20TH CENTURY BOYS – TRILOGIA (CRÍTICA)

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SINOPSE
114_01Kenji é um cara adulto perto dos quarenta, solteiro, morando com a mãe e, quem cuida da pequena Kanna, sobrinha deixada por sua irmã qual desconhece o paradeiro, e nem ao menos sabe quem é o pai. Passando por uma situação de aperto após transformar sua pequena loja numa conveniência franqueada, é visitado por dois investigadores da polícia procurando informações sobre uma família vizinha desaparecida por completo e de forma misteriosa. Aquele era um período bem estranho, com a epidemia de um vírus ainda não compreendido ceifando vidas pelo mundo, enquanto no Japão uma seita fanatizava todas as classes de pessoas. E o mais curioso é que esse grupo utilizava um símbolo que não era estranho para Kenji, lhe resgatando desorganizadas memórias de quando garoto. Uma notícia triste chegava, Donkey, um bom amigo de infância havia morrido por suicídio ao se atirar de um prédio. Todos aqueles amigos de décadas então se reuniram em seu funeral para prestar homenagens e se despedir, momento onde muito se reviram após muito tempo. Colocando o papo em dia comentam sobre a suspeita de Donkey ter se juntado ao culto do autointitulado ‘Amigo’, aquele com o símbolo de um olho com uma mão apontando como seta para cima, e que Kenji já havia visto antes discretamente desenhado numa parede da casa daqueles vizinhos que sumiram. Os amigos se entreolham questionando quem havia criado aquilo, cogitando que provavelmente algum deles deveria ser o ‘Amigo’, já que ninguém mais conhecia aquele desenho. Buscando nas lembranças eles iam trazendo informações adormecidas, e recordaram de terem enterrado uma cápsula do tempo. Saindo do funeral o grupo segue para onde acreditam ter escondido seus segredos da infância, e para surpresa dos mesmos, encontram o que buscavam. Era uma lata de metal que continha além de objetos sem relevância, também desenhos sem muito sentido, e uma bandeira com o tal símbolo das brincadeiras que faziam. O Livro de Profecias, também lembraram disso, embora não estivesse naquela lata. Era nele que o grupo. Naqueles escritos de criança, imaginavam um futuro onde um poderoso vilão surgia com os planos de destruir o mundo, e que apenas a união deles seria capaz de impedir. O problema era que a realidade de então, era muito parecida com aquelas histórias de menino.

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MEUS ERROS DE MEMÓRIA
Vocês já passaram pela situação de assistir algo que ficou marcado na sua memória por um motivo não muito claro? As vezes acontece por conta de uma cena muito impactante, um personagem interessante ou até mesmo por sua estranheza. Comigo neste caso foi uma mistura de todas essas coisas. Não recordo com exatidão o período, mas visto que este é um filme de 2008, e estou me referindo ao primeiro da trilogia por enquanto, vi bem mais a frente do que eu imaginava. No meu subconsciente eu tinha visto junto com os meus amigos de infância, lá por 1997 ou 1998, mas definitivamente não é o caso, o longa é dez anos mais novo. Ou seja, eu criei uma falsa memória. E o curioso é que imagino a razão, e está diretamente relacionada ao conteúdo do filme. Visto que nele existe um grupo de adultos por volta dos quarenta anos que tenta quecobrar a infância, enquanto somos apresentado a um monte de flashbacks. O que me leva a entender, que eu mesmo, por saudosismo do convívio com os meus amigos, fiz uma mistura absurda de informações antes de engavetar no cérebro. Não é algo relevante para ser dito, mas particularmente achei essa revisão de realidade bastante interessante.

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O QUE É 20TH CENTURY BOYS?
Esta provavelmente vai ser a tarefa mais difícil das minhas aventuras de escrever, fazer ser claro do que se trata 20th Century Boys, ao mesmo tempo que mantenho o foco em te convencer do quanto ele é interessante, e sem liberar os spoilers essenciais para tal convencimento. O que talvez já tenha dado para entender, é que suas “cerejas” do bolo, sim, aqui existem muitas cerejas, sejam seus complexos e atmosféricos segredos. Mas primeiro vamos entender suas origens e um pouco sobre seu criador. 20th Cenruty Boys originalmente é uma mangá de mistério e ficção científica criado por Naoki Urasawa em 1999, que rendeu 22 volumes, e foi finalizado em 2006. Logo na sequência, ainda no mesmo ano, lançou mais 2 volumes do intitulado 21th Century Boys. O autor até então pouco conhecido publicou simultaneamente enquanto trabalhava neste que falamos agora, Monster, uma obra popular entre os amantes de mangá, série de mistério finalizada em 2001.

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O mangá 20th Century Boys alcançou grande sucesso, lhe rendendo o Prêmio Kodansha Manga em 2001, o Prêmio de Excelência do 6º Japan Media Arts Festival em 2002, o Shogakukan Manga Award também em 2002, o Prêmio Internacional de Festival de Quadrangas de Angoulême para uma série em 2004, o Grande Prêmio da Associação de Cartoonistas do Japão em 2008, o Prêmio de Melhor Comic da Seiun em 2008, o Prêmio de Melhor edição dos EUA de Material Internacional pela Eisner em 2011, e para finalizar, recebeu novamente um repeteco deste último prêmio da Eisner em 2013. Então agora vamos ao que interessa mesmo, falarmos sobre sua versão em live-action, que não chega a ser tão rica como o mangá, afinal, essa é a coisa mais normal em se tratando de adaptações, mas que mesmo assim é um trabalho fabuloso e merecedor de atenção, tanto de quem só curte cinema, quanto dos otakus tarados pelos trabalhos brilhantes de Urasawa.

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CONCEITOS CINEMATOGRÁFICOS
A adaptação do mangá 20th Century Boys para o cinema foi divida em três partes, e são elas: 20th Century Boys: Beginning of the End (2008), 20th Century Boys 2: The Last Hope (2009) e 20th Century Boys 3: Redemption (2009). Seu título, que em tradução livre seria Garotos do Século 20, é emprestado de uma música da banda inglesa de folk e rock clássico, T. Rex, que fez bastante sucesso nos anos 60 e 70. A estrutura conceitual das três partes é a mesma, com uma película granulada sem muito exagero, em certos momentos traz uma câmera trêmula, e mostra sofisticação com cenas induzindo visão em primeira pessoa, com direito a olho de peixe e tudo mais. A direção ao mesmo tempo que mostra versatilidade na sua forma de filmagem, não faz questão de fazer isso parecer uma exibição gratuita de técnicas, tudo é muito natural e fluído, informando que a linguagem visual tem uma única intenção, valorizar a atmosfera pesada do roteiro. E o resultado no meu ponto de vista ficou fantástico. Temos um filme que se você abrir aleatoriamente em qualquer ponto terá a sensação de ser uma obra barata, praticamente amadora, mas definitivamente passa muito longe disso.

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ROTEIRO CABULOSO!
Como dito antes, o filme é separado em três partes, mas deve ser enxergado como uma única peça, assim como na trilogia O Senhor dos Anéis. Indo e vindo no tempo, o roteiro se foca em Kenji, que não escolhe, mas é notado pelos amigos desde a infância como um líder. Desajeitado, pouco esforçado, e até com uma certa lentidão de raciocínio, é reconhecido pelos outros por sua lealdade e força de vontade natural. Quando falamos da primeira parte, Beginning of the End, o foco da narrativa se agarra nele, explorando pequenas recuperações de memórias de períodos diferentes do passado, para ir montando um intrincado quebra-cabeças que se desmonta e remonta constantemente. O grande mistério aqui é desvendar quem é aquele que chamam de Amigo, já que todo o pacote inventado pelo grupo quando crianças, está sendo posto em prática literalmente por aquele homem misterioso. Desde a aplicação do símbolo inventando pelos jovens, quanto as perigosas promessas de um fim do mundo. Para todos o Amigo é visto como um profeta, uma verdadeira personificação divina, mas para Kenji e seus amigos, aquele só poderia ser um dos garotos que presenciaram suas invenções inocentes do passado, e decidiu brincar com o restante do grupo enquanto ascendia para o ato final do Livro de Profecias. A narrativa da adaptação preserva os principais e mais importantes aspectos que são vistos no mangá, e isso tendo o controle de qualidade do próprio Naoki Urasawa. Particularmente considero o roteiro uma obra prima, por conseguir controlar e manter a clareza mesmo com tantos personagens e elementos complexos se destruindo e reconstruindo, sem nunca perder sua atmosfera de tensão.

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SENTIMENTO DE ANGÚSTIA
Eu pelo menos mergulhei de cabeça na trama, e identifiquei bastante similaridade desta ficção com a nossa realidade de fim de 2019 no Brasil, onde temos mais do que nunca, um comportamento fanatizado de pessoas carentes que se agarram num personagem de idoneidade ao menos discutível. Quando o roteiro precisa te chocar mostrando o nível de alienação daqueles que seguem o Amigo, ele não brinca em serviço, trazendo de forma explícita a brutalidade com que aplicam violência contra aqueles que se opõem, ou mesmo falham no entendimento do líder hierárquico presente no momento. O sentimento é de angústia por saber que aquela atitude fanatizada e cega, não se restringe apenas a ficção, e se não cuidarmos de dissuadir, pelo menos moralmente, esses núcleos de gente mentalmente perturbadas, deixaremos só de assistir de longe, para ter aqui no nosso quintal, uma intolerância religiosa institucionalizada, e talvez até mesmo aparelhada pelo Estado. Procuro evitar ser literal com política nos nossos conteúdos, mas existem momentos onde sermos omissos, é estarmos assumindo cumplicidade com o errado. E quem acompanha o NerdComet sabe, aqui não abrimos mão de expressarmos nossos opiniões e reflexões, quem dirá num instante tão sombrio quanto o que vivemos. Conspirações e manipulações em massa nunca são coisas inofesivas, como sempre dizem meus velhos e valiosos  amigos do canal Meteoro Brasil no Youtube.

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TRILHA SONORA
20th Century Boys: Beginning of the End abre ao som do inglês T. Rex, e na mesma vibe também traz Like a Rolling Stone de Bob Dylan. O humor das crianças do filme faz criar Bob Lennon, uma música composta na história por Kenji, homenageando personagens da cultura pop que dispensam apresentações. O japonês Ryomei Shirai, compositor de dezenas de trabalhos para jogos eletrônicos, animes e filmes, é quem assina o ‘score’ da trilogia 20th Century Boys, além de fazer o arranjo de Ai Rock Yû, um empolgante hard rock performado num concerto ao vivo no filme. Só fico devendo a explicação de informar se a banda era real ou apenas um arranjo montado para o longa. A letra é do próprio Naoki Urasawa, que também escreveu Brothers, e obviamente a já comentada Bob Lennon. Também temos a swingada Koi no Kisetsu de Taku Izumi, e Penelope, de Joan Manuel Serrat e Augusto Algueró, executada pela Grande Orquestra de Paul Mariat, com violinos, metais, e pianos belíssimos.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Toshiaki Karasawa, Etsushi Toyokawa, Takako Tokiwa, Teruyuki Kagawa, Hidehiko Ishizuka, Takashi Ukaji, Hiroyuki Miyasako, Katsuhisa Namase, Fumiyo Kohinata, Kuranosuke Sasaki, Shirô Sano, Mirai Moriyama, Kanji Tsuda, Takashi Fujii, Hanako Yamada, Arata Iura, Nana Katase, Chizuru Ikewaki, Airi Taira, Raita Ryû, Ibuki Shimizu, Kaoru Fujiwara, Riku Uehara, Tadashi Nakamura, Dave Spector, Rina Hatakeyama e Tomiko Ishii compõem o elenco.

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20th Century Boys: Beginning of the End
Lançamento:
30/08/2008
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteiristas: Yasushi Fukuda, Takashi Nagasaki, Naoki Urasawa e Yûsuke Watanabe
Produtores: Morio Amagi, Xaypani Baccam, Ryûji Ichiyama e Nobuyuki Iinuma
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 38.231.562

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20th Century Boys 2: The Last Hope
Lançamento:
31/01/2009
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteiristas: Yasushi Fukuda, Takashi Nagasaki  e Yûsuke Watanabe
Produtores: Morio Amagi, Ryûji Ichiyama e Nobuyuki Iinuma
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 29.502.213

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20th Century Boys 3: Redemption
Lançamento:
29/08/2009
Direção: Yukihiko Tsutsumi
Roteirista: Yasushi Fukuda
Produtores: Morio Amagi, Ryûji Ichiyama, Nobuyuki Iinuma e Futoshi Ohira
Produtor Executivo: Seiji Okuda
Trilha Sonora: Ryomei Shirai
Orçamento: US$ 20.000.000
Faturamento Mundial: US$ 48.397.818

CONCLUSÃO
Uma coisa eu posso te garantir, eu duvido muito que você já tenha sido exposto a uma trama tão intrigante e complexa como essa. 20th Century Boys com certeza não é conteúdo para qualquer tipo de pessoa, ele é estereotipado na pegada japonesa, e consideravelmente complicado de se compreender. Não por ser um conteúdo cabeça, mas por exigir bastante interesse e foco de quem se predispõe assistir, já que a número de informações necessárias para se entender o todo é elevado, e jogado embaralhado no colo da gente. Eu tenho um apego muito grande a este filme, e o considero dentro dos meus vinte favoritos, sem sombras de dúvidas. A trilogia 20th Century Boys é recomendada para maiores de 15 anos, e caso consiga acesso a essa obra prima pouco conhecida aqui no Brasil, espero que tire um ótimo proveito. E por favor, volte aqui para me dizer o que achou. Quero saber se sou louco sozinho, ou alguém mais se empolgou tanto.

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ALADDIN – FILME DE 2019 (CRÍTICA)

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SINOPSE
Aladdin é um humilde morador de Agrabah, e também um bondoso ladrão que sempre ajuda os necessitados. Certo dia a jovem filha do sultão, a Princesa Jasmine, sai escondida dos aposentos reais e acaba se envolvendo em encrenca. Aladdin então a ajuda, mas antes dela partir, Abu, seu macaquinho, lhe surrupia uma joia. O jovem então decide ir até ela devolver. Uma paixão surge entre os dois, mas sendo uma princesa ela não poderia se envolver com um plebeu, Aladdin sabia disso. Só que o seu destino muda quando o jovem rapaz encontra uma lâmpada mágica, na qual dentro continha um gênio capaz de lhe conceder três desejos!

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DISNEY E MAIS UM LIVE ACTION?
Muito se fala sobre a Disney e seus projetos de transformar os clássicos desenhos animados em live actions, e geralmente não de forma muito esperançosa. Eu mesmo sou uma pessoa muito pé atrás com essas iniciativas, para mim a única impressão que fica é a da empresa mercenária querendo tirar leite de pedra da própria propriedade intelectual, e sem um mínimo respeito. No entanto tem algo que a maioria talvez não saiba, a Disney já vem fazendo isso faz tempo. Adaptações para filmes com personagens reais não é novidade, 25 anos atrás saía O Livro da Selva nos cinemas. Acredito que pouca gente lembre ou conheça essa adaptação de Mogli com o ator norte americano Jason Scott Lee. Também saíram dois filmes dos desenhos 101 Dálmatas em 1996 e 2000, respectivamente. A diferença é que hoje estamos mais antenados nas produções da Disney devido ao seu engrandecimento com compras de gigantes como Lucasfilm e Marvel. A ressurreição da franquia Star Wars e incontáveis filmes de super heróis, fazem com que a Disney não saia mais dos trending topics.

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UM CHATO CRITICANDO!
Mas vamos falar de Aladdin, um dos três filmes entregues agora em 2019. E vale lembrar, falta Malévola: Dona Do Mal,  para o dia 18 de outubro. Vamos parar de rodeios e vamos ao motivo de você ter chegado até aqui. Logo de cara percebemos uma nova abordagem. Diferente do clássico desenho de 1992, a nova produção traz um Gênio liberto com sua família viajando pelos mares do mundo. E é ele, o carismático azulão em sua forma humana quem conta aos seus filhos os seus dias passados.

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Temos uma Agrabah bonita e simpática, mas não tão luxuosa quanto um império do conto árabe de As Mil e Uma Noites deveria ser. Faltou mais cor e vivacidade, a apresentação mostrando a logo da Disney e o nome do filme já não é muito inspirada, fica a sensação de falta de ousadia. É tudo muito tímido. Seguimos à partir daí para a recriação clássica dos eventos onde é apresentado o par principal da aventura. Temos uma Jasmine interpretada por uma bonita moça, mas que não traz as feições marcantes de uma jovem árabe. Sei que discutir etnia para atores geralmente não rende bons frutos e só gera polêmica, mas quantas belas atrizes não existem por aí com mais cara e jeito de Jasmine? E a coisa piora quando vemos Aladdin. Ator nascido no Egito e de pais egípcios, o que poderia estar errado então? Bem, o maluco também não tem cara de Aladdin ora essa! Tacaram a chapinha no cabelo do cara e, ainda deixaram uma barbinha e bigode safados por fazer.

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Tirando esses pormenores que são mais a birra de quem vê, no caso eu, do que um real problema, a produção funciona bem. Em uns poucos minutos eu me adaptei a dupla de impostores e me inseri na atmosfera do filme. Assim como o desenho, esse novo Aladdin é praticamente um musical, mas com ares teatrais bem carregados. O grande problema é que isso não pareceu ser realmente intencional, foi mais falta de esmero da produção do que um conceito obedecido. É certo que as músicas são dubladas nas tomadas de filmagens, só que soou muito artificial. Existem cenas melhores que outras, mas no geral faltou bem mais afinco da direção em extrair dinamismo de interpretação dos atores. As cenas em computação gráfica também não são grande coisa, não tendo o refino compatível com o orçamento astronômico de quase 200 milhões de dólares. Nas cenas noturnas onde Jasmine e Aladdin passeiam no tapete mágico também faltou a mesma paixão e beleza artística do clássico desenho. Foi o momento que mas me causou decepção.

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Isso porque eu falei que a produção funciona bem. E o pior é que funciona sim. Essas são observações que relacionei não chegam a estragar a completude do filme. Seu grande trunfo eu deixei para o final, o Gênio da Lâmpada! Will Smith ser engraçado não é novidade para ninguém, e de longe ele é o ator mais solto e carismático de Aladdin. Não é exagero dizer que ele sozinho consegue carregar todo o filme nas costas. Ele abre o filme e permanece até o final, sendo essencial para o dinamismo do roteiro. Ele toma para si a responsabilidade parecendo estar em um sitcom próprio com anos de existência, a naturalidade que entrou no papel é fascinante!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Temos no elenco Mena Massoud, Naomi Scott, Will Smith, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen e Numan Acar. Dirigido por Guy Ritchie, Aladdin é inspirado no clássico árabe da literatura mundial As Mil e Uma Noites e na versão francesa de Antoine Galland, numa produção em conjunto da Walt Disney Pictures, Rideback, Vertigo Entertainment, Big Talk Films e Marc Platt Productions.

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CONCLUSÃO
O remake em live action do clássico desenho traz uma releitura pouco inspirada se comparado a produção original. As suas deficiências são crônicas e desapontam quem esperava uma produção verdadeiramente luxuosa. Na parte em que Aladdin volta como um príncipe para se apresentar à Jasmine, a cena é um literal desfile de escola de samba, faltando bem pouco para chegar no brega. No geral esse ainda é um filme divertido, não tão impactante quanto o original, mas dignamente salvo por um Gênio extremamente carismático. Mesmo com problemas ainda é interessante, e uma boa pedida para ver em família.

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O REI LEÃO – FILME DE 2019 (CRÍTICA)

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Quando era pequeno não costumava ir muito no cinema, lembro de ter visto alguns filmes dos Trapalhões, Aladdin, Independence Day, O Quinto Elemento, e o filme que será gatilho para esta resenha, O Rei Leão. Salvo engano, terem sido só esses mesmo. Isso significa que são 25 anos de distanciamento do desenho original, sendo assim considero estar livre de qualquer comparação exagerada ou preconceito bobo. Se tem coisas que eu me recorde nesses anos todos, é porque realmente deve ter me marcado. E eu lembro, mesmo tendo visto uma única vez no cinema quando tinha 10 anos.

Timão e Pumba

SPOILER ALERT!
Não sei o que seria spoilers pra esse filme, pois acredito que até as crianças pequenas já fizeram o aquece assistindo o antigo para ver o novo live action no cinema. Então deixo avisado, esse texto será um spoiler gigante, e se realmente não assistiu o desenho e nem o novo filme, procure qualquer outra coisa do site pra ler, pois esse texto não é pra você. Estou escrevendo cerca de duas horas após ter saído do cinema, está tudo bem fresquinho na cuca e já deu tempo de fazer a reflexão para ter as impressões. Então vamos lá, seja educado e coloque seu celular no silencioso porque o filme já vai começar!

Rei Leão

 

No início logo de cara você vê que as cenas, e até as transições de câmera, são exatamente as mesmas do desenho original. A sensação é de estar assistindo uma montagem com cenas do National Geographics nas savanas africanas tentando imitar a antiga versão. Cinegrafistas da vida selvagem ficaram 20 anos capturando as cenas ideais para se adequar exatamente aos takes clássicos. E isso chegava a deixar confuso, você se distrai em reflexões tentando entender se aquilo é uma filmagem de verdade ou uma animação em CG, sério mesmo. A coisa é mais real que o mundo real. Depois daquilo não duvido nossa existência ser totalmente uma simulação. Credo. Os animais não eram caricaturizados, ou seja, os leões não tinham expressões faciais comuns à qualquer animação, eram nitidamente animais selvagens sem qualquer pitada de humor. Para não ser incoerente, apenas o Simba parecia fazer alguma feição de sorriso, mas tenho quase certeza de que era só impressão minha.

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Decretado! E ponho a mão no fogo que qualquer adulto que tenha visto o desenho original vai concordar. O problema do filme era exatamente seu maior mérito, o realismo excessivo. Toda a emotividade da narrativa, as faltas de expressões dos personagens faziam com que você não alcançasse nem de perto o mesmo nível de empatia que o desenho. Na parte em que Mufasa morre, momento que deveria ser o pico dramático do filme, não existia mais emoção. Diferente do desenho, você não conseguia enxergar a carga dramática daquele instante. O Rei Leão morreu. Tá. Agora a gente enterra. Exagerei um pouco mas é quase isso. Haviam apenas as linhas de diálogos para te convencer dos sentimentos dos personagens, e nem mesmo a dublagem ajudava. Não sei o que houve, porque a Disney não tem o costume de dar esses vacilos nas localizações de seus filmes para o Brasil, mas realmente a dublagens estavam muito instáveis. As vezes estavam legais, outras vezes ruins, mas nunca grande coisa. A maioria dos trechos musicais ficaram legais, e isso não é mérito desta nova versão, como eu já disse, todas as coreografias eram na cara dura aproveitada, logo as músicas também. Só teve uma música que me pareceu ser nova, a de quando Simba se convence de voltar para sua terra e corre atrás de Nala, mas é bastante curta, pareceu ter sido até interrompida. Talvez ela estivesse no desenho e tenha sido eu que esqueci mesmo.

Simba

 

Mas vamos lá, até agora eu falei que o filme é diferente, mas não disse ruim. Existem momentos muito bons no filme, e maior parte é relativa à situações cômicas. Os problemas de flatulência de Pumba, Zazu contando histórias familiares, Timão que sem esforço faz rir (acho que qualquer suricato faz rir), e a dupla de hienas idiotas discutindo e brigando por espaço são impagáveis. Esses são os pontos máximos do filme, tirando isso parece um filme que passava antigamente na TV, se não me engano tinha um casal de jovens adolescentes, e também se passava em área de savana. Só sei que nesse filme os animais também falavam, com a diferença de não mexerem a boca. Juro que pesquisei sobre esse filme pra trazer o nome, mas não encontrei nada. Acho que era da década de 60. Eu lembro disso, não estou maluco! Certeza que você também lembra.

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CONCLUSÃO
Tenho duas impressões separadas. Se você é alguém, mesmo que uma criança, que nunca assistiu ao desenho original, a sensação é de estar assistindo um documentário ambientalista. Da forma que o filme funciona, o realismo excessivo inevitavelmente te leva entender que tudo aquilo é real. Que a natureza é linda e funciona por um motivo único, a não depredação desnecessária da vida. Isso é ruim? De maneira alguma! Se O Rei Leão fosse apenas isso, já seria algo maravilhoso, algo louvável de uma produção cinematográfica. Mas se você já assistiu o desenho e foi consumir o live action tendo a consciência de que aquilo é um remake, a sensação é de ter visto um esboço muito bem esboçado. O que quero dizer com isso? Quero dizer que fizeram um trabalho magnífico tecnicamente, algo nunca visto até então em criação computadorizada de ambientes naturais, mas que nem de longe traz a carga emocional que fez crianças chorarem litros nos cinemas. Claro que animais de verdade expressam sentimentos, e até essas expressões realistas estão lá, mas não é como no desenho. O desenho é feito para se comunicar com pessoas, então ele te oferece mecanismos que conseguimos entender de imediato. Você tem um gato em casa ou já teve proximidade com um? Quando você mora com ele você entende sua personalidade, mas se chegar um outro, você consegue saber exatamente qual é a dele? Se você ver um suricato, um javali ou um gnu, você sabe qual é a deles? Então é simples, animais principalmente os selvagens, não evoluíram para se comunicar conosco. O Rei Leão de 2019 é um filme muito bacana, mas muito diferente de O Rei Leão de 1994. Não sei se o live action terá mesma vivacidade do desenho original, porque esse sim, já está entre reis no firmamento.

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