SEX EDUCATION – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
137_04Otis é um garoto bem diferente da maioria dos jovens com que convive, vindo de uma criação pouco convencional na qual seus pais não conseguem se desligar de suas carreiras como terapeutas sexuais, o que fazia com que o rapaz desde muito jovem ficasse exposto a todo tipo de conhecimento sobre o assunto. A decoração da sua casa é repleta de ornamentos fálicos e todo tipo de objetos que remetiam a sexualidade. Para quem não conhecia o entusiasmo da sua mãe pelo trabalho, aquilo era uma total loucura. Na escola era introspectivo e pouco notado, e em seu íntimo se sentia para trás na corrida por alcançar a vida adulta, o que para ele se traduzia em: fazer sexo. Em outras palavras, perder a virgindade. Se por um lado ele se sentia perdido com as próprias ações na busca disso, de outro ele era um oráculo de conhecimento sobre tudo relacionado a comportamento sexual. Como eu disse, a vida dele era louca. Tinha acesso a intermináveis estantes repletas de livro sobre o tema, e sua mãe fazia de sua vida um reflexo das sessões com seus pacientes. Definitivamente sexo não era um tabu para Otis e, é quando ele se junta a Maeve, uma colega de classe que ele sempre observava de longe com certa admiração, e que agora lhe deu brecha para um melhor contato, fazendo sua imaginação começar a se desenvolver em atração por ela. Mas aquele era um mero acordo comercial, onde a menina conseguia clientes com problemas em suas vidas sexuais, e Otis orientava individualmente em breves reuniões sigilosas. No entanto essa feliz parceria vai se desenvolvendo, e inconscientemente o jovem vai aflorando uma nova realidade para Maeve, ao mesmo tempo que ela o faz se sentir mais confiante do próprio potencial.

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COMENTÁRIOS
Na juventude é natural nossa ansiedade maior por avançar em nossa própria sexualidade, e isso pode se tornar um verdadeiro caos dependendo da nossa bagagem de vida até o fatídico momento de interesse por essas descobertas. São infinitos fatores e combinações que podem desencadear uma vida sexual sem brilho e satisfação, e é com uma enorme sensibilidade e respeito que Sex Education (2019) aborda esse tópico tão delicado. Sempre inteligente e com humor elevado, são escritos os mais variados tipo de cenários e situações. É surpreende a ousadia e a assertividade do tato de Laurie Nunn, criadora e uma das idealizadoras da série em conjunto com Ben Taylor. Gostaria muito que esta série pudesse alcançar todo mundo, pois desmonta paradigmas espinhosos e remonta de forma clara, para que independente da sua origem cultural, consiga entender a simplicidade que é a complexidade de como as pessoas enxergam suas próprias realidades. Recebemos projeções da vida dos nosso amigos, familiares, aquele outro desconhecido por qual temos empatia, e obviamente, sobre nós mesmos. E não existe nada mais esclarecedor e útil do que vermos nossos próprios demônios serem fragmentados em pedaços na nossa frente, e ter as opções de deixarmos as coisas seguirem como estão indo ou decidirmos atualizar. No fim sempre temos o livre arbítrio.

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Comentando um pouco sobre os aspectos gerais, Sex Education é uma série muito leve e confortável de assistir. Sua fotografia é belíssima e explora as belezas naturais da Wye Valley, patrimônio internacional da humanidade que se estende pela fronteira da Inglaterra com o País de Gales, sendo uma das paisagens cênicas mais inspiradoras de toda Grã-Bretanha. Seu enredo é bem amarrado e traz discussões precisas sobre temas triviais para o nosso entendimento sobre o quanto é importante nos colocarmos na posição do outro. As vezes o que nos causa graça ou repulsa pelo mero capricho de um julgamento imaturo, é motivo de muita dor e sofrimento para o alheio. Tudo isso é bem explorado com compaixão e nunca abandonando a honestidade. A trilha sonora é feita para abraçar a geração dos trinta, com Billy Idol, A-Ha, The Cure, The Smiths, UB40, INXS e muitos mais! Meu chapa, tem até Love Missile F1-11 do Sigue Sigue Sputnik, mais anos oitenta é impossível!

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PERSONAGENS! Sei que não vou conseguir destrinchar todos os que merecem atenção, mas vou citar ao menos os mais constantes na série.

  • Otis Milburn, é interpretado por Asa Butterfield, um jovem de carisma fenomenal! Um personagem complexo que mescla introspectividade com desinibição de uma maneira muito singular. Fechado para seus próprios dilemas e limitações, é uma caixinha de surpresa quando se trata de solucionar seus problemas.
  • Maeve Wiley recebe vida de Emma Mackey, atriz de semblante natural conflituoso, com um ar misto de arrogância e doçura, e que foi capaz evocar uma jovem rebelde de personalidade bem emaranhada. Sempre inteligente, sagaz e de humor ácido, se enxerga uma pessoa melhor através dos olhos, para ela ingênuos, de um tolo e esperançoso Otis.
  • Eric Effiong é vivido por Ncuti Gatwa. É para mim o personagem mais carismático da série. Negro, gay, de família humilde e tradicional, é uma pessoa sempre extrovertida e que valoriza o apoio e carinho daqueles que mais importam. Seu melhor amigo é Otis, e quando digo amigo, é porque os dois são unha e carne. Eric tem suas quedas, mas está sempre evoluindo e buscando jogar a bola pra frente. Rancor não é com esse cara!
  • Aimee Gibbs é interpretada por “Aimee” Lou Wood. Ela fica situada no grupo das patricinhas da escola, e das garotas de sua mini bolha é a menos extrema ao interagir com quem é de fora. Cabeça de vento com tudo, literalmente é lenta para entender o óbvio, o que acaba fazendo com que suas amigas façam-na de gato e sapato. Nos relacionamentos é confusa, e combinado com seu desconhecimento sobre seu próprio corpo, precisa se esforçar para entender o que quer da vida.
  • Jackson Marchetti é o superastro da escola vivido por Kedar Williams-Stirling. Descolado, popular, entusiasta na natação e com notas elevadas, está sempre rodeado de admiradores e professores interessados em seu alto desempenho acadêmico. Mas por dentro Jackson sofre uma enorme pressão, afinal, na busca de seus ótimos resultados ele precisa se abdicar de uma série de distrações e prazeres que talvez só pudesse aproveitar nesta etapa da vida.
  • Adam Groff é interpretado por Connor Swindells, e é filho do diretor Michael Groff. Adam é o um dos personagens mais complicados para não dizer caóticos de Sex Education. Nitidamente fica claro que sua agressividade tem origem da criação ríspida que teve de um pai problemático e que não o orienta bem. Sempre perdido em suas atitudes, não consegue focar e mirar num objetivo claro, estando sempre a mercê do que surge no ambiente.
  • Dra. Jean F. Milburn é encarnada por Gillian Anderson, a eterna Scully de Arquivo-X. Sensacional! Se mostrando calculista e falsamente estável, é uma mulher inteligente, bem resolvida, mas que também quer ter tudo sob seu controle. Quebrando a ética em diversos momentos ao seu relacionar com pacientes, também faz da vida de Otis um curioso laboratório para suas pesquisas comportamentais, e claro, sem ele saber.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Asa Butterfield, Gillian Anderson, Ncuti Gatwa, Emma Mackey, Connor Swindells, Kedar Williams-Stirling, Aimee Lou Wood, Alistair Petrie, Mimi Keene, Chaneil Kular, Simone Ashley, Tanya Reynolds, Mikael Persbrandt, Patricia Allison e Anne-Marie Duff compõem o elenco. Escrito por Laurie Nunn, Sex Education é uma série de drama, romance e comédia lançada em 2019 sob o selo de distribuição Netflix. A adaptação recebeu como roteiristas na primeira temporada Laurie Nunn, Sophie Goodhart, Laura Neal e Freddy Syborn, e a direção foi dividida entre Ben Taylor e Kate Herron. A produção executiva é de Jamie Campbell e Ben Taylor, o produtor é Jon Jennings, cinematografia de Jamie Cairney e Oli Russell, e edições de Steve Ackroyd, David Webb e Calum Ross. Os estúdios utilizados são da Eleven Film, enquanto a distribuição internacional é do serviço por assinatura stream Netflix. A série conta até 2020 com duas temporadas, cada uma contendo oito episódios de uma média de cinquenta minutos cada um.

CONCLUSÃO
Sex Education é uma das séries mais gostosas de divertidas de se assistir no catálogo da Netflix, porém ela tem um corte de audiência por motivos óbvios, a censura. Não existe nada explícito aqui, no entanto o linguajar é pesado e escrito pensando em causar efeito nos jovens adultos. Definitivamente não é conteúdo para crianças assistirem. Convide seu companheiro ou amigos da sua faixa de idade, e pode ter certeza que vocês terão ótimos momentos de diversão. A classificação indicativa para Sex Education é de 16 anos, e a série já tem disponibilizada duas temporadas na Netflix. Então lave as mãos, pegue a sua pipoca e bate aquela vitamina de mamão!

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THE WITCHER – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Não importa em que mundo você esteja, ele sempre será bastante perverso com o diferente ou com o que não compreende. E num lugar assim, como qualquer outro, que Geralt de Rívia vive, um caçador de monstros que vaga solitariamente buscando conhecer a si mesmo para encontrar seu lugar num mundo onde as pessoas podem ser muito mais cruéis que as mais terríveis bestas que enfrenta. Seu destino o leva a conhecer Yennefer de Vengerberg, uma poderosa feiticeira e, Cirilla Fiona Elen Riannon, uma jovem princesa sobrevivente de uma chacina, e detentora de um perigoso segredo. Juntos esse incomum trio precisa aprender a conviver e caminhar por este inóspito continente habitado por todo tipo de perigosas criaturas.

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COMENTÁRIOS
Aguardadíssimo por uma legião de fãs, mais da série de jogos eletrônicos do que dos livros originais de Andrzej Sapkowski, The Witcher chegou arrebentando tudo na Netflix nesse finzinho de 2019. Muito diferente do que alguns jornalistas do ramo vinham alimentando como ideia, a série em nada tem métrica para se comparar a Game of Thrones. Os conceitos são diferentes, a linguagem é outra, e o público alvo não exatamente é compatível. Enquanto a obra de George R. R. Martin aborda de forma pesada os conflitos pelo poder, quase como num House of Cards, The Witcher está mais preocupado (ao menos nesta primeira temporada) em trazer uma aventura fantástica num ambiente onde a politização tem outra natureza. Racismo e atritos entre diferenças sociais são os elementos mais comuns, e nesse canário vamos compreendendo o alinhamento moral de Geralt, herói desta história.

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Um dos principais méritos de The Witcher são suas imponentes tomadas de lutas coreografadas, geralmente em grandes planos sequências, sincronia impecável, velocidade, e muito vigor, mostrando o altíssimo nível de dedicação de Henry Cavill aos treinos para o papel. Todo os conceitos, que até então eram graficamente exclusivo dos jogos The Witcher, foram acolhidos e muito bem explorados pela equipe de design artístico. Trazendo belíssimas e convincentes paisagens digitalizadas e, uma elaboração bastante realista de grandes salões de castelos, calabouços, e vielas detalhadas de reinados de todos os tamanhos e tipos. A produção é muito bonita e confortável, com uma saturação sóbria que contribui bem para a atmosfera de mistério por trás de um universo que se revela aos pouquinhos. Aqui não existem grandes linhas de diálogos para te inserir artificialmente na ‘main story’, você terá de ter paciência e atenção para entender onde o roteiro quer te levar. O universo de The Witcher é vasto e muito rico em detalhes, não devendo em nada aos contos de Tolkien, ou mesmo a George R. R. Martin. Sua linguagem não é das mais simples, e ao mesmo tempo que acelera com vigor em momentos de ação, também traz alguns grandes e inconsistentes intervalos de tempo entre eles. O que no meu ver não é motivo algum para qualquer coisa ser taxada como bom ou ruim, neste caso considero o roteiro sendo o que é, já que ele não almeja ser obrigado a manter um dinamismo artificial.

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Vou ser franco aqui, eu conheço consideravelmente os games da franquia, mas não sou um exato fã. Não me identifico muito com a mecânica de RPG mais voltada para ação hack ‘n slash, fui doutrinado a viver em cativeiro com jRPG’s baseados em turno que as vezes duram centenas de horas, mas reconheço a grandeza que é The Witcher, e o quanto sua fanbase estava ansiosa pela série. E de forma mais do que merecida eu preciso parabenizar a comunidade de adeptos pela qualidade do presente de natal que receberam, e The Witcher é simplesmente fantástico! Não encontrei pontos para dizer o que poderia ser melhor, e imagino que essa será uma produção que ficará marcada como uma excelente adaptação de jogo para a TV. E sim, eu sei que existe o livro, mas é indiscutível que o que fez The Witcher ser o que é hoje, foi o estrondoso sucesso da CD Projekt RED em 2007.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra, Jodhi May, Björn Hlynur Haraldsson, Adam Levy, MyAnna Buring, Mimi Ndiweni, Therica Wilson-Read e Emma Appleton. Adaptado por Lauren Schmidt Hissrich, que se baseia na saga literária Wiedźmin (2011~2019) de contos e romances de fantasia do polonês Andrzej Sapkowski, a série The Witcher original da Netflix estreou no dia 20 de dezembro de 2019. A superprodução coproduzida nos Estados Unidos, Hungria e Polônia, é dirigida na parceria de Tomasz Bagiński e Alik Sakharov, e tem como produtores executivos Sean Daniel, Jason Brown, Tomasz Bagiński (também diretor), Jarosław Sawko, e a própria roteirista Lauren Schmidt Hissrich. A primeira temporada possui um total de 8 episódios, com cerca de 60 minutos de duração cada.

CONCLUSÃO
Seja você um fã dos jogos, consumidor dos contos originais de Andrzej Sapkowski, ou mesmo os dois, não importa, eu tenho certeza que ficará bastante satisfeito com essa adaptação muito respeitosa de The Witcher. Diferente de Game of Thrones, a pegada aqui é outra, temos um cenário de conflitos e problemas sociais, onde um herói e duas outras personagens ascendem em suas histórias pessoais até o instante onde o destino os unirá. Não, isso não é spoiler, está na própria sinopse oficial, que é até tímida na retratação do plot. Essa aventura dramática de fantasia medieval tem potencial de agradar qualquer tipo de público. Embora seu enredo inicial exija uma atenção dedicada para não se perder, sua fluidez permite uma fácil assimilação. Curte aventura de fantasia medieval e estava procurando o que assistir? The Witcher é obrigatório para você! Classificado como recomendado para maiores de 16 anos, a série está disponível oficialmente no serviço por assinatura Netflix.

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O ESCOLHIDO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO:
Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.

Lúcia, Enzo e Damião são médicos enviados para Águazul, um vilarejo remoto no Pantanal Matogrossense para vacinar os moradores contra uma nova mutação do virus da zika. Chegando no lugar o trio é hostilizado pela população, que rejeita violentamente a presença não só deles, mas de qualquer profissional de saúde. Todos os moradores seguem uma obscura seita, onde alguém, ou alguma coisa, conhecida como Escolhido, dita todas as regras. Decididos em cumprir suas tarefas de vacinar toda aquela pessoas, os três precisarão enfrentar coisas mistérios inimagináveis.

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COMENTÁRIOS
Atraído por um curioso trailer decidi dar uma chance ao O Escolhido (Para exportação: The Chosen One), série tupiniquim com uma abordagem bem diferente do que estamos acostumados nos produtos nacionais. A produção se trata de uma adaptação da série mexicana Niño Santo (2011), criada por Mauricio Katz e Pedro Peirano. Apresentando um drama com altas doses de suspense paranormal, somos obrigados a nos acostumar com seu tenebroso ponto fraco, as fraquíssimas atuações, e passamos a focar no que realmente é interessante, sua trama. Não que este último faça o roteiro ser uma obra prima, mas seu plot inicial é bastante intrigante para nos prender a atenção. Mas retomo um pouco mais a conversa para as atuações, e recobro que ela não é de toda ruim. São muitos os personagens de O Escolhido, e ironicamente são os principais os que se mostram menos íntimos dos holofotes. Em certos momentos até rola um bom entrosamento entre os três, mas não precisam muitas linhas de diálogo para coisa desabar na artificialidade, parecendo ter sido escrito por quem não tem mesmo o tino pra coisa. E para completar a estranheza, os personagens secundários são bem melhor interpretados, com desenvolvimentos interessantes e bastante convincentes.

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A série conta com apenas seis episódios na primeira temporada, e para mim, mesmo sendo algo curto, foi complicado manter o interesse. O que eu falei sobre ignorar as más atuações e se entregar à trama, acaba não se sustentando por muito tempo. Quando você está envolvido o suficiente, surge um anticlímax pesado, fruto de um interpretação catastrófica, que te faz ter vontade de voar no ator para exigir que ele faça seu trabalho direito. Foram apenas quatro as atuações que me convenceram, e que infelizmente não eram o suficiente para sustentar a qualidade. Mariano Mattos Martins como Mateus, Renan Tenca como ‘O Escolhido’, Lourinelson Vladmir como Santiago, e Francisco Gaspar, como o homem simples Silvino, foram os que deram alguma sobrevida para a série. Mas os três principais atores, pelo menos neste trabalho, definitivamente não foram nada felizes. Considero uma pena o resultado final, e fiquei até curioso em assistir Niño Santo (2011), já que o plot original me pareceu bem bacana.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Paloma Bernardi, Pedro Caetano, Gutto Szuster, Renan Tenca, Mariano Mattos Martins, Alli Willow, Tuna Dwek, Francisco Gaspar, Lourinelson Vladmir, Kiko Vianello, Bruna Anauate, Alexandre Paro, Cintia Rosa, Paulo Azevedo, Laerte Késsimos, Paulo Marcello, Fafá Rennó, Tsupto Xavante, Tião D’Ávila, Maria do Carmo Soares, Fernando Teixeira, Adriano Paixão, Cesar Pezzuoli, Ana Nero, Cesar Pezzuoli, João Carlos Andreazza, Laura Chevi, MC Choice, Brian Castro, Astrea Lucena e Aury Porto compõem o elenco. Adaptado da série mexicana Niño Santo (2011) por Raphael Draccon e Carolina Munhóz para o mercado nacional, a série O Escolhido de 2019 é dirigida por Michel Tikhomiroff, e é produzida pelo estúdio Mixer Films sob a produção executiva dos próprios roteiristas Raphael Draccon e Carolina Munhóz, em parceria com Lanna Marcondes. A produção original distribuída pela Netflix, hoje conta com duas temporadas de seis episódios cada.

CONCLUSÃO
Com um roteiro bastante interessante, O Escolhido é capaz de prender nossa atenção ao menos nos seus dois primeiros episódios, mas creio que dificilmente alguém não vá torcer o nariz e começar a se sentir ainda mais incomodado pelas atuações pouco convincentes. Alguns atores estão muito bem, enfatizando o próprio ‘Escolhido’, que cria um personagem de psicológico complexo que nos gera uma confusão agradável sobre qual é seu real alinhamento moral, no entanto o trio principal parece completamente perdido, fazendo a série descer ladeira a baixo em qualidade. Agora estou curiosos para assistir Niño Santo (2011), já que a O Escolhido ofereceu uma bala doce por fora, mas bem amarga por dentro. A série é recomenda para maiores de 16 anos, e está disponível com suas duas atuais temporadas no serviço por assinatura Netflix.

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NINGUÉM TÁ OLHANDO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
As pessoas não estão tão abandonadas assim, escondido num plano invisível existe o Sistema Angelus de Proteção aos Humanos, uma grande rede que se espalha pelo mundo inteiro. No 5511º Distrito um novo membro chegava, era Ulisses, um angelus muito questionador, e que diferente de todos os outros, contestava pontualmente cada uma das regras. Após receber a Ordem do Dia enviada pelo Chefe, um angelus deve se dirigir ao seu protegido para acompanhá-lo por todo expediente, enquanto o livra dos perigos sem ser notado. Ao fim do período trabalhado, o angelus deve fazer seu relatório e entregar ao supervisor para que o mesmo seja arquivado. Ulisses entendia o processo mas não conseguia controlar seus impulsos, decidia por si só ajudar os humanos que sentia realmente estar precisando de socorro. Sempre bem intencionado, mas ainda assim quebrando sequências de tradições milenares, Ulisses começava a alterar muito mais a ordem das coisas do que imaginava ser capaz.

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COMENTÁRIOS
Simplesmente por ser uma produção brasileira, muita gente já fica pé atrás. “Ah, vai ser mais uma produçãozinha com cara de novela das nove.” Aí que você se engana, Ninguém Tá Olhando (Para exportação: Nobody’s Looking) possui uma estética, tanto visual quanto de linguagem, muito peculiar. Com um humor ácido e bastante inteligente, arranca gargalhadas até mesmo em situações dramáticas apenas por seus cenários criados absurdos. Ulisses que é interpretado por Victor Lamoglia, é engraçadíssimo nos seus atos atrapalhados e nas expressões quando descobre mais uma vez ter feito besteira. E admito ter me surpreendido muito, quando noto Kéfera Buchmann fazendo um excelente trabalho como atriz. De verdade, eu não consumo o trabalho dela, e o pouco o que eu imaginava era sim baseado apenas em preconceitos dos estereótipos formados pela youtuber teen. Quebrei a cara, e gostei bastante disso.

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Esquetes, stand-up comedy, sitcom, enfim, nada muito focado assim na comédia prende muito minha atenção. Pelo menos não por muito tempo.  Mas assistindo ao trailer de Ninguém Tá Olhando na própria Netflix, senti que aquela ideia tinha um potencial muito bom. Marquei o interesse de assistir quando a série estivesse liberada, e percebendo que eram apenas oito episódios de poucos minutos, decidi conferir. E foi uma experiência sensacional! Excelentes atuações num roteiro muito bem elaborado, e uma produção bem bacana. Com direito a computação gráfica de qualidade e tudo mais! Te dou uma dica, caso ainda esteja de nariz torcido, abandone o preconceito e dê oportunidades a coisas diferentes do que está acostumado a consumir. O único risco é o de você gostar bastante e precisar ocultar de seus amigos trevosinhos que curtiu uma parada brasileira onde estrelam aquela celebridades que todo mundo curte zoar. E o pior, na maioria das vezes pelo mesmo motivo, imaturidade e preconceito besta. Deixei o trailer aí para que dê uma conferida, e gostaria de saber sua opinião nos comentários. Fechado?

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Victor Lamoglia, Kéfera Buchmann, Júlia Rabello, Projota, Danilo de Moura, Augusto Madeira, Leandro Ramos e Telma Souza compõem o elenco. Criada pro Daniel Rezende, Carolina Markowicz, Teodoro Poppovic, Ninguém Tá Olhando é uma série do gênero sitcom lançada exclusivamente para o serviço por assinatura Netflix no fim de 2019. A direção ficou a cargo de Daniel Rezende, diretor também de Turma da Mônica: Laços (2019), conhecido por sua participação em grandes sucessos brasileiros como Cidade de Deus (2002), Tropa de Elite (2007), e até mesmo o estadunidense Robocop (2014) atuando como editor de José Padilha.

CONCLUSÃO
Juntando a galera do Porta dos Fundos, Parafernalha, Julinho da Van, outros bons comediantes, e até mesmo o compositor Projota, Ninguém Tá Vendo foi uma aposta acertadíssima de seus idealizadores! Seu humor é inteligente, original e absolutamente nada pedante. Os diálogos fluem com naturalidade e as situações mais absurdas possíveis arrancariam risadas até mesmo do Chef Érick Jacquin. Pode perguntar pra ele. O sitcom está disponível na Netflix tendo apenas oito episódios de uns vinte minutos cada, e certamente terá uma segunda temporada, já que a história ficou em aberto. Sua classificação etária é de 16 anos, então tire as crianças da sala porque rolam alguns palavrões e pagações de peitinho. Estava sem nada para assistir, então cai dentro desta série que é garantia de sucesso no fim de semana.

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RETALIAÇÃO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Cha Dal-gun é um entusiasta das artes marciais que ganha a vida trabalhando como dublê de produções de ação, e após a morte de seu irmão, acabou ficando com a guarda do sobrinho. Devido à uma festividade no Marrocos, o menino é convidado junto com seu grupo de taekwondo, a representar a Coreia do Sul no evento, porém o avião onde ele estava cai, matando mais de duzentas pessoas. Desnorteado e junto dos outros familiares dos mortos, Cha Da-gun viaja para Marrocos na intenção de fazer uma última homenagem ao amado sobrinho, mas acaba deparando com segredos que nunca deveria descobrir.

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COMENTÁRIOS
Para quem gosta de ação com perseguições frenéticas, explosões, conspirações, espionagem, e muitas reviravoltas, Retaliação (Vagabond) é o que há de melhor no momento quando o formato é série! Não há como não notar sua inspiração em franquias como Missão Impossível, filmes policiais orientais dos anos oitenta, e até mesmo a série Bourne. A superprodução sul-coreana consegue unir tudo isso, superar os óbvios clichês, e ainda assim construir uma identidade própria cheia de personalidade. O mais interessante em Retaliação, é que a série não te dá espaço para respirar. A sucessão de eventos é contínua, com sequências vigorosas de ação uma atrás da outra. E o mais bacana de tudo, é que isso não parte de um roteiro cheio de conveniências apenas para forçar uma adrenalina engessada, como vemos em produções de séries ou filmes de qualidade duvidosa.

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Juro que pensava já ter visto de tudo em se tratando das tradicionais séries de ação sul-coreanas, mas nada chegou perto desta quando o assunto é qualidade de produção. As costumeiras atuações de altíssimo nível estão lá, isso nem me presto mais em detalhar para não soar repetitivo. O elenco inteiro destrói e fim de papo. Acha que estou sendo exagerado? Estão dá um confere e depois me diz. A produção sempre procura manter o uso de efeitos práticos nas cenas de ação, com saltos de prédios com dublês, carros reais colidindo em alta velocidade, explosões com cheirinho de pólvora, enfim, não tem economia e falta de inventividade. Seu visual esplendoroso conta com ruas do centro de Lisboa, o exótico subúrbio e região costeira de Marrocos, bem como as zonas urbanas da Coreia do Sul. Para somar e completar tudo isso, temos uma trilha sonora original inspiradíssima, que aproveita temas tradicionais da cultura de cada região por onde passa. Se Retaliação fosse um filme curto de uns noventa minutos, eu já acharia tudo isso que eu comentei, mas quando entendemos que isso se trata de uma série de dezesseis episódios com cerca de uma hora cada, nossa, não há palavras que possam descrever com fidelidade a experiência. Ainda não viu? Se dê esse presente. Assista ao menos o primeiro episódio, e se achar que eu rasguei seda demais para algo que não é lá tudo isso, volte aqui com toda sua fúria me dar bronca.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Lee Seung-gi, Bae Suzy, Shin Sung-rok, Baek Yoon-sik, Moon Sung-keun, Kim Min-jong, Lee Ki-young, Jung Man-sik, Hwang Bo-ra, Lee Geung-young, Moon Jeong-hee, Choi Kwang-il, Park Ah-in, Yoon Na-moo, Lee Hwang-Ui e Moon Woo-jin compõem o elenco. Escrita por Jang Young-chul e Jung Kyung-soon, Retaliação (Vagabond), é uma série sul-coreana de 2019 dirigida por Yoo In-sik. Tendo como produtor executivo Park Jae-sam, foram utilizadas as estruturas da Celltrion Entertainment e Sony Pictures Television. Foi televisionada no canal aberto SBS na Coreia do Sul, distribuída internacionalmente pela Sony Pictures Television, e o serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Retaliação é um K-drama carregado de adrenalina de um jeito que eu nunca tinha visto antes, misturando altas doses de ação quase ininterrupta, além de conseguir com sutileza encaixar divertidos alívios cômicos, e um pouco de romance. Sua produção procurou se concentrar bastante nos efeitos práticos, proporcionando um realismo pouco visto em séries. Então se você é fã de John Woo, pode ir tranquilo, pois tenho certeza absoluta de que você se identificará. Com classificação etária de 16 anos, Retaliação está disponível no Brasil através do serviço por assinatura Netflix. Então prepare o fôlego, pois se você começar, certamente vai querer maratonar! Bom divertimento!

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PROJETO LIVRO AZUL – SÉRIE DO HISTORY (CRÍTICA)

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ENTENDENDO MELHOR A SINOPSE
O que foi o Projeto Livro Azul (Project Blue Book)? Em março de 1952 a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), sediada na Base Aérea Wright-Patterson, iniciou um projeto secreto com a finalidade de investigar objetos voadores não identificados, os OVNI’s. Esse seria o quarto estudo feito sobre o fenômeno, e foi antecedido pelo Projeto Sinal, pelo Projeto Rancor e pelo Novo Projeto Rancor. Sua intenção era determinar se os OVNI’s seriam ou não uma ameaça real à segurança nacional dos Estados Unidos. Foram recolhidos, analisados e catalogados milhares de informações e evidências sobre OVNI’s. O Projeto Livro Azul foi o último projeto público da USAF relacionado ao assunto, e foi oficialmente encerrado em janeiro de 1970. As informações que antes eram classificadas como confidenciais, hoje estão disponíveis sob a Lei de Liberdade de Informação, porém os nomes dos testemunhos e outras informações pessoais foram censuradas.

E do que se trata a série? A alta cúpula da USAF não queria que o fenômeno OVNI fosse tratado com seriedade pela mídia, e planejando ridicularizar o assunto com ceticismo, contrata um renomado professor universitário de astrofísica, o brilhante Dr. J. Allen Hynek, para acompanhar e assinar aquelas pesquisas então clandestinas. Hynek começa a receber e estudar os casos, e como um bom cientista, não se fecha à nenhuma possibilidade. Enquanto o Capitão Michael Quinn, parceiro de pesquisas de campo e intermediário entre a cúpula militar, faz de tudo para ser tendencioso e sabotar a conclusão final de Hynek, o doutor fica mais desconfiado que aqueles fenômenos possuem interpretações bem mais complexas do que aparentavam ser.

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COMENTÁRIOS
Para quem é fã de séries sobre esses assuntos e já assistiu Arquivo-X, fica impossível não comparar. A mecânica de relação entre o Dr. J. Allen Hynek e Capitão Michael Quinn, é bem parecida com a que há entre Dana Scully e Fox Mulder. Porém diferente de Arquivo-X, em Projeto Livro Azul não tem ninguém fazendo questão de ‘acreditar’. Da mesma forma que Scully é convocada para ser uma cética estraga prazeres à fim de desmoralizar Mulder, Hynek é recrutado para ridicularizar o assunto OVNI, e os dois no decorrer do processo vão indo na exata contramão do que seus superiores esperavam.

A série contém 10 episódios, e em cada um é evidenciado um diferente caso inspirado nos documentos reais do Projeto Livro Azul. Embora ainda que seja episódico tudo é interligado numa trama principal, dramas familiares vão ocorrendo, e a relação entre os dois colegas de pesquisa vai se modificando conforme as coisas acontecem.

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A produção de Robert Zemeckis esbanja qualidade na escolha do elenco e em seu tratamento visual. Aidan Gillen, que encarna o Dr. J. Allen Hynek, parece ter nascido para o papel. É humilde quando deve e simpaticamente arrogante em momentos chaves, mas nunca abandona seu humor ácido e zombeteiro. E não intimidado pela desenvoltura do colega, Michael Malarkey, o Capitão Michael Quinn, é incrivelmente sagaz e igualmente bem humorado. Embora faça o papel de quase um vilão, é impossível não considerar sua habilidade em criar situações que irão se virar contra ele e não achar graça. Tecnicamente Projeto Livro Azul é uma produção muito polida, mostrando efeitos especiais com resultados muito superiores a maioria das séries. Sua trilha sonora é bonita e combina muito bem com sua premissa, contribuindo para criar a atmosfera de mistério e tensão que se espera.

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CURIOSIDADE
Após o fechamento do Projeto Livro Azul em 1970, Dr. J. Allen Hynek começou a considerar continuar os estudos sobre o fenômeno por conta própria, e em 1973 fundou o Centro de Estudos de OVNI (CUFOS), onde foi seu diretor científico até sua morte, em 1986. O CUFOS ainda existe e mantém o legado de Hynek em praticar pesquisas ufológicas com rigor científico e senso de responsabilidade.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Aidan Gillen, Michael Malarkey, Laura Mennell, Ksenia Solo, Michael Harney, Neal McDonough, Robert John Burke, Ian Tracey, Matt O’Leary, Nicholas Holmes, Currie Graham e Jill Morrison compõem o elenco. Criado por David O’Leary, Projeto Livro Azul é uma série dramática histórica de 2019 que se baseia no projeto homônimo, mantido como secreto pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) desde o ano de 1952. Produzido por Brad Van Arragon, tem com os produtores executivos, Robert Stromberg, Barry Jossen, Robert Zemeckis, Jack Rapke, Jacqueline Levine e Sean Jablonski. As gravações se passaram em Vancouver, e na Columbia Britânica, no Canadá, sendo produzida pelo A&E Studios e Compari Entertainment ImageMovers. Projeto Livro Azul é distribuído no Brasil pelo canal por assinatura History.

CONCLUSÃO
Quem é órfão de Arquivo-X e nunca mais achou algo parecido no gênero (eu sei que existe Sobrenatural, mas finge que não sabe e entra no meu jogo), Projeto Livro Azul veio para tampar esse rombo no seu coração. Está certo que um vazio de Arquivo-X dificilmente seria coberto por uma série que brotou do nada, mas acredite, esta produção do canal History tem muitíssima qualidade e precisa ser conferida. Com classificação etária de 14 anos, Projeto Livro Azul está disponível no canal History dos principais serviços de TV por assinatura.

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HANNA – SÉRIE DA AMAZON (CRÍTICA)

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SINOPSE
Baseada no longa-metragem de 2011 de mesmo nome, Hanna acompanha a singular jornada de um jovem criada nos rigores da floresta europeia por um homem misterioso que a mantém isolada do mundo. Mas a curiosidade da adolescente, cuja única pessoa com qual se relaciona é o pai, Erick, fará com que a menina se aventure fazendo contato com o mundo exterior. A simples e rápida amizade com um jovem desenterrará segredos do passado ligados ao impiedoso programa de treinamento da CIA para formar agentes de campo perfeitas psicológica e biologicamente.

A jornada de Hanna com iguais partes de drama da maioridade, suspense e espionagem, volta-se para origem da menina e seu pai. É no decorrer dos acontecimentos que a jovem tentará se encaixar em um mundo ao qual sempre estivera alheia e todas suas certezas entrarão em xeque. Mas a história da menina recrutada ainda no ventre materno para ser inigualável assassina não seja única e, talvez, Hanna não esteja tão sozinha no mundo.

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OUTRA HISTÓRIA DE ESPIÃ… (Análise)
Tudo bem que a proposta da Amazon de surfar na onda de um filme com quase 10 anos de atraso é batida. Mas a série possui seus encantos: consegue em boa medida abarcar as contradições da adolescência, de hormônios à flor da pele, extravasados em meio a razoáveis e coreografadas cenas de ação. Gosto bastante do gênero espionagem. Assisti senão todos, ou quase isso, aos filmes de 007 e lembro-me dos festivais da Rede Globo que certa vez exibiram na Sessão da Tarde todos as películas do James Bond. Ainda assisti a algumas séries toscas como Chuck (2017-2012), por exemplo; ou decepcionantes como Alias (2001-2006), que deslizou no final, mas revelou o talento de Jennifer Garner e contou com a mão de J.J. Abrams. Porém persisto no gênero, sempre, como um esperançoso.

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Desta forma a história de Hanna é muito típica no que se refere a alguns de seus elementos básicos: um protagonista de passado obscuro, um “programa de super-soldado”, a presença inescrupulosa da CIA e motivações para lá de questionáveis. Nesse sentido, o que chama atenção é justamente o caráter juvenil (não é uma série só para crianças) que oscila entre a candura da infância perdida da menina isolada na floresta e vivendo primitivamente com seu pai; e a história violenta da organização que os persegue e que não respeita a moralidade ao matar tantos inocentes e até bebês… para não entrar em mais detalhes.

Erik (Joel Kinnaman), veterano da Guerra do Afeganistão, envolto com problemas de bebidas alcoólicas e distúrbio pós-traumáticos se torna um recrutador especial da CIA, alistado pela figura enigmática de Marissa Veigler (Mireille Enos). Ele deveria interceptar mães que quisessem abortar, convencê-las a continuar a gestação e entregar suas filhas, sim somente meninas, para o projeto Ultrax. Nele, os bebês seriam melhorados geneticamente e desde cedo receberiam treinamento especial para se tornarem agentes badass!

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No entanto Erik apaixona-se por uma das mães, Johanna Petruscus (Joanna Kulig), a mesma que se arrepende depois do parto de ter aberto mão da guarda de se sua filha, Hanna (Esme Creed-Miles). Assim ambos empreendem uma invasão à base para resgatar a recém-nascida. Mas as consequências são trágicas: a mãe da menina morre, o projeto aparentemente é encerrado (ou incinerado) e Erik se exila na floresta e passa a criar e treinar a garota, mantendo-a sempre oculta do resto do mundo.

Nesse meio tempo, Marissa Viegler, mesmo adquirindo em certa medida uma vida normal depois de ter cometido atrocidades em nome da CIA, nunca perdeu a esperança de reaver a menina e eliminar Erik. E com certeza não deixará os vacilos adolescentes de Hanna passarem batido e seguirá o rastro da menina, desacostumada com o mundo fora da floresta e, devido às reviravoltas, afastada do pai.

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ASPECTOS TÉCNICOS (algumas observações)
No aspecto visual, além da arte conceitual do nome da série, com um toque geométrico e minimalista, é preciso enfatizar a beleza das locações na Europa em países que vão da Alemanha à Romênia. Isso faz com que a série supere o regionalismo estadunidense e mostre paisagens belíssimas.

A trilha sonora possui músicas mais calmas que enfatizam o caráter leve nas cenas da menina envolta em doçura cujo exemplo maior é “Anti-lullaby” de Karen-O que permeia vários momentos de inocência da jovem assassina. Mas estão lá os estilos musicais que são tendências entre os jovens para embalar as festas e as cenas de ação: hip-hop, trance, rock…

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Quanto a unidade, às vezes deixam a deseja ao fazer a passagem pouco sutil entre o drama da menina e a ótica de seus perseguidores. Essa passagem é pouco orgânica e em vários momentos pouco acabada.

No que se refere as atuações, parece faltar dramaticidade expressiva. Quando falamos de Esme Creed-Miles, que vive a protagonista, é justificável sua personagem ser mal interpretada, às vezes, afinal ela vive uma menina fria por natureza e pouco socialiazada. Mas os outros dois vértices desse triângulo, Joel Kinnaman and Mireille Enos, parecem pouco expressivos e cativantes. Afinal é preciso catarse: que o telespectador se identifique emocionalmente com mocinhos e bandidos. O casal de atores, que já trabalhou juntos em The Killing (2011), parecem ter evoluído pouco. No caso de Kinnaman, conhecido aqui por Robocop (2014) de José Padilha e pela série Altered Carbon da Netflix, parece ter somente a mesma feição para demonstrar todos os sentimentos, mas se salva pela cenas de ação muito bem coreografas. Já Mireille Enos, possui um sorriso meio perturbador, mas parece igualmente inexpressiva. Mas deixo o benefício da dúvida: será que não é assim pelo histórico da vilã?

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Esme Creed-Miles, Mireille Enos, Joel Kinnaman, Khalid Abdalla, Justin Salinger, Andy Nyman, Yasmin Monet Prince, Rhianne Barreto, Stefan Rudoph, Katharina Heyer, Peter Ferdinando, Benno Fürmann e Joanna Kulig compõem o elenco. Hanna é uma série norte americana inspirada no filme homônimo de Seth Lochhead & David Farr, lançado em 2017. David Farr retorna, agora em parceria com Ingeborg Topsoe para escrever esta nova versão, que é produzida por Hugh Warren e tem como produtores executivos David Farr, JoAnn Alfano, Tom Coan, Andrew Woodhead, Tim Bevan, Eric Fellner, Marty Adelstein, Becky Clements e Scott Nemes. Os compositores da música tema são Ben Salisbury e Geoff Barrow. A produção ficou por conta dos estúdios NBCUniversal International Studios, Working Title Television, Focus Features e Amazon Studios. A série é distribuída e está disponível pelo serviço por assinatura Amazon Prime.

CONCLUSÃO (devagar e sempre…)
Se você é fã de espionagem em alto nível, a história de Hanna terá poucos atrativos e surpresas. É, até certo ponto previsível, e pouco inovadora, exceto pela questão da perda infância e o drama da maturidade da personagem. Adolescentes podem gostar da série principalmente por abordar problemas comuns dessa faixa etária, no entanto a galera mais experiente às vezes perderá a paciência com os trechos infantis e pela demora para desenvolver o enredo.

Talvez o aspecto mais interessante a enfocar nessa conclusão seja justamente as reviravoltas na trama e a espera, bem recompensada, das cenas em que a pequena agente entra em ação. É sempre bom ver uma garotinha empoderada nocautear uma bando marmanjo mal-encarado. A primeira temporada é curta, apenas 8 episódios, e deixa o gostinho de curiosidade visto que Hanna terá que se virar sozinha. Mas não vou falar demais, deixo para vocês saírem da floresta junto com a menina ou deixá-la exilada na sua lista de streaming da Amazon.

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CRIANDO DION – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após a morte de Mark, seu marido, Nicole precisa criar sozinha o pequeno Dion, uma criança inteligente, imaginativa e cheia de energia. Tentando superar a perda familiar, mãe e filho se mudam para um novo bairro, onde o menino de apenas oito anos é matriculado numa nova escola. Lá a maioria das crianças são de pele branca e, nesse ambiente ele precisa aprender a lidar com o racismo de um professor, e o bulliyng dos colegas de classe. Não bastando apenas os problemas de adaptação do filho, Nicole se surpreende quando o menino passa a desenvolver poderes inexplicáveis. Dion começa com pequenos feitos, como levitar objetos leves, mas a coisa vai ser mostrando mais assustadora, ao ponto dele arrancar árvores inteiras apenas com o poder da mente. Pat, melhor amigo de Mark e padrinho de Dion, acaba descobrindo as habilidades do garoto, e então para ajudar Nicole, os dois se unem para dar o máximo de normalidade a vida do garoto, ao mesmo tempo que uma gigantesca ameaça começa a se moldar.

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COMENTÁRIOS
Criando Dion (Raising Dion) é uma série que explora dilemas familiares ao mesmo tempo que desenvolve um super herói. Baseado no HQ de mesmo nome criado por Dennis Liu em 2015, o roteiro traz o estilo bem parecido com o visto nas histórias da franquia X-Men, no qual uma pessoa até então comum precisa esconder seus novos dons dos julgamentos da sociedade. Numa primeira vista eu fiquei bastante cético, o texto inicial não me capturou de imediato e a atuação do menino também não convenceu, pelo menos no primeiro episódio. Já no segundo a coisa muda, a trama toma um gás legal e, não sei se foi eu que me acostumei, ou se atuação da criança realmente melhorou um pouco. A série ganha mais solidez e passa a não ser algo tão estranho de se digerir.

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A fotografia é interessante, mostrando ambientes urbanos e rurais, embora sua atmosfera passe por bastante instabilidade, e imagino que a causa disso se deva ao enorme número de envolvidos dando pitacos em como as coisas deveriam ser. Acaba que o resultado não traz uma doa direção, levado a total falta de identidade. A trilha sonora é boa, mas faz apenas corretamente o seu papel sem surpreender. Tecnicamente a produção como um todo visa o pouco gasto, e isso eu achei bem estranho. Parece que tem muita gente querendo comercializar (e lucrar com) um produto utilizando os ingredientes mais baratos. O resultado pode ser bom? Talvez sim. Mas poderia não precisar passar por esse tipo de julgamento caso houvesse mais bom senso dos participantes.

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Mark, interpretado por Michael B. Jordan, é o pai de Dion, e é mais do que óbvio que sua presença na série tem o único objetivo de aproveitar a boa fase do ator. Eu mesmo dei maior atenção quando soube que o cara participava do elenco. Mas sua importância é quase como a de Marlon Brando no filme Superman de 1978, ele está mais para um ‘mentor espiritual’ do que qualquer outra coisa. De qualquer forma o atual ‘superastro’ de Hollywood cumpre bem seu papel e dá um pouco mais de energia a produção, mesmo sejam poucas aparições.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Alisha Wainwright, Ja’Siah Young, Jazmyn Simon, Sammi Haney, Jason Ritter, Michael B. Jordan, Gavin Munn, Ali Ahn, Donald Paul, Matt Lewis, Marc Menchaca, Moriah Brown, Diana Chiritescu e Kylen Davis. Baseado no HQ Raising Dion de Dennis Liu, a série norte americana de 2019 foi escrita por Carol Barbee e, produzida por Charles D. King, Kim Roth, Poppy Hanks, Kenny Goodman, Dennis Liu, Seith Mann, Michael Green, Michael B. Jordan, Robert F. Phillips, Edward Ricourt e Juanita Diana Feeney. Uma produção das companhias Fixed Mark Productions, MACRO e Outlier Society Productions, a série foi distribuída através da network Netflix.

CONCLUSÃO
Criando Dion começa tímido, não convencendo muito de que vai entregar bem sua proposta, mas superando ao menos o primeiro episódio, a série ganha ritmo, adquirindo assim mais harmonia. A atuação do pequeno Dion não é das melhores, e não acho que eu esteja sendo cruel com uma criança tão jovem, visto que já assistimos a pequena irmã de Lucas da série Stranger Things, que dá show mesmo sendo apenas um personagem secundária. Ou mesmo Esperanza, a amiguinha de Dion na escola. Provavelmente essa vá ser a coisa que mais incomode, porque todo o restante está em conformidade com o básico para uma boa produção. Eu particularmente enxerguei desse jeito, e mesmo assim consegui curtir bastante. Criando Dion tem classificação etária de 10 anos e, é uma aventura dramática interessante para juntar a família no sofá para aprender sobre a vida enquanto se diverte. A série é distribuída pelo serviço por assinatura Netflix.

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MARIANNE – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Emma Larsimon é uma escritora de livros de terror mundialmente famosa, e certo dia decide concluir o ciclo onde Lizzie, a personagem de seus contos, derrota a bruxa Marianne. Esta seria apenas uma história como muitas outras, se não fosse pelo fato de todo o universo criado por Emma, ser uma extensão de seus pesadelos e conflitos pessoais do passado. E agora, tendo decidido fechar sua saga literária, seus demônios vieram à tona cobrar que não sejam esquecidos. Na busca por entender os eventos macabros que sua vida vem tomando, a jovem escritora junto com sua assistente pessoal, retornam a sua cidade natal atrás de respostas. Lá ela vai passar por momentos inimagináveis de dor e angústia para tentar solucionar aquilo que lhe traz tanta aflição.

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COMENTÁRIOS
Quais são os motivos que te levam a procurar um filme ou série de terror para assistir? Existem várias formas de se entreter com uma obra desse gênero que pode ter aspecto tão variados, e Marianne, a nova obra francesa com o selo Netflix, faz isso fugindo com originalidade da maioria dos clichês. A princípio eu fiquei apreensivo quanto ao que tinha escolhido assistir, a série engana, ficamos com a impressão de estarmos vendo um produto específico para o público adolescente, porém terminado o primeiro episódio, percebemos que nada condiz com o ensaio inicial. O enfoque aqui é na estranheza e no como isso gera incômodo. Logo na cena de abertura da série temos mãe e filha, uma mais esquisita que a outra, numa situação pra lá de estranha. Dentro de uma casa escura e sinistra, a filha vai no encontro da mãe, que está debruçada na pia da cozinha, onde se esforça para extrair de forma sanguinária um dente da própria boca, enquanto encara a filha com um olhar maquiavélico de indiferença e ironia.

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Um dos maiores méritos de Marianne fica para o elenco, que de forma muito convincente traz uma aura verdadeiramente macabra aos personagens. E quando digo isso, não reduzo apenas aos óbvios vilões, mas a cada personagem que oculta algum mistério ou traço da personalidade. Elden, a cidade de Emma, tem uma atmosfera própria, e até as ruas vazias e litorais de ar gélido causam estranheza.

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Trazendo esmero pela estética, a produção traz fotografias e cenários inspiradíssimos, ora em tons saturados e nublados nas cenas externas, ora no amarelado sépia para  ambientes fechados com o ar mais pesado. Tais elementos nos transporta para uma imersão incrível! Quando as tomadas são em áreas abertas, a sensação é de exposição e vulnerabilidade e, nas fechadas reina a claustrofobia com um alto contraste de jogo de sombra e iluminação que drena nosso fôlego. Marianne acerta em cheio com uma produção de qualidade e uma direção que consegue extrair o melhor de cada ator. É uma série que não passa despercebida pela Netflix, e com certeza irá angariar muitos fãs.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Victoire Du Bois, Lucie Boujenah, Tiphaine Daviot, Ralph Amoussou, Bellamine Abdelmalek, Mehdi Meskar, Alban Lenoir, Mireille Herbstmeyer, Corinne Valancogne, Patrick d’Assumçao, Pierre Aussedat, Luna Lou, Charlie Loiselier, Bruni Makaya, Adam Amara e Anna Lemarchand. A série francesa foi criada e dirigida por Samuel Bodin e, escrita em com conjunto com Quoc Dang Tran. A produção da Empreinte Digitale and Federation foi distribuída em oito episódios pelo serviço Netflix.

CONCLUSÃO
Se você curte um terror barra pesada, essa série é para você. Marianne não tem papas na língua, coloca pra fora sem pudor seu linguajar sujo, cenas fortes e situações de fazer sentir alfinetadas na espinha. Seu ponto forte fica nas atuações, com personagens envolventes e criativos, que em momento algum vai ter fazer ter dúvidas de realmente estar vendo o capiroto. Recomendo fortemente que não deixem crianças assistirem esta série, questões como suicídio, nudez total, palavrões pesados, enfim, tem um pouco de tudo. Portanto não é um tema nada apropriado para os mais jovens, tenham bastante cautela. Feitas as ressalvas, boa sorte em sobreviver à essa série! Mantenha as luzes acesas.

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SPECIAL – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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COMÉDIA SEM GARGALHADA OU APELO A REPRESENTATIVIDADE?
COMENTÁRIOS COM SPOILERS

A série Special da Netflix ingressa com uma proposta que tem tudo para dar certo, mas será que deu? Parecendo intencionar a atração de espectadores pertencentes à grupos de diversidade étnica, de gênero, de classe social, de estereótipos e por aí vai, a trama conta com tudo que é socialmente colocado em pauta ano após ano no que diz respeito à alvos de críticas preconceituosas.

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Só pra começar, nosso personagem principal consegue unir as seguintes características: deficiente motor com paralisia cerebral, gay, nerd, virgem, imaturo, dependente da mãe e auto-comiserativo (coitadinho de mim, não sou um “ganhador de bolinhos de graça” – Free Cupcakes – um termo bem bobinho para chamar alguém de “sortudo”). Um personagem desses podia ter muita história pra contar, não acham? Pois é, mas não tem. Pasmem, o personagem parece diretamente saído de uma bolha de oxigênio e cuspido na “vida real” por si próprio. E a “vida real” está entre aspas porque eu estou até agora tentando descobrir quem vive daquele jeito.

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Aí encontramos a personagem que se torna a melhor amiga do protagonista: A latina curvilínea que vive para manter a aparência de amor próprio (no Instagram e nos artigos que escreve para a agência que trabalha) e que está falida por causa das roupas caras e salão de cabeleireiro que frequenta para poder manter sua pose de rica. Sim, eu não usei nenhuma palavra que não tenha sido expressa pela personagem, a própria se define desse jeito. De longe sacamos uma referência com a famosa Kim Kardashian, homônima da personagem, consegue acreditar? Pois é verdade. E não termina por aí.

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Ainda temos a famosa personagem “mãe solteira cinquentona carente sem namorado há uns 20 anos”. Sério. Abordaram essa temática da pior forma possível, mostrando a mulher como uma infeliz por não ter tido relacionamento para cuidar do filho deficiente, que abdicou de muita coisa para sustentar a cria – acreditem, eu sei do que estou falando. E quando é que ela acha que tirou a sorte grande??? Claro que vocês vão adivinhar, ela se deparou com um (outro estereótipo, lá vamos nós) “cinquentão gato branco de cabelo estiloso e olhos azuis, bombeiro aposentado e maconheiro”. Uau que mistura incrível né? Até mostrar que por trás da “beleza de príncipe” é um cara autoritário, que gosta de fazer as coisas do jeito dele e que (pasmem de novo) não consegue aceitar as crises de histeria da mãezona e dá um pé nela porque “não quer namorar o filho babaca” da mesma. Sim, foi uma fala também. Dá pra acreditar? – pausa para náuseas.

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Entre tantos clichês ainda temos a “loira arrogante metida rica socialite solteirona maluca extravagante insensível”, outra “loira burra retardada abortista” e o “negro gay gostoso crossfiteiro” ou ainda um “gay loiro nórdico marombeiro” – tem pra todos os gostos. Gente, é uma lástima. Não dá pra dizer que existe enredo, e se existe, é completamente fútil. As piadas são fracas, os personagem são caricatos e parece uma tentativa de paródia de uma vida real que nem faz sentido. Conseguem entender?

É uma série que tenta te transmitir alguma emoção (nem tenho tanta certeza assim), mas que a piada não é engraçada, o drama não é comovente, a raiva, o tesão e a identificação passam batidos. Dá pra dizer que a série foi feita por um cérebro sem mente para mentes sem cérebro. E olha que com tanta diversidade poderia ter rendido muito mais conteúdo. Não foi o que aconteceu. Decepcionante. E sim, a temporada inteira é água com aspartame – nem açúcar rola ali.

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NOTAS SOBRE A SÉRIE
Classificada como comédia, foi baseada no livro I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves (2015) de memórias do próprio protagonista, que escreve e atua como produtor executivo da série, Ryan O’Connell. Ou seja, segundo ele, é baseado em fatos reais.

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ELENCO
Ryan O’Connell, Jessica Hecht, Punam Patel, Marla Mindelle, Augustus Prew, Patrick Fabian, Kat Rogers, Jason Michael Snow, Brian Jordan Alvarez e Gina Hughes.

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THE I-LAND – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Dez pessoas acordam numa praia sem saber os próprios nomes ou lembrando de qualquer outra coisa, e sem tardar descobrem que aquela ilha esconde diversos mistérios e perigos. Será necessário que deem o melhor de si para resolver com seus enigmas, além de lidar com as intrigas do grupo. Todos precisarão dar o máximo para conseguir sobreviver aos extremos desafios físicos e psicológicos daquele lugar.

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COMENTÁRIOS
Pensei em mil maneiras de pegar leve com esta série, mas realmente não tem condições. A vontade que dá é de só fazer uma lista e sair dizendo tudo que é ruim por esse e aqueles outros motivos. Mas vou procurar seguir o padrão das críticas.

Imediatamente nos minutos iniciais do primeiro episódio o que notamos é uma tentativa deslavada de reencarnação de Lost. Porém, a única coisa que podemos dizer que as duas séries tem claramente em comum, é uma ilha misteriosa. The I-Land não tem personagens inteligentes, não tem carisma, não tem coerência narrativa, e o principal e mais grave, as atuações são terríveis! Eu não consigo lembrar de nada tão horroroso quanto isso. Anthony Salter é o nome do criador, e me pergunto de onde ele tirou as péssimas ideias que arrumou. Você consegue imaginar alguém pegar uma concha marinha e utilizá-la como megafone ou “berrante”? Bem, Salter parece ter visto sentido nisso, porque é exatamente o que a Kate genérica decide fazer, e claro, deu certo. Errado somos nós que nunca pensamos em fazer isso com uma concha.

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Persistindo ainda na comparação com o controverso Lost, o personagem de Alex Pettyfer, claramente faz referência ao Sawyer, bonitão, canastrão e de comportamento imprevisível. E qual motivo disso? Eu não sei. Só sei que o carinha do Eu Sou o Número Quatro já não é grande coisa atuando, e com um texto tão ruim quanto o que recebeu, eu senti um pouco até de pena. Sawyer era um pilantra, mas você enxergava o ser humano no personagem, mas em Brody você não nota nada. E o mais surreal, é o personagem ser um cara tão sem caráter, e mesmo assim conseguir convencer os outros de que é gente boa sem precisar de nenhum esforço para isso. Aliás, o único sentimento que eu tive era o de querer que aqueles dez personagens horríveis morressem logo para devolver a paz para a ilha.

A coisa é tão mal pensada que uma série de primeira temporada pequena, apenas sete episódios, possui em seu trailer oficial uma quantidade enorme de spoilers que frustra qualquer expectativa de reviravolta. Se a sinopse é pragmática em dizer que um grupo de dez pessoas sem memórias precisa sobreviver numa ilha misteriosa, faria sentido contar no trailer que aquilo tudo na verdade não passava de uma simulação? Faria sentido mostrar um grupo de pessoas dentro de uma sala de monitoramento acompanhando cada passo do grupo fazendo o uso de diversas câmeras escondidas pela ilha? O nome disso é pretensão. No fim das contas essa é apena uma série de baixa qualidade, sem personalidade alguma ao querer copiar outra. Tem conceitos ridículos, atuações deprimentes, e que força situações constantes que não fazem sentido algum.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Natalie Martinez, Kate Bosworth, Ronald Peet, Kyle Schmid, Sibylla Deen, Gilles Geary, Anthony Lee Medina, Kota Eberhardt, Michelle Veintimilla e Alex Pettyfer compõem o elenco. A série foi criada por Anthony Salter, e tem como produtores executivos Neil LaBute, Chad Oakes e Mike Frislev. A produção norte americana é de 2019, e foi lançada para o catálogo  de setembro da Netflix.

CONCLUSÃO
Quando assisti ao trailer fiquei curioso, afinal, era fã de Lost do tipo de perder tempo no Orkut olhando em fóruns sobre os mistérios daquela ilha. E daí pensei: “olha, essa série tem jeito de Lost, vou conferir”. Eu deveria ter ficado quieto na minha. Essa série é um total embuste! Antes de terminar o primeiro episódio eu já estava arrancando os cabelos de raiva. Tudo em The I-Land é terrível! Se o roteiro, conceito e atuações não prestam, o que sobra? Ah, já sei. A fotografia é muito bonita. Se você quiser assistir um cartão postal, vai fundo, porque de Lost só ficou a presunção mesmo. Não recomendo nem para meu pior inimigo.

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LEILA – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
O ano é 2047, e o território da Índia agora é chamado de Aryavarta. Uma nação onde extensos muros dividem comunidades, separando castas consideradas puras das impuras, nas quais umas possuem mais privilégios do que outras. Nesse futuro distópico de desigualdade, a água limpa se tornou escassa, e cerceada pelo Estado, apenas os considerados puros tem melhor acesso. O Governo é regido por Dr Joshi, um totalitarista sádico que recebe denúncias de simpatizantes, e usa de violência física e psicológica para ‘purificar’ a sua idealizada Aryavarta.

Nesse cenário de tensão, Shalini, uma mulher comum mas de vida privilegiada, tem sua casa invadida, seu marido assassinado de forma brutal e, é levada à força, enquanto sua filha era deixada para trás. Segundos as regras estabelecidas por Dr Joshi, a mulher havia se casado com um muçulmano, e portanto havia se tornado impura. Assim como outras, Shalini é levada uma clínica de bem-estar feminino, local onde de forma cruel e covarde, sofre todo tipo de maus-tratos e humilhações. Elas abandonam suas individualidades e precisam se enquadrar no padrão comportamental de submissão, no qual um sistema misógino e tirano, às obrigam a obedecer vexatórios ritos até estarem aptas a oportunidade de provarem estar prontas para voltar a sociedade como mulheres puras.

Dois anos se passam e, Shalini nota que as crianças consideradas ‘mestiças’, as nascidas de relacionamentos inapropriados, eram levadas para um desconhecido paradeiro. Passa então a ficar bastante preocupada com o paradeiro de sua filha, e faz de tudo para conseguir sair daquele lugar.

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COMENTÁRIOS
Logo de cara é impossível não fazer a comparação óbvia com a série norte americana O Conto de Aia (The Handmaid’s Tale, de 2017), principalmente pela semelhança estética e da atmosfera claustrofóbica e melancólica. Leila também conta sobre um futuro similarmente distópico, no qual um governo totalitário e opressor, subjuga mulheres para que se enquadrem nos padrões de dona de casa, submissa e procriadora. Mas diferentemente da série ocidental que foca muito no cenário estrutural político, esta prioriza o drama pessoal de Shalini, negligenciando explicar os fatores que levaram a sociedade chegar naquele formato ditatorial.

Uma  das coisas que me incomodou bastante nesse começo de série, é o fato daquele grupo de mulheres não oferecerem resistência alguma aos seus opressores. Não há uma gerência e muito menos união para planejar uma fuga. Faria sentido ao menos que conspirassem para melhorar aqueles períodos tortuosos de cárcere. Mas não, é pressuposto que todas cuidam apenas dos próprios interesses, e cada uma é responsável pela própria saúde física e mental. No início Shailini e Pooja ainda esboçam o ensaio para tal, mas logo a cumplicidade é abandonada voltando cada uma a cuidar do próprio nariz.

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Ao mesmo tempo que esta é uma série endereçada ao público de O Conto de Aia, imagino que esse conceito praticamente copiado, deixe tal público bastante desconfortável. O romance do indiano Prayaag Akbar foi publicado originalmente em 2017, enquanto O Conto de Aia é uma obra de Margaret Atwood lançada em 1985. Me pergunto se os produtores de Leila não imaginavam que essa grande semelhança, junto com a oferta das série em datas tão próximas, não poderia prejudicar bastante o marketing da produção indiana. A repercussão não vem sendo nada favorável, visto que além da já citada comparação, Leila não traz grande qualidade de roteiro e direção. Seu ritmo é lento e cansativo, fazendo parecer os seis episódios com uns 40 minutos cada, parecem uma eternidade. As atuações também são apenas aceitáveis, não temos ninguém se destacando.

Na Índia existe um conflito ideológico e religioso muito grande entre muçulmanos e hinduístas e, Leila explora isso de forma muito arriscada, uma vez que deturpa uma série de elementos de ambas as religiões. Para uma nação tão ortodoxa assim, essa é uma série que se complica até para seu público doméstico. Fica a questão: Leila é bom? Eu particularmente tenho certa dificuldade em endossar obras embasadas em tons melancólicos, mas ao mesmo tempo gosto de conhecer conceitos distópicos diferentes. A pena fica por conta desse ponto não ser merecidamente explorado, e isso é uma pena. Então respondendo minha própria pergunta, eu acho que não sou fã desta série.

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ELENCO E FICHA TÉNICA
Huma Qureshi, Siddharth, Leysha Mange, Seema Biswas, Rahul Khanna, Sanjay Suri, Arif Zakaria, Ashwath Bhatt, Pallavi Batra, Anupam Bhattacharya, Akash Khurana, Jagjeet Sandhu, Prasanna Soni e Neha Mahajan compõem o elenco. A obra indiana é baseada no livro homônimo de Prayaag Akbar, e foi adaptada em conjunto por Urmi Juvekar, Suhani Kanwar e Patrick Graham. A direção também é compartilhada entre Deepa Mehta, Shanker Raman e Pawan Kumar. Produzida pela Open Air Films LLP, Leila foi lançado e distribuído sob o selo Netflix.

CONCLUSÃO
A série indiana surgiu recentemente na Netflix com o objetivo claro de fisgar o mesmo público de O Conto de Aia, porém não tarda em criar uma identidade própria. A série aborda o drama de Shalini, uma mulher acostumado com uma vida confortável, que de uma hora para outra é subjugada por um regime covarde e hipócrita, quando ao mesmo tempo vive a angústia de não saber o paradeiro da própria filha. Uma obra cheia de melancolia e sofrimento, que por muitas vezes gera repulsa e raiva, pelas injustiças e abusos que aquelas mulheres são expostas. A série é curta, possuindo apenas seis episódios nessa segunda temporada, e até o momento não é confirmada continuação.

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BETTER THAN US (CRÍTICA)

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SINOPSE
Num futuro não tão distante as máquinas fazem parte do dia a dia da maioria dos cidadãos da Rússia. Fábricas, hospitais, escolas, nada fica de fora. E não são simples máquinas, boa parte delas possuem graus de inteligência artificial para auxiliar nas tarefas mais pesadas dos humanos. Existem robôs babás, enfermeiros, e até mesmo parceiros sexuais. A indústria por trás de tal tecnologia busca constante avanço, estando sempre atrás de novos upgrades e modelos para clientes sedentos por novidades. E nesse contexto surge Arisa, uma robô de alta tecnologia adquirida por um magnata do mercado de alta tecnologia. Arisa é um protótipo de uma empresa chinesa, e emprega inteligência artificial que lhe capacita tomar decisões morais de acordo com seu aprendizado. Essa capacidade não era prevista por seus idealizadores, e após um incidente de violência, foi descartada.

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De maneira desconhecida, a robô com fisionomia similar à humana, chega às mãos do empresário russo, um homem de caráter duvidoso que coleciona ‘bonecas’ para atender seus fetiches sexuais. As coisas fogem do controle, quando Arisa, após ser molestada, assassina um dos homens que transportaram-na até ali. A robô então foge do prédio onde estava e, vai parar dentro de uma família comum da cidade de Moscou, onde é ‘adotada’ por uma criança, e começa a aprender uma série de conceitos sobre humanidade.

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COMENTÁRIOS
São poucas as séries que nos deixam confortável ainda no episódio piloto, e Better than Us é uma dessas. A produção russa de ficção científica tem várias qualidades que merecem ser citadas, começando pela sua estética, que logo de cara mostra personalidade conceitual. Não traz exageros alegóricos tradicionais da nossa imaginação quando idealizamos uma proposta de futuro. A criação de Andrey Junkovsky, tem total inspiração em Isaac Asimov, porém não se limitando por completo nos dilemas existenciais de máquinas sendo inseridas na sociedade. O foco é apontado mais para como os seres humanos lidam com essa tecnologia, que vem interferindo em questões previdenciárias, e na constituição de formatos familiares.

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Arisa é uma máquina capaz de identificar emoções e expressões humanas, ao mesmo tempo que consegue aprender e compreender a filosofia da ética se baseando em avanços morais. O destino lhe proveu sorte ao encontrar Sonya, uma pequena menina bastante inteligente, filha de Georgy N. Safronov, um respeitado patologista. As duas desenvolvem um elo afetivo, no qual Arisa tem fortes impulsos de proteger aquela família, e Sonya corresponde ao sentimento por perceber antes de todos que aquele não era um robô como os outros. Arisa aos poucos vai observando aquele ambiente familiar e, adotando cada vez mais um comportamento humanizado, porém sua ‘vida’ se mostra complicada, considerando que ela foi responsável pela morte de uma pessoa.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco de Better than Us conta com Paulina Andreeva, Kirill Käro, Aleksandr Ustyugov, Olga Lomonosova, Eldar Kalimulin, Vita Kornienko, Aleksandr Kuznetsov, Vera Panfilova, Fedor Lavrov, Sergey Sosnovsky, Pavel Vorozhtsov, Irina Tarannik, Sergey Kolesnikov e Kirill Polukhin. A obra é criação de Andrey Junkovsky, Aleksandr Dagan e Aleksandr Kessel, produzida pela Yellow, Black and White, em cooperação com a  Sputnik Vostok Production para o canal estatal russo C1R. Em 2019 a Netflix comprou os direitos de exibição da primeira temporada. Better than Us é uma série originalmente lançada na Rússia no ano de 2018 com o nome Лучше, чем люди.

CONCLUSÃO
Uma produção de muito bom gosto estético, que traz boas atuações, um roteiro sólido e, a discussão ética de como iremos lidar no futuro com máquinas coexistindo conosco de maneira tão próxima. Better than Us conta a história de uma robô descartada em seu desenvolvimento, mas que chegando às mãos de um poderoso empresário. Arisa acaba cometendo um crime e, em sua fuga vai parar dentro de um ambiente familiar. A série russa é original de 2018, mas estreou no ocidente recentemente através do serviço Netflix. Recomendo muito!

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