GLITCH – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

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SINOPSE
A polícia da pequena e pacata cidade Yoorana recebe um chamado de perturbação no cemitério, então o Sargento James Hayes parte a caminho. Sete pessoas por conta própria simplesmente saíram de seus respectivos túmulos, não com os corpos em decomposição ou coisa do tipo, mas com plena saúde. O policial então sem compreender exatamente o que estava acontecendo imagina que aquelas pessoas estavam sob efeito de drogas ou participando de algum ritual esquisito. James encontra cinco deles, e os leva para a clínica Elishia McKellar, os outros dois tomaram rumos diferentes pela cidade sem que ele notasse.

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Havia algo ainda mais estranho do que gente nua cheia de terra num cemitério, após todos serem atendidos e limpos na clínica, James reconhece um deles como sua falecida esposa, Kate Willis. Incrédulo e nervoso, fica atônito diante daquela situação, no entanto o sentimento da saudade faz com que ignore toda a estranheza e aceite aquilo como um milagre. A noite caótica exigia que James pensasse rápido, as autoridades não podiam tomar ciência de nada, sabe-se lá o que fariam com eles. Aquelas pessoas aos poucos iam recobrando algumas memórias, e era descoberto que cada um morreu em épocas bem diferentes. Tornou-se pessoal, ele precisava entender porque aquilo estava acontecendo, ao mesmo tempo que precisava fazer de tudo para mantê-los protegidos.

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COMENTÁRIOS
Glitch é uma série australiana que estreou em 2015 pelo serviço de assinatura Netflix, e se concluiu com três temporadas de seis episódios cada. Com uma temática de drama, paranormal e muito mistério, a produção mostra muita qualidade e personalidade em seu desenvolvimento como história. Não espere nada assustador ou sombrio, a temperatura aqui é outra, e foca muito mais nos mistérios do porque aquilo tudo aconteceu, e em repentinos flashbacks de cada um daqueles indivíduos para que recordem suas memórias. O que mais me surpreendeu em Glitch foi o entrosamento excepcional dos atores. Não existe elo fraco, todos se saem bem e conseguem entregar uma performance sem máculas.

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O roteiro do trio de escritores, Louise Fox, Kris Mrksa e Giula Sandler, é bem fechado, mantendo a coerência por todas as três temporadas, e combinado à excelente direção de Emma Freemanm, faz ser muito merecido os vários prêmios que a série recebeu. A trilha original de Cornel Wilczek é um espetáculo à parte, e também foi premiada. A fotografia australiana traz ainda mais autenticidade e identidade para a produção, com tomada aéreas muito bonitas e cenas panorâmicas espetaculares. A cidade de Yoorana é fictícia, e suas gravações ocorreram em Victoria, sudeste da Austrália. Glitch finalizou nesta terceira temporada lançada em 2019, e uma coisa incomodou muitos os fãs, a Netflix não deu ênfase alguma. O que se passa na cabeça dos executivos que não valorizam nem seus trabalhos originais? Ainda mais se tratando de uma série muito bem aceita pelo público. Enfim, esmiuçar esse assunto fica para outra hora, mas realmente é revoltante.

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COMENTÁRIOS COM SPOILERS
Mistérios e mais mistérios! Fiquei com a pulga atrás da orelha pelos dezoito episódios, e queria muito um décimo nono para me desenhar que raios eu preciso entender! Sou o tipo de pessoa ansiosas que precisa sim da visão conceitual do autor, por mais que ele considere ‘o charme’ deixar algumas questões em aberto. Mágica? Ciência? Cadê o outro lado? Tem um outro lado? Quem ou o que orquestrava e definia todas as regras para a sinfonia da natureza? Deus? Fiquei agoniado querendo essas explicações e acreditava até o último segundo que as teria. E não tive! Tem dois dias que terminei de assistir e ainda estou arrancando cabelos. Fiquei por um fio de chutar o balde e praguejar pelos quatro cantos do mundo o quanto essa série é horrorosa, mas seria mentira. Seria apenas eu putaço querendo minhas respostas. Me diz você aí que já assistiu, o que achou do final? Tem sua teoria? Ajuda aí esse cara que não tem religião, é cético pra cacete com tudo, mas quer um ‘ah, é isso’ para se agarrar. Essa série é horrível! Não vê não! mentira, é boa. Saco!

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Patrick Brammall, Genevieve O’Reilly, Emma Booth, Hannah Monson, Sean Keenan, Daniela Farinacci, Ned Dennehy, Rodger Corser, Emily Barclay, Andrew McFarlane, Aaron McGrath, Rob Collins, Pernilla August, Luke Arnold, James Monarski, John Leary, Anni Finsterer, Lisa Flanagan, Leila Gurruwiwi, Robert Menzies e Greg Stone compõem parte do elenco. Escrito por Louise Fox, Kris Mrksa e Giula Sandler, Glitch foi dirigido por Emma Freeman. A produção fica por conta de Noah Burnett e Noah Fox, com Tony Ayres servindo como produtor executivo. A série recebeu o Prêmio AACTA nas categorias Melhor Série de Drama e Melhor Trilha Sonora Original. Também recebeu dois Prêmios Logie nas categorias Melhor Série de Drama e Melhor Direção em Série de Drama.

CONCLUSÃO
Se gosta de um mistério, não pense duas vezes, cai dentro porque Glitch é conteúdo para você! A série te prende com naturalidade, fazendo com que tenha disposição, e caso tenha tempo também, maratone seus dezoito episódios rapidinho. Já concluída na terceira temporada, a obra está disponível com exclusividade no serviço por assinatura Netflix. Sua classificação é de dezesseis anos, aborda alguns temas delicados e tem cenas de nudez, mas tudo sem recorrer a extremos. Portanto se tem um moleque de uns doze anos, consciente dos paranauês básicos da vida, pode colocar ele do seu lado no sofá e curtir de boa. Boa série para você!

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SOBRENATURAL (CRÍTICA)

Supernatural

ESSA SÉRIE É VELHA! PRA QUE FALAR DELA?!
Estamos em pleno 2019 quando escrevo esta resenha, e isso que dizer que estou falando de uma série de quase 14 anos. Sério mesmo?! É, sério mesmo. E porque raios falar de algo tão antigo assim? Não tem nada mais atual pra comentar não? Tem, e tem coisa pra caramba. No entanto esta é uma daquelas séries que se tornaram clássicas e que muita gente que pensa em começar assistir agora se assusta pela quantidade alta de temporadas. Claro, não é nenhum Doctor Who, mas se já passou dos 300 episódios é porque a coisa ficou crítica. Então aqui tenho a missão de convencer você, tarado por séries mas que ainda não mergulhou no mundo sobrenatural de Sobrenatural. Gostei dessa frase. Embora ninguém tenha perguntado. E aos fãs de longa data, é sempre bom dar aquela refrescada nostálgica nas aventuras dessa dupla de caçadores do além.

Mãe de Sam e Dean

PLOT COM SPOILERS NADA COMPROMETEDORES!
Era noite e a Família Winchester estava confortável dentro de casa. Localizados em Lawrence, cidade tranquila do Estado do Kansas, Mary Winchester foi verificar um ruído estranho vindo do quarto do pequeno Sam, quando percebe uma sinistra figura debruçada sobre o berço. Ela então entra em confronto com aquela criatura medonha dos olhos amarelos, e John, seu marido, acorda assustado em meios os gritos. Quando o pai da família entra no quarto é tudo silêncio. Vai ao berço e toca o filho, quando gotas de sangue caem em sua mão. Ele olha pro alto e vê sua esposa suspensa no teto, com o abdome aberto e um semblante de total agonia. Seu corpo começa incendiar e John corre em direção ao bebê, tomando ao colo e correndo para fora do cômodo. Encontra Dean, seu filho um pouco mais velho, perto dos cinco, e lhe entrega Sam ordenando que corresse e saísse da casa o mais rápido que pudesse! John então retorna ao quarto mas nada mais podia ser feito, as labaredas consumiram tudo muito rápido.

Sam e Dean

Vinte e dois anos se passam e Dean procura o irmão que agora vivia com a namorada, Jessica Moore num campus de universidade. Haviam anos que não se falavam, e Dean dizia estar preocupado com seu pai, que estava em uma viagem de caça, e haviam muitos dias que não retornava. Sam entendeu a mensagem do irmão e pediu licença para conversar com Dean a sós. Sam relutou, não queria mais se meter em caçadas, desejava uma vida normal, ou pelo menos segura. Para sempre. Mas o irmão insiste, precisava da ajuda de Sam. Não conseguia e nem queria fazer isso sozinho, e então consegue um pouco mais da atenção do caçula. Dean diz que não tinha notícias do pai por três semanas, e que então recebeu uma mensagem de voz no dia anterior com a seguinte mensagem, “Dean, alguma coisa está começando a acontecer. Acho que é sério. Preciso tentar compreender o que está acontecendo.” Um pouco de interferência prejudica a mensagem, mas ela continua, “Seja muito cuidadoso Dean, todos estamos em perigo.” e mais interferência prejudica o áudio. Sam diz que há um fenômeno eletrônico de voz causando o ruído, e Dean concorda. Então ele diz que processou a mensagem diminuindo a velocidade, rodando num software, e limpando o som. Conseguiu uma cristalina e curta frase: “Eu nunca posso ir para casa.” Sam fica convencido e decide acompanhar o irmão.

Impala

VALEU! VALEU! MANEIRO, MAS PORQUE
EU TENHO QUE ASSISTIR ESSE DIACHO?!
Talvez essa historinha até agora não pareça muito melhor que um episódio do Scooby-Doo, mas as coisas não são tão simples assim. Eu ainda nem comecei a te aliciar a torrar mais de duzentas horas da sua vida assistindo dois malucos atrás de fantasmas, demônios, monstros, e todo tipo de criaturas sobrenaturais. Mas vamos lá! Os irmãos Dean e Sam Winchester são dois jovens adultos que foram treinados a vida inteira por seu pai, John Winchester, nas mais complexas e obscuras técnicas em lidar com o sobrenatural. E fazem isso melhor que quaisquer outros caçadores, pode apostar. Atravessam os Estados Unidos a maior parte do tempo num belíssimo Impala preto ano 67, passado para Dean por seu pai. E se tem uma coisa da qual Dean tem ciúmes, é desse carro. Tudo em Supernatural tem sua história, é um universo riquíssimo onde os planos de fundo são criados episódio à episódio com total naturalidade. Uma série que embora tenham alguns episódios independentes, é imprescindível ser assistida na ordem original. Herda esse formato de Arquivo-X, obra essa que serve de total influência para a criação de Eric Kripke.

Dean Eye of the Tiger

Quando decidi começar a série, ela já devia estar na sétima ou oitava temporada, não recordo, só sei que eu tinha muita coisa pra assistir. Então eu chegava do trabalho cansado, tomava um banho, jantava, deitava na cama, e maratonava as vezes uns cinco episódios seguidos. Até ser obrigado a dormir para acordar e trabalhar de novo. Na época eu estava solteiro, então minhas obrigações eram apenas comigo mesmo, e enquanto alguns farreavam tomando gorós, eu me trancava no quarto com o Scooby e o Salsicha. Eu já vinha nessa mesma vibe, tinha recém terminado de maratonar Arquivo-X, estava órfão, e acidentalmente Sobrenatural preencheu esse vazio que ficou. Quando eu gosto de algo eu me projeto dentro da coisa, sofro com os caras, roo as unhas nos momentos de tensão, e rio sozinho das palhaçadas. Dean principalmente é um cara gente boa, meu amigaço! Aquele cara descolado mas com um lado idiota. E bota idiota nisso. Diferente de Sam, ele é relaxado, não se concentra em nada, e tem sucesso nas suas ações geralmente no improviso. Mas não importa, se um ou outro se mete numa furada, o irmão está lá para se impor e ajudar. Caem no pau, desfazem e refazem laços, compram a briga do outro, e estão quase sempre unidos priorizando a família. Quase sempre.

Dean Sam FBI

042_07Dois caras vagando por aí como nômades vivem do que? Bem, ao mesmo tempo que caçam aberrações, também são letrados na falcatrua. Vivem do uso de cartões de créditos clonados ou roubados, e essa é a pequena taxa que cobram sem remorso pelos seus esforços em manter a sociedade um pouco mais segura de um mal que nem elas sabem que correm. Os cenários de mistérios são diversos, e nos momentos de investigação eles estão lá, apresentando documentos falsos ou simplesmente um cartão das Casas Bahia que a autoridade do momento foi distraída e não verificou direito. Encontrando uma suspeita, seguem os rastros e se metem em todo tipo de enrascada. Na maioria das vezes são exitosos nos casos, mas vez ou outra o final não é tão feliz assim. E cada conquista ou insucesso pode resultar num evento lá na frente, as vezes várias temporadas depois. Existe uma quantidade enorme de personagens, e mais uma vez, cada um com seus planos de fundo e motivações. Alguns duram um ou dois episódios, e outros duram várias e várias temporadas, sendo as vezes tão relevantes quanto a dupla principal. Com tantos episódios assim, é natural termos temporadas que não começam ou não terminam tão bem, não que sejam ruins, mas é que no geral Sobrenatural é uma série bem sólida em qualidade, e quando o ritmo esfria um pouco, é porque ficamos mal acostumados e exigimos de volta aquela mesma montanha russa de emoções. Existe algumas pessoas que torcem pelo fim da série, dizem já ter enchido o saco, e que está na hora de finalizar. Mas na boa, uma pessoa que diz isso é porque realmente não acompanha. É aquele cara que deve ter assistido um episódio ou outro, certamente sortido, e não conseguiu enxergar a solidez devida por estar descontextualizado.

Elenco Sobrenatural

ELENCO, TRILHA SONORA E FICHA TÉCNICA
O que eu mais gosto em Sobrenatural é seu clima aconchegante. Na maioria das vezes nublado e com uma atmosfera saturada, onde a neblina é constante. Viajando de carona com os irmão enquanto Dean tem sempre um cassete com os melhores clássicos de puro rock’n’roll. Led Zeppelin, AC/DC, Blue Öyster Cult, Bon Jovi, e minha preferida, Kansas. Mais precisamente com o hit Carry On Wayward Son. São apenas alguns dos gigantes que fazem parte das trilhas. Sobrenatural, diferente da maioria das séries, também tem suas composições originais, que são os trabalhos dos músicos Christopher Lennertz e Jay Gruska. Por toda a série e suas inúmeras temporadas, um sem número de personagens se acumulou, portanto preferi escolher citar apenas os mais relevantes da primeira temporada. Jared Padalecki. Jensen Ackles, Jeffrey Dean Morgan, Nicki Aycox, Adrianne Palicki, Samantha Smith, Sebastian Spence, Graham Wardle, Loretta Devine, A. J. Buckley, Travis Wester, Taylor Cole, Terence Kelly e Jim Beaver, são os principais nomes nesse começo de série. A série americana é produzida pela Warner Bros. Television, numa parceria com a Wonderland Sound and Vision, e estreou no dia 13 de setembro de 2005 no canal The WB Television Network. Mais tarde se tornou grade de programação do canal The CW para TV. Mesmo retratando os Estados Unidos, Sobrenatural curiosamente é inteiramente gravado em Vancouver, no Canadá.

Castiel

Sobrenatural não nasceu de uma hora para outra, foram quase dez anos que seu criador, Eric Kripke, levou escrevendo até que chegasse no formato para TV que conhecemos. Pensou-se ser um filme, ou mesmo uma série de caçadores do paranormal, onde um grupo de jornalistas viajava numa van “lutando contra demônios em busca da verdade”. Lindamente cafona. O importante para Kripke era abordar a grande variedade de contos e lendas famosas que fascinavam sua imaginação desde criança. Hoje podemos respirar aliviados, pois sabemos do bom rumo que o projeto tomou. Já imaginou Sobrenatural nesses moldes propostos pelo formato original? Ainda bem que a Warner não gostou e exigiu que outra proposta fosse ofertada.

Sobrenatural

CONCLUSÃO: SÉRIE OBRIGATÓRIA!
Uma série muito divertida que pode te fazer perder horas de sono e chegar morto ao trabalho. Pelo menos era essa a dificuldade pra mim. Os episódios terminavam e eu não conseguia me conter, queria mais e mais. Sobrenatural é um dos melhores seriados de todos os tempos, quanto a isso não há dúvidas. A série tem seus altos e baixos, e nessas quedas não se trata de termos que assistir porcaria à força para dar continuidade à série, mas que os seus picos de qualidade são realmente muito expressivos. Isso nos acostuma mal nos tornando exigentes, mas não se preocupe, os climax vem e vão. Prepare-se para criar fortes vínculos afetivos com diversos personagens, eles te divertirão, farão sentir raiva, ficar pensativo, e até chorar. Eu me segurei em todo momento escrevendo esse texto, e é complicado descrever algo da magnitude desta série sem dar spoilers. Um universo tão grande como esse precisa ser verdadeiramente testemunhado, e não apenas lido sobre. Mas espero ter conseguido aguçar sua curiosidade, e pode confiar, você não vai se arrepender!

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PARALISIA DO SONO: DO MITO À CIÊNCIA

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Você desperta abrindo os olhos mas sem conseguir mover qualquer outro músculo do corpo. Enquanto paralisado e vulnerável na cama, uma sinistra silhueta negra abre a porta vagarosamente. Você arregala os olhos querendo gritar. Sua voz não sai. Por dentro sente seu corpo de debater, são as ordens que seu cérebro envia, mas nada além da visão obedece. Aquela primeira entidade entra seguida de outras. Muitas outras. Vão se acumulando ao redor da cama fixando em você. Penetrando sua alma. Enxergando seus maiores medos. Se mantém assim, te encarando, sentem prazer em te ver sofrer. Chegando tão perto roubam seu ar. A agonia contamina o corpo inteiro com um sopro gélido, não é um sonho. Você tem consciência de perguntar e se responder. Num estado de pânico aqueles minutos parecem horas, te faz refém de um medo descontrolado. Um peso cai sobre o seu peito, você vai morrer…

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019_02A CULTURA CONTA
Esse fenômeno assustador não é algo incomum e acomete 7,6% da população mundial segundo a revisão sistemática de mais de 30 estudos, onde essas pessoas tiveram pelo menos um episódio de paralisia do sono durante a vida. Dependendo da cultura a condição recebe nomes e interpretações diferentes. No Brasil existem regiões onde uma lenda fala sobre uma criatura magra de pernas curtas, dedos longos, unhas compridas e amareladas de sujeira que fica sobre o telhado das casas esperando as pessoas dormirem para atacar. A criatura folclórica é uma mulher conhecida como Pisadeira, e muitas vezes elas surgem subindo no peito daqueles que caem no sono. No Canadá existe o Old Hag, criatura que espreita as sombras esperando uma oportunidade para atormentar quem descansa, e o mesmo se repete com os ma de espíritos que sufocam os vietnamitas no sudeste asiático. Os espanhóis sofrem com a Pesanta, um grande animal preto em forma de cão, mas que as vezes é descrito como um felino. São muitas as superstições envolvendo a paralisia do sono. No passado eram comuns os relatos de demônios que podiam assumir a forma humanoide e invadir o sonho das pessoas. Traziam tormento e drenavam a vitalidade sexual de suas vítimas. Íncubo era sua personificação masculina, e súcubo a feminina. Hoje em dia as pessoas não só são atormentadas por sombras, espíritos ou demônios, mas também são visitadas e até mesmo abduzidas por extraterrestres.

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EXPLICAÇÃO MASTIGADA E EXEMPLIFICADA
Percebemos que a exposição cultural dos indivíduos corrobora para os diferentes cenários durante essas tensas experiências. Mostrando que a ilusão criada nada mais é que o acúmulo caótico dos nossos medos e traumas. A paralisia do sono pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e em qualquer horário do dia. Existem vários estágios que montam nosso momento de sono, e um deles é conhecido como Sono R.E.M., sigla em inglês para rapid eye movement, que traduzido fica movimento rápido dos olhos. O período R.E.M. se repete durante os vários momentos do sono. Acontece de nesse período as nossas funções motoras estarem “desativadas por segurança”, basicamente para não nos debatermos descontroladamente por conta de estímulos dos nossos sonhos por exemplo. Já imaginou sonhar estar correndo e literalmente seu corpo corresponder à ideia? Bem, é por isso que ele precisa desligar. O distúrbio é o despertar pela metade. É o estar consciente ao mesmo tempo com acesso ao seu subconsciente. Durante a paralisia do sono você abre os olhos de forma consciente mas o seu corpo ainda não recebeu o estímulo cerebral para que recobrasse as funções motoras por completo. Então te sobra apenas pode assistir o ambiente ao redor, e junto disso por conta do pânico da imobilidade, traz do subconsciente seus piores medos. Nesse momento pode acontecer de tudo que seu cérebro puder produzir!

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A paralisia do sono é mais recorrente do que imaginamos, e geralmente nem percebemos que ela ocorreu. Na maioria das vezes passamos por ela e acabamos catalogando como apenas mais um sonho. O mais curioso, e que serve para provar que temos consciência nesse estágio de paralisia, é que temos ciência de que estamos passando pelo transtorno. Particularmente é o que aconteceu comigo. Um tempo atrás eu passei pela minha primeira experiência com o fenômeno, e por mais estranho que possa parecer, eu sabia que estava tendo uma paralisia do sono. Coincidentemente eu havia lido um artigo sobre o assunto poucos dias antes, então procurei não estimular o pânico. Eu via sombras aleatórias se formarem pelas paredes, tinha a sensação de que as coisas giravam vagarosamente, mas não alimentei minha ilusão com nada medonho. Procurei estimular as extremidades do meu corpo, os dedos dos pés e das mãos. Tinha lido no tal artigo que isso ajudava à sair do estado anestésico. É exatamente essa a sensação, a de estar anestesiado. Aquela sensação ruim de quando você acorda após uma cirurgia e não consegue mover parte do corpo. Quem já passou pela anestesia raquidiana vai saber do que estou falando. Se concentrando em forçar essas extremidades, você consegue bem rápido se libertar da paralisia. E com alguns tapas e água gelada no rosto você está novinho em folha e definitivamente acordado.

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O QUE CAUSA A PARALISIA DO SONO?
Existem vários fatores que somam para o distúrbio. O baixo índice do hormônio melatonina e do aminoácido triptofano, o sono irregular, estresse elevado, alimentação pesada, consumo excessivo de bebida alcoólica, uso de drogas lícitas ou ilícitas, e até mesmo o nível elevado de fadiga. Basicamente um pouco de tudo pode suceder à condição. Sem contar os grupos de pessoas que sofrem deste problema de forma crônica, e que precisam de acompanhamento médico profissional para conseguirem uma melhor qualidade de vida. A paralisia do sono pode parecer algo muito assustador, mas depois que entendemos como ela funciona, podemos melhorar muito nossa qualidade de sono.

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TYPEWRITER – SÉRIE DA NETFLIX (CRÍTICA)

Typewriter

Muita gente assiste filmes e séries de terror por conta de curtir a tensão do imprevisível. Ficam no aguardo daquele ser que surge abruptamente da escuridão e modifica sua fisionomia para algo sinistro. Geralmente os olhos e boca num profundo negro são os mais comuns nas obras desse gênero. Typewriter vai de contramão à isso, e faz muito diferente do tradicional horror gráfico qual estamos bastante acostumados. Na minha opinião pessoal, tem muito mais eficiência na exploração do medo, e nesta breve resenha irei explicar a razão.

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A produção indiana de Sujoy Ghosh tem apenas 5 episódios nessa primeira temporada, e se inicia com um fato interessante. A chamada para série é uma literal cópia de um curta de Ignacio F. Rodó, chamado Tuck me in. Durante o exato um minuto de duração se nota de onde Ghosh trouxe sua suposta inspiração. Mas tirando esse curioso trecho de introdução que faz entender qual é a pegada da série, tudo me aparentou ser bem original. Eu pelo menos não recordo ter assisto até hoje algo parecido.

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Superando essa estranha similaridade, que vai lá saber se os caras tomaram um café e formalizaram o uso nessa nova produção, o episódio dá andamento após uma bonita e bem feita introdução. Um trio de crianças próximo aos 10 ou 12 anos estão matando aula para ficar perambulando pelo bairro enquanto discorrem em assuntos sobre fantasmas, e de cara a sensação é de estar assistindo uma daquelas novelas infantis brasileiras. Eram dois garotos liderados por uma garota, onde o mais responsável ali aparentava ser justamente o cachorro de um deles. Introduzindo esses três personagens, e o totó, a cena troca para uma família onde pai, mãe, e um casal de filhos estão se mudando, justamente para o imóvel onde iniciou o episódio. A mansão Bardez Villa, que com sua fama de assombrada serve de base de exploração pra toda essa temporada.

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A forma que Ghosh dirige procura ser a mais simples possível, explorando planos curtos com tomadas bem conservadoras, e isso causa a estranheza de parecer uma novela barata. Sensação essa que rapidamente perde importância pela construção de diálogos confortáveis de acompanhar e um roteiro que te remete ao mistério ininterrupto. Não existe muita pirotecnia pra executar suas ideias, nem mesmo os fantasmas são criaturas bizarras, pessoas saturadas com maquiagens toscas, ou silhuetas translúcidas. Eles são exatamente assim como eu e você, se apresentam na história como representação carnais, e é exatamente esse o ponto sinistro. Você nunca sabe se está conversando com uma pessoa normal, ou com uma abominação de outro mundo.

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Após alguns minutos do primeiro episódio a coisa vai mudando de tom, e se antes o sentimento era o de estar assistindo conteúdo infantil, o ambiente vai ficando cada vez mais pesado e sinistro. O que parecia ser algo bobo e despreocupado, se transforma em algo bem mais aterrador com a cena da primeira morte. Um assassinato para falar a verdade, e ele ocorre da forma mais limpa, mundana e direta. Não há um impacto visual como estamos habituados, explora nossa dúvida e traz uma angústia pela incerteza do que é real.

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CONCLUSÃO
Typewriter é uma série original da Netflix que traz um novo tipo de fazer terror, e acredite, ele só esboça parecer com um Stranger Things, rapidamente você vê que segue para um rumo próprio. Eu ainda não assisti tudo, me falta o quinto e último episódio que verei daqui à pouco, mas posso garantir que é um terror de muito bom gosto. Lembra daqueles livros de contos sinistro da Editora Ática? Então, assistir essa série me trouxe exatamente esse sentimento nostálgico daquelas histórias. Porém com um pouquinho mais de peso e maturidade, não recomendo trazer seus filhos menores de 12 anos para assistir.

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LÁ VEM O DISCO VOADOR (UFOLOGIA)

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A angústia de passar ridículo é algo que incomoda muita gente, ninguém quer o estigma de parecer indigno de confiança, ou mesmo virar motivo de piadas, e um dos ápices desse medo é revelar possíveis experiências paranormais. Quem não tem uma ou outra história insólita para contar? Acredito que quase todo mundo tenha, mas são raros os que tem coragem de abrir a boca. Tenho cerca de uma dúzia de casos pessoais, quais não contarei de jeito nenhum! Não quero ser taxado como maluco! Já que tenho uma página à zelar, e a reputação de centenas de milhões de seguidores. Mas tenho algo para dizer, não sobre mim e, nem sobre ninguém, mas sobre o entendimento de um fenômeno qual as pessoas deveriam levar um pouco mais à sério. Os OVNI’s! Podem rir. Não ligo.

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Duvido muito que as pessoas que dão aquela risadinha de lado quando surge esse assunto, façam realmente ideia do que estão debochando. Então primeiro é necessário o entendimento do básico, o significado do acrônimo OVNI, que na verdade é a sigla para objeto voador não identificado. O significado é literal e, só bastaria ter a mínima atenção e boa vontade pra interpretar. Na vida quando vemos algo que não podemos definir com segurança o que é, temos tal coisa como “não identificada” e, permanecerá desta maneira até que consigamos uma explicação melhor. Vale para objeto terrestres, aquáticos, o pontinho preto na sopa e, imagine você, até para os objetos voadores. Sensacional, não?!

OVNI

Com o entendimento do que viria ser um OVNI, já temos o início para superarmos um pouco nosso preconceito. Uma vez que aprendemos a obviedade de eles não serem necessariamente isso, aquilo, aquilo outro, e nem um maldito disco voador vindo das Plêiades. Quando vemos qualquer coisa no céu e, temos o conhecimento e meios de definir com segurança não ser qualquer aeronave conhecida, pássaro, inseto, balão, Superman, ou mesmo fenômeno atmosférico ou astronômico, nessa condição, sim, temos um autêntico disco voador! Quer dizer, digo, OVNI. Até eu mesmo tenho dificuldade com essas definições, simplesmente não me ouça, você sabe melhor que eu interpretar coisas.

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Conseguimos estabelecer o que não são as coisas, isso é o mais importante. Mas também precisamos definir a nossa forma de pensar em conjunto com isso. As pessoas possuem bagagem cultural, um pacotão cheio de conceitos e preconceitos, qual caso não tenha cuidado, poderá cair numa traiçoeira armadilha, a do viés de confirmação. Isso pode servir para que sejamos precocemente céticos ou crédulos demais, e as duas coisas são bem ruins se almejamos encontrar verdades. Com ceticismo cego iremos investigar com a predisposição de desmascarar algo, e não a de constatar. Podemos alterar, ignorar aspectos do objeto analisado, e chegar numa conclusão equivocada para nossa pesquisa. O mesmo vale se formos crédulos demais. Se entrarmos numa investigação predispostos a encontrar aquilo que desejamos, iremos ver aquilo que nossos olhos querem enxergar, e não necessariamente a realidade. É sim, muito difícil encontrar um ponto médio entre essas duas coisas, mas se faz extremamente necessário caso não queiramos ser observadores medíocres. Vale para tudo em nossa vida, afinal, constantemente estamos analisando e julgado coisas para continuar a seguir frente.

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Porque tanta reflexão em explicar algo tão bobo? Bem, talvez não seja algo tão irrelevante assim. O senso comum é de que o assunto disco voador, como popularmente as pessoas mais simples se referem aos OVNI’s, serem apenas papo furado que as pessoas contam quando não tem nada para falar. Causos que o Seu Zé conta no botequim apenas para arrancar risadas. Mas será mesmo que o que temos é apenas isso? São só histórias mal contadas por narradores indignos de confiança? Sinto informar, mas se você pensa assim, está redondamente enganado. O fenômeno OVNI é identificado e relatado por uma série de instituições sérias. Órgãos que levam o assunto tão a sério, que registram minuciosamente, estudam o fenômeno, catalogam, e deixam oculto do público leigo. Porém de uns anos para cá, governos do mundo inteiro, incluindo o Brasil, vem liberando informações variadas. Perseguições de aeronaves, missões oficiais das forças armadas em regiões com alta incidência do fenômeno, registros de radares, relatórios de pilotos capacitados em identificação, sejam eles civis ou militares, e uma série de outras documentações relacionadas.

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Para não parecer que estou falando coisas no vazio, citarei alguns casos famosos, e que facilmente você encontra mais conteúdo para analisar por conta própria na internet. Temos a Operação Prato, com relatórios e, até mesmo vídeos em Super 8, feitos por militares na década de 70. O prefeito da cidade não conseguindo mais lidar com a situação caótica da cidade, pediu socorro às forças armadas. O caso possui riqueza de detalhes de uma série de testemunhas. Algumas ainda vivas. Os moradores da região se referiam ao fenômeno como ‘chupa-chupa’, por conta dos feixes luminosos que vinham de estranhos objetos voadores e, acertavam as proximidades do peito ou pescoço das vítimas. Os atingidos passavam a apresentar muita fraqueza muscular, tendo até casos extremos de alguns virem à óbito.

Operação Prato

Outro caso que se sustenta em uma série de documentos oficiais, e que nem na sua época fora tentado ocultar, é a conhecida Noite Oficial dos OVNI’s. Ocorrida em 1986, revoadas de proporções gigantescas foram vistas em diversos pontos do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná, são os que se tem comprovação reconhecida. E estou falando de registros de radares do CINDACTA I, o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, o tipo de coisa séria que não se forja. Caças decolaram das bases militares de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e de Anápolis, no Estado de Goiás, para interceptar os objetos luminosos. O show aéreo se deu durante a noite, e muitos populares conseguiram assistir aquelas cenas duraram cerca de três horas. No dia seguinte o Tenente-Brigadeiro do Ar, Octávio Júlio Moreira Lima, deu uma coletiva de imprensa informando sobre os acontecimentos. Informou que os pilotos perseguiram de forma inútil aqueles objetos, visto que a tecnologia empregada naquelas supostas aeronaves, quais ele enfatizou ter controle inteligente, superavam em muitas vezes as dos F-5 e Mirages empregados na ação. Os jatos não conseguiram ao menos se aproximar para fazer algum reconhecimento visual mais detalhado.

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Memorandos e relatórios oficiais, contavam que algumas tripulações de aeronaves militares durante a Segunda Guerra Mundial, presenciavam constantemente OVNI’s fazendo companhia em suas missões. De um lado os aliados registravam aqueles como sendo possíveis experimentos militares dos nazistas, e do outro, os nazista tinham o entendimento que aquilo certamente vinha dos aliados. Os formatos dos objetos desconhecidos eram dos mais variados, desde pequenos medindo o tamanho de uma maçã, a objetos em forma cilíndrica com dezenas de metros. Os conhecidos Foo Fighters, preencheram todo o período de guerra, e são detalhados em diversos relatórios de ex-combatentes.

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Esses são apenas alguns casos famosos que servem para mostrar que o fenômeno OVNI não se resume apenas à histórias vindas de pessoas humildes, ou simplesmente cascateiros querendo chamar atenção. Existem registros dos mais variados tipos vindos de forças policiais, militares, instituições de monitoramento civis, e de todo tipo de autoridade capacitada em descartar falsos positivos. O assunto sempre foi nebuloso e motivo de ceticismo, mas o que mais contribui para sabotar sua legitimidade, são justamente os que se colocam como interessados em disseminar, e claro, lucrar em cima do assunto. Tratam o fenômeno como mercadoria e até objeto de culto. Temos subcelebridades que se autointitulam ufólogos, e arrogam para si a autoridade num assunto que não existem donos. São editores e donos de grandes revistas do ramo, e responsáveis por populares programas de TV, fazendo um enorme desserviço. É preciso lembrar que o estudo do assunto ufologia (vindo de UFO, termo em inglês para OVNI) não traz conteúdo suficiente para se alimentar constantemente com novidade. Esses caras bombardeiam seus públicos com repetições incessantes, sensacionalismo barato, e até fraudando material para suprir suas programações editoriais. Isso mancha cada vez mais a imagem já bastante queimada de quem estuda à sério o fenômeno.

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Interessante também é a alegação do público cético, que afirma não acontecer mais nada novo relacionado à OVNIs. Que depois do advento e popularização dos smartphones com câmeras superpotentes, ferramenta essa que poderia registrar com qualidade os tais OVNI’s, nada mais apareceu. Usam suas impressão de mundo como bengala argumentativa para reforçar a tese de que tudo nunca passou de bobagem. E isso, sem perceber que a réplica para sua convicção está justamente na palma de suas mãos. Você costumar ver pessoas vidradas no telefone até na hora de atravessar a rua? Sendo assim, não é difícil entender que a maioria das pessoas estejam olhando pra direção errada, caso realmente intencionassem avistar objetos no céu. Então não se trata do fenômeno ter acabado ou diminuído, são as pessoas que andam mais relapsas à essa atividade. E não é só isso, não só por conta da distração os ‘avistadores’ diminuíram, mas pelas cidades estarem cada vez mais iluminadas e com o ar poluído, o que prejudica ainda mais o vislumbre do firmamento. Se você não enxerga direito o céu, você não enxerga o que de incomum pode haver nele.

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A conclusão que chegamos é de que não se pode negar o fenômeno OVNI e simplesmente atribuir ao folclore. Existem fundamentações sólidas para afirmar sua autenticidade. Como já dito, é errado qualquer afirmação do que seja, essa parte sim envolve teorias e falsas convicções. Dizer que sejam naves extraterrestres, viajantes do tempo, fenômenos meteorológicos desconhecidos, ou seja, pressupor qualquer teoria, não deixa de ser interessante. Mas devemos procurar sempre fazer o exercício de não nos levarmos por nossas convicções, e sempre buscar a realidade. A verdade está lá fora.

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