I AM NOT OKAY WITH THIS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A vida para a jovem Sydney ficou sem sentido após a morte de seu pai, alguém a quem era apegada e guardou boas recordações. Dali em diante passou a se sentir pouco amada e respeitada por todos ao seu redor, e nem mesmo vindo de sua mãe sentia o mínimo carinho. Na escola sofria com o bullying, se sentindo sempre incapaz de revidar. Até que certo dia uma coisa muito estranha aconteceu. Era pouco informada sobre coisas básicas relacionadas ao próprio corpo, já que se fechava em seu mundo e não interagia bem com os outros. Isso fez com que acabasse crendo que as certas coisas que aconteciam com ela poderiam ser completamente normais e estarem ligadas com as mudanças da idade. A primeira demonstração dessa particularidade aconteceu quando interiorizando uma forte raiva por uma pessoa, fez com que seu nariz sangrasse de forma significativa. Sydney não era uma garota má, no entanto como qualquer pessoa, não conseguia pesar os pensamentos pelos seus desafetos, e essa incapacidade de controlar seus desejos de retaliação pelos maus tratos que sofria, poderia a tornar bastante perigosa.

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COMENTÁRIOS
Mais uma vez a Netflix traz aquele ar de anos oitenta que super deu certo com o projeto Stranger Things, e a bola da vez é I Am Not Okay with This (2020), série adolescente de drama, comédia e fantasia. A linguagem e conceito são bem parecidas entre as duas produções, rolando até boatos de que fazem parte do mesmo universo, uma vez também que são obras dos mesmos criadores. A dinâmica aqui rola em torno de Sydney, uma adolescente que sofreu uma dura perda familiar, não conseguindo enxergar mais brilho nas coisas mais simples. Ela não se tornou depressiva ou coisa do tipo, apenas se isolou na própria existência e passou a ser pouco tolerante com o ambiente que a cercava. O que de certo modo era até compreensível, visto que vivia numa pequena cidade onde a maioria das pessoas eram pouco legais. Seu círculo de bom convívio era bem restrito, havia Dina, uma amiga da escola, Stanley, um rapaz que morava bem próximo de sua casa, e Liam, seu irmão caçula.

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A produção da série é conservadora e não faz movimentos bruscos, em sua película busca manter um sépia bem quente e levemente granulado com fim de remeter ao estilo vintage. A trilha sonora traz rock clássico do Kinks, soul sessentista de Shirley Ellis, o som psicodélico do Cults, o rock atmosféricos e denso do Bloodwitch, além de muitos outros hits bacanas. Combinando essa filmografia com essa inspirada sonorização, conseguimos embarcar numa viagem cheia de subidas e descidas no consciente de Sydney. Quando se trata das atuações, particularmente fiquei fascinado com Stanley, interpretado por Wyatt Oleff, o jovem Stan de It: A Coisa (2017), filme em que contracenou junto de Sophia Lillis. O jovem de comportamento bem atípico é o salvaguarda para o humor involuntário. A tirada com o vidro elétrico do carro que insiste em ser lento ao descer é algo impagável, principalmente por parecer que para ele é coisa mais normal do mundo. Stanley está próximo dos dezesseis mas age como um pós-hippie cinquentão que viveu numa cúpula entorpecente de cannabis. Conhece o Ozzy? Então. Já Sydney tem seu papel facilitado, e que coincidentemente (ou não), repetiu a mesma fórmula do papel encarnado em It. Os outros personagens não se destacam tanto assim, e funcionam mais como suporte para que o enredo evolua a próximos níveis.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS PESADOS!
O grande dilema de Sydney no decorrer da sua jornada de autoconhecimento, é entender onde se divide suas mudanças fisiológicas das habilidades que demonstra ter. Próximo ao fechamento dessa primeira temporada descobrimos que seu pai trazia capacidades muito parecidas, e que carregou uma enorme culpa por ter matado sem a intenção um incontável números de pessoas, sentimento triste esse que o fez não conseguir lidar com o fardo que carregava. Isso é revelado à Sydney através de uma conversa franca entre mãe e filha, num instante onde percebeu que sua mãe não era ruim, porém assim como ela, uma pessoa melancólica com a perda do marido, ao mesmo tempo que desiludida pela filha não se esforçar para ser uma pessoa agradável aos outros. Entendendo o próprio passado e concluindo que o problema estava muito mais nela do que no ambiente onde vivia, acordou no dia seguinte disposta a se esforçar para mudar sua própria realidade. Surpreendeu seus familiares e tocou sua vida com mais leveza, percebendo assim, que seu cotidiano poderia ser bem menos doloroso e complicado.

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Chegado o tal baile anual do colegial, momento singular de todo filme e série adolescente. Já embarcamos sabendo que ali vai rolar uma treta maligna! E advinha, aqui não é diferente. Bradley, indignado por ter sido exposto como um grande otário por Sydney, decide tentar humilhá-la na frente de toda a escola. Ele não economiza em ferir a moça, já que havia pegado seu diário onde continham todos os tipos de confissões. Ao avançar nos insultos e revelações de seus segredos pessoais, Sydney perde mais uma vez o controle, fazendo a cabeça de Bradley literalmente explodir, dando sequência àquele flashback rotineiro na série onde ela corre pela rua com o corpo coberto em sangue. A jovem já havia em períodos anteriores experienciado a sensação de estar sendo observada por alguma coisa, o que ela compreendia como uma sombra. Como da vez em que causou uma cataclisma na biblioteca. Mas retornado à fuga do seu crime por dar “um pouco mais” do que Bradley merecia, Sydney corre até a torre que Stanley comentou e brincou certa vez, lugar onde finalmente é confrontada por algo que já estava convicta de ser coisa de sua cabeça. Aquela forma sinuosa que sentia estar próximo vez ou outra, finalmente se revelava. Sydney pergunta se devia ter medo daquele homem. Deu-se a entender que não, além de que, “eram eles que deveriam temê-la”, e que agora iriam “começar” compreender isso.

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Como num preparo para algo que estaria por vir, obviamente na próxima temporada, aquele homem, ou entidade, escolha sua melhor definição, parecia estar presente todo tempo analisando Sydney. Aqui começa um bom background para teorizar o que diabos seria isso. Não é difícil associar com Stranger Things e os poderes de Eleven, visto que as capacidades das duas são bem semelhantes. Superpoderes psíquicos, como os de se comunicar com pessoas através da mente, levitar e lançar objetos, e causar chagas físicas e mentais em alvos desejados. O padrão é o mesmo, então a sugestão que não sei de onde surgiu, mas veio antes da série oficialmente estrear, talvez tenha algum fundamento. De qualquer forma, por ceticismo eu prefiro não me empolgar com ligações como essa, ainda enxergo I Am Not Okay with This como um produto independente, mas ficaria bastante satisfeito de estar errado. Estender o universo Stranger Things desta maneira não me parece uma má ideia. Resta esperar mais revelações surgirem para compreendermos melhor qual a verdade.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sophia Lillis, Wyatt Oleff, Sofia Bryant, Kathleen Rose Perkins, Richard Ellis e Aidan Wojtak-Hissong compõem o elenco principal. Adaptado por Jonathan Entwistle e Christy Hall se baseando no romance homônimo de Charles Forsman, I Am Not Okay With This é uma série de drama, comédia e com pitadas sobrenaturais, lançada sob o selo Netflix em 2020. Dirigido por Jonathan Entwistle, que também roteiriza, é produzida por Christy Hall, Shawn Levy, Dan Levine, Dan Cohen e Josh Barry. As produções ocorreram nos estúdios 21 Laps Entertainment, Ceremony Pictures e da Raindrop Valley. Sua primeira temporada conta com 7 episódios, e eles são curtos, durando uma média de 20 à 28 minutos cada. A série é distribuída e está disponível no serviço por assinatura Netflix.

CONCLUSÃO
Para qual público I Am Not Okay with This estaria destinado? Essa é uma pergunta complicada que eu deveria ser mais esperto em não fazê-la, mas já que a fiz, vamos lá. Ao mesmo tempo que ela reflete muito do que Stranger Things é, ela também traz um conteúdo mais sensível, me fazendo sugerir a classificação de não recomendado para menores de 14 anos (pelo menos). Consumo de álcool, piadas ácidas referenciando direta e indiretamente uma falsa normalidade no uso de drogas, pode não ser um bom conteúdo pra um mente ainda em construção. Eu dei a classificação de 14, mas oficialmente a censura da série classificou como 16. Eu digo: excelente. Então eu consigo resumir que esta seria uma série para jovens adultos que gostam de drama adolescente (digo isso sem julgamentos, afinal, eu mesmo assisti e curti), comédia, e quem compra, o leve suspense com fantasia que vai se transformando aos poucos. I Am Not Okay with This é uma série bem curtinha e que você consegue assistir tudo num único dia. Então faça sua pipoca e sintonize na Netflix!

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STAR WARS: THE CLONE WARS (CRÍTICA E GUIA DE EPISÓDIOS)

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ONDE A SÉRIE ANIMADA SE ENCAIXA NO MUNDO STAR WARS?
É inegável que a franquia Star Wars é um universo gigantesco e que de tempos em tempos volta ao imaginário da cultura pop. O fascínio que o mundo criado pela Lucas Art pode exercer sobre as gerações pode vir acompanhado tanto de alegria como de decepção. Se compararmos com a trilogia clássica (Episódio IV: Uma Nova Esperança, 1977; Episódio V: O Império Contra Ataca, 1980; e Episódio VI: O Retorno de Jedi, 1983), a trilogia prequela é, para os fãs mais entusiasmados, bastante inferior do ponto de vista do enredo e atuação.

Chamamos de trilogia prequela (ou pré-sequência) os filmes dirigidos por George Lucas e que contam a ascensão de Anakin Skywalker até ser convertido ao Lado Negro da Força e como a República Galáctica e o Conselho Jedi, aos poucos, sucumbiram e foram aniquilados pela influência de Darth Sidious, o líder supremo do Império Galáctico. Abrange: Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999); Episódio II: O Ataque dos Clones (2002); e Episódio III: A Vingança dos Sith (2005).

No entanto, nada é mais obscuro que o período que compreende o início das Guerras Clônicas, na Batalha de Geonosis (final do Episódio II) até a Ordem 66, o extermínio dos Jedis a mando de Darth Sidious (final do Episódio III). Isso se dá por imensos buracos no roteiros da trilogia prequela, informações não explicadas ou mesmo curiosidades que deixaram questões em aberto como quem criou os clones, como os Jedis foram enganados, entre outros pequenos e grandes detalhes.

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O longa-metragem de animação Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) dá o pontapé inicial para explorar toda a história por trás do maior conflito enfrentado pela República Galáctica. Esse longa já resenhado aqui, trata justamente da chegada de duas discípulas: Ahsoka Tano e Asajj Ventress. A primeira se torna padawan (aprendiz) de Anakin Skywalker e a segunda, é uma Irmã da Noite do planeta Dathomir que se torna serva de Conde Dookan, líder separatista e aprendiz de Darth Sidious.

A série de TV Clone Wars, aqui exibida pela Cartoon Network, teve seu sucesso entre os anos de 2008 e 2014. É considerada pela Disney como cânone (conteúdo oficial) da franquia Star Wars e possui seis temporadas e um total de 121 episódios. Anakin, agora mestre de Ahsoka Tano, ao lado de Obi-Wan Kenobi, enfrentam os inimigos da República em uma guerra de reveses alucinantes. Eles descobrem cada vez mais a influência do Lado Sombrio sobre as forças Separatistas ao mesmo tempo que tem seu mundo e incertezas totalmente abalados por uma guerra de épicas proporções.

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O QUE VOCÊ PODE ESPERAR? / LEVES SPOILERS
A série animada é em computação gráfica e segue os mesmo moldes e conceitos do longa-metragem de animação Star Wars: A Guerra dos Clones (2008). A ação é frenética e o traço dos personagens são bem marcados. Seja em uma batalha com sabres de luz ou na trincheira dos clones no tiroteio contra um exército droide, a ação não deixa a desejar.

Mas o principal atrativo é que a série consegue conquistar não só ao frequentador assíduo do mundo Star Wars, pois conserva os elementos emocionantes ou impiedosos como a morte de um personagem querido, como também mantém um tom capaz de conquistar as novas gerações.

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Além de elucidar muitas questões que ficaram em aberto entre o Episódio II e Episódio II, a série mostra múltiplas narrativas e histórias. É como se fossem crônicas de uma guerra e você pode acompanhar a trajetória de inúmeros personagens que contribuíram, influenciaram ou foram tocados de alguma forma pelas Guerras Clônicas. Então não pense que o foco será 100% em torno de Anakin Skywalker que, aliás, aprenderá a gostar muito mais da versão do desenho animado do que da péssima interpretação de Hayden Christensen no filmes.

Podemos citar, entre tantas histórias contadas ao longo de seis temporadas, o papel de Ahsoka Tano que sai de simples padawan para um líder importantíssima. Também Ventress, discípula de Conde Dookan é intensamente trabalhada mostrando seu passado como Irmã da Noite no planeta Dathomir, o mesmo de Darth Maul, o aprendiz sith que enfrentou e matou Qui-Gon Jinn em Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999).

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A série animada expande o universo conhecido ao abordar o passado de Obin Wan Kenobi e os detalhes sutis do romance entre Anakin Skywalker e Padmé Amidala. Ao mesmo tempo que revela muitos detalhes obscuros das Guerras Clônicas, apresenta personagens marcantes como os soldados clones do Batalhão 501 (Rex, Fives, Echo e Cody). Também desenvolve as narrativas em torno do conselho jedi, muitos personagens que só rapidamente aparecem nos filmes: os mestres Plo Koon, Shaak Ti, Kit Fisto, entre outros. E claro, somos brindados com episódios estrelados por Mace Windu e Yoda, que apesar de poucos, são importantes demais para entender as Guerras Clônicas e suas ressonâncias.

Também há narrativas focadas no Lado Negro e podemos conhecer as artimanhas de General Grievous, Ventress e até inimigos novos como Savage Opress e a líder das Irmão da Noite, Mãe Talzin. Há inimigos que julgávamos mortos e outros que começam a ser desenvolvidos aqui como Bobba Fett e os Caçadores de Recompensa. Ainda vemos Palpatine, como Darth Sidous, em lutas fantásticas e como ele poderia ser mortal com um sabre de luz.

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Claro que nem tudo são flores e há episódios ao longo das temporadas que mais preenchem espaços (enchem linguiça) do que sejam relevantes para história geral da franquia. Quase sempre são encenados pelos droides C3PO e R2D2. Calma, adoro os robozinhos e muitas histórias mostram como o astrodroide R2D2 é um veterano e importante personagem de guerra, mas muitas vezes os episódios são mais divertidos e infantis do que relevantes.

Ainda há episódios com Jar Jar Binks que, mesmo em parceria com outros personagens da série, terminam sendo enfadonhos. Talvez devido a minha implicância com esse personagem não tenha aproveitado bem as aparições dele, exceto quando ele auxiliou Mace Windu em uma missão, mas também eu adoro este mestre jedi e talvez devido a isso tenha gostado.

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QUAL A ORDEM CRONOLÓGICA PARA ASSISTIR?
Abaixo um guia para assistir as seis temporadas da série animada na ordem crológica:

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QUAIS SÃO AS MELHORES HISTÓRIAS?
Qualquer seleção é sempre problemática na medida que é uma questão de opinião. Mas nas+1 linhas abaixo separo os arcos de história mais relevantes para entender as Guerras Clônicas e o que elas influenciaram na origem de personagens ou suas consequências para a trilogia clássica ou outras obras derivadas. Claro que devorar as seis temporadas mostrarão informações valiosas e renderão boas horas de diversão. Deixe sua opinião ou histórias favoritas nos comentários.

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1. As origens de Boba Fett (2×20-2×22, 4×15, 4×20)
O perigoso caçador de recompensas que, a serviço de Jabba, aprisionou Han Solo em carbonita (Episódio V: O Império Contra Ataca, 1980), tem suas origens exploradas na série animada. O mandaloriano é treinado por Aurra Sing, perigosa assassina que assistia a a corrida de pods em Naboo (Episódio I: A Ameaça Fantasma, 1999). Aurra aparece como mestre do garoto quando Bobba Fett deseja vingança contra Mace Windu (2×20-2×22), o mestre jedi que assassinou seu pai na Batalha de Geonosis (Episódio II: O Ataque dos Clones, 2002). Ambos fracassam devido aos esforços jedi.

Depois, percebemos que ele se adaptou a vida do crime e possuía aliados leais na prisão entre eles Bossk (4×15) e acaba ajudando Cad Bane e Kenobi (que estava infiltrado) a escaparem.

Por fim já o vemos adolescente como Caçador de Recompensas, muito jovem e habilidoso e já com todo um bando a sua disposição. Acaba contratando a Asajj Ventress (4×20) que se encontra exilada na Orla Exterior depois de ter perdido suas origens e rumos.

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2. Mandalore (2×12-2×14, 4×14, 5×14-5×15)
Com o sucesso da série da Disney+, O Mandaloriano, os fãs da franquia ficaram ainda mais animados para conhecer o passado desse povo guerreiro do qual só conhecíamos com mais ênfase Jango e Bobba Fett. A série animada nos apresenta o planeta Mandalore que almeja a um caminho de paz ao passo que líderes como Pre Vizsla, à frente do Olho da Morte, tentam a todo custo sabotar os planos da pacifista Condessa Satine (2×12-2×14).

Mesmo com uma derrota inicial, exilados momentaneamente (4×14), o Olho da Morte nutre o desejo de tomar o poder da Mandalore. Acaba por encontrar um antigo sith, um aliado dúbio para sua escala ao poder: Darth Maul (5×14-2×15).

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3. O retorno de Darth Maul (3×14, 4×21-4×22, 5×01, 5×14-5×16)
Sim, ele mesmo. Para você que pensou que o monossilábico aprendiz sith que matou Qui-Gon estava definitivamente morto após Obi Wan Kenobi cortá-lo ao meio (Episódio I: A Ameaça Fantasma, 1999), está enganado. Descobrimos com a série animada que sua origem está ligada ao planeta Dathomir, lar das Irmãs da Noite, bruxas capazes de manipular a Força Viva em todas as criaturas.

Savage Opress, aprendiz sith e das Irmã da Noite, acaba por receber a missão de reencontrar seu irmão na Orla Exterior (final do episódio 3×14, mas convém ver os dois anteriores para saber melhor o contexto). Opress consegue localizar Maul, agora ensandecido e vivendo isolado. Seu clamor por vingança é doentio e só melhora com os esforços de Mãe Talzin (4×21-4×22), bruxa maior de Dathomir. Curado, persegue Kenobi com a ajuda de Savage Opress.

Mesmo tentando agir no submundo, recrutando contrabandistas como um exército capaz de fazer frente aos jedis (5×01), acaba sofrendo duras derrotas. No entanto, ao ser resgatado por Pre Vizla e o Olho da Morte, vê uma chance de formar um grande exército de criminosos e assim dominar a Orla Exterior (5×14-5×16). Ajudando o grupo mandaloriano a chegar ao poder, acaba por atrair as atenções tanto de Kenobi quanto de Darth Sidious. As consequências são impressionantes e com direito as melhores batalhas de toda série animada.

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4. Qui-Gon Jinn e o Escolhido (3×15-3×17, 6×11-6×12)
Diferente de Darth Maul, Qui-Gon ainda está morto. Mas isso não quer dizer que não esteja presente. Aliás ele é de vital importância para o rumo da Galáxia e inclusive para Luke Skywalker, mesmo que indiretamente.

Quando Anakin, Ahsoka e Obin Wan visitam um misterioso planeta Mortis no qual os elementos da Força estão personificados (o Pai, o equilíbrio e os filhos, a Luz e a Sombra), é Qui-Gon que conversa com Kenobi em um momento de confusão e personificado como fantasma da Força explica sobre o Escolhido (3×15-3×17). Também é o antigo mestre de Kenobi que guiará Yoda para que ele entenda os desígnios da Força, possa superar a morte e se integrar à Força Cósmica (6×11-6×12). Com ele entendemos as ações de Yoda ao final das Guerras Clônicas e até as do próprio Kenobi.

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5. O impiedoso Tarkin (3×15-3×17; 5×17-5×20)
O Grande Moff Tarkin, o vilão que comandava a Estrela da Morte na Batalha de Yavin (Episódio IV: Uma Nova Esperança, 1977) tem parte de seu passado revelado na série Clone Wars. Acompanhamos o primeiro contato dele com Anakin Skywalker, futuro Darth Vader,  ainda quando era capitão das forças da República (3×15-3×17). No início a antipatia é mútua, no entanto, aos poucos, ambos concordam com a ineficácia da técnicas jedi para levar fim a guerra: era preciso uma liderança firme.

Tarkin ainda mais severo com a ordem jedi e já comandado por Palpatine, empreende uma investigação e acusação contra Ahsoka Tano, culpabilizada por um atentado ao Templo Jedi (5×17-5×20). Isso dá mostra do seu caráter inflexível e maldoso que o fará comandante da maior arma do Império Galáctico.

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6. A saga do soldado clone Fives e a Ordem 66 (3×01; 1×05; 3×02; 3×18-3×20; 4×07-4×10; 6×01-6×04)
A questão dos clones é intensamente debatida ao longo da série. Questões filosóficas como a humanidade dos mesmos, o fato de serem descartados ou não como meros droides, como força de batalha dispensável ou não. O batalhão 501, que respondia diretamente a Anakin e Ahsoka é falado com detalhes e alguns oficiais são detalhados como, em maior medida, o Capitão Rex e Fives.

Este último é especial porque é aquele que mais questiona sua condição e reafirma seu senso de fidelidade e dever para com seus irmãos de armas. Também é a saga do único clone que consegue descobrir o mistério por trás da Ordem 66, uma programação inserida para no momento certo executar todos os jedis da Galáxia. Acompanhando a saga de Fives, conheceremos o segredo por trás desse malicioso e mortal plano de Palpatine, bem como suas origens.

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7. Uma guerra de histórias
Claro que ainda há muita coisa a ser vista, mas para completar o guia, nada mais justo do que umas sugestões de episódios baseados nos personagens principais em ordem cronológica para aproveitar o enredo:

  • Somente os episódios com os protagonistas: Anakin Skywalker, Obi Wan Kenobi e Ahsoka Tano
    (2×16; 1×16; Filme A Guerra dos Clones; 3×01; 3×03; 1×01-1×15; 1×17-1×21; 2×01-2×03; 2×17-2×19; 2×04-2×14; 2×20-2×22; 3×05-3×07; 3×02; 3×04; 3×08; 1×22; 3×09-3×11; 2×15; 3×12-3×22; 5×02-5×13; 5×01; 5×14-5×20; 6×01-6×13);
  • As aventuras de Padmé Amidala
    (1×04; 4×04; 1×08; 1×11; 1×17-1×18; 2×19; 2×04; 2×14; 3×05; 3×07; 3×04; 3×08; 1×22; 3×10; 3×11; 2×15; 4×01-4×04; 4×14; 5×20; 6×05-6×07);
  • A história de Asajj Ventress: a Irmã da Noite convertida em sith
    (1×16; 1×01; 3×02; 1×09; 3×12-3×14; 4×19-4×22; 5×19-5×20);
  • Quem é Saw Guerrera? Importante líder rebelde durante Rogue One: Uma história Star Wars, possui sua origem explícita na série animada (5×02-5×05);
  • A origem dos clones e a trama de Palpatine (6×10-6×11) se completa com o plano da Ordem 66 (6×01-6×04).
  • Somente, Yoda, quer você ver: (1×01; 6×10-6×13).

CONCLUSÃO: Se queres paz, te prepara para a guerra!
A  essa altura da minha crítica o leitor já deve desconfiar de minha crítica super favorável a esta série animada. Não só pelo seu caráter elucidativo para quem é fã da franquia Star Wars como também abrilhantar uma parte da história que achamos sem o mesmo brilho que a trilogia clássica: a pré-sequência de George Lucas. Se você já acompanhou em ordem cronológica as críticas aos longas-metragens prequel, sabe que, tanto o Episódio I quanto o Episódio II, são ao meu ver bastante inferiores do ponto de vista do roteiro. Mas a série animada  Clone Wars não só consegue “consertar” boa parte da história como até melhorar.

Enquanto os filmes mostram um Anakin Skywalker insípido e sem graça, a série animada nos mostra seus anos dourados como valente herói da República e um grande trunfo do Templo Jedi. Isso também vale para Obin Wan Kenobi, mas a série ainda nos brinda com a preciosidade que é Ahsoka Tano. Essa complexa padawan que amadurece ao longo das temporadas talvez seja uma das maiores contribuições ao universo Star Wars.

Se você já é um fiel frequentador de Star Wars e deseja saber tudo sobre a guerra entre a República Galáctica e os Separatistas, talvez esse seja seu melhor desenho animado. Para o recém-chegado à franquia, esta será uma oportunidade sem igual de conhecer franquia devido as epígrafes filosóficas (mensagens no início de cada episódio), arte gráfica e batalhas alucinantes. Seja corajoso, pois como a última citação da série diz:

Enfrentar todos os seus medos o libertará de si mesmo.

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STAR TREK: DISCOVERY – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE / PRIMEIRA TEMPORADA
Um século de paz se passava entre a Federação e o Império Klingon, quando durante a investigação em um satélite danificado na borda do espaço amigo, a tripulação da USS Shenzhou encontra um objeto oculto de seus sensores. A primeira oficial Michael Burnham se candidata a investigar mais de perto, descobrindo aquela ser uma antiga nave. Surpreendida e atacada por um klingon, acidentalmente acaba o matando enquanto tentava escapar, o que levou uma facção de klingons ao lamento pela morte do soldado. “Torchbearer” era seu apelido, e antes que o rejeitado Voq se voluntariasse a assumir o seu posto, liderados por T’Kuvma, os klingons se revelavam em uma nave invisível. T’Kuvma então fomenta a ira dos seus pela suposta tentativa da Federação em querer usurpar a individualidade dos klingons e de sua cultura, planejando assim cumprir uma antiga profecia de reunir as 24 grandes casas klingons assim como Kahless fizera no passado. Voq então ativa um farol que convoca os klingons, e Burnham desesperada tentando impedir uma guerra, contraria as ordens da Capitão Georgiou, tenta impedir.

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COMENTÁRIOS
Enquanto alguns evocam Star Wars como uma aventura de ficção científica, os amantes de Star Trek se contorcem de ódio com tal sugestão errônea. Temos de convir, se formos prestar um pouquinho só de atenção, iremos perceber que Star Wars é uma fantasia medieval ambientada no espaço, com história de cavaleiros com espadas, ‘montarias’ e tudo mais, exatamente como os clássicos europeus. Isso nunca fora um assunto obscuro, e sempre fora encarado exatamente assim pelo próprio autor. Por outro lado Star Trek procura ser o mais científico possível, fazendo uso de conceitos críveis, e que nada mais seriam do que uma projeção de evolução. Seus enredos são ficções? Óbvio, mas procurando manter sempre a coerência de se manter como científico em suas concepções de futuro. Então após fazer uma rasa distinção do que seria a franquia para os passageiros de primeira viagem, tentaremos nos focar especificamente em Star Trek: Discovery, a produção originalmente lançada para o serviço CBS All Access em 2017.

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É importante perguntar inicialmente, quais destes três é você? Um: Literalmente um passageiro de primeira viagem e que não faz ideia do que é Star Trek? Dois: Já consumidor de Star Trek, mas aberto a novas reformulações em prol da boa aceitação do público geração a frente da sua? Três: Um fã purista e exigente que não aceitar que toda a essência e filosofia original seja maculada? Bem, pergunto isso porque é a base para saber com que olhos irá encarar esta sétima série da franquia. A primeira temporada de  Star Trek: Discovery se passa no ano 2256 do nosso calendário terrestre, dez anos antes da expedição que origina a série sob o comando de James Tiberius “Jim” Kirk, o Capitão Kirk, líder da USS Enterprise. As iniciais incoerências e inconsistências começam a ser notadas quando colocamos as duas séries lado a lado. Star Trek: Discovery apresenta um nível conceitual de tecnologia absurdamente superior ao que se viria anos depois na série original, o que faz com que os fãs mais puristas e detalhistas se contorçam de agonia. Falha simples que poderia ser contornada com o posicionamento do episódio em outro momento mais a frente na linha cronológica.  A filosofia também fora arranhada, já que diretrizes da Frota Estelar prezam pela não interferência em sociedades ou formas de vida alienígenas, e em Star Trek: Discovery isso não é plenamente respeitado. Então se você é um fã muito radical, eu até acredito que talvez você complete a série, mas com certeza terá de arrumar um peruca ao término.

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Quando consideramos o público cru neste universo, lógico, o que curta ficção científica, não há dúvida alguma de que ficará muito satisfeito. O ponto de partida é recheado de sequências de ação, batalhas espaciais e, a montagem de um cenário atraente até mesmo para quem não é público alvo de Star Trek. Mas não demora muito, e após os três primeiros episódios, Discovery toma rumo à natureza do que realmente é a franquia. A curiosidade de desbravar novos mundos, os conflitos morais entre os personagens, e um capitão destemido estimulando sua tripulação para resolver os problemas mais complexos, tudo que Gene Roddenberry, criador de Star Trek, idealizou para sua obra. Como considerado antes, creio que um ‘trekker’ muito purista vá se incomodar com quase tudo, visto que esta é uma total reformulação da série, quase um reboot. Agora, se você for um fã flexível, que consome o que a maré trouxer, relaxa porque todas as pequenas falhas são aceitáveis e não vão manchar a honra da sua série preferida.

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A produção de Star Trek: Discovery é fabulosa, trazendo um elenco de primeira linha, recursos técnicos tão bons quanto de superproduções do cinema e, uma edição sonora fantástica! Como de esperado, era preciso superar velhos paradigmas, fazendo desta que nunca foi uma série lá muito interessada em se fazer visualmente vistosa, parecer mais agradável aos olhos do público mais moderno. E afirmo, o tiro foi acertado! Trouxe uma roupagem cheia de luxo numa película de alto contraste muito bonita. Suas cenas em computação gráfica são de excelente bom gosto, e em momento algum eu me senti incomodado com falhas de efeitos da pós produção. O roteiro é o típico de série, e essa é uma do tipo contínua, no entanto ainda assim consegue se fracionar com uma boa lógica. Uma outra coisa que também me chamou a atenção foram as cenas de ação, já que Star Trek é famosa por ser uma tristeza nesse quesito. E voe ‘voilà’, que beleza! Coreografia muito bem feitas e, que aproveitam muito bem ângulos e recursos do cenário.

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Uma coisa é certa, os temos são outros e as coisas precisam inovar. Hoje já temos a muito bem sucedida trilogia de J. J. Abrams que já está indo para um quarto filme, e faz bem para a saúde da franquia que a série não se sinta intimidada pelo seu novo carro-chefe. Star Trek: Discovery traz uma boa revigorada ao universo criado por Roddenberry, e junto de Perdidos no Espaço (2018), outra série de ficção científica das antigas que recebera uma nova vestimenta. Se você  ainda nunca assistiu nada de Star Trek, considere-se um privilegiado, pois terá com esse um ótimo ponto de partida. E fique tranquilo se acha que ficará perdido dentro desta franquia gigantesca, tudo em Discovery é explicado, e aos poucos você vai se inserindo. E quem sabe tome gosto para conhecer as produções que antecederam esta. Então aperte o cinto, entraremos em dobra espacial!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Shazad Latif, Anthony Rapp, Mary Wiseman, Jason Isaacs, Wilson Cruz, Anson Mount, Michelle Yeoh, Mary Chieffo, James Frain, Jayne Brook, Kenneth Mitchell, Rainn Wilson, Tig Notaro, Ethan Peck, Rachael Ancheril e David Ajala compõem o elenco. Produzida pela CBS Television Studios associada com a Secret Hideout, Roddenberry Entertainment e Living Dead Guy Productions, Star Trek: Discovery tem Gretchen J. Berg e Aaron Harberts como diretores gerais, e Akiva Goldsman como provedor de produção. A série de ficção científica com milhões de fãs pelo mundo veio com um altíssimo nível, sendo premiada em 2018 como a Melhor Série de Televisão pelo Saturn Awards, e que também agraciou Sonequa Martin-Green como Melhor Atriz. Jason Isaacs também foi lembrado pelo Empire Awards, no qual recebeu como Melhor Ator de TV. Star Trek: Discovery até o fim de 2019 possui duas temporadas, 15 episódios na primeira, e 14 na segunda, sendo distribuído no Brasil com o selo Netflix.

CONCLUSÃO
Star Trek: Discovery chega trazendo novos ares para uma franquia repleta de fãs ao redor do mundo. E faz isso modificando alguns poucos conceitos, que a meu ver não deveriam servir para desqualificá-lo dentro do seu universo. Claro, isso é opinião minha. Sua produção é cinco estrelas, trazendo excelentes atuações, roteiro redondinho, efeitos especiais com qualidade de cinema, e uma trilha sonora muito inspirada. Se você tinha dúvidas do que assistir, considere esta uma das primeiras opções na sua lista. Classificada como recomendada para maiores de 14 anos, Star Trek: Discovery está disponível no serviço por assinatura Netflix. Vida longa e próspera!

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PROJETO LIVRO AZUL – SÉRIE DO HISTORY (CRÍTICA)

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ENTENDENDO MELHOR A SINOPSE
O que foi o Projeto Livro Azul (Project Blue Book)? Em março de 1952 a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), sediada na Base Aérea Wright-Patterson, iniciou um projeto secreto com a finalidade de investigar objetos voadores não identificados, os OVNI’s. Esse seria o quarto estudo feito sobre o fenômeno, e foi antecedido pelo Projeto Sinal, pelo Projeto Rancor e pelo Novo Projeto Rancor. Sua intenção era determinar se os OVNI’s seriam ou não uma ameaça real à segurança nacional dos Estados Unidos. Foram recolhidos, analisados e catalogados milhares de informações e evidências sobre OVNI’s. O Projeto Livro Azul foi o último projeto público da USAF relacionado ao assunto, e foi oficialmente encerrado em janeiro de 1970. As informações que antes eram classificadas como confidenciais, hoje estão disponíveis sob a Lei de Liberdade de Informação, porém os nomes dos testemunhos e outras informações pessoais foram censuradas.

E do que se trata a série? A alta cúpula da USAF não queria que o fenômeno OVNI fosse tratado com seriedade pela mídia, e planejando ridicularizar o assunto com ceticismo, contrata um renomado professor universitário de astrofísica, o brilhante Dr. J. Allen Hynek, para acompanhar e assinar aquelas pesquisas então clandestinas. Hynek começa a receber e estudar os casos, e como um bom cientista, não se fecha à nenhuma possibilidade. Enquanto o Capitão Michael Quinn, parceiro de pesquisas de campo e intermediário entre a cúpula militar, faz de tudo para ser tendencioso e sabotar a conclusão final de Hynek, o doutor fica mais desconfiado que aqueles fenômenos possuem interpretações bem mais complexas do que aparentavam ser.

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COMENTÁRIOS
Para quem é fã de séries sobre esses assuntos e já assistiu Arquivo-X, fica impossível não comparar. A mecânica de relação entre o Dr. J. Allen Hynek e Capitão Michael Quinn, é bem parecida com a que há entre Dana Scully e Fox Mulder. Porém diferente de Arquivo-X, em Projeto Livro Azul não tem ninguém fazendo questão de ‘acreditar’. Da mesma forma que Scully é convocada para ser uma cética estraga prazeres à fim de desmoralizar Mulder, Hynek é recrutado para ridicularizar o assunto OVNI, e os dois no decorrer do processo vão indo na exata contramão do que seus superiores esperavam.

A série contém 10 episódios, e em cada um é evidenciado um diferente caso inspirado nos documentos reais do Projeto Livro Azul. Embora ainda que seja episódico tudo é interligado numa trama principal, dramas familiares vão ocorrendo, e a relação entre os dois colegas de pesquisa vai se modificando conforme as coisas acontecem.

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A produção de Robert Zemeckis esbanja qualidade na escolha do elenco e em seu tratamento visual. Aidan Gillen, que encarna o Dr. J. Allen Hynek, parece ter nascido para o papel. É humilde quando deve e simpaticamente arrogante em momentos chaves, mas nunca abandona seu humor ácido e zombeteiro. E não intimidado pela desenvoltura do colega, Michael Malarkey, o Capitão Michael Quinn, é incrivelmente sagaz e igualmente bem humorado. Embora faça o papel de quase um vilão, é impossível não considerar sua habilidade em criar situações que irão se virar contra ele e não achar graça. Tecnicamente Projeto Livro Azul é uma produção muito polida, mostrando efeitos especiais com resultados muito superiores a maioria das séries. Sua trilha sonora é bonita e combina muito bem com sua premissa, contribuindo para criar a atmosfera de mistério e tensão que se espera.

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CURIOSIDADE
Após o fechamento do Projeto Livro Azul em 1970, Dr. J. Allen Hynek começou a considerar continuar os estudos sobre o fenômeno por conta própria, e em 1973 fundou o Centro de Estudos de OVNI (CUFOS), onde foi seu diretor científico até sua morte, em 1986. O CUFOS ainda existe e mantém o legado de Hynek em praticar pesquisas ufológicas com rigor científico e senso de responsabilidade.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Aidan Gillen, Michael Malarkey, Laura Mennell, Ksenia Solo, Michael Harney, Neal McDonough, Robert John Burke, Ian Tracey, Matt O’Leary, Nicholas Holmes, Currie Graham e Jill Morrison compõem o elenco. Criado por David O’Leary, Projeto Livro Azul é uma série dramática histórica de 2019 que se baseia no projeto homônimo, mantido como secreto pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) desde o ano de 1952. Produzido por Brad Van Arragon, tem com os produtores executivos, Robert Stromberg, Barry Jossen, Robert Zemeckis, Jack Rapke, Jacqueline Levine e Sean Jablonski. As gravações se passaram em Vancouver, e na Columbia Britânica, no Canadá, sendo produzida pelo A&E Studios e Compari Entertainment ImageMovers. Projeto Livro Azul é distribuído no Brasil pelo canal por assinatura History.

CONCLUSÃO
Quem é órfão de Arquivo-X e nunca mais achou algo parecido no gênero (eu sei que existe Sobrenatural, mas finge que não sabe e entra no meu jogo), Projeto Livro Azul veio para tampar esse rombo no seu coração. Está certo que um vazio de Arquivo-X dificilmente seria coberto por uma série que brotou do nada, mas acredite, esta produção do canal History tem muitíssima qualidade e precisa ser conferida. Com classificação etária de 14 anos, Projeto Livro Azul está disponível no canal History dos principais serviços de TV por assinatura.

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CRIANDO DION – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após a morte de Mark, seu marido, Nicole precisa criar sozinha o pequeno Dion, uma criança inteligente, imaginativa e cheia de energia. Tentando superar a perda familiar, mãe e filho se mudam para um novo bairro, onde o menino de apenas oito anos é matriculado numa nova escola. Lá a maioria das crianças são de pele branca e, nesse ambiente ele precisa aprender a lidar com o racismo de um professor, e o bulliyng dos colegas de classe. Não bastando apenas os problemas de adaptação do filho, Nicole se surpreende quando o menino passa a desenvolver poderes inexplicáveis. Dion começa com pequenos feitos, como levitar objetos leves, mas a coisa vai ser mostrando mais assustadora, ao ponto dele arrancar árvores inteiras apenas com o poder da mente. Pat, melhor amigo de Mark e padrinho de Dion, acaba descobrindo as habilidades do garoto, e então para ajudar Nicole, os dois se unem para dar o máximo de normalidade a vida do garoto, ao mesmo tempo que uma gigantesca ameaça começa a se moldar.

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COMENTÁRIOS
Criando Dion (Raising Dion) é uma série que explora dilemas familiares ao mesmo tempo que desenvolve um super herói. Baseado no HQ de mesmo nome criado por Dennis Liu em 2015, o roteiro traz o estilo bem parecido com o visto nas histórias da franquia X-Men, no qual uma pessoa até então comum precisa esconder seus novos dons dos julgamentos da sociedade. Numa primeira vista eu fiquei bastante cético, o texto inicial não me capturou de imediato e a atuação do menino também não convenceu, pelo menos no primeiro episódio. Já no segundo a coisa muda, a trama toma um gás legal e, não sei se foi eu que me acostumei, ou se atuação da criança realmente melhorou um pouco. A série ganha mais solidez e passa a não ser algo tão estranho de se digerir.

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A fotografia é interessante, mostrando ambientes urbanos e rurais, embora sua atmosfera passe por bastante instabilidade, e imagino que a causa disso se deva ao enorme número de envolvidos dando pitacos em como as coisas deveriam ser. Acaba que o resultado não traz uma doa direção, levado a total falta de identidade. A trilha sonora é boa, mas faz apenas corretamente o seu papel sem surpreender. Tecnicamente a produção como um todo visa o pouco gasto, e isso eu achei bem estranho. Parece que tem muita gente querendo comercializar (e lucrar com) um produto utilizando os ingredientes mais baratos. O resultado pode ser bom? Talvez sim. Mas poderia não precisar passar por esse tipo de julgamento caso houvesse mais bom senso dos participantes.

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Mark, interpretado por Michael B. Jordan, é o pai de Dion, e é mais do que óbvio que sua presença na série tem o único objetivo de aproveitar a boa fase do ator. Eu mesmo dei maior atenção quando soube que o cara participava do elenco. Mas sua importância é quase como a de Marlon Brando no filme Superman de 1978, ele está mais para um ‘mentor espiritual’ do que qualquer outra coisa. De qualquer forma o atual ‘superastro’ de Hollywood cumpre bem seu papel e dá um pouco mais de energia a produção, mesmo sejam poucas aparições.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Alisha Wainwright, Ja’Siah Young, Jazmyn Simon, Sammi Haney, Jason Ritter, Michael B. Jordan, Gavin Munn, Ali Ahn, Donald Paul, Matt Lewis, Marc Menchaca, Moriah Brown, Diana Chiritescu e Kylen Davis. Baseado no HQ Raising Dion de Dennis Liu, a série norte americana de 2019 foi escrita por Carol Barbee e, produzida por Charles D. King, Kim Roth, Poppy Hanks, Kenny Goodman, Dennis Liu, Seith Mann, Michael Green, Michael B. Jordan, Robert F. Phillips, Edward Ricourt e Juanita Diana Feeney. Uma produção das companhias Fixed Mark Productions, MACRO e Outlier Society Productions, a série foi distribuída através da network Netflix.

CONCLUSÃO
Criando Dion começa tímido, não convencendo muito de que vai entregar bem sua proposta, mas superando ao menos o primeiro episódio, a série ganha ritmo, adquirindo assim mais harmonia. A atuação do pequeno Dion não é das melhores, e não acho que eu esteja sendo cruel com uma criança tão jovem, visto que já assistimos a pequena irmã de Lucas da série Stranger Things, que dá show mesmo sendo apenas um personagem secundária. Ou mesmo Esperanza, a amiguinha de Dion na escola. Provavelmente essa vá ser a coisa que mais incomode, porque todo o restante está em conformidade com o básico para uma boa produção. Eu particularmente enxerguei desse jeito, e mesmo assim consegui curtir bastante. Criando Dion tem classificação etária de 10 anos e, é uma aventura dramática interessante para juntar a família no sofá para aprender sobre a vida enquanto se diverte. A série é distribuída pelo serviço por assinatura Netflix.

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TÚNEL – A SÉRIE (CRÍTICA)

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SINOPSE
Park Kwang Ho é um detetive de polícia linha dura da cidade de Seul no ano de 1986. Investigando uma série de assassinatos, o dedicado policial acaba localizando um potencial suspeito, que foge correndo por um extenso túnel após ser notado. Em perseguição naquele escuro lugar, Park o perde de vista, quando é surpreendido com um pedrada na cabeça e cai desnorteado. Sem demora recobra as forças e se levanta para continuar no encalço do indivíduo. Chegado ao fim do túnel, o detetive não percebe mais ninguém, e não apenas isso, tudo ao seu redor está completamente diferente! A modesta cidade que conhecia agora contava com enormes e iluminados edifícios, as vias estavam muito diferentes e cheias de carros nada parecidos com os que ele estava acostumado. Sem muitas explicações, definitivamente ele tinha viajado ao futuro de 2017! Ele não sabia como e nem o motivo, mas estava convencido de que precisava encontrar aquele assassino. E ao que tudo indicava, tinha atravessado o tempo junto com ele.

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COMENTÁRIOS
Repleta de mistérios e casos sinistros, Túnel – A Série (터널), é um K-drama policial com elementos de ficção científica bastante inteligente. Mesmo seguindo fórmulas conhecidas de séries de investigação ocidental, consegue personalidade própria se sustentando no carisma de um grande elenco. Choi Jin-hyuk, que faz o papel de Park Kwang Ho, é jovem, porém veterano em novelas sul-coreanas, e mostra uma grande versatilidade atuando de forma espetacular em momentos de drama pesado, quanto nos momentos mais cômicos. Yoon Hyun-min e Lee Yoo-young, o casal de atores ao lado de Choi, também se destacam pela seriedade que enfrentam seus papéis, sem perder a qualidade em nenhum instante. Citei os personagens principais, mas saiba que o elenco inteiro, incluindo os convidados para pontas, todos mostram um grande realismo em suas atuações.

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A produção é de uma série sem muito luxo, se apoiando muito mais na qualidade da sua história do que em grandes recursos cinematográficos. A Seul recriada de 1986 é bacana e consegue convencer, já o figurino oitentista da época eu não saberia dizer, mas não creio que dariam um vacilo bobo. Gostei bastante da direção de Shin Yong-hwi, que traz um visual ao mesmo tempo que sombrio e ‘quase noir’, consegue mesmo assim que ele seja leve e confortável de assistir. Deixo a dica caso já tenha superado o preconceito e deixado de desconfiar da qualidade das produções da Coreia do Sul, a maioria das produções vinda do Studio Dragon são excelentes! The K2 (2016), Black (2017) e Stranger (2017), são outros K-dramas obrigatórios para quem gosta de thrillers como este. E não ache que os sul-coreanos são bons apenas em gêneros mais sérios, as séries de comédias também são muito divertidas e viciantes. Mas este já é assunto para um outro dia.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Choi Jin-hyuk, Yoon Hyun-min, Lee Yoo-young, Jo Hee-bong, Kim Byung-chul, Kang Ki-young, Kim Min-sang, Mun Suk e Lee Yong-nyeo compõem o elenco. Escrito por Lee Eun-mi, Túnel – A Série, é uma produção de Choi Jin-hee e do Studio Dragon de 2017 que dirigido por Shin Yong-hwi. O K-drama sul-coreano tem Choi Kyung-sook e Kim Jin-yi como produtores executivos, e Kim Sung-min e Park Ji-young como produtores. A série possui um total de 16 episódios com tempo médio de 65 minutos cada, distribuído pela Orion Cinema Network (OCN) na Coreia do Sul, e pelo serviço Netflix no restante do mundo.

CONCLUSÃO
Túnel – A Série, é uma produção sul-coreana bastante empolgante e que monta uma trama sensacional capaz de te prender numa maratona ferrenha! Seus formato são de episódios longos, todos passando os 60 minutos, mas cada um deles muito gratificantes. Então suba no bonde para acompanhar o detetive Park Kwang Ho numa caçada frenética através do tempo por um brutal assassino em série! Classificado como para maiores de 16 anos, a série é distribuída pelo serviço por assinatura Netflix. Prepare a pipoca e tenha bastante unhas para roer, porque esta é uma puta série! Recomendadíssima!

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PERDIDOS NO ESPAÇO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A bordo da Jupiter 2, uma das naves da Frota Jupiter, a Família Robinson acidentalmente entra na rota de uma fenda espaço-temporal, indo parar nas proximidades de planeta completamente desconhecido. Aquela situação faz com que todos tenham de trabalhar em conjunto, já que o ambiente daquele lugar era uma total incógnita. John, o pai da família, é um ex-fuzileiro experiente, e sua esposa Maureen, uma engenheira aeroespacial de altíssimo nível. A decisão pela expedição partiu dela, visto que a Terra de 2046 estava em vias de um colapso por causa da superpopulação. Não havia outra forma, o planeta precisava ser evacuado. E na iniciativa de preservar sua família, decretou que era momento de partir na busca de um novo lar. Judy, a filha mais velha, Penny, a do meio, e Will, o mais novo, somavam a equipe, e também possuíam cada um suas especializações para cooperar nessa perigosa jornada pelo espaço.

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COMENTÁRIOS
Perdidos no Espaço (Lost in Space), é um remake de uma série homônima para televisão de 1965, que embora tivesse grande prestígio na época, precisou ser finalizada devido a CBS estar bastante endividada com prejuízos de outras produções mal sucedidas. E trinta anos depois, em 1998, numa comemoração atrasada em um ano, no qual a nave Jupiter 2 seria lançada na obra original, foi entregue um bem sucedido longa metragem, também de mesmo nome. A franquia Perdidos no Espaço desde o início arrecada um grande número de fiéis fãs, e havia tempo que esperavam por um retorno da Família Robinson. Tardou um pouco, porém em maio de 2018, a Netflix entregou com bastante orgulho, e com bons motivos, o presente aos saudosistas do clássico.

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Atualizando a versão original, nova versão traz um roteiro coerente muito bem fechado, sendo tudo bem aproveitado pela direção, que consegue excelentes resultados nas cenas de ação com efeitos práticos combinados com as edições em computação gráfica. O elenco trabalha bem e está bem sincronizado por todos os episódios (ao menos da primeira temporada), possuindo vilões convincentes e bem inspirados. Na parte artística, temos uma fotografia de tirar o fôlego, mostrando um planeta com ambientes diversificados e tomadas de panoramas deslumbrantes. A música tema é do indiscutível gênio John Williams, e o restante da trilha original é de ninguém menos que Christopher Lennertz, genial compositor apadrinhado por magos como Michael Kamen e Basil Poledouris.

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NOTAS BAIXAS DA CRÍTICA
Para todo tipo de arte existem os ‘curadores’, que são críticos formados na sua especialidade, ou mesmo autodenominados. E essa nova versão de Perdidos no Espaço parece não ter agrado tanto essa exigente audiência. Não costumo comentar opiniões de terceiros, mas achei relevante falar que considero bastante injusta as notas que a série recebeu de sites como Rotten Tomatoes, que aprovou com 68%, ou do Metacritic, que pontuou como 58 de 100. Esta é uma produção como poucas, onde reúne um bom conteúdo original, roteiro, direção e elenco. Uma série que tem sim suas falhas, mas que jamais mereceria receber uma nota abaixo dos 75 em 100. Não digo essas coisas por ser um fã saudosista ou coisa do tipo, eu conhecia sim a série original através de comentários de amigos mais velhos e familiares, ou seja, não sou tiete de nada para ter sido contaminado por qualquer tipo de hype e agora ter uma opinião exageradamente favorável.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Toby Stephens, Molly Parker, Ignacio Serricchio, Taylor Russell, Mina Sundwall, Maxwell Jenkins e Parker Posey compõem o elenco. Perdidos no Espaço foi criado por Irwin Allen, premiado autor, diretor e produtor, também responsável por O Mundo Perdido (The Lost World, de 1960), Viagem ao Fundo do Mar (Voyage to the Bottom of the Sea, de 1961), e muitas outras obras. A série norte americana conta com uma temporada de dez episódios até agora, sendo que a segunda acabou de ter as gravações finalizadas. Portanto é esperarmos um pouco mais para termos disponíveis novos episódios.

CONCLUSÃO
Perdidos no Espaço é uma série de ficção científica e aventura que aborda os problemas da Família Robinson em sobreviver num planeta desconhecido e cheio de surpresas. Envolvente e cheio de aventura, é uma produção de altíssima qualidade, que pode ser vista sem problema algum com toda a família reunida. Uma obra inteligente que prova que a Netflix tem capacidade de entregar algo muito bom quando tem os produtores certos envolvidos. Como dito no decorrer da resenha, eu conhecia a série original, mas nunca fui um exatamente um fã, mas essa produção de 2018 me fez virar um! Ponto para a Netflix! Série recomendadíssima!

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BETTER THAN US (CRÍTICA)

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SINOPSE
Num futuro não tão distante as máquinas fazem parte do dia a dia da maioria dos cidadãos da Rússia. Fábricas, hospitais, escolas, nada fica de fora. E não são simples máquinas, boa parte delas possuem graus de inteligência artificial para auxiliar nas tarefas mais pesadas dos humanos. Existem robôs babás, enfermeiros, e até mesmo parceiros sexuais. A indústria por trás de tal tecnologia busca constante avanço, estando sempre atrás de novos upgrades e modelos para clientes sedentos por novidades. E nesse contexto surge Arisa, uma robô de alta tecnologia adquirida por um magnata do mercado de alta tecnologia. Arisa é um protótipo de uma empresa chinesa, e emprega inteligência artificial que lhe capacita tomar decisões morais de acordo com seu aprendizado. Essa capacidade não era prevista por seus idealizadores, e após um incidente de violência, foi descartada.

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De maneira desconhecida, a robô com fisionomia similar à humana, chega às mãos do empresário russo, um homem de caráter duvidoso que coleciona ‘bonecas’ para atender seus fetiches sexuais. As coisas fogem do controle, quando Arisa, após ser molestada, assassina um dos homens que transportaram-na até ali. A robô então foge do prédio onde estava e, vai parar dentro de uma família comum da cidade de Moscou, onde é ‘adotada’ por uma criança, e começa a aprender uma série de conceitos sobre humanidade.

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COMENTÁRIOS
São poucas as séries que nos deixam confortável ainda no episódio piloto, e Better than Us é uma dessas. A produção russa de ficção científica tem várias qualidades que merecem ser citadas, começando pela sua estética, que logo de cara mostra personalidade conceitual. Não traz exageros alegóricos tradicionais da nossa imaginação quando idealizamos uma proposta de futuro. A criação de Andrey Junkovsky, tem total inspiração em Isaac Asimov, porém não se limitando por completo nos dilemas existenciais de máquinas sendo inseridas na sociedade. O foco é apontado mais para como os seres humanos lidam com essa tecnologia, que vem interferindo em questões previdenciárias, e na constituição de formatos familiares.

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Arisa é uma máquina capaz de identificar emoções e expressões humanas, ao mesmo tempo que consegue aprender e compreender a filosofia da ética se baseando em avanços morais. O destino lhe proveu sorte ao encontrar Sonya, uma pequena menina bastante inteligente, filha de Georgy N. Safronov, um respeitado patologista. As duas desenvolvem um elo afetivo, no qual Arisa tem fortes impulsos de proteger aquela família, e Sonya corresponde ao sentimento por perceber antes de todos que aquele não era um robô como os outros. Arisa aos poucos vai observando aquele ambiente familiar e, adotando cada vez mais um comportamento humanizado, porém sua ‘vida’ se mostra complicada, considerando que ela foi responsável pela morte de uma pessoa.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco de Better than Us conta com Paulina Andreeva, Kirill Käro, Aleksandr Ustyugov, Olga Lomonosova, Eldar Kalimulin, Vita Kornienko, Aleksandr Kuznetsov, Vera Panfilova, Fedor Lavrov, Sergey Sosnovsky, Pavel Vorozhtsov, Irina Tarannik, Sergey Kolesnikov e Kirill Polukhin. A obra é criação de Andrey Junkovsky, Aleksandr Dagan e Aleksandr Kessel, produzida pela Yellow, Black and White, em cooperação com a  Sputnik Vostok Production para o canal estatal russo C1R. Em 2019 a Netflix comprou os direitos de exibição da primeira temporada. Better than Us é uma série originalmente lançada na Rússia no ano de 2018 com o nome Лучше, чем люди.

CONCLUSÃO
Uma produção de muito bom gosto estético, que traz boas atuações, um roteiro sólido e, a discussão ética de como iremos lidar no futuro com máquinas coexistindo conosco de maneira tão próxima. Better than Us conta a história de uma robô descartada em seu desenvolvimento, mas que chegando às mãos de um poderoso empresário. Arisa acaba cometendo um crime e, em sua fuga vai parar dentro de um ambiente familiar. A série russa é original de 2018, mas estreou no ocidente recentemente através do serviço Netflix. Recomendo muito!

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TRAVELERS – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
ATENÇÃO: Irei me basear pelas impressões da primeira temporada, então esta resenha é destinada ao público iniciante na série.
Atitudes erradas da humanidade levaram o mundo à um futuro calamitoso de colapso social, então milhares de agentes são treinados e, enviados para o nosso período atual no intuito de fazer mudanças pontuais na linha do tempo para impedir tal predestinação. Então cinco destes viajantes são enviados assumindo cada um o corpo físico de uma pessoa qual já era conhecido o local e horário da morte. Este método servia para amenizar o máximo de interferência na linha temporal, visto que a pessoa não mais existiria. Porém eles ainda precisariam viver o restante de suas vidas seguindo a realidade de seu hospedeiro, enquanto missões eram orientadas pelo Diretor, e deviam ser cumpridas seguindo as regras exatas de cada protocolo.

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COMENTÁRIOS
Esta é uma série de 2016 que estreou e não dei a devida atenção, então estou atualmente correndo atrás do tempo perdido. Recordo ter assistido apenas o primeiro episódio e, sendo sincero, eu não lembrava de nada direito. Provavelmente parei para ver enquanto brigava contra o sono, costumo fazer isso as vezes. Então decidi dar uma conferida novamente, e tenho de dizer, essa série está me surpreendendo muito! A impressão que tinha era baseada num preconceito bobo com o ator Eric McCormack, não me pergunte, mas na minha cabeça esse era um ator de projetos duvidosos. Tenho uma lista com atores que se eu vejo a cara num filme ou série, eu já penso mil vezes antes de dar atenção. Mas não, realmente eu estava bastante errado. As vezes as pessoas são azaradas, ou não tem os contatos certos para pegar bons papéis. No fim das contas estou gostando da atuação de McCormack.

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Séries de ficção são alvo fácil para roteiros e conceitos de péssimo gosto, e são raras as exceções nesse gênero. As linhas de diálogos mal escritas e os nomes de itens fictícios são os elementos que mais costumam me incomodar. Não aguento piadinhas descabidas em momentos tensos, ou engenheiros pedindo ao assistente para passar o “suturador de ionização quântico”. Isso definitivamente me tira do sério! É preciso ser dito, Travelers é uma série não tem nada disso! Fui pensando ser realmente algo como dei o exemplo, mas não, temos aqui uma produção bem roteirizada e com um ritmo gostoso de assistir. Seu plot é apenas a ponta do iceberg, a trama vai desenvolvendo e trazendo uma série de novos elementos para incrementar o universo proposto.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
O elenco principal conta com os atores Eric McCormack, MacKenzie Porter, Nesta Cooper, Jared Abrahamson, Reilly Dolman e Patrick Gilmore. A criação de Brad Wright é produzida por Eric McCormack e foi distribuída no Canadá pelo canal Showcase Television do grupo do grupo Alliance Atlantis Communications. Para o resto do mundo Travelers foi ofertado pela Netflix. A série atualmente conta com 3 temporadas e um total de 34 episódios.

CONCLUSÃO
Travelers é uma série inteligente e agradável de assistir que se põe fora da curva se comparado à outras obras do gênero. Aqui não tem carnaval, não tem diálogos esdrúxulos e muito menos termos estúpidos para designar coisas que não existem. Duas coisas me surpreenderam bastante, o ritmo agradável do roteiro e as atuações de atores que até então eu tinha o preconceito de não esperar ao menos uma atuação razoável. O clima de suspense e tensão te instiga a devorar a série de uma só vez. Atualmente ela se encontra disponível na Netflix, então se você gosta do gênero ficção científica, esse aqui é um pratão para você! Para  mim está aprovadíssima!

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