O MANDALORIANO – SÉRIE DA DISNEY+ (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após cinco anos desde a queda do Império Galáctico, após a morte de Palpatine e Darth Vader bem como a destruição da segunda Estrela da Morte (Episódio VI – O retorno do jedi, 1983), os Caçadores de Recompensa sobrevivem por meio de escassos trabalhos nos confins da galáxia, longe da autoridade da Nova República. Nesta época, em que os remanescentes do Império Galáctico não passam de senhores da guerra e mercenários, um hábil caçador mandaloriano precisar restaurar sua própria honra, construir sua armadura e fazer fortuna.

Ao aceitar um trabalho fora dos registros habituais da guilda de caçadores de recompensa no planeta Nevarro para um oficial Imperial, Mando vence piratas espaciais que tinham em sua posse um curioso prêmio: um bebê de 50 anos da mesma espécie que o mestre Yoda. A partir daí, o Mandaloriano terá que rever seus conceitos morais, revisitar o passado e traçar novos rumos como pistoleiro galáctico e guerreiro de Mandalore.

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O QUE É UM MANDALORIANO?
O destino da Galáxia parece sempre se misturar a história do Mandalorianos. Quando nos remetemos aos filmes (do Episódio I ao VI), dois nos são extremamente importantes: Jango e Bobba Fett (pai e filho, respectivamente). O primeiro, presente na trilogia prequela (pré-sequência), esta por trás da tentativa de assassinato da Senadora Amidala de Naboo e seu código genético foi usado para criar o exército de de clones da República Galáctica (Episódio II – O Ataques dos Clones, 2002).

Já Bobba Fett, filho de Jango, é marcante por ter sido o líder dos Caçadores de Recompensas que terminaram por aprisionar Han Solo em Império Contra-Ataca (1980) e entregá-lo, ainda petrificado em carbonita, para líder mafioso de Tatooine, Jabba, o Hutt. Foi derrotado por Luke Skywalker e companhia na épica luta no deserto, no grande poço de Carkoon, Mar das Dunas, onde vivia a criatura Sarlacc. Fora o fato de muitas vezes serem mercenários ou caçadores de recompensa, e que são oponentes perigosíssimos para forças do bem (ou do mal), o que se sabe sobre os Mandalorianos?

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Mando, em um dado momento da série revela que o termo “mandaloriano” não se refere a um povo, do ponto de vista racial, mas que é uma filosofia. Não necessariamente se nasce Mandaloriano, mas se torna um. No livro O Código do Caçador de Recompensa (Bertrand Brasil, 2014), revela que os Progenitores Mandalorianos (os Tsaungs, Guerreiros das Sombras) originalmente eram um povo que habitava Coruscant (planeta que foi a capital da República e posteriormente do Império Galáctico). No entanto esse povo original acabou sendo expulso por inimigos para a Orla Exterior. Chegaram a Mandalore há 7 mil anos e 4 mil anos depois foram derrotados, durante a Cruzada da Grande Sombra (Grande Guerra Sith), na qual “foram traídos pelos Jedi e pelos Sith, que agiram como irmãos”, segundo Tor Vizla, líder dos Sentinelas da Morte (p.131).

Foi somente com o Mandalore, o Supremo,  que abriu os clãs para que todos os que os mostrassem valor no campo de batalha. Foram esses novos guerreiros, os Neocruzados, que entraram em batalha contra as forças da República, posteriormente, nas chamadas Guerras Mandalorianas. Os intuito deles não era conquistar a Galáxia, mas fortalecer a unidade e continuar os conflitos iniciados pelos Progenitores. No entanto eles foram duramente derrotados e forçados a se dispersarem pela galáxia.

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Diante da prosperidade dos Mandalorianos sob a liderança de Mandalore, o Unificador, que retornaram a seu planeta, segundo Tor Vizla, a República resolveu aniquilar definitivamente estes guerreiros como se fossem “um tecido canceroso a ser cortado da galáxia” (p.134). Desta forma tanto os Sith quanto os Jedi e a própria República já lutaram, se aliaram ou traíram os Mandalorianos que sempre tentaram resgatar sua honra ancestral, apesar de muitos Caçadores de Recompensa evidenciarem o problema da honra:

A honra é o que os poderosos usam para convencer os tolos a se sacrificarem. (Aurra Sing, mestra de Bobba Fett, p.135)

Assim os Mandalorianos que antigamente eram uma raça de Coruscant, acabaram por se tornar uma tribo aberta a todos os guerreiros valorosos na qual todo aquele que se destaque em bravura poderia ter uma posição de destaque. Tor Vizla, em seu relato no Código dos Caçadores de Recompensa, afirma:

Lembre-se de que alguns dos maiores Mandalores nasceram e cresceram fora do nosso planeta natal. (p.149).

No entanto o relato de honra que Tor Vizla revela é, em verdade, contraditório. Durante as Guerras Clônicas, Mandalore preferiu uma posição neutra no conflito não se aliando nem a República nem aos Separatista. Mas o grupo liderado por Vizla, o Olho da Morte, praticava o terrorismo tanto contra às Força de Dookan (por vingança pessoal) como contra os Jedis (devido ao histórico de luta contra estes últimos). Vemos Tor Vizla recrutar o príncipe órfão, Lux, e empunhar um sabre negro, artefato Jedi em sua origem. Tudo isso é perceptível na série animada Clone Wars (2008), no episódio 14 da 4ª temporada do desenho.

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A ARMADURA
Logo nos primeiros momentos da série, nos deparamos com Mando resgatando sua recompensa e a importância do Beskar, que inicialmente se pensa ser um moeda, mas que se trata de um metal importante e raríssimo para confecção de sua armadura. Foi o Beskar que levou os Progenitores ao sistema Mandalore, pois estava presente em seus planetas e luas. O Beskar é extremamente forte, capaz de desviar de tiros de blaster até de parar lâminas de sabre de luz. Portanto é um item muito difícil de ser conseguido e quando Mando recebe uma placa provinda das forjas do Império, trata logo de confeccionar uma Bes’marbur (espaldar ou ombreira).

O guerreiro mandaloriano, desde os Sentinelas da Morte de Mandalore, o Unificador, tem total de liberdade  para personalizar sua armadura “adaptando-a, assim, às suas responsabilidades e ao seu estilo de luta” (p.141). Porém dois itens são os que mais chamam a atenção: o capacete e o jetpak. No Código do Caçador de Recompensas, Tor Vizla afirma que o buy’ce (barbute ou capacete, cujo designer homenageia a face dos Progenitores) é, “ao mesmo tempo, o símbolo dos Mando’ade e o item mais importante de qualquer conjunto” (p.142), mas não expõe a regra de nunca pode ser retirado na frente de outro ser vivo. Isso não deixa claro se todos os Mandolorianos seguiam essa regra. Se pensarmos no clã dos Fetts, Jango mostrou sua face a Obin Wan Kenobi, no entanto a face de Bobba, adulta, nunca fora revelada na trilogia clássica.

Se o capacete é rico em tecnologia de rastreamento e amplia a visão do mandaloriano a ponto de enxergar 360º, o jetpak é, simultaneamente, a última parte do traje, a arma definitiva e a última parte o treinamento. Essa mochila de voo permite atacar com rapidez e pode ser equipada com mísseis dos mais diversos tipos. É um recurso escasso: só tem autonomia de um minuto de combustível e arsenal de um míssil, pelo menos de acordo com sua versão mais clássica.

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BEBÊ YODA? / LEVE SPOILER!
Apesar do furor das redes sociais chamar a criança encontrada por Mando como “Bebê Yoda”, pouco se sabe sobre ela. Assim como Yoda, o maior Jedi de todos os tempos, a Criança (assim que iremos mencioná-la), parece não só se assemelhar fisicamente ao mestre de Luke Skywalker na aparência, mas também na longevidade e poderes. Essa espécie, desconhecida e rara, tem alta longevidade. Yoda, por exemplo, morreu aos 900 anos de idade em Dagobah, como nos mostra em O Retorno do Jedi (1983). Então a Criança, de 50 anos de idade, não se trata de Yoda ou sua reencarnação visto que a série se passa 5 anos após o Episódio VI e nesse mesmo longa vemos o velho mestre Jedi como fantasma da Força que ajuda Luke.

Quanto aos poderes da Criança, são mostrados aos poucos como telecinese (movimento de objetos com por meio da Força), repulsão de ataque, cura e até um estrangulamento da Força, técnica de Darth Vader. Mas no mais, nada que demonstre mais sobre sua identidade e origem. Nem Mando sabe como explicar tais poderes. Mas uma fato fica claro com relação aos Mandalorianos e os “bruxos” manipuladores da Força: a eterna desconfiança. O Código do Caçador de Recompensa, afirma, por meio de Tor Vizla:

Esses feiticeiros têm interferido nos nossos assuntos há milênios. Os antigos Jedi demoliram o império de Mandalore, o Supremo, e acabaram com nossos clãs na Ani’la Akaan, e seus descendentes supervisionaram a Aniquilação. […] Os Sith não são melhores, iludindo repetidamente os Mando’ade a servi-los como tropas de choque. (p.156)

Para finalizar, não é a primeira vez que vemos alguém da raça de Yoda. A mestre Yaddle, presente no Conselho Jedi durante o Episódio I – A Ameaça Fantasma, possuía 477 anos e estava a frente da Assembleia dos Bibliotecários no Templo Jedi. Era versada na técnica Morichro (um possível método de matar sem usar o lado sombrio da Força). Morreu em Mawan tentando levar a paz a uma guerra civil.

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ANÁLISE DA PRODUÇÃO
O que torna o enredo da primeira temporada de O Mandaloriano tão cativante é que ela não segue uma temática tão inovadora assim.A dinâmica reside em uma série de ingredientes clássicos como o assassino profissional que se relaciona com uma criança em seu trabalho. Se pensamos por esse lado, a série do Caçador de Recompensas segue de perto os passos de O Profissional (1994), filme de Luc Besson, que tem no assassino de aluguel Léon (Jean Reno) como protagonista. Ele se envolve com a filha de seu vizinho, uma garota de 12 anos, que quer vingança pela morte de seu pai, envolvido no tráfico de drogas.

No entanto a Criança (o bebê Yoda), por mais que tenha 50 anos, ainda é muito jovem para nutrir sentimentos de vingança (ao menos é o que parece) como no filme de Besson. Esta relação entre um homem solitário de uma criança abandonada, contudo, está no âmago de muitas histórias do imaginário ocidental, desde comédias Sessão da Tarde como Três Solteirões e um bebê (1987) e o filme de Adam Sandler, O Paizão (1999), por exemplo; passando por filmes de ação caricatos como Mandando bala (2007) ou séries como atual Hanna da Amazon. Isso só para citar alguns exemplos.

Ao revisitar o tema “assassino/adulto anti-herói que adota uma criança”, o produtor Jon Favreau o reveste da mítica por trás dos Caçadores de Recompensa, tão pouco explorados nos filmes, apesar de serem tão fundamentais na história da trilogia prequela (pré-sequência) como para trilogia clássica. Isso se soma ao fato de abarcar um período de tempo pouco abordado: o que acontecera à Galáxia após Luke Skywalker vencer o Imperador Palpatine.

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Outro ponto impactante é justamente a trilha sonora. Sabemos que os filmes tem o toque magistral de John Williams, responsável por clássicos da franquia como, por exemplo, a The Imperial March de O Império Contra-Ataca (1980). Longe de mim, a Força não me perdoaria, de comparar o trabalho desse mestre como de Ludwig Göransson, porém a trilha de O Mandaloriano consegue manter o tom épico da franquia, em um estilo clássico e retrô, principalmente na música tema.

Ainda mantendo os ares clássico da trilogia, ao final de cada episódio os créditos mostram a arte conceitual que inspirou o episódio. Para um fã Star Wars é a oportunidade de ver como a produção acabou tornando realidade uma ilustração e claro fazer comparações entre aquilo que foi idealizado e o que foi concretizado. Cada ilustração nos lembra cartazes de filme antigo ou os desenhos repletos de cor de Frank Frazetta, mestre de ilustração sci-fi.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Pedro Pascal, Gina Carano, Giancarlo Esposito, Carl Weathers, Taika Waititi, Nick Nolte, Emily Swallow, Omid Abtahi, Werner Herzog, Bill Burr, Mark Boone Jr., Ming-Na Wen, Natalia Tena, Ismael Cruz Cordova e Julia Jones compõem o elenco. Jon Favreau atuou como roteirista, criador, showrunner e, foi o produtor executivo junto de Dave Filoni, Kathleen Kennedy e Colin Wilson. O Mandaloriano (The Mandalorian), é uma série norte-amaericana lançada em 2019 baseada na franquia Star Wars, originalmente criada por George Lucas. Ao total são 8 episódios nesta primeira temporada, e o conteúdo está disponível pelo serviço por assinatura, ainda não disponível no Brasil até a conclusão desta resenha, Disney+.

CONCLUSÃO: O Caminho
A todo momento da série, a filosofia mandaloriana repete a seguinte frase “como deve ser”, na tradução para nossa língua. Gosto do original: The Way (O Caminho). O caminho da série (com letra minúscula) parece ser promissor. Há muitas referências ao mundo Star Wars sem atrapalhar a imersão daqueles que poucos sabem sobre a franquia. O público comum suspirará e sorrirá com cada cena da Criança (Bebê Yoda), mas o fã conseguirá rir de uma piada sobre Gungas, droides de Taooine ou o gosto alimentício peculiar dos Jawas, catadores de ferro-velho. Nesse ponto a produção da Disney é super fiel ao que de melhor foi feito na trilogia clássica: de locações a interpretações.

Quanto à atuação, uma especial menção a Pedro Pascal (Narcos), que está muito à vontade no papel de Mando, Nick Nolte como um fazendeiro ugnaught e a surpresa: Gina Carano, lutadora de MMA que convence no papel de uma ex-Soldado de choque rebelde.

Já no enredo, o Caminho de Mando se revela atípico. Não é só sobre honra, sobre alcançar seu lugar de respeito na Galáxia. O “Enjeitado”, órfão, que se tornou Caçador de Recompensas terá que rever seu código moral e a todo momento, sua verdades serão postas à prova. Parece que o mundo não é somente o bem e o mal. Há uma linha tênue entre essas duas fronteiras. Tais certezas serão abaladas com a chegada da Criança que deverá ser abandonada ou reconduzida às suas origens. É nesse processo que Din Djarin (o Mandaloriano), nesse Caminho, que encontrará sua própria transformação. O série vale a recompensa por assistir e aguardamos com ansiedade a próxima temporada. Fiquem fortes, por Mandalore!

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DEMOLIDOR – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE DA SÉRIE
Matthew Murdock era filho de um humilde, porém excelente pugilista, com quem aprendeu a ser um cara durão e, acima de tudo, justo. Após se envolver num acidente com produtos químicos desconhecidos, perdeu totalmente sua visão quando ainda era uma criança, porém adquiriu um poder bem peculiar. Podia assim como um morcego, desenhar mentalmente a geometria de qualquer superfície de um raio enorme ao seu redor à partir de uma audição apuradíssima! Passou a ouvir detalhadamente conversas à distância, e os batimentos cardíacos das pessoas, fazendo com que pudesse ter juízo das reais intenções de qualquer um. Nada fugia da percepção dele! Matt cresceu e se tornou um advogado na traiçoeira Hell’s Kitchen, bairro de Nova York, onde nasceu e foi criado. Durante o dia ele faz de tudo para que os bandidos sejam condenados, e durante a noite, quando os mais poderosos e perigosos se esquivam usando as brechas da lei, encarna o impetuoso justiceiro, Demolidor. No seu dia à dia procura se manter o mais anônimo possível agindo como um suburbano comum, e embora completamente desnecessário, não larga seu bastão guia para se caracterizar como um cego. A vida de Matt começa a ficar cada vez mais agitada, quando negociações entre perigosos mafiosos começam a prejudicar a vida dos moradores do bairro. Não sendo suficiente os seus recursos pacíficos e dentro da lei, quando a noite chega, é possuído pela fúria do ímpeto por justiça, assumindo a identidade de Demolidor, O Demônio de Hell’s Kitchen!

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PERSONAGEM FAVORITO
Já começo deixando algo bem claro, Demolidor, de longe, é o meu personagem favorito de todo o Universo Marvel. Conheci o ‘Homem Sem Medo’ ainda no começo da minha adolescência, quando descobri a existência dos empoeirados sebos. Eram duas edições de HQ’s que mais me fascinavam, as icônicas A Espada Selvagem de Conan, e os formatinhos Superaventuras Marvel, este último, importante para esta conversa, publicado entre 1982 à 1997. Lendo dezenas daqueles gibis de segunda mão fedendo a pó de tumba, que fui me apaixonando cada vez mais pelo personagem. Ele era uma pessoa comum, que de extra, tinha apenas sua percepção melhorada. Matt tinha sim muito vigor, sua estamina era alta devido ao seu treinamento brutal, mas estruturalmente era apenas um ser humano normal. Sangrava, quebrava, sentia dor, e como qualquer um, precisava descansar para se recuperar. Primordialmente foi esse realismo em um super-herói que me encantou.

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COMENTÁRIOS
Quando Demolidor (Marvel’s Daredevil) foi anunciado, acredito ter sido fim de 2013, eu pirei! Eu costumo ser muito cético com anúncios, não sou de criar hype, mas na minha cabeça eu fiz uma conta meio louca e psicologicamente fiquei convencido. Embora fosse eu, o fã número um de Demolidor no planeta Terra, tinha ciência de que este não era um produto Marvel de grande potencial comercial. Pelo menos não quando considerado o catálogo enorme e recheado de outros personagens muito mais populares. A visão que eu peguei foi: “se algum produtor pegou Demolidor para adaptar, é porque ele é fã número um assim como eu!” Mais tarde eu descobri que a história dos acertos da Marvel Studios com a produção não era tão romantizada assim.

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Não importa o que era ou não era, só sei que meu subconsciente foi feliz em sua aposta! Chegado Abril de 2015, estreia de Demolidor na Netflix! Maratonei durante a noite e madrugada, resultado, um zumbi foi trabalhar durante a manhã. Brutal! Simplesmente maravilhoso! A Netflix superou e muito minhas expectativas, e elas já eram bem grandes. Eu nunca poderia imaginar um trabalho tão respeitoso ao personagem original. Charlie Cox, que interpreta Matthew Murdock, incorporou fielmente a personalidade e os trejeitos da versão original dos quadrinhos. Um cara seguro de si, de humor ácido e que conseguiu em parceria com um dublê incrível, dar vida à um dos heróis acrobáticos mais complexos de se fazer. As cenas de ação possuem um realismo raro até em filmes de grandes orçamentos. As coreografias inspiradas e as cenas de luta tinham um vigor assustador! Demolidor não tem firulas, ele dá saltos e algumas piruetas sim, mas suas porradas são de um boxeador decidido a finalizar o oponente!

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Sabemos que herói nenhum tem grande valor sem um bom antagonista, e Vincent D’Onofrio já chega derrubando tudo! Sua personificação de Rei do Crime é digna de Oscar! Sua imponência e brutalidade é de fazer quem o enfrente se borrar nas calças! Uma mente complexa que pode ser doce e calma como de um recém nascido sedado, ou monstruosa e viril como a do Hulk! Espero que tenham entendido a força de expressão. Tudo em Demolidor funciona muito bem, absolutamente nada me incomodou. Seu roteiro é super bem escrito, a direção impecável e mantém qualidade por toda série. Todo o elenco dá a alma por seus personagens, imagino o quanto esses caras trabalharam criando perfis de atuação. Por trás de Demolidor existe um cara chamado Chris Brewster, um especialista em artes marciais que fundou com os amigos um grupo de dublês chamado ‘Sideswipe’, e ele é responsável pelas cenas de ação e lutas mais fantásticas de tudo com o selo Marvel lançado até agora, na minha opinião.

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Demolidor é uma série diretamente destinada ao público adulto, para maiores de 18 anos. Isso se deve a seu formato fazer questão de mostrar a violência como um importante elemento narrativo. Essa escolha de conceito permitiu que personagens assumissem uma aparência muito mais real e de crueza em seus atos. Não existe economia no linguajar e nem no sangue é extraído e jorrado para todo lado. Não espere uma aventura emborrachada e colorida como as produções da Marvel supervisionadas pela Disney, O Demônio de Hell’s Kitchen não tem esse apelido dado pela vizinhança à toa. Demolidor da Netflix é um presente aos fãs deste fantástico personagem!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vincent D’Onofrio, Rosario Dawson, Vondie Curtis-Hall, Toby Leonard Moore, Bob Gunton, Ayelet Zurer, Élodie Yung, Jon Bernthal, Stephen Rider, Joanne Whalley, Jay Ali, Wilson Bethel, Royce Johnson, Peter Shinkoda, Matt Gerald, Wai Ching Ho, Peter McRobbie, Amy Rutberg, Nikolai Nikolaeff, Scott Glenn e Michelle Hurd compõem o elenco. Demolidor é uma série americana original da Netflix, adaptada do personagem original de Stan Lee (em parceria com Bill Everett e Jack Kirby), por Drew Goddard. Produzida por Kati Johnston, tem como produtores executivos, Allie Goss, Kris Henigman, Cindy Holland, Alan Fine, Stan Lee, Joe Quesada, Dan Buckley, Jim Chory, Jeph Loeb, Drew Goddard, Steven S. DeKnight, Marco Ramirez e Doug Petrie. A cinematografia é de Matt J. Lloyd, Martin Ahlgren e Petr Hlinomaz, e os editores Jonathan Chibnall, Monty DeGraff, Jo Francis, Michael N. Knue e Damien Smith. A música tema são dos compositores John Paesano e Braden Kimball. A série foi produzida pela Marvel Television, ABC Studios, DeKnight Productions, Goddard Textiles e Netflix, e distribuída pelo serviço de assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Demolidor é uma série da Netflix que assume um conceito bem mais adulto que as outras produções da Marvel, e compartilha o mesmo universo compactado com Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Mais tarde se unem na liga Os Defensores, qual Justiceiro não participa por ser um anti-herói exacerbado demais. Particularmente considero esta uma das melhores produções do selo Netflix, suas qualidades se destoam em muitos aspectos. Seu elenco é incrível, suas coreografias superam muitos blockbusters milionários, seu roteiro é firme e intrigante, sua direção é irretocável, simplesmente tudo funciona orquestradamente bem e com total harmonia. O futuro da série ainda é nebuloso, ao que tudo indica a Disney ‘embargou’ a continuidade da produção, porém existem boatos de que a série pode voltar para uma quarta temporada. No total são 39 episódios distribuídos em três temporadas. Demolidor é destinado ao público maior de 18 anos, e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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WU ASSASSINS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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O que acontece quando você reúne o indonésio rei da pancadaria, a rainha viking mais bela e abençoada por Odin, Ryu do tenebroso filme Street Fighter, e Jimmy Lee da adaptação para o cinema Double Dragon? É inegável ser um elenco e tanto para os aficionados por filmes de ação, e digo logo, faz bonito no que se propõe! Ultimamente a Netflix ficou dependendo apenas de produções estrangeiras para trazer coisa boa com seu próprio selo. Não que isso seja um demérito, mas onde foram parar os trabalhos no nível de Demolidor, Narcos, House of Cards, Perdidos no Espaço, Orange Is the New Black ou Stranger Things? Até Black Mirror e Peaky Blinders são obras inglesas. E fazia tempo que não saia nada de muito legal, claro além das continuações de séries já lançadas. Porém essa mais nova produção americana traz de volta a qualidade e redime um pouco desse estigma negativo. Já entra com o pé na porta nessa primeira temporada!

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PLOT COM SPOILERS NÃO COMPROMETEDORES!
Logo de cara a porradaria come solta! Sim, não policiaremos o linguajar aqui por conta desta série ser destinada ao público adulto! A classificação etária foi definida como 18 anos, e estou de acordo com ela depois de ter assistido. Recapitulando. Vemos Kai Jin nos corredores de um prédio residencial caindo no pau com chineses armados com lâminas e armas de fogo numa luta frenética e sem pudor, com bastante violência gráfica. Coreografias muito bem elaboradas, ângulos de câmeras criativos e cortes de ação dignas de uma superprodução asiática. Tudo é muito bem feito e fácil de entender. Em termos de ação se assemelha bastante à pegada da série Demolidor. No entanto minha antena de “isso não está legal” acendeu. Gradualmente a luta complexa e realista, dá lugar a pequenos feitos improváveis até demais. Temos o jovem lutador se esquivando de tiros de pistola e segurando no ar uma faca que fora lançada com brutalidade na direção de um morador do prédio.

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A empolgante cena termina e somos levados um dia antes na cozinha de um restaurante em Chinatown, na São Francisco dos dias atuais, onde Kai trabalha como Chef. O rapaz se mostra uma pessoa introspectiva que se força manter princípios morais e de honestidade, mesmo tendo sido criado entre uma família de mafiosos da Tríade. Entre os afazeres culinários, um funcionário surge reclamando pelo erro de um pedido. E advinha, eram capangas da Tríade que foram mal atendidos e exigiam uma retratação. O funcionário que repassou o erro é levado até a mesa dos clientes mal encarados, onde é agredido covardemente. Kai intervém tentando pacificar a situação, e é ele que passa a ter uma arma apontada para a cabeça. Surge assim o mesmo cara que foi à cozinha fazer a reclamação pedindo calma, e dizendo que tudo aquilo não tinha passado de um mal entendido. Em sinal de uma mínima civilidade o agressor abaixa a arma, ignorando aquele episódio.

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Na tarde do dia seguinte Kai terminou o expediente, agora no seu humilde foodtruck, quando é atacado enquanto tentava sair com o carro. Eram homens com tacos de baseball chegando e arrebentando com tudo! Então ele entra numa luta corporal contra os caras se mantendo na vantagem. Consegue arrancar com o carro e fugir entre becos da cidade, quando de repente freia abruptamente devido a ter uma garota estirada na via. Sai do carro para prestar socorro, e ela simplesmente levanta, dizendo que ele era o escolhido, e lhe entrega um arte fato “mágico”! Pronto! A ficha caiu! Se eu tivesse visto o trailer eu não teria ficado surpreendido da forma que fiquei ao ver o cara desviando de balas e segurando uma faca lançada em alta velocidade. A série então era uma produção de ação com elementos de ficção e fantasia. Imaginei desde o princípio… Superada a estranheza, sim, para mim foi uma grande surpresa, o primeiro episódio continua e desenvolve enquanto vai apresentando outros personagens. Pararei por aqui. Informações extras ao meu entender já virariam spoilers indesejados. Como eu disse, o fator místico na série não é um spoiler, eu que era o deslocado e não sabia absolutamente nada sobre a produção antes de sentar para assistir.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Wu Assassins é recheado de incríveis artistas marciais, como o indonésio Iko Uwais, que dispensa apresentações, o experiente Mark Dacascos, a atriz, cantora e atleta de artes marciais JuJu Chan, o ator, dublê marcial Lewis Tan da série de ação Into the Badlands e Celia Au que vem mostrando um grande talento em seus últimos trabalhos. A direção do honconguês Stephen Fung, experiente com filmes de ação, traz personalidade e fluência nas cenas de coreografias complexas. Com planos bem elaborados e cortes dinâmicos, consegue uma suavidade que não cansa quem assiste. Não é aquela metralhadora de informação visual atropelada que dá até dor de cabeça ao coitado que assiste. Se tem um ponto negativo para apontar, eu diria que os efeitos especiais são inconstantes e as vezes até grosseiros. As cenas em CG são terríveis de mal feita, mas devido serem pontuais, não consegue tempo de extrair do clima bom que o enredo te transporta. Também não podemos exigir tanto, essa é uma série com foco na ação, então não seria estranho que a peteca cairia para algum lado. E caiu nos efeitos especiais de pós produção, como era de se esperar.

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CONCLUSÃO
Depois de ficar órfão da série Demolidor, a minha preferida em se tratando de ação, fui surpreendido com Wu Assassins. Eu realmente nem sabia que ela estava em produção, quanto mais estar agendada, simplesmente liguei o computador hoje e vi em destaque na grade como a nova produção original da Netflix. Sem rodeios não vi trailer e não procurei nada, me transportei para o primeiro episódio de uma só vez. E cara, que grata surpresa! Simplesmente espetacular! Não é uma série com cara de série, claro, tirando os defeitos visuais, mas parece sim um bom longa metragem de porrada tradicional de Iko Uwais. E lembre-se, essa é uma obra para adultos. Há muita violência gráfica e linguajar chulo. Tendo lembrado, bom divertimento!

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