DEMOLIDOR – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE DA SÉRIE
Matthew Murdock era filho de um humilde, porém excelente pugilista, com quem aprendeu a ser um cara durão e, acima de tudo, justo. Após se envolver num acidente com produtos químicos desconhecidos, perdeu totalmente sua visão quando ainda era uma criança, porém adquiriu um poder bem peculiar. Podia assim como um morcego, desenhar mentalmente a geometria de qualquer superfície de um raio enorme ao seu redor à partir de uma audição apuradíssima! Passou a ouvir detalhadamente conversas à distância, e os batimentos cardíacos das pessoas, fazendo com que pudesse ter juízo das reais intenções de qualquer um. Nada fugia da percepção dele! Matt cresceu e se tornou um advogado na traiçoeira Hell’s Kitchen, bairro de Nova York, onde nasceu e foi criado. Durante o dia ele faz de tudo para que os bandidos sejam condenados, e durante a noite, quando os mais poderosos e perigosos se esquivam usando as brechas da lei, encarna o impetuoso justiceiro, Demolidor. No seu dia à dia procura se manter o mais anônimo possível agindo como um suburbano comum, e embora completamente desnecessário, não larga seu bastão guia para se caracterizar como um cego. A vida de Matt começa a ficar cada vez mais agitada, quando negociações entre perigosos mafiosos começam a prejudicar a vida dos moradores do bairro. Não sendo suficiente os seus recursos pacíficos e dentro da lei, quando a noite chega, é possuído pela fúria do ímpeto por justiça, assumindo a identidade de Demolidor, O Demônio de Hell’s Kitchen!

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PERSONAGEM FAVORITO
Já começo deixando algo bem claro, Demolidor, de longe, é o meu personagem favorito de todo o Universo Marvel. Conheci o ‘Homem Sem Medo’ ainda no começo da minha adolescência, quando descobri a existência dos empoeirados sebos. Eram duas edições de HQ’s que mais me fascinavam, as icônicas A Espada Selvagem de Conan, e os formatinhos Superaventuras Marvel, este último, importante para esta conversa, publicado entre 1982 à 1997. Lendo dezenas daqueles gibis de segunda mão fedendo a pó de tumba, que fui me apaixonando cada vez mais pelo personagem. Ele era uma pessoa comum, que de extra, tinha apenas sua percepção melhorada. Matt tinha sim muito vigor, sua estamina era alta devido ao seu treinamento brutal, mas estruturalmente era apenas um ser humano normal. Sangrava, quebrava, sentia dor, e como qualquer um, precisava descansar para se recuperar. Primordialmente foi esse realismo em um super-herói que me encantou.

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COMENTÁRIOS
Quando Demolidor (Marvel’s Daredevil) foi anunciado, acredito ter sido fim de 2013, eu pirei! Eu costumo ser muito cético com anúncios, não sou de criar hype, mas na minha cabeça eu fiz uma conta meio louca e psicologicamente fiquei convencido. Embora fosse eu, o fã número um de Demolidor no planeta Terra, tinha ciência de que este não era um produto Marvel de grande potencial comercial. Pelo menos não quando considerado o catálogo enorme e recheado de outros personagens muito mais populares. A visão que eu peguei foi: “se algum produtor pegou Demolidor para adaptar, é porque ele é fã número um assim como eu!” Mais tarde eu descobri que a história dos acertos da Marvel Studios com a produção não era tão romantizada assim.

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Não importa o que era ou não era, só sei que meu subconsciente foi feliz em sua aposta! Chegado Abril de 2015, estreia de Demolidor na Netflix! Maratonei durante a noite e madrugada, resultado, um zumbi foi trabalhar durante a manhã. Brutal! Simplesmente maravilhoso! A Netflix superou e muito minhas expectativas, e elas já eram bem grandes. Eu nunca poderia imaginar um trabalho tão respeitoso ao personagem original. Charlie Cox, que interpreta Matthew Murdock, incorporou fielmente a personalidade e os trejeitos da versão original dos quadrinhos. Um cara seguro de si, de humor ácido e que conseguiu em parceria com um dublê incrível, dar vida à um dos heróis acrobáticos mais complexos de se fazer. As cenas de ação possuem um realismo raro até em filmes de grandes orçamentos. As coreografias inspiradas e as cenas de luta tinham um vigor assustador! Demolidor não tem firulas, ele dá saltos e algumas piruetas sim, mas suas porradas são de um boxeador decidido a finalizar o oponente!

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Sabemos que herói nenhum tem grande valor sem um bom antagonista, e Vincent D’Onofrio já chega derrubando tudo! Sua personificação de Rei do Crime é digna de Oscar! Sua imponência e brutalidade é de fazer quem o enfrente se borrar nas calças! Uma mente complexa que pode ser doce e calma como de um recém nascido sedado, ou monstruosa e viril como a do Hulk! Espero que tenham entendido a força de expressão. Tudo em Demolidor funciona muito bem, absolutamente nada me incomodou. Seu roteiro é super bem escrito, a direção impecável e mantém qualidade por toda série. Todo o elenco dá a alma por seus personagens, imagino o quanto esses caras trabalharam criando perfis de atuação. Por trás de Demolidor existe um cara chamado Chris Brewster, um especialista em artes marciais que fundou com os amigos um grupo de dublês chamado ‘Sideswipe’, e ele é responsável pelas cenas de ação e lutas mais fantásticas de tudo com o selo Marvel lançado até agora, na minha opinião.

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Demolidor é uma série diretamente destinada ao público adulto, para maiores de 18 anos. Isso se deve a seu formato fazer questão de mostrar a violência como um importante elemento narrativo. Essa escolha de conceito permitiu que personagens assumissem uma aparência muito mais real e de crueza em seus atos. Não existe economia no linguajar e nem no sangue é extraído e jorrado para todo lado. Não espere uma aventura emborrachada e colorida como as produções da Marvel supervisionadas pela Disney, O Demônio de Hell’s Kitchen não tem esse apelido dado pela vizinhança à toa. Demolidor da Netflix é um presente aos fãs deste fantástico personagem!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vincent D’Onofrio, Rosario Dawson, Vondie Curtis-Hall, Toby Leonard Moore, Bob Gunton, Ayelet Zurer, Élodie Yung, Jon Bernthal, Stephen Rider, Joanne Whalley, Jay Ali, Wilson Bethel, Royce Johnson, Peter Shinkoda, Matt Gerald, Wai Ching Ho, Peter McRobbie, Amy Rutberg, Nikolai Nikolaeff, Scott Glenn e Michelle Hurd compõem o elenco. Demolidor é uma série americana original da Netflix, adaptada do personagem original de Stan Lee (em parceria com Bill Everett e Jack Kirby), por Drew Goddard. Produzida por Kati Johnston, tem como produtores executivos, Allie Goss, Kris Henigman, Cindy Holland, Alan Fine, Stan Lee, Joe Quesada, Dan Buckley, Jim Chory, Jeph Loeb, Drew Goddard, Steven S. DeKnight, Marco Ramirez e Doug Petrie. A cinematografia é de Matt J. Lloyd, Martin Ahlgren e Petr Hlinomaz, e os editores Jonathan Chibnall, Monty DeGraff, Jo Francis, Michael N. Knue e Damien Smith. A música tema são dos compositores John Paesano e Braden Kimball. A série foi produzida pela Marvel Television, ABC Studios, DeKnight Productions, Goddard Textiles e Netflix, e distribuída pelo serviço de assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Demolidor é uma série da Netflix que assume um conceito bem mais adulto que as outras produções da Marvel, e compartilha o mesmo universo compactado com Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Mais tarde se unem na liga Os Defensores, qual Justiceiro não participa por ser um anti-herói exacerbado demais. Particularmente considero esta uma das melhores produções do selo Netflix, suas qualidades se destoam em muitos aspectos. Seu elenco é incrível, suas coreografias superam muitos blockbusters milionários, seu roteiro é firme e intrigante, sua direção é irretocável, simplesmente tudo funciona orquestradamente bem e com total harmonia. O futuro da série ainda é nebuloso, ao que tudo indica a Disney ‘embargou’ a continuidade da produção, porém existem boatos de que a série pode voltar para uma quarta temporada. No total são 39 episódios distribuídos em três temporadas. Demolidor é destinado ao público maior de 18 anos, e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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CRIANDO DION – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após a morte de Mark, seu marido, Nicole precisa criar sozinha o pequeno Dion, uma criança inteligente, imaginativa e cheia de energia. Tentando superar a perda familiar, mãe e filho se mudam para um novo bairro, onde o menino de apenas oito anos é matriculado numa nova escola. Lá a maioria das crianças são de pele branca e, nesse ambiente ele precisa aprender a lidar com o racismo de um professor, e o bulliyng dos colegas de classe. Não bastando apenas os problemas de adaptação do filho, Nicole se surpreende quando o menino passa a desenvolver poderes inexplicáveis. Dion começa com pequenos feitos, como levitar objetos leves, mas a coisa vai ser mostrando mais assustadora, ao ponto dele arrancar árvores inteiras apenas com o poder da mente. Pat, melhor amigo de Mark e padrinho de Dion, acaba descobrindo as habilidades do garoto, e então para ajudar Nicole, os dois se unem para dar o máximo de normalidade a vida do garoto, ao mesmo tempo que uma gigantesca ameaça começa a se moldar.

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COMENTÁRIOS
Criando Dion (Raising Dion) é uma série que explora dilemas familiares ao mesmo tempo que desenvolve um super herói. Baseado no HQ de mesmo nome criado por Dennis Liu em 2015, o roteiro traz o estilo bem parecido com o visto nas histórias da franquia X-Men, no qual uma pessoa até então comum precisa esconder seus novos dons dos julgamentos da sociedade. Numa primeira vista eu fiquei bastante cético, o texto inicial não me capturou de imediato e a atuação do menino também não convenceu, pelo menos no primeiro episódio. Já no segundo a coisa muda, a trama toma um gás legal e, não sei se foi eu que me acostumei, ou se atuação da criança realmente melhorou um pouco. A série ganha mais solidez e passa a não ser algo tão estranho de se digerir.

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A fotografia é interessante, mostrando ambientes urbanos e rurais, embora sua atmosfera passe por bastante instabilidade, e imagino que a causa disso se deva ao enorme número de envolvidos dando pitacos em como as coisas deveriam ser. Acaba que o resultado não traz uma doa direção, levado a total falta de identidade. A trilha sonora é boa, mas faz apenas corretamente o seu papel sem surpreender. Tecnicamente a produção como um todo visa o pouco gasto, e isso eu achei bem estranho. Parece que tem muita gente querendo comercializar (e lucrar com) um produto utilizando os ingredientes mais baratos. O resultado pode ser bom? Talvez sim. Mas poderia não precisar passar por esse tipo de julgamento caso houvesse mais bom senso dos participantes.

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Mark, interpretado por Michael B. Jordan, é o pai de Dion, e é mais do que óbvio que sua presença na série tem o único objetivo de aproveitar a boa fase do ator. Eu mesmo dei maior atenção quando soube que o cara participava do elenco. Mas sua importância é quase como a de Marlon Brando no filme Superman de 1978, ele está mais para um ‘mentor espiritual’ do que qualquer outra coisa. De qualquer forma o atual ‘superastro’ de Hollywood cumpre bem seu papel e dá um pouco mais de energia a produção, mesmo sejam poucas aparições.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Alisha Wainwright, Ja’Siah Young, Jazmyn Simon, Sammi Haney, Jason Ritter, Michael B. Jordan, Gavin Munn, Ali Ahn, Donald Paul, Matt Lewis, Marc Menchaca, Moriah Brown, Diana Chiritescu e Kylen Davis. Baseado no HQ Raising Dion de Dennis Liu, a série norte americana de 2019 foi escrita por Carol Barbee e, produzida por Charles D. King, Kim Roth, Poppy Hanks, Kenny Goodman, Dennis Liu, Seith Mann, Michael Green, Michael B. Jordan, Robert F. Phillips, Edward Ricourt e Juanita Diana Feeney. Uma produção das companhias Fixed Mark Productions, MACRO e Outlier Society Productions, a série foi distribuída através da network Netflix.

CONCLUSÃO
Criando Dion começa tímido, não convencendo muito de que vai entregar bem sua proposta, mas superando ao menos o primeiro episódio, a série ganha ritmo, adquirindo assim mais harmonia. A atuação do pequeno Dion não é das melhores, e não acho que eu esteja sendo cruel com uma criança tão jovem, visto que já assistimos a pequena irmã de Lucas da série Stranger Things, que dá show mesmo sendo apenas um personagem secundária. Ou mesmo Esperanza, a amiguinha de Dion na escola. Provavelmente essa vá ser a coisa que mais incomode, porque todo o restante está em conformidade com o básico para uma boa produção. Eu particularmente enxerguei desse jeito, e mesmo assim consegui curtir bastante. Criando Dion tem classificação etária de 10 anos e, é uma aventura dramática interessante para juntar a família no sofá para aprender sobre a vida enquanto se diverte. A série é distribuída pelo serviço por assinatura Netflix.

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TÚNEL – A SÉRIE (CRÍTICA)

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SINOPSE
Park Kwang Ho é um detetive de polícia linha dura da cidade de Seul no ano de 1986. Investigando uma série de assassinatos, o dedicado policial acaba localizando um potencial suspeito, que foge correndo por um extenso túnel após ser notado. Em perseguição naquele escuro lugar, Park o perde de vista, quando é surpreendido com um pedrada na cabeça e cai desnorteado. Sem demora recobra as forças e se levanta para continuar no encalço do indivíduo. Chegado ao fim do túnel, o detetive não percebe mais ninguém, e não apenas isso, tudo ao seu redor está completamente diferente! A modesta cidade que conhecia agora contava com enormes e iluminados edifícios, as vias estavam muito diferentes e cheias de carros nada parecidos com os que ele estava acostumado. Sem muitas explicações, definitivamente ele tinha viajado ao futuro de 2017! Ele não sabia como e nem o motivo, mas estava convencido de que precisava encontrar aquele assassino. E ao que tudo indicava, tinha atravessado o tempo junto com ele.

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COMENTÁRIOS
Repleta de mistérios e casos sinistros, Túnel – A Série (터널), é um K-drama policial com elementos de ficção científica bastante inteligente. Mesmo seguindo fórmulas conhecidas de séries de investigação ocidental, consegue personalidade própria se sustentando no carisma de um grande elenco. Choi Jin-hyuk, que faz o papel de Park Kwang Ho, é jovem, porém veterano em novelas sul-coreanas, e mostra uma grande versatilidade atuando de forma espetacular em momentos de drama pesado, quanto nos momentos mais cômicos. Yoon Hyun-min e Lee Yoo-young, o casal de atores ao lado de Choi, também se destacam pela seriedade que enfrentam seus papéis, sem perder a qualidade em nenhum instante. Citei os personagens principais, mas saiba que o elenco inteiro, incluindo os convidados para pontas, todos mostram um grande realismo em suas atuações.

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A produção é de uma série sem muito luxo, se apoiando muito mais na qualidade da sua história do que em grandes recursos cinematográficos. A Seul recriada de 1986 é bacana e consegue convencer, já o figurino oitentista da época eu não saberia dizer, mas não creio que dariam um vacilo bobo. Gostei bastante da direção de Shin Yong-hwi, que traz um visual ao mesmo tempo que sombrio e ‘quase noir’, consegue mesmo assim que ele seja leve e confortável de assistir. Deixo a dica caso já tenha superado o preconceito e deixado de desconfiar da qualidade das produções da Coreia do Sul, a maioria das produções vinda do Studio Dragon são excelentes! The K2 (2016), Black (2017) e Stranger (2017), são outros K-dramas obrigatórios para quem gosta de thrillers como este. E não ache que os sul-coreanos são bons apenas em gêneros mais sérios, as séries de comédias também são muito divertidas e viciantes. Mas este já é assunto para um outro dia.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Choi Jin-hyuk, Yoon Hyun-min, Lee Yoo-young, Jo Hee-bong, Kim Byung-chul, Kang Ki-young, Kim Min-sang, Mun Suk e Lee Yong-nyeo compõem o elenco. Escrito por Lee Eun-mi, Túnel – A Série, é uma produção de Choi Jin-hee e do Studio Dragon de 2017 que dirigido por Shin Yong-hwi. O K-drama sul-coreano tem Choi Kyung-sook e Kim Jin-yi como produtores executivos, e Kim Sung-min e Park Ji-young como produtores. A série possui um total de 16 episódios com tempo médio de 65 minutos cada, distribuído pela Orion Cinema Network (OCN) na Coreia do Sul, e pelo serviço Netflix no restante do mundo.

CONCLUSÃO
Túnel – A Série, é uma produção sul-coreana bastante empolgante e que monta uma trama sensacional capaz de te prender numa maratona ferrenha! Seus formato são de episódios longos, todos passando os 60 minutos, mas cada um deles muito gratificantes. Então suba no bonde para acompanhar o detetive Park Kwang Ho numa caçada frenética através do tempo por um brutal assassino em série! Classificado como para maiores de 16 anos, a série é distribuída pelo serviço por assinatura Netflix. Prepare a pipoca e tenha bastante unhas para roer, porque esta é uma puta série! Recomendadíssima!

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CAMPO DO MEDO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Dois irmãos, Becky e Cal, dirigem numa longa viagem para San Diego. A moça está grávida e começa a sentir um pouco de enjoo, então pede para que Cal pare o carro na borda da pista. Ao lado esquerdo há uma antiga igreja e alguns veículos estacionados, e do direito uma extensa e alta plantação que se perdia no horizonte. Subitamente um grito de socorro vem de dentro da mata, é uma voz de criança. Ele diz estar tentando voltar para estrada, mas não consegue encontrar o caminho. Então uma segunda voz surge, de uma aparente mulher adulta, pedindo para que o garoto não chamasse. Cal então decide ir em busca do menino e entra na vegetação sem hesitar, sendo logo seguido pela sua irmã. Agora dentro daquela mata de mais de dois metros de altura, ele tenta encontrar a criança pedindo para que ele fale alto para que possa seguir o som. Algo estava muito estranho, por mais que ele seguisse a voz, parecia que nunca o encontrava. Começou a duvidar que aquilo não fosse uma brincadeira do garoto, então decidiu se comunicando com a irmão, que iriam pular os dois ao mesmo tempo para basearem suas posições. Fizeram isso, um viu o outro. Ficaram aliviados, não estavam distantes, talvez uns dez metros. Pularam novamente, e para surpresa dos dois algo não estava apenas estranho, estava na verdade muito errado. A distância que antes era curta aumentou umas cinco vezes. Aquilo não fazia sentido!

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COMENTÁRIOS
Stephen King tem o dom de criar histórias fantásticas sempre cheias de muito mistério, e seu trabalho de mais prestígio na atualidade é a segunda parte de It: A Coisa – Capítulo 2. Mas como no próprio filme do palhaço Pennywise, onde ele se sacaneia ao deixar subentendido que também é um autor de péssimos finais, talvez, assim como eu, você possa ter mais uma amostra disso em Campo do Medo (In the Tall Grass, 2019), filme lançado sem nenhum alvoroço no Netflix. O longa é uma produção sem grandes investimentos, basicamente as filmagens se passam num mesmo ambiente do começo ao fim. As atuações não causam grande espanto, tirando Patrick Wilson, ninguém brilha um pouco mais que o mínimo. A direção de Vincenzo Natali consegue efeitos até interessantes, onde mescla alguma computação gráfica nos movimentos em meio a mata com cenas de filmagens reais. A trilha sonora é do compositor canadense Mark Korven, que traz uma boa atmosfera em suas composições que são exploradas apenas em específicos momentos. Campo do Medo para mim foi um filme bem mediano, que após assistido se torna bem esquecível. Uma pena, pois a premissa é interessante e tinha pano para coisas bem bacanas.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Com sua produção não exigindo grandes pirotecnias cinematográficas, Campo do Medo traz um mistério que te prende bastante na primeira metade. A sensação claustrofóbica de estar sendo engolido por uma densa vegetação incomoda, ainda mais quando é descoberto que existem ameaças piores além do labirinto em si. Se escondendo atrás de um simbolismo não muito claro, aquela pode ser uma rocha “mágica” vinda do espaço e que foi adorada por antigos nativos, ou mesmo uma simples pedra que passou por um ritual e se tornou “possuída”. Nesse trecho não há muita discussão, as coisas são como são sem necessário um motivo, uma das características  de Stephen King.

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O que percebemos, ao menos nós nerds, o público que está acostumado com histórias de viagens no tempo, é que das duas uma: ou estão se formando novas linhas temporais onde repetidos personagens possam coexistir, ou a natureza temporal está sendo violada e criando paradoxos proibidos. Geralmente nessas tramas existem regras próprias para a eliminação desse desequilíbrio criado, porém neste filme isso também não é claro, e é nesse ponto que isso me incomodou. Não temos uma linha base para nos segurarmos e formularmos nossas teorias, e assim nos engajarmos mais no quebra-cabeça. Em certo ponto é entendido que a rocha é muito antiga e cultuada por ancestrais nativos, e que a mata em si é apenas uma armadilha para trazer novos sacrifícios para os espíritos que existiam ainda ali. Continuando o raciocínio, a rocha causava uma perturbação temporal ao mesmo tempo que define portais que direcionavam para pontos específicos em outro canto da mata. Ao ser tocada, a pessoa adquire o conhecimento de como funciona todo aquele labirinto, em compensação sua humanidade também é afetada. Ross, o pai do menino, já era uma pessoa excessivamente crédula em dogmas religiosos, portanto uma mente bastante suscetível (e aberta) a receber todo tipo de realidade. Sendo assim, ele abraçou com todas as forças a função de “seguidor” daquela ideia, e agia como aquele quem traria mais sangue para ofertar ao seu novo objeto de culto. Quando Travis decide que não tinha mais nada a perder, o efeito foi diferente. Ele aprendeu todo o mapa de posicionamento naquele labirinto, mas não perdeu totalmente sua humanidade. Então ele toma Tobin pela mão e o leva para fora da mata no instante de tempo que Becky e Cal chegavam ali de carro, e pediu para que o menino fizesse de tudo para impedi-los de entrar. Temos então uma conclusão paradoxal. Travis impediu os irmãos de entrarem na vegetação, desta forma os dois não se perderam para que ele fosse atrás dois meses depois. O meu entender particular não é nada bom, enquanto naquela realidade criada no fim estava tudo bem, as outras não eram anuladas, e as pessoas continuavam mortas ou perdidas. Obrigado Stephen King, você fechou um filme com o pião rodando. Deixa o Nolan ver isso.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Wilson, Laysla De Oliveira, Harrison Gilbertson, Avery Whitted, Rachel Wilson, Will Buie Jr. e Tiffany Helm compõem o elenco. O Campo do Medo é baseado no romance dividido em duas partes de Stephen King em parceria com Joe Hill, In the Tall Grass, de 2012. A adaptação em filme teve sua estreia mundial no Fantastic Fest, no Texas, e uma semana depois chegou ao grande público com o selo de distribuição Netflix. Vincenzo Natali roteirizou e dirigiu o longa, que foi produzido por Steve Hoban, Jimmy Miller e M. Riley.

CONCLUSÃO
Campo do Medo me trouxe de volta a antiga sensação das adaptações de Stephen King, de não ter certeza se achei a experiência boa ou ruim. Seu começo atrai nossa atenção, e faz com que passemos a sofrer de agonia com aquelas pessoas. O problema é que isso insiste um pouco, até o ponto que passa a ficar cansativo. Então eventos fora da curva começam a acontecer. Você começa a entender algumas coisas ao mesmo tempo que não entende nada. Achou confuso? Então assiste e tente compreender o que ficou totalmente nublado para mim. Posso te assegurar que você não saíra revoltado após terminar de assistir, ainda mais por esse ser um filme de apenas noventa minutos. Curte suspense, terror e mistério? Então não liga para meus comentários e confere você aí. Mas depois volta aqui e leia meus comentários com spoilers para gente trocar uma ideia. A classificação indicativa de Campo do Medo é de dezesseis anos, e ele está disponível no serviço Netflix.

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BLACK – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Kang Ha-ram é uma jovem mulher que desde a infância sofre bastante com um infeliz dom. Capaz de ver espíritos por todos os lados, precisa estar sempre de óculos escuros para camuflar os vultos espectrais e não acabar enlouquecendo. Em outro canto da cidade está Han Moo-gang, um detetive extrovertido e dedicado ao trabalho que acaba morrendo durante o cumprimento do seu dever. Seu corpo então é levado ao necrotério, e lá ele é possuído pelo Ceifador Nº 444, uma entidade implacável e sem compaixão que encaminha os vivos para o mundo do morto. Assumindo o corpo de Han Moo-gang, ele procura manter o disfarce como detetive, enquanto parte no encalço de seu pupilo renegado, do qual é responsável, e que também se apossou de um corpo humano morto.

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COMENTÁRIOS
Black (블랙) é uma produção sul-coreana que mistura elementos como drama, romance, policial, mistério, fantasia, comédia e ação, e por todos os gêneros por onde transita, o faz com muita presteza e originalidade narrativa, mesmo englobando tantas categorias. Por incrível que pareça o senso de humor dos sul-coreanos não é muito diferente de nós brasileiros, eles estão sempre rindo, sempre solícitos, algo bem diferente do que faria sentido, uma vez que o recebe forte influência cultural norte americana, um povo bem introspectivo. Isso é algo que sempre acho bacana de observar, seja em qual tipo de mídia for, a expressão natural de humanidade de uma cultura, e os sul-coreanos não se preocupam com isso. Fazem suas graças seja onde for, estando seguros de não dever satisfação por seus comportamentos a ninguém. Do jeito que realmente deve ser!

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Explicado um pouco sobre esse grau de naturalidade com o qual esse povo tão distante se mostra, fica mais fácil dizer que tudo em Black é fluído. As atuações e diálogos são impressionantes. Esse é o tipo de série que verdadeiramente te distrai, sendo capaz de te empurrar para uma maratona sem nem perceber. Divertidíssimo, porém de bastante tato quando há necessidade de mais seriedade, a narrativa traz muito sobre dilemas familiares, lutos, superações e, sempre que o faz, somos afetados pela emoção que esse elenco consegue transbordar. São profissionais que realmente encarnam seus personagens e dão o máximos de si. O roteiro de Black consegue se manter firme pelos seus dezoito episódios, onde cada um deles tem entre 68 e 87 minutos. Achou longo? Acredite, você nem consegue notar que esse tempo todo passou.

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Com uma produção polida, o ‘K-drama’ (produções sul-coreanas lançadas em série para TV), que erroneamente é chamado por muito gente de ‘dorama’ (produções japonesas), não apresenta muitas falhas. Seu roteiro bem amarrado tem uma direção competente, executando cenas de ação bastante empolgantes. As lutas e perseguições são bem coreografadas, mesmo com as rígidas normas de trânsito do país, o que traz uma boa dose de adrenalina. Acho que é óbvio, mas digo tudo isso considerando esta ser uma série, e não um filme, que é bem mais compacto e fácil de editar.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Song Seung-heon, Go Ara, Jae-young Kim, Kim Dong-jun, Lee El, Won-hae Kim, Jo Jae-yoon, Choi Min-chul, Park Doo-sik, Kim Tae Woo, Chul-min Lee, Jae-Ho Heo, Seok-yong Jeong e Choi Won-hong compõem o elenco. Com roteiro de Choi Ran, a série é dirigida por Kim Hong-sun. Obra do sul-coreano Studio Dragon, tem produção executiva de Kim Jong-sik e Song Jae-joon. Estúdio esse também responsável por outras séries já resenhadas aqui, como The K2 (2016), Tunnel (2017) e Stranger (2017). Na Coreia do sul, Black, foi distribuída pela Orion Cinema Network, mais conhecida como OCN, e foi internacionalizada pelo serviço de assinatura Netflix. Lançada em 2017, a série, que de forma correta deve ser tratada como um K-drama, possui dezoito episódios, e até onde se compreende, tem sua história concluída, dificultando a possibilidade de continuação.

CONCLUSÃO
Embora eu ainda não tivesse feito a resenha sobre nenhuma produção sul-coreana até o momento, já assisti muitas coisas do país, e estou seguro em afirmar, esta é uma das melhores e mais divertidas séries daquelas bandas. Tendo uma história muito intrigante, ela te prende em assistir sequencias de episódios de mais de uma hora cada sem nem perceber. Uma produção muito boa que acertou em cheio em seu roteiro e direção, e que fez mais bonito ainda na escolha de seu elenco. Black tem drama, romance, policial, mistério, fantasia, comédia e ação, e não se engane achando que uma série com tantos gêneros misturados não tem condições de ser bom em tudo que propõe. Muito pelo contrário, os caras acertaram e fizeram bonito em tudo! Duvida? Te desafio a assistir pelo menos o primeiro episódio e não se apaixonar por este K-drama. A série é recomendada para maiores de dezesseis anos e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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GLITCH – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A polícia da pequena e pacata cidade Yoorana recebe um chamado de perturbação no cemitério, então o Sargento James Hayes parte a caminho. Sete pessoas por conta própria simplesmente saíram de seus respectivos túmulos, não com os corpos em decomposição ou coisa do tipo, mas com plena saúde. O policial então sem compreender exatamente o que estava acontecendo imagina que aquelas pessoas estavam sob efeito de drogas ou participando de algum ritual esquisito. James encontra cinco deles, e os leva para a clínica Elishia McKellar, os outros dois tomaram rumos diferentes pela cidade sem que ele notasse.

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Havia algo ainda mais estranho do que gente nua cheia de terra num cemitério, após todos serem atendidos e limpos na clínica, James reconhece um deles como sua falecida esposa, Kate Willis. Incrédulo e nervoso, fica atônito diante daquela situação, no entanto o sentimento da saudade faz com que ignore toda a estranheza e aceite aquilo como um milagre. A noite caótica exigia que James pensasse rápido, as autoridades não podiam tomar ciência de nada, sabe-se lá o que fariam com eles. Aquelas pessoas aos poucos iam recobrando algumas memórias, e era descoberto que cada um morreu em épocas bem diferentes. Tornou-se pessoal, ele precisava entender porque aquilo estava acontecendo, ao mesmo tempo que precisava fazer de tudo para mantê-los protegidos.

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COMENTÁRIOS
Glitch é uma série australiana que estreou em 2015 pelo serviço de assinatura Netflix, e se concluiu com três temporadas de seis episódios cada. Com uma temática de drama, paranormal e muito mistério, a produção mostra muita qualidade e personalidade em seu desenvolvimento como história. Não espere nada assustador ou sombrio, a temperatura aqui é outra, e foca muito mais nos mistérios do porque aquilo tudo aconteceu, e em repentinos flashbacks de cada um daqueles indivíduos para que recordem suas memórias. O que mais me surpreendeu em Glitch foi o entrosamento excepcional dos atores. Não existe elo fraco, todos se saem bem e conseguem entregar uma performance sem máculas.

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O roteiro do trio de escritores, Louise Fox, Kris Mrksa e Giula Sandler, é bem fechado, mantendo a coerência por todas as três temporadas, e combinado à excelente direção de Emma Freemanm, faz ser muito merecido os vários prêmios que a série recebeu. A trilha original de Cornel Wilczek é um espetáculo à parte, e também foi premiada. A fotografia australiana traz ainda mais autenticidade e identidade para a produção, com tomada aéreas muito bonitas e cenas panorâmicas espetaculares. A cidade de Yoorana é fictícia, e suas gravações ocorreram em Victoria, sudeste da Austrália. Glitch finalizou nesta terceira temporada lançada em 2019, e uma coisa incomodou muitos os fãs, a Netflix não deu ênfase alguma. O que se passa na cabeça dos executivos que não valorizam nem seus trabalhos originais? Ainda mais se tratando de uma série muito bem aceita pelo público. Enfim, esmiuçar esse assunto fica para outra hora, mas realmente é revoltante.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Mistérios e mais mistérios! Fiquei com a pulga atrás da orelha pelos dezoito episódios, e queria muito um décimo nono para me desenhar que raios eu preciso entender! Sou o tipo de pessoa ansiosas que precisa sim da visão conceitual do autor, por mais que ele considere ‘o charme’ deixar algumas questões em aberto. Mágica? Ciência? Cadê o outro lado? Tem um outro lado? Quem ou o que orquestrava e definia todas as regras para a sinfonia da natureza? Deus? Fiquei agoniado querendo essas explicações e acreditava até o último segundo que as teria. E não tive! Tem dois dias que terminei de assistir e ainda estou arrancando cabelos. Fiquei por um fio de chutar o balde e praguejar pelos quatro cantos do mundo o quanto essa série é horrorosa, mas seria mentira. Seria apenas eu putaço querendo minhas respostas. Me diz você aí que já assistiu, o que achou do final? Tem sua teoria? Ajuda aí esse cara que não tem religião, é cético pra cacete com tudo, mas quer um ‘ah, é isso’ para se agarrar. Essa série é horrível! Não vê não! mentira, é boa. Saco!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Brammall, Genevieve O’Reilly, Emma Booth, Hannah Monson, Sean Keenan, Daniela Farinacci, Ned Dennehy, Rodger Corser, Emily Barclay, Andrew McFarlane, Aaron McGrath, Rob Collins, Pernilla August, Luke Arnold, James Monarski, John Leary, Anni Finsterer, Lisa Flanagan, Leila Gurruwiwi, Robert Menzies e Greg Stone compõem parte do elenco. Escrito por Louise Fox, Kris Mrksa e Giula Sandler, Glitch foi dirigido por Emma Freeman. A produção fica por conta de Noah Burnett e Noah Fox, com Tony Ayres servindo como produtor executivo. A série recebeu o Prêmio AACTA nas categorias Melhor Série de Drama e Melhor Trilha Sonora Original. Também recebeu dois Prêmios Logie nas categorias Melhor Série de Drama e Melhor Direção em Série de Drama.

CONCLUSÃO
Se gosta de um mistério, não pense duas vezes, cai dentro porque Glitch é conteúdo para você! A série te prende com naturalidade, fazendo com que tenha disposição, e caso tenha tempo também, maratone seus dezoito episódios rapidinho. Já concluída na terceira temporada, a obra está disponível com exclusividade no serviço por assinatura Netflix. Sua classificação é de dezesseis anos, aborda alguns temas delicados e tem cenas de nudez, mas tudo sem recorrer a extremos. Portanto se tem um moleque de uns doze anos, consciente dos paranauês básicos da vida, pode colocar ele do seu lado no sofá e curtir de boa. Boa série para você!

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SOMBRA LUNAR – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Thomas Lockhart é um policial comum da Filadélfia, mas está determinado em ser um detetive. Pró ativo, está sempre quebrando protocolos hierárquicos e tomando frente nas investigações além de suas atribuições. Numa certa noite recebe o chamado de uma ocorrência, e ele com seu parceiro, Maddox, chegam mais rápido que o detetive responsável. Locke, como Thomas é apelidado, é um ótimo observador, e logo compreende como aquela morte ocorreu. Um acidente de ônibus onde aparentemente a motorista teve um derrame, e veio perder o controle não era exatamente o que parecia ser, e logo toda a polícia local parte na busca de um misterioso serial killer responsável por essa e outras várias mortes.

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COMENTÁRIOS
Sombra Lunar (In the Shadow of the Moon, 2019) inicia propondo um filme policial de mistério, mas assim como os materiais promocionais se adiantam em revelar, se trata também de uma ficção científica. Característica essa que no meu entendimento deveria ser ocultada nos materiais de divulgação, enfim. O plot é direto e reto, te inserindo em intrincadas investigações e frenéticas perseguições. O roteiro começa bem mas não consegue manter um ritmo interessante após o primeiro arco, tornando o desenvolvimento repetitivo e arrastado. Recupera um pouco o fôlego próximo à sua conclusão, mas após tanta lentidão e falta de desenvolvimento de certos personagens apresentados, já se torna um pouco desgastado.

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Na busca de uma resolução para alcançar aquele serial killer, Locke transporta a narrativa para um tom de suspense e drama, no qual por conta de sua obsessão em solucionar o caso, vai se transformando numa pessoa cada vez mais paranoica. Temos então essa interessante construção de personagem, qual considero o ponto alto do filme. Boyd Holbrook está bastante inspirado em dar vida ao policial traumatizado que se perde no tempo de suas internas caçadas por realidade.

A produção é competente e entrega um filme agradável visualmente, com boas locações, bonitas cenas aéreas e um trabalho de contra regra impecável. A trilha sonora também faz bonito, criando uma atmosfera densa e caótica que se mistura ao conceito visual tornando tudo bastante homogêneo e real. No fim das contas eu fiquei dividido e sem saber dar um decreto final, o roteiro verdadeiramente me incomodou, mas a experiência conceitual, principalmente se tratando das transições estéticas, me surpreenderam bastante.

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FINAL EXPLICADO (SPOILERS)
Após as várias repetições de perseguições, ficamos na expectativa de uma explicação satisfatória do motivo de sua neta voltar no tempo para eliminar certos personagens. Rya consegue voltar no tempo em ciclos de nove anos, quando a Lua está mais próxima da Terra, na conhecida como ‘Lua de Sangue’, instante onde há uma alteração magnética que permite uma máquina do tempo levá-la ao passado. Seu objetivo é impedir o movimento de supremacistas brancos conhecido como True America Movement, que em 2024 bombardeou a Filadélfia iniciando uma guerra civil americana.

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Rya utiliza uma injeção, que serve para inserir cápsulas no pescoço dos membros do movimento supremacista, e que serão ativadas no futuro pelo Dr. Naveen Rao, também responsável pela construção da máquina do tempo. As viagens são limitadas aos períodos de Lua de Sangue, e devido a Locke ter matado acidentalmente Rya em 1988 no incidente do metrô, os dois ficaram limitados aos ciclos lunares posteriores. Locke então compreende que matou a própria neta e ainda complicou sua causa, porém ela ainda tinha aquele ciclo para concluir sua missão e salvar o futuro.

Reflexões surgem e é compreendido que a morte da sua esposa em troca da vida de sua filha, possibilitou que mais a frente Rya pudesse existir. Seu luto que durava anos se torna mais leve, e num recomeço ele consegue o perdão dos amigos, família e, conclui sua história com a neta no colo.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Boyd Holbrook, Cleopatra Coleman, Bokeem Woodbine, Rudi Dharmalingam, Rachel Keller e Michael C. Hall compõem o elenco. A produção norte americana foi escrita por Gregory Weidman e Geoff Tock, e dirigida por Jim Mickle. Produzido por Brian Kavanaugh-Jones, Ben Pugh, Rian Cahill, Linda Moran e Jim Mickle, o longa de 2019 é distribuído pelo serviço Netflix.

CONCLUSÃO
Sombra Lunar é um filme com aspectos interessantes, embora vendido como um policial com elementos de ficção científica, consegue explorar muito bem o drama. Uma produção coesa com excelente estética visual e sonora, que traz um elenco muito bem afinado. A obra tem sim suas falhas, mas nada que comprometa a experiência final. Particularmente considerei o ritmo um pouco lento, até repetitivo do meio até próximo ao final, no entanto é bem possível que isso não seja notado e nem incomode muita gente. O longa exclusivo da Netflix já está disponível, e certamente vai agradar fãs de sci-fi e mistério. Bom filme!

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MARIANNE – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Emma Larsimon é uma escritora de livros de terror mundialmente famosa, e certo dia decide concluir o ciclo onde Lizzie, a personagem de seus contos, derrota a bruxa Marianne. Esta seria apenas uma história como muitas outras, se não fosse pelo fato de todo o universo criado por Emma, ser uma extensão de seus pesadelos e conflitos pessoais do passado. E agora, tendo decidido fechar sua saga literária, seus demônios vieram à tona cobrar que não sejam esquecidos. Na busca por entender os eventos macabros que sua vida vem tomando, a jovem escritora junto com sua assistente pessoal, retornam a sua cidade natal atrás de respostas. Lá ela vai passar por momentos inimagináveis de dor e angústia para tentar solucionar aquilo que lhe traz tanta aflição.

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COMENTÁRIOS
Quais são os motivos que te levam a procurar um filme ou série de terror para assistir? Existem várias formas de se entreter com uma obra desse gênero que pode ter aspecto tão variados, e Marianne, a nova obra francesa com o selo Netflix, faz isso fugindo com originalidade da maioria dos clichês. A princípio eu fiquei apreensivo quanto ao que tinha escolhido assistir, a série engana, ficamos com a impressão de estarmos vendo um produto específico para o público adolescente, porém terminado o primeiro episódio, percebemos que nada condiz com o ensaio inicial. O enfoque aqui é na estranheza e no como isso gera incômodo. Logo na cena de abertura da série temos mãe e filha, uma mais esquisita que a outra, numa situação pra lá de estranha. Dentro de uma casa escura e sinistra, a filha vai no encontro da mãe, que está debruçada na pia da cozinha, onde se esforça para extrair de forma sanguinária um dente da própria boca, enquanto encara a filha com um olhar maquiavélico de indiferença e ironia.

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Um dos maiores méritos de Marianne fica para o elenco, que de forma muito convincente traz uma aura verdadeiramente macabra aos personagens. E quando digo isso, não reduzo apenas aos óbvios vilões, mas a cada personagem que oculta algum mistério ou traço da personalidade. Elden, a cidade de Emma, tem uma atmosfera própria, e até as ruas vazias e litorais de ar gélido causam estranheza.

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Trazendo esmero pela estética, a produção traz fotografias e cenários inspiradíssimos, ora em tons saturados e nublados nas cenas externas, ora no amarelado sépia para  ambientes fechados com o ar mais pesado. Tais elementos nos transporta para uma imersão incrível! Quando as tomadas são em áreas abertas, a sensação é de exposição e vulnerabilidade e, nas fechadas reina a claustrofobia com um alto contraste de jogo de sombra e iluminação que drena nosso fôlego. Marianne acerta em cheio com uma produção de qualidade e uma direção que consegue extrair o melhor de cada ator. É uma série que não passa despercebida pela Netflix, e com certeza irá angariar muitos fãs.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Victoire Du Bois, Lucie Boujenah, Tiphaine Daviot, Ralph Amoussou, Bellamine Abdelmalek, Mehdi Meskar, Alban Lenoir, Mireille Herbstmeyer, Corinne Valancogne, Patrick d’Assumçao, Pierre Aussedat, Luna Lou, Charlie Loiselier, Bruni Makaya, Adam Amara e Anna Lemarchand. A série francesa foi criada e dirigida por Samuel Bodin e, escrita em com conjunto com Quoc Dang Tran. A produção da Empreinte Digitale and Federation foi distribuída em oito episódios pelo serviço Netflix.

CONCLUSÃO
Se você curte um terror barra pesada, essa série é para você. Marianne não tem papas na língua, coloca pra fora sem pudor seu linguajar sujo, cenas fortes e situações de fazer sentir alfinetadas na espinha. Seu ponto forte fica nas atuações, com personagens envolventes e criativos, que em momento algum vai ter fazer ter dúvidas de realmente estar vendo o capiroto. Recomendo fortemente que não deixem crianças assistirem esta série, questões como suicídio, nudez total, palavrões pesados, enfim, tem um pouco de tudo. Portanto não é um tema nada apropriado para os mais jovens, tenham bastante cautela. Feitas as ressalvas, boa sorte em sobreviver à essa série! Mantenha as luzes acesas.

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SPECIAL – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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COMÉDIA SEM GARGALHADA OU APELO A REPRESENTATIVIDADE?
COMENTÁRIOS COM SPOILERS

A série Special da Netflix ingressa com uma proposta que tem tudo para dar certo, mas será que deu? Parecendo intencionar a atração de espectadores pertencentes à grupos de diversidade étnica, de gênero, de classe social, de estereótipos e por aí vai, a trama conta com tudo que é socialmente colocado em pauta ano após ano no que diz respeito à alvos de críticas preconceituosas.

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Só pra começar, nosso personagem principal consegue unir as seguintes características: deficiente motor com paralisia cerebral, gay, nerd, virgem, imaturo, dependente da mãe e auto-comiserativo (coitadinho de mim, não sou um “ganhador de bolinhos de graça” – Free Cupcakes – um termo bem bobinho para chamar alguém de “sortudo”). Um personagem desses podia ter muita história pra contar, não acham? Pois é, mas não tem. Pasmem, o personagem parece diretamente saído de uma bolha de oxigênio e cuspido na “vida real” por si próprio. E a “vida real” está entre aspas porque eu estou até agora tentando descobrir quem vive daquele jeito.

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Aí encontramos a personagem que se torna a melhor amiga do protagonista: A latina curvilínea que vive para manter a aparência de amor próprio (no Instagram e nos artigos que escreve para a agência que trabalha) e que está falida por causa das roupas caras e salão de cabeleireiro que frequenta para poder manter sua pose de rica. Sim, eu não usei nenhuma palavra que não tenha sido expressa pela personagem, a própria se define desse jeito. De longe sacamos uma referência com a famosa Kim Kardashian, homônima da personagem, consegue acreditar? Pois é verdade. E não termina por aí.

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Ainda temos a famosa personagem “mãe solteira cinquentona carente sem namorado há uns 20 anos”. Sério. Abordaram essa temática da pior forma possível, mostrando a mulher como uma infeliz por não ter tido relacionamento para cuidar do filho deficiente, que abdicou de muita coisa para sustentar a cria – acreditem, eu sei do que estou falando. E quando é que ela acha que tirou a sorte grande??? Claro que vocês vão adivinhar, ela se deparou com um (outro estereótipo, lá vamos nós) “cinquentão gato branco de cabelo estiloso e olhos azuis, bombeiro aposentado e maconheiro”. Uau que mistura incrível né? Até mostrar que por trás da “beleza de príncipe” é um cara autoritário, que gosta de fazer as coisas do jeito dele e que (pasmem de novo) não consegue aceitar as crises de histeria da mãezona e dá um pé nela porque “não quer namorar o filho babaca” da mesma. Sim, foi uma fala também. Dá pra acreditar? – pausa para náuseas.

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Entre tantos clichês ainda temos a “loira arrogante metida rica socialite solteirona maluca extravagante insensível”, outra “loira burra retardada abortista” e o “negro gay gostoso crossfiteiro” ou ainda um “gay loiro nórdico marombeiro” – tem pra todos os gostos. Gente, é uma lástima. Não dá pra dizer que existe enredo, e se existe, é completamente fútil. As piadas são fracas, os personagem são caricatos e parece uma tentativa de paródia de uma vida real que nem faz sentido. Conseguem entender?

É uma série que tenta te transmitir alguma emoção (nem tenho tanta certeza assim), mas que a piada não é engraçada, o drama não é comovente, a raiva, o tesão e a identificação passam batidos. Dá pra dizer que a série foi feita por um cérebro sem mente para mentes sem cérebro. E olha que com tanta diversidade poderia ter rendido muito mais conteúdo. Não foi o que aconteceu. Decepcionante. E sim, a temporada inteira é água com aspartame – nem açúcar rola ali.

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NOTAS SOBRE A SÉRIE
Classificada como comédia, foi baseada no livro I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves (2015) de memórias do próprio protagonista, que escreve e atua como produtor executivo da série, Ryan O’Connell. Ou seja, segundo ele, é baseado em fatos reais.

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ELENCO
Ryan O’Connell, Jessica Hecht, Punam Patel, Marla Mindelle, Augustus Prew, Patrick Fabian, Kat Rogers, Jason Michael Snow, Brian Jordan Alvarez e Gina Hughes.

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THE I-LAND – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Dez pessoas acordam numa praia sem saber os próprios nomes ou lembrando de qualquer outra coisa, e sem tardar descobrem que aquela ilha esconde diversos mistérios e perigos. Será necessário que deem o melhor de si para resolver com seus enigmas, além de lidar com as intrigas do grupo. Todos precisarão dar o máximo para conseguir sobreviver aos extremos desafios físicos e psicológicos daquele lugar.

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COMENTÁRIOS
Pensei em mil maneiras de pegar leve com esta série, mas realmente não tem condições. A vontade que dá é de só fazer uma lista e sair dizendo tudo que é ruim por esse e aqueles outros motivos. Mas vou procurar seguir o padrão das críticas.

Imediatamente nos minutos iniciais do primeiro episódio o que notamos é uma tentativa deslavada de reencarnação de Lost. Porém, a única coisa que podemos dizer que as duas séries tem claramente em comum, é uma ilha misteriosa. The I-Land não tem personagens inteligentes, não tem carisma, não tem coerência narrativa, e o principal e mais grave, as atuações são terríveis! Eu não consigo lembrar de nada tão horroroso quanto isso. Anthony Salter é o nome do criador, e me pergunto de onde ele tirou as péssimas ideias que arrumou. Você consegue imaginar alguém pegar uma concha marinha e utilizá-la como megafone ou “berrante”? Bem, Salter parece ter visto sentido nisso, porque é exatamente o que a Kate genérica decide fazer, e claro, deu certo. Errado somos nós que nunca pensamos em fazer isso com uma concha.

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Persistindo ainda na comparação com o controverso Lost, o personagem de Alex Pettyfer, claramente faz referência ao Sawyer, bonitão, canastrão e de comportamento imprevisível. E qual motivo disso? Eu não sei. Só sei que o carinha do Eu Sou o Número Quatro já não é grande coisa atuando, e com um texto tão ruim quanto o que recebeu, eu senti um pouco até de pena. Sawyer era um pilantra, mas você enxergava o ser humano no personagem, mas em Brody você não nota nada. E o mais surreal, é o personagem ser um cara tão sem caráter, e mesmo assim conseguir convencer os outros de que é gente boa sem precisar de nenhum esforço para isso. Aliás, o único sentimento que eu tive era o de querer que aqueles dez personagens horríveis morressem logo para devolver a paz para a ilha.

A coisa é tão mal pensada que uma série de primeira temporada pequena, apenas sete episódios, possui em seu trailer oficial uma quantidade enorme de spoilers que frustra qualquer expectativa de reviravolta. Se a sinopse é pragmática em dizer que um grupo de dez pessoas sem memórias precisa sobreviver numa ilha misteriosa, faria sentido contar no trailer que aquilo tudo na verdade não passava de uma simulação? Faria sentido mostrar um grupo de pessoas dentro de uma sala de monitoramento acompanhando cada passo do grupo fazendo o uso de diversas câmeras escondidas pela ilha? O nome disso é pretensão. No fim das contas essa é apena uma série de baixa qualidade, sem personalidade alguma ao querer copiar outra. Tem conceitos ridículos, atuações deprimentes, e que força situações constantes que não fazem sentido algum.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Natalie Martinez, Kate Bosworth, Ronald Peet, Kyle Schmid, Sibylla Deen, Gilles Geary, Anthony Lee Medina, Kota Eberhardt, Michelle Veintimilla e Alex Pettyfer compõem o elenco. A série foi criada por Anthony Salter, e tem como produtores executivos Neil LaBute, Chad Oakes e Mike Frislev. A produção norte americana é de 2019, e foi lançada para o catálogo  de setembro da Netflix.

CONCLUSÃO
Quando assisti ao trailer fiquei curioso, afinal, era fã de Lost do tipo de perder tempo no Orkut olhando em fóruns sobre os mistérios daquela ilha. E daí pensei: “olha, essa série tem jeito de Lost, vou conferir”. Eu deveria ter ficado quieto na minha. Essa série é um total embuste! Antes de terminar o primeiro episódio eu já estava arrancando os cabelos de raiva. Tudo em The I-Land é terrível! Se o roteiro, conceito e atuações não prestam, o que sobra? Ah, já sei. A fotografia é muito bonita. Se você quiser assistir um cartão postal, vai fundo, porque de Lost só ficou a presunção mesmo. Não recomendo nem para meu pior inimigo.

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LEILA – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
O ano é 2047, e o território da Índia agora é chamado de Aryavarta. Uma nação onde extensos muros dividem comunidades, separando castas consideradas puras das impuras, nas quais umas possuem mais privilégios do que outras. Nesse futuro distópico de desigualdade, a água limpa se tornou escassa, e cerceada pelo Estado, apenas os considerados puros tem melhor acesso. O Governo é regido por Dr Joshi, um totalitarista sádico que recebe denúncias de simpatizantes, e usa de violência física e psicológica para ‘purificar’ a sua idealizada Aryavarta.

Nesse cenário de tensão, Shalini, uma mulher comum mas de vida privilegiada, tem sua casa invadida, seu marido assassinado de forma brutal e, é levada à força, enquanto sua filha era deixada para trás. Segundos as regras estabelecidas por Dr Joshi, a mulher havia se casado com um muçulmano, e portanto havia se tornado impura. Assim como outras, Shalini é levada uma clínica de bem-estar feminino, local onde de forma cruel e covarde, sofre todo tipo de maus-tratos e humilhações. Elas abandonam suas individualidades e precisam se enquadrar no padrão comportamental de submissão, no qual um sistema misógino e tirano, às obrigam a obedecer vexatórios ritos até estarem aptas a oportunidade de provarem estar prontas para voltar a sociedade como mulheres puras.

Dois anos se passam e, Shalini nota que as crianças consideradas ‘mestiças’, as nascidas de relacionamentos inapropriados, eram levadas para um desconhecido paradeiro. Passa então a ficar bastante preocupada com o paradeiro de sua filha, e faz de tudo para conseguir sair daquele lugar.

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COMENTÁRIOS
Logo de cara é impossível não fazer a comparação óbvia com a série norte americana O Conto de Aia (The Handmaid’s Tale, de 2017), principalmente pela semelhança estética e da atmosfera claustrofóbica e melancólica. Leila também conta sobre um futuro similarmente distópico, no qual um governo totalitário e opressor, subjuga mulheres para que se enquadrem nos padrões de dona de casa, submissa e procriadora. Mas diferentemente da série ocidental que foca muito no cenário estrutural político, esta prioriza o drama pessoal de Shalini, negligenciando explicar os fatores que levaram a sociedade chegar naquele formato ditatorial.

Uma  das coisas que me incomodou bastante nesse começo de série, é o fato daquele grupo de mulheres não oferecerem resistência alguma aos seus opressores. Não há uma gerência e muito menos união para planejar uma fuga. Faria sentido ao menos que conspirassem para melhorar aqueles períodos tortuosos de cárcere. Mas não, é pressuposto que todas cuidam apenas dos próprios interesses, e cada uma é responsável pela própria saúde física e mental. No início Shailini e Pooja ainda esboçam o ensaio para tal, mas logo a cumplicidade é abandonada voltando cada uma a cuidar do próprio nariz.

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Ao mesmo tempo que esta é uma série endereçada ao público de O Conto de Aia, imagino que esse conceito praticamente copiado, deixe tal público bastante desconfortável. O romance do indiano Prayaag Akbar foi publicado originalmente em 2017, enquanto O Conto de Aia é uma obra de Margaret Atwood lançada em 1985. Me pergunto se os produtores de Leila não imaginavam que essa grande semelhança, junto com a oferta das série em datas tão próximas, não poderia prejudicar bastante o marketing da produção indiana. A repercussão não vem sendo nada favorável, visto que além da já citada comparação, Leila não traz grande qualidade de roteiro e direção. Seu ritmo é lento e cansativo, fazendo parecer os seis episódios com uns 40 minutos cada, parecem uma eternidade. As atuações também são apenas aceitáveis, não temos ninguém se destacando.

Na Índia existe um conflito ideológico e religioso muito grande entre muçulmanos e hinduístas e, Leila explora isso de forma muito arriscada, uma vez que deturpa uma série de elementos de ambas as religiões. Para uma nação tão ortodoxa assim, essa é uma série que se complica até para seu público doméstico. Fica a questão: Leila é bom? Eu particularmente tenho certa dificuldade em endossar obras embasadas em tons melancólicos, mas ao mesmo tempo gosto de conhecer conceitos distópicos diferentes. A pena fica por conta desse ponto não ser merecidamente explorado, e isso é uma pena. Então respondendo minha própria pergunta, eu acho que não sou fã desta série.

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ELENCO E FICHA TÉNICA
Huma Qureshi, Siddharth, Leysha Mange, Seema Biswas, Rahul Khanna, Sanjay Suri, Arif Zakaria, Ashwath Bhatt, Pallavi Batra, Anupam Bhattacharya, Akash Khurana, Jagjeet Sandhu, Prasanna Soni e Neha Mahajan compõem o elenco. A obra indiana é baseada no livro homônimo de Prayaag Akbar, e foi adaptada em conjunto por Urmi Juvekar, Suhani Kanwar e Patrick Graham. A direção também é compartilhada entre Deepa Mehta, Shanker Raman e Pawan Kumar. Produzida pela Open Air Films LLP, Leila foi lançado e distribuído sob o selo Netflix.

CONCLUSÃO
A série indiana surgiu recentemente na Netflix com o objetivo claro de fisgar o mesmo público de O Conto de Aia, porém não tarda em criar uma identidade própria. A série aborda o drama de Shalini, uma mulher acostumado com uma vida confortável, que de uma hora para outra é subjugada por um regime covarde e hipócrita, quando ao mesmo tempo vive a angústia de não saber o paradeiro da própria filha. Uma obra cheia de melancolia e sofrimento, que por muitas vezes gera repulsa e raiva, pelas injustiças e abusos que aquelas mulheres são expostas. A série é curta, possuindo apenas seis episódios nessa segunda temporada, e até o momento não é confirmada continuação.

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TRAVELERS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO: Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.
Atitudes erradas da humanidade levaram o mundo à um futuro calamitoso de colapso social, então milhares de agentes são treinados e, enviados para o nosso período atual no intuito de fazer mudanças pontuais na linha do tempo para impedir tal predestinação. Então cinco destes viajantes são enviados assumindo cada um o corpo físico de uma pessoa qual já era conhecido o local e horário da morte. Este método servia para amenizar o máximo de interferência na linha temporal, visto que a pessoa não mais existiria. Porém eles ainda precisariam viver o restante de suas vidas seguindo a realidade de seu hospedeiro, enquanto missões eram orientadas pelo Diretor, e deviam ser cumpridas seguindo as regras exatas de cada protocolo.

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COMENTÁRIOS
Esta é uma série de 2016 que estreou e não dei a devida atenção, então estou atualmente correndo atrás do tempo perdido. Recordo ter assistido apenas o primeiro episódio e, sendo sincero, eu não lembrava de nada direito. Provavelmente parei para ver enquanto brigava contra o sono, costumo fazer isso as vezes. Então decidi dar uma conferida novamente, e tenho de dizer, essa série está me surpreendendo muito! A impressão que tinha era baseada num preconceito bobo com o ator Eric McCormack, não me pergunte, mas na minha cabeça esse era um ator de projetos duvidosos. Tenho uma lista com atores que se eu vejo a cara num filme ou série, eu já penso mil vezes antes de dar atenção. Mas não, realmente eu estava bastante errado. As vezes as pessoas são azaradas, ou não tem os contatos certos para pegar bons papéis. No fim das contas estou gostando da atuação de McCormack.

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Séries de ficção são alvo fácil para roteiros e conceitos de péssimo gosto, e são raras as exceções nesse gênero. As linhas de diálogos mal escritas e os nomes de itens fictícios são os elementos que mais costumam me incomodar. Não aguento piadinhas descabidas em momentos tensos, ou engenheiros pedindo ao assistente para passar o “suturador de ionização quântico”. Isso definitivamente me tira do sério! É preciso ser dito, Travelers é uma série não tem nada disso! Fui pensando ser realmente algo como dei o exemplo, mas não, temos aqui uma produção bem roteirizada e com um ritmo gostoso de assistir. Seu plot é apenas a ponta do iceberg, a trama vai desenvolvendo e trazendo uma série de novos elementos para incrementar o universo proposto.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco principal conta com os atores Eric McCormack, MacKenzie Porter, Nesta Cooper, Jared Abrahamson, Reilly Dolman e Patrick Gilmore. A criação de Brad Wright é produzida por Eric McCormack e foi distribuída no Canadá pelo canal Showcase Television do grupo do grupo Alliance Atlantis Communications. Para o resto do mundo Travelers foi ofertado pela Netflix. A série atualmente conta com 3 temporadas e um total de 34 episódios.

CONCLUSÃO
Travelers é uma série inteligente e agradável de assistir que se põe fora da curva se comparado à outras obras do gênero. Aqui não tem carnaval, não tem diálogos esdrúxulos e muito menos termos estúpidos para designar coisas que não existem. Duas coisas me surpreenderam bastante, o ritmo agradável do roteiro e as atuações de atores que até então eu tinha o preconceito de não esperar ao menos uma atuação razoável. O clima de suspense e tensão te instiga a devorar a série de uma só vez. Atualmente ela se encontra disponível na Netflix, então se você gosta do gênero ficção científica, esse aqui é um pratão para você! Para  mim está aprovadíssima!

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A MÁSCARA EM QUE VOCÊ VIVE – DOCUMENTÁRIO DA NETFLIX (CRÍTICA)

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A Máscara em que Você Vive (The Mask You Live In, 2015) da diretora Jennifer Siebel Newsom é um documentário produzido pela Netflix cujo título em inglês faz alusão à palavra mask, tanto como máscara quanto masculinidade (masculinity). É justamente esse o tema central da obra.

Através de relatos reais e observações feitas por acadêmicos, tanto na área de Educação quanto da Psicologia, é possível entender um pouco como funciona a criação dos meninos no EUA e, se pensarmos, em nossa realidade também.

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Ao longo do documentário nota-se através de depoimentos que é corrente, na criação dos garotos, a questão de não demonstrar qualquer sentimento. Quando criança, só é permitido chorar até a Primeira Infância (5 anos), assim como também demonstrar qualquer tipo de empatia deve ser podado ao máximo.

A obra de Jennifer Siebel Newsom expõe também como a indústria do entretenimento “alimenta” esse universo por meio de filmes, programas e músicas violentas. Também como tratam a figura feminina com inferioridade, que não merece respeito e como deve estar subjugada ao “macho-alfa” tal qual a sociedade, em sua totalidade, o construiu.

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No decorrer do documentário são levantadas questões de como, ao suprimir qualquer sentimento, esses meninos escondem, por detrás desta “máscara”, muitas vezes sintomas de depressão e que, no grau máximo, levam às tentativas de suicídio.

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Ao assistir uma obra dessas é impossível não refletir toda sua história e vê como essa construção social tão perversa atinge tanto nossos meninos quanto nossas meninas. É possível, assim, repensar a forma de entender as questões de gênero e poder em que estão imersas nossa sociedade.

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VIS A VIS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO: Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.
Macarena é uma mulher ingênua que após se envolver com seu patrão, um homem casado e com filhos, é seduzida a roubar a empresa onde trabalham. O desvio de dinheiro funciona, porém é abandonada pelo amante e acaba assumindo sozinha a culpa. Antes de partir para cumprir seus sete anos de prisão, informa a família que sairá em uma longa viagem, já que estava confiante de que conseguiria recobrar sua liberdade sem que nenhum parente descobrisse. Mas as coisas não saem conforme seus planos, e ela precisará amadurecer para sobreviver ao ambiente pesado de uma penitenciária particular feminina.

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COMENTÁRIOS
Essa é a premissa da série espanhola, que te convida a acompanhar os pavorosos desafios de uma mulher acostumada com os privilégios de uma vida confortável. Não que fosse de uma família rica, mas que nem de longe entendesse a realidade da maioria das mulheres com as quais precisaria dividir seu limitado espaço à partir de agora. E por ser uma mulher atraente que demonstrou certa fraqueza em seus primeiros dias, passa a ser importunada de diferentes formas. Somando-se isso à sua ingenuidade de criar dívidas com outras detentas, passa a temer prejudicar ainda mais a progressão da própria pena. Nada nem ninguém ali é totalmente confiável, cada pessoa possui suas prioridades e o seu próprio código moral, e quanto mais tempo Macarena leva para perceber isso, mas difícil fica sua situação.

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Vis a Vis é uma série de suspense e drama criminal que estreou em 20 de abril de 2015 pelo selo Netflix. A série espanhola traz a rotina de Macarena Ferreiro, também conhecida como Maca, na prisão feminina Cruz del Sur. Sua prisão foi dada em caráter provisório pelos quatro crimes fiscais cometidos, e embora as investigações ainda corressem, sua fiança foi definida muito mais alta do que poderia pagar. Quando a série estreou, foi inevitável a comparação da crítica com Orange Is the New Black, no entanto as duas séries possuem grandes diferenças de abordagem. Enquanto na série americana existe grandes pitadas de humor em meio ao drama, em Vis a Vis o clima é bem mais pesado e realista, focando no drama e suspense quase constante.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco de Vis a Vis é bem extenso, e conta com Maggie Civantos, Carlos Hipólito, Roberto Enríquez, Cristina Plazas, Berta Vázquez, Alba Flores, Inma Cuevas, María Isabel Díaz Lago, María Salgueiro, Ramiro Blas, Alberto Velasco, Marta Aledo, Daniel Ortiz, Harlys Becerra, Laura Baena Torres e Najwa Nimri. A série foi criada por Daniel Écija, Álex Pina, Iván Escobar e Esther Martínez Lobato, pela produtora espanhola Globomedia, e é dirigida por oito profissionais, Jesús Colmenar, Jesús Rodrigo, Sandra Gallego, David Molina, Álex Rodrigo, Marc Vigil, Ramón Salazar e Carles Torrens.

CONCLUSÃO
Como dito no começo desta resenha, me refiro às impressões da primeira temporada. Antes eu havia assistido um pouco de Orange Is the New Black, mas nunca tinha me prestado assistir nenhuma outra produção do gênero, então ao mesmo tempo que não tenho vícios de outras séries, também não sirvo de parâmetro para dizer se essa é melhor ou pior que outra. O que sei é que fiquei bastante entusiasmado com a qualidade da narrativa e como os personagens vão crescendo no decorrer da trama. Com um enredo intrigante, Vis a Vis te suga para um clima de tensão constante em que a imprevisibilidade reina. Em poucas palavras posso dizer que tem um conteúdo pesado destinado ao público adulto, personagens bastante críveis, e um roteiro muito bem amarrado. É do tipo pra se tirar o fim de semana e maratonar! A série está disponível na Netflix e já foi finalizada com quatro temporadas.

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A VINGANÇA DE MARIA – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após não cumprir completamente a missão de eliminar todos os membros de uma família, Lily é ajudada por um bom amigo a se desvincular da rede de criminosos a qual pertence. Dada como morta ela se entrega à uma nova chance, onde seu marido e filha vivem uma vida comum. Porém o passado volta batendo à porta, e arranca brutalmente aquelas mais importantes conquistas de sua vida. Perdendo tudo que amava, busca forças na sua natureza sanguinária para consumar sua vingança. Abandona sua identidade e faz nascer Maria, uma fria e brutal assassina.

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COMENTÁRIOS
Política, corrupção, tráfico de drogas, e muita violência (incluindo gratuita) está em A Vingança de Maria. O filme filipino é original da Netflix, e só tem êxito mesmo no que tange as cenas de lutas, porque no restante ele se perde completamente. É esboçado um plano de fundo político com corrupção, mas tudo é muito mal escrito. Você fica no vazio por entender onde aquilo somaria ao desenvolver da narrativa. Basicamente a única coisa clara é que existe um grupo criminoso extremamente violento, que trafica drogas, e que são cheios de pose. Todo o restante é completamente uma enrolação para tentar enriquecer a premissa original: sou ex-assassina, mataram minha família e agora vou me vingar.

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VIOLÊNCIA GRATUITA? AQUI TEM!
Não sei vocês, mas eu tenho uma intolerância sem tamanho com relação ao sadismo. Claro que não é incomum filmes recorrerem a isso na intenção de instigar a aversão por algum personagem ou grupo. Filmes de guerra por exemplo não vão surpreender por execuções, genocídios, ou mesmo cenas de tortura. São atos que se encaixam e ilustram as narrativas desse gênero. Mas existe um limite? Está certo que existem as obras onde realmente esse é o ingrediente principal, como em O Albergue ou na franquia Jogos Mortais. Quem se senta para assistir esse tipo de filme pressupomos que tenha estômago para isso, mas e quando somos surpreendidos com cenas absurdamente brutais para uma trama onde não se fazem necessárias? É isso que A Vingança de Maria foi pra mim, e me deixou muito incomodado a ponto de em vários momentos pensar em desistir de terminar de assistir.

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Com menos de trinta minutos de filme já contamos três cenas de brutais torturas, que poderiam sim estar lá, mas não de forma tão explícita. Da forma que foi feita faz parecer que a intenção do diretor era realmente essa, a de causar ojeriza, mas será que ele sabe que caprichou tanto ao pontos de afastar o espectador? Primeiro dois caras ensanguentados, pendurados e sendo executados a tiros, segundo um maluco amarrado de costas em pedras de gelo enquanto é espancado e toma choques, incluindo naquele lugar, e por último outro também sendo espancado, tendo unhas arrancadas com alicate e um canivete cravado na coxa. Tudo isso exibido da forma mais explícita possível, e o pior, sem o roteiro te dizer absolutamente nada dos motivos de tais torturas! E ficamos naquela de que mais pra frente iremos entender. Negativo, o filme termina e você continua sem saber o porque aqueles caras foram brutalmente mortos. Cenas que não contribuem minimamente em nada no enredo.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco de A Vingança de Maria traz Cristine Reyes, Germaine De Leon, KC Montero e Guji Lorenzana, onde apenas Reyes, a atriz principal, ainda se distancia um pouco dos demais. No geral as atuações são todas muito mecanizadas, nitidamente sem o mínimo esforço em tentar melhores expressões. A direção de Pedring A. Lopez faz apenas o básico, e escolheu a abordagem simples dos efeitos práticos, e a inclusão de efeitos de pós produção de baixo custo, como se nota nas “fumaças de sangue” toda vez que alguém é baleado. As cenas de lutas conseguem um bom resultado, com coreografias bem filmadas e continuidades sem muitos problemas.

CONCLUSÃO
Se existe algum mérito em A Vingança de Maria, ele fica pelas cenas de luta, essas sim são empolgantes e bem coreografadas. Por outro lado temos seu pior atributo, o de explorar em excesso uma violência gráfica descabida. Não são coisas pontuais ou necessárias pro desenrolar do filme, mas são quadros isolados de sadismo. Quanto a história ela é simples. E simples até demais. Sabe quem esse filme vai agradar? Aquele tiozão que quando você conversa com seus amigos sobre as reflexões filosóficas de Matrix surge dizendo que filme bom são os atuais de ação com Steven Seagal, ou os clássicos de Lorenzo Lamas. Classificaria esse como sendo o tradicional filme B de ação que ninguém se importa nas prateleiras das locadoras. Até o tiozão chegar pra alugar.

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BADLA (CRÍTICA)

Badla 2019

SINOPSE
Um quarto de hotel, duas pessoas, e uma delas morta. É nesse cenário de crime que o renomado advogado Badal Gupta entra para defender Naina e tentar compreender quem é o real assassino de Arjun. A empresária e o fotógrafo são membros da alta sociedade que se veem envolvidos num relacionamento extraconjugal, e passam a ser chantageados anonimamente por um misterioso personagem. Exigindo uma certa quantia em dinheiro e que seja entregue em um luxuoso hotel da gélida Glasgow escocesa, o casal de amantes parte em viagem para tentar abafar esse escândalo que poderia acabar com suas carreiras. Após entrarem no quarto Naina é repentinamente agredida e desmaia, sendo acordada com os bateres na porta de policiais que a flagram como sendo a única presente no mesmo local onde Arjun estava estirado morto. Então uma pesada briga psicológica é travada entre o advogado e a cliente que quer provar sua inocência.

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DIREÇÃO DA ADAPTAÇÃO
Badla é um filme indiano de 2019 repleto de mistério, complexas reviravoltas, e capaz de te deixar agarrado no sofá do começo ao fim. Sendo adaptação do filme espanhol Contratiempo de Oriol Paulo, o longa de 2009 traz pequenas mudanças, como o gênero de alguns personagens centrais, dando assim uma nova visão psicológica e mais peso à narrativa. Se passando quase integralmente num apartamento, ainda consegue espaço em breves cenas externas, tirando ótimo proveito de uma fotografia muito expressiva. A direção de Sujoy Ghosh, o mesmo da excelente série Typewriter já resenhanada aqui, tem pequenas falhas pontuais, onde certos cortes de edição se mostram mal cronometrados. Talvez por pouco tempo hábil de revisão, não sei, mas era o tipo de coisa que não deveria ser deixado passar. De qualquer forma são dois ou três momentos apenas que essas pequenas falhas ocorrem, e não são suficiente para estragar o andamento da projeção.

Badla

UM EXCELENTE ELENCO!
Ponto alto fica para as brilhantes atuações de Taapsee Pannu, Amitabh Bachchan e Amrita Singh, que te transportam para diálogos fortíssimos onde cada vírgula pesa e faz se entender uma nova versão dos fatos. A mentira e a verdade estão sempre lado à lado, se valendo de pequenos detalhes para que tudo esteja sempre preste a inverter os sentidos. O elenco também conta com Antonio Aakeel, que não brilha tanto quanto os outros, uma vez que não tem o mesmo tempo e oportunidade para se desenvolver mais.

Taapsee Pannu

CONCLUSÃO
Fazendo referência constante ao Mahabharata, o texto épico sagrado do hinduísmo, Badla traz reflexões sobre perdão, culpa e vingança, palavra última essa que traduz o título do longa. Perspicaz e provocante, é um filme pra ser assistido numa tacada só. Fazer quebras de ritmo vai comprometer o estímulo agradável que o roteiro desenvolve. Sujou Ghosh deu suas pequenas pisadas de bola na edição, mas trouxe uma obra tão bem escrita que todos os seus problemas merecem ser ignorados. Recomendadíssimo, Badla está disponível atualmente na Netflix.

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WU ASSASSINS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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O que acontece quando você reúne o indonésio rei da pancadaria, a rainha viking mais bela e abençoada por Odin, Ryu do tenebroso filme Street Fighter, e Jimmy Lee da adaptação para o cinema Double Dragon? É inegável ser um elenco e tanto para os aficionados por filmes de ação, e digo logo, faz bonito no que se propõe! Ultimamente a Netflix ficou dependendo apenas de produções estrangeiras para trazer coisa boa com seu próprio selo. Não que isso seja um demérito, mas onde foram parar os trabalhos no nível de Demolidor, Narcos, House of Cards, Perdidos no Espaço, Orange Is the New Black ou Stranger Things? Até Black Mirror e Peaky Blinders são obras inglesas. E fazia tempo que não saia nada de muito legal, claro além das continuações de séries já lançadas. Porém essa mais nova produção americana traz de volta a qualidade e redime um pouco desse estigma negativo. Já entra com o pé na porta nessa primeira temporada!

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PLOT COM SPOILERS NÃO COMPROMETEDORES!
Logo de cara a porradaria come solta! Sim, não policiaremos o linguajar aqui por conta desta série ser destinada ao público adulto! A classificação etária foi definida como 18 anos, e estou de acordo com ela depois de ter assistido. Recapitulando. Vemos Kai Jin nos corredores de um prédio residencial caindo no pau com chineses armados com lâminas e armas de fogo numa luta frenética e sem pudor, com bastante violência gráfica. Coreografias muito bem elaboradas, ângulos de câmeras criativos e cortes de ação dignas de uma superprodução asiática. Tudo é muito bem feito e fácil de entender. Em termos de ação se assemelha bastante à pegada da série Demolidor. No entanto minha antena de “isso não está legal” acendeu. Gradualmente a luta complexa e realista, dá lugar a pequenos feitos improváveis até demais. Temos o jovem lutador se esquivando de tiros de pistola e segurando no ar uma faca que fora lançada com brutalidade na direção de um morador do prédio.

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A empolgante cena termina e somos levados um dia antes na cozinha de um restaurante em Chinatown, na São Francisco dos dias atuais, onde Kai trabalha como Chef. O rapaz se mostra uma pessoa introspectiva que se força manter princípios morais e de honestidade, mesmo tendo sido criado entre uma família de mafiosos da Tríade. Entre os afazeres culinários, um funcionário surge reclamando pelo erro de um pedido. E advinha, eram capangas da Tríade que foram mal atendidos e exigiam uma retratação. O funcionário que repassou o erro é levado até a mesa dos clientes mal encarados, onde é agredido covardemente. Kai intervém tentando pacificar a situação, e é ele que passa a ter uma arma apontada para a cabeça. Surge assim o mesmo cara que foi à cozinha fazer a reclamação pedindo calma, e dizendo que tudo aquilo não tinha passado de um mal entendido. Em sinal de uma mínima civilidade o agressor abaixa a arma, ignorando aquele episódio.

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Na tarde do dia seguinte Kai terminou o expediente, agora no seu humilde foodtruck, quando é atacado enquanto tentava sair com o carro. Eram homens com tacos de baseball chegando e arrebentando com tudo! Então ele entra numa luta corporal contra os caras se mantendo na vantagem. Consegue arrancar com o carro e fugir entre becos da cidade, quando de repente freia abruptamente devido a ter uma garota estirada na via. Sai do carro para prestar socorro, e ela simplesmente levanta, dizendo que ele era o escolhido, e lhe entrega um arte fato “mágico”! Pronto! A ficha caiu! Se eu tivesse visto o trailer eu não teria ficado surpreendido da forma que fiquei ao ver o cara desviando de balas e segurando uma faca lançada em alta velocidade. A série então era uma produção de ação com elementos de ficção e fantasia. Imaginei desde o princípio… Superada a estranheza, sim, para mim foi uma grande surpresa, o primeiro episódio continua e desenvolve enquanto vai apresentando outros personagens. Pararei por aqui. Informações extras ao meu entender já virariam spoilers indesejados. Como eu disse, o fator místico na série não é um spoiler, eu que era o deslocado e não sabia absolutamente nada sobre a produção antes de sentar para assistir.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Wu Assassins é recheado de incríveis artistas marciais, como o indonésio Iko Uwais, que dispensa apresentações, o experiente Mark Dacascos, a atriz, cantora e atleta de artes marciais JuJu Chan, o ator, dublê marcial Lewis Tan da série de ação Into the Badlands e Celia Au que vem mostrando um grande talento em seus últimos trabalhos. A direção do honconguês Stephen Fung, experiente com filmes de ação, traz personalidade e fluência nas cenas de coreografias complexas. Com planos bem elaborados e cortes dinâmicos, consegue uma suavidade que não cansa quem assiste. Não é aquela metralhadora de informação visual atropelada que dá até dor de cabeça ao coitado que assiste. Se tem um ponto negativo para apontar, eu diria que os efeitos especiais são inconstantes e as vezes até grosseiros. As cenas em CG são terríveis de mal feita, mas devido serem pontuais, não consegue tempo de extrair do clima bom que o enredo te transporta. Também não podemos exigir tanto, essa é uma série com foco na ação, então não seria estranho que a peteca cairia para algum lado. E caiu nos efeitos especiais de pós produção, como era de se esperar.

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CONCLUSÃO
Depois de ficar órfão da série Demolidor, a minha preferida em se tratando de ação, fui surpreendido com Wu Assassins. Eu realmente nem sabia que ela estava em produção, quanto mais estar agendada, simplesmente liguei o computador hoje e vi em destaque na grade como a nova produção original da Netflix. Sem rodeios não vi trailer e não procurei nada, me transportei para o primeiro episódio de uma só vez. E cara, que grata surpresa! Simplesmente espetacular! Não é uma série com cara de série, claro, tirando os defeitos visuais, mas parece sim um bom longa metragem de porrada tradicional de Iko Uwais. E lembre-se, essa é uma obra para adultos. Há muita violência gráfica e linguajar chulo. Tendo lembrado, bom divertimento!

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UNIVERSO ANIME – DOCUMENTÁRIO DA NETFLIX (CRÍTICA)

Enter the Anime

Você sabe o que é anime? Mergulhe nesse universo de entrevistas com as mentes mais notáveis do gênero e descubra as respostas.” Bem, essa é a forma que o novo documentário de 58 minuto da Netflix se descreve e propõe fazer. Me parecia algo muito pretensioso de ser feito num espaço tão limitado de tempo, então decidi conferir e descobrir qual era seu real conteúdo e motivação.

Alex Burunova

Universo Anime (Enter the Anime), é um programa apresentado pela escritora e diretora Alex Burunova, e toma como ponto de partida os Estados Unidos. Mais precisamente Los Angeles, onde entrevista Adi Shankar, produtor da série Castlevania original da Netflix. Só por esse começo eu já fiquei meio com o pé atrás. Vamos começar pelo começo para eu fazer me entenderem. Primeiramente, e óbvio, quem conhece o conceito de anime se questiona verdadeiramente sobre o que ele é. Claro que existem discussões sempre em aberto sobre qualquer coisa, mas temos de ser honestos com nossa própria opinião. A minha é que animes definitivamente não são produzidos fora do Japão. E não digo isso por um simples preciosismo, mas porque realmente não existem, pelo menos ainda, produtos com a essência original japonesa. Não tem aquele tempero abstrato necessário pra se fazer categorizar verdadeiramente como um anime. Me desculpe mas Avatar: A Lenda de Aang, The Boondocks, e muito menos Ben 10 são animes. São excelentes produtos para seus públicos alvos, mas não são animes. E Castlevania também entra nesse mesmo balaio.

Expressões de Animes

Até os próprios japoneses pensam diferente de mim, consideram que qualquer tipo de animação, sejam japonesas e até de fora do país como animes. Seguindo essa lógica, para eles até Toy Story é um anime. Não parece fazer muito sentido posto desta forma, não é mesmo? Mas não daria pra eu simplesmente aceitar a proposta e resmungar menos?! Até daria, mas seria um desfavor conceitual. Anime não é como o conceito de rock, que engloba subgêneros como pop-rock, heavy metal ou country rock, por si só ele já é um subgênero dos desenhos animados. E onde ele se desvia de um desenho como qualquer um outro? Toma outro rumo quando entendemos sua estrutura. Na grande maioria das vezes animes são frutos de mangás que fizeram muito sucesso, embora existam poucos que fogem à essa regra, como Code Geass, Koutetsujou no Kabaneri e Cowboy Bebop por exemplo, são as combinações de estilos de expressões faciais exageradas e seus traços distintos que compõe suas principais características. Basicamente quem consome anime, sabe bater o olho e dizer que aquele produto é originalmente nipônico.

Tipos de Animes

Dentro dos animes também encontramos outras subdivisões de gênero, mas que indicam mais a faixa etária do grupo do que qualquer coisa. Existem os shoujo para jovem e feminino, shounen são as produções de luta e ação para crianças e adolescentes, seinen que tratam de assuntos mais pesados e sérios para o público adulto, kodomo são para crianças pequenas, e o josei, que são obras destinadas à mulheres adultas tratando de assuntos cotidianos mais próximos do real.

Bakuman

Em Universo Anime vemos uma série de entrevistas com vários produtores e diretores, e convenientemente trazendo apenas aqueles com produtos catalogados na biblioteca atual da Netflix. Resumindo de forma bastante fria e honesta, esse documentário não passa de uma autopropaganda. São sequências de entrevistas na maioria vazias que revelam pouquíssimas curiosidades até mesmo das obras que retrata, e nem de longe responde a questão que se faz à todo minuto da quase uma hora de duração que tem. “Você sabe o que é anime?” Se depender deste documentário vai morrer sem saber. Mas se você quer verdadeiramente saber o significado dessa palavra que parece até simples, mas que engloba um universo cultural gigantesco, recomendo o anime Bakuman. Não só sobre a produção e a essência do que são os animes, mas vai compreender tudo sobre os processos de criação e inspirações dos mangakás, desenhistas de mangás. Recomendo muitíssimo!

Adi Shankar

Fiquei chateado logo no começo com esse documentário por conta da frase de um cara, Adi Shankar, o produtor de Castlevania que solta a pérola “Como “Castlevania passou de um videogame meio morto à um programa de sucesso da Netflix?” Como assim cara?! Eu particularmente não sou um fã da franquia Castlevania, histórias de vampiros não é muito minha praia, mas é inegável o jogo nunca ter perdido sua relevância. Não é o jogo que precisa de um desenho, é o desenho que precisa do jogo para ter a mínima moral que hoje tem. Simplesmente achei o tom muito presunçoso visto que o trabalho que ele entregou nem é tão espetacular assim. Perdeu uma baita oportunidade de não ter se queimado desta forma entre os fãs da série.

Universo Anime

Durante o documentário são citadas as produções Castlevania, Baki: O Campeão, Kengan Ashura, Rilakkuma and Kaoru, Aggretsuko, 7SEEDS, Ultraman, Levius e B: The Beginning. Também plantam a sementinha do lançamento de Ghost in the Shell: SAC_2045 para o ano que vem, e entrevistam a cantora Yoko Takahashi, de Neon Genesis Evangelion.

Ultraman

Outra coisa que é trabalhada se aproveitando da boa vontade dos japoneses e de sua abertura, até ingênua à novidades, é de querer fazer parecer que os animes com altas doses de CG são a tendência inevitável para o futuro. Conhecendo a maneira que boa parte dos artistas nipônicos lidam com seus conceitos de criação, principalmente sendo uma entrevista para a Netflix com perguntas convenientes da Netflix para promover produtos Netflix, vai ser óbvio que eles venderão essa ideia de tendência do momento com a maior naturalidade. Se analisarmos as coisas vamos perceber que a Netflix vem acelerando e muito a elaboração de um catálogo exclusivo para competir com outros serviços similares. Em breve veremos Disney com seu serviço próprio de streaming retirar da biblioteca da Netflix uma série de produtos. Crackle, Crunchyroll, HBO Go, Amazon Prime Video, entre outras brigando por direitos de exclusividade e tendo seus próprios produtos. Os artistas japoneses não são tão conservadores, se você jogar uma batata podre, explodir na parede, e dizer que é arte, eles vão ficar maravilhados e te parabenizar pelo seu excelente trabalho. O respeito da sociedade é muito grande pela opinião alheia. Então pra eles não há problemas em fazer alegações sugeridas pela Netflix afirmando que CG é o futuro para os animes. Pra Netflix é interessante isso por conta da agilidade. É muito mais fácil e rápido produzir animes em CG do que os feitos tradicionalmente à mão quadro à quadro. E é isso o que eles realmente querem, quantidade. E parece não estar se importando nem um pouco com a qualidade. No fim, a política acaba participando muito mais do que deveria das produções.

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CONCLUSÃO
Documentário raso e que não diz nada com nada, se mostrando apenas um compilado do “Animes em Alta” do catálogo Netflix. Narrado por quem não conhece a cultura do anime, que nitidamente finge se esforçar pra conhecer, e se importando apenas em entregar uma encomenda pra Netflix que puxe sardinha pra seus produtos. Mas está aí pra quem quiser ver. Uma colagem de entrevistas que poderia fazer perguntas interessantíssimas mas que interroga apenas sobre o que os autores gostariam de fazer com seu tempo livre. Longe das produções.

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NIGHTFLYERS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
É 2093, e a tripulação da Nightflyer conduzida pelo capitão Eris ruma ao vazio do espaço na busca pelos Volcryns. Uma raça alienígena capaz de ajudar a humanidade a sobreviver após a destruição da Terra. Porém sinistros eventos passam a atormentar toda a equipe da nave, que fará todo o possível para manter a sanidade.

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COMENTÁRIOS
Nightflyers
é a adaptação da novela homônima de 1980 de George R.R. Martin, e traz um roteiro muito confuso e com sérias dificuldades de angariar adeptos. Seus eventos são episódicos e não relacionados com a estrutura central que a série ameaça ter na sua premissa. A trama principal já começa confusa desde o início, te jogando numa caçada que você não sabe se é uma alucinação, sonho, ou a promessa de algo por vir. Na sequência também fica sem entender o que aconteceu com o planeta Terra e tão pouco quem ou o que são os tais Volcryns. O que temos é uma apresentação tentando se mostrar complexa e instigante mas que resulta no exato oposto, frustrando e talvez até afastando alguns espectadores com menos paciência. Quando não é desenvolvido um objetivo por alcançar, qual vínculo de expectativa é possível ser criado? Tentam te jogar uma sensação de urgência a todo instante, mas o que tem de tão urgente? Definitivamente você é um passageiro que só assiste sem estar à par de nada, e uma história não te convence de ser acompanhada quando te excluem dela. Outra coisa também bem inconsistente são os elementos conceituais. Temos telecinesia por exemplo, que simplesmente funciona como se espera funcionar, mas que sem uma explicação mínima se torna sobrenatural demais num script que se coloca como científico. Isso pelo menos pra mim incomoda um pouco. Mas o que mais me irrita são os malditos hologramas que se projetam excessivamente interativos e que vem surgindo como uma praga nas produções de ficção científica da atualidade. Eles infestam toda a extensão da nave, e sem a mínima interferência de projeção óbvia da degradação da luz. Esses caras realmente sabem como funciona um holograma? Eu duvido.

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A produção é competente no que se refere à ambientação, criando uma nave crível e iluminada de forma favorável à explorar o clima de terror num espaço confinado. Mas essa qualidade não é aproveitada justamente por conta do mal desenvolvimento do roteiro, que não prepara o terreno e não te apresenta nada pra temer. Todos os picos de tensão nascem de situações isoladas e não são crescentes de uma situação plantada anteriormente. No segundo episódio temos a cena de uma aranha robótica que é inserida de forma abrupta, faz uma pequena chacina, e logo em seguida é descartada como agente de problematização da mesma forma que surgiu, do nada. E é basicamente isso que temos por praticamente toda essa primeira temporada. Quando chegamos nos momentos de termos respostas, já não nos importamos mais. As perguntas se rastejaram tanto por acontecer, e quando se fazem nós não damos mais a mínima. O mesmo vale para os personagens, que são pessimamente desenvolvidos e apresentados. Não se adquire simpatia por ninguém pelo mesmos motivos dos objetivos centrais, eles também são inseridos à conta gotas, e quando você sabe algo mais, simplesmente não está mais nem aí. Acabamos não tendo empatia algumas por aqueles personagens que nem disfarçam a total falta de importância.

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Julgo como sendo o trivial em qualquer série de interação de grupo, principalmente em ambiente de confinamento, a exploração de um diálogo coerente e o mais realista possível. E ouvir um personagem dizer para outro o discurso genérico “Estamos enfrentando coisas que você não entende e não está preparado para lidar.” é de arrancar os cabelos. Não pela frase em si, mas por quem ouve simplesmente baixar a cabeça e não perguntar “Como assim? Que coisa estamos enfrentando? Você sabe algo à mais que eu? Me conta.” Qualquer pamonha minimamente equilibrado retrucaria uma alegação vazia numa situação onde todos estão prestes a morrer. Buscar saber o máximo de tudo que está acontecendo numa situação caótica é a necessidade mais natural de qualquer pessoa. Mas não, nessa série o importante é guardar para si suas dúvidas à fim de colaborar com o péssimo roteiro.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Nightflyers
traz Jodie Turner-Smith, Sam Strike, Gretchen Mol, Brían F. O’Byrne, David Ajala, Maya Eshet, Angus Sampson e Eoin Macken montando o elenco principal. A produção de Robert Jaffe e Andrew McCarthy foi criada para o canal de TV Syfy, e chega ao Brasil com distribuição da Netflix.

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CONCLUSÃO
Estamos falando aqui da primeira temporada com seus dez episódios, e Nightflyers nesse condição, ao mesmo tempo que não traz nada novo, também não decepciona tanto no que se propõe fazer. É sim uma série cheia de mistérios forçados que cansam pela sua narrativa trancada, mas que se resulta em apenas uma obra chata, e não necessariamente ruim. Chegar ao final não é algo gratificante, acredito que a maioria que o fizer, fará apenas pra cumprir tabela. O sentimento mais direto que se tem ao final é o de frustração. De ter nada do tanto e não chegado em lugar nenhum. Recomendo pra aquelas pessoas que gostam muito desse gênero e que não tem mais nada pra ver, mas se você tem o filme do Pelé disponível, opte pelo último.

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MISSÃO NO MAR VERMELHO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Ari Levinson é um agente do serviço secreto israelense, a Mossad, que faz de tudo para salvar o máximo de judeus etíopes que tentam chegar à Israel através de território sudanês. E para isso executam o inusitado plano de alugar o hotel Red Sea Diving Resort, onde usariam como fachada para receber e escoar um grande número de refugiados. O que eles não contavam é que turistas de verdade surgiriam alterando o andamento da operação.

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COMENTÁRIOS
Missão no Mar Vermelho
(The Red Sea Diving Resort) retrata fatos reais da Operação Irmão, ocorrida entre 1979 e 1983, onde agente da Mossad com o auxílio de ativistas da Aliá se uniam para auxiliar o movimento de grandes massas de judeus da Etiópia para Israel. O filme transita de forma confusa entre o drama de guerra e ação hollywoodiana, não conseguindo retratar com fidelidade nada do que se propõe fazer.

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A direção de Gideon Raff deixa muito a desejar em uma série de aspectos. São nítidos os problemas com cortes excessivos de cena, onde nada tem estabilidade para você conseguir fazer uma leitura natural. A ambientação é péssima, trazendo um clima de artificialidade muito prejudicial a imersão, sem contar a trilha sonora que é de péssimo gosto quando o que temos são pessoas sendo executadas ou fugindo da morte. Ao invés de explorar o drama pesado de um clima de guerra, a direção está mais preocupada em glamourizar heróis em praias paradisíacas. Temos topless, caras marombados nus e seminus, e tudo ilustrado por uma fotografia ridícula. Fica a sensação de que nada importa para Raff, ele quer apenas entregar um filme pronto sem o mínimo trabalho. É aquele cara que precisa cumprir uma meta e o faz sem qualquer compromisso com a qualidade.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA COMENTADA
Analisando o elenco temos ainda mais decepções. Chris Evans, uma celebridade de blockbusters de ação está perdido sem saber o que fazer para convencer, já que nem o roteiro ajuda. A maioria dos atores são ignorados, no máximo Sammy, interpretado por Alessandro Nivola, tem uma ameaça de desenvolvimento por conta do relacionamento turbulento com Levinson. Mark Ivanir, na minha opinião, o melhor ator do filme, não tem muito tempo de tela, mas o cara que mais me decepcionou tinha por obrigação ter tentado salvar o filme. Agora não sei se isso não se deu por incompetência ou interferência da direção. Estou falando sobre Chris Chalk, o Coronel Abdel Ahmed. Primeiro que sua idade não corresponde a sua patente, e por último que sua atuação é péssima! Em momento algum você enxerga qualquer carisma ou demonstração de imponente ameaça. Nem mesmo nas ordens de execuções você adquire raiva ou temor por aquela figura apática. O elenco principal traz Chris Evans, Michael K. Williams, Haley Bennett, Michiel Huisman, Alessandro Nivola, Greg Kinnear, Ben Kingsley, Alex Hassel, Mark Ivanir, Chris Chalk e Alona Tal.

CONCLUSÃO
A Netflix decepcionou com Missão no Mar Vermelho, e desde Operação Fronteira (2019) eu não me sentia tão enganado assim. A péssima direção estragou o que tinha potencial de ser algo bom, e não me parece que as coisas tenham tomado um rumo tão ruim por falta de verba. No meu entendimento o nome disso é incompetência mesmo. Esse é um filme que não consigo recomendar, o que ele me parece é muito mais uma peça de publicidade política para os tempos atuais do que a retratação do sofrimento de pessoas lutando pela vida.

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