JOGO NA ESCURIDÃO (CRÍTICA)

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Embora este filme tenha sido classificado como 16 anos, acredite em mim, ele deveria ter sido listado como 18.

SINOPSE
Uma onda de assassinatos sádicos contra mulheres vem ocorrendo no ano de 2017, e retratando um destes episódios, o novo longa indiano de suspense psicológico inicia. A cena de abertura é pesadíssima, utilizando a filmagem da câmera de um doentio serial killer enquanto ele espreita o momento de descanso de uma moça. Despercebido ele entra na casa onde se mantém oculto nas sobras até que ela adormeça. As imagens que se seguem mostram o quanto grotesco e desumano alguém pode ser com outro, os detalhes são excessivamente macabros e inenarráveis. O resultado é termos uma jovem assassinada, decapitada e com seu corpo incinerado.

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Um ano se passa após essa morte, e acompanhamos os dias de Swapnam, uma designer e desenvolvedora de jogos que luta contra um trauma de seu passado recente. A jovem mulher mora numa casa bem aparelhada, na qual Kalamma cuida de suas necessidades pessoais diárias, e Anwar cuida da segurança na portaria do imóvel. Swapnam traz consigo um grande trauma, que faz a moça não conseguir se manter em ambientes de escuridão, e isso cada vez mais prejudica sua qualidade de vida. No seu pulso esquerdo ela traz uma pequena tatuagem de um coração com um controle de videogame no meio, mas o que ela não fazia ideia, é que na pigmentação da tinta fora misturado cinzas de uma pessoa morta. E isso seria a chave para bizarras coisas que sucederiam.

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RESUMO COMENTADO E COM SPOILERS!
Jogo na Escuridão é um filme atípico. Vendido pela Netflix como um filme de terror, a produção não traz verdadeiramente elementos para essa classificação. O que temos é uma obra de drama e suspense com grande peso na tensão psicológica. Swapnam é uma personagem mal explorada pelo roteiro, que em sua sinopse enfatiza a descrição de uma designer de games, mas tem isso como completamente irrelevante para o desenrolar da trama. Seus traumas são relembrados em todo momento do longa, e entender como desenrolou isso faria total sentido para compreender a grandeza do que ela precisava superar. Mas não, o roteiro não colabora em momento algum para dar clareza à nada. Basicamente passamos mais da metade do filme acompanhando a jovem em suas sessões de terapia para aprender a lidar com seus medos.

A tatuagem que havia feito no pulso começa a doer inexplicavelmente, então ela volta ao estúdio onde havia feito para tentar entender o que poderia ser a causa. Mais de um ano tinha passado desde a aplicação, então não fazia sentido uma reação agora. Até a tatuadora que atendeu fica sem entender, porém ela revela algo delicado. Haviam pessoas que traziam as cinzas de seus entes queridos na intenção de misturar na pigmentação. A ideia era de levar algo da pessoa amada sempre consigo. E o que ocorreu, é de ela ter confundido, e usado uma destas tintas no pulso da jovem. Swapnam fica indignada com absurdo do que ouve, era inaceitável a condição de ter algo de uma pessoa morta presa ao seu corpo.

Voltando à sua rotina, Swapnam vai empurrando a vida com a barriga, até o momento qual enfrenta a situação desconfortável de ao entrar numa cafeteria ser reconhecida por dois homens. Os rapazes conseguiram identificá-la como a mulher amarrada de um vídeo. Os dois comentam em tom de zombaria ser realmente ela, e isso não faz sentido algum. Porque alguém acharia graça da desgraça de uma mulher dessa maneira? Fica aí ainda mais um motivo para se compreender o que ocorreu de tão grave um ano atrás, e que gera tanta dor para ela. Mas não importa, o filme fecha e isso realmente não é elucidado.

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Durante um dia de terapia Swapnam está esgotada, não aguenta mais e se entrega as dores. Salta de um edifício procurando a morte, mas não adiantou, aquela ainda não era sua hora. A jovem fica bastante machucada, quebra alguns ossos e passa a andar de cadeiras de rodas. A gravidade da sua saúde também não é explicada, portanto não sabemos também se o fato de não poder andar é apenas uma situação momentânea ou permanente. E se antes seu psicológico era terrivelmente afetado, agora ele estava em migalhas por estar ainda mais impotente.

Certo dia Swapnam recebe uma visita. Era uma mãe, justamente a mãe da jovem moça que tinha sido brutalmente assassinada no começo do filme. Ela conta sua história, e explica o quanto sua filha era uma pessoa forte que lutava pela vida. Vinha numa longa batalha contra o câncer e mesmo assim nunca se abatia. Em comemoração sua última vitória contra a doença, combinaram de fazerem juntas uma tatuagem. Mas a jovem não teve tempo, foi morta antes que pudesse cumprir a promessa. Por conta desse pedido da filha que a mãe em sua homenagem decidiu fazer essa “tatuagem rememorativa”, o nome que o estúdio deu pra técnica.

Tal revelação fez mudar completamente as coisas. Saber que por trás daquela marca havia o sangue de uma guerreira te trazia coragem. Só não ficou claro ainda o porque daquelas pontadas de dor, mas sem tardar ela entenderia. É chegada então a noite qual o caos invadiria completamente sua vida. Aquele mesmo cara que matou a jovem do começo, e que na realidade não era apenas um, mas pelo menos três homens, haviam matado o vigia da portaria e agora tentavam entrar na casa.

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FINALMENTE ALGUNS PORQUÊS
MAS NÃO TODOS (+SPOILERS!)

Assim que um assassino entra Swapnam percebe que no seu braço surgiram mais duas tatuagens, totalizando assim três corações. A jovem ainda não entendia o que aquilo queria dizer. A ação desenrola rápido, o homem entra, mata Kalamma, e em seguida alcança Swapnam. Numa cena arrepiante ele corta a cabeça da jovem, e isso pela ótica da própria vítima! Uma boa sacada da direção onde escondeu o grafismo de um gore que não se encaixaria no todo, mas manteve a carga de peso do ato cruel. Pensamos: sério, o filme acaba assim? Não, ele continua.

Como num jogo, Swapnam perdeu uma vida. Ela descobre isso olhando para o seu pulso onde haviam três corações e agora restavam dois. Inserida na partida ela tenta tirar melhor proveito da situação para se safar daqueles assassinos. Mais uma vez não consegue. Até chega a ativar a polícia mas tudo dá errado, desta vez ela é morta queimada dentro de uma viatura da polícia enquanto era evacuada de casa.

Pronto, restava apenas a última ficha. Quer dizer, coração. Swapnam joga diferente. Antes seu trauma vinha atrapalhando na sua desenvoltura para sobreviver ao ataque. Então era questão de vida ou morte. E não só dela, mas de Kalamma também. Ao ouvir o primeiro ruído dos invasores ela mantém o controle. Com grande esforço e inspirada na menina que de alguma forma sobrenatural lhe ajudava, manteve a calma e não entrou em pânico quando as luzes se apagaram. Seguindo a regra de manter a racionalidade, eliminou um à um aqueles psicopatas. Se salvando e mantendo a vida de Kalamma. O vigia, bem. Esse não teve sorte mesmo. Já estava morto antes do checkpoint.

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ELENCO E FICHA TÉCNICA
Taapsee Pannu, Vinodhini Vaidyanathan, Anish Kuruvilla, Sanchana Natarajan, Ramya Subramanian, Parvathi T., Maala Parvathi, David Solomon Raja, Indrajith, Subramanian, Soorim, Capt KRC Pratap, Vignesh Shanmugham e Joshua Miller compõem o elenco. O roteiro é de Ashwin Saravanan e Kaavya Ramkumar, e a direção de Ashwin Saravanan.

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CONCLUSÃO
Jogo na Escuridão é um filme com muitos furos no roteiro. Apresenta vários elementos na trama mas não os desenvolve, e isso acaba prejudicando as reflexões comuns de filmes desse gênero. A obra gera inconstância, as vezes caminhando bem e as vezes batendo justamente nessas falhas. De qualquer forma, e mesmo com esses defeitos, ainda é uma filme que vale à pena ser visto. Nos seus pontos positivos ele segue bem, trazendo a sensação constante de agonia e impotência em situações sinistra. A produção é original da Netlix e já está disponível na plataforma. Tenham cautela com as crianças, esse não é um filme adequado para elas.

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BADLA (CRÍTICA)

Badla 2019

SINOPSE
Um quarto de hotel, duas pessoas, e uma delas morta. É nesse cenário de crime que o renomado advogado Badal Gupta entra para defender Naina e tentar compreender quem é o real assassino de Arjun. A empresária e o fotógrafo são membros da alta sociedade que se veem envolvidos num relacionamento extraconjugal, e passam a ser chantageados anonimamente por um misterioso personagem. Exigindo uma certa quantia em dinheiro e que seja entregue em um luxuoso hotel da gélida Glasgow escocesa, o casal de amantes parte em viagem para tentar abafar esse escândalo que poderia acabar com suas carreiras. Após entrarem no quarto Naina é repentinamente agredida e desmaia, sendo acordada com os bateres na porta de policiais que a flagram como sendo a única presente no mesmo local onde Arjun estava estirado morto. Então uma pesada briga psicológica é travada entre o advogado e a cliente que quer provar sua inocência.

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DIREÇÃO DA ADAPTAÇÃO
Badla é um filme indiano de 2019 repleto de mistério, complexas reviravoltas, e capaz de te deixar agarrado no sofá do começo ao fim. Sendo adaptação do filme espanhol Contratiempo de Oriol Paulo, o longa de 2009 traz pequenas mudanças, como o gênero de alguns personagens centrais, dando assim uma nova visão psicológica e mais peso à narrativa. Se passando quase integralmente num apartamento, ainda consegue espaço em breves cenas externas, tirando ótimo proveito de uma fotografia muito expressiva. A direção de Sujoy Ghosh, o mesmo da excelente série Typewriter já resenhanada aqui, tem pequenas falhas pontuais, onde certos cortes de edição se mostram mal cronometrados. Talvez por pouco tempo hábil de revisão, não sei, mas era o tipo de coisa que não deveria ser deixado passar. De qualquer forma são dois ou três momentos apenas que essas pequenas falhas ocorrem, e não são suficiente para estragar o andamento da projeção.

Badla

UM EXCELENTE ELENCO!
Ponto alto fica para as brilhantes atuações de Taapsee Pannu, Amitabh Bachchan e Amrita Singh, que te transportam para diálogos fortíssimos onde cada vírgula pesa e faz se entender uma nova versão dos fatos. A mentira e a verdade estão sempre lado à lado, se valendo de pequenos detalhes para que tudo esteja sempre preste a inverter os sentidos. O elenco também conta com Antonio Aakeel, que não brilha tanto quanto os outros, uma vez que não tem o mesmo tempo e oportunidade para se desenvolver mais.

Taapsee Pannu

CONCLUSÃO
Fazendo referência constante ao Mahabharata, o texto épico sagrado do hinduísmo, Badla traz reflexões sobre perdão, culpa e vingança, palavra última essa que traduz o título do longa. Perspicaz e provocante, é um filme pra ser assistido numa tacada só. Fazer quebras de ritmo vai comprometer o estímulo agradável que o roteiro desenvolve. Sujou Ghosh deu suas pequenas pisadas de bola na edição, mas trouxe uma obra tão bem escrita que todos os seus problemas merecem ser ignorados. Recomendadíssimo, Badla está disponível atualmente na Netflix.

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