OS DOZE MACACOS (CRÍTICA)

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SINOPSE
No ano de 2035 a população humana abandonou a superfície e passou a viver no subsolo para fugir de uma poderosa epidemia. Agora com os avanços da tecnologia é possível fazer viagens no tempo, e para isso, prisioneiros são treinados para cumprir missões de campo, na troca de redução da pena e outras vantagens. Os presos se submetem a cumprir tarefas para uma cúpula de cientistas e, James Cole é incumbido de uma missão primordial, voltar até 1996 para investigar o grupo terrorista, Os Doze Macacos, e conseguir uma amostra do vírus. Acidentalmente James vai para no ano errado, em 1990, e acaba sendo capturado pela polícia local. Dado como louco por suas alegações, ele é levado para um sanatório, onde conhece Jeffrey Goines, um jovem completamente fora de órbita, que o fará se questionar de sua própria sanidade.

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COMENTÁRIOS
Os Doze Macacos é um dos maiores clássicos cult de ficção científica de antes da virada do milênio, e  foi inspirado no curta-metragem francês La Jetée. Explorando viagens no tempo e paradoxos temporais, você é abduzido para dentro de uma trama confusa e cheia de reviravoltas. O mais fascinante neste roteiro fantástico, é que mesmo dando um enorme nó na cabeça, ele consegue fechar em uma conclusão sólida e ao mesmo tempo interrogativa. Ao fim filme chegamos numa questão (não, darei spoilers aqui), algo completamente aceitável, e que não nos deixa com a sensação de ter sido ludibriado por um script que não soube fechar. Muito pelo contrário, todo o texto fora desenvolvido exatamente para sua conclusão. Parece algo bobo? Acredite, a maioria das histórias são feitas sem a previsão de fechamento.

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Assisti ao filme próximo ao seu lançamento, eu devia ter uns doze anos, igual aos macacos, e tenho de assumir, não gostei porque não entendi nada! Daí conhecendo a mística ao redor da obra, decidi rever novamente. E agora sim, com os neurônios, mais ou menos, instalados e organizados na cachola, consegui curti e compreender o que era tão fantástico para esse filme ser lembrado com tanto saudosismo até hoje. Brad Pitt está fenomenal! Incorpora um louco que manicômio nenhum tem estrutura para alojar! Não à toa recebeu o Golden Globe Awards de melhor ator coadjuvante. Bruce Willis também está muito bem ao lado de Madeleine Stowe, mas o que mais ressalta em Os Doze Macacos realmente é seu fascinante roteiro, escrito pelo casal David e Janet Peoples. A direção impecável é feita por Terry Gilliam, um cineasta visionário que trabalhos em filmes como O Pescador de Ilusões, Brazil: O Filme, Medo e Delírio, Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado, e muitos outros.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Já vacinado por filmes e mais filmes de ficção que abordam temas como viagem no tempo e paradoxos, considero Os Doze Macacos um filme de fácil compreensão em sua conclusão, embora toda sua extensão até antes do fim intimide bastante. Mas se você se confundiu um pouquinho em entender como a história finaliza, eu vou tentar te ajudar. James Cole realmente é um prisioneiro do futuro com a função de voltar até 1996 na intenção de pegar uma amostra do vírus. Porém quando ele vai parar em 1990 devido à um erro da viagem, conhece Jeffrey Goines. Enquanto dopado no manicômio, James sem intenção lança a causa de todos os males à mente perturbada de Jeffrey. É o próprio James que sugere a ideia dos Doze Macacos para Jeffrey. Há um hiato de eventos entre o episódio de 1990 e o ano de 1996, quando Jeffrey agora está em sua casa, junto de seu pai, um renomado cientista. Jeffrey então sai do controle, amordaça o pai e decide trazer o caos liberando o vírus. E aí está o pulo do gato. Ao mesmo tempo que cogitamos ser James o culpado em dar a ideia para Jeffrey, também precisamos lembrar de Dr. Peters, assistente de Dr. Leland Goines, pai de Jeffrey, era tão louco quanto Jeffrey. Recobramos isso quando lembramos que no início do filme ele se mostrava obsessivo com Kathryn Railly numa sessão de autógrafos. Dada essa proximidade de Dr. Peters aos trabalhos de Dr. Leland Goines, entende-se que ele paralelamente criou o vírus devido à influência, também louca, de Jeffrey. No fim uma cientista chefe vinda do ano de 2035 volta pessoalmente à 1996 para em definitivo consertar as coisas dentro do voo que Dr. Peters conseguiu embarcar com o vírus, mas ainda ficamos com o paradoxo, Cole foi ou não responsável por influenciar Joffrey? Ele precisou voltar no tempo para impedir algo que ele mesmo causou por voltar no tempo? Confuso? Esse é o paradoxo. E essa dúvida não pode ser respondida, é a cereja do filme. Então desculpe, mas você vai ter de dormir com esse looping infinito.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Bruce Willis, Madeleine Stowe, Joseph Melito, Joey Perillo, Brad Pitt, Christopher Plummer, Michael Chance, Vernon Campbell, David Morse, Christopher Meloni, Simon Jones, Bill Raymond, Bob Adrian e H. Michael Walls compõem o elenco. Os Doze Macacos é um filme de ficção científica norte americano de 1995 escrito pela dupla David e Janet Peoples, e foi dirigido por Terry Gilliam. A produção de Charles Roven teve um orçamento de 29.5 milhões de dólares, e uma receita final de 168.8 milhões. O longa recebeu o ASCAP Award, prêmio de maior bilheteria, foi nomeado a dois Óscares, como melhor ator coadjuvante para Brad Pitt, e melhor desing de roupas para Julie Weiss. Brad Pitt foi premiado pelo Golden Globe Awards como melhor performance de um ator coadjuvante.

CONCLUSÃO
Uma obra de arte do cinema lançada em 1995 que certamente serviu de inspiração para filmes como Efeito Borboleta (2004), O Predestinado (2013), No Limite do Amanhã (2014), ou mesmo o suprassumo da maluquice em se tratando de viagens no tempo, Donnie Darko (2001). Os Doze Macacos é um filme antigo que envelheceu muito bem. Tem uma película granulada que entrega logo sua geração, mas que de forma alguma onera em sua qualidade. Na realidade isso é até um charme que foi intencionalmente repetido até pelo atual Coringa (2019). Lição de casa se ainda não conhece essa pérola do cinema: faça sua pipoca, pegue uma bebida não muito forte, porque aí mesmo que você não vai entender nada, e sente-se confortavelmente para a viagem mais louca depois de Donnie Darko! Este filme é recomendado para adultos! Boa sorte!

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FESTIM DIABÓLICO (CRÍTICA)

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Festim Diábolico (Rope, no original) é uma película de 1948 de Alfred Hitchcock, um dos grandes nomes do cinema de suspense no século XX. O enredo trata do assassinato realizado por dois amigos: Brandon (John Dall) e Philip (Farley Granger), cuja vítima foi o colega de ambos, David Kentley (Dick Hogan).

Logo nas primeiras cenas é realizado o crime. Os dois matam o rapaz apenas pelo prazer de cometer o assassinato, o desejo do chamado “crime perfeito”. Esse é o tema que será abordado durante todo o longa-metragem. Para “brincar” com a ideia do perigo, eles têm a bizarra ideia de colocar o corpo dentro de uma arca, que será utilizada no mesmo dia para colocar uma mesa de um buffet.  Os assassinos dariam uma festa. Ambos a organizaram e convidaram os pais do morto, assim como a noiva e um amigo em comum. Para completar, chamaram, ainda, um ex-professor deles por quem o Brandon possuía muita admiração, devidoas suas ideias de superioridade.

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A festa inicia-se e é neste ambiente tenso que os convidados conversam sobre os mais diversos assuntos. A Sra. Artwater (Constance Collier), tia do rapaz falecido, com seus devaneios sobre Astrologia; a noiva Janet Walker (Joan Chandler) desconfortável pela presença do seu ex-noivo Kenneth (Douglas Dick); o pai Sr. Kentley (Cedric Hardwicke) a todo momento preocupado com a demora do filho David para chegar ao evento. Já o professor Rupert Cadell (James Stewart), observando atentamente o comportamento de todos.

O filme possui vários aspectos muito interessantes. Um deles diz respeito à ideia de ter a impressão de não haver cortes entre as cenas, o chamado Plano-Sequência. A história se passa entre dois cômodos e os cortes necessários são bem disfarçados ao focar em algum objeto.

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Outro ponto interessante de ressaltar é a questão de como os assassinos, principalmente, o Brandon se delicia e se sente excitado no assassinato. O jovem cita Nietzsche e sua ideia de Super-Homem (Übermensch) na qual haveria um ser superior aos demais e esse deveria ser o modelo ideal para elevar a humanidade. E, por isso, matar um ser humano inferior não é um crime e sim considerado uma obra de gênio. Toda essa Filosofia ele aprendeu com o Professor Cadell.

O professor, por sinal, é um personagem muito interessante, pois a todo momento ele percebe que algo está muito errado só não consegue identificar o motivo de suas suspeitas. Durante o jantar, ele interroga de maneira discreta Phillip que apresenta um comportamento apreensivo.

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A certa altura da festa, todos preocupados com David, resolvem que devem procurá-lo e, com isso, o evento se encerra. Cadell ao se despedir dos anfitriões repara em algo que será crucial para o desfecho da história. A partir daí deixo para os leitores assistirem e se deliciarem com essa obra que por muitos é considerada uma aula de cinema. Um filme obrigatório na lista de todo cinéfilo que se preze.

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STAR WARS: EPISÓDIO II – O ATAQUE DOS CLONES (CRÍTICA)

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Há apreensão no Senado Galáctico. Milhares de sistemas solares manifestam sua intenção de deixar a República.
Esse movimento separatista, sob a liderança do misterioso Conde Dookan, tornou difícil para o pequeno número de Cavaleiros Jedi manter a paz e a ordem na galáxia.
A senadora Amidala, ex-rainha de Naboo, está voltando ao Senado Galáctico para votar a delicada questão de criar um Exército da República para ajudar os combalidos Jedi.

Dez anos se passaram desde o bloqueio comercial e os conflitos em Naboo (Star Wars: Episódio I – A ameaça Fantasma, 1999). A República Galáctica e seus defensores da paz, os jedis, deparam-se com uma nova ameaça: o Movimento Separatista. A probabilidade de guerra é real, mas os Cavaleiros Jedi, pacifistas por excelência, são incapazes de sozinhos deterem a marcha dos acontecimentos.

Anakin Skywalker, agora com 19 anos, oscila entre a rebeldia, arrogância e amor pela agora senadora Amidala, sua fixação desde a infância. Está em desequilíbrio entre os ensinamentos de seu mestre, Obin Wan Kenobi, e a forte influência do Chanceler Supremo Palpatine.

Um atentado envolvendo a senadora Amidala, contrária à formação de um exército da República, fará com que Anakin confronte seus sentimentos e seu passado dando demonstrações que a fúria é forte no jovem padawan. Por outro lado, fará com que Obi Wan descubra tanto um exército secreto de clones como também um de droides, este último idealizado por Conde Dookan, o novo aprendiz sith.

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Título original: Star Wars: Episode II – Attack of the Clones
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas, Jonathan Hales
Duração: 2h 22min
Lançamento: 12 de maio de 2002

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Elenco: Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé), Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Christopher Lee (Conde Dookan / Darth Tyranus), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Frank Oz (Yoda) e Ian McDiarmid (Chanceler Supremo Palpatine).

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ANAKIN E A SEDUÇÃO DO LADO NEGRO
Quando percebemos a transformação do garotinho escravo Anakin, repleto de perspicácia e bondade, no agressivo padawan (aprendiz jedi), parece algo muito forçado (perdoem-me o trocadilho). Mas não podemos esquecer que ele sempre foi muito emotivo, muito ligado à mãe. Isso é potencializado nesta sequência da história do futuro Darth Vader. Anakin é arrogante, convencido e não respeita integralmente o comando de seu mestre, Obi Wan Kenobi.

Anakin tem constantes pesadelos com a mãe. Projeta sua afeição em Padmé, a antiga rainha que durante os últimos 10 anos viveu em seu imaginário. Dormindo, tem pesadelos com a mãe, acordado sonha com Padmé. Mesmo no reencontro, quando é designado junto com seu mestre para protegê-la, ao receber um fora daqueles (“Ani, você sempre será o menininho que conheci em Tatooine.”), não desiste em sua sedução tosca e acaba conquistando o coração velha (porém super conservada) senadora de Naboo.

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Enquanto seu coração sente a tentação amorosa e o medo da perda da mãe, dois sentimentos que não podem dominar o coração virtuoso e equilibrado de um jedi, o Chanceler Supremo Palpatine, pálido como um cadáver, revela-se como o segundo mestre de Anakin e que o aconselha nas sombras. Enfatiza o quanto o garoto é habilidoso, alimenta a ambição do padawan. Isso faz com que cresça a ideia do sentimento de superioridade acima de qualquer jedi e suas queixas em relação a Kenobi, acusado de não deixá-lo brilhar e ser invejoso.

O amor (uma fixação juvenil de um rapaz virgem), o medo (da perda da mãe), a influência de Palpatine (o capeta a sussurrar maldades no seu ombro) e a vaidade de seu domínio da Força que farão com que o antigo escravo de Tatooine dê passos decisivos em direção ao Lado Negro da Força. Duas circunstâncias nos mostram que definitivamente Anakin Skywalker está perdido. A mais aparente é o fato de voltar a Tatooine, como havia falado a sua mãe que faria. Ele não liberta todos os escravos, porém executa toda uma aldeia de povos da areia que haviam sequestrado sua mãe. Não poupa ninguém: nem mulheres nem crianças. Não é o escolhido (messias) salvador, é, somente, a mão furiosa da morte.

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A segunda pista da perdição de Anakin Skywalker está em um diálogo em uma das cenas românticas mais mal feitas da trama: a cena do casal no campo florido. Em um dado momento Padmé interroga o jovem jedi que diz que não acreditava que o sistema político funcionasse. “E como isso funcionaria para você?”, pergunta a senadora. Anakin então explica:

“Precisamos de um sistema onde políticos se reúnam, discutam os problemas, concordem sobre o que é melhor para o povo e então façam.”
“Mas é exatamente isso o que fazemos, mas nem sempre as pessoas concordam”, diz a senadora de Naboo.
“Deveriam ser obrigadas, então”.
“Por quem? Quem poderia obrigá-las?”, pergunta Padmé.
“Não sei, alguém…”
“Você?” , interrompe a senadora.
Sem muita convicção, vacilando, Anakin então afirma:
“Claro que eu não… Alguém sábio.”
“Para mim, isso está parecendo mais uma ditadura”, constata Padmé.
Anakin confirma a possibilidade, eles sorriem e a cena segue entre sorrisos e brincadeiras.

Desta forma está sedimentado na alma do futuro Darth Vader as sementes do autoritarismo: a mão forte do Imperador sobre o futuro da galáxia. Mesmo que ele tenha esquecido das palavras da atual rainha de Naboo quando chegaram ao planeta:

Devemos manter nossa fé na República. O dia em que deixarmos de acreditar na democracia, será o dia em que ela cairá.

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PALPATINE: O SENHOR DA GUERRA
Quando analisamos a escalada do pode do Senador Palpatine ao cargo de Chanceler Supremo da República, eventos narrados no Episódio I – Ameaça Fantasma (1999), descobrimos que ele age nas entrelinhas, controlando as fraquezas do sistema. Ainda havia hostilidade da Federação de Comércio que amargou uma dura derrota na invasão de Naboo, mas a ela se somaram outros sistemas que desejavam se separar da República. Os Separatistas estão em maior número e se torna cada vez mais difícil para os jedis manterem a paz. Claro que o desejo se desligar da República tem o dedo de Palpatine: ele enfraquece as instituições ao mesmo tempo que na surdina espalha a fragilidade do sistema e o medo generalizado. É assim que ele começa a arquitetar a guerra que se desenrola neste longa-metragem. Vamos entender passo a passo a estratégia de Darth Sidious:

  1. 058_06O atentado à senadora – Logo no início do longa-metragem, a senadora de Naboo sofre um atentado. A sósia de Padmé é morta na ocasião. A antiga rainha é a principal líder do movimento contra a militarização da República diante da ameaça Separatista. É necessário que ela saia do cenário para Palpatine não tenha ninguém contra a ideia da formação de um exército. Convenientemente sugere que a senadora retorne a Naboo sendo protegida por seus antigos salvadores: Anakin e Obi Wan Kenobi. Darth Sidious consegue alcançar três objetivos: deixar Padmé e Anakin bem próximos (decerto sabia da fixação de seu pupilo pela representante de Naboo); afastar a principal oposição à militarização; e, por fim, deixar Jar Jar Binks (sim, aquela desgraça do filme anterior) como representante de Naboo no Senado.
  2. 058_07O exército de clones – Obi Wan descobre um produção em massa de clones, uma força militar feita por encomenda para República em um planeta chamado Kamino. Segundo o primeiro-ministro, o exército teria sido encomendado há quase 10 anos. O que nos remete à época da invasão de Naboo, evento do Episódio I. Sabemos que Palpatine usou esta ocasião para se tornar Chanceler Supremo e, talvez, em uma de suas primeiras medidas, encomendar um exército de clones para República, pois os clonadores seguiram tanto o pedido do Senado como o de um antigo mestre jedi morto há muitos anos. Assim, enquanto a oposição e separatistas fortaleciam o exército de droides, nas sombras, Palpatine aparelhava a República para o futuro conflito.
  3. 058_08A corrupção política – A influência de Darth Sidious vai crescendo ao longo do tempo à frente do Senado. Por outro lado, os jedis, nas próprias palavras do Mestre Windu, sentiam a habilidade do Conselho de usar a Força diminuir. Nesse sentido, por mais que Yoda aconselhe Kenobi a limpar a mente para vislumbrar o verdadeiro vilão, o mestre de Anakin parece ser o único a estar atento. E após seu padawan defender o Chanceler Supremo, Obin Wan emenda: “Palpatine é um político. Tenho observado que ele é muito inteligente, aproveitando-se da convicção e dos erros de julgamentos do senadores”. Desta forma, sensível, de forma instintiva, o Mestre Kenobi estava alerta e desconfiava do lorde sombrio e de suas maquinações. Mas mesmo sob suspeitas, Palpatine manipulava as estruturas fragilizadas do poder debaixo das barbas do Conselho Jedi.
  4. 058_09Darth Tyranus – Com a morte de Darth Maul (Star Wars: Episódio I – A ameaça Fantasma, 1999), Palpatine precisava de um novo aprendiz sith. Quem ocupa esse lugar é um veterano idealista e desacreditado da República: Conde Dookan. Ele foi treinado pelo Mestre Yoda e por sua vez foi mestre de Qui-Gon Jin. Literalmente é um jedi seduzido pelo lado sombrio. Além de estar à frente dos Separatistas, articula-se com a Federação de Comércio. Poderia ter sido ele a apagar o sistema Kamino dos arquivos Jedi? Quando o lado Negro começou a seduzi-lo? Dookan nos mostra que com o tempo certo, qualquer jedi pode ser tentado. O conde também cumpre o papel de quase matar Anakin e suscitar outro sentimento passional no padawan, além do medo, do amor e da fúria: a vingança. A queda de Dookan marcará a transição inicial de Anakin para submissão total a Palpatine.
  5. 058_10A batalha de Geonosis – Com todas as peças do tabuleiros arrumadas, só restava colocar a guerra em curso. Diante da prisão de Obi Wan, Anakin e Padmé no planeta Geonosis, era preciso uma resposta imediata à ameaça. Por um lado os jedis se vêem incapazes de deter o exército gigantesco de droides criados nas entranhas do planeta. Por outro a oposição à militarização da República é vencida por ter sua líder presa nas mãos dos Separatistas. Sendo o sistema corrupto, só faltava que algum senador ou representante de um senador propusessem em plenária a formação do exército. Nesse ponto que Jar Jar Binks (personagem desgraçado!) é manobrado e faz a proposição. Assim, pelas mãos de um idiota e ingênuo, Palpatine recebeu poderes emergenciais e passou a liderar um exército de mais de um milhão de clones feitos do código genético um mercenário e caçador de recompensas Jango Fett, pai de Bobba Fett.

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OBI WAN: PROFETA OU MESTRE JEDI DOS SPOILERS?
Tudo bem, sabemos que domínio forte é da Força em Yoda. Também sabemos que o Mestre Windu humilha com o sabre de luz roxo, mas talvez o mais atento ao lado negro, neste episódio da trilogia prequel (pré-sequência), seja Obi Wan Kenobi. A todo momento ele faz avaliações e observações sobre o momento em que ele e os demais jedis vivem. Talvez o mais sensitivo quanto aos eventos funestos que se abaterão sobre a galáxia. Primeiro, podemos destacar sua desconfiança sobre os políticos em geral e o próprio Chanceler Supremo Palpatine. Antes da perseguição a Zan Wesell, caçadora de recompensas, ele afirma em conversa com Anakin:

Pela minha experiência, os senadores se preocupam apenas em agradar aqueles que dão fundos para suas campanhas. E eles não demonstram escrúpulos quando esquecem do poder e da ordem para conseguir tais fundos.

Após a perseguição à caçadora de recompensas, quando ele devolve o sabre de luz a Anakin antes de entrar no bar e encurralar a assassina, ele prediz o que acontecerá no episódio IV da saga: “Por que tenho a impressão de que você ainda vai me matar?”.

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Obi Wan Kenobi não sente firmeza e tem constantes ressalvas para sugerir que Anakin se torne mestre jedi. Ele tem habilidades magistrais, mas seu coração parece frágil. Kenobi aceitou a incumbência de treinar o menino de Tatooine de seu mestre Qui-Gon, porém aparenta não ter confiança na temperança de Anakin. E novamente estava certo. Anakin executaria toda uma aldeia ao voltar à terra natal, fato sentido de forma indireta por Yoda. E após o incidente, o jovem jedi expressa sua fúria:

“Eu deveria ser (onipotente). E algum dia eu vou ser. Eu vou ser o jedi mais poderoso que existiu. Eu prometo a você. Eu vou até aprender a impedir que as pessoas morram. […] Isso é tudo culpa do Obi-Wan. Ele é invejoso. Ele está me reprimindo. “

CURIOSIDADES

  1. 058_13O nome do Conde – Na tradução para nossa língua, o nome do Conde Dookan precisou sofrer uma ligeira alteração porque senão não iam faltar brasileiros zombando do nome do personagem Count Dooku (Sim, aquele lugar onde o sol não bate).
  2. 058_14O sabre de luz de Mace Windu – Foi ideia do ator Samuel L. Jackson. Motivo: simplesmente se destacar no meio do sabres azuis e verdes no meio das batalhas. Mas no material estendido, o sabre de luz roxo se refere aos usuários da Força que já foram do lado negro.
  3. 058_15As sementes do Império – A trilogia original é marcada pela hegemonia do Império Galáctico. Neste segundo filme da trilogia prequel temos algumas referências e percebemos que já fazia parte do plano geral a construção do poder imperial. Podemos ver o símbolo do Império na mesa de reuniões dos os futuros Líderes Separatistas (Wat Tambor, Nute Gunray, etc.). Momentos depois o arqueduque de Geonosis entrega os projetos de sua arma final, a Estrela da Morte, para que o Conde Dookan entregue ao Lorde Sith. Outro ponto é o armamento utilizado pelos clones, muito semelhantes aqueles que seriam usados pelos Stormtroopers, como os andadores.
  4. 058_16O clã Fett – Também podemos ver a origem de Boba Fett, o caçador de recompensas que colocará as mãos em Han Solo. Clone idêntico (fisicamente e mentalmente) de Jango Fett, feito em Kamino, cresceu naturalmente sob a tutela e treino direto do pai. Nós o vemos dar tiros de blaster na nave Escravo I e após a morte, segurar o capacete do pai, em uma espécie de legado passado.

CONCLUSÃO: Que Yoda é esse? OMG!
Bem, é totalmente dispensável as cenas de flerte e jogos amorosos entre Anakin e Padmé Amidala. Cheios de tiradas ultrapassadas e cenas românticas mais do que clichês. Não que a franquia não possa ter seus romances, afinal a tensão amorosa entre Han Solo e a Princesa Leia é uma das coisas mais legais na trilogia original. Mas percebemos que George Lucas (ou seu roteiro) podem ter tirado sua ideias de novelas brasileiras ou mexicanas para explicar tanta cafonice. Por mais que os casais de atores tenham desenvolvido um romance durante as filmagens, que Natalie Portman tenha largado o marido para ficar com Christensen, a química não rola e por vezes você vai querer adiantar o filme para não assistir às cenas piegas.

A única atuação digna de atenção é justamente de um personagem em CGI (computação gráfica): Yoda. Além de ser um sonho de muitos fãs da franquia de ver o diminuto e mais forte jedi lutar e ele o faz de forma fantástica. O mestre Yoda se mostra um líder nato, com capacidade analítica e boas expressões faciais. Ao meu ver é o ponto mais empolgante da trama.

Também, este longa, é uma ótima oportunidade pra ver a capacidade tecnológica tanto do enredo da história, quanto dos efeitos especiais da produção que teve um salto qualitativo em três anos, diferença entre o Episódio I e o II. Vale a pena pelas cenas da batalha da arena de Geonosis quanto da própria guerra em si.

Se você espera ver um filme com muita ação e com apogeu dos jedis e sua capacidade de batalha, esse filme empolga, mesmo com o romance piegas e as atuações nem sempre interessantes. Esse longa marca o início da fase mais belamente construída desde a trilogia inicial. Trata-se das Guerras Clônicas que foram amplamente adaptadas para a animação, Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) e a série animada, Star Wars: The Clone Wars (2008-2020), que preenchem as lacunas deixadas pelos filmes prequel.

No mais, persista na Força, jovem padawan, o Lado Negro cresce na galáxia. Se queres paz, te prepara para a guerra! E bom filme!

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E.T.: O EXTRATERRESTRE (CRÍTICA)

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SINOPSE
Elliott está tranquilo em sua casa quando é surpreendido por um extraterrestre de feições muito curiosas. O garoto toma um grande susto, mas logo percebe que aquela criatura era totalmente inofensiva. Os dois então desenvolvem uma grande amizade e, descobrem que a distâncias interestelares não são o suficiente para nos fazer tão diferentes. O menino então resolve escondê-lo dentro de casa para protegê-lo, mas o que ele não imaginava, é que as pessoas descobririam, e tornariam um caos a passagem daquele gentil alienígena pelo planeta Terra.

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EXPERIÊNCIA PESSOAL
Existe algum filme que você considere o de mais importância na sua vida? Não necessariamente o que você ache melhor por ter enumerado uma dúzia de motivos, mas que simplesmente ficou marcado na sua história. Pra mim esta é a obra que cumpre esse papel. Sendo uma lembrança fiel à realidade ou não, eu me recordo nitidamente do dia em que meu padrinho chegou na minha casa trazendo o VHS de E.T.: O Extraterrestre para nós assistirmos. Imagino que eu devia ter uns seis anos. Tínhamos recém adquirido uma TV colorida da Telefunken e uma videocassete da CCE. Tecnologia de ponta! Eu não fazia ideia de que filme era aquele ou de qualquer outra opção que existia, diferente de hoje, as crianças daquela época não nasceram com um smartphone na mão e a infinidade do YouTube Kids disponível. Até aquele momento para mim só existiam duas opções, o canal do Bozo ou o canal da Xuxa.

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Lembro de ser noite, e imagino que por volta das vinte horas, já que era o habitual do meu pai chegar em casa. E nesse dia meu padrinho, sua esposa, e meu pai, chegaram juntos da rua. Então todos nos amontoamos naquela pequena sala para podermos assistir. A experiência pela ótica de uma criança ainda inocente, vendo uma história tão rica em conceitos morais, ecoou no meu cérebro por toda a vida. As pessoas geralmente temem a ideia de se deparar com um extraterrestre, mas eu conservei a proposta do ET bonzinho daquele filme. Então se um dia eu der de cara com qualquer alienígena (creio eu que ainda não tenha acontecido), eu com certeza vou convidar para um café.

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“Este não é simplesmente um bom filme. É um daqueles filmes que afastam nossas advertências e conquistam nossos corações” – Roger Ebert, crítico de cinema

Tempos depois Ebert adicionou E.T.: O Extraterrestre a sua lista de melhores filmes, estruturando o ensaio como uma carta aos seus netos sobre a primeira vez que eles assistiram. (Fonte: Wikipedia)

COMENTÁRIOS
Nesse ponto há bem pouco a se falar. E.T.: O Extraterrestre é fruto da década de oitenta, um período inspiradíssimo para Steven Spielberg. Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, Poltergeist, Gremlins, De Volta para o Futuro, A Cor Púrpura, Goonies, são só algumas das obras primas que consagraram esse gênio do cinema por quem eu tenho tanta admiração.

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Se tratando dos aspectos técnicos, podemos dizer que é uma produção coesa do começo ao fim. Traz bons efeitos especiais, atuações adultas e mirins indiscutíveis, um roteiro conservador muito eficiente, e o principal, pelo menos para mim, uma das trilhas sonoras mais fantásticas de todos os tempos! Spielberg sozinho já era um cineasta incrível, mas junto de John Williams eles se tornaram lendas! As composições originais para o filme são incríveis viagens sobrenaturais, que fazendo os uso de harpas, violinos, pianos, celestas e percussões, nos transportam para um mundo inesquecível de fantasia. Essa é um das poucas produções que conheço que as opiniões são unânimes quanto sua qualidade. Hoje E.T.: O Extraterrestre é eternizado como um dos melhores filmes de todos os tempos!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Dee Wallace, Henry Thomas, Peter Coyote, Robert MacNaughton, Drew Barrymore, Pat Welsh (voz do E.T.), K. C. Martel, Sean Frye, C. Thomas Howell e Erika Eleniak. E.T.: O Extraterrestre é uma produção de 1982 dirigido pelo renomado diretor Steven Spielberg, que também fez parceria na produção com Kathleen Kennedy. Seu orçamento fora de míseros 10,5 milhões de dólares, se comparado à sua receita de quase 793 milhões! Nosso amigo extraterrestre surgiu como um furacão, desbancando até mesmo Star Wars, e se tornando na época o filme de maior bilheteria de todos os tempos! Sendo superado apenas em 1993, com outro trabalho de Steven Spielberg, com Jurassic Park.

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REPERCUSSÃO E PREMIAÇÕES
Indicado para nove estatuetas do Óscar durante a quinquagésima quinta cerimônia, em 1983, foi apontado como favorito para o Prêmio de Melhor Filme, mas perdeu para o indo-britânico-estadunidense Ghandi (1982). No entanto venceu em quatro categorias, Trilha Sonora, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Especiais. Também recebeu o Prêmio Saturno nas categorias Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Roteiro, Melhor Efeitos Especiais, Melhor Música e Melhor Arte de Cartaz, enquanto Henry Thomas, Robert McNaughton e Drew Barrymore receberam o Young Artist Awards. Pela trilha sonora John Willams recebeu o Globo de Ouro, Prêmio Saturno, dois Prêmios Grammy, e um BAFTA. Ganhou os prêmios de melhor filme estrangeiro no Blue Ribbon Awards do Japão, Cinema Writers Circle Awards da Espanha, César Awards da França e David di Donatello da Itália. Fora muitos outros prêmios menores da crítica especializada em cinema. E.T.: O Extraterrestre é apontado como um dos filmes mais importantes da história, e até hoje detém não apenas milhões, mas bilhões de fãs por todo mundo!

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CONCLUSÃO
Uma obra de arte que nenhuma explicação se faz boa o suficiente para mensurar sua tamanha grandeza. Conceito sem precedentes e que até hoje não tem nada com proposta parecida tão bem executada. E.T.: O Extraterrestre é um trabalho formidável vindo de uma das mentes mais brilhantes existentes na Terra, Steven Spielberg. Um filme fantástico que não é apontado para nenhuma idade específica, então seja você uma pequena criança ou um adulto brucutu, te desafio a não se emocionar com essa lindíssima história de um etezinho bondoso que um dia passou por esse indigno planeta. Tem filhos pequenos e ainda não mostrou esse E.T. para eles? Está esperando o que então, essa é sua obrigação como pai ou mãe, de dar um dos melhores presentes da vida para suas crianças!

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STAR WARS: EPISÓDIO I – A AMEAÇA FANTASMA (CRÍTICA)

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A desordem instalou-se na República Galáctica. A cobrança de impostos das rotas de comércio para sistemas remotos está sendo contestada. Esperando resolver a questão com um bloqueio de poderosas naves de guerra, a gananciosa Federação do comércio suspendeu toda remessa para o pequeno planeta Naboo.

Enquanto o Congresso da República discute indefinidamente essa alarmante sequência de eventos, o Chanceler Supremo enviou, secretamente, dois Cavaleiros Jedi, guardiões da paz e da justiça na galáxia, para porem fim ao conflito…

Exatamente 32 anos antes do domínio do Império Galáctico, o longa-metragem de George Lucas acompanha os passos do Mestre Jedi Qui-Gon Jinn e de seu aprendiz (padawan), Obi-Wan Kenobi. Inicialmente enviados como negociadores para por fim a um bloqueio comercial hostil às novas taxações impostas pelo Senado da República, acabam se tornando defensores dos interesses da Rainha Amidala do pacato planeta Naboo. Ambos os heróis na medida que se envolvem na ameaça de guerra contra o Exército Droide a serviço da Federação de Comércio, acabam por descobrir uma divergência na Força, alguém que possa trazer equilíbrio e paz para galáxia, na figura do garotinho Anakin Skywalker. Mas o que parece ser um simples conflito preste a ser resolvido pela ação pacificadora do Jedis, revelam o retorno dos misteriosos Siths.

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Título original: Star Wars: Episode I – The Phantom Menace
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Duração: 2h 16min
Lançamento: 19 de maio de 1999

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Elenco: Liam Neeson (Qui-Gon Jinn), Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman, (Rainha Amidala / Padmé), Jake Lloyd (Anakin Skywalker), Ian McDiarmid (Senador Palpatine) e Ahmed Best (Jar Jar Binks).

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A ORIGEM DO CLÃ SKYWALKER
Quando o enredo tem início, temos o auge da influência jedi sobre a galáxia: eles são uma força temida e respeitada. O Conselho Jedi, que tem no jovem Yoda (mas sempre velho), o principal representante dada a sua antiguidade, atua como suporte na manutenção da República e sua democracia. Os Jedis resguardam sua tradição, treinam novos aprendizes, mas tornaram-se desleixados para detectar as ameaças do Lado Negro da Força. Tudo está nebuloso, como o próprio Yoda diz a certa altura do filme.

Por mais que Qui-Gon Jinn, nos instantes iniciais da película, afirme que seu aprendiz precisa se preocupar somente com o “aqui e agora” e não pensar no futuro, por mais que isso pareça ser só a lição de um mestre ao seu aluno, foi assim que os Jedis ficaram cegos a ameaça do Lado Negro. Esse ensinamento, a filosofia de Qui-Gon, resume a queda que recairia sobre a hegemonia dos jedis sobre a galáxia: não dar uma atenção maior ao futuro.

Após o fracasso da negociação com o vice-rei Nute Gunray, o plano de invasão ao planeta Naboo é adiantado. Os Jedis, em fuga e já em terra, fazem amizade com um atrapalhado nativo Jar Jar Binks, apontado pela crítica e pelos fãs mais fervorosos (e me incluo nesse grupo), como a pior adição ao universo Star Wars. Porém, falarei da importância dele depois. Mas o fato é que o irritante personagem, após conduzir os heróis ao reino aquático de Gunga, serve de guia para que os Jedi cheguem a capital de Naboo, resgatem a rainha e fujam do planeta durante o início da invasão droide.

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Depois da ajuda essencial do astrodroide R2D2, primeira aparição do robozinho mais famoso da franquia, que conserta avarias na nave em plena fuga, os jedis e a rainha precisam pousar em Tatooine, planeta desértico controlado pela facção criminosa dos Hutts. É que, devido ao ataque, fora danificado o hyperdrive: componente essencial da nave que a faz cruzar longas distância na velocidade da luz.

É em busca do conserto da nave que Qui-Gon, Padmé e Jar Jar vão conhecer o jovem Anakin Skywalker com apenas nove anos, escravo de um comerciante local de sucatas. Enquanto o mestre jedi negocia com Watoo, dono do comércio, Anakin mostra sua afeição, desde sempre, pela rainha disfarçada de aia: “Você é um anjo?”. O garoto acaba por ajudar aqueles forasteiros desde livrar Jar Jar de uma briga, passando por conceder abrigo durante uma tempestade de areia, até ganhar uma corrida pods (planadores).

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O jovem Anakin se mostra um prodígio: hábil em mecânica, construtor de droides (C3PO é sua criação), um piloto nato com reflexos impressionantes. Tudo desperta o interesse de Qui-Gon que vê o potencial do rapaz e sua manifestação da Força. Mas a origem do menino é em si um mistério e em muito se deve a sua semelhança com a figura de Jesus, entre os cristãos. Anakin Skywalker teria sido gerado espontaneamente pela Força, sem nenhuma relação sexual da mãe. Segundo ela, o menino não conhecia a cobiça e acreditava que ele nasceu para acompanhá-los. Anakin, que descobre por conta própria que Qui-Gon era um jedi, diz em certo momento que sonhou que era um jedi e que voltava para Tatooine e libertava todos os escravos. Bem, o futuro mostraria que esse retorno não seria tão feliz.

O jovem Anakin Skywalker, fazendo jus a seu sobrenome (andarilho do céu, em tradução livre), conheceria todas as estrelas. Ele possuía uma quantidade absurda de midichlorians: uma espécie de vida simbionte no interior de cada célula vivente. Tais formas de vida se comunicam com a Força e falam seus desejos. A contagem midichlorians do menino era superior até do mestre Yoda. Isso significava que ele mesmo tão jovem, poderia ter um domínio da Força muito maior que qualquer jedi existente. Isso faz Qui-Gon acreditar que ele poderia ser o Escolhido: aquele que traria equilíbrio a Força.

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Ao libertar o menino, consertar a nave e enfrentar um estranho oponente de sabre de luz vermelho, os cavaleiros jedi chegam ao planeta-cidade Coruscant. Anakin é submetido a avaliação do Conselho Jedi para saber seu potencial para se tornar padawan de Qui-Gon. Apesar da grande Força, Yoda percebe que o garoto é perigoso pelo excesso de medo e apego à mãe que Anakin possuía, pois:

“O medo caminho é para o Lado Escuro. Medo leva a raiva, raiva ao ódio leva, ódio leva ao sofrimento”.

É justamente este o caminho da decadência que levará o potencial positivo de Anakin Skywalker à ruína na sequência dos demais filmes. O medo caminhará com ele. Na ausência da mãe, projetará seu carinho em Padmé Amidala. Freudiano, isso. Mas Qui-Gon, que sempre fora arredio resolve que o treinará a qualquer custo e, com sua morte, a missão passará a Obi-Wan Kenobi, que cumpre o último desejo de seu mestre. A ascensão de Anakin é o início do declínio da era jedi na galáxia.

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QUE AMEAÇA FANTASMA É ESSA?
A primeira impressão que temos que o “fantasma” do título é a aparência aterradora de Darth Maul, porém o que está por trás da verdadeira ameaça  é a ambição do senador Palpatine, alter-ego do lorde sith Darth Sidious.

O bloqueio da Federação de Comércio não passa de uma estratégia bem planejada por Palpatine. Era necessário pressionar a Rainha Amidala ao máximo e ele, como senador de Naboo, desejava se tornar Chanceler Supremo, tomar o lugar de Valorum. Este último, acusado de corrupção, manipulado por burocratas, subornado pela Federação, ao seu entender não estava mais apto a liderar a República Galáctica. Até que ponto estas informações eram verdadeiras, a Rainha não sabe, mas é induzida a acreditar nelas. E assim propõe um “voto de desconfiança” ao senado, o que faz com que haja novas eleições para o cargo. Em si, isso não muda nada e não auxilia Naboo que se encontra sitiado pelo vice-rei Nute Gunray, porém marca o início da escalada de poder de Darth Sidious. A rainha volta ao seu planeta, Palpatine fica na capital da República para vencer a eleição.

Palpatine se diz honesto e que “vai acabar com a corrupção”, mas no fundo a trama ou as informações podem ter sido falseadas pelo lorde sith. Mas fato é que os jedis se tornaram distraídos e a estrutura democrática estava fragilizada. Isso cedeu espaço para que, na escuridão das ruas de Coruscant, a ameaça fantasma Sith fosse crescendo. Se ao final Palpatine perde seu discípulo, Darth Maul, pelas mãos de Obin Wan Kenobi, por outro o senador alcança o degrau máximo do poder e ainda conhece um jovem com um potencial inimaginável na Força: Anakin Skywalker. Os dados foram lançados para o início da reviravolta Sith da história galáctica.

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É MELHOR JAR JAR IR SE IRRITANDO
Com pouco mais de dez minutos de filme, surge Jar Jar Binks, para suplício de muitos. Ele é um Gunga, do povo aquático de Naboo, e que tinha sido expulso de sua terra (ou de sua água?) por ser extremamente desastrado. Ele é responsável por aquelas que deveriam ser as cenas engraçadas da história e fazer o riso da criançada com seu humor pastelão. Bem, a intenção saiu pela culatra: suas cenas são forçadas e desnecessárias. Não que o humor esteja proibido, afinal C3PO, na trilogia inicial, faz um bom trabalho. E pensar que, segundo o ator Ahmed Best, o intérprete dessa “beleza de personagem”, afirmou que Michael Jackson quase lhe roubou o papel!

Eu, Natalie Portman e os filhos de George estávamos em um show de Michael Jackson. Nós fomos levados ao backstage e conhecemos Michael. Seus filhos também estavam lá. George me apresentou como Jar Jar e eu não entendi o que estava acontecendo. Depois que Michael foi embora, nós fomos para uma festa. Eu estava tomando um drink com George e ele me disse que Michael queria o papel, mas gostaria de fazer com próteses e maquiagem, como em “Thriller”. George queria fazer em CGI. O meu palpite é que Michael Jackson acabaria sendo maior que o filme, e não acho que ele [George] queria isso“, disse o ator.

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Mesmo que o interesse do rei do pop em dar vida ao personagem possa parecer um baita elogio e que talvez ele fosse muito melhor com Michael Jackson interpretando, Jar Jar decepciona não só por ser um personagem péssimo, mas por afetar o futuro da galáxia de forma desastrosa.

Assim que Qui-Gon conhece o Gunga, Binks afirma que sabe falar. Ao que o mestre jedi responde: “Capacidade de falar não é prova de inteligência”. Agora imagine isso aplicado a um político em um sistema democrático. Pensou? Pois bem, com suas trapalhadas, no início da trajetória de Jar Jar no universo de Star Wars, parece que tudo vai dar certo, mas aguardem até ele se tornar o senador representante de Naboo. Não quero adiantar a história, mas falaremos desse ódio nos outros filmes.

CURIOSIDADES

  1. 049_09Bloqueio Comercial – Para entender o contexto político deste filme, é necessário refrescar a memória das aulas de História do Brasil. Sério? Sim. Quando falamos de bloqueio comercial, retornamos a eventos muito ligados a nossa história. Quando, em 1806, Napoleão Bonaparte exigiu que Reino de Portugal se tornasse seu aliado contra a Inglaterra e os portugueses se negaram, o imperador francês instituiu um bloqueio comercial para que ninguém fizesse negócio com os ingleses. A corte portuguesa, como eram aliados da Inglaterra de longa data, resolveram não cortar laços e terminaram fugindo na surdina para sua colônia mais próspera: o Brasil. Diferentemente dos nem tão pouco corajosos portugueses que abandonaram seu lar, a Rainha Amidala, vendo que não resolveria nada simplesmente esperando a resolução do Senado e longe de sua pátria, retorna ao seu planeta para defendê-lo a todo custo.
  2. 049_10Cidade Aquática – Uma cidade submersa não é grande novidade quando falamos de ficção. Podemos pensar que isso se deve ao mito platônico da cidade Atlântida, descrita no seu diálogo Timeu (360 a.C.), como uma civilização avançada, um império de engenheiros e cientistas, tão ou mais avançados tecnologicamente que a nossa civilização. Diversas obras literárias ou cinematográficas usaram tal mito para falar de uma cidade aquática mágica ou alta tecnologia. Isso é possível constatar no Reino de Tritão (A pequena sereia, 1989), na Atlântida de Milo (O Reino Perdido, 2001) e dos quadrinhos de Aquaman (DC) ou Namor (Marvel).
  3. 049_11A mestre de Boba Fett – A corrida de pods é um dos eventos centrais e alguns personagens importantes para franquia aparecem. Jabba, o Hutt, mafioso alienígena asqueroso e obeso que fará negócios com Han Solo, é que está à frente da corrida. Durante a mesma, catadores de sucatas Jawas e os Tusken (povo da areia), seres importantes em Uma Nova Esperança (1977). E, claro, durante a primeira sequência da corrida, aparece do alto um rochedo Aurra Sing, que após a morte de Jango Fett, treinaria o impiedoso Boba Fett, caçador de recompensas que perseguiria Han Solo em O Império contra-ataca (1980). Aurra é importante no enredo da série animada Clone Wars.
  4. 049_14Cubo Azul e Vermelho – Watoo, dono do escravo Anakin Skywalker, convencido por Qui-Gon, resolve incluir o menino e sua mãe na aposta do final da corrida. Deixa a cargo da sorte no dado saber se libertaria o menino ou a mãe: face azul para ele, vermelha para ela. Não sei, mas me lembrou a associação de cores de Matrix (1999) que deixou entre uma pílula azul (voltar ao programa) ou vermelha (ser livre) a decisão do futuro de Neo, o escolhido. Enquanto o escolhido no filme de George Lucas é libertado pela cor azul (Qui-Gon manipula o lance de dados), o escolhido do longa de Lana Wachowski escolhe a pílula vermelha e se torna herói saindo da Matrix para liderar a resistência.

CONCLUSÃO: Um começo pouco empolgante
Este filme marca o início da trilogia prequel (pré-sequência) e que conta a origem de Darth Vader, o Imperador e seu poder. É imprescindível para quem quer assistir de forma cronológica à saga Star Wars. Nas gerações mais novas pode sugerir que todos os episódios sejam repletos de CGI (imagens geradas por computador) como este, o que faz a trilogia original, das décadas de 1970 e 1980, ser muito simplória e desinteressante.

Para aqueles mais old school, este episódio torna-se interessante por mostrar lutas com sabres de luz repletas de agilidade, fato incomum nos filmes mais antigos devido, em parte, a precariedade dos efeitos especiais. Também se destaca por mostrar a origem de personagens secundários para as ramificações da série: R2D2, C3PO, Obin Wan, um Yoda em plena ativa entre outros.

Mas do ponto de vista interpretativo dos atores, o destaque fica somente por conta de Liam Neeson (Qui-Gon Jinn), embora fique prejudicado, às vezes, por frases bobas (“Sempre há um peixe maior.”) ou que, ao interagir com personagens computadorizados, não saber realmente para onde está olhando.

Se você é um veterano na franquia, pode achar este filme pouco interessante e desconexo. Se você for novo no mundo de Star Wars, pode ser que ache melhor ir ver um filme da Marvel. Não os reprovo e acho compreensível. Mas se perseverar na Força, possa ser que você chegue a perdoar esse filme, pois afinal o que vale é a jornada. Opa, mas esse já é outro filme, outra história.

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CURTINDO A VIDA ADOIDADO (CRÍTICA)

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PLOT COM COMENTÁRIOS
Entre os filmes clássicos esse é um dos mais admirados pelos fãs da sétima arte. Dificilmente alguém com mais de vinte anos não tenha assistido a algazarra de Ferris Bueller nas suas matanças de aula, e o pior, comemorado por suas conquistas mesmo quando ele se mostrava nitidamente o vilão da história. Mas não importa, esse era seu principal charme, a arte de sair impune de culpa pela zoeira. Geralmente os jovens temem professores, diretores, ou qualquer um daqueles que ditam regras, mas Ferris não, ele não dava a mínima! Arquitetava os mais mirabolantes planos de fazer bullying com aqueles “ditadores” que o cercavam, e de quebra, ainda carregava a namorada e o melhor amigo à tiracolo. Seus planos loucos envolviam o sequestro da luxuosa e clássica Ferrari do pai de Cameron, seu amigo hipocondríaco, e em buscar a namorada na escola se passando pelo pai da menina.

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Não faço a mínima ideia de quando vi Curtindo a Vida Adoidado pela primeira vez, esse é o tipo de filme atemporal que tenho a sensação de sempre ter pertencido à minha memória. Um das coisas mais interessantes nessa produção, é que ela consegue superar gerações, em todos os sentidos. Suas escolhas de conceito contribuem para que mesmo hoje, mais de trinta anos depois do seu lançamento, ainda permaneça um filme bastante atual. E parece absurdo, mas mesmo que ele repita centenas de vezes na TV, iremos sentar para assistir como se fosse a primeira! A obra exalta a efemeridade da vida e o quanto precisamos valorizar cada segundo. Todos temos problemas e obrigações, mas sempre que possível deveríamos tirar melhor proveito do tempo nos presenteando com a liberdade.

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Olhando de longe temos a visão daquele ser apenas um garoto egoísta e irresponsável que mata aulas e não respeita os mais velhos. Isso inclui os próprios pais, que não fazem a mínima ideia do que o filho arruma pelas suas costas. Até o diretor da escola estava convencido do aluno ser um mal elemento, e sofria para conseguir provas. Não importava o tamanho do problema, o garoto sempre estava uns três passos à frente, e como de praxe, se saindo bem. Mas com todo esse histórico de delinquência juvenil, Ferris tinha um bom coração. Seu amigo Cameron vivia uma vida muito reclusa, com pais controladores e que colocavam-no para baixo. Seu amigo notava isso, e era em parte por ele que fazia certas loucuras. Não só ele, mas Sloane também, a namorada de Ferris.

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As enrascadas onde eles se metem são as mais variadas, desde se passar por um fictício “Rei da Salsicha de Chicago” para entrar no luxuoso restaurante Chez Louis, destinado à alta classe, até invadirem uma parada alemã, onde Ferris agita toda a cidade cantando e dançando ao som de Twist and Shout dos Beatles. Essa última se tornando uma das cenas mais icônicas do cinema! Claro, ainda tem a cereja do bolo de dar perda total na Ferrari 250GT “California” ano 61!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco traz Matthew Broderick, Mia Sara, Alan Ruck, Jennifer Grey, Charlie Sheen, Kristy Swanson, Edie McClurg, Cindy Pickett e Lyman Ward. Curtindo a Vida Adoidado é um filme de 1986 dirigido por John Hughes, aquele considerado como “o mestre dos filmes adolescentes dos anos oitenta“. Seu orçamento foi de 6 milhões de dólares, com uma receita final de mais de 70 milhões!

CONCLUSÃO
Esse é um dos filmes que não importa quanto tempo passe, será sempre uma obra prima. Seu roteiro é simples, direto, e com um excelente ritmo. Umas das produções mais geniais da década de oitenta e, que pode e deve ser visto por todo mundo. Curtindo a Vida Adoidado é referência quando se trata de comédia, e até hoje é lembrado com muito carinho pelo seu número enorme de fãs. Um filme nota 10, que se você for mais jovem e ainda não assistiu, tem obrigação de ver!

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BATES MOTEL: ORDEM DOS FATORES

Bates Motel psycho

O santo da vizinha fofoqueira morta havia baixado em mim.

Mergulhei na escuridão quando decidi pela espontaneidade iniciar uma nova série. Sou do tipo exigente com as coisas, não necessariamente pela quantidade de qualidade, mas pela solidez da proposta. Mesmo mais simples que ela possa se mostrar ser de vez em quando. Eu não conhecia absolutamente nada da série Bates Motel, quando um amigo revelou ser um derivado do original Psicose, de 1960, qual também nunca tinha assistido. Resolvi então tomar o rumo de conferir a renomada obra-prima de Alfred Hitchcock, que advinha, nunca havia me atentado a nada em particular. A maioria dos cultuados clássicos estão ainda fora da minha estante de consumidos. A Lista de Schindler, O Poderoso Chefão, Um Corpo que Cai, Doutor Jivago, …E o Vento Levou, Casablanca, e muitos outros, todos na minha sentença de passagem direto ao inferno, caso não assista enquanto encarnado. Então fiz o que me pareceu ser o mais correto para entender a amplitude de intenção daquele seriado, que eu já devia ter assistido uns três episódios. Procurei pela internet e dei de cara com algumas refilmagens não muito convincentes, queria o original. E depois de uma pequena dificuldade, ainda assim bem maior que imaginava, consegui acesso ao clássico descolorido.

Madrugada à dentro parto eu, que geralmente cético, me sentia obrigado a ter absolutamente respeito em não supor que aquele poderia ser um caso de exagero da crítica. No meu subconsciente aquele filme tinha uma aura, fazia parte dos meus preferidos sem nunca ter sido visto. Confuso, não? Pipoca? Não, peguei Cheetos. Cheetos Lua. Com Mate Leão. Sabor limão.

Sentei, me acomodei e dei plei. Uma leve sensação de deslocamento temporal pela película envelhecida, mas muito bem, e entramos pela janela daquele apartamento. É preciso ser dito, tudo era muito bem escrito. Cada simples diálogo parecia ter surgido de improviso. Parecia real que eu tinha entrado pela janela de alguém e me intrometido na intimidade de conversas intrigantes que não eram da minha conta. Eu queria mais. O santo da vizinha fofoqueira morta havia baixado em mim. Aquele filme mal tinha começado e me sugava para um vouyerismo doentio, mas e daí, ninguém estava vendo. Só eu. A coisa progride junto com uma tensão que não lembro ter notado em nenhum outro filme. Hitchcock não só tinha uma aura de gênio, parecia ser um caso verídico de genialidade. Meme de mãozinha no queixo. Sentia estar me filiando à Seleta Ordem dos Críticos Cults de Cinema, isso não me cheirava digno de orgulho. Medo de partir numa odisseia de querer organizar os DVDs e VHSs por ordem de diretores e envergonhar a família Pereira.

Aquela pessoa de caráter duvidoso que seduzia minha simpatia precisava ser desmascarada. Meus olhos sangravam em cumplicidade e repulsa, me sentia invisível e amordaçado de carona naquele carro. Impossível um cara tão insistente também ser tão complacente, olha o carona! Me pergunta que eu digo o que essa ignóbil fez! Era sufocante ver o quanto a gentileza impedia aquele maluco de dar uma dura naquela suspeita e arrancar dela seu segredinho recente. Não importa, éramos parceiros e ela precisava se safar. Continuando a se aventurar pela tempestade do julgamento da própria consciência, Janet chega ao Motel Bates. Onde logo é atendida por um simpático jovem adulto que lhe dispõe onde se alojar. Daí é ladeira à baixo na estranheza das motivações que levam uma mulher se expor da maneira que o faz, bem como se comporta um gerente de hotelaria com seus inquilinos. Ou aquilo fugia a curva do habitual para ambos? O grand finale não tarda muito à vir. E não, não darei spoiler desse recém lançamento.

Como dito no começo, não importa o quanto algo é complexo ou nada complexo, à mim a consistência do como é feito que é relevante. Poucos personagens, poucas locações, pouca trama e poucos elementos, no entanto muita veracidade em narrativa e construção de personagem. Um filme de quase sessenta anos e com rostinho de bebê. Uma belíssima linguagem atemporal que causa estranheza de tão realista.

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Lincando as duas obras, o original de Psicose com a série Bates Motel, abre-se um dilema. O que assistir primeiro, a construção lenta e profunda do personagem central, ou seu resultado caótico como adulto? Antes de tomar a decisão de voltar no tempo e presenciar a obra que tantos admiravam, qual não imaginava o porquê, estava bastante receoso de talvez estar sabotando minha própria experiência. Mas agora estando próximo à quinta temporada, e ter assistido o filme primeiro, a sensação é de que tanto faria. Nenhuma das ordens é errada e nenhuma é certa, as duas gerarão crescente expectativa do observador atento. As duas obras funcionam perfeitamente bem isoladas ao mesmo tempo que funcionam de forma excelente em conjunto. Sendo como for, vai fundo.

Agora me resta concluir a série e assistir as sequências do filme. Estou temeroso com essas continuações, definitivamente é complicado fazer jus à obra de arte que é o primeiro. Como me conheço um pouco, estou seguro de que a curiosidade falará mais alto.

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