STAR WARS: CLONE WARS – SÉRIE DO CARTOON NETWORK (CRÍTICA)

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Como fogo, por toda a Galáxia as Guerras Clônicas se espalham. Ao perverso Conde Dookan, aliados mais planetas se tornam. Contra essa ameaça, aos Cavaleiros Jedis é designada a tarefa de liderar o recém formado Exército da República. Enquanto aumenta o fervor da batalha, na mesma proporção a bravura do mais talentoso estudante da Força cresce. (Yoda, narração inicial)

Após a fatídica Batalha de Geonosis (final do O Ataque dos Clones, 2002), os jedis, os grandes emissários da paz na Galáxia, são convertidos em generais e estão à frente do exercito de clones da República. Nesta animação do criador de Samurai Jack, presenciamos os reveses desta batalha épica que mudou para sempre o destino da Galáxia e jovem e talentoso Anakin Skywalker, futuro Darth Vader. Nesta animação, que influenciou a criação em computação gráfica Clone Wars, conheceremos novos vilões e tudo que um verdadeiro jedi terá que fazer para cessar o avanço do Lado Sombrio sobre o destino do universo, nem que para isso tenha que perder a própria alma.

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Título original: Star Wars: Clone Wars.
Direção: Genndy Tartakovsky.
Roteiro: Bryan Andrews (1 episodio, 2003), Darrick Bachman (25 episódios, 2003-2005), Paul Rudish (1 episódio, 2003) e Genndy Tartakovsky (25 episódios, 2003-2005).
Duração: 2h 13min
Lançamento: 2003-2005 (série).

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Elenco: André Sogliuzzo (Capitão ARC), Mat Lucas (Anakin Skywalker), James Arnold Taylor (Obi-Wan Kenobi), Grey Griffin (Asajj Ventress), Tom Kane (Yoda), Corey Burton (Conde Dookan) e Nick Jameson (Chanceler Supremo Palpatine).

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1. ANÁLISE TÉCNICA: SAMURAI-JEDI
Esta animação que é assinada pelo criador de Samurai Jack, Genndy Tartakovsk, é um compilado 20 episódios de 3 minutos e outros 5 episódios de 15 minutos que eram exibidos nos intervalos da Cartoon Network. Cada capítulo foi transmitido inicialmente antes do primeiro programa no horário nobre e, no dia seguinte, ficava disponível para download no site Clone Wars da própria emissora. Desta forma o desenho animado Clone Wars era transmitido simultaneamente na televisão e na internet e tecnicamente se tornou a primeira série da web a figurar no Emmy Winning. O desenho animado gerou um filme, Star Wars: The Clone Wars (2008), e uma série em computação gráfica (CG) de mesmo nome, The Clone Wars, que recentemente ganhou uma sétima e última temporada pela Disney+.

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Enquanto o desenho animado de Genndy Tartakovsk tem uma narrativa alucinante e que abarca em mais de 2 horas diversos embates das Guerras Clônicas de forma resumida, os eventos das sete temporadas em CG não é uma reinicialização completa desta obra, mas uma expansão da série original, pois fornece uma história de fundo para personagens recorrentes. Assim a série animada do criador de Samurai Jack precede o mundo ampliado na animação em computação gráfica. No entanto, quando a franquia passou a Disney, esta animação deixou de fazer parte das obras consideradas oficiais (cânone) de Star Wars, o que gera debates calorosos por boa parte dos fãs. Por isso considero injusta a decisão da animação de Genndy Tartakovsk não ter sido levada em conta, pois os elementos por ela abordados não anula, mas enriquece ainda mais a série animada em CG.

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Do ponto de vista da narrativa, a animação é composta por dois blocos distintos: uma primeira parte na qual os diálogos são raríssimos ou quase nulos e o foco é a ação frenética que mescla a técnica de animação 2D, essência desta obra, com o apoio mínimo das técnicas em computação gráfica. Nestes momentos o recurso de cel-shading, que mescla o 3D com o traço a mão, passa a impressão de que tudo é feito efetivamente na base do papel e caneta. Um exemplo disso é a luta de Asajj Ventress e Anakin Skywalker.

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2. ENREDO: O CAMINHO DO LADO SOMBRIO / SPOILERS
Ao longo de toda a animação acompanhamos os passos de múltiplos personagens em suas batalhas e que abarcam o intervalo de tempo entre o episódio II (O Ataque dos Clones, 2002) e o episódio III (A Vingança dos Sith, 2005). A narração de Yoda no início deste compilado de duas horas de episódios animados nos dão o tom do que virá: sentir todas as formas e amplitudes que as batalhas clônicas e como elas assolaram a galáxia.

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A divisão da obra consiste em uma compilação em duas partes. A primeira é composta pela junção de episódios de três minutos exibidos originalmente da TV e focadas quase que integralmente na batalha por Muunilinst, o país sede do Clã Bancário, um dos principais aliados dos Separatistas. Aqui vemos as vitórias, em pequenas histórias, das tropas de elite dos clones, os Arc-Troopers, e do diversos jedis que permeiam a academia, o templo e o conselho. Já o segundo volume, os episódios de 15 minutos, lidam com os eventos que imediatamente precedem A Vingança dos Sith (2005) com o surgimento do General Grievous e o sequestro de Palpatine do planeta sede da República, Coruscant.

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Se por um lado vemos a evolução de cavaleiros e mestres jedi, suas perícias e técnicas de combate principalmente em Yoda e Mace Windu (este último fantástico), testemunhamos a petulância e o egocentrismo de Anakin Skywalker para o Lado Sombrio. A história começa logo após os eventos da Batalha de Geonosis, com o padawan ainda de cabelo curto, com sua trancinha característica, liderando um ataque a pedido de Palpatine e contrariando Obin Wan Kenobi e o próprio Yoda, maior representante do Conselho Jedi.

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A animação Genndy Tartakovsk ainda nos brinda com outros momentos do lado obscuro de Anakin. Além da desobediência e arrogância, o vemos deixar aflorar sua perversidade quando enfrentando a primeira aparição de Asajj Ventress, recrutada por Dookan. Em certo momento o jovem se apodera do sabre vermelho de Ventress e a cada golpe que desferia contra a Irmã da Noite, fantasiava que enfrentava os demais Cavaleiros Jedi. Mesmo assim é promovido a cavaleiro sem passar pelos testes convencionais, por desejo de seu mestre Kenobi, devido não só a valentia do padawan como também as terríveis baixas que a Guerra Clônica trouxera à Ordem. E por fim, ainda em um planeta remoto e primitivo, quase vencido, tem visões de como um herói da justiça se tornaria o maior vilão da Galáxia na figura de Darth Vader.

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Além de Ventress, essa animação nos mostra a primeira aparição do general droide Grievous, em plena força e perícia. Seus primeiros assassinatos, o início de sua coleção de sabres de luz. Ele dá as caras por volta do episódio 20 presente nesse compilado e ainda não tinha sua voz ofegante e interrompida pela tosse o tempo todo. Ela seria sequela de sua batalha contra Mace Windu, que lhe esmagou os pulmões e quase o derrotou. No entanto é Grievous que está a frente do sequestro de Palpatine e que o entrega a Dookan, sequestro esse que marca o início do filme A Vingança dos Sith (2005).

3. CURIOSIDADES

  • 142_12A voz do General Grievous é significativamente diferente nesta animação. Isso se deu porque o ator que o interpretaria no Episódio III: A Vingança dos Sith ainda não havia sido escolhido. Assim no episódio final, quando Mace Windu esmagou os pulmões de Grevious, produziu uma voz levemente alterada não causando estranhamento entre as diferenças entre o desenho e o filme de 2005.
  • 142_13Uma cena deletada de Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (2005) mostra Obi Wan e Anakin testemunhando Shaak-Ti sendo morta nas mãos do General Grievous em sua missão de resgatar o Chanceler Palpatine. Isso atua como um final alternativo à missão de Shaak-Ti do desenho, no entanto, foi considerado algo não oficial.
  • 142_14No capítulo 24, Anakin vê uma mensagem enigmática detalhando um guerreiro Nelvaan que perdeu a mão na batalha, recebeu uma nova e quase destruiu sua própria aldeia. Este é um prenúncio da passagem de Anakin para o Lado Sombrio como acontece no último filme da trilogia prequel,  A Vingança dos Sith.

4. CONCLUSÃO
Se você é um fã do canal Cartoon Network, um fã raiz, vai apreciar bastante esta animação com os traços de Samurai Jack, que considero um dos grandes desenhos da época de ouro desse canal. Compensa muito ver as cenas de ações mortais, rechearem a tela principalmente as que envolvem não só Anakin, futuro Vader, mas a todos os jedis, em geral, mas principalmente Mace Windu e Yoda. Percebemos o porquê desses últimos serem considerados os jedis mais valorosos e eficientes da Ordem.

Outro ponto importante é a estreia de dois vilões importantíssimos para franquia: Asajj Ventress e o General Grievous. Ela porque é uma das peças centrais do filme e da série animada em computação gráfica; ele por ser um dos melhores vilões de A Vingança dos Sith (2005). As batalhas nas quais se envolvem vale cada minuto de seu tempo.

Já para quem é fã de longa data de Star Wars, fica a curiosidade para ver se a Disney cometeu ou não uma injustiça ao excluir essa série animada da mitologia oficial da franquia. Questão essa, para vocês eu deixar (tentando ser Yoda aqui). Adianto que considero uma obra digna e bem construída para ser descartada, mas não há como saber que rumos para Força a empresa do Mickey tomará. Sendo assim, assista e tire suas conclusões. No mais, prepare uma pipoca e que a Força esteja com vocês.

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STAR WARS: THE CLONE WARS (CRÍTICA E GUIA DE EPISÓDIOS)

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ONDE A SÉRIE ANIMADA SE ENCAIXA NO MUNDO STAR WARS?
É inegável que a franquia Star Wars é um universo gigantesco e que de tempos em tempos volta ao imaginário da cultura pop. O fascínio que o mundo criado pela Lucas Art pode exercer sobre as gerações pode vir acompanhado tanto de alegria como de decepção. Se compararmos com a trilogia clássica (Episódio IV: Uma Nova Esperança, 1977; Episódio V: O Império Contra Ataca, 1980; e Episódio VI: O Retorno de Jedi, 1983), a trilogia prequela é, para os fãs mais entusiasmados, bastante inferior do ponto de vista do enredo e atuação.

Chamamos de trilogia prequela (ou pré-sequência) os filmes dirigidos por George Lucas e que contam a ascensão de Anakin Skywalker até ser convertido ao Lado Negro da Força e como a República Galáctica e o Conselho Jedi, aos poucos, sucumbiram e foram aniquilados pela influência de Darth Sidious, o líder supremo do Império Galáctico. Abrange: Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999); Episódio II: O Ataque dos Clones (2002); e Episódio III: A Vingança dos Sith (2005).

No entanto, nada é mais obscuro que o período que compreende o início das Guerras Clônicas, na Batalha de Geonosis (final do Episódio II) até a Ordem 66, o extermínio dos Jedis a mando de Darth Sidious (final do Episódio III). Isso se dá por imensos buracos no roteiros da trilogia prequela, informações não explicadas ou mesmo curiosidades que deixaram questões em aberto como quem criou os clones, como os Jedis foram enganados, entre outros pequenos e grandes detalhes.

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O longa-metragem de animação Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) dá o pontapé inicial para explorar toda a história por trás do maior conflito enfrentado pela República Galáctica. Esse longa já resenhado aqui, trata justamente da chegada de duas discípulas: Ahsoka Tano e Asajj Ventress. A primeira se torna padawan (aprendiz) de Anakin Skywalker e a segunda, é uma Irmã da Noite do planeta Dathomir que se torna serva de Conde Dookan, líder separatista e aprendiz de Darth Sidious.

A série de TV Clone Wars, aqui exibida pela Cartoon Network, teve seu sucesso entre os anos de 2008 e 2014. É considerada pela Disney como cânone (conteúdo oficial) da franquia Star Wars e possui seis temporadas e um total de 121 episódios. Anakin, agora mestre de Ahsoka Tano, ao lado de Obi-Wan Kenobi, enfrentam os inimigos da República em uma guerra de reveses alucinantes. Eles descobrem cada vez mais a influência do Lado Sombrio sobre as forças Separatistas ao mesmo tempo que tem seu mundo e incertezas totalmente abalados por uma guerra de épicas proporções.

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O QUE VOCÊ PODE ESPERAR? / LEVES SPOILERS
A série animada é em computação gráfica e segue os mesmo moldes e conceitos do longa-metragem de animação Star Wars: A Guerra dos Clones (2008). A ação é frenética e o traço dos personagens são bem marcados. Seja em uma batalha com sabres de luz ou na trincheira dos clones no tiroteio contra um exército droide, a ação não deixa a desejar.

Mas o principal atrativo é que a série consegue conquistar não só ao frequentador assíduo do mundo Star Wars, pois conserva os elementos emocionantes ou impiedosos como a morte de um personagem querido, como também mantém um tom capaz de conquistar as novas gerações.

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Além de elucidar muitas questões que ficaram em aberto entre o Episódio II e Episódio II, a série mostra múltiplas narrativas e histórias. É como se fossem crônicas de uma guerra e você pode acompanhar a trajetória de inúmeros personagens que contribuíram, influenciaram ou foram tocados de alguma forma pelas Guerras Clônicas. Então não pense que o foco será 100% em torno de Anakin Skywalker que, aliás, aprenderá a gostar muito mais da versão do desenho animado do que da péssima interpretação de Hayden Christensen no filmes.

Podemos citar, entre tantas histórias contadas ao longo de seis temporadas, o papel de Ahsoka Tano que sai de simples padawan para um líder importantíssima. Também Ventress, discípula de Conde Dookan é intensamente trabalhada mostrando seu passado como Irmã da Noite no planeta Dathomir, o mesmo de Darth Maul, o aprendiz sith que enfrentou e matou Qui-Gon Jinn em Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999).

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A série animada expande o universo conhecido ao abordar o passado de Obin Wan Kenobi e os detalhes sutis do romance entre Anakin Skywalker e Padmé Amidala. Ao mesmo tempo que revela muitos detalhes obscuros das Guerras Clônicas, apresenta personagens marcantes como os soldados clones do Batalhão 501 (Rex, Fives, Echo e Cody). Também desenvolve as narrativas em torno do conselho jedi, muitos personagens que só rapidamente aparecem nos filmes: os mestres Plo Koon, Shaak Ti, Kit Fisto, entre outros. E claro, somos brindados com episódios estrelados por Mace Windu e Yoda, que apesar de poucos, são importantes demais para entender as Guerras Clônicas e suas ressonâncias.

Também há narrativas focadas no Lado Negro e podemos conhecer as artimanhas de General Grievous, Ventress e até inimigos novos como Savage Opress e a líder das Irmão da Noite, Mãe Talzin. Há inimigos que julgávamos mortos e outros que começam a ser desenvolvidos aqui como Bobba Fett e os Caçadores de Recompensa. Ainda vemos Palpatine, como Darth Sidous, em lutas fantásticas e como ele poderia ser mortal com um sabre de luz.

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Claro que nem tudo são flores e há episódios ao longo das temporadas que mais preenchem espaços (enchem linguiça) do que sejam relevantes para história geral da franquia. Quase sempre são encenados pelos droides C3PO e R2D2. Calma, adoro os robozinhos e muitas histórias mostram como o astrodroide R2D2 é um veterano e importante personagem de guerra, mas muitas vezes os episódios são mais divertidos e infantis do que relevantes.

Ainda há episódios com Jar Jar Binks que, mesmo em parceria com outros personagens da série, terminam sendo enfadonhos. Talvez devido a minha implicância com esse personagem não tenha aproveitado bem as aparições dele, exceto quando ele auxiliou Mace Windu em uma missão, mas também eu adoro este mestre jedi e talvez devido a isso tenha gostado.

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QUAL A ORDEM CRONOLÓGICA PARA ASSISTIR?
Abaixo um guia para assistir as seis temporadas da série animada na ordem crológica:

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QUAIS SÃO AS MELHORES HISTÓRIAS?
Qualquer seleção é sempre problemática na medida que é uma questão de opinião. Mas nas+1 linhas abaixo separo os arcos de história mais relevantes para entender as Guerras Clônicas e o que elas influenciaram na origem de personagens ou suas consequências para a trilogia clássica ou outras obras derivadas. Claro que devorar as seis temporadas mostrarão informações valiosas e renderão boas horas de diversão. Deixe sua opinião ou histórias favoritas nos comentários.

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1. As origens de Boba Fett (2×20-2×22, 4×15, 4×20)
O perigoso caçador de recompensas que, a serviço de Jabba, aprisionou Han Solo em carbonita (Episódio V: O Império Contra Ataca, 1980), tem suas origens exploradas na série animada. O mandaloriano é treinado por Aurra Sing, perigosa assassina que assistia a a corrida de pods em Naboo (Episódio I: A Ameaça Fantasma, 1999). Aurra aparece como mestre do garoto quando Bobba Fett deseja vingança contra Mace Windu (2×20-2×22), o mestre jedi que assassinou seu pai na Batalha de Geonosis (Episódio II: O Ataque dos Clones, 2002). Ambos fracassam devido aos esforços jedi.

Depois, percebemos que ele se adaptou a vida do crime e possuía aliados leais na prisão entre eles Bossk (4×15) e acaba ajudando Cad Bane e Kenobi (que estava infiltrado) a escaparem.

Por fim já o vemos adolescente como Caçador de Recompensas, muito jovem e habilidoso e já com todo um bando a sua disposição. Acaba contratando a Asajj Ventress (4×20) que se encontra exilada na Orla Exterior depois de ter perdido suas origens e rumos.

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2. Mandalore (2×12-2×14, 4×14, 5×14-5×15)
Com o sucesso da série da Disney+, O Mandaloriano, os fãs da franquia ficaram ainda mais animados para conhecer o passado desse povo guerreiro do qual só conhecíamos com mais ênfase Jango e Bobba Fett. A série animada nos apresenta o planeta Mandalore que almeja a um caminho de paz ao passo que líderes como Pre Vizsla, à frente do Olho da Morte, tentam a todo custo sabotar os planos da pacifista Condessa Satine (2×12-2×14).

Mesmo com uma derrota inicial, exilados momentaneamente (4×14), o Olho da Morte nutre o desejo de tomar o poder da Mandalore. Acaba por encontrar um antigo sith, um aliado dúbio para sua escala ao poder: Darth Maul (5×14-2×15).

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3. O retorno de Darth Maul (3×14, 4×21-4×22, 5×01, 5×14-5×16)
Sim, ele mesmo. Para você que pensou que o monossilábico aprendiz sith que matou Qui-Gon estava definitivamente morto após Obi Wan Kenobi cortá-lo ao meio (Episódio I: A Ameaça Fantasma, 1999), está enganado. Descobrimos com a série animada que sua origem está ligada ao planeta Dathomir, lar das Irmãs da Noite, bruxas capazes de manipular a Força Viva em todas as criaturas.

Savage Opress, aprendiz sith e das Irmã da Noite, acaba por receber a missão de reencontrar seu irmão na Orla Exterior (final do episódio 3×14, mas convém ver os dois anteriores para saber melhor o contexto). Opress consegue localizar Maul, agora ensandecido e vivendo isolado. Seu clamor por vingança é doentio e só melhora com os esforços de Mãe Talzin (4×21-4×22), bruxa maior de Dathomir. Curado, persegue Kenobi com a ajuda de Savage Opress.

Mesmo tentando agir no submundo, recrutando contrabandistas como um exército capaz de fazer frente aos jedis (5×01), acaba sofrendo duras derrotas. No entanto, ao ser resgatado por Pre Vizla e o Olho da Morte, vê uma chance de formar um grande exército de criminosos e assim dominar a Orla Exterior (5×14-5×16). Ajudando o grupo mandaloriano a chegar ao poder, acaba por atrair as atenções tanto de Kenobi quanto de Darth Sidious. As consequências são impressionantes e com direito as melhores batalhas de toda série animada.

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4. Qui-Gon Jinn e o Escolhido (3×15-3×17, 6×11-6×12)
Diferente de Darth Maul, Qui-Gon ainda está morto. Mas isso não quer dizer que não esteja presente. Aliás ele é de vital importância para o rumo da Galáxia e inclusive para Luke Skywalker, mesmo que indiretamente.

Quando Anakin, Ahsoka e Obin Wan visitam um misterioso planeta Mortis no qual os elementos da Força estão personificados (o Pai, o equilíbrio e os filhos, a Luz e a Sombra), é Qui-Gon que conversa com Kenobi em um momento de confusão e personificado como fantasma da Força explica sobre o Escolhido (3×15-3×17). Também é o antigo mestre de Kenobi que guiará Yoda para que ele entenda os desígnios da Força, possa superar a morte e se integrar à Força Cósmica (6×11-6×12). Com ele entendemos as ações de Yoda ao final das Guerras Clônicas e até as do próprio Kenobi.

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5. O impiedoso Tarkin (3×15-3×17; 5×17-5×20)
O Grande Moff Tarkin, o vilão que comandava a Estrela da Morte na Batalha de Yavin (Episódio IV: Uma Nova Esperança, 1977) tem parte de seu passado revelado na série Clone Wars. Acompanhamos o primeiro contato dele com Anakin Skywalker, futuro Darth Vader,  ainda quando era capitão das forças da República (3×15-3×17). No início a antipatia é mútua, no entanto, aos poucos, ambos concordam com a ineficácia da técnicas jedi para levar fim a guerra: era preciso uma liderança firme.

Tarkin ainda mais severo com a ordem jedi e já comandado por Palpatine, empreende uma investigação e acusação contra Ahsoka Tano, culpabilizada por um atentado ao Templo Jedi (5×17-5×20). Isso dá mostra do seu caráter inflexível e maldoso que o fará comandante da maior arma do Império Galáctico.

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6. A saga do soldado clone Fives e a Ordem 66 (3×01; 1×05; 3×02; 3×18-3×20; 4×07-4×10; 6×01-6×04)
A questão dos clones é intensamente debatida ao longo da série. Questões filosóficas como a humanidade dos mesmos, o fato de serem descartados ou não como meros droides, como força de batalha dispensável ou não. O batalhão 501, que respondia diretamente a Anakin e Ahsoka é falado com detalhes e alguns oficiais são detalhados como, em maior medida, o Capitão Rex e Fives.

Este último é especial porque é aquele que mais questiona sua condição e reafirma seu senso de fidelidade e dever para com seus irmãos de armas. Também é a saga do único clone que consegue descobrir o mistério por trás da Ordem 66, uma programação inserida para no momento certo executar todos os jedis da Galáxia. Acompanhando a saga de Fives, conheceremos o segredo por trás desse malicioso e mortal plano de Palpatine, bem como suas origens.

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7. Uma guerra de histórias
Claro que ainda há muita coisa a ser vista, mas para completar o guia, nada mais justo do que umas sugestões de episódios baseados nos personagens principais em ordem cronológica para aproveitar o enredo:

  • Somente os episódios com os protagonistas: Anakin Skywalker, Obi Wan Kenobi e Ahsoka Tano
    (2×16; 1×16; Filme A Guerra dos Clones; 3×01; 3×03; 1×01-1×15; 1×17-1×21; 2×01-2×03; 2×17-2×19; 2×04-2×14; 2×20-2×22; 3×05-3×07; 3×02; 3×04; 3×08; 1×22; 3×09-3×11; 2×15; 3×12-3×22; 5×02-5×13; 5×01; 5×14-5×20; 6×01-6×13);
  • As aventuras de Padmé Amidala
    (1×04; 4×04; 1×08; 1×11; 1×17-1×18; 2×19; 2×04; 2×14; 3×05; 3×07; 3×04; 3×08; 1×22; 3×10; 3×11; 2×15; 4×01-4×04; 4×14; 5×20; 6×05-6×07);
  • A história de Asajj Ventress: a Irmã da Noite convertida em sith
    (1×16; 1×01; 3×02; 1×09; 3×12-3×14; 4×19-4×22; 5×19-5×20);
  • Quem é Saw Guerrera? Importante líder rebelde durante Rogue One: Uma história Star Wars, possui sua origem explícita na série animada (5×02-5×05);
  • A origem dos clones e a trama de Palpatine (6×10-6×11) se completa com o plano da Ordem 66 (6×01-6×04).
  • Somente, Yoda, quer você ver: (1×01; 6×10-6×13).

CONCLUSÃO: Se queres paz, te prepara para a guerra!
A  essa altura da minha crítica o leitor já deve desconfiar de minha crítica super favorável a esta série animada. Não só pelo seu caráter elucidativo para quem é fã da franquia Star Wars como também abrilhantar uma parte da história que achamos sem o mesmo brilho que a trilogia clássica: a pré-sequência de George Lucas. Se você já acompanhou em ordem cronológica as críticas aos longas-metragens prequel, sabe que, tanto o Episódio I quanto o Episódio II, são ao meu ver bastante inferiores do ponto de vista do roteiro. Mas a série animada  Clone Wars não só consegue “consertar” boa parte da história como até melhorar.

Enquanto os filmes mostram um Anakin Skywalker insípido e sem graça, a série animada nos mostra seus anos dourados como valente herói da República e um grande trunfo do Templo Jedi. Isso também vale para Obin Wan Kenobi, mas a série ainda nos brinda com a preciosidade que é Ahsoka Tano. Essa complexa padawan que amadurece ao longo das temporadas talvez seja uma das maiores contribuições ao universo Star Wars.

Se você já é um fiel frequentador de Star Wars e deseja saber tudo sobre a guerra entre a República Galáctica e os Separatistas, talvez esse seja seu melhor desenho animado. Para o recém-chegado à franquia, esta será uma oportunidade sem igual de conhecer franquia devido as epígrafes filosóficas (mensagens no início de cada episódio), arte gráfica e batalhas alucinantes. Seja corajoso, pois como a última citação da série diz:

Enfrentar todos os seus medos o libertará de si mesmo.

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O MANDALORIANO – SÉRIE DA DISNEY+ (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após cinco anos desde a queda do Império Galáctico, após a morte de Palpatine e Darth Vader bem como a destruição da segunda Estrela da Morte (Episódio VI – O retorno do jedi, 1983), os Caçadores de Recompensa sobrevivem por meio de escassos trabalhos nos confins da galáxia, longe da autoridade da Nova República. Nesta época, em que os remanescentes do Império Galáctico não passam de senhores da guerra e mercenários, um hábil caçador mandaloriano precisar restaurar sua própria honra, construir sua armadura e fazer fortuna.

Ao aceitar um trabalho fora dos registros habituais da guilda de caçadores de recompensa no planeta Nevarro para um oficial Imperial, Mando vence piratas espaciais que tinham em sua posse um curioso prêmio: um bebê de 50 anos da mesma espécie que o mestre Yoda. A partir daí, o Mandaloriano terá que rever seus conceitos morais, revisitar o passado e traçar novos rumos como pistoleiro galáctico e guerreiro de Mandalore.

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O QUE É UM MANDALORIANO?
O destino da Galáxia parece sempre se misturar a história do Mandalorianos. Quando nos remetemos aos filmes (do Episódio I ao VI), dois nos são extremamente importantes: Jango e Bobba Fett (pai e filho, respectivamente). O primeiro, presente na trilogia prequela (pré-sequência), esta por trás da tentativa de assassinato da Senadora Amidala de Naboo e seu código genético foi usado para criar o exército de de clones da República Galáctica (Episódio II – O Ataques dos Clones, 2002).

Já Bobba Fett, filho de Jango, é marcante por ter sido o líder dos Caçadores de Recompensas que terminaram por aprisionar Han Solo em Império Contra-Ataca (1980) e entregá-lo, ainda petrificado em carbonita, para líder mafioso de Tatooine, Jabba, o Hutt. Foi derrotado por Luke Skywalker e companhia na épica luta no deserto, no grande poço de Carkoon, Mar das Dunas, onde vivia a criatura Sarlacc. Fora o fato de muitas vezes serem mercenários ou caçadores de recompensa, e que são oponentes perigosíssimos para forças do bem (ou do mal), o que se sabe sobre os Mandalorianos?

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Mando, em um dado momento da série revela que o termo “mandaloriano” não se refere a um povo, do ponto de vista racial, mas que é uma filosofia. Não necessariamente se nasce Mandaloriano, mas se torna um. No livro O Código do Caçador de Recompensa (Bertrand Brasil, 2014), revela que os Progenitores Mandalorianos (os Tsaungs, Guerreiros das Sombras) originalmente eram um povo que habitava Coruscant (planeta que foi a capital da República e posteriormente do Império Galáctico). No entanto esse povo original acabou sendo expulso por inimigos para a Orla Exterior. Chegaram a Mandalore há 7 mil anos e 4 mil anos depois foram derrotados, durante a Cruzada da Grande Sombra (Grande Guerra Sith), na qual “foram traídos pelos Jedi e pelos Sith, que agiram como irmãos”, segundo Tor Vizla, líder dos Sentinelas da Morte (p.131).

Foi somente com o Mandalore, o Supremo,  que abriu os clãs para que todos os que os mostrassem valor no campo de batalha. Foram esses novos guerreiros, os Neocruzados, que entraram em batalha contra as forças da República, posteriormente, nas chamadas Guerras Mandalorianas. Os intuito deles não era conquistar a Galáxia, mas fortalecer a unidade e continuar os conflitos iniciados pelos Progenitores. No entanto eles foram duramente derrotados e forçados a se dispersarem pela galáxia.

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Diante da prosperidade dos Mandalorianos sob a liderança de Mandalore, o Unificador, que retornaram a seu planeta, segundo Tor Vizla, a República resolveu aniquilar definitivamente estes guerreiros como se fossem “um tecido canceroso a ser cortado da galáxia” (p.134). Desta forma tanto os Sith quanto os Jedi e a própria República já lutaram, se aliaram ou traíram os Mandalorianos que sempre tentaram resgatar sua honra ancestral, apesar de muitos Caçadores de Recompensa evidenciarem o problema da honra:

A honra é o que os poderosos usam para convencer os tolos a se sacrificarem. (Aurra Sing, mestra de Bobba Fett, p.135)

Assim os Mandalorianos que antigamente eram uma raça de Coruscant, acabaram por se tornar uma tribo aberta a todos os guerreiros valorosos na qual todo aquele que se destaque em bravura poderia ter uma posição de destaque. Tor Vizla, em seu relato no Código dos Caçadores de Recompensa, afirma:

Lembre-se de que alguns dos maiores Mandalores nasceram e cresceram fora do nosso planeta natal. (p.149).

No entanto o relato de honra que Tor Vizla revela é, em verdade, contraditório. Durante as Guerras Clônicas, Mandalore preferiu uma posição neutra no conflito não se aliando nem a República nem aos Separatista. Mas o grupo liderado por Vizla, o Olho da Morte, praticava o terrorismo tanto contra às Força de Dookan (por vingança pessoal) como contra os Jedis (devido ao histórico de luta contra estes últimos). Vemos Tor Vizla recrutar o príncipe órfão, Lux, e empunhar um sabre negro, artefato Jedi em sua origem. Tudo isso é perceptível na série animada Clone Wars (2008), no episódio 14 da 4ª temporada do desenho.

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A ARMADURA
Logo nos primeiros momentos da série, nos deparamos com Mando resgatando sua recompensa e a importância do Beskar, que inicialmente se pensa ser um moeda, mas que se trata de um metal importante e raríssimo para confecção de sua armadura. Foi o Beskar que levou os Progenitores ao sistema Mandalore, pois estava presente em seus planetas e luas. O Beskar é extremamente forte, capaz de desviar de tiros de blaster até de parar lâminas de sabre de luz. Portanto é um item muito difícil de ser conseguido e quando Mando recebe uma placa provinda das forjas do Império, trata logo de confeccionar uma Bes’marbur (espaldar ou ombreira).

O guerreiro mandaloriano, desde os Sentinelas da Morte de Mandalore, o Unificador, tem total de liberdade  para personalizar sua armadura “adaptando-a, assim, às suas responsabilidades e ao seu estilo de luta” (p.141). Porém dois itens são os que mais chamam a atenção: o capacete e o jetpak. No Código do Caçador de Recompensas, Tor Vizla afirma que o buy’ce (barbute ou capacete, cujo designer homenageia a face dos Progenitores) é, “ao mesmo tempo, o símbolo dos Mando’ade e o item mais importante de qualquer conjunto” (p.142), mas não expõe a regra de nunca pode ser retirado na frente de outro ser vivo. Isso não deixa claro se todos os Mandolorianos seguiam essa regra. Se pensarmos no clã dos Fetts, Jango mostrou sua face a Obin Wan Kenobi, no entanto a face de Bobba, adulta, nunca fora revelada na trilogia clássica.

Se o capacete é rico em tecnologia de rastreamento e amplia a visão do mandaloriano a ponto de enxergar 360º, o jetpak é, simultaneamente, a última parte do traje, a arma definitiva e a última parte o treinamento. Essa mochila de voo permite atacar com rapidez e pode ser equipada com mísseis dos mais diversos tipos. É um recurso escasso: só tem autonomia de um minuto de combustível e arsenal de um míssil, pelo menos de acordo com sua versão mais clássica.

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BEBÊ YODA? / LEVE SPOILER!
Apesar do furor das redes sociais chamar a criança encontrada por Mando como “Bebê Yoda”, pouco se sabe sobre ela. Assim como Yoda, o maior Jedi de todos os tempos, a Criança (assim que iremos mencioná-la), parece não só se assemelhar fisicamente ao mestre de Luke Skywalker na aparência, mas também na longevidade e poderes. Essa espécie, desconhecida e rara, tem alta longevidade. Yoda, por exemplo, morreu aos 900 anos de idade em Dagobah, como nos mostra em O Retorno do Jedi (1983). Então a Criança, de 50 anos de idade, não se trata de Yoda ou sua reencarnação visto que a série se passa 5 anos após o Episódio VI e nesse mesmo longa vemos o velho mestre Jedi como fantasma da Força que ajuda Luke.

Quanto aos poderes da Criança, são mostrados aos poucos como telecinese (movimento de objetos com por meio da Força), repulsão de ataque, cura e até um estrangulamento da Força, técnica de Darth Vader. Mas no mais, nada que demonstre mais sobre sua identidade e origem. Nem Mando sabe como explicar tais poderes. Mas uma fato fica claro com relação aos Mandalorianos e os “bruxos” manipuladores da Força: a eterna desconfiança. O Código do Caçador de Recompensa, afirma, por meio de Tor Vizla:

Esses feiticeiros têm interferido nos nossos assuntos há milênios. Os antigos Jedi demoliram o império de Mandalore, o Supremo, e acabaram com nossos clãs na Ani’la Akaan, e seus descendentes supervisionaram a Aniquilação. […] Os Sith não são melhores, iludindo repetidamente os Mando’ade a servi-los como tropas de choque. (p.156)

Para finalizar, não é a primeira vez que vemos alguém da raça de Yoda. A mestre Yaddle, presente no Conselho Jedi durante o Episódio I – A Ameaça Fantasma, possuía 477 anos e estava a frente da Assembleia dos Bibliotecários no Templo Jedi. Era versada na técnica Morichro (um possível método de matar sem usar o lado sombrio da Força). Morreu em Mawan tentando levar a paz a uma guerra civil.

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ANÁLISE DA PRODUÇÃO
O que torna o enredo da primeira temporada de O Mandaloriano tão cativante é que ela não segue uma temática tão inovadora assim.A dinâmica reside em uma série de ingredientes clássicos como o assassino profissional que se relaciona com uma criança em seu trabalho. Se pensamos por esse lado, a série do Caçador de Recompensas segue de perto os passos de O Profissional (1994), filme de Luc Besson, que tem no assassino de aluguel Léon (Jean Reno) como protagonista. Ele se envolve com a filha de seu vizinho, uma garota de 12 anos, que quer vingança pela morte de seu pai, envolvido no tráfico de drogas.

No entanto a Criança (o bebê Yoda), por mais que tenha 50 anos, ainda é muito jovem para nutrir sentimentos de vingança (ao menos é o que parece) como no filme de Besson. Esta relação entre um homem solitário de uma criança abandonada, contudo, está no âmago de muitas histórias do imaginário ocidental, desde comédias Sessão da Tarde como Três Solteirões e um bebê (1987) e o filme de Adam Sandler, O Paizão (1999), por exemplo; passando por filmes de ação caricatos como Mandando bala (2007) ou séries como atual Hanna da Amazon. Isso só para citar alguns exemplos.

Ao revisitar o tema “assassino/adulto anti-herói que adota uma criança”, o produtor Jon Favreau o reveste da mítica por trás dos Caçadores de Recompensa, tão pouco explorados nos filmes, apesar de serem tão fundamentais na história da trilogia prequela (pré-sequência) como para trilogia clássica. Isso se soma ao fato de abarcar um período de tempo pouco abordado: o que acontecera à Galáxia após Luke Skywalker vencer o Imperador Palpatine.

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Outro ponto impactante é justamente a trilha sonora. Sabemos que os filmes tem o toque magistral de John Williams, responsável por clássicos da franquia como, por exemplo, a The Imperial March de O Império Contra-Ataca (1980). Longe de mim, a Força não me perdoaria, de comparar o trabalho desse mestre como de Ludwig Göransson, porém a trilha de O Mandaloriano consegue manter o tom épico da franquia, em um estilo clássico e retrô, principalmente na música tema.

Ainda mantendo os ares clássico da trilogia, ao final de cada episódio os créditos mostram a arte conceitual que inspirou o episódio. Para um fã Star Wars é a oportunidade de ver como a produção acabou tornando realidade uma ilustração e claro fazer comparações entre aquilo que foi idealizado e o que foi concretizado. Cada ilustração nos lembra cartazes de filme antigo ou os desenhos repletos de cor de Frank Frazetta, mestre de ilustração sci-fi.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Pedro Pascal, Gina Carano, Giancarlo Esposito, Carl Weathers, Taika Waititi, Nick Nolte, Emily Swallow, Omid Abtahi, Werner Herzog, Bill Burr, Mark Boone Jr., Ming-Na Wen, Natalia Tena, Ismael Cruz Cordova e Julia Jones compõem o elenco. Jon Favreau atuou como roteirista, criador, showrunner e, foi o produtor executivo junto de Dave Filoni, Kathleen Kennedy e Colin Wilson. O Mandaloriano (The Mandalorian), é uma série norte-amaericana lançada em 2019 baseada na franquia Star Wars, originalmente criada por George Lucas. Ao total são 8 episódios nesta primeira temporada, e o conteúdo está disponível pelo serviço por assinatura, ainda não disponível no Brasil até a conclusão desta resenha, Disney+.

CONCLUSÃO: O Caminho
A todo momento da série, a filosofia mandaloriana repete a seguinte frase “como deve ser”, na tradução para nossa língua. Gosto do original: The Way (O Caminho). O caminho da série (com letra minúscula) parece ser promissor. Há muitas referências ao mundo Star Wars sem atrapalhar a imersão daqueles que poucos sabem sobre a franquia. O público comum suspirará e sorrirá com cada cena da Criança (Bebê Yoda), mas o fã conseguirá rir de uma piada sobre Gungas, droides de Taooine ou o gosto alimentício peculiar dos Jawas, catadores de ferro-velho. Nesse ponto a produção da Disney é super fiel ao que de melhor foi feito na trilogia clássica: de locações a interpretações.

Quanto à atuação, uma especial menção a Pedro Pascal (Narcos), que está muito à vontade no papel de Mando, Nick Nolte como um fazendeiro ugnaught e a surpresa: Gina Carano, lutadora de MMA que convence no papel de uma ex-Soldado de choque rebelde.

Já no enredo, o Caminho de Mando se revela atípico. Não é só sobre honra, sobre alcançar seu lugar de respeito na Galáxia. O “Enjeitado”, órfão, que se tornou Caçador de Recompensas terá que rever seu código moral e a todo momento, sua verdades serão postas à prova. Parece que o mundo não é somente o bem e o mal. Há uma linha tênue entre essas duas fronteiras. Tais certezas serão abaladas com a chegada da Criança que deverá ser abandonada ou reconduzida às suas origens. É nesse processo que Din Djarin (o Mandaloriano), nesse Caminho, que encontrará sua própria transformação. O série vale a recompensa por assistir e aguardamos com ansiedade a próxima temporada. Fiquem fortes, por Mandalore!

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DEMOLIDOR – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE DA SÉRIE
Matthew Murdock era filho de um humilde, porém excelente pugilista, com quem aprendeu a ser um cara durão e, acima de tudo, justo. Após se envolver num acidente com produtos químicos desconhecidos, perdeu totalmente sua visão quando ainda era uma criança, porém adquiriu um poder bem peculiar. Podia assim como um morcego, desenhar mentalmente a geometria de qualquer superfície de um raio enorme ao seu redor à partir de uma audição apuradíssima! Passou a ouvir detalhadamente conversas à distância, e os batimentos cardíacos das pessoas, fazendo com que pudesse ter juízo das reais intenções de qualquer um. Nada fugia da percepção dele! Matt cresceu e se tornou um advogado na traiçoeira Hell’s Kitchen, bairro de Nova York, onde nasceu e foi criado. Durante o dia ele faz de tudo para que os bandidos sejam condenados, e durante a noite, quando os mais poderosos e perigosos se esquivam usando as brechas da lei, encarna o impetuoso justiceiro, Demolidor. No seu dia à dia procura se manter o mais anônimo possível agindo como um suburbano comum, e embora completamente desnecessário, não larga seu bastão guia para se caracterizar como um cego. A vida de Matt começa a ficar cada vez mais agitada, quando negociações entre perigosos mafiosos começam a prejudicar a vida dos moradores do bairro. Não sendo suficiente os seus recursos pacíficos e dentro da lei, quando a noite chega, é possuído pela fúria do ímpeto por justiça, assumindo a identidade de Demolidor, O Demônio de Hell’s Kitchen!

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PERSONAGEM FAVORITO
Já começo deixando algo bem claro, Demolidor, de longe, é o meu personagem favorito de todo o Universo Marvel. Conheci o ‘Homem Sem Medo’ ainda no começo da minha adolescência, quando descobri a existência dos empoeirados sebos. Eram duas edições de HQ’s que mais me fascinavam, as icônicas A Espada Selvagem de Conan, e os formatinhos Superaventuras Marvel, este último, importante para esta conversa, publicado entre 1982 à 1997. Lendo dezenas daqueles gibis de segunda mão fedendo a pó de tumba, que fui me apaixonando cada vez mais pelo personagem. Ele era uma pessoa comum, que de extra, tinha apenas sua percepção melhorada. Matt tinha sim muito vigor, sua estamina era alta devido ao seu treinamento brutal, mas estruturalmente era apenas um ser humano normal. Sangrava, quebrava, sentia dor, e como qualquer um, precisava descansar para se recuperar. Primordialmente foi esse realismo em um super-herói que me encantou.

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COMENTÁRIOS
Quando Demolidor (Marvel’s Daredevil) foi anunciado, acredito ter sido fim de 2013, eu pirei! Eu costumo ser muito cético com anúncios, não sou de criar hype, mas na minha cabeça eu fiz uma conta meio louca e psicologicamente fiquei convencido. Embora fosse eu, o fã número um de Demolidor no planeta Terra, tinha ciência de que este não era um produto Marvel de grande potencial comercial. Pelo menos não quando considerado o catálogo enorme e recheado de outros personagens muito mais populares. A visão que eu peguei foi: “se algum produtor pegou Demolidor para adaptar, é porque ele é fã número um assim como eu!” Mais tarde eu descobri que a história dos acertos da Marvel Studios com a produção não era tão romantizada assim.

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Não importa o que era ou não era, só sei que meu subconsciente foi feliz em sua aposta! Chegado Abril de 2015, estreia de Demolidor na Netflix! Maratonei durante a noite e madrugada, resultado, um zumbi foi trabalhar durante a manhã. Brutal! Simplesmente maravilhoso! A Netflix superou e muito minhas expectativas, e elas já eram bem grandes. Eu nunca poderia imaginar um trabalho tão respeitoso ao personagem original. Charlie Cox, que interpreta Matthew Murdock, incorporou fielmente a personalidade e os trejeitos da versão original dos quadrinhos. Um cara seguro de si, de humor ácido e que conseguiu em parceria com um dublê incrível, dar vida à um dos heróis acrobáticos mais complexos de se fazer. As cenas de ação possuem um realismo raro até em filmes de grandes orçamentos. As coreografias inspiradas e as cenas de luta tinham um vigor assustador! Demolidor não tem firulas, ele dá saltos e algumas piruetas sim, mas suas porradas são de um boxeador decidido a finalizar o oponente!

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Sabemos que herói nenhum tem grande valor sem um bom antagonista, e Vincent D’Onofrio já chega derrubando tudo! Sua personificação de Rei do Crime é digna de Oscar! Sua imponência e brutalidade é de fazer quem o enfrente se borrar nas calças! Uma mente complexa que pode ser doce e calma como de um recém nascido sedado, ou monstruosa e viril como a do Hulk! Espero que tenham entendido a força de expressão. Tudo em Demolidor funciona muito bem, absolutamente nada me incomodou. Seu roteiro é super bem escrito, a direção impecável e mantém qualidade por toda série. Todo o elenco dá a alma por seus personagens, imagino o quanto esses caras trabalharam criando perfis de atuação. Por trás de Demolidor existe um cara chamado Chris Brewster, um especialista em artes marciais que fundou com os amigos um grupo de dublês chamado ‘Sideswipe’, e ele é responsável pelas cenas de ação e lutas mais fantásticas de tudo com o selo Marvel lançado até agora, na minha opinião.

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Demolidor é uma série diretamente destinada ao público adulto, para maiores de 18 anos. Isso se deve a seu formato fazer questão de mostrar a violência como um importante elemento narrativo. Essa escolha de conceito permitiu que personagens assumissem uma aparência muito mais real e de crueza em seus atos. Não existe economia no linguajar e nem no sangue é extraído e jorrado para todo lado. Não espere uma aventura emborrachada e colorida como as produções da Marvel supervisionadas pela Disney, O Demônio de Hell’s Kitchen não tem esse apelido dado pela vizinhança à toa. Demolidor da Netflix é um presente aos fãs deste fantástico personagem!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vincent D’Onofrio, Rosario Dawson, Vondie Curtis-Hall, Toby Leonard Moore, Bob Gunton, Ayelet Zurer, Élodie Yung, Jon Bernthal, Stephen Rider, Joanne Whalley, Jay Ali, Wilson Bethel, Royce Johnson, Peter Shinkoda, Matt Gerald, Wai Ching Ho, Peter McRobbie, Amy Rutberg, Nikolai Nikolaeff, Scott Glenn e Michelle Hurd compõem o elenco. Demolidor é uma série americana original da Netflix, adaptada do personagem original de Stan Lee (em parceria com Bill Everett e Jack Kirby), por Drew Goddard. Produzida por Kati Johnston, tem como produtores executivos, Allie Goss, Kris Henigman, Cindy Holland, Alan Fine, Stan Lee, Joe Quesada, Dan Buckley, Jim Chory, Jeph Loeb, Drew Goddard, Steven S. DeKnight, Marco Ramirez e Doug Petrie. A cinematografia é de Matt J. Lloyd, Martin Ahlgren e Petr Hlinomaz, e os editores Jonathan Chibnall, Monty DeGraff, Jo Francis, Michael N. Knue e Damien Smith. A música tema são dos compositores John Paesano e Braden Kimball. A série foi produzida pela Marvel Television, ABC Studios, DeKnight Productions, Goddard Textiles e Netflix, e distribuída pelo serviço de assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Demolidor é uma série da Netflix que assume um conceito bem mais adulto que as outras produções da Marvel, e compartilha o mesmo universo compactado com Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Mais tarde se unem na liga Os Defensores, qual Justiceiro não participa por ser um anti-herói exacerbado demais. Particularmente considero esta uma das melhores produções do selo Netflix, suas qualidades se destoam em muitos aspectos. Seu elenco é incrível, suas coreografias superam muitos blockbusters milionários, seu roteiro é firme e intrigante, sua direção é irretocável, simplesmente tudo funciona orquestradamente bem e com total harmonia. O futuro da série ainda é nebuloso, ao que tudo indica a Disney ‘embargou’ a continuidade da produção, porém existem boatos de que a série pode voltar para uma quarta temporada. No total são 39 episódios distribuídos em três temporadas. Demolidor é destinado ao público maior de 18 anos, e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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ALADDIN – FILME DE 2019 (CRÍTICA)

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SINOPSE
Aladdin é um humilde morador de Agrabah, e também um bondoso ladrão que sempre ajuda os necessitados. Certo dia a jovem filha do sultão, a Princesa Jasmine, sai escondida dos aposentos reais e acaba se envolvendo em encrenca. Aladdin então a ajuda, mas antes dela partir, Abu, seu macaquinho, lhe surrupia uma joia. O jovem então decide ir até ela devolver. Uma paixão surge entre os dois, mas sendo uma princesa ela não poderia se envolver com um plebeu, Aladdin sabia disso. Só que o seu destino muda quando o jovem rapaz encontra uma lâmpada mágica, na qual dentro continha um gênio capaz de lhe conceder três desejos!

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DISNEY E MAIS UM LIVE ACTION?
Muito se fala sobre a Disney e seus projetos de transformar os clássicos desenhos animados em live actions, e geralmente não de forma muito esperançosa. Eu mesmo sou uma pessoa muito pé atrás com essas iniciativas, para mim a única impressão que fica é a da empresa mercenária querendo tirar leite de pedra da própria propriedade intelectual, e sem um mínimo respeito. No entanto tem algo que a maioria talvez não saiba, a Disney já vem fazendo isso faz tempo. Adaptações para filmes com personagens reais não é novidade, 25 anos atrás saía O Livro da Selva nos cinemas. Acredito que pouca gente lembre ou conheça essa adaptação de Mogli com o ator norte americano Jason Scott Lee. Também saíram dois filmes dos desenhos 101 Dálmatas em 1996 e 2000, respectivamente. A diferença é que hoje estamos mais antenados nas produções da Disney devido ao seu engrandecimento com compras de gigantes como Lucasfilm e Marvel. A ressurreição da franquia Star Wars e incontáveis filmes de super heróis, fazem com que a Disney não saia mais dos trending topics.

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UM CHATO CRITICANDO!
Mas vamos falar de Aladdin, um dos três filmes entregues agora em 2019. E vale lembrar, falta Malévola: Dona Do Mal,  para o dia 18 de outubro. Vamos parar de rodeios e vamos ao motivo de você ter chegado até aqui. Logo de cara percebemos uma nova abordagem. Diferente do clássico desenho de 1992, a nova produção traz um Gênio liberto com sua família viajando pelos mares do mundo. E é ele, o carismático azulão em sua forma humana quem conta aos seus filhos os seus dias passados.

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Temos uma Agrabah bonita e simpática, mas não tão luxuosa quanto um império do conto árabe de As Mil e Uma Noites deveria ser. Faltou mais cor e vivacidade, a apresentação mostrando a logo da Disney e o nome do filme já não é muito inspirada, fica a sensação de falta de ousadia. É tudo muito tímido. Seguimos à partir daí para a recriação clássica dos eventos onde é apresentado o par principal da aventura. Temos uma Jasmine interpretada por uma bonita moça, mas que não traz as feições marcantes de uma jovem árabe. Sei que discutir etnia para atores geralmente não rende bons frutos e só gera polêmica, mas quantas belas atrizes não existem por aí com mais cara e jeito de Jasmine? E a coisa piora quando vemos Aladdin. Ator nascido no Egito e de pais egípcios, o que poderia estar errado então? Bem, o maluco também não tem cara de Aladdin ora essa! Tacaram a chapinha no cabelo do cara e, ainda deixaram uma barbinha e bigode safados por fazer.

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Tirando esses pormenores que são mais a birra de quem vê, no caso eu, do que um real problema, a produção funciona bem. Em uns poucos minutos eu me adaptei a dupla de impostores e me inseri na atmosfera do filme. Assim como o desenho, esse novo Aladdin é praticamente um musical, mas com ares teatrais bem carregados. O grande problema é que isso não pareceu ser realmente intencional, foi mais falta de esmero da produção do que um conceito obedecido. É certo que as músicas são dubladas nas tomadas de filmagens, só que soou muito artificial. Existem cenas melhores que outras, mas no geral faltou bem mais afinco da direção em extrair dinamismo de interpretação dos atores. As cenas em computação gráfica também não são grande coisa, não tendo o refino compatível com o orçamento astronômico de quase 200 milhões de dólares. Nas cenas noturnas onde Jasmine e Aladdin passeiam no tapete mágico também faltou a mesma paixão e beleza artística do clássico desenho. Foi o momento que mas me causou decepção.

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Isso porque eu falei que a produção funciona bem. E o pior é que funciona sim. Essas são observações que relacionei não chegam a estragar a completude do filme. Seu grande trunfo eu deixei para o final, o Gênio da Lâmpada! Will Smith ser engraçado não é novidade para ninguém, e de longe ele é o ator mais solto e carismático de Aladdin. Não é exagero dizer que ele sozinho consegue carregar todo o filme nas costas. Ele abre o filme e permanece até o final, sendo essencial para o dinamismo do roteiro. Ele toma para si a responsabilidade parecendo estar em um sitcom próprio com anos de existência, a naturalidade que entrou no papel é fascinante!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Temos no elenco Mena Massoud, Naomi Scott, Will Smith, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen e Numan Acar. Dirigido por Guy Ritchie, Aladdin é inspirado no clássico árabe da literatura mundial As Mil e Uma Noites e na versão francesa de Antoine Galland, numa produção em conjunto da Walt Disney Pictures, Rideback, Vertigo Entertainment, Big Talk Films e Marc Platt Productions.

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CONCLUSÃO
O remake em live action do clássico desenho traz uma releitura pouco inspirada se comparado a produção original. As suas deficiências são crônicas e desapontam quem esperava uma produção verdadeiramente luxuosa. Na parte em que Aladdin volta como um príncipe para se apresentar à Jasmine, a cena é um literal desfile de escola de samba, faltando bem pouco para chegar no brega. No geral esse ainda é um filme divertido, não tão impactante quanto o original, mas dignamente salvo por um Gênio extremamente carismático. Mesmo com problemas ainda é interessante, e uma boa pedida para ver em família.

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UNIVERSO ANIME – DOCUMENTÁRIO DA NETFLIX (CRÍTICA)

Enter the Anime

Você sabe o que é anime? Mergulhe nesse universo de entrevistas com as mentes mais notáveis do gênero e descubra as respostas.” Bem, essa é a forma que o novo documentário de 58 minuto da Netflix se descreve e propõe fazer. Me parecia algo muito pretensioso de ser feito num espaço tão limitado de tempo, então decidi conferir e descobrir qual era seu real conteúdo e motivação.

Alex Burunova

Universo Anime (Enter the Anime), é um programa apresentado pela escritora e diretora Alex Burunova, e toma como ponto de partida os Estados Unidos. Mais precisamente Los Angeles, onde entrevista Adi Shankar, produtor da série Castlevania original da Netflix. Só por esse começo eu já fiquei meio com o pé atrás. Vamos começar pelo começo para eu fazer me entenderem. Primeiramente, e óbvio, quem conhece o conceito de anime se questiona verdadeiramente sobre o que ele é. Claro que existem discussões sempre em aberto sobre qualquer coisa, mas temos de ser honestos com nossa própria opinião. A minha é que animes definitivamente não são produzidos fora do Japão. E não digo isso por um simples preciosismo, mas porque realmente não existem, pelo menos ainda, produtos com a essência original japonesa. Não tem aquele tempero abstrato necessário pra se fazer categorizar verdadeiramente como um anime. Me desculpe mas Avatar: A Lenda de Aang, The Boondocks, e muito menos Ben 10 são animes. São excelentes produtos para seus públicos alvos, mas não são animes. E Castlevania também entra nesse mesmo balaio.

Expressões de Animes

Até os próprios japoneses pensam diferente de mim, consideram que qualquer tipo de animação, sejam japonesas e até de fora do país como animes. Seguindo essa lógica, para eles até Toy Story é um anime. Não parece fazer muito sentido posto desta forma, não é mesmo? Mas não daria pra eu simplesmente aceitar a proposta e resmungar menos?! Até daria, mas seria um desfavor conceitual. Anime não é como o conceito de rock, que engloba subgêneros como pop-rock, heavy metal ou country rock, por si só ele já é um subgênero dos desenhos animados. E onde ele se desvia de um desenho como qualquer um outro? Toma outro rumo quando entendemos sua estrutura. Na grande maioria das vezes animes são frutos de mangás que fizeram muito sucesso, embora existam poucos que fogem à essa regra, como Code Geass, Koutetsujou no Kabaneri e Cowboy Bebop por exemplo, são as combinações de estilos de expressões faciais exageradas e seus traços distintos que compõe suas principais características. Basicamente quem consome anime, sabe bater o olho e dizer que aquele produto é originalmente nipônico.

Tipos de Animes

Dentro dos animes também encontramos outras subdivisões de gênero, mas que indicam mais a faixa etária do grupo do que qualquer coisa. Existem os shoujo para jovem e feminino, shounen são as produções de luta e ação para crianças e adolescentes, seinen que tratam de assuntos mais pesados e sérios para o público adulto, kodomo são para crianças pequenas, e o josei, que são obras destinadas à mulheres adultas tratando de assuntos cotidianos mais próximos do real.

Bakuman

Em Universo Anime vemos uma série de entrevistas com vários produtores e diretores, e convenientemente trazendo apenas aqueles com produtos catalogados na biblioteca atual da Netflix. Resumindo de forma bastante fria e honesta, esse documentário não passa de uma autopropaganda. São sequências de entrevistas na maioria vazias que revelam pouquíssimas curiosidades até mesmo das obras que retrata, e nem de longe responde a questão que se faz à todo minuto da quase uma hora de duração que tem. “Você sabe o que é anime?” Se depender deste documentário vai morrer sem saber. Mas se você quer verdadeiramente saber o significado dessa palavra que parece até simples, mas que engloba um universo cultural gigantesco, recomendo o anime Bakuman. Não só sobre a produção e a essência do que são os animes, mas vai compreender tudo sobre os processos de criação e inspirações dos mangakás, desenhistas de mangás. Recomendo muitíssimo!

Adi Shankar

Fiquei chateado logo no começo com esse documentário por conta da frase de um cara, Adi Shankar, o produtor de Castlevania que solta a pérola “Como “Castlevania passou de um videogame meio morto à um programa de sucesso da Netflix?” Como assim cara?! Eu particularmente não sou um fã da franquia Castlevania, histórias de vampiros não é muito minha praia, mas é inegável o jogo nunca ter perdido sua relevância. Não é o jogo que precisa de um desenho, é o desenho que precisa do jogo para ter a mínima moral que hoje tem. Simplesmente achei o tom muito presunçoso visto que o trabalho que ele entregou nem é tão espetacular assim. Perdeu uma baita oportunidade de não ter se queimado desta forma entre os fãs da série.

Universo Anime

Durante o documentário são citadas as produções Castlevania, Baki: O Campeão, Kengan Ashura, Rilakkuma and Kaoru, Aggretsuko, 7SEEDS, Ultraman, Levius e B: The Beginning. Também plantam a sementinha do lançamento de Ghost in the Shell: SAC_2045 para o ano que vem, e entrevistam a cantora Yoko Takahashi, de Neon Genesis Evangelion.

Ultraman

Outra coisa que é trabalhada se aproveitando da boa vontade dos japoneses e de sua abertura, até ingênua à novidades, é de querer fazer parecer que os animes com altas doses de CG são a tendência inevitável para o futuro. Conhecendo a maneira que boa parte dos artistas nipônicos lidam com seus conceitos de criação, principalmente sendo uma entrevista para a Netflix com perguntas convenientes da Netflix para promover produtos Netflix, vai ser óbvio que eles venderão essa ideia de tendência do momento com a maior naturalidade. Se analisarmos as coisas vamos perceber que a Netflix vem acelerando e muito a elaboração de um catálogo exclusivo para competir com outros serviços similares. Em breve veremos Disney com seu serviço próprio de streaming retirar da biblioteca da Netflix uma série de produtos. Crackle, Crunchyroll, HBO Go, Amazon Prime Video, entre outras brigando por direitos de exclusividade e tendo seus próprios produtos. Os artistas japoneses não são tão conservadores, se você jogar uma batata podre, explodir na parede, e dizer que é arte, eles vão ficar maravilhados e te parabenizar pelo seu excelente trabalho. O respeito da sociedade é muito grande pela opinião alheia. Então pra eles não há problemas em fazer alegações sugeridas pela Netflix afirmando que CG é o futuro para os animes. Pra Netflix é interessante isso por conta da agilidade. É muito mais fácil e rápido produzir animes em CG do que os feitos tradicionalmente à mão quadro à quadro. E é isso o que eles realmente querem, quantidade. E parece não estar se importando nem um pouco com a qualidade. No fim, a política acaba participando muito mais do que deveria das produções.

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CONCLUSÃO
Documentário raso e que não diz nada com nada, se mostrando apenas um compilado do “Animes em Alta” do catálogo Netflix. Narrado por quem não conhece a cultura do anime, que nitidamente finge se esforçar pra conhecer, e se importando apenas em entregar uma encomenda pra Netflix que puxe sardinha pra seus produtos. Mas está aí pra quem quiser ver. Uma colagem de entrevistas que poderia fazer perguntas interessantíssimas mas que interroga apenas sobre o que os autores gostariam de fazer com seu tempo livre. Longe das produções.

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ZOOTOPIA: ESSA CIDADE É O BICHO (CRÍTICA)

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PLOT COM SPOILERS NADA COMPROMETEDORES!
Judy Hopps é uma coelhinha do interior que vive uma vida simples com seus pais e seus 275 irmãos, e embora estejam bem no ramo de plantação de cenouras, está decidida de que um dia fará a diferença como uma policial de Zootopia. Seus pais não incentivam esse sonho, afinal, nunca existiu um policial coelho. Nunca! Se você não tenta algo novo então nunca irá falhar, e o trabalho na fazenda já vinha ajudando o mundo! Era isso que ouvia sempre de seus pais, mas Judy não queria isso, era durona e tinha um sonho! Pra isso lutou contra todas as dificuldades, não importando o quanto zombassem ou se não recebia apoio. Estava decidida, seria uma policial! E esse dia chegou, se formou como a melhor de sua turma.

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Zootopia! Era pra lá que Judy foi indicada para assumir o seu tão cobiçado emprego como policial. O lugar onde você poderia ser o que quisesse! Uma cidade enorme e densamente urbana cercada de vários distritos bem distintos. Haviam áridas savanas, regiões de grandes biomas florestais e até extensões glaciais. Tudo funcionando sistematicamente bem. Cada habitante conhecendo suas funções nessa grande e complexa metrópole.

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Chegando à sede policial para seu primeiro dia, Judy está entre brutos colegas de trabalho. Rinocerontes, leões, hipopótamos, elefantes, lobos, tigres e até ursos. Grandes e imponentes representantes da lei. Seu chefe entra na sala, o Chefe Bogo. Um enorme búfalo que não está nem aí pra apresentações. Já distribui investigações de criminosos pra cada agente de polícia deixando a coelhinha por último. Guarda de trânsito! Essa era a função designada para a novata. Contrariada mas desafiada, promete não emitir apenas 100 multas de trânsito como ordenado, mas 200! E até antes da hora do almoço!

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judyEntre multas pra todo lado, Judy cruza com uma raposa que de forma suspeita entrava numa sorveteria para elefantes. Ela o segue e assiste a raposa numa fila tentando comprar um picolé. Um enorme picolé de 15 dólares. O dono da sorveteria se nega vender alegando que podia decidir servir ou não pra quem quisesse, e que ele não era bem vindo. Judy observa afastada até que o filho da raposa aparece, e com uma fantasia de elefante. Só o que queria era um picolé para comemorar seu aniversário. Seu sonho era um dia ser um elefante também. A coelhinha então sensibilizada toma a frente intimidando o dono do estabelecimento ao citar a higiene do serviço, e que ele não deveria negar um gesto simples pra uma criança. Derrotado pelo dramalhão daquela história toda, o elefante cede e então aceita vender. A raposa então coça os bolsos e descobre que esqueceu a carteira. Judy se presta a pagar pelo picolé e a criança agradece feliz pelo presente. Então ela volta ao serviço, quando um tempo depois encontra novamente os dois. A raposa e a raposinha estavam derretendo aquele enorme picolé e engarrafando o líquido. Lotaram uma van e se tocaram à dirigir. Intrigada ela os segue. Foram para o distrito glacial onde faziam pequenos buracos na neve com as patinhas e faziam minúsculos picolés! E claro, como bons trapaceiro revendiam para pequenos ratinhos. Nem mesmo o palito foi poupado, fora vendido como “madeira de cerejeira” para a empreiteira de uma obra ratina. Porque não cerejeira? Afinal, o picolé era de cereja… Irritada por ser passada pra trás Judy interpela a raposa sobre que história era aquela. E é assim que Judy e Nick se conhecem antes de começarem a investigar uma onda de desaparecimentos na cidade.

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FICHA TÉCNICA
O filme de animação Zootopia: Essa Cidade é o Bicho reúne aventura e comédia que vai agradar crianças e adultos. O longa da Walt Disney Animation Studios é dirigido na parceria de Byron Howard, já conhecido pela co-direção de Bolt e Enrolados, Rich Moore por seu trabalho com Detona Ralph, e pelo co-diretor Jared Bush da série de desenhos Penn Zero: Quase Herói do canal Disney XD. A animação de 2016 recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação e o Oscar de Melhor Filme de Animação. Teve um custo de produção de 150 milhões, e arrecadou mais de 1 bilhão de dólares em receita, se tornando a quinta maior bilheteria de animação de todos os tempos. Zootopia é aclamado e recebeu vários elogios, além de pequenas premiações da crítica especializada em diversas mídias. Nada mal não é mesmo?

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ZOOTOPIA PROPÕE REFLEXÕES
Animais antropomórficos vivem numa sociedade organizada onde predadores e presas evoluíram intelectualmente superando seus instintos mais básicos e primitivos. Mas o preconceito ainda está enraizado, uma raposa vai sempre ser trapaceira, as ovelhas serão eternamente ingênuas, e as presas do passado jamais serão aptas à liderar. Nada disso é colocado em aberto, mas sempre de forma velada, fazendo um conceito ultrapassado continuar a macular desnecessariamente uma comunidade que não precisa mais desse tipo de atraso intelectual. O debate sobre o feminismo também está lá, e se embola ao racial. Afinal, temos não só um coelho se tornando policial num universo machista e supremacista, mas uma coelha enfrentando as regras impostas pela sociedade. Corrupção? Claro que sim, os pilares do poder públicos também são balançados em Zootopia. Esse não é um filme simples, foram 4 produtores, 3 diretores, e um total de 8 roteiristas trabalhando em conjunto para criar esse aglomerado de assuntos. Misturado à muito humor, aventura, e ainda conseguiram socar tudo em 108 minutos.

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REFERÊNCIAS PARA TODO LADO
028_08Existem muitas referências em Zootopia, desde a clássica dupla de filmes de ação com o policial bem intencionado e o picareta, à Walter White de Breaking Bad e Vito Corleone de O Poderoso Chefão. Nem as próprias produções da Disney fogem das piadas quando viram mercadoria pirata no mercado clandestino de rua. Shakira também está no filme, é a gazela Gazelle, estrela pop de Zootopia estampada por tudo quanto é outdoor, e que canta a música tema Try Everything. Sem contar os easter eggs tradicionais da Disney. Tem quadro mostrando a cidade de Operação Big Hero na delegacia e Mickeys espalhados por todo lado.

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CONCLUSÃO
Abordando assuntos de cunho social, a animação traz à tona dilemas morais e éticos sobre preconceito e como o medo primitivo gera conflitos capaz de dividir a sociedade. Faz analogia à momentos históricos e atuais, servindo de alerta para que aprendamos a ter cuidado com narrativas corrosivas a fim de não repetirmos catástrofes que trouxeram vergonha à humanidade. A animação embora reflexiva, não deixa de fazer rir com piadas constantes e momentos divertidos cheios de empolgação. Ponto alto fica para impagável e inesquecível cena da preguiça. Recomendadíssimo tanto para crianças quanto adultos. Podem acreditar, essa é uma das melhores animações do catálogo Disney.

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O REI LEÃO – FILME DE 2019 (CRÍTICA)

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Quando era pequeno não costumava ir muito no cinema, lembro de ter visto alguns filmes dos Trapalhões, Aladdin, Independence Day, O Quinto Elemento, e o filme que será gatilho para esta resenha, O Rei Leão. Salvo engano, terem sido só esses mesmo. Isso significa que são 25 anos de distanciamento do desenho original, sendo assim considero estar livre de qualquer comparação exagerada ou preconceito bobo. Se tem coisas que eu me recorde nesses anos todos, é porque realmente deve ter me marcado. E eu lembro, mesmo tendo visto uma única vez no cinema quando tinha 10 anos.

Timão e Pumba

SPOILER ALERT!
Não sei o que seria spoilers pra esse filme, pois acredito que até as crianças pequenas já fizeram o aquece assistindo o antigo para ver o novo live action no cinema. Então deixo avisado, esse texto será um spoiler gigante, e se realmente não assistiu o desenho e nem o novo filme, procure qualquer outra coisa do site pra ler, pois esse texto não é pra você. Estou escrevendo cerca de duas horas após ter saído do cinema, está tudo bem fresquinho na cuca e já deu tempo de fazer a reflexão para ter as impressões. Então vamos lá, seja educado e coloque seu celular no silencioso porque o filme já vai começar!

Rei Leão

 

No início logo de cara você vê que as cenas, e até as transições de câmera, são exatamente as mesmas do desenho original. A sensação é de estar assistindo uma montagem com cenas do National Geographics nas savanas africanas tentando imitar a antiga versão. Cinegrafistas da vida selvagem ficaram 20 anos capturando as cenas ideais para se adequar exatamente aos takes clássicos. E isso chegava a deixar confuso, você se distrai em reflexões tentando entender se aquilo é uma filmagem de verdade ou uma animação em CG, sério mesmo. A coisa é mais real que o mundo real. Depois daquilo não duvido nossa existência ser totalmente uma simulação. Credo. Os animais não eram caricaturizados, ou seja, os leões não tinham expressões faciais comuns à qualquer animação, eram nitidamente animais selvagens sem qualquer pitada de humor. Para não ser incoerente, apenas o Simba parecia fazer alguma feição de sorriso, mas tenho quase certeza de que era só impressão minha.

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Decretado! E ponho a mão no fogo que qualquer adulto que tenha visto o desenho original vai concordar. O problema do filme era exatamente seu maior mérito, o realismo excessivo. Toda a emotividade da narrativa, as faltas de expressões dos personagens faziam com que você não alcançasse nem de perto o mesmo nível de empatia que o desenho. Na parte em que Mufasa morre, momento que deveria ser o pico dramático do filme, não existia mais emoção. Diferente do desenho, você não conseguia enxergar a carga dramática daquele instante. O Rei Leão morreu. Tá. Agora a gente enterra. Exagerei um pouco mas é quase isso. Haviam apenas as linhas de diálogos para te convencer dos sentimentos dos personagens, e nem mesmo a dublagem ajudava. Não sei o que houve, porque a Disney não tem o costume de dar esses vacilos nas localizações de seus filmes para o Brasil, mas realmente a dublagens estavam muito instáveis. As vezes estavam legais, outras vezes ruins, mas nunca grande coisa. A maioria dos trechos musicais ficaram legais, e isso não é mérito desta nova versão, como eu já disse, todas as coreografias eram na cara dura aproveitada, logo as músicas também. Só teve uma música que me pareceu ser nova, a de quando Simba se convence de voltar para sua terra e corre atrás de Nala, mas é bastante curta, pareceu ter sido até interrompida. Talvez ela estivesse no desenho e tenha sido eu que esqueci mesmo.

Simba

 

Mas vamos lá, até agora eu falei que o filme é diferente, mas não disse ruim. Existem momentos muito bons no filme, e maior parte é relativa à situações cômicas. Os problemas de flatulência de Pumba, Zazu contando histórias familiares, Timão que sem esforço faz rir (acho que qualquer suricato faz rir), e a dupla de hienas idiotas discutindo e brigando por espaço são impagáveis. Esses são os pontos máximos do filme, tirando isso parece um filme que passava antigamente na TV, se não me engano tinha um casal de jovens adolescentes, e também se passava em área de savana. Só sei que nesse filme os animais também falavam, com a diferença de não mexerem a boca. Juro que pesquisei sobre esse filme pra trazer o nome, mas não encontrei nada. Acho que era da década de 60. Eu lembro disso, não estou maluco! Certeza que você também lembra.

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CONCLUSÃO
Tenho duas impressões separadas. Se você é alguém, mesmo que uma criança, que nunca assistiu ao desenho original, a sensação é de estar assistindo um documentário ambientalista. Da forma que o filme funciona, o realismo excessivo inevitavelmente te leva entender que tudo aquilo é real. Que a natureza é linda e funciona por um motivo único, a não depredação desnecessária da vida. Isso é ruim? De maneira alguma! Se O Rei Leão fosse apenas isso, já seria algo maravilhoso, algo louvável de uma produção cinematográfica. Mas se você já assistiu o desenho e foi consumir o live action tendo a consciência de que aquilo é um remake, a sensação é de ter visto um esboço muito bem esboçado. O que quero dizer com isso? Quero dizer que fizeram um trabalho magnífico tecnicamente, algo nunca visto até então em criação computadorizada de ambientes naturais, mas que nem de longe traz a carga emocional que fez crianças chorarem litros nos cinemas. Claro que animais de verdade expressam sentimentos, e até essas expressões realistas estão lá, mas não é como no desenho. O desenho é feito para se comunicar com pessoas, então ele te oferece mecanismos que conseguimos entender de imediato. Você tem um gato em casa ou já teve proximidade com um? Quando você mora com ele você entende sua personalidade, mas se chegar um outro, você consegue saber exatamente qual é a dele? Se você ver um suricato, um javali ou um gnu, você sabe qual é a deles? Então é simples, animais principalmente os selvagens, não evoluíram para se comunicar conosco. O Rei Leão de 2019 é um filme muito bacana, mas muito diferente de O Rei Leão de 1994. Não sei se o live action terá mesma vivacidade do desenho original, porque esse sim, já está entre reis no firmamento.

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TOY STORY 4 (CRÍTICA)

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Pra muita gente o primeiro filme em animação talvez tenha sido o Toy Story original de 1995, mas curiosamente pra mim não foi. Existe uma briga pelo título de primeira animação feita na história, e nesse ringue está Toy Story de um lado, e o não muito conhecido Cassiopeia do outro. E foi com esse último a minha inserção no universo da animação computadorizada, popularmente conhecida como CG ou CGI. Vale como curiosidade entender como se dá essa briga pela honraria de um título. O período de desenvolvimento de ambos é bem parecido, e se for colocar na ponta do lápis, Toy Story realmente fora lançado um pouco antes. No entanto existe um pequeno detalhe técnico na diferença de confecção de cada animação. Enquanto em Cassiopeia a animação é integralmente feita com tecnologia de computação gráfica de potentes 486, e se não sabe o que é isso, melhor nem querer saber, Toy Story tem o diferencial de as cabeças dos personagens terem sido moldadas em argila e depois digitalizadas pela Polhemus 3D. Cassiopeia é da brasileira NDR, sim, acredite, você tem motivos pra se orgulhar do seu país brigar pelo mérito de ser o primeiro em algo, assim como Santos Dumont com seu 14-bis.

Cassiopeia

Tretas à parte, e vencendo ou não a disputa pelo título, temos de admitir que a animação da Pixar é muito melhor que nossos viajantes espaciais. Toy Story estreou gerando um grande alvoroço ao redor do mundo, com personagens carismáticos e um enredo que agradava crianças e vovôs. Não lembro exatamente como foi minha experiência inicial quando aluguei a animação, não vou inventar uma historinha bonita só pra ilustrar o momento, mas tenho na memória um carinho tremendo pela mensagem trazida. A celebração da inocência e da amizade é algo contado de forma ímpar, e marca na gente os dilemas e problemas superados visando sempre o bem coletivo. É uma obra que ensina a repartir, ter lealdade, o ápice da hombridade, que é a verdadeira essência da busca pela felicidade.

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Um trabalho tão primoroso como esse deixava toda sua cadeia de fãs apreensivos por uma continuação, e a Pixar não decepcionou, após 4 anos do premiado primeiro filme, trouxe Toy Story 2. Quantos filmes você recorda ter uma continuação melhor que o original? Claro que tem, mas são bem poucos. E esse é o caso. Toy Story 2 conseguiu faturar quase meio bilhão de dólares, mais de 100 milhões que a receita do filme anterior. Tudo bem que o primeiro tenha tido um orçamento de 30 milhões, e o segundo 90, mas mesmo assim são números impressionantes. Se tornou a animação mais lucrativa de todos os tempos até então, e não vou enumerar quantos prêmios recebeu, mas acredite, foram muitos!

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A franquia esbanjava vivacidade, tendo grande repercussão por anos na expansão de seus derivados comerciais. Um produto com o hiato de 10 anos ainda trazia lucros com bonecos e jogos, e embora boatos de uma terceira animação existissem desde o término de Toy Story 2, nada se consolidava. Foi quando o planeta Terra, e vamos saber lá mais quem nos observe de fora, entrou em êxtase. O tão almejado novo filme havia sido anunciado. A internet se desesperou. Não faltavam notícias e comentários sobre essa boa-nova. Até que no dia 18 de Junho de 2010 o bebê veio a luz, geminiano, e todos queriam pegá-lo no colo e chamá-lo de seu. Você acredita que o inacreditável aconteceu? Eu juro pra você, ele tinha conseguido mais uma vez. Superou a segunda animação que tinha superado a primeira! O nome Toy Story definitivamente tinha nascido com a bunda virada pra Lua!

Toy Story

Que filme fantástico! Quando a gente é fã de algo nunca imaginamos que aquilo possa ser ainda mais lapidado, mas foi sim o caso. Ecoavam elogios por todo o lado, e nem precisava você ter internet, o assunto transbordava e escorria até você na porta de casa. Lembro ter ouvido o comentário onde Quentin Tarantino disse, “grandes poderes trazem grandes…”, não, pera, esse é o do Tio Ben. Tarantino na verdade falou foi o seguinte, “Com certeza traz a melhor cena do ano, talvez a melhor da década. Uma das melhores da história do cinema”, se referindo aos lançamentos de 2010. Anualmente ele divulga sua lista dos vinte melhores filmes, qual Toy Story 3 encabeçava. Em vigésimo, vale citar, estava Jackass 3D (merecido (ou não)).

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O mundo era lindo, uma trilogia impecável. Feito comparável apenas ao quarto, quinto e sexto episódios de Star Wars. Não, nem De Volta Para o Futuro conseguiu isso, se escafedeu no terceiro. O limite da natureza é assim, as coisas funcionam em grupos de três. Até as Marias são apenas Três. Perfeição. Nada mais, nada menos. Sendo assim eu vivia minha vida pacata, vez ou outra eu recordava da conclusão daquela memorável saga e sentia borboletas no estômago de tanta nostalgia. Eu devia estar tomando chá e comendo torradas amanteigadas feitas em casa enquanto discutia sobre a cabeça de algum político numa bandeja, quando provavelmente devo ter cuspido sopa de torrada com chá e baba na cara da minha mãe, ou tia, durante a mesa do café às 16 horas, quando eu li no Fofocas & Bisurdos News que Toy Story 4 havia sido flagrado em produção num estúdio por abutres paparazzis.

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Isso não podia estar acontecendo comigo. Com certeza eu havia morrido, e como gratificação pelos bem feitos durante a vida, o Menino Jesus estava lançando uma nova sequência de Toy Story só pra mim. Não precisava Menino Jesus. Mas se quis, tudo bem. Devo ter tomado um tapa na cara. Da minha mãe ou tia, não sei em quem acertei a cusparada. Estava mais preocupado olhando pra baixo, no celular, aquele quatro brilhando. Voltei à realidade e compreendi que a Pixar Animation Studio, do grupo Walt Disney Company, realmente estava virada no Jiraiya e soltaria realmente o Toy Story 4. Pronto! Bateu a preocupação. O Menino Jesus fazer o quarto filme alterando a natureza e superando a regra das trilogias é uma coisa, mas não seria um fruto divino, seria só a Pixar. Isso não poderia acabar bem.

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Dia 23 de junho. Era um domingo chuvoso e promissor no qual decidi ir ao cinema assistir Toy Story. Não quis saber de mais nada relacionado ao filme depois que descobri que não estava morto. Me mantive receoso mas tentando me abster de qualquer sofrimento prévio. Nem trailer eu vi! Saí de casa e fui a pé até o shopping para assistir aquela película. Eu sabia que estava me tornando um dos malas da ‘Seleta Ordem dos Críticos Cults de Cinema’, e que isso não era bom. Devia ter escolhido a palavra “projeção”. Enfim. Cheguei ao cinema e era aquilo, setenta e três crianças para cada dois adultos. Eu tive dó. Aquelas crianças não eram nem nascidas quando a trilogia foi fechada. O lado bom pra elas era que não agonizariam em sofrimento caso se decepcionassem pela mediocridade que poderia vir se tornar esse filme. Calei minha boca, não desliguei o celular, já que ninguém ligava pra mim mesmo e, continuei a mastigar batata frita de um saco de um quilo engolida por auxilio de Coca-Cola já quente.

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A projeção começara, e os cochichos foram diminuindo gradualmente conforme aquela horda de pivetes iam se hipnotizando. Não sei como continuar esse texto sem dar spoilers, a memória é recente demais e portanto perigosa. Mas vou ‘analogiar’, o infinitivo é meu e invento o que eu quiser, se não gostou me processa. ‘Analogiando’ nós podemos comparar com Vingadores: Ultimato. Uma conclusão que não necessariamente precisa ser uma conclusão, mas estruturalmente um fechamento de ciclo. Um desfecho cheio de simbolismo e trazendo à tona aquele sentimento de pureza que se via no primeiro filme. A amizade e lealdade nunca havia chegado num patamar tão alto como o de agora. Mas um novo elemento surgia no quarto filme. Literalmente aquela menina era a representação do Menino Jesus. Não transformava água em vinho, não multiplicava os peixes, mas sim, trazia vida do lixo. Do lixo! O novo elemento era “A Criação”! Se você acha que Toy Story se resumia em apenas brincadeiras e aventuras em meio ao sentimento de paz interior por ter seus amigos sempre ao redor, é porque ainda não assistiu Toy Story 4. Do lixo cara! Do lixo temos o entendimento do que é o universo de Toy Story. Temos a transcendência do que realmente é a vida. De onde ela brota e qual seu ímpeto. Nos faz entender que valorizar a simplicidade da vida é o bem maior, a verdadeira essência da essência!

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CONCLUSÃO
Mas afinal, tirando esse ultrapieguismo de novela mexicana, o filme é bom? Eu ainda não consigo acreditar, mas não apenas bom, melhor. Muito melhor que o terceiro! Como conseguiram isso eu não sei. Revela aí Pixar! Eu chuto. Talvez com auxílio de mentes de alienígenas superdotados superestimuladas com LEGO Creator Espacial combinado com Arduino desde a infância. Só sei que meu cérebro foi bombardeado com sequências gigantescas de piadas da mais alta qualidade e sagacidade, resoluções de roteiro extremamente criativas, sendo tudo bem amarrado e contracenado por atores mais experientes do que nunca. Woody e seu seus pares estavam divinos. A sensação que me deu é que a animação não durou sequer 30 minutos. Foram um dos melhores 100 minutos da minha vida. O filme que quebrou a regra dos 3 e a regra da vida. Lixo!

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