20TH CENTURY BOYS – TRILOGIA (CRÍTICA)

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SINOPSE
114_01Kenji é um cara adulto perto dos quarenta, solteiro, morando com a mãe e, quem cuida da pequena Kanna, sobrinha deixada por sua irmã qual desconhece o paradeiro, e nem ao menos sabe quem é o pai. Passando por uma situação de aperto após transformar sua pequena loja numa conveniência franqueada, é visitado por dois investigadores da polícia procurando informações sobre uma família vizinha desaparecida por completo e de forma misteriosa. Aquele era um período bem estranho, com a epidemia de um vírus ainda não compreendido ceifando vidas pelo mundo, enquanto no Japão uma seita fanatizava todas as classes de pessoas. E o mais curioso é que esse grupo utilizava um símbolo que não era estranho para Kenji, lhe resgatando desorganizadas memórias de quando garoto. Uma notícia triste chegava, Donkey, um bom amigo de infância havia morrido por suicídio ao se atirar de um prédio. Todos aqueles amigos de décadas então se reuniram em seu funeral para prestar homenagens e se despedir, momento onde muito se reviram após muito tempo. Colocando o papo em dia comentam sobre a suspeita de Donkey ter se juntado ao culto do autointitulado ‘Amigo’, aquele com o símbolo de um olho com uma mão apontando como seta para cima, e que Kenji já havia visto antes discretamente desenhado numa parede da casa daqueles vizinhos que sumiram. Os amigos se entreolham questionando quem havia criado aquilo, cogitando que provavelmente algum deles deveria ser o ‘Amigo’, já que ninguém mais conhecia aquele desenho. Buscando nas lembranças eles iam trazendo informações adormecidas, e recordaram de terem enterrado uma cápsula do tempo. Saindo do funeral o grupo segue para onde acreditam ter escondido seus segredos da infância, e para surpresa dos mesmos, encontram o que buscavam. Era uma lata de metal que continha além de objetos sem relevância, também desenhos sem muito sentido, e uma bandeira com o tal símbolo das brincadeiras que faziam. O Livro de Profecias, também lembraram disso, embora não estivesse naquela lata. Era nele que o grupo. Naqueles escritos de criança, imaginavam um futuro onde um poderoso vilão surgia com os planos de destruir o mundo, e que apenas a união deles seria capaz de impedir. O problema era que a realidade de então, era muito parecida com aquelas histórias de menino.

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MEUS ERROS DE MEMÓRIA
Vocês já passaram pela situação de assistir algo que ficou marcado na sua memória por um motivo não muito claro? As vezes acontece por conta de uma cena muito impactante, um personagem interessante ou até mesmo por sua estranheza. Comigo neste caso foi uma mistura de todas essas coisas. Não recordo com exatidão o período, mas visto que este é um filme de 2008, e estou me referindo ao primeiro da trilogia por enquanto, vi bem mais a frente do que eu imaginava. No meu subconsciente eu tinha visto junto com os meus amigos de infância, lá por 1997 ou 1998, mas definitivamente não é o caso, o longa é dez anos mais novo. Ou seja, eu criei uma falsa memória. E o curioso é que imagino a razão, e está diretamente relacionada ao conteúdo do filme. Visto que nele existe um grupo de adultos por volta dos quarenta anos que tenta quecobrar a infância, enquanto somos apresentado a um monte de flashbacks. O que me leva a entender, que eu mesmo, por saudosismo do convívio com os meus amigos, fiz uma mistura absurda de informações antes de engavetar no cérebro. Não é algo relevante para ser dito, mas particularmente achei essa revisão de realidade bastante interessante.

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O QUE É 20TH CENTURY BOYS?
Esta provavelmente vai ser a tarefa mais difícil das minhas aventuras de escrever, fazer ser claro do que se trata 20th Century Boys, ao mesmo tempo que mantenho o foco em te convencer do quanto ele é interessante, e sem liberar os spoilers essenciais para tal convencimento. O que talvez já tenha dado para entender, é que suas “cerejas” do bolo, sim, aqui existem muitas cerejas, sejam seus complexos e atmosféricos segredos. Mas primeiro vamos entender suas origens e um pouco sobre seu criador. 20th Cenruty Boys originalmente é uma mangá de mistério e ficção científica criado por Naoki Urasawa em 1999, que rendeu 22 volumes, e foi finalizado em 2006. Logo na sequência, ainda no mesmo ano, lançou mais 2 volumes do intitulado 21th Century Boys. O autor até então pouco conhecido publicou simultaneamente enquanto trabalhava neste que falamos agora, Monster, uma obra popular entre os amantes de mangá, série de mistério finalizada em 2001.

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O mangá 20th Century Boys alcançou grande sucesso, lhe rendendo o Prêmio Kodansha Manga em 2001, o Prêmio de Excelência do 6º Japan Media Arts Festival em 2002, o Shogakukan Manga Award também em 2002, o Prêmio Internacional de Festival de Quadrangas de Angoulême para uma série em 2004, o Grande Prêmio da Associação de Cartoonistas do Japão em 2008, o Prêmio de Melhor Comic da Seiun em 2008, o Prêmio de Melhor edição dos EUA de Material Internacional pela Eisner em 2011, e para finalizar, recebeu novamente um repeteco deste último prêmio da Eisner em 2013. Então agora vamos ao que interessa mesmo, falarmos sobre sua versão em live-action, que não chega a ser tão rica como o mangá, afinal, essa é a coisa mais normal em se tratando de adaptações, mas que mesmo assim é um trabalho fabuloso e merecedor de atenção, tanto de quem só curte cinema, quanto dos otakus tarados pelos trabalhos brilhantes de Urasawa.

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CONCEITOS CINEMATOGRÁFICOS
A adaptação do mangá 20th Century Boys para o cinema foi divida em três partes, e são elas: 20th Century Boys: Beginning of the End (2008), 20th Century Boys 2: The Last Hope (2009) e 20th Century Boys 3: Redemption (2009). Seu título, que em tradução livre seria Garotos do Século 20, é emprestado de uma música da banda inglesa de folk e rock clássico, T. Rex, que fez bastante sucesso nos anos 60 e 70. A estrutura conceitual das três partes é a mesma, com uma película granulada sem muito exagero, em certos momentos traz uma câmera trêmula, e mostra sofisticação com cenas induzindo visão em primeira pessoa, com direito a olho de peixe e tudo mais. A direção ao mesmo tempo que mostra versatilidade na sua forma de filmagem, não faz questão de fazer isso parecer uma exibição gratuita de técnicas, tudo é muito natural e fluído, informando que a linguagem visual tem uma única intenção, valorizar a atmosfera pesada do roteiro. E o resultado no meu ponto de vista ficou fantástico. Temos um filme que se você abrir aleatoriamente em qualquer ponto terá a sensação de ser uma obra barata, praticamente amadora, mas definitivamente passa muito longe disso.

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ROTEIRO CABULOSO!
Como dito antes, o filme é separado em três partes, mas deve ser enxergado como uma única peça, assim como na trilogia O Senhor dos Anéis. Indo e vindo no tempo, o roteiro se foca em Kenji, que não escolhe, mas é notado pelos amigos desde a infância como um líder. Desajeitado, pouco esforçado, e até com uma certa lentidão de raciocínio, é reconhecido pelos outros por sua lealdade e força de vontade natural. Quando falamos da primeira parte, Beginning of the End, o foco da narrativa se agarra nele, explorando pequenas recuperações de memórias de períodos diferentes do passado, para ir montando um intrincado quebra-cabeças que se desmonta e remonta constantemente. O grande mistério aqui é desvendar quem é aquele que chamam de Amigo, já que todo o pacote inventado pelo grupo quando crianças, está sendo posto em prática literalmente por aquele homem misterioso. Desde a aplicação do símbolo inventando pelos jovens, quanto as perigosas promessas de um fim do mundo. Para todos o Amigo é visto como um profeta, uma verdadeira personificação divina, mas para Kenji e seus amigos, aquele só poderia ser um dos garotos que presenciaram suas invenções inocentes do passado, e decidiu brincar com o restante do grupo enquanto ascendia para o ato final do Livro de Profecias. A narrativa da adaptação preserva os principais e mais importantes aspectos que são vistos no mangá, e isso tendo o controle de qualidade do próprio Naoki Urasawa. Particularmente considero o roteiro uma obra prima, por conseguir controlar e manter a clareza mesmo com tantos personagens e elementos complexos se destruindo e reconstruindo, sem nunca perder sua atmosfera de tensão.

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SENTIMENTO DE ANGÚSTIA
Eu pelo menos mergulhei de cabeça na trama, e identifiquei bastante similaridade desta ficção com a nossa realidade de fim de 2019 no Brasil, onde temos mais do que nunca, um comportamento fanatizado de pessoas carentes que se agarram num personagem de idoneidade ao menos discutível. Quando o roteiro precisa te chocar mostrando o nível de alienação daqueles que seguem o Amigo, ele não brinca em serviço, trazendo de forma explícita a brutalidade com que aplicam violência contra aqueles que se opõem, ou mesmo falham no entendimento do líder hierárquico presente no momento. O sentimento é de angústia por saber que aquela atitude fanatizada e cega, não se restringe apenas a ficção, e se não cuidarmos de dissuadir, pelo menos moralmente, esses núcleos de gente mentalmente perturbadas, deixaremos só de assistir de longe, para ter aqui no nosso quintal, uma intolerância religiosa institucionalizada, e talvez até mesmo aparelhada pelo Estado. Procuro evitar ser literal com política nos nossos conteúdos, mas existem momentos onde sermos omissos, é estarmos assumindo cumplicidade com o errado. E quem acompanha o NerdComet sabe, aqui não abrimos mão de expressarmos nossos opiniões e reflexões, quem dirá num instante tão sombrio quanto o que vivemos. Conspirações e manipulações em massa nunca são coisas inofesivas, como sempre dizem meus velhos e valiosos  amigos do canal Meteoro Brasil no Youtube.

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TRILHA SONORA
20th Century Boys: Beginning of the End abre ao som do inglês T. Rex, e na mesma vibe também traz Like a Rolling Stone de Bob Dylan. O humor das crianças do filme faz criar Bob Lennon, uma música composta na história por Kenji, homenageando personagens da cultura pop que dispensam apresentações. O japonês Ryomei Shirai, compositor de dezenas de trabalhos para jogos eletrônicos, animes e filmes, é quem assina o ‘score’ da trilogia 20th Century Boys, além de fazer o arranjo de Ai Rock Yû, um empolgante hard rock performado num concerto ao vivo no filme. Só fico devendo a explicação de informar se a banda era real ou apenas um arranjo montado para o longa. A letra é do próprio Naoki Urasawa, que também escreveu Brothers, e obviamente a já comentada Bob Lennon. Também temos a swingada Koi no Kisetsu de Taku Izumi, e Penelope, de Joan Manuel Serrat e Augusto Algueró, executada pela Grande Orquestra de Paul Mariat, com violinos, metais, e pianos belíssimos.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Toshiaki Karasawa, Etsushi Toyokawa, Takako Tokiwa, Teruyuki Kagawa, Hidehiko Ishizuka, Takashi Ukaji, Hiroyuki Miyasako, Katsuhisa Namase, Fumiyo Kohinata, Kuranosuke Sasaki, Shirô Sano, Mirai Moriyama, Kanji Tsuda, Takashi Fujii, Hanako Yamada, Arata Iura, Nana Katase, Chizuru Ikewaki, Airi Taira, Raita Ryû, Ibuki Shimizu, Kaoru Fujiwara, Riku Uehara, Tadashi Nakamura, Dave Spector, Rina Hatakeyama e Tomiko Ishii compõem o elenco.

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20th Century Boys: Beginning of the End
Lançamento:
30/08/2008
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteiristas: Yasushi Fukuda, Takashi Nagasaki, Naoki Urasawa e Yûsuke Watanabe
Produtores: Morio Amagi, Xaypani Baccam, Ryûji Ichiyama e Nobuyuki Iinuma
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 38.231.562

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20th Century Boys 2: The Last Hope
Lançamento:
31/01/2009
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteiristas: Yasushi Fukuda, Takashi Nagasaki  e Yûsuke Watanabe
Produtores: Morio Amagi, Ryûji Ichiyama e Nobuyuki Iinuma
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 29.502.213

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20th Century Boys 3: Redemption
Lançamento:
29/08/2009
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteirista: Yasushi Fukuda
Produtores: Morio Amagi, Ryûji Ichiyama, Nobuyuki Iinuma e Futoshi Ohira
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 48.397.818

CONCLUSÃO
Uma coisa eu posso te garantir, eu duvido muito que você já tenha sido exposto a uma trama tão intrigante e complexa como essa. 20th Century Boys com certeza não é conteúdo para qualquer tipo de pessoa, ele é estereotipado na pegada japonesa, e consideravelmente complicado de se compreender. Não por ser um conteúdo cabeça, mas por exigir bastante interesse e foco de quem se predispõe assistir, já que a número de informações necessárias para se entender o todo é elevado, e jogado embaralhado no colo da gente. Eu tenho um apego muito grande a este filme, e o considero dentro dos meus vinte favoritos, sem sombras de dúvidas. A trilogia 20th Century Boys é recomendada para maiores de 15 anos, e caso consiga acesso a essa obra prima pouco conhecida aqui no Brasil, espero que tire um ótimo proveito. E por favor, volte aqui para me dizer o que achou. Quero saber se sou louco sozinho, ou alguém mais se empolgou tanto.

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FRATURA – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Ray procura dirigir com extremo cuidado quando está com sua família no carro, e isso irrita Joanne, pois sempre faz com que atrasem nas reuniões familiares. O casamento entre os dois não vai bem, ela acha que os dois estão cada vez mais afastados e que não há diálogo na relação. Ray se sente pressionado, mas admite que talvez esteja realmente numa fase ruim, mas que irá se esforçar mais. Enquanto isso Peri, uma pequena menina no banco traseiro, estava com fone distraída ouvindo música em seu radinho, quando reclama com os pais que o aparelho parou de funcionar. Acreditando ser faltas de pilhas, o pai decide parar num posto de beira de estrada. Joanne vai ao banheiro, e Peri fica com o pai. Num momento de distração, um cachorro aparece, e Peri muito assustada, começa a se afastar lentamente andando de costas, sem perceber que atrás havia um buraco de uma área em construção. Ray ainda tenta acalmar a filha e impedir que o pior aconteça, mas a menina cai com o pai também se jogando para tentar ajudar.

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Joanne volta do banheiro e não encontra os dois, então procura ao redor e os vê caídos no fundo daquele poço. Ray desmaiou após bater a cabeça no concreto, e acorda atordoado, se esforçando para recobrar a visão e consciência. De pé novamente, verifica que a filha parece bem, mas sentindo uma forte dor no braço. Toma-a no colo, e voltam depressa para estrada, lembrando que poucos quilômetros atrás tinham passado por um hospital. Ray dá entrada para o atendimento da filha e, há um pouco de desentendimento por conta da demora, mas finalmente Peri é atendida. É pedido ao pai que aguarde um pouco, porém horas se passam e ele estranha a demora. Retorna à recepção para entender o motivo de tanta demora, e lhe é contado que nenhuma criança com aquele nome havia dado entrado para atendimento. Não acreditando no que acabara de ouvir, passa a desconfiar que aquele hospital tivesse feito algo com a sua família.

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COMENTÁRIOS
Filmão! É sensacional quando aparece uma pérola tão valiosa assim e sabemos que custou tão barato. Fratura (Fractured) é um filme que consegue explorar de forma muito criativa, umas mil maneiras de subverter segundo à segundo nosso julgamento da narrativa. Utilizando de um conta gotas para soltar informações, vamos precisando de unhas e mais unhas alheias para ter o que roer enquanto não descobrimos a real verdade verdadeira. Está rindo? Você não riria se já tivesse assistido. Escrito por Alan B. McElroy, é Brad Anderson, responsável por O Operário (2004), que dirige e consegue criar essa atmosfera intrincada de mistério. Em Fratura não tem calmaria, nosso cérebro fica numa constante caótica se esforçando para não ser enganado. É Sam Worthington, o Perseu de Fúria de Titãs (2010), que se supera e entrega, na minha opinião, a melhor atuação de sua carreira. Sua atuação esbanja personalidade e convencimento, transformando-se no principal ingrediente desta magnífica receita.  Se gosta de ter sua sagacidade desafiada por complexos mistérios, cai dentro, Fratura é o filme perfeito para você! É ver para crer!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sam Worthington, Lily Rabe, Stephen Tobolowsky, Adjoa Andoh, Stephanie Sy, Lucy Capri, Lauren Cochrane, Crystal Magian, Derek James Trapp, Dennis Scullard, Natalie Malaika, Will Woytowich, Erik Athavale, Megan Best, Chris Sigurdson e Ernesto Griffith compõem o elenco. Escrito por Alan B. McElroy, Fratura, filme original da Netflix de 2019, é dirigido por Brad Anderson. A produção de Neal Edelstein, Mike Macari e Paul Schiff, se dá pelas produtoras Koji Productions, Crow Island Films, Macari/Edelstein e Paul Schiff Productions.

CONCLUSÃO
De um tempo pra cá a Netflix vem trazendo produções bem melhores que as bombas que estava soltando um tempo atrás, e Fratura não é só um filme honesto para o catálogo, é definitivamente excelente! O drama e suspense é repleto de quebra-cabeças para nos distrair do começo ao fim, não há descanso, ficamos tão compenetrados na trama que nem notamos quando acaba. Esse é um trabalho em trio, do roteirista Alan B. McElroy, do diretor Brad Anderson e de Sam Worthington, que deu uma enorme qualidade para um personagem complicadíssimo. Assistir Fratura me fez ter um sentimento nostálgico da época em que o Supercine da Globo só passava coisa realmente boa. Geralmente não eram superproduções, mas tinham roteiros bacanas e com uma com uma ótima história cheia de mistérios para contar. Com classificação etária de 14 anos, Fratura está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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ELI – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Eli é um menino de 11 anos portador de uma doença autoimune que o leva a ter uma vida difícil, precisando sempre se manter em locais hermeticamente descontaminados para continuar a viver. Toda vez que se expõe, sua pele apresenta uma vermelhidão alérgica, machucando-o como uma grave queimadura. Seus pais, Paul e Rose, descobrem uma clínica que oferece um procedimento experimental, e investem todas suas economias para poder dar uma vida melhor ao filho. O local é uma enorme mansão isolada numa distante região rural, um imóvel enorme e inteiramente protegido dos contaminantes do exterior. Lá a criança é submetida a dolorosos procedimentos médicos, enquanto paralelamente a isso, uma série de fenômenos sobrenaturais começam a acontecer, e se tornando cada vez mais bizarro, Eli começa a questionar se realmente pode confiar  naquelas pessoas.

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COMENTÁRIOS
Enquanto em Jimmy Bolha (2001), Jake Gyllenhaal traz uma visão otimista e divertida das complicações de ser uma criança que precisa viver dentro de uma bolha, em Eli (2019), as coisas não são tão simples e positivas assim. Eli é um menino bastante inteligente que compreende sua própria situação, mas mesmo assim sofre demais com suas limitações. Como uma criança normal, ele gostaria de poder sair de casa para aproveitar as coisas simples sem se preocupar, e o fato de não poder fazer isso, lhe gera muita angústia. Não bastando as dificuldades que lhe atormentavam a vida, ainda sofre com a falta de empatia daqueles que o veem com estranheza devido ao curioso traje plástico que precisa vestir quando está fora de casa. O sadismo e deboche dos outros tiram-no do sério, fazendo com que precise ser acalmado pelos pais, de quem é totalmente dependente para tudo.

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Eli tem uma atmosfera pesada e instigante, começando tímido, vai moldando ambientes e plantando cada vez mais confusão na audiência. Elementos aparentemente desconexos são gradualmente inseridos, e causam cada vez mais estranheza. A trama que se inicia como um drama, toma rumos no suspense e no terror, e até o último minuto sustenta mistérios inimagináveis. Seu roteiro é bastante criativo, e junto com Fratura (2019), lançado quase simultaneamente, ambos pela Netflix, conseguem convencer numa trama extremamente bem escrita. Esse é daquele filmes que é muito perigoso fazer comentários acerca de seu decorrer, mas o que ainda dá para ser dito, é que em certos momentos aparenta que estamos assistindo apenas mais um filme de terror bobo e cheio de jogos de iluminação e jump scares, e de certa forma ele parece não ocultar querer parecer ser isso. Não seja ingênuo, aqui temos um diretor perspicaz e experiente em filmes de terror com mistério, esta é uma obra que vai te surpreender bem mais do que imagina. Digo isso assumindo ser um cara chato e exigente com filmes de terror, quando a coisa não tem conteúdo e é só baboseira, já sento o malho sem pena. Deixo um alerta, não recomendo procurar muita coisa sobre este filme na internet, sejam críticas, material promocionais, e nem mesmo imagens em sites de buscas, acredite, o potencial é enorme de você estragar sua experiência com spoilers não intencionais.

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Charlie Shotwell está excelente interpretando Eli, onde atua com muita naturalidade, conseguindo convencer em momentos de medo, dúvida ou raiva. Já Sadie Sink, a menina ruiva de Stranger Things, é mais do mesmo, e não traz grandes feitos. Kelly Reilly e Max Martini, os pais de Eli, fazem uma boa atuação, assim como a chefe médica Lili Taylor. A direção de Ciarán Foy é inteligentíssima, o cara realmente sabe induzir com que pense exatamente o que ele quer. Você vai ter certeza de que está confortável com uma ideia, e como um um guindaste de demolição, o roteiro faz desabar todas suas convicções quando você menos imaginar.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Kelly Reilly, Sadie Sink, Lili Taylor, Max Martini, Charlie Shotwell, Deneen Tyler, Katia Gomez, Austin Fox, Kailia Posey, Parker Lovein, Lou Beatty Jr., Jared Bankens, Nathaniel Woolsey e Mitchell De Rubira compõem o elenco. Escrito por David Chirchirillo, Ian Goldberg e Richard Naing, Eli é um filme de drama e terror de 2019 dirigido pelo experiente Ciarán Foy, responsável também por A Entidade (2012) e Citadel (2012). A produção é dividida com Trevor Macy e John Zaozirny, utilizando os estúdios produtores Paramount Players, MTV Films, Intrepid Pictures e Bellevue Productions. Distribuído pela Paramount Pictures, e pela Netflix, o longa teve um orçamento modesto de 11 milhões de dólares. Eli está disponível através do serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Flertando com o drama mas descambando para o terror, Eli lida com seu gênero principal de forma bem peculiar. Não é o tipo de filme que se diz que com segurança ser capaz de agradar qualquer público, seu formato, e principalmente sua conclusão, tem potencial enorme de trazer desconforto à algumas pessoas. Seu roteiro inteligente e seus plot twists, são seus principais atrativos, mas não se pode afirmar que seu desfecho seja surpreendente. Como disse antes, eu sou uma pessoa exigente com filmes desse gênero, e esse acertou em cheio para mim! Mas como gosto é algo muito pessoal, recomendo muito que você assista e tire as próprias conclusões. Lembrando, a surpresa eu garanto que você terá! Recomendado para maiores de 16 anos, Eli é uma produção original Netflix, e já está disponível. Tenha um ótimo filme!

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CAMPO DO MEDO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Dois irmãos, Becky e Cal, dirigem numa longa viagem para San Diego. A moça está grávida e começa a sentir um pouco de enjoo, então pede para que Cal pare o carro na borda da pista. Ao lado esquerdo há uma antiga igreja e alguns veículos estacionados, e do direito uma extensa e alta plantação que se perdia no horizonte. Subitamente um grito de socorro vem de dentro da mata, é uma voz de criança. Ele diz estar tentando voltar para estrada, mas não consegue encontrar o caminho. Então uma segunda voz surge, de uma aparente mulher adulta, pedindo para que o garoto não chamasse. Cal então decide ir em busca do menino e entra na vegetação sem hesitar, sendo logo seguido pela sua irmã. Agora dentro daquela mata de mais de dois metros de altura, ele tenta encontrar a criança pedindo para que ele fale alto para que possa seguir o som. Algo estava muito estranho, por mais que ele seguisse a voz, parecia que nunca o encontrava. Começou a duvidar que aquilo não fosse uma brincadeira do garoto, então decidiu se comunicando com a irmão, que iriam pular os dois ao mesmo tempo para basearem suas posições. Fizeram isso, um viu o outro. Ficaram aliviados, não estavam distantes, talvez uns dez metros. Pularam novamente, e para surpresa dos dois algo não estava apenas estranho, estava na verdade muito errado. A distância que antes era curta aumentou umas cinco vezes. Aquilo não fazia sentido!

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COMENTÁRIOS
Stephen King tem o dom de criar histórias fantásticas sempre cheias de muito mistério, e seu trabalho de mais prestígio na atualidade é a segunda parte de It: A Coisa – Capítulo 2. Mas como no próprio filme do palhaço Pennywise, onde ele se sacaneia ao deixar subentendido que também é um autor de péssimos finais, talvez, assim como eu, você possa ter mais uma amostra disso em Campo do Medo (In the Tall Grass, 2019), filme lançado sem nenhum alvoroço no Netflix. O longa é uma produção sem grandes investimentos, basicamente as filmagens se passam num mesmo ambiente do começo ao fim. As atuações não causam grande espanto, tirando Patrick Wilson, ninguém brilha um pouco mais que o mínimo. A direção de Vincenzo Natali consegue efeitos até interessantes, onde mescla alguma computação gráfica nos movimentos em meio a mata com cenas de filmagens reais. A trilha sonora é do compositor canadense Mark Korven, que traz uma boa atmosfera em suas composições que são exploradas apenas em específicos momentos. Campo do Medo para mim foi um filme bem mediano, que após assistido se torna bem esquecível. Uma pena, pois a premissa é interessante e tinha pano para coisas bem bacanas.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Com sua produção não exigindo grandes pirotecnias cinematográficas, Campo do Medo traz um mistério que te prende bastante na primeira metade. A sensação claustrofóbica de estar sendo engolido por uma densa vegetação incomoda, ainda mais quando é descoberto que existem ameaças piores além do labirinto em si. Se escondendo atrás de um simbolismo não muito claro, aquela pode ser uma rocha “mágica” vinda do espaço e que foi adorada por antigos nativos, ou mesmo uma simples pedra que passou por um ritual e se tornou “possuída”. Nesse trecho não há muita discussão, as coisas são como são sem necessário um motivo, uma das características  de Stephen King.

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O que percebemos, ao menos nós nerds, o público que está acostumado com histórias de viagens no tempo, é que das duas uma: ou estão se formando novas linhas temporais onde repetidos personagens possam coexistir, ou a natureza temporal está sendo violada e criando paradoxos proibidos. Geralmente nessas tramas existem regras próprias para a eliminação desse desequilíbrio criado, porém neste filme isso também não é claro, e é nesse ponto que isso me incomodou. Não temos uma linha base para nos segurarmos e formularmos nossas teorias, e assim nos engajarmos mais no quebra-cabeça. Em certo ponto é entendido que a rocha é muito antiga e cultuada por ancestrais nativos, e que a mata em si é apenas uma armadilha para trazer novos sacrifícios para os espíritos que existiam ainda ali. Continuando o raciocínio, a rocha causava uma perturbação temporal ao mesmo tempo que define portais que direcionavam para pontos específicos em outro canto da mata. Ao ser tocada, a pessoa adquire o conhecimento de como funciona todo aquele labirinto, em compensação sua humanidade também é afetada. Ross, o pai do menino, já era uma pessoa excessivamente crédula em dogmas religiosos, portanto uma mente bastante suscetível (e aberta) a receber todo tipo de realidade. Sendo assim, ele abraçou com todas as forças a função de “seguidor” daquela ideia, e agia como aquele quem traria mais sangue para ofertar ao seu novo objeto de culto. Quando Travis decide que não tinha mais nada a perder, o efeito foi diferente. Ele aprendeu todo o mapa de posicionamento naquele labirinto, mas não perdeu totalmente sua humanidade. Então ele toma Tobin pela mão e o leva para fora da mata no instante de tempo que Becky e Cal chegavam ali de carro, e pediu para que o menino fizesse de tudo para impedi-los de entrar. Temos então uma conclusão paradoxal. Travis impediu os irmãos de entrarem na vegetação, desta forma os dois não se perderam para que ele fosse atrás dois meses depois. O meu entender particular não é nada bom, enquanto naquela realidade criada no fim estava tudo bem, as outras não eram anuladas, e as pessoas continuavam mortas ou perdidas. Obrigado Stephen King, você fechou um filme com o pião rodando. Deixa o Nolan ver isso.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Wilson, Laysla De Oliveira, Harrison Gilbertson, Avery Whitted, Rachel Wilson, Will Buie Jr. e Tiffany Helm compõem o elenco. O Campo do Medo é baseado no romance dividido em duas partes de Stephen King em parceria com Joe Hill, In the Tall Grass, de 2012. A adaptação em filme teve sua estreia mundial no Fantastic Fest, no Texas, e uma semana depois chegou ao grande público com o selo de distribuição Netflix. Vincenzo Natali roteirizou e dirigiu o longa, que foi produzido por Steve Hoban, Jimmy Miller e M. Riley.

CONCLUSÃO
Campo do Medo me trouxe de volta a antiga sensação das adaptações de Stephen King, de não ter certeza se achei a experiência boa ou ruim. Seu começo atrai nossa atenção, e faz com que passemos a sofrer de agonia com aquelas pessoas. O problema é que isso insiste um pouco, até o ponto que passa a ficar cansativo. Então eventos fora da curva começam a acontecer. Você começa a entender algumas coisas ao mesmo tempo que não entende nada. Achou confuso? Então assiste e tente compreender o que ficou totalmente nublado para mim. Posso te assegurar que você não saíra revoltado após terminar de assistir, ainda mais por esse ser um filme de apenas noventa minutos. Curte suspense, terror e mistério? Então não liga para meus comentários e confere você aí. Mas depois volta aqui e leia meus comentários com spoilers para gente trocar uma ideia. A classificação indicativa de Campo do Medo é de dezesseis anos, e ele está disponível no serviço Netflix.

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SOMBRA LUNAR – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Thomas Lockhart é um policial comum da Filadélfia, mas está determinado em ser um detetive. Pró ativo, está sempre quebrando protocolos hierárquicos e tomando frente nas investigações além de suas atribuições. Numa certa noite recebe o chamado de uma ocorrência, e ele com seu parceiro, Maddox, chegam mais rápido que o detetive responsável. Locke, como Thomas é apelidado, é um ótimo observador, e logo compreende como aquela morte ocorreu. Um acidente de ônibus onde aparentemente a motorista teve um derrame, e veio perder o controle não era exatamente o que parecia ser, e logo toda a polícia local parte na busca de um misterioso serial killer responsável por essa e outras várias mortes.

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COMENTÁRIOS
Sombra Lunar (In the Shadow of the Moon, 2019) inicia propondo um filme policial de mistério, mas assim como os materiais promocionais se adiantam em revelar, se trata também de uma ficção científica. Característica essa que no meu entendimento deveria ser ocultada nos materiais de divulgação, enfim. O plot é direto e reto, te inserindo em intrincadas investigações e frenéticas perseguições. O roteiro começa bem mas não consegue manter um ritmo interessante após o primeiro arco, tornando o desenvolvimento repetitivo e arrastado. Recupera um pouco o fôlego próximo à sua conclusão, mas após tanta lentidão e falta de desenvolvimento de certos personagens apresentados, já se torna um pouco desgastado.

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Na busca de uma resolução para alcançar aquele serial killer, Locke transporta a narrativa para um tom de suspense e drama, no qual por conta de sua obsessão em solucionar o caso, vai se transformando numa pessoa cada vez mais paranoica. Temos então essa interessante construção de personagem, qual considero o ponto alto do filme. Boyd Holbrook está bastante inspirado em dar vida ao policial traumatizado que se perde no tempo de suas internas caçadas por realidade.

A produção é competente e entrega um filme agradável visualmente, com boas locações, bonitas cenas aéreas e um trabalho de contra regra impecável. A trilha sonora também faz bonito, criando uma atmosfera densa e caótica que se mistura ao conceito visual tornando tudo bastante homogêneo e real. No fim das contas eu fiquei dividido e sem saber dar um decreto final, o roteiro verdadeiramente me incomodou, mas a experiência conceitual, principalmente se tratando das transições estéticas, me surpreenderam bastante.

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FINAL EXPLICADO (SPOILERS)
Após as várias repetições de perseguições, ficamos na expectativa de uma explicação satisfatória do motivo de sua neta voltar no tempo para eliminar certos personagens. Rya consegue voltar no tempo em ciclos de nove anos, quando a Lua está mais próxima da Terra, na conhecida como ‘Lua de Sangue’, instante onde há uma alteração magnética que permite uma máquina do tempo levá-la ao passado. Seu objetivo é impedir o movimento de supremacistas brancos conhecido como True America Movement, que em 2024 bombardeou a Filadélfia iniciando uma guerra civil americana.

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Rya utiliza uma injeção, que serve para inserir cápsulas no pescoço dos membros do movimento supremacista, e que serão ativadas no futuro pelo Dr. Naveen Rao, também responsável pela construção da máquina do tempo. As viagens são limitadas aos períodos de Lua de Sangue, e devido a Locke ter matado acidentalmente Rya em 1988 no incidente do metrô, os dois ficaram limitados aos ciclos lunares posteriores. Locke então compreende que matou a própria neta e ainda complicou sua causa, porém ela ainda tinha aquele ciclo para concluir sua missão e salvar o futuro.

Reflexões surgem e é compreendido que a morte da sua esposa em troca da vida de sua filha, possibilitou que mais a frente Rya pudesse existir. Seu luto que durava anos se torna mais leve, e num recomeço ele consegue o perdão dos amigos, família e, conclui sua história com a neta no colo.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Boyd Holbrook, Cleopatra Coleman, Bokeem Woodbine, Rudi Dharmalingam, Rachel Keller e Michael C. Hall compõem o elenco. A produção norte americana foi escrita por Gregory Weidman e Geoff Tock, e dirigida por Jim Mickle. Produzido por Brian Kavanaugh-Jones, Ben Pugh, Rian Cahill, Linda Moran e Jim Mickle, o longa de 2019 é distribuído pelo serviço Netflix.

CONCLUSÃO
Sombra Lunar é um filme com aspectos interessantes, embora vendido como um policial com elementos de ficção científica, consegue explorar muito bem o drama. Uma produção coesa com excelente estética visual e sonora, que traz um elenco muito bem afinado. A obra tem sim suas falhas, mas nada que comprometa a experiência final. Particularmente considerei o ritmo um pouco lento, até repetitivo do meio até próximo ao final, no entanto é bem possível que isso não seja notado e nem incomode muita gente. O longa exclusivo da Netflix já está disponível, e certamente vai agradar fãs de sci-fi e mistério. Bom filme!

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BADLA (CRÍTICA)

Badla 2019

SINOPSE
Um quarto de hotel, duas pessoas, e uma delas morta. É nesse cenário de crime que o renomado advogado Badal Gupta entra para defender Naina e tentar compreender quem é o real assassino de Arjun. A empresária e o fotógrafo são membros da alta sociedade que se veem envolvidos num relacionamento extraconjugal, e passam a ser chantageados anonimamente por um misterioso personagem. Exigindo uma certa quantia em dinheiro e que seja entregue em um luxuoso hotel da gélida Glasgow escocesa, o casal de amantes parte em viagem para tentar abafar esse escândalo que poderia acabar com suas carreiras. Após entrarem no quarto Naina é repentinamente agredida e desmaia, sendo acordada com os bateres na porta de policiais que a flagram como sendo a única presente no mesmo local onde Arjun estava estirado morto. Então uma pesada briga psicológica é travada entre o advogado e a cliente que quer provar sua inocência.

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DIREÇÃO DA ADAPTAÇÃO
Badla é um filme indiano de 2019 repleto de mistério, complexas reviravoltas, e capaz de te deixar agarrado no sofá do começo ao fim. Sendo adaptação do filme espanhol Contratiempo de Oriol Paulo, o longa de 2009 traz pequenas mudanças, como o gênero de alguns personagens centrais, dando assim uma nova visão psicológica e mais peso à narrativa. Se passando quase integralmente num apartamento, ainda consegue espaço em breves cenas externas, tirando ótimo proveito de uma fotografia muito expressiva. A direção de Sujoy Ghosh, o mesmo da excelente série Typewriter já resenhanada aqui, tem pequenas falhas pontuais, onde certos cortes de edição se mostram mal cronometrados. Talvez por pouco tempo hábil de revisão, não sei, mas era o tipo de coisa que não deveria ser deixado passar. De qualquer forma são dois ou três momentos apenas que essas pequenas falhas ocorrem, e não são suficiente para estragar o andamento da projeção.

Badla

UM EXCELENTE ELENCO!
Ponto alto fica para as brilhantes atuações de Taapsee Pannu, Amitabh Bachchan e Amrita Singh, que te transportam para diálogos fortíssimos onde cada vírgula pesa e faz se entender uma nova versão dos fatos. A mentira e a verdade estão sempre lado à lado, se valendo de pequenos detalhes para que tudo esteja sempre preste a inverter os sentidos. O elenco também conta com Antonio Aakeel, que não brilha tanto quanto os outros, uma vez que não tem o mesmo tempo e oportunidade para se desenvolver mais.

Taapsee Pannu

CONCLUSÃO
Fazendo referência constante ao Mahabharata, o texto épico sagrado do hinduísmo, Badla traz reflexões sobre perdão, culpa e vingança, palavra última essa que traduz o título do longa. Perspicaz e provocante, é um filme pra ser assistido numa tacada só. Fazer quebras de ritmo vai comprometer o estímulo agradável que o roteiro desenvolve. Sujou Ghosh deu suas pequenas pisadas de bola na edição, mas trouxe uma obra tão bem escrita que todos os seus problemas merecem ser ignorados. Recomendadíssimo, Badla está disponível atualmente na Netflix.

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