STAR WARS: CLONE WARS – SÉRIE DO CARTOON NETWORK (CRÍTICA)

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Como fogo, por toda a Galáxia as Guerras Clônicas se espalham. Ao perverso Conde Dookan, aliados mais planetas se tornam. Contra essa ameaça, aos Cavaleiros Jedis é designada a tarefa de liderar o recém formado Exército da República. Enquanto aumenta o fervor da batalha, na mesma proporção a bravura do mais talentoso estudante da Força cresce. (Yoda, narração inicial)

Após a fatídica Batalha de Geonosis (final do O Ataque dos Clones, 2002), os jedis, os grandes emissários da paz na Galáxia, são convertidos em generais e estão à frente do exercito de clones da República. Nesta animação do criador de Samurai Jack, presenciamos os reveses desta batalha épica que mudou para sempre o destino da Galáxia e jovem e talentoso Anakin Skywalker, futuro Darth Vader. Nesta animação, que influenciou a criação em computação gráfica Clone Wars, conheceremos novos vilões e tudo que um verdadeiro jedi terá que fazer para cessar o avanço do Lado Sombrio sobre o destino do universo, nem que para isso tenha que perder a própria alma.

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Título original: Star Wars: Clone Wars.
Direção: Genndy Tartakovsky.
Roteiro: Bryan Andrews (1 episodio, 2003), Darrick Bachman (25 episódios, 2003-2005), Paul Rudish (1 episódio, 2003) e Genndy Tartakovsky (25 episódios, 2003-2005).
Duração: 2h 13min
Lançamento: 2003-2005 (série).

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Elenco: André Sogliuzzo (Capitão ARC), Mat Lucas (Anakin Skywalker), James Arnold Taylor (Obi-Wan Kenobi), Grey Griffin (Asajj Ventress), Tom Kane (Yoda), Corey Burton (Conde Dookan) e Nick Jameson (Chanceler Supremo Palpatine).

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1. ANÁLISE TÉCNICA: SAMURAI-JEDI
Esta animação que é assinada pelo criador de Samurai Jack, Genndy Tartakovsk, é um compilado 20 episódios de 3 minutos e outros 5 episódios de 15 minutos que eram exibidos nos intervalos da Cartoon Network. Cada capítulo foi transmitido inicialmente antes do primeiro programa no horário nobre e, no dia seguinte, ficava disponível para download no site Clone Wars da própria emissora. Desta forma o desenho animado Clone Wars era transmitido simultaneamente na televisão e na internet e tecnicamente se tornou a primeira série da web a figurar no Emmy Winning. O desenho animado gerou um filme, Star Wars: The Clone Wars (2008), e uma série em computação gráfica (CG) de mesmo nome, The Clone Wars, que recentemente ganhou uma sétima e última temporada pela Disney+.

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Enquanto o desenho animado de Genndy Tartakovsk tem uma narrativa alucinante e que abarca em mais de 2 horas diversos embates das Guerras Clônicas de forma resumida, os eventos das sete temporadas em CG não é uma reinicialização completa desta obra, mas uma expansão da série original, pois fornece uma história de fundo para personagens recorrentes. Assim a série animada do criador de Samurai Jack precede o mundo ampliado na animação em computação gráfica. No entanto, quando a franquia passou a Disney, esta animação deixou de fazer parte das obras consideradas oficiais (cânone) de Star Wars, o que gera debates calorosos por boa parte dos fãs. Por isso considero injusta a decisão da animação de Genndy Tartakovsk não ter sido levada em conta, pois os elementos por ela abordados não anula, mas enriquece ainda mais a série animada em CG.

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Do ponto de vista da narrativa, a animação é composta por dois blocos distintos: uma primeira parte na qual os diálogos são raríssimos ou quase nulos e o foco é a ação frenética que mescla a técnica de animação 2D, essência desta obra, com o apoio mínimo das técnicas em computação gráfica. Nestes momentos o recurso de cel-shading, que mescla o 3D com o traço a mão, passa a impressão de que tudo é feito efetivamente na base do papel e caneta. Um exemplo disso é a luta de Asajj Ventress e Anakin Skywalker.

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2. ENREDO: O CAMINHO DO LADO SOMBRIO / SPOILERS
Ao longo de toda a animação acompanhamos os passos de múltiplos personagens em suas batalhas e que abarcam o intervalo de tempo entre o episódio II (O Ataque dos Clones, 2002) e o episódio III (A Vingança dos Sith, 2005). A narração de Yoda no início deste compilado de duas horas de episódios animados nos dão o tom do que virá: sentir todas as formas e amplitudes que as batalhas clônicas e como elas assolaram a galáxia.

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A divisão da obra consiste em uma compilação em duas partes. A primeira é composta pela junção de episódios de três minutos exibidos originalmente da TV e focadas quase que integralmente na batalha por Muunilinst, o país sede do Clã Bancário, um dos principais aliados dos Separatistas. Aqui vemos as vitórias, em pequenas histórias, das tropas de elite dos clones, os Arc-Troopers, e do diversos jedis que permeiam a academia, o templo e o conselho. Já o segundo volume, os episódios de 15 minutos, lidam com os eventos que imediatamente precedem A Vingança dos Sith (2005) com o surgimento do General Grievous e o sequestro de Palpatine do planeta sede da República, Coruscant.

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Se por um lado vemos a evolução de cavaleiros e mestres jedi, suas perícias e técnicas de combate principalmente em Yoda e Mace Windu (este último fantástico), testemunhamos a petulância e o egocentrismo de Anakin Skywalker para o Lado Sombrio. A história começa logo após os eventos da Batalha de Geonosis, com o padawan ainda de cabelo curto, com sua trancinha característica, liderando um ataque a pedido de Palpatine e contrariando Obin Wan Kenobi e o próprio Yoda, maior representante do Conselho Jedi.

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A animação Genndy Tartakovsk ainda nos brinda com outros momentos do lado obscuro de Anakin. Além da desobediência e arrogância, o vemos deixar aflorar sua perversidade quando enfrentando a primeira aparição de Asajj Ventress, recrutada por Dookan. Em certo momento o jovem se apodera do sabre vermelho de Ventress e a cada golpe que desferia contra a Irmã da Noite, fantasiava que enfrentava os demais Cavaleiros Jedi. Mesmo assim é promovido a cavaleiro sem passar pelos testes convencionais, por desejo de seu mestre Kenobi, devido não só a valentia do padawan como também as terríveis baixas que a Guerra Clônica trouxera à Ordem. E por fim, ainda em um planeta remoto e primitivo, quase vencido, tem visões de como um herói da justiça se tornaria o maior vilão da Galáxia na figura de Darth Vader.

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Além de Ventress, essa animação nos mostra a primeira aparição do general droide Grievous, em plena força e perícia. Seus primeiros assassinatos, o início de sua coleção de sabres de luz. Ele dá as caras por volta do episódio 20 presente nesse compilado e ainda não tinha sua voz ofegante e interrompida pela tosse o tempo todo. Ela seria sequela de sua batalha contra Mace Windu, que lhe esmagou os pulmões e quase o derrotou. No entanto é Grievous que está a frente do sequestro de Palpatine e que o entrega a Dookan, sequestro esse que marca o início do filme A Vingança dos Sith (2005).

3. CURIOSIDADES

  • 142_12A voz do General Grievous é significativamente diferente nesta animação. Isso se deu porque o ator que o interpretaria no Episódio III: A Vingança dos Sith ainda não havia sido escolhido. Assim no episódio final, quando Mace Windu esmagou os pulmões de Grevious, produziu uma voz levemente alterada não causando estranhamento entre as diferenças entre o desenho e o filme de 2005.
  • 142_13Uma cena deletada de Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (2005) mostra Obi Wan e Anakin testemunhando Shaak-Ti sendo morta nas mãos do General Grievous em sua missão de resgatar o Chanceler Palpatine. Isso atua como um final alternativo à missão de Shaak-Ti do desenho, no entanto, foi considerado algo não oficial.
  • 142_14No capítulo 24, Anakin vê uma mensagem enigmática detalhando um guerreiro Nelvaan que perdeu a mão na batalha, recebeu uma nova e quase destruiu sua própria aldeia. Este é um prenúncio da passagem de Anakin para o Lado Sombrio como acontece no último filme da trilogia prequel,  A Vingança dos Sith.

4. CONCLUSÃO
Se você é um fã do canal Cartoon Network, um fã raiz, vai apreciar bastante esta animação com os traços de Samurai Jack, que considero um dos grandes desenhos da época de ouro desse canal. Compensa muito ver as cenas de ações mortais, rechearem a tela principalmente as que envolvem não só Anakin, futuro Vader, mas a todos os jedis, em geral, mas principalmente Mace Windu e Yoda. Percebemos o porquê desses últimos serem considerados os jedis mais valorosos e eficientes da Ordem.

Outro ponto importante é a estreia de dois vilões importantíssimos para franquia: Asajj Ventress e o General Grievous. Ela porque é uma das peças centrais do filme e da série animada em computação gráfica; ele por ser um dos melhores vilões de A Vingança dos Sith (2005). As batalhas nas quais se envolvem vale cada minuto de seu tempo.

Já para quem é fã de longa data de Star Wars, fica a curiosidade para ver se a Disney cometeu ou não uma injustiça ao excluir essa série animada da mitologia oficial da franquia. Questão essa, para vocês eu deixar (tentando ser Yoda aqui). Adianto que considero uma obra digna e bem construída para ser descartada, mas não há como saber que rumos para Força a empresa do Mickey tomará. Sendo assim, assista e tire suas conclusões. No mais, prepare uma pipoca e que a Força esteja com vocês.

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STAR WARS: EPISÓDIO II – O ATAQUE DOS CLONES (CRÍTICA)

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Há apreensão no Senado Galáctico. Milhares de sistemas solares manifestam sua intenção de deixar a República.
Esse movimento separatista, sob a liderança do misterioso Conde Dookan, tornou difícil para o pequeno número de Cavaleiros Jedi manter a paz e a ordem na galáxia.
A senadora Amidala, ex-rainha de Naboo, está voltando ao Senado Galáctico para votar a delicada questão de criar um Exército da República para ajudar os combalidos Jedi.

Dez anos se passaram desde o bloqueio comercial e os conflitos em Naboo (Star Wars: Episódio I – A ameaça Fantasma, 1999). A República Galáctica e seus defensores da paz, os jedis, deparam-se com uma nova ameaça: o Movimento Separatista. A probabilidade de guerra é real, mas os Cavaleiros Jedi, pacifistas por excelência, são incapazes de sozinhos deterem a marcha dos acontecimentos.

Anakin Skywalker, agora com 19 anos, oscila entre a rebeldia, arrogância e amor pela agora senadora Amidala, sua fixação desde a infância. Está em desequilíbrio entre os ensinamentos de seu mestre, Obin Wan Kenobi, e a forte influência do Chanceler Supremo Palpatine.

Um atentado envolvendo a senadora Amidala, contrária à formação de um exército da República, fará com que Anakin confronte seus sentimentos e seu passado dando demonstrações que a fúria é forte no jovem padawan. Por outro lado, fará com que Obi Wan descubra tanto um exército secreto de clones como também um de droides, este último idealizado por Conde Dookan, o novo aprendiz sith.

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Título original: Star Wars: Episode II – Attack of the Clones
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas, Jonathan Hales
Duração: 2h 22min
Lançamento: 12 de maio de 2002

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Elenco: Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé), Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Christopher Lee (Conde Dookan / Darth Tyranus), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Frank Oz (Yoda) e Ian McDiarmid (Chanceler Supremo Palpatine).

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ANAKIN E A SEDUÇÃO DO LADO NEGRO
Quando percebemos a transformação do garotinho escravo Anakin, repleto de perspicácia e bondade, no agressivo padawan (aprendiz jedi), parece algo muito forçado (perdoem-me o trocadilho). Mas não podemos esquecer que ele sempre foi muito emotivo, muito ligado à mãe. Isso é potencializado nesta sequência da história do futuro Darth Vader. Anakin é arrogante, convencido e não respeita integralmente o comando de seu mestre, Obi Wan Kenobi.

Anakin tem constantes pesadelos com a mãe. Projeta sua afeição em Padmé, a antiga rainha que durante os últimos 10 anos viveu em seu imaginário. Dormindo, tem pesadelos com a mãe, acordado sonha com Padmé. Mesmo no reencontro, quando é designado junto com seu mestre para protegê-la, ao receber um fora daqueles (“Ani, você sempre será o menininho que conheci em Tatooine.”), não desiste em sua sedução tosca e acaba conquistando o coração velha (porém super conservada) senadora de Naboo.

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Enquanto seu coração sente a tentação amorosa e o medo da perda da mãe, dois sentimentos que não podem dominar o coração virtuoso e equilibrado de um jedi, o Chanceler Supremo Palpatine, pálido como um cadáver, revela-se como o segundo mestre de Anakin e que o aconselha nas sombras. Enfatiza o quanto o garoto é habilidoso, alimenta a ambição do padawan. Isso faz com que cresça a ideia do sentimento de superioridade acima de qualquer jedi e suas queixas em relação a Kenobi, acusado de não deixá-lo brilhar e ser invejoso.

O amor (uma fixação juvenil de um rapaz virgem), o medo (da perda da mãe), a influência de Palpatine (o capeta a sussurrar maldades no seu ombro) e a vaidade de seu domínio da Força que farão com que o antigo escravo de Tatooine dê passos decisivos em direção ao Lado Negro da Força. Duas circunstâncias nos mostram que definitivamente Anakin Skywalker está perdido. A mais aparente é o fato de voltar a Tatooine, como havia falado a sua mãe que faria. Ele não liberta todos os escravos, porém executa toda uma aldeia de povos da areia que haviam sequestrado sua mãe. Não poupa ninguém: nem mulheres nem crianças. Não é o escolhido (messias) salvador, é, somente, a mão furiosa da morte.

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A segunda pista da perdição de Anakin Skywalker está em um diálogo em uma das cenas românticas mais mal feitas da trama: a cena do casal no campo florido. Em um dado momento Padmé interroga o jovem jedi que diz que não acreditava que o sistema político funcionasse. “E como isso funcionaria para você?”, pergunta a senadora. Anakin então explica:

“Precisamos de um sistema onde políticos se reúnam, discutam os problemas, concordem sobre o que é melhor para o povo e então façam.”
“Mas é exatamente isso o que fazemos, mas nem sempre as pessoas concordam”, diz a senadora de Naboo.
“Deveriam ser obrigadas, então”.
“Por quem? Quem poderia obrigá-las?”, pergunta Padmé.
“Não sei, alguém…”
“Você?” , interrompe a senadora.
Sem muita convicção, vacilando, Anakin então afirma:
“Claro que eu não… Alguém sábio.”
“Para mim, isso está parecendo mais uma ditadura”, constata Padmé.
Anakin confirma a possibilidade, eles sorriem e a cena segue entre sorrisos e brincadeiras.

Desta forma está sedimentado na alma do futuro Darth Vader as sementes do autoritarismo: a mão forte do Imperador sobre o futuro da galáxia. Mesmo que ele tenha esquecido das palavras da atual rainha de Naboo quando chegaram ao planeta:

Devemos manter nossa fé na República. O dia em que deixarmos de acreditar na democracia, será o dia em que ela cairá.

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PALPATINE: O SENHOR DA GUERRA
Quando analisamos a escalada do pode do Senador Palpatine ao cargo de Chanceler Supremo da República, eventos narrados no Episódio I – Ameaça Fantasma (1999), descobrimos que ele age nas entrelinhas, controlando as fraquezas do sistema. Ainda havia hostilidade da Federação de Comércio que amargou uma dura derrota na invasão de Naboo, mas a ela se somaram outros sistemas que desejavam se separar da República. Os Separatistas estão em maior número e se torna cada vez mais difícil para os jedis manterem a paz. Claro que o desejo se desligar da República tem o dedo de Palpatine: ele enfraquece as instituições ao mesmo tempo que na surdina espalha a fragilidade do sistema e o medo generalizado. É assim que ele começa a arquitetar a guerra que se desenrola neste longa-metragem. Vamos entender passo a passo a estratégia de Darth Sidious:

  1. 058_06O atentado à senadora – Logo no início do longa-metragem, a senadora de Naboo sofre um atentado. A sósia de Padmé é morta na ocasião. A antiga rainha é a principal líder do movimento contra a militarização da República diante da ameaça Separatista. É necessário que ela saia do cenário para Palpatine não tenha ninguém contra a ideia da formação de um exército. Convenientemente sugere que a senadora retorne a Naboo sendo protegida por seus antigos salvadores: Anakin e Obi Wan Kenobi. Darth Sidious consegue alcançar três objetivos: deixar Padmé e Anakin bem próximos (decerto sabia da fixação de seu pupilo pela representante de Naboo); afastar a principal oposição à militarização; e, por fim, deixar Jar Jar Binks (sim, aquela desgraça do filme anterior) como representante de Naboo no Senado.
  2. 058_07O exército de clones – Obi Wan descobre um produção em massa de clones, uma força militar feita por encomenda para República em um planeta chamado Kamino. Segundo o primeiro-ministro, o exército teria sido encomendado há quase 10 anos. O que nos remete à época da invasão de Naboo, evento do Episódio I. Sabemos que Palpatine usou esta ocasião para se tornar Chanceler Supremo e, talvez, em uma de suas primeiras medidas, encomendar um exército de clones para República, pois os clonadores seguiram tanto o pedido do Senado como o de um antigo mestre jedi morto há muitos anos. Assim, enquanto a oposição e separatistas fortaleciam o exército de droides, nas sombras, Palpatine aparelhava a República para o futuro conflito.
  3. 058_08A corrupção política – A influência de Darth Sidious vai crescendo ao longo do tempo à frente do Senado. Por outro lado, os jedis, nas próprias palavras do Mestre Windu, sentiam a habilidade do Conselho de usar a Força diminuir. Nesse sentido, por mais que Yoda aconselhe Kenobi a limpar a mente para vislumbrar o verdadeiro vilão, o mestre de Anakin parece ser o único a estar atento. E após seu padawan defender o Chanceler Supremo, Obin Wan emenda: “Palpatine é um político. Tenho observado que ele é muito inteligente, aproveitando-se da convicção e dos erros de julgamentos do senadores”. Desta forma, sensível, de forma instintiva, o Mestre Kenobi estava alerta e desconfiava do lorde sombrio e de suas maquinações. Mas mesmo sob suspeitas, Palpatine manipulava as estruturas fragilizadas do poder debaixo das barbas do Conselho Jedi.
  4. 058_09Darth Tyranus – Com a morte de Darth Maul (Star Wars: Episódio I – A ameaça Fantasma, 1999), Palpatine precisava de um novo aprendiz sith. Quem ocupa esse lugar é um veterano idealista e desacreditado da República: Conde Dookan. Ele foi treinado pelo Mestre Yoda e por sua vez foi mestre de Qui-Gon Jin. Literalmente é um jedi seduzido pelo lado sombrio. Além de estar à frente dos Separatistas, articula-se com a Federação de Comércio. Poderia ter sido ele a apagar o sistema Kamino dos arquivos Jedi? Quando o lado Negro começou a seduzi-lo? Dookan nos mostra que com o tempo certo, qualquer jedi pode ser tentado. O conde também cumpre o papel de quase matar Anakin e suscitar outro sentimento passional no padawan, além do medo, do amor e da fúria: a vingança. A queda de Dookan marcará a transição inicial de Anakin para submissão total a Palpatine.
  5. 058_10A batalha de Geonosis – Com todas as peças do tabuleiros arrumadas, só restava colocar a guerra em curso. Diante da prisão de Obi Wan, Anakin e Padmé no planeta Geonosis, era preciso uma resposta imediata à ameaça. Por um lado os jedis se vêem incapazes de deter o exército gigantesco de droides criados nas entranhas do planeta. Por outro a oposição à militarização da República é vencida por ter sua líder presa nas mãos dos Separatistas. Sendo o sistema corrupto, só faltava que algum senador ou representante de um senador propusessem em plenária a formação do exército. Nesse ponto que Jar Jar Binks (personagem desgraçado!) é manobrado e faz a proposição. Assim, pelas mãos de um idiota e ingênuo, Palpatine recebeu poderes emergenciais e passou a liderar um exército de mais de um milhão de clones feitos do código genético um mercenário e caçador de recompensas Jango Fett, pai de Bobba Fett.

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OBI WAN: PROFETA OU MESTRE JEDI DOS SPOILERS?
Tudo bem, sabemos que domínio forte é da Força em Yoda. Também sabemos que o Mestre Windu humilha com o sabre de luz roxo, mas talvez o mais atento ao lado negro, neste episódio da trilogia prequel (pré-sequência), seja Obi Wan Kenobi. A todo momento ele faz avaliações e observações sobre o momento em que ele e os demais jedis vivem. Talvez o mais sensitivo quanto aos eventos funestos que se abaterão sobre a galáxia. Primeiro, podemos destacar sua desconfiança sobre os políticos em geral e o próprio Chanceler Supremo Palpatine. Antes da perseguição a Zan Wesell, caçadora de recompensas, ele afirma em conversa com Anakin:

Pela minha experiência, os senadores se preocupam apenas em agradar aqueles que dão fundos para suas campanhas. E eles não demonstram escrúpulos quando esquecem do poder e da ordem para conseguir tais fundos.

Após a perseguição à caçadora de recompensas, quando ele devolve o sabre de luz a Anakin antes de entrar no bar e encurralar a assassina, ele prediz o que acontecerá no episódio IV da saga: “Por que tenho a impressão de que você ainda vai me matar?”.

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Obi Wan Kenobi não sente firmeza e tem constantes ressalvas para sugerir que Anakin se torne mestre jedi. Ele tem habilidades magistrais, mas seu coração parece frágil. Kenobi aceitou a incumbência de treinar o menino de Tatooine de seu mestre Qui-Gon, porém aparenta não ter confiança na temperança de Anakin. E novamente estava certo. Anakin executaria toda uma aldeia ao voltar à terra natal, fato sentido de forma indireta por Yoda. E após o incidente, o jovem jedi expressa sua fúria:

“Eu deveria ser (onipotente). E algum dia eu vou ser. Eu vou ser o jedi mais poderoso que existiu. Eu prometo a você. Eu vou até aprender a impedir que as pessoas morram. […] Isso é tudo culpa do Obi-Wan. Ele é invejoso. Ele está me reprimindo. “

CURIOSIDADES

  1. 058_13O nome do Conde – Na tradução para nossa língua, o nome do Conde Dookan precisou sofrer uma ligeira alteração porque senão não iam faltar brasileiros zombando do nome do personagem Count Dooku (Sim, aquele lugar onde o sol não bate).
  2. 058_14O sabre de luz de Mace Windu – Foi ideia do ator Samuel L. Jackson. Motivo: simplesmente se destacar no meio do sabres azuis e verdes no meio das batalhas. Mas no material estendido, o sabre de luz roxo se refere aos usuários da Força que já foram do lado negro.
  3. 058_15As sementes do Império – A trilogia original é marcada pela hegemonia do Império Galáctico. Neste segundo filme da trilogia prequel temos algumas referências e percebemos que já fazia parte do plano geral a construção do poder imperial. Podemos ver o símbolo do Império na mesa de reuniões dos os futuros Líderes Separatistas (Wat Tambor, Nute Gunray, etc.). Momentos depois o arqueduque de Geonosis entrega os projetos de sua arma final, a Estrela da Morte, para que o Conde Dookan entregue ao Lorde Sith. Outro ponto é o armamento utilizado pelos clones, muito semelhantes aqueles que seriam usados pelos Stormtroopers, como os andadores.
  4. 058_16O clã Fett – Também podemos ver a origem de Boba Fett, o caçador de recompensas que colocará as mãos em Han Solo. Clone idêntico (fisicamente e mentalmente) de Jango Fett, feito em Kamino, cresceu naturalmente sob a tutela e treino direto do pai. Nós o vemos dar tiros de blaster na nave Escravo I e após a morte, segurar o capacete do pai, em uma espécie de legado passado.

CONCLUSÃO: Que Yoda é esse? OMG!
Bem, é totalmente dispensável as cenas de flerte e jogos amorosos entre Anakin e Padmé Amidala. Cheios de tiradas ultrapassadas e cenas românticas mais do que clichês. Não que a franquia não possa ter seus romances, afinal a tensão amorosa entre Han Solo e a Princesa Leia é uma das coisas mais legais na trilogia original. Mas percebemos que George Lucas (ou seu roteiro) podem ter tirado sua ideias de novelas brasileiras ou mexicanas para explicar tanta cafonice. Por mais que os casais de atores tenham desenvolvido um romance durante as filmagens, que Natalie Portman tenha largado o marido para ficar com Christensen, a química não rola e por vezes você vai querer adiantar o filme para não assistir às cenas piegas.

A única atuação digna de atenção é justamente de um personagem em CGI (computação gráfica): Yoda. Além de ser um sonho de muitos fãs da franquia de ver o diminuto e mais forte jedi lutar e ele o faz de forma fantástica. O mestre Yoda se mostra um líder nato, com capacidade analítica e boas expressões faciais. Ao meu ver é o ponto mais empolgante da trama.

Também, este longa, é uma ótima oportunidade pra ver a capacidade tecnológica tanto do enredo da história, quanto dos efeitos especiais da produção que teve um salto qualitativo em três anos, diferença entre o Episódio I e o II. Vale a pena pelas cenas da batalha da arena de Geonosis quanto da própria guerra em si.

Se você espera ver um filme com muita ação e com apogeu dos jedis e sua capacidade de batalha, esse filme empolga, mesmo com o romance piegas e as atuações nem sempre interessantes. Esse longa marca o início da fase mais belamente construída desde a trilogia inicial. Trata-se das Guerras Clônicas que foram amplamente adaptadas para a animação, Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) e a série animada, Star Wars: The Clone Wars (2008-2020), que preenchem as lacunas deixadas pelos filmes prequel.

No mais, persista na Força, jovem padawan, o Lado Negro cresce na galáxia. Se queres paz, te prepara para a guerra! E bom filme!

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STAR WARS: EPISÓDIO I – A AMEAÇA FANTASMA (CRÍTICA)

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A desordem instalou-se na República Galáctica. A cobrança de impostos das rotas de comércio para sistemas remotos está sendo contestada. Esperando resolver a questão com um bloqueio de poderosas naves de guerra, a gananciosa Federação do comércio suspendeu toda remessa para o pequeno planeta Naboo.

Enquanto o Congresso da República discute indefinidamente essa alarmante sequência de eventos, o Chanceler Supremo enviou, secretamente, dois Cavaleiros Jedi, guardiões da paz e da justiça na galáxia, para porem fim ao conflito…

Exatamente 32 anos antes do domínio do Império Galáctico, o longa-metragem de George Lucas acompanha os passos do Mestre Jedi Qui-Gon Jinn e de seu aprendiz (padawan), Obi-Wan Kenobi. Inicialmente enviados como negociadores para por fim a um bloqueio comercial hostil às novas taxações impostas pelo Senado da República, acabam se tornando defensores dos interesses da Rainha Amidala do pacato planeta Naboo. Ambos os heróis na medida que se envolvem na ameaça de guerra contra o Exército Droide a serviço da Federação de Comércio, acabam por descobrir uma divergência na Força, alguém que possa trazer equilíbrio e paz para galáxia, na figura do garotinho Anakin Skywalker. Mas o que parece ser um simples conflito preste a ser resolvido pela ação pacificadora do Jedis, revelam o retorno dos misteriosos Siths.

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Título original: Star Wars: Episode I – The Phantom Menace
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Duração: 2h 16min
Lançamento: 19 de maio de 1999

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Elenco: Liam Neeson (Qui-Gon Jinn), Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman, (Rainha Amidala / Padmé), Jake Lloyd (Anakin Skywalker), Ian McDiarmid (Senador Palpatine) e Ahmed Best (Jar Jar Binks).

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A ORIGEM DO CLÃ SKYWALKER
Quando o enredo tem início, temos o auge da influência jedi sobre a galáxia: eles são uma força temida e respeitada. O Conselho Jedi, que tem no jovem Yoda (mas sempre velho), o principal representante dada a sua antiguidade, atua como suporte na manutenção da República e sua democracia. Os Jedis resguardam sua tradição, treinam novos aprendizes, mas tornaram-se desleixados para detectar as ameaças do Lado Negro da Força. Tudo está nebuloso, como o próprio Yoda diz a certa altura do filme.

Por mais que Qui-Gon Jinn, nos instantes iniciais da película, afirme que seu aprendiz precisa se preocupar somente com o “aqui e agora” e não pensar no futuro, por mais que isso pareça ser só a lição de um mestre ao seu aluno, foi assim que os Jedis ficaram cegos a ameaça do Lado Negro. Esse ensinamento, a filosofia de Qui-Gon, resume a queda que recairia sobre a hegemonia dos jedis sobre a galáxia: não dar uma atenção maior ao futuro.

Após o fracasso da negociação com o vice-rei Nute Gunray, o plano de invasão ao planeta Naboo é adiantado. Os Jedis, em fuga e já em terra, fazem amizade com um atrapalhado nativo Jar Jar Binks, apontado pela crítica e pelos fãs mais fervorosos (e me incluo nesse grupo), como a pior adição ao universo Star Wars. Porém, falarei da importância dele depois. Mas o fato é que o irritante personagem, após conduzir os heróis ao reino aquático de Gunga, serve de guia para que os Jedi cheguem a capital de Naboo, resgatem a rainha e fujam do planeta durante o início da invasão droide.

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Depois da ajuda essencial do astrodroide R2D2, primeira aparição do robozinho mais famoso da franquia, que conserta avarias na nave em plena fuga, os jedis e a rainha precisam pousar em Tatooine, planeta desértico controlado pela facção criminosa dos Hutts. É que, devido ao ataque, fora danificado o hyperdrive: componente essencial da nave que a faz cruzar longas distância na velocidade da luz.

É em busca do conserto da nave que Qui-Gon, Padmé e Jar Jar vão conhecer o jovem Anakin Skywalker com apenas nove anos, escravo de um comerciante local de sucatas. Enquanto o mestre jedi negocia com Watoo, dono do comércio, Anakin mostra sua afeição, desde sempre, pela rainha disfarçada de aia: “Você é um anjo?”. O garoto acaba por ajudar aqueles forasteiros desde livrar Jar Jar de uma briga, passando por conceder abrigo durante uma tempestade de areia, até ganhar uma corrida pods (planadores).

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O jovem Anakin se mostra um prodígio: hábil em mecânica, construtor de droides (C3PO é sua criação), um piloto nato com reflexos impressionantes. Tudo desperta o interesse de Qui-Gon que vê o potencial do rapaz e sua manifestação da Força. Mas a origem do menino é em si um mistério e em muito se deve a sua semelhança com a figura de Jesus, entre os cristãos. Anakin Skywalker teria sido gerado espontaneamente pela Força, sem nenhuma relação sexual da mãe. Segundo ela, o menino não conhecia a cobiça e acreditava que ele nasceu para acompanhá-los. Anakin, que descobre por conta própria que Qui-Gon era um jedi, diz em certo momento que sonhou que era um jedi e que voltava para Tatooine e libertava todos os escravos. Bem, o futuro mostraria que esse retorno não seria tão feliz.

O jovem Anakin Skywalker, fazendo jus a seu sobrenome (andarilho do céu, em tradução livre), conheceria todas as estrelas. Ele possuía uma quantidade absurda de midichlorians: uma espécie de vida simbionte no interior de cada célula vivente. Tais formas de vida se comunicam com a Força e falam seus desejos. A contagem midichlorians do menino era superior até do mestre Yoda. Isso significava que ele mesmo tão jovem, poderia ter um domínio da Força muito maior que qualquer jedi existente. Isso faz Qui-Gon acreditar que ele poderia ser o Escolhido: aquele que traria equilíbrio a Força.

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Ao libertar o menino, consertar a nave e enfrentar um estranho oponente de sabre de luz vermelho, os cavaleiros jedi chegam ao planeta-cidade Coruscant. Anakin é submetido a avaliação do Conselho Jedi para saber seu potencial para se tornar padawan de Qui-Gon. Apesar da grande Força, Yoda percebe que o garoto é perigoso pelo excesso de medo e apego à mãe que Anakin possuía, pois:

“O medo caminho é para o Lado Escuro. Medo leva a raiva, raiva ao ódio leva, ódio leva ao sofrimento”.

É justamente este o caminho da decadência que levará o potencial positivo de Anakin Skywalker à ruína na sequência dos demais filmes. O medo caminhará com ele. Na ausência da mãe, projetará seu carinho em Padmé Amidala. Freudiano, isso. Mas Qui-Gon, que sempre fora arredio resolve que o treinará a qualquer custo e, com sua morte, a missão passará a Obi-Wan Kenobi, que cumpre o último desejo de seu mestre. A ascensão de Anakin é o início do declínio da era jedi na galáxia.

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QUE AMEAÇA FANTASMA É ESSA?
A primeira impressão que temos que o “fantasma” do título é a aparência aterradora de Darth Maul, porém o que está por trás da verdadeira ameaça  é a ambição do senador Palpatine, alter-ego do lorde sith Darth Sidious.

O bloqueio da Federação de Comércio não passa de uma estratégia bem planejada por Palpatine. Era necessário pressionar a Rainha Amidala ao máximo e ele, como senador de Naboo, desejava se tornar Chanceler Supremo, tomar o lugar de Valorum. Este último, acusado de corrupção, manipulado por burocratas, subornado pela Federação, ao seu entender não estava mais apto a liderar a República Galáctica. Até que ponto estas informações eram verdadeiras, a Rainha não sabe, mas é induzida a acreditar nelas. E assim propõe um “voto de desconfiança” ao senado, o que faz com que haja novas eleições para o cargo. Em si, isso não muda nada e não auxilia Naboo que se encontra sitiado pelo vice-rei Nute Gunray, porém marca o início da escalada de poder de Darth Sidious. A rainha volta ao seu planeta, Palpatine fica na capital da República para vencer a eleição.

Palpatine se diz honesto e que “vai acabar com a corrupção”, mas no fundo a trama ou as informações podem ter sido falseadas pelo lorde sith. Mas fato é que os jedis se tornaram distraídos e a estrutura democrática estava fragilizada. Isso cedeu espaço para que, na escuridão das ruas de Coruscant, a ameaça fantasma Sith fosse crescendo. Se ao final Palpatine perde seu discípulo, Darth Maul, pelas mãos de Obin Wan Kenobi, por outro o senador alcança o degrau máximo do poder e ainda conhece um jovem com um potencial inimaginável na Força: Anakin Skywalker. Os dados foram lançados para o início da reviravolta Sith da história galáctica.

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É MELHOR JAR JAR IR SE IRRITANDO
Com pouco mais de dez minutos de filme, surge Jar Jar Binks, para suplício de muitos. Ele é um Gunga, do povo aquático de Naboo, e que tinha sido expulso de sua terra (ou de sua água?) por ser extremamente desastrado. Ele é responsável por aquelas que deveriam ser as cenas engraçadas da história e fazer o riso da criançada com seu humor pastelão. Bem, a intenção saiu pela culatra: suas cenas são forçadas e desnecessárias. Não que o humor esteja proibido, afinal C3PO, na trilogia inicial, faz um bom trabalho. E pensar que, segundo o ator Ahmed Best, o intérprete dessa “beleza de personagem”, afirmou que Michael Jackson quase lhe roubou o papel!

Eu, Natalie Portman e os filhos de George estávamos em um show de Michael Jackson. Nós fomos levados ao backstage e conhecemos Michael. Seus filhos também estavam lá. George me apresentou como Jar Jar e eu não entendi o que estava acontecendo. Depois que Michael foi embora, nós fomos para uma festa. Eu estava tomando um drink com George e ele me disse que Michael queria o papel, mas gostaria de fazer com próteses e maquiagem, como em “Thriller”. George queria fazer em CGI. O meu palpite é que Michael Jackson acabaria sendo maior que o filme, e não acho que ele [George] queria isso“, disse o ator.

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Mesmo que o interesse do rei do pop em dar vida ao personagem possa parecer um baita elogio e que talvez ele fosse muito melhor com Michael Jackson interpretando, Jar Jar decepciona não só por ser um personagem péssimo, mas por afetar o futuro da galáxia de forma desastrosa.

Assim que Qui-Gon conhece o Gunga, Binks afirma que sabe falar. Ao que o mestre jedi responde: “Capacidade de falar não é prova de inteligência”. Agora imagine isso aplicado a um político em um sistema democrático. Pensou? Pois bem, com suas trapalhadas, no início da trajetória de Jar Jar no universo de Star Wars, parece que tudo vai dar certo, mas aguardem até ele se tornar o senador representante de Naboo. Não quero adiantar a história, mas falaremos desse ódio nos outros filmes.

CURIOSIDADES

  1. 049_09Bloqueio Comercial – Para entender o contexto político deste filme, é necessário refrescar a memória das aulas de História do Brasil. Sério? Sim. Quando falamos de bloqueio comercial, retornamos a eventos muito ligados a nossa história. Quando, em 1806, Napoleão Bonaparte exigiu que Reino de Portugal se tornasse seu aliado contra a Inglaterra e os portugueses se negaram, o imperador francês instituiu um bloqueio comercial para que ninguém fizesse negócio com os ingleses. A corte portuguesa, como eram aliados da Inglaterra de longa data, resolveram não cortar laços e terminaram fugindo na surdina para sua colônia mais próspera: o Brasil. Diferentemente dos nem tão pouco corajosos portugueses que abandonaram seu lar, a Rainha Amidala, vendo que não resolveria nada simplesmente esperando a resolução do Senado e longe de sua pátria, retorna ao seu planeta para defendê-lo a todo custo.
  2. 049_10Cidade Aquática – Uma cidade submersa não é grande novidade quando falamos de ficção. Podemos pensar que isso se deve ao mito platônico da cidade Atlântida, descrita no seu diálogo Timeu (360 a.C.), como uma civilização avançada, um império de engenheiros e cientistas, tão ou mais avançados tecnologicamente que a nossa civilização. Diversas obras literárias ou cinematográficas usaram tal mito para falar de uma cidade aquática mágica ou alta tecnologia. Isso é possível constatar no Reino de Tritão (A pequena sereia, 1989), na Atlântida de Milo (O Reino Perdido, 2001) e dos quadrinhos de Aquaman (DC) ou Namor (Marvel).
  3. 049_11A mestre de Boba Fett – A corrida de pods é um dos eventos centrais e alguns personagens importantes para franquia aparecem. Jabba, o Hutt, mafioso alienígena asqueroso e obeso que fará negócios com Han Solo, é que está à frente da corrida. Durante a mesma, catadores de sucatas Jawas e os Tusken (povo da areia), seres importantes em Uma Nova Esperança (1977). E, claro, durante a primeira sequência da corrida, aparece do alto um rochedo Aurra Sing, que após a morte de Jango Fett, treinaria o impiedoso Boba Fett, caçador de recompensas que perseguiria Han Solo em O Império contra-ataca (1980). Aurra é importante no enredo da série animada Clone Wars.
  4. 049_14Cubo Azul e Vermelho – Watoo, dono do escravo Anakin Skywalker, convencido por Qui-Gon, resolve incluir o menino e sua mãe na aposta do final da corrida. Deixa a cargo da sorte no dado saber se libertaria o menino ou a mãe: face azul para ele, vermelha para ela. Não sei, mas me lembrou a associação de cores de Matrix (1999) que deixou entre uma pílula azul (voltar ao programa) ou vermelha (ser livre) a decisão do futuro de Neo, o escolhido. Enquanto o escolhido no filme de George Lucas é libertado pela cor azul (Qui-Gon manipula o lance de dados), o escolhido do longa de Lana Wachowski escolhe a pílula vermelha e se torna herói saindo da Matrix para liderar a resistência.

CONCLUSÃO: Um começo pouco empolgante
Este filme marca o início da trilogia prequel (pré-sequência) e que conta a origem de Darth Vader, o Imperador e seu poder. É imprescindível para quem quer assistir de forma cronológica à saga Star Wars. Nas gerações mais novas pode sugerir que todos os episódios sejam repletos de CGI (imagens geradas por computador) como este, o que faz a trilogia original, das décadas de 1970 e 1980, ser muito simplória e desinteressante.

Para aqueles mais old school, este episódio torna-se interessante por mostrar lutas com sabres de luz repletas de agilidade, fato incomum nos filmes mais antigos devido, em parte, a precariedade dos efeitos especiais. Também se destaca por mostrar a origem de personagens secundários para as ramificações da série: R2D2, C3PO, Obin Wan, um Yoda em plena ativa entre outros.

Mas do ponto de vista interpretativo dos atores, o destaque fica somente por conta de Liam Neeson (Qui-Gon Jinn), embora fique prejudicado, às vezes, por frases bobas (“Sempre há um peixe maior.”) ou que, ao interagir com personagens computadorizados, não saber realmente para onde está olhando.

Se você é um veterano na franquia, pode achar este filme pouco interessante e desconexo. Se você for novo no mundo de Star Wars, pode ser que ache melhor ir ver um filme da Marvel. Não os reprovo e acho compreensível. Mas se perseverar na Força, possa ser que você chegue a perdoar esse filme, pois afinal o que vale é a jornada. Opa, mas esse já é outro filme, outra história.

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