BAAHUBALI 2: A CONCLUSÃO (CRÍTICA)

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ATENÇÃO! De forma alguma leia esta crítica sem ter visto Baahubali: O Início primeiro, isto está repleto de spoilers! Afinal, os dois filmes são sequências diretas e não podem ser dissociados.

SINOPSE
Mesmo sendo criado por uma humilde tribo e por pais amorosos, Shivudu sempre buscou compreender sua verdadeira origem, e para isso ele superou grandes desafios, alcançando o até então desconhecido reino de Mahishmathi no topo da montanha. O que era apenas uma curiosidade que tomava como inspiração uma ilusão, fez revelar uma enorme decepção. A desigualdade e a injustiça imperava sobre um povo que clamava por salvação, então o filho de Baahubali, junto aos resistentes contra a tirania, ascendeu como Shiva buscando por restauração. O que Shivudu tocou se iluminou, e o que não bastava apenas sua vontade, ele tomou com fúria para recobrar o equilíbrio. Sem saber se destinado a nada, cumpriu como o Ganges seu caminho, devastando tudo para que se reconstituísse. Encontrou e libertou Davasena, sua mãe biológica, que mesmo sendo física e psicologicamente torturada, se manteve firme como uma verdadeira progenitora de um Deus, e que sabia que a Salvação um dia viria. Shivudu encontrara alguns dos personagens que poderiam fazer entender sua real história, e era chegada a hora de compreender definitivamente qual a sua herança e responsabilidade com Mahishmathi. O que seu pai havia vivido, pelo que lutou, conquistou, e quais os reais motivos que levaram a sua morte prematura. Shivudu queria saber tudo para compreender a melhor forma de mudar o futuro de seu povo como um verdadeiro herdeiro e merecedor do trono, como a Rainha Sivagami um dia profetizara.

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COMENTÁRIOS
Depois de Baahubali: O Início (2015), Tollywood sentiu novamente o gostinho de estar entre os holofotes do mundo com a sequência da sua super produção épica de fantasia. Aqui pelo Brasil não tivemos a oportunidade de assistir esse blockbuster indiano nos cinemas, mas nos Estados Unidos Baahubali 2: A Conclusão ficou em terceiro lugar nas bilheterias por uma semana. Talvez você tenha estranhado o termo “Tollywood”, então explico. O cinema indiano é dividido em dois grandes polos de estúdios cinematográficos (e muitos outros menores), a já tradicional e conhecida Bollywood, de Mumbai, que tem como o idioma o hindi, e Tollywood ao sul do país, que tem como língua o telugu. E não apenas com a dobradinha Baahubali, mas Tollywood já superou a gigante rival algumas outras vezes com outras produções.

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Enquanto em Baahubali: O Início assistimos o retorno de Shivudu à suas origens, mesmo que sem saber, nesta sequência somos inseridos nos acontecimentos da geração anterior, mostrando detalhadamente os passos de seu pai. E é aqui que a coisas começam a ficar bem loucas de se entender. A primeira coisa que você precisa tomar ciência é que os atores são os mesmos entre filhos e pais, e isso vale tanto para Shivudu, o filho visto no primeiro filme, com ralação ao pai, Amarendra Baahubali, interpretado por Prabhas, quanto para seus antagonistas, Bhallaladeva e seu pai, interpretado por Rana Daggubati. Compreendido isso e nos acostumando com a ideia, não apenas fica mais fácil, mas é a única forma de montar o entendimento de tudo. Mas de qualquer forma encurto um pouco e conto, este, diferente do primeiro filme, é algo muito mais simples de se acompanhar. Enquanto em Baahubali: O Início se fazia necessário montar um enorme cenário, em Baahubali 2: A Conclusão a coisa é bem mais direta, e o que temos nele é um drama romântico (ainda de proporções épicas) com ar de tragédia, porém com bastante comédia e ação de altíssimo nível.

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ENREDO COMENTADO / MUITOS SPOILERS
PULE PARA A CONCLUSÃO OU FICHA TÉCNICA!

Como dito antes, esta segunda parte não tem muito segredo. A proposta aqui é contar como Davasena e Amarendra se conheceram, se apaixonaram, e tiveram suas vidas dificultadas pela inveja e ciúme de Bhallaladeva, que manipulava o amor de sua mãe, a Rainha Sivagami, para sabotar o irmão. E o que temos é uma sucessão de eventos em que Bhalla, frustrado por não ser tão íntegro quanto Amarendra, recorre aos sentimentos mais obscursos de seu interior para frustrar a felicidade do irmão. Simbolicamente é como a história de Caim e Abel original do Gênesis, mas com um desfecho levemente mais complexo e dramático.

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Buscando conhecer mais de perto as dificuldades do mundo real onde seu povo vivia, Amarendra sai em peregrinação com Kattappa, seu tutor e amigo. Amarendra Baahubali não era uma criatura comum, seu senso moral era de um verdadeiro Deus. Ao mesmo tempo que aplicava simplicidade na busca pelo respeito por todos ao seu entorno, sabia exatamente o que era certo e o que era errado. Caminhando aos arredores de Kuntala, uns dos reinos vassalos ao império de Mahishmathi, Amarendra vislumbra Davasena. Uma criatura angelical que tomou dele toda a atenção, fazendo-o se apaixonar perdidamente. Não queria se postar como O Grande Baahubali, se fez de tolo e fraco, sua meta era surpreende-la por ser apenas quem era, não o que tinha ou de onde vinha. Não importava para Davasena que aquele fosse apenas um homem bobo e sem títulos, ela enxergou nele apenas o que ele era, uma infinidade de integridade que príncipe algum se mostrara antes.

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Sabendo do interesse do irmão por Davasena, Bhallaladeva manipula a situação exigindo que Sivagami a lhe desse como esposa, uma vez que a Rainha não sabia do romance de Baahubali com a moça. Davasena nega o pedido. Como uma mulher imponente e independente, não deixaria que outro decidisse por sua vida, e tal ato não passava de insolência para Sivagami, que ordenou um imediato ataque contra Kuntala. Porém a cidade estava guardada pelo maior guerreiro de toda Mahishmathi, Baahubali, que com ferocidade e inteligência guardou o reino de sua amada. Ele não sabia os motivos do ataque, e seu único interesse era retornar para Mahishmathi, apresentar Davasena, e tomá-la como sua rainha no trono. Numa belíssima cena lúdica e musical, com direito até a barco voador, o casal retorna ao reino de Baahubali, onde no palácio real todos os aguardavam. Para surpresa de Baahubali as coisas eram mais confusas do que ele esperava, os traiçoeiros planos de Bhallaladeva intencionavam gerar a instabilidade emocional de Sivagami, que não se via como boa mãe em repartir privilégios. Baahubali era o Rei, e Bhallaladeva, que se vitimiza de forma velada para arrancar a empatia da Rainha Mãe, a colou na posição de ser obrigada a tomar Davasena do melhor filho, ou tirar seu título de Rei. Davasena não se submeteu mais uma vez ao luxo da ordem de Sivagami, era mulher de Baahubali, e não estava interessada em Bhallaladeva. Essa mais nova insolência incurtiu na ordem real por sua prisão imediata, que fora impedida de imediato por Baahubali. Amarendra Baahubali não deixaria que ninguém tocasse em sua mulher.

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“Se encostarem a mão em Davasena, sofrerão a ira da espada de Baahubali.”

A discussão causou instabilidade na realeza, e seria agora após Sivagami ser derrotada moralmente pelo juízo imaculado de Baahubali, que Bijjaladeva articularia manipulando para que seu filho Bhallaladeva tomasse o trono. Sivagami estava dividida e ferida, o que facilitou para que decidisse em retirar o trono de Baahubali e assim coroar Bhallaladeva, uma vez que as opções não existiam para o campeão de Davasena.

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Baahubali era o encarregado de organizar a coroação do irmão, então como Ministro de Guerra movimentou todo o aparato para saudar o novo Rei de Mahishmathi, Bhallaladeva, filho de Bijjaladeva e Sivagami Devi. Sivagami sabia que pecara com seu melhor filho, e não conseguia enfrentá-lo olhando nos olhos. Baahbubali não se importava nem mesmo de sacrificar a própria existência por seu povo ou por Sivagami, porém quando se une a Davasena, outro ser tão Divino que o completa e o eleva, não se tratava mais apenas de si. Amarendra era o Rei, O Verdadeiro Rei, e não importava se Sivagami dera a ele uma escolha injusta. O trono ou Davasena? Poder não importava para Amarendra Baahubali, isso era apenas um título, escolhera sem titubear a mulher que amava. Mas isso não mudava nada, para seu povo Baahubali era o verdadeiro rei. A verdadeira personificação de Shiva na Terra. E a voz do povo não se escondia, todos saudavam por ele, todo esse amor criava ainda mais inveja no interior de Bhallaladeva.

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Mas algo não poderia ser tolerado, Davasena aprisionada pelas ordens da sua família? Inaceitável! A ira do Deus Rudra, o protetor das terras e dos mares se apossou de Amarendra. Davasena acorrentada e subjugada por um ato tirânico da Rainha Sivagami que estava cega pelos jogos psicológicos de Bhallaladeva, fazia emanar a imponência de Amarendra. Aquela mulher levava dentro de si um filho de Amarendra, e isso fez acordar um Baahubali tão eficaz na destruição, como quanto sempre se mostrou para atos pacíficos. Ouvindo as acusações de Setupaty, um subalterno da realeza, num julgamento real em desfavor de Davasena, Amarendra assolava o locutor. Não importava os alarmes de Bhallaladeva, que ocupava o trono, Baahubali sabia o que era certo ou errado, e ele desafiaria até mesmo Deus para defender sua mulher e filho. Amarendra ainda não compreendia os detalhes de sua prisão, e não queria ouvir daquele qual sua mulher ferira ainda sem conhecer a razão. Sabia quem amava, sabia que sua integridade provinha da pureza, então deixa que Davasena explique. Tentar ser assediada custou os dedos de Setupaty no julgo de Davasena, mas para Baahubali ainda era pouco. E ignorando todos os ritos, pune decapitando aquele que ousara, não apenas por tentar ferir a honra de sua mulher que mesmo sozinha soube se defender, mas de todas as outras de Mahishmathi. Corta por si mesmo as correntes que aprisionavam sua esposa e conclui por si só aquele julgamento. O ato fora reprovado por Sivagami, que mais uma vez de forma injusta decreta o banimento dos dois de Mahishmathi por não respeitar as tradições e ordem do Rei.

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Mais uma vez Baahubali mostra sua grandeza, e com humildade aceita a ordem da Rainha Mãe Sivagami. Isso não mudava nada para Amarendra, agora ele estaria ainda mais próximo como um cidadão comum daqueles que amava, e um rei destronado ainda é um rei quando recebe a glória de seu povo. Se livrando de todas as amarras da nobreza, Davasena e Amarendra se unem de bom coração e são recebidos com amor por toda a plebe de Mahishmathi, e trabalhando junto ao povo também dividiam seus conhecimentos com todos que queriam aprender. Pôde então ver ainda mais de perto os detalhes do sofrimento que se mantinha oculto enquanto vivia recluso em palácios, se inspirando assim em ajudar para melhorar a qualidade de vida daquelas humildes pessoas.

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A  inveja de Bhallaladeva chegava no extremo final, onde conspirava pela morte de Baahubali, Davasena, e do filho que levava dentro de si, fazendo-o contrariar até mesmo o pouco de juízo do próprio pai. Kumara Varma, guerreiro e amigo de Baahubali que antes guardava por Davasena em Kuntala, ouvira todo o plano. Se aproximou de Bijjaladeva com compaixão pelo pai que fora maltratado, mas tudo não passava de uma grande encenação ainda não revelada. Bijjaladeva incitou Kumara Varma para que atentasse contra a vida de Bhallaladeva, porém entregou-o a adaga de Baahubali para que cometesse o assassinato do próprio filho pela paz de Mahishmathi. Imaturo Kumara Varma aceitou acreditando estar fazendo um mal para fazer o bem, mas fora traído e morto por Bijjaladeva com fim de incriminar Baahubali a pena máxima de conspirar pela morte do rei. Uma terceira grande decisão para a Rainha Mãe, principalmente por saber que a morte de Baahubali traria o caos para toda Mahishmathi. Então a covardia suprema e arrojo da culpa é lançado com todo peso em Kattappa, o obediente escravo real que cuidara e treinara Baahubali por toda a vida. O amigo leal mais próximo de Amarendra Baahubali. Sivagami tão cega com tudo mostra duas opções a Kattappa, ou ele mata Amarendra, ou ela mesma o faz. Chorando e relutando ele aceitar cometer o crime supremo, não queria ver seu melhor amigo sendo morto pela própria mãe.

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Duvidando da lealdade de Kattappa em cumprir a sórdida missão, Bhallaladeva e Bijjaladeva colocaram-no como isca para atrair Baahubali, que após salvá-lo de uma fogueira, é alvejado por uma violenta chuva de flechas. A grandeza de Amarendra Baahubali era tamanha que se colocou como escudo para Kattappa, que ainda estava ferido e de mãos atadas. Baahubali se ergue, como um guerreiro imortal. Quebra todas aquelas flechas das costas como se não fossem nada, e encara um inimigo desconhecido no horizonte da madrugada. Eles eram muitos, mesmo que forte estava ferido, e precisava remover Kattappa daquele lugar. Tomou o amigo nos braços e o levou para um lugar seguro. Kattappa dizia que ele precisava fugir, não explicava a razão, mas Baahubali entendia a aflição daquele homem. Sabia de seu sacrifício, assim como Jesus quando traído por Judas. Fazia parte do Grande Plano, e Amarendra Baahubali sabia que renasceria. Sua morte não era o fim, mas um novo início. Do pai, um novo homem renasceria. Ele só precisava de uma coisa, manter Kattappa vivo, aquele que ascenderia o seu sangue numa nova era que viria.

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“Mesmo que eu quisesse abandoná-lo, você prometeu segurar o meu filho nos seus braços.”

Amarendra Baahubali era uma verdadeira divindade. Shiva na Terra. Agora, o Deus da Destruição. Limpou todos os oponentes para deixar caminho livre para Kattappa. Lançou-no uma espada, que fora servira para cortar sua própria carne. Amarendra caiu, mas caiu entendendo a razão. E pedindo para que Kattappa cuidasse de seu filho e sua mãe. Seu melhor amigo o tomou essa vida, mas deveria cuidar da próxima. Era uma promessa.

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Como um espectro aterrorizante, Kattappa surge na entrada do salão real onde apenas a Rainha Mãe estava imóvel encarando o vazio. Abatido pela traição ao melhor dos melhores em favor da lealdade a um reino sujo por injustiças, o guerreiro arrasta sua espada com o sangue divino. Mancha as mãos de Sivagami com último sopro de vida de Amarendra, para que sinta o peso de sua decisão mergulhada em tantas vaidades de uma mulher poderosa. Ainda assim tentando repreende-lo, Sivagami é silenciada duramente por Kattappa, que profere claramente que a Rainha cometera um erro. Se deixou cegar pela raiva por Baahubali, e foi manipulada todo o tempo por Bhallaladeva. E seu ego fora devastado ao saber sobre o último pedido de Baahubali:

“Cuide da minha mãe.”

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Antes mesmo de pensar em Davasena ou mesmo Shivudu que estava por nascer, era sua mãe a maior preocupação. Pois Ele sabia, da dor que viria e, consumiria as profundezas da alma de Sivagami. Saltando num precipício de angústia a Rainha de antes, soberana em postura, desaba ao rememorar o quanto aquele filho, que ao menos era biologicamente seu, era especial. Mas é interrompida de suas reflexões por Davasena, que já com seu bebê nos braços, entra no salão real. Kattappa não esconde o peso da vergonha que sentia, e revela à Davasena o maior pecado de sua existência. Incitada por Bijjaladeva a matar seu neto para o povo não almejar um inquisidor, Sivagami caminha e se abaixa humildemente aos pés de Davasena. Revelando o erro de não ter enxergado as virtudes do homem pelo qual ela lutou e tanto amou, e que agora caía em desgraça. Sivagami sabia não ser possível pedir ou ser perdoada pelos pecados que cometera.

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Bhallaladeva pede a mãe que acalme o povo comunicando oficializando a morte de Baahubali e, Sivagami com grande vigor se ergue, toma o neto no colo, e vai até a borda do palácio, onde comunica a morte de Amarendra. Buscando revogar para consertar todos os seus atos egoístas e mal pensados, ergue o bebê, e comunica que o novo Rei seria “Mahendra Baahubali!” O povo grite em vozes de glória por vida longa a Mahendra Baahubali. Num ato de impedir a insurreição de Baahubali, Bhallaladeva ordena a captura de Sivagami, que é defendida por Kattappa para fugir com Mahendra em seus braços, mas ela ainda precisava salvar Davasena que havia instantes antes dado a luz. Sem mais forças Davasena diz que a dor de perder o marido vai passar, mas que seu filho deveria viver para um dia voltar e libertar Mahishmathi. Sivagami então consegue escapar por uma passagem secreta e alcança o exterior do reino, quando orientado apenas pelo ódio, Bhallaladeva usa de um arco para ferir mortalmente com uma flecha a prória mãe, ainda com Mahendra no colo. Os dois caem num córrego da cercania. Bhallaladeva não tinha limites, e o ódio que tinha por Davasena o fez reduzir Kuntala às cinzas, e aprisionar perpetuamente a mulher de Baahubali. Seu desejo era possuir tudo o que Baahubali conquistava com sua natureza perfeita, mas o coração de Davasena não seria jamais ocupado por um ser tão vil.

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Todos acreditavam que Mahendra havia morrido, mas Sivagami rogou a Deus para que a punisse em sacrifício pela vida de seu neto. E Shiva atendeu. Foram longos 25 anos de espera pelo retorno de Baahubali, e Davasena nunca duvidara do seu retorno. Sua fé era inabalável, Mahendra era Amarendra, a reencarnação do Deus que amara como homem, e em nova vida tem como filho. E agora era o momento do juízo final, Shiva retornava para libertar seu povo dessa maldição! Baahubali reúne seus seguidores para que lutem unidos a ele para enfrentar a tirania de Bhallaladeva, e avança em direção a Mahishmathi com seu pequeno exército de homens simples. Durante o calor da batalha Bhallaladeva avança pela multidão, captura Davasena e foge em sua biga com o encalço de Mahendra. Após entrar nos enormes portões a ponte é levantada, mas Baahubali salta e é atingido no meio do peito por uma flecha desferida por Bhallaladeva. Uma chuva de milhares de outras flechas é disparada, mas Kattappa e seus aliados protegem com escudos a integridade de Mahendra. A crueldade não tem fim, Bhallaladeva não se importa em tirar a vida nem mesmo de seus próprios soldados. Mahendra Baahubali estava irado por Bhallaladeva tomar sua mãe, já estava agindo de forma cega, mas Kattappa o acalma para que pense. Para que pense como um Baahubali.

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Saltando de forma improvável, Baahubali, Kattappa, e mais quatro guerreiros são lançados para dentro das muralhas de Mahishmathi. Com o plano tendo funcionado, outros guerreiros também se atiram para acessar e lutar no interior da cidade. Mahendra sozinho arrebenta as enormes correntes que erguiam a ponte de acesso, fazendo que todos os seus que ainda não haviam entrado pudessem passar. Com toda fúria Mahendra Baahubali investe contra aqueles que açoitavam sua mãe, e pede para que sua mulher, Avanthika, ajude Davasena a acender a pira funeraria que alimentou por anos, galho a galho.

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Bhallaladeva avança contra Baahubali em sua potente biga, e em duelo Mahendra distrói o veículo do tirânico irmão. A batalha vai para o solo, e a briga é feroz. Mahendra é mais forte, ágil e inteligente, mas o ódio de Bhallaladeva faz dele um oponente perigoso. Enquanto isso Davasena caminha com a chama em sua cabeça num ritual sagrado chamado “Prova de Fogo”, onde quem o conclui nunca mais experimentará a derrota. Bijjaladeva ordena que inflamem uma ponte por onde ela terá de passar, e atiram óleo e as chamas lambem com violência. Mas Davasena tem fé que nada irá impedi-la, e mais uma vez Shiva dá o seu sopro. Na voraz luta de Mahendra e Bhallaladeva, Baahubali destrói a gigantesca estátua em ouro do irmão, fazendo com que sua cabeça role, derrube a ponte em chamas, e se transforme num caminho para sua mãe pisar e chegar no outro lado.

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A luta entre os dois irmãos se intensifica se tornando ainda mais sangrenta, o rancor de Bhallaladeva é tamanho que ele tenta arrancar o coração de Mahendra com as próprias mãos. Baahubali consegue se desvencilhar e é atirado longe, mas se levanta com um olhar sinistro encontrando as correntes que aprisionaram e machucaram sua mãe pode tantos anos. Com a angústia acumulada e o peso de honrar sua mãe, se torna monstruoso em combate, subjugando Bhallaladeva à miséria moral. Lança-o sobre a pira de galhos construída por Davasena, e dá um grande salto com sua espada, cravando-a em sua perna para que sua sua mãe ceife sua demoníaca alma nas chamas. E assim finalmente todo o sofrimento pela maldição da mítica Mahishmathi é chegado ao fim.

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“Esta é minha primeira ordem com a Rainha Mãe como testemunha. No nosso reino aqueles que acreditam em trabalho e justiça andarão com a cabeça erguida. Se alguém pensa em fazer mal a essas pessoas, quem quer que seja, sua cabeça queimará no fogo do inferno. Esta é minha palavra. E a minha palavra é lei.”

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Prabhas, Rana Daggubati, Anushka Shetty, Tamannaah, Ramya Krishna, Sathyaraj, Nassar, Meka Ramakrishna, Subbaraju, Rakesh Varre, Charandeep Surneni, Adivi Sesh, Rohini, Nora Fatehi, Tanikella Bharani e Teja Kakumanu compõem o elenco. Criação de K. V. Vijayendra Prasad, Baahubali 2: A Conclusão, teve seu roteiro compartilhado com o também diretor e ator do longa S. S. Rajamouli. A superprodução indiana de 2017 é produzida por Shobu Yarlagadda e Prasad Devineni, utilizando os estúdios da Arka Media Works, assim como na primeira parte. O compositor M.M. Keeravaani também retorna, dando continuidade ao seu belíssimo trabalho . Seu orçamento foi de 38 milhões de dólares (₹2.5 bilhões), e teve um faturamento de 275 milhões (₹18 bilhões). O épico indiano de S. S. Rajamouli, é a segunda parte de uma duologia. Existem boatos de um terceiro longa, mas até o momento, fim de 2019, nada fora concretizado. O importante frisar é que o épico se fecha nestes dois filmes, onde conta primeiro a jornada de Shivudu, e no segundo a história de seu pai, Amarendra Baahubali.

CONCLUSÃO
Afirmo com total segurança que não existe absolutamente nada parecido com Baahubali, e não é para menos, é preciso muita ousadia e competência tanto para escrever a complexidade do seu roteiro, pensar o conceito e, colocar tudo em prática de forma tão grandiosa e funcional. Baahubali 2: A Conclusão abusa da teatralidade e estilo, amarrando com chave de ouro um dos épicos mais bonitos visualmente do cinema, mas que infelizmente será ignorado por muita gente pelo simples fato de ser um filme estrangeiro. Esse é aquele tipo de coisa que traz um sentimento de querer compartilhar com todos. Rasgo seda sim, e neste caso sem a mínima vergonha. Baahubali 2: A Conclusão tem classificação etária de 16 anos, e está disponível, junto de Baahubali: O Início, no serviço por assinatura Netflix.

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BAAHUBALI: O INÍCIO (CRÍTICA)

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SINOPSE
Ao pé de uma gigantesca queda d’água, uma mulher bastante machucada e com uma flecha fincada nas costas, foge com um bebê de dois cruéis soldados. Acaba encurralada nas margens de um rio, sendo obrigada a lutar, e mesmo segurando uma criança, usa apenas uma das mãos para derrota-los facilmente, revelando ser uma hábil guerreira. Tentando seguir em frente, ela cai na água devido a exaustão, conseguindo apenas segurar num galho para não ser carregada pela violenta corredeira. Roga à Shiva por redenção de seus pecados. Pedindo que tomasse sua vida em troca da salvação daquele menino. Coloca-o acima de sua cabeça com o braço erguido, proferindo que ele deve viver para ascender ao trono de Mahishmathi e libertar seu povo. Mahendra Baahubali deve viver! Em sacrifício a mulher submerge, enquanto seus braços permanecem esticados até que o dia amanheça e o bebê seja salvo por membros de uma comunidade próxima.

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Adotado por uma mãe amorosa, ela sempre temeu pelos perigos de sua origem, porém o jovem menino era muito questionador. Mesmo que ela dissesse que ao topo da enorme cachoeira haviam demônios e monstros, ele teimava em querer subir para ver com os próprios olhos, e quando ninguém estava por perto, tentava incansavelmente a escalada. A criança se tornou um belo jovem, e o jovem se tornou um confiante e imponente homem. Sua mãe pedia por Shiva à Shiva, sim, aquele pequeno e frágil bebê recebera o nome de um Deus, Shiva, O Destruidor e Regenerador. Aquele que traz o bem e dá a Vida. Clamando para que o filho deixasse de tentar escalar aquelas enormes paredes, era guiada por Sage, o sábio da vila, a despejar inúmeros baldes de água sob uma pedra que simbolizava Shiva, um Lingam. Então Shiva, o filho, vendo sua mãe se esforçar tanto por suas crenças, quebra todos os paradigmas ao decidir remover aquele pesado monumento do lugar. Todos observavam o que seria um ato de blasfêmia, e relutam crer quando com uma força sobrenatural ele arranca do chão e levanta aquele símbolo sob os ombros. Shiva carrega o lingam enquanto todos os seguem com semblante de estarem assistindo o inacreditável. Inabalável e como se aquele peso não fosse nada, caminha pela cachoeira andando nas pontas dos pés, até repousar o emblema diretamente abaixo da queda d’água, onde Shiva poderia receber banho incessantemente. Toda a comunidade, e até sua mãe, ficaram orgulhosos em confiar que agora as bênçãos à todos seriam inesgotáveis.

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Uma máscara então cai da cachoeira, do lugar proibido onde Shiva não deveria ir. Agora, mais tentado do que nunca, é guiado e incentivado pela ilusão de uma belíssima mulher. Ele escala, inspirado por deuses. Cai novamente e volta a se levantar, várias vezes. Mas persistente e incansável, ele chega ao topo. Shiva vislumbra a mesma mulher de seu sonho acordado, só que agora ela foge de uma horda de sanguinários soldados por meio uma floresta escura e sombria. Acompanhando para tentar entender a situação, quase interfere, quando de repente ela se junta a outros guerreiros e derrota aquele pequeno exército. Continuando a se mover nas sombras ele mantém investigação, até que o grupo se reúne numa caverna, onde planejavam um novo ataque para libertar uma tal de Devasena. Então todos colocam máscaras como aquela que ele encontrou. Shiva estava em meio à uma revolução. E mal sabia ele que seu destino era de suma importância para a vida daquelas pessoas. Baahubali!

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COMENTÁRIOS
Não sou grande fã de filmes como Ben-Hur (1959), Tróia (2004), ou mesmo os com mais fantasia como a franquia O Senhor dos Anéis. Assisto e gosto sim, mas não sou do tipo que vira fã e precisa ver mais do que uma vez. No entanto acabei seduzido por essa obra do gênero sem nem perceber. Baahubali: O Início é um épico indiano que mistura elementos do hinduísmo com mitologias de outras culturas, e cria uma aventura sem precedentes para o cinema. A fascinante história criada por K. V. Vijayendra Prasad, conta a aventura de Shiva, uma criança que sobrevive graças ao sacrifício de uma mulher, e que sente dentro de si uma predestinação incontrolável. Contar detalhes sobre a trama é estragar as surpresas, e essa é um conto que tem muitas delas.

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Baahubali: O Início não é um filme perfeito, ele passa longe disso. A produção indiana acerta em muitas coisas, a começar pelo seu roteiro, mas falha um pouco nos aspectos técnicos visuais. Eu não sei precisar a razão, talvez seja devido ao orçamento não ser tão alto quanto a de produções ocidentais, o estúdio não ser competente, ou mesmo por prazos apertados, mas as cenas em computação gráfica em vários momentos são terríveis! Dão a aparência de videogame! Chegando a incomodar em tomadas com animais renderizados. Mas quando acertam a mão, o resultado é fabuloso! A cena com a cachoeira no começo do filme são de cair o queixo! Sim, aquilo tudo é feito em fundo verde! Essa inconstância no uso de CG que pecou um pouco, fazendo o filme não ser digno de uma nota 10. Porém são tantas as outras coisas maravilhosas no longa, que essas deficiências são completamente esquecidas.

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Os filmes indianos costumam ter peculiaridades bem interessantes, sendo uma delas as tradicionais dancinhas com a galera reunida. E em Baahubali: O Início isso não é diferente. O épico é recheado de momentos musicais cheios de charme e estilo, criando ainda mais a atmosfera carnavalesca que não se envergonha em momento algum de se esforçar para mostrar. Eu realmente não entendo o preconceito de algumas pessoas em criticarem tradições e formas de artes estrangeiras, afinal, não precisamos compreender os motivos delas serem como são, mas apenas ver o esforço dedicado em criar essas emoções e sensações, já é razão de sobra para respeitarmos a paixão com que expressam sua cultura. Recebo esses momentos musicais dos filmes como se visse uma produção da Disney, não ofende, não estraga, e é um elemento extra para ser apreciado.

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EXPLICAÇÕES COM SPOILERS
Após Shiva retornar para Mahishmathi para libertar sua mãe, que havia sido presa por vinte e cinco anos após a traição de Bijjaiadeva contra a Rainha Sivagami, ele ainda precisava entender sua origem, então Kattappa, o fiel protetor da realeza, lhe conta como chegaram naquele determinado momento. Bhallaladeva era filho legítimo de Sivagami com Bijjaiadeva, este último, irmão do Rei Maharaja Vikramadeva, fundador de Mahishmathi. Bijjaiadeva não foi coroado devido a sua natureza injusta, mas ele culpou apenas a deficiência de sua atrofia em um dos braços como o verdadeiro motivo, o que lhe causou um grande rancor. Maharaja Vikramadeva morreu quando sua esposa, a Rainha Devasena, estava grávida de seis meses. Davasena passou os próximos três meses chorando, e Sivagami, a cunhada do rei, tomou as rédeas do reino. Ela então destinou que as duas crianças deveriam ser criadas como irmãos, se preparando como princípes para que um dia pudessem provar quem teria a honra e sabedoria de liderar Mahishmathi. Os irmãos cresceram e se tornaram poderosos guerreiros, e numa provação final, deveriam liderar a defesa do reino contra um gigantesco ataque. Aquele que eliminasse o líder dos inimigos, provaria o seu valor, e seria condecorado com rei através da palavra final de Sivagami. Durante as negociações com o exército hostil, a rainha teve sua honra manchada pelo discurso sujo do chefe inimigo, Kalakeya e, exigiu na cólera do momento, que o queria morto, mas sofrendo lentamente. Beirando o fim da batalha, Baahubali capturou e subjugou o líder dos algozes, arrastando-o ferozmente respeitando o pedido de sua mãe. No entanto Bhallaladeva, num ato de desespero por provação, mata Kalakeya, e Baahubali sendo leal ao irmão, demonstra que aquilo não é um problema para ele.

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Terminada aquela guerra, Sivagami proclama: Bhallaladeva como Comandante das Forças Armadas de Mahishmathi, e Baahubali como o novo Rei. Os méritos para ser um rei, não é quantas pessoas se é capaz de matar, mas sim quantas é capaz de salvar, palavras de Sivagami em resposta aos protestos de inconformação de Bijjaiadeva quanto a sua decisão. Se você for capaz de matar muitas pessoas, você será considerado um grande guerreiro, mas se você salvar uma única pessoa, você será considerado um Deus. Essa é a palavra de Sivagami, e a palavra da Rainha é Lei. E Shiva, quem era ele? Shiva era Filho de Shivudu Baahubali, Aquele Fiel que fora traído por seu amigo e mentor, Kattappa.

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EXPLICAÇÃO DA FILOSOFIA (COM SPOILERS)
Deixo claro que esta é uma obra tão bonita e rica que merece ter aberta suas várias interpretações, e esta é humildemente a minha. Utilizando de pelo menos duas mitologias, que identifiquei, K. V. Vijayendra Prasad criou um épico que traz o conceito comum à várias culturas e seus personagens de cultos, onde Shiva faz parte de uma Trindade chamada Trimûrti. Segundo a doutrina hindu Ela seria formada por Brahma, o Deus da Criação, Vishnu, o Deus da Preservação, e Shiva, o Deus da Regeneração e Destruição, o que se comparado à Santíssima Trindade do catolicismo, Brahma seria o Pai, Vishnu o Filho, e Shiva, o Espírito Santo.

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“Shiva é Filho do Salvador, Amarendra Baahubali. O Bálsamo de Devasena que profetizara inabalavelmente pelo Seu retorno. O fruto do Sacrifício Final da Rainha Mãe Sivagami.” Como previsto por Sivagami, Shiva ascendeu e retornou por Mahishmathi, regenerando para um novo ciclo que mais tarde se contaminará e precisará ser destruído novamente. Em momentos diferentes do filme ele traz um bindi diferente na testa, a pequena pintura vermelha feita com vermilion (sulfato de mercúrio vermelho brilhante finamente pulverizado). Por vezes é o símbolo de uma lua crescente, que representa a evolução, as mudanças de paradigmas, o abandono da letargia para buscar mais um renovado conceito de um ciclo infinito. Por outras vezes o desenho é de uma naja, a mais poderosa das serpentes. Significa que Shiva dominou a morte e tornou-se imortal.

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Um personagem importantíssimo é Kattappa, escudeiro da família real, aquele que fizera a promessa a Maharaja Vikramadeva de cuidar de sua sucessão. Este é um dos personagens mais complexos e essenciais para o entendimento da filosofia por trás do ciclo de Regeneração e Destruição. Assim como Judas Iscariotes do cristianismo, fora escolhido para ser aquele que carregaria o fardo de levar a culpa pela morte do Filho do Homem, Vishnu, simbolizado por Maharaja Vikramadeva, pai de Shiva. Seu bindi na testa representa o de um escravo, corroborando com a ideia daquele portador do peso da Providência. Fechando com este, o conceito do catolicismo, a última e segunda linha inspiracional utilizada pelo genial K. V. Vijayendra Prasad.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Prabhas, Rana Daggubati, Anushka Shetty, Tamannaah, Ramya Krishna, Sathyaraj, Nassar, S. S. Rajamouli, Rohini, Meka Ramakrishna, Tanikella Bharani, Adivi Sesh, Prabhakar, Sudeep, Nora Fatehi e Scarlett Mellish Wilson compõem o elenco. Criação de K. V. Vijayendra Prasad, Baahubali: O Início, teve seu roteiro compartilhado com o também diretor e ator do longa S. S. Rajamouli. A superprodução indiana de 2015 é produzida por Shobu Yarlagadda e Prasad Devineni, utilizando os estúdios da Arka Media Works. M.M. Keeravaani é um consagrado compositor indiano, e é o responsável pela belíssima trilha sonora. Seu orçamento foi de 28 milhões de dólares (₹1.8 bilhões), e teve um faturamento de 101 milhões (₹6.5 bilhões). O épico indiano de S. S. Rajamouli, é a primeira parte de uma duologia.

CONCLUSÃO
Baahubali: O Início é uma viagem à um mundo de fantasia onde precisamos nos desatar dos nossos conceitos e aceitar as metáforas como elas são. Se nos ocuparmos julgando seus elementos conceituais nos baseando em nossa cultura ocidental, não iremos apreciar absolutamente nada nesta aventura. Não é um filme feito para te fazer pensar, é uma filme para te fazer sentir e se inspirar. É uma obra que transborda princípios morais sem te fazer entrar numa paranoia política infrutífera. Sua beleza está na estética visual e simbólica de contar a aventura de um homem na sua busca por justiça e libertação. Particularmente julgo este ser um filme obrigatório para qualquer cinéfilo que queira ser levado à sério. Baahubali: O Início funciona sozinho, mas na verdade é a primeira parte de uma duologia. Sua classificação etária é de 16 anos, mas pode tranquilamente ser assistido por uma criança por volta dos 12 na companhia de um responsável. Tenha um excelente filme!

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BADLA (CRÍTICA)

Badla 2019

SINOPSE
Um quarto de hotel, duas pessoas, e uma delas morta. É nesse cenário de crime que o renomado advogado Badal Gupta entra para defender Naina e tentar compreender quem é o real assassino de Arjun. A empresária e o fotógrafo são membros da alta sociedade que se veem envolvidos num relacionamento extraconjugal, e passam a ser chantageados anonimamente por um misterioso personagem. Exigindo uma certa quantia em dinheiro e que seja entregue em um luxuoso hotel da gélida Glasgow escocesa, o casal de amantes parte em viagem para tentar abafar esse escândalo que poderia acabar com suas carreiras. Após entrarem no quarto Naina é repentinamente agredida e desmaia, sendo acordada com os bateres na porta de policiais que a flagram como sendo a única presente no mesmo local onde Arjun estava estirado morto. Então uma pesada briga psicológica é travada entre o advogado e a cliente que quer provar sua inocência.

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DIREÇÃO DA ADAPTAÇÃO
Badla é um filme indiano de 2019 repleto de mistério, complexas reviravoltas, e capaz de te deixar agarrado no sofá do começo ao fim. Sendo adaptação do filme espanhol Contratiempo de Oriol Paulo, o longa de 2009 traz pequenas mudanças, como o gênero de alguns personagens centrais, dando assim uma nova visão psicológica e mais peso à narrativa. Se passando quase integralmente num apartamento, ainda consegue espaço em breves cenas externas, tirando ótimo proveito de uma fotografia muito expressiva. A direção de Sujoy Ghosh, o mesmo da excelente série Typewriter já resenhanada aqui, tem pequenas falhas pontuais, onde certos cortes de edição se mostram mal cronometrados. Talvez por pouco tempo hábil de revisão, não sei, mas era o tipo de coisa que não deveria ser deixado passar. De qualquer forma são dois ou três momentos apenas que essas pequenas falhas ocorrem, e não são suficiente para estragar o andamento da projeção.

Badla

UM EXCELENTE ELENCO!
Ponto alto fica para as brilhantes atuações de Taapsee Pannu, Amitabh Bachchan e Amrita Singh, que te transportam para diálogos fortíssimos onde cada vírgula pesa e faz se entender uma nova versão dos fatos. A mentira e a verdade estão sempre lado à lado, se valendo de pequenos detalhes para que tudo esteja sempre preste a inverter os sentidos. O elenco também conta com Antonio Aakeel, que não brilha tanto quanto os outros, uma vez que não tem o mesmo tempo e oportunidade para se desenvolver mais.

Taapsee Pannu

CONCLUSÃO
Fazendo referência constante ao Mahabharata, o texto épico sagrado do hinduísmo, Badla traz reflexões sobre perdão, culpa e vingança, palavra última essa que traduz o título do longa. Perspicaz e provocante, é um filme pra ser assistido numa tacada só. Fazer quebras de ritmo vai comprometer o estímulo agradável que o roteiro desenvolve. Sujou Ghosh deu suas pequenas pisadas de bola na edição, mas trouxe uma obra tão bem escrita que todos os seus problemas merecem ser ignorados. Recomendadíssimo, Badla está disponível atualmente na Netflix.

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