RETALIAÇÃO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Cha Dal-gun é um entusiasta das artes marciais que ganha a vida trabalhando como dublê de produções de ação, e após a morte de seu irmão, acabou ficando com a guarda do sobrinho. Devido à uma festividade no Marrocos, o menino é convidado junto com seu grupo de taekwondo, a representar a Coreia do Sul no evento, porém o avião onde ele estava cai, matando mais de duzentas pessoas. Desnorteado e junto dos outros familiares dos mortos, Cha Da-gun viaja para Marrocos na intenção de fazer uma última homenagem ao amado sobrinho, mas acaba deparando com segredos que nunca deveria descobrir.

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COMENTÁRIOS
Para quem gosta de ação com perseguições frenéticas, explosões, conspirações, espionagem, e muitas reviravoltas, Retaliação (Vagabond) é o que há de melhor no momento quando o formato é série! Não há como não notar sua inspiração em franquias como Missão Impossível, filmes policiais orientais dos anos oitenta, e até mesmo a série Bourne. A superprodução sul-coreana consegue unir tudo isso, superar os óbvios clichês, e ainda assim construir uma identidade própria cheia de personalidade. O mais interessante em Retaliação, é que a série não te dá espaço para respirar. A sucessão de eventos é contínua, com sequências vigorosas de ação uma atrás da outra. E o mais bacana de tudo, é que isso não parte de um roteiro cheio de conveniências apenas para forçar uma adrenalina engessada, como vemos em produções de séries ou filmes de qualidade duvidosa.

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Juro que pensava já ter visto de tudo em se tratando das tradicionais séries de ação sul-coreanas, mas nada chegou perto desta quando o assunto é qualidade de produção. As costumeiras atuações de altíssimo nível estão lá, isso nem me presto mais em detalhar para não soar repetitivo. O elenco inteiro destrói e fim de papo. Acha que estou sendo exagerado? Estão dá um confere e depois me diz. A produção sempre procura manter o uso de efeitos práticos nas cenas de ação, com saltos de prédios com dublês, carros reais colidindo em alta velocidade, explosões com cheirinho de pólvora, enfim, não tem economia e falta de inventividade. Seu visual esplendoroso conta com ruas do centro de Lisboa, o exótico subúrbio e região costeira de Marrocos, bem como as zonas urbanas da Coreia do Sul. Para somar e completar tudo isso, temos uma trilha sonora original inspiradíssima, que aproveita temas tradicionais da cultura de cada região por onde passa. Se Retaliação fosse um filme curto de uns noventa minutos, eu já acharia tudo isso que eu comentei, mas quando entendemos que isso se trata de uma série de dezesseis episódios com cerca de uma hora cada, nossa, não há palavras que possam descrever com fidelidade a experiência. Ainda não viu? Se dê esse presente. Assista ao menos o primeiro episódio, e se achar que eu rasguei seda demais para algo que não é lá tudo isso, volte aqui com toda sua fúria me dar bronca.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Lee Seung-gi, Bae Suzy, Shin Sung-rok, Baek Yoon-sik, Moon Sung-keun, Kim Min-jong, Lee Ki-young, Jung Man-sik, Hwang Bo-ra, Lee Geung-young, Moon Jeong-hee, Choi Kwang-il, Park Ah-in, Yoon Na-moo, Lee Hwang-Ui e Moon Woo-jin compõem o elenco. Escrita por Jang Young-chul e Jung Kyung-soon, Retaliação (Vagabond), é uma série sul-coreana de 2019 dirigida por Yoo In-sik. Tendo como produtor executivo Park Jae-sam, foram utilizadas as estruturas da Celltrion Entertainment e Sony Pictures Television. Foi televisionada no canal aberto SBS na Coreia do Sul, distribuída internacionalmente pela Sony Pictures Television, e o serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Retaliação é um K-drama carregado de adrenalina de um jeito que eu nunca tinha visto antes, misturando altas doses de ação quase ininterrupta, além de conseguir com sutileza encaixar divertidos alívios cômicos, e um pouco de romance. Sua produção procurou se concentrar bastante nos efeitos práticos, proporcionando um realismo pouco visto em séries. Então se você é fã de John Woo, pode ir tranquilo, pois tenho certeza absoluta de que você se identificará. Com classificação etária de 16 anos, Retaliação está disponível no Brasil através do serviço por assinatura Netflix. Então prepare o fôlego, pois se você começar, certamente vai querer maratonar! Bom divertimento!

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CRIANDO DION – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após a morte de Mark, seu marido, Nicole precisa criar sozinha o pequeno Dion, uma criança inteligente, imaginativa e cheia de energia. Tentando superar a perda familiar, mãe e filho se mudam para um novo bairro, onde o menino de apenas oito anos é matriculado numa nova escola. Lá a maioria das crianças são de pele branca e, nesse ambiente ele precisa aprender a lidar com o racismo de um professor, e o bulliyng dos colegas de classe. Não bastando apenas os problemas de adaptação do filho, Nicole se surpreende quando o menino passa a desenvolver poderes inexplicáveis. Dion começa com pequenos feitos, como levitar objetos leves, mas a coisa vai ser mostrando mais assustadora, ao ponto dele arrancar árvores inteiras apenas com o poder da mente. Pat, melhor amigo de Mark e padrinho de Dion, acaba descobrindo as habilidades do garoto, e então para ajudar Nicole, os dois se unem para dar o máximo de normalidade a vida do garoto, ao mesmo tempo que uma gigantesca ameaça começa a se moldar.

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COMENTÁRIOS
Criando Dion (Raising Dion) é uma série que explora dilemas familiares ao mesmo tempo que desenvolve um super herói. Baseado no HQ de mesmo nome criado por Dennis Liu em 2015, o roteiro traz o estilo bem parecido com o visto nas histórias da franquia X-Men, no qual uma pessoa até então comum precisa esconder seus novos dons dos julgamentos da sociedade. Numa primeira vista eu fiquei bastante cético, o texto inicial não me capturou de imediato e a atuação do menino também não convenceu, pelo menos no primeiro episódio. Já no segundo a coisa muda, a trama toma um gás legal e, não sei se foi eu que me acostumei, ou se atuação da criança realmente melhorou um pouco. A série ganha mais solidez e passa a não ser algo tão estranho de se digerir.

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A fotografia é interessante, mostrando ambientes urbanos e rurais, embora sua atmosfera passe por bastante instabilidade, e imagino que a causa disso se deva ao enorme número de envolvidos dando pitacos em como as coisas deveriam ser. Acaba que o resultado não traz uma doa direção, levado a total falta de identidade. A trilha sonora é boa, mas faz apenas corretamente o seu papel sem surpreender. Tecnicamente a produção como um todo visa o pouco gasto, e isso eu achei bem estranho. Parece que tem muita gente querendo comercializar (e lucrar com) um produto utilizando os ingredientes mais baratos. O resultado pode ser bom? Talvez sim. Mas poderia não precisar passar por esse tipo de julgamento caso houvesse mais bom senso dos participantes.

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Mark, interpretado por Michael B. Jordan, é o pai de Dion, e é mais do que óbvio que sua presença na série tem o único objetivo de aproveitar a boa fase do ator. Eu mesmo dei maior atenção quando soube que o cara participava do elenco. Mas sua importância é quase como a de Marlon Brando no filme Superman de 1978, ele está mais para um ‘mentor espiritual’ do que qualquer outra coisa. De qualquer forma o atual ‘superastro’ de Hollywood cumpre bem seu papel e dá um pouco mais de energia a produção, mesmo sejam poucas aparições.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Alisha Wainwright, Ja’Siah Young, Jazmyn Simon, Sammi Haney, Jason Ritter, Michael B. Jordan, Gavin Munn, Ali Ahn, Donald Paul, Matt Lewis, Marc Menchaca, Moriah Brown, Diana Chiritescu e Kylen Davis. Baseado no HQ Raising Dion de Dennis Liu, a série norte americana de 2019 foi escrita por Carol Barbee e, produzida por Charles D. King, Kim Roth, Poppy Hanks, Kenny Goodman, Dennis Liu, Seith Mann, Michael Green, Michael B. Jordan, Robert F. Phillips, Edward Ricourt e Juanita Diana Feeney. Uma produção das companhias Fixed Mark Productions, MACRO e Outlier Society Productions, a série foi distribuída através da network Netflix.

CONCLUSÃO
Criando Dion começa tímido, não convencendo muito de que vai entregar bem sua proposta, mas superando ao menos o primeiro episódio, a série ganha ritmo, adquirindo assim mais harmonia. A atuação do pequeno Dion não é das melhores, e não acho que eu esteja sendo cruel com uma criança tão jovem, visto que já assistimos a pequena irmã de Lucas da série Stranger Things, que dá show mesmo sendo apenas um personagem secundária. Ou mesmo Esperanza, a amiguinha de Dion na escola. Provavelmente essa vá ser a coisa que mais incomode, porque todo o restante está em conformidade com o básico para uma boa produção. Eu particularmente enxerguei desse jeito, e mesmo assim consegui curtir bastante. Criando Dion tem classificação etária de 10 anos e, é uma aventura dramática interessante para juntar a família no sofá para aprender sobre a vida enquanto se diverte. A série é distribuída pelo serviço por assinatura Netflix.

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EL CAMINO – FILME DA NETFLIX (CRÍTICA)

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A série Breaking Bad (2008-2013), ao longo dos anos, acumulou timidamente (no início) uma legião de fãs, dentre os quais me incluo. Sendo assim, comentar qualquer derivado da obra de Vince Gilligan é um empreitada delicada.Mas El Camino (2019) não é a única história envolvendo o universo de Jess Pinkman e Walter White. A série Better Caul Saul (desde 2015 e com última temporada confirmada) também explora ainda mais os detalhes dos personagens secundários da história do professor de química que se torna produtor e traficante de metanfetamina (cristal).

Entretanto, ao final de Breaking Bad, fica o gosto amargo da morte de um anti-herói e a fuga desesperada de Jesse, barbudo, lacerado, com lágrima nos olhos depois de ter sido feito de escravo e morado em um buraco no chão. O que acontecera ao rapaz que se envolveu com produção de cristal, primeiro para saciar seu próprio vício, e que, depois, só queria viver, quem sabe, uma vida simples e em família? Nesse sentido El Camino é um fechamento para um dos personagens mais cativantes da série e que rendeu fama a Aaraon Paul.

Jesse precisa fugir de Albuquerque, pois uma grande caçada policial é empreendida atrás do rapaz após uma batida no laboratório de metanfetamina no qual era escravizado. Com a morte do Sr. White, as autoridades precisam por as mãos no último elo solto dessa organização criminosa. Pinkman tem um plano, mas será preciso muito dinheiro para executá-lo. Para isso terá que revirar seu passado e traumas para seguir seu próprio caminho.

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Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Direção: Vince Gilligan
Roteiro: Vince Gilligan
Duração: 2h 2min
Lançamento: 11 de outubro de 2019.

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Elenco: Aaron Paul (Jesse Pinkman), Jesse Plemons (Todd), Jonathan Banks (Mike), Matt Jones (Badger), Charles Baker (Skinny Pete), Robert Foster (Ed).

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O FIM DE EL CAMINO
Vamos começar nossa análise justamente pelo título original:  El Camino: A Breaking Bad Movie. O termo El Camino refere-se à pick-up (caminhonete) da Chevrolet, automóvel clássico da década de 1970. É nele que ao final da série, tendo abandonado Walter White a própria sorte, Jesse acelera para a liberdade. Aqui o duplo sentido é claro: esta é a história do caminho da liberdade de Pinkman para sair de Albuquerque. E as memórias de Jesse relacionadas ao dono do carro, o sociopata Todd, permearão a narrativa do filme.

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O subtítulo, Breaking Bad Movie (um filme de Breaking Bad), pode ser um limitador. É um filme da série e, talvez por isso, tenha sido omitido na forma reduzida para o público brasileiro. Então você pode se perguntar: eu preciso ver a série antes? Sim e não. Por um lado o filme é o universo expandido, uma continuação do último episódio (2013), e, mesmo alguns atores tendo mudado muito como o Jesse Plemons (Todd) que não é mais um jovem e já um pouco gordinho, parece que o tempo parou. Conhecer a série fará com que sua imersão seja completa e entenda todas as referências.  Em contrapartida, o enredo de El Camino é independente e se sustenta, ao longo da trama, esclarecendo pontos da história para aqueles que não assistiram à série. Claro que a Netflix deu aquela mãozinha e deixou um resumo no capricho para quem não saca nada de Breaking Bad.

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Os eventos do filme tem início na fatídica noite em que Walter liberta Jesse da gangue de Todd. Fragilizado e coberto de cicatrizes, sujo e andrajoso, o jovem busca abrigo de seus colegas de vício e tráfico: Badger e Skinny. Nota-se que o psicológico de Jesse está destruído. O presente se mistura as lembranças do cárcere e das torturas.

É em um desse momentos que relembra de Todd, sociopata a citar constantemente seu tio, e que oscila sua conversa branda, com a frieza de seus atos. Toda hora que ele falava, eu tinha vontade de xingá-lo, confesso. Lembra-se de Mike, antigo parceiro de crime, e idealiza uma fuga para o Alasca. Mas como? Precisava de uma vida totalmente nova e para isso, dinheiro. É nesse momento que entra em cena o cara: Ed.

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Ed, vivido por Robert Forster que viera a falecer no mesmo dia da estreia desse longa-metragem, é o grande trunfo de Jesse. Facilitador da fuga de Walter White e do advogado Saul, o vendedor de aspirador de pó (profissão que o ator realmente exerceu) tem um rígido código de conduta e não aceita de cara o trabalho. Pinkman terá que enfrentar seus medos para conseguir o que precisa para fugir e começar de novo, quem sabe fazer faculdade, como lembra em um flashback de uma de suas conversas com o Sr. White.

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Dois pontos, há de se salientar, antes de finalizar esta análise. A fotografia do filme é intensamente quente, como esperamos de Albuquerque. Por vezes é possível sentir a aridez do clima pela tela. Assim como alguns ângulos de câmeras são incríveis como a de Jesse escondido no apartamento de Todd. Ainda em relação a Pinkman, a cena no qual o protagonista brinca com um besouro revela que Jesse ainda tem um alma gentil. Essa parte ecoa a própria série na qual também brincou com um inseto rastejando lentamente no chão e sorriu para ele antes de pousar. Esta é a dualidade da série e aqui nitidamente explícita: Pinkman que tinha tudo para ser mal e viciado e ganancioso, alcança sua redenção ao passo que Walter, íntegro, destruiu sua própria vida.

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UMA PEQUENA PARTICIPAÇÃO
A aventura da fuga de Jesse é permeada caras conhecidas da série original, entre elas está Mike (único personagem que aparece em todas as tramas do universo Breaking Bad) e Jane, grande amor de Pinkman. Mas como todo fã da série, ansiava por alguma participação de Bryan Cranston, revivendo Walter White. E ela acontece em um tocante flashback quando Jesse ainda cuidava de seu antigo professor com uma afeição de filho.

Na cena, em questão, Jesse e Walt ficam em um hotel e conversam em uma lanchonete. Ela é ambientada no episódio 4 Days Out, no qual ambos ficam presos no deserto e quase morrem. No hotel, Jesse está conversando com Jane ao telefone, pois ela ainda está viva durante o período deste episódio. Jesse também faz uma referência a “eletrólitos”, que faz parte do roteiro do episódio no qual os dois quase morrem devido à desidratação.

CONCLUSÃO
Não é dos filmes mais alucinantes de ação, pois nunca foi essa a pegada da série da qual El Camino derivou. Estamos falando de drama e reviravoltas de roteiro como Vince Gilligan, que já contribuiu com a série de Chris Carter, Arquivo-X, já se mostrou capaz de fazer. O longa-metragem de Jesse Pinkman dá um fim honroso para a história do ex-viciado e traficante de metanfetamina que foi reduzido a uma condição sub-humana, perdeu quem mais amava e foi traído por seu pai postiço, Walter White.

É tocante ver esse garoto fragilizado sendo ajudado por seus amigos próximos, personagens coadjuvantes como Badger e Skinny, mas que se veem imbuídos de um lirismo, de uma amizade leal que venceu as barreiras do dinheiro e da decência. Ver que muitas feridas de Jesse estão ali e permanecerão com ele. Que as maiores cicatrizes não são aquelas da pele, porém aquelas frutos da saudade do que foi e do que teria sido.

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GLITCH – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A polícia da pequena e pacata cidade Yoorana recebe um chamado de perturbação no cemitério, então o Sargento James Hayes parte a caminho. Sete pessoas por conta própria simplesmente saíram de seus respectivos túmulos, não com os corpos em decomposição ou coisa do tipo, mas com plena saúde. O policial então sem compreender exatamente o que estava acontecendo imagina que aquelas pessoas estavam sob efeito de drogas ou participando de algum ritual esquisito. James encontra cinco deles, e os leva para a clínica Elishia McKellar, os outros dois tomaram rumos diferentes pela cidade sem que ele notasse.

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Havia algo ainda mais estranho do que gente nua cheia de terra num cemitério, após todos serem atendidos e limpos na clínica, James reconhece um deles como sua falecida esposa, Kate Willis. Incrédulo e nervoso, fica atônito diante daquela situação, no entanto o sentimento da saudade faz com que ignore toda a estranheza e aceite aquilo como um milagre. A noite caótica exigia que James pensasse rápido, as autoridades não podiam tomar ciência de nada, sabe-se lá o que fariam com eles. Aquelas pessoas aos poucos iam recobrando algumas memórias, e era descoberto que cada um morreu em épocas bem diferentes. Tornou-se pessoal, ele precisava entender porque aquilo estava acontecendo, ao mesmo tempo que precisava fazer de tudo para mantê-los protegidos.

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COMENTÁRIOS
Glitch é uma série australiana que estreou em 2015 pelo serviço de assinatura Netflix, e se concluiu com três temporadas de seis episódios cada. Com uma temática de drama, paranormal e muito mistério, a produção mostra muita qualidade e personalidade em seu desenvolvimento como história. Não espere nada assustador ou sombrio, a temperatura aqui é outra, e foca muito mais nos mistérios do porque aquilo tudo aconteceu, e em repentinos flashbacks de cada um daqueles indivíduos para que recordem suas memórias. O que mais me surpreendeu em Glitch foi o entrosamento excepcional dos atores. Não existe elo fraco, todos se saem bem e conseguem entregar uma performance sem máculas.

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O roteiro do trio de escritores, Louise Fox, Kris Mrksa e Giula Sandler, é bem fechado, mantendo a coerência por todas as três temporadas, e combinado à excelente direção de Emma Freemanm, faz ser muito merecido os vários prêmios que a série recebeu. A trilha original de Cornel Wilczek é um espetáculo à parte, e também foi premiada. A fotografia australiana traz ainda mais autenticidade e identidade para a produção, com tomada aéreas muito bonitas e cenas panorâmicas espetaculares. A cidade de Yoorana é fictícia, e suas gravações ocorreram em Victoria, sudeste da Austrália. Glitch finalizou nesta terceira temporada lançada em 2019, e uma coisa incomodou muitos os fãs, a Netflix não deu ênfase alguma. O que se passa na cabeça dos executivos que não valorizam nem seus trabalhos originais? Ainda mais se tratando de uma série muito bem aceita pelo público. Enfim, esmiuçar esse assunto fica para outra hora, mas realmente é revoltante.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Mistérios e mais mistérios! Fiquei com a pulga atrás da orelha pelos dezoito episódios, e queria muito um décimo nono para me desenhar que raios eu preciso entender! Sou o tipo de pessoa ansiosas que precisa sim da visão conceitual do autor, por mais que ele considere ‘o charme’ deixar algumas questões em aberto. Mágica? Ciência? Cadê o outro lado? Tem um outro lado? Quem ou o que orquestrava e definia todas as regras para a sinfonia da natureza? Deus? Fiquei agoniado querendo essas explicações e acreditava até o último segundo que as teria. E não tive! Tem dois dias que terminei de assistir e ainda estou arrancando cabelos. Fiquei por um fio de chutar o balde e praguejar pelos quatro cantos do mundo o quanto essa série é horrorosa, mas seria mentira. Seria apenas eu putaço querendo minhas respostas. Me diz você aí que já assistiu, o que achou do final? Tem sua teoria? Ajuda aí esse cara que não tem religião, é cético pra cacete com tudo, mas quer um ‘ah, é isso’ para se agarrar. Essa série é horrível! Não vê não! mentira, é boa. Saco!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Brammall, Genevieve O’Reilly, Emma Booth, Hannah Monson, Sean Keenan, Daniela Farinacci, Ned Dennehy, Rodger Corser, Emily Barclay, Andrew McFarlane, Aaron McGrath, Rob Collins, Pernilla August, Luke Arnold, James Monarski, John Leary, Anni Finsterer, Lisa Flanagan, Leila Gurruwiwi, Robert Menzies e Greg Stone compõem parte do elenco. Escrito por Louise Fox, Kris Mrksa e Giula Sandler, Glitch foi dirigido por Emma Freeman. A produção fica por conta de Noah Burnett e Noah Fox, com Tony Ayres servindo como produtor executivo. A série recebeu o Prêmio AACTA nas categorias Melhor Série de Drama e Melhor Trilha Sonora Original. Também recebeu dois Prêmios Logie nas categorias Melhor Série de Drama e Melhor Direção em Série de Drama.

CONCLUSÃO
Se gosta de um mistério, não pense duas vezes, cai dentro porque Glitch é conteúdo para você! A série te prende com naturalidade, fazendo com que tenha disposição, e caso tenha tempo também, maratone seus dezoito episódios rapidinho. Já concluída na terceira temporada, a obra está disponível com exclusividade no serviço por assinatura Netflix. Sua classificação é de dezesseis anos, aborda alguns temas delicados e tem cenas de nudez, mas tudo sem recorrer a extremos. Portanto se tem um moleque de uns doze anos, consciente dos paranauês básicos da vida, pode colocar ele do seu lado no sofá e curtir de boa. Boa série para você!

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SPECIAL – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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COMÉDIA SEM GARGALHADA OU APELO A REPRESENTATIVIDADE?
COMENTÁRIOS COM SPOILERS

A série Special da Netflix ingressa com uma proposta que tem tudo para dar certo, mas será que deu? Parecendo intencionar a atração de espectadores pertencentes à grupos de diversidade étnica, de gênero, de classe social, de estereótipos e por aí vai, a trama conta com tudo que é socialmente colocado em pauta ano após ano no que diz respeito à alvos de críticas preconceituosas.

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Só pra começar, nosso personagem principal consegue unir as seguintes características: deficiente motor com paralisia cerebral, gay, nerd, virgem, imaturo, dependente da mãe e auto-comiserativo (coitadinho de mim, não sou um “ganhador de bolinhos de graça” – Free Cupcakes – um termo bem bobinho para chamar alguém de “sortudo”). Um personagem desses podia ter muita história pra contar, não acham? Pois é, mas não tem. Pasmem, o personagem parece diretamente saído de uma bolha de oxigênio e cuspido na “vida real” por si próprio. E a “vida real” está entre aspas porque eu estou até agora tentando descobrir quem vive daquele jeito.

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Aí encontramos a personagem que se torna a melhor amiga do protagonista: A latina curvilínea que vive para manter a aparência de amor próprio (no Instagram e nos artigos que escreve para a agência que trabalha) e que está falida por causa das roupas caras e salão de cabeleireiro que frequenta para poder manter sua pose de rica. Sim, eu não usei nenhuma palavra que não tenha sido expressa pela personagem, a própria se define desse jeito. De longe sacamos uma referência com a famosa Kim Kardashian, homônima da personagem, consegue acreditar? Pois é verdade. E não termina por aí.

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Ainda temos a famosa personagem “mãe solteira cinquentona carente sem namorado há uns 20 anos”. Sério. Abordaram essa temática da pior forma possível, mostrando a mulher como uma infeliz por não ter tido relacionamento para cuidar do filho deficiente, que abdicou de muita coisa para sustentar a cria – acreditem, eu sei do que estou falando. E quando é que ela acha que tirou a sorte grande??? Claro que vocês vão adivinhar, ela se deparou com um (outro estereótipo, lá vamos nós) “cinquentão gato branco de cabelo estiloso e olhos azuis, bombeiro aposentado e maconheiro”. Uau que mistura incrível né? Até mostrar que por trás da “beleza de príncipe” é um cara autoritário, que gosta de fazer as coisas do jeito dele e que (pasmem de novo) não consegue aceitar as crises de histeria da mãezona e dá um pé nela porque “não quer namorar o filho babaca” da mesma. Sim, foi uma fala também. Dá pra acreditar? – pausa para náuseas.

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Entre tantos clichês ainda temos a “loira arrogante metida rica socialite solteirona maluca extravagante insensível”, outra “loira burra retardada abortista” e o “negro gay gostoso crossfiteiro” ou ainda um “gay loiro nórdico marombeiro” – tem pra todos os gostos. Gente, é uma lástima. Não dá pra dizer que existe enredo, e se existe, é completamente fútil. As piadas são fracas, os personagem são caricatos e parece uma tentativa de paródia de uma vida real que nem faz sentido. Conseguem entender?

É uma série que tenta te transmitir alguma emoção (nem tenho tanta certeza assim), mas que a piada não é engraçada, o drama não é comovente, a raiva, o tesão e a identificação passam batidos. Dá pra dizer que a série foi feita por um cérebro sem mente para mentes sem cérebro. E olha que com tanta diversidade poderia ter rendido muito mais conteúdo. Não foi o que aconteceu. Decepcionante. E sim, a temporada inteira é água com aspartame – nem açúcar rola ali.

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NOTAS SOBRE A SÉRIE
Classificada como comédia, foi baseada no livro I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves (2015) de memórias do próprio protagonista, que escreve e atua como produtor executivo da série, Ryan O’Connell. Ou seja, segundo ele, é baseado em fatos reais.

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ELENCO
Ryan O’Connell, Jessica Hecht, Punam Patel, Marla Mindelle, Augustus Prew, Patrick Fabian, Kat Rogers, Jason Michael Snow, Brian Jordan Alvarez e Gina Hughes.

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THE I-LAND – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Dez pessoas acordam numa praia sem saber os próprios nomes ou lembrando de qualquer outra coisa, e sem tardar descobrem que aquela ilha esconde diversos mistérios e perigos. Será necessário que deem o melhor de si para resolver com seus enigmas, além de lidar com as intrigas do grupo. Todos precisarão dar o máximo para conseguir sobreviver aos extremos desafios físicos e psicológicos daquele lugar.

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COMENTÁRIOS
Pensei em mil maneiras de pegar leve com esta série, mas realmente não tem condições. A vontade que dá é de só fazer uma lista e sair dizendo tudo que é ruim por esse e aqueles outros motivos. Mas vou procurar seguir o padrão das críticas.

Imediatamente nos minutos iniciais do primeiro episódio o que notamos é uma tentativa deslavada de reencarnação de Lost. Porém, a única coisa que podemos dizer que as duas séries tem claramente em comum, é uma ilha misteriosa. The I-Land não tem personagens inteligentes, não tem carisma, não tem coerência narrativa, e o principal e mais grave, as atuações são terríveis! Eu não consigo lembrar de nada tão horroroso quanto isso. Anthony Salter é o nome do criador, e me pergunto de onde ele tirou as péssimas ideias que arrumou. Você consegue imaginar alguém pegar uma concha marinha e utilizá-la como megafone ou “berrante”? Bem, Salter parece ter visto sentido nisso, porque é exatamente o que a Kate genérica decide fazer, e claro, deu certo. Errado somos nós que nunca pensamos em fazer isso com uma concha.

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Persistindo ainda na comparação com o controverso Lost, o personagem de Alex Pettyfer, claramente faz referência ao Sawyer, bonitão, canastrão e de comportamento imprevisível. E qual motivo disso? Eu não sei. Só sei que o carinha do Eu Sou o Número Quatro já não é grande coisa atuando, e com um texto tão ruim quanto o que recebeu, eu senti um pouco até de pena. Sawyer era um pilantra, mas você enxergava o ser humano no personagem, mas em Brody você não nota nada. E o mais surreal, é o personagem ser um cara tão sem caráter, e mesmo assim conseguir convencer os outros de que é gente boa sem precisar de nenhum esforço para isso. Aliás, o único sentimento que eu tive era o de querer que aqueles dez personagens horríveis morressem logo para devolver a paz para a ilha.

A coisa é tão mal pensada que uma série de primeira temporada pequena, apenas sete episódios, possui em seu trailer oficial uma quantidade enorme de spoilers que frustra qualquer expectativa de reviravolta. Se a sinopse é pragmática em dizer que um grupo de dez pessoas sem memórias precisa sobreviver numa ilha misteriosa, faria sentido contar no trailer que aquilo tudo na verdade não passava de uma simulação? Faria sentido mostrar um grupo de pessoas dentro de uma sala de monitoramento acompanhando cada passo do grupo fazendo o uso de diversas câmeras escondidas pela ilha? O nome disso é pretensão. No fim das contas essa é apena uma série de baixa qualidade, sem personalidade alguma ao querer copiar outra. Tem conceitos ridículos, atuações deprimentes, e que força situações constantes que não fazem sentido algum.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Natalie Martinez, Kate Bosworth, Ronald Peet, Kyle Schmid, Sibylla Deen, Gilles Geary, Anthony Lee Medina, Kota Eberhardt, Michelle Veintimilla e Alex Pettyfer compõem o elenco. A série foi criada por Anthony Salter, e tem como produtores executivos Neil LaBute, Chad Oakes e Mike Frislev. A produção norte americana é de 2019, e foi lançada para o catálogo  de setembro da Netflix.

CONCLUSÃO
Quando assisti ao trailer fiquei curioso, afinal, era fã de Lost do tipo de perder tempo no Orkut olhando em fóruns sobre os mistérios daquela ilha. E daí pensei: “olha, essa série tem jeito de Lost, vou conferir”. Eu deveria ter ficado quieto na minha. Essa série é um total embuste! Antes de terminar o primeiro episódio eu já estava arrancando os cabelos de raiva. Tudo em The I-Land é terrível! Se o roteiro, conceito e atuações não prestam, o que sobra? Ah, já sei. A fotografia é muito bonita. Se você quiser assistir um cartão postal, vai fundo, porque de Lost só ficou a presunção mesmo. Não recomendo nem para meu pior inimigo.

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LEILA – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
O ano é 2047, e o território da Índia agora é chamado de Aryavarta. Uma nação onde extensos muros dividem comunidades, separando castas consideradas puras das impuras, nas quais umas possuem mais privilégios do que outras. Nesse futuro distópico de desigualdade, a água limpa se tornou escassa, e cerceada pelo Estado, apenas os considerados puros tem melhor acesso. O Governo é regido por Dr Joshi, um totalitarista sádico que recebe denúncias de simpatizantes, e usa de violência física e psicológica para ‘purificar’ a sua idealizada Aryavarta.

Nesse cenário de tensão, Shalini, uma mulher comum mas de vida privilegiada, tem sua casa invadida, seu marido assassinado de forma brutal e, é levada à força, enquanto sua filha era deixada para trás. Segundos as regras estabelecidas por Dr Joshi, a mulher havia se casado com um muçulmano, e portanto havia se tornado impura. Assim como outras, Shalini é levada uma clínica de bem-estar feminino, local onde de forma cruel e covarde, sofre todo tipo de maus-tratos e humilhações. Elas abandonam suas individualidades e precisam se enquadrar no padrão comportamental de submissão, no qual um sistema misógino e tirano, às obrigam a obedecer vexatórios ritos até estarem aptas a oportunidade de provarem estar prontas para voltar a sociedade como mulheres puras.

Dois anos se passam e, Shalini nota que as crianças consideradas ‘mestiças’, as nascidas de relacionamentos inapropriados, eram levadas para um desconhecido paradeiro. Passa então a ficar bastante preocupada com o paradeiro de sua filha, e faz de tudo para conseguir sair daquele lugar.

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COMENTÁRIOS
Logo de cara é impossível não fazer a comparação óbvia com a série norte americana O Conto de Aia (The Handmaid’s Tale, de 2017), principalmente pela semelhança estética e da atmosfera claustrofóbica e melancólica. Leila também conta sobre um futuro similarmente distópico, no qual um governo totalitário e opressor, subjuga mulheres para que se enquadrem nos padrões de dona de casa, submissa e procriadora. Mas diferentemente da série ocidental que foca muito no cenário estrutural político, esta prioriza o drama pessoal de Shalini, negligenciando explicar os fatores que levaram a sociedade chegar naquele formato ditatorial.

Uma  das coisas que me incomodou bastante nesse começo de série, é o fato daquele grupo de mulheres não oferecerem resistência alguma aos seus opressores. Não há uma gerência e muito menos união para planejar uma fuga. Faria sentido ao menos que conspirassem para melhorar aqueles períodos tortuosos de cárcere. Mas não, é pressuposto que todas cuidam apenas dos próprios interesses, e cada uma é responsável pela própria saúde física e mental. No início Shailini e Pooja ainda esboçam o ensaio para tal, mas logo a cumplicidade é abandonada voltando cada uma a cuidar do próprio nariz.

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Ao mesmo tempo que esta é uma série endereçada ao público de O Conto de Aia, imagino que esse conceito praticamente copiado, deixe tal público bastante desconfortável. O romance do indiano Prayaag Akbar foi publicado originalmente em 2017, enquanto O Conto de Aia é uma obra de Margaret Atwood lançada em 1985. Me pergunto se os produtores de Leila não imaginavam que essa grande semelhança, junto com a oferta das série em datas tão próximas, não poderia prejudicar bastante o marketing da produção indiana. A repercussão não vem sendo nada favorável, visto que além da já citada comparação, Leila não traz grande qualidade de roteiro e direção. Seu ritmo é lento e cansativo, fazendo parecer os seis episódios com uns 40 minutos cada, parecem uma eternidade. As atuações também são apenas aceitáveis, não temos ninguém se destacando.

Na Índia existe um conflito ideológico e religioso muito grande entre muçulmanos e hinduístas e, Leila explora isso de forma muito arriscada, uma vez que deturpa uma série de elementos de ambas as religiões. Para uma nação tão ortodoxa assim, essa é uma série que se complica até para seu público doméstico. Fica a questão: Leila é bom? Eu particularmente tenho certa dificuldade em endossar obras embasadas em tons melancólicos, mas ao mesmo tempo gosto de conhecer conceitos distópicos diferentes. A pena fica por conta desse ponto não ser merecidamente explorado, e isso é uma pena. Então respondendo minha própria pergunta, eu acho que não sou fã desta série.

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ELENCO E FICHA TÉNICA
Huma Qureshi, Siddharth, Leysha Mange, Seema Biswas, Rahul Khanna, Sanjay Suri, Arif Zakaria, Ashwath Bhatt, Pallavi Batra, Anupam Bhattacharya, Akash Khurana, Jagjeet Sandhu, Prasanna Soni e Neha Mahajan compõem o elenco. A obra indiana é baseada no livro homônimo de Prayaag Akbar, e foi adaptada em conjunto por Urmi Juvekar, Suhani Kanwar e Patrick Graham. A direção também é compartilhada entre Deepa Mehta, Shanker Raman e Pawan Kumar. Produzida pela Open Air Films LLP, Leila foi lançado e distribuído sob o selo Netflix.

CONCLUSÃO
A série indiana surgiu recentemente na Netflix com o objetivo claro de fisgar o mesmo público de O Conto de Aia, porém não tarda em criar uma identidade própria. A série aborda o drama de Shalini, uma mulher acostumado com uma vida confortável, que de uma hora para outra é subjugada por um regime covarde e hipócrita, quando ao mesmo tempo vive a angústia de não saber o paradeiro da própria filha. Uma obra cheia de melancolia e sofrimento, que por muitas vezes gera repulsa e raiva, pelas injustiças e abusos que aquelas mulheres são expostas. A série é curta, possuindo apenas seis episódios nessa segunda temporada, e até o momento não é confirmada continuação.

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A MÁSCARA EM QUE VOCÊ VIVE – DOCUMENTÁRIO DA NETFLIX (CRÍTICA)

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A Máscara em que Você Vive (The Mask You Live In, 2015) da diretora Jennifer Siebel Newsom é um documentário produzido pela Netflix cujo título em inglês faz alusão à palavra mask, tanto como máscara quanto masculinidade (masculinity). É justamente esse o tema central da obra.

Através de relatos reais e observações feitas por acadêmicos, tanto na área de Educação quanto da Psicologia, é possível entender um pouco como funciona a criação dos meninos no EUA e, se pensarmos, em nossa realidade também.

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Ao longo do documentário nota-se através de depoimentos que é corrente, na criação dos garotos, a questão de não demonstrar qualquer sentimento. Quando criança, só é permitido chorar até a Primeira Infância (5 anos), assim como também demonstrar qualquer tipo de empatia deve ser podado ao máximo.

A obra de Jennifer Siebel Newsom expõe também como a indústria do entretenimento “alimenta” esse universo por meio de filmes, programas e músicas violentas. Também como tratam a figura feminina com inferioridade, que não merece respeito e como deve estar subjugada ao “macho-alfa” tal qual a sociedade, em sua totalidade, o construiu.

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No decorrer do documentário são levantadas questões de como, ao suprimir qualquer sentimento, esses meninos escondem, por detrás desta “máscara”, muitas vezes sintomas de depressão e que, no grau máximo, levam às tentativas de suicídio.

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Ao assistir uma obra dessas é impossível não refletir toda sua história e vê como essa construção social tão perversa atinge tanto nossos meninos quanto nossas meninas. É possível, assim, repensar a forma de entender as questões de gênero e poder em que estão imersas nossa sociedade.

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