CASO MARCO AURÉLIO (MISTÉRIO)

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RESUMO DO CASO
No dia 8 de junho de 1985, durante uma excursão no Pico dos Marins, Município do Piquete em São Paulo, o jovem escoteiro de 15 anos Marco Aurélio Bezerra Simon desapareceu sem deixar rastros de seu paradeiro e, mesmo com um gigantesco esforço de um exército de voluntários, civis e militares, absolutamente nada fora encontrado. O estranho episódio é um dos mais complexos e misteriosos da literatura brasileira, tendo entrado até mesmo em listas internacionais de maiores casos de desaparecimento do mundo. Oficialmente suas investigações foram encerradas no dia 8 de abril de 1990 e, embora o incidente houvesse recebido bastante atenção da mídia na época, acabou sendo consumido pelo tempo, praticamente recebendo o status de lenda. Foi quando o jornalista investigativo Rodrigo Nunes, em 10 de março de 2005, decidiu desarquivar o caso para resgatar o incidente e buscar novas informações. Como fruto de sua pesquisa, dois livros foram publicados, e em 2015 foram compilados em um único volume revisado. Seu teor traz inconsistências nos relatos dos outros escoteiros, do líder deles, no andamento das investigações policiais, além de conter teorias e entrevistas com testemunhas da época.

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COMO ACONTECEU?
Marco Aurélio junto de seu grupo de escotismo, participaria de uma expedição para conquistar o Pico dos Marins, e assim cumprir a tarefa que os graduaria no Ramo Senior, destinado a jovens de 15 à 17 anos. A viagem estava marcada para o dia 6 de junho de 1985, onde o grupo faria a escalada para montar acampamento 2400 metros acima do nível do mar. A trilha não era das mais complicadas e, exigia mais disposição para marcha em ladeira, do que técnicas especiais. Neste dia, Marco Antônio, irmão gêmeo de Marco Aurélio, tinha ficado doente e portanto não pôde participar daquela aventura, considerada tão importante para eles. O grupo então se fechou com Marco Aurélio sendo designado como monitor, os escoteiros Ramatis Rohm, Ricardo Salvione, Osvaldo Lobeiro e, o instrutor e líder do grupo, Juan Bernabeu Céspedes. Eles integravam o Grupamento de Escoteiros Olivetanos, de identificação número 240. Chegado o momento seguiram para a cidade de Piquete, se direcionando para a propriedade de Afonso Xavier, um senhor com 50 anos de experiência no local, e que serviria de guia para o grupo. No local montaram acampamento e fizeram algumas atividades relacionadas ao escotismo. Na hora de iniciar a marcha pela trilha, o instrutor Juan Bernabeu dispensou o auxílio do Senhor Afonso, alegando a facilidade para percorrer aquele caminho, e decidido assim, o Grupamento 240 tomou partida.

114_02Aquela trilha era bem popular, havia sido traçada na década de 30, e frequentemente era utilizada por turistas e aventureiros, com ou sem treinamento. Na manhã do dia 8 de junho os quatro escoteiros iniciaram sua caminhada rumo ao cume do Pico dos Marins, quando no meio do caminho, numa descida do Morro do Careca, Osvaldo Lobeiro sentiu uma luxação no joelho. Continuar a aventura não era mais uma opção, então o líder decidiu retornar ao acampamento. Marco Aurélio então se prontificou em descer na frente, abrindo caminho para os outros que carregavam o rapaz ferido apoiado nos ombros. Orientado pelo instrutor, Marco Aurélio levou um giz para marcar todo o trajeto com o número do grupamento. Às 14:30h aproximadamente, o rapaz se afastou de seus amigos e tornou a descida. Fazendo corretamente sua função como batedor, o grupo passou por três pedras onde estava lá o número 240. Após a terceira pedra, havia uma bifurcação onde Marco seguiu pela esquerda, o caminho mais curto, porém orientados pelo instrutor, o grupo pegou a via da direita, uma vez que Juan entendia que aquele terreno embora mais longo, seria menos acidentado quando transportando alguém. Os outros garotos protestaram, mas Juan estava convicto da decisão, e reforçou que no fim da descida todos se encontrariam. Ramatis Rohm, Ricardo Salvione e Osvaldo Lobeiro, guiados pelo líder Juan Bernabeu, levaram cerca de quinze horas para concluir o retorno, chegando às 5:30h da manhã, dia seguinte, no acampamento. Quando se deram por conta perceberam que Marco Aurélio não estava presente, e que todos os seus pertences estavam da mesma forma, como no dia anterior, intactos. Juan então decide retornar à trilha para procurar o garoto, voltando cinco horas depois sem sucesso em encontrá-lo. Foi quando convicto da gravidade da situação, decidiu ativar as autoridades.

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BUSCA POR LOCALIZAR MARCO AURÉLIO
O pai do menino era Ivo Simon, um jornalista respeitado da época, e rapidamente mobilizou meios através da imprensa. Foram designados 180 soldados do Quinto Bil, o Batalhão de Infantaria Leve de Lorena, 18 homens da COE, o Centro de Operações Especiais, 6 alpinistas de agulhas negras, helicópteros da Escola de Especialistas de Aeronáutica de Guaratinguetá, um avião mandado pelo Governador Franco Montoro, um helicóptero do jornal Estado de São Paulo, sem contar os inúmeros voluntários civis que conheciam muito bem a região. Piquete virou palco para uma enorme campanha de resgate, no qual cada centímetro do lugar fora remexido, mas nenhum vestígio do rapaz foi encontrado. Aquela busca foi tão minuciosa, que uma faca perdida na mata por um soldado, fora localizada no dia seguinte por outra equipe. Marco Aurélio havia desaparecido de maneira misteriosa, e isso intrigou por muito tempo a região. Nem mesmo as mais de 300 pessoas envolvidas foram suficiente para encontrar uma mínima prova de crime, ou um pequeno traço do desaparecimento. Cartazes foram expostos em mais de vinte cidades, os rios da região foram percorridos na busca pelo mínimo vestígio, e surpreendentemente nada fora encontrado, nem sequer um fio de cabelo.

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AS INVESTIGAÇÕES
Antes de consumirmos os pormenores da investigação, é preciso ter em mente uma informação bastante estranha. Rodrigo Nunes, o jornalista investigativo que reabriu o caso em 2005, disse que ao entrevistar Vicente de Paula Santos, o datilógrafo responsável pelos depoimentos, descobriu a informação de que o profissional fora impedido por um major, de registrar em tempo real as declarações dos investigados. Todo o conteúdo constante das documentações foram registrados depois por intermédio do delegado Izidro de Ferraz, que ditou cada palavra. Isso faz com que inquérito não possa ser considerado integralmente confiável. Tendo isso em mente, a versão oficial do inquérito policial foi produzida com os depoimentos do líder Juan Bernabeu Céspedes, e dos escoteiros Ricardo Salvione, Osvaldo Lobeiro e Ramatis Rohm. Juan afirmou ter autorizado Marco Aurélio a seguir na frente abrindo passagem para o grupo que descia logo atrás, e que cerca de 15 minutos após a separação, não tinha mais visual de sua posição.

Durante a descida o grupo localizou apenas três marcações com giz feitas por Marco Aurélio, e que levavam até a fatídica bifurcação. O rapaz teria escolhido seguir pelo caminho da esquerda, mesmo sendo mais tortuoso para quem levava o peso de alguém ferido, como reforçou o líder Juan. Sendo assim decidiu por contrariar a sugestão do garoto, tomando a decisão de pegar o caminho da direita. Para acalmar o restante do grupamento que ficou preocupado com a Marco Aurélio ter seguido o outro trajeto, Juan afirmou que todos se encontrariam mais a frente, ao concluir o retorno. No entanto, isso não ocorreu. Juan também havia dito que havia cortado uma árvore e, Olindo Roberto Bonifácio, guia e voluntário que participou da reconstituição do caso, disse que tal árvore nunca foi encontrada.

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INFORMAÇÕES E SUGESTÕES CURIOSAS

  1. Após reunião da diretoria do Grupo Escoteiro Olivetano, foi combinado que a marcha seria conduzida por Sr. Afonso, guia com experiência de 30 anos naquela região, porém o mesmo fora dispensado por Juan, com a alegação de que o senhor não teria tempo. Porém Sr. Afonso e sua esposa desmentiram, dizendo que estava sim disponível, que até havia preparado lanche para fazer o percurso, e que na realidade Juan tinha o dispensado.
  2. Um outro grupo havia cruzado com o Grupo Olivetano em seu acampamento e, prontamente se ofereceram para fazerem o trajeto juntos, no entanto Juan dispensou o convite.
  3. Quando Osvaldo Lobeiro se machucou, próximo às 14:00h, Juan autorizou Marco Aurélio ir na frente, porém acompanhou com ele sozinho cerca de 100 metros a frente para orientar sobre algo e apontar a direção para onde o menino deveria ir. Regra básica do escotismo é nunca se separar, então por qual razão um escoteiro de grande experiência quebraria tal protocolo?
  4. Durante a descida, próximo das 2:00h, Juan e os outros haviam passado por uma propriedade conhecida como Fazenda do Seu Filinho e, como era de se esperar, Juan deveria perguntar se Marco Aurélio havia passado por ali, mas ele não o fez.
  5. Ao chegar na base do acampamento o grupo não encontrou Marco Aurélio, e como seria natural, deveriam perguntar ao Sr. Afonso sobre o garoto. No entanto nem os outros escoteiros, ou mesmo Juan, percorreram os 50 metros até a casa do senhor para perguntar sobre o amigo.
  6. Um depoimento controverso foi obtido do escoteiro Osvaldo Lobeiro, que foi separado dos outros garotos e presenciou Juan Bernabeu Céspedes sendo torturado, sem o acompanhamento do escrivão. Após o ocorrido, a polícia tentou avançar com a hipótese que Juan abusou de Marco Aurélio e o teria matado.
  7. A operação pente fino foi feita em fila indiana pelo Quinto Batalhão de Infantaria Leve de Lorena, e este era um erro apontado pelo experiente guia, Ronaldo Nunes, que foi ignorado pelo Tenente Fischer que comandava a operação.
  8. Segundo o próprio Juan, ele retornou à montanha sozinho para procurar o menino, e passaram-se cerca de 5 horas depois, sem sucesso.
  9. Devido as fortes suspeitas, Juan concordou em passar por um polígrafo, mas o processo foi cancelado pelo delegado Francisco Baltazar Martin, que afirmou o rapaz ter sofrido fortes pressões psicológicas, e que aquilo interferiria no resultado do exame. Segundo murmúrios na Polícia, a decisão foi tomada devido a ingerência da União dos Escoteiros do Brasil, que não queria por em risco a imagem pública da instituição.
  10. No terceiro dia de buscas por Marco Aurélio, houve um incêndio de grandes proporções no Pico dos Marins, e os delegados George Henry e Bayerlein se questionaram se aquele ocorrido não havia sido proposital e com o fim de atrapalhar o primeiro dia em que participavam das investigações.
  11. Em entrevista a Rádio Mantiqueira, o delegado questionou o tempo alegado para percorrer aquelas trilhas: “O grupo de escoteiros dirigido por Juan havia o perdido o caminho na ida e na volta, pois na ida gastou seis horas (das oito da manhã às quatorze horas) numa caminhada que, pela trilha comum, batida e assinalada, não se leva hora e meia.
  12. Devido à má conduta, Juan Bernabeu Céspedes já havia sido expulso anteriormente de outro grupo de escoteiros. E isso é reforçado pelas três alegações nos itens seguintes.
  13. Segundo a experiência de Dr. Anivaldo Registro, delegado do G.A.S. (Grupo Anti-Sequestro de SP), os erros cometidos por Juan foram propositais.
  14. Pedro Teixeira da Silva, industrial, afirmou: “este não cumpria o regulamento do escotismo, era autoritário, ameaçava os garotos e não admitia ser repreendido.”
  15. Dr. Pedro Orlando Petrere Júnior, dentista, afirmou: “… modo estranho de comportamento … frio, com conduta que às vezes fugia ao normal de uma pessoa sã.”
  16. O laudo de reconstituição só foi liberado após o pai de Marco Aurélio ter recorrido à Corregedoria da Polícia Civil. Seu conteúdo era tendencioso, e apontava apenas indícios de que o garoto havia fugido. O inquérito policial contendo 391 folhas foi arquivado no dia 26 de abril de 1990, por determinação do Juiz de Direito Walter Luiz Esteves de Azevedo, acolhendo manifestação do Doutor Promotor Mauro de Oliveira Navarro.

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TEORIAS COM EXTRATERRESTRES
Devido o ar de forte mistério sobre o caso não solucionado, muitas teorias foram levantadas e, a mais curiosa delas nasce de parte do depoimento que os adolescentes deram sobre o momento em que iriam dormir após o segundo dia de buscas. Da região próxima onde Marco Aurélio havia desaparecido, os jovens ouviram um grito e na sequência o som de um apito, vindo do matagal. Sabendo que o amigo possuía um apito, os garotos correram até o local, onde observaram apenas estranhas luzes azuis que piscavam três vezes. Apenas os rapazes alegaram tal história, já Afonso Xavier discordava, e afirmava que as luzes se tratavam de casas distantes na região. Em 2011 a teoria dos extraterrestres, foi questionada por Ivo Bosaja Simon: “Tínhamos uma amizade muito grande com o Juan, seus pais, irmã, cunhado e sobrinhos. Chegamos a passar Natal juntos. Após o fato, ele prestou os depoimentos à Polícia e desapareceu. (…) Os depoimentos no inquérito nos levam a muitas suposições. Os erros do líder foram propositais? Falou-se em discos voadores e, por sugestão de um delegado de São Paulo, fomos a Brasília falar com o general Moacyr Uchoa, expert no assunto. Falou-se da seita Borboleta Azul e, no depoimento à Policia, seu responsável deu um endereço em Goiás, para onde teriam viajado na época alguns jovens. Pedi a jornalistas amigos para investigarem e o endereço era uma casa abandonada. (…) Se Marco Aurélio quisesse fugir, como suspeita o perito, poderia fazê-lo em São Paulo, com roupas, dinheiro e documentos. Na barraca na serra, ficou tudo isso.

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SERIA ESSE O CRIME PERFEITO?
Esse ano (2020) fará 35 anos do desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Bezerra Simon, e quem pôde acompanhar a repercussão na época, ou os detalhados documentários e programas de TV que se sucederam a reabertura dos arquivos feita pelo jornalista investigativo Rodrigo Nunes em 2005, sabe o quanto esse caso é instigante. São muitas as teorias, e além das esperadas, como sequestro e assassinato, também existe a linha das ideais que correm pelo sobrenatural. Até o controverso Chico Xavier entrou na história certa vez que a família o procurou para uma comunicação mediúnica, no entanto o próprio Chico havia afirmado ser incapaz de se comunicar com pessoas que ainda não desencarnaram. O caso definitivamente é muito confuso, e até hoje a família tem esperança de na resposta que tanto precisa, sobre o que aconteceu, ou onde está Marco Aurélio.

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HINTERKAIFECK: MISTÉRIO DA ALEMANHA (CRIME)

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Localizada no estado da Baviera, sudeste da Alemanha, a Fazenda Hinterkaifeck foi palco de umas cenas mais perturbadoras da história do país. Durante a noite do dia 31 de março de 1922, os fazendeiros Andreas Gruber (63), sua esposa Cäzilia (72), a filha viúva Viktoria Gabriel (35), com seus dois filhos, Cäzilia (7) e Josef (2), e a empregada Maria Baumgartner (44), foram brutalmente mortos por ataques de enxada. O fato por si só já é completamente macabro, porém que a história não para por aí, os mistérios que lhe rodeiam fazem as coisas ficarem mais aterrorizantes. Então acompanhe comigo esta intrigante história real, que com certeza irá lhe causar calafrios na espinha!

Seis meses antes do crime ocorrer a empregada da fazenda pedia demissão alegando que aquela casa era assombrada, no mesmo período em que Gruber comentava com a vizinhança sobre estranhas pegadas na neve ao redor de sua propriedade. Na sua porta foi largado o exemplar de um jornal, uma publicação que circulava em Munique, não ali, e que nem ele, ou qualquer outro dos arredores assinava. Aquelas pegadas de antes, continuavam a se repetir nos dias seguintes, na maioria das vezes vindas da floresta, e indo até a casa de máquinas da fazenda. Somando para a esquisitice, as chaves da família passaram a desaparecer sem explicações. Durante certa noite Gruber ouviu passos no sótão, porém verificando todo o local, não encontrou nada e nem ninguém. Esses fatos foram comentados com os vizinhos, mas curiosamente o senhor não aceitava ajuda, e muito menos comunicava à polícia.

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Na véspera dos assassinatos, Cäzilia Gabriel, a filha de sete anos de Viktoria, contou aos amigos da escola que sua mãe havia fugido de casa após uma briga violenta com a família na noite anterior, sendo apenas encontrada horas depois na floresta. Eles também notaram ao longe, um estranho homem de bigode nas cercanias da floresta olhando na direção da casa. Na tarde do dia 31 de marco, o fatídico dia, a nova empregada Maria Baumgartner chegava à residência da família, sendo acompanhada pela irmã que partiu após uma curta estadia. Tarde da noite, algo atraiu Viktoria Gabriel, a filha Cäzilia, e seus pais, Andreas e Cäzilia até o celeiro da fazenda, onde foram assassinados um de cada vez com golpes de enxada na cabeça. O agressor (ou agressores) entrou na casa e também matou Baumgartner e, presumivelmente por último, Josef, que dormia no berço no quarto da mãe.

Passaram-se quatro dias até os Schlittenbauer acharem estranho a ausência dos vizinhos e, pediram aos seus filhos para procurá-los, mas logo eles retornaram dizendo não ter encontrado ninguém em casa. No mesmo dia, Schlittenbauer não convencido, volta lá junto de Michael Pöll e Jakob Sigl, quando finalmente descobrem os corpos. A investigação que se iniciou foi bem atrapalhada, com direito a alterações na cena do crime e perda de evidências. Crime por interesse financeiro fora descartado, já que uma grande quantidade de dinheiro foi localizada intocado na casa. O mais bizarro de tudo era que o responsável pelas mortes talvez tenha ficado na fazenda após os assassinatos, já que o gado estava sendo alimentado, e todos os finais de semana os moradores da redondeza viam fumaça saindo pela chaminé. E detalhe, isso não apenas durante os quatro dias até os corpos serem localizados, mas mesmo depois enquanto ocorriam as investigações! A chaminé continuava a funcionar, e alguns alimentos que ainda estavam na casa iam desaparecendo aos poucos. Várias pessoas foram consideradas suspeitas, dentre elas vizinhos, transeuntes, amigos da família, e até mesmo o marido de Viktoria Gabriel, Kari Gabriel, que supostamente havia sido morto durante a Primeira Guerra Mundial e não tinha tido seu corpo encontrado.

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O caso é um complexo mistério, tendo servido como material para artigos, livros, documentários e filmes durante os anos. Hinterkaifeck: Der Mordfall (1979) e Spuren Eines Mysteriösen Verbrechens (1997), do alemão Peter Leuschner, são livros que citam relatórios das investigações da polícia. Hinterkaifeck: Symbol des Unheimlichen (1981) é um filme documental que se baseia nos livros de Leuschner. Em 2009, dirigido por Esther Gronenborn, fora lançado o thriller de mistério Hinter Kaifeck. E em 2017 os autores Bill James e sua filha, Rachel McCarthy James, trouxeram uma linha bastante inusitada, mas que chamou a atenção no último capítulo do livro The Man from the Train. Nele eles conjecturam a possibilidade do assassino de Hinterkaifeck ser Paul Mueller, um serial killer que agiu nos Estados Unidos entre 1898 e 1912, executando suas vítimas de maneira muito parecida com o que houve na Alemanha em 1922. Os crimes atribuídos a Mueller, incluem os assassinatos em Villisca, cidade de Iowa, onde famílias inteiras foram espancadas com um machado cego, provavelmente motivados por uma atração sadista e necrófila por garotas pré-adolescentes. O caso da Fazenda Hinterkaifeck ainda é um enorme mistério, e após tanto tempo passado, é improvável que ele algum dia vá ser solucionado. Mas e aí, acha que é capaz de montar este sinistro e complexo quebra-cabeças? Deixe sua opinião nos comentários, e nos sugira outros casos bizarros que você gostaria de ver esmiuçado pela gente.

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COMBUSTÃO HUMANA ESPONTÂNEA (MISTÉRIO)

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AVISO! CONTEÚDO SENSÍVEL! Se você for uma pessoa que se impressiona com facilidade, não acompanhe esse artigo, algumas imagens podem ser chocantes!
Você já ouviu falar sobre combustão humana espontânea? Imagine o quanto estranho seria o seu corpo simplesmente começar a queimar de uma hora pra outra, alcançando uma temperatura tão alta onde sobrariam apenas cinzas. E o mais estranho, geralmente não afetando praticamente nada ao redor. Embora raro, esse fenômeno é verdadeiro e motivo de intriga entre a comunidade científica. Então fique comigo porque vou te contar cinco episódios onde esse misterioso fenômeno tragicamente tirou a vida de pessoas como se o fogo tivesse vindo do interior de seus corpos.

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PRIMEIRO CASO – HENRY THOMAS
Em 1980 na cidade de Ebbw Vale, sul do País de Gales, Reino Unido, um senhor de 73 anos foi encontrado carbonizado na sala de sua casa. Todo seu corpo foi incinerado, sobrando apenas seu crânio e parte das pernas abaixo do joelho, e curiosamente as meias e calça se mantiveram intactas nesta região. A metade da cadeira onde repousava também foi destruída. O laudo pericial atribui a fatalidade ao efeito pavio. A morte foi classificada formalmente como morte por incêndio. Mais a frente farei as considerações explicarei do que se trata tal efeito.

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SEGUNDO CASO – JEANNIE SAFFIN
Existem muitos casos de combustão espontânea, mas poucos onde houvesse uma testemunha. Esse caso ocorreu em 1982, Londres, quando Jeannie Saffin, uma mulher de 61 anos com problemas mentais estava sentada com seu pai de 82. O senhor desviou o olhar da filha e percebeu na visão periférica um raio de luz. Quando se deu conta Jeannie estava coberta em fogo e mesmo assim imóvel. Ele se esforçou para tentar apagar as chamas, mas não conseguiu conter as graves queimaduras de terceiro grau na parte superior do corpo. A mulher ainda foi hospitalizada, porém uma semana depois não resistiu aos graves ferimentos.

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TERCEIRO CASO – YOUNG SIK KIM
Esse caso aconteceu em Honolulu no Havaí, no ano de 1956. Young Sik Kim era um homem de 78 anos com paralisia da cintura para baixo, e portanto vivia em uma cadeira de rodas. Certo dia, de repente, começaram a emanar chamas azuis de seu estômago, e espalharam-se rapidamente por todo o restante do seu corpo. Sua vizinha, Virginia Cadet, ainda tentou correr para ajudá-lo, mas as chamas eram muito intensas. Ligou para o corpo de bombeiros, que levaram 15 minutos para chegar ao local. Chegando restavam apenas os pés inteiros, todo o restante de seu corpo virou cinzas. Ficaram perplexos ao ver que roupas, móveis de madeira e os livros que estavam perto não foram afetados.

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QUARTO CASO – FRANK BAKER
Se preparando para ir pescar com o amigo Pete Willey, Frank Baker, um veterano americano de guerra, explodiu em chamas enquanto estava sentado no sofá de casa em 1985. Willey interviu conseguindo abafar o fogo, tendo salvo Baker da situação. Embora muito abalado, os ferimentos não chegaram a ser tão graves, e procurando ajuda médica ouviu dos profissionais que não conseguiam entender direito o que poderia ter ocorrido, mas que o fogo havia realmente começado de dentro para fora. O caso repercutiu na mídia, e Baker foi convidado para o programa de TV “The Unexplained Files“. Lá ele contou o incidente e revelou um segundo episódio, onde de novo tinha sido salvo pelo amigo enquanto pescavam. Sendo esse um caso verdadeiro, seria um dos poucos conhecidos onde alguém teria sobrevivido para contar a história.

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QUINTO CASO – POLONUS VORSTIUS
Esse agora é um caso muito antigo, de 1470, e foi publicado no Historiarum Anatomicarum Rariorum de 1641. É considerado o primeiro caso registrado de combustão humana espontânea. Polonus vivia na Itália e havia bebido altas doses de um vinho muito forte, de repente começou a vomitar fogo. As labaredas se espalharam e consumiram todo seu corpo. O incidente foi registrado pelo médico Thomas Bartholin, um aficionado por casos bizarros e extraordinários como esse.

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Várias hipóteses foram sugeridas através dos tempos para tentar explicar a razão da combustão humana espontânea ocorrer. Pessoas assombradas pelo sobrenatural, e o alto consumo de álcool. Mas a ideia da bebida percebeu-se forçada demais, visto que a retenção corporal é muito baixa para que isso fosse considerado viável. Quanto ao sobrenatural, não havia nada onde se sustentar além da superstição. Até hoje não existe uma explicação definitiva da ciência sobre o que pode levar à isso. Uma das teorias mais fortes é a do efeito pavio, situação onde os trajes da vítima fica encharcado com a própria gordura corporal, funcionando como um pavio de vela. Porém existem muitos casos onde essa condição não se encaixa adequadamente. Esse é um dos mistérios que a ciência ainda não solucionou, e que até termos respostas irá continuar a nos assustar.

As imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, e não necessariamente correspondem a retratação real dos casos.

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LÁ VEM O DISCO VOADOR (UFOLOGIA)

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A angústia de passar ridículo é algo que incomoda muita gente, ninguém quer o estigma de parecer indigno de confiança, ou mesmo virar motivo de piadas, e um dos ápices desse medo é revelar possíveis experiências paranormais. Quem não tem uma ou outra história insólita para contar? Acredito que quase todo mundo tenha, mas são raros os que tem coragem de abrir a boca. Tenho cerca de uma dúzia de casos pessoais, quais não contarei de jeito nenhum! Não quero ser taxado como maluco! Já que tenho uma página à zelar, e a reputação de centenas de milhões de seguidores. Mas tenho algo para dizer, não sobre mim e, nem sobre ninguém, mas sobre o entendimento de um fenômeno qual as pessoas deveriam levar um pouco mais à sério. Os OVNI’s! Podem rir. Não ligo.

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Duvido muito que as pessoas que dão aquela risadinha de lado quando surge esse assunto, façam realmente ideia do que estão debochando. Então primeiro é necessário o entendimento do básico, o significado do acrônimo OVNI, que na verdade é a sigla para objeto voador não identificado. O significado é literal e, só bastaria ter a mínima atenção e boa vontade pra interpretar. Na vida quando vemos algo que não podemos definir com segurança o que é, temos tal coisa como “não identificada” e, permanecerá desta maneira até que consigamos uma explicação melhor. Vale para objeto terrestres, aquáticos, o pontinho preto na sopa e, imagine você, até para os objetos voadores. Sensacional, não?!

OVNI

Com o entendimento do que viria ser um OVNI, já temos o início para superarmos um pouco nosso preconceito. Uma vez que aprendemos a obviedade de eles não serem necessariamente isso, aquilo, aquilo outro, e nem um maldito disco voador vindo das Plêiades. Quando vemos qualquer coisa no céu e, temos o conhecimento e meios de definir com segurança não ser qualquer aeronave conhecida, pássaro, inseto, balão, Superman, ou mesmo fenômeno atmosférico ou astronômico, nessa condição, sim, temos um autêntico disco voador! Quer dizer, digo, OVNI. Até eu mesmo tenho dificuldade com essas definições, simplesmente não me ouça, você sabe melhor que eu interpretar coisas.

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Conseguimos estabelecer o que não são as coisas, isso é o mais importante. Mas também precisamos definir a nossa forma de pensar em conjunto com isso. As pessoas possuem bagagem cultural, um pacotão cheio de conceitos e preconceitos, qual caso não tenha cuidado, poderá cair numa traiçoeira armadilha, a do viés de confirmação. Isso pode servir para que sejamos precocemente céticos ou crédulos demais, e as duas coisas são bem ruins se almejamos encontrar verdades. Com ceticismo cego iremos investigar com a predisposição de desmascarar algo, e não a de constatar. Podemos alterar, ignorar aspectos do objeto analisado, e chegar numa conclusão equivocada para nossa pesquisa. O mesmo vale se formos crédulos demais. Se entrarmos numa investigação predispostos a encontrar aquilo que desejamos, iremos ver aquilo que nossos olhos querem enxergar, e não necessariamente a realidade. É sim, muito difícil encontrar um ponto médio entre essas duas coisas, mas se faz extremamente necessário caso não queiramos ser observadores medíocres. Vale para tudo em nossa vida, afinal, constantemente estamos analisando e julgado coisas para continuar a seguir frente.

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Porque tanta reflexão em explicar algo tão bobo? Bem, talvez não seja algo tão irrelevante assim. O senso comum é de que o assunto disco voador, como popularmente as pessoas mais simples se referem aos OVNI’s, serem apenas papo furado que as pessoas contam quando não tem nada para falar. Causos que o Seu Zé conta no botequim apenas para arrancar risadas. Mas será mesmo que o que temos é apenas isso? São só histórias mal contadas por narradores indignos de confiança? Sinto informar, mas se você pensa assim, está redondamente enganado. O fenômeno OVNI é identificado e relatado por uma série de instituições sérias. Órgãos que levam o assunto tão a sério, que registram minuciosamente, estudam o fenômeno, catalogam, e deixam oculto do público leigo. Porém de uns anos para cá, governos do mundo inteiro, incluindo o Brasil, vem liberando informações variadas. Perseguições de aeronaves, missões oficiais das forças armadas em regiões com alta incidência do fenômeno, registros de radares, relatórios de pilotos capacitados em identificação, sejam eles civis ou militares, e uma série de outras documentações relacionadas.

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Para não parecer que estou falando coisas no vazio, citarei alguns casos famosos, e que facilmente você encontra mais conteúdo para analisar por conta própria na internet. Temos a Operação Prato, com relatórios e, até mesmo vídeos em Super 8, feitos por militares na década de 70. O prefeito da cidade não conseguindo mais lidar com a situação caótica da cidade, pediu socorro às forças armadas. O caso possui riqueza de detalhes de uma série de testemunhas. Algumas ainda vivas. Os moradores da região se referiam ao fenômeno como ‘chupa-chupa’, por conta dos feixes luminosos que vinham de estranhos objetos voadores e, acertavam as proximidades do peito ou pescoço das vítimas. Os atingidos passavam a apresentar muita fraqueza muscular, tendo até casos extremos de alguns virem à óbito.

Operação Prato

Outro caso que se sustenta em uma série de documentos oficiais, e que nem na sua época fora tentado ocultar, é a conhecida Noite Oficial dos OVNI’s. Ocorrida em 1986, revoadas de proporções gigantescas foram vistas em diversos pontos do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná, são os que se tem comprovação reconhecida. E estou falando de registros de radares do CINDACTA I, o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, o tipo de coisa séria que não se forja. Caças decolaram das bases militares de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e de Anápolis, no Estado de Goiás, para interceptar os objetos luminosos. O show aéreo se deu durante a noite, e muitos populares conseguiram assistir aquelas cenas duraram cerca de três horas. No dia seguinte o Tenente-Brigadeiro do Ar, Octávio Júlio Moreira Lima, deu uma coletiva de imprensa informando sobre os acontecimentos. Informou que os pilotos perseguiram de forma inútil aqueles objetos, visto que a tecnologia empregada naquelas supostas aeronaves, quais ele enfatizou ter controle inteligente, superavam em muitas vezes as dos F-5 e Mirages empregados na ação. Os jatos não conseguiram ao menos se aproximar para fazer algum reconhecimento visual mais detalhado.

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Memorandos e relatórios oficiais, contavam que algumas tripulações de aeronaves militares durante a Segunda Guerra Mundial, presenciavam constantemente OVNI’s fazendo companhia em suas missões. De um lado os aliados registravam aqueles como sendo possíveis experimentos militares dos nazistas, e do outro, os nazista tinham o entendimento que aquilo certamente vinha dos aliados. Os formatos dos objetos desconhecidos eram dos mais variados, desde pequenos medindo o tamanho de uma maçã, a objetos em forma cilíndrica com dezenas de metros. Os conhecidos Foo Fighters, preencheram todo o período de guerra, e são detalhados em diversos relatórios de ex-combatentes.

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Esses são apenas alguns casos famosos que servem para mostrar que o fenômeno OVNI não se resume apenas à histórias vindas de pessoas humildes, ou simplesmente cascateiros querendo chamar atenção. Existem registros dos mais variados tipos vindos de forças policiais, militares, instituições de monitoramento civis, e de todo tipo de autoridade capacitada em descartar falsos positivos. O assunto sempre foi nebuloso e motivo de ceticismo, mas o que mais contribui para sabotar sua legitimidade, são justamente os que se colocam como interessados em disseminar, e claro, lucrar em cima do assunto. Tratam o fenômeno como mercadoria e até objeto de culto. Temos subcelebridades que se autointitulam ufólogos, e arrogam para si a autoridade num assunto que não existem donos. São editores e donos de grandes revistas do ramo, e responsáveis por populares programas de TV, fazendo um enorme desserviço. É preciso lembrar que o estudo do assunto ufologia (vindo de UFO, termo em inglês para OVNI) não traz conteúdo suficiente para se alimentar constantemente com novidade. Esses caras bombardeiam seus públicos com repetições incessantes, sensacionalismo barato, e até fraudando material para suprir suas programações editoriais. Isso mancha cada vez mais a imagem já bastante queimada de quem estuda à sério o fenômeno.

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Interessante também é a alegação do público cético, que afirma não acontecer mais nada novo relacionado à OVNIs. Que depois do advento e popularização dos smartphones com câmeras superpotentes, ferramenta essa que poderia registrar com qualidade os tais OVNI’s, nada mais apareceu. Usam suas impressão de mundo como bengala argumentativa para reforçar a tese de que tudo nunca passou de bobagem. E isso, sem perceber que a réplica para sua convicção está justamente na palma de suas mãos. Você costumar ver pessoas vidradas no telefone até na hora de atravessar a rua? Sendo assim, não é difícil entender que a maioria das pessoas estejam olhando pra direção errada, caso realmente intencionassem avistar objetos no céu. Então não se trata do fenômeno ter acabado ou diminuído, são as pessoas que andam mais relapsas à essa atividade. E não é só isso, não só por conta da distração os ‘avistadores’ diminuíram, mas pelas cidades estarem cada vez mais iluminadas e com o ar poluído, o que prejudica ainda mais o vislumbre do firmamento. Se você não enxerga direito o céu, você não enxerga o que de incomum pode haver nele.

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A conclusão que chegamos é de que não se pode negar o fenômeno OVNI e simplesmente atribuir ao folclore. Existem fundamentações sólidas para afirmar sua autenticidade. Como já dito, é errado qualquer afirmação do que seja, essa parte sim envolve teorias e falsas convicções. Dizer que sejam naves extraterrestres, viajantes do tempo, fenômenos meteorológicos desconhecidos, ou seja, pressupor qualquer teoria, não deixa de ser interessante. Mas devemos procurar sempre fazer o exercício de não nos levarmos por nossas convicções, e sempre buscar a realidade. A verdade está lá fora.

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