O MANDALORIANO – SÉRIE DA DISNEY+ (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após cinco anos desde a queda do Império Galáctico, após a morte de Palpatine e Darth Vader bem como a destruição da segunda Estrela da Morte (Episódio VI – O retorno do jedi, 1983), os Caçadores de Recompensa sobrevivem por meio de escassos trabalhos nos confins da galáxia, longe da autoridade da Nova República. Nesta época, em que os remanescentes do Império Galáctico não passam de senhores da guerra e mercenários, um hábil caçador mandaloriano precisar restaurar sua própria honra, construir sua armadura e fazer fortuna.

Ao aceitar um trabalho fora dos registros habituais da guilda de caçadores de recompensa no planeta Nevarro para um oficial Imperial, Mando vence piratas espaciais que tinham em sua posse um curioso prêmio: um bebê de 50 anos da mesma espécie que o mestre Yoda. A partir daí, o Mandaloriano terá que rever seus conceitos morais, revisitar o passado e traçar novos rumos como pistoleiro galáctico e guerreiro de Mandalore.

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O QUE É UM MANDALORIANO?
O destino da Galáxia parece sempre se misturar a história do Mandalorianos. Quando nos remetemos aos filmes (do Episódio I ao VI), dois nos são extremamente importantes: Jango e Bobba Fett (pai e filho, respectivamente). O primeiro, presente na trilogia prequela (pré-sequência), esta por trás da tentativa de assassinato da Senadora Amidala de Naboo e seu código genético foi usado para criar o exército de de clones da República Galáctica (Episódio II – O Ataques dos Clones, 2002).

Já Bobba Fett, filho de Jango, é marcante por ter sido o líder dos Caçadores de Recompensas que terminaram por aprisionar Han Solo em Império Contra-Ataca (1980) e entregá-lo, ainda petrificado em carbonita, para líder mafioso de Tatooine, Jabba, o Hutt. Foi derrotado por Luke Skywalker e companhia na épica luta no deserto, no grande poço de Carkoon, Mar das Dunas, onde vivia a criatura Sarlacc. Fora o fato de muitas vezes serem mercenários ou caçadores de recompensa, e que são oponentes perigosíssimos para forças do bem (ou do mal), o que se sabe sobre os Mandalorianos?

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Mando, em um dado momento da série revela que o termo “mandaloriano” não se refere a um povo, do ponto de vista racial, mas que é uma filosofia. Não necessariamente se nasce Mandaloriano, mas se torna um. No livro O Código do Caçador de Recompensa (Bertrand Brasil, 2014), revela que os Progenitores Mandalorianos (os Tsaungs, Guerreiros das Sombras) originalmente eram um povo que habitava Coruscant (planeta que foi a capital da República e posteriormente do Império Galáctico). No entanto esse povo original acabou sendo expulso por inimigos para a Orla Exterior. Chegaram a Mandalore há 7 mil anos e 4 mil anos depois foram derrotados, durante a Cruzada da Grande Sombra (Grande Guerra Sith), na qual “foram traídos pelos Jedi e pelos Sith, que agiram como irmãos”, segundo Tor Vizla, líder dos Sentinelas da Morte (p.131).

Foi somente com o Mandalore, o Supremo,  que abriu os clãs para que todos os que os mostrassem valor no campo de batalha. Foram esses novos guerreiros, os Neocruzados, que entraram em batalha contra as forças da República, posteriormente, nas chamadas Guerras Mandalorianas. Os intuito deles não era conquistar a Galáxia, mas fortalecer a unidade e continuar os conflitos iniciados pelos Progenitores. No entanto eles foram duramente derrotados e forçados a se dispersarem pela galáxia.

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Diante da prosperidade dos Mandalorianos sob a liderança de Mandalore, o Unificador, que retornaram a seu planeta, segundo Tor Vizla, a República resolveu aniquilar definitivamente estes guerreiros como se fossem “um tecido canceroso a ser cortado da galáxia” (p.134). Desta forma tanto os Sith quanto os Jedi e a própria República já lutaram, se aliaram ou traíram os Mandalorianos que sempre tentaram resgatar sua honra ancestral, apesar de muitos Caçadores de Recompensa evidenciarem o problema da honra:

A honra é o que os poderosos usam para convencer os tolos a se sacrificarem. (Aurra Sing, mestra de Bobba Fett, p.135)

Assim os Mandalorianos que antigamente eram uma raça de Coruscant, acabaram por se tornar uma tribo aberta a todos os guerreiros valorosos na qual todo aquele que se destaque em bravura poderia ter uma posição de destaque. Tor Vizla, em seu relato no Código dos Caçadores de Recompensa, afirma:

Lembre-se de que alguns dos maiores Mandalores nasceram e cresceram fora do nosso planeta natal. (p.149).

No entanto o relato de honra que Tor Vizla revela é, em verdade, contraditório. Durante as Guerras Clônicas, Mandalore preferiu uma posição neutra no conflito não se aliando nem a República nem aos Separatista. Mas o grupo liderado por Vizla, o Olho da Morte, praticava o terrorismo tanto contra às Força de Dookan (por vingança pessoal) como contra os Jedis (devido ao histórico de luta contra estes últimos). Vemos Tor Vizla recrutar o príncipe órfão, Lux, e empunhar um sabre negro, artefato Jedi em sua origem. Tudo isso é perceptível na série animada Clone Wars (2008), no episódio 14 da 4ª temporada do desenho.

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A ARMADURA
Logo nos primeiros momentos da série, nos deparamos com Mando resgatando sua recompensa e a importância do Beskar, que inicialmente se pensa ser um moeda, mas que se trata de um metal importante e raríssimo para confecção de sua armadura. Foi o Beskar que levou os Progenitores ao sistema Mandalore, pois estava presente em seus planetas e luas. O Beskar é extremamente forte, capaz de desviar de tiros de blaster até de parar lâminas de sabre de luz. Portanto é um item muito difícil de ser conseguido e quando Mando recebe uma placa provinda das forjas do Império, trata logo de confeccionar uma Bes’marbur (espaldar ou ombreira).

O guerreiro mandaloriano, desde os Sentinelas da Morte de Mandalore, o Unificador, tem total de liberdade  para personalizar sua armadura “adaptando-a, assim, às suas responsabilidades e ao seu estilo de luta” (p.141). Porém dois itens são os que mais chamam a atenção: o capacete e o jetpak. No Código do Caçador de Recompensas, Tor Vizla afirma que o buy’ce (barbute ou capacete, cujo designer homenageia a face dos Progenitores) é, “ao mesmo tempo, o símbolo dos Mando’ade e o item mais importante de qualquer conjunto” (p.142), mas não expõe a regra de nunca pode ser retirado na frente de outro ser vivo. Isso não deixa claro se todos os Mandolorianos seguiam essa regra. Se pensarmos no clã dos Fetts, Jango mostrou sua face a Obin Wan Kenobi, no entanto a face de Bobba, adulta, nunca fora revelada na trilogia clássica.

Se o capacete é rico em tecnologia de rastreamento e amplia a visão do mandaloriano a ponto de enxergar 360º, o jetpak é, simultaneamente, a última parte do traje, a arma definitiva e a última parte o treinamento. Essa mochila de voo permite atacar com rapidez e pode ser equipada com mísseis dos mais diversos tipos. É um recurso escasso: só tem autonomia de um minuto de combustível e arsenal de um míssil, pelo menos de acordo com sua versão mais clássica.

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BEBÊ YODA? / LEVE SPOILER!
Apesar do furor das redes sociais chamar a criança encontrada por Mando como “Bebê Yoda”, pouco se sabe sobre ela. Assim como Yoda, o maior Jedi de todos os tempos, a Criança (assim que iremos mencioná-la), parece não só se assemelhar fisicamente ao mestre de Luke Skywalker na aparência, mas também na longevidade e poderes. Essa espécie, desconhecida e rara, tem alta longevidade. Yoda, por exemplo, morreu aos 900 anos de idade em Dagobah, como nos mostra em O Retorno do Jedi (1983). Então a Criança, de 50 anos de idade, não se trata de Yoda ou sua reencarnação visto que a série se passa 5 anos após o Episódio VI e nesse mesmo longa vemos o velho mestre Jedi como fantasma da Força que ajuda Luke.

Quanto aos poderes da Criança, são mostrados aos poucos como telecinese (movimento de objetos com por meio da Força), repulsão de ataque, cura e até um estrangulamento da Força, técnica de Darth Vader. Mas no mais, nada que demonstre mais sobre sua identidade e origem. Nem Mando sabe como explicar tais poderes. Mas uma fato fica claro com relação aos Mandalorianos e os “bruxos” manipuladores da Força: a eterna desconfiança. O Código do Caçador de Recompensa, afirma, por meio de Tor Vizla:

Esses feiticeiros têm interferido nos nossos assuntos há milênios. Os antigos Jedi demoliram o império de Mandalore, o Supremo, e acabaram com nossos clãs na Ani’la Akaan, e seus descendentes supervisionaram a Aniquilação. […] Os Sith não são melhores, iludindo repetidamente os Mando’ade a servi-los como tropas de choque. (p.156)

Para finalizar, não é a primeira vez que vemos alguém da raça de Yoda. A mestre Yaddle, presente no Conselho Jedi durante o Episódio I – A Ameaça Fantasma, possuía 477 anos e estava a frente da Assembleia dos Bibliotecários no Templo Jedi. Era versada na técnica Morichro (um possível método de matar sem usar o lado sombrio da Força). Morreu em Mawan tentando levar a paz a uma guerra civil.

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ANÁLISE DA PRODUÇÃO
O que torna o enredo da primeira temporada de O Mandaloriano tão cativante é que ela não segue uma temática tão inovadora assim.A dinâmica reside em uma série de ingredientes clássicos como o assassino profissional que se relaciona com uma criança em seu trabalho. Se pensamos por esse lado, a série do Caçador de Recompensas segue de perto os passos de O Profissional (1994), filme de Luc Besson, que tem no assassino de aluguel Léon (Jean Reno) como protagonista. Ele se envolve com a filha de seu vizinho, uma garota de 12 anos, que quer vingança pela morte de seu pai, envolvido no tráfico de drogas.

No entanto a Criança (o bebê Yoda), por mais que tenha 50 anos, ainda é muito jovem para nutrir sentimentos de vingança (ao menos é o que parece) como no filme de Besson. Esta relação entre um homem solitário de uma criança abandonada, contudo, está no âmago de muitas histórias do imaginário ocidental, desde comédias Sessão da Tarde como Três Solteirões e um bebê (1987) e o filme de Adam Sandler, O Paizão (1999), por exemplo; passando por filmes de ação caricatos como Mandando bala (2007) ou séries como atual Hanna da Amazon. Isso só para citar alguns exemplos.

Ao revisitar o tema “assassino/adulto anti-herói que adota uma criança”, o produtor Jon Favreau o reveste da mítica por trás dos Caçadores de Recompensa, tão pouco explorados nos filmes, apesar de serem tão fundamentais na história da trilogia prequela (pré-sequência) como para trilogia clássica. Isso se soma ao fato de abarcar um período de tempo pouco abordado: o que acontecera à Galáxia após Luke Skywalker vencer o Imperador Palpatine.

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Outro ponto impactante é justamente a trilha sonora. Sabemos que os filmes tem o toque magistral de John Williams, responsável por clássicos da franquia como, por exemplo, a The Imperial March de O Império Contra-Ataca (1980). Longe de mim, a Força não me perdoaria, de comparar o trabalho desse mestre como de Ludwig Göransson, porém a trilha de O Mandaloriano consegue manter o tom épico da franquia, em um estilo clássico e retrô, principalmente na música tema.

Ainda mantendo os ares clássico da trilogia, ao final de cada episódio os créditos mostram a arte conceitual que inspirou o episódio. Para um fã Star Wars é a oportunidade de ver como a produção acabou tornando realidade uma ilustração e claro fazer comparações entre aquilo que foi idealizado e o que foi concretizado. Cada ilustração nos lembra cartazes de filme antigo ou os desenhos repletos de cor de Frank Frazetta, mestre de ilustração sci-fi.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Pedro Pascal, Gina Carano, Giancarlo Esposito, Carl Weathers, Taika Waititi, Nick Nolte, Emily Swallow, Omid Abtahi, Werner Herzog, Bill Burr, Mark Boone Jr., Ming-Na Wen, Natalia Tena, Ismael Cruz Cordova e Julia Jones compõem o elenco. Jon Favreau atuou como roteirista, criador, showrunner e, foi o produtor executivo junto de Dave Filoni, Kathleen Kennedy e Colin Wilson. O Mandaloriano (The Mandalorian), é uma série norte-amaericana lançada em 2019 baseada na franquia Star Wars, originalmente criada por George Lucas. Ao total são 8 episódios nesta primeira temporada, e o conteúdo está disponível pelo serviço por assinatura, ainda não disponível no Brasil até a conclusão desta resenha, Disney+.

CONCLUSÃO: O Caminho
A todo momento da série, a filosofia mandaloriana repete a seguinte frase “como deve ser”, na tradução para nossa língua. Gosto do original: The Way (O Caminho). O caminho da série (com letra minúscula) parece ser promissor. Há muitas referências ao mundo Star Wars sem atrapalhar a imersão daqueles que poucos sabem sobre a franquia. O público comum suspirará e sorrirá com cada cena da Criança (Bebê Yoda), mas o fã conseguirá rir de uma piada sobre Gungas, droides de Taooine ou o gosto alimentício peculiar dos Jawas, catadores de ferro-velho. Nesse ponto a produção da Disney é super fiel ao que de melhor foi feito na trilogia clássica: de locações a interpretações.

Quanto à atuação, uma especial menção a Pedro Pascal (Narcos), que está muito à vontade no papel de Mando, Nick Nolte como um fazendeiro ugnaught e a surpresa: Gina Carano, lutadora de MMA que convence no papel de uma ex-Soldado de choque rebelde.

Já no enredo, o Caminho de Mando se revela atípico. Não é só sobre honra, sobre alcançar seu lugar de respeito na Galáxia. O “Enjeitado”, órfão, que se tornou Caçador de Recompensas terá que rever seu código moral e a todo momento, sua verdades serão postas à prova. Parece que o mundo não é somente o bem e o mal. Há uma linha tênue entre essas duas fronteiras. Tais certezas serão abaladas com a chegada da Criança que deverá ser abandonada ou reconduzida às suas origens. É nesse processo que Din Djarin (o Mandaloriano), nesse Caminho, que encontrará sua própria transformação. O série vale a recompensa por assistir e aguardamos com ansiedade a próxima temporada. Fiquem fortes, por Mandalore!

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STAR WARS: EPISÓDIO III – A VINGANÇA DOS SITH (CRÍTICA)

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Guerra! A República está desmoronando sob o ataque do impiedoso Lorde Sith, Conde Dookan. Há heróis de ambos os lados. O Mal está por toda parte.
Em uma manobra surpreendente, o perverso líder droide, General Grievous, invadiu a capital da República e sequestrou o Chanceler Palpatine, líder do Senado Galáctico.
Enquanto o Exército Separatista de Droides tenta escapar da capital sitiada com seu valioso refém, dois Cavaleiros Jedi lideram uma missão desesperada para resgatar o Chanceler preso…

Três anos de passaram desde a Batalha de Geonosis (Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones, 2002), onde teve início a grande guerra que envolveu diversos sistemas planetários.  A galáxia oscila entre as duas facções que lutam pela hegemonia. De um lado a fragilizada democracia, liderada pela figura dúbia do Chanceler Palpatine, cujas forças se concentram no auxílio do Conselho Jedi e nas tropas de soldados-clones; do outro, a Aliança Separatista, cujo líder, o ex mestre jedi Conde Dookan, deseja não pertencer mais a República e tem no exército droide sua grande força de batalha.

Mas enquanto a República está em crise, a Ordem Jedi questiona as intenções da guerra. Desconfiam do Chanceler que não tenciona deixar o cargo após conflito e ainda quer aumentar a militarização da República. A guerra caminha bem para o lado da republicano, mas os sentimentos conflituosos de Anakin Skywalker o fazem se tornar um agente duplo entre o Conselho Jedi e o plano de poder de Palpatine. Os jedis desconfiam do Chanceler Supremo. Parece que a passos firmes o antigo garoto de Tatooine, o escolhido para trazer equilíbrio à Força (Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, 1999), começa a sucumbir diante da ameaça sith, do medo e da cobiça.

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Título original: Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Duração: 2h 20min
Lançamento: 19 de maio de 2005

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Elenco: Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé), Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Christopher Lee (Conde Dookan / Darth Tyranus), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Frank Oz (Yoda) e Ian McDiarmid (Chanceler Supremo Palpatine).

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DE ANAKIN A DARTH VADER
Já analisamos nos dois outros filmes da trilogia prequela (pré-sequência), a Ameaça Fantasma (1999) e Ataque dos Clones (2002), como a pequenos passos o garotinho escravo de Tatooine trilhava um caminho dúbio. Apesar da fé cega de Qui-Gon Jinn de acreditar que Anakin seria o Escolhido, aquele que traria equilíbrio para a Força, o menino fora descoberto muito velho para um treinamento jedi convencional. Fora descoberto velho porque cresceu na Orla Exterior, fora da jurisdição da República e do Conselho Jedi. Alia-se a isso sua ligação fortíssima a mãe e por ter se tornado discípulo de Obin Wan Kenobi, ainda jovem cavaleiro e, portanto, não tão experiente.

Anakin parece crescer em poder, mas não em sabedoria. Aquela arrogância meiga de quando era criança de se achar o melhor piloto de pods, faz com que atravesse a adolescência achando-se o melhor jedi existente (o que, de certa forma, era verdade). Mas mesmo com os conselhos equilibrados de Obi Wan, Anakin se deixa seduzir pelos sentimentos passionais humanos: o amor por Padmé Amidala, fixação desde criança, os sonhos premonitórios de morte de sua mãe e o crescente desgosto por não se achar valorizado o bastante pela Ordem Jedi. E ao final do do Episódio II, Skywalker se casa às escondidas (algo proibido a um jedi), tenta salvar sua mãe (que perece em seus braços), assassina uma aldeia inteira por pura vingança e se torna cada vez mais íntimo de Palpatine, um homem ambicioso e alterego de Darth Sidious.

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Quando o Episódio III tem início, sabemos logo de cara o quanto a influência de Palpatine já estava sedimentada: Anakin executa Conde Dookan na frente do Chanceler que calmamente assiste. Obin Wan desacordado, não vê seu antigo aprendiz se vingar do homem que lhe decepara a mão. A partir desse momento, o Chanceler Supremo, que claramente havia arquitetado o próprio sequestro, tendo se livrado de seu antigo aprendiz Darth Tiranus (Dookan), começa o processo de conversão definitiva de Anakin Skywalker.

A estratégia do Chanceler se dá por duas vias: o medo e a desconfiança. Anakin passa a ter sonhos premonitórios nos quais Padmé morre no parto. Sonhos que o atormentam semelhantes àqueles que prenunciavam a morte de sua mãe pelos povos da areia. Nesse ponto, Darth Sidious acaba demonstrando que o Lado Negro possui as ferramentas para evitar que alguém morra. Um processo antinatural para a filosofia jedi, porque quem morre se torna um com a Força. Assim o Chanceler Supremo conta a história de Darth Plagueis, que fora assassinado dormindo por seu aprendiz (pressupomos ser Darth Sidous), mas que antes de morrer passara ao aluno o segredo para imortalidade.

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Enquanto medo de morrer é enfatizado e possui a solução antinatural, a desconfiança de Anakin cresce em relação ao Conselho, alimentada pela falsidade das palavras do lorde sombrio. Prevendo cada passo dos jedis, ele incita Anakin a pleitear um lugar no conselho, mesmo sendo muito jovem para isso. Isso é negado prontamente por Yoda e Mace, tornando-o meramente um ouvinte do conselho. Em seguida ainda solicitam que Anakin espione o Chanceler, para ele uma traição à República. Enquanto os jedis desconfiam (tarde demais) das intenções de Palpatine, esse continua a sustentar que na verdade o Conselho quer tirar seu cargo para assumirem o poder da Galáxia.

É essa trilha do medo e da desconfiança que serão armas sedutoras do Lado Negro. Alie-se a isso a crescente ânsia de Anakin em se tornar cada mais poderoso e temos os ingredientes que formarão Darth Vader.

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PODER ILIMITADO
Durante o este último episódio da trilogia prequela, finalmente vemos a ascensão definitiva de Darth Sidious e a formação do Império Galáctico, o governo tirânico contra o qual lutarão os Rebeldes de Uma nova esperança (1977).

A estratégia do chanceler Palpatine para manter o poder é conhecida pelos cientistas políticos e é chamada de Guerra Perpétua. Ele chega ao poder através de conflitos com a Federação do Comércio, obtém maiores privilégios através da Guerra dos Clones e solidifica sua posição através da guerra contra os Jedi.

Cabe relembrar a trajetória o plano foi minuciosamente trabalhado através dos anos:

  • 073_07(Episódio I) Como Senador de Naboo, incita a Federação de Comércio a um bloqueio comercial, o que faz com que a própria Senadora Amidala proponha um voto de desconfiança ao antigo Chanceler Supremo. Palpatine termina por ocupar o lugar deste na chefia do Senado Galáctico e descobre o potencial do garotinho Anakin;
  • 073_08Com poderes imediatos, encomenda em nome do conselho um exército de clones para República, ao passo que auxilia os Separatistas, na sua rebelião contra a democracia. Enquanto se torna conselheiro de Anakin, ainda padawan, o Chanceler começa a militarizar ambos os lados da guerra contando com o apoio de seu aprendiz, Conde Dookan;
  • 073_09(Episódio II) Usa então um senador patético, Jar Jar Binks que ocupa o lugar de Padmé, afastada do Senado devido a um atentado, para propor que ele obtenha poderes emergenciais e a criação de um exército da República (os clones). De acordo com Ahmed Best, houve uma cena deletada em que, antes de ele se coroar Imperador, Palpatine agradeceu Jar Jar Binks por ter concedido os poderes emergenciais que lhe permitiram dominar a Galáxia;
  • 073_10(Episódio III) Com a suposta traição do Conselho Jedi, propõe que a República se torne um Império Galáctico, e executa Ordem 66: uma programação embutida nos clones que visava à execução de todo e qualquer jedi;
  • 073_11Por fim converte Anakin em Darth Vader, seu aprendiz e um poderoso manipulador da Força. Um jedi caído, cego pelo ódio e pelo desespero por achar ter assassinado seu grande amor em um momento de fúria.

E talvez a citação mais icônica e irônica é justamente quando Padmé Amidala, na plenária que deu origem a formação do Império Galáctico, constata o fim da República. Ela que sempre defendera a desmilitarização, a solução diplomática para o conflito, com os olhos marejados diante a aprovação unânime do Senado, enfim, diz:

Então é assim que a liberdade morre: com um estrondoso aplauso.

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UMA NOVA ESPERANÇA
A ascensão dos sith é o declínio da influência jedi na Galáxia. Mesmo que Mace Windu desconfiasse desde sempre do Chanceler e sua relação com Anakin; mesmo que Yoda percebesse a perturbação na Força e tivesse seus medos em relação a Skywalker; mesmo que Obi Wan visse a arrogância de Anakin e a relevasse por achar que era coisa da juventude e que a meditação e a experiência o curariam; os jedi estavam cegos pelo orgulho e pelo conflito no qual estavam inseridos.

E o jovem Vader, ainda sem sua armadura característica, empreende a chacina até de crianças aprendizes do templo e de toda alta cúpula Separatista. Perde duramente para Obin Wan em uma batalha de sabres de luz de tirar o fôlego. Aqui duas cenas se sobrepõe: Kenobi versus Anakin, Yoda versus Imperador. Anakin e Yoda perdem pelo mesmo motivo: seus adversários estão em nível superior, desvantagem. O fim dos duelos é o fim trágico da liberdade na Galáxia.

Este filme se passa 19 anos antes de Uma Nova Esperança (1977). Então o Episódio III lanças as sementes para o próximo filme e, até certo ponto, elucida para os fãs algumas pontas soltas que marcam a história da trilogia clássica das décadas de 1970 e 1980. Alguns pontos são esclarecidos e merecem destaque:

  • 073_13Darth Vader usa aquela armadura altamente tecnológica e como vilão é muito mais robótico que humano. Isso são reflexos da ultima batalha contra Kenobi no Planeta Mustafa (palavra que vem do árabe, “o escolhido”). Seu andar cambaleante, devido ao peso extra colocado no traje, faz com que ele seja semelhante a um Frankenstein;
  • 073_14Após a morte de Padmé, mas por tristeza do que por causas médicas, vemos como Leia e Luke são separados em seu nascimento. A primeira destinada a família Organa, grande aliada de Naboo desde muito tempo; o último para a terra árida de Tatooine para ser criado por seu meio irmão e vigiado, ao longe, por Obin Wan Kenobi;
  • 073_15O termo “Rebelde” é usado primeiramente neste filme para se referir aos jedis que se opõem a tirania do Império e mais tarde se estenderá para toda a oposição galáctica;
  • 073_16Percebemos que o exílio de Obi Wan tem relação com a vida após a morte, pois ele treinará com o espírito de Qui Gon. Isso explica a voz interior do mestre Kenobi que fala com Luke e sua posterior aparição para o jovem na trilogia clássica. O mesmo para Yoda que se retira para Dagobah, após a derrota para o Imperador, para entender os desígnios da Força;
  • 073_17Cabe lembrar que alguns personagens da franquia tem sua presença explicada neste loga como o motivo para C3PO e R2D2 não se lembrarem dos acontecimentos das Guerras Clônicas. Respectivamente, o droide de protocolo termina com Luke e o astrodoide com a família Organa. Também Chewbacca, como veterano de guerra, que lutou ao lado de Yoda em seu planeta natal Kashyyyk, estreia nesse longa e nos mostra seu passado guerreiro;
  • 073_18Por fim, e não menos importante, os planos da Estrela da Morte, que estavam de posse dos Separatistas em Geonosis (final do Episódios II), revelam-se a todo vapor, primeiro na cena que Palpatine estuda em seu gabinete, em uma rápida projeção, depois, no final do filme, como arma está sendo construída.

CURIOSIDADES

  1. 073_19Ewan McGregor e Hayden Christensen treinaram por dois meses em esgrima e condicionamento físico, em preparação para sua batalha épica. Como resultado de sua prática, a velocidade com que Kenobi e Vader se envolvem no duelo é a velocidade em que foi filmada e não foi acelerada digitalmente.
  2. 073_20Em 2007, o Dr. Eric Bui, psiquiatra francês, coescreveu um estudo que diagnosticou Anakin Skywalker como tendo Transtorno da Personalidade Borderline. Quando os autores relataram suas descobertas na reunião anual da Associação Americana de Psiquiatria, declararam que Skywalker se enquadra nos critérios de diagnóstico: dificuldade em controlar a raiva, rupturas relacionadas ao estresse com a realidade, impulsividade, obsessão pelo abandono e um “padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizado pela alternância entre extremos de ideação e desvalorização “.
  3. 073_21No duelo com o Conde Dookan, o Palpatine aprisionado, originalmente, teve mais diálogos. Uma de suas falas revelava algo obscuro do Episódio II: Ataque dos Clones (2002): Dookan teria pagado aos Tusken Raiders (Povo da Areia) para sequestrar, torturar e matar Shmi Skywalker (mãe de Anakin).
  4. 073_22A história deste filme está em ordem inversa de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (1977). O primeiro ato deste filme começa com uma batalha espacial, prossegue com uma missão de resgate, continua com Anakin percebendo seu destino na vida e termina com o Império assumindo. O episódio IV começa com o Império assumindo o controle, prossegue com Luke percebendo seu destino na vida, continua com uma missão de resgate e termina com uma batalha espacial.
  5. 073_23A sequência em que Palpatine anuncia o Império, enquanto Darth Vader mata os líderes separatistas, foi modelada após a famosa “Sequência de Batismo” em O Poderoso Chefão (1972).

CONCLUSÃO
Para apreciar plenamente esse filme, só acompanhando toda a trajetória. No entanto você consegue saber o básico dos motivos que formaram Darth Vader e ascensão do Imperador somente por esse longa-metragem. Assistindo aos dois primeiros episódios você verá esse processo com bastantes detalhes para apreciar a jornada do apogeu do Lado Sombrio, mas consegue digerir esse filme sem precisar de todo esse esforço.

Novamente não chama atenção o trabalho de Hayden Christensen (Anakin), que atua muito mal, nem de Natalie Portman (Padmé), totalmente apagada e submissa, uma desconstrução da mulher forte dos filmes anteriores.

Considero, dessa trilogia prequela, o melhor filme. Podemos destacar, claro, a ótima atuação de Ewan McGregor (Obin Wan) compensando os deslizes dos dois filmes anteriores e literalmente arrasando tanto na batalha contra o General Grievous, como no seu conflito com Anakin.

Claro que Yoda novamente se mostra um dos personagens CG (computação gráfica) mais bem trabalhado e parece envelhecer muito mais nesse filme devido aos rumos negativos dos acontecimentos da guerra. Sua batalha contra o Imperador vale cada minuto de seu tempo.

Enfim, as cenas de batalha do filme estão impecáveis: desde ao rufar de tambores na primeira sequência, como na chacina empreendida pela ordem 66 e a batalha de Kashyyyk. Vale muito a pena para as novas gerações entenderem o fim da época Jedi e o que isso prenuncia, além de lançar o clima para os eventos da trilogia original. Mas a história Star Wars está apenas começando. Não se engane, a Força ainda nos revelará muito e ainda falta bastante para o equilíbrio. Por mais que as coisas estejam ruins, sempre haverá Uma nova Esperança para a Galáxia. Que a Força esteja com vocês!

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STAR WARS: EPISÓDIO II – O ATAQUE DOS CLONES (CRÍTICA)

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Há apreensão no Senado Galáctico. Milhares de sistemas solares manifestam sua intenção de deixar a República.
Esse movimento separatista, sob a liderança do misterioso Conde Dookan, tornou difícil para o pequeno número de Cavaleiros Jedi manter a paz e a ordem na galáxia.
A senadora Amidala, ex-rainha de Naboo, está voltando ao Senado Galáctico para votar a delicada questão de criar um Exército da República para ajudar os combalidos Jedi.

Dez anos se passaram desde o bloqueio comercial e os conflitos em Naboo (Star Wars: Episódio I – A ameaça Fantasma, 1999). A República Galáctica e seus defensores da paz, os jedis, deparam-se com uma nova ameaça: o Movimento Separatista. A probabilidade de guerra é real, mas os Cavaleiros Jedi, pacifistas por excelência, são incapazes de sozinhos deterem a marcha dos acontecimentos.

Anakin Skywalker, agora com 19 anos, oscila entre a rebeldia, arrogância e amor pela agora senadora Amidala, sua fixação desde a infância. Está em desequilíbrio entre os ensinamentos de seu mestre, Obin Wan Kenobi, e a forte influência do Chanceler Supremo Palpatine.

Um atentado envolvendo a senadora Amidala, contrária à formação de um exército da República, fará com que Anakin confronte seus sentimentos e seu passado dando demonstrações que a fúria é forte no jovem padawan. Por outro lado, fará com que Obi Wan descubra tanto um exército secreto de clones como também um de droides, este último idealizado por Conde Dookan, o novo aprendiz sith.

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Título original: Star Wars: Episode II – Attack of the Clones
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas, Jonathan Hales
Duração: 2h 22min
Lançamento: 12 de maio de 2002

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Elenco: Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé), Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Christopher Lee (Conde Dookan / Darth Tyranus), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Frank Oz (Yoda) e Ian McDiarmid (Chanceler Supremo Palpatine).

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ANAKIN E A SEDUÇÃO DO LADO NEGRO
Quando percebemos a transformação do garotinho escravo Anakin, repleto de perspicácia e bondade, no agressivo padawan (aprendiz jedi), parece algo muito forçado (perdoem-me o trocadilho). Mas não podemos esquecer que ele sempre foi muito emotivo, muito ligado à mãe. Isso é potencializado nesta sequência da história do futuro Darth Vader. Anakin é arrogante, convencido e não respeita integralmente o comando de seu mestre, Obi Wan Kenobi.

Anakin tem constantes pesadelos com a mãe. Projeta sua afeição em Padmé, a antiga rainha que durante os últimos 10 anos viveu em seu imaginário. Dormindo, tem pesadelos com a mãe, acordado sonha com Padmé. Mesmo no reencontro, quando é designado junto com seu mestre para protegê-la, ao receber um fora daqueles (“Ani, você sempre será o menininho que conheci em Tatooine.”), não desiste em sua sedução tosca e acaba conquistando o coração velha (porém super conservada) senadora de Naboo.

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Enquanto seu coração sente a tentação amorosa e o medo da perda da mãe, dois sentimentos que não podem dominar o coração virtuoso e equilibrado de um jedi, o Chanceler Supremo Palpatine, pálido como um cadáver, revela-se como o segundo mestre de Anakin e que o aconselha nas sombras. Enfatiza o quanto o garoto é habilidoso, alimenta a ambição do padawan. Isso faz com que cresça a ideia do sentimento de superioridade acima de qualquer jedi e suas queixas em relação a Kenobi, acusado de não deixá-lo brilhar e ser invejoso.

O amor (uma fixação juvenil de um rapaz virgem), o medo (da perda da mãe), a influência de Palpatine (o capeta a sussurrar maldades no seu ombro) e a vaidade de seu domínio da Força que farão com que o antigo escravo de Tatooine dê passos decisivos em direção ao Lado Negro da Força. Duas circunstâncias nos mostram que definitivamente Anakin Skywalker está perdido. A mais aparente é o fato de voltar a Tatooine, como havia falado a sua mãe que faria. Ele não liberta todos os escravos, porém executa toda uma aldeia de povos da areia que haviam sequestrado sua mãe. Não poupa ninguém: nem mulheres nem crianças. Não é o escolhido (messias) salvador, é, somente, a mão furiosa da morte.

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A segunda pista da perdição de Anakin Skywalker está em um diálogo em uma das cenas românticas mais mal feitas da trama: a cena do casal no campo florido. Em um dado momento Padmé interroga o jovem jedi que diz que não acreditava que o sistema político funcionasse. “E como isso funcionaria para você?”, pergunta a senadora. Anakin então explica:

“Precisamos de um sistema onde políticos se reúnam, discutam os problemas, concordem sobre o que é melhor para o povo e então façam.”
“Mas é exatamente isso o que fazemos, mas nem sempre as pessoas concordam”, diz a senadora de Naboo.
“Deveriam ser obrigadas, então”.
“Por quem? Quem poderia obrigá-las?”, pergunta Padmé.
“Não sei, alguém…”
“Você?” , interrompe a senadora.
Sem muita convicção, vacilando, Anakin então afirma:
“Claro que eu não… Alguém sábio.”
“Para mim, isso está parecendo mais uma ditadura”, constata Padmé.
Anakin confirma a possibilidade, eles sorriem e a cena segue entre sorrisos e brincadeiras.

Desta forma está sedimentado na alma do futuro Darth Vader as sementes do autoritarismo: a mão forte do Imperador sobre o futuro da galáxia. Mesmo que ele tenha esquecido das palavras da atual rainha de Naboo quando chegaram ao planeta:

Devemos manter nossa fé na República. O dia em que deixarmos de acreditar na democracia, será o dia em que ela cairá.

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PALPATINE: O SENHOR DA GUERRA
Quando analisamos a escalada do pode do Senador Palpatine ao cargo de Chanceler Supremo da República, eventos narrados no Episódio I – Ameaça Fantasma (1999), descobrimos que ele age nas entrelinhas, controlando as fraquezas do sistema. Ainda havia hostilidade da Federação de Comércio que amargou uma dura derrota na invasão de Naboo, mas a ela se somaram outros sistemas que desejavam se separar da República. Os Separatistas estão em maior número e se torna cada vez mais difícil para os jedis manterem a paz. Claro que o desejo se desligar da República tem o dedo de Palpatine: ele enfraquece as instituições ao mesmo tempo que na surdina espalha a fragilidade do sistema e o medo generalizado. É assim que ele começa a arquitetar a guerra que se desenrola neste longa-metragem. Vamos entender passo a passo a estratégia de Darth Sidious:

  1. 058_06O atentado à senadora – Logo no início do longa-metragem, a senadora de Naboo sofre um atentado. A sósia de Padmé é morta na ocasião. A antiga rainha é a principal líder do movimento contra a militarização da República diante da ameaça Separatista. É necessário que ela saia do cenário para Palpatine não tenha ninguém contra a ideia da formação de um exército. Convenientemente sugere que a senadora retorne a Naboo sendo protegida por seus antigos salvadores: Anakin e Obi Wan Kenobi. Darth Sidious consegue alcançar três objetivos: deixar Padmé e Anakin bem próximos (decerto sabia da fixação de seu pupilo pela representante de Naboo); afastar a principal oposição à militarização; e, por fim, deixar Jar Jar Binks (sim, aquela desgraça do filme anterior) como representante de Naboo no Senado.
  2. 058_07O exército de clones – Obi Wan descobre um produção em massa de clones, uma força militar feita por encomenda para República em um planeta chamado Kamino. Segundo o primeiro-ministro, o exército teria sido encomendado há quase 10 anos. O que nos remete à época da invasão de Naboo, evento do Episódio I. Sabemos que Palpatine usou esta ocasião para se tornar Chanceler Supremo e, talvez, em uma de suas primeiras medidas, encomendar um exército de clones para República, pois os clonadores seguiram tanto o pedido do Senado como o de um antigo mestre jedi morto há muitos anos. Assim, enquanto a oposição e separatistas fortaleciam o exército de droides, nas sombras, Palpatine aparelhava a República para o futuro conflito.
  3. 058_08A corrupção política – A influência de Darth Sidious vai crescendo ao longo do tempo à frente do Senado. Por outro lado, os jedis, nas próprias palavras do Mestre Windu, sentiam a habilidade do Conselho de usar a Força diminuir. Nesse sentido, por mais que Yoda aconselhe Kenobi a limpar a mente para vislumbrar o verdadeiro vilão, o mestre de Anakin parece ser o único a estar atento. E após seu padawan defender o Chanceler Supremo, Obin Wan emenda: “Palpatine é um político. Tenho observado que ele é muito inteligente, aproveitando-se da convicção e dos erros de julgamentos do senadores”. Desta forma, sensível, de forma instintiva, o Mestre Kenobi estava alerta e desconfiava do lorde sombrio e de suas maquinações. Mas mesmo sob suspeitas, Palpatine manipulava as estruturas fragilizadas do poder debaixo das barbas do Conselho Jedi.
  4. 058_09Darth Tyranus – Com a morte de Darth Maul (Star Wars: Episódio I – A ameaça Fantasma, 1999), Palpatine precisava de um novo aprendiz sith. Quem ocupa esse lugar é um veterano idealista e desacreditado da República: Conde Dookan. Ele foi treinado pelo Mestre Yoda e por sua vez foi mestre de Qui-Gon Jin. Literalmente é um jedi seduzido pelo lado sombrio. Além de estar à frente dos Separatistas, articula-se com a Federação de Comércio. Poderia ter sido ele a apagar o sistema Kamino dos arquivos Jedi? Quando o lado Negro começou a seduzi-lo? Dookan nos mostra que com o tempo certo, qualquer jedi pode ser tentado. O conde também cumpre o papel de quase matar Anakin e suscitar outro sentimento passional no padawan, além do medo, do amor e da fúria: a vingança. A queda de Dookan marcará a transição inicial de Anakin para submissão total a Palpatine.
  5. 058_10A batalha de Geonosis – Com todas as peças do tabuleiros arrumadas, só restava colocar a guerra em curso. Diante da prisão de Obi Wan, Anakin e Padmé no planeta Geonosis, era preciso uma resposta imediata à ameaça. Por um lado os jedis se vêem incapazes de deter o exército gigantesco de droides criados nas entranhas do planeta. Por outro a oposição à militarização da República é vencida por ter sua líder presa nas mãos dos Separatistas. Sendo o sistema corrupto, só faltava que algum senador ou representante de um senador propusessem em plenária a formação do exército. Nesse ponto que Jar Jar Binks (personagem desgraçado!) é manobrado e faz a proposição. Assim, pelas mãos de um idiota e ingênuo, Palpatine recebeu poderes emergenciais e passou a liderar um exército de mais de um milhão de clones feitos do código genético um mercenário e caçador de recompensas Jango Fett, pai de Bobba Fett.

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OBI WAN: PROFETA OU MESTRE JEDI DOS SPOILERS?
Tudo bem, sabemos que domínio forte é da Força em Yoda. Também sabemos que o Mestre Windu humilha com o sabre de luz roxo, mas talvez o mais atento ao lado negro, neste episódio da trilogia prequel (pré-sequência), seja Obi Wan Kenobi. A todo momento ele faz avaliações e observações sobre o momento em que ele e os demais jedis vivem. Talvez o mais sensitivo quanto aos eventos funestos que se abaterão sobre a galáxia. Primeiro, podemos destacar sua desconfiança sobre os políticos em geral e o próprio Chanceler Supremo Palpatine. Antes da perseguição a Zan Wesell, caçadora de recompensas, ele afirma em conversa com Anakin:

Pela minha experiência, os senadores se preocupam apenas em agradar aqueles que dão fundos para suas campanhas. E eles não demonstram escrúpulos quando esquecem do poder e da ordem para conseguir tais fundos.

Após a perseguição à caçadora de recompensas, quando ele devolve o sabre de luz a Anakin antes de entrar no bar e encurralar a assassina, ele prediz o que acontecerá no episódio IV da saga: “Por que tenho a impressão de que você ainda vai me matar?”.

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Obi Wan Kenobi não sente firmeza e tem constantes ressalvas para sugerir que Anakin se torne mestre jedi. Ele tem habilidades magistrais, mas seu coração parece frágil. Kenobi aceitou a incumbência de treinar o menino de Tatooine de seu mestre Qui-Gon, porém aparenta não ter confiança na temperança de Anakin. E novamente estava certo. Anakin executaria toda uma aldeia ao voltar à terra natal, fato sentido de forma indireta por Yoda. E após o incidente, o jovem jedi expressa sua fúria:

“Eu deveria ser (onipotente). E algum dia eu vou ser. Eu vou ser o jedi mais poderoso que existiu. Eu prometo a você. Eu vou até aprender a impedir que as pessoas morram. […] Isso é tudo culpa do Obi-Wan. Ele é invejoso. Ele está me reprimindo. “

CURIOSIDADES

  1. 058_13O nome do Conde – Na tradução para nossa língua, o nome do Conde Dookan precisou sofrer uma ligeira alteração porque senão não iam faltar brasileiros zombando do nome do personagem Count Dooku (Sim, aquele lugar onde o sol não bate).
  2. 058_14O sabre de luz de Mace Windu – Foi ideia do ator Samuel L. Jackson. Motivo: simplesmente se destacar no meio do sabres azuis e verdes no meio das batalhas. Mas no material estendido, o sabre de luz roxo se refere aos usuários da Força que já foram do lado negro.
  3. 058_15As sementes do Império – A trilogia original é marcada pela hegemonia do Império Galáctico. Neste segundo filme da trilogia prequel temos algumas referências e percebemos que já fazia parte do plano geral a construção do poder imperial. Podemos ver o símbolo do Império na mesa de reuniões dos os futuros Líderes Separatistas (Wat Tambor, Nute Gunray, etc.). Momentos depois o arqueduque de Geonosis entrega os projetos de sua arma final, a Estrela da Morte, para que o Conde Dookan entregue ao Lorde Sith. Outro ponto é o armamento utilizado pelos clones, muito semelhantes aqueles que seriam usados pelos Stormtroopers, como os andadores.
  4. 058_16O clã Fett – Também podemos ver a origem de Boba Fett, o caçador de recompensas que colocará as mãos em Han Solo. Clone idêntico (fisicamente e mentalmente) de Jango Fett, feito em Kamino, cresceu naturalmente sob a tutela e treino direto do pai. Nós o vemos dar tiros de blaster na nave Escravo I e após a morte, segurar o capacete do pai, em uma espécie de legado passado.

CONCLUSÃO: Que Yoda é esse? OMG!
Bem, é totalmente dispensável as cenas de flerte e jogos amorosos entre Anakin e Padmé Amidala. Cheios de tiradas ultrapassadas e cenas românticas mais do que clichês. Não que a franquia não possa ter seus romances, afinal a tensão amorosa entre Han Solo e a Princesa Leia é uma das coisas mais legais na trilogia original. Mas percebemos que George Lucas (ou seu roteiro) podem ter tirado sua ideias de novelas brasileiras ou mexicanas para explicar tanta cafonice. Por mais que os casais de atores tenham desenvolvido um romance durante as filmagens, que Natalie Portman tenha largado o marido para ficar com Christensen, a química não rola e por vezes você vai querer adiantar o filme para não assistir às cenas piegas.

A única atuação digna de atenção é justamente de um personagem em CGI (computação gráfica): Yoda. Além de ser um sonho de muitos fãs da franquia de ver o diminuto e mais forte jedi lutar e ele o faz de forma fantástica. O mestre Yoda se mostra um líder nato, com capacidade analítica e boas expressões faciais. Ao meu ver é o ponto mais empolgante da trama.

Também, este longa, é uma ótima oportunidade pra ver a capacidade tecnológica tanto do enredo da história, quanto dos efeitos especiais da produção que teve um salto qualitativo em três anos, diferença entre o Episódio I e o II. Vale a pena pelas cenas da batalha da arena de Geonosis quanto da própria guerra em si.

Se você espera ver um filme com muita ação e com apogeu dos jedis e sua capacidade de batalha, esse filme empolga, mesmo com o romance piegas e as atuações nem sempre interessantes. Esse longa marca o início da fase mais belamente construída desde a trilogia inicial. Trata-se das Guerras Clônicas que foram amplamente adaptadas para a animação, Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) e a série animada, Star Wars: The Clone Wars (2008-2020), que preenchem as lacunas deixadas pelos filmes prequel.

No mais, persista na Força, jovem padawan, o Lado Negro cresce na galáxia. Se queres paz, te prepara para a guerra! E bom filme!

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STAR WARS: EPISÓDIO I – A AMEAÇA FANTASMA (CRÍTICA)

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A desordem instalou-se na República Galáctica. A cobrança de impostos das rotas de comércio para sistemas remotos está sendo contestada. Esperando resolver a questão com um bloqueio de poderosas naves de guerra, a gananciosa Federação do comércio suspendeu toda remessa para o pequeno planeta Naboo.

Enquanto o Congresso da República discute indefinidamente essa alarmante sequência de eventos, o Chanceler Supremo enviou, secretamente, dois Cavaleiros Jedi, guardiões da paz e da justiça na galáxia, para porem fim ao conflito…

Exatamente 32 anos antes do domínio do Império Galáctico, o longa-metragem de George Lucas acompanha os passos do Mestre Jedi Qui-Gon Jinn e de seu aprendiz (padawan), Obi-Wan Kenobi. Inicialmente enviados como negociadores para por fim a um bloqueio comercial hostil às novas taxações impostas pelo Senado da República, acabam se tornando defensores dos interesses da Rainha Amidala do pacato planeta Naboo. Ambos os heróis na medida que se envolvem na ameaça de guerra contra o Exército Droide a serviço da Federação de Comércio, acabam por descobrir uma divergência na Força, alguém que possa trazer equilíbrio e paz para galáxia, na figura do garotinho Anakin Skywalker. Mas o que parece ser um simples conflito preste a ser resolvido pela ação pacificadora do Jedis, revelam o retorno dos misteriosos Siths.

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Título original: Star Wars: Episode I – The Phantom Menace
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Duração: 2h 16min
Lançamento: 19 de maio de 1999

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Elenco: Liam Neeson (Qui-Gon Jinn), Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman, (Rainha Amidala / Padmé), Jake Lloyd (Anakin Skywalker), Ian McDiarmid (Senador Palpatine) e Ahmed Best (Jar Jar Binks).

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A ORIGEM DO CLÃ SKYWALKER
Quando o enredo tem início, temos o auge da influência jedi sobre a galáxia: eles são uma força temida e respeitada. O Conselho Jedi, que tem no jovem Yoda (mas sempre velho), o principal representante dada a sua antiguidade, atua como suporte na manutenção da República e sua democracia. Os Jedis resguardam sua tradição, treinam novos aprendizes, mas tornaram-se desleixados para detectar as ameaças do Lado Negro da Força. Tudo está nebuloso, como o próprio Yoda diz a certa altura do filme.

Por mais que Qui-Gon Jinn, nos instantes iniciais da película, afirme que seu aprendiz precisa se preocupar somente com o “aqui e agora” e não pensar no futuro, por mais que isso pareça ser só a lição de um mestre ao seu aluno, foi assim que os Jedis ficaram cegos a ameaça do Lado Negro. Esse ensinamento, a filosofia de Qui-Gon, resume a queda que recairia sobre a hegemonia dos jedis sobre a galáxia: não dar uma atenção maior ao futuro.

Após o fracasso da negociação com o vice-rei Nute Gunray, o plano de invasão ao planeta Naboo é adiantado. Os Jedis, em fuga e já em terra, fazem amizade com um atrapalhado nativo Jar Jar Binks, apontado pela crítica e pelos fãs mais fervorosos (e me incluo nesse grupo), como a pior adição ao universo Star Wars. Porém, falarei da importância dele depois. Mas o fato é que o irritante personagem, após conduzir os heróis ao reino aquático de Gunga, serve de guia para que os Jedi cheguem a capital de Naboo, resgatem a rainha e fujam do planeta durante o início da invasão droide.

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Depois da ajuda essencial do astrodroide R2D2, primeira aparição do robozinho mais famoso da franquia, que conserta avarias na nave em plena fuga, os jedis e a rainha precisam pousar em Tatooine, planeta desértico controlado pela facção criminosa dos Hutts. É que, devido ao ataque, fora danificado o hyperdrive: componente essencial da nave que a faz cruzar longas distância na velocidade da luz.

É em busca do conserto da nave que Qui-Gon, Padmé e Jar Jar vão conhecer o jovem Anakin Skywalker com apenas nove anos, escravo de um comerciante local de sucatas. Enquanto o mestre jedi negocia com Watoo, dono do comércio, Anakin mostra sua afeição, desde sempre, pela rainha disfarçada de aia: “Você é um anjo?”. O garoto acaba por ajudar aqueles forasteiros desde livrar Jar Jar de uma briga, passando por conceder abrigo durante uma tempestade de areia, até ganhar uma corrida pods (planadores).

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O jovem Anakin se mostra um prodígio: hábil em mecânica, construtor de droides (C3PO é sua criação), um piloto nato com reflexos impressionantes. Tudo desperta o interesse de Qui-Gon que vê o potencial do rapaz e sua manifestação da Força. Mas a origem do menino é em si um mistério e em muito se deve a sua semelhança com a figura de Jesus, entre os cristãos. Anakin Skywalker teria sido gerado espontaneamente pela Força, sem nenhuma relação sexual da mãe. Segundo ela, o menino não conhecia a cobiça e acreditava que ele nasceu para acompanhá-los. Anakin, que descobre por conta própria que Qui-Gon era um jedi, diz em certo momento que sonhou que era um jedi e que voltava para Tatooine e libertava todos os escravos. Bem, o futuro mostraria que esse retorno não seria tão feliz.

O jovem Anakin Skywalker, fazendo jus a seu sobrenome (andarilho do céu, em tradução livre), conheceria todas as estrelas. Ele possuía uma quantidade absurda de midichlorians: uma espécie de vida simbionte no interior de cada célula vivente. Tais formas de vida se comunicam com a Força e falam seus desejos. A contagem midichlorians do menino era superior até do mestre Yoda. Isso significava que ele mesmo tão jovem, poderia ter um domínio da Força muito maior que qualquer jedi existente. Isso faz Qui-Gon acreditar que ele poderia ser o Escolhido: aquele que traria equilíbrio a Força.

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Ao libertar o menino, consertar a nave e enfrentar um estranho oponente de sabre de luz vermelho, os cavaleiros jedi chegam ao planeta-cidade Coruscant. Anakin é submetido a avaliação do Conselho Jedi para saber seu potencial para se tornar padawan de Qui-Gon. Apesar da grande Força, Yoda percebe que o garoto é perigoso pelo excesso de medo e apego à mãe que Anakin possuía, pois:

“O medo caminho é para o Lado Escuro. Medo leva a raiva, raiva ao ódio leva, ódio leva ao sofrimento”.

É justamente este o caminho da decadência que levará o potencial positivo de Anakin Skywalker à ruína na sequência dos demais filmes. O medo caminhará com ele. Na ausência da mãe, projetará seu carinho em Padmé Amidala. Freudiano, isso. Mas Qui-Gon, que sempre fora arredio resolve que o treinará a qualquer custo e, com sua morte, a missão passará a Obi-Wan Kenobi, que cumpre o último desejo de seu mestre. A ascensão de Anakin é o início do declínio da era jedi na galáxia.

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QUE AMEAÇA FANTASMA É ESSA?
A primeira impressão que temos que o “fantasma” do título é a aparência aterradora de Darth Maul, porém o que está por trás da verdadeira ameaça  é a ambição do senador Palpatine, alter-ego do lorde sith Darth Sidious.

O bloqueio da Federação de Comércio não passa de uma estratégia bem planejada por Palpatine. Era necessário pressionar a Rainha Amidala ao máximo e ele, como senador de Naboo, desejava se tornar Chanceler Supremo, tomar o lugar de Valorum. Este último, acusado de corrupção, manipulado por burocratas, subornado pela Federação, ao seu entender não estava mais apto a liderar a República Galáctica. Até que ponto estas informações eram verdadeiras, a Rainha não sabe, mas é induzida a acreditar nelas. E assim propõe um “voto de desconfiança” ao senado, o que faz com que haja novas eleições para o cargo. Em si, isso não muda nada e não auxilia Naboo que se encontra sitiado pelo vice-rei Nute Gunray, porém marca o início da escalada de poder de Darth Sidious. A rainha volta ao seu planeta, Palpatine fica na capital da República para vencer a eleição.

Palpatine se diz honesto e que “vai acabar com a corrupção”, mas no fundo a trama ou as informações podem ter sido falseadas pelo lorde sith. Mas fato é que os jedis se tornaram distraídos e a estrutura democrática estava fragilizada. Isso cedeu espaço para que, na escuridão das ruas de Coruscant, a ameaça fantasma Sith fosse crescendo. Se ao final Palpatine perde seu discípulo, Darth Maul, pelas mãos de Obin Wan Kenobi, por outro o senador alcança o degrau máximo do poder e ainda conhece um jovem com um potencial inimaginável na Força: Anakin Skywalker. Os dados foram lançados para o início da reviravolta Sith da história galáctica.

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É MELHOR JAR JAR IR SE IRRITANDO
Com pouco mais de dez minutos de filme, surge Jar Jar Binks, para suplício de muitos. Ele é um Gunga, do povo aquático de Naboo, e que tinha sido expulso de sua terra (ou de sua água?) por ser extremamente desastrado. Ele é responsável por aquelas que deveriam ser as cenas engraçadas da história e fazer o riso da criançada com seu humor pastelão. Bem, a intenção saiu pela culatra: suas cenas são forçadas e desnecessárias. Não que o humor esteja proibido, afinal C3PO, na trilogia inicial, faz um bom trabalho. E pensar que, segundo o ator Ahmed Best, o intérprete dessa “beleza de personagem”, afirmou que Michael Jackson quase lhe roubou o papel!

Eu, Natalie Portman e os filhos de George estávamos em um show de Michael Jackson. Nós fomos levados ao backstage e conhecemos Michael. Seus filhos também estavam lá. George me apresentou como Jar Jar e eu não entendi o que estava acontecendo. Depois que Michael foi embora, nós fomos para uma festa. Eu estava tomando um drink com George e ele me disse que Michael queria o papel, mas gostaria de fazer com próteses e maquiagem, como em “Thriller”. George queria fazer em CGI. O meu palpite é que Michael Jackson acabaria sendo maior que o filme, e não acho que ele [George] queria isso“, disse o ator.

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Mesmo que o interesse do rei do pop em dar vida ao personagem possa parecer um baita elogio e que talvez ele fosse muito melhor com Michael Jackson interpretando, Jar Jar decepciona não só por ser um personagem péssimo, mas por afetar o futuro da galáxia de forma desastrosa.

Assim que Qui-Gon conhece o Gunga, Binks afirma que sabe falar. Ao que o mestre jedi responde: “Capacidade de falar não é prova de inteligência”. Agora imagine isso aplicado a um político em um sistema democrático. Pensou? Pois bem, com suas trapalhadas, no início da trajetória de Jar Jar no universo de Star Wars, parece que tudo vai dar certo, mas aguardem até ele se tornar o senador representante de Naboo. Não quero adiantar a história, mas falaremos desse ódio nos outros filmes.

CURIOSIDADES

  1. 049_09Bloqueio Comercial – Para entender o contexto político deste filme, é necessário refrescar a memória das aulas de História do Brasil. Sério? Sim. Quando falamos de bloqueio comercial, retornamos a eventos muito ligados a nossa história. Quando, em 1806, Napoleão Bonaparte exigiu que Reino de Portugal se tornasse seu aliado contra a Inglaterra e os portugueses se negaram, o imperador francês instituiu um bloqueio comercial para que ninguém fizesse negócio com os ingleses. A corte portuguesa, como eram aliados da Inglaterra de longa data, resolveram não cortar laços e terminaram fugindo na surdina para sua colônia mais próspera: o Brasil. Diferentemente dos nem tão pouco corajosos portugueses que abandonaram seu lar, a Rainha Amidala, vendo que não resolveria nada simplesmente esperando a resolução do Senado e longe de sua pátria, retorna ao seu planeta para defendê-lo a todo custo.
  2. 049_10Cidade Aquática – Uma cidade submersa não é grande novidade quando falamos de ficção. Podemos pensar que isso se deve ao mito platônico da cidade Atlântida, descrita no seu diálogo Timeu (360 a.C.), como uma civilização avançada, um império de engenheiros e cientistas, tão ou mais avançados tecnologicamente que a nossa civilização. Diversas obras literárias ou cinematográficas usaram tal mito para falar de uma cidade aquática mágica ou alta tecnologia. Isso é possível constatar no Reino de Tritão (A pequena sereia, 1989), na Atlântida de Milo (O Reino Perdido, 2001) e dos quadrinhos de Aquaman (DC) ou Namor (Marvel).
  3. 049_11A mestre de Boba Fett – A corrida de pods é um dos eventos centrais e alguns personagens importantes para franquia aparecem. Jabba, o Hutt, mafioso alienígena asqueroso e obeso que fará negócios com Han Solo, é que está à frente da corrida. Durante a mesma, catadores de sucatas Jawas e os Tusken (povo da areia), seres importantes em Uma Nova Esperança (1977). E, claro, durante a primeira sequência da corrida, aparece do alto um rochedo Aurra Sing, que após a morte de Jango Fett, treinaria o impiedoso Boba Fett, caçador de recompensas que perseguiria Han Solo em O Império contra-ataca (1980). Aurra é importante no enredo da série animada Clone Wars.
  4. 049_14Cubo Azul e Vermelho – Watoo, dono do escravo Anakin Skywalker, convencido por Qui-Gon, resolve incluir o menino e sua mãe na aposta do final da corrida. Deixa a cargo da sorte no dado saber se libertaria o menino ou a mãe: face azul para ele, vermelha para ela. Não sei, mas me lembrou a associação de cores de Matrix (1999) que deixou entre uma pílula azul (voltar ao programa) ou vermelha (ser livre) a decisão do futuro de Neo, o escolhido. Enquanto o escolhido no filme de George Lucas é libertado pela cor azul (Qui-Gon manipula o lance de dados), o escolhido do longa de Lana Wachowski escolhe a pílula vermelha e se torna herói saindo da Matrix para liderar a resistência.

CONCLUSÃO: Um começo pouco empolgante
Este filme marca o início da trilogia prequel (pré-sequência) e que conta a origem de Darth Vader, o Imperador e seu poder. É imprescindível para quem quer assistir de forma cronológica à saga Star Wars. Nas gerações mais novas pode sugerir que todos os episódios sejam repletos de CGI (imagens geradas por computador) como este, o que faz a trilogia original, das décadas de 1970 e 1980, ser muito simplória e desinteressante.

Para aqueles mais old school, este episódio torna-se interessante por mostrar lutas com sabres de luz repletas de agilidade, fato incomum nos filmes mais antigos devido, em parte, a precariedade dos efeitos especiais. Também se destaca por mostrar a origem de personagens secundários para as ramificações da série: R2D2, C3PO, Obin Wan, um Yoda em plena ativa entre outros.

Mas do ponto de vista interpretativo dos atores, o destaque fica somente por conta de Liam Neeson (Qui-Gon Jinn), embora fique prejudicado, às vezes, por frases bobas (“Sempre há um peixe maior.”) ou que, ao interagir com personagens computadorizados, não saber realmente para onde está olhando.

Se você é um veterano na franquia, pode achar este filme pouco interessante e desconexo. Se você for novo no mundo de Star Wars, pode ser que ache melhor ir ver um filme da Marvel. Não os reprovo e acho compreensível. Mas se perseverar na Força, possa ser que você chegue a perdoar esse filme, pois afinal o que vale é a jornada. Opa, mas esse já é outro filme, outra história.

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