SWORD ART ONLINE – ANIME (CRÍTICA)

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SINOPSE
111_01Em 2022 uma tecnologia que permitia entrar em mundos de realidade virtual realistas e detalhados se tornava febre entre os jovens e adultos japoneses. A novidade se chamava NerveGear, e consistia em um capacete que estimulava os cinco sentidos dos usuários, permitindo que eles conseguissem total imersão e controle de seus avatares. Akihiko Kayaba era o nome por trás da genial invenção, e quem também oferecia o Sword Art Online, um jogo de realidade virtual do tipo VRMMORPG, sigla para Virtual Reality Massively Multiplayer Online Role-Playing Game. Seu lançamento se daria no fatídico dia 6 de novembro de 2022, quando 10 mil jogadores entraram pela primeira vez em seus servidores, e para surpresa de todos, descobriram-se incapazes de deslogar. Kayaba então aparece informando para todos, que se desejassem a sessão, teriam de vencer todos os 100 andares de Aincrad, um castelo vertical de aço no cenário de Sword Art Online. E aqueles que fossem mortos na partida, ou que tentassem remover forçosamente o NervoGear, também seriam mortos na vida real. São nessas condições que sobressai Kirigaya “Kirito” Kazuto, um dos mil jogadores da versão beta e, profundo conhecedor dos ambientes e mecânicas de Sword Art Online. Kirito está convicto de poder vencer aquele desafio, aproveitando ter descoberto a identidade de Kayaba, para depois de sair, ir até ele e conseguir libertar todos os ainda presos no jogo. Em sua jornada ele enfrentará todo tipo de obstáculo, mas também fará amigos leais que lhe darão todo o suporte nesta fantástica aventura de vida ou morte.

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COMENTÁRIOS
Sword Art Online (ソードアート・オンライン) é o primeiro arco de uma franquia que já gerou dezenas de produtos relacionados, mas trataremos aqui especificamente o primeiro anime lançado no fim de 2012. De qualquer forma é importante saber que, como praticamente todos os animes existentes, este também é derivado de um mangá. A mente por trás deste incrível trabalho é Reki Kawahara, escritor japonês de light novels, e também autor de Accel World, uma outra obra de temática parecida. Para Sword Art Online, que vamos abreviar como SAO, Kawahara se inspirou principalmente no MMORPG coreano Ragnarök Online de 2002. E como eu sei disso? Eu abneguei por quase uma década de vida social em prol desta m… Enfim, eu joguei bastante e afirmo com toda convicção do mundo que todos os elementos de Ragnarök Online estão inseridos em SAO. O que não faz nem de perto isso ser um problema, já que o conceito traz quase infinitas possibilidades para se gerar conteúdo. E não é a toa que a franquia hoje tem cinco arcos de animes (com mais um já agendado para 2020), um longa metragem, uma infinidade de light novels, uns dez jogos para videogames, e óbvio, um número sem fim de mangás.

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Partindo da premissa do herói que toma para si a responsabilidade por todos, SAO segue bem uma grande lista de clichês clássicos do gênero seinen. Mas bem diferente da maioria das obras do estilo, ele valoriza muito o seu lado dramático e filosófico. Hoje a sociedade se vê cada vez mais dependente da tecnologia e sofre em se desconectar dessas vias inimagináveis de fios que ligam o mundo. Tudo é muito rápido, nossa forma de fazer vínculos e nos inserirmos em sociedades, acontecem num estalo. Então não é tão difícil entender, mesmo para você que talvez não faça ideia do que raios é um MMORPG. Mas entenda algo, assim como é natural e compreensível a socialização numa fila ou mesa de bar, o mesmo pode ser feito através do telefone. E então porque desconsiderar o mesmo em um jogo no qual você compartilha uma lista sem fim de tarefas, enquanto se diverte e interage verbalmente com novas pessoas? Acredito que explicando assim se torna inevitável entender a facilidade que é formar vínculo em alta velocidade com uma pessoa do outro lado do globo. E SAO se trata muito mais dessa relação entre pessoas, do que avançar pelos andares de uma torre para alcançar a vitória. No entando não se engane, não é porque atrás de uma aventura repleta de drama, que a coisa toda é arrastada e cansativa. Suas cenas de ação são muito empolgantes, existem alívios cômicos continuamente, o fan service está lá, e conforme vamos nos aproximando do fim do arco, uma clima épico vai aflorando para nos fazer entristecer por saber que a temporada irá acabar. Mas fique tranquilo, como dito antes, o que não falta é conteúdo para curtir na sequência.

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Título Original: Sword Art Online (ソードアート・オンライン)
Gêneros: Seinen, fantasia, ficção científica, drama e romance.
Total de Episódios: 25
Período no Ar: 08/07/2012 até 23/12/2012 (Japão)
Criador: Reki Kawahara
Direção: Itou Tomohiko
Designer de Personagens: Adachi Shingo
Direção de Animação: Adachi Shingo e Kawakami Tetsuya
Trilha Sonora: Kajiura Yuki
Estúdio: A-1 Pictures

CONCLUSÃO (COM DICA DE AMIGO)
Se você já é um fã de animes e procura assistir de tudo, então não perca tempo e vai logo lá conferir Sword Art Online se ainda não o fez. Mas se você já não é um otaku de carteirinha, então está aí uma excelente oportunidade de se inserir nesse universo cheio de boas histórias par contar. Relaxa, você estará seguro podendo sair quando bem entender, e isso sem precisar maratonar tudo de uma só vez para sair vivo. Porém deixo uma recomendação de saúde (mental) pública, fique distante dos MMORPG’s de verdade! Você não faz ideia do que é mergulhar em um jogo por dezenas de horas diárias as vezes, achar que está tudo bem, e quando se dá conta, ter pedido anos e anos em algo que não rendeu tantos frutos quanto o seu tempo fora dele poderia proporcionar. Jogos eletrônicos não são um vício, longe disso, mas quando se trata de MMORPG a coisa não é tão simples assim. É só você entender que num jogo deste gênero, existem conquistas umas atrás das outras, e no momento que você está dormindo, tem alguém correndo atrás daquelas conquistas para se manter no topo entre os mais bem sucedidos no game. Isso te instiga a jogar continuamente, afinal, eu pressuponho que a maioria das pessoas que se interessem por jogo tenham mais competitividade no coraçãozinho que a média da população geral. Enfim, não estou dizendo que você não deva jogar nada. Quem sou eu para querer pagar sermão pra alguém, mas só deixo o alerta. Nosso familiares e amigos de longa data são insubstituíveis, e se fez um novo no joguinho, trate logo, tomando todos os cuidados com segurança, de trazê-lo para o seu círculo real de amizades. Estes foram os conselhos do He-Man. Até a próxima minha gente!

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NEON GENESIS EVANGELION (CRÍTICA)

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ANIME DE ROBÔ GIGANTE? SÉRIO!?
Minha paixão pelos programas de televisão japonesa nasceu na década de 1990. Contava as horas para que a extinta Rede Manchete exibisse Jaspion e o Esquadrão Relâmpago Changeman. Este último me apresentou seres mitológicos, afinal os heróis os representavam: Dragon (Vermelho), Griffon (Preto), Pegasus (Azul), Mermaid (Branco) e Fênix (Rosa). Nunca me dei conta até esse texto, amigo leitor, que talvez esse seriado possa ter sido uma de minhas primeiras influências para gostar tanto de mitologia.

Tokusatsu

Cabe lembrar, ainda, que Changeman é o pai de muitos seriados de esquadrões de heróis (super sentai), o qual o mais famoso, ao menos para os jovens brasileiros, é Power Rangers. Mas tanto Jaspion, como Changeman, Flashman (que o sucedeu) e o Power Rangers da TV Colosso possuíam batalhas épicas em que a equipe pilotava um robô gigante (mecha) e combatia um monstro descomunal (muitas vezes ampliado por algum artefato ou arma) dizimando as cidades, campos, florestas. Eram lutas com coreografias por vezes toscas, personagens de colan e efeitos especiais saídos de uma festa junina, mas a gente se divertia a valer.

Neon Genesis Evangelion

É nesse ponto que se deu minha curiosidade por Neon Genesis Evangelion. Anos 2000, já era universitário, vivendo no alojamento estudantil da UFRJ, usando a rede cheia de gambiarras, para nas folgas de pesquisas e trabalhos acadêmicos, fazer download de conteúdo que não passava na TV aberta. É anime de robô gigante e com um traço maravilhoso! Consegui três episódios. Vi o primeiro umas duas vezes, mas nunca prossegui: não tinha o anime completo. O tempo passou, esqueci. Até que a Netflix disponibilizou a animação completa em seus 26 episódios e dois filmes (OVA’s) com finais alternativos. Confesso que vi este anime no momento certo da minha vida.

Neon Genesis Evangelion

SINOPSE: ADÃO E EVA’s
O anime Neon Genesis Evangelion (Evangelho do Novo Gênesis, em uma tradução livre) criado e produzido pelos estúdios GAINAX e Tatsunoko e dirigido por Hideaki Anno, foi transmitido pela TV Tokyo de 4 de outubro de 1995 a 27 de março de 1996. Quando tive meu primeiro contato, ele já era um sucesso a aproximadamente nove anos. Esperei muito para assistir, ao contrário da garotada atual que vê seu anime simultaneamente com a exibição no Japão.

Lilith Evangelion

O enredo se passa em uma versão futurística da cidade de Tóquio, quinze anos após o evento chamado de Segundo Impacto. O Primeiro Impacto se trataria da colisão de um objeto esférico gigantesco (a Lua Negra) há quatro bilhões de anos e que em cujo núcleo haveria a Semente de Lilith, a fonte e origem de toda a humanidade. Já o Segundo Impacto teria acontecido do ano 2000, na Antártida, após uma grande explosão que gerou o derretimento de toda região, aumento do nível do mar e tsunamis que teriam varrido cidades costeiras. Tal explosão teria sido causada devido ao contato com o primeiro anjo, Adão.

Neon Genesis Evangelion

Chegamos a 2015. Uma organização, a NERV (nerv, nervo em alemão), projeta grandes robôs, os Evangelions ou EVA’s, para enfrentar o retorno desses monstros gigantescos denominados Anjos. Eles possuem um grande campo de força (AT, do original, “Absolute Terror Field”, abreviação de “Campo de Terror Absoluto”) nem sempre fácil de penetrar e que os protege dos principais ataques físicos de armas de fogo e bombas de hidrogênio. Para pilotar os mechas, a resposta humana a essa ameaça, são escolhidas crianças de 14 anos cujo padrão combine perfeitamente com a genética dos robôs. O que de início parece um simples motivo para termos lutas épicas na telinha, o ponto alto do anime se desloca para a complexidade da mente, sentimentos e história dos pilotos: crianças que se deparam com a tarefa de proteger a terra de seu apocalipse, mas que precisam, também, lidar com a solidão extrema. Então não espere episódios seguidos de violência e selvageria: eles são intercalados com aqueles que mergulham no drama das relações humanas.

Dilema do Ouriço

O DILEMA DO PORCO-ESPINHO
A história começa quando Shinji Ikari, um garoto de 14 anos, é convocado para ir a Tóquio-3 a pedido de seu pai, Gendo Ikari, comandante maior da organização NERV, que o abandonou, ainda criança, junto ao seu sensei. Órfão de mãe, viveu isolado e sem carinho de familiar nenhum. Uma vida melancólica e imutável até seu mundo ser sacudido pela possibilidade de contato com o exterior e de pilotar, sem nenhuma explicação, uma máquina gigantesca.

Shinji e Misato

Sim, você terá muita raiva de Shinji: seu medo, seus sentimentos reprimidos, seus questionamentos, seu choro insistente, afinal o que esperar de um garoto de 14 anos tão solitário cujo única razão para existir é pilotar um Evangelion? Ele é acolhido pela Major Misato, mulher atraente, sexy e destemida que se torna a tutora do garoto, visto que mesmo estando na mesma cidade, Shinji e o pai não moram juntos.

Rei e Asuka

As duas outras crianças-piloto também possuem seus traumas e a sensação de isolamento. Rei Ayanami é misteriosa, fria e em raros momentos exibe qualquer tipo de emoção a não ser pelo pai de Shinji. Vive sozinha em um apartamento sujo e sem cor na região devastada pelas batalhas entre EVAs e Anjos. Seus pais são desconhecidos: a menina vive sozinha. Já Asuka Langley Soryu, a terceira criança, cresceu na Alemanha e, também, órfã. É passional, agressiva, não se relaciona com o mundo, e a todos odeia.

Arthur Schopenhauer

Tanto as três crianças-piloto, como a major Misato Katsuragi e sua amiga Dra. Ritsuko Akagi, revelam esta dificuldade extrema de se relacionar com os outros. No quarto episódio (O Dilema do Ouriço) a própria tutora de Shinji, ao defini-lo, usa a parábola do porco-espinho, uma alusão ao filósofo existencialista Arthur Schopenhauer. Assim o filósofo narra:

Um número de porcos-espinhos ​​se amontoaram buscando calor em um dia frio de inverno; mas, quando começaram a se machucar com seus espinhos, foram obrigados a se afastarem. No entanto, o frio fazia com que voltassem a se reunir, porém, se afastavam novamente. Depois de várias tentativas, perceberam que poderiam manter certa distância uns dos outros sem se dispersarem.

Arthur SchopenhauerDo mesmo modo, as necessidades sociais, a solidão e a monotonia impulsionam os “homens porcos-espinho” a se reunirem, apenas para se repelirem devido às inúmeras características espinhosas e desagradáveis de suas naturezas. A distância moderada que os homens finalmente descobrem é a condição necessária para que a convivência seja tolerada; é o código de cortesia e boas maneiras. Aqueles que transgridem esse código são duramente advertidos, como se diz na Inglaterra: keep your distance! Com esse arranjo, a necessidade mútua de calor é apenas parcialmente satisfeita, mas pelo menos não se machucam.

Um homem que possui algum calor em si mesmo prefere permanecer afastado, assim ele não precisa ferir outras pessoas e também não é ferido. (SCHOPENHAUER, Arthur. Arte de escrever. Porto Alegre, L&PM: 2009)

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Essa termina sendo a dinâmica que envolve os personagens: a dificuldade de se relacionar com o outro. O risco da decepção. É justamente a misteriosa quinta-criança, Kaworu Nagisa, que ao construir uma relação íntima com Shinji, acaba por analisar o amigo de forma profunda e resumir não só a personalidade do filho de Gendo, mas de muitos outros personagens:

“Eu sei que mantendo os outros a uma certa distância você evita uma traição da sua confiança. Por ora, você pode não se machucar dessa maneira, mas você não pode esquecer que tem que suportar a solidão. Os humanos não conseguem apagar essa dor porque todos são fundamentalmente sozinhos[…] Dor é algo que os humanos tem que suportar em seus corações […]”.

Sigmund Freud Evangelion

DEPRESSÃO, FREUD E SEXUALIDADE
Sem sombra de dúvidas, o anime é intensamente psicológico, visto que o próprio Hideaki Anno, diretor de Evangelion, passou por um período de isolamento e depressão. Quando no remetemos a Sigmund Freud (1856-1939), percebemos que a teoria da divisão da psique humana está no centro dos três protagonistas: Asuka, Rei e Shinji. Segundo o pensador alemão, nossa psique é dividida entre três partes: o id, o super-ego e o ego.

Asuka Neon Genesis Evangelion

Asuka sintetiza em suas características o que o id é para cada ser humano: inato, é a dinâmica do prazer, quer reconhecimento imediato e não se preocupa com as exigências externas. Age por impulso, apaixonada e apega-se a vaidade e o prazer da batalha.

Rei Neon Genesis Evangelion

Rei, por sua vez, assim como o super-ego, mantém o sentido da moralidade, segue as normas sociais cegamente (vide sua devoção por Gendo Ikari e ao cumprimento de toda e qualquer missão), não ultrapassa ou viola os tabus sendo o total oposto do id (e por extensão da Asuka).

Shinji Neon Genesis Evangelion

Shinji, por fim, é o ego. Está entre essas duas tensões opostas: Asuka e Rey. Ele tem que encontrar o equilíbrio entre os impulsos primitivos, a moral e a realidade. Ele vive a tensão em se enquadrar no que o mundo espera dele e sua capacidade de ceder aos seus instintos sexuais, raivosos.

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Como dentro de cada um de nós o id, o ego e super-ego precisam coexistir e colaborar para que homem e/ou mulher possam enfrentar os desafios diários; também Asuka, Shinji e Rei precisam unir forças para enfrentar os Anjos. A relação entre as três crianças-piloto, bem como os demais personagem em maior ou menor medida, lutam contra os movimentos instintivos do Eros (impulso de amor), Libido (o impulso sexual), Thanatos (impulso de morte) e o Destrudo (impulso de destruição). Assim o anime aborda questões polêmicas como relações sexuais, orientação de gênero, o feminismo, a violência gratuita, a falta de respeito em relação a vida, entre outros muitos aspectos.

Evangelion Spolier

MAS NÃO CONSIGO ENTENDER O CONTEXTO! (Spoilers!)
Neon Genesis Evangelion tem sua mitologia própria, mas com uma intensa correlação com nossa realidade. Para entender quem são os Anjos e os Evangelions, é necessário conhecer a versão do anime para origem do universo e da vida na Terra.

Adão e Lilith

No princípio “a primeira raça ancestral”, viajantes do universo, criou “duas sementes”: Adão (a semente da vida, a Lua Branca); e Lilith (a semente do conhecimento, a Lua Negra). Para semear a vida nos diversos planetas, em alguns semearam Adão que deram origem aos seres gigantescos (Anjos), e em outros Lilith, que engendrou a vida humana. Nunca as duas sementes coexistiram no mesmo planeta.

Lança de Longinus

A Terra teria recebido Adão, mas antes dos Anjos se desenvolverem, a semente de Lilith chegou ao nosso planeta. Como ambos não podiam existir simultaneamente, Adão acabou sendo selado pela Lança de Longinus, Lilith fora destruída e isso gerou o que se chamou de Primeiro Impacto.

Evangelion Segundo Impacto

O Segundo Impacto se deu justamente quando, no ano 2000, uma expedição encabeçada pelo pai da Major Katsuragi, ao visitar o Polo Sul, deparou-se com Adão. Assim que um humano (que em sua essência é descendente de Lilith) entrou contato com o Primeiro Anjo (Adão) gerou uma gigantesca explosão em que quase toda vida na Terra foi extinta. A única sobrevivente da expedição é justamente Misato, tutora de Shinji e oficial da NERV.

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Então Gendo Ikari, a frente da NERV,  inicia o Projeto Evangelion que a partir das amostras retiradas de Adão desenvolve os EVAs à espera da chegada dos 17 Anjos que precederão o Terceiro Impacto e talvez o fim de tudo que conhecemos. Mas a motivação do pai de Shinji e da SEELE, organização que está acima da NERV, são aparentemente as mesmas… só aparentemente.

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MITO E BÍBLIA (tem mais spoilers!)
As referências as religiosas são inúmeras, todavia antes de tornar algo maçante, ficam nas entrelinhas da história e servem como curiosidade ou elucidam algumas conexões da série. Deixo algumas como curiosidade:

  • Velho TestamentoO nome do anime está intimamente ligado a Bíblia. Genesis, pode se referir ao primeiro livro do Velho Testamento (ou do Pentateuco para os judeus) e tem significado do grego Γένεσις (génesis, origem, nascimento, criação). Já Evangelion, Evangelho em português, diz respeito a doutrina de Jesus Cristo como princípio de salvação da humanidade. Em grego, ευαγγέλιον (euangelion) é a “boa notícia, ou mensagem”.
  • Adão e EvaOs Evangelions, ou simplesmente EVAs, são construídos a partir de Adão em uma clara referência ao mito de Adão e Eva. No texto bíblico, Eva teria sido criada a partir da costela (ou lado) de Adão (Gn 2,21-22). Os EVAs da série seriam a boa notícia ou os bons mensageiros nascidos a partir do caos provocado pelo contato com a Anjo Primordial e literalmente, de células de seu corpo.
  • Neon Genesis Evangelion TheoryO mito de Lilith, está embutido na série tanto na origem da vida na Terra, como na possibilidade do Terceiro Impacto. Na crença tradicional judaica, ela teria sido a primeira mulher de Adão, mas, segundo Ben Sira, ela se recusava a obedecer Adão cegamente e inclusive nas relações sexuais quando se negava a “ficar sempre por baixo”. Identificada com a noite e com a coruja, tal personagem não está presente na Bíblia a não ser por uma breve menção (Is 34,14), mas que, segundo amuletos medievais, era comum ser representada em esculturas dos três anjos (Sanvi, Sansavi e Samangelaf) que a perseguiram para fora do Éden. No anime, a ligação de Lilith com a noite é o fato dela ser a Lua Negra. Se o mito judaico diz que ela foi mães de demônios, após ser expulsa do paraíso, a série nos mostra anjos capazes de destruição e morte. Os humanos da realidade de Evangelion, seriam demônios? Essa é só mais uma das forma do animes subverter o mito comum.
  • Três Reis MagosO três Reis Magos, popular no Natal cristão quando aparecem, na Bíblia (Mt 2,1-12), para recepcionar Jesus Cristo, estão presentes no anime na forma das três bases que formam o programa de computador Magi (mago) da NERV e que gerencia todas as operações dos EVAs. São elas Melchior, Baltasar e Gaspar (que contém a essência da mãe da Dra. Ritsuko Akagi).
  • AdãoO próprio Adão é representado crucificado, com pregos nas mãos e tudo mais, e trespassado pela Lança de Longinus (Lança do Destino), referência ao legionário romano que feriu Jesus com haste abreviando sua morte (Jo 19,31-36).
  • NERV LeafNo símbolo da NERV, há a metade de uma folha de parreira ou videira. Tal escolha reflete uma analogia que o próprio Jesus, no Evangelho de João, faz dele mesmo: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor.” (Jo 15, 1-8). E. desta forma, a organização é aquela que se arvora a ser a única detentora da verdade que pode salvar ou dizimar a humanidade.
  • Kabbalah EvangelionA Cabala, sistema filosófico-religioso judaico de origem medieval (séc. XII-XIII), está presente tanto no conceito do universo como emanação divina, como também na simbologia dos Anjos. A cada abertura vemos brilhar em azul representação da Kabbalah como a série assim interpreta. Afinal tanto Anjos como humanos emanaram de seres primordiais, no universo de Evangelion.
  • 043_30Por fim, há ainda o conceito de retorno a unicidade. O filósofo grego Parmênides acreditava que “O Universo constitui uma única entidade realmente imutável. Tudo é Um”. No fim do anime, o que se percebe é a tentativa da unidade, o retorno a divindade no que se assemelha ao bramanismo. Nesta religião hindu, haveria o retorno da alma a Braman, o Pai Universal, assim quebrando o ciclo de reencarnações não evolucionárias do ego. A série, principalmente no filme End of Evangelion, mostra que talvez Shinji, o ego, tenha que optar por aceitar sua individualidade, a felicidade ou desespero das relações humanas, ou perder-se para sempre na unicidade divina.

CONCLUSÃO: A BOA MENSAGEM
Se você vasculhar, não irá faltar análises detidas desse anime cult por aí na Internet, indicaria a do Canal Meteoro, por exemplo, se tiver maratonado os 26 episódios e visto os filmes. Tentei abordar aquilo que gerou dificuldade de entendimento e prazer ao ver essa série depois de tantos anos. Saber que, na esteira de tanto conservadorismo atual, um anime de meados da década de 1990 já abordava temas tão atuais e impactantes, que faziam a juventude e a galera mais madura pensar as relações humanas, enfrentar seus traumas. Quem diria?

Neon Genesis Evangelion

Se você quer somente um anime com cenas arrasadoras de combate, piadinhas pastelão ou caretinhas engraçadas, Neon Genesis Evangelion irá te decepcionar. Aqui a imersão nas contradições da alma é o teor predominante. Mais do que conflitos épicos, o espectador mais atento se encantará com personagens cativantes que compartilham sua solidão a cada cena. Vai ver que a depressão pode se esconder atrás de um sorriso, excesso de confiança ou jeito sexy de ser. Assim, ao final da boa mensagem (evangelion), descobrimos que muitas vezes, assim como os Anjos e humanos, temos vencer nossas barreiras, sermos tocados pelas pessoas que nos amam. Afinal, como diz Guimarães Rosa:

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

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UNIVERSO ANIME – DOCUMENTÁRIO DA NETFLIX (CRÍTICA)

Enter the Anime

Você sabe o que é anime? Mergulhe nesse universo de entrevistas com as mentes mais notáveis do gênero e descubra as respostas.” Bem, essa é a forma que o novo documentário de 58 minuto da Netflix se descreve e propõe fazer. Me parecia algo muito pretensioso de ser feito num espaço tão limitado de tempo, então decidi conferir e descobrir qual era seu real conteúdo e motivação.

Alex Burunova

Universo Anime (Enter the Anime), é um programa apresentado pela escritora e diretora Alex Burunova, e toma como ponto de partida os Estados Unidos. Mais precisamente Los Angeles, onde entrevista Adi Shankar, produtor da série Castlevania original da Netflix. Só por esse começo eu já fiquei meio com o pé atrás. Vamos começar pelo começo para eu fazer me entenderem. Primeiramente, e óbvio, quem conhece o conceito de anime se questiona verdadeiramente sobre o que ele é. Claro que existem discussões sempre em aberto sobre qualquer coisa, mas temos de ser honestos com nossa própria opinião. A minha é que animes definitivamente não são produzidos fora do Japão. E não digo isso por um simples preciosismo, mas porque realmente não existem, pelo menos ainda, produtos com a essência original japonesa. Não tem aquele tempero abstrato necessário pra se fazer categorizar verdadeiramente como um anime. Me desculpe mas Avatar: A Lenda de Aang, The Boondocks, e muito menos Ben 10 são animes. São excelentes produtos para seus públicos alvos, mas não são animes. E Castlevania também entra nesse mesmo balaio.

Expressões de Animes

Até os próprios japoneses pensam diferente de mim, consideram que qualquer tipo de animação, sejam japonesas e até de fora do país como animes. Seguindo essa lógica, para eles até Toy Story é um anime. Não parece fazer muito sentido posto desta forma, não é mesmo? Mas não daria pra eu simplesmente aceitar a proposta e resmungar menos?! Até daria, mas seria um desfavor conceitual. Anime não é como o conceito de rock, que engloba subgêneros como pop-rock, heavy metal ou country rock, por si só ele já é um subgênero dos desenhos animados. E onde ele se desvia de um desenho como qualquer um outro? Toma outro rumo quando entendemos sua estrutura. Na grande maioria das vezes animes são frutos de mangás que fizeram muito sucesso, embora existam poucos que fogem à essa regra, como Code Geass, Koutetsujou no Kabaneri e Cowboy Bebop por exemplo, são as combinações de estilos de expressões faciais exageradas e seus traços distintos que compõe suas principais características. Basicamente quem consome anime, sabe bater o olho e dizer que aquele produto é originalmente nipônico.

Tipos de Animes

Dentro dos animes também encontramos outras subdivisões de gênero, mas que indicam mais a faixa etária do grupo do que qualquer coisa. Existem os shoujo para jovem e feminino, shounen são as produções de luta e ação para crianças e adolescentes, seinen que tratam de assuntos mais pesados e sérios para o público adulto, kodomo são para crianças pequenas, e o josei, que são obras destinadas à mulheres adultas tratando de assuntos cotidianos mais próximos do real.

Bakuman

Em Universo Anime vemos uma série de entrevistas com vários produtores e diretores, e convenientemente trazendo apenas aqueles com produtos catalogados na biblioteca atual da Netflix. Resumindo de forma bastante fria e honesta, esse documentário não passa de uma autopropaganda. São sequências de entrevistas na maioria vazias que revelam pouquíssimas curiosidades até mesmo das obras que retrata, e nem de longe responde a questão que se faz à todo minuto da quase uma hora de duração que tem. “Você sabe o que é anime?” Se depender deste documentário vai morrer sem saber. Mas se você quer verdadeiramente saber o significado dessa palavra que parece até simples, mas que engloba um universo cultural gigantesco, recomendo o anime Bakuman. Não só sobre a produção e a essência do que são os animes, mas vai compreender tudo sobre os processos de criação e inspirações dos mangakás, desenhistas de mangás. Recomendo muitíssimo!

Adi Shankar

Fiquei chateado logo no começo com esse documentário por conta da frase de um cara, Adi Shankar, o produtor de Castlevania que solta a pérola “Como “Castlevania passou de um videogame meio morto à um programa de sucesso da Netflix?” Como assim cara?! Eu particularmente não sou um fã da franquia Castlevania, histórias de vampiros não é muito minha praia, mas é inegável o jogo nunca ter perdido sua relevância. Não é o jogo que precisa de um desenho, é o desenho que precisa do jogo para ter a mínima moral que hoje tem. Simplesmente achei o tom muito presunçoso visto que o trabalho que ele entregou nem é tão espetacular assim. Perdeu uma baita oportunidade de não ter se queimado desta forma entre os fãs da série.

Universo Anime

Durante o documentário são citadas as produções Castlevania, Baki: O Campeão, Kengan Ashura, Rilakkuma and Kaoru, Aggretsuko, 7SEEDS, Ultraman, Levius e B: The Beginning. Também plantam a sementinha do lançamento de Ghost in the Shell: SAC_2045 para o ano que vem, e entrevistam a cantora Yoko Takahashi, de Neon Genesis Evangelion.

Ultraman

Outra coisa que é trabalhada se aproveitando da boa vontade dos japoneses e de sua abertura, até ingênua à novidades, é de querer fazer parecer que os animes com altas doses de CG são a tendência inevitável para o futuro. Conhecendo a maneira que boa parte dos artistas nipônicos lidam com seus conceitos de criação, principalmente sendo uma entrevista para a Netflix com perguntas convenientes da Netflix para promover produtos Netflix, vai ser óbvio que eles venderão essa ideia de tendência do momento com a maior naturalidade. Se analisarmos as coisas vamos perceber que a Netflix vem acelerando e muito a elaboração de um catálogo exclusivo para competir com outros serviços similares. Em breve veremos Disney com seu serviço próprio de streaming retirar da biblioteca da Netflix uma série de produtos. Crackle, Crunchyroll, HBO Go, Amazon Prime Video, entre outras brigando por direitos de exclusividade e tendo seus próprios produtos. Os artistas japoneses não são tão conservadores, se você jogar uma batata podre, explodir na parede, e dizer que é arte, eles vão ficar maravilhados e te parabenizar pelo seu excelente trabalho. O respeito da sociedade é muito grande pela opinião alheia. Então pra eles não há problemas em fazer alegações sugeridas pela Netflix afirmando que CG é o futuro para os animes. Pra Netflix é interessante isso por conta da agilidade. É muito mais fácil e rápido produzir animes em CG do que os feitos tradicionalmente à mão quadro à quadro. E é isso o que eles realmente querem, quantidade. E parece não estar se importando nem um pouco com a qualidade. No fim, a política acaba participando muito mais do que deveria das produções.

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CONCLUSÃO
Documentário raso e que não diz nada com nada, se mostrando apenas um compilado do “Animes em Alta” do catálogo Netflix. Narrado por quem não conhece a cultura do anime, que nitidamente finge se esforçar pra conhecer, e se importando apenas em entregar uma encomenda pra Netflix que puxe sardinha pra seus produtos. Mas está aí pra quem quiser ver. Uma colagem de entrevistas que poderia fazer perguntas interessantíssimas mas que interroga apenas sobre o que os autores gostariam de fazer com seu tempo livre. Longe das produções.

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O RAPAZ E O MONSTRO (CRÍTICA)

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Ren é uma criança que perde a mãe num momento onde seu pai tinha recém abandonado a família. Então parentes que pouco se importavam surgem para assumir sua guarda legal. Num surto de raiva por ver sua vida despedaçada, ele foge de casa e começa a vagar desnorteado pelas ruas de Shibuya, quando é encontrado e provocado por um personagem misterioso. Ren então o segue e acaba entrando num mundo paralelo onde todos que lá vivem são humanoides com características de animais. Ele encontra Kumatetsu, um monstro fracassado e mal-humorado que nunca consegue manter um aluno sobre seus ensinamentos. Juntos desenvolvem uma inusitada amizade onde todos saem ganhando.

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De um lado temos um jovem inocente e de coração puro que precisa apenas de alguém se importando um pouco com ele, e de outro um brutamontes grosseiro que não se importa com nada além de querer respeito da sociedade em que vive e ser o sucessor como senhor do seu reino. Por ironia do destino os dois acabam se encontrando, fazendo nascer um elo de mestre e pupilo onde os dois tem muito o que aprender. Ren é uma criança responsável para sua idade mas complexado por se sentir frágil demais, e Kumatetsu é o seu exato oposto, irresponsável mas excessivamente seguro de si. As limitações de um são exatamente a força do outro, e num exercício conjunto os dois aprenderão que os obstáculos só existem para ser transpassados.

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O anime é um longa metragem de 2015 do diretor Mamoru Hosoda produzido pelo Studio Chizu, e traz o ar fantástico de clássicos do Studio Ghibli como A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado. Hosoda tem em seu currículo alguns trabalhos conhecidos, como Summer Wars, Okami Kodomo no Ame to Yuki, e a série Digimon. Por O Rapaz e o Monstro foi premiado em 2016 como Melhor Animação do Ano nos Prêmios da Academia Japonesa, e teve críticas favoráveis da mídia especializada.

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Trazendo um trabalho de arte maravilhoso, com traços simples e bonitos nas animações ao mesmo tempo que detalhados nos backgrounds realistas, o anime encanta com sua beleza. Fiquei espantado com a complexidade de cenas onde se acumulavam muito movimento de uma só vez, como acontece na retratação urbana de Shibuya e na colorida Jutengai. As coreografias de lutas também são de qualidade espantosa, mostrando uma fluência e leveza que só podem ter sido adquiridas por captura. Eu não cheguei a confirmar essa informação, mas as movimentações são perfeitas demais, e caso tenha sido um trabalho inteiramente manual, merece mais aplausos ainda. A trilha sonora é fenomenal, se adequando precisamente ao sentimento de cada momento do anime. Mamoru Hosoda fez um trabalho incrível e que deve ser levado ainda mais ao conhecimento das pessoas.

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O Rapaz e o Monstro explora o amadurecimento numa aventura mágica, que pode e deve ser apreciado por pessoas de qualquer idade. Devido ao plot principal ser simples, fiquei com receio de entrar em mais detalhes e estragar a experiência de vocês. O filme está disponível atualmente na Netflix, então não perca a oportunidade de experimentar essa aventura de fantasia que ensina sobre confiança e amadurecimento.

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TENGEN TOPPA GURREN LAGANN (CRÍTICA)

Yoko
Um dia você está entediado em casa sem nada para fazer e então decide escolher um anime pra uma curta maratona. Não algo que dure centenas de episódios, mas algo que vá conseguir terminar no máximo em uma semana. Abre seu catálogo, olha pra lá e pra cá, enquanto coça a cabeça sem saber qual. Aí você percebe aquele inteligível título, Tengen Toppa Gurren Lagann. O que diabos seria isso? Eu pelo menos quando dou de cara com um anime diferente costumo já começar a assistir sem me preocupar em verificar nada, já dou o play e caio pra dentro. Com esse não foi diferente, convencido de que aquele seria o eleito, fechei as cortinas, me estirei na cama. Quando me dei conta já devia estar no sétimo ou oitavo episódio. Ponte que partiu!!! O que era aquilo maluco?! Que bagulho fantástico! Uma semana? Uma ova que eu levaria uma semana pra terminar, meu sono foi passear e eu estava pilhado sedento por mais! Eu terminei a noite, atravessei a madrugada, e alcancei o amanhecer assistindo sem parar aquela obra prima!

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A QUE VEM TENGEN TOPPA GURREN LAGANN
Visceral! Esse seria o mais adequado termo se me pedissem para definir o anime com uma única palavra. Afirmo sem rodeios que esse é o meu segundo anime preferido entre centenas que já assisti, e só não está em primeiro lugar por conta de Naruto existir. Então pode ter certeza, aqui vai ter sim muita rasgação de seda.

Gurren Lagann

SimonPLOT COM SPOILERS NÃO COMPROMETEDORES!
Simon é um garoto que vive no subterrâneo de um futuro fictício onde os seres humanos foram forçados gerações atrás a abandonar a superfície. Sua preocupação é apenas obedecer as regras do chefe e cavar junto com outros aspirantes de toupeira para expandir os limites da vila. (Só não me pergunte pra onde eles deslocam a terra escavada visto que não podem acessar o exterior.) O maior problema eram os constantes terremotos, e Simon tinha Kamina, seu melhor amigo. Um campeão da autoestima que sempre estava lá com palavras poderosas de apoio e conforto. Mesmo que as vezes algumas pudessem parecer meio loucas e sem lógica. Num belo dia Simon, na sua rotina de escavar, encontra uma pequeno objeto em forma de broca. Encontrar esses pequenos tesouros enterrados é o que mais o incentivava, então pendurou como um pingente no pescoço e continuou a cavar. Mais a frente bateu em algo sólido, era uma grande cabeça vermelha de metal, e empolgado correu para Kamina na intenção de chamá-lo para ver aquele incrível achado. De repente o teto veio abaixo! Trazendo junto uma enorme criatura metálica ao mesmo tempo que revelava a superfície que tanto Kamina insistia tentar convencer a comunidade de sua existência. Uma jovem de cabelos vermelhos e trajando pouca roupa também cai atirando com seu pesado rifle contra aquela ameaçadora máquina gigante. Certamente os dois estavam lutando na superfície quando romperam a fina camada do teto. Com sua segurança inabalável Kamina toma frente para enfrentar aquela abominável fera, paralelamente enquanto troca uma ideia com Yoko sobre as interessantes armas vindas da superfície. Os dois são interrompidos quando após um golpe da criatura vão parar num buraco, onde Simon surge e os pede para segui-lo. Eles chegam naquela cabeça vermelha encontrada um pouco antes, e Simon descobre que era uma máquina e poderia ser controlada. Sugere que Kamina entre e pilote.

Acha que o grande Kamina poderia roubar algo de seu irmão?!

Simon se intimida e diz que não é capaz.

Imbecil! Deixe o bom senso e torne possível o impossível! Não é essa a filosofia da Gurren?! Se alguém é capaz, esse alguém é você! Simon, não acredite em você! Acredite em mim! Acredite no Kamina que acredita em você!

Graças a inspiração de Kamina, Simon se contagia e percebe seu pingente brilhar igual a fissura do mesmo tamanho no painel da máquina. Encaixa como uma chave e gira. Aquela curiosa cabeça acorda saltando de volta para o mesmo plano onde o enorme monstro destruía a vila. Os dois entram entram numa violenta luta, e após Simon descobrir que uma broca era projetada da cabeça do seu pequeno mecha, se empolga enquanto Kamina grita ordens de apoio. Canalizando um alto nível de energia vindo de um lugar misterioso, Simon ainda extrai poderosas brocas também das mãos.

Força Simon! A sua broca é a broca que vai furar os céus!

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Com grande força de vontade atravessam o inimigo, rompem o teto, e chegam até os céus! Lá fora conquistariam o inimaginável! Feitos que nem mesmo Kamina poderia sonhar!

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FICHA TÉCNICA E PREMIAÇÕES
O shounen de mecha criado pela Gainax foi exibido na TV Tokyo de 1 de abril à 30 de setembro de 2007. Dirigido por Hiroyuki Imaishi e escrito pelo experiente Kazuki Nakashima, conta com com 27 episódios oficiais e alguns extras que mais fazem confundir do que somar. O anime foi criado procurando ser feito de um jeito que pudesse agradar tanto o público feminino quanto o masculino, bem como crianças e adultos. Carrega alta teor de comédia, ação, e piadinhas sexuais comuns do ecchi. Recebeu em 2007 uma versão em mangá ilustrado por Kotaro Mori, na revista shounen Dengeki Comic Gao! Tengen Toppa Gurren Lagann recebeu o Prêmio de Excelência na Japan Media Arts Festival, o de Melhor Produção para Televisão no Tokyo Anime Awards, além de Hiroyuki Imaishi receber o Personal Best como melhor diretor na 12ª Edição da Animation Kobe Festival, e de Atsushi Nishigori ter recebido o Best Character Design Award.

Tengen Toppa Gurren Lagann

RASGAÇÕES DE SEDA!
Animações altamente inspiradas mostram uma habilidade incrível de saltar de traços elegantes para os grosseiros com a finalidade de dar o tom exato à cada momento. Seu visual moderno e muito colorido se inspira muito na cultura underground urbana, e junto com a curiosa combinação de rap, hip-hop e rock, origina algo magnífico e único. Mas o principal destaque do anime, sem nenhuma dúvida fica por conta do seu enredo que é abordado. Trazendo um discurso sobre perseverança sem limites, amizade inabalável, coragem e sacrifício, e claro, sobre alcançar o infinito fazendo possível o impossível, Tengen Toppa Gurren Lagann te faz gritar de empolgação e se emocionar ao chorar nas situações mais imprevisíveis. O roteiro é algo grandioso! Extraordinário e capaz de te elevar à um sublime sentimento de alcançar o nirvana!

Gurren Lagann

Kamina é um personagem fictício capaz de abdicar da própria existência apenas por acreditar em você. É um fenômeno que rompe as fronteiras do anime conseguindo te inspirar com frases absurdas mas que fazem todo o sentido. Influencia e estimula cada sopro de vida com qual interage mostrando que o medo e fraqueza são apenas combustível para vencer em tudo! Abre as portas do infinito para que todos que estejam ao seu lado possam ingressar juntos!

Kamina

FIXANDO A REAL!
Se existe algum anime que deva ser visto por qualquer pessoas é esse, e se você se diz fã do gênero, é obrigatório! Tudo no anime funciona e faz bonito, tendo como um único mal perdoável, seus poucos episódios. Dica de amigo, fecha essa página, esquece a internet e vai assistir essa bagaça! Depois volta aqui e me diz se não estou sendo exagerado em todas as minhas afirmações. Esse anime eu bato no peito e compro briga com qualquer um pra defender!

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GRANBLUE FANTASY: A ANIMAÇÃO (CRÍTICA)

Granblue Fantasy The Animation

Granblue Fantasy: A Animação traz um mundo onde ilhas voadoras dividem a geografia num conceito tradicional já conhecido por amantes dos jogos de RPGs japoneses como Final Fantasy ou a série Tales Of. Barcos voadores, ilhas flutuantes com suas quedas d’água e edificações com arquiteturas fantásticas proliferam pelo anime. Nada é original ao mesmo tempo que nada incomoda, simplesmente ele traz um conceito clichê, mas que se valendo de sua qualidade acaba convencendo. O anime é derivado de um jogo de RPG Granblue Fantasy lançado em 2014 no Japão pela Cygames para Android, iOS e navegadores web. No mesmo ano lançaram uma light novel que trazia códigos de conteúdo extra para o jogo. Poucos anos depois a adaptação para anime estreou nos canais japoneses Tokyo MX, AT-X e BS11, e chegou para o restante do mundo através do serviço por de stream por assinatura Crunchyroll. Tanto o jogo quanto o anime levam as assinaturas de Nobuo Uematsu e Tsutomu Narita na trilha sonora.

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PLOT (Com leves spoilers do primeiro episódio!)
Após anos sofrendo com experiências nos laboratórios do Império, a jovem Lyria é ajudada a escapar pela desertora Katallina. A fuga não é tão exitosa assim, e após uma grande explosão, Lyria é atirada da grande nave onde estava e cai em meio uma densa floresta. Ali próximo estava Gran, um jovem aprendiz de espadachim que durante seus afazeres domésticos em sua vila, ouviu o estrondo e percebeu que algo azul brilhante caía do céu. Curioso e preocupado, correu na direção para descobrir o que era acompanhado de seu amigo, um pequeno lagarto voador. Lyria, Katallina e Gran se encontram, e logo são cercados pelos inimigos que evocam uma enorme criatura. Gran é atingido mortalmente, e num ato de desespero Lyria faz uso de seu poder trazendo-o de volta à vida. Agora ambos possuem um laço mágico, onde a vida de um depende da outra, então Gran se junta às duas numa incrível jornada.

Granblue Fantasy

Contando com 12 episódios e mais 2 OVA’s, Another Sky e Jack O’Lantern, o anime faz o papel de criar um subproduto para fãs do jogo, mas também é capaz de agradar quem quer apenas um bom divertimento. Traz uma aventura despretensiosa tendo cenas de ação com boa qualidade e um mundo com potencial para ser melhor explorado em futuras temporadas. Os personagens seguem estereótipo clássicos sem demonstrar vergonha disso, e a minha única reclamação é de apresentarem de uma só vez vários deles sem um desenvolvimento maior quando chega nos últimos episódios. Seu melhor atrativo fica para o visual e trilha sonora, com traços simples e elegantes, o anime mantém a boa qualidade do começo ao fim. E eu já ia me esquecendo de lembrar, o último episódio é a tradicional festa do biquíni, puro fan service para a meninada, em nada soma para o enredo da série.

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