SEX EDUCATION – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
137_04Otis é um garoto bem diferente da maioria dos jovens com que convive, vindo de uma criação pouco convencional na qual seus pais não conseguem se desligar de suas carreiras como terapeutas sexuais, o que fazia com que o rapaz desde muito jovem ficasse exposto a todo tipo de conhecimento sobre o assunto. A decoração da sua casa é repleta de ornamentos fálicos e todo tipo de objetos que remetiam a sexualidade. Para quem não conhecia o entusiasmo da sua mãe pelo trabalho, aquilo era uma total loucura. Na escola era introspectivo e pouco notado, e em seu íntimo se sentia para trás na corrida por alcançar a vida adulta, o que para ele se traduzia em: fazer sexo. Em outras palavras, perder a virgindade. Se por um lado ele se sentia perdido com as próprias ações na busca disso, de outro ele era um oráculo de conhecimento sobre tudo relacionado a comportamento sexual. Como eu disse, a vida dele era louca. Tinha acesso a intermináveis estantes repletas de livro sobre o tema, e sua mãe fazia de sua vida um reflexo das sessões com seus pacientes. Definitivamente sexo não era um tabu para Otis e, é quando ele se junta a Maeve, uma colega de classe que ele sempre observava de longe com certa admiração, e que agora lhe deu brecha para um melhor contato, fazendo sua imaginação começar a se desenvolver em atração por ela. Mas aquele era um mero acordo comercial, onde a menina conseguia clientes com problemas em suas vidas sexuais, e Otis orientava individualmente em breves reuniões sigilosas. No entanto essa feliz parceria vai se desenvolvendo, e inconscientemente o jovem vai aflorando uma nova realidade para Maeve, ao mesmo tempo que ela o faz se sentir mais confiante do próprio potencial.

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COMENTÁRIOS
Na juventude é natural nossa ansiedade maior por avançar em nossa própria sexualidade, e isso pode se tornar um verdadeiro caos dependendo da nossa bagagem de vida até o fatídico momento de interesse por essas descobertas. São infinitos fatores e combinações que podem desencadear uma vida sexual sem brilho e satisfação, e é com uma enorme sensibilidade e respeito que Sex Education (2019) aborda esse tópico tão delicado. Sempre inteligente e com humor elevado, são escritos os mais variados tipo de cenários e situações. É surpreende a ousadia e a assertividade do tato de Laurie Nunn, criadora e uma das idealizadoras da série em conjunto com Ben Taylor. Gostaria muito que esta série pudesse alcançar todo mundo, pois desmonta paradigmas espinhosos e remonta de forma clara, para que independente da sua origem cultural, consiga entender a simplicidade que é a complexidade de como as pessoas enxergam suas próprias realidades. Recebemos projeções da vida dos nosso amigos, familiares, aquele outro desconhecido por qual temos empatia, e obviamente, sobre nós mesmos. E não existe nada mais esclarecedor e útil do que vermos nossos próprios demônios serem fragmentados em pedaços na nossa frente, e ter as opções de deixarmos as coisas seguirem como estão indo ou decidirmos atualizar. No fim sempre temos o livre arbítrio.

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Comentando um pouco sobre os aspectos gerais, Sex Education é uma série muito leve e confortável de assistir. Sua fotografia é belíssima e explora as belezas naturais da Wye Valley, patrimônio internacional da humanidade que se estende pela fronteira da Inglaterra com o País de Gales, sendo uma das paisagens cênicas mais inspiradoras de toda Grã-Bretanha. Seu enredo é bem amarrado e traz discussões precisas sobre temas triviais para o nosso entendimento sobre o quanto é importante nos colocarmos na posição do outro. As vezes o que nos causa graça ou repulsa pelo mero capricho de um julgamento imaturo, é motivo de muita dor e sofrimento para o alheio. Tudo isso é bem explorado com compaixão e nunca abandonando a honestidade. A trilha sonora é feita para abraçar a geração dos trinta, com Billy Idol, A-Ha, The Cure, The Smiths, UB40, INXS e muitos mais! Meu chapa, tem até Love Missile F1-11 do Sigue Sigue Sputnik, mais anos oitenta é impossível!

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PERSONAGENS! Sei que não vou conseguir destrinchar todos os que merecem atenção, mas vou citar ao menos os mais constantes na série.

  • Otis Milburn, é interpretado por Asa Butterfield, um jovem de carisma fenomenal! Um personagem complexo que mescla introspectividade com desinibição de uma maneira muito singular. Fechado para seus próprios dilemas e limitações, é uma caixinha de surpresa quando se trata de solucionar seus problemas.
  • Maeve Wiley recebe vida de Emma Mackey, atriz de semblante natural conflituoso, com um ar misto de arrogância e doçura, e que foi capaz evocar uma jovem rebelde de personalidade bem emaranhada. Sempre inteligente, sagaz e de humor ácido, se enxerga uma pessoa melhor através dos olhos, para ela ingênuos, de um tolo e esperançoso Otis.
  • Eric Effiong é vivido por Ncuti Gatwa. É para mim o personagem mais carismático da série. Negro, gay, de família humilde e tradicional, é uma pessoa sempre extrovertida e que valoriza o apoio e carinho daqueles que mais importam. Seu melhor amigo é Otis, e quando digo amigo, é porque os dois são unha e carne. Eric tem suas quedas, mas está sempre evoluindo e buscando jogar a bola pra frente. Rancor não é com esse cara!
  • Aimee Gibbs é interpretada por “Aimee” Lou Wood. Ela fica situada no grupo das patricinhas da escola, e das garotas de sua mini bolha é a menos extrema ao interagir com quem é de fora. Cabeça de vento com tudo, literalmente é lenta para entender o óbvio, o que acaba fazendo com que suas amigas façam-na de gato e sapato. Nos relacionamentos é confusa, e combinado com seu desconhecimento sobre seu próprio corpo, precisa se esforçar para entender o que quer da vida.
  • Jackson Marchetti é o superastro da escola vivido por Kedar Williams-Stirling. Descolado, popular, entusiasta na natação e com notas elevadas, está sempre rodeado de admiradores e professores interessados em seu alto desempenho acadêmico. Mas por dentro Jackson sofre uma enorme pressão, afinal, na busca de seus ótimos resultados ele precisa se abdicar de uma série de distrações e prazeres que talvez só pudesse aproveitar nesta etapa da vida.
  • Adam Groff é interpretado por Connor Swindells, e é filho do diretor Michael Groff. Adam é o um dos personagens mais complicados para não dizer caóticos de Sex Education. Nitidamente fica claro que sua agressividade tem origem da criação ríspida que teve de um pai problemático e que não o orienta bem. Sempre perdido em suas atitudes, não consegue focar e mirar num objetivo claro, estando sempre a mercê do que surge no ambiente.
  • Dra. Jean F. Milburn é encarnada por Gillian Anderson, a eterna Scully de Arquivo-X. Sensacional! Se mostrando calculista e falsamente estável, é uma mulher inteligente, bem resolvida, mas que também quer ter tudo sob seu controle. Quebrando a ética em diversos momentos ao seu relacionar com pacientes, também faz da vida de Otis um curioso laboratório para suas pesquisas comportamentais, e claro, sem ele saber.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Asa Butterfield, Gillian Anderson, Ncuti Gatwa, Emma Mackey, Connor Swindells, Kedar Williams-Stirling, Aimee Lou Wood, Alistair Petrie, Mimi Keene, Chaneil Kular, Simone Ashley, Tanya Reynolds, Mikael Persbrandt, Patricia Allison e Anne-Marie Duff compõem o elenco. Escrito por Laurie Nunn, Sex Education é uma série de drama, romance e comédia lançada em 2019 sob o selo de distribuição Netflix. A adaptação recebeu como roteiristas na primeira temporada Laurie Nunn, Sophie Goodhart, Laura Neal e Freddy Syborn, e a direção foi dividida entre Ben Taylor e Kate Herron. A produção executiva é de Jamie Campbell e Ben Taylor, o produtor é Jon Jennings, cinematografia de Jamie Cairney e Oli Russell, e edições de Steve Ackroyd, David Webb e Calum Ross. Os estúdios utilizados são da Eleven Film, enquanto a distribuição internacional é do serviço por assinatura stream Netflix. A série conta até 2020 com duas temporadas, cada uma contendo oito episódios de uma média de cinquenta minutos cada um.

CONCLUSÃO
Sex Education é uma das séries mais gostosas de divertidas de se assistir no catálogo da Netflix, porém ela tem um corte de audiência por motivos óbvios, a censura. Não existe nada explícito aqui, no entanto o linguajar é pesado e escrito pensando em causar efeito nos jovens adultos. Definitivamente não é conteúdo para crianças assistirem. Convide seu companheiro ou amigos da sua faixa de idade, e pode ter certeza que vocês terão ótimos momentos de diversão. A classificação indicativa para Sex Education é de 16 anos, e a série já tem disponibilizada duas temporadas na Netflix. Então lave as mãos, pegue a sua pipoca e bate aquela vitamina de mamão!

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I AM NOT OKAY WITH THIS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A vida para a jovem Sydney ficou sem sentido após a morte de seu pai, alguém a quem era apegada e guardou boas recordações. Dali em diante passou a se sentir pouco amada e respeitada por todos ao seu redor, e nem mesmo vindo de sua mãe sentia o mínimo carinho. Na escola sofria com o bullying, se sentindo sempre incapaz de revidar. Até que certo dia uma coisa muito estranha aconteceu. Era pouco informada sobre coisas básicas relacionadas ao próprio corpo, já que se fechava em seu mundo e não interagia bem com os outros. Isso fez com que acabasse crendo que as certas coisas que aconteciam com ela poderiam ser completamente normais e estarem ligadas com as mudanças da idade. A primeira demonstração dessa particularidade aconteceu quando interiorizando uma forte raiva por uma pessoa, fez com que seu nariz sangrasse de forma significativa. Sydney não era uma garota má, no entanto como qualquer pessoa, não conseguia pesar os pensamentos pelos seus desafetos, e essa incapacidade de controlar seus desejos de retaliação pelos maus tratos que sofria, poderia a tornar bastante perigosa.

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COMENTÁRIOS
Mais uma vez a Netflix traz aquele ar de anos oitenta que super deu certo com o projeto Stranger Things, e a bola da vez é I Am Not Okay with This (2020), série adolescente de drama, comédia e fantasia. A linguagem e conceito são bem parecidas entre as duas produções, rolando até boatos de que fazem parte do mesmo universo, uma vez também que são obras dos mesmos criadores. A dinâmica aqui rola em torno de Sydney, uma adolescente que sofreu uma dura perda familiar, não conseguindo enxergar mais brilho nas coisas mais simples. Ela não se tornou depressiva ou coisa do tipo, apenas se isolou na própria existência e passou a ser pouco tolerante com o ambiente que a cercava. O que de certo modo era até compreensível, visto que vivia numa pequena cidade onde a maioria das pessoas eram pouco legais. Seu círculo de bom convívio era bem restrito, havia Dina, uma amiga da escola, Stanley, um rapaz que morava bem próximo de sua casa, e Liam, seu irmão caçula.

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A produção da série é conservadora e não faz movimentos bruscos, em sua película busca manter um sépia bem quente e levemente granulado com fim de remeter ao estilo vintage. A trilha sonora traz rock clássico do Kinks, soul sessentista de Shirley Ellis, o som psicodélico do Cults, o rock atmosféricos e denso do Bloodwitch, além de muitos outros hits bacanas. Combinando essa filmografia com essa inspirada sonorização, conseguimos embarcar numa viagem cheia de subidas e descidas no consciente de Sydney. Quando se trata das atuações, particularmente fiquei fascinado com Stanley, interpretado por Wyatt Oleff, o jovem Stan de It: A Coisa (2017), filme em que contracenou junto de Sophia Lillis. O jovem de comportamento bem atípico é o salvaguarda para o humor involuntário. A tirada com o vidro elétrico do carro que insiste em ser lento ao descer é algo impagável, principalmente por parecer que para ele é coisa mais normal do mundo. Stanley está próximo dos dezesseis mas age como um pós-hippie cinquentão que viveu numa cúpula entorpecente de cannabis. Conhece o Ozzy? Então. Já Sydney tem seu papel facilitado, e que coincidentemente (ou não), repetiu a mesma fórmula do papel encarnado em It. Os outros personagens não se destacam tanto assim, e funcionam mais como suporte para que o enredo evolua a próximos níveis.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS PESADOS!
O grande dilema de Sydney no decorrer da sua jornada de autoconhecimento, é entender onde se divide suas mudanças fisiológicas das habilidades que demonstra ter. Próximo ao fechamento dessa primeira temporada descobrimos que seu pai trazia capacidades muito parecidas, e que carregou uma enorme culpa por ter matado sem a intenção um incontável números de pessoas, sentimento triste esse que o fez não conseguir lidar com o fardo que carregava. Isso é revelado à Sydney através de uma conversa franca entre mãe e filha, num instante onde percebeu que sua mãe não era ruim, porém assim como ela, uma pessoa melancólica com a perda do marido, ao mesmo tempo que desiludida pela filha não se esforçar para ser uma pessoa agradável aos outros. Entendendo o próprio passado e concluindo que o problema estava muito mais nela do que no ambiente onde vivia, acordou no dia seguinte disposta a se esforçar para mudar sua própria realidade. Surpreendeu seus familiares e tocou sua vida com mais leveza, percebendo assim, que seu cotidiano poderia ser bem menos doloroso e complicado.

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Chegado o tal baile anual do colegial, momento singular de todo filme e série adolescente. Já embarcamos sabendo que ali vai rolar uma treta maligna! E advinha, aqui não é diferente. Bradley, indignado por ter sido exposto como um grande otário por Sydney, decide tentar humilhá-la na frente de toda a escola. Ele não economiza em ferir a moça, já que havia pegado seu diário onde continham todos os tipos de confissões. Ao avançar nos insultos e revelações de seus segredos pessoais, Sydney perde mais uma vez o controle, fazendo a cabeça de Bradley literalmente explodir, dando sequência àquele flashback rotineiro na série onde ela corre pela rua com o corpo coberto em sangue. A jovem já havia em períodos anteriores experienciado a sensação de estar sendo observada por alguma coisa, o que ela compreendia como uma sombra. Como da vez em que causou uma cataclisma na biblioteca. Mas retornado à fuga do seu crime por dar “um pouco mais” do que Bradley merecia, Sydney corre até a torre que Stanley comentou e brincou certa vez, lugar onde finalmente é confrontada por algo que já estava convicta de ser coisa de sua cabeça. Aquela forma sinuosa que sentia estar próximo vez ou outra, finalmente se revelava. Sydney pergunta se devia ter medo daquele homem. Deu-se a entender que não, além de que, “eram eles que deveriam temê-la”, e que agora iriam “começar” compreender isso.

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Como num preparo para algo que estaria por vir, obviamente na próxima temporada, aquele homem, ou entidade, escolha sua melhor definição, parecia estar presente todo tempo analisando Sydney. Aqui começa um bom background para teorizar o que diabos seria isso. Não é difícil associar com Stranger Things e os poderes de Eleven, visto que as capacidades das duas são bem semelhantes. Superpoderes psíquicos, como os de se comunicar com pessoas através da mente, levitar e lançar objetos, e causar chagas físicas e mentais em alvos desejados. O padrão é o mesmo, então a sugestão que não sei de onde surgiu, mas veio antes da série oficialmente estrear, talvez tenha algum fundamento. De qualquer forma, por ceticismo eu prefiro não me empolgar com ligações como essa, ainda enxergo I Am Not Okay with This como um produto independente, mas ficaria bastante satisfeito de estar errado. Estender o universo Stranger Things desta maneira não me parece uma má ideia. Resta esperar mais revelações surgirem para compreendermos melhor qual a verdade.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sophia Lillis, Wyatt Oleff, Sofia Bryant, Kathleen Rose Perkins, Richard Ellis e Aidan Wojtak-Hissong compõem o elenco principal. Adaptado por Jonathan Entwistle e Christy Hall se baseando no romance homônimo de Charles Forsman, I Am Not Okay With This é uma série de drama, comédia e com pitadas sobrenaturais, lançada sob o selo Netflix em 2020. Dirigido por Jonathan Entwistle, que também roteiriza, é produzida por Christy Hall, Shawn Levy, Dan Levine, Dan Cohen e Josh Barry. As produções ocorreram nos estúdios 21 Laps Entertainment, Ceremony Pictures e da Raindrop Valley. Sua primeira temporada conta com 7 episódios, e eles são curtos, durando uma média de 20 à 28 minutos cada. A série é distribuída e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Para qual público I Am Not Okay with This estaria destinado? Essa é uma pergunta complicada que eu deveria ser mais esperto em não fazê-la, mas já que a fiz, vamos lá. Ao mesmo tempo que ela reflete muito do que Stranger Things é, ela também traz um conteúdo mais sensível, me fazendo sugerir a classificação de não recomendado para menores de 14 anos (pelo menos). Consumo de álcool, piadas ácidas referenciando direta e indiretamente uma falsa normalidade no uso de drogas, pode não ser um bom conteúdo pra um mente ainda em construção. Eu dei a classificação de 14, mas oficialmente a censura da série classificou como 16. Eu digo: excelente. Então eu consigo resumir que esta seria uma série para jovens adultos que gostam de drama adolescente (digo isso sem julgamentos, afinal, eu mesmo assisti e curti), comédia, e quem compra, o leve suspense com fantasia que vai se transformando aos poucos. I Am Not Okay with This é uma série bem curtinha e que você consegue assistir tudo num único dia. Então faça sua pipoca e sintonize na Netflix!

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THE WITCHER – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

117_00

SINOPSE
Não importa em que mundo você esteja, ele sempre será bastante perverso com o diferente ou com o que não compreende. E num lugar assim, como qualquer outro, que Geralt de Rívia vive, um caçador de monstros que vaga solitariamente buscando conhecer a si mesmo para encontrar seu lugar num mundo onde as pessoas podem ser muito mais cruéis que as mais terríveis bestas que enfrenta. Seu destino o leva a conhecer Yennefer de Vengerberg, uma poderosa feiticeira e, Cirilla Fiona Elen Riannon, uma jovem princesa sobrevivente de uma chacina, e detentora de um perigoso segredo. Juntos esse incomum trio precisa aprender a conviver e caminhar por este inóspito continente habitado por todo tipo de perigosas criaturas.

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COMENTÁRIOS
Aguardadíssimo por uma legião de fãs, mais da série de jogos eletrônicos do que dos livros originais de Andrzej Sapkowski, The Witcher chegou arrebentando tudo na Netflix nesse finzinho de 2019. Muito diferente do que alguns jornalistas do ramo vinham alimentando como ideia, a série em nada tem métrica para se comparar a Game of Thrones. Os conceitos são diferentes, a linguagem é outra, e o público alvo não exatamente é compatível. Enquanto a obra de George R. R. Martin aborda de forma pesada os conflitos pelo poder, quase como num House of Cards, The Witcher está mais preocupado (ao menos nesta primeira temporada) em trazer uma aventura fantástica num ambiente onde a politização tem outra natureza. Racismo e atritos entre diferenças sociais são os elementos mais comuns, e nesse canário vamos compreendendo o alinhamento moral de Geralt, herói desta história.

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Um dos principais méritos de The Witcher são suas imponentes tomadas de lutas coreografadas, geralmente em grandes planos sequências, sincronia impecável, velocidade, e muito vigor, mostrando o altíssimo nível de dedicação de Henry Cavill aos treinos para o papel. Todo os conceitos, que até então eram graficamente exclusivo dos jogos The Witcher, foram acolhidos e muito bem explorados pela equipe de design artístico. Trazendo belíssimas e convincentes paisagens digitalizadas e, uma elaboração bastante realista de grandes salões de castelos, calabouços, e vielas detalhadas de reinados de todos os tamanhos e tipos. A produção é muito bonita e confortável, com uma saturação sóbria que contribui bem para a atmosfera de mistério por trás de um universo que se revela aos pouquinhos. Aqui não existem grandes linhas de diálogos para te inserir artificialmente na ‘main story’, você terá de ter paciência e atenção para entender onde o roteiro quer te levar. O universo de The Witcher é vasto e muito rico em detalhes, não devendo em nada aos contos de Tolkien, ou mesmo a George R. R. Martin. Sua linguagem não é das mais simples, e ao mesmo tempo que acelera com vigor em momentos de ação, também traz alguns grandes e inconsistentes intervalos de tempo entre eles. O que no meu ver não é motivo algum para qualquer coisa ser taxada como bom ou ruim, neste caso considero o roteiro sendo o que é, já que ele não almeja ser obrigado a manter um dinamismo artificial.

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Vou ser franco aqui, eu conheço consideravelmente os games da franquia, mas não sou um exato fã. Não me identifico muito com a mecânica de RPG mais voltada para ação hack ‘n slash, fui doutrinado a viver em cativeiro com jRPG’s baseados em turno que as vezes duram centenas de horas, mas reconheço a grandeza que é The Witcher, e o quanto sua fanbase estava ansiosa pela série. E de forma mais do que merecida eu preciso parabenizar a comunidade de adeptos pela qualidade do presente de natal que receberam, e The Witcher é simplesmente fantástico! Não encontrei pontos para dizer o que poderia ser melhor, e imagino que essa será uma produção que ficará marcada como uma excelente adaptação de jogo para a TV. E sim, eu sei que existe o livro, mas é indiscutível que o que fez The Witcher ser o que é hoje, foi o estrondoso sucesso da CD Projekt RED em 2007.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra, Jodhi May, Björn Hlynur Haraldsson, Adam Levy, MyAnna Buring, Mimi Ndiweni, Therica Wilson-Read e Emma Appleton. Adaptado por Lauren Schmidt Hissrich, que se baseia na saga literária Wiedźmin (2011~2019) de contos e romances de fantasia do polonês Andrzej Sapkowski, a série The Witcher original da Netflix estreou no dia 20 de dezembro de 2019. A superprodução coproduzida nos Estados Unidos, Hungria e Polônia, é dirigida na parceria de Tomasz Bagiński e Alik Sakharov, e tem como produtores executivos Sean Daniel, Jason Brown, Tomasz Bagiński (também diretor), Jarosław Sawko, e a própria roteirista Lauren Schmidt Hissrich. A primeira temporada possui um total de 8 episódios, com cerca de 60 minutos de duração cada.

CONCLUSÃO
Seja você um fã dos jogos, consumidor dos contos originais de Andrzej Sapkowski, ou mesmo os dois, não importa, eu tenho certeza que ficará bastante satisfeito com essa adaptação muito respeitosa de The Witcher. Diferente de Game of Thrones, a pegada aqui é outra, temos um cenário de conflitos e problemas sociais, onde um herói e duas outras personagens ascendem em suas histórias pessoais até o instante onde o destino os unirá. Não, isso não é spoiler, está na própria sinopse oficial, que é até tímida na retratação do plot. Essa aventura dramática de fantasia medieval tem potencial de agradar qualquer tipo de público. Embora seu enredo inicial exija uma atenção dedicada para não se perder, sua fluidez permite uma fácil assimilação. Curte aventura de fantasia medieval e estava procurando o que assistir? The Witcher é obrigatório para você! Classificado como recomendado para maiores de 16 anos, a série está disponível oficialmente no serviço por assinatura Netflix.

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O ESCOLHIDO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO:
Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.

Lúcia, Enzo e Damião são médicos enviados para Águazul, um vilarejo remoto no Pantanal Matogrossense para vacinar os moradores contra uma nova mutação do virus da zika. Chegando no lugar o trio é hostilizado pela população, que rejeita violentamente a presença não só deles, mas de qualquer profissional de saúde. Todos os moradores seguem uma obscura seita, onde alguém, ou alguma coisa, conhecida como Escolhido, dita todas as regras. Decididos em cumprir suas tarefas de vacinar toda aquela pessoas, os três precisarão enfrentar coisas mistérios inimagináveis.

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COMENTÁRIOS
Atraído por um curioso trailer decidi dar uma chance ao O Escolhido (Para exportação: The Chosen One), série tupiniquim com uma abordagem bem diferente do que estamos acostumados nos produtos nacionais. A produção se trata de uma adaptação da série mexicana Niño Santo (2011), criada por Mauricio Katz e Pedro Peirano. Apresentando um drama com altas doses de suspense paranormal, somos obrigados a nos acostumar com seu tenebroso ponto fraco, as fraquíssimas atuações, e passamos a focar no que realmente é interessante, sua trama. Não que este último faça o roteiro ser uma obra prima, mas seu plot inicial é bastante intrigante para nos prender a atenção. Mas retomo um pouco mais a conversa para as atuações, e recobro que ela não é de toda ruim. São muitos os personagens de O Escolhido, e ironicamente são os principais os que se mostram menos íntimos dos holofotes. Em certos momentos até rola um bom entrosamento entre os três, mas não precisam muitas linhas de diálogo para coisa desabar na artificialidade, parecendo ter sido escrito por quem não tem mesmo o tino pra coisa. E para completar a estranheza, os personagens secundários são bem melhor interpretados, com desenvolvimentos interessantes e bastante convincentes.

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A série conta com apenas seis episódios na primeira temporada, e para mim, mesmo sendo algo curto, foi complicado manter o interesse. O que eu falei sobre ignorar as más atuações e se entregar à trama, acaba não se sustentando por muito tempo. Quando você está envolvido o suficiente, surge um anticlímax pesado, fruto de um interpretação catastrófica, que te faz ter vontade de voar no ator para exigir que ele faça seu trabalho direito. Foram apenas quatro as atuações que me convenceram, e que infelizmente não eram o suficiente para sustentar a qualidade. Mariano Mattos Martins como Mateus, Renan Tenca como ‘O Escolhido’, Lourinelson Vladmir como Santiago, e Francisco Gaspar, como o homem simples Silvino, foram os que deram alguma sobrevida para a série. Mas os três principais atores, pelo menos neste trabalho, definitivamente não foram nada felizes. Considero uma pena o resultado final, e fiquei até curioso em assistir Niño Santo (2011), já que o plot original me pareceu bem bacana.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Paloma Bernardi, Pedro Caetano, Gutto Szuster, Renan Tenca, Mariano Mattos Martins, Alli Willow, Tuna Dwek, Francisco Gaspar, Lourinelson Vladmir, Kiko Vianello, Bruna Anauate, Alexandre Paro, Cintia Rosa, Paulo Azevedo, Laerte Késsimos, Paulo Marcello, Fafá Rennó, Tsupto Xavante, Tião D’Ávila, Maria do Carmo Soares, Fernando Teixeira, Adriano Paixão, Cesar Pezzuoli, Ana Nero, Cesar Pezzuoli, João Carlos Andreazza, Laura Chevi, MC Choice, Brian Castro, Astrea Lucena e Aury Porto compõem o elenco. Adaptado da série mexicana Niño Santo (2011) por Raphael Draccon e Carolina Munhóz para o mercado nacional, a série O Escolhido de 2019 é dirigida por Michel Tikhomiroff, e é produzida pelo estúdio Mixer Films sob a produção executiva dos próprios roteiristas Raphael Draccon e Carolina Munhóz, em parceria com Lanna Marcondes. A produção original distribuída pela Netflix, hoje conta com duas temporadas de seis episódios cada.

CONCLUSÃO
Com um roteiro bastante interessante, O Escolhido é capaz de prender nossa atenção ao menos nos seus dois primeiros episódios, mas creio que dificilmente alguém não vá torcer o nariz e começar a se sentir ainda mais incomodado pelas atuações pouco convincentes. Alguns atores estão muito bem, enfatizando o próprio ‘Escolhido’, que cria um personagem de psicológico complexo que nos gera uma confusão agradável sobre qual é seu real alinhamento moral, no entanto o trio principal parece completamente perdido, fazendo a série descer ladeira a baixo em qualidade. Agora estou curiosos para assistir Niño Santo (2011), já que a O Escolhido ofereceu uma bala doce por fora, mas bem amarga por dentro. A série é recomenda para maiores de 16 anos, e está disponível com suas duas atuais temporadas no serviço por assinatura Netflix.

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STAR TREK: DISCOVERY – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE / PRIMEIRA TEMPORADA
Um século de paz se passava entre a Federação e o Império Klingon, quando durante a investigação em um satélite danificado na borda do espaço amigo, a tripulação da USS Shenzhou encontra um objeto oculto de seus sensores. A primeira oficial Michael Burnham se candidata a investigar mais de perto, descobrindo aquela ser uma antiga nave. Surpreendida e atacada por um klingon, acidentalmente acaba o matando enquanto tentava escapar, o que levou uma facção de klingons ao lamento pela morte do soldado. “Torchbearer” era seu apelido, e antes que o rejeitado Voq se voluntariasse a assumir o seu posto, liderados por T’Kuvma, os klingons se revelavam em uma nave invisível. T’Kuvma então fomenta a ira dos seus pela suposta tentativa da Federação em querer usurpar a individualidade dos klingons e de sua cultura, planejando assim cumprir uma antiga profecia de reunir as 24 grandes casas klingons assim como Kahless fizera no passado. Voq então ativa um farol que convoca os klingons, e Burnham desesperada tentando impedir uma guerra, contraria as ordens da Capitão Georgiou, tenta impedir.

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COMENTÁRIOS
Enquanto alguns evocam Star Wars como uma aventura de ficção científica, os amantes de Star Trek se contorcem de ódio com tal sugestão errônea. Temos de convir, se formos prestar um pouquinho só de atenção, iremos perceber que Star Wars é uma fantasia medieval ambientada no espaço, com história de cavaleiros com espadas, ‘montarias’ e tudo mais, exatamente como os clássicos europeus. Isso nunca fora um assunto obscuro, e sempre fora encarado exatamente assim pelo próprio autor. Por outro lado Star Trek procura ser o mais científico possível, fazendo uso de conceitos críveis, e que nada mais seriam do que uma projeção de evolução. Seus enredos são ficções? Óbvio, mas procurando manter sempre a coerência de se manter como científico em suas concepções de futuro. Então após fazer uma rasa distinção do que seria a franquia para os passageiros de primeira viagem, tentaremos nos focar especificamente em Star Trek: Discovery, a produção originalmente lançada para o serviço CBS All Access em 2017.

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É importante perguntar inicialmente, quais destes três é você? Um: Literalmente um passageiro de primeira viagem e que não faz ideia do que é Star Trek? Dois: Já consumidor de Star Trek, mas aberto a novas reformulações em prol da boa aceitação do público geração a frente da sua? Três: Um fã purista e exigente que não aceitar que toda a essência e filosofia original seja maculada? Bem, pergunto isso porque é a base para saber com que olhos irá encarar esta sétima série da franquia. A primeira temporada de  Star Trek: Discovery se passa no ano 2256 do nosso calendário terrestre, dez anos antes da expedição que origina a série sob o comando de James Tiberius “Jim” Kirk, o Capitão Kirk, líder da USS Enterprise. As iniciais incoerências e inconsistências começam a ser notadas quando colocamos as duas séries lado a lado. Star Trek: Discovery apresenta um nível conceitual de tecnologia absurdamente superior ao que se viria anos depois na série original, o que faz com que os fãs mais puristas e detalhistas se contorçam de agonia. Falha simples que poderia ser contornada com o posicionamento do episódio em outro momento mais a frente na linha cronológica.  A filosofia também fora arranhada, já que diretrizes da Frota Estelar prezam pela não interferência em sociedades ou formas de vida alienígenas, e em Star Trek: Discovery isso não é plenamente respeitado. Então se você é um fã muito radical, eu até acredito que talvez você complete a série, mas com certeza terá de arrumar um peruca ao término.

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Quando consideramos o público cru neste universo, lógico, o que curta ficção científica, não há dúvida alguma de que ficará muito satisfeito. O ponto de partida é recheado de sequências de ação, batalhas espaciais e, a montagem de um cenário atraente até mesmo para quem não é público alvo de Star Trek. Mas não demora muito, e após os três primeiros episódios, Discovery toma rumo à natureza do que realmente é a franquia. A curiosidade de desbravar novos mundos, os conflitos morais entre os personagens, e um capitão destemido estimulando sua tripulação para resolver os problemas mais complexos, tudo que Gene Roddenberry, criador de Star Trek, idealizou para sua obra. Como considerado antes, creio que um ‘trekker’ muito purista vá se incomodar com quase tudo, visto que esta é uma total reformulação da série, quase um reboot. Agora, se você for um fã flexível, que consome o que a maré trouxer, relaxa porque todas as pequenas falhas são aceitáveis e não vão manchar a honra da sua série preferida.

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A produção de Star Trek: Discovery é fabulosa, trazendo um elenco de primeira linha, recursos técnicos tão bons quanto de superproduções do cinema e, uma edição sonora fantástica! Como de esperado, era preciso superar velhos paradigmas, fazendo desta que nunca foi uma série lá muito interessada em se fazer visualmente vistosa, parecer mais agradável aos olhos do público mais moderno. E afirmo, o tiro foi acertado! Trouxe uma roupagem cheia de luxo numa película de alto contraste muito bonita. Suas cenas em computação gráfica são de excelente bom gosto, e em momento algum eu me senti incomodado com falhas de efeitos da pós produção. O roteiro é o típico de série, e essa é uma do tipo contínua, no entanto ainda assim consegue se fracionar com uma boa lógica. Uma outra coisa que também me chamou a atenção foram as cenas de ação, já que Star Trek é famosa por ser uma tristeza nesse quesito. E voe ‘voilà’, que beleza! Coreografia muito bem feitas e, que aproveitam muito bem ângulos e recursos do cenário.

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Uma coisa é certa, os temos são outros e as coisas precisam inovar. Hoje já temos a muito bem sucedida trilogia de J. J. Abrams que já está indo para um quarto filme, e faz bem para a saúde da franquia que a série não se sinta intimidada pelo seu novo carro-chefe. Star Trek: Discovery traz uma boa revigorada ao universo criado por Roddenberry, e junto de Perdidos no Espaço (2018), outra série de ficção científica das antigas que recebera uma nova vestimenta. Se você  ainda nunca assistiu nada de Star Trek, considere-se um privilegiado, pois terá com esse um ótimo ponto de partida. E fique tranquilo se acha que ficará perdido dentro desta franquia gigantesca, tudo em Discovery é explicado, e aos poucos você vai se inserindo. E quem sabe tome gosto para conhecer as produções que antecederam esta. Então aperte o cinto, entraremos em dobra espacial!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Shazad Latif, Anthony Rapp, Mary Wiseman, Jason Isaacs, Wilson Cruz, Anson Mount, Michelle Yeoh, Mary Chieffo, James Frain, Jayne Brook, Kenneth Mitchell, Rainn Wilson, Tig Notaro, Ethan Peck, Rachael Ancheril e David Ajala compõem o elenco. Produzida pela CBS Television Studios associada com a Secret Hideout, Roddenberry Entertainment e Living Dead Guy Productions, Star Trek: Discovery tem Gretchen J. Berg e Aaron Harberts como diretores gerais, e Akiva Goldsman como provedor de produção. A série de ficção científica com milhões de fãs pelo mundo veio com um altíssimo nível, sendo premiada em 2018 como a Melhor Série de Televisão pelo Saturn Awards, e que também agraciou Sonequa Martin-Green como Melhor Atriz. Jason Isaacs também foi lembrado pelo Empire Awards, no qual recebeu como Melhor Ator de TV. Star Trek: Discovery até o fim de 2019 possui duas temporadas, 15 episódios na primeira, e 14 na segunda, sendo distribuído no Brasil com o selo Netflix.

CONCLUSÃO
Star Trek: Discovery chega trazendo novos ares para uma franquia repleta de fãs ao redor do mundo. E faz isso modificando alguns poucos conceitos, que a meu ver não deveriam servir para desqualificá-lo dentro do seu universo. Claro, isso é opinião minha. Sua produção é cinco estrelas, trazendo excelentes atuações, roteiro redondinho, efeitos especiais com qualidade de cinema, e uma trilha sonora muito inspirada. Se você tinha dúvidas do que assistir, considere esta uma das primeiras opções na sua lista. Classificada como recomendada para maiores de 14 anos, Star Trek: Discovery está disponível no serviço por assinatura Netflix. Vida longa e próspera!

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NÓS SOMOS A ONDA – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Tristan é o novo garoto a ingressar numa escola, e logo de cara atrai a curiosidade de outros alunos, afinal, sua forma de falar e agir era bem diferente das pessoas daquele ambiente. Convenções sociais era algo que ele não dava a mínima, em contrapartida não aceitava ver pessoas sofrendo bullying e não tomar partido. E de que forma você acha que ele fazia isso? Acredite, das formas mais inusitadas possíveis! Tristan não tarda em cativar amigos na classe, e eles não são muitos.. na realidade apenas quatro. Lea, uma patricinha que tem um insight realmente libertador, e mais outros três desajustados com problemas sociais distintos, Zazie, Hagen e Rahim, este último um rapaz árabe. O grupo nada ortodoxo de adolescente mostra um sentimento em comum, a raiva pelos rumos que a sociedade vem tomando. O descaso com o meio ambiente, as políticas sociais injustas, e a até mesmo os movimentos neonazistas da vizinhança pesavam na consciência deles. Mas e aí, até com quanto de força se pode bater no establishment?

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COMENTÁRIOS
Nós Somos a Onda (Alemão: Wir sind die Welle / Inglês: We are the Wave) é uma série de televisão alemã que acompanha o drama de um grupo de adolescentes, jovens de origens e classes sociais diferentes que compartilham um mesmo ideal, o de um futuro melhor. Em essência essa é sua premissa, e para darmos continuidade é necessário termos em mente que essa produção tem seu exato público alvo. Harry Potter por exemplo é para o público infantojuvenil, no entanto qualquer adulto é capaz de assistir sem entrar no mérito da maturidade de seu conteúdo. E esse é um conflito no qual entramos e somos expelidos algumas vezes nesta série alemã supostamente adolescente. Inicialmente eu tive uma sensação quase frustrante de estar assistindo algo completamente destinado ao público teen, porém os personagens se desenvolvem e expõem um background maduro o suficiente para interromper esse entendimento. Só que isso é um processo lento, precisando pelo menos alcançar a metade dos seus seis episódios para ser descoberto. O que me leva a impressão que muita gente vai abandonar o barco antes de chegar ao destino.

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Aí eu sou obrigado a voltar na afirmação de que esta série tem seu público alvo. E qual seria ele então? Obrigatoriamente sua audiência precisa ser paciente, ter apreço por um ativismo visualmente anárquico (que se desenvolve à frente (e isso não é spoiler)) e, obviamente não se incomodar com o combate ao conservadorismo (que aqui evolui para um literal fascismo (e isso também não é spoiler)). Quem se enquadra nisso? Bem, eu acho que qualquer pessoa verdadeiramente desconstruída. E já que joguei a semente, então eu explico. Ser alguém desconstruído é você ser tão seguro de si, num ponto onde não se incomoda mais com as diferenças dos outros, e nem mesmo em se expor à julgamentos. Não é o caso de não se importar com nada ou com os outros, mas se importar com o que realmente faz sentido. De que melhor maneira, você, um homem, provoca um outro homem, tão inseguro de si, que maltrata pessoas por sua cor, por seu gênero ou sua etnia, do que lhe dando um beijo na boca? Lhe dando um soco? Não, uma pessoa desconstruída usa a criatividade e tem a ousadia de fazê-lo sem medo de ser julgado. Afinal, para um homem desconstruído o ato de beijar um outro homem não o torna menos viril, mas para um oponente inseguro, este é o maior nocaute que se pode dar. E é exatamente com esse ato que o personagem principal de Nós Somos a Onda mostra o que a série reserva.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Ludwig Simon, Luise Befort, Michelle Barthel, Daniel Friedl, Mohamed Issa, Milena Tscharntke, Leon Seidel, Bela Lenz, Robert Schupp, Stephan Grossmann, Kristin Hunold, Sarah Mahita, Luis Pintsch, Bianca Hein, Christian Erdmann, Jascha Baum, Nicole Johannhanwahr, Stefan Lampadius, Livia Matthes, Daniel Faust e Leander Paul Gerdes compõem o elenco. Dirigida por Anca Miruna Lăzărescu e Mark Monheim, Nós Somos a Onda de 2019, é uma série dramática que se baseia na novela The Wave de Morton Rhue. A adaptação é compartilhada entre os roteirista Jan Berger, Ipek Zübert, Kai Hafemeister, Thorsten Wettcke e Christine Heinlein. Produzida por Christian Becker e Dennis Gansel, a série fez uso dos estúdios da Rat Pack Filmproduktion e da Sony Pictures Film und Fernseh Produktion. A série chegou ao Brasil sob o selo Netflix.

CONCLUSÃO
Brigar contra o sistema na intenção de fazer do futuro um lugar melhor. E qual melhor época para se fazer isso do que a adolescência? Período onde construímos nossos conceitos morais e temos disposição para seguir os ideais mais ambiciosos. Em Nós Somos a Onda temos um grupo que se encaixa exatamente nisso, e liderados por um rapaz extremamente inteligente e bem intencionado, se veem no clássico dilema de nem sempre saberem ao certo se os fins justificam os meios. Bem, se quer saber que rumos essa história toma, dê aquela conferida. A série é bem curta, contendo apenas seis episódios de uns cinquenta minutos cada. Recomendada para maiores de dezesseis anos, a série tem o selo Netflix e já pode ser encontrada em seu catálogo.

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RETALIAÇÃO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Cha Dal-gun é um entusiasta das artes marciais que ganha a vida trabalhando como dublê de produções de ação, e após a morte de seu irmão, acabou ficando com a guarda do sobrinho. Devido à uma festividade no Marrocos, o menino é convidado junto com seu grupo de taekwondo, a representar a Coreia do Sul no evento, porém o avião onde ele estava cai, matando mais de duzentas pessoas. Desnorteado e junto dos outros familiares dos mortos, Cha Da-gun viaja para Marrocos na intenção de fazer uma última homenagem ao amado sobrinho, mas acaba deparando com segredos que nunca deveria descobrir.

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COMENTÁRIOS
Para quem gosta de ação com perseguições frenéticas, explosões, conspirações, espionagem, e muitas reviravoltas, Retaliação (Vagabond) é o que há de melhor no momento quando o formato é série! Não há como não notar sua inspiração em franquias como Missão Impossível, filmes policiais orientais dos anos oitenta, e até mesmo a série Bourne. A superprodução sul-coreana consegue unir tudo isso, superar os óbvios clichês, e ainda assim construir uma identidade própria cheia de personalidade. O mais interessante em Retaliação, é que a série não te dá espaço para respirar. A sucessão de eventos é contínua, com sequências vigorosas de ação uma atrás da outra. E o mais bacana de tudo, é que isso não parte de um roteiro cheio de conveniências apenas para forçar uma adrenalina engessada, como vemos em produções de séries ou filmes de qualidade duvidosa.

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Juro que pensava já ter visto de tudo em se tratando das tradicionais séries de ação sul-coreanas, mas nada chegou perto desta quando o assunto é qualidade de produção. As costumeiras atuações de altíssimo nível estão lá, isso nem me presto mais em detalhar para não soar repetitivo. O elenco inteiro destrói e fim de papo. Acha que estou sendo exagerado? Estão dá um confere e depois me diz. A produção sempre procura manter o uso de efeitos práticos nas cenas de ação, com saltos de prédios com dublês, carros reais colidindo em alta velocidade, explosões com cheirinho de pólvora, enfim, não tem economia e falta de inventividade. Seu visual esplendoroso conta com ruas do centro de Lisboa, o exótico subúrbio e região costeira de Marrocos, bem como as zonas urbanas da Coreia do Sul. Para somar e completar tudo isso, temos uma trilha sonora original inspiradíssima, que aproveita temas tradicionais da cultura de cada região por onde passa. Se Retaliação fosse um filme curto de uns noventa minutos, eu já acharia tudo isso que eu comentei, mas quando entendemos que isso se trata de uma série de dezesseis episódios com cerca de uma hora cada, nossa, não há palavras que possam descrever com fidelidade a experiência. Ainda não viu? Se dê esse presente. Assista ao menos o primeiro episódio, e se achar que eu rasguei seda demais para algo que não é lá tudo isso, volte aqui com toda sua fúria me dar bronca.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Lee Seung-gi, Bae Suzy, Shin Sung-rok, Baek Yoon-sik, Moon Sung-keun, Kim Min-jong, Lee Ki-young, Jung Man-sik, Hwang Bo-ra, Lee Geung-young, Moon Jeong-hee, Choi Kwang-il, Park Ah-in, Yoon Na-moo, Lee Hwang-Ui e Moon Woo-jin compõem o elenco. Escrita por Jang Young-chul e Jung Kyung-soon, Retaliação (Vagabond), é uma série sul-coreana de 2019 dirigida por Yoo In-sik. Tendo como produtor executivo Park Jae-sam, foram utilizadas as estruturas da Celltrion Entertainment e Sony Pictures Television. Foi televisionada no canal aberto SBS na Coreia do Sul, distribuída internacionalmente pela Sony Pictures Television, e o serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Retaliação é um K-drama carregado de adrenalina de um jeito que eu nunca tinha visto antes, misturando altas doses de ação quase ininterrupta, além de conseguir com sutileza encaixar divertidos alívios cômicos, e um pouco de romance. Sua produção procurou se concentrar bastante nos efeitos práticos, proporcionando um realismo pouco visto em séries. Então se você é fã de John Woo, pode ir tranquilo, pois tenho certeza absoluta de que você se identificará. Com classificação etária de 16 anos, Retaliação está disponível no Brasil através do serviço por assinatura Netflix. Então prepare o fôlego, pois se você começar, certamente vai querer maratonar! Bom divertimento!

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STRANGER (CRÍTICA)

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SINOPSE
Hwang Shi-mok sentia insuportáveis dores de cabeça durante a infância, seu sofrimento era tanto que precisou passar por uma lobotomia parcial à fim de melhorar sua qualidade de vida, porém houve um imprevisto médico, o jovem perdeu a total capacidade de demonstrar emoções, se transformando numa pessoa extremamente fria e racional. Os picos de dor reduziram bastante a frequência, mas esporadicamente ainda é surpreendido pelo distúrbio, chegando a perder a consciência estivesse onde fosse. Tal prejuízo psicológico certamente prejudicou sua vida pessoal, em contrapartida se tornou uma pessoa superfocada e capaz de direcionar seu potencial de inteligência para resolver os mais complexos problemas. Agora adulto, Shi-mok trabalha como promotor público, se aliando à empenhada policial Han Yeo-jin para investigar e capturar um assassino em série. No entanto a corrupção que os rodeia se mostra ainda mais perigosa do que o algoz desconhecido.

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COMENTÁRIOS
As produções sul-coreanas, sejam de filmes ou séries, estão cada vez mais lapidadas e se equiparando à indústria norte americana. E boa parte deste mercado é ocupado pelo Studio Dragon, que nasceu recentemente, 2016, mas que já se tornou responsável por um catálogo invejável de excelentes séries. The K2 (2016), Black (2017) e Memories of the Alhambra (2019), são apenas algumas das exportadas para o mercado internacional de maior audiência. E seguindo a mesma linha temos Stranger (비밀의 숲), uma superprodução de cair o queixo! Não brinco com coisa séria, este é um conteúdo para aquele público extremamente exigente, que não fica feliz com encheção de linguiça nos roteiros, ou com as esperadas breguices comuns em séries devido ao orçamento limitado. Cada ponto e cada vírgula são muito bem pensados e aplicados na trama, assim como cada centavo investido tem obrigação de se transformar no melhor de cada colaborador envolvido. Eu particularmente não encontrei pontos fracos, a não ser os relacionados com a polêmica “opinião pessoa”. Por apresentar um conteúdo um pouco mais complicado e politizado que a média das produções, talvez se torne lento e, até um pouco enfadonhos em momentos pontuais para certas audiências, mas de forma alguma é motivo para perder pontos numa avaliação. Como dito, o que tem potencial de afastar alguns é seu estilo, e isso não é um defeito. Seria o mesmo que alguém falar que não aguentou assistir Friends porque a série “só tem palhaçada”.

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Stranger tem muitos pontos altos, mas o que mais se destaca é o seu elenco. Peço até desculpas, esta é a terceira série sul-coreana que analiso, e nas duas outras situações, analisando Black e Túnel – A Série, também elogiei com euforia os grupos de atores. Mas não tem jeito, é indiscutível a qualidade cênica desses caras, parecem alienígenas! Incorporam de corpo e alma seus personagens e conseguem a perfeição em todo tipo de expressão. Destaco ainda mais dois atores, Cho Seung-woo, que atua como Hwang Shi-mok, o personagem principal, que é considerado um dos superastros multi-talentos da Coreia do Sul, tendo recebido dezenas de prêmios em tudo quanto é coisa, e Yoo Jae-myung, que chegou a ser nomeado como Melhor Ator Coadjuvante na 54th Baeksang Arts Awards por Stranger, e venceu o 6th APAN Star Awards pela série Life (2018), onde também trabalhou com Seung-woo.

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Se tratando do aspecto técnico tudo funciona muito bem, seria chover no molhado perder tempo pontuando, mas tem uma coisa que é preciso ser dito para que não haja prejulgamentos (nunca mais em qualquer outra produção cinematográfica sul-coreana!). Algumas coisas curiosas acontecem com as mídias de vídeo provenientes da Coreia do Sul. Relacionarei. Vez ou outra vemos cenas onde certas coisas estão embaçadas, qual motivo disso? A cinematografia deve se enquadrar na Comissão de Padrões da Coreia do Sul, que define o que deve ou não ser censurado. Grafismos excessivamente chocantes, que causem ansiedade ou desgosto público, não deverão ser exibidos. No entanto há possibilidade de exceções uma vez que se comprove a necessidade da exibição para o entendimento do conteúdo. Porém, mesmo assim, é cobrado o máximo de cuidado em abordar o assunto. Estrangulamentos, desmembramentos, mutilações, cenas ou técnicas de suicídio, mortes com armas de fogo, com cortantes, ou outros objetos, reproduções de mortes de animais, e qualquer outra coisa que contrarie o bom senso do que é adequado, estão passível de sofrer os tais embaçamentos. Os carros, por qual razão eles andam tão lentamente nas vias? Até mesmo nas cenas de ação e perseguição, pra que isso? Na Coreia do Sul existem rígidas regras de trânsito, e como boa parte das cenas são gravadas em vias públicas, é necessário segui-las. Vez ou outra ainda vemos nas séries uma perseguição genuinamente em alta velocidade, são feitas em circuitos privados, mas na maioria das vezes os editores fazem uma mágica (que nem sempre convence) para “acelerar” as ações. E a gente já achando que Ancine enche o saco.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Cho Seung-woo, Gil Jung-woo, Song Eui-joon, Doona Bae, Yoo Jae-myung, Lee Joon-hyuk, Shin Hye-sun, Choi Byung-mo, Park Jin-woo e Choi Jae-woong compõem o elenco. Escrito por Lee Soo-Yeon, Stranger é uma série sul-coreana de 2017 dirigida por Ahn Gil-Ho, Kim Suk-won e Kim Sung-kyoon. Seus produtores são Park Eun-kyung e Seo Jae-hyun, que utilizam o Studio Dragon, enquanto sua distribuição em território doméstico é feito pela tvN, e consegue alcance internacional através da Netflix. Stranger também conhecido por outros dois nomes dependendo da região, Secret Forest e Forest of Secrets. Então se você ver por aí esta confusão, não estranhe. Utilizo o nome Stranger porque é assim que a série chegou ao Brasil através da Netflix. Só não pergunte onde usam as outras variações, pesquisei e não encontrei. Se souber, me avise. Stranger recebeu muitos prêmios, incluindo o cobiçado Grand Prize na 1st The Seoul Awards, o The Best TV Shows of 2017 pelo The New York Times, e melhor ator para Cho Seung-woo, e melhor adaptação para TV para Lee Soo-yeon, no 54th Baeksang Arts Awards. Isso sem contar as várias nomeações em outras categorias.

CONCLUSÃO
Inteligente e empolgante, Stranger nos cativa logo de cara. Sua estética é bonita, sua trilha sonora inspiradíssima, e seu roteiro então, é um show à parte. Ficamos instigados continuamente a assistir mais e mais, a série não perde o pique um minuto sequer. Mas deixei por último a cereja do bolo, seu leque de atores. Só os Conselheiros da Cúpula dos Atores Fodões foram escalados para fazer parte do time. Aqui não tem ator mediano, na brincadeira só entram os Picas das Galáxias! Acha que estou brincando? Confere o primeiro episódio ao menos. Aposto contigo duas coxinhas e um suco de goiaba que não estou errado, e você ainda vai voltar aqui para pagar a dívida! Recomendada para maiores de 16 anos, essa é mais uma produção do competente Studio Dragon, e está disponível pelo serviço por assinatura Netflix. Tenha uma excelente maratona! Sim, eu sei que se você começar a assistir, irá maratonar os seus 16 episódios numa tacada só!

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DEMOLIDOR – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE DA SÉRIE
Matthew Murdock era filho de um humilde, porém excelente pugilista, com quem aprendeu a ser um cara durão e, acima de tudo, justo. Após se envolver num acidente com produtos químicos desconhecidos, perdeu totalmente sua visão quando ainda era uma criança, porém adquiriu um poder bem peculiar. Podia assim como um morcego, desenhar mentalmente a geometria de qualquer superfície de um raio enorme ao seu redor à partir de uma audição apuradíssima! Passou a ouvir detalhadamente conversas à distância, e os batimentos cardíacos das pessoas, fazendo com que pudesse ter juízo das reais intenções de qualquer um. Nada fugia da percepção dele! Matt cresceu e se tornou um advogado na traiçoeira Hell’s Kitchen, bairro de Nova York, onde nasceu e foi criado. Durante o dia ele faz de tudo para que os bandidos sejam condenados, e durante a noite, quando os mais poderosos e perigosos se esquivam usando as brechas da lei, encarna o impetuoso justiceiro, Demolidor. No seu dia à dia procura se manter o mais anônimo possível agindo como um suburbano comum, e embora completamente desnecessário, não larga seu bastão guia para se caracterizar como um cego. A vida de Matt começa a ficar cada vez mais agitada, quando negociações entre perigosos mafiosos começam a prejudicar a vida dos moradores do bairro. Não sendo suficiente os seus recursos pacíficos e dentro da lei, quando a noite chega, é possuído pela fúria do ímpeto por justiça, assumindo a identidade de Demolidor, O Demônio de Hell’s Kitchen!

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PERSONAGEM FAVORITO
Já começo deixando algo bem claro, Demolidor, de longe, é o meu personagem favorito de todo o Universo Marvel. Conheci o ‘Homem Sem Medo’ ainda no começo da minha adolescência, quando descobri a existência dos empoeirados sebos. Eram duas edições de HQ’s que mais me fascinavam, as icônicas A Espada Selvagem de Conan, e os formatinhos Superaventuras Marvel, este último, importante para esta conversa, publicado entre 1982 à 1997. Lendo dezenas daqueles gibis de segunda mão fedendo a pó de tumba, que fui me apaixonando cada vez mais pelo personagem. Ele era uma pessoa comum, que de extra, tinha apenas sua percepção melhorada. Matt tinha sim muito vigor, sua estamina era alta devido ao seu treinamento brutal, mas estruturalmente era apenas um ser humano normal. Sangrava, quebrava, sentia dor, e como qualquer um, precisava descansar para se recuperar. Primordialmente foi esse realismo em um super-herói que me encantou.

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COMENTÁRIOS
Quando Demolidor (Marvel’s Daredevil) foi anunciado, acredito ter sido fim de 2013, eu pirei! Eu costumo ser muito cético com anúncios, não sou de criar hype, mas na minha cabeça eu fiz uma conta meio louca e psicologicamente fiquei convencido. Embora fosse eu, o fã número um de Demolidor no planeta Terra, tinha ciência de que este não era um produto Marvel de grande potencial comercial. Pelo menos não quando considerado o catálogo enorme e recheado de outros personagens muito mais populares. A visão que eu peguei foi: “se algum produtor pegou Demolidor para adaptar, é porque ele é fã número um assim como eu!” Mais tarde eu descobri que a história dos acertos da Marvel Studios com a produção não era tão romantizada assim.

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Não importa o que era ou não era, só sei que meu subconsciente foi feliz em sua aposta! Chegado Abril de 2015, estreia de Demolidor na Netflix! Maratonei durante a noite e madrugada, resultado, um zumbi foi trabalhar durante a manhã. Brutal! Simplesmente maravilhoso! A Netflix superou e muito minhas expectativas, e elas já eram bem grandes. Eu nunca poderia imaginar um trabalho tão respeitoso ao personagem original. Charlie Cox, que interpreta Matthew Murdock, incorporou fielmente a personalidade e os trejeitos da versão original dos quadrinhos. Um cara seguro de si, de humor ácido e que conseguiu em parceria com um dublê incrível, dar vida à um dos heróis acrobáticos mais complexos de se fazer. As cenas de ação possuem um realismo raro até em filmes de grandes orçamentos. As coreografias inspiradas e as cenas de luta tinham um vigor assustador! Demolidor não tem firulas, ele dá saltos e algumas piruetas sim, mas suas porradas são de um boxeador decidido a finalizar o oponente!

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Sabemos que herói nenhum tem grande valor sem um bom antagonista, e Vincent D’Onofrio já chega derrubando tudo! Sua personificação de Rei do Crime é digna de Oscar! Sua imponência e brutalidade é de fazer quem o enfrente se borrar nas calças! Uma mente complexa que pode ser doce e calma como de um recém nascido sedado, ou monstruosa e viril como a do Hulk! Espero que tenham entendido a força de expressão. Tudo em Demolidor funciona muito bem, absolutamente nada me incomodou. Seu roteiro é super bem escrito, a direção impecável e mantém qualidade por toda série. Todo o elenco dá a alma por seus personagens, imagino o quanto esses caras trabalharam criando perfis de atuação. Por trás de Demolidor existe um cara chamado Chris Brewster, um especialista em artes marciais que fundou com os amigos um grupo de dublês chamado ‘Sideswipe’, e ele é responsável pelas cenas de ação e lutas mais fantásticas de tudo com o selo Marvel lançado até agora, na minha opinião.

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Demolidor é uma série diretamente destinada ao público adulto, para maiores de 18 anos. Isso se deve a seu formato fazer questão de mostrar a violência como um importante elemento narrativo. Essa escolha de conceito permitiu que personagens assumissem uma aparência muito mais real e de crueza em seus atos. Não existe economia no linguajar e nem no sangue é extraído e jorrado para todo lado. Não espere uma aventura emborrachada e colorida como as produções da Marvel supervisionadas pela Disney, O Demônio de Hell’s Kitchen não tem esse apelido dado pela vizinhança à toa. Demolidor da Netflix é um presente aos fãs deste fantástico personagem!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vincent D’Onofrio, Rosario Dawson, Vondie Curtis-Hall, Toby Leonard Moore, Bob Gunton, Ayelet Zurer, Élodie Yung, Jon Bernthal, Stephen Rider, Joanne Whalley, Jay Ali, Wilson Bethel, Royce Johnson, Peter Shinkoda, Matt Gerald, Wai Ching Ho, Peter McRobbie, Amy Rutberg, Nikolai Nikolaeff, Scott Glenn e Michelle Hurd compõem o elenco. Demolidor é uma série americana original da Netflix, adaptada do personagem original de Stan Lee (em parceria com Bill Everett e Jack Kirby), por Drew Goddard. Produzida por Kati Johnston, tem como produtores executivos, Allie Goss, Kris Henigman, Cindy Holland, Alan Fine, Stan Lee, Joe Quesada, Dan Buckley, Jim Chory, Jeph Loeb, Drew Goddard, Steven S. DeKnight, Marco Ramirez e Doug Petrie. A cinematografia é de Matt J. Lloyd, Martin Ahlgren e Petr Hlinomaz, e os editores Jonathan Chibnall, Monty DeGraff, Jo Francis, Michael N. Knue e Damien Smith. A música tema são dos compositores John Paesano e Braden Kimball. A série foi produzida pela Marvel Television, ABC Studios, DeKnight Productions, Goddard Textiles e Netflix, e distribuída pelo serviço de assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Demolidor é uma série da Netflix que assume um conceito bem mais adulto que as outras produções da Marvel, e compartilha o mesmo universo compactado com Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Mais tarde se unem na liga Os Defensores, qual Justiceiro não participa por ser um anti-herói exacerbado demais. Particularmente considero esta uma das melhores produções do selo Netflix, suas qualidades se destoam em muitos aspectos. Seu elenco é incrível, suas coreografias superam muitos blockbusters milionários, seu roteiro é firme e intrigante, sua direção é irretocável, simplesmente tudo funciona orquestradamente bem e com total harmonia. O futuro da série ainda é nebuloso, ao que tudo indica a Disney ‘embargou’ a continuidade da produção, porém existem boatos de que a série pode voltar para uma quarta temporada. No total são 39 episódios distribuídos em três temporadas. Demolidor é destinado ao público maior de 18 anos, e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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TÚNEL – A SÉRIE (CRÍTICA)

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SINOPSE
Park Kwang Ho é um detetive de polícia linha dura da cidade de Seul no ano de 1986. Investigando uma série de assassinatos, o dedicado policial acaba localizando um potencial suspeito, que foge correndo por um extenso túnel após ser notado. Em perseguição naquele escuro lugar, Park o perde de vista, quando é surpreendido com um pedrada na cabeça e cai desnorteado. Sem demora recobra as forças e se levanta para continuar no encalço do indivíduo. Chegado ao fim do túnel, o detetive não percebe mais ninguém, e não apenas isso, tudo ao seu redor está completamente diferente! A modesta cidade que conhecia agora contava com enormes e iluminados edifícios, as vias estavam muito diferentes e cheias de carros nada parecidos com os que ele estava acostumado. Sem muitas explicações, definitivamente ele tinha viajado ao futuro de 2017! Ele não sabia como e nem o motivo, mas estava convencido de que precisava encontrar aquele assassino. E ao que tudo indicava, tinha atravessado o tempo junto com ele.

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COMENTÁRIOS
Repleta de mistérios e casos sinistros, Túnel – A Série (터널), é um K-drama policial com elementos de ficção científica bastante inteligente. Mesmo seguindo fórmulas conhecidas de séries de investigação ocidental, consegue personalidade própria se sustentando no carisma de um grande elenco. Choi Jin-hyuk, que faz o papel de Park Kwang Ho, é jovem, porém veterano em novelas sul-coreanas, e mostra uma grande versatilidade atuando de forma espetacular em momentos de drama pesado, quanto nos momentos mais cômicos. Yoon Hyun-min e Lee Yoo-young, o casal de atores ao lado de Choi, também se destacam pela seriedade que enfrentam seus papéis, sem perder a qualidade em nenhum instante. Citei os personagens principais, mas saiba que o elenco inteiro, incluindo os convidados para pontas, todos mostram um grande realismo em suas atuações.

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A produção é de uma série sem muito luxo, se apoiando muito mais na qualidade da sua história do que em grandes recursos cinematográficos. A Seul recriada de 1986 é bacana e consegue convencer, já o figurino oitentista da época eu não saberia dizer, mas não creio que dariam um vacilo bobo. Gostei bastante da direção de Shin Yong-hwi, que traz um visual ao mesmo tempo que sombrio e ‘quase noir’, consegue mesmo assim que ele seja leve e confortável de assistir. Deixo a dica caso já tenha superado o preconceito e deixado de desconfiar da qualidade das produções da Coreia do Sul, a maioria das produções vinda do Studio Dragon são excelentes! The K2 (2016), Black (2017) e Stranger (2017), são outros K-dramas obrigatórios para quem gosta de thrillers como este. E não ache que os sul-coreanos são bons apenas em gêneros mais sérios, as séries de comédias também são muito divertidas e viciantes. Mas este já é assunto para um outro dia.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Choi Jin-hyuk, Yoon Hyun-min, Lee Yoo-young, Jo Hee-bong, Kim Byung-chul, Kang Ki-young, Kim Min-sang, Mun Suk e Lee Yong-nyeo compõem o elenco. Escrito por Lee Eun-mi, Túnel – A Série, é uma produção de Choi Jin-hee e do Studio Dragon de 2017 que dirigido por Shin Yong-hwi. O K-drama sul-coreano tem Choi Kyung-sook e Kim Jin-yi como produtores executivos, e Kim Sung-min e Park Ji-young como produtores. A série possui um total de 16 episódios com tempo médio de 65 minutos cada, distribuído pela Orion Cinema Network (OCN) na Coreia do Sul, e pelo serviço Netflix no restante do mundo.

CONCLUSÃO
Túnel – A Série, é uma produção sul-coreana bastante empolgante e que monta uma trama sensacional capaz de te prender numa maratona ferrenha! Seus formato são de episódios longos, todos passando os 60 minutos, mas cada um deles muito gratificantes. Então suba no bonde para acompanhar o detetive Park Kwang Ho numa caçada frenética através do tempo por um brutal assassino em série! Classificado como para maiores de 16 anos, a série é distribuída pelo serviço por assinatura Netflix. Prepare a pipoca e tenha bastante unhas para roer, porque esta é uma puta série! Recomendadíssima!

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BLACK – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Kang Ha-ram é uma jovem mulher que desde a infância sofre bastante com um infeliz dom. Capaz de ver espíritos por todos os lados, precisa estar sempre de óculos escuros para camuflar os vultos espectrais e não acabar enlouquecendo. Em outro canto da cidade está Han Moo-gang, um detetive extrovertido e dedicado ao trabalho que acaba morrendo durante o cumprimento do seu dever. Seu corpo então é levado ao necrotério, e lá ele é possuído pelo Ceifador Nº 444, uma entidade implacável e sem compaixão que encaminha os vivos para o mundo do morto. Assumindo o corpo de Han Moo-gang, ele procura manter o disfarce como detetive, enquanto parte no encalço de seu pupilo renegado, do qual é responsável, e que também se apossou de um corpo humano morto.

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COMENTÁRIOS
Black (블랙) é uma produção sul-coreana que mistura elementos como drama, romance, policial, mistério, fantasia, comédia e ação, e por todos os gêneros por onde transita, o faz com muita presteza e originalidade narrativa, mesmo englobando tantas categorias. Por incrível que pareça o senso de humor dos sul-coreanos não é muito diferente de nós brasileiros, eles estão sempre rindo, sempre solícitos, algo bem diferente do que faria sentido, uma vez que o recebe forte influência cultural norte americana, um povo bem introspectivo. Isso é algo que sempre acho bacana de observar, seja em qual tipo de mídia for, a expressão natural de humanidade de uma cultura, e os sul-coreanos não se preocupam com isso. Fazem suas graças seja onde for, estando seguros de não dever satisfação por seus comportamentos a ninguém. Do jeito que realmente deve ser!

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Explicado um pouco sobre esse grau de naturalidade com o qual esse povo tão distante se mostra, fica mais fácil dizer que tudo em Black é fluído. As atuações e diálogos são impressionantes. Esse é o tipo de série que verdadeiramente te distrai, sendo capaz de te empurrar para uma maratona sem nem perceber. Divertidíssimo, porém de bastante tato quando há necessidade de mais seriedade, a narrativa traz muito sobre dilemas familiares, lutos, superações e, sempre que o faz, somos afetados pela emoção que esse elenco consegue transbordar. São profissionais que realmente encarnam seus personagens e dão o máximos de si. O roteiro de Black consegue se manter firme pelos seus dezoito episódios, onde cada um deles tem entre 68 e 87 minutos. Achou longo? Acredite, você nem consegue notar que esse tempo todo passou.

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Com uma produção polida, o ‘K-drama’ (produções sul-coreanas lançadas em série para TV), que erroneamente é chamado por muito gente de ‘dorama’ (produções japonesas), não apresenta muitas falhas. Seu roteiro bem amarrado tem uma direção competente, executando cenas de ação bastante empolgantes. As lutas e perseguições são bem coreografadas, mesmo com as rígidas normas de trânsito do país, o que traz uma boa dose de adrenalina. Acho que é óbvio, mas digo tudo isso considerando esta ser uma série, e não um filme, que é bem mais compacto e fácil de editar.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Song Seung-heon, Go Ara, Jae-young Kim, Kim Dong-jun, Lee El, Won-hae Kim, Jo Jae-yoon, Choi Min-chul, Park Doo-sik, Kim Tae Woo, Chul-min Lee, Jae-Ho Heo, Seok-yong Jeong e Choi Won-hong compõem o elenco. Com roteiro de Choi Ran, a série é dirigida por Kim Hong-sun. Obra do sul-coreano Studio Dragon, tem produção executiva de Kim Jong-sik e Song Jae-joon. Estúdio esse também responsável por outras séries já resenhadas aqui, como The K2 (2016), Tunnel (2017) e Stranger (2017). Na Coreia do sul, Black, foi distribuída pela Orion Cinema Network, mais conhecida como OCN, e foi internacionalizada pelo serviço de assinatura Netflix. Lançada em 2017, a série, que de forma correta deve ser tratada como um K-drama, possui dezoito episódios, e até onde se compreende, tem sua história concluída, dificultando a possibilidade de continuação.

CONCLUSÃO
Embora eu ainda não tivesse feito a resenha sobre nenhuma produção sul-coreana até o momento, já assisti muitas coisas do país, e estou seguro em afirmar, esta é uma das melhores e mais divertidas séries daquelas bandas. Tendo uma história muito intrigante, ela te prende em assistir sequencias de episódios de mais de uma hora cada sem nem perceber. Uma produção muito boa que acertou em cheio em seu roteiro e direção, e que fez mais bonito ainda na escolha de seu elenco. Black tem drama, romance, policial, mistério, fantasia, comédia e ação, e não se engane achando que uma série com tantos gêneros misturados não tem condições de ser bom em tudo que propõe. Muito pelo contrário, os caras acertaram e fizeram bonito em tudo! Duvida? Te desafio a assistir pelo menos o primeiro episódio e não se apaixonar por este K-drama. A série é recomendada para maiores de dezesseis anos e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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GLITCH – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A polícia da pequena e pacata cidade Yoorana recebe um chamado de perturbação no cemitério, então o Sargento James Hayes parte a caminho. Sete pessoas por conta própria simplesmente saíram de seus respectivos túmulos, não com os corpos em decomposição ou coisa do tipo, mas com plena saúde. O policial então sem compreender exatamente o que estava acontecendo imagina que aquelas pessoas estavam sob efeito de drogas ou participando de algum ritual esquisito. James encontra cinco deles, e os leva para a clínica Elishia McKellar, os outros dois tomaram rumos diferentes pela cidade sem que ele notasse.

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Havia algo ainda mais estranho do que gente nua cheia de terra num cemitério, após todos serem atendidos e limpos na clínica, James reconhece um deles como sua falecida esposa, Kate Willis. Incrédulo e nervoso, fica atônito diante daquela situação, no entanto o sentimento da saudade faz com que ignore toda a estranheza e aceite aquilo como um milagre. A noite caótica exigia que James pensasse rápido, as autoridades não podiam tomar ciência de nada, sabe-se lá o que fariam com eles. Aquelas pessoas aos poucos iam recobrando algumas memórias, e era descoberto que cada um morreu em épocas bem diferentes. Tornou-se pessoal, ele precisava entender porque aquilo estava acontecendo, ao mesmo tempo que precisava fazer de tudo para mantê-los protegidos.

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COMENTÁRIOS
Glitch é uma série australiana que estreou em 2015 pelo serviço de assinatura Netflix, e se concluiu com três temporadas de seis episódios cada. Com uma temática de drama, paranormal e muito mistério, a produção mostra muita qualidade e personalidade em seu desenvolvimento como história. Não espere nada assustador ou sombrio, a temperatura aqui é outra, e foca muito mais nos mistérios do porque aquilo tudo aconteceu, e em repentinos flashbacks de cada um daqueles indivíduos para que recordem suas memórias. O que mais me surpreendeu em Glitch foi o entrosamento excepcional dos atores. Não existe elo fraco, todos se saem bem e conseguem entregar uma performance sem máculas.

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O roteiro do trio de escritores, Louise Fox, Kris Mrksa e Giula Sandler, é bem fechado, mantendo a coerência por todas as três temporadas, e combinado à excelente direção de Emma Freemanm, faz ser muito merecido os vários prêmios que a série recebeu. A trilha original de Cornel Wilczek é um espetáculo à parte, e também foi premiada. A fotografia australiana traz ainda mais autenticidade e identidade para a produção, com tomada aéreas muito bonitas e cenas panorâmicas espetaculares. A cidade de Yoorana é fictícia, e suas gravações ocorreram em Victoria, sudeste da Austrália. Glitch finalizou nesta terceira temporada lançada em 2019, e uma coisa incomodou muitos os fãs, a Netflix não deu ênfase alguma. O que se passa na cabeça dos executivos que não valorizam nem seus trabalhos originais? Ainda mais se tratando de uma série muito bem aceita pelo público. Enfim, esmiuçar esse assunto fica para outra hora, mas realmente é revoltante.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Mistérios e mais mistérios! Fiquei com a pulga atrás da orelha pelos dezoito episódios, e queria muito um décimo nono para me desenhar que raios eu preciso entender! Sou o tipo de pessoa ansiosas que precisa sim da visão conceitual do autor, por mais que ele considere ‘o charme’ deixar algumas questões em aberto. Mágica? Ciência? Cadê o outro lado? Tem um outro lado? Quem ou o que orquestrava e definia todas as regras para a sinfonia da natureza? Deus? Fiquei agoniado querendo essas explicações e acreditava até o último segundo que as teria. E não tive! Tem dois dias que terminei de assistir e ainda estou arrancando cabelos. Fiquei por um fio de chutar o balde e praguejar pelos quatro cantos do mundo o quanto essa série é horrorosa, mas seria mentira. Seria apenas eu putaço querendo minhas respostas. Me diz você aí que já assistiu, o que achou do final? Tem sua teoria? Ajuda aí esse cara que não tem religião, é cético pra cacete com tudo, mas quer um ‘ah, é isso’ para se agarrar. Essa série é horrível! Não vê não! mentira, é boa. Saco!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Brammall, Genevieve O’Reilly, Emma Booth, Hannah Monson, Sean Keenan, Daniela Farinacci, Ned Dennehy, Rodger Corser, Emily Barclay, Andrew McFarlane, Aaron McGrath, Rob Collins, Pernilla August, Luke Arnold, James Monarski, John Leary, Anni Finsterer, Lisa Flanagan, Leila Gurruwiwi, Robert Menzies e Greg Stone compõem parte do elenco. Escrito por Louise Fox, Kris Mrksa e Giula Sandler, Glitch foi dirigido por Emma Freeman. A produção fica por conta de Noah Burnett e Noah Fox, com Tony Ayres servindo como produtor executivo. A série recebeu o Prêmio AACTA nas categorias Melhor Série de Drama e Melhor Trilha Sonora Original. Também recebeu dois Prêmios Logie nas categorias Melhor Série de Drama e Melhor Direção em Série de Drama.

CONCLUSÃO
Se gosta de um mistério, não pense duas vezes, cai dentro porque Glitch é conteúdo para você! A série te prende com naturalidade, fazendo com que tenha disposição, e caso tenha tempo também, maratone seus dezoito episódios rapidinho. Já concluída na terceira temporada, a obra está disponível com exclusividade no serviço por assinatura Netflix. Sua classificação é de dezesseis anos, aborda alguns temas delicados e tem cenas de nudez, mas tudo sem recorrer a extremos. Portanto se tem um moleque de uns doze anos, consciente dos paranauês básicos da vida, pode colocar ele do seu lado no sofá e curtir de boa. Boa série para você!

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PERDIDOS NO ESPAÇO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A bordo da Jupiter 2, uma das naves da Frota Jupiter, a Família Robinson acidentalmente entra na rota de uma fenda espaço-temporal, indo parar nas proximidades de planeta completamente desconhecido. Aquela situação faz com que todos tenham de trabalhar em conjunto, já que o ambiente daquele lugar era uma total incógnita. John, o pai da família, é um ex-fuzileiro experiente, e sua esposa Maureen, uma engenheira aeroespacial de altíssimo nível. A decisão pela expedição partiu dela, visto que a Terra de 2046 estava em vias de um colapso por causa da superpopulação. Não havia outra forma, o planeta precisava ser evacuado. E na iniciativa de preservar sua família, decretou que era momento de partir na busca de um novo lar. Judy, a filha mais velha, Penny, a do meio, e Will, o mais novo, somavam a equipe, e também possuíam cada um suas especializações para cooperar nessa perigosa jornada pelo espaço.

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COMENTÁRIOS
Perdidos no Espaço (Lost in Space), é um remake de uma série homônima para televisão de 1965, que embora tivesse grande prestígio na época, precisou ser finalizada devido a CBS estar bastante endividada com prejuízos de outras produções mal sucedidas. E trinta anos depois, em 1998, numa comemoração atrasada em um ano, no qual a nave Jupiter 2 seria lançada na obra original, foi entregue um bem sucedido longa metragem, também de mesmo nome. A franquia Perdidos no Espaço desde o início arrecada um grande número de fiéis fãs, e havia tempo que esperavam por um retorno da Família Robinson. Tardou um pouco, porém em maio de 2018, a Netflix entregou com bastante orgulho, e com bons motivos, o presente aos saudosistas do clássico.

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Atualizando a versão original, nova versão traz um roteiro coerente muito bem fechado, sendo tudo bem aproveitado pela direção, que consegue excelentes resultados nas cenas de ação com efeitos práticos combinados com as edições em computação gráfica. O elenco trabalha bem e está bem sincronizado por todos os episódios (ao menos da primeira temporada), possuindo vilões convincentes e bem inspirados. Na parte artística, temos uma fotografia de tirar o fôlego, mostrando um planeta com ambientes diversificados e tomadas de panoramas deslumbrantes. A música tema é do indiscutível gênio John Williams, e o restante da trilha original é de ninguém menos que Christopher Lennertz, genial compositor apadrinhado por magos como Michael Kamen e Basil Poledouris.

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NOTAS BAIXAS DA CRÍTICA
Para todo tipo de arte existem os ‘curadores’, que são críticos formados na sua especialidade, ou mesmo autodenominados. E essa nova versão de Perdidos no Espaço parece não ter agrado tanto essa exigente audiência. Não costumo comentar opiniões de terceiros, mas achei relevante falar que considero bastante injusta as notas que a série recebeu de sites como Rotten Tomatoes, que aprovou com 68%, ou do Metacritic, que pontuou como 58 de 100. Esta é uma produção como poucas, onde reúne um bom conteúdo original, roteiro, direção e elenco. Uma série que tem sim suas falhas, mas que jamais mereceria receber uma nota abaixo dos 75 em 100. Não digo essas coisas por ser um fã saudosista ou coisa do tipo, eu conhecia sim a série original através de comentários de amigos mais velhos e familiares, ou seja, não sou tiete de nada para ter sido contaminado por qualquer tipo de hype e agora ter uma opinião exageradamente favorável.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Toby Stephens, Molly Parker, Ignacio Serricchio, Taylor Russell, Mina Sundwall, Maxwell Jenkins e Parker Posey compõem o elenco. Perdidos no Espaço foi criado por Irwin Allen, premiado autor, diretor e produtor, também responsável por O Mundo Perdido (The Lost World, de 1960), Viagem ao Fundo do Mar (Voyage to the Bottom of the Sea, de 1961), e muitas outras obras. A série norte americana conta com uma temporada de dez episódios até agora, sendo que a segunda acabou de ter as gravações finalizadas. Portanto é esperarmos um pouco mais para termos disponíveis novos episódios.

CONCLUSÃO
Perdidos no Espaço é uma série de ficção científica e aventura que aborda os problemas da Família Robinson em sobreviver num planeta desconhecido e cheio de surpresas. Envolvente e cheio de aventura, é uma produção de altíssima qualidade, que pode ser vista sem problema algum com toda a família reunida. Uma obra inteligente que prova que a Netflix tem capacidade de entregar algo muito bom quando tem os produtores certos envolvidos. Como dito no decorrer da resenha, eu conhecia a série original, mas nunca fui um exatamente um fã, mas essa produção de 2018 me fez virar um! Ponto para a Netflix! Série recomendadíssima!

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MARIANNE – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Emma Larsimon é uma escritora de livros de terror mundialmente famosa, e certo dia decide concluir o ciclo onde Lizzie, a personagem de seus contos, derrota a bruxa Marianne. Esta seria apenas uma história como muitas outras, se não fosse pelo fato de todo o universo criado por Emma, ser uma extensão de seus pesadelos e conflitos pessoais do passado. E agora, tendo decidido fechar sua saga literária, seus demônios vieram à tona cobrar que não sejam esquecidos. Na busca por entender os eventos macabros que sua vida vem tomando, a jovem escritora junto com sua assistente pessoal, retornam a sua cidade natal atrás de respostas. Lá ela vai passar por momentos inimagináveis de dor e angústia para tentar solucionar aquilo que lhe traz tanta aflição.

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COMENTÁRIOS
Quais são os motivos que te levam a procurar um filme ou série de terror para assistir? Existem várias formas de se entreter com uma obra desse gênero que pode ter aspecto tão variados, e Marianne, a nova obra francesa com o selo Netflix, faz isso fugindo com originalidade da maioria dos clichês. A princípio eu fiquei apreensivo quanto ao que tinha escolhido assistir, a série engana, ficamos com a impressão de estarmos vendo um produto específico para o público adolescente, porém terminado o primeiro episódio, percebemos que nada condiz com o ensaio inicial. O enfoque aqui é na estranheza e no como isso gera incômodo. Logo na cena de abertura da série temos mãe e filha, uma mais esquisita que a outra, numa situação pra lá de estranha. Dentro de uma casa escura e sinistra, a filha vai no encontro da mãe, que está debruçada na pia da cozinha, onde se esforça para extrair de forma sanguinária um dente da própria boca, enquanto encara a filha com um olhar maquiavélico de indiferença e ironia.

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Um dos maiores méritos de Marianne fica para o elenco, que de forma muito convincente traz uma aura verdadeiramente macabra aos personagens. E quando digo isso, não reduzo apenas aos óbvios vilões, mas a cada personagem que oculta algum mistério ou traço da personalidade. Elden, a cidade de Emma, tem uma atmosfera própria, e até as ruas vazias e litorais de ar gélido causam estranheza.

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Trazendo esmero pela estética, a produção traz fotografias e cenários inspiradíssimos, ora em tons saturados e nublados nas cenas externas, ora no amarelado sépia para  ambientes fechados com o ar mais pesado. Tais elementos nos transporta para uma imersão incrível! Quando as tomadas são em áreas abertas, a sensação é de exposição e vulnerabilidade e, nas fechadas reina a claustrofobia com um alto contraste de jogo de sombra e iluminação que drena nosso fôlego. Marianne acerta em cheio com uma produção de qualidade e uma direção que consegue extrair o melhor de cada ator. É uma série que não passa despercebida pela Netflix, e com certeza irá angariar muitos fãs.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Victoire Du Bois, Lucie Boujenah, Tiphaine Daviot, Ralph Amoussou, Bellamine Abdelmalek, Mehdi Meskar, Alban Lenoir, Mireille Herbstmeyer, Corinne Valancogne, Patrick d’Assumçao, Pierre Aussedat, Luna Lou, Charlie Loiselier, Bruni Makaya, Adam Amara e Anna Lemarchand. A série francesa foi criada e dirigida por Samuel Bodin e, escrita em com conjunto com Quoc Dang Tran. A produção da Empreinte Digitale and Federation foi distribuída em oito episódios pelo serviço Netflix.

CONCLUSÃO
Se você curte um terror barra pesada, essa série é para você. Marianne não tem papas na língua, coloca pra fora sem pudor seu linguajar sujo, cenas fortes e situações de fazer sentir alfinetadas na espinha. Seu ponto forte fica nas atuações, com personagens envolventes e criativos, que em momento algum vai ter fazer ter dúvidas de realmente estar vendo o capiroto. Recomendo fortemente que não deixem crianças assistirem esta série, questões como suicídio, nudez total, palavrões pesados, enfim, tem um pouco de tudo. Portanto não é um tema nada apropriado para os mais jovens, tenham bastante cautela. Feitas as ressalvas, boa sorte em sobreviver à essa série! Mantenha as luzes acesas.

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SPECIAL – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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COMÉDIA SEM GARGALHADA OU APELO A REPRESENTATIVIDADE?
COMENTÁRIOS COM SPOILERS

A série Special da Netflix ingressa com uma proposta que tem tudo para dar certo, mas será que deu? Parecendo intencionar a atração de espectadores pertencentes à grupos de diversidade étnica, de gênero, de classe social, de estereótipos e por aí vai, a trama conta com tudo que é socialmente colocado em pauta ano após ano no que diz respeito à alvos de críticas preconceituosas.

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Só pra começar, nosso personagem principal consegue unir as seguintes características: deficiente motor com paralisia cerebral, gay, nerd, virgem, imaturo, dependente da mãe e auto-comiserativo (coitadinho de mim, não sou um “ganhador de bolinhos de graça” – Free Cupcakes – um termo bem bobinho para chamar alguém de “sortudo”). Um personagem desses podia ter muita história pra contar, não acham? Pois é, mas não tem. Pasmem, o personagem parece diretamente saído de uma bolha de oxigênio e cuspido na “vida real” por si próprio. E a “vida real” está entre aspas porque eu estou até agora tentando descobrir quem vive daquele jeito.

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Aí encontramos a personagem que se torna a melhor amiga do protagonista: A latina curvilínea que vive para manter a aparência de amor próprio (no Instagram e nos artigos que escreve para a agência que trabalha) e que está falida por causa das roupas caras e salão de cabeleireiro que frequenta para poder manter sua pose de rica. Sim, eu não usei nenhuma palavra que não tenha sido expressa pela personagem, a própria se define desse jeito. De longe sacamos uma referência com a famosa Kim Kardashian, homônima da personagem, consegue acreditar? Pois é verdade. E não termina por aí.

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Ainda temos a famosa personagem “mãe solteira cinquentona carente sem namorado há uns 20 anos”. Sério. Abordaram essa temática da pior forma possível, mostrando a mulher como uma infeliz por não ter tido relacionamento para cuidar do filho deficiente, que abdicou de muita coisa para sustentar a cria – acreditem, eu sei do que estou falando. E quando é que ela acha que tirou a sorte grande??? Claro que vocês vão adivinhar, ela se deparou com um (outro estereótipo, lá vamos nós) “cinquentão gato branco de cabelo estiloso e olhos azuis, bombeiro aposentado e maconheiro”. Uau que mistura incrível né? Até mostrar que por trás da “beleza de príncipe” é um cara autoritário, que gosta de fazer as coisas do jeito dele e que (pasmem de novo) não consegue aceitar as crises de histeria da mãezona e dá um pé nela porque “não quer namorar o filho babaca” da mesma. Sim, foi uma fala também. Dá pra acreditar? – pausa para náuseas.

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Entre tantos clichês ainda temos a “loira arrogante metida rica socialite solteirona maluca extravagante insensível”, outra “loira burra retardada abortista” e o “negro gay gostoso crossfiteiro” ou ainda um “gay loiro nórdico marombeiro” – tem pra todos os gostos. Gente, é uma lástima. Não dá pra dizer que existe enredo, e se existe, é completamente fútil. As piadas são fracas, os personagem são caricatos e parece uma tentativa de paródia de uma vida real que nem faz sentido. Conseguem entender?

É uma série que tenta te transmitir alguma emoção (nem tenho tanta certeza assim), mas que a piada não é engraçada, o drama não é comovente, a raiva, o tesão e a identificação passam batidos. Dá pra dizer que a série foi feita por um cérebro sem mente para mentes sem cérebro. E olha que com tanta diversidade poderia ter rendido muito mais conteúdo. Não foi o que aconteceu. Decepcionante. E sim, a temporada inteira é água com aspartame – nem açúcar rola ali.

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NOTAS SOBRE A SÉRIE
Classificada como comédia, foi baseada no livro I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves (2015) de memórias do próprio protagonista, que escreve e atua como produtor executivo da série, Ryan O’Connell. Ou seja, segundo ele, é baseado em fatos reais.

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ELENCO
Ryan O’Connell, Jessica Hecht, Punam Patel, Marla Mindelle, Augustus Prew, Patrick Fabian, Kat Rogers, Jason Michael Snow, Brian Jordan Alvarez e Gina Hughes.

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THE I-LAND – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Dez pessoas acordam numa praia sem saber os próprios nomes ou lembrando de qualquer outra coisa, e sem tardar descobrem que aquela ilha esconde diversos mistérios e perigos. Será necessário que deem o melhor de si para resolver com seus enigmas, além de lidar com as intrigas do grupo. Todos precisarão dar o máximo para conseguir sobreviver aos extremos desafios físicos e psicológicos daquele lugar.

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COMENTÁRIOS
Pensei em mil maneiras de pegar leve com esta série, mas realmente não tem condições. A vontade que dá é de só fazer uma lista e sair dizendo tudo que é ruim por esse e aqueles outros motivos. Mas vou procurar seguir o padrão das críticas.

Imediatamente nos minutos iniciais do primeiro episódio o que notamos é uma tentativa deslavada de reencarnação de Lost. Porém, a única coisa que podemos dizer que as duas séries tem claramente em comum, é uma ilha misteriosa. The I-Land não tem personagens inteligentes, não tem carisma, não tem coerência narrativa, e o principal e mais grave, as atuações são terríveis! Eu não consigo lembrar de nada tão horroroso quanto isso. Anthony Salter é o nome do criador, e me pergunto de onde ele tirou as péssimas ideias que arrumou. Você consegue imaginar alguém pegar uma concha marinha e utilizá-la como megafone ou “berrante”? Bem, Salter parece ter visto sentido nisso, porque é exatamente o que a Kate genérica decide fazer, e claro, deu certo. Errado somos nós que nunca pensamos em fazer isso com uma concha.

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Persistindo ainda na comparação com o controverso Lost, o personagem de Alex Pettyfer, claramente faz referência ao Sawyer, bonitão, canastrão e de comportamento imprevisível. E qual motivo disso? Eu não sei. Só sei que o carinha do Eu Sou o Número Quatro já não é grande coisa atuando, e com um texto tão ruim quanto o que recebeu, eu senti um pouco até de pena. Sawyer era um pilantra, mas você enxergava o ser humano no personagem, mas em Brody você não nota nada. E o mais surreal, é o personagem ser um cara tão sem caráter, e mesmo assim conseguir convencer os outros de que é gente boa sem precisar de nenhum esforço para isso. Aliás, o único sentimento que eu tive era o de querer que aqueles dez personagens horríveis morressem logo para devolver a paz para a ilha.

A coisa é tão mal pensada que uma série de primeira temporada pequena, apenas sete episódios, possui em seu trailer oficial uma quantidade enorme de spoilers que frustra qualquer expectativa de reviravolta. Se a sinopse é pragmática em dizer que um grupo de dez pessoas sem memórias precisa sobreviver numa ilha misteriosa, faria sentido contar no trailer que aquilo tudo na verdade não passava de uma simulação? Faria sentido mostrar um grupo de pessoas dentro de uma sala de monitoramento acompanhando cada passo do grupo fazendo o uso de diversas câmeras escondidas pela ilha? O nome disso é pretensão. No fim das contas essa é apena uma série de baixa qualidade, sem personalidade alguma ao querer copiar outra. Tem conceitos ridículos, atuações deprimentes, e que força situações constantes que não fazem sentido algum.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Natalie Martinez, Kate Bosworth, Ronald Peet, Kyle Schmid, Sibylla Deen, Gilles Geary, Anthony Lee Medina, Kota Eberhardt, Michelle Veintimilla e Alex Pettyfer compõem o elenco. A série foi criada por Anthony Salter, e tem como produtores executivos Neil LaBute, Chad Oakes e Mike Frislev. A produção norte americana é de 2019, e foi lançada para o catálogo  de setembro da Netflix.

CONCLUSÃO
Quando assisti ao trailer fiquei curioso, afinal, era fã de Lost do tipo de perder tempo no Orkut olhando em fóruns sobre os mistérios daquela ilha. E daí pensei: “olha, essa série tem jeito de Lost, vou conferir”. Eu deveria ter ficado quieto na minha. Essa série é um total embuste! Antes de terminar o primeiro episódio eu já estava arrancando os cabelos de raiva. Tudo em The I-Land é terrível! Se o roteiro, conceito e atuações não prestam, o que sobra? Ah, já sei. A fotografia é muito bonita. Se você quiser assistir um cartão postal, vai fundo, porque de Lost só ficou a presunção mesmo. Não recomendo nem para meu pior inimigo.

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BETTER THAN US (CRÍTICA)

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SINOPSE
Num futuro não tão distante as máquinas fazem parte do dia a dia da maioria dos cidadãos da Rússia. Fábricas, hospitais, escolas, nada fica de fora. E não são simples máquinas, boa parte delas possuem graus de inteligência artificial para auxiliar nas tarefas mais pesadas dos humanos. Existem robôs babás, enfermeiros, e até mesmo parceiros sexuais. A indústria por trás de tal tecnologia busca constante avanço, estando sempre atrás de novos upgrades e modelos para clientes sedentos por novidades. E nesse contexto surge Arisa, uma robô de alta tecnologia adquirida por um magnata do mercado de alta tecnologia. Arisa é um protótipo de uma empresa chinesa, e emprega inteligência artificial que lhe capacita tomar decisões morais de acordo com seu aprendizado. Essa capacidade não era prevista por seus idealizadores, e após um incidente de violência, foi descartada.

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De maneira desconhecida, a robô com fisionomia similar à humana, chega às mãos do empresário russo, um homem de caráter duvidoso que coleciona ‘bonecas’ para atender seus fetiches sexuais. As coisas fogem do controle, quando Arisa, após ser molestada, assassina um dos homens que transportaram-na até ali. A robô então foge do prédio onde estava e, vai parar dentro de uma família comum da cidade de Moscou, onde é ‘adotada’ por uma criança, e começa a aprender uma série de conceitos sobre humanidade.

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COMENTÁRIOS
São poucas as séries que nos deixam confortável ainda no episódio piloto, e Better than Us é uma dessas. A produção russa de ficção científica tem várias qualidades que merecem ser citadas, começando pela sua estética, que logo de cara mostra personalidade conceitual. Não traz exageros alegóricos tradicionais da nossa imaginação quando idealizamos uma proposta de futuro. A criação de Andrey Junkovsky, tem total inspiração em Isaac Asimov, porém não se limitando por completo nos dilemas existenciais de máquinas sendo inseridas na sociedade. O foco é apontado mais para como os seres humanos lidam com essa tecnologia, que vem interferindo em questões previdenciárias, e na constituição de formatos familiares.

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Arisa é uma máquina capaz de identificar emoções e expressões humanas, ao mesmo tempo que consegue aprender e compreender a filosofia da ética se baseando em avanços morais. O destino lhe proveu sorte ao encontrar Sonya, uma pequena menina bastante inteligente, filha de Georgy N. Safronov, um respeitado patologista. As duas desenvolvem um elo afetivo, no qual Arisa tem fortes impulsos de proteger aquela família, e Sonya corresponde ao sentimento por perceber antes de todos que aquele não era um robô como os outros. Arisa aos poucos vai observando aquele ambiente familiar e, adotando cada vez mais um comportamento humanizado, porém sua ‘vida’ se mostra complicada, considerando que ela foi responsável pela morte de uma pessoa.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco de Better than Us conta com Paulina Andreeva, Kirill Käro, Aleksandr Ustyugov, Olga Lomonosova, Eldar Kalimulin, Vita Kornienko, Aleksandr Kuznetsov, Vera Panfilova, Fedor Lavrov, Sergey Sosnovsky, Pavel Vorozhtsov, Irina Tarannik, Sergey Kolesnikov e Kirill Polukhin. A obra é criação de Andrey Junkovsky, Aleksandr Dagan e Aleksandr Kessel, produzida pela Yellow, Black and White, em cooperação com a  Sputnik Vostok Production para o canal estatal russo C1R. Em 2019 a Netflix comprou os direitos de exibição da primeira temporada. Better than Us é uma série originalmente lançada na Rússia no ano de 2018 com o nome Лучше, чем люди.

CONCLUSÃO
Uma produção de muito bom gosto estético, que traz boas atuações, um roteiro sólido e, a discussão ética de como iremos lidar no futuro com máquinas coexistindo conosco de maneira tão próxima. Better than Us conta a história de uma robô descartada em seu desenvolvimento, mas que chegando às mãos de um poderoso empresário. Arisa acaba cometendo um crime e, em sua fuga vai parar dentro de um ambiente familiar. A série russa é original de 2018, mas estreou no ocidente recentemente através do serviço Netflix. Recomendo muito!

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TRAVELERS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO: Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.
Atitudes erradas da humanidade levaram o mundo à um futuro calamitoso de colapso social, então milhares de agentes são treinados e, enviados para o nosso período atual no intuito de fazer mudanças pontuais na linha do tempo para impedir tal predestinação. Então cinco destes viajantes são enviados assumindo cada um o corpo físico de uma pessoa qual já era conhecido o local e horário da morte. Este método servia para amenizar o máximo de interferência na linha temporal, visto que a pessoa não mais existiria. Porém eles ainda precisariam viver o restante de suas vidas seguindo a realidade de seu hospedeiro, enquanto missões eram orientadas pelo Diretor, e deviam ser cumpridas seguindo as regras exatas de cada protocolo.

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COMENTÁRIOS
Esta é uma série de 2016 que estreou e não dei a devida atenção, então estou atualmente correndo atrás do tempo perdido. Recordo ter assistido apenas o primeiro episódio e, sendo sincero, eu não lembrava de nada direito. Provavelmente parei para ver enquanto brigava contra o sono, costumo fazer isso as vezes. Então decidi dar uma conferida novamente, e tenho de dizer, essa série está me surpreendendo muito! A impressão que tinha era baseada num preconceito bobo com o ator Eric McCormack, não me pergunte, mas na minha cabeça esse era um ator de projetos duvidosos. Tenho uma lista com atores que se eu vejo a cara num filme ou série, eu já penso mil vezes antes de dar atenção. Mas não, realmente eu estava bastante errado. As vezes as pessoas são azaradas, ou não tem os contatos certos para pegar bons papéis. No fim das contas estou gostando da atuação de McCormack.

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Séries de ficção são alvo fácil para roteiros e conceitos de péssimo gosto, e são raras as exceções nesse gênero. As linhas de diálogos mal escritas e os nomes de itens fictícios são os elementos que mais costumam me incomodar. Não aguento piadinhas descabidas em momentos tensos, ou engenheiros pedindo ao assistente para passar o “suturador de ionização quântico”. Isso definitivamente me tira do sério! É preciso ser dito, Travelers é uma série não tem nada disso! Fui pensando ser realmente algo como dei o exemplo, mas não, temos aqui uma produção bem roteirizada e com um ritmo gostoso de assistir. Seu plot é apenas a ponta do iceberg, a trama vai desenvolvendo e trazendo uma série de novos elementos para incrementar o universo proposto.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco principal conta com os atores Eric McCormack, MacKenzie Porter, Nesta Cooper, Jared Abrahamson, Reilly Dolman e Patrick Gilmore. A criação de Brad Wright é produzida por Eric McCormack e foi distribuída no Canadá pelo canal Showcase Television do grupo do grupo Alliance Atlantis Communications. Para o resto do mundo Travelers foi ofertado pela Netflix. A série atualmente conta com 3 temporadas e um total de 34 episódios.

CONCLUSÃO
Travelers é uma série inteligente e agradável de assistir que se põe fora da curva se comparado à outras obras do gênero. Aqui não tem carnaval, não tem diálogos esdrúxulos e muito menos termos estúpidos para designar coisas que não existem. Duas coisas me surpreenderam bastante, o ritmo agradável do roteiro e as atuações de atores que até então eu tinha o preconceito de não esperar ao menos uma atuação razoável. O clima de suspense e tensão te instiga a devorar a série de uma só vez. Atualmente ela se encontra disponível na Netflix, então se você gosta do gênero ficção científica, esse aqui é um pratão para você! Para  mim está aprovadíssima!

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VIS A VIS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO: Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.
Macarena é uma mulher ingênua que após se envolver com seu patrão, um homem casado e com filhos, é seduzida a roubar a empresa onde trabalham. O desvio de dinheiro funciona, porém é abandonada pelo amante e acaba assumindo sozinha a culpa. Antes de partir para cumprir seus sete anos de prisão, informa a família que sairá em uma longa viagem, já que estava confiante de que conseguiria recobrar sua liberdade sem que nenhum parente descobrisse. Mas as coisas não saem conforme seus planos, e ela precisará amadurecer para sobreviver ao ambiente pesado de uma penitenciária particular feminina.

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COMENTÁRIOS
Essa é a premissa da série espanhola, que te convida a acompanhar os pavorosos desafios de uma mulher acostumada com os privilégios de uma vida confortável. Não que fosse de uma família rica, mas que nem de longe entendesse a realidade da maioria das mulheres com as quais precisaria dividir seu limitado espaço à partir de agora. E por ser uma mulher atraente que demonstrou certa fraqueza em seus primeiros dias, passa a ser importunada de diferentes formas. Somando-se isso à sua ingenuidade de criar dívidas com outras detentas, passa a temer prejudicar ainda mais a progressão da própria pena. Nada nem ninguém ali é totalmente confiável, cada pessoa possui suas prioridades e o seu próprio código moral, e quanto mais tempo Macarena leva para perceber isso, mas difícil fica sua situação.

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Vis a Vis é uma série de suspense e drama criminal que estreou em 20 de abril de 2015 pelo selo Netflix. A série espanhola traz a rotina de Macarena Ferreiro, também conhecida como Maca, na prisão feminina Cruz del Sur. Sua prisão foi dada em caráter provisório pelos quatro crimes fiscais cometidos, e embora as investigações ainda corressem, sua fiança foi definida muito mais alta do que poderia pagar. Quando a série estreou, foi inevitável a comparação da crítica com Orange Is the New Black, no entanto as duas séries possuem grandes diferenças de abordagem. Enquanto na série americana existe grandes pitadas de humor em meio ao drama, em Vis a Vis o clima é bem mais pesado e realista, focando no drama e suspense quase constante.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco de Vis a Vis é bem extenso, e conta com Maggie Civantos, Carlos Hipólito, Roberto Enríquez, Cristina Plazas, Berta Vázquez, Alba Flores, Inma Cuevas, María Isabel Díaz Lago, María Salgueiro, Ramiro Blas, Alberto Velasco, Marta Aledo, Daniel Ortiz, Harlys Becerra, Laura Baena Torres e Najwa Nimri. A série foi criada por Daniel Écija, Álex Pina, Iván Escobar e Esther Martínez Lobato, pela produtora espanhola Globomedia, e é dirigida por oito profissionais, Jesús Colmenar, Jesús Rodrigo, Sandra Gallego, David Molina, Álex Rodrigo, Marc Vigil, Ramón Salazar e Carles Torrens.

CONCLUSÃO
Como dito no começo desta resenha, me refiro às impressões da primeira temporada. Antes eu havia assistido um pouco de Orange Is the New Black, mas nunca tinha me prestado assistir nenhuma outra produção do gênero, então ao mesmo tempo que não tenho vícios de outras séries, também não sirvo de parâmetro para dizer se essa é melhor ou pior que outra. O que sei é que fiquei bastante entusiasmado com a qualidade da narrativa e como os personagens vão crescendo no decorrer da trama. Com um enredo intrigante, Vis a Vis te suga para um clima de tensão constante em que a imprevisibilidade reina. Em poucas palavras posso dizer que tem um conteúdo pesado destinado ao público adulto, personagens bastante críveis, e um roteiro muito bem amarrado. É do tipo pra se tirar o fim de semana e maratonar! A série está disponível na Netflix e já foi finalizada com quatro temporadas.

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WU ASSASSINS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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O que acontece quando você reúne o indonésio rei da pancadaria, a rainha viking mais bela e abençoada por Odin, Ryu do tenebroso filme Street Fighter, e Jimmy Lee da adaptação para o cinema Double Dragon? É inegável ser um elenco e tanto para os aficionados por filmes de ação, e digo logo, faz bonito no que se propõe! Ultimamente a Netflix ficou dependendo apenas de produções estrangeiras para trazer coisa boa com seu próprio selo. Não que isso seja um demérito, mas onde foram parar os trabalhos no nível de Demolidor, Narcos, House of Cards, Perdidos no Espaço, Orange Is the New Black ou Stranger Things? Até Black Mirror e Peaky Blinders são obras inglesas. E fazia tempo que não saia nada de muito legal, claro além das continuações de séries já lançadas. Porém essa mais nova produção americana traz de volta a qualidade e redime um pouco desse estigma negativo. Já entra com o pé na porta nessa primeira temporada!

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PLOT COM SPOILERS NÃO COMPROMETEDORES!
Logo de cara a porradaria come solta! Sim, não policiaremos o linguajar aqui por conta desta série ser destinada ao público adulto! A classificação etária foi definida como 18 anos, e estou de acordo com ela depois de ter assistido. Recapitulando. Vemos Kai Jin nos corredores de um prédio residencial caindo no pau com chineses armados com lâminas e armas de fogo numa luta frenética e sem pudor, com bastante violência gráfica. Coreografias muito bem elaboradas, ângulos de câmeras criativos e cortes de ação dignas de uma superprodução asiática. Tudo é muito bem feito e fácil de entender. Em termos de ação se assemelha bastante à pegada da série Demolidor. No entanto minha antena de “isso não está legal” acendeu. Gradualmente a luta complexa e realista, dá lugar a pequenos feitos improváveis até demais. Temos o jovem lutador se esquivando de tiros de pistola e segurando no ar uma faca que fora lançada com brutalidade na direção de um morador do prédio.

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A empolgante cena termina e somos levados um dia antes na cozinha de um restaurante em Chinatown, na São Francisco dos dias atuais, onde Kai trabalha como Chef. O rapaz se mostra uma pessoa introspectiva que se força manter princípios morais e de honestidade, mesmo tendo sido criado entre uma família de mafiosos da Tríade. Entre os afazeres culinários, um funcionário surge reclamando pelo erro de um pedido. E advinha, eram capangas da Tríade que foram mal atendidos e exigiam uma retratação. O funcionário que repassou o erro é levado até a mesa dos clientes mal encarados, onde é agredido covardemente. Kai intervém tentando pacificar a situação, e é ele que passa a ter uma arma apontada para a cabeça. Surge assim o mesmo cara que foi à cozinha fazer a reclamação pedindo calma, e dizendo que tudo aquilo não tinha passado de um mal entendido. Em sinal de uma mínima civilidade o agressor abaixa a arma, ignorando aquele episódio.

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Na tarde do dia seguinte Kai terminou o expediente, agora no seu humilde foodtruck, quando é atacado enquanto tentava sair com o carro. Eram homens com tacos de baseball chegando e arrebentando com tudo! Então ele entra numa luta corporal contra os caras se mantendo na vantagem. Consegue arrancar com o carro e fugir entre becos da cidade, quando de repente freia abruptamente devido a ter uma garota estirada na via. Sai do carro para prestar socorro, e ela simplesmente levanta, dizendo que ele era o escolhido, e lhe entrega um arte fato “mágico”! Pronto! A ficha caiu! Se eu tivesse visto o trailer eu não teria ficado surpreendido da forma que fiquei ao ver o cara desviando de balas e segurando uma faca lançada em alta velocidade. A série então era uma produção de ação com elementos de ficção e fantasia. Imaginei desde o princípio… Superada a estranheza, sim, para mim foi uma grande surpresa, o primeiro episódio continua e desenvolve enquanto vai apresentando outros personagens. Pararei por aqui. Informações extras ao meu entender já virariam spoilers indesejados. Como eu disse, o fator místico na série não é um spoiler, eu que era o deslocado e não sabia absolutamente nada sobre a produção antes de sentar para assistir.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Wu Assassins é recheado de incríveis artistas marciais, como o indonésio Iko Uwais, que dispensa apresentações, o experiente Mark Dacascos, a atriz, cantora e atleta de artes marciais JuJu Chan, o ator, dublê marcial Lewis Tan da série de ação Into the Badlands e Celia Au que vem mostrando um grande talento em seus últimos trabalhos. A direção do honconguês Stephen Fung, experiente com filmes de ação, traz personalidade e fluência nas cenas de coreografias complexas. Com planos bem elaborados e cortes dinâmicos, consegue uma suavidade que não cansa quem assiste. Não é aquela metralhadora de informação visual atropelada que dá até dor de cabeça ao coitado que assiste. Se tem um ponto negativo para apontar, eu diria que os efeitos especiais são inconstantes e as vezes até grosseiros. As cenas em CG são terríveis de mal feita, mas devido serem pontuais, não consegue tempo de extrair do clima bom que o enredo te transporta. Também não podemos exigir tanto, essa é uma série com foco na ação, então não seria estranho que a peteca cairia para algum lado. E caiu nos efeitos especiais de pós produção, como era de se esperar.

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CONCLUSÃO
Depois de ficar órfão da série Demolidor, a minha preferida em se tratando de ação, fui surpreendido com Wu Assassins. Eu realmente nem sabia que ela estava em produção, quanto mais estar agendada, simplesmente liguei o computador hoje e vi em destaque na grade como a nova produção original da Netflix. Sem rodeios não vi trailer e não procurei nada, me transportei para o primeiro episódio de uma só vez. E cara, que grata surpresa! Simplesmente espetacular! Não é uma série com cara de série, claro, tirando os defeitos visuais, mas parece sim um bom longa metragem de porrada tradicional de Iko Uwais. E lembre-se, essa é uma obra para adultos. Há muita violência gráfica e linguajar chulo. Tendo lembrado, bom divertimento!

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