STAR WARS: THE CLONE WARS (CRÍTICA E GUIA DE EPISÓDIOS)

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ONDE A SÉRIE ANIMADA SE ENCAIXA NO MUNDO STAR WARS?
É inegável que a franquia Star Wars é um universo gigantesco e que de tempos em tempos volta ao imaginário da cultura pop. O fascínio que o mundo criado pela Lucas Art pode exercer sobre as gerações pode vir acompanhado tanto de alegria como de decepção. Se compararmos com a trilogia clássica (Episódio IV: Uma Nova Esperança, 1977; Episódio V: O Império Contra Ataca, 1980; e Episódio VI: O Retorno de Jedi, 1983), a trilogia prequela é, para os fãs mais entusiasmados, bastante inferior do ponto de vista do enredo e atuação.

Chamamos de trilogia prequela (ou pré-sequência) os filmes dirigidos por George Lucas e que contam a ascensão de Anakin Skywalker até ser convertido ao Lado Negro da Força e como a República Galáctica e o Conselho Jedi, aos poucos, sucumbiram e foram aniquilados pela influência de Darth Sidious, o líder supremo do Império Galáctico. Abrange: Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999); Episódio II: O Ataque dos Clones (2002); e Episódio III: A Vingança dos Sith (2005).

No entanto, nada é mais obscuro que o período que compreende o início das Guerras Clônicas, na Batalha de Geonosis (final do Episódio II) até a Ordem 66, o extermínio dos Jedis a mando de Darth Sidious (final do Episódio III). Isso se dá por imensos buracos no roteiros da trilogia prequela, informações não explicadas ou mesmo curiosidades que deixaram questões em aberto como quem criou os clones, como os Jedis foram enganados, entre outros pequenos e grandes detalhes.

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O longa-metragem de animação Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) dá o pontapé inicial para explorar toda a história por trás do maior conflito enfrentado pela República Galáctica. Esse longa já resenhado aqui, trata justamente da chegada de duas discípulas: Ahsoka Tano e Asajj Ventress. A primeira se torna padawan (aprendiz) de Anakin Skywalker e a segunda, é uma Irmã da Noite do planeta Dathomir que se torna serva de Conde Dookan, líder separatista e aprendiz de Darth Sidious.

A série de TV Clone Wars, aqui exibida pela Cartoon Network, teve seu sucesso entre os anos de 2008 e 2014. É considerada pela Disney como cânone (conteúdo oficial) da franquia Star Wars e possui seis temporadas e um total de 121 episódios. Anakin, agora mestre de Ahsoka Tano, ao lado de Obi-Wan Kenobi, enfrentam os inimigos da República em uma guerra de reveses alucinantes. Eles descobrem cada vez mais a influência do Lado Sombrio sobre as forças Separatistas ao mesmo tempo que tem seu mundo e incertezas totalmente abalados por uma guerra de épicas proporções.

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O QUE VOCÊ PODE ESPERAR? / LEVES SPOILERS
A série animada é em computação gráfica e segue os mesmo moldes e conceitos do longa-metragem de animação Star Wars: A Guerra dos Clones (2008). A ação é frenética e o traço dos personagens são bem marcados. Seja em uma batalha com sabres de luz ou na trincheira dos clones no tiroteio contra um exército droide, a ação não deixa a desejar.

Mas o principal atrativo é que a série consegue conquistar não só ao frequentador assíduo do mundo Star Wars, pois conserva os elementos emocionantes ou impiedosos como a morte de um personagem querido, como também mantém um tom capaz de conquistar as novas gerações.

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Além de elucidar muitas questões que ficaram em aberto entre o Episódio II e Episódio II, a série mostra múltiplas narrativas e histórias. É como se fossem crônicas de uma guerra e você pode acompanhar a trajetória de inúmeros personagens que contribuíram, influenciaram ou foram tocados de alguma forma pelas Guerras Clônicas. Então não pense que o foco será 100% em torno de Anakin Skywalker que, aliás, aprenderá a gostar muito mais da versão do desenho animado do que da péssima interpretação de Hayden Christensen no filmes.

Podemos citar, entre tantas histórias contadas ao longo de seis temporadas, o papel de Ahsoka Tano que sai de simples padawan para um líder importantíssima. Também Ventress, discípula de Conde Dookan é intensamente trabalhada mostrando seu passado como Irmã da Noite no planeta Dathomir, o mesmo de Darth Maul, o aprendiz sith que enfrentou e matou Qui-Gon Jinn em Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999).

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A série animada expande o universo conhecido ao abordar o passado de Obin Wan Kenobi e os detalhes sutis do romance entre Anakin Skywalker e Padmé Amidala. Ao mesmo tempo que revela muitos detalhes obscuros das Guerras Clônicas, apresenta personagens marcantes como os soldados clones do Batalhão 501 (Rex, Fives, Echo e Cody). Também desenvolve as narrativas em torno do conselho jedi, muitos personagens que só rapidamente aparecem nos filmes: os mestres Plo Koon, Shaak Ti, Kit Fisto, entre outros. E claro, somos brindados com episódios estrelados por Mace Windu e Yoda, que apesar de poucos, são importantes demais para entender as Guerras Clônicas e suas ressonâncias.

Também há narrativas focadas no Lado Negro e podemos conhecer as artimanhas de General Grievous, Ventress e até inimigos novos como Savage Opress e a líder das Irmão da Noite, Mãe Talzin. Há inimigos que julgávamos mortos e outros que começam a ser desenvolvidos aqui como Bobba Fett e os Caçadores de Recompensa. Ainda vemos Palpatine, como Darth Sidous, em lutas fantásticas e como ele poderia ser mortal com um sabre de luz.

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Claro que nem tudo são flores e há episódios ao longo das temporadas que mais preenchem espaços (enchem linguiça) do que sejam relevantes para história geral da franquia. Quase sempre são encenados pelos droides C3PO e R2D2. Calma, adoro os robozinhos e muitas histórias mostram como o astrodroide R2D2 é um veterano e importante personagem de guerra, mas muitas vezes os episódios são mais divertidos e infantis do que relevantes.

Ainda há episódios com Jar Jar Binks que, mesmo em parceria com outros personagens da série, terminam sendo enfadonhos. Talvez devido a minha implicância com esse personagem não tenha aproveitado bem as aparições dele, exceto quando ele auxiliou Mace Windu em uma missão, mas também eu adoro este mestre jedi e talvez devido a isso tenha gostado.

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QUAL A ORDEM CRONOLÓGICA PARA ASSISTIR?
Abaixo um guia para assistir as seis temporadas da série animada na ordem crológica:

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QUAIS SÃO AS MELHORES HISTÓRIAS?
Qualquer seleção é sempre problemática na medida que é uma questão de opinião. Mas nas+1 linhas abaixo separo os arcos de história mais relevantes para entender as Guerras Clônicas e o que elas influenciaram na origem de personagens ou suas consequências para a trilogia clássica ou outras obras derivadas. Claro que devorar as seis temporadas mostrarão informações valiosas e renderão boas horas de diversão. Deixe sua opinião ou histórias favoritas nos comentários.

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1. As origens de Boba Fett (2×20-2×22, 4×15, 4×20)
O perigoso caçador de recompensas que, a serviço de Jabba, aprisionou Han Solo em carbonita (Episódio V: O Império Contra Ataca, 1980), tem suas origens exploradas na série animada. O mandaloriano é treinado por Aurra Sing, perigosa assassina que assistia a a corrida de pods em Naboo (Episódio I: A Ameaça Fantasma, 1999). Aurra aparece como mestre do garoto quando Bobba Fett deseja vingança contra Mace Windu (2×20-2×22), o mestre jedi que assassinou seu pai na Batalha de Geonosis (Episódio II: O Ataque dos Clones, 2002). Ambos fracassam devido aos esforços jedi.

Depois, percebemos que ele se adaptou a vida do crime e possuía aliados leais na prisão entre eles Bossk (4×15) e acaba ajudando Cad Bane e Kenobi (que estava infiltrado) a escaparem.

Por fim já o vemos adolescente como Caçador de Recompensas, muito jovem e habilidoso e já com todo um bando a sua disposição. Acaba contratando a Asajj Ventress (4×20) que se encontra exilada na Orla Exterior depois de ter perdido suas origens e rumos.

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2. Mandalore (2×12-2×14, 4×14, 5×14-5×15)
Com o sucesso da série da Disney+, O Mandaloriano, os fãs da franquia ficaram ainda mais animados para conhecer o passado desse povo guerreiro do qual só conhecíamos com mais ênfase Jango e Bobba Fett. A série animada nos apresenta o planeta Mandalore que almeja a um caminho de paz ao passo que líderes como Pre Vizsla, à frente do Olho da Morte, tentam a todo custo sabotar os planos da pacifista Condessa Satine (2×12-2×14).

Mesmo com uma derrota inicial, exilados momentaneamente (4×14), o Olho da Morte nutre o desejo de tomar o poder da Mandalore. Acaba por encontrar um antigo sith, um aliado dúbio para sua escala ao poder: Darth Maul (5×14-2×15).

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3. O retorno de Darth Maul (3×14, 4×21-4×22, 5×01, 5×14-5×16)
Sim, ele mesmo. Para você que pensou que o monossilábico aprendiz sith que matou Qui-Gon estava definitivamente morto após Obi Wan Kenobi cortá-lo ao meio (Episódio I: A Ameaça Fantasma, 1999), está enganado. Descobrimos com a série animada que sua origem está ligada ao planeta Dathomir, lar das Irmãs da Noite, bruxas capazes de manipular a Força Viva em todas as criaturas.

Savage Opress, aprendiz sith e das Irmã da Noite, acaba por receber a missão de reencontrar seu irmão na Orla Exterior (final do episódio 3×14, mas convém ver os dois anteriores para saber melhor o contexto). Opress consegue localizar Maul, agora ensandecido e vivendo isolado. Seu clamor por vingança é doentio e só melhora com os esforços de Mãe Talzin (4×21-4×22), bruxa maior de Dathomir. Curado, persegue Kenobi com a ajuda de Savage Opress.

Mesmo tentando agir no submundo, recrutando contrabandistas como um exército capaz de fazer frente aos jedis (5×01), acaba sofrendo duras derrotas. No entanto, ao ser resgatado por Pre Vizla e o Olho da Morte, vê uma chance de formar um grande exército de criminosos e assim dominar a Orla Exterior (5×14-5×16). Ajudando o grupo mandaloriano a chegar ao poder, acaba por atrair as atenções tanto de Kenobi quanto de Darth Sidious. As consequências são impressionantes e com direito as melhores batalhas de toda série animada.

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4. Qui-Gon Jinn e o Escolhido (3×15-3×17, 6×11-6×12)
Diferente de Darth Maul, Qui-Gon ainda está morto. Mas isso não quer dizer que não esteja presente. Aliás ele é de vital importância para o rumo da Galáxia e inclusive para Luke Skywalker, mesmo que indiretamente.

Quando Anakin, Ahsoka e Obin Wan visitam um misterioso planeta Mortis no qual os elementos da Força estão personificados (o Pai, o equilíbrio e os filhos, a Luz e a Sombra), é Qui-Gon que conversa com Kenobi em um momento de confusão e personificado como fantasma da Força explica sobre o Escolhido (3×15-3×17). Também é o antigo mestre de Kenobi que guiará Yoda para que ele entenda os desígnios da Força, possa superar a morte e se integrar à Força Cósmica (6×11-6×12). Com ele entendemos as ações de Yoda ao final das Guerras Clônicas e até as do próprio Kenobi.

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5. O impiedoso Tarkin (3×15-3×17; 5×17-5×20)
O Grande Moff Tarkin, o vilão que comandava a Estrela da Morte na Batalha de Yavin (Episódio IV: Uma Nova Esperança, 1977) tem parte de seu passado revelado na série Clone Wars. Acompanhamos o primeiro contato dele com Anakin Skywalker, futuro Darth Vader,  ainda quando era capitão das forças da República (3×15-3×17). No início a antipatia é mútua, no entanto, aos poucos, ambos concordam com a ineficácia da técnicas jedi para levar fim a guerra: era preciso uma liderança firme.

Tarkin ainda mais severo com a ordem jedi e já comandado por Palpatine, empreende uma investigação e acusação contra Ahsoka Tano, culpabilizada por um atentado ao Templo Jedi (5×17-5×20). Isso dá mostra do seu caráter inflexível e maldoso que o fará comandante da maior arma do Império Galáctico.

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6. A saga do soldado clone Fives e a Ordem 66 (3×01; 1×05; 3×02; 3×18-3×20; 4×07-4×10; 6×01-6×04)
A questão dos clones é intensamente debatida ao longo da série. Questões filosóficas como a humanidade dos mesmos, o fato de serem descartados ou não como meros droides, como força de batalha dispensável ou não. O batalhão 501, que respondia diretamente a Anakin e Ahsoka é falado com detalhes e alguns oficiais são detalhados como, em maior medida, o Capitão Rex e Fives.

Este último é especial porque é aquele que mais questiona sua condição e reafirma seu senso de fidelidade e dever para com seus irmãos de armas. Também é a saga do único clone que consegue descobrir o mistério por trás da Ordem 66, uma programação inserida para no momento certo executar todos os jedis da Galáxia. Acompanhando a saga de Fives, conheceremos o segredo por trás desse malicioso e mortal plano de Palpatine, bem como suas origens.

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7. Uma guerra de histórias
Claro que ainda há muita coisa a ser vista, mas para completar o guia, nada mais justo do que umas sugestões de episódios baseados nos personagens principais em ordem cronológica para aproveitar o enredo:

  • Somente os episódios com os protagonistas: Anakin Skywalker, Obi Wan Kenobi e Ahsoka Tano
    (2×16; 1×16; Filme A Guerra dos Clones; 3×01; 3×03; 1×01-1×15; 1×17-1×21; 2×01-2×03; 2×17-2×19; 2×04-2×14; 2×20-2×22; 3×05-3×07; 3×02; 3×04; 3×08; 1×22; 3×09-3×11; 2×15; 3×12-3×22; 5×02-5×13; 5×01; 5×14-5×20; 6×01-6×13);
  • As aventuras de Padmé Amidala
    (1×04; 4×04; 1×08; 1×11; 1×17-1×18; 2×19; 2×04; 2×14; 3×05; 3×07; 3×04; 3×08; 1×22; 3×10; 3×11; 2×15; 4×01-4×04; 4×14; 5×20; 6×05-6×07);
  • A história de Asajj Ventress: a Irmã da Noite convertida em sith
    (1×16; 1×01; 3×02; 1×09; 3×12-3×14; 4×19-4×22; 5×19-5×20);
  • Quem é Saw Guerrera? Importante líder rebelde durante Rogue One: Uma história Star Wars, possui sua origem explícita na série animada (5×02-5×05);
  • A origem dos clones e a trama de Palpatine (6×10-6×11) se completa com o plano da Ordem 66 (6×01-6×04).
  • Somente, Yoda, quer você ver: (1×01; 6×10-6×13).

CONCLUSÃO: Se queres paz, te prepara para a guerra!
A  essa altura da minha crítica o leitor já deve desconfiar de minha crítica super favorável a esta série animada. Não só pelo seu caráter elucidativo para quem é fã da franquia Star Wars como também abrilhantar uma parte da história que achamos sem o mesmo brilho que a trilogia clássica: a pré-sequência de George Lucas. Se você já acompanhou em ordem cronológica as críticas aos longas-metragens prequel, sabe que, tanto o Episódio I quanto o Episódio II, são ao meu ver bastante inferiores do ponto de vista do roteiro. Mas a série animada  Clone Wars não só consegue “consertar” boa parte da história como até melhorar.

Enquanto os filmes mostram um Anakin Skywalker insípido e sem graça, a série animada nos mostra seus anos dourados como valente herói da República e um grande trunfo do Templo Jedi. Isso também vale para Obin Wan Kenobi, mas a série ainda nos brinda com a preciosidade que é Ahsoka Tano. Essa complexa padawan que amadurece ao longo das temporadas talvez seja uma das maiores contribuições ao universo Star Wars.

Se você já é um fiel frequentador de Star Wars e deseja saber tudo sobre a guerra entre a República Galáctica e os Separatistas, talvez esse seja seu melhor desenho animado. Para o recém-chegado à franquia, esta será uma oportunidade sem igual de conhecer franquia devido as epígrafes filosóficas (mensagens no início de cada episódio), arte gráfica e batalhas alucinantes. Seja corajoso, pois como a última citação da série diz:

Enfrentar todos os seus medos o libertará de si mesmo.

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RETALIAÇÃO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Cha Dal-gun é um entusiasta das artes marciais que ganha a vida trabalhando como dublê de produções de ação, e após a morte de seu irmão, acabou ficando com a guarda do sobrinho. Devido à uma festividade no Marrocos, o menino é convidado junto com seu grupo de taekwondo, a representar a Coreia do Sul no evento, porém o avião onde ele estava cai, matando mais de duzentas pessoas. Desnorteado e junto dos outros familiares dos mortos, Cha Da-gun viaja para Marrocos na intenção de fazer uma última homenagem ao amado sobrinho, mas acaba deparando com segredos que nunca deveria descobrir.

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COMENTÁRIOS
Para quem gosta de ação com perseguições frenéticas, explosões, conspirações, espionagem, e muitas reviravoltas, Retaliação (Vagabond) é o que há de melhor no momento quando o formato é série! Não há como não notar sua inspiração em franquias como Missão Impossível, filmes policiais orientais dos anos oitenta, e até mesmo a série Bourne. A superprodução sul-coreana consegue unir tudo isso, superar os óbvios clichês, e ainda assim construir uma identidade própria cheia de personalidade. O mais interessante em Retaliação, é que a série não te dá espaço para respirar. A sucessão de eventos é contínua, com sequências vigorosas de ação uma atrás da outra. E o mais bacana de tudo, é que isso não parte de um roteiro cheio de conveniências apenas para forçar uma adrenalina engessada, como vemos em produções de séries ou filmes de qualidade duvidosa.

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Juro que pensava já ter visto de tudo em se tratando das tradicionais séries de ação sul-coreanas, mas nada chegou perto desta quando o assunto é qualidade de produção. As costumeiras atuações de altíssimo nível estão lá, isso nem me presto mais em detalhar para não soar repetitivo. O elenco inteiro destrói e fim de papo. Acha que estou sendo exagerado? Estão dá um confere e depois me diz. A produção sempre procura manter o uso de efeitos práticos nas cenas de ação, com saltos de prédios com dublês, carros reais colidindo em alta velocidade, explosões com cheirinho de pólvora, enfim, não tem economia e falta de inventividade. Seu visual esplendoroso conta com ruas do centro de Lisboa, o exótico subúrbio e região costeira de Marrocos, bem como as zonas urbanas da Coreia do Sul. Para somar e completar tudo isso, temos uma trilha sonora original inspiradíssima, que aproveita temas tradicionais da cultura de cada região por onde passa. Se Retaliação fosse um filme curto de uns noventa minutos, eu já acharia tudo isso que eu comentei, mas quando entendemos que isso se trata de uma série de dezesseis episódios com cerca de uma hora cada, nossa, não há palavras que possam descrever com fidelidade a experiência. Ainda não viu? Se dê esse presente. Assista ao menos o primeiro episódio, e se achar que eu rasguei seda demais para algo que não é lá tudo isso, volte aqui com toda sua fúria me dar bronca.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Lee Seung-gi, Bae Suzy, Shin Sung-rok, Baek Yoon-sik, Moon Sung-keun, Kim Min-jong, Lee Ki-young, Jung Man-sik, Hwang Bo-ra, Lee Geung-young, Moon Jeong-hee, Choi Kwang-il, Park Ah-in, Yoon Na-moo, Lee Hwang-Ui e Moon Woo-jin compõem o elenco. Escrita por Jang Young-chul e Jung Kyung-soon, Retaliação (Vagabond), é uma série sul-coreana de 2019 dirigida por Yoo In-sik. Tendo como produtor executivo Park Jae-sam, foram utilizadas as estruturas da Celltrion Entertainment e Sony Pictures Television. Foi televisionada no canal aberto SBS na Coreia do Sul, distribuída internacionalmente pela Sony Pictures Television, e o serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Retaliação é um K-drama carregado de adrenalina de um jeito que eu nunca tinha visto antes, misturando altas doses de ação quase ininterrupta, além de conseguir com sutileza encaixar divertidos alívios cômicos, e um pouco de romance. Sua produção procurou se concentrar bastante nos efeitos práticos, proporcionando um realismo pouco visto em séries. Então se você é fã de John Woo, pode ir tranquilo, pois tenho certeza absoluta de que você se identificará. Com classificação etária de 16 anos, Retaliação está disponível no Brasil através do serviço por assinatura Netflix. Então prepare o fôlego, pois se você começar, certamente vai querer maratonar! Bom divertimento!

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THE K2 (CRÍTICA)

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SINOPSE
Kim Je-ha é um ex-soldado da agência militar Blackstone que se envolve nos bastidores de uma guerra política, quando acidentalmente conhece Choi Yoo-jin, filha de Jang Se-joon, deputado que briga na corrida eleitoral pela presidência do país. A jovem é um problema para o pai e sua esposa atual, Choi Yoo-jin, visto que é fruto de um secreto relacionamento extraconjugal do passado. Em meio ao perigoso embate pelo poder, Je-ha precisa fazer uso de todo seu treinamento para proteger a vida daqueles que o cerca, enfrentando sozinho uma verdadeira guerra de máfias.

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COMENTÁRIOS
Eu poderia resumir The K2 (더 케이투) como a série de um John Rambo mais sofisticada, e é essa impressão que se tem pelo menos nos dois primeiros episódios. Só que as coisas não param por aí, nada é tão simples assim. Kim Je-ha não é apenas um exército de um homem só, o cara também é letrado, descolado, sedutor e homem de princípios. As vezes também é seboso ao demonstrar zero modéstia contra seus oponentes. Ou seja, o Rambo da nossa primeira impressão está mais para um James Bond. Só que esse 007 não é nada corporativista, só faz o que lhe dá na telha. E se deu na telha que uma guerra política está atrapalhando o bem estar de uma jovem rejeitada pelo pai ganancioso, então é contra gangues do colarinho que ele brigará. E quando digo gangues, são agências de todo tipo se vendendo para magnatas da política.

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Esta é uma das primeiras produções do Studio Dragon, empresa sul-coreana responsável por diversas séries de ótima qualidade, como as já resenhadas Black, Stranger e Tunnel, todas de 2017. The K2 é uma ótima opção quando se quer diversão, pois sua pegada de ação, drama, e romance, é capaz de atrair tanto o público masculino quanto o feminino. Mas nem tudo são flores, é também uma das séries do estúdio que mais possui falhas. Seu roteiro é uma inteira trapaça, o que não faltam são inúmeras conveniências, e quando digo inúmeras é porque tem muita coisa mesmo. Basicamente Kim Je-ha está envolvido com tudo de tudo na trama, quase um ser onipresente. Direi duas situações que só seriam spoilers se você já estivesse inserido no todo e soubesse os nomes e importância dos personagens, então fique tranquilo, terá zero impacto na sua experiência. Primeira situação: Je-ha está no Iraque, em uma campanha militar, e lá ele é acusado de um crime que não cometeu, e o mandante ele encontra tempo depois na Coreia do Sul, como um dos principais envolvidos no seu futuro problema e que não tem nenhuma relação com seu problema anterior; Segunda situação: Je-ha fugindo de alguma coisa esbarra com Choi Yoo-jin na Europa. Um período se passou, e o rapaz trabalha como instalador de banners em locais perigos, onde acidentalmente vira testemunha da infidelidade do pai de Yoo-jin. Beleza, nessa segunda situação poderíamos dizer que as coincidências terminaram com agora ele identificado, e por isso seria encaixado na história. Mas não, outras e outras situações similares se repetem, mostrando que o roteiro trapaceia para formar e manter seus personagens interligados.

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Se por um lado o roteiro é fraco e até um pouco desrespeitoso com a audiência, por outro a série se redime do seu crime ao escalar uma tropa de excelentes atores. Vai lá eu mais uma vez rasgar seda para esses atores sul-coreanos… pode dizer. Não dá cara. Não há como ignorar essa virtude da academia de cinema dos caras. Ou não. Talvez nem seja isso. Talvez seja o estúdio que dê sorte ou escolha bem seus colaboradores entre, também atores medianos e ruins. Enfim, são apenas suposições. A verdade é que o principal ator, o jovem Ji Chang-wook, não apenas atua bem dando vida ao seu personagem dramático, mas também contracena excelentes cenas de ação. A maioria das suas cenas coreografadas são contracenadas pelo próprio, honrando os bons atores de filmes de artes marciais asiáticos. Choi Yoo-jin, a esposa do candidato Jang Se-joon, é uma caixinha de surpresas. A mulher consegue uma expressão riquíssima para seu personagem. Transita de vilã para a mocinha continuamente, nos fazendo ficar de boca aberta sem saber se devemos amar ou odiar aquela pessoa. Já Jang Se-joon é um fanfarrão! Conhece aquele tipo de político demagogo e manipulador? É ele! Por trás da carapaça de um bom homem, fiel, e exemplo de honestidade, existe uma figura mau-caráter, fria e manipuladora. Ah, e esqueci! Mulherengo ao extremo. Como pude esquecer? E mesmo assim não conseguimos ter plena repulsa por ele, afinal, como bom político e fazendo uma excelente atuação, até nós somos manipulados por seu carisma. Dos quatro principais personagens sobra Choi Yoo-jin, que entrega uma atuação convincente e boa, mas que não tem tantos recursos de roteiro para ser melhor explorada e brilhar mais.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Ji Chang-wook, Choi Seung-hoon, Song Yoon-ah, Im Yoon-ah, Lee Yoo-joo, Jo Sung-ha, Kim Kap-soo, Lee Jung-jin, Shin Dong-mi, Lee Ye-eun, Lee Jae-woo, Lee Chul-min, Song Kyung-chul e So Hee-jung compõem o elenco. Escrito por Jang Hyuk-rin, The K2 é uma série de ação, drama e romance de 2016, e um dos primeiro trabalhos do Studio Dragon dirigido e produzido por Kwak Jung-hwan. Gravado através da HB Entertainment na Coreia do Sul, teve cenas extras na Espanha. A série possui 16 episódios, tendo a duração média de 60 minutos. Foi distribuída localmente pela emissora tvN, e entregue para o restante do mundo através do serviço de assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
The K2 é uma série bem bacana que reúne um bom número de gêneros. Seu forte é ação, temática política e romance, mas também carrega junto muito humor. Seu ponto fraco é o seu roteiro, que trapaceia bastante para unir todos os personagens na trama, porém suas virtudes são tão reluzentes que você esquece disso. Chega num ponto da história que tais defeitos são perdoados, e isso se dá por conta das marcantes atuações do elenco escolhido. Como dizem no ditado “um herói só é um grande herói quando tem um grande vilão”, e The K2 tem isso. E o mais interessante é que você fica até o fim tentando descobrir qual é a verdadeira ameaça. A série de 2017 é uma das primeiras produções do Studio Dragon, tem classificação de 14 anos, e está disponível na Netflix. Boa diversão!

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HANNA – SÉRIE DA AMAZON (CRÍTICA)

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SINOPSE
Baseada no longa-metragem de 2011 de mesmo nome, Hanna acompanha a singular jornada de um jovem criada nos rigores da floresta europeia por um homem misterioso que a mantém isolada do mundo. Mas a curiosidade da adolescente, cuja única pessoa com qual se relaciona é o pai, Erick, fará com que a menina se aventure fazendo contato com o mundo exterior. A simples e rápida amizade com um jovem desenterrará segredos do passado ligados ao impiedoso programa de treinamento da CIA para formar agentes de campo perfeitas psicológica e biologicamente.

A jornada de Hanna com iguais partes de drama da maioridade, suspense e espionagem, volta-se para origem da menina e seu pai. É no decorrer dos acontecimentos que a jovem tentará se encaixar em um mundo ao qual sempre estivera alheia e todas suas certezas entrarão em xeque. Mas a história da menina recrutada ainda no ventre materno para ser inigualável assassina não seja única e, talvez, Hanna não esteja tão sozinha no mundo.

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OUTRA HISTÓRIA DE ESPIÃ… (Análise)
Tudo bem que a proposta da Amazon de surfar na onda de um filme com quase 10 anos de atraso é batida. Mas a série possui seus encantos: consegue em boa medida abarcar as contradições da adolescência, de hormônios à flor da pele, extravasados em meio a razoáveis e coreografadas cenas de ação. Gosto bastante do gênero espionagem. Assisti senão todos, ou quase isso, aos filmes de 007 e lembro-me dos festivais da Rede Globo que certa vez exibiram na Sessão da Tarde todos as películas do James Bond. Ainda assisti a algumas séries toscas como Chuck (2017-2012), por exemplo; ou decepcionantes como Alias (2001-2006), que deslizou no final, mas revelou o talento de Jennifer Garner e contou com a mão de J.J. Abrams. Porém persisto no gênero, sempre, como um esperançoso.

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Desta forma a história de Hanna é muito típica no que se refere a alguns de seus elementos básicos: um protagonista de passado obscuro, um “programa de super-soldado”, a presença inescrupulosa da CIA e motivações para lá de questionáveis. Nesse sentido, o que chama atenção é justamente o caráter juvenil (não é uma série só para crianças) que oscila entre a candura da infância perdida da menina isolada na floresta e vivendo primitivamente com seu pai; e a história violenta da organização que os persegue e que não respeita a moralidade ao matar tantos inocentes e até bebês… para não entrar em mais detalhes.

Erik (Joel Kinnaman), veterano da Guerra do Afeganistão, envolto com problemas de bebidas alcoólicas e distúrbio pós-traumáticos se torna um recrutador especial da CIA, alistado pela figura enigmática de Marissa Veigler (Mireille Enos). Ele deveria interceptar mães que quisessem abortar, convencê-las a continuar a gestação e entregar suas filhas, sim somente meninas, para o projeto Ultrax. Nele, os bebês seriam melhorados geneticamente e desde cedo receberiam treinamento especial para se tornarem agentes badass!

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No entanto Erik apaixona-se por uma das mães, Johanna Petruscus (Joanna Kulig), a mesma que se arrepende depois do parto de ter aberto mão da guarda de se sua filha, Hanna (Esme Creed-Miles). Assim ambos empreendem uma invasão à base para resgatar a recém-nascida. Mas as consequências são trágicas: a mãe da menina morre, o projeto aparentemente é encerrado (ou incinerado) e Erik se exila na floresta e passa a criar e treinar a garota, mantendo-a sempre oculta do resto do mundo.

Nesse meio tempo, Marissa Viegler, mesmo adquirindo em certa medida uma vida normal depois de ter cometido atrocidades em nome da CIA, nunca perdeu a esperança de reaver a menina e eliminar Erik. E com certeza não deixará os vacilos adolescentes de Hanna passarem batido e seguirá o rastro da menina, desacostumada com o mundo fora da floresta e, devido às reviravoltas, afastada do pai.

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ASPECTOS TÉCNICOS (algumas observações)
No aspecto visual, além da arte conceitual do nome da série, com um toque geométrico e minimalista, é preciso enfatizar a beleza das locações na Europa em países que vão da Alemanha à Romênia. Isso faz com que a série supere o regionalismo estadunidense e mostre paisagens belíssimas.

A trilha sonora possui músicas mais calmas que enfatizam o caráter leve nas cenas da menina envolta em doçura cujo exemplo maior é “Anti-lullaby” de Karen-O que permeia vários momentos de inocência da jovem assassina. Mas estão lá os estilos musicais que são tendências entre os jovens para embalar as festas e as cenas de ação: hip-hop, trance, rock…

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Quanto a unidade, às vezes deixam a deseja ao fazer a passagem pouco sutil entre o drama da menina e a ótica de seus perseguidores. Essa passagem é pouco orgânica e em vários momentos pouco acabada.

No que se refere as atuações, parece faltar dramaticidade expressiva. Quando falamos de Esme Creed-Miles, que vive a protagonista, é justificável sua personagem ser mal interpretada, às vezes, afinal ela vive uma menina fria por natureza e pouco socialiazada. Mas os outros dois vértices desse triângulo, Joel Kinnaman and Mireille Enos, parecem pouco expressivos e cativantes. Afinal é preciso catarse: que o telespectador se identifique emocionalmente com mocinhos e bandidos. O casal de atores, que já trabalhou juntos em The Killing (2011), parecem ter evoluído pouco. No caso de Kinnaman, conhecido aqui por Robocop (2014) de José Padilha e pela série Altered Carbon da Netflix, parece ter somente a mesma feição para demonstrar todos os sentimentos, mas se salva pela cenas de ação muito bem coreografas. Já Mireille Enos, possui um sorriso meio perturbador, mas parece igualmente inexpressiva. Mas deixo o benefício da dúvida: será que não é assim pelo histórico da vilã?

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Esme Creed-Miles, Mireille Enos, Joel Kinnaman, Khalid Abdalla, Justin Salinger, Andy Nyman, Yasmin Monet Prince, Rhianne Barreto, Stefan Rudoph, Katharina Heyer, Peter Ferdinando, Benno Fürmann e Joanna Kulig compõem o elenco. Hanna é uma série norte americana inspirada no filme homônimo de Seth Lochhead & David Farr, lançado em 2017. David Farr retorna, agora em parceria com Ingeborg Topsoe para escrever esta nova versão, que é produzida por Hugh Warren e tem como produtores executivos David Farr, JoAnn Alfano, Tom Coan, Andrew Woodhead, Tim Bevan, Eric Fellner, Marty Adelstein, Becky Clements e Scott Nemes. Os compositores da música tema são Ben Salisbury e Geoff Barrow. A produção ficou por conta dos estúdios NBCUniversal International Studios, Working Title Television, Focus Features e Amazon Studios. A série é distribuída e está disponível pelo serviço por assinatura Amazon Prime.

CONCLUSÃO (devagar e sempre…)
Se você é fã de espionagem em alto nível, a história de Hanna terá poucos atrativos e surpresas. É, até certo ponto previsível, e pouco inovadora, exceto pela questão da perda infância e o drama da maturidade da personagem. Adolescentes podem gostar da série principalmente por abordar problemas comuns dessa faixa etária, no entanto a galera mais experiente às vezes perderá a paciência com os trechos infantis e pela demora para desenvolver o enredo.

Talvez o aspecto mais interessante a enfocar nessa conclusão seja justamente as reviravoltas na trama e a espera, bem recompensada, das cenas em que a pequena agente entra em ação. É sempre bom ver uma garotinha empoderada nocautear uma bando marmanjo mal-encarado. A primeira temporada é curta, apenas 8 episódios, e deixa o gostinho de curiosidade visto que Hanna terá que se virar sozinha. Mas não vou falar demais, deixo para vocês saírem da floresta junto com a menina ou deixá-la exilada na sua lista de streaming da Amazon.

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BLACK – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Kang Ha-ram é uma jovem mulher que desde a infância sofre bastante com um infeliz dom. Capaz de ver espíritos por todos os lados, precisa estar sempre de óculos escuros para camuflar os vultos espectrais e não acabar enlouquecendo. Em outro canto da cidade está Han Moo-gang, um detetive extrovertido e dedicado ao trabalho que acaba morrendo durante o cumprimento do seu dever. Seu corpo então é levado ao necrotério, e lá ele é possuído pelo Ceifador Nº 444, uma entidade implacável e sem compaixão que encaminha os vivos para o mundo do morto. Assumindo o corpo de Han Moo-gang, ele procura manter o disfarce como detetive, enquanto parte no encalço de seu pupilo renegado, do qual é responsável, e que também se apossou de um corpo humano morto.

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COMENTÁRIOS
Black (블랙) é uma produção sul-coreana que mistura elementos como drama, romance, policial, mistério, fantasia, comédia e ação, e por todos os gêneros por onde transita, o faz com muita presteza e originalidade narrativa, mesmo englobando tantas categorias. Por incrível que pareça o senso de humor dos sul-coreanos não é muito diferente de nós brasileiros, eles estão sempre rindo, sempre solícitos, algo bem diferente do que faria sentido, uma vez que o recebe forte influência cultural norte americana, um povo bem introspectivo. Isso é algo que sempre acho bacana de observar, seja em qual tipo de mídia for, a expressão natural de humanidade de uma cultura, e os sul-coreanos não se preocupam com isso. Fazem suas graças seja onde for, estando seguros de não dever satisfação por seus comportamentos a ninguém. Do jeito que realmente deve ser!

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Explicado um pouco sobre esse grau de naturalidade com o qual esse povo tão distante se mostra, fica mais fácil dizer que tudo em Black é fluído. As atuações e diálogos são impressionantes. Esse é o tipo de série que verdadeiramente te distrai, sendo capaz de te empurrar para uma maratona sem nem perceber. Divertidíssimo, porém de bastante tato quando há necessidade de mais seriedade, a narrativa traz muito sobre dilemas familiares, lutos, superações e, sempre que o faz, somos afetados pela emoção que esse elenco consegue transbordar. São profissionais que realmente encarnam seus personagens e dão o máximos de si. O roteiro de Black consegue se manter firme pelos seus dezoito episódios, onde cada um deles tem entre 68 e 87 minutos. Achou longo? Acredite, você nem consegue notar que esse tempo todo passou.

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Com uma produção polida, o ‘K-drama’ (produções sul-coreanas lançadas em série para TV), que erroneamente é chamado por muito gente de ‘dorama’ (produções japonesas), não apresenta muitas falhas. Seu roteiro bem amarrado tem uma direção competente, executando cenas de ação bastante empolgantes. As lutas e perseguições são bem coreografadas, mesmo com as rígidas normas de trânsito do país, o que traz uma boa dose de adrenalina. Acho que é óbvio, mas digo tudo isso considerando esta ser uma série, e não um filme, que é bem mais compacto e fácil de editar.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Song Seung-heon, Go Ara, Jae-young Kim, Kim Dong-jun, Lee El, Won-hae Kim, Jo Jae-yoon, Choi Min-chul, Park Doo-sik, Kim Tae Woo, Chul-min Lee, Jae-Ho Heo, Seok-yong Jeong e Choi Won-hong compõem o elenco. Com roteiro de Choi Ran, a série é dirigida por Kim Hong-sun. Obra do sul-coreano Studio Dragon, tem produção executiva de Kim Jong-sik e Song Jae-joon. Estúdio esse também responsável por outras séries já resenhadas aqui, como The K2 (2016), Tunnel (2017) e Stranger (2017). Na Coreia do sul, Black, foi distribuída pela Orion Cinema Network, mais conhecida como OCN, e foi internacionalizada pelo serviço de assinatura Netflix. Lançada em 2017, a série, que de forma correta deve ser tratada como um K-drama, possui dezoito episódios, e até onde se compreende, tem sua história concluída, dificultando a possibilidade de continuação.

CONCLUSÃO
Embora eu ainda não tivesse feito a resenha sobre nenhuma produção sul-coreana até o momento, já assisti muitas coisas do país, e estou seguro em afirmar, esta é uma das melhores e mais divertidas séries daquelas bandas. Tendo uma história muito intrigante, ela te prende em assistir sequencias de episódios de mais de uma hora cada sem nem perceber. Uma produção muito boa que acertou em cheio em seu roteiro e direção, e que fez mais bonito ainda na escolha de seu elenco. Black tem drama, romance, policial, mistério, fantasia, comédia e ação, e não se engane achando que uma série com tantos gêneros misturados não tem condições de ser bom em tudo que propõe. Muito pelo contrário, os caras acertaram e fizeram bonito em tudo! Duvida? Te desafio a assistir pelo menos o primeiro episódio e não se apaixonar por este K-drama. A série é recomendada para maiores de dezesseis anos e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

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