ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS (CRÍTICA)

140_00

Seis anos se passaram desde a Ordem 66 e o fim da Ordem Jedi (Star Wars Episódio III: A Vingança do Sith, 2005). O Império Galáctico precisa de uma arma definitiva capaz de minar qualquer ameaça ao seu domínio. Assim o responsável pelo projeto militar, o diretor Krenic, tenciona trazer de volta seu engenheiro-chefe, Galen Erso que se isolou arrependido de participar de um plano tão diabólico. Esta é a história por trás da construção da Estrela da Morte. Para ser mais exato, é a história de um grupo de soldados rebeldes que precisa reacender a esperança na Galáxia e, sem temer as consequências, deter a construção da “matadora de planetas”.

Para isso a Aliança Rebelde recrutará Jyn Erso, a filha sobrevivente de Galen. Ela, que fora criada pelo extremista Saw Guerrera depois que seu pai foi coagido a cooperar com o Império e sua mãe ser assassinada, é a única que pode unir as pontas soltas da trama. É preciso que Jyn entre em contato com Guerrera, pois ele tem informações cruciais sobre seu pai e o projeto da arma suprema do Império. Informações que podem mudar o destino da Galáxia. Na jornada, a amizade, a fé na Força e a esperança de um futuro melhor terão que ser reconstruídos no coração da Aliança Rebelde para um dia por fim na tirania do Imperador Palpatine, Darth Sidius. Sua confiança será depositada em um grupo de heróis totalmente inesperados tendo Jyn e o capitão Cassian Andor como líderes da missão Rogue One.

140_01

Título original: Rogue One.
Direção: Gareth Edwards.
Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy, John Knoll e Gary Whitta.
Duração: 2h 13min
Lançamento: 15 de dezembro de 2016.

140_02

Elenco: Felicity Jones (Jyn Erso), Diego Luna (Cassian Andor), Alan Tudyk (K-2SO), Donnie Yen (Chirrut Îmwe), Wen Jiang (Baze Malbus), Ben Mendelsohn (Orson Krennic), Guy Henry (Governor Tarkin), Forest Whitaker (Saw Gerrera), Riz Ahmed (Bodhi Rook) e Mads Mikkelsen (Galen Erso).

140_03

1. A HISTÓRIA DA ESTRELA DA MORTE
Podemos de dizer que o maior feito bélico do Império Galáctico é a arma suprema, a Estrela da Morte. Esta nave gigantesca em forma de lua e armada com um poderoso canhão laser canalizados por cristais Kyber (o mesmo utilizado para construção dos sabres de luz) é capaz de dizimar planetas inteiros. E isso chocou a todos que virão o Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), quando a princesa Leia Organa vê seu planeta natal Alderan ser desintegrado.

No entanto o Imperador já punha em prática a construção dessa nave devastadora há muito mais tempo do que imaginamos. Antes das Guerras Clônicas, ainda como Chanceler Supremo, notamos que os planos para a Estrela da Morte estavam nas mãos dos Separatistas que se retiraram diante da investida jedi na Batalha de Geonosis (Episódio II: O Ataque dos Clones, 2002). Isso nos dá indícios que os fabricantes droides estavam de alguma forma ligados ao projeto inicial como parte dos planos do Conde Dookan e Palpatine.

140_04

Isso se confirma no Episódio III: A Vingança dos Sith (2005). Primeiramente vemos que em seu gabinete o Chanceler Supremo Palpatine, dono de poderes emergenciais, analisa os planos da Estrela da Morte antes de uma conversa com Anakin Skywalker, futuro Darth Vader. Ao final da trama, quando o Imperador finalmente extinguiu a Ordem Jedi, tomou o controle total do que antes era a República Galáctica e converteu Anakin Skywalker em Darth Vader, o mestre e seu aprendiz admiram a construção do esqueleto da “Matadora de Planetas”.

Nessa cena ainda vemos que estão acompanhados pelo Grande Moff Tarkin, o impiedoso comandante da Estrela da Morte, e que desde as Guerras Clônicas conseguiu subir ao poder e estar cada vez mais perto tanto de Anakin como de Palpatine, como nos mostra a série animada Clone Wars (Episódios 3×15-3×17; 5×17-5×20).

140_05

Treze anos antes da Batalha de Yavin, na qual a Estrela da Morte seria destruída por Luke Skywalker (Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), o diretor Orson Krennic precisa reconduzir o engenheiro-chefe, Galen Erso, ao trabalho na arma suprema. Erso se exilara com sua esposa e filha Jyn em um planeta afastado, Wobani (um anagrama para Obi Wan), para viver uma vida simples como fazendeiro. Mas o projeto não pode prosseguir sem Galen. Então Krennic, acompanhado dos impiedosos Troopers da Morte, precisa coagir seu antigo subordinado a voltar para construção da Estrela da Morte. O resultado é desastroso: o engenheiro é forçado a retornar, sua esposa Lyra Erso é assassinada diante de seus olhos e sua filha precisa se esconder e esperar pela ajuda de Saw Guerrera, amigo da família e a esperança de sobrevivência da menina. Desta forma a Estrela da Morte caminha para sua conclusão de forma irremediável para a Galáxia.

140_06

2. QUEM É SAW GUERRERA? (Spoilers não comprometedores)
Simplesmente: ele é rebelde até para Aliança Rebelde! Sim, um extremista capaz de fazer atos inomináveis tais quais o Império. Já havia causado diversos problemas a Aliança (que não são mencionados no longa-metragem) e que acabou tendo uma mente perturbada e tendo parte de seu corpo sobrevivendo por meio de implantes robóticos e sistemas de vida. No entanto plenamente atuante e com sua base escondida no planeta Jedha, outrora lar de um dos maiores templos Jedi.

Antes de tomar conta da pequena Jyn Erso e se tornar uma espécie de pai adotivo, ele esteve a frente, ainda muito jovem, de um frente rebelde contra o domínio separatista de seu planeta Alderon. Planejava conquistar a capital Isis e destituir o poder vigente com ajuda de sua irmã e do Conselho Jedi. No entanto, a Ordem não quer se envolver diretamente no conflito civil apenasse limitando a treinar a Aliança Rebelde a agir de forma militar e coordenada.

Depois que se infiltram na cidade, os jedis acabam deixando Ahsoka Tano como conselheira estratégica, informal da nova líder Rebelde Steela Guerrera, irmã de Saw. Mesmo reconduzindo ao governo seu líder legítimo, Saw Guerrera perde muito com a vitória sobre os Separatistas. Apesar de Alderon ter recuperado a paz e voltado ao seio da República, Saw Guerrera perde sua irmã. Esse sacrifício endurece ainda mais o coração do rebelde e talvez seja o motivo de sua ações extremistas como a Aliança Rebelde o caracteriza em Rogue One. Esses fatos, contados na série animada Clone Wars (5×02-5×05), também nos remete a própria origem da Aliança Rebelde e coloca Saw como um de seus fundadores.

Assim Saw Guerrera é encarregado pela força das circunstâncias a criar e educar Jyn Erso, que cresce entre os ataques e planos terrorista de Guerrera. É forjada na iniciativa Rebelde, mas passa a desacreditar nela desde que Saw a abandona temendo que a usassem para feri-lo. Desde então ela passa a viver sem se importar com nada, neutra e cometendo crimes. Presa, acaba sendo solta pela Aliança Rebelde, pois é a única que pode entrar em contato com Saw Guerrera e sobreviver. E o líder extremista é o único que possui uma mensagem secreta de seu pai, Galen, que foi enviado por meio do piloto, Bodhi Rook.

140_07

3. UMA MISSÃO SUICIDA (Alerta de Spoiler / pule para a conclusão)
Coagida a ajudar a Aliança em troca de sua liberdade, Jyn Erso se junta a Cassian Andor, um oficial capaz de qualquer coisa pela cauda Rebelde, e um androide do Império reprogramado K-2SO. Não há afeição ou confiança, mas eles precisam ir a Jedha encontrar Saw Guerrera e assim ter acesso ao piloto Bodhi Rook e a mensagem que ele porta de Galen Erso.

No caminho esbarram em dois antigos guardiões do templo de jedi, Chirrut Îmwe e Baze Malbus, que parecem sentir a Força permear as ações da jovem Erso. Assim após uma batalha são conduzidos a Saw Guerrera que finalmente revela o conteúdo da mensagem: Galen trabalhou por anos a fio na Estrela da Morte, mas deixou um falha capaz de por em colapso toda nave suprema. É preciso encontrar o engenheiro-chefe e se apossar desse segredo. Mas o fim do encontro com Saw é trágico: Tarkin ordena que Krennic teste o poder da arma em Jedha. Assim o primeiro ataque da Estrela da Morte dizima a cidade e com ela Guerrera que aceita de bom grado a sua morte e o fim de tantas lutas.

De posse da informação, mas sem a mensagem holográfica Jyn Erso tenta convencer a cúpula da Aliança Rebelde a ir ao encontro de seu pai em Eadu, locar de refinaria imperial de cristais kyber. Assim Cassian Andor, com a missão secreta de matar Galen depois de obter a informações, junto com K-2SO, Chirrut e Baze são guiados pelo piloto Bodhi. Mas novamente Jyn perderá alguém amado: seu pai morre em seus braços, mas deixa claro onde estão os planos de sabotagem da Estrela da Morte.

Novamente sem provas e somente sua palavra, Jyn Erso não consegue convencer a Aliança Rebelde de que em Scariff estariam os planos de seu pai. Não consegue fazer com que a cúpula apoie uma investida em massa a sede dos arquivos imperiais. Bail Organa, pai adotivo de Leia, bem como Raddus, o mon calamari, parecem acreditar na jovem, mas não aponto de arriscar uma ofensiva.

Assim Cassian, os guardiões do templo, Bodhi e K-2SO juntam-se a Jyn Erso para uma missão suicida: infiltrar-se com a nave roubada em Scariff e roubar os planos que podem destruir a Estrela da Morte. Mas o que pode um grupo de Rebeldes e um pequeno destacamento de soldados contra uma das bases mais bem protegidas do Império Galáctico? Este plano suicida acaba por ser aqueles que Leia esconde em R2D2 no início de uma Nova Esperança, aqueles que indicarão onde Luke Skywalker deverá atingir para por fim a Estrela da Morte na batalha de Yavin.

Mas sabem Cassian Andor e seu grupo que tanto Krennic como Tarkin, já comandante da super arma, encaminham-se para Scariff e contarão com a ajuda de ninguém menos que Darth Vader que se encontrava em Mustafar, seu covil e lugar onde fora derrotado por Obin Wan Kenobi no Episódio III: A vingança dos Sith (2005). Mas talvez, como a própria Jyn afirma:

As rebeliões começam com esperança.

140_08

4. A CRENÇA NA FORÇA
Jyn Erso não acredita em mais nada. Sua mãe antes de morrer lhe afirma para confiar na Força. Neste filme o conceito de Força é amplamente abordado, mesmo que nenhum jedi apareça em cena, somente Darth Vader e seu uso sombrio do Lado Negro. Nesse sentido é uma época decadente para quem acredita nela.

O lugar de um dos mais poderosos templos da Ordem, a planeta Jedha, não passa de uma grande mina de cristais Kyber. Tudo referente a era gloriosa dos jedis está em ruínas e até uma imensa estátua de Cavaleiro e os restos do templo da ordem servem esconderijo para o bando de Saw Guerrera.

Mas o sentimento místico da Força ainda permeia as ações dos guerreiros do bem. Apesar de Jyn Erso só ter como lembrança um cristal kyber como pingente de um colar e as palavras de sua mãe, a Força encontra um jeito de envolvê-la. É assim que ela trava contato com dois antigos guardiões do Templo: Chirrut Îmwe e Baze Malbus. O primeiro é cego e exímio com a luta com os bastões, um crente fervoroso nos desígnios da Força; o segundo, tornou-se um descrente mesmo nutrindo um amizade com Chrirrut, confia mais no seu rifle de blaster do que em algo invisível.

Rogue One restabelece a ideia da força como algo místico e religioso, mostra como os povos comuns passaram a crer como algo que os leva para o bem. Esse sentimento é o que marca os Rebeldes em sua luta contra o Império, cujos maior expoente são os esforços de Luke e Leia Organa. Assim a história de Jyn mostra que a crença na Força não era exclusividade de Jedi e Sith nem simples contagem de mindiclorianas (explicação de George Lucas que acho forçada e digna de pouca ênfase), porém algo análogo a esperança para cada ser vivo da Galáxia. Ou seja, a Força como filosofia jedi morrer com seus cavaleiros, mas permanece viva nos homens comuns como a fé em um futuro melhor.

Por isso não tem como não se emocionar com o mantra repetido por Chirrut Îmwe a cada momento do filme até seu derradeiro suspiro e os último momentos de Baze Malbus, recuperando a fé perdida:

Eu estou com a Força e a Força está comigo.

5. EASTER EGGS

  • 140_09O laser da Estrela da Morte: é a última parte adicionada à arma suprema original para torná-la completa em Rogue One. No entanto segunda Estrela da Morte (Episódio VI: O Retorno do Jedi, 1983), tem seu laser já conectado (e totalmente operacional), mesmo quando a superestrutura da estação ainda estava incompleta.
  • 140_10Rebels, série animada: em uma cena em Yavin IV, um locutor pode ser ouvido chamando um “General Syndulla”. Refere-se a Hera Syndulla a piloto twi’leks da Ghost no desenho animado. A própria nave está presente tanta na base rebelde em Yavin 4 como na batalha final em Scariff. No entanto não existe nenhuma perspectiva do arco Rebels se tornar um filme live-action.
  • 140_11Arquivos 1: Rastreando no hiperespaço – Há menção a uma tecnologia imperial secreta usada pela Primeira Ordem em Star Wars: Os Últimos Jedi (2017). Um tópico chamado “Rastreamento do Hiperespaço” diz respeito a tecnologia que permite à Primeira Ordem perseguir a frota da Resistência, mesmo quando eles viajam pelo hiperespaço.
  • 140_12Arquivos 2O Sabre Negro – Quando Jyn está procurando os planos da Estrela da Morte no cofre, ela lê “Darksaber” ou “Sabre de Luz Negro”. A arma O Darksaber é uma espada de energia criada pelos primeiros Jedi Mandalorianos. Foi visto na série animada Clone Wars nas mãos de Pre Vizsla (4×14, 5×14-5×15) e, mais recentemente, na série O Mandaloriano (1×08). Ainda há referências a arma em Rebels no qual Sabine Wren a maneja e a presença dele no game Star Wars: The Force Unleashed (2008).
  • 140_13O nome Rogue One é o codinome que Bodhi Rook inventa para usar a nave imperial roubada que os rebeldes para missão em Scariff. Rogue Two é o codinome do piloto rebelde que encontra Luke e Han em Hoth no Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980).
  • 140_14A Cidadela e o Planeta Scarif, onde os dados imperiais são armazenados, é uma reminiscência do planeta Rakata Prime, que apareceu pela primeira vez no videogame Star Wars: Knights of Old Republic (2003).
  • 140_15As consequêcias para o Episódio IV (1977) – A Batalha de Scarif ajuda a explicar por que a Aliança Rebelde só conseguiu reunir cerca de trinta caças estelares para atacar a Estrela da Morte (Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977). Também explica por que eles deixaram Luke, um piloto sem experiência em X-Wings, se juntar ao ataque. A batalha final com para auxiliar Jyn e seu grupo esgota severamente o corpo de caças Rebeldes e seu líder, o general Merrick, é morto em ação. Luke é recrutado para substituir o Red 5, que também foi morto em Scarif. A batalha também acrescenta peso à advertência de Luke a Han de que os rebeldes “… poderiam usar um bom piloto como você, você está dando as costas a eles”.
  • 140_16O Imperador aumenta seu poder – Ainda em relação Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977), o governador Tarkin anuncia que o Imperador dissolveu o conselho permanentemente e que todos os territórios são diretamente controlados pelos governadores regionais. Embora o motivo dessa decisão nunca tenha sido explicitamente declarado, é provável que o Imperador tenha feito isso em resposta direta à batalha de Scarif, que ocorre no final deste filme. Como este foi o primeiro ataque aberto da Aliança Rebelde ao Império, ele provavelmente a usou como uma desculpa para implementar alguma forma de lei marcial em toda a Galáxia e se livrar do último órgão governamental da República que estava entre ele e o poder absoluto.

6. CURIOSIDADES HISTÓRICAS

  • 140_17Bomba Nuclear – O pai de Jyn, Galen Erso, é inspirado em J. Robert Oppenheimer, o pai da bomba atômica. Pois os dois homens compartilham o mesmo fator de culpa de se tornar um agente da morte por construir uma arma de destruição em massa.
  • 140_18Guerras reais – Para conferir a aparência pretendida das batalhas na superfície, o diretor Gareth Edwards e a equipe de design simplesmente resgataram fotos da Segunda Guerra Mundial e do Vietnã, substituíram os capacetes do exército por capas de rebeldes e adicionaram X-Wings nas fotos. Eles também desenharam storyboards inspirados em fotos das zonas de conflito do Oriente Médio. Foi a inspiração definitiva para o estúdio prosseguir com os detalhes do conflito.
  • 140_19Batalhas no PacíficoOs soldados da Aliança Rebelde na batalha por Scarif são vistos usando capacetes M1, um tipo usado pelas forças armadas dos EUA de 1941 a 1984. Isso mostra que a cena é inspirada em batalhas travadas em ilhas tropicais como Tarawa e Pelelui no Pacífico. No entanto a locação real fora as Ilhas Maldivas no Oceano Índico.
  • 140_20Che Guevara? O personagem de Saw Gerrera parece ser uma homenagem ao combatente da liberdade argentino, Ernesto ‘Che’ Guevara. Ambos os homens foram considerados extremistas em suas batalhas contra as ditaduras, resultando em visões contraditórias de seus legados.

CONCLUSÃO
Este é um filme de guerra. É um filme sobre uma causa maior. É meu preferido quando se refere aos longas criados a partir do momento que a franquia passou as mãos da Disney. Um dos primeiros pontos é a consciência de como o Império Galáctico pode ser mortal em suas ações. Os Stormtroopers, que nos parecem tão patéticos na trilogia original e que são tão facilmente enganados e mortos por Luke e seus amigos, aparecem letais nesse longa-metragem. Realmente uma força a ser temida. Mas também os Rebeldes são extremamente heroicos e com táticas militares invejáveis.

Mesmo não tendo em cena nenhum jedi, a Força está lá e as informações serão passadas a Obi Wan em seu exílio. Este filme é justamente o fundamento para entendermos com mais propriedades as lacunas de Um Nova Esperança (1977), pois se passa alguns dias antes deste filme. Assim detalhes como Leia é presa, como os planos passam a R2D2 e a história de morte e sacrifício por trás dessas sutis ações. Como também explica fatos maiores como Tarkin no comando da Estrela da Morte, o primeiro planeta a ser destruído ser Alderam, lar de Bail e Leia Organa, entre outros fatores.

Considero um filme obrigatório para as novas gerações que querem adentrar na trilogia clássica sem ficar boiando nas referências. Não que um fã de velha data precise dele para amar a vitória de Luke sobre a Estrela da Morte, mas Rogue One nos apresenta uma ótica poética e bonita que serve de fundo para os episódios IV a VI da franquia. E acredite ao ver esse filme, caro leitor, não perderá seu tempo, pois, afinal: você estará com a Força e a Força estará consigo.

Barra Divisória

assinatura_marco

BAAHUBALI 2: A CONCLUSÃO (CRÍTICA)

128_00

ATENÇÃO! De forma alguma leia esta crítica sem ter visto Baahubali: O Início primeiro, isto está repleto de spoilers! Afinal, os dois filmes são sequências diretas e não podem ser dissociados.

SINOPSE
Mesmo sendo criado por uma humilde tribo e por pais amorosos, Shivudu sempre buscou compreender sua verdadeira origem, e para isso ele superou grandes desafios, alcançando o até então desconhecido reino de Mahishmathi no topo da montanha. O que era apenas uma curiosidade que tomava como inspiração uma ilusão, fez revelar uma enorme decepção. A desigualdade e a injustiça imperava sobre um povo que clamava por salvação, então o filho de Baahubali, junto aos resistentes contra a tirania, ascendeu como Shiva buscando por restauração. O que Shivudu tocou se iluminou, e o que não bastava apenas sua vontade, ele tomou com fúria para recobrar o equilíbrio. Sem saber se destinado a nada, cumpriu como o Ganges seu caminho, devastando tudo para que se reconstituísse. Encontrou e libertou Davasena, sua mãe biológica, que mesmo sendo física e psicologicamente torturada, se manteve firme como uma verdadeira progenitora de um Deus, e que sabia que a Salvação um dia viria. Shivudu encontrara alguns dos personagens que poderiam fazer entender sua real história, e era chegada a hora de compreender definitivamente qual a sua herança e responsabilidade com Mahishmathi. O que seu pai havia vivido, pelo que lutou, conquistou, e quais os reais motivos que levaram a sua morte prematura. Shivudu queria saber tudo para compreender a melhor forma de mudar o futuro de seu povo como um verdadeiro herdeiro e merecedor do trono, como a Rainha Sivagami um dia profetizara.

128_01

COMENTÁRIOS
Depois de Baahubali: O Início (2015), Tollywood sentiu novamente o gostinho de estar entre os holofotes do mundo com a sequência da sua super produção épica de fantasia. Aqui pelo Brasil não tivemos a oportunidade de assistir esse blockbuster indiano nos cinemas, mas nos Estados Unidos Baahubali 2: A Conclusão ficou em terceiro lugar nas bilheterias por uma semana. Talvez você tenha estranhado o termo “Tollywood”, então explico. O cinema indiano é dividido em dois grandes polos de estúdios cinematográficos (e muitos outros menores), a já tradicional e conhecida Bollywood, de Mumbai, que tem como o idioma o hindi, e Tollywood ao sul do país, que tem como língua o telugu. E não apenas com a dobradinha Baahubali, mas Tollywood já superou a gigante rival algumas outras vezes com outras produções.

128_02

Enquanto em Baahubali: O Início assistimos o retorno de Shivudu à suas origens, mesmo que sem saber, nesta sequência somos inseridos nos acontecimentos da geração anterior, mostrando detalhadamente os passos de seu pai. E é aqui que a coisas começam a ficar bem loucas de se entender. A primeira coisa que você precisa tomar ciência é que os atores são os mesmos entre filhos e pais, e isso vale tanto para Shivudu, o filho visto no primeiro filme, com ralação ao pai, Amarendra Baahubali, interpretado por Prabhas, quanto para seus antagonistas, Bhallaladeva e seu pai, interpretado por Rana Daggubati. Compreendido isso e nos acostumando com a ideia, não apenas fica mais fácil, mas é a única forma de montar o entendimento de tudo. Mas de qualquer forma encurto um pouco e conto, este, diferente do primeiro filme, é algo muito mais simples de se acompanhar. Enquanto em Baahubali: O Início se fazia necessário montar um enorme cenário, em Baahubali 2: A Conclusão a coisa é bem mais direta, e o que temos nele é um drama romântico (ainda de proporções épicas) com ar de tragédia, porém com bastante comédia e ação de altíssimo nível.

128_03

ENREDO COMENTADO / MUITOS SPOILERS
PULE PARA A CONCLUSÃO OU FICHA TÉCNICA!

Como dito antes, esta segunda parte não tem muito segredo. A proposta aqui é contar como Davasena e Amarendra se conheceram, se apaixonaram, e tiveram suas vidas dificultadas pela inveja e ciúme de Bhallaladeva, que manipulava o amor de sua mãe, a Rainha Sivagami, para sabotar o irmão. E o que temos é uma sucessão de eventos em que Bhalla, frustrado por não ser tão íntegro quanto Amarendra, recorre aos sentimentos mais obscursos de seu interior para frustrar a felicidade do irmão. Simbolicamente é como a história de Caim e Abel original do Gênesis, mas com um desfecho levemente mais complexo e dramático.

128_04

Buscando conhecer mais de perto as dificuldades do mundo real onde seu povo vivia, Amarendra sai em peregrinação com Kattappa, seu tutor e amigo. Amarendra Baahubali não era uma criatura comum, seu senso moral era de um verdadeiro Deus. Ao mesmo tempo que aplicava simplicidade na busca pelo respeito por todos ao seu entorno, sabia exatamente o que era certo e o que era errado. Caminhando aos arredores de Kuntala, uns dos reinos vassalos ao império de Mahishmathi, Amarendra vislumbra Davasena. Uma criatura angelical que tomou dele toda a atenção, fazendo-o se apaixonar perdidamente. Não queria se postar como O Grande Baahubali, se fez de tolo e fraco, sua meta era surpreende-la por ser apenas quem era, não o que tinha ou de onde vinha. Não importava para Davasena que aquele fosse apenas um homem bobo e sem títulos, ela enxergou nele apenas o que ele era, uma infinidade de integridade que príncipe algum se mostrara antes.

128_05

Sabendo do interesse do irmão por Davasena, Bhallaladeva manipula a situação exigindo que Sivagami a lhe desse como esposa, uma vez que a Rainha não sabia do romance de Baahubali com a moça. Davasena nega o pedido. Como uma mulher imponente e independente, não deixaria que outro decidisse por sua vida, e tal ato não passava de insolência para Sivagami, que ordenou um imediato ataque contra Kuntala. Porém a cidade estava guardada pelo maior guerreiro de toda Mahishmathi, Baahubali, que com ferocidade e inteligência guardou o reino de sua amada. Ele não sabia os motivos do ataque, e seu único interesse era retornar para Mahishmathi, apresentar Davasena, e tomá-la como sua rainha no trono. Numa belíssima cena lúdica e musical, com direito até a barco voador, o casal retorna ao reino de Baahubali, onde no palácio real todos os aguardavam. Para surpresa de Baahubali as coisas eram mais confusas do que ele esperava, os traiçoeiros planos de Bhallaladeva intencionavam gerar a instabilidade emocional de Sivagami, que não se via como boa mãe em repartir privilégios. Baahubali era o Rei, e Bhallaladeva, que se vitimiza de forma velada para arrancar a empatia da Rainha Mãe, a colou na posição de ser obrigada a tomar Davasena do melhor filho, ou tirar seu título de Rei. Davasena não se submeteu mais uma vez ao luxo da ordem de Sivagami, era mulher de Baahubali, e não estava interessada em Bhallaladeva. Essa mais nova insolência incurtiu na ordem real por sua prisão imediata, que fora impedida de imediato por Baahubali. Amarendra Baahubali não deixaria que ninguém tocasse em sua mulher.

128_04

“Se encostarem a mão em Davasena, sofrerão a ira da espada de Baahubali.”

A discussão causou instabilidade na realeza, e seria agora após Sivagami ser derrotada moralmente pelo juízo imaculado de Baahubali, que Bijjaladeva articularia manipulando para que seu filho Bhallaladeva tomasse o trono. Sivagami estava dividida e ferida, o que facilitou para que decidisse em retirar o trono de Baahubali e assim coroar Bhallaladeva, uma vez que as opções não existiam para o campeão de Davasena.

128_07

Baahubali era o encarregado de organizar a coroação do irmão, então como Ministro de Guerra movimentou todo o aparato para saudar o novo Rei de Mahishmathi, Bhallaladeva, filho de Bijjaladeva e Sivagami Devi. Sivagami sabia que pecara com seu melhor filho, e não conseguia enfrentá-lo olhando nos olhos. Baahbubali não se importava nem mesmo de sacrificar a própria existência por seu povo ou por Sivagami, porém quando se une a Davasena, outro ser tão Divino que o completa e o eleva, não se tratava mais apenas de si. Amarendra era o Rei, O Verdadeiro Rei, e não importava se Sivagami dera a ele uma escolha injusta. O trono ou Davasena? Poder não importava para Amarendra Baahubali, isso era apenas um título, escolhera sem titubear a mulher que amava. Mas isso não mudava nada, para seu povo Baahubali era o verdadeiro rei. A verdadeira personificação de Shiva na Terra. E a voz do povo não se escondia, todos saudavam por ele, todo esse amor criava ainda mais inveja no interior de Bhallaladeva.

128_08

Mas algo não poderia ser tolerado, Davasena aprisionada pelas ordens da sua família? Inaceitável! A ira do Deus Rudra, o protetor das terras e dos mares se apossou de Amarendra. Davasena acorrentada e subjugada por um ato tirânico da Rainha Sivagami que estava cega pelos jogos psicológicos de Bhallaladeva, fazia emanar a imponência de Amarendra. Aquela mulher levava dentro de si um filho de Amarendra, e isso fez acordar um Baahubali tão eficaz na destruição, como quanto sempre se mostrou para atos pacíficos. Ouvindo as acusações de Setupaty, um subalterno da realeza, num julgamento real em desfavor de Davasena, Amarendra assolava o locutor. Não importava os alarmes de Bhallaladeva, que ocupava o trono, Baahubali sabia o que era certo ou errado, e ele desafiaria até mesmo Deus para defender sua mulher e filho. Amarendra ainda não compreendia os detalhes de sua prisão, e não queria ouvir daquele qual sua mulher ferira ainda sem conhecer a razão. Sabia quem amava, sabia que sua integridade provinha da pureza, então deixa que Davasena explique. Tentar ser assediada custou os dedos de Setupaty no julgo de Davasena, mas para Baahubali ainda era pouco. E ignorando todos os ritos, pune decapitando aquele que ousara, não apenas por tentar ferir a honra de sua mulher que mesmo sozinha soube se defender, mas de todas as outras de Mahishmathi. Corta por si mesmo as correntes que aprisionavam sua esposa e conclui por si só aquele julgamento. O ato fora reprovado por Sivagami, que mais uma vez de forma injusta decreta o banimento dos dois de Mahishmathi por não respeitar as tradições e ordem do Rei.

128_09

Mais uma vez Baahubali mostra sua grandeza, e com humildade aceita a ordem da Rainha Mãe Sivagami. Isso não mudava nada para Amarendra, agora ele estaria ainda mais próximo como um cidadão comum daqueles que amava, e um rei destronado ainda é um rei quando recebe a glória de seu povo. Se livrando de todas as amarras da nobreza, Davasena e Amarendra se unem de bom coração e são recebidos com amor por toda a plebe de Mahishmathi, e trabalhando junto ao povo também dividiam seus conhecimentos com todos que queriam aprender. Pôde então ver ainda mais de perto os detalhes do sofrimento que se mantinha oculto enquanto vivia recluso em palácios, se inspirando assim em ajudar para melhorar a qualidade de vida daquelas humildes pessoas.

128_10

A  inveja de Bhallaladeva chegava no extremo final, onde conspirava pela morte de Baahubali, Davasena, e do filho que levava dentro de si, fazendo-o contrariar até mesmo o pouco de juízo do próprio pai. Kumara Varma, guerreiro e amigo de Baahubali que antes guardava por Davasena em Kuntala, ouvira todo o plano. Se aproximou de Bijjaladeva com compaixão pelo pai que fora maltratado, mas tudo não passava de uma grande encenação ainda não revelada. Bijjaladeva incitou Kumara Varma para que atentasse contra a vida de Bhallaladeva, porém entregou-o a adaga de Baahubali para que cometesse o assassinato do próprio filho pela paz de Mahishmathi. Imaturo Kumara Varma aceitou acreditando estar fazendo um mal para fazer o bem, mas fora traído e morto por Bijjaladeva com fim de incriminar Baahubali a pena máxima de conspirar pela morte do rei. Uma terceira grande decisão para a Rainha Mãe, principalmente por saber que a morte de Baahubali traria o caos para toda Mahishmathi. Então a covardia suprema e arrojo da culpa é lançado com todo peso em Kattappa, o obediente escravo real que cuidara e treinara Baahubali por toda a vida. O amigo leal mais próximo de Amarendra Baahubali. Sivagami tão cega com tudo mostra duas opções a Kattappa, ou ele mata Amarendra, ou ela mesma o faz. Chorando e relutando ele aceitar cometer o crime supremo, não queria ver seu melhor amigo sendo morto pela própria mãe.

128_11

Duvidando da lealdade de Kattappa em cumprir a sórdida missão, Bhallaladeva e Bijjaladeva colocaram-no como isca para atrair Baahubali, que após salvá-lo de uma fogueira, é alvejado por uma violenta chuva de flechas. A grandeza de Amarendra Baahubali era tamanha que se colocou como escudo para Kattappa, que ainda estava ferido e de mãos atadas. Baahubali se ergue, como um guerreiro imortal. Quebra todas aquelas flechas das costas como se não fossem nada, e encara um inimigo desconhecido no horizonte da madrugada. Eles eram muitos, mesmo que forte estava ferido, e precisava remover Kattappa daquele lugar. Tomou o amigo nos braços e o levou para um lugar seguro. Kattappa dizia que ele precisava fugir, não explicava a razão, mas Baahubali entendia a aflição daquele homem. Sabia de seu sacrifício, assim como Jesus quando traído por Judas. Fazia parte do Grande Plano, e Amarendra Baahubali sabia que renasceria. Sua morte não era o fim, mas um novo início. Do pai, um novo homem renasceria. Ele só precisava de uma coisa, manter Kattappa vivo, aquele que ascenderia o seu sangue numa nova era que viria.

128_12

“Mesmo que eu quisesse abandoná-lo, você prometeu segurar o meu filho nos seus braços.”

Amarendra Baahubali era uma verdadeira divindade. Shiva na Terra. Agora, o Deus da Destruição. Limpou todos os oponentes para deixar caminho livre para Kattappa. Lançou-no uma espada, que fora servira para cortar sua própria carne. Amarendra caiu, mas caiu entendendo a razão. E pedindo para que Kattappa cuidasse de seu filho e sua mãe. Seu melhor amigo o tomou essa vida, mas deveria cuidar da próxima. Era uma promessa.

128_14

Como um espectro aterrorizante, Kattappa surge na entrada do salão real onde apenas a Rainha Mãe estava imóvel encarando o vazio. Abatido pela traição ao melhor dos melhores em favor da lealdade a um reino sujo por injustiças, o guerreiro arrasta sua espada com o sangue divino. Mancha as mãos de Sivagami com último sopro de vida de Amarendra, para que sinta o peso de sua decisão mergulhada em tantas vaidades de uma mulher poderosa. Ainda assim tentando repreende-lo, Sivagami é silenciada duramente por Kattappa, que profere claramente que a Rainha cometera um erro. Se deixou cegar pela raiva por Baahubali, e foi manipulada todo o tempo por Bhallaladeva. E seu ego fora devastado ao saber sobre o último pedido de Baahubali:

“Cuide da minha mãe.”

128_15

Antes mesmo de pensar em Davasena ou mesmo Shivudu que estava por nascer, era sua mãe a maior preocupação. Pois Ele sabia, da dor que viria e, consumiria as profundezas da alma de Sivagami. Saltando num precipício de angústia a Rainha de antes, soberana em postura, desaba ao rememorar o quanto aquele filho, que ao menos era biologicamente seu, era especial. Mas é interrompida de suas reflexões por Davasena, que já com seu bebê nos braços, entra no salão real. Kattappa não esconde o peso da vergonha que sentia, e revela à Davasena o maior pecado de sua existência. Incitada por Bijjaladeva a matar seu neto para o povo não almejar um inquisidor, Sivagami caminha e se abaixa humildemente aos pés de Davasena. Revelando o erro de não ter enxergado as virtudes do homem pelo qual ela lutou e tanto amou, e que agora caía em desgraça. Sivagami sabia não ser possível pedir ou ser perdoada pelos pecados que cometera.

128_16

Bhallaladeva pede a mãe que acalme o povo comunicando oficializando a morte de Baahubali e, Sivagami com grande vigor se ergue, toma o neto no colo, e vai até a borda do palácio, onde comunica a morte de Amarendra. Buscando revogar para consertar todos os seus atos egoístas e mal pensados, ergue o bebê, e comunica que o novo Rei seria “Mahendra Baahubali!” O povo grite em vozes de glória por vida longa a Mahendra Baahubali. Num ato de impedir a insurreição de Baahubali, Bhallaladeva ordena a captura de Sivagami, que é defendida por Kattappa para fugir com Mahendra em seus braços, mas ela ainda precisava salvar Davasena que havia instantes antes dado a luz. Sem mais forças Davasena diz que a dor de perder o marido vai passar, mas que seu filho deveria viver para um dia voltar e libertar Mahishmathi. Sivagami então consegue escapar por uma passagem secreta e alcança o exterior do reino, quando orientado apenas pelo ódio, Bhallaladeva usa de um arco para ferir mortalmente com uma flecha a prória mãe, ainda com Mahendra no colo. Os dois caem num córrego da cercania. Bhallaladeva não tinha limites, e o ódio que tinha por Davasena o fez reduzir Kuntala às cinzas, e aprisionar perpetuamente a mulher de Baahubali. Seu desejo era possuir tudo o que Baahubali conquistava com sua natureza perfeita, mas o coração de Davasena não seria jamais ocupado por um ser tão vil.

128_17

Todos acreditavam que Mahendra havia morrido, mas Sivagami rogou a Deus para que a punisse em sacrifício pela vida de seu neto. E Shiva atendeu. Foram longos 25 anos de espera pelo retorno de Baahubali, e Davasena nunca duvidara do seu retorno. Sua fé era inabalável, Mahendra era Amarendra, a reencarnação do Deus que amara como homem, e em nova vida tem como filho. E agora era o momento do juízo final, Shiva retornava para libertar seu povo dessa maldição! Baahubali reúne seus seguidores para que lutem unidos a ele para enfrentar a tirania de Bhallaladeva, e avança em direção a Mahishmathi com seu pequeno exército de homens simples. Durante o calor da batalha Bhallaladeva avança pela multidão, captura Davasena e foge em sua biga com o encalço de Mahendra. Após entrar nos enormes portões a ponte é levantada, mas Baahubali salta e é atingido no meio do peito por uma flecha desferida por Bhallaladeva. Uma chuva de milhares de outras flechas é disparada, mas Kattappa e seus aliados protegem com escudos a integridade de Mahendra. A crueldade não tem fim, Bhallaladeva não se importa em tirar a vida nem mesmo de seus próprios soldados. Mahendra Baahubali estava irado por Bhallaladeva tomar sua mãe, já estava agindo de forma cega, mas Kattappa o acalma para que pense. Para que pense como um Baahubali.

128_18

Saltando de forma improvável, Baahubali, Kattappa, e mais quatro guerreiros são lançados para dentro das muralhas de Mahishmathi. Com o plano tendo funcionado, outros guerreiros também se atiram para acessar e lutar no interior da cidade. Mahendra sozinho arrebenta as enormes correntes que erguiam a ponte de acesso, fazendo que todos os seus que ainda não haviam entrado pudessem passar. Com toda fúria Mahendra Baahubali investe contra aqueles que açoitavam sua mãe, e pede para que sua mulher, Avanthika, ajude Davasena a acender a pira funeraria que alimentou por anos, galho a galho.

128_19

Bhallaladeva avança contra Baahubali em sua potente biga, e em duelo Mahendra distrói o veículo do tirânico irmão. A batalha vai para o solo, e a briga é feroz. Mahendra é mais forte, ágil e inteligente, mas o ódio de Bhallaladeva faz dele um oponente perigoso. Enquanto isso Davasena caminha com a chama em sua cabeça num ritual sagrado chamado “Prova de Fogo”, onde quem o conclui nunca mais experimentará a derrota. Bijjaladeva ordena que inflamem uma ponte por onde ela terá de passar, e atiram óleo e as chamas lambem com violência. Mas Davasena tem fé que nada irá impedi-la, e mais uma vez Shiva dá o seu sopro. Na voraz luta de Mahendra e Bhallaladeva, Baahubali destrói a gigantesca estátua em ouro do irmão, fazendo com que sua cabeça role, derrube a ponte em chamas, e se transforme num caminho para sua mãe pisar e chegar no outro lado.

128_20

A luta entre os dois irmãos se intensifica se tornando ainda mais sangrenta, o rancor de Bhallaladeva é tamanho que ele tenta arrancar o coração de Mahendra com as próprias mãos. Baahubali consegue se desvencilhar e é atirado longe, mas se levanta com um olhar sinistro encontrando as correntes que aprisionaram e machucaram sua mãe pode tantos anos. Com a angústia acumulada e o peso de honrar sua mãe, se torna monstruoso em combate, subjugando Bhallaladeva à miséria moral. Lança-o sobre a pira de galhos construída por Davasena, e dá um grande salto com sua espada, cravando-a em sua perna para que sua sua mãe ceife sua demoníaca alma nas chamas. E assim finalmente todo o sofrimento pela maldição da mítica Mahishmathi é chegado ao fim.

128_21

“Esta é minha primeira ordem com a Rainha Mãe como testemunha. No nosso reino aqueles que acreditam em trabalho e justiça andarão com a cabeça erguida. Se alguém pensa em fazer mal a essas pessoas, quem quer que seja, sua cabeça queimará no fogo do inferno. Esta é minha palavra. E a minha palavra é lei.”

128_05

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Prabhas, Rana Daggubati, Anushka Shetty, Tamannaah, Ramya Krishna, Sathyaraj, Nassar, Meka Ramakrishna, Subbaraju, Rakesh Varre, Charandeep Surneni, Adivi Sesh, Rohini, Nora Fatehi, Tanikella Bharani e Teja Kakumanu compõem o elenco. Criação de K. V. Vijayendra Prasad, Baahubali 2: A Conclusão, teve seu roteiro compartilhado com o também diretor e ator do longa S. S. Rajamouli. A superprodução indiana de 2017 é produzida por Shobu Yarlagadda e Prasad Devineni, utilizando os estúdios da Arka Media Works, assim como na primeira parte. O compositor M.M. Keeravaani também retorna, dando continuidade ao seu belíssimo trabalho . Seu orçamento foi de 38 milhões de dólares (₹2.5 bilhões), e teve um faturamento de 275 milhões (₹18 bilhões). O épico indiano de S. S. Rajamouli, é a segunda parte de uma duologia. Existem boatos de um terceiro longa, mas até o momento, fim de 2019, nada fora concretizado. O importante frisar é que o épico se fecha nestes dois filmes, onde conta primeiro a jornada de Shivudu, e no segundo a história de seu pai, Amarendra Baahubali.

CONCLUSÃO
Afirmo com total segurança que não existe absolutamente nada parecido com Baahubali, e não é para menos, é preciso muita ousadia e competência tanto para escrever a complexidade do seu roteiro, pensar o conceito e, colocar tudo em prática de forma tão grandiosa e funcional. Baahubali 2: A Conclusão abusa da teatralidade e estilo, amarrando com chave de ouro um dos épicos mais bonitos visualmente do cinema, mas que infelizmente será ignorado por muita gente pelo simples fato de ser um filme estrangeiro. Esse é aquele tipo de coisa que traz um sentimento de querer compartilhar com todos. Rasgo seda sim, e neste caso sem a mínima vergonha. Baahubali 2: A Conclusão tem classificação etária de 16 anos, e está disponível, junto de Baahubali: O Início, no serviço por assinatura Netflix.

assinatura_dan

HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS (CRÍTICA)

121_00

Situado 9 anos depois da ascensão do Império Galáctico (A Vingança dos Sith, 2005) e 10 anos antes da Batalha de Yavin, na qual a Estrela da Morte é destruída (Uma Nova Esperança, 1977), Han Solo: Um história Star Wars (2018) encara a tarefa de traçar as origens do famoso contrabandista e piloto da Millennium Falcon que foi eternizado pelo ator Harrison Ford na trilogia original.

Han, um órfão que cresceu pelas ruas de Corellia, vê-se obrigado a trabalhar para as gangues locais em companhia de seu amor de infância, Qi’ra. De posse do valioso coaxium, combustível espacial que quando refinado torna possível o salto no hiperespaço, o rapaz pretende subornar, enganar a tudo e a todos para fugir do planeta (sob domínio do Império e das máfias) para começar uma vida nova com Qi’ra. No entanto o destino os separa levando a caminhos diferentes: ele ingressa no Império, ela é presa pela máfia de Corellia.

Han Solo almeja voltar e resgatar sua amada, mas a sua jornada exigirá muita coragem e astúcia até reencontrar Qi’ra. Formará amizades eternas, como a de Chewbacca, e a rivalidade com Lando Calrissian, além de encontrar e pilotar pela primeira vez a Millennium Falcon. Han descobrirá que não pode ficar alheio à injustiça na Galáxia e a medida que foge das responsabilidades, mais perto estará de se opor ao Império Galáctico.

121_01

Título original: Solo: A Star Wars Story
Direção: Ron Howard
Roteiro: Jonathan Kasdan e Lawrence Kasdan
Duração: 2h 15min
Lançamento: 24 de maio de 2018

121_02

Elenco: Alden Ehrenreich (Han Solo), Woody Harrelson (Tobias Beckett), Emilia Clarke (Qi’Ra), Donald Glover (Lando Calrissian), Thandie Newton (Val), Phoebe Waller-Ponte (L3-37), Joonas Suotamo (Chewbacca) e Paul Bettany (Dryden Vos).

121_03

SOLO UMA ORIGEM
Qualquer fã fervoroso da franquia ficou apreensivo com um filme sobre Han Solo, o personagem mais célebre de Star Wars que não é nem jedi nem sith. Aliás é o primeiro filme em que os jedis não são sequer mencionados.

A fenomenal atuação de Harrison Ford na trilogia inicial é um daqueles bastiões da sétima arte quase impossíveis de ultrapassar ou manchar. O próprio Ford sabia disso e, mesmo adorando o novo filme, escolheu não participar da premiere com o resto do elenco a fim de deixar o jovem Han Solo, Alden Ehrenreich, brilhar. Então, ao se aventurar por este longa-metragem, encare como duas atuações diferentes, mas que o jovem Solo introduz a genialidade daquele que será essencial para a vitória Rebelde ao lado de Luke e Leia.

Como um filme de origem, o longa propõe elucidar uma série de fatos em torno da dupla Han Solo e Chewbacca que são aludidos a todo momento nos episódios IV a VI da franquia. Se o contrabandista tem muito de seu passado demonstrado nesse filme, mostrando uma infância e adolescência entre meninos de rua de Corellia, fato que o tornou um trapaceiro nato; o wookie (nome da raça do Chewie) já havia aparecido na saga. Durante A Vingança dos sith (2005) estava na frente de batalha contra a invasão clônica de Kashyyyk. Depois que Chewbacca ajuda o Grande Mestre Yoda a fugir, depois da ordem 66, pouca se sabe do grandalhão peludo.

121_04

Após fugir de Corellia, deixando sua amada nas garras de Lady Proxima, mafiosa local, Han Solo (que ganha esse nome de um oficial do Império pelo fato de ser “sozinho” e sem família) entra para academia militar para ser “o melhor piloto que já existiu”. Todavia é expulso por insubordinação e torna-se soldado da infantaria do Império em Mimbam. É no fronte, entre os Stormtroopers que Han conhecerá o bando de Tobias Beckett e na prisão militar, condenado a morrer pela “fera”, que lutará contra Chewbacca. Estão lançados aí os ingredientes básicos para a dupla Han e Chewie: ambos viram contrabandistas de Beckett para se salvar dos Imperiais, e Solo trava amizade com o wookie por ser o único a entender o idioma do grandalhão, pois aprendera enquanto vivia nas ruas de Corellia.

A última peça do quebra-cabeça é justamente a mitologia envolvendo a Millennium Falcon, prêmio de um jogo de cartas. Ao fracassarem em um roubo de coaxium, combustível espacial valiosíssimo, Beckett se vê me apuros pois deve a Dryden Vos, chefão da organização denominada Aurora Escarlate. Ao travar contato com o vilão, reencontra Qi’Ra, agora braço direito do mafioso. Para roubar o produto bruto, precisa ir as minas de Kessel e levar rapidamente a um refinaria no planeta Savareen. Para isso Qi’Ra sugere usar Lando Calrissian, contrabandista veterano e dono da Millennium Falcon, nave que ele já tinha conseguido por meio de trapaça durante uma partida de Sabacc, um jogo de cartas. Entre Han e Lando, rivalidade à primeira vista; com a Falcon, amor.

Por fim, não menos importante, conhecemos a famosa narrativa de Han Solo e Chewie para fuga de Kessel em 12 parsecs (uma rota de distância fixa dentro de uma nebulosa que leva normalmente 20 parsecs), algo que só foi possível por uma turbinada de coaxium com direto a fugir de uma fera espacial (Mandíbula) e um buraco negro. Uma das cenas mais eletrizantes do longa-metragem.

121_05

REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS
A produção de Han Solo: Uma história Star Wars, ao longo da trama, presta homenagem a algumas cenas clássicas do cinema aqui revisitadas pela ficção científica. Claro que uma das mais icônicas é justamente o olhar de despedida de Han e Qi’ra que muito se deve ao filme Casablanca (1942). Isso me chamou a atenção de imediato, mas outras referências estão ali. Leia algumas!

  1. 121_06Perseguição de “carros”Não é uma grade novidade em filmes estadunidenses, mas aqui é feita por speeders (planadores), algo visto também no Episódio II – O ataque dos clones (2002). Contudo a rápida perseguição a Han por Moloch, capanga de Lay Proxima, teve como inspirações as enormes docas industriais de Long Beach (Califórnia) e a icônica corrida de carros em Grease (1978), grande clássico de John Travolta.
  2. 121_07Guerra de trincheiraAs cenas em que Han experimenta o combate Imperial em Mimvan foram inspiradas pela guerra de trincheiras na Primeira Guerra Mundial e muito comum em filmes que retratam esse período como, por exemplo, a releitura do longa-metragem da Mulher Maravilha (2017) ou o clássico Pelo Rei e Pela Pátria (1964).
  3. 121_08Serviço Secreto em Ação (1967) – Ao desmontar um rifle, transformar na blaster clássica e jogar para Han Solo, Tobias Beckett faz referência ao filme de Frank Sinatra. Nele, o ator clássico desmonta um rifle baseado em uma Mauser C96 (designer que influenciou a confecção do blaster de Han). Aliás, ainda em relação ao armamento,  a pistola de Qi’ra é inspirada ligeiramente em uma obscura pistola da Segunda Guerra Mundial, a Mannlicher M1905.
  4. 121_09Butch Cassidy (1969)O filme de George Roy Hill serviu de inspiração para o assalto ao trem de Vandor. No clássico filme, Butch Cassidy e The Sundance Kid são os líderes de um bando de criminosos que depois de um assalto a um trem que dá errado, eles se veem em fuga com uma legião de perseguidores em seu encalço.
  5. 121_11Faroeste nas estrelasVandor representa a viagem em direção à nova fronteira, tipicamente vista no gênero faroeste. As Montanhas Rochosas, Chile, Patagônia e Dolomitas na Itália serviram de inspiração para a paisagem gelada do planeta. Mas não para por aí. A sequência do roubo do trem foi concebida, inicialmente, como um clássico filmes western, com o bando de Beckett (que tem um visual de cowboy) entrando no trem por meio de uma manada de kod’yak’s. No entanto a cena foi suprimida por causa do tempo de execução. Claro, e não podemos deixar der ver a cena da partida de baralho com trapaça em um saloon. Ao contrário de Maverick (1994) com Mel Gibson,  em Han Solo o pôquer é substituído por uma partida de Sabacc, mas contexto é semelhante.
  6. 121_12Cinemataca São muitos os ganchos para outros sucessos de Hollywood que são referidos nesse longa-metragem. Filmes como Profissão: Ladrão (1981), Fogo Contra Fogo (1995), O Homem que Burlou a Máfia (1973), O Salário do Medo (1953), O Comboio do Medo (1977), Fuga do Passado (1947), Os Implacáveis (1972), Meu Ódio Será Sua Herança (1969), O Paraíso Infernal (1939), Sete Homens e um Destino (1960), O Poderoso Chefão II (1974) e O Tesouro da Sierra Madre (1948) tiveram influência da história e do estilo no roteiro final de Lawrence e Jonathan Kasdan.

CURIOSIDADES

  • 121_13Antes da Nova EsperançaA cena de abertura em Corellia e a de Rogue One: Uma História Star Wars (2016), na qual Krennic leva Galen Erso, engenheiro chefe da Estrela da Morte, acontecem 13 anos antes dos eventos de Star Wars, Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_14A idade de ChewbaccaEste é o primeiro filme Star Wars em que Chewbacca revela sua idade: 190 anos. Isso significa que ele tem 200 anos em Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_15Caçadores de recompensaHá muitas referências aos Caçadores de Recompensa clássicos. Em uma conversa com sua esposa Val, Tobias Beckett discute sobre a possibilidade da ajuda de profissionais como a irmãs Zan (a mais conhecida tentou matar Padmé Amigdala no Episódio II – O Ataque dos Clones, 2002) ou Bossk, mercenário tradoshiano (recorrente na série animada Clone Wars, 2008) bem como um dos bandidos que treze anos depois seria contratado para rastrear a Millennium Falcon e seu piloto em O Império Contra-Ataca (1980). Lando menciona, ainda, que Tobias Beckett matou Aurra Sing, empurrando-a para a morte. Cabe lembrar que Aurra Sing foi uma caçadora de recompensas que apareceu pela primeira vez assistindo à corrida de pods no Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999) e que se tornou a mestra de Jango Fett como apareceu na série animada Star Wars: The Clone Wars (2008).
  • 121_16Indiana JonesNa nave de Dryden Vos, há mostruários de exibição e, entre todos os tesouros, alguns que podem ser reconhecidos por outra franquia de filmes: “Indiana Jones”. Há as Pedras Sankara de Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984), o ídolo da fertilidade de  Os Caçadores da Arca Perdida (1981) e também o próprio Santo Graal. Existem, também, relíquias da franquia Star Wars como uma armadura mandaloriana, holocron sith, entre outras.
  • 121_17Jabba, o HuttPor duas vezes, é mencionado o fato de Han se juntar a um grande chefe do crime em Tatooine para “um trabalho”. Provavelmente esta é uma referência a Jabba, o Hutt, que perseguirá o herói em O Império Contra-Ataca (1980) e será morto em O Retorno do Jedi (1983).
  • 121_18No capacete de Enfys Nest, líder dos Cloud Riders, está escrito um poema em Aubesh (idioma introduzido em O Retorno do Jedi, ). Sua tradução: “Até chegarmos à última borda, a última abertura, a última estrela, e não pode subir mais”.
  • 121_19BenthicOs Rebeldes que aparecem no final do filme incluem um guerreiro alienígena com uma máscara preta no rosto e dois tubos saindo de seu rosto. Este é Benthic, o segundo em comando de Saw Gerrera em Rogue One: Uma História Star Wars (2016). O personagem também apareceu em alguns quadrinhos após os eventos de Rogue One como tendo ocupado o lugar de líder Rebelde em Jedha e termina conhecendo os principais heróis trilogia clássica.

CONCLUSÃO: “Tudo que você ouviu sobre mim é verdade”
Apesar dos problemas de produção e troca de diretores, apesar da tensão e audácia de revirar e revelar a vida de um dos personagens mais amados do mundo Star Wars, Han Solo: Uma história Star Wars acaba sendo uma agradável surpresa.

O fato do filme não estar alicerçado, diretamente, na tensão mítica entre os Lado da Luz e o Lado Negro da Força, faz com que a história transcreva de forma leve, cheia de ação e com boa tiradas de humor. Não podemos comparar o humor irônico de Harrison Ford com o do jovem fã Alden Ehrenreich. O jovem Han Solo consegue preservar a nossa memória do herói da trilogia clássica, sem deixar de ter uma boa pitada de inovação.

Considero, desde que a Disney assumiu a franquia, um dos melhores filmes da nova fase perdendo apenas para Rogue One: Uma história Star Wars (2016). Claro que não podemos abstrair fato de que o filme em si é uma grande colcha de retalhos cinematográficos com muitas referências a história do cinema. No entanto isso não tira o mérito de modificar o nosso olhar e contextualizar as gerações atuais para um dos heróis mais queridos de Star Wars.

Para quem gosta da franquia, esse spin-off (produção derivada) não deixa a desejar no sentido que se conecta em muitos sentidos a toda mitologia “Guerra nas Estrelas” desde mostrar origens em torno de Han Solo e Chewie, como conectar a trilogia prequela (Episódios I, II e III) à trilogia clássica (IV, V e VI). Agora se você não é um fã, assistirá a esse longa como um bom filme de ação futurística e quem sabe até seja conquistado. Tudo vai depender SOLAmente de você, se vai querer conhecer ou não o maior piloto da galáxia e que fez o percurso de Kessel em apenas 12 parsecs.

Barra Divisória

assinatura_marco

O ÚLTIMO GUERREIRO DAS ESTRELAS (CRÍTICA)

113_00

SINOPSE
Alex Rogan é um adolescente que investe todo o seu tempo livre quebrando os próprios recordes em Starfighter, seu jogo de fliperama favorito. Certo dia o garoto é contactado por Centauri, um misterioso homem que revela ser o verdadeiro criador daquela máquina, qual tinha como finalidade treinar e recrutar hábeis pilotos para verdadeiras batalhas espaciais. Alex então é levado para um planeta alienígena muito distante da Terra, onde é colocado no front de uma violenta guerra. Lá o rapaz é colocado sob forte pressão, e descobre que suas habilidades não são tão especiais quando vidas reais estão em perigo.

113_01

COMENTÁRIOS
Trinta e cinco anos se passaram e, O Último Guerreiro das Estrelas (The Last Starfighter), que fora sucesso de bilheteria ao redor do mundo, ainda vive no imaginário de sua base de fãs. No Brasil era explorado ao máximo nas contínuas reprises de Sessão da Tarde, numa época onde junto com A História Sem Fim (1984), Krull (1983) e TRON (1982), alimentava o lado lúdico dos jovens bem mais inocentes que os de hoje. O Último Guerreiro das Estrelas é algo tão relevante, que agora mesmo, fim de 2019, existe uma sequência direta sendo escrita e produzida por Gary Whitta, co-roteirista de Rogue One: Uma História Star Wars (2016). Mas o que há de tão bom assim neste clássico de mais de três décadas de vida? E ainda hoje, seria algo para se ver na boa sem se incomodar com sua idade?

113_02

Quando foi lançado em 1984, era o que tinha de melhor em se tratando de efeitos especiais. Seus incríveis feitos só foram conseguidos graças aos recursos tecnológicos do Gray X-MP, o mais poderoso computador disponível na época com seus 16 MB de memória. O que um dia superou até mesmo o icônico TRON, hoje se tornou bastante datado, e vai precisar de muito desprendimento da modernidade para ser aceito pelos mais jovens. Mas sinceramente eu considero que isso não importa tanto, já que o seu maior mérito é sua ideia até hoje exclusiva. Jonathan R. Buetel acertou em cheio quando teve o estalo de mesclar o conto arturiano , com o do maior pontuador num fliperama construído com o único fim de selecionar o maior guerreiro da galáxia. As similaridades de roteiro com a de obras como E.T.: O Extraterrestre (1982), ou os filmes da franquia Star Wars, precisavam ser evitadas, isso fez com que os textos originais sofressem uma série de modificações. O resultado é uma aventura de ficção científica com muita identidade, e mostrando um humor bem espirituoso.

113_03

Seu maior ponto fraco são suas interpretações nada boas, e vamos ser sinceros aqui, atores bons em produções juvenis eram raridade naqueles tempos. Aqui temos Lance Guest, sempre canastrão em seus trabalhos, mas conseguindo ainda um pouco de crédito devido o fator nostálgico daqueles que eram crianças ou jovens adolescentes na época, e trazem alguma simpatia pelo cara. Eu em particular busco compreender qualquer obra considerando seu cenário original, e para a década de oitenta e começo de noventa, O Último Guerreiro das Estrelas é um filme totalmente aceitável. E acredite, para mim, ainda muito compensador de assistir, mesmo considerando todas as suas limitações e problemas.

113_04

LENDAS URBANAS
Muitas histórias e lendas urbanas se escondem atrás de O Último Guerreiro das Estrelas, desde um protótipo de jogo baseado no filme sendo feito para o Atari 5200 e que nunca deu as caras, até que o filme era baseado em Polybius, um outro famigerado jogo que causaria convulsões, amnésia e pesadelos naqueles que jogassem. Polybius seria um jogo fazia parte de um projeto secreto do governo americano para coletar “dados extrassensoriais” dos jogadores, e teria sido desenvolvido nos subúrbios de Portland, Oregon, em 1981. No fim das contas ninguém nunca conseguiu provar nada dessas histórias, mas que a criatividade do povo é algo sem limites, isso é.

113_05

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Lance Guest, Dan O’Herlihy, Catherine Mary Stewart, Norman Snow, Robert Preston, Kay E. Kuter, Barbara Bosson, Chris Hebert, Dan Mason, Vernon Washington, John O’Leary, George McDaniel, Adrienne Barbeau, Heather Locklear, Scott Dunlop e Peggy Pope compõem o elenco. Escrito por Jonathan R. Betuel, O Último Guerreiro das Estrelas é uma produção estadunidense de 1984 dirigida por Nick Castle. A aventura de ficção científica tem como produtores Gary Adelson e Edward O. Denault, que usam o estúdios da Universal Pictures. Seu orçamento é estimado em 15 milhões de dólares, e sua receita final de aproximadamente 28 milhões.

CONCLUSÃO
Quem já passou dos trinta com certeza conhece essa pérola da aventura e ficção científica que fazia todo moleque sonhar em passar pela mesma surreal situação. Para quem não conhece ainda, fica a dica para compreender o que era sinônimo de diversão para seus pais e tios. Procurem entender que as tentativas de efeitos especiais que com certeza te arrancará risos, um dia foram as coisas mais maravilhosas para alguém. O mundo evolui, e embora a arte faça o mesmo, cada uma delas tem sua posição contextual nas diferentes épocas.

Barra Divisória

assinatura_dan

BAAHUBALI: O INÍCIO (CRÍTICA)

092_00

SINOPSE
Ao pé de uma gigantesca queda d’água, uma mulher bastante machucada e com uma flecha fincada nas costas, foge com um bebê de dois cruéis soldados. Acaba encurralada nas margens de um rio, sendo obrigada a lutar, e mesmo segurando uma criança, usa apenas uma das mãos para derrota-los facilmente, revelando ser uma hábil guerreira. Tentando seguir em frente, ela cai na água devido a exaustão, conseguindo apenas segurar num galho para não ser carregada pela violenta corredeira. Roga à Shiva por redenção de seus pecados. Pedindo que tomasse sua vida em troca da salvação daquele menino. Coloca-o acima de sua cabeça com o braço erguido, proferindo que ele deve viver para ascender ao trono de Mahishmathi e libertar seu povo. Mahendra Baahubali deve viver! Em sacrifício a mulher submerge, enquanto seus braços permanecem esticados até que o dia amanheça e o bebê seja salvo por membros de uma comunidade próxima.

092_01

Adotado por uma mãe amorosa, ela sempre temeu pelos perigos de sua origem, porém o jovem menino era muito questionador. Mesmo que ela dissesse que ao topo da enorme cachoeira haviam demônios e monstros, ele teimava em querer subir para ver com os próprios olhos, e quando ninguém estava por perto, tentava incansavelmente a escalada. A criança se tornou um belo jovem, e o jovem se tornou um confiante e imponente homem. Sua mãe pedia por Shiva à Shiva, sim, aquele pequeno e frágil bebê recebera o nome de um Deus, Shiva, O Destruidor e Regenerador. Aquele que traz o bem e dá a Vida. Clamando para que o filho deixasse de tentar escalar aquelas enormes paredes, era guiada por Sage, o sábio da vila, a despejar inúmeros baldes de água sob uma pedra que simbolizava Shiva, um Lingam. Então Shiva, o filho, vendo sua mãe se esforçar tanto por suas crenças, quebra todos os paradigmas ao decidir remover aquele pesado monumento do lugar. Todos observavam o que seria um ato de blasfêmia, e relutam crer quando com uma força sobrenatural ele arranca do chão e levanta aquele símbolo sob os ombros. Shiva carrega o lingam enquanto todos os seguem com semblante de estarem assistindo o inacreditável. Inabalável e como se aquele peso não fosse nada, caminha pela cachoeira andando nas pontas dos pés, até repousar o emblema diretamente abaixo da queda d’água, onde Shiva poderia receber banho incessantemente. Toda a comunidade, e até sua mãe, ficaram orgulhosos em confiar que agora as bênçãos à todos seriam inesgotáveis.

092_02

Uma máscara então cai da cachoeira, do lugar proibido onde Shiva não deveria ir. Agora, mais tentado do que nunca, é guiado e incentivado pela ilusão de uma belíssima mulher. Ele escala, inspirado por deuses. Cai novamente e volta a se levantar, várias vezes. Mas persistente e incansável, ele chega ao topo. Shiva vislumbra a mesma mulher de seu sonho acordado, só que agora ela foge de uma horda de sanguinários soldados por meio uma floresta escura e sombria. Acompanhando para tentar entender a situação, quase interfere, quando de repente ela se junta a outros guerreiros e derrota aquele pequeno exército. Continuando a se mover nas sombras ele mantém investigação, até que o grupo se reúne numa caverna, onde planejavam um novo ataque para libertar uma tal de Devasena. Então todos colocam máscaras como aquela que ele encontrou. Shiva estava em meio à uma revolução. E mal sabia ele que seu destino era de suma importância para a vida daquelas pessoas. Baahubali!

092_03

COMENTÁRIOS
Não sou grande fã de filmes como Ben-Hur (1959), Tróia (2004), ou mesmo os com mais fantasia como a franquia O Senhor dos Anéis. Assisto e gosto sim, mas não sou do tipo que vira fã e precisa ver mais do que uma vez. No entanto acabei seduzido por essa obra do gênero sem nem perceber. Baahubali: O Início é um épico indiano que mistura elementos do hinduísmo com mitologias de outras culturas, e cria uma aventura sem precedentes para o cinema. A fascinante história criada por K. V. Vijayendra Prasad, conta a aventura de Shiva, uma criança que sobrevive graças ao sacrifício de uma mulher, e que sente dentro de si uma predestinação incontrolável. Contar detalhes sobre a trama é estragar as surpresas, e essa é um conto que tem muitas delas.

092_04

Baahubali: O Início não é um filme perfeito, ele passa longe disso. A produção indiana acerta em muitas coisas, a começar pelo seu roteiro, mas falha um pouco nos aspectos técnicos visuais. Eu não sei precisar a razão, talvez seja devido ao orçamento não ser tão alto quanto a de produções ocidentais, o estúdio não ser competente, ou mesmo por prazos apertados, mas as cenas em computação gráfica em vários momentos são terríveis! Dão a aparência de videogame! Chegando a incomodar em tomadas com animais renderizados. Mas quando acertam a mão, o resultado é fabuloso! A cena com a cachoeira no começo do filme são de cair o queixo! Sim, aquilo tudo é feito em fundo verde! Essa inconstância no uso de CG que pecou um pouco, fazendo o filme não ser digno de uma nota 10. Porém são tantas as outras coisas maravilhosas no longa, que essas deficiências são completamente esquecidas.

092_05

Os filmes indianos costumam ter peculiaridades bem interessantes, sendo uma delas as tradicionais dancinhas com a galera reunida. E em Baahubali: O Início isso não é diferente. O épico é recheado de momentos musicais cheios de charme e estilo, criando ainda mais a atmosfera carnavalesca que não se envergonha em momento algum de se esforçar para mostrar. Eu realmente não entendo o preconceito de algumas pessoas em criticarem tradições e formas de artes estrangeiras, afinal, não precisamos compreender os motivos delas serem como são, mas apenas ver o esforço dedicado em criar essas emoções e sensações, já é razão de sobra para respeitarmos a paixão com que expressam sua cultura. Recebo esses momentos musicais dos filmes como se visse uma produção da Disney, não ofende, não estraga, e é um elemento extra para ser apreciado.

092_06

EXPLICAÇÕES COM SPOILERS
Após Shiva retornar para Mahishmathi para libertar sua mãe, que havia sido presa por vinte e cinco anos após a traição de Bijjaiadeva contra a Rainha Sivagami, ele ainda precisava entender sua origem, então Kattappa, o fiel protetor da realeza, lhe conta como chegaram naquele determinado momento. Bhallaladeva era filho legítimo de Sivagami com Bijjaiadeva, este último, irmão do Rei Maharaja Vikramadeva, fundador de Mahishmathi. Bijjaiadeva não foi coroado devido a sua natureza injusta, mas ele culpou apenas a deficiência de sua atrofia em um dos braços como o verdadeiro motivo, o que lhe causou um grande rancor. Maharaja Vikramadeva morreu quando sua esposa, a Rainha Devasena, estava grávida de seis meses. Davasena passou os próximos três meses chorando, e Sivagami, a cunhada do rei, tomou as rédeas do reino. Ela então destinou que as duas crianças deveriam ser criadas como irmãos, se preparando como princípes para que um dia pudessem provar quem teria a honra e sabedoria de liderar Mahishmathi. Os irmãos cresceram e se tornaram poderosos guerreiros, e numa provação final, deveriam liderar a defesa do reino contra um gigantesco ataque. Aquele que eliminasse o líder dos inimigos, provaria o seu valor, e seria condecorado com rei através da palavra final de Sivagami. Durante as negociações com o exército hostil, a rainha teve sua honra manchada pelo discurso sujo do chefe inimigo, Kalakeya e, exigiu na cólera do momento, que o queria morto, mas sofrendo lentamente. Beirando o fim da batalha, Baahubali capturou e subjugou o líder dos algozes, arrastando-o ferozmente respeitando o pedido de sua mãe. No entanto Bhallaladeva, num ato de desespero por provação, mata Kalakeya, e Baahubali sendo leal ao irmão, demonstra que aquilo não é um problema para ele.

092_07

Terminada aquela guerra, Sivagami proclama: Bhallaladeva como Comandante das Forças Armadas de Mahishmathi, e Baahubali como o novo Rei. Os méritos para ser um rei, não é quantas pessoas se é capaz de matar, mas sim quantas é capaz de salvar, palavras de Sivagami em resposta aos protestos de inconformação de Bijjaiadeva quanto a sua decisão. Se você for capaz de matar muitas pessoas, você será considerado um grande guerreiro, mas se você salvar uma única pessoa, você será considerado um Deus. Essa é a palavra de Sivagami, e a palavra da Rainha é Lei. E Shiva, quem era ele? Shiva era Filho de Shivudu Baahubali, Aquele Fiel que fora traído por seu amigo e mentor, Kattappa.

092_08

EXPLICAÇÃO DA FILOSOFIA (COM SPOILERS)
Deixo claro que esta é uma obra tão bonita e rica que merece ter aberta suas várias interpretações, e esta é humildemente a minha. Utilizando de pelo menos duas mitologias, que identifiquei, K. V. Vijayendra Prasad criou um épico que traz o conceito comum à várias culturas e seus personagens de cultos, onde Shiva faz parte de uma Trindade chamada Trimûrti. Segundo a doutrina hindu Ela seria formada por Brahma, o Deus da Criação, Vishnu, o Deus da Preservação, e Shiva, o Deus da Regeneração e Destruição, o que se comparado à Santíssima Trindade do catolicismo, Brahma seria o Pai, Vishnu o Filho, e Shiva, o Espírito Santo.

092_09

“Shiva é Filho do Salvador, Amarendra Baahubali. O Bálsamo de Devasena que profetizara inabalavelmente pelo Seu retorno. O fruto do Sacrifício Final da Rainha Mãe Sivagami.” Como previsto por Sivagami, Shiva ascendeu e retornou por Mahishmathi, regenerando para um novo ciclo que mais tarde se contaminará e precisará ser destruído novamente. Em momentos diferentes do filme ele traz um bindi diferente na testa, a pequena pintura vermelha feita com vermilion (sulfato de mercúrio vermelho brilhante finamente pulverizado). Por vezes é o símbolo de uma lua crescente, que representa a evolução, as mudanças de paradigmas, o abandono da letargia para buscar mais um renovado conceito de um ciclo infinito. Por outras vezes o desenho é de uma naja, a mais poderosa das serpentes. Significa que Shiva dominou a morte e tornou-se imortal.

092_10

Um personagem importantíssimo é Kattappa, escudeiro da família real, aquele que fizera a promessa a Maharaja Vikramadeva de cuidar de sua sucessão. Este é um dos personagens mais complexos e essenciais para o entendimento da filosofia por trás do ciclo de Regeneração e Destruição. Assim como Judas Iscariotes do cristianismo, fora escolhido para ser aquele que carregaria o fardo de levar a culpa pela morte do Filho do Homem, Vishnu, simbolizado por Maharaja Vikramadeva, pai de Shiva. Seu bindi na testa representa o de um escravo, corroborando com a ideia daquele portador do peso da Providência. Fechando com este, o conceito do catolicismo, a última e segunda linha inspiracional utilizada pelo genial K. V. Vijayendra Prasad.

092_11

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Prabhas, Rana Daggubati, Anushka Shetty, Tamannaah, Ramya Krishna, Sathyaraj, Nassar, S. S. Rajamouli, Rohini, Meka Ramakrishna, Tanikella Bharani, Adivi Sesh, Prabhakar, Sudeep, Nora Fatehi e Scarlett Mellish Wilson compõem o elenco. Criação de K. V. Vijayendra Prasad, Baahubali: O Início, teve seu roteiro compartilhado com o também diretor e ator do longa S. S. Rajamouli. A superprodução indiana de 2015 é produzida por Shobu Yarlagadda e Prasad Devineni, utilizando os estúdios da Arka Media Works. M.M. Keeravaani é um consagrado compositor indiano, e é o responsável pela belíssima trilha sonora. Seu orçamento foi de 28 milhões de dólares (₹1.8 bilhões), e teve um faturamento de 101 milhões (₹6.5 bilhões). O épico indiano de S. S. Rajamouli, é a primeira parte de uma duologia.

CONCLUSÃO
Baahubali: O Início é uma viagem à um mundo de fantasia onde precisamos nos desatar dos nossos conceitos e aceitar as metáforas como elas são. Se nos ocuparmos julgando seus elementos conceituais nos baseando em nossa cultura ocidental, não iremos apreciar absolutamente nada nesta aventura. Não é um filme feito para te fazer pensar, é uma filme para te fazer sentir e se inspirar. É uma obra que transborda princípios morais sem te fazer entrar numa paranoia política infrutífera. Sua beleza está na estética visual e simbólica de contar a aventura de um homem na sua busca por justiça e libertação. Particularmente julgo este ser um filme obrigatório para qualquer cinéfilo que queira ser levado à sério. Baahubali: O Início funciona sozinho, mas na verdade é a primeira parte de uma duologia. Sua classificação etária é de 16 anos, mas pode tranquilamente ser assistido por uma criança por volta dos 12 na companhia de um responsável. Tenha um excelente filme!

Barra Divisória

assinatura_dan