O MANDALORIANO – SÉRIE DA DISNEY+ (CRÍTICA)

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SINOPSE
Após cinco anos desde a queda do Império Galáctico, após a morte de Palpatine e Darth Vader bem como a destruição da segunda Estrela da Morte (Episódio VI – O retorno do jedi, 1983), os Caçadores de Recompensa sobrevivem por meio de escassos trabalhos nos confins da galáxia, longe da autoridade da Nova República. Nesta época, em que os remanescentes do Império Galáctico não passam de senhores da guerra e mercenários, um hábil caçador mandaloriano precisar restaurar sua própria honra, construir sua armadura e fazer fortuna.

Ao aceitar um trabalho fora dos registros habituais da guilda de caçadores de recompensa no planeta Nevarro para um oficial Imperial, Mando vence piratas espaciais que tinham em sua posse um curioso prêmio: um bebê de 50 anos da mesma espécie que o mestre Yoda. A partir daí, o Mandaloriano terá que rever seus conceitos morais, revisitar o passado e traçar novos rumos como pistoleiro galáctico e guerreiro de Mandalore.

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O QUE É UM MANDALORIANO?
O destino da Galáxia parece sempre se misturar a história do Mandalorianos. Quando nos remetemos aos filmes (do Episódio I ao VI), dois nos são extremamente importantes: Jango e Bobba Fett (pai e filho, respectivamente). O primeiro, presente na trilogia prequela (pré-sequência), esta por trás da tentativa de assassinato da Senadora Amidala de Naboo e seu código genético foi usado para criar o exército de de clones da República Galáctica (Episódio II – O Ataques dos Clones, 2002).

Já Bobba Fett, filho de Jango, é marcante por ter sido o líder dos Caçadores de Recompensas que terminaram por aprisionar Han Solo em Império Contra-Ataca (1980) e entregá-lo, ainda petrificado em carbonita, para líder mafioso de Tatooine, Jabba, o Hutt. Foi derrotado por Luke Skywalker e companhia na épica luta no deserto, no grande poço de Carkoon, Mar das Dunas, onde vivia a criatura Sarlacc. Fora o fato de muitas vezes serem mercenários ou caçadores de recompensa, e que são oponentes perigosíssimos para forças do bem (ou do mal), o que se sabe sobre os Mandalorianos?

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Mando, em um dado momento da série revela que o termo “mandaloriano” não se refere a um povo, do ponto de vista racial, mas que é uma filosofia. Não necessariamente se nasce Mandaloriano, mas se torna um. No livro O Código do Caçador de Recompensa (Bertrand Brasil, 2014), revela que os Progenitores Mandalorianos (os Tsaungs, Guerreiros das Sombras) originalmente eram um povo que habitava Coruscant (planeta que foi a capital da República e posteriormente do Império Galáctico). No entanto esse povo original acabou sendo expulso por inimigos para a Orla Exterior. Chegaram a Mandalore há 7 mil anos e 4 mil anos depois foram derrotados, durante a Cruzada da Grande Sombra (Grande Guerra Sith), na qual “foram traídos pelos Jedi e pelos Sith, que agiram como irmãos”, segundo Tor Vizla, líder dos Sentinelas da Morte (p.131).

Foi somente com o Mandalore, o Supremo,  que abriu os clãs para que todos os que os mostrassem valor no campo de batalha. Foram esses novos guerreiros, os Neocruzados, que entraram em batalha contra as forças da República, posteriormente, nas chamadas Guerras Mandalorianas. Os intuito deles não era conquistar a Galáxia, mas fortalecer a unidade e continuar os conflitos iniciados pelos Progenitores. No entanto eles foram duramente derrotados e forçados a se dispersarem pela galáxia.

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Diante da prosperidade dos Mandalorianos sob a liderança de Mandalore, o Unificador, que retornaram a seu planeta, segundo Tor Vizla, a República resolveu aniquilar definitivamente estes guerreiros como se fossem “um tecido canceroso a ser cortado da galáxia” (p.134). Desta forma tanto os Sith quanto os Jedi e a própria República já lutaram, se aliaram ou traíram os Mandalorianos que sempre tentaram resgatar sua honra ancestral, apesar de muitos Caçadores de Recompensa evidenciarem o problema da honra:

A honra é o que os poderosos usam para convencer os tolos a se sacrificarem. (Aurra Sing, mestra de Bobba Fett, p.135)

Assim os Mandalorianos que antigamente eram uma raça de Coruscant, acabaram por se tornar uma tribo aberta a todos os guerreiros valorosos na qual todo aquele que se destaque em bravura poderia ter uma posição de destaque. Tor Vizla, em seu relato no Código dos Caçadores de Recompensa, afirma:

Lembre-se de que alguns dos maiores Mandalores nasceram e cresceram fora do nosso planeta natal. (p.149).

No entanto o relato de honra que Tor Vizla revela é, em verdade, contraditório. Durante as Guerras Clônicas, Mandalore preferiu uma posição neutra no conflito não se aliando nem a República nem aos Separatista. Mas o grupo liderado por Vizla, o Olho da Morte, praticava o terrorismo tanto contra às Força de Dookan (por vingança pessoal) como contra os Jedis (devido ao histórico de luta contra estes últimos). Vemos Tor Vizla recrutar o príncipe órfão, Lux, e empunhar um sabre negro, artefato Jedi em sua origem. Tudo isso é perceptível na série animada Clone Wars (2008), no episódio 14 da 4ª temporada do desenho.

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A ARMADURA
Logo nos primeiros momentos da série, nos deparamos com Mando resgatando sua recompensa e a importância do Beskar, que inicialmente se pensa ser um moeda, mas que se trata de um metal importante e raríssimo para confecção de sua armadura. Foi o Beskar que levou os Progenitores ao sistema Mandalore, pois estava presente em seus planetas e luas. O Beskar é extremamente forte, capaz de desviar de tiros de blaster até de parar lâminas de sabre de luz. Portanto é um item muito difícil de ser conseguido e quando Mando recebe uma placa provinda das forjas do Império, trata logo de confeccionar uma Bes’marbur (espaldar ou ombreira).

O guerreiro mandaloriano, desde os Sentinelas da Morte de Mandalore, o Unificador, tem total de liberdade  para personalizar sua armadura “adaptando-a, assim, às suas responsabilidades e ao seu estilo de luta” (p.141). Porém dois itens são os que mais chamam a atenção: o capacete e o jetpak. No Código do Caçador de Recompensas, Tor Vizla afirma que o buy’ce (barbute ou capacete, cujo designer homenageia a face dos Progenitores) é, “ao mesmo tempo, o símbolo dos Mando’ade e o item mais importante de qualquer conjunto” (p.142), mas não expõe a regra de nunca pode ser retirado na frente de outro ser vivo. Isso não deixa claro se todos os Mandolorianos seguiam essa regra. Se pensarmos no clã dos Fetts, Jango mostrou sua face a Obin Wan Kenobi, no entanto a face de Bobba, adulta, nunca fora revelada na trilogia clássica.

Se o capacete é rico em tecnologia de rastreamento e amplia a visão do mandaloriano a ponto de enxergar 360º, o jetpak é, simultaneamente, a última parte do traje, a arma definitiva e a última parte o treinamento. Essa mochila de voo permite atacar com rapidez e pode ser equipada com mísseis dos mais diversos tipos. É um recurso escasso: só tem autonomia de um minuto de combustível e arsenal de um míssil, pelo menos de acordo com sua versão mais clássica.

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BEBÊ YODA? / LEVE SPOILER!
Apesar do furor das redes sociais chamar a criança encontrada por Mando como “Bebê Yoda”, pouco se sabe sobre ela. Assim como Yoda, o maior Jedi de todos os tempos, a Criança (assim que iremos mencioná-la), parece não só se assemelhar fisicamente ao mestre de Luke Skywalker na aparência, mas também na longevidade e poderes. Essa espécie, desconhecida e rara, tem alta longevidade. Yoda, por exemplo, morreu aos 900 anos de idade em Dagobah, como nos mostra em O Retorno do Jedi (1983). Então a Criança, de 50 anos de idade, não se trata de Yoda ou sua reencarnação visto que a série se passa 5 anos após o Episódio VI e nesse mesmo longa vemos o velho mestre Jedi como fantasma da Força que ajuda Luke.

Quanto aos poderes da Criança, são mostrados aos poucos como telecinese (movimento de objetos com por meio da Força), repulsão de ataque, cura e até um estrangulamento da Força, técnica de Darth Vader. Mas no mais, nada que demonstre mais sobre sua identidade e origem. Nem Mando sabe como explicar tais poderes. Mas uma fato fica claro com relação aos Mandalorianos e os “bruxos” manipuladores da Força: a eterna desconfiança. O Código do Caçador de Recompensa, afirma, por meio de Tor Vizla:

Esses feiticeiros têm interferido nos nossos assuntos há milênios. Os antigos Jedi demoliram o império de Mandalore, o Supremo, e acabaram com nossos clãs na Ani’la Akaan, e seus descendentes supervisionaram a Aniquilação. […] Os Sith não são melhores, iludindo repetidamente os Mando’ade a servi-los como tropas de choque. (p.156)

Para finalizar, não é a primeira vez que vemos alguém da raça de Yoda. A mestre Yaddle, presente no Conselho Jedi durante o Episódio I – A Ameaça Fantasma, possuía 477 anos e estava a frente da Assembleia dos Bibliotecários no Templo Jedi. Era versada na técnica Morichro (um possível método de matar sem usar o lado sombrio da Força). Morreu em Mawan tentando levar a paz a uma guerra civil.

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ANÁLISE DA PRODUÇÃO
O que torna o enredo da primeira temporada de O Mandaloriano tão cativante é que ela não segue uma temática tão inovadora assim.A dinâmica reside em uma série de ingredientes clássicos como o assassino profissional que se relaciona com uma criança em seu trabalho. Se pensamos por esse lado, a série do Caçador de Recompensas segue de perto os passos de O Profissional (1994), filme de Luc Besson, que tem no assassino de aluguel Léon (Jean Reno) como protagonista. Ele se envolve com a filha de seu vizinho, uma garota de 12 anos, que quer vingança pela morte de seu pai, envolvido no tráfico de drogas.

No entanto a Criança (o bebê Yoda), por mais que tenha 50 anos, ainda é muito jovem para nutrir sentimentos de vingança (ao menos é o que parece) como no filme de Besson. Esta relação entre um homem solitário de uma criança abandonada, contudo, está no âmago de muitas histórias do imaginário ocidental, desde comédias Sessão da Tarde como Três Solteirões e um bebê (1987) e o filme de Adam Sandler, O Paizão (1999), por exemplo; passando por filmes de ação caricatos como Mandando bala (2007) ou séries como atual Hanna da Amazon. Isso só para citar alguns exemplos.

Ao revisitar o tema “assassino/adulto anti-herói que adota uma criança”, o produtor Jon Favreau o reveste da mítica por trás dos Caçadores de Recompensa, tão pouco explorados nos filmes, apesar de serem tão fundamentais na história da trilogia prequela (pré-sequência) como para trilogia clássica. Isso se soma ao fato de abarcar um período de tempo pouco abordado: o que acontecera à Galáxia após Luke Skywalker vencer o Imperador Palpatine.

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Outro ponto impactante é justamente a trilha sonora. Sabemos que os filmes tem o toque magistral de John Williams, responsável por clássicos da franquia como, por exemplo, a The Imperial March de O Império Contra-Ataca (1980). Longe de mim, a Força não me perdoaria, de comparar o trabalho desse mestre como de Ludwig Göransson, porém a trilha de O Mandaloriano consegue manter o tom épico da franquia, em um estilo clássico e retrô, principalmente na música tema.

Ainda mantendo os ares clássico da trilogia, ao final de cada episódio os créditos mostram a arte conceitual que inspirou o episódio. Para um fã Star Wars é a oportunidade de ver como a produção acabou tornando realidade uma ilustração e claro fazer comparações entre aquilo que foi idealizado e o que foi concretizado. Cada ilustração nos lembra cartazes de filme antigo ou os desenhos repletos de cor de Frank Frazetta, mestre de ilustração sci-fi.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Pedro Pascal, Gina Carano, Giancarlo Esposito, Carl Weathers, Taika Waititi, Nick Nolte, Emily Swallow, Omid Abtahi, Werner Herzog, Bill Burr, Mark Boone Jr., Ming-Na Wen, Natalia Tena, Ismael Cruz Cordova e Julia Jones compõem o elenco. Jon Favreau atuou como roteirista, criador, showrunner e, foi o produtor executivo junto de Dave Filoni, Kathleen Kennedy e Colin Wilson. O Mandaloriano (The Mandalorian), é uma série norte-amaericana lançada em 2019 baseada na franquia Star Wars, originalmente criada por George Lucas. Ao total são 8 episódios nesta primeira temporada, e o conteúdo está disponível pelo serviço por assinatura, ainda não disponível no Brasil até a conclusão desta resenha, Disney+.

CONCLUSÃO: O Caminho
A todo momento da série, a filosofia mandaloriana repete a seguinte frase “como deve ser”, na tradução para nossa língua. Gosto do original: The Way (O Caminho). O caminho da série (com letra minúscula) parece ser promissor. Há muitas referências ao mundo Star Wars sem atrapalhar a imersão daqueles que poucos sabem sobre a franquia. O público comum suspirará e sorrirá com cada cena da Criança (Bebê Yoda), mas o fã conseguirá rir de uma piada sobre Gungas, droides de Taooine ou o gosto alimentício peculiar dos Jawas, catadores de ferro-velho. Nesse ponto a produção da Disney é super fiel ao que de melhor foi feito na trilogia clássica: de locações a interpretações.

Quanto à atuação, uma especial menção a Pedro Pascal (Narcos), que está muito à vontade no papel de Mando, Nick Nolte como um fazendeiro ugnaught e a surpresa: Gina Carano, lutadora de MMA que convence no papel de uma ex-Soldado de choque rebelde.

Já no enredo, o Caminho de Mando se revela atípico. Não é só sobre honra, sobre alcançar seu lugar de respeito na Galáxia. O “Enjeitado”, órfão, que se tornou Caçador de Recompensas terá que rever seu código moral e a todo momento, sua verdades serão postas à prova. Parece que o mundo não é somente o bem e o mal. Há uma linha tênue entre essas duas fronteiras. Tais certezas serão abaladas com a chegada da Criança que deverá ser abandonada ou reconduzida às suas origens. É nesse processo que Din Djarin (o Mandaloriano), nesse Caminho, que encontrará sua própria transformação. O série vale a recompensa por assistir e aguardamos com ansiedade a próxima temporada. Fiquem fortes, por Mandalore!

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NINGUÉM TÁ OLHANDO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
As pessoas não estão tão abandonadas assim, escondido num plano invisível existe o Sistema Angelus de Proteção aos Humanos, uma grande rede que se espalha pelo mundo inteiro. No 5511º Distrito um novo membro chegava, era Ulisses, um angelus muito questionador, e que diferente de todos os outros, contestava pontualmente cada uma das regras. Após receber a Ordem do Dia enviada pelo Chefe, um angelus deve se dirigir ao seu protegido para acompanhá-lo por todo expediente, enquanto o livra dos perigos sem ser notado. Ao fim do período trabalhado, o angelus deve fazer seu relatório e entregar ao supervisor para que o mesmo seja arquivado. Ulisses entendia o processo mas não conseguia controlar seus impulsos, decidia por si só ajudar os humanos que sentia realmente estar precisando de socorro. Sempre bem intencionado, mas ainda assim quebrando sequências de tradições milenares, Ulisses começava a alterar muito mais a ordem das coisas do que imaginava ser capaz.

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COMENTÁRIOS
Simplesmente por ser uma produção brasileira, muita gente já fica pé atrás. “Ah, vai ser mais uma produçãozinha com cara de novela das nove.” Aí que você se engana, Ninguém Tá Olhando (Para exportação: Nobody’s Looking) possui uma estética, tanto visual quanto de linguagem, muito peculiar. Com um humor ácido e bastante inteligente, arranca gargalhadas até mesmo em situações dramáticas apenas por seus cenários criados absurdos. Ulisses que é interpretado por Victor Lamoglia, é engraçadíssimo nos seus atos atrapalhados e nas expressões quando descobre mais uma vez ter feito besteira. E admito ter me surpreendido muito, quando noto Kéfera Buchmann fazendo um excelente trabalho como atriz. De verdade, eu não consumo o trabalho dela, e o pouco o que eu imaginava era sim baseado apenas em preconceitos dos estereótipos formados pela youtuber teen. Quebrei a cara, e gostei bastante disso.

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Esquetes, stand-up comedy, sitcom, enfim, nada muito focado assim na comédia prende muito minha atenção. Pelo menos não por muito tempo.  Mas assistindo ao trailer de Ninguém Tá Olhando na própria Netflix, senti que aquela ideia tinha um potencial muito bom. Marquei o interesse de assistir quando a série estivesse liberada, e percebendo que eram apenas oito episódios de poucos minutos, decidi conferir. E foi uma experiência sensacional! Excelentes atuações num roteiro muito bem elaborado, e uma produção bem bacana. Com direito a computação gráfica de qualidade e tudo mais! Te dou uma dica, caso ainda esteja de nariz torcido, abandone o preconceito e dê oportunidades a coisas diferentes do que está acostumado a consumir. O único risco é o de você gostar bastante e precisar ocultar de seus amigos trevosinhos que curtiu uma parada brasileira onde estrelam aquela celebridades que todo mundo curte zoar. E o pior, na maioria das vezes pelo mesmo motivo, imaturidade e preconceito besta. Deixei o trailer aí para que dê uma conferida, e gostaria de saber sua opinião nos comentários. Fechado?

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Victor Lamoglia, Kéfera Buchmann, Júlia Rabello, Projota, Danilo de Moura, Augusto Madeira, Leandro Ramos e Telma Souza compõem o elenco. Criada pro Daniel Rezende, Carolina Markowicz, Teodoro Poppovic, Ninguém Tá Olhando é uma série do gênero sitcom lançada exclusivamente para o serviço por assinatura Netflix no fim de 2019. A direção ficou a cargo de Daniel Rezende, diretor também de Turma da Mônica: Laços (2019), conhecido por sua participação em grandes sucessos brasileiros como Cidade de Deus (2002), Tropa de Elite (2007), e até mesmo o estadunidense Robocop (2014) atuando como editor de José Padilha.

CONCLUSÃO
Juntando a galera do Porta dos Fundos, Parafernalha, Julinho da Van, outros bons comediantes, e até mesmo o compositor Projota, Ninguém Tá Vendo foi uma aposta acertadíssima de seus idealizadores! Seu humor é inteligente, original e absolutamente nada pedante. Os diálogos fluem com naturalidade e as situações mais absurdas possíveis arrancariam risadas até mesmo do Chef Érick Jacquin. Pode perguntar pra ele. O sitcom está disponível na Netflix tendo apenas oito episódios de uns vinte minutos cada, e certamente terá uma segunda temporada, já que a história ficou em aberto. Sua classificação etária é de 16 anos, então tire as crianças da sala porque rolam alguns palavrões e pagações de peitinho. Estava sem nada para assistir, então cai dentro desta série que é garantia de sucesso no fim de semana.

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PERDIDOS NO ESPAÇO – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A bordo da Jupiter 2, uma das naves da Frota Jupiter, a Família Robinson acidentalmente entra na rota de uma fenda espaço-temporal, indo parar nas proximidades de planeta completamente desconhecido. Aquela situação faz com que todos tenham de trabalhar em conjunto, já que o ambiente daquele lugar era uma total incógnita. John, o pai da família, é um ex-fuzileiro experiente, e sua esposa Maureen, uma engenheira aeroespacial de altíssimo nível. A decisão pela expedição partiu dela, visto que a Terra de 2046 estava em vias de um colapso por causa da superpopulação. Não havia outra forma, o planeta precisava ser evacuado. E na iniciativa de preservar sua família, decretou que era momento de partir na busca de um novo lar. Judy, a filha mais velha, Penny, a do meio, e Will, o mais novo, somavam a equipe, e também possuíam cada um suas especializações para cooperar nessa perigosa jornada pelo espaço.

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COMENTÁRIOS
Perdidos no Espaço (Lost in Space), é um remake de uma série homônima para televisão de 1965, que embora tivesse grande prestígio na época, precisou ser finalizada devido a CBS estar bastante endividada com prejuízos de outras produções mal sucedidas. E trinta anos depois, em 1998, numa comemoração atrasada em um ano, no qual a nave Jupiter 2 seria lançada na obra original, foi entregue um bem sucedido longa metragem, também de mesmo nome. A franquia Perdidos no Espaço desde o início arrecada um grande número de fiéis fãs, e havia tempo que esperavam por um retorno da Família Robinson. Tardou um pouco, porém em maio de 2018, a Netflix entregou com bastante orgulho, e com bons motivos, o presente aos saudosistas do clássico.

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Atualizando a versão original, nova versão traz um roteiro coerente muito bem fechado, sendo tudo bem aproveitado pela direção, que consegue excelentes resultados nas cenas de ação com efeitos práticos combinados com as edições em computação gráfica. O elenco trabalha bem e está bem sincronizado por todos os episódios (ao menos da primeira temporada), possuindo vilões convincentes e bem inspirados. Na parte artística, temos uma fotografia de tirar o fôlego, mostrando um planeta com ambientes diversificados e tomadas de panoramas deslumbrantes. A música tema é do indiscutível gênio John Williams, e o restante da trilha original é de ninguém menos que Christopher Lennertz, genial compositor apadrinhado por magos como Michael Kamen e Basil Poledouris.

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NOTAS BAIXAS DA CRÍTICA
Para todo tipo de arte existem os ‘curadores’, que são críticos formados na sua especialidade, ou mesmo autodenominados. E essa nova versão de Perdidos no Espaço parece não ter agrado tanto essa exigente audiência. Não costumo comentar opiniões de terceiros, mas achei relevante falar que considero bastante injusta as notas que a série recebeu de sites como Rotten Tomatoes, que aprovou com 68%, ou do Metacritic, que pontuou como 58 de 100. Esta é uma produção como poucas, onde reúne um bom conteúdo original, roteiro, direção e elenco. Uma série que tem sim suas falhas, mas que jamais mereceria receber uma nota abaixo dos 75 em 100. Não digo essas coisas por ser um fã saudosista ou coisa do tipo, eu conhecia sim a série original através de comentários de amigos mais velhos e familiares, ou seja, não sou tiete de nada para ter sido contaminado por qualquer tipo de hype e agora ter uma opinião exageradamente favorável.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Toby Stephens, Molly Parker, Ignacio Serricchio, Taylor Russell, Mina Sundwall, Maxwell Jenkins e Parker Posey compõem o elenco. Perdidos no Espaço foi criado por Irwin Allen, premiado autor, diretor e produtor, também responsável por O Mundo Perdido (The Lost World, de 1960), Viagem ao Fundo do Mar (Voyage to the Bottom of the Sea, de 1961), e muitas outras obras. A série norte americana conta com uma temporada de dez episódios até agora, sendo que a segunda acabou de ter as gravações finalizadas. Portanto é esperarmos um pouco mais para termos disponíveis novos episódios.

CONCLUSÃO
Perdidos no Espaço é uma série de ficção científica e aventura que aborda os problemas da Família Robinson em sobreviver num planeta desconhecido e cheio de surpresas. Envolvente e cheio de aventura, é uma produção de altíssima qualidade, que pode ser vista sem problema algum com toda a família reunida. Uma obra inteligente que prova que a Netflix tem capacidade de entregar algo muito bom quando tem os produtores certos envolvidos. Como dito no decorrer da resenha, eu conhecia a série original, mas nunca fui um exatamente um fã, mas essa produção de 2018 me fez virar um! Ponto para a Netflix! Série recomendadíssima!

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BATES MOTEL: ORDEM DOS FATORES

Bates Motel psycho

O santo da vizinha fofoqueira morta havia baixado em mim.

Mergulhei na escuridão quando decidi pela espontaneidade iniciar uma nova série. Sou do tipo exigente com as coisas, não necessariamente pela quantidade de qualidade, mas pela solidez da proposta. Mesmo mais simples que ela possa se mostrar ser de vez em quando. Eu não conhecia absolutamente nada da série Bates Motel, quando um amigo revelou ser um derivado do original Psicose, de 1960, qual também nunca tinha assistido. Resolvi então tomar o rumo de conferir a renomada obra-prima de Alfred Hitchcock, que advinha, nunca havia me atentado a nada em particular. A maioria dos cultuados clássicos estão ainda fora da minha estante de consumidos. A Lista de Schindler, O Poderoso Chefão, Um Corpo que Cai, Doutor Jivago, …E o Vento Levou, Casablanca, e muitos outros, todos na minha sentença de passagem direto ao inferno, caso não assista enquanto encarnado. Então fiz o que me pareceu ser o mais correto para entender a amplitude de intenção daquele seriado, que eu já devia ter assistido uns três episódios. Procurei pela internet e dei de cara com algumas refilmagens não muito convincentes, queria o original. E depois de uma pequena dificuldade, ainda assim bem maior que imaginava, consegui acesso ao clássico descolorido.

Madrugada à dentro parto eu, que geralmente cético, me sentia obrigado a ter absolutamente respeito em não supor que aquele poderia ser um caso de exagero da crítica. No meu subconsciente aquele filme tinha uma aura, fazia parte dos meus preferidos sem nunca ter sido visto. Confuso, não? Pipoca? Não, peguei Cheetos. Cheetos Lua. Com Mate Leão. Sabor limão.

Sentei, me acomodei e dei plei. Uma leve sensação de deslocamento temporal pela película envelhecida, mas muito bem, e entramos pela janela daquele apartamento. É preciso ser dito, tudo era muito bem escrito. Cada simples diálogo parecia ter surgido de improviso. Parecia real que eu tinha entrado pela janela de alguém e me intrometido na intimidade de conversas intrigantes que não eram da minha conta. Eu queria mais. O santo da vizinha fofoqueira morta havia baixado em mim. Aquele filme mal tinha começado e me sugava para um vouyerismo doentio, mas e daí, ninguém estava vendo. Só eu. A coisa progride junto com uma tensão que não lembro ter notado em nenhum outro filme. Hitchcock não só tinha uma aura de gênio, parecia ser um caso verídico de genialidade. Meme de mãozinha no queixo. Sentia estar me filiando à Seleta Ordem dos Críticos Cults de Cinema, isso não me cheirava digno de orgulho. Medo de partir numa odisseia de querer organizar os DVDs e VHSs por ordem de diretores e envergonhar a família Pereira.

Aquela pessoa de caráter duvidoso que seduzia minha simpatia precisava ser desmascarada. Meus olhos sangravam em cumplicidade e repulsa, me sentia invisível e amordaçado de carona naquele carro. Impossível um cara tão insistente também ser tão complacente, olha o carona! Me pergunta que eu digo o que essa ignóbil fez! Era sufocante ver o quanto a gentileza impedia aquele maluco de dar uma dura naquela suspeita e arrancar dela seu segredinho recente. Não importa, éramos parceiros e ela precisava se safar. Continuando a se aventurar pela tempestade do julgamento da própria consciência, Janet chega ao Motel Bates. Onde logo é atendida por um simpático jovem adulto que lhe dispõe onde se alojar. Daí é ladeira à baixo na estranheza das motivações que levam uma mulher se expor da maneira que o faz, bem como se comporta um gerente de hotelaria com seus inquilinos. Ou aquilo fugia a curva do habitual para ambos? O grand finale não tarda muito à vir. E não, não darei spoiler desse recém lançamento.

Como dito no começo, não importa o quanto algo é complexo ou nada complexo, à mim a consistência do como é feito que é relevante. Poucos personagens, poucas locações, pouca trama e poucos elementos, no entanto muita veracidade em narrativa e construção de personagem. Um filme de quase sessenta anos e com rostinho de bebê. Uma belíssima linguagem atemporal que causa estranheza de tão realista.

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Lincando as duas obras, o original de Psicose com a série Bates Motel, abre-se um dilema. O que assistir primeiro, a construção lenta e profunda do personagem central, ou seu resultado caótico como adulto? Antes de tomar a decisão de voltar no tempo e presenciar a obra que tantos admiravam, qual não imaginava o porquê, estava bastante receoso de talvez estar sabotando minha própria experiência. Mas agora estando próximo à quinta temporada, e ter assistido o filme primeiro, a sensação é de que tanto faria. Nenhuma das ordens é errada e nenhuma é certa, as duas gerarão crescente expectativa do observador atento. As duas obras funcionam perfeitamente bem isoladas ao mesmo tempo que funcionam de forma excelente em conjunto. Sendo como for, vai fundo.

Agora me resta concluir a série e assistir as sequências do filme. Estou temeroso com essas continuações, definitivamente é complicado fazer jus à obra de arte que é o primeiro. Como me conheço um pouco, estou seguro de que a curiosidade falará mais alto.

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