O POÇO – UMA ANÁLISE LITERÁRIA DO FILME

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Uma prisão dividida em diversos andares. Dois presos por andar, seja ele um voluntário em busca de uma certificação ou que busque se isolar; seja ele um condenado por algum crime. A cela é um cômodo: camas, pia e privada. Sem portas. A única saída ou entrada é uma abertura no centro. Um poço por onde sempre descerá um banquete em uma plataforma. Um único banquete para os quase infinitos andares. Aqueles que estão nos andares superiores comem com fartura. Os restos são descidos. A medida que o banquete desce pelo poço, menos comida vai sobrando em meio a migalhas, restos. Quanto mais abaixo no poço, mais fome se terá. A situação é mudada de tempos em tempo quando um gás desacorda os presos e, novamente, ao despertarem estão em um andar diferente podendo ter mais sorte ou azar, mais fartura ou fome. Mas isso, é óbvio.

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1. O bicho homem: de oprimido a opressor

Quando olhamos a dinâmica do filme, inicialmente vem-nos a mente a luta de classes ao modo marxista ao evidenciar que aqueles que estão em uma esfera superior, pouco se importam como os que estão abaixo deles (o termo comunista chega a ser citado). Há a manutenção perpétua do status-quo: nem mesmo aqueles que em um dado momento alcançam os primeiros andares se importam com seu passado de fome. Neste ponto o longa-metragem espanhol é repleto de referências filosóficas que pensam a dinâmica da sociedade. Tem riqueza e fartura quem se banqueteia nos andares superiores e aos de baixo resta-lhes as migalhas ou nada. Nem aqueles emergentes, que ficam subitamente na elite do poço, se importam com sua pobreza anterior. Isso reflete diretamente a nossa sociedade ao mostrar que temos a tendência de esquecermos de que também fomos oprimidos e nos tornamos opressores narcisistas, parafraseando Paulo Freire. Claro que a animalização humana é uma constante no filme ao reduzir o homem e sua racionalidade ao instinto da fome (Manuel Bandeira, implicitamente), numa esfera naturalista que relega e destrói a todos em prol da sobrevivência do mais forte. Darwin aprovaria esse enredo e aplaudiria de pé, se estas circunstâncias acontecessem no mundo real.

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2. O inferno são os outros: a punição

Isso mesmo, o enredo do filme não se passa em nossa realidade. É uma metáfora bem construída e potencializada de nossa sociedade, mas o filme é uma ficção da ficção. Nesse sentido o terror do longa-metragem se estabelece com uma esfera angustiante de ameaça constante a “vida” dos personagens. Bem, se é que é vida, pois eles estão no inferno. Afinal, pela cultura ocidental, é no submundo, no Hades, no Sheol, no Tártaro que ficam presos aqueles que por seus crimes (é óbvio) ou vícios (como o de fumar) são punidos. Mas no Poço não há necessidade de “grelhas” para arder a alma do maus. “O inferno são os outros”, como diz o filósofo Jean-Paul Sartre, pois “projetamos nos outros a nossa realização e aguardamos deles que amenize o vazio que nos habita”. Desta forma, O Poço é uma roupagem nova para a punição no inferno, no qual as chamas eternas são substituídas pela fome que queima e pela centelha de uma esperança na mudança do outro, ou do sistema que nunca ocorre ou ocorrerá.

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3. O inferno de Dante: no fundo O Poço

A primeira parte da consagrada obra de Dante Alighieri está nas entrelinhas do funcionamento do Poço. Este poema com mais 14 mil versos conta a história de Dante que decide encontrar sua amada Beatriz após sua morte. Para isso ele passará pelo Inferno, onde é guiado pelo poeta latino Virgílio, o Purgatório e o Paraíso. A parte mais conhecida é justamente o Inferno porque ficou notória a crítica social à Itália do século XIII em que o poeta colocou no poema todos os seus desafetos e a elite daquele tempo. Mas é justamente as nove regiões do Inferno de Dante que inspiram diversas passagens do filme, inferno esse também em andares cada vez mais profundos, os círculos. O filme está na ordem inversa da obra do poeta italiano: do nono ao primeiro ciclo (dos andares superiores do Poço ao último).

  • 141_04O nono círculo: Os traidores – No poema italiano é o Lago Cócite, pavimento de gelo. Aqueles que traem seus companheiros ficam aprisionados aqui. E a traição aqui é baseada na fome, quando a amizade é esquecida em favor da fome, ou mesmo quando se quer reter algum alimento do banquete às escondidas. O ambiente começa a congelar (ou esquentar) de forma drástica. Qualquer andar ou pessoa é traidora: fica claro e até ÓBVIO para quem vê os primeiros momentos do filme.
  • 141_05O oitavo círculo: Pecados e calor – Neste ciclo há muitos pecados listado a arder nos vapores infernais. Novamente vemos os mais diversos pecadores no andares do poço. Por mais que a gula seja o que mais chama a atenção, há luxúria, ira, inveja… Mas sempre puníveis com o calor se alguém burlar as regras da fome.
  • 141_06O sétimo círculo: A violência – Neste ciclo está todo aquele que agiu contra o próximo. Assim todos podem praticar a morte no Poço e agir contra o próprio companheiro de cela. Em Dante é o Vale da sombra da morte; no Poço é a morte do outro que vale. Não há confiança e todos serão tomados pela violência em algum momento.
  • 141_07Sexto círculo: Os hereges A fé não está resguardada, nem em quem acha que a solidariedade é o caminho, nem em quem quer usar a corda como atalho para sair do Poço. Aqui a noção de Deus é distante e pouco a pouco todos se distanciam dele, sem deixar de blasfemar ou deturpar os valores cristãos: homens bons matam, mulheres boas interpretam a Bíblia de forma hedionda e a própria existência de Deus é questionada.
  • 141_08Quinto círculo: Ira – Em Dante é um lago de sangue onde ficam mergulhados os irados. Pense no Poço, nos assassinatos e no sangue que a todos permeiam. Lembre-se da mulher que mata e vive em constante sujeira sanguinolenta. Ela sempre mergulhada em sua busca sangrenta.
  • 141_09Quarto círculo: AvarentosAcomete a todos no Poço. Não há partilha quanto mais alto é o andar em que os condenados se encontram. Querem o melhor para si e esquecem dos outros. Engordam vergados pelo peso da saciedade e se apegam aos seus itens pessoais.
  • 141_10Terceiro círculo: Os gulosos – Neste círculo do inferno de Dante aqueles que comem demais ficam na lama e são por fim devorados pelo cão de três cabeças Cérbero. É a própria dinâmica do Poço em que aqueles que comem demais imediatamente servirão de alimento, para a fome canina do outro. Não esqueça que há um cão nessa história: Ramsés II, faraó conhecido por Ozymandias (Rei dos Reis). O cão vira vítima da fome, o verdadeiro Cérbero, rei dos reis do Poço.
  • 141_11Segundo círculo: O julgamentoAcontece de forma crua e seca na entrevista antes de entrar no poço com a escolha da comida favorita e do objeto que levará para prisão. Minos, ser infernal, julga em Dante; a administração e os formulários no Poço. O inferno já estava ali desde sempre.
  • 141_12Primeiro círculo: Limbo – Primeira região de Dante é onde está os que morreram pagãos, que não conheceram Jesus e que vagam na eterna escuridão devido a não iluminação de suas mentes. O último andar é o primeira círculo da Divina Comédia. Uma menininha oriental, não batizada, pagã perto do divino (o andar é 333, três vezes, número da Divina Trindade), mas longe da salvação. Andar que também é o da besta visto que 333×2 dão 666 pessoas condenada (como salientou Dan Pereira Leite). E por fim um Gorik fadado ao limbo, a escuridão de quem não conheceu a salvação ou a luz.

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4. Dom Quixote e a antropofagia

Se pensarmos que O Poço é uma representação do Inferno e que a principal punição deste lugar hediondo sãos as ações dos outros, fica fácil entender as motivações do protagonista Goreng. Ele escolhe estar no Poço em busca de redenção pessoal em relação ao seu vício em fumar. Acredita que expiará essa falha, que será um herói do auto domínio. Acredita nessa ilusão. Se observamos a caracterização do ator, ele nos lembra da imagem que temos de Dom Quixote, herói do livro de Miguel de Cervantes, o fidalgo que acreditou ser um cavaleiro andante e que lutava por uma donzela que não existia. Goreng é um homem abastado que quer ser herói de si mesmo (vencedor do vício) e do Poço (ao tentar salvar a mãe e sua filha). Mas seu Sancho Pança, óbvio que é o Trimagasi, tenta fazê-lo entender a filosofia do lugar onde ele está, trazê-lo para realidade infernal. Tanto Quixote como Goreng acreditam na ilusão e tem seus Sanchos até o final ao seu lado. Se você tem dúvida, lembre-se da cena em que, literalmente, Goreng come o seu livro, afinal “você é aquilo que você come”. Assim ao final da jornada de Dom Quixote, ele descobre a verdade; Goreng, por sua vez, descobre a ilusão e fica eternamente preso no limbo com Trimagasi.

Por fim há ainda de prestar atenção que Goreng é atormentado por quem ele se alimentou. Não é canibalismo, porque isso seria o simples prazer alimentício de comer carne humana. Não é o caso de nosso “herói”. Podemos dizer que o faz por necessidade. E ao se alimentar do outro, os humanos passam a habitar sua essência. Alimente-se do guerreiro mais forte: antropofagia, um ato religioso. Então Trimagsi e Imoguiri, a dona do cachorrinho, passam a habitar os pensamentos de Goreng e incentivando-o tanto no banquete que desce na plataforma como no banquete humano.

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5. Sempre uma última ceia: a blasfêmia

Quando vemos a antiga recepcionista, Imoguiri, nos delírios de Goreng incentivando-o a comer carne humana, ecoa a citação bíblica da Última Ceia de Jesus com os apóstolos antes de ser crucificado (Mateus 26:17-30, Marcos 14:12-26, Lucas 22:7-39 e João 13:1 até João 17:26). Para ser o inferno precisa deturpar os valores de Deus de alguma forma e nada do que levar ao pé da letra “comer do meu corpo e beber do meu sangue”. Nesse ponto o Poço parece ironizar as primeiras perseguições feitas aos cristãos primitivos, acusado de fazerem sacrifícios humanos pelos Romanos. Muitos cristão foram morto por causa dessa interpretação. Os pagãos entendiam esses trechos como literalmente um sacrifício e não como rito simbólico de memória. Se para um cristão comer e beber da essência de Jesus os deixam saciados de qualquer fome carnal ou espiritual, para Goreng cada banquete sanguinolento só o leva a uma fome maior e desesperadora.

Outro dado: a trajetória de Jesus fala de uma mesa em que todos possam se alimentar, o banquete dos justos. É o comensalismo, uma filosofia que prega que todos devem ser aceitos à mesa e que todos são iguais. Ninguém deve alimentar-se das migalhas da mesa dos ricos (Mateus 15: 21:39). Até o cachorrinho Ramsés II, come mais do que quem está nos andares inferiores. Também o Poço subverte a ótica cristã e nem as migalhas deixa aos famintos e o banquete não é para todos.

Por fim a menina ao final. Aquela que lhe está destinada uma Panacota perfeita, sem nenhum cabelo. Ela mesma pura, limpa. Naquele inferno até a esperança é uma ilusão. No Poço, na Caixa de Pandora, de todos os males a criança é a esperança. Como pode uma menina conservada em um estado tão puro em um lugar hediondo sem se alimentar. Impossível. A última refeição é dela, da esperança ilusória de Goreng, o Dom Quixote do Poço. Ele fica para sempre no Limbo enquanto a esperança e a salvação sobem em alta-velocidade como oferenda de verdade. A esperança sobe veloz e furiosa sem chance de salvação. A mensagem final: bom apetite, pois chegamos ao fim do Poço.

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OS MELHORES FILMES DE TERROR

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O BEBÊ DE ROSEMARY (1969)

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SINOPSE: Rosemary Woodhouse, uma mulher ingênua, e seu marido, Guy, um ator atrás de um novo emprego, se mudam para Bramford, num edifício antigo porém luxuoso de Nova York. A vizinhança estranha, e as histórias sinistras que correm pelo prédio, fazem com que a gravidez de Rosemary fique ainda mais conturbada. Ficando cada vez mais preocupada com sua sanidade, a moça entra em desespero quando descobre que sua gravidez tem ligação com uma seita diabólica.

COMENTÁRIOS: O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby) é um filme estadunidense escrito e dirigido por Roman Polanski, um dos mais cultuados diretores de Hollywood. Seu roteiro é baseado no romance homônimo de Ira Levin, que emprestou para sua história para dar vida à um dos maiores clássicos de terror de todos os tempos. Em 1976 o longa recebeu uma continuação chamada de Veja o Que Aconteceu ao Bebê, que definitivamente não chega aos pés da obra de Polanski.

 

O EXORCISTA (1974)

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SINOPSE: A atriz Chris MacNeil começa a perceber que sua filha de apenas 12 anos, Regan MacNeil, vem evoluindo um comportamento cada vez mais macabro. Então assustada, a mulher pede ajuda ao jovem padre Damien Karras, que também é psiquiatra, para entender o que estava acontecendo com a menina. Após verificar, o sacerdote chega a conclusão de que ela estava possuída pelo demônio, e precisava ser exorcizada para ter sua vida salva.

COMENTÁRIOS: O Exorcista (The Exorcist) é uma produção norte-americana dirigida por William Friedkin, e escrito por William Peter Blatty, se baseando no livro homônimo de sua autoria. O filme possui uma série de mistérios envolvendo sua produção, e existem até alegações de que traz mensagens sublimares satânicas. Tanta polêmica ao redor da obra, fez com que os seus 12 milhões de dólares em orçamento, se tornassem mais de 441 milhões de faturamento, tornado esse um dos filmes de terror mais lucrativos da história.

 

POSSESSÃO (1981)

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SINOPSE: Se passando no período da Guerra Fria, Mark trabalha como espião, e agora está retornando à Alemanha para encontrar sua esposa, Anna, que previamente havia pedido o divórcio. Ela não explica a razão, mas insiste não estar sendo infiel ao marido. Mark não aceita o distanciamento sem uma satisfação justa, e também por se importar com o filho, luta para manter o casamento. Conforme as discussões vão se intensificando, Anna vai desenvolvendo um comportamento cada vez mais doentio e estranho.

COMENTÁRIOS: Possessão (Possession) é coproduzido por França e Alemanha, e foi dirigido por Andrzej Żuławski. Usando o plano de fundo do drama de um casal, o terror psicológico é o que há de mais surreal nesta lista. Possessão é um filme para poucas pessoas, pois é lento e cheio de diálogos. Porém são essas cenas arrastadas e suas conversas que beiram o absurdo, que vão alimentando uma atmosfera cada vez mais macabra, culminando num desfecho completamente inesperado. Vejo nesta obra um misto de incômodo e fascínio, e definitivamente creio ser capaz de assustar qualquer marmanjo.

 

POLTERGEIST: O FENÔMENO (1982)

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SINOPSE: A Família Bowen decide se mudar para uma nova casa em Cuesta Verde, num pacato novo empreendimento residencial em Orange County, na Califórnia. Porém estranhos eventos começam a ocorrer, e Maddy, a filha caçula, é sequestrada e aprisionada em uma outra dimensão por espíritos sinistros. Desesperados, o casal Steven e Diane, buscam socorro com especialistas para trazer a menina de volta.

COMENTÁRIOS: Poltergeist: O Fenômeno (Poltergeist) é um filme dos Estados Unidos produzido por Steven Spielberg, e dirigido por Tobe Hooper. Seu maior trunfo na época foi trazer o que havia de mais moderno em efeitos especiais, criando cenas assustadoras e impactantes. Sua trilha sonora também se tornou famosa, sendo um dos trabalhos mais famosos do compositor Jerry Goldsmith. Sucesso do cinema, Poltergeist teve um orçamento de 10.7 milhões de dólares, e uma receita final de 121.7 milhões.

 

RINGU (1998)

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SINOPSE: Uma repórter decide investigar a misteriosa morte de sua sobrinha, e acaba descobrindo uma estranha fita VHS. Seu conteúdo trazia uma lenda, quem assistisse morreria em sete dias, mas curiosa, decide enfrentar o destino. Assim que a fita termina, o telefone toca, e o que se ouve é um som perturbador. Acreditando na história, ela agora tem sete dias para descobrir como quebrar a maldição, e assim conseguir salvar a sua e a vida de seu filho, que também assistiu. Para isso, ela pede ajuda do seu ex-marido, um professor cético, porém dotado de uma percepção extrassensorial, e juntos investigam o misterioso vídeo amaldiçoado.

COMENTÁRIOS: Ringu é um pouco menos conhecido que sua versão norte-americana, O Chamado (The Ring), de 2002. No entanto o terror japonês dirigido por Hideo Nakata, consegue na minha opinião, ser ainda mais interessante. É certo que a versão ocidental trouxe mais detalhes e explicações que a oriental, no entanto são as coisas menos explicadas que me atraem mais. Terror no meu entender é brincar com a dúvida para alimentar a tensão, e quanto mais você revela, menos obscuro e assustador aquilo vai ficando. Ringu fez um enorme sucesso no Japão, e seu estilo virou referência para uma série de produções de terror que se sucederam.

 

O ÚLTIMO PORTAL (2000)

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SINOPSE: Don Corso é um especialista em rastrear obras literárias raras e exóticas para colecionadores entusiastas, e Boris Balkan recentemente havia adquirido um volume misterioso do século XVII, conhecido como O Último Portal, um lendário livro que teria sido escrito pelo próprio Satanás. Tendo o exemplar em mãos, Corso se vê perseguido por estranhos e violentos acontecimento, e tudo indicava que outras pessoas estavam atrás daquele precioso item.

COMENTÁRIOS: O Último Portal (The Ninth Gate) é um filme hispano-franco-estadunidense dirigido por Roman Polanski, e adaptado do romance The Club Dumas de Arturo Pérez-Reverte, por John Brownjohn, Enrique Urbizu e o próprio Polanski. Com um ar misterioso e uma trilha sonora imersiva, este terror psicológico investigativo teve pouquíssimo sucesso. Não bastava ter Johnny Depp, ainda era preciso fazer o filme ser conhecido. E quem fez? Ninguém! Aquele que se tornara um dos clássicos cults da virada do milênio, teve um orçamento de 38 milhões de dólares, e lucrou pouco mais de 20.  Você conhece O Último Portal? Deveria, pois esse é um puta filme sinistro!

 

OS OUTROS (2001)

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SINOPSE: Grace Stewart é uma mãe católica devota que mora com os dois filhos pequenos em uma antiga mansão no campo da isolada ilha de Jersey, no rescaldo da Segunda Guerra. As crianças, Anne e Nicholas, tem fotossensibilidade, uma doença que traz forte incômodo a exposição à luz solar, e isso traz pras suas vidas, um complexo guia de regras imposto pela mãe. Com a chegada de três novos funcionários da casa, uma babá, um jardineiro e uma menina muda que ajudava em várias tarefas, coincidentemente uma série de estranhos eventos sobrenaturais começar a ocorrer.

COMENTÁRIOS: Os Outros (The Others) é um filme hispano-franco-norte-americano-italiano escrito e dirigido por Alejandro Amenábar, que prova que para algo ser assustador não é preciso muito mais que uma câmera na mão e boas ideias. O longa é vestido de uma atmosfera nebulosa digna de uma verdadeira história clássica de mansão mal-assombrada. Uma produção inteligente, que vai te fazer sentir frio na espinha com seu final surpreendente.

 

A VILA (2004)

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SINOPSE: Em busca de um estilo de vida melhor, um grupo de pessoas funda uma vila numa região remota da Pensilvânia, onde conseguem manter seus filhos afastados da violência do mundo moderno. No entanto o lugar é cercado por densas florestas onde estranhas criaturas vivem em certa harmonia com os humanos, seguindo a regra, claro,  de os membros da comunidade se manterem afastados da mata. Mas as coisas se complicam quando um jovem ignora os avisos dos anciões, e sai da vila na procura de um medicamento para salvar uma jovem que estava doente.

COMENTÁRIOS: A Vila (The Village) é uma produção norte-americana escrita e dirigida por M. Night Shyamalan que teve um grande sucesso de bilheteria. Tendo um  orçamento de 60 milhões de dólares, e um faturamento de 257.7 milhões. A Vila é um dos filmes polêmicos de Shyamanan que dividem bastante as opiniões, e em principal, pela sua conclusão. O diretor sofre de um síndrome similar e Stephen King, na qual faz o mais difícil, que é prender atenção do público com o desenvolvimento de um excelente mistério, mas tendo o hábito de falhar miseravelmente nos finais. Eu estou do lado que considera a totalidade da obra e costumo aceitar a proposta do criado, portanto o que muitos enxergaram como um defeito, eu considerei bastante interessante. Não vá apenas pela crítica, verifique você mesmo tudo o que puder. Não é a minha e nem a de ninguém a verdade absoluta, tire você suas próprias conclusões.

 

LABIRINTO DO FAUNO (2006)

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SINOPSE: A Guerra Civil Espanhola de 1944 já havia oficialmente terminado, mas um grupo de insurgentes ainda lutava nas regiões montanhosas ao norte de Navarra. Ofelia era uma menina de 10 anos que se mudou com a sua mãe, Carmen, para os arredores, e as duas estavam no aguardo da chegada do homem do lar, um oficial fascista que guerreava para exterminar os ainda resistentes. A menina Ofelia, solitária, logo faz amizade com Mercedes, a jovem cozinheira da família, que secretamente era um contato dos rebeldes. Em meio à essa realidade tensa a jovem descobre no jardim de casa, um misterioso labirinto que faz com que um mundo repleto de fantasia se abra, trazendo junto consequência inimagináveis para a realidade à sua volta.

COMENTÁRIOS: O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno) é uma produção feita em parceria com México, Espanha e Estados Unidos, e que foi escrita, produzida e dirigida por Guillermo del Toro. Este é um filme que reúne tantos elementos que fica até complicado classificá-lo, porém eu considero-o com um terror, por reunir os elementos fantasiosos macabros, violência explícita, e uma atmosfera pesadíssima de um período que por si só já é assustador. O Labirinto do Fauno é sucesso de crítica, bilheteria, e vencedor de uma série de prêmios, incluindo três estatuetas do Óscar 2007.

 

REC (2007)

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SINOPSE: Uma repórter televisiva e seu cinegrafista acompanhavam um grupo do Corpo de Bombeiros em Barcelona enquanto eles atendiam um chamado na madrugada. A princípio seria apenas mais um incidente corriqueiro, no qual supostamente uma senhora estava presa em seu apartamento e gritava ensandecidamente por estar presa dentro do imóvel. Os vizinhos então assustados e preocupados fizeram o chamado. Porém quando chegaram lá nada era realmente o que parecia, a mulher estava tendo um surto por alguma infecção raivosa, e todos os que estavam dentro do prédio foram mantidos sob quarentena. A equipe de reportagem então decide registrar tudo o que podiam do local, ao mesmo tempo que tentavam salvar as próprias vidas.

COMENTÁRIOS: Rec, geralmente escrito como [REC], é um filme espanhol dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza, e que foi roteirizado pelos mesmos com a ajuda de Luiso Berdejo. A produção teve uma excelente aceitação da crítica, além de gerar uma ótima receita para seus colaboradores. Rec é um filme de terror extremamente acelerado e capaz de nos fazer sofrer com a tensão. Usando uma estética de documentário com câmera na mão, a sensação que temos é de realmente estarmos presos junto com o capeta naquele lugar! Recomendo ir ao banheiro primeiro antes de assistir para não correr o risco de fazer nenhum dos números na calça.

 

A ÓRFÃ (2009)

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SINOPSE: Depois de o casal Kate e John Coleman perder o terceiro filho no parto, decidem dar a volta por cima e adotar uma criança para dar novos rumos ao casamento. Optam por Esther, uma menina russa de nove anos que faria companhia aos seus dois outros filhos, Max, que é surda, e Daniel, um menino indiferente a quase todo mundo. As coisas começam a ficar estranhas quando uma série de alarmantes eventos começar a acontecer dentro de casa, e Kate desconfia que talvez Esther seja a razão por trás disso.

COMENTÁRIOS: A Órfã (Orphan) é um filme dos Estados Unidos escrito por David Johnson e Alex Mace, e que foi dirigido por Jaume Collet-Serra. A obra gerou um pouco de polêmica, sendo necessário até que algumas falas fossem trocadas. Tudo isso aconteceu porque as entidades envolvidas com os sistemas de adoção enxergaram de forma negativa essa história de uma criança adotada ser uma vilã, e falas como “Deve ser difícil amar uma criança adotada, tanto quanto o seu próprio”, precisaram ser trocadas por palavras menos pesadas. A Órfã é um suspense de terror de altíssima qualidade. Vale à pena conferir!

 

ATIVIDADE PARANORMAL 3 (2011)

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SINOPSE: Os membros de uma família acham que estão sendo atormentados por um espírito maligno na casa onde moram, sendo assim decidem instalar câmeras para filmar e tentar compreender a razão dos barulhos e  fenômenos aterrorizantes que assolam a residência. E aquilo que era quase uma curiosidade ingênua, se transforma num verdadeiro inferno!

COMENTÁRIOS: Atividade Paranormal 3 (Paranormal Activity 3) é um filme dos Estados Unidos dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman, e que foi escrito pro Christopher B. Landon. Essa é uma franquia que lançava sequências quase anualmente, e que por enquanto estacionou no quinto episódio lançado em 2014. De todos os filmes, esta terceira “aventura”, é a mais interessante ao meu ver da série, a que mais intriga, causa desconforto e medo.

 

A ENTIDADE (2012)

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SINOPSE: Um escritor de romances se muda para uma nova casa com sua família, e acaba encontrando uma caixa com registros filmados de crimes horripilantes que pareciam terem sidos cometidos por um assassino em série. Investigando aquelas coisas, ele e sua família acabam se tornando alvos de uma entidade sobrenatural maligna.

COMENTÁRIOS: A Entidade (Sinister) é uma produção britânico-norte-americana dirigida por Scott Derrickson, e escrita por ele mesmo em parceria com C. Robert Cargill. Este é um filme que usa em sua receita uma série de elementos clichês, mas que diferente do comum, faz tudo de forma muito competente. Perturbador, A Entidade de destoa de uma infinidade de péssimos filmes de “monstros” sobrenaturais que pulam das sombras. Prepare a pipoca, mas também se prepare para o cagaço!

 

A MORTE DO DEMÔNIO (2013)

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SINOPSE: David se junta aos amigos de infância para isolar a irmã Mia, que é viciada em drogas, para tentar vencer a doença. Juntos os amigos vão para uma cabana rústica da família em meio ao nada da floresta, e assim que chegam lá descobrem que o local havia sido invadido. Transformaram o porão em uma espécie de altar satânico, haviam animais mumificados por todo canto, e encontraram um tal de Livro dos Mortos. A estadia que prometia ser tranquila, acaba se tornando em algo pior que o inferno!

COMENTÁRIOS: A Morte do Demônio (Evil Dead) é um remake do clássico de 1981 que traz o mesmo nome. Dirigido por Fede Alvarez, seu texto é levemente adaptado do original por Diablo Cody, Sam Raimi, Rodo Sayagues e o também pelo próprio diretor. A franquia A Morte do Demônio já trouxe vários elementos, e de certa forma sempre deu certo. Porém ainda não havia um filme mais sério e pesado. Quem conhece sabe que o foco sempre foi o humor e a zoeira, só que nesta versão de 2013 a coisa fica bem mais sinistra, e no meu entendimento pessoal, mais assustador. Afinal, à mim o gore faz mais rir do que assustar. Quando vejo filmes de terror quero ter medo de andar pela casa com a luz apagada, e não de escorregar numa poça de sangue.

 

O BABADOOK (2014)

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SINOPSE: Amelia é uma mulher viúva que além até de ser atormentada pela dor da morte violenta do marido, ainda precisa lidar o pavor de monstros de seu pequeno e único filho, Samuel, por quem tem dificuldades de sentir um amor verdadeiro. Após encontrar um misterioso livro, o garoto está convicto de que um monstro deseja matá-lo, e para desespero de sua mãe, começa a agir ainda mais irracionalmente. Porém as coisas vão tomando formas mais nítidas, e Amelia vai percebendo que talvez o filho tenha razão.

COMENTÁRIOS: O Babadook (The Babadook) é uma coprodução do Canadá e Austrália, escrito e dirigido por Jennifer Kent em sua estreia como diretora. O longa se baseia no curta-metragem Monster (2005), também escrito e dirigido por Kent. O filme de terror psicológico chegou ao Brasil apenas através da Netflix, e na minha opinião foi o melhor filme do gênero em 2014. Não é uma obra que recorre a maneiras baratas de dar susto, a atmosfera que Jennifer Kent conseguiu criar, explora a tensão do drama entre mãe e filho, criando uma simbiose com um ser metamórfico maligno inspiradíssimo. Não vá na onda de ninguém, assista você e tira suas conclusões! Depois me diz o que achou.

 

INVOCAÇÃO DO MAL 2 (2016)

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SINOPSE: Os mais famosos demonologistas do mundo, Lorraine e Ed Warren, viajam para  Enfield, no norte de Londres em 1977, para ajudar a família Hodgson, onde uma mãe solteira tem suas filhas atormentada por espíritos malignos. Eventos sobrenaturais inimagináveis não se intimidam em acontecer, e o casal de investigadores começa a crer que uma das filhas está possuída por um demônio.

COMENTÁRIOS: Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2) é um filme estadunidense dirigido por James Wan, e roteirizado por Carey Hayes, Chad Hayes, David Leslie Johnson, e pelo próprio Wan. Eu cheguei a assistir o primeiro Invocação do Mal, e foi um filme bem mediano no meu entender, mas quando assisti sua sequência, o meu queixo caiu. Não se trata apenas de uma boa obra do gênero, mas também um excelente filme independente de gênero. Ótima produção, direção, roteiro, elenco, enfim, um puta filmaço! E aquela freira então… deixo pra você conferir e bater um papo com ela!

 

IT: A COISA (2017)

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SINOPSE: Um grupo de garotos se une para investigar os misteriosos desaparecimentos de vários jovens em sua cidade, incluindo o irmão caçula de um deles. E eles acabam realmente encontrando o culpado, Pennywise, um palhaço metamórfico que se alimenta dos medos de suas vítimas e cuja violência vem se repetindo por séculos.

COMENTÁRIOS: It: A Coisa (It) é um filme norte-americano dirigido por Andy Muschietti, que se baseia na novela homônima de Stephen King. A adaptação do original ficou a cargo de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman. Há quem diga que It: A Coisa não é um filme de terror, bullshit…! É óbvio que é, afinal, o que faz um filme ser terror? Ele te aterroriza? Então é terror! “Ah, filmes de guerra também aterrorizam”. Hmmm… nesse o palhaço aterroriza e é o capeta. Caso encerrado. Espetacular esta primeira parte desta obra-prima de Stephen King. Mas imagino que você já assistiu o filme do Palhacinho Camarada. Ainda não?! Ah para!

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CONTATO VISCERAL – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Will cobria um dos turnos num bar de cidade pequena onde as mesmas figuras carimbadas de sempre se reuniam, porém certa noite um público diferente do cotidiano apareceu. Eram quatro adolescentes que o barman decidiu fazer vista grossa, afinal, pareciam decentes e só queriam tomar umas cervejas. E em meio aos flertes velados de Will à Alicia, que estava acompanhada do novo namorado, uma briga violenta se iniciou entre quem jogava sinuca. Eric, um brutamontes encrenqueiro já conhecido, contra um tal de Marvin, um gigante marombado. A quebradeira foi feia, e um dos garotos que estava lá começou a gravar com o celular, quando Eric foi ferido gravemente no rosto por uma garrafa quebrada. As pessoas conseguiram separar os dois antes que algo pior acontecesse, e com a chamada da polícia, todos fugiram com medo de se meter em mais encrenca. Will olhando o estrago em seu bar nota que o telefone de um dos garotos caiu durante a confusão, e disposto a entregar, coloca no bolso. Chegado em casa, procura uma maneira de desbloquear a tela do aparelho, e tem a ideia de tentar ver o desenho que a marcas de dedo teriam feito. Will responde a mensagem de alguém para aquele celular, se identifica como sendo o barman e que no dia seguinte deveriam ir no bar buscar o objeto perdido. Mas a conversa não para por aí, mensagens e fotos cada vez mais estranhas começam a chegar, desencadeando uma série de situações bizarras.

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COMENTÁRIOS
Não sei como iniciar uma crítica sobre esse filme omitindo tê-lo detestado! Primeiramente ele se vende como um terror, e assim como em Midsommar (2019), outro filme do gênero do mesmo diretor, usa como base o relacionamento conturbado de um casal. Mas diferente do qual eu citei, Contato Visceral (Wounds), não tem nada de assustador ou mesmo aquela estranheza que causa desconforto. O filme com ar de drama em boa parte do seu tempo, acompanha os passos de um homem que vai se revelando cada vez mais problemático, mostrando sua infidelidade, seus vícios, e porque não colocar assim, sua chatura. Will tenta ser engraçado mas não é, e nem essa tentativa de ser, tem alguma graça. Sua esposa não é muito diferente, sempre desconfiada e certamente insatisfeita com o marido, Carrie é colocada em segundo plano na trama. Serve exclusivamente como âncora para embasar o entendimento de Will ser um completo mau-caráter, e é cansativa a artificialidade da comunicação entre os dois. Logo no início do filme, numa situação onde o casal discute sobre a procedência daquele celular, ele simplesmente trava como se admitisse culpa por algo que não fez. E essa incoerência é o que mais incomoda na trama. Quanto ao terror, ele tenta ser algo mais metafórico. E não me levem à mal, essa conversa típica de que se você não entendeu o simbolismo da obra é porque não entrou no clima, ou não teve intelecto para tanto definitivamente não funciona para mim. Basicamente eu vi um filme lento, enfadonho, que o vilão não passava de baratas que se multiplicavam, e o herói deveria ser um dedetizador! Quanto ao seu final, nossa, prefiro nem fazer comentários. Enfim, ainda vale a regra de ouro, você não precisa concordar comigo e nem deve, assista você mesmo e tire suas conclusões.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Armie Hammer, Dakota Johnson, Zazie Beetz, Karl Glusman, Brad William Henke, Jim Klock, Luke Hawx, Kerry Cahill, Terrence Rosemore e Ben Sanders compõem o elenco. Escrito e dirigido por Babak Anvari, Contato Visceral é um filme de terror lançado em 2019 produzido por Christopher Kopp e Lucan Toh. A obra se baseia no livro The Visible Filth de Nathan Ballingrud. A estrutura de produção é da Annapurna Pictures e da AZA Films, e sua distribuição ficou a cargo do Hulu para os Estados Unidos, e da Netflix para o restante do mundo.

CONCLUSÃO
A percepção que eu tenho, é que chega num determinado ponto em que certos diretores ficam tão confortáveis e seguros das próprias capacidades, que perdem a régua do que pode funcionar. Contato Visceral tem um início enfadonho, com linhas de diálogo tediosas, e que quando culmina no seu elemento central, que deveria ser o terror, já se perdeu totalmente. Fica parecendo que estou pegando no pé, mas não consegui encontrar um elemento ao menos qual pudesse dizer: não, isso aí é legal! Enfim, esse é mais uma péssima produção que a Netflix teve a infelicidade de colocar seu selo de distribuidora. Mas o lance é aquele de sempre, a melhor forma de sabermos se algo é ruim, é conferirmos nós mesmos. Contato Visceral tem classificação etária de 16 anos, e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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ELI – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Eli é um menino de 11 anos portador de uma doença autoimune que o leva a ter uma vida difícil, precisando sempre se manter em locais hermeticamente descontaminados para continuar a viver. Toda vez que se expõe, sua pele apresenta uma vermelhidão alérgica, machucando-o como uma grave queimadura. Seus pais, Paul e Rose, descobrem uma clínica que oferece um procedimento experimental, e investem todas suas economias para poder dar uma vida melhor ao filho. O local é uma enorme mansão isolada numa distante região rural, um imóvel enorme e inteiramente protegido dos contaminantes do exterior. Lá a criança é submetida a dolorosos procedimentos médicos, enquanto paralelamente a isso, uma série de fenômenos sobrenaturais começam a acontecer, e se tornando cada vez mais bizarro, Eli começa a questionar se realmente pode confiar  naquelas pessoas.

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COMENTÁRIOS
Enquanto em Jimmy Bolha (2001), Jake Gyllenhaal traz uma visão otimista e divertida das complicações de ser uma criança que precisa viver dentro de uma bolha, em Eli (2019), as coisas não são tão simples e positivas assim. Eli é um menino bastante inteligente que compreende sua própria situação, mas mesmo assim sofre demais com suas limitações. Como uma criança normal, ele gostaria de poder sair de casa para aproveitar as coisas simples sem se preocupar, e o fato de não poder fazer isso, lhe gera muita angústia. Não bastando as dificuldades que lhe atormentavam a vida, ainda sofre com a falta de empatia daqueles que o veem com estranheza devido ao curioso traje plástico que precisa vestir quando está fora de casa. O sadismo e deboche dos outros tiram-no do sério, fazendo com que precise ser acalmado pelos pais, de quem é totalmente dependente para tudo.

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Eli tem uma atmosfera pesada e instigante, começando tímido, vai moldando ambientes e plantando cada vez mais confusão na audiência. Elementos aparentemente desconexos são gradualmente inseridos, e causam cada vez mais estranheza. A trama que se inicia como um drama, toma rumos no suspense e no terror, e até o último minuto sustenta mistérios inimagináveis. Seu roteiro é bastante criativo, e junto com Fratura (2019), lançado quase simultaneamente, ambos pela Netflix, conseguem convencer numa trama extremamente bem escrita. Esse é daquele filmes que é muito perigoso fazer comentários acerca de seu decorrer, mas o que ainda dá para ser dito, é que em certos momentos aparenta que estamos assistindo apenas mais um filme de terror bobo e cheio de jogos de iluminação e jump scares, e de certa forma ele parece não ocultar querer parecer ser isso. Não seja ingênuo, aqui temos um diretor perspicaz e experiente em filmes de terror com mistério, esta é uma obra que vai te surpreender bem mais do que imagina. Digo isso assumindo ser um cara chato e exigente com filmes de terror, quando a coisa não tem conteúdo e é só baboseira, já sento o malho sem pena. Deixo um alerta, não recomendo procurar muita coisa sobre este filme na internet, sejam críticas, material promocionais, e nem mesmo imagens em sites de buscas, acredite, o potencial é enorme de você estragar sua experiência com spoilers não intencionais.

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Charlie Shotwell está excelente interpretando Eli, onde atua com muita naturalidade, conseguindo convencer em momentos de medo, dúvida ou raiva. Já Sadie Sink, a menina ruiva de Stranger Things, é mais do mesmo, e não traz grandes feitos. Kelly Reilly e Max Martini, os pais de Eli, fazem uma boa atuação, assim como a chefe médica Lili Taylor. A direção de Ciarán Foy é inteligentíssima, o cara realmente sabe induzir com que pense exatamente o que ele quer. Você vai ter certeza de que está confortável com uma ideia, e como um um guindaste de demolição, o roteiro faz desabar todas suas convicções quando você menos imaginar.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Kelly Reilly, Sadie Sink, Lili Taylor, Max Martini, Charlie Shotwell, Deneen Tyler, Katia Gomez, Austin Fox, Kailia Posey, Parker Lovein, Lou Beatty Jr., Jared Bankens, Nathaniel Woolsey e Mitchell De Rubira compõem o elenco. Escrito por David Chirchirillo, Ian Goldberg e Richard Naing, Eli é um filme de drama e terror de 2019 dirigido pelo experiente Ciarán Foy, responsável também por A Entidade (2012) e Citadel (2012). A produção é dividida com Trevor Macy e John Zaozirny, utilizando os estúdios produtores Paramount Players, MTV Films, Intrepid Pictures e Bellevue Productions. Distribuído pela Paramount Pictures, e pela Netflix, o longa teve um orçamento modesto de 11 milhões de dólares. Eli está disponível através do serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Flertando com o drama mas descambando para o terror, Eli lida com seu gênero principal de forma bem peculiar. Não é o tipo de filme que se diz que com segurança ser capaz de agradar qualquer público, seu formato, e principalmente sua conclusão, tem potencial enorme de trazer desconforto à algumas pessoas. Seu roteiro inteligente e seus plot twists, são seus principais atrativos, mas não se pode afirmar que seu desfecho seja surpreendente. Como disse antes, eu sou uma pessoa exigente com filmes desse gênero, e esse acertou em cheio para mim! Mas como gosto é algo muito pessoal, recomendo muito que você assista e tire as próprias conclusões. Lembrando, a surpresa eu garanto que você terá! Recomendado para maiores de 16 anos, Eli é uma produção original Netflix, e já está disponível. Tenha um ótimo filme!

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CAMPO DO MEDO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Dois irmãos, Becky e Cal, dirigem numa longa viagem para San Diego. A moça está grávida e começa a sentir um pouco de enjoo, então pede para que Cal pare o carro na borda da pista. Ao lado esquerdo há uma antiga igreja e alguns veículos estacionados, e do direito uma extensa e alta plantação que se perdia no horizonte. Subitamente um grito de socorro vem de dentro da mata, é uma voz de criança. Ele diz estar tentando voltar para estrada, mas não consegue encontrar o caminho. Então uma segunda voz surge, de uma aparente mulher adulta, pedindo para que o garoto não chamasse. Cal então decide ir em busca do menino e entra na vegetação sem hesitar, sendo logo seguido pela sua irmã. Agora dentro daquela mata de mais de dois metros de altura, ele tenta encontrar a criança pedindo para que ele fale alto para que possa seguir o som. Algo estava muito estranho, por mais que ele seguisse a voz, parecia que nunca o encontrava. Começou a duvidar que aquilo não fosse uma brincadeira do garoto, então decidiu se comunicando com a irmão, que iriam pular os dois ao mesmo tempo para basearem suas posições. Fizeram isso, um viu o outro. Ficaram aliviados, não estavam distantes, talvez uns dez metros. Pularam novamente, e para surpresa dos dois algo não estava apenas estranho, estava na verdade muito errado. A distância que antes era curta aumentou umas cinco vezes. Aquilo não fazia sentido!

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COMENTÁRIOS
Stephen King tem o dom de criar histórias fantásticas sempre cheias de muito mistério, e seu trabalho de mais prestígio na atualidade é a segunda parte de It: A Coisa – Capítulo 2. Mas como no próprio filme do palhaço Pennywise, onde ele se sacaneia ao deixar subentendido que também é um autor de péssimos finais, talvez, assim como eu, você possa ter mais uma amostra disso em Campo do Medo (In the Tall Grass, 2019), filme lançado sem nenhum alvoroço no Netflix. O longa é uma produção sem grandes investimentos, basicamente as filmagens se passam num mesmo ambiente do começo ao fim. As atuações não causam grande espanto, tirando Patrick Wilson, ninguém brilha um pouco mais que o mínimo. A direção de Vincenzo Natali consegue efeitos até interessantes, onde mescla alguma computação gráfica nos movimentos em meio a mata com cenas de filmagens reais. A trilha sonora é do compositor canadense Mark Korven, que traz uma boa atmosfera em suas composições que são exploradas apenas em específicos momentos. Campo do Medo para mim foi um filme bem mediano, que após assistido se torna bem esquecível. Uma pena, pois a premissa é interessante e tinha pano para coisas bem bacanas.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Com sua produção não exigindo grandes pirotecnias cinematográficas, Campo do Medo traz um mistério que te prende bastante na primeira metade. A sensação claustrofóbica de estar sendo engolido por uma densa vegetação incomoda, ainda mais quando é descoberto que existem ameaças piores além do labirinto em si. Se escondendo atrás de um simbolismo não muito claro, aquela pode ser uma rocha “mágica” vinda do espaço e que foi adorada por antigos nativos, ou mesmo uma simples pedra que passou por um ritual e se tornou “possuída”. Nesse trecho não há muita discussão, as coisas são como são sem necessário um motivo, uma das características  de Stephen King.

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O que percebemos, ao menos nós nerds, o público que está acostumado com histórias de viagens no tempo, é que das duas uma: ou estão se formando novas linhas temporais onde repetidos personagens possam coexistir, ou a natureza temporal está sendo violada e criando paradoxos proibidos. Geralmente nessas tramas existem regras próprias para a eliminação desse desequilíbrio criado, porém neste filme isso também não é claro, e é nesse ponto que isso me incomodou. Não temos uma linha base para nos segurarmos e formularmos nossas teorias, e assim nos engajarmos mais no quebra-cabeça. Em certo ponto é entendido que a rocha é muito antiga e cultuada por ancestrais nativos, e que a mata em si é apenas uma armadilha para trazer novos sacrifícios para os espíritos que existiam ainda ali. Continuando o raciocínio, a rocha causava uma perturbação temporal ao mesmo tempo que define portais que direcionavam para pontos específicos em outro canto da mata. Ao ser tocada, a pessoa adquire o conhecimento de como funciona todo aquele labirinto, em compensação sua humanidade também é afetada. Ross, o pai do menino, já era uma pessoa excessivamente crédula em dogmas religiosos, portanto uma mente bastante suscetível (e aberta) a receber todo tipo de realidade. Sendo assim, ele abraçou com todas as forças a função de “seguidor” daquela ideia, e agia como aquele quem traria mais sangue para ofertar ao seu novo objeto de culto. Quando Travis decide que não tinha mais nada a perder, o efeito foi diferente. Ele aprendeu todo o mapa de posicionamento naquele labirinto, mas não perdeu totalmente sua humanidade. Então ele toma Tobin pela mão e o leva para fora da mata no instante de tempo que Becky e Cal chegavam ali de carro, e pediu para que o menino fizesse de tudo para impedi-los de entrar. Temos então uma conclusão paradoxal. Travis impediu os irmãos de entrarem na vegetação, desta forma os dois não se perderam para que ele fosse atrás dois meses depois. O meu entender particular não é nada bom, enquanto naquela realidade criada no fim estava tudo bem, as outras não eram anuladas, e as pessoas continuavam mortas ou perdidas. Obrigado Stephen King, você fechou um filme com o pião rodando. Deixa o Nolan ver isso.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Wilson, Laysla De Oliveira, Harrison Gilbertson, Avery Whitted, Rachel Wilson, Will Buie Jr. e Tiffany Helm compõem o elenco. O Campo do Medo é baseado no romance dividido em duas partes de Stephen King em parceria com Joe Hill, In the Tall Grass, de 2012. A adaptação em filme teve sua estreia mundial no Fantastic Fest, no Texas, e uma semana depois chegou ao grande público com o selo de distribuição Netflix. Vincenzo Natali roteirizou e dirigiu o longa, que foi produzido por Steve Hoban, Jimmy Miller e M. Riley.

CONCLUSÃO
Campo do Medo me trouxe de volta a antiga sensação das adaptações de Stephen King, de não ter certeza se achei a experiência boa ou ruim. Seu começo atrai nossa atenção, e faz com que passemos a sofrer de agonia com aquelas pessoas. O problema é que isso insiste um pouco, até o ponto que passa a ficar cansativo. Então eventos fora da curva começam a acontecer. Você começa a entender algumas coisas ao mesmo tempo que não entende nada. Achou confuso? Então assiste e tente compreender o que ficou totalmente nublado para mim. Posso te assegurar que você não saíra revoltado após terminar de assistir, ainda mais por esse ser um filme de apenas noventa minutos. Curte suspense, terror e mistério? Então não liga para meus comentários e confere você aí. Mas depois volta aqui e leia meus comentários com spoilers para gente trocar uma ideia. A classificação indicativa de Campo do Medo é de dezesseis anos, e ele está disponível no serviço Netflix.

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IT: A COISA – CAPÍTULO 2 (CRÍTICA)

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SINOPSE
Haviam se passado vinte e sete anos desde os eventos onde Pennywise trazia caos e morte às crianças de Berry. Quando Mike, o único a continuar morando na cidade, nota os mesmos padrões voltarem a se repetir. Se apegando na confiança da promessa feita entre os membros do Clube dos Otários, o agora homem formado, contacta amigo por amigo explicando que era o momento de voltarem à Berry. A profecia de que Pennywise retornaria foi cumprida e, assim que compreendem a gravidade da coisa, Bill, Stanley, Baverly, Richie, Ben e Eddie, percebem que precisarão lidar com traumas da infância que nunca foram resolvidos.

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COMENTÁRIOS
Diferentemente da primeira parte, It: A Coisa – Capítulo 2, tem bem mais conteúdo para contar, relembrar e explicar. Essa tamanha quantidade de informações complexas que compõem o universo criado por Stephen King, não apenas envolve fatos a serem alinhados num roteiro, mas sim esmiuçar gatilhos de sete perfis psicológicos, relacioná-los, e ter ao fim, tudo posto à mesa, para enfim criar uma conclusão. Como revés, temos um roteiro que causa confusão e, até cansaço no público que se acostumou com o script mais direto da primeira parte. Os 170 minutos do longa são percebidos justamente pelo ritmo lento dos arcos que apresentam flashbacks da infância, e também de alguns momentos do passado que não haviam entrado no episódio anterior.

Assim como no filme de 2017, a obra ainda consegue espaço de encaixar discussões contemporâneas. Se antes a violência do bullying era o principal material de abordagem, agora é a homofobia, uma amostra das doenças de uma sociedade ultrapassada e sem empatia. A coisa é tão grave, que a exposição do assunto trouxe cochichos e comentários ignorantes no cinema onde assisti, quando na cena de abertura (portanto não considero spoiler), um casal de jovens homens se beijam enquanto se divertem num parque. As piadinhas preconceituosas da audiência ignorante foram silenciadas, quando esse mesmo casal é brutalmente espancado por um grupo de personagens covardes, com quais duvido muito eles não terem se identificado. Certamente isso causou um misto de vergonha e desconforto. Quem disse que um filme de terror onde um palhaço assassino que desmembra criancinhas não tem algo a ensinar? Fenomenal, um tapa na cara com inteligência e estilo!

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REFLEXÕES COM MUITOS SPOILERS
Essa conclusão é particular, mas o que entendo, é que o palhaço Pennywise, ainda quando um humano, era um artista frustrado e sem reconhecimento. Esse sentimento de não ser valorizado, somado à uma grave psicopatia, serviu de molde para a entidade cósmica que hibernava na Terra desde tempos remotos. Nos estudos de Mike não é revelado uma literalidade de atos nefastos como os ocorridos em Derry, talvez algo sim tenha acontecido com o uso da consciência de algum nativo Shipkwa, uma vez que elaboraram a armadilha do Ritual de Chüd com o fim de aprisionar ou eliminar a entidade. Necessariamente ‘A Coisa’ trabalha como um vírus, que potencializa medos criando ilusões concretas capaz de ferir fisicamente suas vítimas. Seria o toque? O ar? Talvez isso não importe e nem mesmo Stephen King tenha a explicação, no entanto todas as crianças em algum grau foram expostas à entidade. E ainda levanto uma teoria, admito, sem muita base, mas seriam o restante dos moradores da cidade, bem como os pais das sete crianças, também afetados pelo vírus? Ao meu ver isso explicaria a falta de urgência dos habitantes e os problemáticos e negligentes pais.

Sendo assim concluímos que todos os envolvidos não passam de vítimas de seus próprios medos, e isso de certa maneira inclui Pennywise, que após o contato com a entidade alienígena, desenvolveram cada um a sua própria forma de paranoia. Porém o simples fato de Bill, Baverly, Ben, Eddie, Stanley e Richie terem abandonado a cidade de Berry, fez com que eles criassem um bloqueio de uma série de episódios da infância, e o retorno vinte e sete anos depois causava bastante confusão.

  • 061_03BILL por um infortúnio da vida escolheu não ir brincar na chuva com o irmão por ‘um único dia’, fazendo com que essa escolha tivesse pesado em sua consciência na forma de culpa após sua morte. Apenas quando ele entende e aceita que aquela autoflagelação não fazia sentindo e, que seu pequeno irmão jamais o culparia, ele se liberta da dor se tornando uma pessoa mais capaz. Isso refletia na sua vida fora de Berry, uma vez que era um escritor incapaz de fazer boas conclusões para suas histórias. Vale lembrar que essa situação do homem escritor, é uma brincadeira com o próprio Stephen King, que é considerado por muitos um autor de desfechos ruins. O que na minha opinião é uma completa injustiça, visto sua vasta coleção de trabalhos.
  • 061_04BEVERLY talvez seja a personagem que carregava as cicatrizes mais pesadas. O trauma por ter sido molestada sexualmente por um pai doentio, que além dos crimes incestuosos e de pedofilia, ainda alimentava a culpa na própria filha pela morte de sua esposa. Mesmo com esse fardo do tamanho do mundo, ainda se mantinha durona. Porém conforme avançava na vida adulta, foi se cansando e se tornando uma mulher mais fragilizada. Sempre com péssimas escolhas para o relacionamento e levando uma vida sem muitas expectativas. O momento onde se liberta das amarras de dor, é quando percebe a verdade sobre uma crença que guardou desde a infância. Não era Bill a razão de seus sentimentos, mas sim Ben, aquele rapaz encantador que sempre admirou seus “cabelos de fogo, como brasas no inverno”. Beverly tem um diferencial entre os demais, ela possui o dom de prever através de sonhos e pesadelos, certos acontecimentos com aqueles que tem proximidade. Essa capacidade não é explicada e não tenho grandes teorias sobre a razão, só sei que o único fato claro é dela ser a única mulher do grupo.
  • 061_05MIKE foi o único do grupo que nunca saiu da cidade. O jovem se sentia culpado pela morte de seus pais num incêndio quando era pequeno, e isso sempre lhe atormentou. Seu sonho era conhecer novos horizontes, talvez a Flórida, mas ele se viu agarrado por algum motivo à Berry. Após terem enfrentado Pennywise quando crianças, Mike passou a pesquisar de forma compulsiva tudo sobre aquela criatura. Em seus estudos chegou a um grupo de nativos que guardava a história da chegada de uma entidade cósmica naquela região. Os Shipkwa tentaram impedir a ameaça extraterrestre através de um ritual, no entanto não obtiveram sucesso. A ferramenta para tal, era um artefato como uma caixa, na qual cada guerreiro disposto a enfrentar o ser precisava depositar como oferenda, um objeto que fazia parte de sua própria existência. Beverly tinha o bilhete de Ben (que acreditava ser de Bill), Ben tinha o autógrafo de Beverly, seu amor platônico, Eddie tinha sua bombinha de asma, Mike uma pedra suja de sangue da briga contra uns valentões, Bill conseguiu o barquinho S.S. George, feito para o irmão no dia de seu desaparecimento, Richie uma ficha de fliperama, que marcou um momento de dor pela traição de quem achava poder confiar, e Stanley uma das toucas engraçadas para prevenir aranhas na cabeça, quando estivessem sede subterrânea do Clube dos Otários. Mike é a chave principal para dar fim à Pennywise. Herdou de seu pai, Will, várias informações sobre o macabro palhaço, e por conta de não ter saído da cidade, nunca esqueceu de todos os detalhes. Para ele superar o trauma, estava diretamente relacionado em acabar com aquela entidade e honrar a vontade de seu pai.
  • 061_06BEN desde a criança se mostrou uma criança muito inteligente e introspectiva. Junto com Mike, foi um dos últimos garotos a se juntar ao Clube dos Otários após ter sido ferido por Henry Bowers com um “H” riscado com um canivete em sua barriga. Ben, embora bem maduro para sua idade, ainda tinha complexos por conta da sua aparência. Estar acima do peso sempre foi motivo de vergonha e insegurança, tanto que nunca soube se declarar a Beverly, a menina que amava. Certa vez escreveu um poema em um cartão postal, mas devido a um mal entendido, chegou as mãos de Beverly com o entendimento de que seria Bill o autor. Levou consigo a fraqueza até a vida adulta, e embora se esforçando ao ponto de se tornar um belo e imponente homem, musculoso e nada gordinho, ainda assim era a mesma  criança insegura por dentro. Superou seu trauma no momento em que Beverly descobriu que era por ele sua verdadeira paixão.
  • 061_07EDDIE teve sua vida destruída pela própria mãe. Uma mulher obesa, manipuladora e controladora, que a o invés de levantar do sofá e buscar viver a vida, ainda fez de tudo para levar o filho para o mesmo buraco. Colocando-o como uma criança excessivamente frágil, Eddie tinha medo de tudo, nojo de tudo, e com isso se tornou uma pessoa hipocondríaca incapaz de ter uma vida normal. Quando chegou na vida adulta, inconscientemente buscou uma mulher nos mesmos moldes da mãe, tanto fisicamente  como em temperamento. Superar seus problemas seria complicado, visto que teria que desconstruir uma série de pequenas crenças absurdas que sua mãe enfiou em sua cabeça. Mas simbolicamente Eddie tinha aquela famigerada bombinha de asma, e o simples fato de se libertar daquilo, era mais que o suficiente para também se livrar de suas amarras.
  • 061_08RICHIE sempre foi um comediante. Estava sempre fazendo piadas com e entre os amigos, e nunca levava nada a sério. O menino guardava um segredo, e era por trás do humor ininterrupto, que ocultava seu sofrimento pessoal. Richie era homossexual e nunca teve apoio para compreender direito o que seria isso. Era uma realidade íntima que não se permitia de forma alguma revelar, porém sempre teve a atração pelo amigo Eddie. Por dentro era uma pessoa amargurada e triste, muito diferente da fachada que se esforçava para manter. Nos instantes finais no conflito contra Pennywise, Eddie é atacado e morre. Então Richie desaba enquanto revela seu segredo e o amor pelo amigo. Sua superação era perceber que aquelas pessoas valiosas para ele não se importavam se ele era ou não gay, mas fazia diferença sim eles verem sua felicidade.
  • 061_09STANLEY como dito pelos membros do Clube dos Otários, era o melhor deles todos. O jovem era judeu num ambiente bem conturbado quando se tratava em respeitar escolhas religiosas. Era alvo da intolerância de Henry Bowers, e até mesmo piadinhas do amigo Richie. Metódico e maduro, sempre se manteve cético quanto às macabras ilusões criadas por Pennywise. E é nesse conflito de realidade e crenças, que Stanley alcança a vida adulta e constitui sua família. Vinte e sete anos depois do pacto de sangue, recebe a ligação de Mike e, na sua guerra interna não consegue lidar com saber que precisaria voltar a Derry e lidar novamente com seus caóticos conflitos. Stanley então se tranca no banheiro de casa, entra na banheira e comete suicídio cortando os próprios pulsos. Ao final do filme todos os membros do Clube dos Otários recebe uma carta, na qual Stanley revela ter se sacrificado para que as previsões de Beverly não se cumprissem e assim conseguissem mudar o destino ao enfrentar Pennywise.

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O CONFRONTO FINAL
O planos de Mike para derrotar Pennywise acaba não dando certo, mas revela a real forma da ‘Coisa’. A entidade extraterrestre na realidade era um conjunto de três esferas fortemente iluminadas. Algumas pontas ainda estavam soltas, nem todos haviam superados seus medos e encontrado a chave correta para derrotar o inimigo. Mas é quando Mike percebe o ponto fraco de Pennywise. Assim como Richie, o palhaço também se escondia atrás de uma máscara, e por trás da fachada só sobrava medo. Como dito antes, Pennywise não passava apenas de mais uma vítima daquela aberração vinda do espaço, portanto, assim como todos, tinha fraquezas por dentro. Então o jogo a ser feito era o mesmo qual ele vinha fazendo com suas vítimas, a imposição do medo! Então Mike, Bill, Beverly, Ben e Richie, se unem com comentários depreciativos à Pennywise. Que aos poucos vai enfraquecendo e literalmente diminuindo. Chegando ao ponto dele ser tão pequeno e vulnerável, que Mike enfia a mão em seu peito retirando assim seu coração. Então o Clube dos Otários põe um fim ao ciclo de terror em Berry quando com as próprias mãos destroem aquele resquício da ‘Coisa’.

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AMADURECIMENTO E DIAS MELHORES
Após os sacrifícios de Stanley e Eddie, aquelas cicatrizes das feridas pelo pacto de sangue, desaparece das mãos dos sobreviventes. Fazendo entender que definitivamente tudo aquilo tinha acabado. Ben e Beverly finalmente encontram o paradeiro para suas vidas, e decidem rumar juntos à partir dali. Eddie agora é confiante de si e nada mais tem para esconder. Bill volta ao trabalho, conseguindo agora melhorar os finais de suas histórias, quando recebe uma ligação de Mike, agora em viagem e distante de Berry.

A soma dos dois episódios de It: A Coisa, não é um simples filme de terror psicológico, mas uma lição de esperança para todas as pessoas que acham que seus problemas são grandes demais. Aquele grupo em particular, os moleques do Clube dos Otários, só precisavam amadurecer. E a prova definitiva disso é a ligação de Mike para Bill, meses após terem derrotado Pennywise, quando um amigo diz amar o outro. As piadinhas imaturas ficaram no passado, agora aquelas pessoas se tornaram adultas e dispostas a cultivar apenas o que de melhor podem oferecer e ter dos outros.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Jaeden Lieberher, James McAvoy, Jeremy Ray Taylor, Jay Ryan, Sophia Lillis, Jessica Chastain, Finn Wolfhard, Bill Hader, Wyatt Oleff, Andy Bean, Chosen Jacobs, Isaiah Mustafa, Jack Dylan Grazer, James Ransone, Nicholas Hamilton, Teach Grant, Bill Skarsgård, Jess Weixler, Will Beinbrink, Xavier Dolan, Taylor Frey, Jackson Robert Scott, Javier Botet e Joan Gregson, compões o elenco de atores principais. A direção fica por conta de Andy Muschietti, enquanto a produção é dividida entre Barbara Muschietti, Dan Lin, Roy Lee, Seth Grahame-Smith e David Katzenberg. Com um orçamento de 80 milhões de dólares, o filme com apenas dois dias de exibição nos cinemas já ultrapassou de forma considerável o seu custo. Tendo o valor da receita final atualizarei as informações!

CONCLUSÃO
It: A Coisa – Capítulo 2 é a conclusão do filme de 2017, portanto se você ainda não assistiu ao outro, esqueça esse e vá assistir a primeira parte. Avisado o óbvio, esse é um fechamento magistral para o romance de Stephen King que merecia muito uma produção à altura de seu romance de 1986. Uma produção fantástica que não faz sentido separar os dois episódios, então quando falo deste segundo episódio, na verdade faço referências às duas obras como uma só. A direção brilhante de Andy Muschietti conseguiu dar vida a um roteiro intrincado, tirando o melhor de um número enorme de atores.  It: A Coisa passeia pela comédia, drama, romance, suspense e terror, e em tudo que se compromete, faz com excelência! Pode ter certeza, essa se tornará uma das obras lendárias do cinema.

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IT: A COISA (CRÍTICA)

 

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SINOPSE
Meses após o desaparecimento do irmão, Bill guarda um sentimento de culpa muito forte. Acredita que se ele estivesse presente fazendo companhia ao pequeno George naquele dia chuvoso, nada disso teria acontecido. Não importava a falta de esperança dos outros, incluindo da própria família, o irmão mais velho não aceitava, e continuava a buscar meios de encontrar seu amado irmão. Bill tinha uma teoria de onde seu irmão poderia ter ido parar quando foi levado pela chuva na queda naquele bueiro, então recorre aos seus melhores amigos, os membros do Clube dos Otários, para partir na busca. Aquele era o ano de 1987 na cidade de Derry e, não apenas George havia desaparecido, mas misteriosamente várias outras crianças também. E nessa aventura de terror psicológico, o grupo de crianças experimenta uma série de macabros fenômenos envolvendo um misterioso palhaço conhecido como Pennywise.

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COMENTÁRIOS
It: A Coisa (2017) é uma obra adaptada do romance de Stephen King, que conta com mais outras duas versões, a minissérie americana para TV de 1990, que mais tarde fora compactada em um filme, e uma segunda minissérie indiana de 1998. A primeira chegou no Brasil como It: Uma Obra-Prima do Medo, e fatiava o grande volume do livro em duas partes de três horas cada, trazendo a infância daquele grupo e a transição 27 anos depois para a vida adulta. Apesar de suas inúmeras falhas a minissérie funcionou, e embora não seja muito repercutida hoje em dia, tornou-se um clássico cult de suspense e terror. A série indiana segue a mesma fórmula, sete crianças que enfrentam um monstro que se transforma no palhaço Pennywise. Porém essa é uma produção bem bizarra e, não exatamente por conta do seu baixo orçamento, mas pelas curiosas escolhas da adaptação. Diferente da versão original do romance, Pennywise não se apresenta pela primeira vez dentro de um bueiro, mas sim dentro de uma piscina. Quer conferir essa tosqueira? Clica aqui e assista o primeiro episódio disponível no Youtube. Aliás, a série inteira está lá.

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Com tantas adaptações controversas, Stephen King ainda merecia uma adaptação à altura de seu excelente trabalho original, e o longa de 2017 entregou o presente. It: A Coisa mostra o primoroso esforço do diretor Andy Muschietti em dar coerência a um roteiro tão inflado e complexo. Respeitando a obra do livro,  traz uma qualidade muito diferente do que estamos acostumados a ver no suspense e terror. A trama segue a mesma formula e, é quebrada mais uma vez em duas partes, sendo esta primeira, o filme de 2017, contando a infância do Clube dos Otários e a maneira que eles lidam com Pennywise.

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A produção tem forte influência narrativa e conceitual no filme Conta Comigo (Stand by Me, de 1986), também baseado em um conto do genial Stephen King. Evocando um grupo de crianças com diferentes distúrbios psicológicos devido a criação por péssimos pais. Enquanto uns mostram problemas comportamentais não tão graves, outros tem a vida imersa em pesadas sessões de abusos. O longa também traz o clima de aventura, que se inspira em outro importante clássico dos anos oitenta, Os Goonies (The Goonies, de 1985). O resultado é parecido com o que temos atualmente na série Stranger Things, porém com uma linguagem, tanto literal quanto conceitual, bem mais pesada e suja que o seriado da Netflix.

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Com a cena de abertura pesadíssima do bueiro, conseguimos medir o tamanho da ameaça que aquelas crianças terão de lidar, e ficamos intensamente apreensivos a cada episódio nos quais cada uma delas é inserida detalhadamente na trama. Seus pais são completamente desequilibrados, e isso faz com que aqueles garotos tenham ciência de estarem por conta própria. São crianças que sofrem com o bullying dentro e fora da escola, com os maus-tratos familiares, e com pais cegos por dogmas religiosos. It: A Coisa é uma excelente obra do terror psicológico, que respeita o telespectador trazendo qualidade em tudo que se compromete a oferecer. Sabe ser comédia, drama, romance e, obviamente, suspense e terror psicológico, tudo no momento correto e na medida certa.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
As principais atuações são de Jaeden Lieberher, Bill Skarsgård, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Wyatt Oleff, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Nicholas Hamilton e Jackson Robert Scott. A direção fica por conta do argentino Andy Muschietti, que já havia mostrado um pouco do seu talento em Mama (2014). A produção é dividida entre Roy Lee, Dan Lin, Seth Grahame-Smith, David Katzenberg e Barbara Muschietti. O roteiro é trabalho conjunto de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman. A produção teve um orçamento modesto de 35 milhões de dólares, com uma receita final de incríveis 700 milhões!

CONCLUSÃO
It: A Coisa é um filme impecável ao meu ver, e evoca o subtítulo da série de 1990, fazendo com que essa seja sim ‘Uma Obra-Prima do Medo’. Obviamente tem suas falhas, mas elas são minúsculas e não possuem nada que mereça um destaque depreciativo. A produção é agradável por toda sua extensão, trazendo atuações mirins incríveis, e um vilão verdadeiramente ameaçador! Então esteja preparado para uma aventura densa, assustadora e cheias de mistérios na cidade de Berry. E lembrando, esta é apenas a primeira parte da incrível obra de Stephen King! Bom filme!

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JOGO NA ESCURIDÃO (CRÍTICA)

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Embora este filme tenha sido classificado como 16 anos, acredite em mim, ele deveria ter sido listado como 18.

SINOPSE
Uma onda de assassinatos sádicos contra mulheres vem ocorrendo no ano de 2017, e retratando um destes episódios, o novo longa indiano de suspense psicológico inicia. A cena de abertura é pesadíssima, utilizando a filmagem da câmera de um doentio serial killer enquanto ele espreita o momento de descanso de uma moça. Despercebido ele entra na casa onde se mantém oculto nas sobras até que ela adormeça. As imagens que se seguem mostram o quanto grotesco e desumano alguém pode ser com outro, os detalhes são excessivamente macabros e inenarráveis. O resultado é termos uma jovem assassinada, decapitada e com seu corpo incinerado.

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Um ano se passa após essa morte, e acompanhamos os dias de Swapnam, uma designer e desenvolvedora de jogos que luta contra um trauma de seu passado recente. A jovem mulher mora numa casa bem aparelhada, na qual Kalamma cuida de suas necessidades pessoais diárias, e Anwar cuida da segurança na portaria do imóvel. Swapnam traz consigo um grande trauma, que faz a moça não conseguir se manter em ambientes de escuridão, e isso cada vez mais prejudica sua qualidade de vida. No seu pulso esquerdo ela traz uma pequena tatuagem de um coração com um controle de videogame no meio, mas o que ela não fazia ideia, é que na pigmentação da tinta fora misturado cinzas de uma pessoa morta. E isso seria a chave para bizarras coisas que sucederiam.

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RESUMO COMENTADO E COM SPOILERS!
Jogo na Escuridão é um filme atípico. Vendido pela Netflix como um filme de terror, a produção não traz verdadeiramente elementos para essa classificação. O que temos é uma obra de drama e suspense com grande peso na tensão psicológica. Swapnam é uma personagem mal explorada pelo roteiro, que em sua sinopse enfatiza a descrição de uma designer de games, mas tem isso como completamente irrelevante para o desenrolar da trama. Seus traumas são relembrados em todo momento do longa, e entender como desenrolou isso faria total sentido para compreender a grandeza do que ela precisava superar. Mas não, o roteiro não colabora em momento algum para dar clareza à nada. Basicamente passamos mais da metade do filme acompanhando a jovem em suas sessões de terapia para aprender a lidar com seus medos.

A tatuagem que havia feito no pulso começa a doer inexplicavelmente, então ela volta ao estúdio onde havia feito para tentar entender o que poderia ser a causa. Mais de um ano tinha passado desde a aplicação, então não fazia sentido uma reação agora. Até a tatuadora que atendeu fica sem entender, porém ela revela algo delicado. Haviam pessoas que traziam as cinzas de seus entes queridos na intenção de misturar na pigmentação. A ideia era de levar algo da pessoa amada sempre consigo. E o que ocorreu, é de ela ter confundido, e usado uma destas tintas no pulso da jovem. Swapnam fica indignada com absurdo do que ouve, era inaceitável a condição de ter algo de uma pessoa morta presa ao seu corpo.

Voltando à sua rotina, Swapnam vai empurrando a vida com a barriga, até o momento qual enfrenta a situação desconfortável de ao entrar numa cafeteria ser reconhecida por dois homens. Os rapazes conseguiram identificá-la como a mulher amarrada de um vídeo. Os dois comentam em tom de zombaria ser realmente ela, e isso não faz sentido algum. Porque alguém acharia graça da desgraça de uma mulher dessa maneira? Fica aí ainda mais um motivo para se compreender o que ocorreu de tão grave um ano atrás, e que gera tanta dor para ela. Mas não importa, o filme fecha e isso realmente não é elucidado.

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Durante um dia de terapia Swapnam está esgotada, não aguenta mais e se entrega as dores. Salta de um edifício procurando a morte, mas não adiantou, aquela ainda não era sua hora. A jovem fica bastante machucada, quebra alguns ossos e passa a andar de cadeiras de rodas. A gravidade da sua saúde também não é explicada, portanto não sabemos também se o fato de não poder andar é apenas uma situação momentânea ou permanente. E se antes seu psicológico era terrivelmente afetado, agora ele estava em migalhas por estar ainda mais impotente.

Certo dia Swapnam recebe uma visita. Era uma mãe, justamente a mãe da jovem moça que tinha sido brutalmente assassinada no começo do filme. Ela conta sua história, e explica o quanto sua filha era uma pessoa forte que lutava pela vida. Vinha numa longa batalha contra o câncer e mesmo assim nunca se abatia. Em comemoração sua última vitória contra a doença, combinaram de fazerem juntas uma tatuagem. Mas a jovem não teve tempo, foi morta antes que pudesse cumprir a promessa. Por conta desse pedido da filha que a mãe em sua homenagem decidiu fazer essa “tatuagem rememorativa”, o nome que o estúdio deu pra técnica.

Tal revelação fez mudar completamente as coisas. Saber que por trás daquela marca havia o sangue de uma guerreira te trazia coragem. Só não ficou claro ainda o porque daquelas pontadas de dor, mas sem tardar ela entenderia. É chegada então a noite qual o caos invadiria completamente sua vida. Aquele mesmo cara que matou a jovem do começo, e que na realidade não era apenas um, mas pelo menos três homens, haviam matado o vigia da portaria e agora tentavam entrar na casa.

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FINALMENTE ALGUNS PORQUÊS
MAS NÃO TODOS (+SPOILERS!)

Assim que um assassino entra Swapnam percebe que no seu braço surgiram mais duas tatuagens, totalizando assim três corações. A jovem ainda não entendia o que aquilo queria dizer. A ação desenrola rápido, o homem entra, mata Kalamma, e em seguida alcança Swapnam. Numa cena arrepiante ele corta a cabeça da jovem, e isso pela ótica da própria vítima! Uma boa sacada da direção onde escondeu o grafismo de um gore que não se encaixaria no todo, mas manteve a carga de peso do ato cruel. Pensamos: sério, o filme acaba assim? Não, ele continua.

Como num jogo, Swapnam perdeu uma vida. Ela descobre isso olhando para o seu pulso onde haviam três corações e agora restavam dois. Inserida na partida ela tenta tirar melhor proveito da situação para se safar daqueles assassinos. Mais uma vez não consegue. Até chega a ativar a polícia mas tudo dá errado, desta vez ela é morta queimada dentro de uma viatura da polícia enquanto era evacuada de casa.

Pronto, restava apenas a última ficha. Quer dizer, coração. Swapnam joga diferente. Antes seu trauma vinha atrapalhando na sua desenvoltura para sobreviver ao ataque. Então era questão de vida ou morte. E não só dela, mas de Kalamma também. Ao ouvir o primeiro ruído dos invasores ela mantém o controle. Com grande esforço e inspirada na menina que de alguma forma sobrenatural lhe ajudava, manteve a calma e não entrou em pânico quando as luzes se apagaram. Seguindo a regra de manter a racionalidade, eliminou um à um aqueles psicopatas. Se salvando e mantendo a vida de Kalamma. O vigia, bem. Esse não teve sorte mesmo. Já estava morto antes do checkpoint.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Taapsee Pannu, Vinodhini Vaidyanathan, Anish Kuruvilla, Sanchana Natarajan, Ramya Subramanian, Parvathi T., Maala Parvathi, David Solomon Raja, Indrajith, Subramanian, Soorim, Capt KRC Pratap, Vignesh Shanmugham e Joshua Miller compõem o elenco. O roteiro é de Ashwin Saravanan e Kaavya Ramkumar, e a direção de Ashwin Saravanan.

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CONCLUSÃO
Jogo na Escuridão é um filme com muitos furos no roteiro. Apresenta vários elementos na trama mas não os desenvolve, e isso acaba prejudicando as reflexões comuns de filmes desse gênero. A obra gera inconstância, as vezes caminhando bem e as vezes batendo justamente nessas falhas. De qualquer forma, e mesmo com esses defeitos, ainda é uma filme que vale à pena ser visto. Nos seus pontos positivos ele segue bem, trazendo a sensação constante de agonia e impotência em situações sinistra. A produção é original da Netlix e já está disponível na plataforma. Tenham cautela com as crianças, esse não é um filme adequado para elas.

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BRIGHTBURN: FILHO DAS TREVAS (CRÍTICA)

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SINOPSE
Certa noite o casal Tori e Kyle Breyer conversa na cama sobre o quanto queriam ter um filho, quando de repente um fortíssimo estrondo rompe os céus. Tori olha pela janela notando a mata ao longe estar iluminada em vermelho, algo havia caído. Eles correm em direção ao local onde encontram um bebê em meio uma estranha cápsula. Não havia dúvidas, aquele era um presente enviado. O filho que tanto queriam. O anos passam e Brandom cresce, agora com 12 anos começa a mudar seu comportamento. A adolescência chega para todos. No entanto este rapaz leva essa natureza fisiológica um pouco mais além, trazendo de seu interior um sentimento maligno. Algo capaz de trazer as trevas para a pacífica Brightburn!

Brandom vs Superman

SUPERMAN AO AVESSO? COMO ASSIM?!
Brightburn: Filho das Trevas é um terror bem fora do convencional, e fiquei bastante curioso quando ouvi falar pela primeira vez da sua proposta. Não é segredo para ninguém que a obra se inspira no herói Superman original da DC Comics. Mas e aí? Isso seria algo bom? Transformar o bondoso Clark Kent num vilão sanguinário seria uma boa ideia? Precisava entender direito o que viria ser isso. E tenho que confessar, gostei bastante do que vi. Por mais que tenhamos como referência o clássico homem de aço, e esperemos a mesma coisa de forma invertida, ainda assim somos surpreendidos a todo instante.

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Não recordo de nenhum filme do gênero que tenha recorrido à um inimigo tão imponente assim. Se normalmente já nos borramos com vultos ou seres demoníacos com os olhos totalmente pretos, imagina com uma criança de comportamento estranho e capaz de feitos sem limites. Ficamos completamente tensos por estarmos literalmente expostos às vontades de um garoto com sentimentos anárquicos. Não sabemos qual ameaça virá em seguida. É exatamente esse tipo de sensação que o filme instiga sentir, e tem total êxito. Temos jump scare na medida certa e violência visual alcançando o patamar do gore, e tudo se encaixando perfeitamente à narrativa da obra. São cenas bizarras que ilustram o quanto aquele moleque se tornou mentalmente doente e diabólico. Assista ao trailer!

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EXPLICAÇÕES COM SPOILERS, ÓBVIO!
Inicialmente ele é apenas um garoto como outro qualquer, talvez um pouco mais introspectivo e estudioso, mas ainda assim uma criança normal. Porém as coisas começam a mudar quando ele passa a ser atormentado por uma voz sinistra vinda de seu interior. Aos poucos ele vai descobrindo uma força sobre-humana, desenvolve a capacidade expelir lasers dos olhos, de se mover em alta velocidade, e até voar. Mas antes de tentar entender o vilão, é primeiro preciso entender a pessoa por trás dele.

Brightburn

Podemos compreender Brandom de duas maneiras. Ele pode ser sim a origem do mal, ou pode ser que esse mal tenha embarcado junto dele na cápsula. No meu entender o menino era uma folha em branco, que não é bom e nem mal. Nota-se que seu comportamento é livre de emoções, ele não era empático aos outros, visto que nunca conheceu o que era sofrimento. Afinal, ele nunca havia se machucado ou fica doente nesses anos todos. Essa falta de afinidade com as pessoas ao seu redor faz florescer um sentimento de indiferença. E no dia em que outras crianças caçoavam dele por mostrar uma inteligência prolixa, fora protegido por uma amiga da qual ouviu “os inteligentes são os que dominarão o mundo”. Essa frase ecoou no seu consciente fazendo ficar convencido de que era superior aos demais. Todos deveriam então se curvar à ele. E assim começa uma escalada de violência e terror. Quem não compreendesse sua posição como inferior era subjugado cruelmente.

Cast Brightburn

ELENCO E FICHA TÉCNICA
Elizabeth Banks, David Denman, Matt Jones, Meredith Hagner, Jennifer Holland, Jackson A. Dunn, Steve Agee, Gregory Alan Williams, Becky Wahlstrom, Christian Finlayson, Elizabeth Becka, Stephen Blackehart, Terence Rosemore, Emmie Hunter, Mike Dunston, Annie Humphrey, Gwen Parrish, Leah Goodkind e Shaun McMillan compõem o elenco de Brightburn: O Filho das Trevas. A direção fica a cargo de David Yarovesky, que é conhecido também pelos trabalhos em Guardiões da Galáxia e A Colmeia, ambos de 2014. Todas as atuações são bastante competentes, não deixando margem alguma de desconforto em qualquer momento. No entanto o pequeno Jackson A. Dunn conseguiu um destaque um pouco maior com seu olhar penetrante e de expressão apática. Chegando a causar incômodo pela maneira fria com a qual ele encara seus desafetos.  A direção de Yarovesky consegue te inserir com solidez nesse ambiente sombrio tirando proveito da boa fotografia e de ângulos de câmera que valorizam cada cena.

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CONCLUSÃO
Fugindo do terror convencional Brightburn: O Filho das Trevas começa de forma lenta, enquanto pincela aos poucos a estrutura do clássico filme Superman. Embora sua premissa seja essa, ainda assim é uma obra de muita personalidade e qualidade. Faz lembrar as primeiras produções da carreira de Shyamalan, com a intensidade de mesclar o fantástico à uma atmosfera sombria e pesada. Temos aqui um verdadeiro filme de suspense e terror, capaz de gerar altas cargas de tensão e ansiedade, e que vai agradar quem busca algo de qualidade nesse gênero. Mas fique ligado, o filme possui cenas pós créditos!

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BATES MOTEL: ORDEM DOS FATORES

Bates Motel psycho

O santo da vizinha fofoqueira morta havia baixado em mim.

Mergulhei na escuridão quando decidi pela espontaneidade iniciar uma nova série. Sou do tipo exigente com as coisas, não necessariamente pela quantidade de qualidade, mas pela solidez da proposta. Mesmo mais simples que ela possa se mostrar ser de vez em quando. Eu não conhecia absolutamente nada da série Bates Motel, quando um amigo revelou ser um derivado do original Psicose, de 1960, qual também nunca tinha assistido. Resolvi então tomar o rumo de conferir a renomada obra-prima de Alfred Hitchcock, que advinha, nunca havia me atentado a nada em particular. A maioria dos cultuados clássicos estão ainda fora da minha estante de consumidos. A Lista de Schindler, O Poderoso Chefão, Um Corpo que Cai, Doutor Jivago, …E o Vento Levou, Casablanca, e muitos outros, todos na minha sentença de passagem direto ao inferno, caso não assista enquanto encarnado. Então fiz o que me pareceu ser o mais correto para entender a amplitude de intenção daquele seriado, que eu já devia ter assistido uns três episódios. Procurei pela internet e dei de cara com algumas refilmagens não muito convincentes, queria o original. E depois de uma pequena dificuldade, ainda assim bem maior que imaginava, consegui acesso ao clássico descolorido.

Madrugada à dentro parto eu, que geralmente cético, me sentia obrigado a ter absolutamente respeito em não supor que aquele poderia ser um caso de exagero da crítica. No meu subconsciente aquele filme tinha uma aura, fazia parte dos meus preferidos sem nunca ter sido visto. Confuso, não? Pipoca? Não, peguei Cheetos. Cheetos Lua. Com Mate Leão. Sabor limão.

Sentei, me acomodei e dei plei. Uma leve sensação de deslocamento temporal pela película envelhecida, mas muito bem, e entramos pela janela daquele apartamento. É preciso ser dito, tudo era muito bem escrito. Cada simples diálogo parecia ter surgido de improviso. Parecia real que eu tinha entrado pela janela de alguém e me intrometido na intimidade de conversas intrigantes que não eram da minha conta. Eu queria mais. O santo da vizinha fofoqueira morta havia baixado em mim. Aquele filme mal tinha começado e me sugava para um vouyerismo doentio, mas e daí, ninguém estava vendo. Só eu. A coisa progride junto com uma tensão que não lembro ter notado em nenhum outro filme. Hitchcock não só tinha uma aura de gênio, parecia ser um caso verídico de genialidade. Meme de mãozinha no queixo. Sentia estar me filiando à Seleta Ordem dos Críticos Cults de Cinema, isso não me cheirava digno de orgulho. Medo de partir numa odisseia de querer organizar os DVDs e VHSs por ordem de diretores e envergonhar a família Pereira.

Aquela pessoa de caráter duvidoso que seduzia minha simpatia precisava ser desmascarada. Meus olhos sangravam em cumplicidade e repulsa, me sentia invisível e amordaçado de carona naquele carro. Impossível um cara tão insistente também ser tão complacente, olha o carona! Me pergunta que eu digo o que essa ignóbil fez! Era sufocante ver o quanto a gentileza impedia aquele maluco de dar uma dura naquela suspeita e arrancar dela seu segredinho recente. Não importa, éramos parceiros e ela precisava se safar. Continuando a se aventurar pela tempestade do julgamento da própria consciência, Janet chega ao Motel Bates. Onde logo é atendida por um simpático jovem adulto que lhe dispõe onde se alojar. Daí é ladeira à baixo na estranheza das motivações que levam uma mulher se expor da maneira que o faz, bem como se comporta um gerente de hotelaria com seus inquilinos. Ou aquilo fugia a curva do habitual para ambos? O grand finale não tarda muito à vir. E não, não darei spoiler desse recém lançamento.

Como dito no começo, não importa o quanto algo é complexo ou nada complexo, à mim a consistência do como é feito que é relevante. Poucos personagens, poucas locações, pouca trama e poucos elementos, no entanto muita veracidade em narrativa e construção de personagem. Um filme de quase sessenta anos e com rostinho de bebê. Uma belíssima linguagem atemporal que causa estranheza de tão realista.

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Lincando as duas obras, o original de Psicose com a série Bates Motel, abre-se um dilema. O que assistir primeiro, a construção lenta e profunda do personagem central, ou seu resultado caótico como adulto? Antes de tomar a decisão de voltar no tempo e presenciar a obra que tantos admiravam, qual não imaginava o porquê, estava bastante receoso de talvez estar sabotando minha própria experiência. Mas agora estando próximo à quinta temporada, e ter assistido o filme primeiro, a sensação é de que tanto faria. Nenhuma das ordens é errada e nenhuma é certa, as duas gerarão crescente expectativa do observador atento. As duas obras funcionam perfeitamente bem isoladas ao mesmo tempo que funcionam de forma excelente em conjunto. Sendo como for, vai fundo.

Agora me resta concluir a série e assistir as sequências do filme. Estou temeroso com essas continuações, definitivamente é complicado fazer jus à obra de arte que é o primeiro. Como me conheço um pouco, estou seguro de que a curiosidade falará mais alto.

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