibição e, entre todos os tesouros, alguns que podem ser reconhecidos por outra franquia de filmes: “Indiana Jones”. Há as Pedras Sankara de Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984), o ídolo da fertilidade de  Os Caçadores da Arca Perdida (1981) e também o próprio Santo Graal. Existem, também, relíquias da franquia Star Wars como uma armadura mandaloriana, holocron sith, entre outras.
  • 121_17Jabba, o HuttPor duas vezes, é mencionado o fato de Han se juntar a um grande chefe do crime em Tatooine para “um trabalho”. Provavelmente esta é uma referência a Jabba, o Hutt, que perseguirá o herói em O Império Contra-Ataca (1980) e será morto em O Retorno do Jedi (1983).
  • 121_18No capacete de Enfys Nest, líder dos Cloud Riders, está escrito um poema em Aubesh (idioma introduzido em O Retorno do Jedi, ). Sua tradução: “Até chegarmos à última borda, a última abertura, a última estrela, e não pode subir mais”.
  • 121_19BenthicOs Rebeldes que aparecem no final do filme incluem um guerreiro alienígena com uma máscara preta no rosto e dois tubos saindo de seu rosto. Este é Benthic, o segundo em comando de Saw Gerrera em Rogue One: Uma História Star Wars (2016). O personagem também apareceu em alguns quadrinhos após os eventos de Rogue One como tendo ocupado o lugar de líder Rebelde em Jedha e termina conhecendo os principais heróis trilogia clássica.

CONCLUSÃO: “Tudo que você ouviu sobre mim é verdade”
Apesar dos problemas de produção e troca de diretores, apesar da tensão e audácia de revirar e revelar a vida de um dos personagens mais amados do mundo Star Wars, Han Solo: Uma história Star Wars acaba sendo uma agradável surpresa.

O fato do filme não estar alicerçado, diretamente, na tensão mítica entre os Lado da Luz e o Lado Negro da Força, faz com que a história transcreva de forma leve, cheia de ação e com boa tiradas de humor. Não podemos comparar o humor irônico de Harrison Ford com o do jovem fã Alden Ehrenreich. O jovem Han Solo consegue preservar a nossa memória do herói da trilogia clássica, sem deixar de ter uma boa pitada de inovação.

Considero, desde que a Disney assumiu a franquia, um dos melhores filmes da nova fase perdendo apenas para Rogue One: Uma história Star Wars (2016). Claro que não podemos abstrair fato de que o filme em si é uma grande colcha de retalhos cinematográficos com muitas referências a história do cinema. No entanto isso não tira o mérito de modificar o nosso olhar e contextualizar as gerações atuais para um dos heróis mais queridos de Star Wars.

Para quem gosta da franquia, esse spin-off (produção derivada) não deixa a desejar no sentido que se conecta em muitos sentidos a toda mitologia “Guerra nas Estrelas” desde mostrar origens em torno de Han Solo e Chewie, como conectar a trilogia prequela (Episódios I, II e III) à trilogia clássica (IV, V e VI). Agora se você não é um fã, assistirá a esse longa como um bom filme de ação futurística e quem sabe até seja conquistado. Tudo vai depender SOLAmente de você, se vai querer conhecer ou não o maior piloto da galáxia e que fez o percurso de Kessel em apenas 12 parsecs.

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O DOUTRINADOR (CRÍTICA)

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SINOPSE
Miguel é um agente federal de altíssimo nível da D.A.E. (Divisão Armada Especial), perito em artes marciais, no uso avançado de armas de fogo, e no manuseio de explosivos. Após passar por trauma brutal, incorrigível e imperdoável, a única coisa que ele quer agora, é consumar sua vingança. Os verdadeiros criminosos não vagam a pé pelas ruas, eles estão em carros blindados, fortificados edifícios e sofisticados palacetes. São justamente aqueles que deveriam prezar pela segurança, educação e saúde da população. Homens quais depositamos nossa soada contribuição e confiança para quando precisarmos, sermos minimamente bem atendidos. O que na vez em que Miguel mais precisou, não aconteceu. Inicialmente ele tem um nome, Sandro Corrêa, apenas o primeiro de muitos alvos entre a infinidade de políticos corruptos da sua lista, que provariam da sua fúria!

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COMENTÁRIOS
Se baseando na série de quadrinhos brasileira criada por Luciano Cunha, O Doutrinador, filme de 2018, traz uma visão pessimista porém acertadamente realista do sistema social e político do Brasil. Eu admito não saber ao menos da existência do HQ até ter assistido esta adaptação, então não me cabe ser leviano em querer entrar nos méritos comparativos das duas obras. Ficarei apenas com minhas impressões isoladas do longa metragem, afinal, este também originou uma série para TV, que também é o caso de eu não ter consumido ainda. Então vamos lá! Direto e surpreendente! Fiquei fascinado com a fluidez que o roteiro anda para contar, da forma mais didática possível, esse complexo e imoral mecanismo de corrupção em que vivemos. Claro, uma pirâmide de poder verdadeira seria ainda mais larga na base, mas parar figurar a sordidez, fez mais do que o necessário. O realismo do personagem principal é fascinante, e segue a mesma receita de heróis consagrados como Justiceiro ou Demolidor da Marvel, considerando especificamente as versões mais humanizadas da Netflix.

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Suas lutas são convincentes e bem coreografadas, as locações ilustram bem uma paisagem urbana, quase sempre noturna, do Rio de Janeiro, e o linguajar debochado, bem característico da vilânia ascendente da malandragem destes cantos, está lá. A produção faz um bom proveito com as condições que tem, mostrando tomadas aéreas com uso de drones, e valorizando os efeitos práticos. Em se tratando de efeitos especiais só algo me incomodou, e preciso enfatizar, desagradou muito! Uma certa explosão, que não preciso nem falar para quem já assistiu o filme (principalmente porque seria um puta spoiler!), mas que foi feita com uso de computação gráfica numa imperícia brutal! Acredite, Sharknado apresenta efeitos melhores! Mas enfim, esse é um fato bem isolado, e que é possível com boa vontade deixar passar.

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Recapitulando, a parte sonora eu não achei das melhores. Não é algo que chega a incomodar, mas a sensação que eu tive era de estar assistindo algo dublado por cima de um original. O que não faz sentido, uma vez que é um filme brasileiro gravado integralmente no português daqui. Então o que fez o áudio ficar tão estranho assim? Para mim é um mistério! Por outro lado, tanto as composições originais, quanto a seleção da trilha sonora, foi de muito bom gosto e perfeitamente compatível com a intenção do filme. Se tratando das atuações, eu não vi nada além da tradicional interpretação padrão Rede Globo de novelas, o que não é de todo algo ruim. Saldo final: fiquei bastante satisfeito com o filme. Excedeu minhas expectativas! Recomendado pra quem curte filmes de ação um pouco mais realistas.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Kiko Pissolato, Tainá Medina, Samuel de Assis, Nicolas Trevijano, Eucir de Souza, Marília Gabriela, Eduardo Moscovis, Carlos Betão, Eduardo Chagas, Natália Lage, Tuca Andrada, Natallia Rodrigues, Helena Ranaldi, Lucy Ramos e Helena Luz compõem o elenco. O Doutrinador é um filme brasileiro de 2018 dirigido por Gustavo Bonafé e codirigido por Fabio Mendonça, que se baseia na série de HQ homônima criada por Luciano Cunha. A adaptação é realizada por Gabriel Wainer, que também assina os roteiros com a colaboração de Luciano Cunha, L.G. Bayão, Rodrigo Lages e Guilherme Siman. Com produção de Sandi Adamiu, Marcio Fraccaroli e Bruno Wainer, também é coproduzido por Universo Guará, Paris Entretenimento, Downtown Filmes e o canal Space.

CONCLUSÃO
Adaptado do quadrinho homônimo, O Doutrinador é um filme de ação que retrata a saga de um agente de polícia que perde aquilo que ele mais amava, e consumido pelo ódio, decide iniciar sozinho uma guerra contra um sistema de administração pública contaminado pela corrupção. A princípio isso soa muito parecido com milhares de filmes, e até mesmo com o plot inicial do personagem Justiceiro da Marvel, mas isso é só o plano de fundo, O Doutrinador é uma criação com personalidade suficiente para andar com as próprias pernas. Classificado como recomendado para maiores de 16 anos, não se engane, este é um filme realmente direcionado para o público adulto. Quando for curtir, tire as crianças da sala, porque a brutalidade e sanguinolência ocupa bastante espaço aqui. Bom filme para você!

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BHAVESH JOSHI SUPERHERO (CRÍTICA)

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SINOPSE
Três jovens amigos, Bhavesh, Siku e Rajat, não se conformam com os problemas gravíssimos da cidade onde vivem. Estão sempre participando de levantes contra a administração pública, e protestam contra a corrupção institucionalizada. Mas eles não param por aí, seja vindo do governo ou mesmo do cidadão comum, não importa, se são atitudes erradas, então elas precisam ser repreendidas. E para engajar ainda mais apoio da população, dois deles, Bhavesh e Siku, os mais empenhados pela causa, decidem criar um canal no Youtube, no qual divulgariam o flagrante das irregularidades encontradas. Perseguem todo tipo de infração que prejudique a comunidade, e compartilham de forma didática para que qualquer um possa entender. Porém as coisas vão tomando proporções cada vez mais extremas,  fazendo com que um enorme desastre sirva de inspiração para o surgimento de um implacável justiceiro.

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COMENTÁRIOS
Desperdício, é com essa palavra que inicio o comentário de Bhavesh Joshi Superhero, produção indiana de 2018. Não completamente decepcionado, mas ainda assim um pouco frustrado, prossigo. Sabe aquela satisfação crescente de ver um filme progredir a passos largos, com uma aura ambiciosa, e que se arquiteta para um desfecho épico? Então, é exatamente a sensação que tive. Um filme de enorme potencial, mas que acaba sendo sabotado por um roteiro problemático. Está certo que a referência ao heroísmo vem desde o título, no entanto no seu desenrolar, ao menos da primeira metade, envereda muito por um lado ativista contra o sistema. E não é que ele não busque isso, mas a expectativa com esta combinação, é de estarmos prestes a ver o nascimento de um V de Vingança (2005) indiano. Só que sse personagem que projetamos nunca acontece, e diferente de um idealista politizado com um rico background, o que nasce é uma rasa variação de Batman. Pensando bem, acho que nem isso, o homem-morcego tem grana e infinitos recursos, Siku está bem mais para um Demolidor. E o clichê todo está lá, um cara revoltado em busca de justiça, um esconderijo, um veículo descolado, e seu treinamento por um professor de artes marciais da periferia. Só há um problema, esse personagem não se constrói de forma convincente no decorrer do longa. A causa que ele abraça não era realmente dele, e essa transferência de valor é o maior pecado do roteiro. Este ainda assim é um bom filme, mas que teve seu ritmo muito prejudicado de forma incompreensível. A sensação que fica é dos seus três roteirista não terem se entendido. Sei lá, talvez cada um tenha ficado com 1/3 do trabalho, gerando esse saldo final aí, a projeção de uma intenção que resulta em algo completamente inesperado. E de forma negativa, é claro.

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Visualmente tudo é espetacular, a produção foi muito feliz em seu design e conceito. Fotografia de bom gosto com um certo tom de granulação, trilha sonora excelente, e uma estética geral bastante interessante. Suas atuações são apenas boas, não há ninguém que cause desequilíbrio ou se destaque mais. Uma das coisas mais chamativas é sua qualidade nas cenas de ação, sempre com vigor e realismo nas lutas, perseguições muito bem orquestradas, e tudo feito com a máxima valorização dos efeitos práticos, algo que na minha opinião é sempre digno de aplausos. Infelizmente o filme falha terrivelmente em sua montagem de script, tendo picos de adrenalina muito bons, mas com quedas abruptas e bastante acentuadas. Faltaram umas boas revisadas em seu roteiro, e era só isso que precisava ser feito para termos um filme de ação indiano digno de exportação.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Harshvardhan Kapoor, Priyanshu Painyuli, Ashish Verma, Shreiyah Sabharwal, Pratap Phad, Pabitra Rabha, Chinmay Mandlekar, Nishikant Kamat, Hrishikesh Joshi, Arjun Kapoor, Shibani Dandekar e Anusha Dandekar compõem o elenco. Dirigido por Vikramaditya Motwane, Bhavesh Joshi Superhero é uma produção indiana de 2018 escrita pelo próprio Motwane em parceria com Anurag Kashyap e Abhay Koranne. A produção é da Eros International e Reliance Entertainment, com os produtores independentes Vikas Bahl, Madhu Mantena e Anurag Kashyap. O selo final de produção é da Phantom Films, e sua distribuição é da Reliance Entertainment com a Eros International.

CONCLUSÃO
Ensaiando ser um filme de super herói mais profundo do que a média, Bhavesh Joshi Superhero é um filme agradável mas que careceu de um roteiro melhor organizado. Ficamos na expectativa de um personagem revolucionário que percorreria a pirâmide da corrupção de forma astuta e não convencional, mas que no fim das contas é apenas mais um justiceiro como muitos outros. Repito, isso não faz deste um produto ruim, mas tinha potencial de ser algo verdadeiramente grandioso. É uma pena, foi uma ideia muito boa que acabou sendo desperdiçada. Com classificação etária de 14 anos, Bhavesh Joshi Superhero está disponível atualmente no catálogo da Netflix.

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PERDIDOS NO ESPAÇO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A bordo da Jupiter 2, uma das naves da Frota Jupiter, a Família Robinson acidentalmente entra na rota de uma fenda espaço-temporal, indo parar nas proximidades de planeta completamente desconhecido. Aquela situação faz com que todos tenham de trabalhar em conjunto, já que o ambiente daquele lugar era uma total incógnita. John, o pai da família, é um ex-fuzileiro experiente, e sua esposa Maureen, uma engenheira aeroespacial de altíssimo nível. A decisão pela expedição partiu dela, visto que a Terra de 2046 estava em vias de um colapso por causa da superpopulação. Não havia outra forma, o planeta precisava ser evacuado. E na iniciativa de preservar sua família, decretou que era momento de partir na busca de um novo lar. Judy, a filha mais velha, Penny, a do meio, e Will, o mais novo, somavam a equipe, e também possuíam cada um suas especializações para cooperar nessa perigosa jornada pelo espaço.

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COMENTÁRIOS
Perdidos no Espaço (Lost in Space), é um remake de uma série homônima para televisão de 1965, que embora tivesse grande prestígio na época, precisou ser finalizada devido a CBS estar bastante endividada com prejuízos de outras produções mal sucedidas. E trinta anos depois, em 1998, numa comemoração atrasada em um ano, no qual a nave Jupiter 2 seria lançada na obra original, foi entregue um bem sucedido longa metragem, também de mesmo nome. A franquia Perdidos no Espaço desde o início arrecada um grande número de fiéis fãs, e havia tempo que esperavam por um retorno da Família Robinson. Tardou um pouco, porém em maio de 2018, a Netflix entregou com bastante orgulho, e com bons motivos, o presente aos saudosistas do clássico.

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Atualizando a versão original, nova versão traz um roteiro coerente muito bem fechado, sendo tudo bem aproveitado pela direção, que consegue excelentes resultados nas cenas de ação com efeitos práticos combinados com as edições em computação gráfica. O elenco trabalha bem e está bem sincronizado por todos os episódios (ao menos da primeira temporada), possuindo vilões convincentes e bem inspirados. Na parte artística, temos uma fotografia de tirar o fôlego, mostrando um planeta com ambientes diversificados e tomadas de panoramas deslumbrantes. A música tema é do indiscutível gênio John Williams, e o restante da trilha original é de ninguém menos que Christopher Lennertz, genial compositor apadrinhado por magos como Michael Kamen e Basil Poledouris.

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NOTAS BAIXAS DA CRÍTICA
Para todo tipo de arte existem os ‘curadores’, que são críticos formados na sua especialidade, ou mesmo autodenominados. E essa nova versão de Perdidos no Espaço parece não ter agrado tanto essa exigente audiência. Não costumo comentar opiniões de terceiros, mas achei relevante falar que considero bastante injusta as notas que a série recebeu de sites como Rotten Tomatoes, que aprovou com 68%, ou do Metacritic, que pontuou como 58 de 100. Esta é uma produção como poucas, onde reúne um bom conteúdo original, roteiro, direção e elenco. Uma série que tem sim suas falhas, mas que jamais mereceria receber uma nota abaixo dos 75 em 100. Não digo essas coisas por ser um fã saudosista ou coisa do tipo, eu conhecia sim a série original através de comentários de amigos mais velhos e familiares, ou seja, não sou tiete de nada para ter sido contaminado por qualquer tipo de hype e agora ter uma opinião exageradamente favorável.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Toby Stephens, Molly Parker, Ignacio Serricchio, Taylor Russell, Mina Sundwall, Maxwell Jenkins e Parker Posey compõem o elenco. Perdidos no Espaço foi criado por Irwin Allen, premiado autor, diretor e produtor, também responsável por O Mundo Perdido (The Lost World, de 1960), Viagem ao Fundo do Mar (Voyage to the Bottom of the Sea, de 1961), e muitas outras obras. A série norte americana conta com uma temporada de dez episódios até agora, sendo que a segunda acabou de ter as gravações finalizadas. Portanto é esperarmos um pouco mais para termos disponíveis novos episódios.

CONCLUSÃO
Perdidos no Espaço é uma série de ficção científica e aventura que aborda os problemas da Família Robinson em sobreviver num planeta desconhecido e cheio de surpresas. Envolvente e cheio de aventura, é uma produção de altíssima qualidade, que pode ser vista sem problema algum com toda a família reunida. Uma obra inteligente que prova que a Netflix tem capacidade de entregar algo muito bom quando tem os produtores certos envolvidos. Como dito no decorrer da resenha, eu conhecia a série original, mas nunca fui um exatamente um fã, mas essa produção de 2018 me fez virar um! Ponto para a Netflix! Série recomendadíssima!

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UM SEQUESTRADOR APAIXONADO (CRÍTICA)

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Sua mãe sempre dizia: “Filho, dinheiro não é tudo.”
E ele só respondia: “Mãe, dinheiro realmente é tudo. Pergunte a quem não tem, e observe quem tem!”
Essa era a lógica e senso moral de Teefa, um bad boy boa pinta que consegue feitos improváveis e atende pequenos favores da Família Butt em troca de alguns trocados.

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PLOT COM SPOILERS NÃO COMPROMETEDORES!
Sr. Butt era um homem envolvido com a política local ao mesmo tempo que um mafioso temido em sua comunidade. Billu Butt, seu único filho, era prometido à filha de seu melhor amigo da juventude, Bonzo, um influente empresário que foi morar na Polônia. As coisas não estavam indo conforme o combinado entre os dois, Bonzo tinha outros planos para Anya, e pretendia casá-la com Bilaal, filho de Bajwa, num matrimônio comercial que beneficiaria financeiramente as duas famílias. Isso faz o céu vir ao chão! Butt fica indignado por aquilo que julgou ser uma traição do amigo e, fará o possível e o impossível para sabotar aquele casamento! A guerra entre as duas famílias é travada, e Bonzo é desafiado por Butt a casar sua filha com outro homem. Muitos chutes e socos são deferidos em meio aos insultos verbais, e veja bem, tudo por videoconferência!

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Billu está inconformado e acaba puxando arma para a própria cabeça. Seus pais não sabem como acalmá-lo, quando coincidentemente Teefa entra pela porta! Billu Butt era seu amigo de infância, e embora meio idiota, ainda assim tinha o afeto de Teefa como de um irmão. Então Sr. Butt faz uma proposta ao rapaz, queria o sequestro da filha de Bonzo, e que Anya fosse trazida ao Paquistão com a finalidade de casá-la com seu filho! Um milhão de Rúpias de recompensa por ir até a Polônia trazer Anya para Billu! Teefa aceita, afinal, aquela era uma boa grana. Sendo assim o rapaz se mete num avião e ruma à Europa, onde Tony, seu amigo também paquistanês, estaria esperando para servir de guia pela cidade.

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Não demora muito e os dois começam a traçar o plano de como consumariam o rapto, e assim como James Bond, Teefa prontamente entra em ação se infiltrando em meio ao dia de preparações para o casamento. Encontra a bela Anya, que estranhamente parece colaborar com a ideia do sequestro. A jovem também tinha seus próprios planos de fuga da própria cerimônia, e acreditava que Teefa era o contratado para simular seu sequestro. E aí meu camarada, quase após uma hora de filme, e veja bem, nada cansativo, é que o o espetáculo começa pra valer!

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MINHAS IMPRESSÕES
Temos ação com perseguições, dramas novelescos, comédia, dramas existenciais, romance, humor negro, musicais, artes marciais, e até suspense em mergulhos no subconsciente. Um Sequestrador Apaixonado é um filme completo, qual tudo que se propõe fazer, faz com excelência. A química entre Ali Zafar e Maya Ali é algo fora de série. A expressividade de ambos atores faz com que tudo flua com uma naturalidade  e energia como não se vê comumente no cinema. Aliás, desde simples diálogos cômicos a discursos com altas cargas emocionais, os dois conseguem transpassar uma veracidade incrível. Seu plano de fundo se coloca como um romance, no entanto quando o gênero é pincelado, nada é feito de forma melosa ou cafona, o bom humor está sempre lá e geralmente os quadros são invadidos abruptamente pela ação desenfreada.

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Contar sobre esse filme é algo complicado, fica parecendo apenas pura rasgação de seda, mas acredite, não é sem motivo. É o tipo de obra que merece nota separada para cada gênero que aborda, e se eu o fizesse daria dez para tudo! Uma produção de 155 minutos com um roteiro impecável que respira e inspira o tempo de cada arco, e não desanda em momento algum. Traz uma fotografia deslumbrante e uma ambientação estupenda, de belíssima iluminação e vividez. As cenas de ação são de altíssima qualidade em suas coreografias, mostrando vigor, agilidade, e de forma que tudo é plenamente compreensível. Essa era uma produção que eu não imaginava ao menos existir no catálogo da Netflix e, quando encontrei não esperava grande coisa, principalmente pelo título nacional nada atrativo, mas acabou se tornando o meu filme paquistanês preferido. E que fique claro, aqui não terá piadinhas com Butt, Billu e Bilaal.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Ali Zafar, Maya Ali, Faisal Oureshi, Mahenur Haider, Jawed Sheikh, Sofia Khan, Mehmood Aslam, Asma Abbas, Marhoom Ahmad Bilal, Nayyar Ejaz, Simi Raheal, Tom Coulson, Mehboob Shah, Salman Bokhari e Moiz Kazmi. Jawad Bashir e Ranveer Singh são convidados especiais. A direção fica por conta de Ahsan Rahim, e a produção é de Ali Zafar, o ator principal. O filme foi escrito e roterizado por Ali Zafar, Ahsan Rahim e Danyal Zafar, e todas as narrações são feitas pelo próprio Ali Zafar, que aliás, também canta as músicas da obra. É cara, o maluco tomou pra si a responsabilidade de quase tudo e ainda tirou onda.

CONCLUSÃO
Esse é aquele filmaço que você pode reunir a família inteira no sofá da sala, encomendar uma pizza, e tomar uns goró para desfrutar sem medo de se decepcionar. Tem de tudo um pouco, comédia, drama, romance, musical, suspense, e claro, muita ação e pancadaria num ritmo frenético que vai te deixar de boca aberta. Obra deslumbrante que te leva as sensações mais variadas. E se você não leu o restante do artigo para entender os motivos de eu estar rasgando tanta seda, então eu sinto muito por não estar entendendo. Você tem duas opções, voltar e ler, ou fazer melhor, caçar logo o filme pra assistir e depois voltar aqui me dizer o que achou. Ele está disponível nos porões dos filmes estrangeiros da Netflix. Recomendadaço!!! Essa palavra existe?!

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