POR LUGARES INCRÍVEIS – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Violet Markey (Elle Fanning) e Theodore Finch (Justice Smith) são dois adolescentes que, apesar de estudarem na mesma escola, se aproximam e passam a se conhecer mais profundamente num momento muito dramático de suas vidas. Desde então, compartilham seus dias e, devido a um trabalho escolar, passam a embarcar em pequenas aventuras diárias, visitando lugares e consequentemente, dividindo seus sentimentos mais íntimos. Nesta nova relação, ambos buscam e encontram conforto um no outro, uma certa cumplicidade e a descoberta de que qualquer lugar pode ser especial, desde que na companhia certa.

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COMENTÁRIOS
Foi-se o tempo em que corações partidos eram as únicas preocupações dos adolescentes no cinema e na TV, não é mesmo? Fulano gosta de beltrano, que gosta de ciclano e por aí a história corria, até com algumas lágrimas, mas sempre por amor. Já hoje… ah, é preciso ter um coração de ferro para o que temos que encarar. Uma coisa é certa, é sucesso garantido. Os dramas estão em alta entre os adolescentes e nunca se viu tantas séries e filmes voltados para este público, inclusive tratando de assuntos tão delicados e dramáticos como suicídio, traumas pesados com pais, bullying, distúrbios psicológicos, sexualidade e por aí vai.

Por Lugares Incríveis é mais um desses filmes que veio prometendo tirar muitas lágrimas de seu público, num drama muito sensível, que aborda problemas reais e de difícil digestão para qualquer mortal. Então meu caro, é impossível que você não sinta alguma empatia pelo drama da jovem Violet. Assim como nós, Finch também se sensibilizou pela menina e, é graças a esta empatia imediata que embarcamos nessa viagem tão delicada traçada por estes dois personagens em momentos tão distintos, mas igualmente difíceis de suas vidas.

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Violet a menina bonita e popular, que frequenta festas e tem uma movimentada vida social, passa por um momento introspectivo da sua vida, onde se isolar não é só uma opção, mas uma necessidade. Já Finch, se trata do adolescente naturalmente isolado, principalmente pelo seu temperamento explosivo e traumas pesados que traz do seu passado.

Parece meio óbvio para você que eles precisam urgentemente se encontrar e se apoiar neste momento, certo? Certo, mas além da nossa torcida e de uma mãozinha do destino, um trabalho escolar acaba sendo o que firma esta amizade, de forma que eles precisam passar mais tempo juntos do que passariam em qualquer outra circunstância. Nisso aí, já temos os ingredientes perfeitos para que uma relação seja construída. Então, se você gosta de dramas reais, diálogos sensíveis e boas interpretações, embarque sem medo nessa emocionante história.

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COMENTÁRIOS COM SPOILER
Quer entender melhor o que se passa? Violet passa por um momento muito doloroso de luto pela perda de sua irmã e melhor amiga, já Finch também tem seus próprios problemas causados por graves traumas com seu pai, que gerou em si uma dificuldade grave de auto controle, o levando a momentos verdadeiramente sombrios e/ou excessivamente explosivos, onde precisa se isolar para que não machuque ainda mais as pessoas que o cerca. Não é pouco, concorda?

Caio Fernando Abreu que tem uma frase que diz: “Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui.” E é exatamente o que Finch faz, quando se depara com Violet num momento de tanta dor e exposição, tentando tirar sua própria vida, ele se aproxima dela, estende a sua mão e guarda sua própria dor no bolso para ajudá-la.

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Mas, acontece que Finch teve uma ajudinha de um trabalho escolar, onde duplas deveriam explorar na cidade lugares pouco conhecidos, mas com algum significado para seus visitantes. Nesta pequena aventura, os dois acabam descobrindo que o que torna um lugar ou um momento especial, mágico, cheio de significados, está longe de ser um trabalho de engenharia elaborado ou ser o mais famoso ponto turístico da cidade, mas a companhia, o significado que aquele lugar passa a representar para os dois.

Como você pode imaginar, tem sim romance rolando solto em meio a todo este drama, mas ele fica facilmente em segundo plano. Eu, particularmente, achei totalmente dispensável inclusive, já que o casal não revelou ter uma boa química. Acho inclusive que uma profunda amizade entre os dois tornaria a história ainda mais tocante e sensível, já que pelo desfecho dramático do personagem Finch (ele acaba se suicidando), deu a impressão que ele poderia estar enganado sobre o que sentia com relação a Violet. Ou seus traumas eram ainda maiores que o seu sentimento.

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Os problemas de Finch foram abordados de forma muito superficial no filme, mas já li que são mais aprofundados no livro. Você percebe pelas reações do personagem o quanto ele é machucado pelos seus traumas, mas o telespectador não consegue perceber esta dimensão, dando a impressão que o significado que Finch deu à vida de Violet, e as lições que ele ensinou a ela, não fizeram o mesmo efeito pra si e não tiveram tanto significado para ele. Ou seja, fiquei com aquele desejo romântico de ver que as lições que ele ensinou à Violet e o amor dos dois, pudesse ser a cura para ambos.

Embora Violet tenha superado mais este trauma, e aparentemente, aprendido todas as lições ensinadas por Finch, isso traz ao final do filme um desfecho lindo, com frases maravilhosas e um sentimento bom, quase um consolo, que você recebe mais pela doçura de Violet do que pelo desfecho apresentado. Sim, meu lado romântico ficou esperando um final feliz que não rolou, mas o final é lindo e vale a conferida.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Elle Fanning, Justice Smith e Keegan-Michael Key são alguns nomes que compõem o incrível elenco de Por Lugares Incríveis. Embora Elle Fanning passe a maior parte do filme bem triste e séria como Violet, o que é incomum em seus trabalhos (Malévola, por exemplo) e isso já é uma surpresa, podemos ainda sentir aquela doçura que lhe é natural e que nos ajuda a visualizar a Violet antes do luto. E, Justice Smith, dispensa comentários, já vem se revelando um excelente ator em outros filmes e ganhado alguns bons destaques (como por exemplo em Pokémon: Detetive Pikachu).

Este longa-metragem é original Netflix, lançado em 28 de fevereiro de 2019 e que foi baseado no best-seller internacional de Jennifer Niven, de mesmo nome. All the Bright Places é o titulo original da obra, que durante 108 minutos te leva nessa viagem ao mais profundo de seus personagens. Dirigido por Brett Haley, este drama romântico hoje (01/03/2020), é o TOP 1 da Netflix Brasil.

CONCLUSÃO
Mas e aí? A que conclusão chegamos então? Não, os assuntos abordados, embora fortes, não foram bem aprofundados. Mas sim, é um filme com frases bonitas, boa interpretação e excelente fotografia, então vale a pena sim conferir, com certeza.

O que precisa ser dito aqui, é que Por Lugares Incríveis traz de fato alguns gatilhos, pois trata de assuntos delicados como luto, distúrbios mentais, traumas familiares e suicídio, então caso você tenha alguma dificuldade com estes temas, prepare mesmo o coração. Então, pelos temas abordados, concordo com a classificação de 16 anos.

Quer um conselho?
Copo de água numa mão, lencinho na outra e boas lágrimas.

O que aprendi?

“Aprendi que existem coisas boas no mundo, se você procurar por elas. Aprendi que nem todo mundo é uma decepção, incluindo eu mesmo, e que um salto a 383 metros de altura pode parecer mais alto que uma torre de sino se você estiver ao lado da pessoa certa.”


por Jennifer Niven –
Por Lugares Incríveis

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CONTATO VISCERAL – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Will cobria um dos turnos num bar de cidade pequena onde as mesmas figuras carimbadas de sempre se reuniam, porém certa noite um público diferente do cotidiano apareceu. Eram quatro adolescentes que o barman decidiu fazer vista grossa, afinal, pareciam decentes e só queriam tomar umas cervejas. E em meio aos flertes velados de Will à Alicia, que estava acompanhada do novo namorado, uma briga violenta se iniciou entre quem jogava sinuca. Eric, um brutamontes encrenqueiro já conhecido, contra um tal de Marvin, um gigante marombado. A quebradeira foi feia, e um dos garotos que estava lá começou a gravar com o celular, quando Eric foi ferido gravemente no rosto por uma garrafa quebrada. As pessoas conseguiram separar os dois antes que algo pior acontecesse, e com a chamada da polícia, todos fugiram com medo de se meter em mais encrenca. Will olhando o estrago em seu bar nota que o telefone de um dos garotos caiu durante a confusão, e disposto a entregar, coloca no bolso. Chegado em casa, procura uma maneira de desbloquear a tela do aparelho, e tem a ideia de tentar ver o desenho que a marcas de dedo teriam feito. Will responde a mensagem de alguém para aquele celular, se identifica como sendo o barman e que no dia seguinte deveriam ir no bar buscar o objeto perdido. Mas a conversa não para por aí, mensagens e fotos cada vez mais estranhas começam a chegar, desencadeando uma série de situações bizarras.

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COMENTÁRIOS
Não sei como iniciar uma crítica sobre esse filme omitindo tê-lo detestado! Primeiramente ele se vende como um terror, e assim como em Midsommar (2019), outro filme do gênero do mesmo diretor, usa como base o relacionamento conturbado de um casal. Mas diferente do qual eu citei, Contato Visceral (Wounds), não tem nada de assustador ou mesmo aquela estranheza que causa desconforto. O filme com ar de drama em boa parte do seu tempo, acompanha os passos de um homem que vai se revelando cada vez mais problemático, mostrando sua infidelidade, seus vícios, e porque não colocar assim, sua chatura. Will tenta ser engraçado mas não é, e nem essa tentativa de ser, tem alguma graça. Sua esposa não é muito diferente, sempre desconfiada e certamente insatisfeita com o marido, Carrie é colocada em segundo plano na trama. Serve exclusivamente como âncora para embasar o entendimento de Will ser um completo mau-caráter, e é cansativa a artificialidade da comunicação entre os dois. Logo no início do filme, numa situação onde o casal discute sobre a procedência daquele celular, ele simplesmente trava como se admitisse culpa por algo que não fez. E essa incoerência é o que mais incomoda na trama. Quanto ao terror, ele tenta ser algo mais metafórico. E não me levem à mal, essa conversa típica de que se você não entendeu o simbolismo da obra é porque não entrou no clima, ou não teve intelecto para tanto definitivamente não funciona para mim. Basicamente eu vi um filme lento, enfadonho, que o vilão não passava de baratas que se multiplicavam, e o herói deveria ser um dedetizador! Quanto ao seu final, nossa, prefiro nem fazer comentários. Enfim, ainda vale a regra de ouro, você não precisa concordar comigo e nem deve, assista você mesmo e tire suas conclusões.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Armie Hammer, Dakota Johnson, Zazie Beetz, Karl Glusman, Brad William Henke, Jim Klock, Luke Hawx, Kerry Cahill, Terrence Rosemore e Ben Sanders compõem o elenco. Escrito e dirigido por Babak Anvari, Contato Visceral é um filme de terror lançado em 2019 produzido por Christopher Kopp e Lucan Toh. A obra se baseia no livro The Visible Filth de Nathan Ballingrud. A estrutura de produção é da Annapurna Pictures e da AZA Films, e sua distribuição ficou a cargo do Hulu para os Estados Unidos, e da Netflix para o restante do mundo.

CONCLUSÃO
A percepção que eu tenho, é que chega num determinado ponto em que certos diretores ficam tão confortáveis e seguros das próprias capacidades, que perdem a régua do que pode funcionar. Contato Visceral tem um início enfadonho, com linhas de diálogo tediosas, e que quando culmina no seu elemento central, que deveria ser o terror, já se perdeu totalmente. Fica parecendo que estou pegando no pé, mas não consegui encontrar um elemento ao menos qual pudesse dizer: não, isso aí é legal! Enfim, esse é mais uma péssima produção que a Netflix teve a infelicidade de colocar seu selo de distribuidora. Mas o lance é aquele de sempre, a melhor forma de sabermos se algo é ruim, é conferirmos nós mesmos. Contato Visceral tem classificação etária de 16 anos, e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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ELI – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Eli é um menino de 11 anos portador de uma doença autoimune que o leva a ter uma vida difícil, precisando sempre se manter em locais hermeticamente descontaminados para continuar a viver. Toda vez que se expõe, sua pele apresenta uma vermelhidão alérgica, machucando-o como uma grave queimadura. Seus pais, Paul e Rose, descobrem uma clínica que oferece um procedimento experimental, e investem todas suas economias para poder dar uma vida melhor ao filho. O local é uma enorme mansão isolada numa distante região rural, um imóvel enorme e inteiramente protegido dos contaminantes do exterior. Lá a criança é submetida a dolorosos procedimentos médicos, enquanto paralelamente a isso, uma série de fenômenos sobrenaturais começam a acontecer, e se tornando cada vez mais bizarro, Eli começa a questionar se realmente pode confiar  naquelas pessoas.

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COMENTÁRIOS
Enquanto em Jimmy Bolha (2001), Jake Gyllenhaal traz uma visão otimista e divertida das complicações de ser uma criança que precisa viver dentro de uma bolha, em Eli (2019), as coisas não são tão simples e positivas assim. Eli é um menino bastante inteligente que compreende sua própria situação, mas mesmo assim sofre demais com suas limitações. Como uma criança normal, ele gostaria de poder sair de casa para aproveitar as coisas simples sem se preocupar, e o fato de não poder fazer isso, lhe gera muita angústia. Não bastando as dificuldades que lhe atormentavam a vida, ainda sofre com a falta de empatia daqueles que o veem com estranheza devido ao curioso traje plástico que precisa vestir quando está fora de casa. O sadismo e deboche dos outros tiram-no do sério, fazendo com que precise ser acalmado pelos pais, de quem é totalmente dependente para tudo.

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Eli tem uma atmosfera pesada e instigante, começando tímido, vai moldando ambientes e plantando cada vez mais confusão na audiência. Elementos aparentemente desconexos são gradualmente inseridos, e causam cada vez mais estranheza. A trama que se inicia como um drama, toma rumos no suspense e no terror, e até o último minuto sustenta mistérios inimagináveis. Seu roteiro é bastante criativo, e junto com Fratura (2019), lançado quase simultaneamente, ambos pela Netflix, conseguem convencer numa trama extremamente bem escrita. Esse é daquele filmes que é muito perigoso fazer comentários acerca de seu decorrer, mas o que ainda dá para ser dito, é que em certos momentos aparenta que estamos assistindo apenas mais um filme de terror bobo e cheio de jogos de iluminação e jump scares, e de certa forma ele parece não ocultar querer parecer ser isso. Não seja ingênuo, aqui temos um diretor perspicaz e experiente em filmes de terror com mistério, esta é uma obra que vai te surpreender bem mais do que imagina. Digo isso assumindo ser um cara chato e exigente com filmes de terror, quando a coisa não tem conteúdo e é só baboseira, já sento o malho sem pena. Deixo um alerta, não recomendo procurar muita coisa sobre este filme na internet, sejam críticas, material promocionais, e nem mesmo imagens em sites de buscas, acredite, o potencial é enorme de você estragar sua experiência com spoilers não intencionais.

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Charlie Shotwell está excelente interpretando Eli, onde atua com muita naturalidade, conseguindo convencer em momentos de medo, dúvida ou raiva. Já Sadie Sink, a menina ruiva de Stranger Things, é mais do mesmo, e não traz grandes feitos. Kelly Reilly e Max Martini, os pais de Eli, fazem uma boa atuação, assim como a chefe médica Lili Taylor. A direção de Ciarán Foy é inteligentíssima, o cara realmente sabe induzir com que pense exatamente o que ele quer. Você vai ter certeza de que está confortável com uma ideia, e como um um guindaste de demolição, o roteiro faz desabar todas suas convicções quando você menos imaginar.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Kelly Reilly, Sadie Sink, Lili Taylor, Max Martini, Charlie Shotwell, Deneen Tyler, Katia Gomez, Austin Fox, Kailia Posey, Parker Lovein, Lou Beatty Jr., Jared Bankens, Nathaniel Woolsey e Mitchell De Rubira compõem o elenco. Escrito por David Chirchirillo, Ian Goldberg e Richard Naing, Eli é um filme de drama e terror de 2019 dirigido pelo experiente Ciarán Foy, responsável também por A Entidade (2012) e Citadel (2012). A produção é dividida com Trevor Macy e John Zaozirny, utilizando os estúdios produtores Paramount Players, MTV Films, Intrepid Pictures e Bellevue Productions. Distribuído pela Paramount Pictures, e pela Netflix, o longa teve um orçamento modesto de 11 milhões de dólares. Eli está disponível através do serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Flertando com o drama mas descambando para o terror, Eli lida com seu gênero principal de forma bem peculiar. Não é o tipo de filme que se diz que com segurança ser capaz de agradar qualquer público, seu formato, e principalmente sua conclusão, tem potencial enorme de trazer desconforto à algumas pessoas. Seu roteiro inteligente e seus plot twists, são seus principais atrativos, mas não se pode afirmar que seu desfecho seja surpreendente. Como disse antes, eu sou uma pessoa exigente com filmes desse gênero, e esse acertou em cheio para mim! Mas como gosto é algo muito pessoal, recomendo muito que você assista e tire as próprias conclusões. Lembrando, a surpresa eu garanto que você terá! Recomendado para maiores de 16 anos, Eli é uma produção original Netflix, e já está disponível. Tenha um ótimo filme!

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EL CAMINO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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A série Breaking Bad (2008-2013), ao longo dos anos, acumulou timidamente (no início) uma legião de fãs, dentre os quais me incluo. Sendo assim, comentar qualquer derivado da obra de Vince Gilligan é um empreitada delicada.Mas El Camino (2019) não é a única história envolvendo o universo de Jess Pinkman e Walter White. A série Better Caul Saul (desde 2015 e com última temporada confirmada) também explora ainda mais os detalhes dos personagens secundários da história do professor de química que se torna produtor e traficante de metanfetamina (cristal).

Entretanto, ao final de Breaking Bad, fica o gosto amargo da morte de um anti-herói e a fuga desesperada de Jesse, barbudo, lacerado, com lágrima nos olhos depois de ter sido feito de escravo e morado em um buraco no chão. O que acontecera ao rapaz que se envolveu com produção de cristal, primeiro para saciar seu próprio vício, e que, depois, só queria viver, quem sabe, uma vida simples e em família? Nesse sentido El Camino é um fechamento para um dos personagens mais cativantes da série e que rendeu fama a Aaraon Paul.

Jesse precisa fugir de Albuquerque, pois uma grande caçada policial é empreendida atrás do rapaz após uma batida no laboratório de metanfetamina no qual era escravizado. Com a morte do Sr. White, as autoridades precisam por as mãos no último elo solto dessa organização criminosa. Pinkman tem um plano, mas será preciso muito dinheiro para executá-lo. Para isso terá que revirar seu passado e traumas para seguir seu próprio caminho.

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Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Direção: Vince Gilligan
Roteiro: Vince Gilligan
Duração: 2h 2min
Lançamento: 11 de outubro de 2019.

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Elenco: Aaron Paul (Jesse Pinkman), Jesse Plemons (Todd), Jonathan Banks (Mike), Matt Jones (Badger), Charles Baker (Skinny Pete), Robert Foster (Ed).

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O FIM DE EL CAMINO
Vamos começar nossa análise justamente pelo título original:  El Camino: A Breaking Bad Movie. O termo El Camino refere-se à pick-up (caminhonete) da Chevrolet, automóvel clássico da década de 1970. É nele que ao final da série, tendo abandonado Walter White a própria sorte, Jesse acelera para a liberdade. Aqui o duplo sentido é claro: esta é a história do caminho da liberdade de Pinkman para sair de Albuquerque. E as memórias de Jesse relacionadas ao dono do carro, o sociopata Todd, permearão a narrativa do filme.

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O subtítulo, Breaking Bad Movie (um filme de Breaking Bad), pode ser um limitador. É um filme da série e, talvez por isso, tenha sido omitido na forma reduzida para o público brasileiro. Então você pode se perguntar: eu preciso ver a série antes? Sim e não. Por um lado o filme é o universo expandido, uma continuação do último episódio (2013), e, mesmo alguns atores tendo mudado muito como o Jesse Plemons (Todd) que não é mais um jovem e já um pouco gordinho, parece que o tempo parou. Conhecer a série fará com que sua imersão seja completa e entenda todas as referências.  Em contrapartida, o enredo de El Camino é independente e se sustenta, ao longo da trama, esclarecendo pontos da história para aqueles que não assistiram à série. Claro que a Netflix deu aquela mãozinha e deixou um resumo no capricho para quem não saca nada de Breaking Bad.

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Os eventos do filme tem início na fatídica noite em que Walter liberta Jesse da gangue de Todd. Fragilizado e coberto de cicatrizes, sujo e andrajoso, o jovem busca abrigo de seus colegas de vício e tráfico: Badger e Skinny. Nota-se que o psicológico de Jesse está destruído. O presente se mistura as lembranças do cárcere e das torturas.

É em um desse momentos que relembra de Todd, sociopata a citar constantemente seu tio, e que oscila sua conversa branda, com a frieza de seus atos. Toda hora que ele falava, eu tinha vontade de xingá-lo, confesso. Lembra-se de Mike, antigo parceiro de crime, e idealiza uma fuga para o Alasca. Mas como? Precisava de uma vida totalmente nova e para isso, dinheiro. É nesse momento que entra em cena o cara: Ed.

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Ed, vivido por Robert Forster que viera a falecer no mesmo dia da estreia desse longa-metragem, é o grande trunfo de Jesse. Facilitador da fuga de Walter White e do advogado Saul, o vendedor de aspirador de pó (profissão que o ator realmente exerceu) tem um rígido código de conduta e não aceita de cara o trabalho. Pinkman terá que enfrentar seus medos para conseguir o que precisa para fugir e começar de novo, quem sabe fazer faculdade, como lembra em um flashback de uma de suas conversas com o Sr. White.

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Dois pontos, há de se salientar, antes de finalizar esta análise. A fotografia do filme é intensamente quente, como esperamos de Albuquerque. Por vezes é possível sentir a aridez do clima pela tela. Assim como alguns ângulos de câmeras são incríveis como a de Jesse escondido no apartamento de Todd. Ainda em relação a Pinkman, a cena no qual o protagonista brinca com um besouro revela que Jesse ainda tem um alma gentil. Essa parte ecoa a própria série na qual também brincou com um inseto rastejando lentamente no chão e sorriu para ele antes de pousar. Esta é a dualidade da série e aqui nitidamente explícita: Pinkman que tinha tudo para ser mal e viciado e ganancioso, alcança sua redenção ao passo que Walter, íntegro, destruiu sua própria vida.

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UMA PEQUENA PARTICIPAÇÃO
A aventura da fuga de Jesse é permeada caras conhecidas da série original, entre elas está Mike (único personagem que aparece em todas as tramas do universo Breaking Bad) e Jane, grande amor de Pinkman. Mas como todo fã da série, ansiava por alguma participação de Bryan Cranston, revivendo Walter White. E ela acontece em um tocante flashback quando Jesse ainda cuidava de seu antigo professor com uma afeição de filho.

Na cena, em questão, Jesse e Walt ficam em um hotel e conversam em uma lanchonete. Ela é ambientada no episódio 4 Days Out, no qual ambos ficam presos no deserto e quase morrem. No hotel, Jesse está conversando com Jane ao telefone, pois ela ainda está viva durante o período deste episódio. Jesse também faz uma referência a “eletrólitos”, que faz parte do roteiro do episódio no qual os dois quase morrem devido à desidratação.

CONCLUSÃO
Não é dos filmes mais alucinantes de ação, pois nunca foi essa a pegada da série da qual El Camino derivou. Estamos falando de drama e reviravoltas de roteiro como Vince Gilligan, que já contribuiu com a série de Chris Carter, Arquivo-X, já se mostrou capaz de fazer. O longa-metragem de Jesse Pinkman dá um fim honroso para a história do ex-viciado e traficante de metanfetamina que foi reduzido a uma condição sub-humana, perdeu quem mais amava e foi traído por seu pai postiço, Walter White.

É tocante ver esse garoto fragilizado sendo ajudado por seus amigos próximos, personagens coadjuvantes como Badger e Skinny, mas que se veem imbuídos de um lirismo, de uma amizade leal que venceu as barreiras do dinheiro e da decência. Ver que muitas feridas de Jesse estão ali e permanecerão com ele. Que as maiores cicatrizes não são aquelas da pele, porém aquelas frutos da saudade do que foi e do que teria sido.

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CAMPO DO MEDO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Dois irmãos, Becky e Cal, dirigem numa longa viagem para San Diego. A moça está grávida e começa a sentir um pouco de enjoo, então pede para que Cal pare o carro na borda da pista. Ao lado esquerdo há uma antiga igreja e alguns veículos estacionados, e do direito uma extensa e alta plantação que se perdia no horizonte. Subitamente um grito de socorro vem de dentro da mata, é uma voz de criança. Ele diz estar tentando voltar para estrada, mas não consegue encontrar o caminho. Então uma segunda voz surge, de uma aparente mulher adulta, pedindo para que o garoto não chamasse. Cal então decide ir em busca do menino e entra na vegetação sem hesitar, sendo logo seguido pela sua irmã. Agora dentro daquela mata de mais de dois metros de altura, ele tenta encontrar a criança pedindo para que ele fale alto para que possa seguir o som. Algo estava muito estranho, por mais que ele seguisse a voz, parecia que nunca o encontrava. Começou a duvidar que aquilo não fosse uma brincadeira do garoto, então decidiu se comunicando com a irmão, que iriam pular os dois ao mesmo tempo para basearem suas posições. Fizeram isso, um viu o outro. Ficaram aliviados, não estavam distantes, talvez uns dez metros. Pularam novamente, e para surpresa dos dois algo não estava apenas estranho, estava na verdade muito errado. A distância que antes era curta aumentou umas cinco vezes. Aquilo não fazia sentido!

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COMENTÁRIOS
Stephen King tem o dom de criar histórias fantásticas sempre cheias de muito mistério, e seu trabalho de mais prestígio na atualidade é a segunda parte de It: A Coisa – Capítulo 2. Mas como no próprio filme do palhaço Pennywise, onde ele se sacaneia ao deixar subentendido que também é um autor de péssimos finais, talvez, assim como eu, você possa ter mais uma amostra disso em Campo do Medo (In the Tall Grass, 2019), filme lançado sem nenhum alvoroço no Netflix. O longa é uma produção sem grandes investimentos, basicamente as filmagens se passam num mesmo ambiente do começo ao fim. As atuações não causam grande espanto, tirando Patrick Wilson, ninguém brilha um pouco mais que o mínimo. A direção de Vincenzo Natali consegue efeitos até interessantes, onde mescla alguma computação gráfica nos movimentos em meio a mata com cenas de filmagens reais. A trilha sonora é do compositor canadense Mark Korven, que traz uma boa atmosfera em suas composições que são exploradas apenas em específicos momentos. Campo do Medo para mim foi um filme bem mediano, que após assistido se torna bem esquecível. Uma pena, pois a premissa é interessante e tinha pano para coisas bem bacanas.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Com sua produção não exigindo grandes pirotecnias cinematográficas, Campo do Medo traz um mistério que te prende bastante na primeira metade. A sensação claustrofóbica de estar sendo engolido por uma densa vegetação incomoda, ainda mais quando é descoberto que existem ameaças piores além do labirinto em si. Se escondendo atrás de um simbolismo não muito claro, aquela pode ser uma rocha “mágica” vinda do espaço e que foi adorada por antigos nativos, ou mesmo uma simples pedra que passou por um ritual e se tornou “possuída”. Nesse trecho não há muita discussão, as coisas são como são sem necessário um motivo, uma das características  de Stephen King.

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O que percebemos, ao menos nós nerds, o público que está acostumado com histórias de viagens no tempo, é que das duas uma: ou estão se formando novas linhas temporais onde repetidos personagens possam coexistir, ou a natureza temporal está sendo violada e criando paradoxos proibidos. Geralmente nessas tramas existem regras próprias para a eliminação desse desequilíbrio criado, porém neste filme isso também não é claro, e é nesse ponto que isso me incomodou. Não temos uma linha base para nos segurarmos e formularmos nossas teorias, e assim nos engajarmos mais no quebra-cabeça. Em certo ponto é entendido que a rocha é muito antiga e cultuada por ancestrais nativos, e que a mata em si é apenas uma armadilha para trazer novos sacrifícios para os espíritos que existiam ainda ali. Continuando o raciocínio, a rocha causava uma perturbação temporal ao mesmo tempo que define portais que direcionavam para pontos específicos em outro canto da mata. Ao ser tocada, a pessoa adquire o conhecimento de como funciona todo aquele labirinto, em compensação sua humanidade também é afetada. Ross, o pai do menino, já era uma pessoa excessivamente crédula em dogmas religiosos, portanto uma mente bastante suscetível (e aberta) a receber todo tipo de realidade. Sendo assim, ele abraçou com todas as forças a função de “seguidor” daquela ideia, e agia como aquele quem traria mais sangue para ofertar ao seu novo objeto de culto. Quando Travis decide que não tinha mais nada a perder, o efeito foi diferente. Ele aprendeu todo o mapa de posicionamento naquele labirinto, mas não perdeu totalmente sua humanidade. Então ele toma Tobin pela mão e o leva para fora da mata no instante de tempo que Becky e Cal chegavam ali de carro, e pediu para que o menino fizesse de tudo para impedi-los de entrar. Temos então uma conclusão paradoxal. Travis impediu os irmãos de entrarem na vegetação, desta forma os dois não se perderam para que ele fosse atrás dois meses depois. O meu entender particular não é nada bom, enquanto naquela realidade criada no fim estava tudo bem, as outras não eram anuladas, e as pessoas continuavam mortas ou perdidas. Obrigado Stephen King, você fechou um filme com o pião rodando. Deixa o Nolan ver isso.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Wilson, Laysla De Oliveira, Harrison Gilbertson, Avery Whitted, Rachel Wilson, Will Buie Jr. e Tiffany Helm compõem o elenco. O Campo do Medo é baseado no romance dividido em duas partes de Stephen King em parceria com Joe Hill, In the Tall Grass, de 2012. A adaptação em filme teve sua estreia mundial no Fantastic Fest, no Texas, e uma semana depois chegou ao grande público com o selo de distribuição Netflix. Vincenzo Natali roteirizou e dirigiu o longa, que foi produzido por Steve Hoban, Jimmy Miller e M. Riley.

CONCLUSÃO
Campo do Medo me trouxe de volta a antiga sensação das adaptações de Stephen King, de não ter certeza se achei a experiência boa ou ruim. Seu começo atrai nossa atenção, e faz com que passemos a sofrer de agonia com aquelas pessoas. O problema é que isso insiste um pouco, até o ponto que passa a ficar cansativo. Então eventos fora da curva começam a acontecer. Você começa a entender algumas coisas ao mesmo tempo que não entende nada. Achou confuso? Então assiste e tente compreender o que ficou totalmente nublado para mim. Posso te assegurar que você não saíra revoltado após terminar de assistir, ainda mais por esse ser um filme de apenas noventa minutos. Curte suspense, terror e mistério? Então não liga para meus comentários e confere você aí. Mas depois volta aqui e leia meus comentários com spoilers para gente trocar uma ideia. A classificação indicativa de Campo do Medo é de dezesseis anos, e ele está disponível no serviço Netflix.

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SOMBRA LUNAR – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Thomas Lockhart é um policial comum da Filadélfia, mas está determinado em ser um detetive. Pró ativo, está sempre quebrando protocolos hierárquicos e tomando frente nas investigações além de suas atribuições. Numa certa noite recebe o chamado de uma ocorrência, e ele com seu parceiro, Maddox, chegam mais rápido que o detetive responsável. Locke, como Thomas é apelidado, é um ótimo observador, e logo compreende como aquela morte ocorreu. Um acidente de ônibus onde aparentemente a motorista teve um derrame, e veio perder o controle não era exatamente o que parecia ser, e logo toda a polícia local parte na busca de um misterioso serial killer responsável por essa e outras várias mortes.

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COMENTÁRIOS
Sombra Lunar (In the Shadow of the Moon, 2019) inicia propondo um filme policial de mistério, mas assim como os materiais promocionais se adiantam em revelar, se trata também de uma ficção científica. Característica essa que no meu entendimento deveria ser ocultada nos materiais de divulgação, enfim. O plot é direto e reto, te inserindo em intrincadas investigações e frenéticas perseguições. O roteiro começa bem mas não consegue manter um ritmo interessante após o primeiro arco, tornando o desenvolvimento repetitivo e arrastado. Recupera um pouco o fôlego próximo à sua conclusão, mas após tanta lentidão e falta de desenvolvimento de certos personagens apresentados, já se torna um pouco desgastado.

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Na busca de uma resolução para alcançar aquele serial killer, Locke transporta a narrativa para um tom de suspense e drama, no qual por conta de sua obsessão em solucionar o caso, vai se transformando numa pessoa cada vez mais paranoica. Temos então essa interessante construção de personagem, qual considero o ponto alto do filme. Boyd Holbrook está bastante inspirado em dar vida ao policial traumatizado que se perde no tempo de suas internas caçadas por realidade.

A produção é competente e entrega um filme agradável visualmente, com boas locações, bonitas cenas aéreas e um trabalho de contra regra impecável. A trilha sonora também faz bonito, criando uma atmosfera densa e caótica que se mistura ao conceito visual tornando tudo bastante homogêneo e real. No fim das contas eu fiquei dividido e sem saber dar um decreto final, o roteiro verdadeiramente me incomodou, mas a experiência conceitual, principalmente se tratando das transições estéticas, me surpreenderam bastante.

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FINAL EXPLICADO (SPOILERS)
Após as várias repetições de perseguições, ficamos na expectativa de uma explicação satisfatória do motivo de sua neta voltar no tempo para eliminar certos personagens. Rya consegue voltar no tempo em ciclos de nove anos, quando a Lua está mais próxima da Terra, na conhecida como ‘Lua de Sangue’, instante onde há uma alteração magnética que permite uma máquina do tempo levá-la ao passado. Seu objetivo é impedir o movimento de supremacistas brancos conhecido como True America Movement, que em 2024 bombardeou a Filadélfia iniciando uma guerra civil americana.

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Rya utiliza uma injeção, que serve para inserir cápsulas no pescoço dos membros do movimento supremacista, e que serão ativadas no futuro pelo Dr. Naveen Rao, também responsável pela construção da máquina do tempo. As viagens são limitadas aos períodos de Lua de Sangue, e devido a Locke ter matado acidentalmente Rya em 1988 no incidente do metrô, os dois ficaram limitados aos ciclos lunares posteriores. Locke então compreende que matou a própria neta e ainda complicou sua causa, porém ela ainda tinha aquele ciclo para concluir sua missão e salvar o futuro.

Reflexões surgem e é compreendido que a morte da sua esposa em troca da vida de sua filha, possibilitou que mais a frente Rya pudesse existir. Seu luto que durava anos se torna mais leve, e num recomeço ele consegue o perdão dos amigos, família e, conclui sua história com a neta no colo.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Boyd Holbrook, Cleopatra Coleman, Bokeem Woodbine, Rudi Dharmalingam, Rachel Keller e Michael C. Hall compõem o elenco. A produção norte americana foi escrita por Gregory Weidman e Geoff Tock, e dirigida por Jim Mickle. Produzido por Brian Kavanaugh-Jones, Ben Pugh, Rian Cahill, Linda Moran e Jim Mickle, o longa de 2019 é distribuído pelo serviço Netflix.

CONCLUSÃO
Sombra Lunar é um filme com aspectos interessantes, embora vendido como um policial com elementos de ficção científica, consegue explorar muito bem o drama. Uma produção coesa com excelente estética visual e sonora, que traz um elenco muito bem afinado. A obra tem sim suas falhas, mas nada que comprometa a experiência final. Particularmente considerei o ritmo um pouco lento, até repetitivo do meio até próximo ao final, no entanto é bem possível que isso não seja notado e nem incomode muita gente. O longa exclusivo da Netflix já está disponível, e certamente vai agradar fãs de sci-fi e mistério. Bom filme!

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JOGO NA ESCURIDÃO (CRÍTICA)

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Embora este filme tenha sido classificado como 16 anos, acredite em mim, ele deveria ter sido listado como 18.

SINOPSE
Uma onda de assassinatos sádicos contra mulheres vem ocorrendo no ano de 2017, e retratando um destes episódios, o novo longa indiano de suspense psicológico inicia. A cena de abertura é pesadíssima, utilizando a filmagem da câmera de um doentio serial killer enquanto ele espreita o momento de descanso de uma moça. Despercebido ele entra na casa onde se mantém oculto nas sobras até que ela adormeça. As imagens que se seguem mostram o quanto grotesco e desumano alguém pode ser com outro, os detalhes são excessivamente macabros e inenarráveis. O resultado é termos uma jovem assassinada, decapitada e com seu corpo incinerado.

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Um ano se passa após essa morte, e acompanhamos os dias de Swapnam, uma designer e desenvolvedora de jogos que luta contra um trauma de seu passado recente. A jovem mulher mora numa casa bem aparelhada, na qual Kalamma cuida de suas necessidades pessoais diárias, e Anwar cuida da segurança na portaria do imóvel. Swapnam traz consigo um grande trauma, que faz a moça não conseguir se manter em ambientes de escuridão, e isso cada vez mais prejudica sua qualidade de vida. No seu pulso esquerdo ela traz uma pequena tatuagem de um coração com um controle de videogame no meio, mas o que ela não fazia ideia, é que na pigmentação da tinta fora misturado cinzas de uma pessoa morta. E isso seria a chave para bizarras coisas que sucederiam.

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RESUMO COMENTADO E COM SPOILERS!
Jogo na Escuridão é um filme atípico. Vendido pela Netflix como um filme de terror, a produção não traz verdadeiramente elementos para essa classificação. O que temos é uma obra de drama e suspense com grande peso na tensão psicológica. Swapnam é uma personagem mal explorada pelo roteiro, que em sua sinopse enfatiza a descrição de uma designer de games, mas tem isso como completamente irrelevante para o desenrolar da trama. Seus traumas são relembrados em todo momento do longa, e entender como desenrolou isso faria total sentido para compreender a grandeza do que ela precisava superar. Mas não, o roteiro não colabora em momento algum para dar clareza à nada. Basicamente passamos mais da metade do filme acompanhando a jovem em suas sessões de terapia para aprender a lidar com seus medos.

A tatuagem que havia feito no pulso começa a doer inexplicavelmente, então ela volta ao estúdio onde havia feito para tentar entender o que poderia ser a causa. Mais de um ano tinha passado desde a aplicação, então não fazia sentido uma reação agora. Até a tatuadora que atendeu fica sem entender, porém ela revela algo delicado. Haviam pessoas que traziam as cinzas de seus entes queridos na intenção de misturar na pigmentação. A ideia era de levar algo da pessoa amada sempre consigo. E o que ocorreu, é de ela ter confundido, e usado uma destas tintas no pulso da jovem. Swapnam fica indignada com absurdo do que ouve, era inaceitável a condição de ter algo de uma pessoa morta presa ao seu corpo.

Voltando à sua rotina, Swapnam vai empurrando a vida com a barriga, até o momento qual enfrenta a situação desconfortável de ao entrar numa cafeteria ser reconhecida por dois homens. Os rapazes conseguiram identificá-la como a mulher amarrada de um vídeo. Os dois comentam em tom de zombaria ser realmente ela, e isso não faz sentido algum. Porque alguém acharia graça da desgraça de uma mulher dessa maneira? Fica aí ainda mais um motivo para se compreender o que ocorreu de tão grave um ano atrás, e que gera tanta dor para ela. Mas não importa, o filme fecha e isso realmente não é elucidado.

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Durante um dia de terapia Swapnam está esgotada, não aguenta mais e se entrega as dores. Salta de um edifício procurando a morte, mas não adiantou, aquela ainda não era sua hora. A jovem fica bastante machucada, quebra alguns ossos e passa a andar de cadeiras de rodas. A gravidade da sua saúde também não é explicada, portanto não sabemos também se o fato de não poder andar é apenas uma situação momentânea ou permanente. E se antes seu psicológico era terrivelmente afetado, agora ele estava em migalhas por estar ainda mais impotente.

Certo dia Swapnam recebe uma visita. Era uma mãe, justamente a mãe da jovem moça que tinha sido brutalmente assassinada no começo do filme. Ela conta sua história, e explica o quanto sua filha era uma pessoa forte que lutava pela vida. Vinha numa longa batalha contra o câncer e mesmo assim nunca se abatia. Em comemoração sua última vitória contra a doença, combinaram de fazerem juntas uma tatuagem. Mas a jovem não teve tempo, foi morta antes que pudesse cumprir a promessa. Por conta desse pedido da filha que a mãe em sua homenagem decidiu fazer essa “tatuagem rememorativa”, o nome que o estúdio deu pra técnica.

Tal revelação fez mudar completamente as coisas. Saber que por trás daquela marca havia o sangue de uma guerreira te trazia coragem. Só não ficou claro ainda o porque daquelas pontadas de dor, mas sem tardar ela entenderia. É chegada então a noite qual o caos invadiria completamente sua vida. Aquele mesmo cara que matou a jovem do começo, e que na realidade não era apenas um, mas pelo menos três homens, haviam matado o vigia da portaria e agora tentavam entrar na casa.

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FINALMENTE ALGUNS PORQUÊS
MAS NÃO TODOS (+SPOILERS!)

Assim que um assassino entra Swapnam percebe que no seu braço surgiram mais duas tatuagens, totalizando assim três corações. A jovem ainda não entendia o que aquilo queria dizer. A ação desenrola rápido, o homem entra, mata Kalamma, e em seguida alcança Swapnam. Numa cena arrepiante ele corta a cabeça da jovem, e isso pela ótica da própria vítima! Uma boa sacada da direção onde escondeu o grafismo de um gore que não se encaixaria no todo, mas manteve a carga de peso do ato cruel. Pensamos: sério, o filme acaba assim? Não, ele continua.

Como num jogo, Swapnam perdeu uma vida. Ela descobre isso olhando para o seu pulso onde haviam três corações e agora restavam dois. Inserida na partida ela tenta tirar melhor proveito da situação para se safar daqueles assassinos. Mais uma vez não consegue. Até chega a ativar a polícia mas tudo dá errado, desta vez ela é morta queimada dentro de uma viatura da polícia enquanto era evacuada de casa.

Pronto, restava apenas a última ficha. Quer dizer, coração. Swapnam joga diferente. Antes seu trauma vinha atrapalhando na sua desenvoltura para sobreviver ao ataque. Então era questão de vida ou morte. E não só dela, mas de Kalamma também. Ao ouvir o primeiro ruído dos invasores ela mantém o controle. Com grande esforço e inspirada na menina que de alguma forma sobrenatural lhe ajudava, manteve a calma e não entrou em pânico quando as luzes se apagaram. Seguindo a regra de manter a racionalidade, eliminou um à um aqueles psicopatas. Se salvando e mantendo a vida de Kalamma. O vigia, bem. Esse não teve sorte mesmo. Já estava morto antes do checkpoint.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Taapsee Pannu, Vinodhini Vaidyanathan, Anish Kuruvilla, Sanchana Natarajan, Ramya Subramanian, Parvathi T., Maala Parvathi, David Solomon Raja, Indrajith, Subramanian, Soorim, Capt KRC Pratap, Vignesh Shanmugham e Joshua Miller compõem o elenco. O roteiro é de Ashwin Saravanan e Kaavya Ramkumar, e a direção de Ashwin Saravanan.

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CONCLUSÃO
Jogo na Escuridão é um filme com muitos furos no roteiro. Apresenta vários elementos na trama mas não os desenvolve, e isso acaba prejudicando as reflexões comuns de filmes desse gênero. A obra gera inconstância, as vezes caminhando bem e as vezes batendo justamente nessas falhas. De qualquer forma, e mesmo com esses defeitos, ainda é uma filme que vale à pena ser visto. Nos seus pontos positivos ele segue bem, trazendo a sensação constante de agonia e impotência em situações sinistra. A produção é original da Netlix e já está disponível na plataforma. Tenham cautela com as crianças, esse não é um filme adequado para elas.

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MISSÃO NO MAR VERMELHO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Ari Levinson é um agente do serviço secreto israelense, a Mossad, que faz de tudo para salvar o máximo de judeus etíopes que tentam chegar à Israel através de território sudanês. E para isso executam o inusitado plano de alugar o hotel Red Sea Diving Resort, onde usariam como fachada para receber e escoar um grande número de refugiados. O que eles não contavam é que turistas de verdade surgiriam alterando o andamento da operação.

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COMENTÁRIOS
Missão no Mar Vermelho
(The Red Sea Diving Resort) retrata fatos reais da Operação Irmão, ocorrida entre 1979 e 1983, onde agente da Mossad com o auxílio de ativistas da Aliá se uniam para auxiliar o movimento de grandes massas de judeus da Etiópia para Israel. O filme transita de forma confusa entre o drama de guerra e ação hollywoodiana, não conseguindo retratar com fidelidade nada do que se propõe fazer.

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A direção de Gideon Raff deixa muito a desejar em uma série de aspectos. São nítidos os problemas com cortes excessivos de cena, onde nada tem estabilidade para você conseguir fazer uma leitura natural. A ambientação é péssima, trazendo um clima de artificialidade muito prejudicial a imersão, sem contar a trilha sonora que é de péssimo gosto quando o que temos são pessoas sendo executadas ou fugindo da morte. Ao invés de explorar o drama pesado de um clima de guerra, a direção está mais preocupada em glamourizar heróis em praias paradisíacas. Temos topless, caras marombados nus e seminus, e tudo ilustrado por uma fotografia ridícula. Fica a sensação de que nada importa para Raff, ele quer apenas entregar um filme pronto sem o mínimo trabalho. É aquele cara que precisa cumprir uma meta e o faz sem qualquer compromisso com a qualidade.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA COMENTADA
Analisando o elenco temos ainda mais decepções. Chris Evans, uma celebridade de blockbusters de ação está perdido sem saber o que fazer para convencer, já que nem o roteiro ajuda. A maioria dos atores são ignorados, no máximo Sammy, interpretado por Alessandro Nivola, tem uma ameaça de desenvolvimento por conta do relacionamento turbulento com Levinson. Mark Ivanir, na minha opinião, o melhor ator do filme, não tem muito tempo de tela, mas o cara que mais me decepcionou tinha por obrigação ter tentado salvar o filme. Agora não sei se isso não se deu por incompetência ou interferência da direção. Estou falando sobre Chris Chalk, o Coronel Abdel Ahmed. Primeiro que sua idade não corresponde a sua patente, e por último que sua atuação é péssima! Em momento algum você enxerga qualquer carisma ou demonstração de imponente ameaça. Nem mesmo nas ordens de execuções você adquire raiva ou temor por aquela figura apática. O elenco principal traz Chris Evans, Michael K. Williams, Haley Bennett, Michiel Huisman, Alessandro Nivola, Greg Kinnear, Ben Kingsley, Alex Hassel, Mark Ivanir, Chris Chalk e Alona Tal.

CONCLUSÃO
A Netflix decepcionou com Missão no Mar Vermelho, e desde Operação Fronteira (2019) eu não me sentia tão enganado assim. A péssima direção estragou o que tinha potencial de ser algo bom, e não me parece que as coisas tenham tomado um rumo tão ruim por falta de verba. No meu entendimento o nome disso é incompetência mesmo. Esse é um filme que não consigo recomendar, o que ele me parece é muito mais uma peça de publicidade política para os tempos atuais do que a retratação do sofrimento de pessoas lutando pela vida.

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O FILHO PROTEGIDO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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A última safra de filmes lançados pelo selo Netflix teve coisas muito ruins mas também algumas boas, e a produção argentina O Filho Protegido se destaca positivamente entre eles. O suspense psicológico traz Lorenço, um pintor que fica obcecado com a ideia de sua esposa estar isolando seu filho dele e de todos. Sua paranoia acaba trazendo problemas que avassalam sua vida e deixa seus amigos próximos muito preocupados com sua saúde mental.

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Particularmente não sou grande fã de filmes com essa pegada contemplativa e lenta. Tenho a tendência de me entediar e interromper a experiência várias vezes até conseguir terminar. Mas esse filme funcionou muito bem pra mim, instigou minha curiosidade como poucas obras conseguiram. Tive o sentimento de ser presenteado com algo inesperado. A explicação pra isso fica por conta de um roteiro muito bem escrito, que traz resultados antes de causas, mostrando uma sofisticação de narrativa sólida que flui muito bem. Sem qualquer queda ou pico de qualidade você é inserido de forma natural no transcorrer dos eventos, sentindo na pele a angústia crescente e latente de um do personagem que vai se perdendo nos labirintos da consciência.

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A direção do argentino Sebastián Schindel tem inspirados planos-sequências, tirando proveito de uma fotografia muito particular, onde pinturas carregadas de personalidade ganham projeção em ambientes escuros e pesados. E tudo funciona de forma tão homogênea devido a atuações virtuosas que estimulam com facilidade enxergar verdade a todo instante. Joaquín Furriel que atua como Lorenço, personagem central, esbanja talento desenhando traços psicológicos profundos de um artista sensível e dedicado com suas criações, seja na arte ou na família. Heidi Toini, interpreta a esposa escandinava Sigrid, qual se mostra uma bióloga de personalidade introspectiva com alguns misteriosos traumas por superar. E temos também o espirituoso casal de amigos de Lorenço, Julieta e Renato, interpretados por Martina Gusmán e Luciano Cáceres.

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Outra coisa que também me atraiu muito foi a belíssima trilha sonora do premiado compositor argentino Iván Wyszogrod, que explora violoncelo, violino e piano com paixão e melancolia. Eu não sei como esses caras fazem isso acontecer de forma tão compatível, mas sensação é de que direção e sonorização coexistem uma por conta da outra. Saber quem inspirou quem é uma dúvida. A trilha pode ser ouvida na página oficial do próprio Wyszogrod.

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CONCLUSÃO
O Filho Protegido é adaptação de Leonel D’Agostino, do romance El Hijo do escritor Guillermo Martínez, e traz uma enredo que instiga a atenção contínua do espectador. Com atuações convincentes e um trabalho de arte geral digno de superprodução, vai agradar quem gosta de um suspense dramático no estilo hitchcockiano. O filme se concretiza de forma que talvez vá confundir algumas pessoas, mas está tudo lá, subentendido e não exigindo mais explicações de quem for atento.

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OUTRA VIDA – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

Netflix
Ignorando qualquer explicação de onde ou em que época a narrativa ocorre, Outra Vida já começa mostrando um artefato extraterrestre chegando à Terra e pousando sobre uma extensa área verde de um perímetro urbano. E várias formas de interação com o objeto são experimentadas, quando após algum tempo um pesquisador descobre que ele emitia sinais para um determinado ponto no espaço. Então a nave Salvare é preparada para investigar a origem e intenção desse misterioso artefato, tendo coincidentemente a esposa desse mesmo pesquisador liderando a tripulação.

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Qualquer obra é proposta imaginando um público, claro, existem aquelas que são introspectivas almejando apenas saciar a vaidade do autor, mas estamos falando sobre uma produção comercial do Netflix. Pressupomos que qualquer produto pensado em ser vendido passe por uma rotina onde produtores e consultores discutem sobre conceitos. E conceito é a palavra central aqui. Tentarei não repeti-la muitas vezes.

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Outra Vida é uma produção original da Netflix que traz o clássico preceito de confinar um grupo de pessoas em uma nave e atirá-la aos perigos do espaço. Nenhum problema nisso, é até algo legal e que agrada muita gente, eu mesmo sou bastante fã. Problemas gravíssimos surgem quando público alvo e estabelecimento de conceitos se colidem. Você imagina que a equipe que formará a tripulação de uma nave com o objetivo de salvar a humanidade seja como? Profissionais experientes, caras cascudos que viveram a vida pelo estudo científico, de pele vampírica e barbudos pelo confinamento em centros de pesquisas, ou os recém formandos de Malhação? Errou se pensou na primeira sugestão! São recrutados os seres mais fúteis, complexados, paranoicos, irresponsáveis e enjoados, mas que magicamente demonstram capacitação para feitos complexos quando não estão agindo como adolescentes na praça de alimentação de um shopping. A maioria deles tem menos de trinta anos, e nem de longe convencem ser jovens interessados por astronomia, biologia, engenharia, ou qualquer outra especialidade útil numa expedição espacial, estão mais para participantes do reality show De Férias com o Ex.

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Usando apenas o primeiro episódio já vemos uma série de incongruências absurdas que não é preciso ser um especialista em tecnologia ou astronomia para começar a se coçar. E isso incomoda bastante. Temos hologramas de excelente qualidade atravessando instantaneamente o espaço e criando um bate-papo sem o mínimo delay, inteligência artificial que se comporta como aquela sua tia que sabe exatamente como você se sente sobre seu relacionamento, aproximações e rasantes em estrelas como um surfista pegando uma onda no Havaí, casa de máquinas de uma nave sofisticada condizente com um trem à vapor, e pessoas saindo do estado de hibernação feito bêbadas ou dando carpados dependendo do interesse do roteiro. Ou seja, a suspensão da descrença é exigida ao extremo para que se consiga gerar um mínimo divertimento. Sem falar nos conflitos fúteis que jamais ocorreriam numa equipe interessada em um bem maior como salvar toda a humanidade, e claro, resultando em brigas onde eles precisam sair no tapa, chute e mata-leão. Estou falando sério.

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Tirando esses pormenores que não incomodariam a audiência da programação do SyFy, a direção não brilha mas também não faz feio. Sou da lógica que se o diretor passa despercebido, é porque está fazendo corretamente seu dever. Afinal, essa é apenas uma série sem muitos recursos, com um elenco de orçamento limitado, um péssimo conceito, um roteiro nada original, ou seja, não se pode exigir grandes resultados. No entanto os efeitos espaciais muitas vezes abusam, se mostrando mais datados do que o esperado para qualquer produção humilde de 2019. As cenas em computação gráfica parecem ter sido feitas por um estagiário demitido dos estúdios de Sharknado, e te ejetam bruscamente do clima que você já está se esforçando pra entrar. Nos primeiros minutos eu já não esperava mais nada, então tire o cavalinho da chuva se você contava com algo no nível de Star Trek: Discovery ou do novo Perdidos no Espaço, pelamor. Incredulidade evita a frustração.

Outra Vida

O elenco de Outra Vida inclui Katee Sackhoff, a atriz principal conhecida por Battlestar Galactica, Samuel Anderson das séries Doctor Who e Trollied, Selma Blair de Anger Management, Tyler Hoechlin de Teen Wolf, e Justin Chatwin, o Goku de Dragonball Evolution. A série recém estreou e está disponível no serviço por assinatura Netflix, assista o trailer oficial.

Another Life

CONCLUSÃO
Não há muito o que defender em Outra Vida, é apenas mais uma série de ficção espacial com narrativa genérica e que se mostra incompetente em diversos fatores. Ignorando muita coisa ainda se consegue alguma inserção na aventura, mas existem tantos outros produtos com propostas parecidas e de qualidade superior, que pega até mal queimar a confiança e sugerir para alguém.

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